A quinta e última temporada de "Stranger Things" foi lançada pela Netflix em dois volumes e o episódio final. O primeiro volume, com quatro episódios, foi lançado em 26 de novembro de 2025, o segundo volume, com três episódios, foi lançado em 25 de dezembro, e o episódio final foi lançado em 31 de dezembro.
"Stranger Things" foi uma série em que eu aprendi a amar desde o primeiro contato. A série logo me ganhou pelo charme transístico dos anos 80, com aquela história típica que se passa em uma pacata cidadezinha norte americana. E por falar na década de 1980, "Stranger Things" é o puro suco das lendárias produções oitentistas, do puro Sci-Fi estilo anos 80, com inúmeras referências da época, que vai desde os cenários, figurinos, fotografia e principalmente a trilha sonora. Este é o cenário que se inicia a primeira temporada com boas doses de terror, ficção, drama, fantasia, suspense e claro, o humor. Sem falar que a série começa com uma abordagem sobre o drama familiar, o bullying voltado para o núcleo infanto-juvenil, as crises, os traumas, as decepções e a corrupção que assola o governo americano em volta de toda experiência laboratorial com cobaias humanas.
A série continua impecável em sua segunda temporada por conseguir manter a essência, o ritmo e todo o clima da primeira. Esta temporada nos insere ainda mais na complexidade da mente humana acerca dos transtornos mentais, ao nos fazer refletir em como as nossas fraquezas e os nossos medos podem se virar contra nós. E muito dessa reflexão tiramos justamente do personagem Will (Noah Schnapp). Sem falar que é nessa temporada que temos a chegada de uma personagem extremamente importante e querida em toda a série, Max (Sadie Sink).
A terceira temporada continua inserida na essência oitentista, continua trazendo inúmeras referências da cultura pop dos anos 80. Porém, dessa vez temos uma temporada mais leve, mais cômica, a que chega mais perto de uma comédia oitentista. Esta é uma temporada onde o elenco "infanto-juvenil" já estão bem crescidos, e junto com este crescimento eles passam a ter outras preocupações e outros objetivos. Por outro lado esta temporada mostra uma Hawkins ainda mais envolvida em novas experiências do governo, onde temos praticamente uma invasão russa na cidade.
A quarta temporada de "Stranger Things" é excelente, facilmente uma das melhores temporadas de toda a série. Pois temos novos personagens e um novo vilão que deu novos ares, uma nova cara, um novo fôlego e um novo rumo para a série. Um dos pontos mais positivos dessa temporada está exatamente no novo vilão - Vecna (Jamie Campbell Bower), o Mago das Trevas. Achei uma ideia genial deixar um pouco de lado o Devorador de Mentes e focar a temporada inteira na construção e no desenvolvimento de um novo vilão. Por falar em Vecna, a forma como ele ataca e mata as sua vítimas é completamente bizarro e assustador, o que deu um ar e um clima ainda mais sombrio e aterrorizante para a temporada. Esta temporada tem seu lado mais pesado dramaticamente, com fortes revelações e com alguns arcos pessoais bastante importantes para a história. O nono episódio facilmente classifico como o melhor episódio da quarta temporada, o melhor episódio de toda a série "Stranger Things" e um dos melhores episódios de uma série que eu já assisti na vida. Todos os acontecimentos que envolvem este episódio com 2h22m é completamente surreal, avassalador, emocionante e fantástico.
E por fim, depois de longos anos, chegamos na quinta e última temporada de "Stranger Things". Falar da quinta temporada não é algo fácil para quem é fã da série, até porque o quanto eu esperei e criei expectativas. Porém, na minha opinião o principal vilão dessa quinta temporada é o longo tempo de espera, o grande hiato entre a temporada 4 e 5, o que foram longos 3 anos e 5 meses de intervalo. E aqui podemos entender (e não aceitar) todos os problemas que a série atravessou nesse longo caminho até a chegada dessa última temporada. Por exemplo: tivemos duas grandes paralisações na indústria de entretenimento, a famigerada greve em Hollywood, o que levou a paralisação total das gravações. Já nas partes técnicas, os os irmãos Duffer relataram o envolvimento direto em supervisão e direção de cada episódio, acompanhando de perto cada edição, cada montagem, dando ênfase nos mínimos detalhes da produção. Consequentemente os longos episódios exigiram ainda mais da pós-produção em relação a filmagem, corte, mixagem e edição, e ainda mais considerando toda imposição colocada pelos showrunners da série.
Fato é, eu poderia passar horas aqui pesquisando e escrevendo sobre os vários motivos que fizeram a quinta temporada de "Stranger Things" demorar tanto tempo para acontecer. Ainda assim nada seria suficiente para amenizar, ou explicar, o que de fato deu tanto errado na temporada final de uma das melhores séries da minha vida, e que eu esperei uma temporada com um final apoteótico. Por outro lado podemos considerar que se os irmãos Duffer acompanharam assim de tão perto os mínimos detalhes, o que esperávamos era uma temporada final épica, até porque foram anos trabalhando em um material que eles já dominavam há muito tempo, que já eram expert no assunto, era só entregar o que já sabiam e o que todos nós almejávamos. Todavia não foi isso que aconteceu, a temporada final de "Stranger Things" é cercada por tantos problemas que chega a ser assustador o que foi entregue para nós.
Vamos ser sinceros aqui, todos nós sabemos que eles perderam a mão, e isso não é uma opinião é um fato. Parece que quanto mais eles tinham tempo para desenvolver o enredo da temporada pior ela ficava. O final da quarta temporada preparou todo o terreno para a quinta chegar e reinar em um final marcante e apoteótico. Para começar esta temporada perdeu completamente o clima de terror e suspense e focou inteiramente em uma ação desenfreada. Todo aquele clima pesado, sombrio, tenso, mórbido e aterrorizante dos ataques do Vecna foram amenizados e praticamente esquecidos. Sem falar que os próprios ataques eram em sua grande maioria simples e sem nenhum terror. Outro ponto completamente banalizado nessa temporada, o terror e o suspense psicológico, que sempre foram marcas registradas da franquia, aqui foram suavizados e esquecidos, principalmente no personagem Will. As temporadas anteriores tinham terror, tensão e suspense, principalmente o terror psicológico, e aqui foram completamente eliminados dando espaço somente para a ação.
O ritmo da temporada é muito acelerado, o que acaba nos passando um senso de urgência nos acontecimentos sem nenhum peso e sem nenhuma identificação com o espectador como acontecia antes. E aqui vale ressaltar que a temporada teve apenas 8 episódios em sua grande maioria longos, o que já é de praxe, e o último com praticamente 2h de duração. Eu achei que deveria ser uma temporada maior, com mais episódios, até para desenvolver melhor a história e principalmente o final, mais precisamente o embate final. Dessa forma teríamos uma temporada final mais abrangente, mais detalhada, dando espaço para desenvolver melhor os personagens e seus arcos pessoais, sem aquele senso de urgência, sem aquela correria que a temporada entregou. Por outro lado é notável a questão de parecer que todos já estavam de saco cheio e só queriam dar um fechamento para a série e cada um seguir o seu caminho.
Como a temporada é corrida e os acontecimentos são muitos, não temos tempo para desenvolver e construir nada. Ou seja, perderam o timing do elenco na questão da passagem em relação a adolescência de cada um, até pelo longo tempo entre as temporadas e no geral como um todo nesses quase 10 anos de série. O elenco em si eu amo de paixão, mas como eu achei tudo muito corrido eu não consegui ter aquela empatia com cada um como eu tinha anteriormente. É tudo muito rápido, quando você está dentro do acontecimento de um do nada você já está no acontecimento do outro, dessa forma você não consegue criar conexão com ninguém, fica tudo muito raso e muito vago, falta emoção. Porém: uma das que mais me incomodou foi a Millie Bobby Brown. E aqui eu não quero julgar se foi ela que decidiu atuar assim, ou se de repente foram ordens superiores, mas fato é que ela está o tempo todo no automático, sem aquele envolvimento que ela tinha antes. É muito notável que falta emoção em sua atuação, parece que ela não estava se importando muito e só queria terminar logo as gravações. O Will eu achei muito bom nas partes que ele também conseguia demonstrar os seus poderes igual a Onze, quero dizer na sua forma de caracterização. Por outro lado ele parecia estar mais preocupado com a sua aceitação como ele era do que de fato estava acontecendo ao seu redor. O Dustin (Gaten Matarazzo) estava ok, ainda sentindo muito a morte do Eddie (Joseph Quinn), e parecia que ele estava lutando exatamente por essa causa o tempo todo. O Mike (Finn Wolfhard) bem abaixo das temporadas passadas, melhorou mais no último episódio com os acontecimentos da Onze. O mesmo vale para o Lucas (Caleb McLaughlin), que só cumpre o seu papel no grupo. E aqui vale ressaltar que diminuíram muito a sua importância com relação a Max, até pela forma como a Max passou da temporada 4 pra 5. Já a Max é totalmente subaproveitada na temporada, ficando mais no destaque com as cenas com a Holly (Nell Fisher), que na minha opinião são cenas desnecessárias como um todo. Já a presença da Holly eu gostei, acho que casou com o que a trama pedia naquele momento, e vale destacar que a atriz Nell Fisher é nova e já é muito boa. A Nancy (Natalia Dyer) é uma personagem que eu adoro desde a sua primeira aparição na série, e aqui eu vi muitas pessoas julgando a sua participação na temporada, por ela estar quase o tempo todo como uma guerrilheira. Eu até acho que fez sentido pela forma como ela poderia de fato ajudar, mas eu entendo que aquela skin de Sarah Connor dela ficou até exagerada em algumas cenas. E por falar em Sarah Connor, temos a presença ilustre de ninguém menos que a poderosa Linda Hamilton na temporada. Ela traz uma personagem bastante curiosa. Jonathan Byers (Charlie Heaton) e Steve Harrington (Joe Keery) foram dois personagens completamente prejudicados pelo roteiro, ficando quase que apenas no papel de ambos se exibirem e cortejarem a atenção da Nancy - uma pena! Eu sempre gostei da Robin Buckley (Maya Hawke), ela sempre está muito bem em suas apresentações, como acontece aqui. Ela tem uma veia para a atuação que é invejável, ainda mais tendo o pai e a mãe que ela tem. A Erica (Priah Ferguson) é outra personagem completamente esquecida na temporada, ela está ali apenas cumprindo seu contrato mesmo. Já o casal Joyce e Hopper (Winona Ryder e David Harbour) fazem o que sabem de melhor, fazem o que esperávamos e tem o final que também esperávamos.
Sobre o personagem do Jamie Campbell Bower eu preciso puxar o gancho do que foi aquele embate final contra o Vecna. Eu não vou negar que eu gostei muito da forma como foi desenvolvida a guerra final, com cada um fazendo a sua tarefa e todos unindo suas forças em prol da causa maior. Porém, é fato que este embate final contra o Vecna não passa nem perto do que nós imaginávamos que seria. Tudo acontece de forma muito simples e até muito fácil. O poderoso Vecna, o lendário Mago das Trevas, que controlava e se apossava da mente de todos, que tinha um exército ao seu favor, de repente está completamente sozinho na hora que ele mais precisava. Tudo bem que ele está junto com a manifestação física do "Devorador de Mentes", mas e os Demogorgons? Sumiram todos? Já na questão da atuação do Jamie, como Vecna ele está bem abaixo da temporada anterior, até porque lá ele estava impecável, já como Henry ele faz um papel bem digno.
Esta quinta temporada deixa muitas pontas soltas, muitos acontecimentos que ficamos nos perguntando o que de fato está acontecendo, por exemplo: a questão do "Mundo Invertido", que antes era um local sombrio, obscuro, que para entrar nele era algo difícil e desafiador, agora está meio que normalizado, corriqueiro, simples, onde parece não oferecer mais nenhum perigo. Aquela parte do mundo imaginário na mente do Vecna é uma parte bem questionável, pra não dizer desnecessária mesmo (como já destaquei antes). E toda aquela história do Vecna em querer unir os mundos em um só, algo como uma reformulação à sua maneira, e ainda utilizar as crianças porque as mentes delas são uma espécie de "inocência", ou algo como um ponto de ancoragem para a fusão dos mundos, é uma viagem bem excêntrica - mas ok né! Outros pontos que eu não entendi: aquela cientista que aparece na mente do Vecna em uma caverna. Aquelas mulheres grávidas. Aquele Dr. Sam Owens que apareceu no final da quarta temporada e aqui ficou em aberto. A Suzie (Gabriella Pizzolo), a namorada do Dustin, que de repente desapareceu da série. E por fim a decisão em construir aquele final para a Onze, com um final em aberto se ela ainda existe ou não, eu achei um pouco fora de tom. Na minha modesta opinião eu acho que deveriam finalizar com o sacrifício dela mesmo pela questão que ela mesmo relatou para o Mike em cena. Acho que seria mais digno e condizente para o peso da própria personagem para a história. Ou será que eles optaram por um final em aberto para construir um spin-off da Onze em um futuro dentro do universo de "Stranger Things"? A mesma pergunta também vale para aquela cena final das crianças descendo para o porão e substituindo os já adolescentes/adultos. Estariam pensando em futuros spin-off de "Stranger Things"? Eu não duvido de mais nada.
Vale mencionar que em em questões técnicas a série continua dando um verdadeiro show. Tudo dentro da série é impecável, como a direção de arte que constrói cenários exuberantes dentro do padrão da série. A fotografia é outro grande destaque da série como um todo. O mesmo vale para a trilha sonora, que encerra a temporada com grandes clássicos da música. A equipe de figurinos e maquiagens é um verdadeiro luxo, pois o que dizer daquele penteado no maior estilo anos 80 da Nancy. E eu não posso deixar de citar que os episódios 3 e 5 foram dirigidos pelo inigualável Frank Darabont, que saiu da sua aposentadoria somente para dirigir os dois episódios - fantástico! Tecnicamente e artisticamente a série "Stranger Things" como um todo é uma verdadeira obra-prima.
E por fim: finalizo afirmando que "Stranger Things" é uma série excelente, uma obra-prima, que soube se reinventar e nos levar ao verdadeiro mergulho nostálgico das produções oitentistas, se transformando em um marco na cultura pop das séries. De fato a série enfrentou vários problemas ao longo desses quase 10 anos de existência, e eu diria que os maiores problemas já enfrentados pela série ocorrem justamente nessa temporada final, e muito por decisões completamente errôneas e fora de timing pela parte da produção. De qualquer forma isso não tira o brilho, a importância e principalmente a relevância da série. Pelo contrário, "Stranger Things" ficará marcada e eternizada como uma das maiores séries da história, e pra mim como uma das melhores séries da vida!
E parafraseando o final do meu próprio texto da última temporada de "The Handmaid's Tale": "A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!" ⭐⭐⭐⭐⭐
The Handmaid's Tale / O Conto da Aia (6ª Temporada) 2025
"The Handmaid's Tale" foi uma série que assim que eu conheci eu me apaixonei imediatamente, foi aquele típico amor a primeira vista (ou a primeira assistida).
Contextualizando: A primeira temporada é para mim a melhor temporada de toda a série, e muito por ser aquela temporada inicial que já chega com o pé na porta, que já mostra a que veio, que já entrega um nível altíssimo dos acontecimentos que viriam a ser os maiores destaques de toda a série. A primeira temporada é a temporada mais pesada, cruel, dolorosa e consequentemente a mais revoltante de toda a série. E muito por ser a temporada de maior suspense, de maior tensão, que mostra de fato o terror que as "AIA" eram subjugadas a passarem.
A segunda temporada é incrível, ela mantém o mesmo nível da primeira e continua desafiando a nossa mente e a nossa crença com os feitos que acontecem no decorrer da história. Nessa temporada temos os bizarros 'estupros ritualizados', o que levou Offred (Elisabeth Moss) a engravidar. É nessa temporada que a Offred começa a sair do modo defesa e submissão para o modo ataque. A temporada foca ainda mais na posição da mulher na sociedade, a submissão pela qual elas são obrigadas a passarem, em como o machismo e o extremismo está incrustado na sociedade como um todo.
Pela primeira vez na série temos uma temporada um pouco abaixo das duas anteriores. A terceira temporada de "The Handmaid's Tale" é notavelmente mais fraca por ser uma temporada que não caminha, que não engrena, que estaciona nos temas já discutidos anteriormente e embarriga em alguns episódios. Por outro lado em questões de personagens temos algumas evoluções bem dignas e surpreendentes; como no caso daquele arco pessoal da Tia Lydia (Ann Dowd), que nos traz revelações fantásticas.
O que aconteceu na terceira temporada da série volta a acontecer na quarta, que é a série dar mais uma caída em relação as duas primeiras temporadas. Ou talvez as duas primeiras terem sido temporadas tão estratosféricas, que elevou muito o nível da série, que a partir da terceira em diante a série apenas continuou em seu ritmo normal mas inevitavelmente muito abaixo das duas primeiras. Essa temporada é a primeira que a June (Elisabeth Moss) consegue finalmente deixar Gilead. Acho que até por isso eu esperava uma temporada mais avassaladora nesse quesito. Esta também foi uma temporada que eu comecei a ter alguns probleminhas com alguns personagens. De fato as temporadas 1 e 2 são o ápice da série, as verdadeiras obras-primas de "The Handmaid's Tale". Pois é muito claro como as temporadas 3 e 4 estão abaixo delas, não são temporadas ruins, longe disso, mas de fato são mais fracas.
Curiosamente a quinta temporada de "The Handmaid's Tale" volta ao eixo, ganha novos ares, novos rumos, novos ritmos, um novo fôlego, onde consequentemente a coloca acima das temporadas 3 e 4. O acontecimento com o Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes) ao final da temporada 4 conta muito para o início dessa, pois a temporada é movida pela sede de justiça por parte de June e o desejo de vingança por parte da Serena (Yvonne Strahovski). Esta temporada consegue voltar a sua grandeza em relação as primeiras temporadas justamente por nos passar este sentimento de ódio e justiça sendo descaracterizado e desconstruído na personagem Serena juntamente ao lado da própria June.
No final da minha análise da quinta temporada de "The Handmaid's Tale" escrita lá em novembro de 2022 eu disse: "Será que Serena Waterford merece nosso perdão? Será que ela merece uma segunda chance? Será que somos capazes de passar por cima de tudo que ela fez contra June enquanto era coagida (ou não) pelo seu marido? Eu acredito na redenção da Serena e em uma possível aliança com a June para acabar com o regime totalitarista e perverso da República de Gilead. Agora se elas vão se tornar amigas além de aliadas, bem...isso só a sexta temporada poderá nos dizer."
Eu realmente acreditava nisso que eu escrevi, eu realmente apostava que a Serena iria se unir com a June (não que fossem virar amigas) para acabar com tudo referente a República de Gilead, ou Nova Belém, ou qualquer governo voltado para esta corja. Hoje eu vejo que eu estava sendo muito otimista no final da quinta temporada, acho que eu me deixei levar pela emoção/comoção da última cena do encontro da June com a Serena no trem, ambas com seus filhos. Eu realmente fui muito inocente e a Serena conseguiu me enganar mais uma vez.
E realmente a sexta temporada inicia justamente com esta sensação, ao novamente retornar na cena do trem de refugiados no encontro entre June e Serena. A partir daí temos a cena em que e June ajuda a Serena a saltar do trem na fuga por ter sido descoberta a sua verdadeira identidade no local. A sexta temporada de "The Handmaid's Tale" é focada naquela sede por justiça e vingança da June para finalmente derrotar Gilead. Por outro lado temos Luke e Moira (O. T. Fagbenle e Samira Wiley) lutando ao lado da June na resistência do regime. Para minha surpresa (ou não) a Serena novamente se junta à corja do império totalitarista para tentar reformar a República de Gilead. Já o Comandante Joseph Lawrence (Bradley Whitford) e a tia Lydia (Ann Dowd) passam por uma síndrome de autojulgamento ao reconhecerem grande parte de tudo de ruim que fizeram ao longo de suas vidas miseráveis. Já o Comandante Nick Blaine (Max Minghella) confirma o que eu sempre desconfiei dele em toda a série; em se tornar aquela incógnita, aquele ser que foi escanteado, onde parece que sua presença já não era mais necessária na história, ou talvez ele ainda fizesse alguma diferença somente para a June.
Como um todo eu vejo que a sexta temporada teve alguns problemas, alguns erros, algumas tomadas de decisões questionáveis, alguns fechamento de histórias de personagens muito corridos e sem muita coerência. Na minha opinião esta temporada foi vendida como a temporada de fechamento onde iria acontecer a grande revolução tão esperada durante toda a série, e não foi bem isso que aconteceu. Pois até a metade da temporada tivemos episódios mais fracos, aqueles episódios que só serviam para contextualizar toda a história que já conhecemos; como o embate da república no Canadá, o encontro da June com sua mãe (que sim, foi emocionante), o embate da Moira e do Luke contra o regime, toda história cansativa da Serena em retornar ao governo e até se casar novamente. Ou seja, podem até ser episódios necessários, mas que não faziam a história andar, poderia até agregar mas não engrenava.
Os próprios trailers da sexta temporada sempre enfatizava a grande guerra e a grande revolução, algo que aconteceu mais no penúltimo episódio, e pra mim o melhor episódio da temporada. Pois até ali tivemos episódios mais focados em ideias do que a execução de tais ideias. A temporada como um todo teve episódios fracos que facilmente poderiam serem retirados da história, mas por outro lado estes próprios episódios estavam tentando construir o terreno para o grande embate do episódio 9. Acredito que a temporada poderia ter sido encurtada, ou talvez eles esticarem a guerra em mais episódios, realmente fica difícil apontar o caminho certo a seguir e o que daria certo ou não.
Falando do final do elenco e personagens: Elisabeth Moss sempre deu o seu melhor na pele da icônica June Osborne, isso era inegável. Mas me parece que nessa sexta temporada ela já se mostrava um pouco cansada da personagem, ou talvez a sua atuação na personagem já não tinha mais para onde caminhar, fiquei com esta sensação. Mas no geral a Moss sempre entregou o suprassumo da sua atuação e interpretação em "The Handmaid's Tale". Eu aplaudo de pé a Yvonne Strahovski em "The Handmaid's Tale", pois em todas as temporadas ela sempre me enganava, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. A Serena passou a série inteira sendo aquela personagem ame ou odeie, e nessa última temporada não foi diferente. O final dela ficou bom, ela realmente mostrou para todos que desde o começo ela queria unicamente o dom da maternidade, por mais que ela usasse seus métodos contestáveis. Ao lado da June e da Janine (Madeline Brewer), elas três são as minhas personagens preferidas de toda a série. Ann Dowd em toda a série conseguiu o mesmo efeito da Yvonne Strahovski, que era compor uma personagem ame ou odeie. A tia Lydia nas primeiras temporadas era impossível não odiá-la, porém com o passar do tempo e das temporadas vamos observando os seus arcos pessoais, vamos tentando entender a motivação da personagem, e no fim ela tem a sua redenção e o seu julgamento que lhe coube. Acho que o mesmo eu posso destacar do grande Bradley Whitford com seu repugnável Comandante Joseph Lawrence. Joseph foi um personagem que sempre tive um pé-atrás, que nunca confiei em seus discursos, tanto para a June, quanto para a Serena e principalmente para o Nick. No fim eu vejo que o Joseph sempre tentou fugir do inevitável, sempre tentou não ser aquele vendido pelo sistema, mas que o próprio sistema deu o seu fim na série. Ele merecia aquele fim? Fica ai o questionamento. Por falar em final triste na série, temos o inigualável Max Minghella com seu Comandante Nick Blaine. O Nick é aquele personagem que você desconfia no início, começa a achar interessante na sequência, quando ele se envolve e até ajuda a June você começa a se apegar a ele, e logo ele passa aquela sensação de se vender para o sistema para conquistar cargos e funções maiores e de mais credibilidade em Gilead. O Nick sempre foi um personagem difícil e até questionável na série, mas uma coisa que não podemos negar era o fato que ele realmente gostava e se importava com a June. No fim eu acho que a série nunca ajudou o personagem, de fato ele nunca teve um grande espaço e até uma certa relevância dentro de toda a história, e no fim ele não merecia aquele final. Fica aí mais um questionamento. Madeline Brewer com sua Janine sempre me conquistou e sempre me fez se importar com ela em todas as temporadas. Acredito que a Madeline também sofreu o que vários atores e atrizes sofreram durante toda a série, que foi o curto tempo de tela para o seu desenvolvimento no personagem. E até entendo, visto que a série era recheada de grandes personagens, fatalmente não iria sobrar espaços para todos. Mas eu sempre adorei a Janine, e vê-la recebendo a sua própria filha de volta me deixou com um nó na garganta ao mesmo tempo que senti um extremo sentimento de realização da personagem. Por falar em tempo de tela dos personagens, temos o O. T. Fagbenle e a Samira Wiley. O personagem Luke sempre foi mais escanteado na série em quase todas as temporadas, mas nessas duas últimas ele ganhou mais importância e consequentemente mais relevância na história, até pelos embates criados entre ele e a June, que no fim já nem eram mais um casal como no início. Já a Moira também sempre foi escanteada, porém especificamente nessa temporada ela tem uma ótima participação e importância para todo o contexto da trama ali junto com a June. Amanda Brugel sempre com ótimas contribuições em sua personagem Rita, isso desde o início da série. Já o Sam Jaeger com seu personagem Mark Tuello ganhou bastante importância e notoriedade nessas duas últimas temporadas. Boa temporada também da Ever Carradine como Naomi Putnam. E por fim mas não menos importante, temos a volta da incrível Alexis Bledel como Emily Malek, que havia deixado a série. Poder vê-la novamente ao lado da June me trouxe de volta lembranças da incrível primeira temporada da série.
Por fim: A sexta e última temporada de "The Handmaid's Tale" é boa, é digna, por mais que apresente alguns problemas no caminho, mas ainda assim tivemos fechamentos de algumas histórias, de alguns personagens e tivemos finais em abertos em outros, como no caso da própria June. A parte final da June revisitando a casa dos Waterford, onde ela viveu e sofreu todas as torturas lá no início, é completamente cinema. Toda sequência dessa cena é bastante emotiva, é bastante comovente, mexe com a gente que viveu e acompanhou toda essa sua trajetória para chegar até aonde ela chegou, e terminar dessa forma que ela terminou, sem conseguir de volta o seu principal objetivo na vida é ainda mais pesado e difícil, que era ter de volta a sua filha Hannah (Jordana Blake).
A história principal de "The Handmaid's Tale" chega ao seu final, mas o universo da série continuará a partir dos spin-offs "Os Testamentos: Das Filhas de Gilead".
E aqui eu me despeço de mais uma série que marcou a minha vida cinéfila. De uma série que eu aprendi a amar desde o lançamento do primeiro episódio da primeira temporada. "The Handmaid's Tale" ficará para sempre em minha memória marcada como uma das melhores séries que eu já acompanhei na vida.
A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!⭐⭐⭐⭐⭐
Dos três spin-offs da série original "Daryl Dixon" é a que eu tenho mais dificuldades. A primeira temporada é ok justamente por nos mostrar como seguiu a vida do personagem após os eventos da série principal, e expandir o universo desse personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbi. Já na segunda temporada a série cresce notavelmente de produção, e muito pela presença da icônica Carol Peletier (Melissa McBride). Carol traz um novo frescor e um novo fôlego para a série, onde logo temos o retorno de uma das maiores duplas de todo o universo de "The Walking Dead" - Daryl e Carol!
No final da segunda temporada eu fiquei curioso em como seguiria a história justamente pela exploração em um novo país. Daryl e Carol inevitavelmente teriam que seguir com a sua jornada de volta para casa, e para isso eles iriam passar por novos locais, novos desafios, onde iriam conhecer novos povos, que poderiam se tornar aliados ou não. Sem falar nos zumbis e em todas as suas variações. A temporada soa interessante justamente por estarmos diante de um novo vilarejo onde vamos desvendando cada segredo a partir dali. E como sempre acontece, logo o Daryl e a Carol estão envolvidos em todos os dramas dos residentes locais.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" novamente consegue inovar usando a mesma história mas com personagens diferentes. Pois temos um novo elenco inteiramente espanhol, que por sinal é um dos pontos altos da temporada, onde logo cada um se destaca dentro de cada personagem. Mas por outro lado o roteiro em si é aquele velho clichê que já conhecemos no universo de "The Walking Dead", onde temos um vilarejo que é sempre explorado por facções de fora, e logo toda essa exploração desencadeia uma nova guerra que entra em conflito justamente com os dois protagonistas. Às histórias paralelas não são inteiramente ruins e até funcionam dentro da proposta do roteiro. Porém, logo elas se tornam desinteressantes com o passar de cada episódio.
Daryl e Carol novamente são o fôlego da temporada (e não poderia ser diferente). Tanto o Norman quanto a Melissa quando estão atuando juntos é garantia de espetáculo. Mesmo que o conteúdo de ambos seja repetitivo com o passar dos anos, mas os dois contracenando juntos é o que de fato prende o espectador na série. Novamente temos ótimas cenas de ação proporcionada por ambos. Por falar em cenas de ação; esta temporada acerta muito bem, conseguindo dar dinâmica e objetividade em cada uma delas.
Tecnicamente a temporada melhora ainda mais, pois temos uma excelente direção de arte que constrói cenários impecáveis. A fotografia é outro ponto que se sobressai na temporada. Assim como a trilha sonora, que é acertadamente composta por ritmos espanhóis e casa perfeitamente com toda a história. Não posso deixar de mencionar às maquiagens dos zumbis, que nunca cai na mesmice e sempre traz alguma inovação. Realmente impressiona o quanto o trabalho de maquiagem é sempre um grande destaque dentro do universo de "The Walking Dead".
O elenco em si entregam atuações condizentes com a história e ainda conseguem nos passar uma boa dose de carisma; com destaques para Eduardo Noriega, Óscar Jaenada, Alexandra Masangkay e Candela Saitta.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" mantém a qualidade conquistada na segunda e ainda consegue se superar e evoluir em alguns pontos. Por mais que essa "turnê pós-apocalíptica" do Daryl e da Carol mostre uma certa fragilidade no roteiro e trazem histórias clichês em sua grande maioria, mas ainda assim nos convence a acompanhar toda a trajetória de ambos até o seu destino final. Destino este que com certeza será o retorno até os EUA, que obviamente acontecerá na já confirmada quarta e última temporada da série.
Como um verdadeiro fã de "The Walking Dead" eu gostei da primeira temporada de "Dead City", justamente pelo fato da série recolocar frente a frente uma das maiores rivalidades de toda a história do universo de "The Walking Dead". Acho que todos pensaram como eu, que este spin-off da série principal serviria para dar um ponto final, para resolver de uma vez por todas o grande embate entre Maggie (Lauren Cohan) e seu eterno arquirrival Negan (Jeffrey Dean Morgan). E não foi bem isso que aconteceu, a série usa a rivalidade de ambos como o tema central o tempo todo, mas não como finalização de um assunto pendente que vinha se arrastando desde a série original. Pelo contrário, esta rivalidade serve para compor histórias e personagens paralelos com o único intuito de esticar a série para uma segunda temporada, que a princípio eu achei uma ideia até interessante, mas hoje eu vejo que foi apenas um erro.
No último episódio da primeira temporada nos é revelado que tudo não passou de uma armação, um acordo entre a Maggie e o Croata (Željko Ivanek) para que assim ela levasse o Negan até ele. Ok, podemos até considerar como uma ideia aceitável, até porque para construir a história principal e dar o seu devido foco é preciso compor histórias paralelas de personagens paralelos dentro de todo o contexto. Mas é ai que mora o grande perigo, o fato de começarem a usar cada vez mais estas histórias e estes personagens paralelos para esticar a série em mais temporadas, quando na verdade está claro que não existe mais nenhum sentido.
E foi exatamente isso que aconteceu nessa segunda temporada de "Dead City", perderam completamente a mão, o sentido, o destino dos dois personagens principais. Começaram encher a temporada com histórias e personagens paralelos tirando completamente o foco principal da série. Decidiram dar mais ênfase na guerra pelo controle de Manhattan, onde colocaram a Maggie e o Negan em lados opostos para gerar um discurso infundável e sem nenhum objetivo, por mais que a Maggie e o Negan sempre estiveram em lados opostos. E aqui entra o ponto dessa "Nova Babilônia" e todos os esforços para retomar a cidade usando aquele "metano", onde temos a presença da vilã "The Dama" (Lisa Emery), que apareceu no último episódio da primeira temporada.
Esta vilã usa seus planos mirabolantes e suas ideias distorcidas para gerar todo um discurso de convencimento nos que estão ao seu redor, o que logo confronta com as ideias do próprio Negan, quando ele é meio que forçado (ou não) a se juntar a ela para conseguir uma certa vantagem sobre aquele tipo de ameaça. O que pra mim definitivamente não funcionou, pelo contrário, eu achei esta "The Dama" uma personagem muito ruim e totalmente desconexa. O mesmo vale para o Croata, que eu achei até aceitável na primeira temporada, até pelo confronto gerado com Negan, o que envolve uma rivalidade complexa e antiga entre eles, mas aqui ele parece ter suas ambições e desejos, mas não passa de um cachorrinho da The Dama.
O resto do elenco estão ali apenas para compor uma exigência de roteiro, porque definitivamente não funcionaram em nenhum momento; como no caso do Perlie Armstrong (Gaius Charles), o ex-marechal da federação da Nova Babilônia que foi promovido a coronel, que está completamente perdido na série. Também temos o Bruegel (Kim Coates), que é um personagem que surge como um dos principais antagonistas ao lado da The Dama, que quer parecer soberano, enigmático, quando na verdade não passa de um personagem genérico e fútil. A Ginny (Mahina Napoleon) foi uma personagem que eu achei que seria melhor aproveitada nessa segunda temporada, visto tudo que ela passou em sua história pessoal com relação ao Negan. Porém, novamente ela serve apenas de contexto para as motivações do Negan e da própria Maggie (como vimos no último episódio), e no fim ela é descartada da história.
Agora precisamos falar do Hershel (Logan Kim), o filho problemático da Maggie. De cara eu já vou deixar bem claro que eu achei um personagem muito ruim, com umas motivações bem absurdas, que eu até entendo aquele discurso dele em relação a mãe em manter aquela obsessão pelo Negan. Mas daí ele se juntar com a The Dama cedendo aquela pressão psicológica dela em relação a Maggie eu achei bem absurdo. Criaram um antagonista manipulado pela vilã que se volta contra a própria mãe, onde parece que ele vê na vilã uma figura de mãe onde ele acha que está sendo valorizado e ouvido - outro absurdo!
Puxando o gancho do Hershel, a Lauren Cohan faz o que sabe fazer de melhor na pele da Maggie, porém aquela relação vulnerável e conturbada dela com o filho me incomodou um pouco. Parece que ela é a pessoa mais forte e decidida do universo em todos os outros assuntos, mas quando chega no embate com o filho ela se torna a mãe mais mole e complacente possível. Já o sempre elegante Jeffrey Dean Morgan é um verdadeiro showman à parte, sempre se destaca em cena e gera verdadeiros espetáculos; o que dizer da reapresentação da memorável cena do "Uni, duni, tê". Sensacional!
Por fim, reitero que perderam completamente a mão nessa segunda temporada de "Dead City", até pela perda da dinâmica principal da trama envolvendo os arqui-inimigos Maggie e Negan. O que envolve justamente o final da temporada, quando temos a Maggie frente a frente com a oportunidade que ela sempre almejou na vida e decide recuar. Podemos entender que ela observa aquela relação do Negan com a Ginny e encara aquela realidade com o próprio filho. Ou também podemos subentender que ela decide encarar, enfrentar e conviver com os seus fantasmas e traumas do passado justamente para tentar seguir em frente. Não sei bem se eu concordo com ela, mas quem sou eu para julgá-la.
Fato é que inevitavelmente teremos uma terceira e provavelmente até uma quarta temporada da série. Agora se vai dar certo eu duvido muito, até porque já espremeram todo o bagaço dessa laranja e o que resultou foi um suco bem ralo e sem nenhum sabor.
A segunda temporada da série "The Last of Us" (que estreou na HBO em 13 de abril de 2025) é baseada na popular franquia de videogame da Naughty Dog, dessa vez sendo baseada no jogo lançado em 19 de junho de 2020 exclusivamente para PlayStation 4, "The Last of Us Part II", cuja história segue Joel Miller (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) cinco anos após os eventos da primeira temporada, depois de se estabelecerem em Jackson, Wyoming, com o irmão de Joel, Tommy (Gabriel Luna) e os amigos de Ellie, Dina (Isabela Merced) e Jesse (Young Mazino).
Quando eu escrevi a minha gigantesca análise sobre a primeira temporada da série, lá em março de 2023, eu frisei que a série de jogos "The Last of Us" é a minha terceira franquia preferida de jogos da história dos videogames. Também deixei bem claro o quanto eu sempre estive frustrado por sempre as adaptações de jogos de videogames serem em sua grande maioria ruins (e até péssimas). Dito isto, a primeira temporada da série "The Last of Us" veio para revolucionar este quesito das adaptações de jogos de videogames, se tornando, em minha opinião, a melhor adaptação de um jogo de videogame para um conteúdo audiovisual de toda a história.
Diante da excelente adaptação entregue na primeira temporada, a minha expectativa estava gigantesca em relação a segunda temporada, até porque dessa vez seria baseado no segundo jogo da série, que eu considero como top 5 melhores jogos que eu já joguei em toda a minha vida gamer. Porém, em todos estes meus longos anos cinéfilos eu aprendi uma coisa: quando você coloca a sua expectativa muita alta em relação à uma obra, a chance de você se decepcionar é maior do que a chance de você conseguir igualar com a sua expectativa criada. E cá estou eu com mais um desses exemplos, pois infelizmente a segunda temporada da série "The Last of Us" é decepcionante.
Analisando cada episódio: O episódio 1 começa bastante interessante ao mostrar a Abby (Kaitlyn Dever) com seu grupo no local que está enterrado o pai dela, com ela jurando vingança ao Joel. Esta parte não existe no jogo mas eu considero extremamente necessária, pois um ponto que eu sempre questionei no game é justamente a forma como a Abby é encaixada na história do segundo jogo, onde ela é praticamente jogada na história assim do nada, sem ninguém saber da onde ela saiu. Pelo menos na série esta introdução dá um pequeno contexto de quem é esta Abby e qual é a sua motivação. Um ponto que foi muito questionado na escolha da atriz para viver a Abby foi justamente o físico da Kaitlyn Dever, que é um físico normal de uma garota, sem ter aquele físico musculoso da Abby do jogo. No jogo a Abby tem aquele físico musculoso justamente por ela ser uma das melhores soldadas que estava em busca de vingança. Ou seja, ela treinou e desenvolveu o seu corpo para este propósito, para ficar forte e musculosa para sobreviver, tanto que no jogo quando jogamos com ela vemos que de fato ela é muito forte, pois ela consegue lutar de igual para igual com qualquer homem. Então, não vou negar que ver a Kaitlyn Dever como Abby me incomodou um pouco, pois esta versão da Abby assim mais magra me lembrou a sua versão dos flashbacks no jogo da própria Abby mais nova, quando ela saia para caçar com seu pai, e não esta versão atual da Abby já adulta.
O episódio segue com o núcleo do Joel e da Ellie que vivem em Jackson. Na série a Maria (Rutina Wesley) e o Tommy tem um filho, no jogo não. Joel faz terapia com a Gail (Catherine O'Hara), isso não existe no jogo e nem a personagem Gail. A Gail é viúva do Eugene (Joe Pantoliano), que este sim existe no jogo, apesar de já estar falecido durante a história e a única coisa que encontramos dele é uma foto. Posso encarar esta questão da terapia como um encaixe da série justamente por o Joel estar travando uma batalha mental em sua consciência por tudo que ele fez para salvar a Ellie e agora ela cobrando ele justamente nessa questão. A cena do beijo na festa entre a Dina e a Ellie é bem fiel ao jogo. Já esta questão dos galhos infectados estarem invadindo Jackson pelos canos quebrados é bastante curioso, já que isso não existe no jogo. A Ellie é mordida novamente, dessa vez na barriga. Curioso, já que nos dois jogos isso nunca aconteceu.
O episódio 2 é sem dúvidas o mais aguardado da temporada e de toda a série: No jogo a Ellie sai com a Dina para a patrulha antes da morte do Joel, na série ela vai com o Jesse e a Dina com o Joel, no jogo o Joel vai com o Tommy. Esta mudança pode não parecer nada demais mas eu considero um erro grotesco da série que explicarei mais pra frente. O Jesse acha o local do cultivo de maconhas do Eugene com a Ellie, no jogo é a Ellie e a Dina que encontram, aliás rola uma ótima cena que pra quem jogou vai entender. Temos a garota da cadeira de rodas, Amy, que não existe no jogo. Toda a parte da Abby fugindo da horda de infectados e sendo salva justamente pelo Joel é bastante fiel ao jogo. Interessante também eles combinarem o ataque dos infectados em Jackson bem na hora que vai ocorrer o ataque da Abby ao Joel, junto com a Ellie e o Jesse que estão procurando por ele. Esta parte do ataque à Jackson, que não existe no jogo, ficou muito boa, apesar da cena em que o Tommy anda no meio dos infectados sem muita preocupação, que destoa bastante. Esta sacada dos roteiristas sobre o ataque à Jackson foi um uma ideia até coerente, visto que isso poderia acontecer a qualquer momento.
O ponto alto do episódio obviamente é a morte do Joel, que inicialmente eu achei interessante justamente por a Abby revelar para o Joel sobre o dia em que ele matou os soldados no hospital para salvar a vida da Ellie, sendo que junto dos soldados estava justamente o pai da Abby, que era o médico que iria fazer a cirurgia na Ellie. Ou seja, isso é algo que não existe no jogo, no jogo a Abby chega e já ataca o Joel até a morte, ele praticamente morre sem saber o real motivo. Esta parte na série ficou boa justamente por ela elucidar sobre quem ela era e a relação dela com aquele dia da matança no hospital. A cena da morte do Joel não tem o mesmo peso e nem o mesmo pânico do jogo, no jogo você fica angustiado e sofre quantas vezes você jogar, mesmo já sabendo o que vai acontecer. O problema dessa cena na série é justamente a Abby, no caso a atuação da Kaitlyn Dever, que pra mim não me convence como Abby e muito menos nessa cena. Eu não consigo ver nela aquela crueldade e aquele ódio da Abby do jogo, e aqui eu nem estou entrando na questão do físico dela. O que me pega é o fato dessa Abby me parecer muito menininha, e a cena em si ficou boa, mas não tem nem sombra do peso e do pânico do jogo, sem falar que matar o Joel com pancadas brutal de taco na cabeça (que acontece no jogo) é muito pior e muito mais pesado do que simplesmente bater só na perna machucada dele, dar uns soquinhos e no fim enfiar o cabo do taco no pescoço. A série aliviou e suavizou demais esta cena, retirando grande parte da tensão e do pânico da cena no jogo.
Outro ponto que me incomodou bastante, é o fato de pegarem muito leve com a Dina, tendo todo um cuidado em pegar uma injeção para fazer ela dormir e não ver nada, quando simplesmente poderiam dar uma pancada na cabeça dela e pronto. Mais um ponto: esta decisão de trocarem o Tommy pela Dina na cena da morte do Joel pra mim foi um erro. Até porque tirou todo o peso emocional do Tommy em ver o irmão sendo morto e despertando a sua fúria e o seu sentimento de vingança para ir atrás da Abby e seu grupo (como exatamente acontece no jogo). E outra, ele não viu o rosto da Abby, como ele vai partir sozinho, igual no jogo, atrás dela? Outro ponto que eu considero um erro da série: no jogo quando você controla a Ellie, você está chegando na casa e quando adentra o local a Ellie escuta os gritos agonizantes do Joel enquanto a Abby está batendo nele com o taco. Esses gritos são extremamente importantes no contexto do jogo, porque eles viram um trauma para a Ellie a partir daí, onde constantemente ela acorda com esses gritos do Joel em sua mente durante todo o processo do jogo. Já na série em momento algum a Ellie escuta os gritos do Joel, e sim ela escuta os gritos da Abby enquanto ela dá aqueles soquinhos fofo no Joel. Este segundo episódio tem sua fidelidade com o jogo mas o contexto como ele é desenvolvido é ruim e com mudanças, como no caso do Tommy, que são completamente infundadas e que vai interferir diretamente no decorrer da história daqui pra frente.
Após a morte do Joel temos um salto no tempo de três meses no episódio 3. Isso é outra mudança que eu também considero como um erro, pois no jogo a morte do Joel é em um dia e no outro o Tommy já partiu atrás do grupo da Abby, e logo após a Ellie e a Dina também vão. Ou seja, tudo é muito recente e o ódio e o desejo de vingança está completamente aflorado, e não esperar três funcking meses para pensar em ir buscar vingança. Um ponto curioso desse episódio é justamente já ter uma aparição dos Serafitas/Cicatrizes assim tão cedo, sendo que no jogo eles aparecem bem mais pra frente. Como no jogo é o Tommy que está presente na morte do Joel, ele parte sozinho atrás do grupo da Abby. Já na série isso mudou, ele não foi sozinho e está em Jackson junto da Ellie e de todos. E aqui entra outro ponto que me incomodou demais: a decisão em ter um conselho com uma votação para decidir se vão atrás dos assassinos do Joel ou não, é simplesmente ridículo. No jogo o Tommy já partiu na frente e a Ellie vai logo em seguida junto com a Dina contra a vontade da própria Maria. Na série não parece que o Tommy está sentindo a morte do Joel com um desejo de vingança, e muito menos a Ellie. Onde está o sentimento de vingança do Tommy e da Ellie? Onde está aquela fúria da Ellie em querer ir até sozinha atrás da Abby? Tiraram o peso dessa parte da história, deixaram o Tommy como um bundão pau-mandado da esposa, onde claramente ele não está nem um pouco preocupado em ir buscar vingança. Ridículo o que fizeram com o Tommy na série. O mesmo vale para a Ellie, que está completamente submissa, complacente, aceitando todas as ordens. Esta Ellie da Bella Ramsey não traduz 10% da Ellie do jogo.
Outro ponto que eu me questionei nesse episódio é justamente sobre a química entre a Ellie e a Dina. Pois não sinto química entre a Dina e a Ellie igual no jogo, elas parecem distantes. Tanto que na série a Dina nem diz que quer ir junto com a Ellie na missão como uma prova de amor e companheirismo (como acontece no jogo), ela apenas dá a ideia do que fazer e só vai junto com a Ellie. E como eu pensei, não teve a cena em que a Dina e a Ellie se pegam de calcinha, uma ótima cena no game por sinal. Na série a Dina só puxa o assunto do beijo na barraca e fala da nota, como no jogo, e o assunto morre. Uma cena bem fraquinha, realmente falta muita química entre as duas. Este terceiro episódio faz a série se afastar ainda mais do jogo e enfraquece os personagens. O episódio não é só um dos episódios mais fraco da temporada, como ele prejudica os personagens do Tommy e da Ellie. Por deixarem eles muito enfraquecidos, sem aquele sentimento de ódio e vingança.
O episódio 4 inicia com uma cena do Isaac Dixon (Jeffrey Wright) no passado onde mostra a sua troca de aliança da FEDRA para a WLF. Logo após temos aquela cena onde ele tortura um Serafita para conseguir informações a respeito da localização do seu grupo (por sinal, uma cena bem fiel ao jogo). Por fim nesse episódio temos uma das cenas mais icônicas da história dos jogos de videogames; que é justamente a cena na loja de instrumentos musicais em que a Ellie toca no violão e canta a belíssima canção "Take On Me" do a-ha para a Dina. Esta cena é linda, é tocante, é profunda, é emblemática, pois na primeira vez que eu joguei o jogo eu me emocionei nessa cena, e na série eu tenho que aplaudir de pé esta cena, pois ficou perfeita, não devendo em absolutamente nada à cena no jogo. Sem falar que nessa cena a Bella Ramsey e a Isabela Merced deram um verdadeiro show de atuações. Temos a cena do subsolo do metrô, que foi encurtada mas ficou boa. Curiosa a cena em que a Ellie deixa ser mordida para salvar a Dina, uma parte que não existe no jogo. Dado o contexto da mordida na Ellie a Dina fica extremamente confusa e perturbada, sem saber como agir no momento, naturalmente ele se vê ameaçada. Esta cena é boa até a parte em que a Dina enfim revela para a Ellie que está grávida e as duas caem em uma cena sexual completamente patética.
Nesse quarto episódio claramente vemos uma Ellie totalmente diferente do jogo, pois no jogo após a morte do Joel a Ellie se apresenta totalmente fechada, sombria, obscura, introspectiva, morta por dentro, o tempo todo você percebe o seu desejo e sua fúria pela vingança. Na série isso tudo é deixado de lado, tudo é muito leve, muito vago, muito raso, parece que as duas estão apenas em uma aventura na floresta curtindo e se divertindo, falta peso, falta emoção, falta dor, falta fúria, falta aquele ódio da Ellie que ela expressa apenas no olhar na capa original do jogo. Nesse quarto episódio claramente vemos que as coisas estão sendo muito atropeladas pelos acontecimentos, tudo muito corrido, com uma urgência em passar logos os acontecimentos. Nesse episódio vemos uma Ellie como a figura da boazinha, muito compassiva, muito complacente, que aceita tudo, como no caso da revelação da gravidez da Dina, que no jogo temos um diálogo pesado entre as duas, onde a Ellie é extremamente dura com a Dina e até revela que sim, que a Dina tinha se tornado um fardo pra ela, como a própria Dina havia mencionado em não querer ser ao ter escondido a sua gravidez. Por outro lado o que temos na série é a cara de pamonha da Ellie dizendo: "eu vou ser pai"! Definitivamente não dá!
O episódio 5 começa com um ponto muito importante no jogo mas que até então nunca tinha sido mencionado na série - que é a questão dos esporos de Cordyceps. Já na parte do teatro, no jogo na primeira vez que a Ellie sai após chegar ao teatro não é com a Dina, ela sai sozinha visto que a Dina estava passando mal por causa da gravidez. Na série elas vão juntas, a Dina está bem, elas estão a pé, até porque elas simplesmente esqueceram a égua Estrela na loja de instrumentos musicais no episódio passado (no jogo a Estrela é atingida por um explosivo plantado no chão junto com a Ellie). Temos aquele ótimo discurso da Dina sobre sua primeira morte na infância, que soa como um tapa na cara da Ellie sobre a sua vingança pelo Joel. O que me parece que a Dina sente mais desejo de vingança do que a própria Ellie - ridículo isso! O Jesse aparece para ajudar, só que no jogo ele aparece para ajudar a Ellie que está sozinha, já na série ele ajuda as duas. E como eu estava imaginando em como eles iriam encaixar o Tommy nessa história, o Jesse revela que ele veio com o Tommy atrás das duas para resgatá-las de volta. Ou seja, o Tommy só está ali para resgatar as meninas e não pelo seu desejo de vingança - ridículo mais uma vez!
O episódio continua com a Ellie, a Dina e o Jesse fugindo de uma perseguição dos soldados da WLF, quando eles são emboscados em um local onde presenciam os Serafitas estripando um soldado da WLF. Nesse momento a Dina é atingida na perna por uma flecha e carregada dali pelo Jesse (isso não acontece no jogo). Esta foi a forma que arrumaram para retirar a Dina e o Jesse do local para a Ellie seguir sozinha atrás da Nora (Tati Gabrielle). A cena da Ellie contra a Nora ficou boa, finalmente eu vi um pouco da caracterização da Ellie do jogo na Bella Ramsey, pois ela até consegue mostrar um pouco da sua fúria em suas expressões ao atacar a Nora. E mais uma vez na cena a Ellie ataca a Nora batendo em suas pernas e não na cabeça como no jogo. Por essas e outras que o jogo sempre será superior à série, pois no jogo não temos estas censuras como nessa cena da Nora e na morte do Joel.
O episódio 6 começa com uma cena um tanto quanto curiosa, que é justamente uma cena no passado, em Austin, no Texas, em 1983, com o policial interpretado pelo sempre maravilhoso ator Tony Dalton. Esta cena apresenta o Joel com seu irmão Tommy em uma situação com seu pai que era policial, e no futuro esta cena fez sentido na formação do caráter do Joel. Este episódio é voltado para os dias dos aniversários da Ellie no passado com o Joel. A parte do aniversário da Ellie no museu é bem curta, como eu já imaginava, porém a parte da capsula espacial é muito boa e muito fiel ao jogo. O engraçado desse episódio são as passagens de tempo de acordo com cada ano de aniversário da Ellie, e a Ellie continua exatamente do mesmo jeito, não tem crescimento, não tem mudança, só uns detalhes aqui e acolá, como no cabelo, na sobrancelha, até porque obviamente é a mesma atriz o tempo todo (este é um diferencial no jogo). Outro ponto interessante nesse sexto episódio é o fato da série mostrar a parte do Eugene quando ele foi mordido e como o Joel matou ele, já que isso não existe no jogo. No jogo ele é apenas citado mas já está morto. Curioso que a Ellie aproveita a oportunidade para desmentir o Joel em relação ao Eugene, já que ele havia mentido para a Gail quanto à sua morte. A Ellie aproveitou a ocasião para expor aquela mentira do Joel por ele também já ter mentido para ela como já sabemos de toda a história. O final desse episódio temos aquele diálogo pesado, emocionante e bastante revelador entre a Ellie e o Joel na varanda da casa do Joel. Por sinal, uma cena belíssima e completamente fiel ao jogo.
O episódio 7 marca o fim da segunda temporada: O episódio começa com a cena do Jesse ajudando a Dina com a flecha em sua perna, que é uma cena que não existe no jogo mas na série ficou boa. Temos a cena da Ellie no teatro com Dina cuidando dos machucados em suas costas, por sinal outra cena bastante fiel ao jogo. Esta cena é curiosa por vários pontos: primeiro a Ellie abalada pelo seu embate com a Nora, sendo que ela revela para a Dina que não matou a Nora (Ai não!!!). Depois a Ellie revela para a Dina como tudo ocorreu naquele dia do ataque do Joel ao hospital, incluindo a morte do pai da Abby, o que faz sentindo para a Dina entender tudo de uma vez. Logo após a Ellie e o Jesse vão tentar encontrar o paradeiro do Tommy, e curioso que a partir daí temos alguns diálogos bem pertinentes entre o Jesse e a Ellie; como no fato do Jesse revelar para a Ellie que ainda ama a Dina, e a própria Dina já havia revelado para a Ellie na cena da barraca que ainda gostava dele, curioso. Tudo isso não existe no jogo, não dessa forma específica. Outra discursão entre a Ellie e o Jesse envolve justamente na decisão dele querer ir encontrar o Tommy e ela ir atrás da Abby. Obviamente a Ellie vai de barco na direção do aquário na esperança de encontrar a Abby.
A cena da Ellie indo de barco até o aquário estava se desenrolando muito bem, até pelas enormes ondas, como justamente acontece no jogo. Porém colocarem esta cena dos Serafitas capturando a Ellie e a levando para sua ilha foi mais uma falha grotesca dessa série. Sinceramente eu não entendi qual o propósito dessa cena em específico, às vezes poderia ser apenas um gancho para nos mostrar o grupo dos Serafitas para a próxima temporada, que sim lá eles terão muito mais relevância. Mas já havíamos presenciado cenas com os Serafitas anteriormente. Outro ponto, é o fato dessa cena ser exatamente igual com a cena do jogo na parte da Abby quando ela é capturada pelos Serafitas, onde ela conhece a Yara e o Lev, que é uma parte muito importante da história da Abby no jogo. Sinceramente eu não entendi!
Por fim a Ellie chega no aquário de Seattle. No jogo assim que ela entra no local ela logo mata a cadela da Mel, a Alice. Mas adivinhem!!! Na série simplesmente a cadela Alice, que sim no jogo é extremamente importante, não existe. E então temos a cena que a Ellie enfrenta o Owen (Spencer Lord) e a Mel (Ariela Barer). Esta cena no jogo é excelente, pois a Ellie chega no local procurando a Abby e sai matando a sangue frio todo mundo que atravessa em seu caminho, incluindo a cadela Alice, o Owen e a Mel. Na série esta cena é absurdamente ridícula, pois a Ellie dá um tiro no Owen que de raspão pega no pescoço da Mel. O Owen obviamente morre mas a Mel ainda fica agonizando, sabendo que iria morrer ela revela que está grávida para a Ellie e pede para a Ellie fazer uma incisão em sua barriga para tentar retirar seu bebê ainda com vida. Uma cena absurdamente patética e deplorável, e mais uma vez temos uma Ellie na série completamente diferente da personalidade da Ellie do jogo, pois no jogo a Ellie também lamenta por ter matado a Mel grávida, mas é só. Na série a Ellie claramente não queria matar a Mel, ela morre quase como um acidente, e ainda a Ellie iria tentar salvar o seu bebê por compaixão - ah, faça-me um favor! Definitivamente esta Ellie é muito bunda-mole!
Logo após esta cena o Tommy e o Jesse aparecem para resgatar a Ellie do local e retornarem juntos para o teatro. Esta cena final do teatro é muito boa e completamente fiel ao jogo, onde até os diálogos são parecidos com o jogo. A seguir temos a cena que a Abby invade o teatro e ataca o Tommy, juntamente com a parte da morte do Jesse, que é exatamente igual ao jogo. Esta cena é mais uma que merece aplausos, pois temos aqui uma ótima cena, com um ótimo nível de fidelidade, sem falar na atuação da Kaitlyn Dever, que dessa vez eu gostei. No fim a Abby dispara contra a Ellie, mas naturalmente não aconteceu absolutamente nada, apenas para compor um impacto de fechamento. O corte seguinte é exatamente a cena da Abby na base do Isaac voltando para o dia 1, ou seja, obviamente uma apresentação para a terceira temporada da série, que será inteiramente focada na história da Abby.
Sobre o elenco: Um dos principais pontos que na minha visão fizeram esta segunda temporada decair tanto em relação a primeira é exatamente a atriz Bella Ramsey. Na minha análise da primeira temporada eu elogiei a performance da Bella com todos os méritos possíveis, justamente por ela entregar uma atuação perfeita, com um timming perfeito, muito bem ajustada na personagem, onde ela soube incorporar com muita maestria a verdadeira Ellie do jogo. A Bella Ramsey superou e calou todos os críticos que julgaram a sua escolha, principalmente pela sua aparência com relação a Ellie do jogo. Porém, na primeira temporada a Bella Ramsey encaixou perfeitamente sendo aquela Ellie com 14 anos e não sendo uma Ellie já adulta com 19 anos. Você olha para a Bella e você jamais irá comprar a ideia que ela é a Ellie adulta, sendo que ela está exatamente igual na primeira temporada, por mais que ela apresente algumas mudanças como o cabelo, a sobrancelha e a tatuagem sobre a queimadura no braço. Este é o principal ponto da Bella Ramsey nessa segunda temporada.
E aqui eu preciso frisar que o problema em si não é somente da atriz Bella Ramsey e sim de quem a escalou para continuar vivendo a Ellie do segundo jogo, e principalmente a forma como o roteiro quis encaixá-la na trama da segunda temporada. O maior problema que eu vejo na Bella sendo uma Ellie adulta é justamente o fato dela não conseguir convencer sendo aquela Ellie do jogo, com aquele ódio, com aquele desejo de vingança, aquela fúria que a deixava completamente cega e sedenta por vingança. Uma Ellie completamente traumatizada e depressiva que iria matar qualquer um que atravessasse em sua frente. A Ellie do segundo jogo você já se impressiona ao olhar para a capa original do jogo, onde mostra uma pessoa seca, amargurada, vazia, obscura, sombria, infeliz, completamente morta por dentro. E o ponto aqui é justamente esse na atuação da Bella Ramsey, em não passar esta personalidade da Ellie do jogo, muito pelo contrário, a Ellie da Bella é totalmente pacifista, submissa, complacente, boazinha, bobinha, que aceita todas as ordens que lhe são impostas (como na cena ridícula do conselho). Jamais você irá comprar aquela ideia que aquela Ellie esteja realmente em uma missão de vingança, pelo contrário, em vários momentos a série suaviza ela demais, a humaniza demais, a descaracteriza demais, onde ela nitidamente não se impõe como aquela Ellie do jogo.
Outro ponto em relação a Ellie da Bella Ramsey, é o fato da série querer forçar que ela nunca quis matar ninguém, além da própria Abby. Pois me parece que ela não quis matar o Owen, nem a Mel e não matou a Nora. E pasmem, na cena final da temporada ainda nos deixa com a sensação como se ela também não quisesse matar a própria Abby - ai já é demais! E tem mais: parece que a única preocupação dessa Ellie na série é com o filho da Dina, em querer voltar logo para casa, em se tornar pai. Enfim! Eu gosto muito da atriz Bella Ramsey, acho ela muito talentosa, que já se provou em seus trabalhos passados, como em "Game of Thrones" e na própria primeira temporada de "The Last of Us". Porém, nessa segunda temporada ela não se encaixou na personagem, ela não conseguiu aquela essência da Ellie como ela havia conseguido na primeira temporada. Sendo assim eu concluo que manter a Bella Ramsey como a Ellie adulta nessa segunda temporada foi um completo erro.
Outro personagem que foi extremamente prejudicado pelo roteiro foi o Tommy. O ator Gabriel Luna também teve uma ótima participação na primeira temporada. Já nessa segunda ele foi muito prejudicado pela decisão do roteiro em mudar a parte que ele estaria com o Joel na cena da morte. A partir dali transformaram o Tommy em um bunda-mole, em um personagem onde claramente não dava a mínima pela vingança do seu irmão, um completo pau-mandado onde a sua esposa que dava as ordens do que ele deveria fazer, e depois ele foi completamente esquecido na série. Ou seja, o Tommy foi um personagem completamente subutilizado, completamente inútil, onde o roteiro dessa segunda temporada o prejudicou em todos os sentidos (assim como fez com a Ellie da Bella). Mais um que não passa perto do seu personagem no jogo.
Pedro Pascal manteve o mesmo nível da primeira temporada, ou seja, esteve excelente como Joel em suas poucas apresentações. Pedro é um ator espetacular, ele consegue um nível absurdo de caraterização, como nas cenas dos embates com a Ellie, na cena da sua morte e no episódio dos aniversários da Ellie no passado. Em todas as suas aparições ele esteve 100% perfeito e 100% fiel ao Joel do segundo jogo.
A Isabela Merced é um verdadeiro colírio para os meus olhos. Antes de mais nada eu quero deixar bem claro que a minha personagem preferida no segundo jogo é a Dina, sim, a Dina! Eu conheço e acompanho a carreira da Isabela Merced há muitos anos, desde os seus primeiros trabalhos até o mais relevante do seu início de carreira, "Transformers: O Último Cavaleiro" (2017), onde na época ela ainda usava o seu nome artístico como Isabela Monet (depois ela mudou para Merced por causa de um acontecimento pessoal). Ou seja, quando escalaram a Isabela para viver a Dina eu fiquei extremamente feliz, pois eu sabia que não tinha como dar errado, visto que ela sempre foi uma atriz talentosíssima, como muita entrega no personagem, e não deu outra, a Dina da Isabela Merced é maravilhosa. A Isabela consegue entregar uma Dina muito fiel ao jogo, muito bem caraterizada, muito bem estudada, muito bem trabalhada, sendo extremamente carismática, simpática, doce, um amor, cuja sua performance é tão boa, tão elegante, que chega a ofuscar o brilho da protagonista Bella Ramsey em praticamente todas as cenas em que as duas atuam juntas. E vamos combinar né....a Isabela Merced é muito linda!
Young Mazino é outro ator que conseguiu um ótima caracterização do Jesse do jogo, por mais que em alguns momentos ele destoe um pouco do personagem por algumas conversas e atitudes. Mas no geral ele esteve muito bem como Jesse e não comprometeu em nenhum momento. A Kaitlyn Dever como Abby eu já mencionei praticamente tudo que eu penso acima na análise do segundo episódio. Já expliquei o porque de eu não ter gostado da escolha dela para viver a Abby. E aqui a culpa não é da atriz e muito menos da sua performance, que pra mim fica devendo na cena da morte do Joel, mas ela compensa na cena do teatro no último episódio. Kaitlyn Dever é uma ótima atriz, tem ótimos trabalhos, e eu acredito que ela entregará uma excelente atuação na terceira temporada, visto que ela será a protagonista e a dona da temporada.
Completando o elenco: Rutina Wesley tem muito mais tempo de tela nessa temporada e ela soube aproveitá-lo da forma mais precisa. Rutina contracena muito bem com o Gabriel Luna e com os outros, ela consegue mostrar uma imposição bastante interessante (a maria do jogo também se impunha). Ela foi bem! Robert John Burke que fez o Seth, o ex-policial que administra um bar em Jackson, tem até mais participações na série do que no jogo. Ele faz o básico bem feito e não compromete. Catherine O'Hara fez a terapeuta do Joel e a esposa do Eugene. Uma personagem original da série que na minha opinião é completamente desnecessária. Já o Joe Pantoliano que fez o Eugene, marido de Gail, aparece apenas em um único episódio. De qualquer forma ele ainda existe no jogo e ainda teve um contexto na série.
Sobre o elenco do grupo da Abby: O principal, além da Kaitlyn Dever, é o Jeffrey Wright que faz o Isaac. Interessante que o Jeffrey repete o seu próprio papel do jogo, e aqui, até por razões óbvias, ele está impecável, excelente, sendo de longe um dos melhores personagens em termos de caracterização entre a série e o jogo. Spencer Lord não me convence como Owen. O mesmo também vale para a Ariela Barer como Mel. Porém, acredito que na terceira temporada eles serão muito mais relevantes (como no jogo), o que poderá melhorar muito a atuação de ambos, já que nessa temporada é bem fraca. Por outro lado temos a Tati Gabrielle que fez a Nora. Esta sim conseguiu me convencer perfeitamente sendo a Nora, e olha que ela teve pouco tempo de tela, mas em seu episódio com a Bella Ramsey ela já se mostrou muito bem caracterizada na personagem. Com toda certeza ela estará incrível na terceira temporada. E por fim o Danny Ramirez como Manny, que no jogo tem uma grande importância no grupo da Abby. Outro ator que eu também aposto que estará muito bem na terceira temporada.
Sobre as qualidades técnicas: Tecnicamente a segunda temporada continua na mesma linha da primeira, sendo uma verdadeira obra-prima. O maior destaque da temporada continua sendo a direção de arte que produz cenários impecáveis e completamente condizentes e fiéis ao jogo. A caracterização da equipe de maquiagem e efeitos é novamente um absurdo. Pois nessa temporada temos mais ações envolvendo os infectados, até com variações deles, coisa que ficou um pouco devendo na primeira temporada. A cenografia salta aos nossos olhos, e muito por nos surpreender com uma fotografia completamente maravilhosa. De fato a direção de fotografia da série é um dos pontos mais fiéis ao jogo. A trilha sonora acompanha com muita maestria todas as qualidades técnicas da série, e não era pra menos. A segunda temporada continua com um trabalho técnico e artístico de altíssimo nível.
Agora eu preciso questionar sobre o roteiro dessa temporada: Os senhores Craig Mazin e Neil Druckmann, que eu elogiei bastante na primeira temporada, dessa vez perderam a mão. E aqui a crítica é direcionada para a produção e roteiro. Um ponto que eu elogiei bastante na primeira temporada foi justamente o fato dos roteiristas seguirem um roteiro mantendo toda a essência e teor do jogo, por mais que tivemos algumas mudanças. Pra mim este foi o grande acerto da primeira temporada. O que me decepciona bastante nessa segunda temporada é exatamente a mudança de teor e essência que eles aplicaram no principal conteúdo do segundo jogo em relação com a série, pois o jogo é pesado, cruel, sombrio, mórbido, tenso, sobre vinganças, sobre dores, sobre perdas, sobre luto, sobre traumas, com um alto nível de violência, pânico e terror. O que acontece na série é exatamente ao contrário, eles suavizaram demais, eles humanizaram e descaracterizaram demais os personagens, eles retiraram todo esse peso, esse sentimento de ódio, dor, fúria e principalmente a vingança. E a personagem da Ellie na série é a personificação de toda essa mudança que eu acabo de mencionar.
Acredito que eles optaram em seguir por este caminho de suavizar a série para justamente não elevar a classificação indicativa e conseguir atingir todos os públicos. E aqui eu preciso deixar bem claro que eu entendo que estamos falando de uma adaptação de um jogo de videogame para o audiovisual, e que uma adaptação obviamente nunca irá seguir à risca da obra original, porém, eu defendo o fato de criar, de mudar, de usar uma liberdade criativa e até mudar alguns pontos ou alguns acontecimentos, mas uma coisa tem que ser respeitado em uma adaptação; tem que manter a essência do jogo, tem que respeitar o universo original que já está criado e eternizado, pois obviamente mesmo sendo uma adaptação, mas se não existisse o jogo a série jamais existiria. Então esse discurso batido de redes sociais de: "quer fidelidade vai jogar o jogo", pra mim não cola.
E aqui eu preciso destacar justamente essas mudanças que não fazem sentido e ainda prejudicam o andamento da narrativa na história. Você nota que eles perderam a mão na temporada na questão de suavizar e descaracterizar a Ellie, quando justamente eles querem colocar a Ellie em situações adversas para motivá-la a despertar o seu ódio e o seu desejo de vingança, como se de alguma forma isso fosse dar um choque de realidade na Ellie (que vive em Nárnia) para ela se lembrar da sua missão de vingança (pois claramente parece que ela esqueceu). Estou falando daquela cena patética no último episódio do garoto Serafita que estava sendo capturado pelos soldados da WLF. Por falar em Serafitas (ou Cicatrizes, como queiram), é impressionante a forma como a série nos apresenta o grupo dos Serafitas. A série coloca os Serafitas como vítimas da WLF, como se eles fossem somente o grupo que é sempre maltratado e perseguido pela WLF, subestimando os verdadeiros Serafitas do jogo, que também são extremamente cruéis com qualquer um que não faça parte do seu grupo. Nesse ponto temos mais uma mudança completamente absurda da série, pois no jogo isso nunca existiu, pelo contrário, no jogo não existe lado certo ou lado errado, não existe vítima e nem vilão, todos são vítimas e todos são vilões dos seus atos, cada um luta em prol da sua crença pela sua sobrevivência. Esta mudança exibindo esse olhar sobre os Serafitas e a WLF não faz o menor sentido.
Por fim: Temos aqui uma segunda temporada de "The Last of Us" muito aquém do que eu esperava. Como já mencionei anteriormente, a série é uma adaptação do jogo e obviamente vão ocorrer mudanças em relação à obra original, mas se você tira o peso do luto, da vingança e da violência da narrativa, você até pode ter uma adaptação aceitável e boa para quem não jogou o jogo, mas definitivamente não representa verdadeiramente o que é "The Last of Us". Eu lamento, pois eu esperava mudanças (como o próprio Neil Druckmann declarou) mas que não fossem comprometer exatamente a essência do que é o jogo "The Last of Us Part II". Que não fossem retirar o peso da história e suavizar, humanizar e descaracterizar tanto um roteiro, uma narrativa e principalmente os personagens. Este é o ponto que me pega, principalmente o que fizeram com a Ellie na série, que é absurdamente inaceitável!
O que resta é aguardar a terceira temporada (que ainda não tem data de lançamento, mas eu aposto por volta de 2027) que será feita no mesmo formato do jogo, com a primeira parte inteiramente focada na perspectiva da Ellie e seu grupo (como já foi), e a segunda parte inteiramente focada na perspectiva da Abby e o seu grupo. Eu acredito que este formato funciona no jogo, mas já para a série eu acho que não irá funcionar assim tão bem; uma vez que esta terceira temporada não teremos os personagens principais como o Joel, a Ellie e a Dina, sendo que na parte da Abby só ela se destaca enquanto o seu grupo é desconhecido. Pode ser que nessa terceira temporada a série venha a perder ainda mais força e relevância com relação a primeira e a segunda.
Como um verdadeiro fã da franquia de jogos "The Last of Us", eu encerro com uma palavra que define completamente o meu sentimento em relação a esta segunda temporada da série - "DECEPÇÃO"!!! Sem mais!
The Walking Dead: Daryl Dixon - The Book of Carol (2ª Temporada) 2024
Como um eterno fã de "The Walking Dead" eu achei sensacional a ideia de após o término da série original serem introduzidos novos spin-offs derivados de vários personagens desse universo, já que estávamos órfãos. Esta foi a aposta em "Dead City", "The Ones Who Live" e "Daryl Dixon" (apesar de já existir a série "Fear the Walking Dead").
A primeira temporada de "Daryl Dixon" eu achei interessante e bastante promissora, apesar que em sua grande maioria dos episódios necessariamente não construir um derivado da série principal e soar como uma continuação nos mesmos moldes. Ainda assim eu achei a série funcional dentro do que se propôs, que era expandir o universo do personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbis. Diante desse contexto eu vi que a série tinha potencial, até por focar na continuação da história de um dos principais personagens do universo de "The Walking Dead" - Daryl Dixon.
Diante daquele contato pelo rádio durante uma cena de flashback no final da primeira temporada, obviamente sabíamos que na segunda temporada teríamos a adição da icônica Carol Peletier (Melissa McBride), que retornaria para o universo de "The Walking Dead". Carol é simplesmente uma das personagens mais amadas (se não for a principal) de todo o universo de "The Walking Dead". A lendária Melissa McBride esteve presente em todas as temporadas de "The Walking Dead", onde inicialmente foi apresentada como uma mulher vulnerável, submissa, que sofria com os maus-tratos do marido e depois com dor da perda de sua filha Sophia (Madison Lintz). Diante desse início na série, eu afirmo que a Carol foi a personagem que mais evoluiu e se desenvolveu dentro desse universo, se tornando uma autêntica badass exterminadora de zumbis do mais alto nível, que é exatamente como a conhecemos hoje.
A temporada começa exatamente de onde parou a anterior, onde temos um Daryl indeciso e pensativo sobre a sua decisão em permanecer na França para ajudar na missão em proteger o jovem Laurent (Louis Puech Scigliuzzi) para conseguir o seu retorno para os EUA. Dessa vez Daryl, junto com a Isabelle (Clémence Poésy), é confrontado pela supervisão de Losang (Joel de la Fuente), quando decidem se arriscarem em uma nova missão de resgate. Por outro lado Carol, que ainda está nos EUA, luta para descobrir o paradeiro de seu inseparável amigo Daryl.
Carol já chega na série no seu estilo que já conhecemos (e estávamos com saudades), se impondo como a badass que sempre foi para conseguir o que sempre deseja. E aqui eu já preciso destacar a cena da Carol chegando na frente da porta daquele celeiro, que imediatamente na hora eu já me lembre da icônica cena da Sophia saindo do celeiro na segunda temporada de "The Walking Dead", e não deu outra, tivemos exatamente este flashback como lembranças da Carol. Esta cena da Sophia na série principal é lendária, é icônica, é emblemática, e na minha minha opinião é a cena mais marcante de todo o universo de "The Walking Dead", e obviamente a minha cena preferida de toda a história dessa série.
Por outro lado eu preciso mencionar que esta desculpa que a Carol inventou para convencer o Ash (Manish Dayal) a levá-la até a França é bem questionável, pra não dizer inteiramente ruim. Eu entendo que a Carol também tem esse perfil de manipuladora para conseguir o que sempre quer, mesmo passando por cima de pessoas e sentimentos, e aqui eu vi exatamente este ponto, que é a Carol se aproveitando do sentimento de dor e luto pela perda do Avi, o filho do Ash, para conseguir que ele a levasse até a França sobre a desculpa de procurar a sua filha Sophia, que todos nós sabemos que estava morta há muitos anos. Esta questão pode parecer normal para muitas pessoas, que podem até não ligarem para este contexto, mas no meu caso eu não achei legal.
Um ponto que nunca podemos levar em consideração quando estamos falando do universo de "The Walking Dead" é a verossimilhança nos acontecimentos, que é justamente o que acontece aqui. Pois toda essa conveniência da Carol em achar justamente um sobrevivente que aidna possui um avião dentro desse cenário pós-apocalíptico depois de tantos anos. Mais incrível aidna é o fato do avião estar funcionando perfeitamente para conseguir fazer uma viagem dos EUA até a França dentro daquelas condições, que sim, tem até um defeito que os obriga a fazer um pouso forçado na Groelândia, que por sinal rende até umas cenas interessantes. Sem falar também na outra conveniência da Carol em buscar sozinha o paradeiro do Daryl em um outro país completamente gigante e inicialmente sem nenhuma informação do seu paradeiro, e aqui eu nem estou levando em consideração a dificuldade do idioma. Porém são coisas que realmente temos que ignorar em prol do entretenimento.
Nesse ponto a série se dividi em dois núcleos; a Carol lutando para encontrar o Daryl e a parte do Ninho que envolve o questionável Losang. Este núcleo que envolve toda a história em volta do Ninho é vaga, rasa e completamente descartável, passando por discussões superficiais sobre fanatismo e diferença de classes, onde envolve até uma morte precoce para tentar impactar o espectador. No mais este núcleo é bem chato e desinteressante, pois chega a ser maçante acompanhar toda a trama do Losang (que por sinal é um personagem muito ruim) e seu culto caçando o Laurent.
No quarto episódio temos finalmente o reencontro da Carol com o Daryl, mas por outro lado temos a morte da Isabelle, uma personagem que eu gostava desde a primeira temporada e que tinha um potencial dentro da série. Aqui eu já acho que esta morte entra no mesmo critério que estamos acostumados dentro do universo de "The Walking Dead". Ou seja, sempre colocar uma morte de um personagem principal para tentar gerar, ou criar, um impacto no espectador, mas que no fim não funciona como esperavam. Nada mais do que "The Walking Dead" sendo "The Walking Dead", e infelizmente eu já estou acostumado com estas decisões sempre questionáveis dos roteiristas.
No mais a série continua no caminho dos embates com uma nova facção de sobreviventes do Ninho na caçada ao Laurent. Já o Daryl luta com suas crises existenciais para se perdoar, enquanto a Carol finalmente conta toda a verdade para o Ash. Obviamente o Ash fica indignado com a Carol por ela ter simplesmente o manipulado para conseguir o que queria, e não era pra menos, pra mim a Carol se aproveitou de um sentimento de luto e dor do Ash em prol dos seus desejos próprios.
E por fim chegamos no último episódio dessa segunda temporada; onde temos toda a estratégia de fuga de avião da França, onde o Ash consegue levantar voo diante daquele confronto entre os lados e proteger o Laurent. A ideia inicial era que a Carol partisse junto com o Ash e o Laurent de avião, porém ela pula do avião para protegê-los durante a partida, sendo assim ela fica junto com o Daryl. A parte final do episódio é bem intrigante e questionável, onde temos a sequência de cenas no túnel com zumbis bioluminescentes e alucinações causadas por fezes de morcegos. Diante deste cenário temos alucinações da Carol revendo, mais uma vez, a sua filha Sophia, e o Daryl também revendo a Isabelle. E assim termina o episódio nos deixando com várias dúvidas e vários questionamentos acerca da próxima temporada.
O elenco da série se resume exclusivamente no Norman Reedus e na Melissa McBride. Um ponto interessante dessa dupla é justamente o fato de termos somente uma dupla de velhos amigos e não um casal, como a série adora fazer com outros personagens, e que na maioria das vezes acaba não dando certo. Dessa forma a química e a sintonia entre eles é muito notável e funciona em perfeita harmonia dentro da série, praticamente um completa o pensamento e as atitudes do outro. Norman entrega o faz de melhor na pele do lendário Daryl Dixon, a verdadeira personificação do personagem, a imortalização do personagem - incrível! Já adição da Melissa foi certeira, pois ela compõe uma personagem forte, destemida, hábil, persuasiva, manipuladora, enfrentando tudo e todos que se opuser em seu caminho. Sem nenhuma dúvida o Norman Reedus a Melissa McBride compõem a melhor dupla (que não é um casal) de todo o universo de "The Walking Dead".
Completando o elenco temos a ótima Clémence Poésy; uma personagem que eu gosto na série, que na primeira temporada foi a responsável em trazer um novo frescor para a série e para o personagem do Norman Reedus. Nesta segunda temporada ela estava seguindo a mesma linha da primeira e estava indo bem, e eu gostaria que ela estivesse ficado na série ao lado do Daryl, mas infelizmente ela foi a escolhida do roteiro para fazer a famigerada "morte impactante" da temporada. O jovem ator Louis Puech Scigliuzzi trouxe um personagem que eu questionei bastante na primeira temporada, até por de fato não entender as suas reais motivações dentro da série, o seu verdadeiro objetivo que não fosse ser somente o jovem Messias destinado a guiar a humanidade para uma renovação. De fato ele continua como um personagem vago, vazio, superficial, que não avança em nada, porém pelo menos ele não está muito chato como na primeira temporada. O ator Manish Dayal traz um personagem que soa até como interessante inicialmente, que é justamente aquele personagem mais cru, mais seco, mais carregado emocionalmente e dramaticamente, que funciona dentro da proposta do roteiro, por mais que esta sua proposta seja um tanto quanto questionável.
O restante do elenco se completa com personagens vagos e bem desinteressantes que não valem a pena serem destacados.
Tecnicamente a temporada anda na mesma linha da anterior, ou seja, um verdadeiro show à parte. Nesse quesito o universo de "The Walking Dead" sempre foi referência, sempre nos entregou trabalhos absurdamente bem feitos. Novamente contamos com nomes como Angela Kang, Scott M. Gimple e Greg Nicotero, o que são sinônimos de excelência do mais alto nível. Ou seja, o desenvolvimento e produção da temporada é muito bem feito, muito bem trabalhado, muito bem arquitetado, onde novamente temos uma excelente ambientação calçada com uma direção de arte com cenários incríveis, que são o verdadeiro contraponto desse universo pós-apocalíptico. Outra referência do universo de "The Walking Dead" sempre foram a construção dos zumbis, que aqui estão ótimos, como aquelas variações dos zumbis mais violentos quando são afetados por aquela espécie de dardos com substância, uma espécie de mutação ainda mais forte. Sem falar nos zumbis que apareceram enterrados na Groelândia e nos zumbis bioluminescentes que apareceram no túnel no final da temporada. Continuando temos uma fotografia perfeita, onde casava muito bem com cada cena e seus acontecimentos. A trilha sonora também anda no mesmo ritmo, assim como a edição e direção de cada episódio.
Sobre a continuação da série: Sim, haverá uma terceira temporada de "The Walking Dead: Daryl Dixon". A série foi renovada para a terceira temporada e a previsão é que ela estreie ainda em 2025. Já existe um teaser disponível para o público, que mostra o início da jornada de Daryl e Carol na Espanha (bem curioso por sinal).
Por fim: A segunda temporada da série ganha um elemento que é de longe a principal motivação dessa temporada, que é justamente a adição da incrível Melissa McBride. A adição da Carol foi uma decisão muito acertada, e justamente por ela ser a melhor amiga do Daryl e assim poder junto dele dividir todo o protagonismo da série. A segunda temporada ganhou muito com a presença da Carol, pois assim ela reviveu uma dupla emblemática do universo de "The Walking Dead", que juntos construíram cenas impactantes com bastante química e sintonia. Sem falar que o roteiro aidna trouxe arcos pessoais de ambos os personagens que remexeu em suas feridas do passado, o que os obrigavam a enfrentar os seus medos e seus traumas.
A temporada também melhora nos embates, na violência dos ataques e nas mortes, que é também um ponto que merece destaque pela chegada da Carol na série, que junto do Daryl construíram aquela velha dupla de exterminadores de zumbis que tanto amamos dentro desse universo. Já por outro lado o desenvolvimento das partes iniciais (principalmente dos primeiros episódios) é muito ruim, pois aquele núcleo que envolve o Ninho junto com o Losang é muito ruim, chegando a ser maçante e desinteressante de acompanhar. Especificamente falando dessa parte na temporada, eu acho que aqui é o ponto que mais destoa na série, pois temos um núcleo confuso, genérico, superficial em torno do apático Laurent, que acaba trazendo um tom mais sentimental e mais melodramático, do que de propriamente aquela ação misturada com um terror, que de certa forma é a grande marca desse universo. Porém, ainda assim a temporada se sobressai em comparação com a primeira, e muito disso se deve exclusivamente a entrada da Carol na série.
Agora é aguardar o que a terceira temporada estará preparando para nós, visto que já temos informações que a série se expandirá para novos países como Inglaterra e Espanha. É praticamente uma turnê mundial da Carol Peletier e do Daryl Dixon.
A sexta e última temporada de "Better Call Saul" estreou em 18 de abril de 2022, nos Estados Unidos, e concluiu em 15 de agosto de 2022. A temporada de treze episódios foi dividida em duas partes; a primeira consistindo dos primeiros sete episódios concluiu em 23 de maio, antes de retomar com a segunda metade consistindo dos seis episódios finais em 11 de julho.
Os primeiros nove episódios acontecem principalmente em Albuquerque, Novo México, em 2004, quatro anos antes de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) começar sua associação com os cozinheiros de metanfetamina Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul). A temporada mostra a evolução de Jimmy para o personagem homônimo, o advogado de defesa criminal " Saul Goodman ", enquanto ele e sua esposa Kim Wexler (Rhea Seehorn) executam seu plano para forçar uma resolução do caso Sandpiper, arruinando a carreira de Howard Hamlin (Patrick Fabian). Simultaneamente, retrata Lalo Salamanca (Tony Dalton) buscando vingança contra Gus Fring (Giancarlo Esposito) por orquestrar uma tentativa de assassinato contra ele. Os episódios restantes acontecem principalmente em 2010, após os eventos de "Breaking Bad", e mostram Saul vivendo em Omaha, Nebraska, sob o pseudônimo de "Gene Takavic", se escondendo das autoridades após a morte de Walter.
Como já é de praxe, a sexta temporada inicia exatamente onde terminou a quinta, nos mostrando o Lalo com aquela sua sede de vingança contra o Gus pelos últimos acontecimentos que envolve justamente o Nacho (Michael Mando). O interessante é o fato de todos acharem que o Lalo estivesse realmente morto, mas além dele estar vivo, ele arruma um jeito de entrar em contato com o Hector Salamanca (Mark Margolis) para avisá-lo que irá conseguir sua vingança contra o Gus. O principal alvo do momento, tanto do Lalo quanto do Gus, é o Nacho, que mesmo com a ajuda do Mike para que o Gus reconsiderasse a ajudá-lo, mas o Gus está irredutível e decide jogar toda a culpa em sua conta. Dessa forma o Nacho passa a fugir incansavelmente, até que os famosos gêmeos Salamancas vão ao seu encalço (muito bom poder rever os gêmeos em ação novamente). No fim o Nacho decide entrar em um acordo e se entregar, onde temos aquela icônica cena com o Nacho entre o Gus e os líderes do Cartel Mexicano, onde o Nacho conta tudo e por fim acaba dando um tiro em sua própria cabeça, pondo um fim na história do incrível Nacho Varga no universo de "Breaking Bad".
Partindo para o núcleo do Saul Goodman, podemos logo observar que ele deixou aquele fundo daquela loja de manicure e conseguiu outro local para fazer os seus atendimentos. Logo também observamos que ele continua elaborando aquele plano, junto com a Kim, para retirar de vez o Howard do caso Sandpiper. A ideia do Saul é retirar o Howard do caso para lucrar sozinho toda a grana, dessa forma o Saul passa a arquitetar vários golpes para incriminar o Howard como se ele estivesse usando cocaína, e no fim todo o plano do Jimmy/Saul acaba dando certo.
Continuando no caso do Gus, que está paranoico com a possibilidade do Lalo estar vivo, onde o próprio Mike também acredita que o Lalo esteja realmente morto. Por outro lado o Lalo vai fundo em sua investigação para descobrir todos os esquemas do Gus envolvendo os seus restaurantes e sua lavanderia. Já no lado do Jimmy/Saul, que está em um momento tranquilo com a Kim, quando de repente tem uma visita inesperada do Howard que acusa o Jimmy por tudo que aconteceu com ele. É nessa cena que simplesmente aparece o Lalo na casa do Jimmy e dá um tiro na cabeça do Howard, pondo fim em outro personagem desse universo. A partir daí temos vários acontecimentos envolvendo a Kim indo confrontar o Gus, onde tudo não passava de uma armação do próprio Lalo para montar uma emboscada na lavanderia para finalmente pegar o Gus. Este é o grande confronto da temporada e talvez da série, onde logo o Lalo apaga os capangas do Gus e o mantém como refém. Esta cena com o embate entre o Gus e o Lalo é sensacional, onde o Gus sai como vencedor pondo um fim no imparável Lalo Salamanca.
Temos um salto no tempo na temporada, onde finalmente temos o Jimmy McGill em sua maior e mais notável forma do famigerado Saul Goodman. Nesse episódio (o décimo primeiro) temos as participações mais do que especiais do Walter White e do Jesse Pinkman, retornando junto com o Saul ao icônico universo de "Breaking Bad". Esta parte temos um ponto específico do Walter e do Jesse explicando para o Saul sobre os seus negócios (que já sabemos) e no que eles precisavam da ajuda do Saul.
A partir do décimo episódio temos várias cenas e vários acontecimentos em preto e branco, o que de certa forma virou uma marca dos inícios das temporadas. Temos os acontecimentos a partir da cena da temporada passada, onde temos o Jimmy sendo reconhecido por um taxista local e ele tentou disfarçar. O Jimmy/Saul começa a fazer um golpe, o que fatalmente não será uma única vez, como no caso dos golpes no shopping para roubar as lojas. Seguindo adiante o Jimmy meio que fecha um acordo com o taxista para embriagar os passageiros e roubar suas casas juntamente com seus dados bancários. Um fato curioso desse período na vida do Jimmy, é justamente o dia que por alguma razão ele decide ligar para a Kim, que naquele momento estava vivendo sua vida pacata na Flórida. Entre golpes e mais golpes do Jimmy junto com o taxista Jeff (Pat Healy), quem realmente ajuda na queda do Jimmy é a Marion (Carol Burnett) a mãe do Jeff, que já estava desconfiada daquela aproximação e acaba descobrindo o Jimmy como um golpista. Temos então um confronto entre o Jimmy e a Marion, onde ele acaba fugindo mas logo é pego pela polícia local.
Agora eu preciso destacar a parte final da temporada, onde temos acontecimentos até então inimagináveis dentro do universo de "Breaking Bad". Quando o Jimmy/Saul é capturado cai sobre ele todas as acusações, ainda mais com o fato do Walter está morto, o Hank também está morto e o Jesse foragido (entenda-se que estamos falando aqui de um futuro pós finalização de "Breaking Bad"). Ou seja, nesse momento o único acusado que ficou responsável por tudo que aconteceu em "Breaking Bad" era o Saul. O Saul por sua vez se defende das acusações alegando que era coagido pelo Walter para fazer tudo que ele fez, o que teoricamente não deixa de ser uma verdade. Porém, como o Saul é muito hábil e astuto nesse mundo do crime, com sua inteligência e sua lábia ele consegue reduzir consideravelmente a sua pena, que deveria ser prisão perpétua. Por outro lado o Saul vive em conflito com sua mente em relação à Kim, já que a própria ficou muito perturbada com tudo que fez na vida e decidiu desabafar todo o ocorrido justamente com a viúva do Howard - por sinal uma cena muito impactante.
Por fim chegamos no julgamento do Saul, que justamente estava perturbado mentalmente sobre a Kim, e ela está presente no tribunal do seu julgamento, o que o leva a jogar toda a merda no ventilador e confessar tudo que fez em sua vida. Dessa forma o Saul conta tudo no tribunal, falando até da morte do seu irmão Chuck e se colocando como o principal responsável, o que me deixou completamente boquiaberto nesse momento. Temos até uma bela cena do Jimmy com o Chuck, e logo após o Jimmy revela que seu nome é Jimmy mesmo e não Saul, praticamente se desfazendo do seu famigerado pseudônimo para manter a sua consciência livre e limpa (como se fosse possível). Após o julgamento o Jimmy é condenado e encaminhado para a prisão onde ele passará os últimos anos de sua vida. E no fechamento da série temos a cena em que a Kim (visualmente bem diferente, por sinal) vai até a prisão falar com o Jimmy, eles meio que se acertam na medida do possível e ficamos com a última visão do Jimmy olhando do outro lado da cerca a Kim indo embora para sempre. E assim se encerra o último episódio da última temporada da série "Better Call Saul".
Sobre o elenco: De fato "Better Call Saul" jamais sairia do papel sem este incrível elenco que compôs cada temporada, cada personagem e cada acontecimento. Bob Odenkirk é a alma da série, onde ele veste de um personagem cheio de camadas, de facetas, indo desde o inexperiente Jimmy McGill inicialmente até o inigualável Saul Goodman, até se descaracterizar e se desconstruir da sua principal personalidade ao final. Incrível, Bob Odenkirk é incrível! Jonathan Banks deu vida a um dos meus personagens preferido de todo o universo de "Breaking Bad". O apoteótico Mike Ehrmantraut é sempre a peça-chave dos acontecimentos, aquele coringa que sempre está presente no local certo e na hora certa. Imensurável como o Jonathan Banks é impecável no universo de "Breaking Bad". Rhea Seehorn faz uma personagem que desde o começo é aquela famosa ame ou odeie. Na temporada passada eu citei que a Kim estava em sua melhor temporada da série até o momento, e digo que ela se mantém nesse patamar na temporada atual. Realmente a Kim teve um grande crescimento de importância dentro da série, se colocando como peça principal em alguns momentos e fechando com chave de ouro a sua última cena junto com o Jimmy. Belíssimo trabalho da Rhea Seehorn. Patrick Fabian teve menores participações nessa temporada em específico, e logo foi limado do contexto atual. Porém ele não fica atrás, pois entregou um ótimo personagem ao longo da série, que teve participações pontuais e fundamentais na construção do caráter do Jimmy como Saul. Michael Mando andou na mesma linha da Rhea Seehorn nas últimas duas temporadas, pois ele também cresceu muito de importância dentro da série e teve um final extremamente impactante. Tony Dalton não foi um personagem que esteve desde o começo da série mas ele trouxe consigo uma extrema importância para os acontecimentos acerca do Gus. Os embates entre eles foram de tirar o fôlego, nos proporcionando cenas impagáveis. Tony é um excelente ator! E por falar em Gus Fring; Giancarlo Esposito é o coração da série. Se o Bob é a alma ele é o coração! Eu não tenho mais palavras para elogiar o que o Giancarlo representa para o contexto do universo de "Breaking Bad". Elogiá-lo é simplesmente chover no molhado. Já falei aqui e repito: Giancarlo Esposito é um verdadeiro gentleman na arte de atuar!
Tecnicamente e artisticamente a série "Better Call Saul" é uma obra-prima, pois ela está inserida na mesma linha de "Breaking Bad", sendo assim é mais do que notável e perceptível como tudo aqui funciona em perfeita harmonia e sintonia. Vince Gilligan constrói uma evolução muito notável durante cada temporada e cada episódio, algo que vai além, que o faz se superar em cada quesito; como no caso da produção, direção, edição, mixagem, fotografia, cenografia e direção de arte. É realmente incrível como tecnicamente tudo funciona dentro da série, como no caso da trilha sonora, que é absurda.
A sexta temporada de "Better Call Saul" foi filmada em Albuquerque durante um período de onze meses. Muitos de seus atrasos foram devido à pandemia de COVID-19 e ao ataque cardíaco de Bob Odenkirk no set. A série foi elogiada pelos críticos, principalmente por suas performances, roteiro, visuais, peso emocional e semelhança com "Breaking Bad" (algo mais do que natural) . A primeira metade recebeu quatro indicações no 74º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. A segunda metade recebeu cinco indicações para o 75º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática, a sexta indicação de Bob Odenkirk para Melhor Ator Principal em Série Dramática e a segunda indicação de Rhea Seehorn para Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática.
No Rotten Tomatoes, a sexta temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com base em 182 avaliações, com uma classificação média de 9,4/10. Já no Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 94 de 100 com base em 20 críticos.
Considerações finais: Eu sempre deixei muito claro que "Breaking Bad" é a melhor série que eu já assisti na vida, a minha série de cabeceira. Dito isto: poder acompanhar "Better Call Saul" pela primeira vez foi uma experiência inenarrável, um verdadeiro deleite audiovisual. Pois esta série pode me proporcionar conhecer um outro lado dos personagens que teoricamente não eram os protagonistas da série principal. Ou seja, conhecer o seu passado, ou melhor, o seu início dentro desse universo antológico, poder descobrir como cada um deles se tornaram o que conhecemos em "Breaking Bad".
Encerro afirmando que "Better Call Saul" é uma série excelente, que nos entregou exatamente o que todos nós queríamos, o que todos nós almejávamos, que nos proporcionou voltar ao universo de "Breaking Bad" mais uma vez, e isto para um fã não tem preço. "Better Call Saul" honrou o nome da maior série de TV de todos os tempos!
A quinta temporada de "Better Call Saul" estreou em 23 de fevereiro de 2020, nos Estados Unidos, e concluiu em 20 de abril de 2020. Assim como as temporadas anteriores, esta também continua no padrão dos dez episódios. Novamente temos o elenco formado por Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando e Giancarlo Esposito, sendo acompanhados por Tony Dalton, que foi promovido ao elenco principal de seu papel recorrente na temporada anterior.
A quinta temporada começa exatamente onde a quarta parou, também ocorrendo em 2004, quatro anos antes de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) conhecer Walter White (Bryan Cranston ) e Jesse Pinkman (Aaron Paul ) na série principal "Breaking Bad". A temporada mostra a evolução de Jimmy para o personagem titular, o advogado de defesa criminal "Saul Goodman", após recuperar sua licença de advogado, enquanto rejeita totalmente a boa vontade que Howard Hamlin (Patrick Fabian) estende a ele após a morte de seu irmão Chuck (Michael McKean) na terceira temporada. Kim Wexler (Rhea Seehorn) fica consternada com a natureza secreta e esporádica de Jimmy, bem como com sua própria disposição de concordar com os motivos moralmente ambíguos de Jimmy para seguir em frente em seu trabalho de casos judiciais. A presença de Lalo Salamanca (Tony Dalton) em Albuquerque interrompe o negócio legítimo de restaurantes de Gus Fring (Giancarlo Esposito) e sua reputação com o cartel de drogas. Tanto Nacho Varga (Michael Mando), temendo pela segurança de seu pai, quanto Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks), que está lutando para lidar com a morte de Werner Ziegler, ficam presos no conflito de Gus e Lalo, o que acaba atraindo Jimmy e Kim.
Como já virou um padrão dos inícios das temporadas de "Better Call Saul", o primeiro episódio já inicia no famoso pós "Breaking Bad", onde temos o Jimmy/Saul em seu trabalho no shopping vivendo naquela sua paranoia de ser reconhecido por alguém quanto a sua identidade. Tanto que ele esconde sua verdadeira identidade sob seu pseudônimo de "Gene Takavic" quando ele é reconhecido em público. Voltando ao presente da temporada, temos o Jimmy recuperando a sua licença na advocacia e entrando em contato com aquelas pessoas que ele negociou os aparelhos celular nas temporadas passadas para oferecer os seus serviços. Curioso que nesse momento o Jimmy já adotou 100% o uso do seu pseudônimo de Saul Goodman.
Já no outro núcleo da série, o Nacho continua envolvido com os negócios do cartel mexicano após aquele seu golpe anteriormente envolvendo o Hector Salamanca (Mark Margolis). O ponto interessante da história do Nacho é justamente ele estar no meio do embate envolvendo o Gus e o Lalo. Ou seja, o Gus havia percebido aquele plano do Nacho para matar o Hector e o obrigou a trabalhar para ele, enquanto o Lalo, que é sobrinho do Hector, mantém o Nacho sobre a sua supervisão. Esta parte da temporada é muito boa, pois justamente temos aquele jogo de gato e rato entre o Lalo e o Gus, já que o Lalo quer descobrir os negócios do Gus e persegue até o Mike para conseguir chegar no seu objetivo, que por sinal ele quase consegue. O Nacho Varga vira praticamente o personagem central dessa parte da trama, pois ele precisa seguir as ordens do Gus, uma vez que o Gus está ameaçando o seu pai, enquanto ele também precisa de alguma forma ganhar a confiança do Lalo e não levantar nenhuma suspeita.
Dentro de todo este contexto entre Lalo e Gus, o próprio Saul entra na jogada como advogado de defesa contratado pelo Lalo para defender o Krazy-8 (mais um do universo "Breaking Bad"). Nessa fase da temporada temos a entrada do emblemático agente da DEA, o grande Hank Schrader (Dean Norris), que reprisa o seu papel de "Breaking Bad" entrando na investigação da denúncia feita contra o Gus. Já o Mike fica um pouco de lado, fica mais na sua, tanto que ele começa a beber e arruma algumas confusões indo parar em uma espécie de santuário no México, até ser resgatado pelo próprio Gus que o traz novamente para o jogo. A Kim continua presa no seu mundo, na sua bolha, que é o seu trabalho entre aqueles casos sociais e os casos do Mesa Verde Bank, o que acaba lhe causando um grande transtorno até mental. Por outro lado temos aquela genialidade do Saul ao entrar nesse caso para atrasar os planos tanto da própria Kim quando do Mesa Verde Bank. Depois a Kim descobre este lado da jogada do próprio Saul, o que a deixa chateada e se sentindo traída, e o resultado é um casamento entre a Kim e o Saul assim tipo do nada.
No decorrer da temporada temos algumas reviravoltas, como na parte que o Mike consegue um plano para incriminar o Lalo e ele ser preso. Logo após o Nacho precisa seguir uma ordem do Lalo para colocar fogo em um dos estabelecimentos do Gus, como o Gus sabe de tudo que está acontecendo pelo próprio Nacho ele mesmo coloca fogo em sua própria loja para não levantar nenhuma suspeita. Depois temos a parte em que o Saul é o advogado contratado pelo Lalo para retirá-lo da prisão sobre o preço de uma fiança que o próprio Saul precisa buscar em um deserto, por sinal este episódio do deserto é sensacional. Nessa temporada também temos pequenas participações do Howard (Patrick Fabian), que parece querer se acertar com o Saul de alguma forma, já o Saul só quer mesmo sacanear o Howard, e de certa forma eu até concordo e entendo esta postura do Saul, já que o Howard sempre foi muito falso com o Saul e vice e versa.
Partindo para os episódios finais da temporada, temos a parte em que o Lalo leva o Nacho até seu povo no México e o coloca dentro de sua casa, porém o Nacho faz parte de todo o plano do Gus que queria exterminar todos daquele local incluindo o próprio Lalo. O Nacho consegue cumprir as ordens do Gus e colocar para dentro do local todo o esquadrão do Gus para matar o Lalo, que por sinal são cenas belíssimas de ação e tensão. O Lalo como um autêntico Salamanca que é, consegue escapar por um túnel da casa e volta para exterminar sozinho todo o esquadrão. Nessa altura dos acontecimentos o Lalo já sacou que tudo foi armado pelo próprio Nacho, que ele já tinha fugido do local facilitando o acesso. Ou seja, o Lalo fica furioso pelos planos do Gus envolvendo o Nacho, e assim acaba a temporada mostrando um Lalo com sangue nos olhos para a sexta e última temporada de "Better Call Saul".
Sobre o elenco: Bob Odenkirk assume de vez a sua identidade de Saul Goodman, deixando para trás todo o seu caráter de Jimmy McGill e entrando de cabeça nesse submundo do Saul que conhecemos em "Breaking Bad". Mais um temporada com uma atuação fantástica do incrível Bob Odenkirk. Jonathan Banks é aquele ator que sempre mantém um linha certeira de um alto nível de entrega de seu personagem, pois você nunca irá achar uma temporada em que ele esteja mediano ou fraco. O Mike sempre é aquela peça-chave que liga todos os acontecimentos da série, e consequentemente o fantástico Jonathan Banks sempre entrega um trabalho condizente. Rhea Seehorn está incrível nessa quinta temporada. Ouso a dizer que esta é a sua melhor temporada na série até aqui. Finalmente temos uma Kim que está se desconstruindo, se descaracterizando, saindo daquela pose de boa moça, de estar sempre mantendo a aparência da profissional certinha. Ou seja, a partir do momento em que ela decide atacar o Howard ela acaba acessando diretamente o seu lado mais sombrio, o que culmina diretamente com o atual momento do Saul. Este casal ficará ainda mais interessante na sexta temporada. Michael Mando é outro que subiu muito de produção nessa temporada, pois agora podemos notar que ele chama pra si todo o protagonismo e toda a responsabilidade dos acontecimentos, e ele estando no meio do fogo cruzado o deixa ainda mais importante dentro da série. Giancarlo Esposito anda na mesma linha do Jonathan Banks, ou seja seus personagens entregam sempre o que almejamos. É realmente incrível como o Esposito ganha todas as atenções e todo o protagonismo quando ele entra em cena. Ele é um ator absurdo e este seu personagem já ficou imortalizado. Tony Dalton foi uma adição certeira para o roteiro da série. O Lalo Salamanca foi um personagem já citado em "Breaking Bad" mas que nunca apareceu na série, ou seja a sua aparição em "Better Call Saul" tem muito peso. E de fato o Tony foi muito bem na temporada, conseguiu se colocar como um grande rival do Gus e aproveitou muito bem todo o seu protagonismo, já que ele entrou no espaço deixado pelo Hector Salamanca. O Patrick Fabian teve uma participação mais contida nessa temporada, se destacando apenas por algumas cenas de embate com Bob Odenkirk, que por sinal são ótimas cenas. E só pontuando a participação do Dean Norris, que é sempre muito elegante.
Tecnicamente a temporada mantém o mesmo nível das anteriores e consequentemente de todo o universo de "Breaking Bad".
A quinta temporada de "Better Call Saul" foi muito elogiada pelos críticos, principalmente por suas performances e maior tensão em comparação às temporadas anteriores. No Rotten Tomatoes, a temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com base em 185 avaliações. No Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 92 de 100 com base em 16 críticos. Além de receber quatro indicações no 72º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. "Better Call Saul" segue fazendo história!
Encerro afirmando que esta quinta temporada de "Better Call Saul" subiu muito no meu conceito, pois ela consegue unificar vários pontos dentro da série, ela consegue uma grande dose de crescimento e evolução em contrapartida com a desconstrução e descaracterização dos personagens, o que me chamou muito a atenção durante toda a temporada. Sem nenhuma dúvida esta é a melhor temporada da série, que tem tudo para ser superada pela sexta e última temporada de "Better Call Saul".
A quarta temporada de "Better Call Saul" estreou em 6 de agosto de 2018 e concluiu em 8 de outubro de 2018. A temporada continua no padrão dos dez episódios e foi transmitida pela AMC.
A quarta temporada de "Better Call Saul" ocorre principalmente no ano de 2003, assim como a anterior, porém os últimos quatro episódios ocorrem já no ano de 2004 após um salto no tempo no sétimo episódio. Esta temporada consiste especificamente no fato do Jimmy McGill (Bob Odenkirk) e da Kim Wexler (Rhea Seehorn) estarem lutando pela morte do Chuck McGill (Michael McKean). Howard Hamlin (Patrick Fabian) sofre com uma depressão por acreditar ser ele o responsável pela morte do Chuck, o que acaba por acarretar em seu desligamento do trabalho. Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) começa as inspeções de segurança em Madrigal, desconsiderando o fato de que seu contrato de consultoria deveria ser apenas uma transação de papel. Nacho Varga (Michael Mando) se torna um espião para Gus Fring (Giancarlo Esposito) dentro da organização Salamanca, logo após o próprio Gus desconfiar da sua armação que resultou no derrame do Hector Salamanca (Mark Margolis) na temporada anterior. Gus contrata um engenheiro e uma equipe de construção para começar a construção do "superlaboratório" de metanfetamina sob a lavanderia industrial (o que para nós fãs de "Breaking Bad" já sabemos da importância desse "superlaboratório").
A temporada já inicia em seu primeiro episódio com a já famigerada cena futura em preto e branco, onde temos o Saul no hospital após ter desmaiado em seu trabalho fruto de um ataque de estresse na terceira temporada. Nesse caso o Saul/Jimmy está paranoico com o receio do fato de descobrirem a sua verdadeira identidade de acordo com os eventos que acontecem em "Breaking Bad". Já no presente da temporada temos a chegada da notícia da morte do Chuck no Jimmy e na Kim, onde ambos vão juntos até o local do acidente fatal do Chuck, sua casa. Jimmy está com a sua carteira de advocacia suspensa por um ano e dessa forma ele passa a procurar empregos em outras áreas, mas não deixa de aplicar os seus golpes.
O Mike volta a trabalhar na portaria do estacionamento porém ele está ganhando o dinheiro da Madrigal quando ele passa a assumir o controle de segurança do local. Podemos observar que o Mike usa esse caso como uma espécie de lavagem de dinheiro pelas operações secretas que ele faz para o Gus. Todo aquele envolvimento do Jimmy com os esquemas das vendas frias dos celulares acaba gerando cenas mais fortes quando ele vai cobrar aquela gangue que o roubou. O interessante dessa cena é que a partir daí o Jimmy já começa a usar o pseudônimo de Saul Goodman.
O núcleo que envolve o Gus e o Nacho está cada vez mais interessante nessa temporada, pois após o Gus sacar do seu envolvimento no acontecimento do Hector Salamanca ele mata o parceiro do Nacho e o obriga a trabalhar secretamente para ele. Toda construção bolada pelo Gus para se livrar das exigências do Cartel mexicano acaba gerando uma operação arriscada para o Nacho, que acaba levando a pior e levando alguns tiros e se ferindo até gravemente. O fica ainda mais interessante nessa temporada é justamente este embate que acaba gerando entre o Lado do Gus contra o lado do Hector com o Nacho bem no meio do fogo cruzado. Justamente nesse ponto temos a entrada dos icônicos gêmeos Salamanca (Leonel Salamanca / Daniel Moncada e Marco Salamanca / Luis Moncada) em cena atacando e matando todos da gangue rival.
Outro personagem do universo de "Breaking Bad" que aparece na temporada é o Gale Boetticher (David Costabile), que está ao lado do Mike na busca do engenheiro para a construção do já citado "superlaboratório". Por outro lado temos um Nacho cuidando mais tranquilamente dos seus negócios, até que temos a entrada na série do Lalo Salamanca (Tony Dalton), que é um enviado do Cartel mexicano que chega para começar a administrar o negócio de drogas da família, já que o Hector se encontra naquelas condições. Já a Kim está novamente trabalhando em um caso da empresa Mesa Verde, que logo acaba entrando em conflito com a empresa pelos seus trabalhos fora dela. E novamente temos o casal Jimmy e Kim trabalhando e tramando novos golpes juntos. Todo envolvimento do Mike ao despistar o Lalo do seu encalço acaba gerando uma cena bem pesada na temporada; que é justamente a cena em que o Mike, por ordens do Gus, acaba executando o engenheiro. Esta de fato é uma cena que tem um certo nível de comoção pela parte do próprio Mike, pois este engenheiro de certa forma era um amigo que o Mike considerava dentro de todo o universo de "Breaking Bad", e ter que executá-lo ali a sangue frio foi muito difícil e pesado para o Mike, como observamos no desenrolar da cena.
A temporada tem um salto no tempo de um ano, quando temos a cena em que o Jimmy vai fazer a entrevista para tentar recuperar a sua licença para novamente exercer a advocacia, o que acaba não saindo como ele planejava e ele acaba não conseguindo a licença. Também temos todas as cenas da recuperação do Hector Salamanca após o seu ocorrido. Temos aquela cena onde o Hector começa a aprender a se comunicar com os toques do dedo no sininho de sua cadeira de rodas. É justamente dessa forma que conhecemos ele em "Breaking Bad", quando ele usa aquele sininho para tentar se comunicar, que por sinal são cenas com um alto grau de tensão. Para provar a sua inocência, ou parte dela, o Jimmy usa aquela carta do testamento que seu irmão Chuck deixou para ele para assim recuperar a sua licença de advocacia. Aliás, diga-se de passagem é uma cena fantástica o discurso emocionante que o Jimmy faz. Já por outro lado ficamos extremante surpresos quando a Kim aparece no local e descobrimos que todo aquele discurso não passava de uma encenação do Jimmy para conseguir na sua lábia o seu objetivo de retomar a advocacia. E pasmem, é exatamente nesse ponto que definitivamente nasceu o emblemático Saul Goodman que conhecemos em "Breaking Bad". E assim se encerra o décimo e último episódio da quarta temporada de "Better Call Saul".
Falar do elenco da série é sempre chover no molhado, pois definitivamente o núcleo principal é sempre impecável em seus respectivos personagens. Portanto eu nem preciso me alongar aqui pontuando a atuação de cada um. Já o elenco recorrente de apoio se destaca muito bem em cada personagem; como é o caso do saudoso Mark Margolis com o seu imensurável Hector Salamanca. Daniel Moncada e Luis Moncada, que fazem os gêmeos Salamanca, estão sempre formidáveis. O próprio David Costabile que foi muito bem em sua apresentação. E finalizando como Tony Dalton, que teve uma entrada explosiva e muito intrigante na série.
A parte técnica da temporada novamente é um show à parte, pois o nível técnico e artístico é um absurdo. A trilha sonora acompanha perfeitamente os acontecimentos de cada episódio. A fotografia é muito bem destacada, assim como a direção de arte, a montagem, edição, cenografia, tudo muito bem ajustado para proporcionar o verdadeiro espetáculo que presenciamos ao longo dos dez episódios.
A quarta temporada de "Better Call Saul" recebeu aclamação da crítica, principalmente por seu ritmo e desenvolvimento de personagens, e seis indicações ao 71º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. No Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 87 em 100 com base em 16 críticos. No Rotten Tomatoes, a temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com uma pontuação média de 8,9 em 10 com base em 185 avaliações.
Por fim, esta quarta temporada de "Better Call Saul" serve como um verdadeiro divisor de águas dentro de toda a série, já que é justamente aqui que a série assumi o seu lado cada vez mais sombrio. Sem falar que esta é a temporada onde claramente podemos observar que a morte do Chuck serve principalmente como um catalisador para a transformação de Jimmy McGill no que conhecemos em "Breaking Bad"; aquele advogado trapaceiro, persuasivo, manipulador, maquiavélico e letal. Senhoras e senhores, este é o icônico Saul Goodman.
A terceira temporada de "Better Call Saul" estreou em 10 de abril de 2017 e concluiu em 19 de junho de 2017. A temporada segue no padrão de dez episódios e foi transmitida pela AMC.
Esta terceira temporada segue diretamente os eventos da segunda, que ocorreu no final do ano de 2002, sendo que a conclusão da temporada 3 ocorre no ano de 2003. Temos novamente o Jimmy McGill (Bob Odenkirk) que ainda exerce a profissão de advogado que está envolvido em uma rixa com seu irmão Chuck (Michael McKean). Chuck por sua vez acredita cegamente que seu irmão não é apto para ser advogado e planeja sua destituição. O grande Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) começa uma parceria com ninguém mais ninguém menos que o glorioso e insuperável Gustavo Fring (Giancarlo Esposito), sim, temos a chegada do Gus nessa temporada. Enquanto o Nacho Varga (Michael Mando) está cada vez mais empenhado em seu plano de conspiração para assassinar seu rival, Hector Salamanca (Mark Margolis).
Como já é de praxe, o primeiro episódio inicia exatamente em preto em branco em uma cena futura pós "Breaking Bad". Onde temos o Jimmy em seu trabalho observando um rapaz sendo perseguido pela polícia por ter roubado as lojas do shopping. O interessante aqui é observar que o Jimmy ajuda a polícia a encontrar o rapaz para ele ser preso e assim o Jimmy gritar para o rapaz que ele precisa de um advogado. Poderíamos encarar esta cena como um cena curiosa qualquer sem a menor importância, desde que não conhecêssemos o Jimmy, é óbvio.
A partir desse ponto a série segue exatamente na parte onde terminou a temporada anterior; que é o Chuck ter usado das suas artimanhas para gravar a confissão do Jimmy sobre a alteração dos endereços dos formulários. Porém momentaneamente o Chuck não utiliza essa gravação sendo aconselhado pelo Howard (Patrick Fabian), pois ele tinha um plano futuro para agir contra o Jimmy se baseando nessa questão. O Mike está no encalço do cartel do Salamanca, porém ele descobre que está sendo seguido e ameaçado. É nesse ponto que temos a entrada do Gus Fring na série, que por sua vez já estava sabendo dos planos do Mike, quando o Mike pede a ajuda do Jimmy e este vai até o Los Pollos Hermanos para tentar ajudar o Mike. Incrível como O Gus sempre está uma passo à frente de todos ao seu redor.
Chuck, com a ajuda do Howard, consegue um plano para incriminar o Jimmy que invadiu sua casa em busca da gravação, gravação esta que o Jimmy já estava sabendo do que se tratava pois ele foi informado pela sua comparsa Kim Wexler (Rhea Seehorn). Mike enfim conhece o Gus e os dois tem planos em comuns e decidem se aliar contra o Hector Salamanca. Ambos queriam atacar o Hector não fisicamente mas financeiramente, ao atingir o seu cartel de distribuição de drogas. Por sinal o plano do Mike do sapato no fio com drogas funciona perfeitamente e derruba o esquema de distribuição do Hector, que por sua vez tem seu esquema vazado nas autoridades. Com a distribuição do Hector caindo na investigação, todo o esquema fica à cargo somente do Gus com seu Los Pollos Hermanos, ou seja, a princípio o plano do Gus junto com a aliança do Mike tinha dado certo.
A ideia do Gus era que o Mike trabalhasse para ele dentro de seu esquema, porém o Mike queria só uma ajuda do Gus na lavagem do dinheiro que ele havia roubado. É nesse ponto que temos a entrada da personagem Lydia Rodarte-Quayle (Laura Fraser), da Madrigal, que obviamente está reprisando o seu papel de "Breaking Bad". É interessante esta conexão de personagens desse universo. Já no núcleo do Jimmy e Chuck, temos aquele embate no tribunal, o que resulta em uma guerra entre os dois, com o Chuck apresentando uma cópia da fita gravada com as confissões do Jimmy, e o Jimmy por sua vez acusando o irmão de maluco pela sua condição de hipersensitividade eletromagnética. O resultado final desse embate no tribunal é o Jimmy ter que ficar um ano sem poder advogar e o Chuck sair de cena por causa da sua condição que julgaram ser psicológica.
Esta terceira temporada de "Better Call Saul" ser torna uma temporada muito relevante dentro de todo o universo de "Breaking Bad", justamente por nos evidenciar a causa e como tudo ocorreu para o Hector Salamanca ficar naquela cadeira de rodas vegetando como conhecemos ele em "Breaking Bad". Tudo começa quando o Hector perde a sua distribuição e vê tudo nas mãos do Gus, o que o deixa bastante irritado e faz ele pensar em uma solução para ter novamente a sua distribuição. Hector decidi buscar uma espécie de aliança/parceria com o pai do Nacho oferecendo dinheiro. O pai do Nacho não aceita o que faz com que o Hector pense em retirá-lo de seu caminho, só que ele conta isso para o Nacho, que teria que matar o seu pai. Obviamente o Nacho não quer que seu pai morra e decidi atacar o ponto fraco de Hector, que é sobre as pílulas que ele toma frequentemente por causa do seu problema de coração. Dessa forma temos o episódio em que o Nacho se encarrega em trocar as pílulas do Hector por outras falsas, por sinal uma episódio muito tenso.
Já o Jimmy malandro como ele é, por ter sido impedido de advogar, ele decidi usar o seu nome adquirido anteriormente para fazer pequenos comerciais para a sua nova "Saul Goodman Productions". É nesse ponto que entra aquele caso anteriormente da "Sandpiper", em que o Jimmy decidi usar novamente e acaba enganando a pobre velhinha. Por sinal, que sacanagem do Jimmy, porém mais tarde ele volta atrás e acaba confessando tudo e livrando a barra da pobre velhinha, o que eu achei muito justo. Já a Kim, que até então estava bem escanteada na temporada, continua com o caso do "Mesa Verde Bank", onde ela está cada vez mais esgotada e acaba sofrendo um acidente de carro.
Voltando na parte do Hector e a causa por ele ter ficado na cadeira de rodas; tudo se dar pelo fato daquela reunião em que ele é informado que todo o esquema de distribuição ficará somente nas mãos do Gus, o que faz com que o Hector fique muito nervoso e acabe tendo um ataque do coração. É nessa hora que o Hector vai em busca das suas pílulas, porém ele toma as pílulas trocadas anteriormente pelo Nacho, o que obviamente não faz mais efeito, fazendo com que o Hector acabe entrando em um colapso cardíaco, Hector sofre um derrame mas é salvo pelo Gus. Interessante notar que esta cena em específico tem uma grande importância para a quarta temporada de "Better Call Saul", pois quando o Nacho pega as pílulas verdadeira no chão para trocar novamente pelas falsas, o Gus acaba percebendo todo o plano do Nacho, o que fará com que o Nacho acabe trabalhando para o Gus daqui para a frente.
O final da temporada é bastante tenso e dramático pelos acontecimentos finais envolvendo o Chuck. Pois aqui podemos notar a degradação do Chuck, ele está definhando, por ele ter falhado em todos os seus planos e grande parte das pessoas não confiarem mais nele e o encarar apenas como um louco. É exatamente nesse ponto que o Chuck surta sozinho em sua casa e acaba provocando um incêndio que o acaba levando a morte. Um final de temporada bem impactante e surpreendente.
Sobre o elenco da série: Bob Odenkirk sempre fantástico, ele é impecável. Michael McKean é ótimo e seu contraponto com o Bob é perfeito. Jonathan Banks é maravilhoso e meu personagem preferido. Rhea Seehorn passou mais despercebida nessa temporada, mas ela tem bastante potencial para as próximas. Patrick Fabian novamente fazendo o básico bem feito do seu personagem. Michael Mando muito melhor nessa temporada, com mais protagonismo e mais tempo de tela ele conseguiu desenvolver muito bem o seu personagem. Eu diria que até aqui é a sua melhor temporada na série. Giancarlo Esposito é aquele verdadeiro gentleman da série, seu personagem é absurdamente fantástico. E por fim o saudoso Mark Margolis, que traz a sua contribuição perfeita para todo o contexto desse universo. O elenco de "Better Call Saul" é absurdo!
Em questões técnicas eu nem preciso me alongar, já que este universo de "Breaking Bad" traz qualidades técnicas e artísticas que são fenomenais e completamente impecáveis.
A terceira temporada de "Better Call Saul" recebeu inúmeros elogios da crítica especializada, principalmente pela atuação de Michael McKean como Chuck e pelo desenvolvimento do personagem Jimmy McGill, além de oito indicações ao 69º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática.
No Rotten Tomatoes a terceira temporada tem uma aprovação de 97%. Já no Metacritic, tem uma pontuação de 87/100 com base em 18 críticos.
No mais, a terceira temporada de "Better Call Saul" continua no mesmo nível da anterior, ou talvez até esteja em uma crescente, dado a todos os acontecimentos relevantes que permearam toda a trama. Os produtores e roteiristas acertaram a mão quando decidiram puxar a série cada vez mais para dentro do universo de "Breaking Bad", o que fatalmente iria acontecer com o passar de cada temporada, é impossível fugir disso. Mas eu acredito que as duas primeiras temporadas de "Better Call Saul" foram as responsáveis em preparar todo o terreno para que a partir dessa terceira em diante a série cresça cada vez mais dentro do conceito desse universo. Estou com uma grande expectativa para a quarta temporada.
A segunda temporada de "Better Call Saul" estreou em 15 de fevereiro de 2016 e concluiu em 18 de abril de 2016. A temporada continuou sendo exibida com os dez episódios e continuou sendo transmitida nas noites de segunda-feira nos Estados Unidos pela AMC.
A segunda temporada se passa principalmente em 2002, como havia acontecido na temporada anterior. O grande Bob Odenkirk retorna com seu incrível Jimmy McGill, onde ele constrói uma rixa ainda maior com seu irmão Chuck (Michael McKean). Também temos o retorno de Kim Wexler (Rhea Seehorn), a advogada da Hamlin, Hamlin & McGill (HHM) que é amante (ou namorada, é difícil entender esta relação) de Jimmy e ex-colega de trabalho da sala de correspondência. Durante a temporada Kim deixa a prática da advocacia na HHM para começar um escritório solo que ela divide com Jimmy. Jonathan Banks também está de volta com seu colossal Mike Ehrmantraut; dessa vez ele se envolve em um conflito com o cartel de drogas mexicano após uma confusão com o emblemático Tuco Salamanca (Raymond Cruz), que foi planejada por Nacho Varga (Michael Mando ). Isso resulta em Mike colidindo e se tornando o principal alvo do icônico tio Salamanca, o tio do Tuco, Hector (o inesquecível Mark Margolis). Durante a temporada Jimmy começa a trabalhar na D&M, mas desiste depois de ser repreendido pelos métodos de divulgação de seus clientes. Kim é rebaixada por causa das ações de Jimmy. Para recuperar seu status, ela garante o Mesa Verde Bank como cliente da HHM, mas Howard (Patrick Fabian) nega seu crédito.
Esta segunda temporada de "Better Call Saul" me chamou muito mais a atenção em relação a primeira, isso se deu pelo fato de eu começar a observar uma certa mudança de estrutura e contexto dentro da série. Eu quero dizer que esta temporada começa a se assemelhar muito mais com a série "Breaking Bad" (2008), já que é nessa temporada que o cartel mexicano entra com força na série e protagoniza grande parte dos eventos com os Salamancas no encalço do Mike. Eu acredito que esta foi uma decisão proposital da produção da série, começar com a primeira temporada fugindo um pouco de "Breaking Bad" e da segunda em diante se aproximar cada vez mais. Tanto que é nessa temporada que começamos a ter os retornos de personalidades importantes da série principal, o que obviamente vai ocasionar em uma espécie de universo compartilhado entre as duas séries. E já adianto que eu achei esta decisão fenomenal!
Novamente esta temporada já se inicia com outra cena futura em preto e branco, com o Saul Goodman na sua fábrica de rocamboles, onde ele fica preso no local de descarte de lixos e deixa uma curiosa mensagem na parede: "SG esteve aqui". De volta ao dia atual da segunda temporada, Jimmy por sua vez recusa trabalhar em uma empresa que poderia alavancar a sua carreira na advocacia e te dar muito dinheiro, para ficar aplicando pequenos golpes ao lado da Kim. Mike continua com seu plano de levantar cada vez mais dinheiro para deixar para sua neta em sua aposentadoria, onde ele aceita um trabalho muito suspeito de ser um guarda-costas em um esquema de compra de drogas diretamente do cartel mexicano. Dentro desse contexto Jimmy entra na jogada com sua figura de advogado para tentar amenizar toda a situação.
O interessante dessa temporada é justamente a parte onde o Nacho pede uma espécie de ajuda ao Mike para eliminar o Tuco da jogada do cartel de drogas, onde inicialmente o Mike recusa a proposta mas pela grana ele topa o trabalho. Porém com uma condição; que ao invés do Mike matar o Tuco ele faz com que ele vá preso pelo porte ilegal de arma. É justamente nesse quinto episódio que entra em cena o inigualável Hector Salamanca. Eu achei sensacional poder ver o Tio Salamanca atuando antes de ficar vegetando em uma cadeira de rodas em "Breaking Bad". Aqui podemos observar todo o seu poder e respeito adquirido dentro do cartel, que logo ele põe em prática ao enfrentar o Mike em uma improvável negociação da arma apreendida pela polícia para limpar a barra do Tuco.
A negociação entre o tio e o Mike não funciona, pois o Mike recusa a proposta, e logo ele passa a ser emboscado em sua casa pelos enviados do tio, onde logo ele envia ninguém mais ninguém menos que os gêmeos Salamanca para ameaçar o Mike. Esses gêmeos são fenomenais, que para quem assistiu "Breaking Bad" vai entender do que estou falando. A trama da temporada envolta do Mike cresce absurdamente quando ele planeja matar o Hector Salamanca por ter ameaçado a sua neta, é aí que o Mike passa a perseguir os passos do Hector e fazer emboscadas para chamar a sua atenção. O Mike até tenta uma emboscada no deserto para matar o Hector com uma sniper, mas acaba não dando certo.
Voltando para a trama principal da série, Jimmy é demitido da empresa de advocacia onde ele é convencido pela Kim, que também estava em baixa profissionalmente, a montarem juntos um próprio escritório de advocacia. Mas ela deixa bem claro que eles iriam apenas trabalharem juntos e não seriam sócios. Dentro de todo esse contexto temos uma cena inicial no sétimo episódio bem interessante na formação de caráter do Jimmy; que é a cena onde nos mostra o Jimmy criança na mercado do pai enfrentando uma situação curiosa com um sujeito que adentrou o estabelecimento unicamente com a intenção de aplicar um golpe no pai do Jimmy. Nessa cena este sujeito fala para o Jimmy a frase de como ser um lobo ou um ovelha, e ali já vimos o charlatão que o Jimmy viria a se tornar ainda criança.
A partir desse momento a série muda a chave na temporada e nos mostra o embate entre o Chuck com o Jimmy. Chuck decide sair em busca de atrapalhar os planos do novo escritório de advocacia do Jimmy e da Kim, e nessa busca ele acaba entrando em contato com várias eletricidades todas ao mesmo tempo, o que logo ocasiona em um grave ataque (Chuck sofre de uma espécie de hipersensitividade eletromagnética, uma alergia a eletricidade). O fim da temporada no décimo episódio ocorre justamente quando o Jimmy vai até a casa do irmão preocupado com a crise que ele teve por sua causa, chegando lá o Jimmy observa que o irmão ficou cada vez mais obcecado em se proteger da eletricidade, colocando papel alumínio em praticamente toda a casa. O Jimmy por sua vez tem um peso na consciência por tudo que ele causou ao irmão, e acaba confessando para o Chuck que foi realmente ele quem alterou os endereços dos formulários, só que o Jimmy não contava que o Chuck também era muito esperto e estava gravando escondido toda a confissão do Jimmy. E por fim a segunda temporada de "Better Call Saul" se encerra.
Sobre o elenco da série: Bob Odenkirk continua fantástico no personagem, é impressionante como o personagem lhe caiu como uma luva. O interessante do seu personagem nessa temporada é justamente todos os seus arcos pessoais que lhe ocorre constantemente. Em várias oportunidades o Jimmy acaba entrando em uma crise emocional, tanto pelo seu relacionamento conturbado com o irmão, quanto pelo seu relacionamento com a Kim, e tudo acaba lhe afetando profissionalmente. Mais um excelente trabalho de Bob Odenkirk.
A Rhea Seehorn cresce notavelmente nessa temporada, ela passa a ser cada vez mais importante e relevante para todo o núcleo do contexto com o Jimmy. É muito interessante observar que ela ganha mais tempo de tela e mais espaço para construir o arco da sua personagem. Michael McKean também tem um certo crescimento na série, ele passa a ser cada vez mais influente na série, tanto diretamente quanto indiretamente. Ele faz aquele típico personagem que nos dá raiva quase que o tempo todo. Ele me remete a incrível Skyler White (Anna Gunn). Patrick Fabian tem uma participação mais modesta nessa temporada, mas ele não deixa de ser importante. Michael Mando é outro que manda muito bem na temporada, seu personagem tem muito mais relevância e ele atua muito bem. Raymond Cruz é soberbo no personagem, é incrível como o Tuco é uma criação perfeita destinada para ele. Já o saudoso Mark Margolis dispensa comentários. Chega ser emocionante ver ele atuar na pele do lendário Hector Salamanca. Mark que infelizmente nos deixou no dia 03 de agosto do ano passado.
Agora precisamos falar do inigualável Jonathan Banks: Quando eu decidi começar a assistir a série "Better Call Saul", eu sabia da presença do grande Mike Ehrmantraut, mas eu não imaginava que ele tomaria a proporção que ele vem tomando dentro da série. Nessa segunda temporada eu afirmo tranquilamente que o Mike é de longe o melhor personagem, o mais bem desenvolvido, o que mais impressiona, o que mais se destaca, o que definitivamente rouba a cena. Temos aqui uma espécie de background do velho Mike, onde ele sempre age com inteligência, frieza, sendo letal, imponente, enfrentando o cartel mexicano e principalmente o Hector Salamanca. O Bob Odenkirk é o protagonista da série e tem um ótimo contexto dentro dela, mas não posso deixar de destacar o absurdo que é a trama secundária do Jonathan Banks, que na minha opinião soa muito mais atrativa e prazerosa de se acompanhar.
Novamente a temporada se destaca em suas qualidades técnicas e artística. Assim como na temporada anterior, aqui temos um alto nível técnico no quesito de direção de arte, fotografia, trilha sonora, montagem, edição, figurinos, e principalmente na direção de cada episódio. Tecnicamente falando, não tem como "Better Call Saul" dar errado, pois a qualidade é a mesma encontrada em "Breaking Bad".
A segunda temporada de "Better Call Saul" recebeu elogios da crítica, com elogios às suas atuações e cinematografia, e seis indicações ao 68º Primetime Emmy Awards naquele ano, incluindo Melhor Série Dramática.
No Rotten Tomatoes, a segunda temporada tem uma pontuação de 97%, com base em 182 avaliações, com uma classificação média de 8,7/10. Já no Metacritic, a segunda temporada tem uma pontuação de 85 de 100, com base em 18 críticos.
Encerro afirmando que a segunda temporada de "Better Call Saul" sobe ainda mais no meu conceito crítico, e muito por alavancar um destaque maior em personagens fundamentais para o desenrolar de toda a história, que foi uma decisão acertadíssima por parte da produção. Esta segunda temporada está um passo à frente da primeira, por construir uma trama muito bem calçada, melhor trabalhada, melhor desenvolvida, acertando em pontos cruciais, que nos permite entrar em um novo mundo de complexidade ao aprofundar em temas da série principal - "Breaking Bad".
"Better Call Saul" é um spin-off da renomada série "Breaking Bad" (2008) criado por Vince Gilligan e Peter Gould, ambos os quais também trabalharam em "Breaking Bad". Podemos considerar que a série é uma pré-sequência derivada de "Breaking Bad". A primeira temporada teve dez episódios e foi transmitida nos Estados Unidos pela AMC, com sua estreia ocorrendo no dia 8 de fevereiro de 2015 e sendo concluída em 6 de abril daquele ano.
Vince Gilligan e Peter Gould começaram a planejar um spin-off de "Breaking Bad" já em 2009. Durante as filmagens do episódio "Full Measure" de "Breaking Bad", Gilligan perguntou a Bob Odenkirk o que ele achava de um spin-off da série. Em julho de 2012, Gilligan sugeriu um possível spin-off de Saul Goodman, afirmando que gostava "da ideia de um show de advogados em que o advogado principal fará de tudo para ficar fora de um tribunal", incluindo se estabelecer nas escadas do tribunal. Durante sua aparição no "Talking Bad", Bob Odenkirk observou que Saul era um dos personagens mais populares do programa, especulando que o público gosta do personagem porque ele é "a figura menos hipócrita do programa" e "é bom em seu trabalho".
Primeiramente vou contextualizar: Quero deixar claro que a série "Breaking Bad" é simplesmente a melhor série do século, da história, de todos os tempos, a verdadeira obra-prima das séries e está simplesmente entre as melhores séries já criadas em toda a história. É muito difícil encontrarmos algo perfeito, uma obra perfeita, ainda mais quando estamos se referindo ao audiovisual, que é justamente o caso aqui. "Breaking Bad" é uma obra perfeita, o suprassumo, a quinta-essência, o masterpiece da história das séries. Uma obra completamente impecável, irretocável, perfeita, triunfal, atemporal, relevante, influente, antológica, colossal, apoteótica, emblemática e icônica. Simplesmente a melhor série de todos os tempos!
Dito isto: Até hoje eu ainda não tinha assistido a série "Better Call Saul". Eu sempre ia postergando, sempre colocando a série como a próxima da lista, mas nunca tinha decidido pegar para assistir. Acredito que eu sempre estive preso na série "Breaking Bad" e sem o interesse no spin-off e no filme "El Camino" (2019). Mas agora eu decidi corrigir estas falhas e comecei exatamente pela primeira temporada de "Better Call Saul".
O meu ponto de maior curiosidade e interesse na série é sem dúvida poder conhecer o passado dessa figura tão lendária e importante de "Breaking Bad" - Saul Goodman. E de quebra ainda poderia acompanhar o passado de outra figura também lendária e importante da série - Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks).
A primeira temporada de "Better Call Saul" se passa no ano de 2002, especificamente seis anos antes dos primeiros eventos de "Breaking Bad", onde conhecemos James Morgan "Jimmy" McGill antes de assumir a alcunha de Saul Goodman na série principal. A premissa da série já é bastante interessante, com uma trama que acompanha a vida do malandro Jimmy McGill sobre a sua própria perspectiva. Jimmy era apenas um advogado de pequenas causas em busca do seu próprio destino. Ele se mostrava bastante esforçado, tanto quanto se esforçava para cuidar de seu irmão bem-sucedido Chuck McGill (Michael McKean), um ex-advogado. Jimmy era uma espécie de advogado trambiqueiro, que usava de seus golpes como como defensor público para alcançar um outro tipo de profissionalismo. Este é justamente o ponto de partida da série, nos exemplificar como o Jimmy usava sua lábia, seu poder de persuasão, seu verdadeiro jogo de cintura para subir na carreira de advogado. Na medida que íamos conhecendo mais da sua personalidade, dos seus dramas, que envolvia justamente os relacionamentos com seu irmão e com sua namorada. Esta é mais uma base forte da série, os dilemas que ele sofre durante toda a sua caminhada na carreira até se transformar em Saul Goodman.
O primeiro episódio já é bastante envolvente e dinâmico, pois começa justamente nos conscientizando em como o Jimmy era um tipo de advogado inocente mas não era santo. Temos aquele advogado falido, em baixa, sem credibilidade profissional, que sempre aplicava seus trambiques e falcatruas tentando se dar bem. O interessante desse primeiro episódio é o início, onde temos uma espécie de cena futura em preto e branco, onde mostra que o Saul Goodman se tornou gerente de uma fábrica de rocamboles depois dos eventos de "Breaking Bad". O final desse episódio acontece com a aparição de outra figura lendária da série "Breaking Bad" - Tuco Salamanca (Raymond Cruz).
Já no segundo episódio temos uma das melhores cenas de toda a série "Better Call Saul", que é exatamente a cena em que o Tuco liberta o Jimmy e negocia com ele qual será a punição para os dois garotos. É incrível como ocorre esta negociação, com o Tuco quebrando uma perna de cada um e socorrendo eles depois. Excelente episódio! A partir daí a série segue nos apresentando o irmão de Jimmy, o Chuck, que tem a firma de advocacia Hamlin, Hamlin & McGill, onde também conhecemos o Howard (Patrick Fabian), uma espécie de rival do Jimmy. Logo descobrimos a condição que o próprio Chuck descreve como hipersensitividade eletromagnética (uma espécie de alergia a eletricidade).
A temporada segue com o Jimmy se envolvendo com o Nacho Varga (Michael Mando), o parceiro do Tuco, que é outro personagem que também aparece em "Breaking Bad". Jimmy passa a ser o advogado do Nacho e começa a mergulhar cada vez mais nesse submundo de crimes e advocacia fraudulenta. Logo vemos o Jimmy usar o codinome Saul Goodman pela primeira vez, especificamente no quarto episódio da temporada. E por fim temos a entrada na série de ninguém mais ninguém menos que o lendário Mike, que a princípio é um manobrista de estacionamento que também é um criminoso. Interessante também que logo no início o Mike não vai muito com a cara do Jimmy, porém com o tempo ele passa a ajudar o Jimmy e adentrar de vez em todo o esquema. A partir daí o Mike ganha mais relevância na série e a trama começa a focar mais nele e seus planos, juntamente com o Jimmy.
Também temos episódios voltado especificamente para o núcleo do Mike, onde vemos que ele cuida da sua ex-nora e sua neta, porém ele está passando por dificuldades financeiras. Mike decide fazer alguns trabalhos ilegais, onde temos outra cena icônica da série; que é justamente a cena que ele dá uma surra no personagem do ator Steven Ogg, ninguém mais ninguém menos que o ator que deu vida para o icônico Trevor Philips do lendário GTA 5 (ele também é o Simon, o comparsa do Negan na série "The Walking Dead"). Outro ponto muito envolvente e interessante da série é justamente a parte em que o caminho do Mike se cruza com o do Nacho, que para nós fãs de "Breaking Bad" é de extrema importância para entender melhor como o Mike virou aquele Mike que vimos em "Breaking Bad".
Sobre o elenco da série: Bob Odenkirk é sensacional, como sempre, ele apresenta tudo que já vimos dele e estamos acostumados em "Breaking Bad". Aquele advogado azarão, falido, golpista, trambiqueiro, mas que apresenta seu carisma, sua inteligência e se supera a cada cena. Excelente trabalho de Bob Odenkirk. Jonathan Banks está fantástico, também como sempre e como já estamos acostumados. É incrível como ele se dar bem no personagem Mike, como ele se encaixa bem nas cenas, com ele sempre se porta com aquele ar misterioso, intrigante, introspectivo, porém extremamente letal. Este é o velho e sempre bom Mike! Rhea Seehorn faz uma personagem bem interessante na série; a Kim Wexler, uma advogada que trabalha para a firma de advocacia Hamlin, Hamlin & McGill e tem uma história/relacionamento um tanto quanto complicada com Jimmy. Michael McKean faz um personagem muito importante para o contexto e o funcionamento dessa primeira temporada. É muito bom e muito interessante as cenas em que ele atua contracenando com o Bob. Digo o mesmo para o personagem do Patrick Fabian, que também atua muito bem ao contracenar cenas inusitadas de trocas de farpas com o Bob.
Tecnicamente a série se sobressai, e isto já era esperado, visto a qualidade absurda e impecável que tínhamos em "Breaking Bad". Posso destacar aqui a direção de arte que compôs cenários envolventes, a cinematografia com uma fotografia deslumbrante, a trilha sonora potente, estridente, que moldava muito bem cada cena. Sem falar na direção, montagem, estruturação, edição, mixagem, figurinos, maquiagens, tudo minunciosamente bem planejado e pensado em cada cena. Tecnicamente e artisticamente a primeira temporada de "Better Call Saul" é irretocável!
Algumas curiosidades da primeira temporada: A estreia da série, com o primeiro episódio intitulado " Uno ", bateu o recorde de série estreante mais assistida na história da TV a cabo americana na época, atraindo 4,4 milhões e 4 milhões de pessoas na faixa demográfica de 18 a 49 e 25 a 54 anos, respectivamente, e recebeu uma audiência geral de 6,88 milhões. A primeira temporada recebeu aclamação da crítica, com muitos considerando-a uma digna sucessora de "Breaking Bad", e recebeu seis indicações para o 67º Primetime Emmy Awards (que aconteceu em setembro de 2015), incluindo Melhor Série Dramática.
Já o sexto episódio da temporada, "Five-O", foi bastante aclamado pela crítica especializada, com muitos elogios para a performance de Jonanthan Banks. O episódio teve três indicações ao Primetime Emmy Award: Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática, pela atuação de Jonathan Banks, Melhor Roteiro para Série Dramática e Melhor Edição Fotográfica com Câmera Única para Série Dramática.
No site Rotten Tomatoes, a primeira temporada tem uma classificação de 97%, com base em 68 avaliações, com uma classificação média de 8.03/10. Já no Metacritic, a primeira temporada tem uma pontuação média de 78 de 100, com base em 43 críticas.
Por fim: A primeira temporada de "Better Call Saul" é muito boa, quase chegando no nível de excelente, e muito por nos levar de volta ao icônico universo de "Breaking Bad" e trazer de volta personagens importantes e muito queridos para todos nós fãs. A série está completamente inserida na temática de "Breaking Bad", na estética de "Breaking Bad", em um contexto que trabalha diretamente com pontos levantados aqui e que encontramos em "Breaking Bad". Como no caso do próprio Jimmy McGill, que passa por uma transformação de uma personalidade irreverente, cômica, para uma personalidade mais carregada dramaticamente e cheio de camadas a serem desvendadas.
Nesse quesito os criadores de "Better Call Saul" foram extremamente inteligentes e visionários, por criar uma trama que nos mostra o passado dos personagens e como eles se tornaram o que vimos em "Breaking Bad". E ainda por cima saindo dos personagens principais da série original e apostar em um spin-off de personagens secundários que foram extremamente relevantes para todo o universo da maior série de TV de todos os tempos - "Breaking Bad".
The Walking Dead: The Ones Who Live (1ª Temporada) 2024
"The Ones Who Live" é uma minissérie criada por Scott M. Gimple (da série original), Danai Gurira e Andrew Lincoln para a AMC. Funciona como um Spin-off ambientado após a conclusão da série original "The Walking Dead", sendo o sexto Spin-off e a sétima série de televisão da franquia "The Walking Dead".
Como um fã completamente viciado e apaixonado por "The Walking Dead", esta é uma das minisséries que eu mais esperei após o término da série principal, afinal de contas eu fui mais um que ficou extremamente impactado pelo acontecimento no segundo episódio da nona temporada (The Bridge), quando o Rick (Andrew Lincoln) explode a ponte junto com os zumbis. Vou confessar que este foi o episódio que mais me marcou e me emocionou em toda a história das séries de televisão que eu já assisti ao longo da vida. Naquele momento de choque extremo eu só pensava no que teria acontecido com o Rick; afinal de contas ele morreu na explosão? Ou ele foi resgatado/capturado pela Jadis (Pollyanna McIntosh)? O que aconteceu com o nosso Rick? De qualquer forma ao término da série original tivemos uma espécie de cena pós-créditos revelando que o Rick tinha sobrevivido e havia sido capturado pela Jadis.
A série "The Ones Who Live", assim como as outras dentro do universo "The Walking Dead", entra dentro daquela mesma proposta de contar para nós como seguiu a vida de cada um dos personagens principais ao término da série original. Dessa forma a série acompanha o retorno de Rick e Michonne (Danai Gurira) enquanto tentam conciliar o forte sentimento que nutrem um pelo o outro com as dificuldades do mundo rodeado por zumbis.
Baseado dentro dessa proposta que entra uma história de amor improvável, construída por um casal improvável, que tiveram o rumo de suas vidas mudadas por conta de acontecimentos distintos dentro de um mundo pós-apocalíptico. E aqui entra um ponto que foi discutido ao longo da série principal, e que até hoje ainda gera conteúdo de discursão; que é a formação do casal Rick e Michonne. Muitas pessoas consideram este casal forçado, sem química, sem sintonia, e que até hoje ainda preferem o famigerado casal Rick e Lori (Sarah Wayne Callies). Eu sou suspeito para opinar nessa questão, pois eu adorava a Lori junto com o Rick, apesar do que aconteceu relacionado ao Shane (Jon Bernthal). Mas com o passar do tempo eu aprendi a gostar cada vez mais do casal Rick e Michonne, até pelas consequências que eles se submeteram a enfrentar juntos.
Portanto, inicialmente este projeto do casal Rick e Michonne foi planejado como uma trilogia para o cinema, continuando a história do terceiro Spin-off lançado desde o fim de "The Walking Dead", com a continuação da história de Rick após ser sequestrado por um grupo misterioso em um helicóptero, e Michonne, que deixou o seu grupo de sobreviventes no décimo ano, após descobrir uma pista de que o Rick estava vivo. Logo após optaram que a ideia de trilogia seria reaproveitada em uma minissérie para a televisão, onde inicialmente foi intitulado "The Walking Dead: Rick & Michonne", e depois foi renomeado para "The Walking Dead: The Ones Who Live".
O primeiro episódio já inicia em potência máxima, nos mostrando o desespero do Rick em escapar daquele local em que ele era mantido como um refém. Logo somos impactados por uma cena desesperadora, que é a cena em que o Rick corta sua própria mão para escapar. E no fim do episódio temos mais uma cena impactante e emocionante, que é o reencontro de Rick e Michonne (obviamente nos mostrando uma cena que aconteceria ao longo da série como uma espécie de flashback).
Com o seguimento da história temos toda a jornada da Michonne na incansável busca pelo Rick. Onde ela conhece pessoas, que podem ou não ajudá-la, e grupos de sobreviventes. Michonne é uma personagem muito forte, muito imponente, muito emponderada, muito decidida com seus objetivos, mas é óbvio que ela se pergunta o tempo todo o quanto sua determinação será suficiente para enfrentar os perigos em sua jornada, ou se ela perderá a esperança e fracassará. No segundo episódio temos a chegada da Jadis na série, o que logo levanta inúmeras perguntas em como seguirá os planos de Rick para escapar.
O terceiro episódio segue nos mostrando como está sendo a convivência entre Rick e Michonne, agora que ela também faz parte daquela organização e se mantém sempre por perto. Obviamente eles fingem que não se conhecem para não levantar suspeitas, enquanto sobrevivem e analisam um plano para escapar do local sem chamar atenção.
O quinto episódio é muito bom, pois é nele que temos o choque de realidade que a jornada de Rick e Michonne não é tão fácil quanto se esperava. Logo é repleto de perigos, armadilhas, suspeitas, perseguições, com uma carga emocional muito elevada na medida que o cerco se fecha entre o casal e o perigo é cada vez mais iminente. Nesse episódio temos a chegada na série do icônico Padre Gabriel (Seth Gilliam), onde mais tarde temos uma cena que mostra ele em uma conversa com a Jadis, onde ele diz acreditar que o Rick realmente morreu na explosão da ponte. É nesse episódio que finalmente temos a morte da Jadis.
Como um todo a série "The Ones Who Live" é muito boa, é muito necessária para o contexto dos personagens a partir da série original. No geral a série tem boas decisões, tem decisões que podem ser questionadas, mas no fim a ideia de Spin-off funciona muito melhor do que filmes, já que na série temos a possibilidade de continuações do universo de "The Walking Dead", já os filmes seriam obrigados a darem logo um final para toda a história. Tanto que a série já inicia com uma abordagem direta e enfática sobre o retorno de Rick Grimes, com uma abordagem relevante sobre a perspectiva do próprio Rick. Obviamente a série consiste entre o Rick e a Michonne, mas todos nós estávamos ansiosos em rever o Rick e entender a sua versão dos fatos que aconteceu com ele durante todo esse tempo. Até porque o Rick estava fora da série principal por um tempo maior do que a própria Michonne.
O principal contexto e a principal motivação para esta série de fato acontecer, é sem dúvidas todo o tempo dessa ausência do Rick, que para nós foram longos 6 anos de espera (e acredito que dentro da história este tempo é ainda maior). Acredito que este seja o maior acerto em transformar os filmes em séries, pois como eu já destaquei anteriormente, já no primeiro episódio temos a cena do reencontro entre Rick e Michonne, que se fosse em filmes com certeza levaria uma eternidade para este acontecimento. E toda esta decisão do reencontro acontecer logo no início da série foi uma decisão feita pelos próprios atores (Andrew e Danai), que tiveram participações diretas e objetivas durante todo o processo de criação da série.
Diante de todos estes fatos e relatos, eu cheguei na conclusão que a objetividade é o principal acerto da série, pois logo de cara já vamos direto aos principais acontecimentos envolvendo o Rick, que era algo que ansiávamos o tempo todo, um resumo do que aconteceu durante todos esses anos. Logo após temos a construção e o desenvolvimento do próprio Rick dentro da série; que vai desde os seus traumas psicológicos, os danos mentais que aquele local e aquele grupo trouxe para ele. Logo após temos o retorno da Michonne, onde o semblante e as atitudes do Rick imediatamente mudam devido a tais acontecimentos. A partir daí também temos o desenvolvimento e a construção da Michonne como uma personagem diretamente ligada no contexto da série. Ou seja, a série de cara já é direta e objetiva, mas dosando os acontecimentos para não entregar tudo de uma vez e perder relevância nos próximos episódios, mas por outro lado a série não embarriga os episódios na intenção de criar histórias paralelas para prender o espectador até os acontecimentos cruciais.
Por outro lado ainda podemos observar que mesmo a série sendo direta e objetiva no contexto principal, ainda temos episódios que mostram como aquele grupo organizado denominados por CRM influenciam na jornada do Rick e da Michonne. Obviamente a série não é sobre aquela organização, mas eles tem seus destaques na série, nos mostrando a construção dos inimigos, dos vilões daquela história, que também tem participações diretas no extermínio do grupo da Michonne.
Dessa forma eu chego na conclusão que esta série beira a perfeição, pois ela me entrega tudo que eu estava buscando ao final da série principal; que é mostrar o que de fato tinha acontecido com o Rick após a explosão da ponte, e temos essas respostas logo no primeiro episódio. Depois era mostrar o que tinha acontecido com a Michonne em sua jornada de busca, que já nos mostra no segundo episódio. E por fim nos mostrar como seria este reencontro entre eles e como eles conseguiriam ficar juntos até finalmente conseguirem voltar para casa.
Sobre o elenco é simplesmente chover no molhado: Andrew Lincoln e Danai Gurira são gênios no que fazem, e ambos já imortalizaram seus respectivos personagens no universo de "The Walking Dead". Tanto que para nós fãs, poder rever ambos em cenas novamente é motivo de extrema comoção e satisfação. Pollyanna McIntosh tem uma participação importante dentro da série, até pela aquela visão que ficamos dela no fim do episódio que ela resgata o Rick na série principal. Dessa vez ela passa pela transição de vilã (algo que na verdade ela sempre foi), e se impõe como uma barreira entre o Rick e a Michonne. Por outro lado temos um inesperado crossover envolvendo o Padre Gabriel e a Jadis, que nos mostra o grande Seth Gilliam mais uma vez em ação dentro do universo de "The Walking Dead". Esta participação do Padre Gabriel é muito importante, pois ele traz conexões e revelações que nos pega de surpresa, até fazendo ligações com outros personagens da série principal. Belíssima participação do sempre excelente Seth Gilliam. Temos ainda o Terry O'Quinn, o Major-general das Forças Armadas da República Cívica. Eu acreditava que ele teria uma participação e uma influência ainda maior dentro da série, sendo o grande vilão líder do grupo CRM. E por fim a Lesley-Ann Brandt, a sargento-mor de comando no CRM, que no início se mostrava amiga e parceira do Rick, mas logo após temos outras revelações.
O fim da temporada traz um fechamento até coeso e lógico para a história de Rick e Michonne, podemos claramente observar que esta temporada foi pensada e escrita com o propósito de fechar o arco dos dois, de realmente ser o fim especificamente dessa história dentro do universo de "The Walking Dead". Até porque até o momento ainda não temos previsão para uma 2ª temporada, pois "The Ones Who Live" foi concebida, a princípio, como uma minissérie.
Dentro de todo o contexto que foi apresentado, a série tem o final com uma das cenas mais esperadas por todos os fãs da saga "The Walking Dead", sendo talvez a principal razão que fizeram às pessoas assistirem a série até o final, unicamente buscando esta cena em específico: que é a cena do reencontro entre Rick e Michonne com a Judith (Cailey Fleming) e o RJ (Antony Azor). Esta é talvez a cena mais importante e emocionante de toda a história de "The Walking Dead", obviamente fechando com chave de ouro o final da minissérie que deveria ter sido o final da série principal. Este é aquele final para lavar a alma do Rick e da Michonne, obviamente eles necessitavam desse final, ainda mais se tratando do Rick e por tudo que ele passou. Poderíamos pensar nesse final com uma presença da Maggie (Lauren Cohan), da Carol (Melissa McBride), ou até mesmo do Daryl (Norman Reedus), mas ai já seria pedir demais né, ainda mais se tratando da primeira temporada de todos os Spin-offs que vieram após o término da série principal. Mas como um eterno fã revoltado por uma das várias decisões ao longo dos anos da série principal, eu digo que esta cena final poderia e deveria ter a presença do saudoso e eterno Carl Grimes (Chandler Riggs).
"The Walking Dead: The Ones Who Live" encerra com uma cena que me traz uma enorme realização e satisfação como fã desse universo, pois é óbvio que podemos esperar mais reencontros como este ao longo de outros Spin-off. E também pelo fato de finalmente podermos observar e sentir este reencontro do Rick com a Judith crescida depois de tanto tempo, sem falar do primeiro encontro entre o Rick e seu filho RJ.
Sem dúvidas é um final extremamente emocionante e prazeroso para nós fãs, onde eu coloco este final como mais conclusivo e satisfatório do que o próprio final da série original.
Dessa forma eu concluo que entre os três principais Spin-offs do universo "The Walking Dead", "The Ones Who Live" é o melhor, seguido de perto por "Dead City" e finalizando com "Daryl Dixon".
"Daryl Dixon" é uma série de televisão americana criada por David Zabel (roteirista da lendária série noventista "ER") para a AMC, baseada no personagem de mesmo nome da série "The Walking Dead". É o quinto spin-off e a sexta série de televisão da franquia "The Walking Dead", compartilhando continuidade com as outras séries e ambientada após a conclusão da série de televisão original.
Daryl Dixon (Norman Reedus) é um dos principais personagens da série "The Walking Dead", sendo um dos poucos que participou de todas as 11 temporadas. Daryl é o irmão mais novo de Merle Dixon (Michael Rooker) e logo de cara ele já se torna um dos melhores amigos de Rick Grimes (Andrew Lincoln), logo nas primeiras temporadas da série principal. É interessante notar que no início da série o Daryl tem um comportamento mais incerto, mais dúbio, o que vai despertando incertezas no Rick e seu grupo, até pelo fato do seu irmão, que é uma figura maquiavélica. Porém, logo ele começa a conquistar as pessoas, assim como a própria Carol (Melissa McBride), e começa a ganhar a confiança do grupo, se tornando assim um dos principais personagens da série. Logo após a morte (ou desaparecimento) do Rick da série o seu protagonismo cresce notoriamente, o colocando praticamente como o principal líder e personagem da série até o final da última temporada.
A série "Daryl Dixon" é mais um spin-off derivado da série principal que traz uma continuação direta de um personagem importante da franquia, após a trama se ramificar em diferentes produções. Que nos mostra como continua a vida do personagem abordando os seus acontecimentos após o final da série principal, assim como aconteceu com o Rick, a Michone (Danai Gurira), o Negan (Jeffrey Dean Morgan) e a Meggie (Lauren Cohan).
O interessante aqui é o fato da série levar a trama para outro continente fora dos EUA, que sempre foi o local que se passou toda a série principal durante longos anos. A história é ambientada 12 anos após o início do contágio e para nos elucidar nos mostra os primeiros dias do apocalipse por meio de flashbacks (o que é interessante). Daryl acorda em uma França sem saber de fato como chegou até ali e por quê ele saiu de Commonwealth e chegou até Paris. Logo vamos nos ambientando com um cenário devastado e morto (assim como o próprio EUA), onde ele conhece novas pessoas, novos problemas, fazendo novas conexões que acaba interferindo e dificultando cada vez mais o seu plano de voltar para os EUA.
Um ponto que eu achei curioso é o fato da série focar na expansão da contaminação zumbi em um cenário fora dos EUA, assim como também temos novas variantes dos zumbis, o que os deixa ainda mais violentos e letais, os transformando praticamente em uma espécie de zumbis mutantes. Logo temos de volta aquele velho e conhecido Daryl que está novamente destroçando os zumbis e enfrentando todos os seus demônios, na medida que ele é incumbido de proteger um jovem muito inteligente que é visto por um grupo religioso como o futuro Messias destinado a guiar a humanidade para uma renovação. Este jovem é Laurent (Louis Puech Scigliuzzi), que se tornou praticamente uma lenda na região e o foco de diversas facções em toda a França.
E este é justamente o ponto de partida da série, o Daryl concordando em ajudar a conduzir o jovem para um local seguro em troca de uma ajuda para ele retornar ao EUA. Dessa forma a chegada do Daryl desencadeia uma violenta cadeia de eventos que toma conta daquele local. E aqui entra um ponto extremamente curioso na série, o fato de não ser somente o Daryl que sustenta grande parte da trama, pois temos a presença de Isabelle Carriere (Clémence Poésy, a Fleur Delacour da franquia "Harry Potter"). Isabelle é uma freira obstinada e membro de um grupo religioso progressista que encontra Daryl, sendo ela uma espécie de novidade, ou uma carta na manga dos roteiristas da série para nos contar uma nova história tão impactante como dos principais personagens da série original. Que sinceramente eu não sei bem se funcionou como eles premeditavam.
De início estamos perdidos tanto quanto o Daryl naquele local, mas logo descobrimos que ele foi capturado e levado pelo Oceano Atlântico antes de chegar à costa da França. E aqui eu vejo que a série subestima um pouco o que já conhecemos sobre o personagem Daryl Dixon, seja pelo fato dele ter sido um hábil caçador e líder de grupos em vários momentos da sua vida. Por ele já ter enfrentado todo tipo de dificuldades e ser inteligente o bastante para conseguir ter se livrado de todas elas. Porém, a série inicia mostrando um Daryl completamente perdido e inexperiente, por mais que ele tenha acabado de chegar em um local que ele sequer consegue se comunicar com o idioma nativo do lugar. E digo isso justamente pela série não se desprender do seu conteúdo principal, que é os cenários apocalípticos infestados de zumbis, e acho que nem poderia né, pois estamos falando justamente do universo "The Walking Dead". Mas novamente temos um Daryl que é capturado e preso, como já aconteceu com ele algumas vezes lá atrás, o que me dá a impressão da série querer continuar bebendo da mesma fonte que deu certo lá atrás porém em uma cenário diferente. Acho que faltou um pouco de ambição e ousadia dos roteiristas nesse ponto.
A verdade nua e crua é a seguinte: eu sou fã de "The Walking Dead" do início ao fim da série, considero a série como a minha segunda melhor série da vida, sou órfão da série e adoro o fato de termos novos spin-offs derivados da série original para podermos acompanhar mais dos nossos personagens. Mas uma coisa eu não posso negar, na sua grande maioria os spin-offs praticamente são continuações da mesma história de "The Walking Dead" e não derivados da história. Isso aconteceu na série "Dead City", aconteceu na série "Daryl Dixon" e tenho certeza que também acontecerá na série "The Ones Who Live" (que eu ainda não assisti). Os spin-offs de "The Walking Dead" funcionam como um episódio da série principal apenas mudando cenários e alguns personagens. Isso é ruim? Não! Dependendo da visão de cada um, pois tem pessoas que já estarão saturados dessa temática de gangues e zumbis. Eu como um fã da série original não me incomoda os spin-offs continuarem dentro dessa temática, pelo contrário, acredito que muitas coisas ainda funcionam justamente por este fator, mas eu acho que não precisaria seguir os mesmos passos dos personagens da série original, como acontece com o Daryl, poderiam se reinventar de alguma forma. Pelo menos é assim que eu vejo toda a história da série "Daryl Dixon".
A principal diferença que eu vejo entre os dois spin-offs da série "The Walking Dead" é o fato de "Dead City" nitidamente querer dar continuidade em um contexto que ainda não foi resolvido na série original, que é o embate entre a Maggie e o Negan, que por sinal funciona muito bem na trama. Já "Daryl Dixon" parece querer apenas implementar o personagem em um novo local, com uma nova comunidade, com uma nova língua, com os mesmos problemas que ele já enfrentou diversas vezes, mas sem muitas razões óbvias e coerentes, a não ser fugir dali e retornar para a América. O que me dá a impressão de quererem focar apenas em um Daryl Dixon aventureiro.
Por outro lado a série traz um frescor até interessante nas partes que nitidamente eles querem humanizar o personagem Daryl Dixon de alguma maneira. E isso se dá pelo fato de termos uma abordagem sobre o sentindo da vida dentro da série, ou seja, se ainda vale a pena lutar pelo inevitável, pelo inalcançável, pela própria sobrevivência, isso falando justamente do personagem principal diante de todo aquele cenário, que nos passa a sensação de ainda estar sobrevivendo unicamente pelas pessoas ao seu redor. E aqui já entra uma parte que me remete a chegada na série da Carol, que teve um pequeno contato com o Daryl no final dessa temporada e será peça importante dentro da série em sua próxima temporada.
Sobre o elenco: Norman Reedus é a personificação do Daryl Dixon que aprendemos a amar durante todos os longos anos da série original. Pra quem é fã da série poder rever o Norman atuando mais vezes como o Daryl é extremamente gratificante. E aqui temos um Daryl sendo Daryl exatamente como ele sempre foi. Agora eu estou muito curioso em como será o Daryl na segunda temporada, uma vez que ele estará ao lado da sua eterna amiga Carol. Clémence Poésy é mais um frescor da série, sua personagem é boa, é interessante, é promissora, é funcional. Nessa primeira temporada ela consegue dividir bem o protagonismo com o Norman, conseguindo chamar a responsabilidade para si e sustentar boa parte da trama principal. Já o Louis Puech Scigliuzzi traz um personagem que é bem contestável e questionável, pois no fundo ele fica devendo em suas principais motivações dentro da série, o que o coloca muita das vezes como um personagem superficial, falho e bem chato.
O resto do elenco é formado por Laïka Blanc-Francard - Sylvie - uma freira amiga de Isabelle e uma estudante no convento. Anne Charrier - Marion Genet - uma líder de um grupo paramilitar de sobreviventes na França. Romain Levi - Stéphane Codron - uma figura que desenvolve uma rixa pessoal com Daryl. Adam Nagaitis - Quinn - o pai biológico de Laurent, e uma figura poderosa que ganhou poder como comerciante do mercado ilegal e dono de uma boate underground após o apocalipse. E claro que não poderia faltar a nossa inigualável Melissa McBride, que faz uma comunicação pelo rádio durante uma cena de flashback com o Daryl no final da temporada.
E por falar em Melissa McBride: a primeira temporada foi planejada para apresentar a personagem Carol sob o nome da série "The Walking Dead: Daryl & Carol" (que particularmente eu acho que seria sensacional), mas Carol foi eliminada da série devido a problemas logísticos envolvendo a Melissa McBride. Dessa forma, em julho de 2023, antes do lançamento da primeira temporada, a série foi renovada para uma segunda temporada, que será intitulada "The Walking Dead: Daryl Dixon – The Book of Carol", e contará com Melissa McBride como personagem regular da série, em um retorno ao conceito original da série. Uma terceira temporada também está em desenvolvimento.
Tecnicamente a série é muito boa, muito bem produzida, até por contar com nomes importantes dentro do universo "The Walking Dead" como Angela Kang, Scott M. Gimple e Greg Nicotero. O desenvolvimento da série é muito bem feita, muito bem acertada pela equipe de direção de arte, uma vez que temos belos cenários de uma França degradada pelo apocalipse zumbi. Além dos ótimos cenários, temos uma bela ambientação, uma ótima fotografia, uma boa trilha sonora, uma boa edição, um ótima direção, tudo muito bem planejado e trabalhado. Tecnicamente a série não fica devendo em nada dentro do universo de "The Walking Dead".
No mais: a primeira temporada de "Daryl Dixon" é promissora, é interessante, é funcional, que por mais que não construa um derivado da série principal e soe como uma continuação nos mesmos moldes, ainda assim a série consegue expandir o universo do personagem, consegue galgar novos rumos para as próximas temporadas, e muito por apostar em uma trama mais certeira, com poucos episódios certeiros, que necessariamente não precise ficar se alongando em vários episódios.
Daryl Dixon é um personagem extremamente importante e relevante dentro do universo de "The Walking Dead", tanto que ele não existe nos quadrinhos e está ai até hoje, do início ao fim da série principal e agora com a sua série própria.
"Dead City" é uma série criada por Eli Jorné (roteirista das séries "Wilfred", 2011, e "Son Of Zorn", 2016) para a AMC, baseada nos personagens originais de "The Walking Dead", Maggie (Lauren Cohan) e Negan (Jeffrey Dean Morgan). É a primeira sequência da série de televisão "The Walking Dead", e a quinta série da franquia "The Walking Dead", compartilhando continuidade com as outras séries de televisão. A série segue Maggie e Negan viajando para uma Manhattan pós-apocalíptica isolada do continente em busca do filho sequestrado de Maggie, Hershel (Logan Kim).
"The Walking Dead" foi uma série que eu aprendi a amar desde o seu primeiro episódio lá no ano de 2010. Foi uma série que eu acompanhei religiosamente temporada por temporada, episódio por episódio, ano após ano, durante todo o seu ciclo. "The Walking Dead" foi uma série que revolucionou e influenciou a forma de se fazer séries, principalmente envolvendo o pós-apocalíptico e os zumbis. Foi uma série que trouxe os melhores e mais bem feitos zumbis da história da televisão. Foi uma série que teve um gigantesco impacto e fez um sucesso estrondoso. Foi uma série que teve uma influência direto na cultura Pop, se tornando um verdadeiro marco na história dos seriados de TV. Eu sou um verdadeiro fã da série e a coloco no hall das melhores séries de todos os tempos.
No dia 20 de novembro de 2022 eu fiquei órfão da série, e foi um dia muito triste para mim, pois ali terminava uma vida de longos 12 anos de uma série que é simplesmente a segunda melhor série da minha vida. No entanto, nem tudo estava perdido naquele dia, pois no final a série nos apresentou cenas que abria espaço para os próximos passos da franquia, agora apostando nos Spin-off. E hoje estamos diante dos Spin-off da série "The Walking Dead"; "Dead City", "The Ones Who Live" e "Daryl Dixon".
Realmente eu achei uma excelente ideia em apostar nos Spin-off da série, o que também mostraria como estava às vidas dos principais personagens da série após o término da mesma, e daria continuidade ao eterno universo de "The Walking Dead". Em "Dead City" a premissa por si só já é extremamente interessante, pois a série junta simplesmente uma das maiores (se não for a maior) rivalidades de toda a história de "The Walking Dead". Estamos falando de Maggie e Negan, que pra quem acompanhou conhece muito bem a causa dessa rivalidade, e com razão, diga-se de passagem.
A Maggie é uma personagem que está desde a segunda temporada na série, que assim como vários personagens de "The Walking Dead", ela também foi amada e em certos pontos odiada. Eu sempre gostei muito da Maggie (apesar que no início eu amava mais a sua irmã, a Beth, interpretada magistralmente pela linda e talentosa Emily Kinney), porém em várias temporadas eu questionei bastante as suas decisões. Já o Negan entrou na série simplesmente como o maior vilão de todo o universo de "The Walking Dead", e não era pra menos, visto tudo que ele causou no grupo do Rick (Andrew Lincoln), e principalmente para a Maggie. E aqui entra um ponto muito interessante dentro da série "The Walking Dead", o fato do Negan passar de o vilão mais odiado da história da série para um personagem amado nas últimas temporadas. Eu mesmo questionei bastante essa minha motivação de começar a adorar o Negan, principalmente na temporada da Alpha (Samantha Morton).
Toda essa rivalidade sempre esteve presente entre Maggie e Negan, principalmente a sede de vingança por parte dela, fato que era exibido por ela sempre que ela tinha uma oportunidade de se vingar dele (temos até um diálogo em forma de embate entre eles na última temporada da série "The Walking Dead" que contextualiza bem isso). Dentro desse contexto, a série "Dead City" coloca novamente o Negan no caminho da Maggie quando ela decide pedir a sua ajuda para resgatar o seu filho que foi levado pelo Croata (Željko Ivanek), um antigo comparsa do quartel do Negan.
O primeiro episódio já inicia com a nossa Maggie em um ato de extrema fúria espancando a cabeça de um zumbi. A partir daí vamos nos inteirando na série, como o fato da comunidade de sobreviventes liderada pela Maggie que se mudou da Virgínia para Nova York. Já o Negan, que obviamente é o ex-líder dos Salvadores, ao final da série principal havia ido embora com sua esposa grávida na intenção de construir uma vida juntos. Porém isso não deu certo, já que sua esposa foi morta. Atualmente o Negan é um fugitivo da Federação da Nova Babilônia, que está sendo caçado pelo policial Perlie Armstrong (Gaius Charles) por ter matado várias pessoas. Inclusive, é nesse ponto que entra a Ginny (Mahina Napoleon), que inicialmente ela decide ficar muda por um grande trauma que ela sofreu pela morte de seu pai. Pai este que no fim o próprio Negan revela para ela que foi ele que matou, já que a Ginny ficou com o Negan após a morte de seu pai. Ou talvez não né, talvez o Negan revelou isso para ela só pra ela ir embora e deixá-lo em sua missão, já que de fato ele não poderia levá-la.
Devo mencionar que o roteiro da série é bom, pois toda essa ideia de usar O Croata como o vilão da temporada que raptou o filho da Maggie, quando na verdade descobrimos que tudo não passou de um acordo entre a própria Maggie e O Croata, para que ela levasse o Negan para ele e assim ele devolvia seu filho. E aqui entra dois pontos: O Croata sempre manteve uma certa rivalidade com o Negan desde a época em que ele era o membro sádico dos Salvadores, e eles tinham suas contas para acertarem. Atualmente O Croata é o líder dos Burazi, um grupo de sobreviventes hostis que assumiram o controle de Manhattan. O outro ponto é justamente o ataque que O Croata fez a Hilltop levando o filho da Maggie, já que dessa forma ele usaria o próprio filho dela para fazer que ela levasse o Negan até ele, já que ele sabia da rivalidade entre os dois e que a Maggie convenceria o Negan a ajudá-la no resgate de seu filho.
Como já mencionei, a ideia da série é boa, já que ela coloca frente a frente dois eternos rivais para nos convencer que ele formaram uma improvável dupla e estão atuando juntos em prol de uma causa maior. Dessa forma vamos novamente remexer no passado de ambos, vamos reviver lembranças, dores, traumas, decepções, ódio, vingança e traição. Vamos mergulhar novamente entre as diferenças de ambos os personagens, nos submundos de suas mentes, de suas ambições, de suas projeções, de seus desejos. Nesse ponto a série funciona muito bem, já que o tempo todo ela é pautada na rivalidade entre Maggie e Negan, e mesmo que inicialmente estamos vendo a formação daquela improvável dupla, porém jamais vamos nos convencer da veracidade disso, sempre vamos manter um pé-atrás. O próprio Negan já desconfiava o tempo todo desse plano de resgate da Maggie, quando ela veio pedir a sua ajuda. Tanto que quando tudo é revelado ele não não se impressiona, pois é fato que na sua mente ele já sabia de tudo - o Negan sempre foi uma pessoa extremamente inteligente e safa.
Por outro lado a série peca em alguns pontos, como o fato do desenvolvimento de episódios. Sim, temos um grande material sobre o embate entre Maggie e Negan, porém eu vejo que a série se alonga em alguns pontos dentro dos episódios que soa desnecessário, algo como esticar os episódios, e olha que a temporada tem somente 6 episódios, o que por si só já é uma série com um número de episódios fora do convencional. Acredito que o foco na trama central envolvendo a Maggie, o Negan e O Croata funciona, como já mencionei anteriormente. Porém, acredito que os personagens secundários foram mal desenvolvidos dentro do contexto principal da série. Como no caso da Ginny e o marechal Perlie. Acho que eles tinham potencial porém não foi bem explorado, talvez em uma próxima temporada, quem sabe.
Já na questão de cenários, ambientação, cenografia, fotografia e trilha sonora, acredito que foi bem desenvolvido. De qualquer forma temos ali uma espécie de Nova York pós-apocalíptica, que atualmente exibe os seus perigos, as suas leis, o seu terror, onde temos um mundo em que a anarquia impera. Isso funciona bem na série. Porém, acho que poderiam ter explorado mais a cidade em si, como os próprios cenários infestados por zumbis, onde temos aquela parte onde a Maggie enfrenta uma espécie de mutação de zumbis, que são vários corpos de zumbis interligados, algo que me lembrou o jogo "The Last Of Us".
Sobre o elenco: A Maggie e o Negan carregam a série nas costas, obviamente. E tudo se dá exatamente pela Lauren Cohan e o Jeffrey Dean Morgan, que são dois dos principais rostos do universo de "The Walking Dead". A Lauren mantém a mesma postura da sua personagem que terminou a série principal, sendo a representatividade de uma mulher forte, aguerrida, decidida, destemida, que enfrenta tudo e todos em busca dos seus objetivos, ainda mais quando esse objetivo é seu filho. Por outro lado vemos uma certa pressão e vulnerabilidade nela quando se trata do seu difícil relacionamento com seu filho. Já o Jeffrey é um poço de simpatia e carisma. É impressionante como ele é um ator versátil, inteligente, carismático, com um timing e uma veia cômica absurda. O Jeffrey deu todo o seu talento ao performar em um personagem que é visto inicialmente como um vilão odiado por todos, e logo após passa a conquistar o amor de todos esses que o odiaram. É realmente impressionante, eu não me lembro de outro personagem que fez essa passagem e transformação dentro de um personagem como o Jeffrey Dean Morgan fez com o Negan. Do resto do elenco vale destacar o Željko Ivanek, pois ele conseguiu dar o timing perfeito na pele do Croata, sendo um personagem frio, letal, calculista, sádico, sendo aquele típico personagem em que a gente olha e realmente vê ali um certo nível de vilão. Como já mencionei anteriormente, os personagens Ginny e Perlie não foram bem aproveitados, mas a atriz Mahina Napoleon e o ator Gaius Charles foram bem de acordo com o que o roteiro pedia de seus personagens.
Recepção crítica: O Rotten Tomatoes relatou um índice de aprovação de 80%, com uma classificação média de 7,2/10, com base em 54 resenhas críticas. O Metacritic atribuiu uma pontuação de 57 em 100, com base em 9 críticas.
A primeira temporada de "Dead City" estreou em 18 de junho de 2023. Em julho de 2023, foi renovada para uma segunda temporada.
Falando sobre o último episódio da série: Temos toda a revelação entre a Maggie e o Negan, o que culmina em uma bela cena de embate entre os dois. Logo a Maggie entrega o Negan para O Croata, selando assim o acordo que eles tinham e seu filho é devolvido. Um fato curioso, é que logo após o Negan está frente a frente com a "The Dama" (Lisa Emery), uma senhora idosa, estranha, sombria, intrigante, que podemos considerar como uma aliada próxima do Croata. Eu ainda não entendi perfeitamente todas as motivações dessa personagem na história, mas podemos considerar como uma personagem que será muito importante na próxima temporada, ainda mais considerando aquela revelação sobre ter cortado o dedinho do pé do Hershel e ter guardado em uma caixinha. Se eu pudesse apostar, apostaria que o Negan fará a vingança sobre o Hershel com esta senhora, algo como ele fez com a Alpha. O velho Negan não morreu, só está adormecido. Também acredito que na próxima temporada teremos a volta daquele Negan brutal e letal, como já vimos algumas vezes.
No mais, "The Walking Dead: Dead City" é um bom Spin-off de um dos maiores universos de séries de todos os tempos, que acerta ao trazer o embate de dois dos principais personagens da série, prolongando ainda mais toda a rivalidade entre eles. Acredito que a série peque em alguns pontos aqui e acolá, mas que é entendível, até porque para construir a história principal e dar o seu devido foco é preciso compor histórias paralelas de personagens paralelos dentro de todo o contexto, por mais que no meu ponto de vista faltou um melhor desenvolvimento. Mas no fim o saldo é mais positivo do que negativo, onde eu como um eterno fã do universo de "The Walking Dead" fiquei satisfeito com este Spin-off, que mantém viva e prolonga a história de uma série que eu amo de paixão.
Esta foi uma série que realmente eu tinha uma certa expectativa positiva, justamente por ser fã de uma das maiores obras literárias de terror da história - o livro de 1971 de William Peter Blatty. E o clássico de William Friedkin de 1973 - simplesmente o maior filme de terror da história do cinema.
O inicio da primeira temporada de "O Exorcista" é muito promissora, pois a série começa justamente com uma semi-continuação do filme clássico, nos posicionando na história central que gira em torno de uma família com uma filha possuída. Porém, quando descobrimos que a mãe dessa família é na verdade a Regan MacNeil e a avó é a Chris MacNeil, a série perde qualidade e tem uma queda de rendimento absurda.
Com a chegada da segunda temporada, inocentemente eu acreditava que a história fosse seguir dentro da proposta anterior, que era justamente no mesmo molde de semi-continuação do filme clássico, e que assim a série pudesse voltar a ter um certo nível de qualidade e relevância. Mas não foi isso que aconteceu, pois nesta segunda temporada a série muda completamente a chave de toda a sua história inicial e parte para uma espécie de antologia. Ou seja, a série iniciou com os dois Padres enfrentando casos de possessão demoníaca em uma família, e agora segue com o mesmo rumo em um lar adotivo.
A segunda temporada de "O Exorcista" segue o Padre Tomas Ortega (Alfonso Herrera) e Marcus Keane (Ben Daniels) 6 meses após os eventos da primeira temporada, onde ambos saíram de Chicago e estão em uma espécie de viagem em busca do mal, com mais casos de possessões demoníacas. O Padre Tomas continua seu treinamento para se tornar um exorcista sob a orientação do Padre Marcus (conforme o seu pedido ao final da primeira temporada). Nessa altura começam a aparecer as desavenças entre os Padres, até pelo fato de Tomas achar que o Marcus ainda o considera como seu aluno, por mais que o Tomas já tenha evoluído e aprendido muito, e já tenha até demonstrado parte desse aprendizado.
A viagem dos Padres os levam até um caso de uma jovem que apresenta sintomas de possessão - o caso da garota possuída Cindy (Zibby Allen). A partir desse ponto que o Padre Marcus começa a se preocupar com os riscos que o Padre Tomas corre à medida que suas habilidades de exorcismo aumentam. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico o Padre Bennett (Kurt Egyiawan) tenta eliminar aqueles dentro do Vaticano que se voltaram contra Deus. E aqui temos o novo contexto que dará forma para toda a história dessa segunda temporada, o lar adotivo que é administrado por Andrew Kim (John Cho), um ex-psicólogo infantil.
O lar adotivo inicialmente é composto por cinco crianças e fica em uma ilha privada isolada na costa de Seattle. Logo após a chegada de Rose Cooper (Li Jun Li), que se junta ao Andrew com uma parceira do orfanato, uma das crianças é atacada por uma força sobrenatural maligna, onde justamente entra em cena os dois sacerdotes travando uma luta entre o bem e o mal mergulhando diretamente no inferno. Um ponto que eu preciso destacar: o primeiro episódio termina igual o primeiro episódio da primeira temporada, ao som da trilha sonora clássica de "O Exorcista", "Tubular Bells", de autoria de Mike Oldfield. No final dos créditos temos uma citação ao William Peter Blatty, que havia falecido em 12 de janeiro de 2017.
A série segue com uma cena em que o Padre Bennett explica o processo de possessão para integração, que foi o ocorrido com a Angela/Regan no final da temporada anterior. Bennett explica que todos eles conhecem a possessão mas não sabem identificar a segunda fase da possessão. Uma fase irreversível chamada integração, a fusão permanente do demônio com a alma humana. O Padre Bennett diz que acredita que os integrados sempre se infiltraram em todos os níveis da Igreja, inclusive em Roma. Esta é a história paralela que vem desde a primeira temporada, onde nos mostra mais sobre essa difícil e arriscada tarefa que o Padre Bennett enfrenta no Vaticano, arriscando a sua própria vida contra os corruptos da Igreja. Logo o Padre Bennet rastreia uma solitária agente da Igreja chamada Mouse (Zuleikha Robinson), que a princípio não parece que iria colaborar com as investigações do Padre, mas logo eles formam uma improvável dupla.
A partir desse ponto a série foca inteiramente nos casos sobrenaturais que acontecem com mais frequência no orfanato, e a situação só piora na medida que os acontecimentos avançam. Andrew é uma espécie de paizão naquele orfanato, já que é um cenário muito difícil para ele, que vive de luto pelo falecimento de sua esposa Nicole. A casa é composta por Caleb (Hunter Dillon), um adolescente cego. Shelby (Alex Barima), um rapaz religioso. Verity (Brianna Hildebrand), um jovem rebelde homossexual. Truck (Cyrus Arnold), o garoto com problemas psicológicos. E Grace (Amélie Eve), uma garotinha com 6 anos que sofre de agorafobia. Depois temos a chegada da nova moradora do abrigo de adoção, que é a Harper (Beatrice Kitsos). A garota Harper conhece as crianças que moram naquele local, inclusive a Verity, na qual ela dividirá o quarto. A pequena Grace não gosta da presença da Harper, pois a Grace armazena (ou senti a presença) de alguma força sobrenatural.
O segredo por trás daquele orfanato é aquela mística lenda da bruxa da ilha, que atacava as crianças envenenando elas e jogando elas naquele misterioso poço. Tanto que aquele poço possui uma espécie de poder sombrio oculto que atrai as crianças do orfanato para lá, acredito que o caso esteja ligado com uma espécie de sacrifício das criança. Por si só aquele ambiente do orfanato já é muito sombrio e carregado com forças sobrenaturais, tanto que assim que os Padres começam a vasculhar mais profundamente os segredos do local, o Padre Tomas logo entra em um transe psicológico. Às partes que envolve o Padre Bennett e a Mouse é interessante, até por mostrar que os integrados estão cada vez mais infiltrados no Vaticano com mais e mais poderes sobre a Igreja. Aquela cena dos sacerdotes vomitando sangue na mesa e morrendo um por um, é uma cena bem elaborada e casa bem com o contexto daquela história paralela na trama central da série.
O elenco dessa segunda temporada é apenas ok, todos cumprem os seus papeis e nada além disso. O destaque maior fica à cargo de Alfonso Herrera e Ben Daniels. Acredito que os dois Padres são os maiores destaques da série, até por estarem diretamente ligados com todos os acontecimentos que sempre os envolvem em cada história (isso contando a primeira e a segunda temporada). O elenco que compõem o orfanato é bem mediano, típico elenco que não agrega em praticamente nada. Talvez o John Cho e a Li Jun Li que se destaquem um pouco mais, principalmente o John com sua possessão que está diretamente ligada com o final da temporada (que é bem questionável, por sinal). Porém, aidna assim devo mencionar a Alicia Witt, que fez a Nicole, esposa falecida de Andrew, que teve uma ótima performance passando aquele ar de maligna.
Eu vejo a série de "O Exorcista" como uma tentativa até válida de construir novas histórias e novos rumos a partir desse rico material (o livro e o filme clássico) que estava armazenado no passado. Esta segunda temporada até funciona melhor em sua proposta, sem querer se apegar o tempo todo em pontas do filme clássico, como a primeira temporada fez, ao reviver a Regan e a Chris MacNeil. Acredito que se pegarmos unicamente esta temporada livre de amarras, ela pode até em partes funcionar melhor que a primeira. Mas como um todo realmente é complicado preferir uma ou outra temporada, ou até mesmo apontar qual foi melhor, qual funcionou melhor dentro do que se esperava. Eu acredito que inicialmente a ideia dos produtores da série seria criar algum tipo de história que pegasse um gancho do filme clássico, algo como uma releitura modernizada a partir de uma nova história que se interligasse com personagens clássicos, e foi exatamente isso que aconteceu na primeira temporada.
Já esta segunda temporada continua na linha da primeira, confrontando os dois Padres com casos de possessões e integrações, porém aqui já vamos por um outro caminho que se afasta de vez da família MacNeil e cria sua identidade própria na série. No entanto, este caminho que a série tomou levou a história junto com seus personagens para algo mais mitológico do que precisamente demoníaco, que eu acredito que era o intuito do roteiro. Aqui a série deixa de lado o exorcismo e embarca praticamente na série "Supernatural" (2005), o que eu já acho bem discutível. A forma como os Padres agem quando chegam para explorar novos locais; como por exemplo naquela cena onde ambos chegam pela primeira vez no lar de adoção, logo que eles saem do carro eles começam a analisar o local sempre desconfiados. Pode parecer besteira mas esta cena imediatamente me remeteu aos irmãos Winchester de "Supernatural".
Outro ponto, aqui eu já acho muito "Supernatural": Especificamente falando do final da temporada, onde a série simplesmente abandona o ato do exorcismo para expulsar o demônio do corpo do Andrew e decide resolver na bala. Até podemos considerar que esta temporada faz algumas referências ao "O Exorcista 3"(1990), como a cena do Padre Tomas em transe dentro do confessionário, mas daí decidir que o Padre Marcus acerte uma bala na cabeça do Andrew para finalizar toda a história foi uma escolha simplesmente ridícula. E vou além, o fato dessa decisão de matar o hospedeiro do demônio para que ele não se apossasse do corpo do Padre Tomas é uma escolha muito ruim. Aquela história paralela envolvendo o Padre Bennett na sua caçada contra os dissidentes do Vaticano eu esperava um desenvolvimento muito maior do que foi entregue. No fim ficamos nos perguntando o que de fato aconteceu, qual foi a resolução daquele caso, onde fica uma clara oportunidade subaproveitada. Outro ponto polêmico e muito discutível, é a cena do beijo do Padre Marcus, onde eu achei um contexto desnecessário, totalmente gratuito, onde claramente ficou apenas como opção para causar, força a barra, gerar polêmicas, e no fim eu acho que conseguiu.
A primeira temporada de "O Exorcista" estreou na Fox em 23 de setembro de 2016, em 12 de maio de 2017 a Fox renovou a série para uma segunda temporada, que estreou em 29 de Setembro de 2017. Em 11 de maio de 2018, a Fox cancelou a série após duas temporadas. Segunda as matérias da época, a série teve um boa recepção crítica em sua primeira temporada e a segunda seguiu com o mesmo bom desempenho. Porém, a série foi alvo de algumas polêmicas, gerou algumas discursões, tanto que o próprio criador da série Jeremy Slater já havia manifestado insegurança quanto ao futuro do seriado pela compra da Fox pela Disney na época. Dizem que apesar da série ter recebido uma boa recepção crítica em suas duas temporadas, a série foi cancelada devido às baixas classificações. Por outro lado também dizem que a série de "O Exorcista" foi mais uma vítima da reorganização da Fox pela Disney, onde levou outros cancelamentos de séries como "Lucifer", "Brooklyn Nine-Nine", "The Last Man on Earth" e "The Mick".
Por fim: "O Exorcista" foi uma série com um grande potencial, com grande ideias, com um material muito rico, que iniciou muito bem mas foi se perdendo pelo caminho, e muito por escolhas erradas e desnecessárias durante todo o seu percurso. O que fica é um sentimento vazio de decepção, de acreditar que a série deveria ter ido além, ter sido muito melhor do que de fato foi, pois tinha muito potencial para isso, porém foi totalmente subaproveitado. Por mais que esta série carregue o nome do maior filme de terror de todos os tempos, mas infelizmente eu também optaria pelo seu cancelamento. Uma pena!
"O Exorcista" é uma série de televisão americana criada por Jeremy Slater (roteirista das séries "The Umbrella Academy" e "Cavaleiro da Lua") para a Fox, onde teve a sua estreia em 23 de setembro de 2016. A série é inspirada (baseada) de forma vaga na obra-prima literária de William Peter Blatty, e funciona como uma possível continuação do clássico "O Exorcista" (1973), do saudoso e eterno William Friedkin, além de ignorar as várias sequências do filme. A série é estrelada por Alfonso Herrera e Ben Daniels como uma dupla de exorcistas que investigam casos de possessão demoníaca.
Sobre o livro: Em outubro do ano passado eu li pela primeira vez o icônico livro de 1971, "O Exorcista". Foi uma experiência sombria, incomoda, obscura, tenebrosa, diferente de tudo que eu já vivi literariamente. O livro "O Exorcista" é uma obra que mexe com a nossa mente, que mescla o sagrado, o profano, o ceticismo, a fé, a crença, juntamente com o investigativo e um estudo das camadas do ser humano ao ser exposto ao seu limite mental e espiritual. Uma obra completamente imersa no terror psicológico, no terror sobrenatural, onde temos um embate entre a ciência e a fé, além de sermos confrontados com o ocultismo, o mistério, o suspense e obviamente o terror. Definitivamente o livro é uma obra sombria, macabra, soturna, um terror sobre o bem e o mau, Deus e o demônio, e principalmente sobre a renovação e o poder da fé. Posso afirmar com 100% de certeza que a obra de William Peter Blatty está simplesmente entre os maiores livros de terror de todos os tempos.
Sobre o clássico: "O Exorcista" é um filme completamente fiel com a obra literária, muito bem adaptado, que consegue nos inserir com bastante propriedade no terror sobrenatural, psicológico, sombrio, nos causando um certo nível de tensão, desconforto, medo e repulsa. "O Exorcista" é mundialmente conhecido como o maior filme de terror do século XX, cuja influência foi extremamente significativa na cultura pop e diversas publicações o consideram um dos maiores filmes de terror já feitos. Uma obra categórica, apoteótica, pioneira, influente, revolucionária, um verdadeiro marco na história do cinema, que virou referência sobre o gênero terror e possessão. Dentro do meu conceito cinematográfico, "O Exorcista" é simplesmente o MAIOR filme de terror da história do cinema.
Sobre a série: Confesso que na época em que a série foi divulgada eu fiquei muito curioso em como iriam retratar uma história tirada do clássico "O Exorcista". Logo eu fiquei com um pé atrás, pois sinceramente eu nunca confiei em seriados de obras clássicas, em que na sua grande maioria por si só elas já são irretocáveis e autossuficientes. Porém, antes de conferir a série eu queria ler o livro e revisitar o clássico, coisa que eu fui postergando até este momento, e que de fato aconteceu.
Realmente a série tem uma premissa muito interessante, já que no início conhecemos toda ambientação soturna e sombria, juntamente com uma fotografia que traz um foco ambientado em um cenário acinzentado, macabro, com um tom morto, denso, obscuro, que logo casa com uma trilha sonora potente, estridente, incomoda, que logo dita o ritmo exato que foi projetado pelo roteiro. É um início bastante motivador!
Destacando cada episódio: O primeiro episódio se encarrega em apresentar cada personagem da história, onde logo conhecemos o Padre Tomas Ortega (Alfonso Herrera) e o Padre Marcus Keane (Ben Daniels). Logo após conhecemos a família da Angela Rance (Geena Davis), que é composta por suas duas filhas, Casey Rance (Hannah Kasulka) e Katherine "Kat" Rance (Brianne Howey), e seu marido Henry Rance (Alan Ruck). Nesse episódio temos uma cena marcante da série, que é a cena do exorcismo do garoto Gabriel que está sendo executada pelo Padre Marcus - de fato é uma cena tecnicamente muito bem feita. Logo em seguida vamos conhecendo mais a respeito dos dois Padres em questão, já que temos um grande embate de ideias e opiniões entre eles, onde o Padre Marcus se mostra extremamente perturbado e traumatizado com o trágico exorcismo do garoto Gabriel. Por outro lado já observamos que o Padre Tomas se mostra inexperiente e assustado com tudo que começa a acontecer com a garota Casey. O primeiro episódio termina ao som da icônica e lendária trilha sonora clássica de "O Exorcista", "Tubular Bells", de autoria de Mike Oldfield.
No segundo episódio já temos o início de todas as suspeitas envolvendo a garota Casey, em ela estar realmente possuída ou não. Tanto que o Padre Tomas vai em busca da Igreja com auxílio de vídeos para estudar a possibilidade de um exorcismo. Novamente estamos diante de uma caso de possessão, mas que a indicação inicial não é um exorcismo e sim uma sessão se terapia, ou algo do tipo. É nesse episódio que conhecemos aquela espécie de seita que fazem chacina e roubam os órgãos das vítimas. A partir daí a série segue nos mostrando mais a respeito da história do Padre Marcus, onde ele mostra ter uma personalidade muito forte, já que ele é muito enfático em seus objetivos de conseguir algo e provar algo. Como na cena em que ele consegue arrancar de dentro da Casey a presença do demônio. Por outro lado ele é visto como impostor pela diocese, o que culmina com a sua excomunhão vindo direto de Roma, por ele ter apontado uma arma para um colega Padre e conduzir um exorcismo que resultou na morte de uma criança. Já o Padre Tomas só observa tudo acontecer de fora, como se não entendesse a gravidade dos fatos, ou não soubesse como agir por inexperiência. No terceiro episódio que temos aquelas revelações sobre o passado de Kat envolvendo a Julia e o acidente de carro. Nesse mesmo episódio temos aquela cena no metrô, onde a Casey tem uma performance que me remete a Carrie (da lendária franquia de filmes baseado no icônico livro do mestre King).
No quarto episódio é onde estamos diante da Angela pedindo por um exorcismo em sua filha para o Padre Tomas, o que já me soava bastante estranho essa sua atitude. Já o Padre Tomas inicialmente recusa o pedido da Angela, mesmo com a já autorização do Bispo. Enquanto isso a Casey é submetida à inúmeros exames médicos desnecessários, já que ela está piorando cada vez mais e o seu problema não é médico. O Padre Marcus busca mais informações com a Freira chefe do convento, e ele passa por uma espécie de treinamento de exorcismo, para que ele entenda mais sobre como lidar corretamente com o caso, sem forçar a vítima até a morte, como aconteceu com o garoto Gabriel. No fim, ele consegue realizar o exorcismo do rapaz corretamente. A partir daí, o Padre Tomas solicita a ajuda do Padre Marcus no exorcismo da garota Casey, e logo eles começam a preparar o local do exorcismo na casa da família Rance.
No quinto episódio é onde temos a primeira tentativa de exorcismo na Casey. É uma cena muito boa, até por destacar aquela maquiagem pesada na Hannah Kasulka durante a possessão, e a sua performance também se destaca nessa cena. Como sempre acontece em sessões de exorcismo, o demônio se utiliza da vítima para relembrar os traumas e o ponto fraco do Padre Tomas, como no caso da Jessica (Mouzam Makkar). Já com o Padre Marcus o demônio ataca revivendo a figura de sua mãe, que diz que deveria ter abordado ele enquanto teve chances. Nesse episódio temos aquela cena da Casey na ambulância, que é bizarra. E possivelmente a maior revelação da série; quando a Angela revela para o Padre Tomas, durante uma conversa, que ela é a lendária Regan MacNeil do clássico. Ao mesmo tempo que temos uma espécie de homenagem da icônica cena de "O Exorcista", quando o Padre desce do Táxi e se porta bem na frente da casa, dessa vez é a Chris MacNeil (Sharon Gless), a mãe da Regan, que faz exatamente esta cena ao chegar na casa da filha.
A partir do sexto episódio é onde temos a dimensão de uma provável continuação da história do clássico "O Exorcista", já que o episódio se inicia nos mostrando os flashbacks de quando a mãe da Regan usava o caso de possessão da filha para lucrar um dinheiro, sendo com livros, entrevistas de Tvs, onde claramente a Regan não se sentia a vontade, pelo contrário, ela ficava visivelmente incomodada com esta situação imposta pela mãe. Esta é uma parte da série extremamente curiosa, já que nós da velha guarda não tivemos o conhecimento desses acontecimentos após o término da possessão da Regan, até porque são fatos novos criados exclusivamente para a série. E todos esses novos acontecimentos com relação ao passado da Regan e da Chris é criado para dar o contexto do atual relacionamento entre mãe e filha, já que a Regan tem uma relação muito difícil com sua mãe, ao ponto de ter falado para sua família que ela estava morta há muito tempo, pois a Regan senti um profundo ressentimento da mãe por tê-la usada com seu caso de possessão para alavancar sua carreira de atriz e ganhar dinheiro. Diante desses novos fatos fica muito claro o porque que a Angela (Regan) acreditava que sua filha estava realmente possuída desde o início, e que não era uma problema médico, já que ela sempre foi a Regan MacNeil e já havia passado por tudo que sua filha estava passando.
No sétimo episódio temos o destaque da grande repercussão midiática que deu esse caso de possessão da Casey, onde seus familiares foram encarados quase como celebridades, ainda mais com a volta do caso Chris e Regan. Nesse episódio o Padre Bennett (Kurt Egyiawan) tem uma bom destaque. Já o Padre Tomas resolve se entregar para a Jessica, enquanto a Casey está extremamente debilitada e é finalmente exorcizada pelo Padre Marcus dentro do lago.
No oitavo episódio temos mais revelações envolvendo aquela seita demoníaca, que acaba tomando uma vaga proporção dentro da série (muito questionável, por sinal). O episódio segue com a Casey já exorcizada e se recuperando no hospital. O padre Tomas é punido e afastado pela igreja por cometer adultério, enquanto o padre Bennett cai em uma emboscada. No final desse episódio é quando, no meu ponto de vista, as coisas começam a desandar dentro da série; quando temos a cena com a Angela/Regan torcendo o pescoço de sua mãe e ela caindo da escada.
O nono episódio da série é onde temos mais dúvidas e questionamentos em relação a Angela/Regan. Ela apresenta comportamentos cada vez mais estranhos e suspeitos, na medida que ela ataca sua família fazendo todos de reféns em sua casa, e logo após ela mata a Abadessa no convento. Estaria Regan MacNeil novamente possuída pelo demônio Pazuzu? O ponto mais questionável e curioso, é quando ela afirma que dessa vez não se trata de uma possessão e sim de uma integração entre ela e o demônio. A partir daí a Regan age inteiramente como se ela e o demônio tivessem se integrado e se tornado um só - Bizarro!
O último episódio é bem fraco, a começar por aquela espécie de reunião familiar destrutiva imposta pela Regan. Acredito que a parte positiva desse episódio é unicamente com a parte final do Padre Tomas e o Padre Marcus, pois eles foram os únicos que seguraram bem o último episódio. Estou curioso para saber como será este treinamento que o Padre Marcus fará com o Padre Tomas, para que ele vire um exorcista, já que foi um pedido do próprio Padre Tomas e o Padre Marcus aceitou ficar.
Pontos positivos dessa primeira temporada: A ideia de composição da série é boa, pois podemos perceber que inicialmente a série consegue demonstrar aquela essência que vem diretamente da franquia de "O Exorcista". Querendo ou não, ao assistir a série a gente se pega revivendo acontecimentos ligados ao filme clássico ou até a obra literária - isso é um ponto muito positivo! incluindo as partes técnicas dessa primeira temporada, que eu já destaquei anteriormente, como ambientação, fotografia, enredo e trilha sonora.
Pontos negativos dessa primeira temporada: Começando pelo roteiro, que obviamente se divide em dois pontos, um bom e outro péssimo. O acerto inicial do roteiro está justamente em criar uma temática para a série que está diretamente inserida dentro do universo de "O Exorcista", incluindo a sua atmosfera sombria e macabra. Acredito que se a primeira temporada tivesse seguido unicamente por este caminho, que engloba uma família que teve a sua filha possuída pelo demônio nos mesmos moldes do que aconteceu com a história original, ficaria uma história muito boa e muito mais relevante e aceitável. O maior erro do roteiro, que eu considero uma péssima escolha, é o fato de optarem por construir uma ligação verdadeira com a história original e não ficar somente no terreno do inspirado/baseado, que na minha opinião seria o certo.
A partir do momento que temos a revelação de que a Angela é a verdadeira Regan MacNeil, é onde a série despenca, cai completamente de produção e relevância. Pois a partir daí, nós que conhecemos a história original vamos buscar coerência em praticamente tudo. Sem falar que apresentação da atriz Geena Davis enquanto Angela é aceitável, dentro da questão de mãe desesperada por não saber o que de fato está acontecendo com sua filha. Porém, a partir do momento que ela revela ser a Regan, ela fica péssima, com uma atuação caricata demais, canastrona demais, grotesca demais, querendo se impor, com um ar de poderosa, de soberana, que ficou absurdamente péssimo. Sem falar que essa história de integração com o demônio (ao invés de possessão) é muito ruim, mal interpretada, onde a atriz está nitidamente sofrível para conseguir se impor como um ser soberano sobre os humanos.
Continuando com os pontos negativos: Aquela cena com a Regan integrada com o demônio se exibindo para sua família, é bizarramente ruim, desnecessária, mal planejada, mal trabalhada, com atuações sofridas e um desfecho final inteiramente questionável. Sem falar que a forçação de barra nessa cena é ainda maior quando decidem que a Regan integrada obteve poderes no maior estilo X-Men. O CGI é um ponto técnico completamente negativo. Outro ponto: tentaram elaborar algumas histórias paralelas para dar mais contexto para a temporada, que no fim ficou com desfechos rasos e perdidos; como no caso daquele grupo, que mais parece uma seita demoníaca, que ainda não mostrou a que veio, talvez na próxima temporada.
Sobre o elenco: Alfonso Herrera (protagonista da telenovela mexicana "Rebelde") está muito bem como o Padre Tomas, pois ele conseguiu expor aquela veia de personagem inexperiente, indeciso, confuso, muita das vezes até perdido em sua própria história. Todavia, seu personagem vai em uma crescente dentro da temporada, e no fim ele se torna bastante convincente. Ben Daniels ("House of Cards") é outro que conseguiu compor muito bem o seu personagem Padre Marcus. O Padre Marcus foi o contraponto do Padre Tomas, e ambos funcionaram perfeitamente dentro das suas proporções de roteiro. Ben Daniels conseguiu demonstrar a figura daquele Padre incisivo, categórico, enfático, que nunca se dava por vencido, que não se vendia e sempre acreditava em seus princípios. Alfonso Herrera e Ben Daniels para mim foram os dois melhores de todo o elenco da série nessa primeira temporada.
Hannah Kasulka ("The Rookie") faz um trabalho modesto que até se destaca em algumas cenas. Acredito que ela compôs bem a figura da Casey, a garota possuída, e conseguiu uma atuação convincente, principalmente nas cenas de possessão. Brianne Howey ("Ginny e Georgia") traz uma personagem que mostrou ter bastante potencial, mas foi completamente subaproveitada. A personagem Kat se destaca apenas por ser a irmã da filha possuída da Regan MacNeil, pois ela apenas compõe o elenco, quando na verdade eu achei que ela fosse ter mais destaque baseado naquele acidente de carro. Alan Ruck ("Succession") traz seu personagem na mesma linha da Brianne Howey, ou seja, compor o elenco familiar como o pai de família. Seu personagem Henry Rance até mostra um certo destaque, principalmente nos embates com sua esposa Angela, mas como um todo é bem vago e sem grande influência. Sharon Gless ("Burn Notice") faz a Chris MacNeil, que na minha opinião é a personagem mais sem sentido de toda temporada. Ela chega na série com um pé na porta, ao reviver uma cena icônica do filme clássico, mas também é só. De resto ela serve como bode expiatório da Regan, troca algumas farpas com a filha, revive o passado e tem uma morte absurdamente ridícula. Geena Davis ("Grey's Anatomy") eu já destaquei perfeitamente o que ela representa para essa temporada. Como Angela Rance ela convence e vai muito bem, como Regan MacNeil é simplesmente péssima.
Considerações finais: Esta primeira temporada de "O Exorcista" tem seus altos e baixos, pois a série inicia dentro de uma proposta, que é reviver um universo extremamente cultuado e glorificado do maior filme de terror de todos os tempos. E até a metade da temporada a série vai muito bem dentro dessa proposta. Porém, a partir do sexto episódio a série toma um outro rumo, deixa de lado a essência e a atmosfera do filme original para embarcar em uma espécie de mitologia, indo para o campo das seitas demoníacas, saindo da possessão para a integração, e com representações de forças sobrenaturais exageradas.
Não classifico a série como desnecessária (como muitas pessoas classificaram), acho que a série tinha muito potencial, porém foi mal utilizado nessa temporada. Acredito que a série inicia dentro da proposta mas encerra como algo que nunca foi e sequer precisava seguir por este caminho. É uma boa série em que a primeira temporada consegue honrar o nome do maior filme de terror da história até os cincos primeiros episódios, pois a partir daí a série perde completamente a mão, beirando o grotesco nos dois últimos episódios. Uma pena que a série foi cancelada pela Fox em sua segunda temporada, pois eu realmente acreditava que a série poderia melhorar ainda mais. O que me resta é conferir os 10 episódios da segunda e última temporada.
A quinta (e última) temporada de "Bates Motel" teve a sua estreia em 20 de fevereiro e terminou em 24 de abril de 2017. A temporada manteve os seus já tradicionais 10 episódios (como toda a série) e foi ao ar às segundas-feiras às 22h no canal de TV americana A&E.
Enfim chegamos na última temporada da famosa série que foi pensada e idealizada como como um "prequel contemporâneo" do clássico do mestre Alfred Hitchcock - "Psicose" - de 1960. Especificamente nessa quinta temporada, a série adapta (de modo bem leve) o enredo do filme clássico em uma versão modernizada, fazendo uma releitura de alguns de seus principais acontecimentos. Por outro lado também podemos considerar que esta ação ousada dos produtores serviu como uma espécie de despedida e homenagem ao icônico filme da década de 60.
A história da quinta temporada se passa justamente dois anos após a fatídica morte de Norma Bates (Vera Farmiga), que aconteceu na temporada passada. Tudo parece caminhar bem na vida de Norman Bates (Freddie Highmore), ele tenta manter as aparências após tudo que aconteceu, sempre se mostrando feliz e já muito bem adaptado ao gerenciar sozinho o Bates Motel. Por outro lado ele tenta incansavelmente preencher o vazio deixado por sua mãe criando em sua mente doentia e degrada a figura da Norma. A partir daí Norman interage com naturalidade vendo a figura fantasmagórica da mãe em várias partes da casa. A essa altura Norman já parou de tomar seus remédios contra os seus apagões, o que agora acontece constantemente, que logo o domina completamente pela personalidade de sua mãe.
O primeiro episódio já inicia nos mostrando como a vida de outros importantes personagens da história também passaram por grandes mudanças, que é justamente o caso de Dylan (Max Thieriot) e Emma (Olivia Cooke), onde eles se casaram e vivem juntos com uma filha. O curioso aqui é o fato do Dylan ter se afastado completamente de seu irmão Norman, onde ele sequer ficou sabendo da morte de sua mãe. Outro personagem que ao longo da série foi ganhando um grande destaque e se tornou uma peça fundamental na trama, é justamente o Xerife Alex Romero (Nestor Carbonell), que no início da temporada ele se encontra cumprindo pena em um presídio da cidade.
A quinta temporada de "Bates Motel" tem um início fulminante, principalmente pelos acontecimentos da temporada passada que permeia todo ódio e fúria de Alex no presente. Alex quer vingança a qualquer custo contra Norman pelo falecimento de Norma. A partir daí vemos um Alex completamente frustrado pelo seu plano não ter saído como ele desejava em relação ao Norman. Por outro lado ele se sente fortemente confrontado pelo próprio Norman, quando ele surge no presídio como uma visita inesperada. Aqui já temos uma outra versão do Alex Romero, muito diferente daquele Xerife do início da primeira temporada. Logo outro personagem importante da história reaparece, trata-se de Caleb Calhoun (Kenny Johnson), que invade a casa de Norman e vai até o porão, onde ele encontra o corpo empalhado de Norma Bates.
A partir desse ponto da temporada temos a já esperada transformação de Norman Bates, que consiste justamente em ele tomar pra si a personalidade de sua mãe ao vestir seu vestido e usar uma peruca loira. Logo temos aquele ataque do Norman contra o Caleb, ao perceber que ele viu a figura empalhada da Norma em seu porão. E aqui temos outra surpresa na temporada, que é a chegada na casa de Chick Hogan (Ryan Hurst) bem no momento em que Norman estava vestido e atacando o Caleb. Nesse ponto do episódio temos o Norman proferindo a emblemática frase para o Chick: "agora você sabe que eu ainda estou viva". Por sinal uma cena sensacional!
Fora os protagonistas e os coadjuvantes da série, nessa última temporada temos a chegada de novos personagens secundários: como a presença de uma nova Xerife na cidade de White Pine Bay, Jane Greene (Brooke Smith). Temos a Madeleine Loomis (Isabelle McNally), que é casada com Sam Loomis (Austin Nichols), por sinal um personagem conhecido do clássico "Psicose". Sam tem um relacionamento extraconjugal com Marion Crane, que também se destaca como outra personagem clássica de "Psicose", e aqui sendo vivida pela cantora Rihanna.
Esta última temporada também se destaca pelo clima de suspense e tensão que se instala na casa de Norman enquanto ele mantém preso no porão o Caleb e divide sua atenção com Chick. Novamente preciso citar que aqui o Norman já está completamente tomado pela personalidade da mãe, e muito por acompanharmos ele sempre tomando decisões em nome da Norma, como no caso daquele projeto que que trabalha junto com Chick. E aqui eu preciso destacar o péssimo final que deram para o Caleb na série, onde o limitaram apenas como uma marionete do Norman, e o levaram a ser morto atropelado pelo Chick enquanto fugia do Norman. Isso que eu chamo de descarte de personagem que não faz mais sentido na história.
Mais uma vez temos o Norman usando uma pessoa e depois o descartando com inutilizável. Que é justamente o que acontece com o Chick, quando Norman o manda embora de sua casa, e mesmo sabendo que agora ele sabe de seus segredos envolvendo a sua dupla personalidade. Nesse ponto da história temos outro envolvimento de Norman com uma garota, que é o caso de Madeleine. E novamente somos confrontados pela aparição da figura da Norma simulando a morte de Madeleine para Norman, o que logo o deixa desesperado enquanto foge do local.
A temporada transcorre bem ao dar espaço para os personagens coadjuvantes, que também tem a sua parcela de relevância dentro de toda a história. Como no caso do Dylan revelando para Emma tudo que ele pensa sobre o Norman ser culpado pelas várias mortes que aconteceram ao longo dos anos na cidade, isso incluindo até a morte da sua própria Mãe. A partir desse ponto na temporada temos o Norman sofrendo um forte descontrole mental e confessando ser o assassino de várias mortes. Isso inclui todas as investigações que estava no momento sobre a designação da Xerife Jane. Isso também passa pelas suas recentes descobertas sobre os vários corpos que foram jogados dentro do lago. Baseado em todas essas descobertas e todas as revelações, Norman vai preso. Por outro lado Romero está incansavelmente na busca por vingança, quando ele invade a casa de Norman em sua busca, mas ele não o encontra. Romero se depara com Chick no porão da casa e o mata a sangue frio com um tiro na testa.
Dylan e Emma sofrem com os acontecimentos que desabam sobre eles. Emma cuida dos negócios da família enquanto Dylan se vê preso entre seu passado e seu futuro. Dylan fica confuso, dividido, entre aceitar/acreditar no que o Norman cometeu todo esse tempo. Já a Emma está sofrendo muito por ter descoberto o monstro que o seu cunhado é, e por ele ter matado sua mãe. E aqui temos outra cena emblemática da temporada, que é a cena em que a Emma vai até o local onde Norman está preso para confrontá-lo. Já o Romero obriga Norman a levá-lo até o local onde Norma está morta. Porém, a forma como se dá toda a sequência na cena em que o Norman mata o Romero é patética para um fechamento de história. Colocaram uma grande expectativa em cima desse núcleo para finalizarem de forma pífia. No mínimo esta cena deveria ser emblemática, afinal de contas estamos falando de uma grande rivalidade que foi se criando dentro da série. Já a parte final dos flashback com o Norman e a Norma quando estavam se mudando para começar uma vida nova é muito bom. O final foi bem interessante e trouxe um fechamento coerente com o próprio Norman, já que ao ser morto pelo Dylan ele meio que retorna para os braços de sua mãe que já estava morta. É como se finalmente eles pudessem viver, ou morrer, felizes para sempre e juntos.
Quero destacar aqui a escolha de roteiro para esta última temporada de "Bates Motel", que eu já citei acima. Achei interessante esta ousadia dos produtores em aproximar a história com uma adaptação modernizada do clássico "Psicose". A inclusão na trama dos personagens Sam Loomis e Marion Crane serviu para nos trazer uma releitura de algumas cenas do clássico. Porém, devo deixar bem claro que temos as referências do clássico sessentista mas feitas de forma diferente, com uma nova roupagem e uma liberdade criativa, que até soou interessante. Por exemplo: temos aquela referência do clássico, que é a Marion chegando no Bates Motel embaixo da chuva e tocando a companhia do Motel fechado, logo ela vai ao lado e olha para a casa dos Bates. O personagem Sam Loomis também é outra referência do clássico, até com o envolvimento com a Marion. A cena do Motel entre Marion Crane e Norman Bates é muito boa e foi baseada nessa mesma cena do clássico, até com alguns diálogos iguais. Achávamos que a cena clássica do chuveiro se repetiria com a Marion Crane, igual no clássico, mas dessa vez foi o Sam a vítima de Norman Bates na cena clássica do chuveiro de "Psicose". Eu confesso ter gostado dessa cena, por mais que entendo a frustração de outras pessoas que desejariam a releitura original do clássico, mas entendo a mudança e a liberdade criativa no quesito imprevisibilidade.
Os pontos fracos da temporada: Um ponto que ao longo de cada temporada eu sempre reclamei, que são justamente as tramas secundárias da série, aqui elas voltam a incomodar. Não chegam a interferir tanto como nas duas primeiras temporadas, mas elas estão presentes e de certa forma bem irrelevantes. Eu diria que a trama secundária envolvendo a Madeleine, o Sam e a Marion é bem desinteressante e claramente não mantêm o mesmo nível da história principal. A temporada final acaba correndo demais em vários pontos para dar a conclusão para a história, porém se esqueceram de serem coerentes com várias pontas que ficaram soltas na história como um todo. Posso citar o caso do psiquiatra do Norman que acabou sendo esquecido na história final. O próprio Caleb foi totalmente subaproveitado e teve um final deprimente. O Chick foi um personagem no começo da série e terminou sendo outro totalmente diferente com seus desejos e opiniões, o que me deixou um tanto quanto confuso. No começo o Chick era um personagem decidido a dar fim no irmão da Norma e na última temporada ela meio que se oferece para ser aceito na casa pelo Norman e passa a "cuidar" dele. Confesso que essa mudança de chave no personagem não me agradou. Sem falar que o Chick tinha aquelas suas fitas e o livro, que também foi completamente esquecido no final.
Como o tema do empoderamento feminino está em bastante evidência, eu compreendo algumas tomadas de decisões na série e na temporada, principalmente envolvendo personagens como a Marion Crane e a Madeleine Loomis. Os personagens Dylan e Emma já estiveram em melhores posições de destaques dentro da série, porém especificamente nessa última temporada as participações de ambos chega a ser deprimente. O Dylan toma atitudes controversas e impensáveis, agindo por impulso próprio quanto ao confrontar o Norman. A Emma é a mais triste da temporada, sua participação é completamente abaixo de tudo que ela já entregou na série. A Emma não faz a menor diferença na temporada, se limitando a algumas cenas envolvendo a descoberta da morte de sua mãe, mas no geral ela é uma coadjuvante totalmente escanteada na trama - uma pena!
Alex Romero é tão mal utilizado nessa última temporada que chega a dar pena de seu personagem e do seu desfecho final. Volto a falar que a forma como ele morreu foi tão pífia que soa como um desrespeito com o personagem de Nestor Carbonell.
Já a Vera Farmiga, com a sua impecável Norman Bates, tem sempre uma participação irretocável dentro da série, e aqui chama a atenção por ela ter passado a temporada inteira sempre atuando como uma presença ilusória na história. Freddie Highmore é sem dúvida o maior destaque da temporada e de toda a série (juntamente com a própria Vera Farmiga). É incrível e assustador a interpretação de Freddie na figura do Norman Bates, a sua entrega para o personagem, a sua dramaticidade, a sua desconstrução e degradação psicológica. Realmente é um trabalho impecável e com um grande final do personagem.
Tecnicamente e artisticamente a série beira a perfeição: Temos uma trilha sonora muito bem performada em cada episódio, e que dizia muito sobre o que aquele episódio estava tratando. A fotografia é muito fiel com a proposta modernizada de uma série que tem como princípio um clássico dos anos 60. A direção de arte da série é muito bem conduzida, deixando cada ponto, cada cenário, cada item de cena com um padrão próprio. O trabalho cenográfico e de direção é outro grande acerto da série, mostrando o talento e a competência de cada diretor que conduzia a história.
A quinta temporada de "Bates Motel" recebeu 81 de 100 do Metacritic, com base em 8 avaliações. O Rotten Tomatoes informou que 8 em 8 respostas críticas foram positivas, com média de 100% da classificação. No geral, a quinta temporada de "Bates Motel" teve uma média de 1,29 milhão de espectadores, com uma classificação de 0,5 na faixa demográfica 18-49.
Por fim, a já lendária e aclamada série de TV "Bates Motel" chega ao seu final, ao seu fechamento de ciclo. Como um todo eu gostei demais da série, ela soube se reinventar e entregar algo novo tirado de um clássico antigo e renomado. Acredito que toda produção da série soube inovar bem no quesito modernização de uma história, até ousando em certos pontos que soa como uma referência e uma homenagem para a obra-prima divina do mestre Alfred Hitchcock. Especificamente nessa última temporada a série tem seus altos e baixos, tem seus erros e seus acertos (o que é normal), mas consegue entregar uma temporada muito boa, que atinge o objetivo da missão de recontar a incrível história de Norman Bates por uma outra visão, com uma nova perspectiva, o que deixa ainda mais interessante. Sem falar no final, que na minha opinião foi fantástico, entregando a sua forma poética de representar aquele vínculo afetivo entre mãe e filho, por mais diferente que seja. Um verdadeiro final catártico e apoteótico! [17/12/2023]
A quarta temporada de "Bates Motel" estreou em 7 de março de 2016 e terminou em 16 de maio de 2016. A temporada continua com o padrão de 10 episódios e foi ao ar às segundas-feiras às 21h pela A&E.
Posso afirmar aqui que as duas primeiras temporadas da série funcionou basicamente como uma apresentação de personagens, mais propriamente um desenvolvimento do Norman Bates (Freddie Highmore) e da sua mãe, Norma Louise Bates (Vera Farmiga). De certa forma a série estava tentando se achar como uma série moderna inserida em todo o universo do clássico "Psicose". Na terceira temporada a série começa a tomar um novo rumo, na verdade a série começa a trilhar o caminho principal de toda a história, e passa a focar ainda mais nos indícios psicóticos de Norman Bates. Esta quarta temporada se destaca como a melhor temporada da série até aqui, e muito por mergulharmos de vez no estágio mais crítico da relação tóxica e doentia entre Norman e Norma. É uma temporada que abrange diretamente o embate entre mãe e filho, e nos mostra todas as facetas de um Norman muito inteligente porém extremamente cético e manipulador para conseguir alcançar os seus principais objetivos.
A temporada já inicia nos mostrando os resquícios do final da temporada passada, onde temos o Xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) desovando o corpo de Bob Paris (Kevin Rahm), que ele mesmo matou, em um barco no mar. Norman está desaparecido de casa desde o final da temporada passada, quando ele matou a Bradley Martin (Nicola Peltz) e disse que voltaria a pé para sua casa. Exatamente nesse ponto do primeiro episódio que Norman se mostra totalmente descontrolado e desequilibrado, onde sua liberdade passa a ser considerada como uma ameaça para a sociedade, caso Norma não o interne em uma clínica psiquiátrica. Já pelo outro lado da história temos a Emma Decody (Olivia Cooke), que está internada em um hospital em Portland pronta para realizar seu transplante de pulmão.
Este primeiro episódio já se destaca como muito importante e bastante revelador para o contexto de toda a história. Pois é justamente nele que temos o aparecimento repentino de Audrey Ellis (Karina Logue), a mãe que abandonou a Emma enquanto ela era uma criança doente. Interessante que Audrey tem uma pequena participação na história, pois no final do episódio o Norman já mata ela enforcada. Porém, o que chama a atenção é justamente o envolvimento que Audrey criou e como ela se torna um dos pilares centrais para o desentendimento entre Norma e Norman.
Podemos considerar que finalmente Norma percebe que o caso do seu filho é sério e que ele precisa de ajuda médica. Já que Norman passa a ter um comportamento que afeta diretamente a relação com a mãe e sempre a deixa extremamente irritada. Aqui entra um ponto bastante curioso na temporada, que é justamente esse abrupto casamento entre Romero e Norma, já que ela precisava de ajuda com o plano de saúde para conseguir a internação do Norman na clínica psiquiátrica Pineview. A princípio podemos notar que este casamento é totalmente de fachada, já que era por puro interesse por parte da Norma, mas com o tempo eles vão se entendendo e acabam realmente se apaixonando. Norman atinge o ápice do seu surto psicótico contra Norma, ao apontar uma arma para ela, e o Romero o encaminha para o instituto.
Esta temporada funciona muito bem em mesclar a trama principal envolvendo o Norman, a Norma e o Xerife Romero, com a subtrama do Dylan (Max Thieriot) com a Emma. Emma já fez a sua cirurgia e tudo foi um sucesso. E aqui temos uma cena muito boa, que é justamente a cena em que a Emma retira os aparelhos de respiração após a cirurgia e vemos o quanto o Dylan se preocupa com ela, quando ele fica desesperado com ela não respirando. Dylan pensa em seu futuro com a Emma, já que seu relacionamento começa a fluir. Realmente ele está pensando em abandonar o ramo dos negócios com maconha e viver este romance.
Na clínica o Norman começa apresentando bastante resistência em seu tratamento com o Dr. Edwards (Damon Gupton). Porém com o tempo ele passa a aceitar as novas circunstâncias que lhe é designado. Sinceramente eu não acho que Norman aceitou, ele simplesmente está usando todo o seu poder de manipulação, principalmente com o Dr. Edwards. Podemos observar justamente essa questão quando Norman começa a agir com naturalidade as exigências da clínica, e principalmente quando ele conhece aquele seu novo "amigo" e juntos embarcam em uma aventura ao fugir da clínica. De qualquer forma logo Norman entra em outro surto psicótico e revela alguns dos seus segredos ao Dr. Edwards, e vai ainda mais além, quando ele decide denunciar sua mãe em relação as mortes que ocorreram. Norman revela que acredita que todos os assassinatos dos quais ele é o autor foram, na verdade, cometidos por sua mãe, quem realmente precisava de ajuda era ela, e não ele. Esta é uma cena emblemática em toda a série.
Outro ponto que a temporada aborda, e parece bem interessante, é esse relacionamento íntimo e de negócios que o Xerife Romero mantinha com a gerente do Banco Rebecca Hamilton (Jaime Ray Newman). Rebecca era a responsável em lavar o dinheiro para o Bob Paris. Ela revela ao Romero que Bob deixou uma grande quantia no banco, e que ela tem uma das chaves do cofre enquanto ele tem a outra (e realmente ele tinha). A partir desse envolvimento, a DEA passa a usar a Rebecca e passa a levantar uma investigação criminal que ameaça a vida de Romero.
O personagem Chick Hogan (Ryan Hurst) entre em cena ao perseguir a Norma em uma loja. Por fim, Chick revela tudo sobre Caleb (Kenny Johnson) para Norma, explicando para ela tudo que Caleb fez com ele. Norma fica preocupada com o que poderá acontecer com Caleb e ameaça Chick. Pegando este gancho, Norma revela a verdade para Romero sobre seu irmão Caleb ser o pai de Dylan. Ela também revela que teve um relacionamento com ele durante anos e ela o amava, porém quando ela quis terminar tudo ele não aceitou e estuprou ela. Uma cena bem chocante, por sinal.
A estadia de Norman na clínica parecia correr bem até ele descobrir, através de recortes de jornais, que sua mãe havia se casado com o Xerife Romero. Imediatamente a chave em sua cabeça muda e Norman quer deixar a clínica de qualquer forma. Norman é extremamente manipulador e persuasivo, e ele usa de todos os seus meios para convencer o Dr. Edwards que precisava voltar para casa para ficar ao lado de sua mãe, que isso seria muito benéfico para ele e o ajudaria ainda mais no tratamento. Após o Norman fazer todo um teatro ele convence o Dr. Edwards a assinar a sua liberação da clínica. Romero não ficou nada feliz pela a Norma aceitar que o Norman voltasse para casa, ainda mais agora com ele morando com ela. A presença de Norman em casa incomoda muito o Romero, e a Norma fica dividida entre os dois, tentando agradar os dois. E realmente Norman está decidido por um fim no casamento de sua mãe com o Xerife, pois ele foi confrontar pessoalmente o Romero para pedir que ele se divorciasse de sua mãe. O maior erro da Norma como mãe é proteger demais o seu filho, como se ele fosse um cristal que vai se quebrar a qualquer momento. Essa proteção excessiva atrapalha em seu crescimento e desenvolvimento como uma pessoa adulta.
No oitavo episódio temos uma reedição de uma cena clássica de "Psicose": que é a cena com o Norman olhando pelo buraco da parede no Motel a sua mãe transar com o Romero. Na hora eu peguei toda a referência da obra-prima do mestre Hitchcock.
O nono episódio revela como o Romero e o Dylan pretendiam se unir para forçar uma nova internação do Norman, mesmo contra a vontade da Norma. Norman está conseguindo manipular a mãe com relação ao seu casamento com o Romero, ou ela está deixando ser manipulada, mesmo sabendo as reais intenções do filho. A obsessão do Norman pela Norma é tanto, que ele fechou todas as entradas e saídas de ar da casa, ligou o forno no porão e soltou uma espécie de gás venenoso saindo unicamente embaixo da cama onde ele e a mãe dormiam. A ideia dele era se matar e matar a própria mãe enquanto dormiam. O Romero chega na casa e quebra a janela para entrar um pouco de ar mas já era tarde. Norman acorda porém sua mãe não.
O último episódio da temporada é magnífico, facilmente o melhor episódio da temporada e um dos melhores de toda a série. Temos o Norman planejando um evento especial para o velório da Norma. Também somos informados que a intoxicação por monóxido de carbono foi o que matou a Norma, causado pelo Norman, e esta substância pode afetar a memória. A guerra entre Romero e Norman está declarada, ele quer tentar de qualquer jeito provar que o Norman é o responsável pela morte da mãe. Norman parece conseguir manipular todos em sua volta, menos o Romero, que é astuto, inteligente e muito sagaz. Os últimos eventos na temporada do Xerife Romero consiste em como ele é pressionado pelos seus atos no passado, o que acaba fechando o cerco e ele acaba terminando a temporada sendo preso.
O final do episódio é catártico, pois ele nos mostra como ocorreu toda a libertação de tudo que estava reprimido entre sentimentos e emoções do Norman em referência com sua mãe. A partir daí temos uma excelente sequência de cenas; que é justamente quando o Norman vai até o cemitério e desenterra o corpo da Norma e a leva para casa. Logo temos uma cena completamente bizarra e bem mórbida, onde o Norman cola os olhos da defunta da mãe. Agora ele passa a conviver com a presença dela morta como se estivesse viva, e conversando com ela normalmente e constantemente, algo bastante natural para ele. Esta parte segue bem um roteiro se baseando na história original, tanto do clássico dos anos 60 quanto da obra-prima da literatura de Robert Bloch.
Sobre o elenco: Não tem como mais elogiar e enaltecer a Vera Farmiga em "Bates Motel". Ela já atingiu um ápice de excelência inimaginável dentro da série. Já o Freddie Highmore sempre esteve em uma ótima performance em cada temporada, porém nessa quarta ele atinge um grau superior, o ápice do seu personagem, se destacando em todas as cenas. Incrível como o Freddie cresce de produção em cada temporada, e aqui ele entrega um nível de dramaticidade muito fiel com o contexto do seu personagem. Max Thieriot tem uma temporada bem apagada, em comparação com os seus maiores destaques nas temporadas passadas. O roteiro dessa temporada não contribuiu com o Dylan, o limitando em poucas participações na trama central. O mesmo vale para a Olivia Cooke, que também tem uma temporada bem discreta, se limitando apenas em torno do seu transplante e recuperação morando em outra cidade com o Dylan. Nestor Carbonell está em sua melhor temporada na série. É completamente incrível o crescimento absurdo em questão de relevância que o Xerife Romero tomou. Em contrapartida a sua atuação só melhora e cada vez mais nos surpreende. Acredito que o ápice de sua performance será exatamente na quinta temporada, com a guerra declarada contra Norman Bates. Nestor Carbonell é um ator excelente. Ryan Hurst tem uma participação menor na temporada porém extremamente importante para o seguimento na quinta temporada. Eu estou muito curioso em como será a participação do Chick na última temporada. Já o Kenny Johnson foi completamente esquecido nessa temporada, e eu que pensei que o Caleb teria participações cruciais nessa quarta temporada.
Parece que finalmente os roteiristas aprenderam a dar o maior foco e o maior destaque para a trama principal e deixar de lado as inúmeras subtramas paralelas. Este foi o maior erro das duas primeiras temporadas, o fato de querer contar várias histórias todas ao mesmo tempo e no fim não desenvolver bem nenhuma. Na minha opinião as histórias paralelas foram trazidas para a série apenas como uma válvula de escape, para chamar a atenção do espectador para outros rumos na história e não focar unicamente em torno do Norman e da Norma (apesar de esse ser o nosso principal interesse na série). As tramas secundárias nunca conseguiram atingir o mesmo grau de excelência dos eventos envolvendo os dois protagonistas. Na terceira temporada essas subtramas já haviam sido bem reduzidas e nessa quarta elas perderam ainda mais as suas forças. Por mais que ainda temos alguns desdobramentos paralelos na história, mas eles são bem pequenos e não interferem tanto como antes.
Outro ponto que não foi diretamente revelado nessa temporada, mas eu cheguei na conclusão: lá no começo da série foi levantado toda a questão que envolvia a construção da nova estrada que desviaria o fluxo do Bates Motel, e que obviamente a Norma Bates era contra. Ela chegou a lutar na prefeitura e comprou uma grande briga por esta causa. Porém, esse assunto não foi mais discutido na série, o que me leva a crê que a Norma perdeu a disputa e a estrada foi realmente construída.
A quarta temporada de "Bates Motel" recebeu elogios da crítica da televisão e foi indicada para dois Primetime Creative Arts Emmy Awards. Também ganhou três prêmios People's Choice Award por drama de TV a cabo, atriz de TV a cabo (Vera Farmiga) e ator de TV a cabo (Freddie Highmore). A quarta temporada do Bates Motel manteve classificações consistentes ao longo de sua exibição, com a estreia da temporada atraindo 1,55 milhão de espectadores e o final totalizando 1,50 milhão.
A temporada foi recebida com elogios da crítica. A temporada teve uma classificação 100% positiva no site agregador de críticas Rotten Tomatoes, com base em 17 respostas de críticos de televisão.
A série "Bates Motel" finaliza mais uma temporada em alto nível. A quarta temporada é de longe a melhor de toda a série até aqui. E muito por trazer uma temporada mais centrada, mais enxuta, mais focada na trama central, sem ficar vagando perdida em tramas paralelas e desinteressantes.
O que vimos até aqui foi a construção de um relacionamento entre mãe e filho baseado na obsessão, no extremismo, na devoção, na adoração, onde logo foi desenvolvido um relação tóxica e doentia. Uma demonstração de amor excessivo e corrosivo que se transformou em ódio, loucura e manipulação extrema.
A quinta (e última) temporada promete demais, pois será a primeira temporada sem a presença real da Norma Bates, o que trará um grande impacto para a trama central. Também será a primeira temporada em que teremos um Norman agindo "teoricamente sozinho", com suas escolhas e suas decisões tiradas de uma mente totalmente deturpada e psicótica. Sem falar que nessa última temporada teremos o ápice do Norman, onde ele demonstrará toda a sua psicopatia e sua dupla personalidade. Ou seja, será na quinta temporada que Norman agirá da forma que conhecemos no clássico dos anos 60; quando o saudoso Anthony Perkins se consagrou como um dos maiores maníacos e psicopatas da história do cinema. Dessa vez o bastão foi passado para o talentosíssimo Freddie Highmore, e eu quero conferir como será a sua apresentação final na pele do lendário e icônico Norman Bates. [27/10/2023]
A terceira temporada de "Bates Motel" é novamente constituída em 10 episódios e foi transmitida pela A&E de 9 de março a 11 de maio de 2015, com exibição às segundas-feiras às 21h.
Na primeira e na segunda temporada de "Bates Motel" tivemos o início e o desenvolvimento da psicose de Norman Bates (Freddie Highmore). Ou seja, podíamos notar os primeiros indícios do seu lado psicótico, que de fato ainda acontecia em casos mais raros. Nessa terceira temporada esse quadro se agrava ainda mais, ficando cada vez mais específico e tomando uma proporção ainda maior. Norman passa a sofrer apagões mais constantes e passa a ter vagas memórias de suas ações nos momentos desses apagões. É como se ele sofresse para distinguir as criações de sua mente daquilo que realmente aconteceu.
O primeiro episódio já inicia de forma bastante peculiar com uma cena intrigante do Norman dormindo na cama com a Norma (Vera Farmiga), o que deixa o Dylan (Max Thieriot) incomodado ao presenciar esta situação. E mais bizarro ainda é o fato do Dylan confrontar a Norma sobre o caso e ela simplesmente dizer que acha isso tudo normal. É justamente nessa temporada que passamos a observar um comportamento cada vez mais estranho do Norman com sua mãe. Era como se o Norman sentisse algum tipo de desejo pela mãe, e ela em contrapartida acaba contribuindo para esse seu comportamento. Outro fato intrigante é justamente a cena em que a Norma recebe um telefonema informando que sua mãe havia falecido, e ela fica incomodada mas reage naturalmente como se não se importasse. E é muito curiosos a Norma dizer que não liga para o fato da morte de sua mãe por já ter 20 anos que não fala com ela, porém ela sofre com essa notícia por algum trauma do passado.
Norman ainda não superou a morte da professora Blaire Watson (Keegan Connor Tracy) e não consegue voltar para a escola, porém sua mãe o obriga. Várias plantações de maconhas da cidade foram queimadas pela narcóticos. Muito estranha essa atitude do Norman em querer namorar com a Emma (Olivia Cooke) agora, depois de tanto tempo. Eu acho que isso foi uma atitude tomada por pena dela, por ela ter informado que sua doença progrediu bastante. Norman decide largar a escola e passar a estudar em casa, sendo uma atitude apoiada pela sua mãe. Emma toda encantada pelo início do namoro também decide seguir os mesmos passos do Norman e também abandona a escola. Uma hóspede misteriosa chega no Motel e deixa o Norman bem impressionado. A garota se chama Annika Johnson (Tracy Spiridakos) e acaba revelando para o Norman que ela é uma garota de programa e está na cidade por causa de uma festa.
Temos o primeiro mistério da temporada: o desaparecimento de Annika. Como sempre acontece, o desaparecimento da moça levanta uma grande tensão na cidade. O fato do Norman ter retornado para o Motel no carro da moça deixa a Norma com vários pensamentos em relação ao seu filho. Norma vai investigar o local da festa que Annika disse que iria e acaba descobrindo a verdade sobre o Arcanum Club. A relação de Dylan e Caleb (Kenny Johnson), que retornou para a cidade após a morte de sua mãe, não está nos melhores dias. E pra piorar a situação, eles encontram um vizinho bem misterioso. O Xerife Romero (Nestor Carbonell) vai embora do Motel pelo fato da sua casa ter ficado pronta após 3 meses de hospedagem. Norma fica visivelmente chateada com a partida de Romero.
Como o Norman foi a última pessoa que esteve com a Annika antes de seu desaparecimento, o Xerife Romero decide investigá-lo. Norma hesita quando Romero faz perguntas complicadas a Norman. Norman está sofrendo uma pressão psicológica muito grande da mãe, ao ponto de deixá-lo completamente transtornado. A partir daí temos algumas revelações curiosas na temporada; como o fato do Xerife Romero conhecer o seu adversário para reeleição. Um corpo de uma garota misteriosa foi encontrado boiando em um lago da cidade, o que fatalmente pensaríamos que pudesse ser o corpo de Annika. Mas não era o corpo de Annika, era de outra garota, já que Annika reaparece no Bates Motel gravemente ferida e entrega um pen drive para a Norma e morre ali mesmo em seus braços.
A cidade de White Pine Bay continua com suas mortes misteriosas. O Xerife Romero investiga as mortes misteriosas de Lidsay e Annika, as duas garotas assassinadas que trabalhavam no Arcanum Club. Segredos enterrados vêm à tona para Caleb e Dylan. Norma decide voltar para a faculdade e acaba conhecendo o professor James Finnegan (Joshua Leonard). James por sua vez acaba se envolvendo com Norma e passa a conhecer um pouco dos seus problemas familiares, o quê ele se arrependeu mortalmente. A relação do Xerife Romero com a Norma tinha tudo para dar certo, mas a constante desconfiança dele sobre ela e o Norman impossibilita essa aproximação. E o fato da própria Norma querer acobertar o filho a todo custo acaba dificultando cada vez mais essa aproximação.
Em cada temporada temos a figura de um vilão, aquele maioral que dá as cartas na cidade de White Pine Bay. Nessa temporada esta figura é o misterioso Bob Paris (Kevin Rahm). Bob é o dono do Arcanum Club, que dá grandes festas na cidade regado a orgias sexuais e várias personalidades importantes. Mais tarde descobrimos que Bob é o homem responsável pela morte das duas garotas, além de ter colocado um concorrente ao posto de Xerife no caminho de Romero, e ter planejado uma tentativa de assassinato do próprio Romero. A principal subtrama da temporada consiste no Bob Paris em resgatar aquele pen drive que a Annika deu para a Norma em seu leito de morte. Este pen drive possui um conteúdo sigiloso que envolve todo o reinado de Bob Paris na cidade.
Por outro lado, Dylan faz uma tentativa de pedir para a Norma considerar falar com seu irmão Caleb. Esta tentativa não deu certo, já que a Norma ficou revoltada e acabou saindo de casa. Norma realmente considera uma vida fora de White Pine Bay, deixando Norman em uma posição vulnerável. Com a saída da Norma de casa, Norman ficou completamente transtornado, o que aproximou Dylan e Emma quando ambos se uniram para ajudar o Norman. O Xerife Romero descobre sobre a sua tentativa de assassinato e assim ele consegue ir atrás do seu concorrente no cargo de Xerife e matá-lo (uma cena espetacular, diga-se de passagem). Norma se encontra totalmente desequilibrada e perdida emocionalmente. Aquela cena com ela indo até o Caleb e o perdoando diz muito a respeito. Preciso destacar uma cena do sexto episódio: que é a cena com a Norma chegando na agência de carros e pedindo para trocar seu carro. Logo me lembrou a mesma cena que aconteceu no filme clássico de 1960.
Com a aproximação de Dylan e Emma, ele acaba descobrindo notícias chocantes sobre a saúde de Emma. Emma precisa de um transplante de pulmão urgente ou poderá morrer e Dylan está tentando ajudá-la. Caleb e Dylan aceitam um trabalho que envolve certo risco. Dylan pretende vender toda a entrega de maconha para o transplante de pulmão da Emma. Incrível como Norman sente ciúmes das pessoas que a Norma dorme, como ele implica com ela, sente desejos sexuais por ela, e ainda olha seu corpo de relance.
Surpreendendo um total de zero pessoas, Bradley Martin (Nicola Peltz) está de volta. Esta volta de Bradley na série é bem questionável, e ela volta a atormentar o Norman com as suas loucuras. Dylan dá 50 mil dólares para o pai da Emma para a sua cirurgia. Emma tem uma reação surpreendente a notícias aparentemente positivas sobre sua chance de fazer o transplante de pulmão, mas ela não sabe que foi o Dylan que pagou. Parece rolar uma química entre o Dylan e a Emma, e finalmente rola um beijo entre eles. Eu acho que o Dylan se mostrou muito mais preocupado com o estado de saúde da Emma do que o Norman. Disto isto: eu prefiro muito mais o casal Emma e Dylan do que Emma e Norman.
Norma chega ao limite com os problemas de Norman e decide que quer interná-lo em uma clínica psiquiátrica. No final da temporada temos a morte de Bob Paris pelo Xerife Romero. Também temos Norman em um estado psicótico quando incorpora sua mãe e mata a Bradley. No final Norman faz exatamente como no filme clássico: ele coloca o corpo da Bradley no porta-malas do carro e o empurra até um lago. E assim termina a terceira temporada de "Bates Motel".
Um dos principais problemas das temporadas anteriores era exatamente na questão do roteiro, por querer contar várias histórias todas ao mesmo tempo e no fim não desenvolver bem nenhuma. Especificamente nessa temporada não temos este problema relacionado ao número de histórias paralelas desnecessárias. Temos algumas subtramas, é claro, como no caso do Bob Paris e sua incansável busca pelo pen drive. Que sim, foi uma história paralela bem desnecessária e totalmente cansativa, por se repetir demais. Mas eu confesso que no geral esta terceira temporada é mais direta ao ponto, é mais centrada na trama principal, que é justamente o desenvolvimento tóxico do Norman e da Norma. A história principal de "Bates Motel" tem uma alavancada nessa temporada justamente pelos problemas mentais de Norman se aflorarem e ele ficar cada vez mais descontrolado.
Porém, o excesso de personagens desnecessários é um ponto que me incomoda bastante na série. Nessa terceira temporada não é diferente, temos vários personagens desnecessários, que são trazidos para a série apenas para servirem de muletas para o desenvolvimento de uma história de um personagem principal da série. Como no caso das personagens Lidsay e Annika, e aquele postulante ao cargo de Xerife da cidade, que serviram de muletas para o encaixe do personagem Bob Paris na temporada. Bob Paris por sua vez é mais um personagem desnecessário que mantém aquele legado de vilão de temporada que é sempre morto no final. Na primeira temporada foi o Jake Abernathy (Jere Burns), na segunda temporada foi o Nick Ford (Michael O'Neill) e nessa temporada é o Bob Paris. Uma personagem que foi extremamente importante na série, que teve a sua época, e que foi trazida de volta nessa temporada se tornando uma personagem completamente desnecessária, é exatamente a Bradley Martin. Quando a Bradley foi embora da cidade o seu retorno era só questão de tempo, e eu tinha certeza que isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer. Bradley teve o seu auge e a sua relevância nas temporadas passadas, principalmente na segunda temporada, mas a sua volta nessa terceira temporada foi completamente infundada e desnecessária, servindo apenas para compor mais uma morte do Norman. Eu não duvido nem um pouco se nas próximas temporadas não irão trazer de volta a Cody Brannan (Paloma Kwiatkowski) para servir de vítima para o Norman.
Sobre o elenco: Vera Farmiga como sempre é o principal destaque da temporada e da série. Em cada temporada é cada vez mais notável o seu crescimento e o desenvolvimento impecável de sua personagem Norma Louise Bates. Freddie Highmore só cresce na série cada vez mais. Incrível como o Freddie vem em uma constante crescente, em uma constante evolução, que só melhora e nos surpreende em cada temporada. Especificamente nessa temporada a dupla Vera Farmiga e Freddie Highmore estão com mais sintonia e com mais química, cujo as cenas onde ambos estão contracenando juntos é tomada por um forte clima de tensão e desconforto para nós espectadores. Max Thieriot ganha mais espaço na trama e logo seu personagem ganha mais destaque pelo o local que ele ocupa na série. O mesmo vale para o Nestor Carbonell, que também se destaca em razão da importância que seu personagem tem com os vários problemas que surgem ao longo da temporada. Olivia Cooke continua na mesma linha da temporada passada, com uma participação mais contida, mas eu confesso que fiquei bastante animado com as possibilidades da personagem para a quarta temporada. Já que agora temos uma aproximação da Emma com o Dylan e logo ela fará o transplante de pulmão. Kenny Johnson finalmente consegue conquistar o seu espaço na série, e algo me diz que ele será importante nas próximas temporadas. E pra finalizar o elenco, Nicola Peltz, que voltou para a série apenas para compor o final da temporada com o Norman liberando toda a sua fúria e descontrole do seu lado psicótico.
A terceira temporada de "Bates Motel" recebeu 72 de 100 da Metacritic, com base em 5 críticas de críticos de televisão, indicando "críticas geralmente favoráveis". O Rotten Tomatoes relatou que 11 das 12 respostas críticas foram positivas, com média de 92% da classificação." O episódio de estreia da temporada atraiu um total de 2,14 milhões de telespectadores. Por suas atuações nesta temporada, Vera Farmiga e Freddie Highmore foram indicados ao Critics' Choice Television Awards de Melhor Atriz e Melhor Ator em Série Dramática, respectivamente. A terceira temporada ficou em quarto lugar na lista de final de ano dos principais programas ao vivo + 7 dias da Nielsen, ganhando uma média de 201,8% de espectadores em DVR.
Tecnicamente a temporada também se destaca: A trilha sonora é boa e agrega bastante na história. A fotografia se sobressai em cada cena apresentada. A direção de arte é muito bem representada. A edição é muito boa, assim como a mixagem de som. Cada detalhe técnico conta muito para a qualidade da temporada e consequentemente da série.
A terceira temporada de "Bates Motel" melhora em relação as temporadas anteriores. E muito dessa melhoria se dá exatamente por focar mais na trama central e deixar um pouco de lado as inúmeras histórias paralelas e desnecessárias. A temporada também se sobressai na questão da construção e no desenvolvimento do Norman Bates, que se mostra cada vez mais psicótico e insano, que vai perdendo o seu autocontrole gradativamente com o passar do tempo. No começo o Norman se mostrava assustado e coagido pelos seus apagões e a sua dupla personalidade, agora ele já parece dominar o seu caráter imprevisível, dúbio, e parece cada vez mais a vontade ao explorar a sua mente psicótica. Esta temporada é também a responsável em nos elucidar sobre o comportamento e as atitudes da Norma Bates em relação ao seu filho. Que logo nos mostra quem é a verdadeira personalidade psicopata da história.
Acredito que agora a série irá crescer cada vez mais nas próximas temporadas. Potencial sempre teve, só não estava sendo totalmente explorado. [12/10/2023]
A segunda temporada de "Bates Motel" teve novamente 10 episódios e estreou na TV a cabo A&E em 3 de março de 2014. A temporada foi ao ar às segundas-feiras às 21h e foi concluída em 5 de maio de 2014.
Em sua segunda temporada, "Bates Motel" continua na mesma linha da temporada passada, porém constrói uma história mais complexa e com várias subtramas. Temos novos conflitos que envolve, dessa vez, duas famílias que controlam as plantações de maconha da cidade de White Pine Bay. Dentro desse contexto, Norma (Vera Farmiga), Norman (Freddie Highmore) e Dylan (Max Thieriot) se encontram em situações delicadas.
A segunda temporada gira em torno de situações distintas: Norman fica obcecado em uma espécie de trauma pessoal referente à morte da professora Blaire Watson (Keegan Connor Tracy), que aconteceu no final da temporada passada. O passado sombrio de Norma se volta contra ela com o aparecimento de seu misterioso irmão. Bradley Martin (Nicola Peltz) está obcecada na busca pelo verdadeiro assassino de seu pai. Emma Decody (Olivia Cooke) vive seu drama pessoal ao se sentir excluída da família Bates, e logo se envolve em um novo interesse amoroso. Já o Xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) se vê ameaçado ao ser perseguido e descoberto em suas investigações.
O primeiro episódio é muito bom e já se destaca relevando alguns segredos que até então estavam guardados: Norman não se conforma com a morte da Sra. Watson e não consegue se desprender desse acontecimento, passando a visitar seu túmulo no cemitério constantemente. Isso, claro, incomoda muito a Norma. No enterro da Sra. Watson o Norman chora copiosamente, talvez por culpa ou por remorso. Assim como o cinto do Keith Summers, Norman também guarda o colar da Sra. Watson. Bradley está totalmente descontrolada e transtornada pela morte do pai, o que a leva a tentar um suicídio ao se jogar de uma ponte, principalmente pelo fato dela ter descoberto que o seu pai estava tendo um caso com a Sra. Watson. Nesse ponto é interessante nos atentarmos que Bradley havia encontrado algumas cartas de amor que seu pai estava trocando com uma mulher que se identificava apenas como "B" (Blaire Watson). Norman está cada vez mais se dedicando ao empalhamento de animais no porão de sua casa. Bradley recebe alta do hospital psiquiátrico em que estava internada e quer buscar vingança contra o assassino de seu pai. E aqui temos um final de episódio surpreendente, que é justamente a Bradley indo até a casa de Gil Turner (Vincent Gale) e o matando com um tiro na testa. Ela havia descoberto que ele era o assassino de seu pai.
O segundo episódio mostra a Norma preocupada com aquela obsessão doentia de Norman pela morte da Sra. Watson, o que a leva a convencê-lo a participar de uma peça musical na cidade. Após ter matado o assassino de seu pai, Bradley se vê desesperada e busca a ajuda de Norman, que a esconde no porão de sua casa. Ela quer a ajuda de Norman para fugir da cidade, e com isso o Dylan, atendendo um pedido de Norman, ajuda ela a fugir. Com a morte de Gil a cidade fica bastante impactada, já que Zane Morgan (Michael Eklund), o chefe de Dylan, acredita que tem uma outra família no ramo das drogas, liderada por Nick Ford (Michael O'Neill), que está envolvida com o ocorrido, o que gera uma guerra de drogas na cidade.
A temporada segue nos mostrando o empenho da Norma na luta contra a construção da nova estrada. E podemos notar que finalmente o Bates Motel está prosperando, ao começar a receber hóspedes (mesmo aqueles hóspedes estranhos). Norma toma uma atitude de certa forma até precipitada, ao tomar conhecimento que o conselho da cidade fará uma reunião sobre o tema, e ela decidir confrontar os superiores expondo o seu descontentamento com a construção da estrada. De certa forma podemos até entender esta postura da Norma, já que realmente aquela nova estrada interferiria diretamente no movimento do seu Motel. Porém, a forma como ela contesta em seu discurso acaba sendo confrontada pelo pelo vereador Lee Berman (Robert Moloney), onde logo ela perde o controle da situação e acaba expondo as atividades ilegais que existem na cidade (o império da maconha).
Nos episódios seguintes temos uma revelação enigmática, que é justamente o aparecimento do irmão da Norma, Caleb Calhoun (Kenny Johnson). E este aparecimento revive lembranças traumáticas para Norma, o que a leva a revelar um segredo do seu passado. Em contrapartida Caleb tenta se aproximar de Dylan, que o leva até a casa da Norma, causando uma trágica situação com a própria Norma quando chega e dá de cara com seu irmão dentro de sua casa. Norma fica transtornada ao ver o irmão e o expulsa da sua casa. Em uma discursão Norma revela que ela era estuprada pelo seu irmão quando tinha 13 anos. Logo após ela revela que ele é o pai de Dylan. Na sequência temos outra cena impactante, que é justamente o momento em que Norma revela para Dylan que Caleb é o seu pai.
Temos outra revelação traumática para Norman, que acontece justamente quando Emma leva para ele a notícia de que Bradley havia se suicidado e deixado um bilhete junto com suas roupas na margem da praia (este foi um acordo que Bradley havia feito com Dylan antes dela fugir da cidade). Norman fica visivelmente transtornado com esta notícia referente a Bradley. A partir daí Norman começa uma amizade com Cody Brennan (Paloma Kwiatkowski). Cody conhece Norman em um mercado, quando ele estava fazendo compras para preparar um disfarce para a fuga de Bradley. Logo esta amizade toma um outro rumo, quando Norman transa com Cody, o que faz com que os dois se aproximem e Norman começa a tomar conhecimento da complicada vida de Cody, mas como ela é uma jovem rebelde, Norma não quer que o filho conviva com ela.
Cody tem uma importante participação na temporada ao colaborar (de forma negativa) no despertar dos "apagões" de Norman (um espécie de estado traumático, um transe psicótico). E justamente a Cody convence Norman a ir até o motel que Caleb estava hospedado e confrontá-lo (após Norman ter revelado este segredo para ela). A intenção de Cody era que Norman desse um susto em Caleb na intenção que ele se afastasse de Norma, porém Norman acaba desistindo da ideia no meio do caminho, onde logo após ele tem o seu primeiro apagão. Depois Norman volta até lá e confronta Caleb. Incrível que logo vemos como Norman entra em transe e passa a se identificar com as memórias da mãe diante de Caleb, que sofreu os abusos, como se ele fosse a Norma em um estado psicótico. Nesse mesmo episódio temos um final que revela que em meio a todas as questões investigativas que o Xerife Romero passou, ele acaba tendo a sua casa incendiada e ele precisa passar um tempo morando em um dos quartos do Motel Bates.
Norma se torna amiga de Christine Heldens (Rebecca Creskoff), a ex-diretora daquela peça musical que ela levou o Norman, e até comparece a uma festa na casa dela. A partir dessa amizade Christine leva Norma para a vida social de White Pine Bay. É interessante que a partir dessa amizade com Cristine, Norma conhece o misterioso Nick Ford, que também se mostra contra a construção da nova estrada. Norma acaba se envolvendo com Nick Ford sem saber que ele é o chefe da outra família de drogas, rival daquela para quem Dylan trabalha. Norma acaba entrando em uma teia de aranha com este envolvimento, ao aceitar a ajuda de Nick Ford onde rapidamente a construção da estrada é paralisada. O maior problema para Norma é que Nick Ford acaba cobrando a ajuda que ele deu para ela, e isso traz um problema seríssimo para Norma.
O quinto episódio nos mostra como Dylan precisa lutar por sua vida na guerra iniciada por Zane. Como o Xerife Romero foi se hospedar no Motel Bates, com o contato diário a sua relação com Norma vai aos poucos melhorando. Logo temos mais uma nova personagem chegando na série, trata-se da misteriosa Jodi Morgan (Kathleen Robertson), a irmã de Zane, que já se auto intitula como a verdadeira chefe de Dylan. Norma está cada vez mais se envolvendo com a política da cidade, o que lhe traz sérios problemas. Os constantes apagões de Norman acaba preocupando à todos, principalmente a Norma, que sabe os reais motivos desses apagões mas se recusa a contar a verdade para ele. O sexto episódio termina justamente em uma discursão entre Norman e Cody, quando o pai da Cody aparece e entra na discursão, e na sequência Norman acaba o empurrando da escada, matando o pai da Cody.
O sétimo episódio nos revela que Norman foi considerado inocente pela a morte do pai da Cody, que foi considerado como um acidente (e na real não foi). Cody rompe a amizade com Norman e vai morar com a tia em outra cidade. Por fim é confirmado, através de um exame, que o sêmen no útero da Sra. Watson é de Norman Bates, o que prova que foi ele mesmo quem a matou. E logo após temos a cena que revela que Norman fez sexo com a Sra. Watson naquela noite e depois cortou sua garganta com um canivete. Já no último episódio da temporada temos aquela já famosa matança descontrolada, que é justamente o Nick Ford sendo morto pelo Dylan. E logo após temos o resgate do Norman do cativeiro em que ele estava preso. No fim vemos que Norman está sempre com sua mãe dentro da sua mente, como se ela o controlasse o tempo todo, o fazendo negar até o seu assassinato da Sra. Watson. Gostei muito desse final de temporada.
Porém: a segunda temporada de "Bates Motel" continua insistindo nos mesmos erros da temporada anterior, que é justamente no desenvolvimento do roteiro, por novamente querer contar várias histórias todas ao mesmo tempo e no fim não desenvolver bem nenhuma. Por exemplo: em cada temporada aparece uma figura para ser o grande vilão do final de temporada (o que pode ser normal). Na primeira temporada foi o Jake Abernathy (Jere Burns) e nessa temporada é o Nick Ford. Me parece mais uma tentativa forçada de querer sempre por obrigação implantar um grande vilão, o manda-chuva, o big boss, sempre com aquele ar de poderoso, de superior, e no fim terminar como um morto qualquer sem nenhum sentido. No fim o grande vilão de temporada não passa de um personagem raso, falho e sem nenhuma relevância para o contexto da temporada e principalmente da série.
Outro ponto: criam histórias na primeira temporada e não tem uma relevância na próxima; como no caso do assassinato de Keith Summers, que foi completamente esquecido. A história da morte do pai da Bradley até deram uma certa continuidade nessa segunda temporada, mas depois esqueceram, e muito pelo fato da própria Bradley ter fugido da cidade (mas acredito que ela voltará na próxima temporada). Parecem que querem contar tantas histórias ao mesmo tempo que se perdem em diversas vezes e não dão continuidades e nem finalizam nenhuma, todas ficam como pontas soltas. Várias histórias paralelas que tiram o foco da série, como essa briga das gangues de maconha. Todo esse envolvimento da Norma com o Nick Ford na tentativa de ajudá-la com a estrada nova, o que resultou em todo esses arcos de histórias paralelas, rasas, falhas e sem sentido. Tudo isso só para integrar cada vez mais personagens na série, o que fatalmente mascara a história principal e faz com que toda essa inserção de novos personagens faz com que os protagonistas apareçam menos.
Sobre o elenco: Vera Farmiga (atualmente em cartaz nos cinemas em "A Freira 2") é novamente o grande destaque da temporada. Dessa vez ainda mais atuante nos comportamentos e atitudes de Norman, o que começa a trazer cada vez mais problemas para ele. Mais uma excelente atuação de Vera Farmiga. Freddie Highmore ("The Good Doctor"), assim como a Vera, é também mais um belíssimo destaque da temporada. Nessa temporada o Norman começa a lidar com os seus constantes apagões, o que logo resulta em seus transes psicóticos. Ele passa a reviver e conviver cada vez mais com as memórias de sua mãe, ou seja, praticamente se transformando nela. Aquela cena no final da temporada, com ele esboçando aquele olhar e aquele sorriso, é sensacional. Nos mostra o grandioso talento que Freddie Highmore tem. Max Thieriot ("SEAL Team") está melhor nessa temporada e muito mais participativo. Ele tem participações cruciais em vários pontos importantes dentro da história. Nicola Peltz ("Transformers: A Era da Extinção") tem uma transformação gigantesca nessa temporada. Ela deixa de ser aquela patricinha mimada da primeira temporada e passa a ser uma personagem muito importante dentro do contexto da série. Aquelas cenas em que ela aparece descontrolada no carro e logo após se jogando da ponte, é genial. Sem falar na cena em que ela vai toda sedutora e vestida para matar - maravilhosa! Olivia Cooke ("Jogador Nº1") novamente tem sua importância dentro da temporada (assim como na anterior), mas eu confesso que esperava mais da sua personagem. Sinceramente, eu queria ver a Emma mais participativa nos pontos cruciais da história, que ela fosse mais fundamental (como no início da temporada passada, nas investigações sobre a garota asiática). Mas aqui me parece que ela tem seus momentos de destaques, tem novamente a sua paixão, mas no fim ela se sente excluída e passa a ser escanteada. Nestor Carbonell ("The Morning Show") tem uma participação muito mais relevante nessa temporada. O Xerife Romero tem participações mais fundamentais na história e sua aproximação com a Norma pode resultar em novas subtramas nas próximas temporadas. Não posso deixar de destacar a excelente participação de Paloma Kwiatkowski, que trouxe uma personagem muito importante para o desenrolar da temporada.
A segunda temporada de "Bates Motel" recebeu críticas positivas de críticos de televisão, e o episódio de estreia atraiu um total de 3,07 milhões de espectadores. A série foi renovada para uma terceira temporada depois que cinco episódios da segunda temporada foram ao ar. Por sua atuação, Vera Farmiga recebeu indicações para o Critics' Choice Television Award de Melhor Atriz em Série Dramática e o Saturn Award de 2014 para Melhor Atriz na Televisão.
A segunda temporada de "Bates Motel" recebeu uma pontuação de 67 em 100 no Metacritic, a partir de 11 comentários. O Rotten Tomatoes relatou uma classificação de 86% a partir de 12 comentários para a segunda temporada.
Apesar das falhas de roteiro e do desenvolvimento das histórias paralelas serem vagas e rasas, esta temporada continua em um bom nível de suspense, de mistério, conseguindo um bom aprofundamento no drama e na construção do terror psicológico. É interessante notar esse relacionamento que soa tóxico e doentio entre mãe e filho, o que logo nos leva a perceber que esse estado de possessão controladora da Norma é o principal fio condutor para o desenvolvimento dos comportamentos psicóticos do Norman. É também a partir dessa temporada que começamos a notar as principais diferenças comportamentais do Norman, o que logo resultará na sua transformação em um dos maiores maníacos e psicopatas da história do cinema.
Por fim, "Bates Motel" consegue novamente nos entregar uma boa temporada (por mais que persista no mesmos erros da anterior), com uma boa história central que começa a tomar o principal rumo da série, e uma boa construção em elementos que poderá ser melhor utilizados nas próximas temporadas. [24/09/2023]
"Bates Motel" foi criado por Anthony Cipriano e desenvolvido por Jeff Wadlow (diretor de "Quebrando Regras", de 2008), Carlton Cuse (produtor da série "Jack Ryan"), Kerry Ehrin (roteirista da série "The Morning Show"), e é produzido pela Universal Television e American Genre para a rede de TV a cabo A&E. A primeira temporada foi ao ar em 18 de março de 2013 com 10 episódios.
A série é vista como uma "prequela contemporânea" do clássico "Psicose", de Alfred Hitchcock, de 1960 (baseado no romance homônimo de Robert Bloch, de 1959), que retrata a vida de Norman Bates (Freddie Highmore) e sua mãe Norma (Vera Farmiga) antes dos eventos retratados no filme, embora em uma cidade fictícia diferente (White Pine Bay, Oregon, em oposição a Fairvale, Califórnia) e em um cenário moderno.
Após a misteriosa morte de seu marido, Norma Bates decidiu começar uma nova vida longe do Arizona, na pequena cidade de White Pine Bay, e leva o filho Norman, de 17 anos, com ela. Ela comprou um velho motel abandonado e a mansão ao lado.
Este ano eu finalmente consegui realizar um antigo desejo, que era ler a obra-prima de Robert Bloch, rever o clássico do mestre Hitchcock e assistir todos os filmes subsequentes da franquia "Psicose". Posso dizer que foi uma experiência incrível, uma das maiores experiências que eu já vivi em toda a minha vida literária e bibliófila. O livro é magnífico, excelente, uma verdadeira obra-prima da literatura sombria e um dos melhores livros que eu já li na vida. Já o clássico de 1960 fala por si só, simplesmente por ser um dos maiores suspense de toda a história do cinema, que foi conduzido justamente pelo mestre do suspense. Os filmes subsequentes não estão no mesmo nível, não estão na mesma prateleira do livro e do clássico. Eles seguem histórias próprias, paralelas e até continuações dentro do universo de "Psicose". O que pode até ser interessante, ou simplesmente horroroso, como é o caso do remake de 1998. E logo após ter lido o livro e assistido todos os filmes da franquia "Psicose", chegou a vez de conferir a série "Bates Motel", que também faz parte do universo e nos conta uma história sobre o início de tudo. Algo parecido com o que foi feito no filme "Psicose 4: O Começo", de 1990.
A série é bem intrigante e ao mesmo tempo interessante, pois obviamente ela constrói toda uma abordagem sobre o universo de "Psicose" servindo justamente como um prelúdio do clássico ao nos mergulhar naquela trama que futuramente irá nos nos contar sobre todo desenvolvimento de Norman Bates. Ou seja, a trama nos levará ao lado sombrio e psicótico entre a infância e a adolescência de Norman, explicando como o amor incontrolável de sua mãe ajudou a moldar um dos maiores maníacos e psicopatas da história do cinema.
O primeiro episódio já inicia de modo surpreendente com uma pessoa morta. Esta pessoa é simplesmente o pai de Norman, que está ali morto na garagem de forma bastante misteriosa (ou não, como vemos mais à frente na temporada). Logo após este início já temos um salto no tempo de 6 meses e chegamos até a cena da Norma chegando em seu mais novo Motel. O seu novo empreendimento antes tinha o nome de Seafarer's Motel, e em uma cena bem interessante vemos a troca do letreiro para Bates Motel. Por sinal a réplica que foi construída do Motel e da casa ficou excelente, com uma fidelidade ao clássico incrível. Este primeiro episódio já é um dos melhores da temporada por já nos confrontar com aquela sequência que vai desde a chegada do ex-proprietário do Motel (Keith Summers, interpretado por W. Earl Brown), passando pela invasão na casa, o estupro na Norma e a sua morte. Onde aconteceu em um momento de fúria incontrolável de Norma quando o esfaqueou brutalmente até a morte (por sinal, uma excelente cena). O episódio termina de forma intrigante ao revelar uma certa garota aprisionada.
O segundo episódio é muito revelador e diferente, eu diria. Simplesmente por acrescentar na trama a presença de Dylan Massett (Max Thieriot), o filho mais velho de Norma e meio-irmão de Norman. Pelo o que me consta, tanto pelo livro quanto pelo clássico sessentista, o Norman não tinha um meio-irmão assim dessa forma como foi abordado na série. Bem, achei interessante esse contexto trazido para a série. O episódio segue com os dramas e as aflições de Norman ao tentar se introduzir na nova cidade e conhecer novas pessoas. Como é justamente o caso do seu primeiro interesse - a jovem Bradley Martin (a belíssima Nicola Peltz). Aqui também fica claro que Norman tem muitos ciúmes da mãe e da forma como as pessoas se referem à ela. Até por isso vemos os constantes conflitos de Norman com Dylan.
O terceiro episódio segue mergulhado no mistério e no suspense pelo fato da polícia está no encalço da Norma pelo suspeita referente ao desaparecimento de Keith Summers. Aqui já temos vários envolvimentos na história; como é o caso do antigo dono do Motel parecer ter ligações com as garotas chinesas desaparecidas que está sendo investigada pela Emma Decody (Olivia Cooke). Logo essa ligação com o desaparecimento das garota cai sobre o policial Zach (Mike Vogel), pelo fato do Norman ter invadido sua casa procurando pelo cinto de Keith Summers, e ter sido confrontado com a garota oriental presa em seu porão.
A partir do quarto episódio temos cada vez mais revelações e acontecimentos surpreendentes. Norma está envolvida em uma verdadeira bola de neve, ao estar envolvida com o policial Zach como uma forma de se safar das investigações sobre a morte de Keith Summers. Por outro lado ela se recusa a acreditar em Norman sobre a possível garota presa no porão da casa de Zach. O que a leva a entrar em transe e levantar suspeitas sobre o estado mental e a sanidade de Norman com esta descoberta bizarra. Temos aqui a primeira transa de Norman, que aconteceu com a Bradley, e a prisão de Norma pelo assassinato de Keith Summers.
A história segue em uma verdadeira teia de aranha com cada vez mais confrontos: a garota oriental que era mantida como escrava sexual de Zach é encontrada e levada para o Motel. Zach por sua vez encontra a garota em um dos quartos do Motel e corre atrás dela pela floresta (não foi revelado, mas ao que tudo indica ele matou a garota). Logo após temos mais uma ótima sequência de cenas, que é todo confronto de Zach com a Norma e o Dylan na casa. O que termina brutalmente com um tiro no olho de Zach disparado por Dylan.
O desfecho do assassinato de Zach proposto pelo Xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) é tudo muito suspeito. Por fim temos a aparição de um hóspede misterioso no Bates Motel, que parece saber demais. Já o Norman passa a enfrentar as complicadas garotas populares e o descaso da Bradley com ele. Essa é um situação bem complicada: a Emma é apaixonada pelo Norman e vive correndo atrás dele, já ele se rasteja pela Bradley e ela passa a desprezá-lo. Sem falar que é tudo muito estranho essa repentina aproximação da Bradley com o Dylan.
No oitavo episódio é onde o Norman desperta o interesse pela taxidermia (animais empalhados), com o pai da Emma. No filme clássico temos toda a dimensão desse amor que ele tem por essa arte. Norma está mais preocupada com a possível construção da nova estrada principal, o que vai mudar o trajeto das pessoas que passariam pelo seu Motel. A relação de Norma e Dylan parece melhorar. O episódio termina com aquele cadáver do Zach na cama da Norma.
O nono e o décimo episódio é a construção (e ligação) do fechamento dessa temporada. Norma sofre com as constantes ameaças de Jake Abernathy (Jere Burns), o hóspede misterioso. Norma decide que quer vender o Motel e recomeçar a vida novamente no Havaí, mas o Norman não quer ir. Norman por sua vez está cada vez mais apegado na cadela empalhada. E temos aquela cena onde a Norma vai ao encontro de Jake e é surpreendida pelo Xerife Alex confrontando justamente o Jake. Que termina com o Xerife dando um tiro em Jake.
Sobre o elenco: Vera Farmiga (atualmente em cartaz nos cinemas em "A Freira 2") é sensacional, é sem dúvida a principal e mais destacável da série. É realmente impressionante como a Vera escolhe bem as suas personagens e sempre eleva o nível em cada trabalho apresentado. Em "Bates Motel" ela se encaixa como um luva na pele da Norma Louise Bates mais jovem. Ela traz esse lado mais jovial da mãe do Norman, que pretende recomeçar sua vida após os recentes acontecimentos, que mantém os seus dramas e os seus conflitos íntimos, justamente ao confrontar os seus traumas em relação à criação do jovem Norman.
Já o Freddie Highmore ("The Good Doctor") é outro que também se encaixa como uma luva na pele da versão adolescente do lendário Norman Bates. Caracteristicamente falando, o Freddie traz uma versão impecável do Norman jovem, que está se descobrindo, que está se conhecendo, que está conhecendo o mundo ao seu redor e as pessoas (e principalmente as garotas) ao seu redor. O Norman de Freddie pode soar como ingênuo, inocente, inexperiente, indefeso, tímido, ao mesmo tempo também soa como misterioso, enigmático, introspectivo e principalmente letal - como vimos na cena final do décimo episódio com aquele assassinato brutal da Srta. Watson (Keegan Connor Tracy).
Max Thieriot ("SEAL Team") começa em um ritmo mais morno em seu personagem Dylan, até pela forma como ele entra na série. Porém, com o passar dos episódios vamos nos afeiçoando à ele, vamos conhecendo ele melhor, vamos entendendo melhor os seus dramas e seus traumas. No fim da temporada ele já passa a ser um personagem que nos importamos. Nicola Peltz ("Transformers: A Era da Extinção") traz uma personagem que faz o caminho inverso do Dylan. A Bradley Martin é uma personagem que eu até simpatizei no início, que eu acreditava no seu drama em relação a terrível morte de seu pai, porém com o tempo eu fui começando a questionar as suas atitudes com o Norman e principalmente a sua aproximação com o Dylan. No fim ela não passou de uma patricinha mimada que usou o Norman no momento em que ela estava frágil e vulnerável. Olivia Cooke ("Jogador Nº1") com sua personagem Emma Decody me fez vê-la ao inverso da Bradley. Justamente por ela se apegar verdadeiramente ao Norman, por ela realmente criar um amor verdadeiro por ele, que realmente se importava com ele e não queria só usá-lo. Por fim ela vivia correndo atrás do Norman na intenção dele notar a presença dela, e ele não tirava a Bradley da cabeça. O que uma transa não faz!
"Bates Motel" acerta muito bem no suspense, no mistério, no enigmático e na construção do drama. Acredito que em si a história é sobre o amor incondicional de uma mãe por seu filho. Temos um relacionamento que é explorado através da premissa de que o jovem é excessivamente temperamental e ambos estão cercados por um ambiente com problemas, que os conduz ao extremo. No caso, cada um ali presente tinha os seus medos, os seus traumas, os seus conflitos e os seus dramas. Principalmente no caso da Norma e do Norman, que ora pareciam muito próximos e apegados, ora pareciam distantes e completamente diferentes.
Porém, tem alguns pontos dentro dessa temporada que me incomodou bastante: como o fato da história ser modernizada para a atualidade e se passar em um cenário moderno, onde temos os avanços tecnológicos como o uso constantes de notebooks e afins. Eu até entendo esse avanço na modernização da série, até para se encaixar com o público atual, mas particularmente eu não consegui engolir e me adaptar com essa proposta dentro do universo de "Psicose" (algo parecido com o que me aconteceu com a versão modernizada do filme "Carrie - A Estranha", de 2013). Outro ponto que me incomodou (aqui eu já acho uma falha mesmo da série), é o fato de cada história ser mal desenvolvida, mal planejada, vaga, rasa, pobre, sem um aprofundamento que pudéssemos sentir o peso de cada acontecimento de cada personagem envolvido. Por exemplo: temos três personagens com histórias distintas que começou e terminou nessa temporada, e de forma totalmente rasa e aleatória. Que é o caso da personagem Jiao (Diana Bang), a garota presa no porão, o Zack Shelby e o Jake Abernathy. Sinceramente eu não sei o que os roteirista pretendiam, mas acredito que eles queria impactar, queriam nos surpreender com mortes repentinas quando não estivéssemos esperando, com de fato aconteceu. Eu entendo o fato de não quererem construir uma temporada ou mais elaborando subtramas e desenvolvendo histórias paralelas com a trama central, mas você não pode simplesmente jogar vários personagens em uma série, tentar construir uma história diferente pra cada um, onde você desperta o interesse do espectador, e simplesmente decidir matar os personagens assim do nada, só pra gerar impacto sem a mínima coerência. Eu achei um erro grotesco do roteiro da série.
Tecnicamente a série é muito boa! Acredito que a direção de arte é o principal destaque aqui, e muito por construir cenários fiéis com o clássico e encaixá-los com harmonia na forma moderna adotada pela série. A fotografia é bem destacada, bem organizada, muito bem projetada em cada cena. Assim como a trilha sonora, que acompanha bem a série em sua versão modernizada.
"Bates Motel" é a série dramática com roteiro original de maior duração na história do canal A&E. Os atores principais da série, Vera Farmiga e Freddie Highmore, receberam elogios especiais por suas atuações na série, com a Vera recebendo uma indicação ao Primetime Emmy Award e ganhando o Saturn Award de Melhor Atriz de Televisão. A série também ganhou três People's Choice Awards de Drama Favorito de TV a Cabo e de Atriz Favorita de TV a Cabo (Vera Farmiga) e Ator (Freddie Highmore).
A primeira temporada recebeu críticas positivas dos críticos: no Metacritic, a temporada detém uma pontuação de 66 em 100, com base em 34 críticos, indicando "críticas geralmente favoráveis". No agregador de resenhas Rotten Tomatoes, a temporada tem uma classificação de 84% "fresco certificado" com uma pontuação média de 7,11/10, com base em 43 resenhas. O consenso crítico do site diz: "Bates Motel utiliza manipulação mental e táticas de medo de suspense, além de um trabalho de personagem consistentemente nítido e relacionamentos familiares maravilhosamente desconfortáveis".
A primeira temporada de "Bates Motel" é muito boa, muito bem apresentada, com um início bastante cativante, onde conta com um ótimo elenco e ótimas apresentações. Acredito que a temporada deixa muito a desejar no quesito roteiro, por querer contar várias histórias todas ao mesmo tempo e no fim não desenvolver e não finalizar nenhuma com coerência e relevância. Porém, ainda assim eu acredito que a série tem potencial para desenvolver melhor os roteiros das próximas temporadas e entregar uma série que no fim honre o nome de uma das maiores franquias de suspense de todos os tempos - "Psicose". [03/09/2023]
A quinta e última temporada de "Breaking Bad" estreou em 15 de julho de 2012 e foi concluída em 29 de setembro de 2013 na AMC nos Estados Unidos e Canadá. A temporada de 16 episódios é dividida em duas partes, cada uma contendo oito episódios. A primeira parte da temporada foi transmitida de 15 de julho a 2 de setembro de 2012 e foi ao ar aos domingos às 22:00 horário do leste dos EUA. A segunda parte foi transmitida de 11 de agosto a 29 de setembro de 2013 e foi ao ar aos domingos às 21:00.
Na vida é muito difícil encontrarmos algo perfeito, uma obra perfeita, ainda mais quando estamos se referindo ao audiovisual, que é justamente o caso aqui. "Breaking Bad" é uma série que eu aprendi a amar desde o seu lançamento lá em 2008 e hoje, ao finalizar o 16ª episódio da última temporada, eu só pude comprovar a magnífica obra de arte da história dos seriados de TV que a série sempre foi. Sem nenhuma dúvida "Breaking Bad" é a melhor série do século, a verdadeira obra-prima das séries e está simplesmente entre as melhores séries já criadas em toda a história, sendo completamente perfeita em todos os sentidos.
A quinta temporada é icônica, é emblemática, é completamente apoteótica! O primeiro episódio já inicia de forma catártica ao nos revelar aquela versão quase irreconhecível do Walter White (Bryan Cranston) com barba e cabelo sendo chamado pelo codinome de "Lambert", que estava naquele local negociando armas. Logo tomamos conhecimento da atualidade com Walter tendo que conviver com o assassinato do Gus (Giancarlo Esposito). Skyler (Anna Gunn) está muito assustada com os últimos acontecimentos. Mike (Jonathan Banks) está se recuperando do tiro que ele levou na temporada passada. Walter quer encontrar as gravações do laboratório de metanfetamina que o Gus fazia. A partir dessa busca, Walter, Mike e Jesse (Aaron Paul) decidem que precisam destruir o laptop do Gus que foi apreendido pela polícia. Eles utilizam aquele ímã gigante e poderoso para conseguir destruir todas as evidências e provas que estava no laptop (por sinal, uma belíssima cena). Ainda no primeiro episódio somos confrontados com o Ted (Christopher Cousins) em estado terminal em uma cama de hospital pelos seus acontecimentos da temporada passada. Curioso que no final do episódio o Walter diz para a Skyler que ficou sabendo o que aconteceu com o Ted e revela para ela que a perdoa.
O segundo episódio começa bastante curioso e intrigante ao nos revelar uma cena em uma cozinha de teste na "Eletromotriz Madrigal", onde o executivo Peter Schuler realiza sua última "refeição" e caminha para o banheiro para cometer suicídio. No caminho, deparamos com a remoção do logo dos "Los Pollos Hermanos" (a marca do Gus), mas antes, vimos outros logos, respectivos às outras empresas financiadas pela Madrigal. Nesse mesmo episódio Jesse encontra aquele cigarro de "ricina" que ele achou que o Walter havia roubado para envenenar o garoto Brock na temporada passada. Jesse entra em uma crise de consciência, um verdadeiro remorso. Muito interessante que nesse episódio temos a revelação que Mike foi um ex-policial no passado na Filadélfia. Hank (Dean Norris) está agora no encalço do Mike, querendo arrancar informações dele. Como o Mike perdeu todo o seu dinheiro que ele havia reservado para sua neta, e como o Walter quer voltar a cozinhar a metanfetamina, eles se juntam para voltar com a velha produção.
Os episódios seguintes são bastante reveladores e surpreendentes: Temos uma personagem bastante enigmática e misteriosa - Lydia (Laura Fraser). Temos uma versão da Skyler completamente perturbada e descontrolada, por todos os acontecimentos que ela está enfrentando com Walter. Tanto que temos uma cena em que ela surta com a Marie (Betsy Brandt) e a outra que ela decide se afogar na piscina na frente de todos. Walter e Jesse voltam a produzir a metanfetamina utilizando dessa vez os locais que estavam fechados para dedetização (ótima ideia e bela jogada do Walter). Por fim temos aquela cena emblemática do roubo de metilamina (que é utilizada na produção da metanfetamina ) no trem, com a presença de Walter, Jesse, Mike e Todd (Jesse Plemons). Que cena magnífica, icônica, apoteótica, um roubo no maior estilo de "Velozes e Furiosos" e "Red Dead Redemption 2".
No final do episódio do roubo do trem, Todd dá um tiro em um garoto que sem querer acaba vendo todos os integrantes daquela ação. O que logo desperta um estado de fúria e comoção em Jesse, que sempre se revoltou quando o assunto era atacar os garotos. Diante desse acontecimento, Jesse revela para Walter que deseja sair da parceria de produção de metanfetamina, assim como o próprio Mike, que também deseja abandonar o barco. Nesse ponto temos aquela parte onde cada um decide que quer vender a sua parte nos galões de metilamina e sair da parceria com Walter, mas Walter está mais ambicioso do que nunca, ele não quer só o dinheiro para deixar para sua família, como ele queria quando começou no ramo, ele quer ser a referência e construir um império de metanfetamina.
No sétimo episódio temos uma das cenas mais icônica e emblemática de toda a história de "Breaking Bad". Que é justamente a cena do Walter indo pessoalmente negociar com o Declan (Louis Ferreira) para ele ser o seu distribuidor de metanfetamina, onde temos a famigerada cena: "Say My Name". Há muito tempo que Walter já rompeu todos os limites da compaixão, da empatia, da misericórdia, está cada vez mais no lado sombrio, obscuro, com uma ambição incontrolável e destruível. Walter não tem mais nenhum limite em relação ao seu desejo de tomar o lugar que era do Gus, em ser o novo Manda-Chuva, o Big Boss, construindo o seu verdadeiro império de metanfetamina.
O oitavo episódio é outro episódio surpreendente e emblemático, pois é quando temos aquele confronto do Walter com o Mike, o que resulta na morte do Mike pelo Walter (não perdoo o Walter, eu gostava muito do Mike). Interessante que após o Walter assassinar o Mike ele está sentado e se depara novamente com aquela famigerada mosca, e bem em um momento que ele está em uma guerra pessoal com sua consciência. Jesse se afasta de Walter e Todd está como o seu mais novo pupilo, aprendendo o processo da produção de metanfetamina. Está cada vez mais nítido que Walter não precisa de mais dinheiro, ele não tem mais aonde guardar. E é exatamente este o pedido que a Skyler faz para ele, que ele pare de produzir a metanfetamina. Diante desse pedido, Walter finalmente decidi se aposentar da produção. O episódio termina de forma muito intrigante, com o Hank tentando ligar os pontos e chegando na pista WW, que liga diretamente com Walter White.
O nono e o décimo episódio são completamente surpreendentes! Hank está transtornado com a possibilidade que ele levantou sobre o seu algoz ser mesmo o Walter. Jesse por sua vez está completamente perturbado, transtornado e em crise ao descobrir que foi realmente o Walter o responsável pelo envenenamento do garoto Brock. Sendo assim ele entra em um profundo estado de descontrole emocional e mental e sai atirando os maços de dinheiro pelas ruas. O cerco está cada vez mais se fechando ao redor do Walter e Hank finalmente descobre toda a verdade sobre seu cunhado: Walter White matou o Gus e ele é a personalidade que Hank esteve na caça por mais de um ano, se revelando como o verdadeiro "Heisenberg". O episódio termina de forma apoteótica!
A partir do momento que Hank descobre que Walter é o "Heisenberg" ele parte para cima da Skyler, a pressionando e a coagindo para que ela revele tudo que sabe a respeito do marido. Porém, inicialmente Skyler não revela nada para o Hank, o que muito me surpreende esta sua postura. Para tentar reunir provas ao invés de suspeitas, Hank decidi ir ao encontro de Jesse, que estava transtornado ao ponto de colocar fogo na casa do Walter. Realmente o Jesse está em seu limite, está tomado por um sentimento de culpa, de revolta, de remorso, de tristeza, uma forte crise existencial. Dessa forma Hank tenta uma espécie de acordo com Jesse, afinal ambos querem pegar o Walter.
No décimo primeiro episódio temos a revelação que o Câncer de Walter voltou, e logo ele tem um desmaio no banheiro e revela mais tarde para seu filho Jr. É nesse episódio que temos aquele icônico vídeo do Walter incriminando o Hank com a sua participação em seu império de metanfetamina. Vou confessar que eu achei essa ideia incrível, genial, ousada, que só poderia ter saído da mente brilhante do "Heisenberg". Sem falar na ligação que ele fez com o dinheiro que a Marie usou no tratamento e recuperação do Hank como prova do seu envolvimento em todo o esquema. O que obviamente deixa o Hank completamente transtornado e desacreditado.
Os últimos episódios da temporada são magníficos, atinge um alto nível que eu nunca vi em nenhuma outra série. Temos aquela armadilha que o Hank e o Jesse prepara para o Walter com a foto do tambor com seu dinheiro, o que o obriga a ir até o local no deserto em que todo o seu dinheiro está enterrado (por sinal, é o mesmo local que o Walter e o Jesse começaram a cozinhar a metanfetamina lá na primeira temporada). Temos aquela cena absurda dos tiroteios no deserto entre o Hank e o agente Gómez contra a gangue do Tio Jack. Jack Welker (Michael Bowen) é o tio do Toddy, que lidera o grupo de neonazistas sempre fazendo trabalhos encomendados por outros. O grupo aparece de acordo quando Walter pede uma ajuda para eliminar o Jesse em troca de ensinar o Todd a produzir a metanfetamina mais pura possível. O episódio termina com a surpreende morte do Hank com o tiro disparado pelo Tio Jack.
Ozymandias é o décimo sexto episódio, o episódio final da série "Breaking Bad". Este episódio é incrível, icônico, emblemático, apoteótico. É um episódio que fecha com chave de ouro toda a saga de "Breaking Bad", que nos faz revelações surpreendentes, que nos impacta e nos emociona, que nos desperta todos os mistos de sentimentos que estavam guardados por muito tempo. Aquela cena da metralhadora no porta-malas do carro estraçalhando todo mundo na casa é absurdamente incrível, genial e bizarra. Uma cena completamente apoteótica. Ozymandias é sem dúvida um dos melhores episódios de toda a história dos seriados de TV, e ainda com um fechamento que traz um final catártico.
Sobre o icônico elenco de "Breaking Bad". Bryan Cranston é um gênio, um mestre, um lord. Ele soube incorporar um personagem com maestria, com elegância, com grandeza, com uma competência absurda e antológica. Bryan Cranston deu vida para o Walter White, que é incontestavelmente um dos melhores personagens de séries de todos os tempos! Assim como o icônico "Heisenberg", que é simplesmente uma das maiores personalidades do mundo do entretenimento e da cultura pop. Anna Gunn é uma atriz genial e poderosa. É realmente incrível a forma como a Anna conseguiu criar e interpretar uma personagem que transcendia todos os limites de uma simples mãe de família. Que soube se reinventar a cada episódio, a cada temporada, sempre entregando uma personagem que era amada e odiada praticamente ao mesmo tempo. Nessa quinta temporada a Anna Gunn está no ápice da sua personagem, conseguindo nos comover e nos impactar com um trabalho impecável e irretocável.
Aaron Paul é sem dúvida o personagem mais desacreditado do início da série. Acredito que o público (assim como eu) no início teve um pouco de pé-atrás com ele ao interpretar o jovem viciado Jesse Pinkman. Talvez por não conhecer muito do seu trabalho, talvez apenas por desconfianças mesmo, mas devo dizer que ele surpreendeu todo um planeta ao incorporar o Jesse. Aaron Paul é o ator que mais cresceu dentro da série, que mais desenvolveu o seu personagem ao longo das temporadas, que provou ser o ator magnífico que é pela competência de um trabalho fenomenal e impecável. Nessa quinta temporada o que o Aaron Paul entrega na pele do Jesse é absurdo, principalmente no quesito peso dramático e carga dramática - como podemos comprovar naquela cena absurda em que ele presencia o assassinato da Andrea (Emily Rios) - que cena impactante! Dean Norris é um ator que eu gosto muito e aqui como Hank Schrader ele sempre foi colossal. Dean soube construir um personagem que facilmente poderíamos criar uma grande empatia, principalmente pelo seu grande crescimento e relevância dentro do contexto de toda a história. E o mais interessante em seu personagem é exatamente esse jogo de gato e rato com Walter, sempre no encalço da sua maior missão enquanto agente da DEA, que sempre esteve ali na frente do seu nariz, embaixo do próprio teto. Hank Schrader é mais um personagem icônico desse universo de "Breaking Bad", e tudo graças ao trabalho fantástico de Dean Norris.
Bob Odenkirk é sem dúvida a personificação do personagem mais hilário de toda a série - o grande Saul Goodman. Já o Jonathan Banks trouxe aquele personagem que também tem um crescimento absurdo na série, indo na mesma linha de crescimento do Hank. Mike sempre esteve na defesa do Gus, sempre funcionava com o seu cão de guarda, porém nessa temporada observamos mais do outro lado do Mike, sem aquela casca que ele sempre carregava. Betsy Brandt trouxe uma personagem que ora funcionava no contexto da série, ora fica mais escanteada, mas no geral a Marie foi fundamental na construção final das motivações do Hank. RJ Mitte é outro ator muito bom, que também contribuiu diretamente para a grandeza da série, e nessa temporada o Walter Jr. foi primordial ao tomar a atitude em relação ao pai. E pra finalizar temos a excelente participação do Jesse Plemons (novinho na época), que também teve a sua contribuição fundamental na série.
Precisamos voltar a falar de Walter White: É incrível a grandeza desse personagem na série, é incrível como ele toma uma postura inicial e aos poucos vai deixando de lado, se descaracterizando, se desconstruindo. Aquele simples professor de química do ensino médio mal pago, superqualificado e desanimado que está lutando com um diagnóstico recente de câncer de pulmão. Que decide usar das suas extremas habilidades químicas para produzir uma metanfetamina mais pura o possível para deixar sua família estável financeiramente quando ele morrer. Este é um ponto abrangido com maestria na série: a desconstrução do ser humano, a ambição humana, a supervalorização, a briga de ego, a forma como uma pessoa deixa de lado todos os seus princípios e se torna um monstro, um sociopata, muda de personalidade, se entrega ao desejo incontrolável da ambição, ao lado sombrio e com uma mudança obscura em seu caráter.
É incrível como até hoje muitas pessoas se frustram ao ver a forma como o Walter se tornou dentro da série e principalmente a forma como ele termina. Muitos acham que a série não deveria ter transformado o Walter em um monstro, mas o Walter White sempre foi um monstro, ele só não tinha desenvolvido esse seu lado. Ele sempre teve aquele complexo de superioridade, de ser o centro das atenções, sempre com a mesma desculpa que tudo que ele fazia era pela sua família. Talvez no início até poderia ser, mas depois só constatamos que não, que ele fez tudo aquilo porque ele queria e porque ele gostava. Como observamos naquela conversa com a Skyler, que ele revela para ela que fez aquilo por ele, porque ele quis, porque ela achava bom ser o mais inteligente, ser o superior, construir o seu império, inflar o seu ego. Ou seja, Walter White sempre foi o "Heisenberg".
Tecnicamente e artisticamente a temporada e a série é completamente impecável! O roteiro de "Breaking Bad" é estupidamente perfeito, Vince Gilligan aplicou uma genialidade absurda ao escrever um texto tão competente, tão abrangente, tão magnífico. O mesmo vale para a direção da série, que foi feita sempre de forma impecável. A trilha sonora da série sempre foi um destaque, sempre foi um show à parte, sempre foi relevante no quesito inovação e criatividade. O elenco é outro show, é uma obra-prima, daqueles elencos memoráveis, que vai ficar em nossa mente pelo resto de nossas vidas. O mesmo vale para cada personagem que foi criado e construído na série, que atingiu um nível de grandeza e excelência nunca visto anteriormente em questões de seriados de TV. A cinematografia da série é outra perfeição, sempre com um fotografia que nos maravilhava em cada temporada, em cada episódio, em cada cena, um nível de genialidade que não se vê mais hoje em dia.
"Breaking Bad" recebeu críticas positivas, enquanto o restante recebeu aclamação unânime da crítica, com elogios às performances, direção, cinematografia, roteiro, história e desenvolvimento de personagens. Desde sua conclusão, a série foi elogiada pela crítica como uma das maiores séries de televisão de todos os tempos. Teve uma audiência razoável em suas três primeiras temporadas, mas a quarta e a quinta temporadas tiveram um aumento moderado na audiência quando foi disponibilizado na Netflix pouco antes da estreia da quarta temporada. A audiência aumentou drasticamente após a estreia da segunda metade da quinta temporada em 2013. Quando o final da série foi ao ar, estava entre os programas a cabo mais assistidos da história da televisão americana.
"Breaking Bad" recebeu inúmeros prêmios, incluindo 16 Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Golden Globe Awards, dois Peabody Awards, dois Critics' Choice Awards e quatro Television Critics Association Awards. Bryan Cranston ganhou o Primetime Emmy Award de Melhor Ator Principal em Série Dramática quatro vezes, enquanto Aaron Paul ganhou o Primetime Emmy Award de Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática três vezes; Anna Gunn ganhou o Primetime Emmy Award de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática duas vezes. Em 2013, "Breaking Bad" entrou no "Guinness World Records" como o programa de TV mais aclamado pela crítica de todos os tempos.
A série deu origem à maior franquia "Breaking Bad". "Better Call Saul" é uma série prequela com Bob Odenkirk, Jonathan Banks e Giancarlo Esposito reprisando seus papéis em "Breaking Bad", bem como muitos outros em participações especiais e recorrentes, estreou na AMC em 8 de fevereiro de 2015 e foi concluída em 15 de agosto de 2022. Uma sequência O filme "El Camino: A Breaking Bad Movie", estrelado por Aaron Paul, foi lançado na Netflix e nos cinemas em 11 de outubro de 2019.
"Breaking Bad" estreou na AMC em 20 de janeiro de 2008 e foi concluído em 29 de setembro de 2013, após cinco temporadas com 62 episódios.
Por fim, chegamos ao final da melhor série de TV que eu já assisti em toda a minha vida. "Breaking Bad" é simplesmente o suprassumo, a quinta-essência, o masterpiece da história das séries. Uma obra completamente impecável, irretocável, perfeita, triunfal, atemporal, relevante, influente, antológica, colossal, apoteótica, emblemática e icônica.
Simplesmente a melhor série de todos os tempos!
Vince Gilligan eu te amo!
(R.I.P. Mark Margolis - nosso eterno Hector Salamanca) [19/08/2023]
"Breaking Bad" é a única série que mantém uma crescente em cada temporada. Ou seja, cada temporada é um desenvolvimento da anterior, cada história é melhor desenvolvida na temporada seguinte, cada acontecimento que nos surpreende na temporada passada é cada vez mais impactante na próxima temporada. Por esses fatos que eu considero "Breaking Bad" como uma série impecável, por sempre elevar o nível em cada temporada, por sempre manter uma linha de interesse e desenvolvimento totalmente coerente e relevante, por sempre nos prender com um roteiro fabuloso, inteligente, dinâmico, bem estruturado e bem desenvolvido.
Como sempre afirmei: cada temporada é surpreendente e supera a temporada anterior, e esta quarta temporada não seria diferente.
No final do décimo terceiro episódio da temporada passada fomos surpreendidos com todos os acontecimentos em volta do Walter (Bryan Cranston) e do Jesse (Aaron Paul) relacionados ao Gus (Giancarlo Esposito). O episódio termina exatamente com o Jesse disparando contra o Gale (David Costabile) em seu apartamento. A partir desse fechamento de temporada que fica inúmeras perguntas como: será que o Jesse realmente acertou o tiro em Gale? Ou será que ele só quis assustá-lo? Se ele realmente matou o Gale qual será a postura do Gus a partir dessa afronta? Como ficará a vida de Jesse e principalmente do Walter na próxima temporada?
O primeiro episódio da quarta temporada já nos revela grande parte das respostas para todas essas perguntas: Jesse realmente acertou o tiro na cabeça do Gale. Gus se sentiu ameaçado e resolveu mostrar quem manda no pedaço ao construir aquela cena bizarra, onde ele corta a garganta do Victor (Jeremiah Bitsui) com um estilete a sangue frio na frente do Jesse e do Walter. Por sinal mais uma cena emblemática da série, pois é a primeira vez que eu vejo o Gus cometendo um assassinato daquela forma e naquela pompa, com requintes de crueldade e muita classe.
A partir do segundo episódio entramos de cabeça naquele jogo de gato e rato do Walter contra o Gus. A desconfiança e a incerteza de Walter faz com que ele compre uma arma para tentar se defender, tanto do Gus como até do próprio Mike (Jonathan Banks). Jesse por sua vez liga o modo foda-se e passa a viver uma vida de festas e drogas em sua casa que no momento mais se parece com um chiqueiro. Skyler (Anna Gunn) parece ter deixado um pouco de lado o Ted (Christopher Cousins) e se concentrar totalmente na compra do lava-rápido. Por sinal todo o empenho da Skyler em fazer aquela jogada de fiscalização para fechar o lava-rápido e facilitar a sua compra foi uma ideia genial, acredito que uma das melhores jogadas que ela já fez em toda a série.
Outro ponto interessante dessa temporada é o fato da própria Skyler voltar a se entender com o Walter após aquela sua postura traidora da temporada anterior. Lógico que a Skyler está agindo por interesse próprio, mas confesso ter gostado de vê-la junto do Walter novamente. E aqui já temos uma Skyler cada vez mais empenhada na lavagem de dinheiro no lava-rápido, onde a própria chega a revelar toda a armação do Walter ser um jogador para o Hank (Dean Norris). Logo eles voltam a transar depois de algum tempo, para oficializar e comemorar o esquema de lavagem de dinheiro. Temos aqui praticamente uma nova versão de Bonnie e Clyde.
Uma grande jogada do Gus nessa temporada foi voltar sua atenção para o Jesse, que estava frágil, vulnerável, com um psicológico e uma mente perturbada. É nessa hora que o Gus quer usar o Jesse para vê se ele pode ser confiável para o seu projeto de matar o Walter e assumir o laboratório de metanfetamina. E o mais interessante é saber que de fato o Jesse está tentando se provar útil na missão com o Mike para chegar até o Gus, já que o próprio Jesse está com a ideia de matar o Gus com o veneno do cigarro.
Hank foi um personagem extremamente importante na temporada passada, e agora ele está se recuperando e voltando na ativa das suas investigações. Todos nós sabemos que a maior obsessão de Hank sempre foi o enigmático e misterioso Heisenberg, e é a partir das investigações das pista encontradas no apartamento do Gale que ele passa a suspeitar do todo poderoso Gustavo Fring. O cerco está se fechando contra o Gus, a DEA está em seu encalço. Já o Gus por sua vez é um ser extremamente hábil, inteligente, liso, astuto, aquele que escapa por entre os dedos, por onde não tem saídas. Naquela cena do interrogatório o Gus sequer titubeava nas respostas, sempre muito seguro de si. É muito interessante toda aquela revelação do passado do Gus, mostrando o porque não se acha mais vestígios dele no Chile, pois foi tudo apagado. É surpreendente a grande rivalidade (ou ódio) de Gus com Hector Salamanca (Mark Margolis) e Don Eladio (Steven Bauer).
Os últimos cinco episódios da temporada são ainda mais colossais e apoteóticos: temos o Walter fazendo de tudo para conseguir despistar a atenção do Hank em relação à investigação do Gus. Temos a volta do asqueroso Ted onde a Skyler o ajuda com uma parte do dinheiro do Walter (para todo seu desespero). Temo o Gus sendo forçado a manter (pelo menos inicialmente) um acordo com o Cartel Mexicano. E o final do décimo episódio é estratosférico, com aquela presença em território Mexicano do Gus, Mike e Jesse enfrentando o Don Eladio e sua trupe.
A partir do décimo primeiro episódio é onde o Gus afirma diretamente para o Walter que toda a sua família está ameaçada caso ele interfira na missão de acabar com o Hank. Temos grandes reviravoltas nos últimos episódios da temporada, como o fato do Gus entrar na mente do Jesse para que ele concorde com a morte do Walter, e se possível até executá-lo. Temos todos os acontecimentos envolvendo o possível envenenamento do garotinho Brock, o filho de Andrea (Emily Rios), que Jesse acreditava ter sido o Walter o responsável. Também acompanhamos a aproximação de Walter com o Tio Salamanca, como para usá-lo para conseguir matar o Gus, já que o Tio Salamanca também queria uma vingança contra o próprio Gus. Diante disso chegamos em uma das cenas mais emblemáticas e apoteóticas de toda a história da série "Breaking Bad". Que é justamente a cena da explosão da bomba na cadeira de roda do Tio Salamanca, que atinge tanto o Tio quanto o próprio Gus. Esta cena é icônica, principalmente por nos mostrar todo requinte e elegância de um verdadeiro gentleman do Gus antes de morrer. Senhoras e senhores, que cena!
Walter White é o verdadeiro vilão de toda a história. Ele é o vilão do Jesse, ele é o vilão da Skyler, ele é o vilão do Hank, ele é o vilão de sua própria família, ele é o vilão dele próprio. Aquele Walter omisso, indefeso, preocupado, resguardado, tentando ser inofensivo, já não existe mais. Walter está mais do que nunca tomado pela ambição, pela escuridão, pela destruição, assumindo todos os riscos, enfrentando tudo e todos, tomado pela sede insaciável de vingança e poder. Walter está longe daquele pai, daquele esposo, daquele professor, daquele herói para seu filho, ele já é a personificação do traficante, do assassino, sempre traçado como um ser vingativo, cruel e impiedoso.
Nessa temporada temos várias atitudes do Walter que nos faz olhar para ele de um forma ainda mais diferente das temporadas anteriores. Posso citar a parte do possível envenenamento do Brock, que pode sim de fato ter sido o Walter como uma forma de trazer o Jesse novamente para o seu lado no império da metanfetamina (algo um pouco parecido com o que aconteceu com a Jane na segunda temporada). Walter não se preocupa mais em atacar seu algoz, mesmo que isso interfira diretamente em pessoas inocentes e indefesas. Nesse caso do Brock, ele sobreviveu por causa da percepção do Jesse, porque se dependesse do Walter ele realmente teria morrido. Sem falar que temos algumas cenas em que mostra um Walter totalmente perturbado e fora de si, praticamente incorporando um Coringa: como na cena que a Skyler fala para ele que deu o dinheiro para ajudar o Ted e ele cai na gargalhada, e no último episódio, quando ele faz toda armação para acabar com o Gus e consegue. Ali vemos um Walter tomado pelo desejo de vingança a qualquer custo, principalmente na cena que ele vai até o laboratório e salva o Jesse e logo após ele destrói o laboratório, e ainda liga para Skyler para dizer: "Eu Venci" - com aquele ar de soberano.
Elogiar o Bryan Cranston como Walter White é praticamente chover no molhado. Então vou escrever aqui o mesmo que escrevi nas temporadas passada: "Bryan Cranston é incontestavelmente um dos melhores personagens de séries de todos os tempos!" Anna Gunn e sua eterna personagem "ame ou odeie". Confesso que na temporada passada eu tive mais raiva da Skyler, pois eu não aprovava as suas atitudes, mas nessa temporada ela volta a me agradar em grande parte. Talvez a única parte em que eu não aprovei sua decisão foi na parte em que ela decide dar o dinheiro para ajudar o Ted. Mas de qualquer forma é aceitável que ela tome esta decisão, afinal de contas as fraudes poderia chegar até ela, uma vez que ela fez parte de todo o esquema junto com o Ted.
Aaron Paul sempre impecável e surpreendente: Jesse é um misto de sentimentos em cada temporada, pois ele tem o dom de nos impactar com variações mais dramáticas, mais agressivas, mais perturbadas, e aqui ele está exatamente dentro desse padrão. Nessa temporada temos um Jesse que inicialmente liga o modo foda-se e quer viver na esbórnia da sua casa. Logo após ele quer se provar útil e não descartável. Depois ele é tomado pela fúria do drama do acontecimento com o pequeno Brock. E no final o vemos novamente fortalecendo os laços com o Walter. Ou seja, mais uma temporada irretocável de Aaron Paul como Jesse Pinkman. Dean Norris Não tem a mesma proporção da temporada passada, até pelos acontecimentos que ocorreu com ele, mas ainda assim ele se mostra extremamente importante, principalmente em pegar os atalhos da investigação do assassinato do Gale para chegar no Gus. Giancarlo Esposito é talvez o personagem mais importante de toda a temporada depois do Walter. Gus é aquele vilão perfeito, com uma postura perfeita, com atitudes perfeitas, que nunca desperta suspeitas. Um homem pomposo, requintado, elegante, influente, extremamente educado, que tinha nas mãos todos os seus negócios, todos os seus rivais e, principalmente, a polícia. Gus sempre estava um passo na frente de tudo e de todos, que mantinha um discurso com um alto poder de persuasão, se destacando como um líder, como um chefe, como um pastor de uma igreja, que tinha todos os seus féis e seus seguidores dentro do seu regime. Giancarlo Esposito está magnífico na pele do envolvente e poderoso Gustavo Fring.
Bob Odenkirk é muito hilário na pele do envolvente Saúl Goodman. Incrível como o Saúl é um personagem importante dentro de todo o contexto da história. Por mais que ele não esteja sempre no foco, mas ele ataca sempre na hora certa, sempre com bastante oportunismo, tanto pelo lado do Walter, quanto pelo lado da Skyler e do Jesse. O mesmo vale para o personagem do Jonathan Banks, que sempre mantém aquela postura de cão de guarda e braço direito do Gus. Porém, logo após ele ter sido baleado no México eu me questionei exatamente sobre essa questão, de parecer que o Gus não se importava com ele, que ele era apenas mais um empregado totalmente descartável.
Completando o elenco temos o RJ Mitte, o Walter Jr. Walter Jr. tem algumas participações pontuais e interessantes na temporada, como na parte que ele fica feliz com o pai por ter ganhado seu super carro, e logo após a revolta com a mãe por ter devolvido. Já a Betsy Brandt teve um crescimento notável na temporada passada e aqui ela mantém esse destaque. Marie volta a atacar de cleptomaníaca com suas histórias mentirosas.
Com a morte do Gus nessa temporada, que era o maior confronto com o Walter e seus planos, a quinta temporada abre um leque de possibilidades. Sem o Gus no caminho, Walter está teoricamente livre e com o caminho aberto para ir cada vez mais fundo com a sua ganância e com a sua ambição no mundo do tráfico e do enriquecimento ilegal. A sua ganância irá crescer, a sua ambição irá crescer, a sua motivação irá crescer, pela oportunidade de ser a única referência e dominar todo o negócio do tráfico de metanfetamina. Walter White está no topo e ele precisa se manter lá.
A quarta temporada de "Breaking Bad" se mantém no topo, se mantém cada vez mais importante e cada vez mais relevante dentro do contexto de toda a história. Agora é partir para a última temporada da série, que irá trazer o fechamento mais apoteótico e icônico da história das séries. [02/08/2023]
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 517 Assista AgoraStranger Things (5ª Temporada) 2025
A quinta e última temporada de "Stranger Things" foi lançada pela Netflix em dois volumes e o episódio final. O primeiro volume, com quatro episódios, foi lançado em 26 de novembro de 2025, o segundo volume, com três episódios, foi lançado em 25 de dezembro, e o episódio final foi lançado em 31 de dezembro.
"Stranger Things" foi uma série em que eu aprendi a amar desde o primeiro contato. A série logo me ganhou pelo charme transístico dos anos 80, com aquela história típica que se passa em uma pacata cidadezinha norte americana. E por falar na década de 1980, "Stranger Things" é o puro suco das lendárias produções oitentistas, do puro Sci-Fi estilo anos 80, com inúmeras referências da época, que vai desde os cenários, figurinos, fotografia e principalmente a trilha sonora. Este é o cenário que se inicia a primeira temporada com boas doses de terror, ficção, drama, fantasia, suspense e claro, o humor. Sem falar que a série começa com uma abordagem sobre o drama familiar, o bullying voltado para o núcleo infanto-juvenil, as crises, os traumas, as decepções e a corrupção que assola o governo americano em volta de toda experiência laboratorial com cobaias humanas.
A série continua impecável em sua segunda temporada por conseguir manter a essência, o ritmo e todo o clima da primeira. Esta temporada nos insere ainda mais na complexidade da mente humana acerca dos transtornos mentais, ao nos fazer refletir em como as nossas fraquezas e os nossos medos podem se virar contra nós. E muito dessa reflexão tiramos justamente do personagem Will (Noah Schnapp). Sem falar que é nessa temporada que temos a chegada de uma personagem extremamente importante e querida em toda a série, Max (Sadie Sink).
A terceira temporada continua inserida na essência oitentista, continua trazendo inúmeras referências da cultura pop dos anos 80. Porém, dessa vez temos uma temporada mais leve, mais cômica, a que chega mais perto de uma comédia oitentista. Esta é uma temporada onde o elenco "infanto-juvenil" já estão bem crescidos, e junto com este crescimento eles passam a ter outras preocupações e outros objetivos. Por outro lado esta temporada mostra uma Hawkins ainda mais envolvida em novas experiências do governo, onde temos praticamente uma invasão russa na cidade.
A quarta temporada de "Stranger Things" é excelente, facilmente uma das melhores temporadas de toda a série. Pois temos novos personagens e um novo vilão que deu novos ares, uma nova cara, um novo fôlego e um novo rumo para a série. Um dos pontos mais positivos dessa temporada está exatamente no novo vilão - Vecna (Jamie Campbell Bower), o Mago das Trevas. Achei uma ideia genial deixar um pouco de lado o Devorador de Mentes e focar a temporada inteira na construção e no desenvolvimento de um novo vilão. Por falar em Vecna, a forma como ele ataca e mata as sua vítimas é completamente bizarro e assustador, o que deu um ar e um clima ainda mais sombrio e aterrorizante para a temporada. Esta temporada tem seu lado mais pesado dramaticamente, com fortes revelações e com alguns arcos pessoais bastante importantes para a história. O nono episódio facilmente classifico como o melhor episódio da quarta temporada, o melhor episódio de toda a série "Stranger Things" e um dos melhores episódios de uma série que eu já assisti na vida. Todos os acontecimentos que envolvem este episódio com 2h22m é completamente surreal, avassalador, emocionante e fantástico.
E por fim, depois de longos anos, chegamos na quinta e última temporada de "Stranger Things".
Falar da quinta temporada não é algo fácil para quem é fã da série, até porque o quanto eu esperei e criei expectativas. Porém, na minha opinião o principal vilão dessa quinta temporada é o longo tempo de espera, o grande hiato entre a temporada 4 e 5, o que foram longos 3 anos e 5 meses de intervalo. E aqui podemos entender (e não aceitar) todos os problemas que a série atravessou nesse longo caminho até a chegada dessa última temporada. Por exemplo: tivemos duas grandes paralisações na indústria de entretenimento, a famigerada greve em Hollywood, o que levou a paralisação total das gravações. Já nas partes técnicas, os os irmãos Duffer relataram o envolvimento direto em supervisão e direção de cada episódio, acompanhando de perto cada edição, cada montagem, dando ênfase nos mínimos detalhes da produção. Consequentemente os longos episódios exigiram ainda mais da pós-produção em relação a filmagem, corte, mixagem e edição, e ainda mais considerando toda imposição colocada pelos showrunners da série.
Fato é, eu poderia passar horas aqui pesquisando e escrevendo sobre os vários motivos que fizeram a quinta temporada de "Stranger Things" demorar tanto tempo para acontecer. Ainda assim nada seria suficiente para amenizar, ou explicar, o que de fato deu tanto errado na temporada final de uma das melhores séries da minha vida, e que eu esperei uma temporada com um final apoteótico. Por outro lado podemos considerar que se os irmãos Duffer acompanharam assim de tão perto os mínimos detalhes, o que esperávamos era uma temporada final épica, até porque foram anos trabalhando em um material que eles já dominavam há muito tempo, que já eram expert no assunto, era só entregar o que já sabiam e o que todos nós almejávamos. Todavia não foi isso que aconteceu, a temporada final de "Stranger Things" é cercada por tantos problemas que chega a ser assustador o que foi entregue para nós.
Vamos ser sinceros aqui, todos nós sabemos que eles perderam a mão, e isso não é uma opinião é um fato. Parece que quanto mais eles tinham tempo para desenvolver o enredo da temporada pior ela ficava. O final da quarta temporada preparou todo o terreno para a quinta chegar e reinar em um final marcante e apoteótico. Para começar esta temporada perdeu completamente o clima de terror e suspense e focou inteiramente em uma ação desenfreada. Todo aquele clima pesado, sombrio, tenso, mórbido e aterrorizante dos ataques do Vecna foram amenizados e praticamente esquecidos. Sem falar que os próprios ataques eram em sua grande maioria simples e sem nenhum terror. Outro ponto completamente banalizado nessa temporada, o terror e o suspense psicológico, que sempre foram marcas registradas da franquia, aqui foram suavizados e esquecidos, principalmente no personagem Will. As temporadas anteriores tinham terror, tensão e suspense, principalmente o terror psicológico, e aqui foram completamente eliminados dando espaço somente para a ação.
O ritmo da temporada é muito acelerado, o que acaba nos passando um senso de urgência nos acontecimentos sem nenhum peso e sem nenhuma identificação com o espectador como acontecia antes. E aqui vale ressaltar que a temporada teve apenas 8 episódios em sua grande maioria longos, o que já é de praxe, e o último com praticamente 2h de duração. Eu achei que deveria ser uma temporada maior, com mais episódios, até para desenvolver melhor a história e principalmente o final, mais precisamente o embate final. Dessa forma teríamos uma temporada final mais abrangente, mais detalhada, dando espaço para desenvolver melhor os personagens e seus arcos pessoais, sem aquele senso de urgência, sem aquela correria que a temporada entregou. Por outro lado é notável a questão de parecer que todos já estavam de saco cheio e só queriam dar um fechamento para a série e cada um seguir o seu caminho.
Como a temporada é corrida e os acontecimentos são muitos, não temos tempo para desenvolver e construir nada. Ou seja, perderam o timing do elenco na questão da passagem em relação a adolescência de cada um, até pelo longo tempo entre as temporadas e no geral como um todo nesses quase 10 anos de série. O elenco em si eu amo de paixão, mas como eu achei tudo muito corrido eu não consegui ter aquela empatia com cada um como eu tinha anteriormente. É tudo muito rápido, quando você está dentro do acontecimento de um do nada você já está no acontecimento do outro, dessa forma você não consegue criar conexão com ninguém, fica tudo muito raso e muito vago, falta emoção.
Porém: uma das que mais me incomodou foi a Millie Bobby Brown. E aqui eu não quero julgar se foi ela que decidiu atuar assim, ou se de repente foram ordens superiores, mas fato é que ela está o tempo todo no automático, sem aquele envolvimento que ela tinha antes. É muito notável que falta emoção em sua atuação, parece que ela não estava se importando muito e só queria terminar logo as gravações.
O Will eu achei muito bom nas partes que ele também conseguia demonstrar os seus poderes igual a Onze, quero dizer na sua forma de caracterização. Por outro lado ele parecia estar mais preocupado com a sua aceitação como ele era do que de fato estava acontecendo ao seu redor.
O Dustin (Gaten Matarazzo) estava ok, ainda sentindo muito a morte do Eddie (Joseph Quinn), e parecia que ele estava lutando exatamente por essa causa o tempo todo.
O Mike (Finn Wolfhard) bem abaixo das temporadas passadas, melhorou mais no último episódio com os acontecimentos da Onze.
O mesmo vale para o Lucas (Caleb McLaughlin), que só cumpre o seu papel no grupo. E aqui vale ressaltar que diminuíram muito a sua importância com relação a Max, até pela forma como a Max passou da temporada 4 pra 5.
Já a Max é totalmente subaproveitada na temporada, ficando mais no destaque com as cenas com a Holly (Nell Fisher), que na minha opinião são cenas desnecessárias como um todo.
Já a presença da Holly eu gostei, acho que casou com o que a trama pedia naquele momento, e vale destacar que a atriz Nell Fisher é nova e já é muito boa.
A Nancy (Natalia Dyer) é uma personagem que eu adoro desde a sua primeira aparição na série, e aqui eu vi muitas pessoas julgando a sua participação na temporada, por ela estar quase o tempo todo como uma guerrilheira. Eu até acho que fez sentido pela forma como ela poderia de fato ajudar, mas eu entendo que aquela skin de Sarah Connor dela ficou até exagerada em algumas cenas.
E por falar em Sarah Connor, temos a presença ilustre de ninguém menos que a poderosa Linda Hamilton na temporada. Ela traz uma personagem bastante curiosa.
Jonathan Byers (Charlie Heaton) e Steve Harrington (Joe Keery) foram dois personagens completamente prejudicados pelo roteiro, ficando quase que apenas no papel de ambos se exibirem e cortejarem a atenção da Nancy - uma pena!
Eu sempre gostei da Robin Buckley (Maya Hawke), ela sempre está muito bem em suas apresentações, como acontece aqui. Ela tem uma veia para a atuação que é invejável, ainda mais tendo o pai e a mãe que ela tem.
A Erica (Priah Ferguson) é outra personagem completamente esquecida na temporada, ela está ali apenas cumprindo seu contrato mesmo.
Já o casal Joyce e Hopper (Winona Ryder e David Harbour) fazem o que sabem de melhor, fazem o que esperávamos e tem o final que também esperávamos.
Sobre o personagem do Jamie Campbell Bower eu preciso puxar o gancho do que foi aquele embate final contra o Vecna.
Eu não vou negar que eu gostei muito da forma como foi desenvolvida a guerra final, com cada um fazendo a sua tarefa e todos unindo suas forças em prol da causa maior. Porém, é fato que este embate final contra o Vecna não passa nem perto do que nós imaginávamos que seria. Tudo acontece de forma muito simples e até muito fácil. O poderoso Vecna, o lendário Mago das Trevas, que controlava e se apossava da mente de todos, que tinha um exército ao seu favor, de repente está completamente sozinho na hora que ele mais precisava. Tudo bem que ele está junto com a manifestação física do "Devorador de Mentes", mas e os Demogorgons? Sumiram todos? Já na questão da atuação do Jamie, como Vecna ele está bem abaixo da temporada anterior, até porque lá ele estava impecável, já como Henry ele faz um papel bem digno.
Esta quinta temporada deixa muitas pontas soltas, muitos acontecimentos que ficamos nos perguntando o que de fato está acontecendo, por exemplo: a questão do "Mundo Invertido", que antes era um local sombrio, obscuro, que para entrar nele era algo difícil e desafiador, agora está meio que normalizado, corriqueiro, simples, onde parece não oferecer mais nenhum perigo. Aquela parte do mundo imaginário na mente do Vecna é uma parte bem questionável, pra não dizer desnecessária mesmo (como já destaquei antes). E toda aquela história do Vecna em querer unir os mundos em um só, algo como uma reformulação à sua maneira, e ainda utilizar as crianças porque as mentes delas são uma espécie de "inocência", ou algo como um ponto de ancoragem para a fusão dos mundos, é uma viagem bem excêntrica - mas ok né! Outros pontos que eu não entendi: aquela cientista que aparece na mente do Vecna em uma caverna. Aquelas mulheres grávidas. Aquele Dr. Sam Owens que apareceu no final da quarta temporada e aqui ficou em aberto. A Suzie (Gabriella Pizzolo), a namorada do Dustin, que de repente desapareceu da série. E por fim a decisão em construir aquele final para a Onze, com um final em aberto se ela ainda existe ou não, eu achei um pouco fora de tom. Na minha modesta opinião eu acho que deveriam finalizar com o sacrifício dela mesmo pela questão que ela mesmo relatou para o Mike em cena. Acho que seria mais digno e condizente para o peso da própria personagem para a história. Ou será que eles optaram por um final em aberto para construir um spin-off da Onze em um futuro dentro do universo de "Stranger Things"? A mesma pergunta também vale para aquela cena final das crianças descendo para o porão e substituindo os já adolescentes/adultos. Estariam pensando em futuros spin-off de "Stranger Things"? Eu não duvido de mais nada.
Vale mencionar que em em questões técnicas a série continua dando um verdadeiro show. Tudo dentro da série é impecável, como a direção de arte que constrói cenários exuberantes dentro do padrão da série. A fotografia é outro grande destaque da série como um todo. O mesmo vale para a trilha sonora, que encerra a temporada com grandes clássicos da música. A equipe de figurinos e maquiagens é um verdadeiro luxo, pois o que dizer daquele penteado no maior estilo anos 80 da Nancy. E eu não posso deixar de citar que os episódios 3 e 5 foram dirigidos pelo inigualável Frank Darabont, que saiu da sua aposentadoria somente para dirigir os dois episódios - fantástico! Tecnicamente e artisticamente a série "Stranger Things" como um todo é uma verdadeira obra-prima.
E por fim: finalizo afirmando que "Stranger Things" é uma série excelente, uma obra-prima, que soube se reinventar e nos levar ao verdadeiro mergulho nostálgico das produções oitentistas, se transformando em um marco na cultura pop das séries. De fato a série enfrentou vários problemas ao longo desses quase 10 anos de existência, e eu diria que os maiores problemas já enfrentados pela série ocorrem justamente nessa temporada final, e muito por decisões completamente errôneas e fora de timing pela parte da produção. De qualquer forma isso não tira o brilho, a importância e principalmente a relevância da série. Pelo contrário, "Stranger Things" ficará marcada e eternizada como uma das maiores séries da história, e pra mim como uma das melhores séries da vida!
E parafraseando o final do meu próprio texto da última temporada de "The Handmaid's Tale":
"A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!"
⭐⭐⭐⭐⭐
01/08/2026
O Conto da Aia (6ª Temporada)
3.6 184 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Handmaid's Tale / O Conto da Aia (6ª Temporada) 2025
"The Handmaid's Tale" foi uma série que assim que eu conheci eu me apaixonei imediatamente, foi aquele típico amor a primeira vista (ou a primeira assistida).
Contextualizando:
A primeira temporada é para mim a melhor temporada de toda a série, e muito por ser aquela temporada inicial que já chega com o pé na porta, que já mostra a que veio, que já entrega um nível altíssimo dos acontecimentos que viriam a ser os maiores destaques de toda a série. A primeira temporada é a temporada mais pesada, cruel, dolorosa e consequentemente a mais revoltante de toda a série. E muito por ser a temporada de maior suspense, de maior tensão, que mostra de fato o terror que as "AIA" eram subjugadas a passarem.
A segunda temporada é incrível, ela mantém o mesmo nível da primeira e continua desafiando a nossa mente e a nossa crença com os feitos que acontecem no decorrer da história. Nessa temporada temos os bizarros 'estupros ritualizados', o que levou Offred (Elisabeth Moss) a engravidar. É nessa temporada que a Offred começa a sair do modo defesa e submissão para o modo ataque. A temporada foca ainda mais na posição da mulher na sociedade, a submissão pela qual elas são obrigadas a passarem, em como o machismo e o extremismo está incrustado na sociedade como um todo.
Pela primeira vez na série temos uma temporada um pouco abaixo das duas anteriores. A terceira temporada de "The Handmaid's Tale" é notavelmente mais fraca por ser uma temporada que não caminha, que não engrena, que estaciona nos temas já discutidos anteriormente e embarriga em alguns episódios. Por outro lado em questões de personagens temos algumas evoluções bem dignas e surpreendentes; como no caso daquele arco pessoal da Tia Lydia (Ann Dowd), que nos traz revelações fantásticas.
O que aconteceu na terceira temporada da série volta a acontecer na quarta, que é a série dar mais uma caída em relação as duas primeiras temporadas. Ou talvez as duas primeiras terem sido temporadas tão estratosféricas, que elevou muito o nível da série, que a partir da terceira em diante a série apenas continuou em seu ritmo normal mas inevitavelmente muito abaixo das duas primeiras. Essa temporada é a primeira que a June (Elisabeth Moss) consegue finalmente deixar Gilead. Acho que até por isso eu esperava uma temporada mais avassaladora nesse quesito. Esta também foi uma temporada que eu comecei a ter alguns probleminhas com alguns personagens. De fato as temporadas 1 e 2 são o ápice da série, as verdadeiras obras-primas de "The Handmaid's Tale". Pois é muito claro como as temporadas 3 e 4 estão abaixo delas, não são temporadas ruins, longe disso, mas de fato são mais fracas.
Curiosamente a quinta temporada de "The Handmaid's Tale" volta ao eixo, ganha novos ares, novos rumos, novos ritmos, um novo fôlego, onde consequentemente a coloca acima das temporadas 3 e 4. O acontecimento com o Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes) ao final da temporada 4 conta muito para o início dessa, pois a temporada é movida pela sede de justiça por parte de June e o desejo de vingança por parte da Serena (Yvonne Strahovski). Esta temporada consegue voltar a sua grandeza em relação as primeiras temporadas justamente por nos passar este sentimento de ódio e justiça sendo descaracterizado e desconstruído na personagem Serena juntamente ao lado da própria June.
No final da minha análise da quinta temporada de "The Handmaid's Tale" escrita lá em novembro de 2022 eu disse:
"Será que Serena Waterford merece nosso perdão? Será que ela merece uma segunda chance? Será que somos capazes de passar por cima de tudo que ela fez contra June enquanto era coagida (ou não) pelo seu marido? Eu acredito na redenção da Serena e em uma possível aliança com a June para acabar com o regime totalitarista e perverso da República de Gilead. Agora se elas vão se tornar amigas além de aliadas, bem...isso só a sexta temporada poderá nos dizer."
Eu realmente acreditava nisso que eu escrevi, eu realmente apostava que a Serena iria se unir com a June (não que fossem virar amigas) para acabar com tudo referente a República de Gilead, ou Nova Belém, ou qualquer governo voltado para esta corja. Hoje eu vejo que eu estava sendo muito otimista no final da quinta temporada, acho que eu me deixei levar pela emoção/comoção da última cena do encontro da June com a Serena no trem, ambas com seus filhos. Eu realmente fui muito inocente e a Serena conseguiu me enganar mais uma vez.
E realmente a sexta temporada inicia justamente com esta sensação, ao novamente retornar na cena do trem de refugiados no encontro entre June e Serena. A partir daí temos a cena em que e June ajuda a Serena a saltar do trem na fuga por ter sido descoberta a sua verdadeira identidade no local. A sexta temporada de "The Handmaid's Tale" é focada naquela sede por justiça e vingança da June para finalmente derrotar Gilead. Por outro lado temos Luke e Moira (O. T. Fagbenle e Samira Wiley) lutando ao lado da June na resistência do regime. Para minha surpresa (ou não) a Serena novamente se junta à corja do império totalitarista para tentar reformar a República de Gilead. Já o Comandante Joseph Lawrence (Bradley Whitford) e a tia Lydia (Ann Dowd) passam por uma síndrome de autojulgamento ao reconhecerem grande parte de tudo de ruim que fizeram ao longo de suas vidas miseráveis. Já o Comandante Nick Blaine (Max Minghella) confirma o que eu sempre desconfiei dele em toda a série; em se tornar aquela incógnita, aquele ser que foi escanteado, onde parece que sua presença já não era mais necessária na história, ou talvez ele ainda fizesse alguma diferença somente para a June.
Como um todo eu vejo que a sexta temporada teve alguns problemas, alguns erros, algumas tomadas de decisões questionáveis, alguns fechamento de histórias de personagens muito corridos e sem muita coerência. Na minha opinião esta temporada foi vendida como a temporada de fechamento onde iria acontecer a grande revolução tão esperada durante toda a série, e não foi bem isso que aconteceu. Pois até a metade da temporada tivemos episódios mais fracos, aqueles episódios que só serviam para contextualizar toda a história que já conhecemos; como o embate da república no Canadá, o encontro da June com sua mãe (que sim, foi emocionante), o embate da Moira e do Luke contra o regime, toda história cansativa da Serena em retornar ao governo e até se casar novamente. Ou seja, podem até ser episódios necessários, mas que não faziam a história andar, poderia até agregar mas não engrenava.
Os próprios trailers da sexta temporada sempre enfatizava a grande guerra e a grande revolução, algo que aconteceu mais no penúltimo episódio, e pra mim o melhor episódio da temporada. Pois até ali tivemos episódios mais focados em ideias do que a execução de tais ideias. A temporada como um todo teve episódios fracos que facilmente poderiam serem retirados da história, mas por outro lado estes próprios episódios estavam tentando construir o terreno para o grande embate do episódio 9. Acredito que a temporada poderia ter sido encurtada, ou talvez eles esticarem a guerra em mais episódios, realmente fica difícil apontar o caminho certo a seguir e o que daria certo ou não.
Falando do final do elenco e personagens:
Elisabeth Moss sempre deu o seu melhor na pele da icônica June Osborne, isso era inegável. Mas me parece que nessa sexta temporada ela já se mostrava um pouco cansada da personagem, ou talvez a sua atuação na personagem já não tinha mais para onde caminhar, fiquei com esta sensação. Mas no geral a Moss sempre entregou o suprassumo da sua atuação e interpretação em "The Handmaid's Tale".
Eu aplaudo de pé a Yvonne Strahovski em "The Handmaid's Tale", pois em todas as temporadas ela sempre me enganava, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. A Serena passou a série inteira sendo aquela personagem ame ou odeie, e nessa última temporada não foi diferente. O final dela ficou bom, ela realmente mostrou para todos que desde o começo ela queria unicamente o dom da maternidade, por mais que ela usasse seus métodos contestáveis. Ao lado da June e da Janine (Madeline Brewer), elas três são as minhas personagens preferidas de toda a série.
Ann Dowd em toda a série conseguiu o mesmo efeito da Yvonne Strahovski, que era compor uma personagem ame ou odeie. A tia Lydia nas primeiras temporadas era impossível não odiá-la, porém com o passar do tempo e das temporadas vamos observando os seus arcos pessoais, vamos tentando entender a motivação da personagem, e no fim ela tem a sua redenção e o seu julgamento que lhe coube.
Acho que o mesmo eu posso destacar do grande Bradley Whitford com seu repugnável Comandante Joseph Lawrence. Joseph foi um personagem que sempre tive um pé-atrás, que nunca confiei em seus discursos, tanto para a June, quanto para a Serena e principalmente para o Nick. No fim eu vejo que o Joseph sempre tentou fugir do inevitável, sempre tentou não ser aquele vendido pelo sistema, mas que o próprio sistema deu o seu fim na série. Ele merecia aquele fim? Fica ai o questionamento.
Por falar em final triste na série, temos o inigualável Max Minghella com seu Comandante Nick Blaine. O Nick é aquele personagem que você desconfia no início, começa a achar interessante na sequência, quando ele se envolve e até ajuda a June você começa a se apegar a ele, e logo ele passa aquela sensação de se vender para o sistema para conquistar cargos e funções maiores e de mais credibilidade em Gilead. O Nick sempre foi um personagem difícil e até questionável na série, mas uma coisa que não podemos negar era o fato que ele realmente gostava e se importava com a June. No fim eu acho que a série nunca ajudou o personagem, de fato ele nunca teve um grande espaço e até uma certa relevância dentro de toda a história, e no fim ele não merecia aquele final. Fica aí mais um questionamento.
Madeline Brewer com sua Janine sempre me conquistou e sempre me fez se importar com ela em todas as temporadas. Acredito que a Madeline também sofreu o que vários atores e atrizes sofreram durante toda a série, que foi o curto tempo de tela para o seu desenvolvimento no personagem. E até entendo, visto que a série era recheada de grandes personagens, fatalmente não iria sobrar espaços para todos. Mas eu sempre adorei a Janine, e vê-la recebendo a sua própria filha de volta me deixou com um nó na garganta ao mesmo tempo que senti um extremo sentimento de realização da personagem.
Por falar em tempo de tela dos personagens, temos o O. T. Fagbenle e a Samira Wiley. O personagem Luke sempre foi mais escanteado na série em quase todas as temporadas, mas nessas duas últimas ele ganhou mais importância e consequentemente mais relevância na história, até pelos embates criados entre ele e a June, que no fim já nem eram mais um casal como no início. Já a Moira também sempre foi escanteada, porém especificamente nessa temporada ela tem uma ótima participação e importância para todo o contexto da trama ali junto com a June.
Amanda Brugel sempre com ótimas contribuições em sua personagem Rita, isso desde o início da série.
Já o Sam Jaeger com seu personagem Mark Tuello ganhou bastante importância e notoriedade nessas duas últimas temporadas.
Boa temporada também da Ever Carradine como Naomi Putnam.
E por fim mas não menos importante, temos a volta da incrível Alexis Bledel como Emily Malek, que havia deixado a série. Poder vê-la novamente ao lado da June me trouxe de volta lembranças da incrível primeira temporada da série.
Por fim:
A sexta e última temporada de "The Handmaid's Tale" é boa, é digna, por mais que apresente alguns problemas no caminho, mas ainda assim tivemos fechamentos de algumas histórias, de alguns personagens e tivemos finais em abertos em outros, como no caso da própria June. A parte final da June revisitando a casa dos Waterford, onde ela viveu e sofreu todas as torturas lá no início, é completamente cinema. Toda sequência dessa cena é bastante emotiva, é bastante comovente, mexe com a gente que viveu e acompanhou toda essa sua trajetória para chegar até aonde ela chegou, e terminar dessa forma que ela terminou, sem conseguir de volta o seu principal objetivo na vida é ainda mais pesado e difícil, que era ter de volta a sua filha Hannah (Jordana Blake).
A história principal de "The Handmaid's Tale" chega ao seu final, mas o universo da série continuará a partir dos spin-offs "Os Testamentos: Das Filhas de Gilead".
E aqui eu me despeço de mais uma série que marcou a minha vida cinéfila. De uma série que eu aprendi a amar desde o lançamento do primeiro episódio da primeira temporada. "The Handmaid's Tale" ficará para sempre em minha memória marcada como uma das melhores séries que eu já acompanhei na vida.
A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!⭐⭐⭐⭐⭐
- 24/06/2026
The Walking Dead: Daryl Dixon (3ª Temporada)
3.5 31 Assista AgoraThe Walking Dead: Daryl Dixon (3ª Temporada) 2025
Dos três spin-offs da série original "Daryl Dixon" é a que eu tenho mais dificuldades. A primeira temporada é ok justamente por nos mostrar como seguiu a vida do personagem após os eventos da série principal, e expandir o universo desse personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbi. Já na segunda temporada a série cresce notavelmente de produção, e muito pela presença da icônica Carol Peletier (Melissa McBride). Carol traz um novo frescor e um novo fôlego para a série, onde logo temos o retorno de uma das maiores duplas de todo o universo de "The Walking Dead" - Daryl e Carol!
No final da segunda temporada eu fiquei curioso em como seguiria a história justamente pela exploração em um novo país. Daryl e Carol inevitavelmente teriam que seguir com a sua jornada de volta para casa, e para isso eles iriam passar por novos locais, novos desafios, onde iriam conhecer novos povos, que poderiam se tornar aliados ou não. Sem falar nos zumbis e em todas as suas variações. A temporada soa interessante justamente por estarmos diante de um novo vilarejo onde vamos desvendando cada segredo a partir dali. E como sempre acontece, logo o Daryl e a Carol estão envolvidos em todos os dramas dos residentes locais.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" novamente consegue inovar usando a mesma história mas com personagens diferentes. Pois temos um novo elenco inteiramente espanhol, que por sinal é um dos pontos altos da temporada, onde logo cada um se destaca dentro de cada personagem. Mas por outro lado o roteiro em si é aquele velho clichê que já conhecemos no universo de "The Walking Dead", onde temos um vilarejo que é sempre explorado por facções de fora, e logo toda essa exploração desencadeia uma nova guerra que entra em conflito justamente com os dois protagonistas. Às histórias paralelas não são inteiramente ruins e até funcionam dentro da proposta do roteiro. Porém, logo elas se tornam desinteressantes com o passar de cada episódio.
Daryl e Carol novamente são o fôlego da temporada (e não poderia ser diferente). Tanto o Norman quanto a Melissa quando estão atuando juntos é garantia de espetáculo. Mesmo que o conteúdo de ambos seja repetitivo com o passar dos anos, mas os dois contracenando juntos é o que de fato prende o espectador na série. Novamente temos ótimas cenas de ação proporcionada por ambos. Por falar em cenas de ação; esta temporada acerta muito bem, conseguindo dar dinâmica e objetividade em cada uma delas.
Tecnicamente a temporada melhora ainda mais, pois temos uma excelente direção de arte que constrói cenários impecáveis. A fotografia é outro ponto que se sobressai na temporada. Assim como a trilha sonora, que é acertadamente composta por ritmos espanhóis e casa perfeitamente com toda a história. Não posso deixar de mencionar às maquiagens dos zumbis, que nunca cai na mesmice e sempre traz alguma inovação. Realmente impressiona o quanto o trabalho de maquiagem é sempre um grande destaque dentro do universo de "The Walking Dead".
O elenco em si entregam atuações condizentes com a história e ainda conseguem nos passar uma boa dose de carisma; com destaques para Eduardo Noriega, Óscar Jaenada, Alexandra Masangkay e Candela Saitta.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" mantém a qualidade conquistada na segunda e ainda consegue se superar e evoluir em alguns pontos. Por mais que essa "turnê pós-apocalíptica" do Daryl e da Carol mostre uma certa fragilidade no roteiro e trazem histórias clichês em sua grande maioria, mas ainda assim nos convence a acompanhar toda a trajetória de ambos até o seu destino final. Destino este que com certeza será o retorno até os EUA, que obviamente acontecerá na já confirmada quarta e última temporada da série.
- 20/11/2025
The Walking Dead: Dead City (2ª Temporada)
3.0 34 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Walking Dead: Dead City (2ª Temporada) 2025
Como um verdadeiro fã de "The Walking Dead" eu gostei da primeira temporada de "Dead City", justamente pelo fato da série recolocar frente a frente uma das maiores rivalidades de toda a história do universo de "The Walking Dead". Acho que todos pensaram como eu, que este spin-off da série principal serviria para dar um ponto final, para resolver de uma vez por todas o grande embate entre Maggie (Lauren Cohan) e seu eterno arquirrival Negan (Jeffrey Dean Morgan). E não foi bem isso que aconteceu, a série usa a rivalidade de ambos como o tema central o tempo todo, mas não como finalização de um assunto pendente que vinha se arrastando desde a série original. Pelo contrário, esta rivalidade serve para compor histórias e personagens paralelos com o único intuito de esticar a série para uma segunda temporada, que a princípio eu achei uma ideia até interessante, mas hoje eu vejo que foi apenas um erro.
No último episódio da primeira temporada nos é revelado que tudo não passou de uma armação, um acordo entre a Maggie e o Croata (Željko Ivanek) para que assim ela levasse o Negan até ele. Ok, podemos até considerar como uma ideia aceitável, até porque para construir a história principal e dar o seu devido foco é preciso compor histórias paralelas de personagens paralelos dentro de todo o contexto. Mas é ai que mora o grande perigo, o fato de começarem a usar cada vez mais estas histórias e estes personagens paralelos para esticar a série em mais temporadas, quando na verdade está claro que não existe mais nenhum sentido.
E foi exatamente isso que aconteceu nessa segunda temporada de "Dead City", perderam completamente a mão, o sentido, o destino dos dois personagens principais. Começaram encher a temporada com histórias e personagens paralelos tirando completamente o foco principal da série. Decidiram dar mais ênfase na guerra pelo controle de Manhattan, onde colocaram a Maggie e o Negan em lados opostos para gerar um discurso infundável e sem nenhum objetivo, por mais que a Maggie e o Negan sempre estiveram em lados opostos. E aqui entra o ponto dessa "Nova Babilônia" e todos os esforços para retomar a cidade usando aquele "metano", onde temos a presença da vilã "The Dama" (Lisa Emery), que apareceu no último episódio da primeira temporada.
Esta vilã usa seus planos mirabolantes e suas ideias distorcidas para gerar todo um discurso de convencimento nos que estão ao seu redor, o que logo confronta com as ideias do próprio Negan, quando ele é meio que forçado (ou não) a se juntar a ela para conseguir uma certa vantagem sobre aquele tipo de ameaça. O que pra mim definitivamente não funcionou, pelo contrário, eu achei esta "The Dama" uma personagem muito ruim e totalmente desconexa. O mesmo vale para o Croata, que eu achei até aceitável na primeira temporada, até pelo confronto gerado com Negan, o que envolve uma rivalidade complexa e antiga entre eles, mas aqui ele parece ter suas ambições e desejos, mas não passa de um cachorrinho da The Dama.
O resto do elenco estão ali apenas para compor uma exigência de roteiro, porque definitivamente não funcionaram em nenhum momento; como no caso do Perlie Armstrong (Gaius Charles), o ex-marechal da federação da Nova Babilônia que foi promovido a coronel, que está completamente perdido na série. Também temos o Bruegel (Kim Coates), que é um personagem que surge como um dos principais antagonistas ao lado da The Dama, que quer parecer soberano, enigmático, quando na verdade não passa de um personagem genérico e fútil. A Ginny (Mahina Napoleon) foi uma personagem que eu achei que seria melhor aproveitada nessa segunda temporada, visto tudo que ela passou em sua história pessoal com relação ao Negan. Porém, novamente ela serve apenas de contexto para as motivações do Negan e da própria Maggie (como vimos no último episódio), e no fim ela é descartada da história.
Agora precisamos falar do Hershel (Logan Kim), o filho problemático da Maggie. De cara eu já vou deixar bem claro que eu achei um personagem muito ruim, com umas motivações bem absurdas, que eu até entendo aquele discurso dele em relação a mãe em manter aquela obsessão pelo Negan. Mas daí ele se juntar com a The Dama cedendo aquela pressão psicológica dela em relação a Maggie eu achei bem absurdo. Criaram um antagonista manipulado pela vilã que se volta contra a própria mãe, onde parece que ele vê na vilã uma figura de mãe onde ele acha que está sendo valorizado e ouvido - outro absurdo!
Puxando o gancho do Hershel, a Lauren Cohan faz o que sabe fazer de melhor na pele da Maggie, porém aquela relação vulnerável e conturbada dela com o filho me incomodou um pouco. Parece que ela é a pessoa mais forte e decidida do universo em todos os outros assuntos, mas quando chega no embate com o filho ela se torna a mãe mais mole e complacente possível. Já o sempre elegante Jeffrey Dean Morgan é um verdadeiro showman à parte, sempre se destaca em cena e gera verdadeiros espetáculos; o que dizer da reapresentação da memorável cena do "Uni, duni, tê". Sensacional!
Por fim, reitero que perderam completamente a mão nessa segunda temporada de "Dead City", até pela perda da dinâmica principal da trama envolvendo os arqui-inimigos Maggie e Negan. O que envolve justamente o final da temporada, quando temos a Maggie frente a frente com a oportunidade que ela sempre almejou na vida e decide recuar. Podemos entender que ela observa aquela relação do Negan com a Ginny e encara aquela realidade com o próprio filho. Ou também podemos subentender que ela decide encarar, enfrentar e conviver com os seus fantasmas e traumas do passado justamente para tentar seguir em frente. Não sei bem se eu concordo com ela, mas quem sou eu para julgá-la.
Fato é que inevitavelmente teremos uma terceira e provavelmente até uma quarta temporada da série. Agora se vai dar certo eu duvido muito, até porque já espremeram todo o bagaço dessa laranja e o que resultou foi um suco bem ralo e sem nenhum sabor.
- 07/11/2025
The Last of Us (2ª Temporada)
3.5 463 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Last of Us (2ª Temporada) 2025
A segunda temporada da série "The Last of Us" (que estreou na HBO em 13 de abril de 2025) é baseada na popular franquia de videogame da Naughty Dog, dessa vez sendo baseada no jogo lançado em 19 de junho de 2020 exclusivamente para PlayStation 4, "The Last of Us Part II", cuja história segue Joel Miller (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) cinco anos após os eventos da primeira temporada, depois de se estabelecerem em Jackson, Wyoming, com o irmão de Joel, Tommy (Gabriel Luna) e os amigos de Ellie, Dina (Isabela Merced) e Jesse (Young Mazino).
Quando eu escrevi a minha gigantesca análise sobre a primeira temporada da série, lá em março de 2023, eu frisei que a série de jogos "The Last of Us" é a minha terceira franquia preferida de jogos da história dos videogames. Também deixei bem claro o quanto eu sempre estive frustrado por sempre as adaptações de jogos de videogames serem em sua grande maioria ruins (e até péssimas). Dito isto, a primeira temporada da série "The Last of Us" veio para revolucionar este quesito das adaptações de jogos de videogames, se tornando, em minha opinião, a melhor adaptação de um jogo de videogame para um conteúdo audiovisual de toda a história.
Diante da excelente adaptação entregue na primeira temporada, a minha expectativa estava gigantesca em relação a segunda temporada, até porque dessa vez seria baseado no segundo jogo da série, que eu considero como top 5 melhores jogos que eu já joguei em toda a minha vida gamer. Porém, em todos estes meus longos anos cinéfilos eu aprendi uma coisa: quando você coloca a sua expectativa muita alta em relação à uma obra, a chance de você se decepcionar é maior do que a chance de você conseguir igualar com a sua expectativa criada. E cá estou eu com mais um desses exemplos, pois infelizmente a segunda temporada da série "The Last of Us" é decepcionante.
Analisando cada episódio:
O episódio 1 começa bastante interessante ao mostrar a Abby (Kaitlyn Dever) com seu grupo no local que está enterrado o pai dela, com ela jurando vingança ao Joel. Esta parte não existe no jogo mas eu considero extremamente necessária, pois um ponto que eu sempre questionei no game é justamente a forma como a Abby é encaixada na história do segundo jogo, onde ela é praticamente jogada na história assim do nada, sem ninguém saber da onde ela saiu. Pelo menos na série esta introdução dá um pequeno contexto de quem é esta Abby e qual é a sua motivação. Um ponto que foi muito questionado na escolha da atriz para viver a Abby foi justamente o físico da Kaitlyn Dever, que é um físico normal de uma garota, sem ter aquele físico musculoso da Abby do jogo. No jogo a Abby tem aquele físico musculoso justamente por ela ser uma das melhores soldadas que estava em busca de vingança. Ou seja, ela treinou e desenvolveu o seu corpo para este propósito, para ficar forte e musculosa para sobreviver, tanto que no jogo quando jogamos com ela vemos que de fato ela é muito forte, pois ela consegue lutar de igual para igual com qualquer homem. Então, não vou negar que ver a Kaitlyn Dever como Abby me incomodou um pouco, pois esta versão da Abby assim mais magra me lembrou a sua versão dos flashbacks no jogo da própria Abby mais nova, quando ela saia para caçar com seu pai, e não esta versão atual da Abby já adulta.
O episódio segue com o núcleo do Joel e da Ellie que vivem em Jackson. Na série a Maria (Rutina Wesley) e o Tommy tem um filho, no jogo não. Joel faz terapia com a Gail (Catherine O'Hara), isso não existe no jogo e nem a personagem Gail. A Gail é viúva do Eugene (Joe Pantoliano), que este sim existe no jogo, apesar de já estar falecido durante a história e a única coisa que encontramos dele é uma foto. Posso encarar esta questão da terapia como um encaixe da série justamente por o Joel estar travando uma batalha mental em sua consciência por tudo que ele fez para salvar a Ellie e agora ela cobrando ele justamente nessa questão. A cena do beijo na festa entre a Dina e a Ellie é bem fiel ao jogo. Já esta questão dos galhos infectados estarem invadindo Jackson pelos canos quebrados é bastante curioso, já que isso não existe no jogo. A Ellie é mordida novamente, dessa vez na barriga. Curioso, já que nos dois jogos isso nunca aconteceu.
O episódio 2 é sem dúvidas o mais aguardado da temporada e de toda a série:
No jogo a Ellie sai com a Dina para a patrulha antes da morte do Joel, na série ela vai com o Jesse e a Dina com o Joel, no jogo o Joel vai com o Tommy. Esta mudança pode não parecer nada demais mas eu considero um erro grotesco da série que explicarei mais pra frente. O Jesse acha o local do cultivo de maconhas do Eugene com a Ellie, no jogo é a Ellie e a Dina que encontram, aliás rola uma ótima cena que pra quem jogou vai entender. Temos a garota da cadeira de rodas, Amy, que não existe no jogo. Toda a parte da Abby fugindo da horda de infectados e sendo salva justamente pelo Joel é bastante fiel ao jogo. Interessante também eles combinarem o ataque dos infectados em Jackson bem na hora que vai ocorrer o ataque da Abby ao Joel, junto com a Ellie e o Jesse que estão procurando por ele. Esta parte do ataque à Jackson, que não existe no jogo, ficou muito boa, apesar da cena em que o Tommy anda no meio dos infectados sem muita preocupação, que destoa bastante. Esta sacada dos roteiristas sobre o ataque à Jackson foi um uma ideia até coerente, visto que isso poderia acontecer a qualquer momento.
O ponto alto do episódio obviamente é a morte do Joel, que inicialmente eu achei interessante justamente por a Abby revelar para o Joel sobre o dia em que ele matou os soldados no hospital para salvar a vida da Ellie, sendo que junto dos soldados estava justamente o pai da Abby, que era o médico que iria fazer a cirurgia na Ellie. Ou seja, isso é algo que não existe no jogo, no jogo a Abby chega e já ataca o Joel até a morte, ele praticamente morre sem saber o real motivo. Esta parte na série ficou boa justamente por ela elucidar sobre quem ela era e a relação dela com aquele dia da matança no hospital. A cena da morte do Joel não tem o mesmo peso e nem o mesmo pânico do jogo, no jogo você fica angustiado e sofre quantas vezes você jogar, mesmo já sabendo o que vai acontecer. O problema dessa cena na série é justamente a Abby, no caso a atuação da Kaitlyn Dever, que pra mim não me convence como Abby e muito menos nessa cena. Eu não consigo ver nela aquela crueldade e aquele ódio da Abby do jogo, e aqui eu nem estou entrando na questão do físico dela. O que me pega é o fato dessa Abby me parecer muito menininha, e a cena em si ficou boa, mas não tem nem sombra do peso e do pânico do jogo, sem falar que matar o Joel com pancadas brutal de taco na cabeça (que acontece no jogo) é muito pior e muito mais pesado do que simplesmente bater só na perna machucada dele, dar uns soquinhos e no fim enfiar o cabo do taco no pescoço. A série aliviou e suavizou demais esta cena, retirando grande parte da tensão e do pânico da cena no jogo.
Outro ponto que me incomodou bastante, é o fato de pegarem muito leve com a Dina, tendo todo um cuidado em pegar uma injeção para fazer ela dormir e não ver nada, quando simplesmente poderiam dar uma pancada na cabeça dela e pronto. Mais um ponto: esta decisão de trocarem o Tommy pela Dina na cena da morte do Joel pra mim foi um erro. Até porque tirou todo o peso emocional do Tommy em ver o irmão sendo morto e despertando a sua fúria e o seu sentimento de vingança para ir atrás da Abby e seu grupo (como exatamente acontece no jogo). E outra, ele não viu o rosto da Abby, como ele vai partir sozinho, igual no jogo, atrás dela? Outro ponto que eu considero um erro da série: no jogo quando você controla a Ellie, você está chegando na casa e quando adentra o local a Ellie escuta os gritos agonizantes do Joel enquanto a Abby está batendo nele com o taco. Esses gritos são extremamente importantes no contexto do jogo, porque eles viram um trauma para a Ellie a partir daí, onde constantemente ela acorda com esses gritos do Joel em sua mente durante todo o processo do jogo. Já na série em momento algum a Ellie escuta os gritos do Joel, e sim ela escuta os gritos da Abby enquanto ela dá aqueles soquinhos fofo no Joel. Este segundo episódio tem sua fidelidade com o jogo mas o contexto como ele é desenvolvido é ruim e com mudanças, como no caso do Tommy, que são completamente infundadas e que vai interferir diretamente no decorrer da história daqui pra frente.
Após a morte do Joel temos um salto no tempo de três meses no episódio 3. Isso é outra mudança que eu também considero como um erro, pois no jogo a morte do Joel é em um dia e no outro o Tommy já partiu atrás do grupo da Abby, e logo após a Ellie e a Dina também vão. Ou seja, tudo é muito recente e o ódio e o desejo de vingança está completamente aflorado, e não esperar três funcking meses para pensar em ir buscar vingança. Um ponto curioso desse episódio é justamente já ter uma aparição dos Serafitas/Cicatrizes assim tão cedo, sendo que no jogo eles aparecem bem mais pra frente. Como no jogo é o Tommy que está presente na morte do Joel, ele parte sozinho atrás do grupo da Abby. Já na série isso mudou, ele não foi sozinho e está em Jackson junto da Ellie e de todos. E aqui entra outro ponto que me incomodou demais: a decisão em ter um conselho com uma votação para decidir se vão atrás dos assassinos do Joel ou não, é simplesmente ridículo. No jogo o Tommy já partiu na frente e a Ellie vai logo em seguida junto com a Dina contra a vontade da própria Maria. Na série não parece que o Tommy está sentindo a morte do Joel com um desejo de vingança, e muito menos a Ellie. Onde está o sentimento de vingança do Tommy e da Ellie? Onde está aquela fúria da Ellie em querer ir até sozinha atrás da Abby? Tiraram o peso dessa parte da história, deixaram o Tommy como um bundão pau-mandado da esposa, onde claramente ele não está nem um pouco preocupado em ir buscar vingança. Ridículo o que fizeram com o Tommy na série. O mesmo vale para a Ellie, que está completamente submissa, complacente, aceitando todas as ordens. Esta Ellie da Bella Ramsey não traduz 10% da Ellie do jogo.
Outro ponto que eu me questionei nesse episódio é justamente sobre a química entre a Ellie e a Dina. Pois não sinto química entre a Dina e a Ellie igual no jogo, elas parecem distantes. Tanto que na série a Dina nem diz que quer ir junto com a Ellie na missão como uma prova de amor e companheirismo (como acontece no jogo), ela apenas dá a ideia do que fazer e só vai junto com a Ellie. E como eu pensei, não teve a cena em que a Dina e a Ellie se pegam de calcinha, uma ótima cena no game por sinal. Na série a Dina só puxa o assunto do beijo na barraca e fala da nota, como no jogo, e o assunto morre. Uma cena bem fraquinha, realmente falta muita química entre as duas. Este terceiro episódio faz a série se afastar ainda mais do jogo e enfraquece os personagens. O episódio não é só um dos episódios mais fraco da temporada, como ele prejudica os personagens do Tommy e da Ellie. Por deixarem eles muito enfraquecidos, sem aquele sentimento de ódio e vingança.
O episódio 4 inicia com uma cena do Isaac Dixon (Jeffrey Wright) no passado onde mostra a sua troca de aliança da FEDRA para a WLF. Logo após temos aquela cena onde ele tortura um Serafita para conseguir informações a respeito da localização do seu grupo (por sinal, uma cena bem fiel ao jogo). Por fim nesse episódio temos uma das cenas mais icônicas da história dos jogos de videogames; que é justamente a cena na loja de instrumentos musicais em que a Ellie toca no violão e canta a belíssima canção "Take On Me" do a-ha para a Dina. Esta cena é linda, é tocante, é profunda, é emblemática, pois na primeira vez que eu joguei o jogo eu me emocionei nessa cena, e na série eu tenho que aplaudir de pé esta cena, pois ficou perfeita, não devendo em absolutamente nada à cena no jogo. Sem falar que nessa cena a Bella Ramsey e a Isabela Merced deram um verdadeiro show de atuações. Temos a cena do subsolo do metrô, que foi encurtada mas ficou boa. Curiosa a cena em que a Ellie deixa ser mordida para salvar a Dina, uma parte que não existe no jogo. Dado o contexto da mordida na Ellie a Dina fica extremamente confusa e perturbada, sem saber como agir no momento, naturalmente ele se vê ameaçada. Esta cena é boa até a parte em que a Dina enfim revela para a Ellie que está grávida e as duas caem em uma cena sexual completamente patética.
Nesse quarto episódio claramente vemos uma Ellie totalmente diferente do jogo, pois no jogo após a morte do Joel a Ellie se apresenta totalmente fechada, sombria, obscura, introspectiva, morta por dentro, o tempo todo você percebe o seu desejo e sua fúria pela vingança. Na série isso tudo é deixado de lado, tudo é muito leve, muito vago, muito raso, parece que as duas estão apenas em uma aventura na floresta curtindo e se divertindo, falta peso, falta emoção, falta dor, falta fúria, falta aquele ódio da Ellie que ela expressa apenas no olhar na capa original do jogo. Nesse quarto episódio claramente vemos que as coisas estão sendo muito atropeladas pelos acontecimentos, tudo muito corrido, com uma urgência em passar logos os acontecimentos. Nesse episódio vemos uma Ellie como a figura da boazinha, muito compassiva, muito complacente, que aceita tudo, como no caso da revelação da gravidez da Dina, que no jogo temos um diálogo pesado entre as duas, onde a Ellie é extremamente dura com a Dina e até revela que sim, que a Dina tinha se tornado um fardo pra ela, como a própria Dina havia mencionado em não querer ser ao ter escondido a sua gravidez. Por outro lado o que temos na série é a cara de pamonha da Ellie dizendo: "eu vou ser pai"! Definitivamente não dá!
O episódio 5 começa com um ponto muito importante no jogo mas que até então nunca tinha sido mencionado na série - que é a questão dos esporos de Cordyceps. Já na parte do teatro, no jogo na primeira vez que a Ellie sai após chegar ao teatro não é com a Dina, ela sai sozinha visto que a Dina estava passando mal por causa da gravidez. Na série elas vão juntas, a Dina está bem, elas estão a pé, até porque elas simplesmente esqueceram a égua Estrela na loja de instrumentos musicais no episódio passado (no jogo a Estrela é atingida por um explosivo plantado no chão junto com a Ellie). Temos aquele ótimo discurso da Dina sobre sua primeira morte na infância, que soa como um tapa na cara da Ellie sobre a sua vingança pelo Joel. O que me parece que a Dina sente mais desejo de vingança do que a própria Ellie - ridículo isso! O Jesse aparece para ajudar, só que no jogo ele aparece para ajudar a Ellie que está sozinha, já na série ele ajuda as duas. E como eu estava imaginando em como eles iriam encaixar o Tommy nessa história, o Jesse revela que ele veio com o Tommy atrás das duas para resgatá-las de volta. Ou seja, o Tommy só está ali para resgatar as meninas e não pelo seu desejo de vingança - ridículo mais uma vez!
O episódio continua com a Ellie, a Dina e o Jesse fugindo de uma perseguição dos soldados da WLF, quando eles são emboscados em um local onde presenciam os Serafitas estripando um soldado da WLF. Nesse momento a Dina é atingida na perna por uma flecha e carregada dali pelo Jesse (isso não acontece no jogo). Esta foi a forma que arrumaram para retirar a Dina e o Jesse do local para a Ellie seguir sozinha atrás da Nora (Tati Gabrielle). A cena da Ellie contra a Nora ficou boa, finalmente eu vi um pouco da caracterização da Ellie do jogo na Bella Ramsey, pois ela até consegue mostrar um pouco da sua fúria em suas expressões ao atacar a Nora. E mais uma vez na cena a Ellie ataca a Nora batendo em suas pernas e não na cabeça como no jogo. Por essas e outras que o jogo sempre será superior à série, pois no jogo não temos estas censuras como nessa cena da Nora e na morte do Joel.
O episódio 6 começa com uma cena um tanto quanto curiosa, que é justamente uma cena no passado, em Austin, no Texas, em 1983, com o policial interpretado pelo sempre maravilhoso ator Tony Dalton. Esta cena apresenta o Joel com seu irmão Tommy em uma situação com seu pai que era policial, e no futuro esta cena fez sentido na formação do caráter do Joel. Este episódio é voltado para os dias dos aniversários da Ellie no passado com o Joel. A parte do aniversário da Ellie no museu é bem curta, como eu já imaginava, porém a parte da capsula espacial é muito boa e muito fiel ao jogo. O engraçado desse episódio são as passagens de tempo de acordo com cada ano de aniversário da Ellie, e a Ellie continua exatamente do mesmo jeito, não tem crescimento, não tem mudança, só uns detalhes aqui e acolá, como no cabelo, na sobrancelha, até porque obviamente é a mesma atriz o tempo todo (este é um diferencial no jogo). Outro ponto interessante nesse sexto episódio é o fato da série mostrar a parte do Eugene quando ele foi mordido e como o Joel matou ele, já que isso não existe no jogo. No jogo ele é apenas citado mas já está morto. Curioso que a Ellie aproveita a oportunidade para desmentir o Joel em relação ao Eugene, já que ele havia mentido para a Gail quanto à sua morte. A Ellie aproveitou a ocasião para expor aquela mentira do Joel por ele também já ter mentido para ela como já sabemos de toda a história. O final desse episódio temos aquele diálogo pesado, emocionante e bastante revelador entre a Ellie e o Joel na varanda da casa do Joel. Por sinal, uma cena belíssima e completamente fiel ao jogo.
O episódio 7 marca o fim da segunda temporada:
O episódio começa com a cena do Jesse ajudando a Dina com a flecha em sua perna, que é uma cena que não existe no jogo mas na série ficou boa. Temos a cena da Ellie no teatro com Dina cuidando dos machucados em suas costas, por sinal outra cena bastante fiel ao jogo. Esta cena é curiosa por vários pontos: primeiro a Ellie abalada pelo seu embate com a Nora, sendo que ela revela para a Dina que não matou a Nora (Ai não!!!). Depois a Ellie revela para a Dina como tudo ocorreu naquele dia do ataque do Joel ao hospital, incluindo a morte do pai da Abby, o que faz sentindo para a Dina entender tudo de uma vez. Logo após a Ellie e o Jesse vão tentar encontrar o paradeiro do Tommy, e curioso que a partir daí temos alguns diálogos bem pertinentes entre o Jesse e a Ellie; como no fato do Jesse revelar para a Ellie que ainda ama a Dina, e a própria Dina já havia revelado para a Ellie na cena da barraca que ainda gostava dele, curioso. Tudo isso não existe no jogo, não dessa forma específica. Outra discursão entre a Ellie e o Jesse envolve justamente na decisão dele querer ir encontrar o Tommy e ela ir atrás da Abby. Obviamente a Ellie vai de barco na direção do aquário na esperança de encontrar a Abby.
A cena da Ellie indo de barco até o aquário estava se desenrolando muito bem, até pelas enormes ondas, como justamente acontece no jogo. Porém colocarem esta cena dos Serafitas capturando a Ellie e a levando para sua ilha foi mais uma falha grotesca dessa série. Sinceramente eu não entendi qual o propósito dessa cena em específico, às vezes poderia ser apenas um gancho para nos mostrar o grupo dos Serafitas para a próxima temporada, que sim lá eles terão muito mais relevância. Mas já havíamos presenciado cenas com os Serafitas anteriormente. Outro ponto, é o fato dessa cena ser exatamente igual com a cena do jogo na parte da Abby quando ela é capturada pelos Serafitas, onde ela conhece a Yara e o Lev, que é uma parte muito importante da história da Abby no jogo. Sinceramente eu não entendi!
Por fim a Ellie chega no aquário de Seattle. No jogo assim que ela entra no local ela logo mata a cadela da Mel, a Alice. Mas adivinhem!!! Na série simplesmente a cadela Alice, que sim no jogo é extremamente importante, não existe. E então temos a cena que a Ellie enfrenta o Owen (Spencer Lord) e a Mel (Ariela Barer). Esta cena no jogo é excelente, pois a Ellie chega no local procurando a Abby e sai matando a sangue frio todo mundo que atravessa em seu caminho, incluindo a cadela Alice, o Owen e a Mel. Na série esta cena é absurdamente ridícula, pois a Ellie dá um tiro no Owen que de raspão pega no pescoço da Mel. O Owen obviamente morre mas a Mel ainda fica agonizando, sabendo que iria morrer ela revela que está grávida para a Ellie e pede para a Ellie fazer uma incisão em sua barriga para tentar retirar seu bebê ainda com vida. Uma cena absurdamente patética e deplorável, e mais uma vez temos uma Ellie na série completamente diferente da personalidade da Ellie do jogo, pois no jogo a Ellie também lamenta por ter matado a Mel grávida, mas é só. Na série a Ellie claramente não queria matar a Mel, ela morre quase como um acidente, e ainda a Ellie iria tentar salvar o seu bebê por compaixão - ah, faça-me um favor! Definitivamente esta Ellie é muito bunda-mole!
Logo após esta cena o Tommy e o Jesse aparecem para resgatar a Ellie do local e retornarem juntos para o teatro. Esta cena final do teatro é muito boa e completamente fiel ao jogo, onde até os diálogos são parecidos com o jogo. A seguir temos a cena que a Abby invade o teatro e ataca o Tommy, juntamente com a parte da morte do Jesse, que é exatamente igual ao jogo. Esta cena é mais uma que merece aplausos, pois temos aqui uma ótima cena, com um ótimo nível de fidelidade, sem falar na atuação da Kaitlyn Dever, que dessa vez eu gostei. No fim a Abby dispara contra a Ellie, mas naturalmente não aconteceu absolutamente nada, apenas para compor um impacto de fechamento. O corte seguinte é exatamente a cena da Abby na base do Isaac voltando para o dia 1, ou seja, obviamente uma apresentação para a terceira temporada da série, que será inteiramente focada na história da Abby.
Sobre o elenco:
Um dos principais pontos que na minha visão fizeram esta segunda temporada decair tanto em relação a primeira é exatamente a atriz Bella Ramsey. Na minha análise da primeira temporada eu elogiei a performance da Bella com todos os méritos possíveis, justamente por ela entregar uma atuação perfeita, com um timming perfeito, muito bem ajustada na personagem, onde ela soube incorporar com muita maestria a verdadeira Ellie do jogo. A Bella Ramsey superou e calou todos os críticos que julgaram a sua escolha, principalmente pela sua aparência com relação a Ellie do jogo. Porém, na primeira temporada a Bella Ramsey encaixou perfeitamente sendo aquela Ellie com 14 anos e não sendo uma Ellie já adulta com 19 anos. Você olha para a Bella e você jamais irá comprar a ideia que ela é a Ellie adulta, sendo que ela está exatamente igual na primeira temporada, por mais que ela apresente algumas mudanças como o cabelo, a sobrancelha e a tatuagem sobre a queimadura no braço. Este é o principal ponto da Bella Ramsey nessa segunda temporada.
E aqui eu preciso frisar que o problema em si não é somente da atriz Bella Ramsey e sim de quem a escalou para continuar vivendo a Ellie do segundo jogo, e principalmente a forma como o roteiro quis encaixá-la na trama da segunda temporada. O maior problema que eu vejo na Bella sendo uma Ellie adulta é justamente o fato dela não conseguir convencer sendo aquela Ellie do jogo, com aquele ódio, com aquele desejo de vingança, aquela fúria que a deixava completamente cega e sedenta por vingança. Uma Ellie completamente traumatizada e depressiva que iria matar qualquer um que atravessasse em sua frente. A Ellie do segundo jogo você já se impressiona ao olhar para a capa original do jogo, onde mostra uma pessoa seca, amargurada, vazia, obscura, sombria, infeliz, completamente morta por dentro. E o ponto aqui é justamente esse na atuação da Bella Ramsey, em não passar esta personalidade da Ellie do jogo, muito pelo contrário, a Ellie da Bella é totalmente pacifista, submissa, complacente, boazinha, bobinha, que aceita todas as ordens que lhe são impostas (como na cena ridícula do conselho). Jamais você irá comprar aquela ideia que aquela Ellie esteja realmente em uma missão de vingança, pelo contrário, em vários momentos a série suaviza ela demais, a humaniza demais, a descaracteriza demais, onde ela nitidamente não se impõe como aquela Ellie do jogo.
Outro ponto em relação a Ellie da Bella Ramsey, é o fato da série querer forçar que ela nunca quis matar ninguém, além da própria Abby. Pois me parece que ela não quis matar o Owen, nem a Mel e não matou a Nora. E pasmem, na cena final da temporada ainda nos deixa com a sensação como se ela também não quisesse matar a própria Abby - ai já é demais! E tem mais: parece que a única preocupação dessa Ellie na série é com o filho da Dina, em querer voltar logo para casa, em se tornar pai. Enfim! Eu gosto muito da atriz Bella Ramsey, acho ela muito talentosa, que já se provou em seus trabalhos passados, como em "Game of Thrones" e na própria primeira temporada de "The Last of Us". Porém, nessa segunda temporada ela não se encaixou na personagem, ela não conseguiu aquela essência da Ellie como ela havia conseguido na primeira temporada. Sendo assim eu concluo que manter a Bella Ramsey como a Ellie adulta nessa segunda temporada foi um completo erro.
Outro personagem que foi extremamente prejudicado pelo roteiro foi o Tommy. O ator Gabriel Luna também teve uma ótima participação na primeira temporada. Já nessa segunda ele foi muito prejudicado pela decisão do roteiro em mudar a parte que ele estaria com o Joel na cena da morte. A partir dali transformaram o Tommy em um bunda-mole, em um personagem onde claramente não dava a mínima pela vingança do seu irmão, um completo pau-mandado onde a sua esposa que dava as ordens do que ele deveria fazer, e depois ele foi completamente esquecido na série. Ou seja, o Tommy foi um personagem completamente subutilizado, completamente inútil, onde o roteiro dessa segunda temporada o prejudicou em todos os sentidos (assim como fez com a Ellie da Bella). Mais um que não passa perto do seu personagem no jogo.
Pedro Pascal manteve o mesmo nível da primeira temporada, ou seja, esteve excelente como Joel em suas poucas apresentações. Pedro é um ator espetacular, ele consegue um nível absurdo de caraterização, como nas cenas dos embates com a Ellie, na cena da sua morte e no episódio dos aniversários da Ellie no passado. Em todas as suas aparições ele esteve 100% perfeito e 100% fiel ao Joel do segundo jogo.
A Isabela Merced é um verdadeiro colírio para os meus olhos. Antes de mais nada eu quero deixar bem claro que a minha personagem preferida no segundo jogo é a Dina, sim, a Dina! Eu conheço e acompanho a carreira da Isabela Merced há muitos anos, desde os seus primeiros trabalhos até o mais relevante do seu início de carreira, "Transformers: O Último Cavaleiro" (2017), onde na época ela ainda usava o seu nome artístico como Isabela Monet (depois ela mudou para Merced por causa de um acontecimento pessoal). Ou seja, quando escalaram a Isabela para viver a Dina eu fiquei extremamente feliz, pois eu sabia que não tinha como dar errado, visto que ela sempre foi uma atriz talentosíssima, como muita entrega no personagem, e não deu outra, a Dina da Isabela Merced é maravilhosa. A Isabela consegue entregar uma Dina muito fiel ao jogo, muito bem caraterizada, muito bem estudada, muito bem trabalhada, sendo extremamente carismática, simpática, doce, um amor, cuja sua performance é tão boa, tão elegante, que chega a ofuscar o brilho da protagonista Bella Ramsey em praticamente todas as cenas em que as duas atuam juntas. E vamos combinar né....a Isabela Merced é muito linda!
Young Mazino é outro ator que conseguiu um ótima caracterização do Jesse do jogo, por mais que em alguns momentos ele destoe um pouco do personagem por algumas conversas e atitudes. Mas no geral ele esteve muito bem como Jesse e não comprometeu em nenhum momento.
A Kaitlyn Dever como Abby eu já mencionei praticamente tudo que eu penso acima na análise do segundo episódio. Já expliquei o porque de eu não ter gostado da escolha dela para viver a Abby. E aqui a culpa não é da atriz e muito menos da sua performance, que pra mim fica devendo na cena da morte do Joel, mas ela compensa na cena do teatro no último episódio. Kaitlyn Dever é uma ótima atriz, tem ótimos trabalhos, e eu acredito que ela entregará uma excelente atuação na terceira temporada, visto que ela será a protagonista e a dona da temporada.
Completando o elenco:
Rutina Wesley tem muito mais tempo de tela nessa temporada e ela soube aproveitá-lo da forma mais precisa. Rutina contracena muito bem com o Gabriel Luna e com os outros, ela consegue mostrar uma imposição bastante interessante (a maria do jogo também se impunha). Ela foi bem!
Robert John Burke que fez o Seth, o ex-policial que administra um bar em Jackson, tem até mais participações na série do que no jogo. Ele faz o básico bem feito e não compromete.
Catherine O'Hara fez a terapeuta do Joel e a esposa do Eugene. Uma personagem original da série que na minha opinião é completamente desnecessária.
Já o Joe Pantoliano que fez o Eugene, marido de Gail, aparece apenas em um único episódio. De qualquer forma ele ainda existe no jogo e ainda teve um contexto na série.
Sobre o elenco do grupo da Abby:
O principal, além da Kaitlyn Dever, é o Jeffrey Wright que faz o Isaac. Interessante que o Jeffrey repete o seu próprio papel do jogo, e aqui, até por razões óbvias, ele está impecável, excelente, sendo de longe um dos melhores personagens em termos de caracterização entre a série e o jogo.
Spencer Lord não me convence como Owen. O mesmo também vale para a Ariela Barer como Mel. Porém, acredito que na terceira temporada eles serão muito mais relevantes (como no jogo), o que poderá melhorar muito a atuação de ambos, já que nessa temporada é bem fraca.
Por outro lado temos a Tati Gabrielle que fez a Nora. Esta sim conseguiu me convencer perfeitamente sendo a Nora, e olha que ela teve pouco tempo de tela, mas em seu episódio com a Bella Ramsey ela já se mostrou muito bem caracterizada na personagem. Com toda certeza ela estará incrível na terceira temporada.
E por fim o Danny Ramirez como Manny, que no jogo tem uma grande importância no grupo da Abby. Outro ator que eu também aposto que estará muito bem na terceira temporada.
Sobre as qualidades técnicas:
Tecnicamente a segunda temporada continua na mesma linha da primeira, sendo uma verdadeira obra-prima. O maior destaque da temporada continua sendo a direção de arte que produz cenários impecáveis e completamente condizentes e fiéis ao jogo. A caracterização da equipe de maquiagem e efeitos é novamente um absurdo. Pois nessa temporada temos mais ações envolvendo os infectados, até com variações deles, coisa que ficou um pouco devendo na primeira temporada. A cenografia salta aos nossos olhos, e muito por nos surpreender com uma fotografia completamente maravilhosa. De fato a direção de fotografia da série é um dos pontos mais fiéis ao jogo. A trilha sonora acompanha com muita maestria todas as qualidades técnicas da série, e não era pra menos. A segunda temporada continua com um trabalho técnico e artístico de altíssimo nível.
Agora eu preciso questionar sobre o roteiro dessa temporada:
Os senhores Craig Mazin e Neil Druckmann, que eu elogiei bastante na primeira temporada, dessa vez perderam a mão. E aqui a crítica é direcionada para a produção e roteiro. Um ponto que eu elogiei bastante na primeira temporada foi justamente o fato dos roteiristas seguirem um roteiro mantendo toda a essência e teor do jogo, por mais que tivemos algumas mudanças. Pra mim este foi o grande acerto da primeira temporada. O que me decepciona bastante nessa segunda temporada é exatamente a mudança de teor e essência que eles aplicaram no principal conteúdo do segundo jogo em relação com a série, pois o jogo é pesado, cruel, sombrio, mórbido, tenso, sobre vinganças, sobre dores, sobre perdas, sobre luto, sobre traumas, com um alto nível de violência, pânico e terror. O que acontece na série é exatamente ao contrário, eles suavizaram demais, eles humanizaram e descaracterizaram demais os personagens, eles retiraram todo esse peso, esse sentimento de ódio, dor, fúria e principalmente a vingança. E a personagem da Ellie na série é a personificação de toda essa mudança que eu acabo de mencionar.
Acredito que eles optaram em seguir por este caminho de suavizar a série para justamente não elevar a classificação indicativa e conseguir atingir todos os públicos. E aqui eu preciso deixar bem claro que eu entendo que estamos falando de uma adaptação de um jogo de videogame para o audiovisual, e que uma adaptação obviamente nunca irá seguir à risca da obra original, porém, eu defendo o fato de criar, de mudar, de usar uma liberdade criativa e até mudar alguns pontos ou alguns acontecimentos, mas uma coisa tem que ser respeitado em uma adaptação; tem que manter a essência do jogo, tem que respeitar o universo original que já está criado e eternizado, pois obviamente mesmo sendo uma adaptação, mas se não existisse o jogo a série jamais existiria. Então esse discurso batido de redes sociais de: "quer fidelidade vai jogar o jogo", pra mim não cola.
E aqui eu preciso destacar justamente essas mudanças que não fazem sentido e ainda prejudicam o andamento da narrativa na história.
Você nota que eles perderam a mão na temporada na questão de suavizar e descaracterizar a Ellie, quando justamente eles querem colocar a Ellie em situações adversas para motivá-la a despertar o seu ódio e o seu desejo de vingança, como se de alguma forma isso fosse dar um choque de realidade na Ellie (que vive em Nárnia) para ela se lembrar da sua missão de vingança (pois claramente parece que ela esqueceu). Estou falando daquela cena patética no último episódio do garoto Serafita que estava sendo capturado pelos soldados da WLF. Por falar em Serafitas (ou Cicatrizes, como queiram), é impressionante a forma como a série nos apresenta o grupo dos Serafitas. A série coloca os Serafitas como vítimas da WLF, como se eles fossem somente o grupo que é sempre maltratado e perseguido pela WLF, subestimando os verdadeiros Serafitas do jogo, que também são extremamente cruéis com qualquer um que não faça parte do seu grupo. Nesse ponto temos mais uma mudança completamente absurda da série, pois no jogo isso nunca existiu, pelo contrário, no jogo não existe lado certo ou lado errado, não existe vítima e nem vilão, todos são vítimas e todos são vilões dos seus atos, cada um luta em prol da sua crença pela sua sobrevivência. Esta mudança exibindo esse olhar sobre os Serafitas e a WLF não faz o menor sentido.
Por fim:
Temos aqui uma segunda temporada de "The Last of Us" muito aquém do que eu esperava. Como já mencionei anteriormente, a série é uma adaptação do jogo e obviamente vão ocorrer mudanças em relação à obra original, mas se você tira o peso do luto, da vingança e da violência da narrativa, você até pode ter uma adaptação aceitável e boa para quem não jogou o jogo, mas definitivamente não representa verdadeiramente o que é "The Last of Us".
Eu lamento, pois eu esperava mudanças (como o próprio Neil Druckmann declarou) mas que não fossem comprometer exatamente a essência do que é o jogo "The Last of Us Part II". Que não fossem retirar o peso da história e suavizar, humanizar e descaracterizar tanto um roteiro, uma narrativa e principalmente os personagens. Este é o ponto que me pega, principalmente o que fizeram com a Ellie na série, que é absurdamente inaceitável!
O que resta é aguardar a terceira temporada (que ainda não tem data de lançamento, mas eu aposto por volta de 2027) que será feita no mesmo formato do jogo, com a primeira parte inteiramente focada na perspectiva da Ellie e seu grupo (como já foi), e a segunda parte inteiramente focada na perspectiva da Abby e o seu grupo. Eu acredito que este formato funciona no jogo, mas já para a série eu acho que não irá funcionar assim tão bem; uma vez que esta terceira temporada não teremos os personagens principais como o Joel, a Ellie e a Dina, sendo que na parte da Abby só ela se destaca enquanto o seu grupo é desconhecido. Pode ser que nessa terceira temporada a série venha a perder ainda mais força e relevância com relação a primeira e a segunda.
Como um verdadeiro fã da franquia de jogos "The Last of Us", eu encerro com uma palavra que define completamente o meu sentimento em relação a esta segunda temporada da série - "DECEPÇÃO"!!!
Sem mais!
- 25/05/2025
The Walking Dead: Daryl Dixon (2ª Temporada)
3.6 38🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Walking Dead: Daryl Dixon - The Book of Carol (2ª Temporada) 2024
Como um eterno fã de "The Walking Dead" eu achei sensacional a ideia de após o término da série original serem introduzidos novos spin-offs derivados de vários personagens desse universo, já que estávamos órfãos. Esta foi a aposta em "Dead City", "The Ones Who Live" e "Daryl Dixon" (apesar de já existir a série "Fear the Walking Dead").
A primeira temporada de "Daryl Dixon" eu achei interessante e bastante promissora, apesar que em sua grande maioria dos episódios necessariamente não construir um derivado da série principal e soar como uma continuação nos mesmos moldes. Ainda assim eu achei a série funcional dentro do que se propôs, que era expandir o universo do personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbis. Diante desse contexto eu vi que a série tinha potencial, até por focar na continuação da história de um dos principais personagens do universo de "The Walking Dead" - Daryl Dixon.
Diante daquele contato pelo rádio durante uma cena de flashback no final da primeira temporada, obviamente sabíamos que na segunda temporada teríamos a adição da icônica Carol Peletier (Melissa McBride), que retornaria para o universo de "The Walking Dead". Carol é simplesmente uma das personagens mais amadas (se não for a principal) de todo o universo de "The Walking Dead". A lendária Melissa McBride esteve presente em todas as temporadas de "The Walking Dead", onde inicialmente foi apresentada como uma mulher vulnerável, submissa, que sofria com os maus-tratos do marido e depois com dor da perda de sua filha Sophia (Madison Lintz). Diante desse início na série, eu afirmo que a Carol foi a personagem que mais evoluiu e se desenvolveu dentro desse universo, se tornando uma autêntica badass exterminadora de zumbis do mais alto nível, que é exatamente como a conhecemos hoje.
A temporada começa exatamente de onde parou a anterior, onde temos um Daryl indeciso e pensativo sobre a sua decisão em permanecer na França para ajudar na missão em proteger o jovem Laurent (Louis Puech Scigliuzzi) para conseguir o seu retorno para os EUA. Dessa vez Daryl, junto com a Isabelle (Clémence Poésy), é confrontado pela supervisão de Losang (Joel de la Fuente), quando decidem se arriscarem em uma nova missão de resgate. Por outro lado Carol, que ainda está nos EUA, luta para descobrir o paradeiro de seu inseparável amigo Daryl.
Carol já chega na série no seu estilo que já conhecemos (e estávamos com saudades), se impondo como a badass que sempre foi para conseguir o que sempre deseja. E aqui eu já preciso destacar a cena da Carol chegando na frente da porta daquele celeiro, que imediatamente na hora eu já me lembre da icônica cena da Sophia saindo do celeiro na segunda temporada de "The Walking Dead", e não deu outra, tivemos exatamente este flashback como lembranças da Carol. Esta cena da Sophia na série principal é lendária, é icônica, é emblemática, e na minha minha opinião é a cena mais marcante de todo o universo de "The Walking Dead", e obviamente a minha cena preferida de toda a história dessa série.
Por outro lado eu preciso mencionar que esta desculpa que a Carol inventou para convencer o Ash (Manish Dayal) a levá-la até a França é bem questionável, pra não dizer inteiramente ruim. Eu entendo que a Carol também tem esse perfil de manipuladora para conseguir o que sempre quer, mesmo passando por cima de pessoas e sentimentos, e aqui eu vi exatamente este ponto, que é a Carol se aproveitando do sentimento de dor e luto pela perda do Avi, o filho do Ash, para conseguir que ele a levasse até a França sobre a desculpa de procurar a sua filha Sophia, que todos nós sabemos que estava morta há muitos anos. Esta questão pode parecer normal para muitas pessoas, que podem até não ligarem para este contexto, mas no meu caso eu não achei legal.
Um ponto que nunca podemos levar em consideração quando estamos falando do universo de "The Walking Dead" é a verossimilhança nos acontecimentos, que é justamente o que acontece aqui. Pois toda essa conveniência da Carol em achar justamente um sobrevivente que aidna possui um avião dentro desse cenário pós-apocalíptico depois de tantos anos. Mais incrível aidna é o fato do avião estar funcionando perfeitamente para conseguir fazer uma viagem dos EUA até a França dentro daquelas condições, que sim, tem até um defeito que os obriga a fazer um pouso forçado na Groelândia, que por sinal rende até umas cenas interessantes. Sem falar também na outra conveniência da Carol em buscar sozinha o paradeiro do Daryl em um outro país completamente gigante e inicialmente sem nenhuma informação do seu paradeiro, e aqui eu nem estou levando em consideração a dificuldade do idioma. Porém são coisas que realmente temos que ignorar em prol do entretenimento.
Nesse ponto a série se dividi em dois núcleos; a Carol lutando para encontrar o Daryl e a parte do Ninho que envolve o questionável Losang. Este núcleo que envolve toda a história em volta do Ninho é vaga, rasa e completamente descartável, passando por discussões superficiais sobre fanatismo e diferença de classes, onde envolve até uma morte precoce para tentar impactar o espectador. No mais este núcleo é bem chato e desinteressante, pois chega a ser maçante acompanhar toda a trama do Losang (que por sinal é um personagem muito ruim) e seu culto caçando o Laurent.
No quarto episódio temos finalmente o reencontro da Carol com o Daryl, mas por outro lado temos a morte da Isabelle, uma personagem que eu gostava desde a primeira temporada e que tinha um potencial dentro da série. Aqui eu já acho que esta morte entra no mesmo critério que estamos acostumados dentro do universo de "The Walking Dead". Ou seja, sempre colocar uma morte de um personagem principal para tentar gerar, ou criar, um impacto no espectador, mas que no fim não funciona como esperavam. Nada mais do que "The Walking Dead" sendo "The Walking Dead", e infelizmente eu já estou acostumado com estas decisões sempre questionáveis dos roteiristas.
No mais a série continua no caminho dos embates com uma nova facção de sobreviventes do Ninho na caçada ao Laurent. Já o Daryl luta com suas crises existenciais para se perdoar, enquanto a Carol finalmente conta toda a verdade para o Ash. Obviamente o Ash fica indignado com a Carol por ela ter simplesmente o manipulado para conseguir o que queria, e não era pra menos, pra mim a Carol se aproveitou de um sentimento de luto e dor do Ash em prol dos seus desejos próprios.
E por fim chegamos no último episódio dessa segunda temporada; onde temos toda a estratégia de fuga de avião da França, onde o Ash consegue levantar voo diante daquele confronto entre os lados e proteger o Laurent. A ideia inicial era que a Carol partisse junto com o Ash e o Laurent de avião, porém ela pula do avião para protegê-los durante a partida, sendo assim ela fica junto com o Daryl. A parte final do episódio é bem intrigante e questionável, onde temos a sequência de cenas no túnel com zumbis bioluminescentes e alucinações causadas por fezes de morcegos. Diante deste cenário temos alucinações da Carol revendo, mais uma vez, a sua filha Sophia, e o Daryl também revendo a Isabelle. E assim termina o episódio nos deixando com várias dúvidas e vários questionamentos acerca da próxima temporada.
O elenco da série se resume exclusivamente no Norman Reedus e na Melissa McBride. Um ponto interessante dessa dupla é justamente o fato de termos somente uma dupla de velhos amigos e não um casal, como a série adora fazer com outros personagens, e que na maioria das vezes acaba não dando certo. Dessa forma a química e a sintonia entre eles é muito notável e funciona em perfeita harmonia dentro da série, praticamente um completa o pensamento e as atitudes do outro. Norman entrega o faz de melhor na pele do lendário Daryl Dixon, a verdadeira personificação do personagem, a imortalização do personagem - incrível!
Já adição da Melissa foi certeira, pois ela compõe uma personagem forte, destemida, hábil, persuasiva, manipuladora, enfrentando tudo e todos que se opuser em seu caminho. Sem nenhuma dúvida o Norman Reedus a Melissa McBride compõem a melhor dupla (que não é um casal) de todo o universo de "The Walking Dead".
Completando o elenco temos a ótima Clémence Poésy; uma personagem que eu gosto na série, que na primeira temporada foi a responsável em trazer um novo frescor para a série e para o personagem do Norman Reedus. Nesta segunda temporada ela estava seguindo a mesma linha da primeira e estava indo bem, e eu gostaria que ela estivesse ficado na série ao lado do Daryl, mas infelizmente ela foi a escolhida do roteiro para fazer a famigerada "morte impactante" da temporada.
O jovem ator Louis Puech Scigliuzzi trouxe um personagem que eu questionei bastante na primeira temporada, até por de fato não entender as suas reais motivações dentro da série, o seu verdadeiro objetivo que não fosse ser somente o jovem Messias destinado a guiar a humanidade para uma renovação. De fato ele continua como um personagem vago, vazio, superficial, que não avança em nada, porém pelo menos ele não está muito chato como na primeira temporada.
O ator Manish Dayal traz um personagem que soa até como interessante inicialmente, que é justamente aquele personagem mais cru, mais seco, mais carregado emocionalmente e dramaticamente, que funciona dentro da proposta do roteiro, por mais que esta sua proposta seja um tanto quanto questionável.
O restante do elenco se completa com personagens vagos e bem desinteressantes que não valem a pena serem destacados.
Tecnicamente a temporada anda na mesma linha da anterior, ou seja, um verdadeiro show à parte. Nesse quesito o universo de "The Walking Dead" sempre foi referência, sempre nos entregou trabalhos absurdamente bem feitos. Novamente contamos com nomes como Angela Kang, Scott M. Gimple e Greg Nicotero, o que são sinônimos de excelência do mais alto nível. Ou seja, o desenvolvimento e produção da temporada é muito bem feito, muito bem trabalhado, muito bem arquitetado, onde novamente temos uma excelente ambientação calçada com uma direção de arte com cenários incríveis, que são o verdadeiro contraponto desse universo pós-apocalíptico. Outra referência do universo de "The Walking Dead" sempre foram a construção dos zumbis, que aqui estão ótimos, como aquelas variações dos zumbis mais violentos quando são afetados por aquela espécie de dardos com substância, uma espécie de mutação ainda mais forte. Sem falar nos zumbis que apareceram enterrados na Groelândia e nos zumbis bioluminescentes que apareceram no túnel no final da temporada.
Continuando temos uma fotografia perfeita, onde casava muito bem com cada cena e seus acontecimentos. A trilha sonora também anda no mesmo ritmo, assim como a edição e direção de cada episódio.
Sobre a continuação da série:
Sim, haverá uma terceira temporada de "The Walking Dead: Daryl Dixon". A série foi renovada para a terceira temporada e a previsão é que ela estreie ainda em 2025. Já existe um teaser disponível para o público, que mostra o início da jornada de Daryl e Carol na Espanha (bem curioso por sinal).
Por fim:
A segunda temporada da série ganha um elemento que é de longe a principal motivação dessa temporada, que é justamente a adição da incrível Melissa McBride. A adição da Carol foi uma decisão muito acertada, e justamente por ela ser a melhor amiga do Daryl e assim poder junto dele dividir todo o protagonismo da série. A segunda temporada ganhou muito com a presença da Carol, pois assim ela reviveu uma dupla emblemática do universo de "The Walking Dead", que juntos construíram cenas impactantes com bastante química e sintonia. Sem falar que o roteiro aidna trouxe arcos pessoais de ambos os personagens que remexeu em suas feridas do passado, o que os obrigavam a enfrentar os seus medos e seus traumas.
A temporada também melhora nos embates, na violência dos ataques e nas mortes, que é também um ponto que merece destaque pela chegada da Carol na série, que junto do Daryl construíram aquela velha dupla de exterminadores de zumbis que tanto amamos dentro desse universo.
Já por outro lado o desenvolvimento das partes iniciais (principalmente dos primeiros episódios) é muito ruim, pois aquele núcleo que envolve o Ninho junto com o Losang é muito ruim, chegando a ser maçante e desinteressante de acompanhar. Especificamente falando dessa parte na temporada, eu acho que aqui é o ponto que mais destoa na série, pois temos um núcleo confuso, genérico, superficial em torno do apático Laurent, que acaba trazendo um tom mais sentimental e mais melodramático, do que de propriamente aquela ação misturada com um terror, que de certa forma é a grande marca desse universo.
Porém, ainda assim a temporada se sobressai em comparação com a primeira, e muito disso se deve exclusivamente a entrada da Carol na série.
Agora é aguardar o que a terceira temporada estará preparando para nós, visto que já temos informações que a série se expandirá para novos países como Inglaterra e Espanha. É praticamente uma turnê mundial da Carol Peletier e do Daryl Dixon.
- 25/05/2025
Better Call Saul (6ª Temporada)
4.6 435 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (6ª Temporada) 2022
A sexta e última temporada de "Better Call Saul" estreou em 18 de abril de 2022, nos Estados Unidos, e concluiu em 15 de agosto de 2022. A temporada de treze episódios foi dividida em duas partes; a primeira consistindo dos primeiros sete episódios concluiu em 23 de maio, antes de retomar com a segunda metade consistindo dos seis episódios finais em 11 de julho.
Os primeiros nove episódios acontecem principalmente em Albuquerque, Novo México, em 2004, quatro anos antes de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) começar sua associação com os cozinheiros de metanfetamina Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul). A temporada mostra a evolução de Jimmy para o personagem homônimo, o advogado de defesa criminal " Saul Goodman ", enquanto ele e sua esposa Kim Wexler (Rhea Seehorn) executam seu plano para forçar uma resolução do caso Sandpiper, arruinando a carreira de Howard Hamlin (Patrick Fabian). Simultaneamente, retrata Lalo Salamanca (Tony Dalton) buscando vingança contra Gus Fring (Giancarlo Esposito) por orquestrar uma tentativa de assassinato contra ele. Os episódios restantes acontecem principalmente em 2010, após os eventos de "Breaking Bad", e mostram Saul vivendo em Omaha, Nebraska, sob o pseudônimo de "Gene Takavic", se escondendo das autoridades após a morte de Walter.
Como já é de praxe, a sexta temporada inicia exatamente onde terminou a quinta, nos mostrando o Lalo com aquela sua sede de vingança contra o Gus pelos últimos acontecimentos que envolve justamente o Nacho (Michael Mando). O interessante é o fato de todos acharem que o Lalo estivesse realmente morto, mas além dele estar vivo, ele arruma um jeito de entrar em contato com o Hector Salamanca (Mark Margolis) para avisá-lo que irá conseguir sua vingança contra o Gus. O principal alvo do momento, tanto do Lalo quanto do Gus, é o Nacho, que mesmo com a ajuda do Mike para que o Gus reconsiderasse a ajudá-lo, mas o Gus está irredutível e decide jogar toda a culpa em sua conta. Dessa forma o Nacho passa a fugir incansavelmente, até que os famosos gêmeos Salamancas vão ao seu encalço (muito bom poder rever os gêmeos em ação novamente). No fim o Nacho decide entrar em um acordo e se entregar, onde temos aquela icônica cena com o Nacho entre o Gus e os líderes do Cartel Mexicano, onde o Nacho conta tudo e por fim acaba dando um tiro em sua própria cabeça, pondo um fim na história do incrível Nacho Varga no universo de "Breaking Bad".
Partindo para o núcleo do Saul Goodman, podemos logo observar que ele deixou aquele fundo daquela loja de manicure e conseguiu outro local para fazer os seus atendimentos. Logo também observamos que ele continua elaborando aquele plano, junto com a Kim, para retirar de vez o Howard do caso Sandpiper. A ideia do Saul é retirar o Howard do caso para lucrar sozinho toda a grana, dessa forma o Saul passa a arquitetar vários golpes para incriminar o Howard como se ele estivesse usando cocaína, e no fim todo o plano do Jimmy/Saul acaba dando certo.
Continuando no caso do Gus, que está paranoico com a possibilidade do Lalo estar vivo, onde o próprio Mike também acredita que o Lalo esteja realmente morto. Por outro lado o Lalo vai fundo em sua investigação para descobrir todos os esquemas do Gus envolvendo os seus restaurantes e sua lavanderia. Já no lado do Jimmy/Saul, que está em um momento tranquilo com a Kim, quando de repente tem uma visita inesperada do Howard que acusa o Jimmy por tudo que aconteceu com ele. É nessa cena que simplesmente aparece o Lalo na casa do Jimmy e dá um tiro na cabeça do Howard, pondo fim em outro personagem desse universo. A partir daí temos vários acontecimentos envolvendo a Kim indo confrontar o Gus, onde tudo não passava de uma armação do próprio Lalo para montar uma emboscada na lavanderia para finalmente pegar o Gus. Este é o grande confronto da temporada e talvez da série, onde logo o Lalo apaga os capangas do Gus e o mantém como refém. Esta cena com o embate entre o Gus e o Lalo é sensacional, onde o Gus sai como vencedor pondo um fim no imparável Lalo Salamanca.
Temos um salto no tempo na temporada, onde finalmente temos o Jimmy McGill em sua maior e mais notável forma do famigerado Saul Goodman. Nesse episódio (o décimo primeiro) temos as participações mais do que especiais do Walter White e do Jesse Pinkman, retornando junto com o Saul ao icônico universo de "Breaking Bad". Esta parte temos um ponto específico do Walter e do Jesse explicando para o Saul sobre os seus negócios (que já sabemos) e no que eles precisavam da ajuda do Saul.
A partir do décimo episódio temos várias cenas e vários acontecimentos em preto e branco, o que de certa forma virou uma marca dos inícios das temporadas. Temos os acontecimentos a partir da cena da temporada passada, onde temos o Jimmy sendo reconhecido por um taxista local e ele tentou disfarçar. O Jimmy/Saul começa a fazer um golpe, o que fatalmente não será uma única vez, como no caso dos golpes no shopping para roubar as lojas. Seguindo adiante o Jimmy meio que fecha um acordo com o taxista para embriagar os passageiros e roubar suas casas juntamente com seus dados bancários. Um fato curioso desse período na vida do Jimmy, é justamente o dia que por alguma razão ele decide ligar para a Kim, que naquele momento estava vivendo sua vida pacata na Flórida. Entre golpes e mais golpes do Jimmy junto com o taxista Jeff (Pat Healy), quem realmente ajuda na queda do Jimmy é a Marion (Carol Burnett) a mãe do Jeff, que já estava desconfiada daquela aproximação e acaba descobrindo o Jimmy como um golpista. Temos então um confronto entre o Jimmy e a Marion, onde ele acaba fugindo mas logo é pego pela polícia local.
Agora eu preciso destacar a parte final da temporada, onde temos acontecimentos até então inimagináveis dentro do universo de "Breaking Bad". Quando o Jimmy/Saul é capturado cai sobre ele todas as acusações, ainda mais com o fato do Walter está morto, o Hank também está morto e o Jesse foragido (entenda-se que estamos falando aqui de um futuro pós finalização de "Breaking Bad"). Ou seja, nesse momento o único acusado que ficou responsável por tudo que aconteceu em "Breaking Bad" era o Saul. O Saul por sua vez se defende das acusações alegando que era coagido pelo Walter para fazer tudo que ele fez, o que teoricamente não deixa de ser uma verdade. Porém, como o Saul é muito hábil e astuto nesse mundo do crime, com sua inteligência e sua lábia ele consegue reduzir consideravelmente a sua pena, que deveria ser prisão perpétua. Por outro lado o Saul vive em conflito com sua mente em relação à Kim, já que a própria ficou muito perturbada com tudo que fez na vida e decidiu desabafar todo o ocorrido justamente com a viúva do Howard - por sinal uma cena muito impactante.
Por fim chegamos no julgamento do Saul, que justamente estava perturbado mentalmente sobre a Kim, e ela está presente no tribunal do seu julgamento, o que o leva a jogar toda a merda no ventilador e confessar tudo que fez em sua vida. Dessa forma o Saul conta tudo no tribunal, falando até da morte do seu irmão Chuck e se colocando como o principal responsável, o que me deixou completamente boquiaberto nesse momento. Temos até uma bela cena do Jimmy com o Chuck, e logo após o Jimmy revela que seu nome é Jimmy mesmo e não Saul, praticamente se desfazendo do seu famigerado pseudônimo para manter a sua consciência livre e limpa (como se fosse possível). Após o julgamento o Jimmy é condenado e encaminhado para a prisão onde ele passará os últimos anos de sua vida. E no fechamento da série temos a cena em que a Kim (visualmente bem diferente, por sinal) vai até a prisão falar com o Jimmy, eles meio que se acertam na medida do possível e ficamos com a última visão do Jimmy olhando do outro lado da cerca a Kim indo embora para sempre. E assim se encerra o último episódio da última temporada da série "Better Call Saul".
Sobre o elenco:
De fato "Better Call Saul" jamais sairia do papel sem este incrível elenco que compôs cada temporada, cada personagem e cada acontecimento.
Bob Odenkirk é a alma da série, onde ele veste de um personagem cheio de camadas, de facetas, indo desde o inexperiente Jimmy McGill inicialmente até o inigualável Saul Goodman, até se descaracterizar e se desconstruir da sua principal personalidade ao final. Incrível, Bob Odenkirk é incrível!
Jonathan Banks deu vida a um dos meus personagens preferido de todo o universo de "Breaking Bad". O apoteótico Mike Ehrmantraut é sempre a peça-chave dos acontecimentos, aquele coringa que sempre está presente no local certo e na hora certa. Imensurável como o Jonathan Banks é impecável no universo de "Breaking Bad".
Rhea Seehorn faz uma personagem que desde o começo é aquela famosa ame ou odeie. Na temporada passada eu citei que a Kim estava em sua melhor temporada da série até o momento, e digo que ela se mantém nesse patamar na temporada atual. Realmente a Kim teve um grande crescimento de importância dentro da série, se colocando como peça principal em alguns momentos e fechando com chave de ouro a sua última cena junto com o Jimmy. Belíssimo trabalho da Rhea Seehorn.
Patrick Fabian teve menores participações nessa temporada em específico, e logo foi limado do contexto atual. Porém ele não fica atrás, pois entregou um ótimo personagem ao longo da série, que teve participações pontuais e fundamentais na construção do caráter do Jimmy como Saul.
Michael Mando andou na mesma linha da Rhea Seehorn nas últimas duas temporadas, pois ele também cresceu muito de importância dentro da série e teve um final extremamente impactante.
Tony Dalton não foi um personagem que esteve desde o começo da série mas ele trouxe consigo uma extrema importância para os acontecimentos acerca do Gus. Os embates entre eles foram de tirar o fôlego, nos proporcionando cenas impagáveis. Tony é um excelente ator!
E por falar em Gus Fring; Giancarlo Esposito é o coração da série. Se o Bob é a alma ele é o coração! Eu não tenho mais palavras para elogiar o que o Giancarlo representa para o contexto do universo de "Breaking Bad". Elogiá-lo é simplesmente chover no molhado. Já falei aqui e repito: Giancarlo Esposito é um verdadeiro gentleman na arte de atuar!
Tecnicamente e artisticamente a série "Better Call Saul" é uma obra-prima, pois ela está inserida na mesma linha de "Breaking Bad", sendo assim é mais do que notável e perceptível como tudo aqui funciona em perfeita harmonia e sintonia. Vince Gilligan constrói uma evolução muito notável durante cada temporada e cada episódio, algo que vai além, que o faz se superar em cada quesito; como no caso da produção, direção, edição, mixagem, fotografia, cenografia e direção de arte. É realmente incrível como tecnicamente tudo funciona dentro da série, como no caso da trilha sonora, que é absurda.
A sexta temporada de "Better Call Saul" foi filmada em Albuquerque durante um período de onze meses. Muitos de seus atrasos foram devido à pandemia de COVID-19 e ao ataque cardíaco de Bob Odenkirk no set. A série foi elogiada pelos críticos, principalmente por suas performances, roteiro, visuais, peso emocional e semelhança com "Breaking Bad" (algo mais do que natural) . A primeira metade recebeu quatro indicações no 74º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. A segunda metade recebeu cinco indicações para o 75º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática, a sexta indicação de Bob Odenkirk para Melhor Ator Principal em Série Dramática e a segunda indicação de Rhea Seehorn para Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática.
No Rotten Tomatoes, a sexta temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com base em 182 avaliações, com uma classificação média de 9,4/10. Já no Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 94 de 100 com base em 20 críticos.
Considerações finais:
Eu sempre deixei muito claro que "Breaking Bad" é a melhor série que eu já assisti na vida, a minha série de cabeceira. Dito isto: poder acompanhar "Better Call Saul" pela primeira vez foi uma experiência inenarrável, um verdadeiro deleite audiovisual. Pois esta série pode me proporcionar conhecer um outro lado dos personagens que teoricamente não eram os protagonistas da série principal. Ou seja, conhecer o seu passado, ou melhor, o seu início dentro desse universo antológico, poder descobrir como cada um deles se tornaram o que conhecemos em "Breaking Bad".
Encerro afirmando que "Better Call Saul" é uma série excelente, que nos entregou exatamente o que todos nós queríamos, o que todos nós almejávamos, que nos proporcionou voltar ao universo de "Breaking Bad" mais uma vez, e isto para um fã não tem preço. "Better Call Saul" honrou o nome da maior série de TV de todos os tempos!
Vince Gilligan eu te amo!
- 16/05/2025
Better Call Saul (5ª Temporada)
4.6 333 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (5ª Temporada) 2020
A quinta temporada de "Better Call Saul" estreou em 23 de fevereiro de 2020, nos Estados Unidos, e concluiu em 20 de abril de 2020. Assim como as temporadas anteriores, esta também continua no padrão dos dez episódios. Novamente temos o elenco formado por Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando e Giancarlo Esposito, sendo acompanhados por Tony Dalton, que foi promovido ao elenco principal de seu papel recorrente na temporada anterior.
A quinta temporada começa exatamente onde a quarta parou, também ocorrendo em 2004, quatro anos antes de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) conhecer Walter White (Bryan Cranston ) e Jesse Pinkman (Aaron Paul ) na série principal "Breaking Bad". A temporada mostra a evolução de Jimmy para o personagem titular, o advogado de defesa criminal "Saul Goodman", após recuperar sua licença de advogado, enquanto rejeita totalmente a boa vontade que Howard Hamlin (Patrick Fabian) estende a ele após a morte de seu irmão Chuck (Michael McKean) na terceira temporada. Kim Wexler (Rhea Seehorn) fica consternada com a natureza secreta e esporádica de Jimmy, bem como com sua própria disposição de concordar com os motivos moralmente ambíguos de Jimmy para seguir em frente em seu trabalho de casos judiciais. A presença de Lalo Salamanca (Tony Dalton) em Albuquerque interrompe o negócio legítimo de restaurantes de Gus Fring (Giancarlo Esposito) e sua reputação com o cartel de drogas. Tanto Nacho Varga (Michael Mando), temendo pela segurança de seu pai, quanto Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks), que está lutando para lidar com a morte de Werner Ziegler, ficam presos no conflito de Gus e Lalo, o que acaba atraindo Jimmy e Kim.
Como já virou um padrão dos inícios das temporadas de "Better Call Saul", o primeiro episódio já inicia no famoso pós "Breaking Bad", onde temos o Jimmy/Saul em seu trabalho no shopping vivendo naquela sua paranoia de ser reconhecido por alguém quanto a sua identidade. Tanto que ele esconde sua verdadeira identidade sob seu pseudônimo de "Gene Takavic" quando ele é reconhecido em público. Voltando ao presente da temporada, temos o Jimmy recuperando a sua licença na advocacia e entrando em contato com aquelas pessoas que ele negociou os aparelhos celular nas temporadas passadas para oferecer os seus serviços. Curioso que nesse momento o Jimmy já adotou 100% o uso do seu pseudônimo de Saul Goodman.
Já no outro núcleo da série, o Nacho continua envolvido com os negócios do cartel mexicano após aquele seu golpe anteriormente envolvendo o Hector Salamanca (Mark Margolis). O ponto interessante da história do Nacho é justamente ele estar no meio do embate envolvendo o Gus e o Lalo. Ou seja, o Gus havia percebido aquele plano do Nacho para matar o Hector e o obrigou a trabalhar para ele, enquanto o Lalo, que é sobrinho do Hector, mantém o Nacho sobre a sua supervisão. Esta parte da temporada é muito boa, pois justamente temos aquele jogo de gato e rato entre o Lalo e o Gus, já que o Lalo quer descobrir os negócios do Gus e persegue até o Mike para conseguir chegar no seu objetivo, que por sinal ele quase consegue. O Nacho Varga vira praticamente o personagem central dessa parte da trama, pois ele precisa seguir as ordens do Gus, uma vez que o Gus está ameaçando o seu pai, enquanto ele também precisa de alguma forma ganhar a confiança do Lalo e não levantar nenhuma suspeita.
Dentro de todo este contexto entre Lalo e Gus, o próprio Saul entra na jogada como advogado de defesa contratado pelo Lalo para defender o Krazy-8 (mais um do universo "Breaking Bad"). Nessa fase da temporada temos a entrada do emblemático agente da DEA, o grande Hank Schrader (Dean Norris), que reprisa o seu papel de "Breaking Bad" entrando na investigação da denúncia feita contra o Gus. Já o Mike fica um pouco de lado, fica mais na sua, tanto que ele começa a beber e arruma algumas confusões indo parar em uma espécie de santuário no México, até ser resgatado pelo próprio Gus que o traz novamente para o jogo. A Kim continua presa no seu mundo, na sua bolha, que é o seu trabalho entre aqueles casos sociais e os casos do Mesa Verde Bank, o que acaba lhe causando um grande transtorno até mental. Por outro lado temos aquela genialidade do Saul ao entrar nesse caso para atrasar os planos tanto da própria Kim quando do Mesa Verde Bank. Depois a Kim descobre este lado da jogada do próprio Saul, o que a deixa chateada e se sentindo traída, e o resultado é um casamento entre a Kim e o Saul assim tipo do nada.
No decorrer da temporada temos algumas reviravoltas, como na parte que o Mike consegue um plano para incriminar o Lalo e ele ser preso. Logo após o Nacho precisa seguir uma ordem do Lalo para colocar fogo em um dos estabelecimentos do Gus, como o Gus sabe de tudo que está acontecendo pelo próprio Nacho ele mesmo coloca fogo em sua própria loja para não levantar nenhuma suspeita. Depois temos a parte em que o Saul é o advogado contratado pelo Lalo para retirá-lo da prisão sobre o preço de uma fiança que o próprio Saul precisa buscar em um deserto, por sinal este episódio do deserto é sensacional. Nessa temporada também temos pequenas participações do Howard (Patrick Fabian), que parece querer se acertar com o Saul de alguma forma, já o Saul só quer mesmo sacanear o Howard, e de certa forma eu até concordo e entendo esta postura do Saul, já que o Howard sempre foi muito falso com o Saul e vice e versa.
Partindo para os episódios finais da temporada, temos a parte em que o Lalo leva o Nacho até seu povo no México e o coloca dentro de sua casa, porém o Nacho faz parte de todo o plano do Gus que queria exterminar todos daquele local incluindo o próprio Lalo. O Nacho consegue cumprir as ordens do Gus e colocar para dentro do local todo o esquadrão do Gus para matar o Lalo, que por sinal são cenas belíssimas de ação e tensão. O Lalo como um autêntico Salamanca que é, consegue escapar por um túnel da casa e volta para exterminar sozinho todo o esquadrão. Nessa altura dos acontecimentos o Lalo já sacou que tudo foi armado pelo próprio Nacho, que ele já tinha fugido do local facilitando o acesso. Ou seja, o Lalo fica furioso pelos planos do Gus envolvendo o Nacho, e assim acaba a temporada mostrando um Lalo com sangue nos olhos para a sexta e última temporada de "Better Call Saul".
Sobre o elenco:
Bob Odenkirk assume de vez a sua identidade de Saul Goodman, deixando para trás todo o seu caráter de Jimmy McGill e entrando de cabeça nesse submundo do Saul que conhecemos em "Breaking Bad". Mais um temporada com uma atuação fantástica do incrível Bob Odenkirk.
Jonathan Banks é aquele ator que sempre mantém um linha certeira de um alto nível de entrega de seu personagem, pois você nunca irá achar uma temporada em que ele esteja mediano ou fraco. O Mike sempre é aquela peça-chave que liga todos os acontecimentos da série, e consequentemente o fantástico Jonathan Banks sempre entrega um trabalho condizente.
Rhea Seehorn está incrível nessa quinta temporada. Ouso a dizer que esta é a sua melhor temporada na série até aqui. Finalmente temos uma Kim que está se desconstruindo, se descaracterizando, saindo daquela pose de boa moça, de estar sempre mantendo a aparência da profissional certinha. Ou seja, a partir do momento em que ela decide atacar o Howard ela acaba acessando diretamente o seu lado mais sombrio, o que culmina diretamente com o atual momento do Saul. Este casal ficará ainda mais interessante na sexta temporada.
Michael Mando é outro que subiu muito de produção nessa temporada, pois agora podemos notar que ele chama pra si todo o protagonismo e toda a responsabilidade dos acontecimentos, e ele estando no meio do fogo cruzado o deixa ainda mais importante dentro da série.
Giancarlo Esposito anda na mesma linha do Jonathan Banks, ou seja seus personagens entregam sempre o que almejamos. É realmente incrível como o Esposito ganha todas as atenções e todo o protagonismo quando ele entra em cena. Ele é um ator absurdo e este seu personagem já ficou imortalizado.
Tony Dalton foi uma adição certeira para o roteiro da série. O Lalo Salamanca foi um personagem já citado em "Breaking Bad" mas que nunca apareceu na série, ou seja a sua aparição em "Better Call Saul" tem muito peso. E de fato o Tony foi muito bem na temporada, conseguiu se colocar como um grande rival do Gus e aproveitou muito bem todo o seu protagonismo, já que ele entrou no espaço deixado pelo Hector Salamanca.
O Patrick Fabian teve uma participação mais contida nessa temporada, se destacando apenas por algumas cenas de embate com Bob Odenkirk, que por sinal são ótimas cenas.
E só pontuando a participação do Dean Norris, que é sempre muito elegante.
Tecnicamente a temporada mantém o mesmo nível das anteriores e consequentemente de todo o universo de "Breaking Bad".
A quinta temporada de "Better Call Saul" foi muito elogiada pelos críticos, principalmente por suas performances e maior tensão em comparação às temporadas anteriores. No Rotten Tomatoes, a temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com base em 185 avaliações. No Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 92 de 100 com base em 16 críticos. Além de receber quatro indicações no 72º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. "Better Call Saul" segue fazendo história!
Encerro afirmando que esta quinta temporada de "Better Call Saul" subiu muito no meu conceito, pois ela consegue unificar vários pontos dentro da série, ela consegue uma grande dose de crescimento e evolução em contrapartida com a desconstrução e descaracterização dos personagens, o que me chamou muito a atenção durante toda a temporada. Sem nenhuma dúvida esta é a melhor temporada da série, que tem tudo para ser superada pela sexta e última temporada de "Better Call Saul".
- 02/03/2025
Better Call Saul (4ª Temporada)
4.4 238 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (4ª Temporada) 2018
A quarta temporada de "Better Call Saul" estreou em 6 de agosto de 2018 e concluiu em 8 de outubro de 2018. A temporada continua no padrão dos dez episódios e foi transmitida pela AMC.
A quarta temporada de "Better Call Saul" ocorre principalmente no ano de 2003, assim como a anterior, porém os últimos quatro episódios ocorrem já no ano de 2004 após um salto no tempo no sétimo episódio. Esta temporada consiste especificamente no fato do Jimmy McGill (Bob Odenkirk) e da Kim Wexler (Rhea Seehorn) estarem lutando pela morte do Chuck McGill (Michael McKean). Howard Hamlin (Patrick Fabian) sofre com uma depressão por acreditar ser ele o responsável pela morte do Chuck, o que acaba por acarretar em seu desligamento do trabalho. Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) começa as inspeções de segurança em Madrigal, desconsiderando o fato de que seu contrato de consultoria deveria ser apenas uma transação de papel. Nacho Varga (Michael Mando) se torna um espião para Gus Fring (Giancarlo Esposito) dentro da organização Salamanca, logo após o próprio Gus desconfiar da sua armação que resultou no derrame do Hector Salamanca (Mark Margolis) na temporada anterior. Gus contrata um engenheiro e uma equipe de construção para começar a construção do "superlaboratório" de metanfetamina sob a lavanderia industrial (o que para nós fãs de "Breaking Bad" já sabemos da importância desse "superlaboratório").
A temporada já inicia em seu primeiro episódio com a já famigerada cena futura em preto e branco, onde temos o Saul no hospital após ter desmaiado em seu trabalho fruto de um ataque de estresse na terceira temporada. Nesse caso o Saul/Jimmy está paranoico com o receio do fato de descobrirem a sua verdadeira identidade de acordo com os eventos que acontecem em "Breaking Bad". Já no presente da temporada temos a chegada da notícia da morte do Chuck no Jimmy e na Kim, onde ambos vão juntos até o local do acidente fatal do Chuck, sua casa. Jimmy está com a sua carteira de advocacia suspensa por um ano e dessa forma ele passa a procurar empregos em outras áreas, mas não deixa de aplicar os seus golpes.
O Mike volta a trabalhar na portaria do estacionamento porém ele está ganhando o dinheiro da Madrigal quando ele passa a assumir o controle de segurança do local. Podemos observar que o Mike usa esse caso como uma espécie de lavagem de dinheiro pelas operações secretas que ele faz para o Gus. Todo aquele envolvimento do Jimmy com os esquemas das vendas frias dos celulares acaba gerando cenas mais fortes quando ele vai cobrar aquela gangue que o roubou. O interessante dessa cena é que a partir daí o Jimmy já começa a usar o pseudônimo de Saul Goodman.
O núcleo que envolve o Gus e o Nacho está cada vez mais interessante nessa temporada, pois após o Gus sacar do seu envolvimento no acontecimento do Hector Salamanca ele mata o parceiro do Nacho e o obriga a trabalhar secretamente para ele. Toda construção bolada pelo Gus para se livrar das exigências do Cartel mexicano acaba gerando uma operação arriscada para o Nacho, que acaba levando a pior e levando alguns tiros e se ferindo até gravemente. O fica ainda mais interessante nessa temporada é justamente este embate que acaba gerando entre o Lado do Gus contra o lado do Hector com o Nacho bem no meio do fogo cruzado. Justamente nesse ponto temos a entrada dos icônicos gêmeos Salamanca (Leonel Salamanca / Daniel Moncada e Marco Salamanca / Luis Moncada) em cena atacando e matando todos da gangue rival.
Outro personagem do universo de "Breaking Bad" que aparece na temporada é o Gale Boetticher (David Costabile), que está ao lado do Mike na busca do engenheiro para a construção do já citado "superlaboratório". Por outro lado temos um Nacho cuidando mais tranquilamente dos seus negócios, até que temos a entrada na série do Lalo Salamanca (Tony Dalton), que é um enviado do Cartel mexicano que chega para começar a administrar o negócio de drogas da família, já que o Hector se encontra naquelas condições. Já a Kim está novamente trabalhando em um caso da empresa Mesa Verde, que logo acaba entrando em conflito com a empresa pelos seus trabalhos fora dela. E novamente temos o casal Jimmy e Kim trabalhando e tramando novos golpes juntos. Todo envolvimento do Mike ao despistar o Lalo do seu encalço acaba gerando uma cena bem pesada na temporada; que é justamente a cena em que o Mike, por ordens do Gus, acaba executando o engenheiro. Esta de fato é uma cena que tem um certo nível de comoção pela parte do próprio Mike, pois este engenheiro de certa forma era um amigo que o Mike considerava dentro de todo o universo de "Breaking Bad", e ter que executá-lo ali a sangue frio foi muito difícil e pesado para o Mike, como observamos no desenrolar da cena.
A temporada tem um salto no tempo de um ano, quando temos a cena em que o Jimmy vai fazer a entrevista para tentar recuperar a sua licença para novamente exercer a advocacia, o que acaba não saindo como ele planejava e ele acaba não conseguindo a licença. Também temos todas as cenas da recuperação do Hector Salamanca após o seu ocorrido. Temos aquela cena onde o Hector começa a aprender a se comunicar com os toques do dedo no sininho de sua cadeira de rodas. É justamente dessa forma que conhecemos ele em "Breaking Bad", quando ele usa aquele sininho para tentar se comunicar, que por sinal são cenas com um alto grau de tensão. Para provar a sua inocência, ou parte dela, o Jimmy usa aquela carta do testamento que seu irmão Chuck deixou para ele para assim recuperar a sua licença de advocacia. Aliás, diga-se de passagem é uma cena fantástica o discurso emocionante que o Jimmy faz. Já por outro lado ficamos extremante surpresos quando a Kim aparece no local e descobrimos que todo aquele discurso não passava de uma encenação do Jimmy para conseguir na sua lábia o seu objetivo de retomar a advocacia. E pasmem, é exatamente nesse ponto que definitivamente nasceu o emblemático Saul Goodman que conhecemos em "Breaking Bad". E assim se encerra o décimo e último episódio da quarta temporada de "Better Call Saul".
Falar do elenco da série é sempre chover no molhado, pois definitivamente o núcleo principal é sempre impecável em seus respectivos personagens. Portanto eu nem preciso me alongar aqui pontuando a atuação de cada um. Já o elenco recorrente de apoio se destaca muito bem em cada personagem; como é o caso do saudoso Mark Margolis com o seu imensurável Hector Salamanca. Daniel Moncada e Luis Moncada, que fazem os gêmeos Salamanca, estão sempre formidáveis. O próprio David Costabile que foi muito bem em sua apresentação. E finalizando como Tony Dalton, que teve uma entrada explosiva e muito intrigante na série.
A parte técnica da temporada novamente é um show à parte, pois o nível técnico e artístico é um absurdo. A trilha sonora acompanha perfeitamente os acontecimentos de cada episódio. A fotografia é muito bem destacada, assim como a direção de arte, a montagem, edição, cenografia, tudo muito bem ajustado para proporcionar o verdadeiro espetáculo que presenciamos ao longo dos dez episódios.
A quarta temporada de "Better Call Saul" recebeu aclamação da crítica, principalmente por seu ritmo e desenvolvimento de personagens, e seis indicações ao 71º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. No Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 87 em 100 com base em 16 críticos. No Rotten Tomatoes, a temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com uma pontuação média de 8,9 em 10 com base em 185 avaliações.
Por fim, esta quarta temporada de "Better Call Saul" serve como um verdadeiro divisor de águas dentro de toda a série, já que é justamente aqui que a série assumi o seu lado cada vez mais sombrio. Sem falar que esta é a temporada onde claramente podemos observar que a morte do Chuck serve principalmente como um catalisador para a transformação de Jimmy McGill no que conhecemos em "Breaking Bad"; aquele advogado trapaceiro, persuasivo, manipulador, maquiavélico e letal. Senhoras e senhores, este é o icônico Saul Goodman.
- 14/02/2025
Better Call Saul (3ª Temporada)
4.4 318 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (3ª Temporada) 2017
A terceira temporada de "Better Call Saul" estreou em 10 de abril de 2017 e concluiu em 19 de junho de 2017. A temporada segue no padrão de dez episódios e foi transmitida pela AMC.
Esta terceira temporada segue diretamente os eventos da segunda, que ocorreu no final do ano de 2002, sendo que a conclusão da temporada 3 ocorre no ano de 2003. Temos novamente o Jimmy McGill (Bob Odenkirk) que ainda exerce a profissão de advogado que está envolvido em uma rixa com seu irmão Chuck (Michael McKean). Chuck por sua vez acredita cegamente que seu irmão não é apto para ser advogado e planeja sua destituição. O grande Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) começa uma parceria com ninguém mais ninguém menos que o glorioso e insuperável Gustavo Fring (Giancarlo Esposito), sim, temos a chegada do Gus nessa temporada. Enquanto o Nacho Varga (Michael Mando) está cada vez mais empenhado em seu plano de conspiração para assassinar seu rival, Hector Salamanca (Mark Margolis).
Como já é de praxe, o primeiro episódio inicia exatamente em preto em branco em uma cena futura pós "Breaking Bad". Onde temos o Jimmy em seu trabalho observando um rapaz sendo perseguido pela polícia por ter roubado as lojas do shopping. O interessante aqui é observar que o Jimmy ajuda a polícia a encontrar o rapaz para ele ser preso e assim o Jimmy gritar para o rapaz que ele precisa de um advogado. Poderíamos encarar esta cena como um cena curiosa qualquer sem a menor importância, desde que não conhecêssemos o Jimmy, é óbvio.
A partir desse ponto a série segue exatamente na parte onde terminou a temporada anterior; que é o Chuck ter usado das suas artimanhas para gravar a confissão do Jimmy sobre a alteração dos endereços dos formulários. Porém momentaneamente o Chuck não utiliza essa gravação sendo aconselhado pelo Howard (Patrick Fabian), pois ele tinha um plano futuro para agir contra o Jimmy se baseando nessa questão. O Mike está no encalço do cartel do Salamanca, porém ele descobre que está sendo seguido e ameaçado. É nesse ponto que temos a entrada do Gus Fring na série, que por sua vez já estava sabendo dos planos do Mike, quando o Mike pede a ajuda do Jimmy e este vai até o Los Pollos Hermanos para tentar ajudar o Mike. Incrível como O Gus sempre está uma passo à frente de todos ao seu redor.
Chuck, com a ajuda do Howard, consegue um plano para incriminar o Jimmy que invadiu sua casa em busca da gravação, gravação esta que o Jimmy já estava sabendo do que se tratava pois ele foi informado pela sua comparsa Kim Wexler (Rhea Seehorn). Mike enfim conhece o Gus e os dois tem planos em comuns e decidem se aliar contra o Hector Salamanca. Ambos queriam atacar o Hector não fisicamente mas financeiramente, ao atingir o seu cartel de distribuição de drogas. Por sinal o plano do Mike do sapato no fio com drogas funciona perfeitamente e derruba o esquema de distribuição do Hector, que por sua vez tem seu esquema vazado nas autoridades. Com a distribuição do Hector caindo na investigação, todo o esquema fica à cargo somente do Gus com seu Los Pollos Hermanos, ou seja, a princípio o plano do Gus junto com a aliança do Mike tinha dado certo.
A ideia do Gus era que o Mike trabalhasse para ele dentro de seu esquema, porém o Mike queria só uma ajuda do Gus na lavagem do dinheiro que ele havia roubado. É nesse ponto que temos a entrada da personagem Lydia Rodarte-Quayle (Laura Fraser), da Madrigal, que obviamente está reprisando o seu papel de "Breaking Bad". É interessante esta conexão de personagens desse universo. Já no núcleo do Jimmy e Chuck, temos aquele embate no tribunal, o que resulta em uma guerra entre os dois, com o Chuck apresentando uma cópia da fita gravada com as confissões do Jimmy, e o Jimmy por sua vez acusando o irmão de maluco pela sua condição de hipersensitividade eletromagnética. O resultado final desse embate no tribunal é o Jimmy ter que ficar um ano sem poder advogar e o Chuck sair de cena por causa da sua condição que julgaram ser psicológica.
Esta terceira temporada de "Better Call Saul" ser torna uma temporada muito relevante dentro de todo o universo de "Breaking Bad", justamente por nos evidenciar a causa e como tudo ocorreu para o Hector Salamanca ficar naquela cadeira de rodas vegetando como conhecemos ele em "Breaking Bad". Tudo começa quando o Hector perde a sua distribuição e vê tudo nas mãos do Gus, o que o deixa bastante irritado e faz ele pensar em uma solução para ter novamente a sua distribuição. Hector decidi buscar uma espécie de aliança/parceria com o pai do Nacho oferecendo dinheiro. O pai do Nacho não aceita o que faz com que o Hector pense em retirá-lo de seu caminho, só que ele conta isso para o Nacho, que teria que matar o seu pai. Obviamente o Nacho não quer que seu pai morra e decidi atacar o ponto fraco de Hector, que é sobre as pílulas que ele toma frequentemente por causa do seu problema de coração. Dessa forma temos o episódio em que o Nacho se encarrega em trocar as pílulas do Hector por outras falsas, por sinal uma episódio muito tenso.
Já o Jimmy malandro como ele é, por ter sido impedido de advogar, ele decidi usar o seu nome adquirido anteriormente para fazer pequenos comerciais para a sua nova "Saul Goodman Productions". É nesse ponto que entra aquele caso anteriormente da "Sandpiper", em que o Jimmy decidi usar novamente e acaba enganando a pobre velhinha. Por sinal, que sacanagem do Jimmy, porém mais tarde ele volta atrás e acaba confessando tudo e livrando a barra da pobre velhinha, o que eu achei muito justo. Já a Kim, que até então estava bem escanteada na temporada, continua com o caso do "Mesa Verde Bank", onde ela está cada vez mais esgotada e acaba sofrendo um acidente de carro.
Voltando na parte do Hector e a causa por ele ter ficado na cadeira de rodas; tudo se dar pelo fato daquela reunião em que ele é informado que todo o esquema de distribuição ficará somente nas mãos do Gus, o que faz com que o Hector fique muito nervoso e acabe tendo um ataque do coração. É nessa hora que o Hector vai em busca das suas pílulas, porém ele toma as pílulas trocadas anteriormente pelo Nacho, o que obviamente não faz mais efeito, fazendo com que o Hector acabe entrando em um colapso cardíaco, Hector sofre um derrame mas é salvo pelo Gus. Interessante notar que esta cena em específico tem uma grande importância para a quarta temporada de "Better Call Saul", pois quando o Nacho pega as pílulas verdadeira no chão para trocar novamente pelas falsas, o Gus acaba percebendo todo o plano do Nacho, o que fará com que o Nacho acabe trabalhando para o Gus daqui para a frente.
O final da temporada é bastante tenso e dramático pelos acontecimentos finais envolvendo o Chuck. Pois aqui podemos notar a degradação do Chuck, ele está definhando, por ele ter falhado em todos os seus planos e grande parte das pessoas não confiarem mais nele e o encarar apenas como um louco. É exatamente nesse ponto que o Chuck surta sozinho em sua casa e acaba provocando um incêndio que o acaba levando a morte. Um final de temporada bem impactante e surpreendente.
Sobre o elenco da série:
Bob Odenkirk sempre fantástico, ele é impecável.
Michael McKean é ótimo e seu contraponto com o Bob é perfeito.
Jonathan Banks é maravilhoso e meu personagem preferido.
Rhea Seehorn passou mais despercebida nessa temporada, mas ela tem bastante potencial para as próximas.
Patrick Fabian novamente fazendo o básico bem feito do seu personagem.
Michael Mando muito melhor nessa temporada, com mais protagonismo e mais tempo de tela ele conseguiu desenvolver muito bem o seu personagem. Eu diria que até aqui é a sua melhor temporada na série.
Giancarlo Esposito é aquele verdadeiro gentleman da série, seu personagem é absurdamente fantástico.
E por fim o saudoso Mark Margolis, que traz a sua contribuição perfeita para todo o contexto desse universo.
O elenco de "Better Call Saul" é absurdo!
Em questões técnicas eu nem preciso me alongar, já que este universo de "Breaking Bad" traz qualidades técnicas e artísticas que são fenomenais e completamente impecáveis.
A terceira temporada de "Better Call Saul" recebeu inúmeros elogios da crítica especializada, principalmente pela atuação de Michael McKean como Chuck e pelo desenvolvimento do personagem Jimmy McGill, além de oito indicações ao 69º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática.
No Rotten Tomatoes a terceira temporada tem uma aprovação de 97%. Já no Metacritic, tem uma pontuação de 87/100 com base em 18 críticos.
No mais, a terceira temporada de "Better Call Saul" continua no mesmo nível da anterior, ou talvez até esteja em uma crescente, dado a todos os acontecimentos relevantes que permearam toda a trama. Os produtores e roteiristas acertaram a mão quando decidiram puxar a série cada vez mais para dentro do universo de "Breaking Bad", o que fatalmente iria acontecer com o passar de cada temporada, é impossível fugir disso. Mas eu acredito que as duas primeiras temporadas de "Better Call Saul" foram as responsáveis em preparar todo o terreno para que a partir dessa terceira em diante a série cresça cada vez mais dentro do conceito desse universo. Estou com uma grande expectativa para a quarta temporada.
- 10/01/2025
Better Call Saul (2ª Temporada)
4.3 363 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (2ª Temporada) 2016
A segunda temporada de "Better Call Saul" estreou em 15 de fevereiro de 2016 e concluiu em 18 de abril de 2016. A temporada continuou sendo exibida com os dez episódios e continuou sendo transmitida nas noites de segunda-feira nos Estados Unidos pela AMC.
A segunda temporada se passa principalmente em 2002, como havia acontecido na temporada anterior. O grande Bob Odenkirk retorna com seu incrível Jimmy McGill, onde ele constrói uma rixa ainda maior com seu irmão Chuck (Michael McKean). Também temos o retorno de Kim Wexler (Rhea Seehorn), a advogada da Hamlin, Hamlin & McGill (HHM) que é amante (ou namorada, é difícil entender esta relação) de Jimmy e ex-colega de trabalho da sala de correspondência. Durante a temporada Kim deixa a prática da advocacia na HHM para começar um escritório solo que ela divide com Jimmy. Jonathan Banks também está de volta com seu colossal Mike Ehrmantraut; dessa vez ele se envolve em um conflito com o cartel de drogas mexicano após uma confusão com o emblemático Tuco Salamanca (Raymond Cruz), que foi planejada por Nacho Varga (Michael Mando ). Isso resulta em Mike colidindo e se tornando o principal alvo do icônico tio Salamanca, o tio do Tuco, Hector (o inesquecível Mark Margolis).
Durante a temporada Jimmy começa a trabalhar na D&M, mas desiste depois de ser repreendido pelos métodos de divulgação de seus clientes. Kim é rebaixada por causa das ações de Jimmy. Para recuperar seu status, ela garante o Mesa Verde Bank como cliente da HHM, mas Howard (Patrick Fabian) nega seu crédito.
Esta segunda temporada de "Better Call Saul" me chamou muito mais a atenção em relação a primeira, isso se deu pelo fato de eu começar a observar uma certa mudança de estrutura e contexto dentro da série. Eu quero dizer que esta temporada começa a se assemelhar muito mais com a série "Breaking Bad" (2008), já que é nessa temporada que o cartel mexicano entra com força na série e protagoniza grande parte dos eventos com os Salamancas no encalço do Mike. Eu acredito que esta foi uma decisão proposital da produção da série, começar com a primeira temporada fugindo um pouco de "Breaking Bad" e da segunda em diante se aproximar cada vez mais. Tanto que é nessa temporada que começamos a ter os retornos de personalidades importantes da série principal, o que obviamente vai ocasionar em uma espécie de universo compartilhado entre as duas séries. E já adianto que eu achei esta decisão fenomenal!
Novamente esta temporada já se inicia com outra cena futura em preto e branco, com o Saul Goodman na sua fábrica de rocamboles, onde ele fica preso no local de descarte de lixos e deixa uma curiosa mensagem na parede: "SG esteve aqui". De volta ao dia atual da segunda temporada, Jimmy por sua vez recusa trabalhar em uma empresa que poderia alavancar a sua carreira na advocacia e te dar muito dinheiro, para ficar aplicando pequenos golpes ao lado da Kim. Mike continua com seu plano de levantar cada vez mais dinheiro para deixar para sua neta em sua aposentadoria, onde ele aceita um trabalho muito suspeito de ser um guarda-costas em um esquema de compra de drogas diretamente do cartel mexicano. Dentro desse contexto Jimmy entra na jogada com sua figura de advogado para tentar amenizar toda a situação.
O interessante dessa temporada é justamente a parte onde o Nacho pede uma espécie de ajuda ao Mike para eliminar o Tuco da jogada do cartel de drogas, onde inicialmente o Mike recusa a proposta mas pela grana ele topa o trabalho. Porém com uma condição; que ao invés do Mike matar o Tuco ele faz com que ele vá preso pelo porte ilegal de arma. É justamente nesse quinto episódio que entra em cena o inigualável Hector Salamanca. Eu achei sensacional poder ver o Tio Salamanca atuando antes de ficar vegetando em uma cadeira de rodas em "Breaking Bad". Aqui podemos observar todo o seu poder e respeito adquirido dentro do cartel, que logo ele põe em prática ao enfrentar o Mike em uma improvável negociação da arma apreendida pela polícia para limpar a barra do Tuco.
A negociação entre o tio e o Mike não funciona, pois o Mike recusa a proposta, e logo ele passa a ser emboscado em sua casa pelos enviados do tio, onde logo ele envia ninguém mais ninguém menos que os gêmeos Salamanca para ameaçar o Mike. Esses gêmeos são fenomenais, que para quem assistiu "Breaking Bad" vai entender do que estou falando. A trama da temporada envolta do Mike cresce absurdamente quando ele planeja matar o Hector Salamanca por ter ameaçado a sua neta, é aí que o Mike passa a perseguir os passos do Hector e fazer emboscadas para chamar a sua atenção. O Mike até tenta uma emboscada no deserto para matar o Hector com uma sniper, mas acaba não dando certo.
Voltando para a trama principal da série, Jimmy é demitido da empresa de advocacia onde ele é convencido pela Kim, que também estava em baixa profissionalmente, a montarem juntos um próprio escritório de advocacia. Mas ela deixa bem claro que eles iriam apenas trabalharem juntos e não seriam sócios. Dentro de todo esse contexto temos uma cena inicial no sétimo episódio bem interessante na formação de caráter do Jimmy; que é a cena onde nos mostra o Jimmy criança na mercado do pai enfrentando uma situação curiosa com um sujeito que adentrou o estabelecimento unicamente com a intenção de aplicar um golpe no pai do Jimmy. Nessa cena este sujeito fala para o Jimmy a frase de como ser um lobo ou um ovelha, e ali já vimos o charlatão que o Jimmy viria a se tornar ainda criança.
A partir desse momento a série muda a chave na temporada e nos mostra o embate entre o Chuck com o Jimmy. Chuck decide sair em busca de atrapalhar os planos do novo escritório de advocacia do Jimmy e da Kim, e nessa busca ele acaba entrando em contato com várias eletricidades todas ao mesmo tempo, o que logo ocasiona em um grave ataque (Chuck sofre de uma espécie de hipersensitividade eletromagnética, uma alergia a eletricidade). O fim da temporada no décimo episódio ocorre justamente quando o Jimmy vai até a casa do irmão preocupado com a crise que ele teve por sua causa, chegando lá o Jimmy observa que o irmão ficou cada vez mais obcecado em se proteger da eletricidade, colocando papel alumínio em praticamente toda a casa. O Jimmy por sua vez tem um peso na consciência por tudo que ele causou ao irmão, e acaba confessando para o Chuck que foi realmente ele quem alterou os endereços dos formulários, só que o Jimmy não contava que o Chuck também era muito esperto e estava gravando escondido toda a confissão do Jimmy. E por fim a segunda temporada de "Better Call Saul" se encerra.
Sobre o elenco da série:
Bob Odenkirk continua fantástico no personagem, é impressionante como o personagem lhe caiu como uma luva. O interessante do seu personagem nessa temporada é justamente todos os seus arcos pessoais que lhe ocorre constantemente. Em várias oportunidades o Jimmy acaba entrando em uma crise emocional, tanto pelo seu relacionamento conturbado com o irmão, quanto pelo seu relacionamento com a Kim, e tudo acaba lhe afetando profissionalmente. Mais um excelente trabalho de Bob Odenkirk.
A Rhea Seehorn cresce notavelmente nessa temporada, ela passa a ser cada vez mais importante e relevante para todo o núcleo do contexto com o Jimmy. É muito interessante observar que ela ganha mais tempo de tela e mais espaço para construir o arco da sua personagem.
Michael McKean também tem um certo crescimento na série, ele passa a ser cada vez mais influente na série, tanto diretamente quanto indiretamente. Ele faz aquele típico personagem que nos dá raiva quase que o tempo todo. Ele me remete a incrível Skyler White (Anna Gunn).
Patrick Fabian tem uma participação mais modesta nessa temporada, mas ele não deixa de ser importante.
Michael Mando é outro que manda muito bem na temporada, seu personagem tem muito mais relevância e ele atua muito bem.
Raymond Cruz é soberbo no personagem, é incrível como o Tuco é uma criação perfeita destinada para ele.
Já o saudoso Mark Margolis dispensa comentários. Chega ser emocionante ver ele atuar na pele do lendário Hector Salamanca. Mark que infelizmente nos deixou no dia 03 de agosto do ano passado.
Agora precisamos falar do inigualável Jonathan Banks:
Quando eu decidi começar a assistir a série "Better Call Saul", eu sabia da presença do grande Mike Ehrmantraut, mas eu não imaginava que ele tomaria a proporção que ele vem tomando dentro da série. Nessa segunda temporada eu afirmo tranquilamente que o Mike é de longe o melhor personagem, o mais bem desenvolvido, o que mais impressiona, o que mais se destaca, o que definitivamente rouba a cena. Temos aqui uma espécie de background do velho Mike, onde ele sempre age com inteligência, frieza, sendo letal, imponente, enfrentando o cartel mexicano e principalmente o Hector Salamanca. O Bob Odenkirk é o protagonista da série e tem um ótimo contexto dentro dela, mas não posso deixar de destacar o absurdo que é a trama secundária do Jonathan Banks, que na minha opinião soa muito mais atrativa e prazerosa de se acompanhar.
Novamente a temporada se destaca em suas qualidades técnicas e artística. Assim como na temporada anterior, aqui temos um alto nível técnico no quesito de direção de arte, fotografia, trilha sonora, montagem, edição, figurinos, e principalmente na direção de cada episódio. Tecnicamente falando, não tem como "Better Call Saul" dar errado, pois a qualidade é a mesma encontrada em "Breaking Bad".
A segunda temporada de "Better Call Saul" recebeu elogios da crítica, com elogios às suas atuações e cinematografia, e seis indicações ao 68º Primetime Emmy Awards naquele ano, incluindo Melhor Série Dramática.
No Rotten Tomatoes, a segunda temporada tem uma pontuação de 97%, com base em 182 avaliações, com uma classificação média de 8,7/10. Já no Metacritic, a segunda temporada tem uma pontuação de 85 de 100, com base em 18 críticos.
Encerro afirmando que a segunda temporada de "Better Call Saul" sobe ainda mais no meu conceito crítico, e muito por alavancar um destaque maior em personagens fundamentais para o desenrolar de toda a história, que foi uma decisão acertadíssima por parte da produção. Esta segunda temporada está um passo à frente da primeira, por construir uma trama muito bem calçada, melhor trabalhada, melhor desenvolvida, acertando em pontos cruciais, que nos permite entrar em um novo mundo de complexidade ao aprofundar em temas da série principal - "Breaking Bad".
- 07/09/2024
Better Call Saul (1ª Temporada)
4.3 835 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (1ª Temporada) 2015
"Better Call Saul" é um spin-off da renomada série "Breaking Bad" (2008) criado por Vince Gilligan e Peter Gould, ambos os quais também trabalharam em "Breaking Bad". Podemos considerar que a série é uma pré-sequência derivada de "Breaking Bad". A primeira temporada teve dez episódios e foi transmitida nos Estados Unidos pela AMC, com sua estreia ocorrendo no dia 8 de fevereiro de 2015 e sendo concluída em 6 de abril daquele ano.
Vince Gilligan e Peter Gould começaram a planejar um spin-off de "Breaking Bad" já em 2009. Durante as filmagens do episódio "Full Measure" de "Breaking Bad", Gilligan perguntou a Bob Odenkirk o que ele achava de um spin-off da série. Em julho de 2012, Gilligan sugeriu um possível spin-off de Saul Goodman, afirmando que gostava "da ideia de um show de advogados em que o advogado principal fará de tudo para ficar fora de um tribunal", incluindo se estabelecer nas escadas do tribunal. Durante sua aparição no "Talking Bad", Bob Odenkirk observou que Saul era um dos personagens mais populares do programa, especulando que o público gosta do personagem porque ele é "a figura menos hipócrita do programa" e "é bom em seu trabalho".
Primeiramente vou contextualizar:
Quero deixar claro que a série "Breaking Bad" é simplesmente a melhor série do século, da história, de todos os tempos, a verdadeira obra-prima das séries e está simplesmente entre as melhores séries já criadas em toda a história. É muito difícil encontrarmos algo perfeito, uma obra perfeita, ainda mais quando estamos se referindo ao audiovisual, que é justamente o caso aqui. "Breaking Bad" é uma obra perfeita, o suprassumo, a quinta-essência, o masterpiece da história das séries. Uma obra completamente impecável, irretocável, perfeita, triunfal, atemporal, relevante, influente, antológica, colossal, apoteótica, emblemática e icônica.
Simplesmente a melhor série de todos os tempos!
Dito isto:
Até hoje eu ainda não tinha assistido a série "Better Call Saul". Eu sempre ia postergando, sempre colocando a série como a próxima da lista, mas nunca tinha decidido pegar para assistir. Acredito que eu sempre estive preso na série "Breaking Bad" e sem o interesse no spin-off e no filme "El Camino" (2019). Mas agora eu decidi corrigir estas falhas e comecei exatamente pela primeira temporada de "Better Call Saul".
O meu ponto de maior curiosidade e interesse na série é sem dúvida poder conhecer o passado dessa figura tão lendária e importante de "Breaking Bad" - Saul Goodman. E de quebra ainda poderia acompanhar o passado de outra figura também lendária e importante da série - Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks).
A primeira temporada de "Better Call Saul" se passa no ano de 2002, especificamente seis anos antes dos primeiros eventos de "Breaking Bad", onde conhecemos James Morgan "Jimmy" McGill antes de assumir a alcunha de Saul Goodman na série principal. A premissa da série já é bastante interessante, com uma trama que acompanha a vida do malandro Jimmy McGill sobre a sua própria perspectiva. Jimmy era apenas um advogado de pequenas causas em busca do seu próprio destino. Ele se mostrava bastante esforçado, tanto quanto se esforçava para cuidar de seu irmão bem-sucedido Chuck McGill (Michael McKean), um ex-advogado. Jimmy era uma espécie de advogado trambiqueiro, que usava de seus golpes como como defensor público para alcançar um outro tipo de profissionalismo.
Este é justamente o ponto de partida da série, nos exemplificar como o Jimmy usava sua lábia, seu poder de persuasão, seu verdadeiro jogo de cintura para subir na carreira de advogado. Na medida que íamos conhecendo mais da sua personalidade, dos seus dramas, que envolvia justamente os relacionamentos com seu irmão e com sua namorada. Esta é mais uma base forte da série, os dilemas que ele sofre durante toda a sua caminhada na carreira até se transformar em Saul Goodman.
O primeiro episódio já é bastante envolvente e dinâmico, pois começa justamente nos conscientizando em como o Jimmy era um tipo de advogado inocente mas não era santo. Temos aquele advogado falido, em baixa, sem credibilidade profissional, que sempre aplicava seus trambiques e falcatruas tentando se dar bem. O interessante desse primeiro episódio é o início, onde temos uma espécie de cena futura em preto e branco, onde mostra que o Saul Goodman se tornou gerente de uma fábrica de rocamboles depois dos eventos de "Breaking Bad". O final desse episódio acontece com a aparição de outra figura lendária da série "Breaking Bad" - Tuco Salamanca (Raymond Cruz).
Já no segundo episódio temos uma das melhores cenas de toda a série "Better Call Saul", que é exatamente a cena em que o Tuco liberta o Jimmy e negocia com ele qual será a punição para os dois garotos. É incrível como ocorre esta negociação, com o Tuco quebrando uma perna de cada um e socorrendo eles depois. Excelente episódio! A partir daí a série segue nos apresentando o irmão de Jimmy, o Chuck, que tem a firma de advocacia Hamlin, Hamlin & McGill, onde também conhecemos o Howard (Patrick Fabian), uma espécie de rival do Jimmy. Logo descobrimos a condição que o próprio Chuck descreve como hipersensitividade eletromagnética (uma espécie de alergia a eletricidade).
A temporada segue com o Jimmy se envolvendo com o Nacho Varga (Michael Mando), o parceiro do Tuco, que é outro personagem que também aparece em "Breaking Bad". Jimmy passa a ser o advogado do Nacho e começa a mergulhar cada vez mais nesse submundo de crimes e advocacia fraudulenta. Logo vemos o Jimmy usar o codinome Saul Goodman pela primeira vez, especificamente no quarto episódio da temporada. E por fim temos a entrada na série de ninguém mais ninguém menos que o lendário Mike, que a princípio é um manobrista de estacionamento que também é um criminoso. Interessante também que logo no início o Mike não vai muito com a cara do Jimmy, porém com o tempo ele passa a ajudar o Jimmy e adentrar de vez em todo o esquema. A partir daí o Mike ganha mais relevância na série e a trama começa a focar mais nele e seus planos, juntamente com o Jimmy.
Também temos episódios voltado especificamente para o núcleo do Mike, onde vemos que ele cuida da sua ex-nora e sua neta, porém ele está passando por dificuldades financeiras. Mike decide fazer alguns trabalhos ilegais, onde temos outra cena icônica da série; que é justamente a cena que ele dá uma surra no personagem do ator Steven Ogg, ninguém mais ninguém menos que o ator que deu vida para o icônico Trevor Philips do lendário GTA 5 (ele também é o Simon, o comparsa do Negan na série "The Walking Dead"). Outro ponto muito envolvente e interessante da série é justamente a parte em que o caminho do Mike se cruza com o do Nacho, que para nós fãs de "Breaking Bad" é de extrema importância para entender melhor como o Mike virou aquele Mike que vimos em "Breaking Bad".
Sobre o elenco da série:
Bob Odenkirk é sensacional, como sempre, ele apresenta tudo que já vimos dele e estamos acostumados em "Breaking Bad". Aquele advogado azarão, falido, golpista, trambiqueiro, mas que apresenta seu carisma, sua inteligência e se supera a cada cena. Excelente trabalho de Bob Odenkirk.
Jonathan Banks está fantástico, também como sempre e como já estamos acostumados. É incrível como ele se dar bem no personagem Mike, como ele se encaixa bem nas cenas, com ele sempre se porta com aquele ar misterioso, intrigante, introspectivo, porém extremamente letal. Este é o velho e sempre bom Mike!
Rhea Seehorn faz uma personagem bem interessante na série; a Kim Wexler, uma advogada que trabalha para a firma de advocacia Hamlin, Hamlin & McGill e tem uma história/relacionamento um tanto quanto complicada com Jimmy.
Michael McKean faz um personagem muito importante para o contexto e o funcionamento dessa primeira temporada. É muito bom e muito interessante as cenas em que ele atua contracenando com o Bob.
Digo o mesmo para o personagem do Patrick Fabian, que também atua muito bem ao contracenar cenas inusitadas de trocas de farpas com o Bob.
Tecnicamente a série se sobressai, e isto já era esperado, visto a qualidade absurda e impecável que tínhamos em "Breaking Bad". Posso destacar aqui a direção de arte que compôs cenários envolventes, a cinematografia com uma fotografia deslumbrante, a trilha sonora potente, estridente, que moldava muito bem cada cena. Sem falar na direção, montagem, estruturação, edição, mixagem, figurinos, maquiagens, tudo minunciosamente bem planejado e pensado em cada cena. Tecnicamente e artisticamente a primeira temporada de "Better Call Saul" é irretocável!
Algumas curiosidades da primeira temporada:
A estreia da série, com o primeiro episódio intitulado " Uno ", bateu o recorde de série estreante mais assistida na história da TV a cabo americana na época, atraindo 4,4 milhões e 4 milhões de pessoas na faixa demográfica de 18 a 49 e 25 a 54 anos, respectivamente, e recebeu uma audiência geral de 6,88 milhões. A primeira temporada recebeu aclamação da crítica, com muitos considerando-a uma digna sucessora de "Breaking Bad", e recebeu seis indicações para o 67º Primetime Emmy Awards (que aconteceu em setembro de 2015), incluindo Melhor Série Dramática.
Já o sexto episódio da temporada, "Five-O", foi bastante aclamado pela crítica especializada, com muitos elogios para a performance de Jonanthan Banks. O episódio teve três indicações ao Primetime Emmy Award: Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática, pela atuação de Jonathan Banks, Melhor Roteiro para Série Dramática e Melhor Edição Fotográfica com Câmera Única para Série Dramática.
No site Rotten Tomatoes, a primeira temporada tem uma classificação de 97%, com base em 68 avaliações, com uma classificação média de 8.03/10. Já no Metacritic, a primeira temporada tem uma pontuação média de 78 de 100, com base em 43 críticas.
Por fim:
A primeira temporada de "Better Call Saul" é muito boa, quase chegando no nível de excelente, e muito por nos levar de volta ao icônico universo de "Breaking Bad" e trazer de volta personagens importantes e muito queridos para todos nós fãs. A série está completamente inserida na temática de "Breaking Bad", na estética de "Breaking Bad", em um contexto que trabalha diretamente com pontos levantados aqui e que encontramos em "Breaking Bad". Como no caso do próprio Jimmy McGill, que passa por uma transformação de uma personalidade irreverente, cômica, para uma personalidade mais carregada dramaticamente e cheio de camadas a serem desvendadas.
Nesse quesito os criadores de "Better Call Saul" foram extremamente inteligentes e visionários, por criar uma trama que nos mostra o passado dos personagens e como eles se tornaram o que vimos em "Breaking Bad". E ainda por cima saindo dos personagens principais da série original e apostar em um spin-off de personagens secundários que foram extremamente relevantes para todo o universo da maior série de TV de todos os tempos - "Breaking Bad".
- 10/08/2024
The Walking Dead: The Ones Who Live (1ª Temporada)
3.7 93 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Walking Dead: The Ones Who Live (1ª Temporada) 2024
"The Ones Who Live" é uma minissérie criada por Scott M. Gimple (da série original), Danai Gurira e Andrew Lincoln para a AMC. Funciona como um Spin-off ambientado após a conclusão da série original "The Walking Dead", sendo o sexto Spin-off e a sétima série de televisão da franquia "The Walking Dead".
Como um fã completamente viciado e apaixonado por "The Walking Dead", esta é uma das minisséries que eu mais esperei após o término da série principal, afinal de contas eu fui mais um que ficou extremamente impactado pelo acontecimento no segundo episódio da nona temporada (The Bridge), quando o Rick (Andrew Lincoln) explode a ponte junto com os zumbis. Vou confessar que este foi o episódio que mais me marcou e me emocionou em toda a história das séries de televisão que eu já assisti ao longo da vida. Naquele momento de choque extremo eu só pensava no que teria acontecido com o Rick; afinal de contas ele morreu na explosão? Ou ele foi resgatado/capturado pela Jadis (Pollyanna McIntosh)? O que aconteceu com o nosso Rick? De qualquer forma ao término da série original tivemos uma espécie de cena pós-créditos revelando que o Rick tinha sobrevivido e havia sido capturado pela Jadis.
A série "The Ones Who Live", assim como as outras dentro do universo "The Walking Dead", entra dentro daquela mesma proposta de contar para nós como seguiu a vida de cada um dos personagens principais ao término da série original. Dessa forma a série acompanha o retorno de Rick e Michonne (Danai Gurira) enquanto tentam conciliar o forte sentimento que nutrem um pelo o outro com as dificuldades do mundo rodeado por zumbis.
Baseado dentro dessa proposta que entra uma história de amor improvável, construída por um casal improvável, que tiveram o rumo de suas vidas mudadas por conta de acontecimentos distintos dentro de um mundo pós-apocalíptico. E aqui entra um ponto que foi discutido ao longo da série principal, e que até hoje ainda gera conteúdo de discursão; que é a formação do casal Rick e Michonne. Muitas pessoas consideram este casal forçado, sem química, sem sintonia, e que até hoje ainda preferem o famigerado casal Rick e Lori (Sarah Wayne Callies). Eu sou suspeito para opinar nessa questão, pois eu adorava a Lori junto com o Rick, apesar do que aconteceu relacionado ao Shane (Jon Bernthal). Mas com o passar do tempo eu aprendi a gostar cada vez mais do casal Rick e Michonne, até pelas consequências que eles se submeteram a enfrentar juntos.
Portanto, inicialmente este projeto do casal Rick e Michonne foi planejado como uma trilogia para o cinema, continuando a história do terceiro Spin-off lançado desde o fim de "The Walking Dead", com a continuação da história de Rick após ser sequestrado por um grupo misterioso em um helicóptero, e Michonne, que deixou o seu grupo de sobreviventes no décimo ano, após descobrir uma pista de que o Rick estava vivo. Logo após optaram que a ideia de trilogia seria reaproveitada em uma minissérie para a televisão, onde inicialmente foi intitulado "The Walking Dead: Rick & Michonne", e depois foi renomeado para "The Walking Dead: The Ones Who Live".
O primeiro episódio já inicia em potência máxima, nos mostrando o desespero do Rick em escapar daquele local em que ele era mantido como um refém. Logo somos impactados por uma cena desesperadora, que é a cena em que o Rick corta sua própria mão para escapar. E no fim do episódio temos mais uma cena impactante e emocionante, que é o reencontro de Rick e Michonne (obviamente nos mostrando uma cena que aconteceria ao longo da série como uma espécie de flashback).
Com o seguimento da história temos toda a jornada da Michonne na incansável busca pelo Rick. Onde ela conhece pessoas, que podem ou não ajudá-la, e grupos de sobreviventes. Michonne é uma personagem muito forte, muito imponente, muito emponderada, muito decidida com seus objetivos, mas é óbvio que ela se pergunta o tempo todo o quanto sua determinação será suficiente para enfrentar os perigos em sua jornada, ou se ela perderá a esperança e fracassará. No segundo episódio temos a chegada da Jadis na série, o que logo levanta inúmeras perguntas em como seguirá os planos de Rick para escapar.
O terceiro episódio segue nos mostrando como está sendo a convivência entre Rick e Michonne, agora que ela também faz parte daquela organização e se mantém sempre por perto. Obviamente eles fingem que não se conhecem para não levantar suspeitas, enquanto sobrevivem e analisam um plano para escapar do local sem chamar atenção.
O quinto episódio é muito bom, pois é nele que temos o choque de realidade que a jornada de Rick e Michonne não é tão fácil quanto se esperava. Logo é repleto de perigos, armadilhas, suspeitas, perseguições, com uma carga emocional muito elevada na medida que o cerco se fecha entre o casal e o perigo é cada vez mais iminente. Nesse episódio temos a chegada na série do icônico Padre Gabriel (Seth Gilliam), onde mais tarde temos uma cena que mostra ele em uma conversa com a Jadis, onde ele diz acreditar que o Rick realmente morreu na explosão da ponte. É nesse episódio que finalmente temos a morte da Jadis.
Como um todo a série "The Ones Who Live" é muito boa, é muito necessária para o contexto dos personagens a partir da série original. No geral a série tem boas decisões, tem decisões que podem ser questionadas, mas no fim a ideia de Spin-off funciona muito melhor do que filmes, já que na série temos a possibilidade de continuações do universo de "The Walking Dead", já os filmes seriam obrigados a darem logo um final para toda a história. Tanto que a série já inicia com uma abordagem direta e enfática sobre o retorno de Rick Grimes, com uma abordagem relevante sobre a perspectiva do próprio Rick. Obviamente a série consiste entre o Rick e a Michonne, mas todos nós estávamos ansiosos em rever o Rick e entender a sua versão dos fatos que aconteceu com ele durante todo esse tempo. Até porque o Rick estava fora da série principal por um tempo maior do que a própria Michonne.
O principal contexto e a principal motivação para esta série de fato acontecer, é sem dúvidas todo o tempo dessa ausência do Rick, que para nós foram longos 6 anos de espera (e acredito que dentro da história este tempo é ainda maior). Acredito que este seja o maior acerto em transformar os filmes em séries, pois como eu já destaquei anteriormente, já no primeiro episódio temos a cena do reencontro entre Rick e Michonne, que se fosse em filmes com certeza levaria uma eternidade para este acontecimento. E toda esta decisão do reencontro acontecer logo no início da série foi uma decisão feita pelos próprios atores (Andrew e Danai), que tiveram participações diretas e objetivas durante todo o processo de criação da série.
Diante de todos estes fatos e relatos, eu cheguei na conclusão que a objetividade é o principal acerto da série, pois logo de cara já vamos direto aos principais acontecimentos envolvendo o Rick, que era algo que ansiávamos o tempo todo, um resumo do que aconteceu durante todos esses anos. Logo após temos a construção e o desenvolvimento do próprio Rick dentro da série; que vai desde os seus traumas psicológicos, os danos mentais que aquele local e aquele grupo trouxe para ele. Logo após temos o retorno da Michonne, onde o semblante e as atitudes do Rick imediatamente mudam devido a tais acontecimentos. A partir daí também temos o desenvolvimento e a construção da Michonne como uma personagem diretamente ligada no contexto da série. Ou seja, a série de cara já é direta e objetiva, mas dosando os acontecimentos para não entregar tudo de uma vez e perder relevância nos próximos episódios, mas por outro lado a série não embarriga os episódios na intenção de criar histórias paralelas para prender o espectador até os acontecimentos cruciais.
Por outro lado ainda podemos observar que mesmo a série sendo direta e objetiva no contexto principal, ainda temos episódios que mostram como aquele grupo organizado denominados por CRM influenciam na jornada do Rick e da Michonne. Obviamente a série não é sobre aquela organização, mas eles tem seus destaques na série, nos mostrando a construção dos inimigos, dos vilões daquela história, que também tem participações diretas no extermínio do grupo da Michonne.
Dessa forma eu chego na conclusão que esta série beira a perfeição, pois ela me entrega tudo que eu estava buscando ao final da série principal; que é mostrar o que de fato tinha acontecido com o Rick após a explosão da ponte, e temos essas respostas logo no primeiro episódio. Depois era mostrar o que tinha acontecido com a Michonne em sua jornada de busca, que já nos mostra no segundo episódio. E por fim nos mostrar como seria este reencontro entre eles e como eles conseguiriam ficar juntos até finalmente conseguirem voltar para casa.
Sobre o elenco é simplesmente chover no molhado:
Andrew Lincoln e Danai Gurira são gênios no que fazem, e ambos já imortalizaram seus respectivos personagens no universo de "The Walking Dead". Tanto que para nós fãs, poder rever ambos em cenas novamente é motivo de extrema comoção e satisfação.
Pollyanna McIntosh tem uma participação importante dentro da série, até pela aquela visão que ficamos dela no fim do episódio que ela resgata o Rick na série principal. Dessa vez ela passa pela transição de vilã (algo que na verdade ela sempre foi), e se impõe como uma barreira entre o Rick e a Michonne.
Por outro lado temos um inesperado crossover envolvendo o Padre Gabriel e a Jadis, que nos mostra o grande Seth Gilliam mais uma vez em ação dentro do universo de "The Walking Dead". Esta participação do Padre Gabriel é muito importante, pois ele traz conexões e revelações que nos pega de surpresa, até fazendo ligações com outros personagens da série principal. Belíssima participação do sempre excelente Seth Gilliam.
Temos ainda o Terry O'Quinn, o Major-general das Forças Armadas da República Cívica. Eu acreditava que ele teria uma participação e uma influência ainda maior dentro da série, sendo o grande vilão líder do grupo CRM.
E por fim a Lesley-Ann Brandt, a sargento-mor de comando no CRM, que no início se mostrava amiga e parceira do Rick, mas logo após temos outras revelações.
O fim da temporada traz um fechamento até coeso e lógico para a história de Rick e Michonne, podemos claramente observar que esta temporada foi pensada e escrita com o propósito de fechar o arco dos dois, de realmente ser o fim especificamente dessa história dentro do universo de "The Walking Dead". Até porque até o momento ainda não temos previsão para uma 2ª temporada, pois "The Ones Who Live" foi concebida, a princípio, como uma minissérie.
Dentro de todo o contexto que foi apresentado, a série tem o final com uma das cenas mais esperadas por todos os fãs da saga "The Walking Dead", sendo talvez a principal razão que fizeram às pessoas assistirem a série até o final, unicamente buscando esta cena em específico: que é a cena do reencontro entre Rick e Michonne com a Judith (Cailey Fleming) e o RJ (Antony Azor). Esta é talvez a cena mais importante e emocionante de toda a história de "The Walking Dead", obviamente fechando com chave de ouro o final da minissérie que deveria ter sido o final da série principal. Este é aquele final para lavar a alma do Rick e da Michonne, obviamente eles necessitavam desse final, ainda mais se tratando do Rick e por tudo que ele passou. Poderíamos pensar nesse final com uma presença da Maggie (Lauren Cohan), da Carol (Melissa McBride), ou até mesmo do Daryl (Norman Reedus), mas ai já seria pedir demais né, ainda mais se tratando da primeira temporada de todos os Spin-offs que vieram após o término da série principal.
Mas como um eterno fã revoltado por uma das várias decisões ao longo dos anos da série principal, eu digo que esta cena final poderia e deveria ter a presença do saudoso e eterno Carl Grimes (Chandler Riggs).
"The Walking Dead: The Ones Who Live" encerra com uma cena que me traz uma enorme realização e satisfação como fã desse universo, pois é óbvio que podemos esperar mais reencontros como este ao longo de outros Spin-off. E também pelo fato de finalmente podermos observar e sentir este reencontro do Rick com a Judith crescida depois de tanto tempo, sem falar do primeiro encontro entre o Rick e seu filho RJ.
Sem dúvidas é um final extremamente emocionante e prazeroso para nós fãs, onde eu coloco este final como mais conclusivo e satisfatório do que o próprio final da série original.
Dessa forma eu concluo que entre os três principais Spin-offs do universo "The Walking Dead", "The Ones Who Live" é o melhor, seguido de perto por "Dead City" e finalizando com "Daryl Dixon".
- 06/07/2024
The Walking Dead: Daryl Dixon (1ª Temporada)
3.7 87 Assista AgoraThe Walking Dead: Daryl Dixon (1ª Temporada) 2023
"Daryl Dixon" é uma série de televisão americana criada por David Zabel (roteirista da lendária série noventista "ER") para a AMC, baseada no personagem de mesmo nome da série "The Walking Dead". É o quinto spin-off e a sexta série de televisão da franquia "The Walking Dead", compartilhando continuidade com as outras séries e ambientada após a conclusão da série de televisão original.
Daryl Dixon (Norman Reedus) é um dos principais personagens da série "The Walking Dead", sendo um dos poucos que participou de todas as 11 temporadas. Daryl é o irmão mais novo de Merle Dixon (Michael Rooker) e logo de cara ele já se torna um dos melhores amigos de Rick Grimes (Andrew Lincoln), logo nas primeiras temporadas da série principal. É interessante notar que no início da série o Daryl tem um comportamento mais incerto, mais dúbio, o que vai despertando incertezas no Rick e seu grupo, até pelo fato do seu irmão, que é uma figura maquiavélica. Porém, logo ele começa a conquistar as pessoas, assim como a própria Carol (Melissa McBride), e começa a ganhar a confiança do grupo, se tornando assim um dos principais personagens da série. Logo após a morte (ou desaparecimento) do Rick da série o seu protagonismo cresce notoriamente, o colocando praticamente como o principal líder e personagem da série até o final da última temporada.
A série "Daryl Dixon" é mais um spin-off derivado da série principal que traz uma continuação direta de um personagem importante da franquia, após a trama se ramificar em diferentes produções. Que nos mostra como continua a vida do personagem abordando os seus acontecimentos após o final da série principal, assim como aconteceu com o Rick, a Michone (Danai Gurira), o Negan (Jeffrey Dean Morgan) e a Meggie (Lauren Cohan).
O interessante aqui é o fato da série levar a trama para outro continente fora dos EUA, que sempre foi o local que se passou toda a série principal durante longos anos. A história é ambientada 12 anos após o início do contágio e para nos elucidar nos mostra os primeiros dias do apocalipse por meio de flashbacks (o que é interessante). Daryl acorda em uma França sem saber de fato como chegou até ali e por quê ele saiu de Commonwealth e chegou até Paris. Logo vamos nos ambientando com um cenário devastado e morto (assim como o próprio EUA), onde ele conhece novas pessoas, novos problemas, fazendo novas conexões que acaba interferindo e dificultando cada vez mais o seu plano de voltar para os EUA.
Um ponto que eu achei curioso é o fato da série focar na expansão da contaminação zumbi em um cenário fora dos EUA, assim como também temos novas variantes dos zumbis, o que os deixa ainda mais violentos e letais, os transformando praticamente em uma espécie de zumbis mutantes. Logo temos de volta aquele velho e conhecido Daryl que está novamente destroçando os zumbis e enfrentando todos os seus demônios, na medida que ele é incumbido de proteger um jovem muito inteligente que é visto por um grupo religioso como o futuro Messias destinado a guiar a humanidade para uma renovação. Este jovem é Laurent (Louis Puech Scigliuzzi), que se tornou praticamente uma lenda na região e o foco de diversas facções em toda a França.
E este é justamente o ponto de partida da série, o Daryl concordando em ajudar a conduzir o jovem para um local seguro em troca de uma ajuda para ele retornar ao EUA. Dessa forma a chegada do Daryl desencadeia uma violenta cadeia de eventos que toma conta daquele local. E aqui entra um ponto extremamente curioso na série, o fato de não ser somente o Daryl que sustenta grande parte da trama, pois temos a presença de Isabelle Carriere (Clémence Poésy, a Fleur Delacour da franquia "Harry Potter"). Isabelle é uma freira obstinada e membro de um grupo religioso progressista que encontra Daryl, sendo ela uma espécie de novidade, ou uma carta na manga dos roteiristas da série para nos contar uma nova história tão impactante como dos principais personagens da série original. Que sinceramente eu não sei bem se funcionou como eles premeditavam.
De início estamos perdidos tanto quanto o Daryl naquele local, mas logo descobrimos que ele foi capturado e levado pelo Oceano Atlântico antes de chegar à costa da França. E aqui eu vejo que a série subestima um pouco o que já conhecemos sobre o personagem Daryl Dixon, seja pelo fato dele ter sido um hábil caçador e líder de grupos em vários momentos da sua vida. Por ele já ter enfrentado todo tipo de dificuldades e ser inteligente o bastante para conseguir ter se livrado de todas elas. Porém, a série inicia mostrando um Daryl completamente perdido e inexperiente, por mais que ele tenha acabado de chegar em um local que ele sequer consegue se comunicar com o idioma nativo do lugar. E digo isso justamente pela série não se desprender do seu conteúdo principal, que é os cenários apocalípticos infestados de zumbis, e acho que nem poderia né, pois estamos falando justamente do universo "The Walking Dead". Mas novamente temos um Daryl que é capturado e preso, como já aconteceu com ele algumas vezes lá atrás, o que me dá a impressão da série querer continuar bebendo da mesma fonte que deu certo lá atrás porém em uma cenário diferente. Acho que faltou um pouco de ambição e ousadia dos roteiristas nesse ponto.
A verdade nua e crua é a seguinte: eu sou fã de "The Walking Dead" do início ao fim da série, considero a série como a minha segunda melhor série da vida, sou órfão da série e adoro o fato de termos novos spin-offs derivados da série original para podermos acompanhar mais dos nossos personagens. Mas uma coisa eu não posso negar, na sua grande maioria os spin-offs praticamente são continuações da mesma história de "The Walking Dead" e não derivados da história. Isso aconteceu na série "Dead City", aconteceu na série "Daryl Dixon" e tenho certeza que também acontecerá na série "The Ones Who Live" (que eu ainda não assisti). Os spin-offs de "The Walking Dead" funcionam como um episódio da série principal apenas mudando cenários e alguns personagens. Isso é ruim? Não! Dependendo da visão de cada um, pois tem pessoas que já estarão saturados dessa temática de gangues e zumbis. Eu como um fã da série original não me incomoda os spin-offs continuarem dentro dessa temática, pelo contrário, acredito que muitas coisas ainda funcionam justamente por este fator, mas eu acho que não precisaria seguir os mesmos passos dos personagens da série original, como acontece com o Daryl, poderiam se reinventar de alguma forma. Pelo menos é assim que eu vejo toda a história da série "Daryl Dixon".
A principal diferença que eu vejo entre os dois spin-offs da série "The Walking Dead" é o fato de "Dead City" nitidamente querer dar continuidade em um contexto que ainda não foi resolvido na série original, que é o embate entre a Maggie e o Negan, que por sinal funciona muito bem na trama. Já "Daryl Dixon" parece querer apenas implementar o personagem em um novo local, com uma nova comunidade, com uma nova língua, com os mesmos problemas que ele já enfrentou diversas vezes, mas sem muitas razões óbvias e coerentes, a não ser fugir dali e retornar para a América. O que me dá a impressão de quererem focar apenas em um Daryl Dixon aventureiro.
Por outro lado a série traz um frescor até interessante nas partes que nitidamente eles querem humanizar o personagem Daryl Dixon de alguma maneira. E isso se dá pelo fato de termos uma abordagem sobre o sentindo da vida dentro da série, ou seja, se ainda vale a pena lutar pelo inevitável, pelo inalcançável, pela própria sobrevivência, isso falando justamente do personagem principal diante de todo aquele cenário, que nos passa a sensação de ainda estar sobrevivendo unicamente pelas pessoas ao seu redor. E aqui já entra uma parte que me remete a chegada na série da Carol, que teve um pequeno contato com o Daryl no final dessa temporada e será peça importante dentro da série em sua próxima temporada.
Sobre o elenco:
Norman Reedus é a personificação do Daryl Dixon que aprendemos a amar durante todos os longos anos da série original. Pra quem é fã da série poder rever o Norman atuando mais vezes como o Daryl é extremamente gratificante. E aqui temos um Daryl sendo Daryl exatamente como ele sempre foi. Agora eu estou muito curioso em como será o Daryl na segunda temporada, uma vez que ele estará ao lado da sua eterna amiga Carol.
Clémence Poésy é mais um frescor da série, sua personagem é boa, é interessante, é promissora, é funcional. Nessa primeira temporada ela consegue dividir bem o protagonismo com o Norman, conseguindo chamar a responsabilidade para si e sustentar boa parte da trama principal.
Já o Louis Puech Scigliuzzi traz um personagem que é bem contestável e questionável, pois no fundo ele fica devendo em suas principais motivações dentro da série, o que o coloca muita das vezes como um personagem superficial, falho e bem chato.
O resto do elenco é formado por Laïka Blanc-Francard - Sylvie - uma freira amiga de Isabelle e uma estudante no convento.
Anne Charrier - Marion Genet - uma líder de um grupo paramilitar de sobreviventes na França.
Romain Levi - Stéphane Codron - uma figura que desenvolve uma rixa pessoal com Daryl.
Adam Nagaitis - Quinn - o pai biológico de Laurent, e uma figura poderosa que ganhou poder como comerciante do mercado ilegal e dono de uma boate underground após o apocalipse.
E claro que não poderia faltar a nossa inigualável Melissa McBride, que faz uma comunicação pelo rádio durante uma cena de flashback com o Daryl no final da temporada.
E por falar em Melissa McBride: a primeira temporada foi planejada para apresentar a personagem Carol sob o nome da série "The Walking Dead: Daryl & Carol" (que particularmente eu acho que seria sensacional), mas Carol foi eliminada da série devido a problemas logísticos envolvendo a Melissa McBride. Dessa forma, em julho de 2023, antes do lançamento da primeira temporada, a série foi renovada para uma segunda temporada, que será intitulada "The Walking Dead: Daryl Dixon – The Book of Carol", e contará com Melissa McBride como personagem regular da série, em um retorno ao conceito original da série. Uma terceira temporada também está em desenvolvimento.
Tecnicamente a série é muito boa, muito bem produzida, até por contar com nomes importantes dentro do universo "The Walking Dead" como Angela Kang, Scott M. Gimple e Greg Nicotero. O desenvolvimento da série é muito bem feita, muito bem acertada pela equipe de direção de arte, uma vez que temos belos cenários de uma França degradada pelo apocalipse zumbi. Além dos ótimos cenários, temos uma bela ambientação, uma ótima fotografia, uma boa trilha sonora, uma boa edição, um ótima direção, tudo muito bem planejado e trabalhado. Tecnicamente a série não fica devendo em nada dentro do universo de "The Walking Dead".
No mais: a primeira temporada de "Daryl Dixon" é promissora, é interessante, é funcional, que por mais que não construa um derivado da série principal e soe como uma continuação nos mesmos moldes, ainda assim a série consegue expandir o universo do personagem, consegue galgar novos rumos para as próximas temporadas, e muito por apostar em uma trama mais certeira, com poucos episódios certeiros, que necessariamente não precise ficar se alongando em vários episódios.
Daryl Dixon é um personagem extremamente importante e relevante dentro do universo de "The Walking Dead", tanto que ele não existe nos quadrinhos e está ai até hoje, do início ao fim da série principal e agora com a sua série própria.
- 25/05/2024
The Walking Dead: Dead City (1ª Temporada)
3.4 77 Assista Agora⚠ TEM SPOILERS ⚠
The Walking Dead: Dead City (1ª Temporada) 2023
"Dead City" é uma série criada por Eli Jorné (roteirista das séries "Wilfred", 2011, e "Son Of Zorn", 2016) para a AMC, baseada nos personagens originais de "The Walking Dead", Maggie (Lauren Cohan) e Negan (Jeffrey Dean Morgan). É a primeira sequência da série de televisão "The Walking Dead", e a quinta série da franquia "The Walking Dead", compartilhando continuidade com as outras séries de televisão.
A série segue Maggie e Negan viajando para uma Manhattan pós-apocalíptica isolada do continente em busca do filho sequestrado de Maggie, Hershel (Logan Kim).
"The Walking Dead" foi uma série que eu aprendi a amar desde o seu primeiro episódio lá no ano de 2010. Foi uma série que eu acompanhei religiosamente temporada por temporada, episódio por episódio, ano após ano, durante todo o seu ciclo. "The Walking Dead" foi uma série que revolucionou e influenciou a forma de se fazer séries, principalmente envolvendo o pós-apocalíptico e os zumbis. Foi uma série que trouxe os melhores e mais bem feitos zumbis da história da televisão. Foi uma série que teve um gigantesco impacto e fez um sucesso estrondoso. Foi uma série que teve uma influência direto na cultura Pop, se tornando um verdadeiro marco na história dos seriados de TV.
Eu sou um verdadeiro fã da série e a coloco no hall das melhores séries de todos os tempos.
No dia 20 de novembro de 2022 eu fiquei órfão da série, e foi um dia muito triste para mim, pois ali terminava uma vida de longos 12 anos de uma série que é simplesmente a segunda melhor série da minha vida. No entanto, nem tudo estava perdido naquele dia, pois no final a série nos apresentou cenas que abria espaço para os próximos passos da franquia, agora apostando nos Spin-off. E hoje estamos diante dos Spin-off da série "The Walking Dead"; "Dead City", "The Ones Who Live" e "Daryl Dixon".
Realmente eu achei uma excelente ideia em apostar nos Spin-off da série, o que também mostraria como estava às vidas dos principais personagens da série após o término da mesma, e daria continuidade ao eterno universo de "The Walking Dead". Em "Dead City" a premissa por si só já é extremamente interessante, pois a série junta simplesmente uma das maiores (se não for a maior) rivalidades de toda a história de "The Walking Dead". Estamos falando de Maggie e Negan, que pra quem acompanhou conhece muito bem a causa dessa rivalidade, e com razão, diga-se de passagem.
A Maggie é uma personagem que está desde a segunda temporada na série, que assim como vários personagens de "The Walking Dead", ela também foi amada e em certos pontos odiada. Eu sempre gostei muito da Maggie (apesar que no início eu amava mais a sua irmã, a Beth, interpretada magistralmente pela linda e talentosa Emily Kinney), porém em várias temporadas eu questionei bastante as suas decisões. Já o Negan entrou na série simplesmente como o maior vilão de todo o universo de "The Walking Dead", e não era pra menos, visto tudo que ele causou no grupo do Rick (Andrew Lincoln), e principalmente para a Maggie. E aqui entra um ponto muito interessante dentro da série "The Walking Dead", o fato do Negan passar de o vilão mais odiado da história da série para um personagem amado nas últimas temporadas. Eu mesmo questionei bastante essa minha motivação de começar a adorar o Negan, principalmente na temporada da Alpha (Samantha Morton).
Toda essa rivalidade sempre esteve presente entre Maggie e Negan, principalmente a sede de vingança por parte dela, fato que era exibido por ela sempre que ela tinha uma oportunidade de se vingar dele (temos até um diálogo em forma de embate entre eles na última temporada da série "The Walking Dead" que contextualiza bem isso). Dentro desse contexto, a série "Dead City" coloca novamente o Negan no caminho da Maggie quando ela decide pedir a sua ajuda para resgatar o seu filho que foi levado pelo Croata (Željko Ivanek), um antigo comparsa do quartel do Negan.
O primeiro episódio já inicia com a nossa Maggie em um ato de extrema fúria espancando a cabeça de um zumbi. A partir daí vamos nos inteirando na série, como o fato da comunidade de sobreviventes liderada pela Maggie que se mudou da Virgínia para Nova York. Já o Negan, que obviamente é o ex-líder dos Salvadores, ao final da série principal havia ido embora com sua esposa grávida na intenção de construir uma vida juntos. Porém isso não deu certo, já que sua esposa foi morta. Atualmente o Negan é um fugitivo da Federação da Nova Babilônia, que está sendo caçado pelo policial Perlie Armstrong (Gaius Charles) por ter matado várias pessoas. Inclusive, é nesse ponto que entra a Ginny (Mahina Napoleon), que inicialmente ela decide ficar muda por um grande trauma que ela sofreu pela morte de seu pai. Pai este que no fim o próprio Negan revela para ela que foi ele que matou, já que a Ginny ficou com o Negan após a morte de seu pai. Ou talvez não né, talvez o Negan revelou isso para ela só pra ela ir embora e deixá-lo em sua missão, já que de fato ele não poderia levá-la.
Devo mencionar que o roteiro da série é bom, pois toda essa ideia de usar O Croata como o vilão da temporada que raptou o filho da Maggie, quando na verdade descobrimos que tudo não passou de um acordo entre a própria Maggie e O Croata, para que ela levasse o Negan para ele e assim ele devolvia seu filho. E aqui entra dois pontos: O Croata sempre manteve uma certa rivalidade com o Negan desde a época em que ele era o membro sádico dos Salvadores, e eles tinham suas contas para acertarem. Atualmente O Croata é o líder dos Burazi, um grupo de sobreviventes hostis que assumiram o controle de Manhattan. O outro ponto é justamente o ataque que O Croata fez a Hilltop levando o filho da Maggie, já que dessa forma ele usaria o próprio filho dela para fazer que ela levasse o Negan até ele, já que ele sabia da rivalidade entre os dois e que a Maggie convenceria o Negan a ajudá-la no resgate de seu filho.
Como já mencionei, a ideia da série é boa, já que ela coloca frente a frente dois eternos rivais para nos convencer que ele formaram uma improvável dupla e estão atuando juntos em prol de uma causa maior. Dessa forma vamos novamente remexer no passado de ambos, vamos reviver lembranças, dores, traumas, decepções, ódio, vingança e traição. Vamos mergulhar novamente entre as diferenças de ambos os personagens, nos submundos de suas mentes, de suas ambições, de suas projeções, de seus desejos. Nesse ponto a série funciona muito bem, já que o tempo todo ela é pautada na rivalidade entre Maggie e Negan, e mesmo que inicialmente estamos vendo a formação daquela improvável dupla, porém jamais vamos nos convencer da veracidade disso, sempre vamos manter um pé-atrás. O próprio Negan já desconfiava o tempo todo desse plano de resgate da Maggie, quando ela veio pedir a sua ajuda. Tanto que quando tudo é revelado ele não não se impressiona, pois é fato que na sua mente ele já sabia de tudo - o Negan sempre foi uma pessoa extremamente inteligente e safa.
Por outro lado a série peca em alguns pontos, como o fato do desenvolvimento de episódios. Sim, temos um grande material sobre o embate entre Maggie e Negan, porém eu vejo que a série se alonga em alguns pontos dentro dos episódios que soa desnecessário, algo como esticar os episódios, e olha que a temporada tem somente 6 episódios, o que por si só já é uma série com um número de episódios fora do convencional. Acredito que o foco na trama central envolvendo a Maggie, o Negan e O Croata funciona, como já mencionei anteriormente. Porém, acredito que os personagens secundários foram mal desenvolvidos dentro do contexto principal da série. Como no caso da Ginny e o marechal Perlie. Acho que eles tinham potencial porém não foi bem explorado, talvez em uma próxima temporada, quem sabe.
Já na questão de cenários, ambientação, cenografia, fotografia e trilha sonora, acredito que foi bem desenvolvido. De qualquer forma temos ali uma espécie de Nova York pós-apocalíptica, que atualmente exibe os seus perigos, as suas leis, o seu terror, onde temos um mundo em que a anarquia impera. Isso funciona bem na série. Porém, acho que poderiam ter explorado mais a cidade em si, como os próprios cenários infestados por zumbis, onde temos aquela parte onde a Maggie enfrenta uma espécie de mutação de zumbis, que são vários corpos de zumbis interligados, algo que me lembrou o jogo "The Last Of Us".
Sobre o elenco:
A Maggie e o Negan carregam a série nas costas, obviamente. E tudo se dá exatamente pela Lauren Cohan e o Jeffrey Dean Morgan, que são dois dos principais rostos do universo de "The Walking Dead". A Lauren mantém a mesma postura da sua personagem que terminou a série principal, sendo a representatividade de uma mulher forte, aguerrida, decidida, destemida, que enfrenta tudo e todos em busca dos seus objetivos, ainda mais quando esse objetivo é seu filho. Por outro lado vemos uma certa pressão e vulnerabilidade nela quando se trata do seu difícil relacionamento com seu filho. Já o Jeffrey é um poço de simpatia e carisma. É impressionante como ele é um ator versátil, inteligente, carismático, com um timing e uma veia cômica absurda. O Jeffrey deu todo o seu talento ao performar em um personagem que é visto inicialmente como um vilão odiado por todos, e logo após passa a conquistar o amor de todos esses que o odiaram. É realmente impressionante, eu não me lembro de outro personagem que fez essa passagem e transformação dentro de um personagem como o Jeffrey Dean Morgan fez com o Negan.
Do resto do elenco vale destacar o Željko Ivanek, pois ele conseguiu dar o timing perfeito na pele do Croata, sendo um personagem frio, letal, calculista, sádico, sendo aquele típico personagem em que a gente olha e realmente vê ali um certo nível de vilão.
Como já mencionei anteriormente, os personagens Ginny e Perlie não foram bem aproveitados, mas a atriz Mahina Napoleon e o ator Gaius Charles foram bem de acordo com o que o roteiro pedia de seus personagens.
Recepção crítica:
O Rotten Tomatoes relatou um índice de aprovação de 80%, com uma classificação média de 7,2/10, com base em 54 resenhas críticas. O Metacritic atribuiu uma pontuação de 57 em 100, com base em 9 críticas.
A primeira temporada de "Dead City" estreou em 18 de junho de 2023. Em julho de 2023, foi renovada para uma segunda temporada.
Falando sobre o último episódio da série:
Temos toda a revelação entre a Maggie e o Negan, o que culmina em uma bela cena de embate entre os dois. Logo a Maggie entrega o Negan para O Croata, selando assim o acordo que eles tinham e seu filho é devolvido. Um fato curioso, é que logo após o Negan está frente a frente com a "The Dama" (Lisa Emery), uma senhora idosa, estranha, sombria, intrigante, que podemos considerar como uma aliada próxima do Croata. Eu ainda não entendi perfeitamente todas as motivações dessa personagem na história, mas podemos considerar como uma personagem que será muito importante na próxima temporada, ainda mais considerando aquela revelação sobre ter cortado o dedinho do pé do Hershel e ter guardado em uma caixinha. Se eu pudesse apostar, apostaria que o Negan fará a vingança sobre o Hershel com esta senhora, algo como ele fez com a Alpha. O velho Negan não morreu, só está adormecido. Também acredito que na próxima temporada teremos a volta daquele Negan brutal e letal, como já vimos algumas vezes.
No mais, "The Walking Dead: Dead City" é um bom Spin-off de um dos maiores universos de séries de todos os tempos, que acerta ao trazer o embate de dois dos principais personagens da série, prolongando ainda mais toda a rivalidade entre eles. Acredito que a série peque em alguns pontos aqui e acolá, mas que é entendível, até porque para construir a história principal e dar o seu devido foco é preciso compor histórias paralelas de personagens paralelos dentro de todo o contexto, por mais que no meu ponto de vista faltou um melhor desenvolvimento. Mas no fim o saldo é mais positivo do que negativo, onde eu como um eterno fã do universo de "The Walking Dead" fiquei satisfeito com este Spin-off, que mantém viva e prolonga a história de uma série que eu amo de paixão.
- 30/04/2024
O Exorcista (2ª Temporada)
3.9 127⚠ TEM SPOILERS ⚠
O Exorcista (The Exorcist) 2ª Temporada - 2017
Esta foi uma série que realmente eu tinha uma certa expectativa positiva, justamente por ser fã de uma das maiores obras literárias de terror da história - o livro de 1971 de William Peter Blatty. E o clássico de William Friedkin de 1973 - simplesmente o maior filme de terror da história do cinema.
O inicio da primeira temporada de "O Exorcista" é muito promissora, pois a série começa justamente com uma semi-continuação do filme clássico, nos posicionando na história central que gira em torno de uma família com uma filha possuída. Porém, quando descobrimos que a mãe dessa família é na verdade a Regan MacNeil e a avó é a Chris MacNeil, a série perde qualidade e tem uma queda de rendimento absurda.
Com a chegada da segunda temporada, inocentemente eu acreditava que a história fosse seguir dentro da proposta anterior, que era justamente no mesmo molde de semi-continuação do filme clássico, e que assim a série pudesse voltar a ter um certo nível de qualidade e relevância. Mas não foi isso que aconteceu, pois nesta segunda temporada a série muda completamente a chave de toda a sua história inicial e parte para uma espécie de antologia. Ou seja, a série iniciou com os dois Padres enfrentando casos de possessão demoníaca em uma família, e agora segue com o mesmo rumo em um lar adotivo.
A segunda temporada de "O Exorcista" segue o Padre Tomas Ortega (Alfonso Herrera) e Marcus Keane (Ben Daniels) 6 meses após os eventos da primeira temporada, onde ambos saíram de Chicago e estão em uma espécie de viagem em busca do mal, com mais casos de possessões demoníacas. O Padre Tomas continua seu treinamento para se tornar um exorcista sob a orientação do Padre Marcus (conforme o seu pedido ao final da primeira temporada). Nessa altura começam a aparecer as desavenças entre os Padres, até pelo fato de Tomas achar que o Marcus ainda o considera como seu aluno, por mais que o Tomas já tenha evoluído e aprendido muito, e já tenha até demonstrado parte desse aprendizado.
A viagem dos Padres os levam até um caso de uma jovem que apresenta sintomas de possessão - o caso da garota possuída Cindy (Zibby Allen). A partir desse ponto que o Padre Marcus começa a se preocupar com os riscos que o Padre Tomas corre à medida que suas habilidades de exorcismo aumentam. Enquanto isso, do outro lado do Atlântico o Padre Bennett (Kurt Egyiawan) tenta eliminar aqueles dentro do Vaticano que se voltaram contra Deus. E aqui temos o novo contexto que dará forma para toda a história dessa segunda temporada, o lar adotivo que é administrado por Andrew Kim (John Cho), um ex-psicólogo infantil.
O lar adotivo inicialmente é composto por cinco crianças e fica em uma ilha privada isolada na costa de Seattle. Logo após a chegada de Rose Cooper (Li Jun Li), que se junta ao Andrew com uma parceira do orfanato, uma das crianças é atacada por uma força sobrenatural maligna, onde justamente entra em cena os dois sacerdotes travando uma luta entre o bem e o mal mergulhando diretamente no inferno. Um ponto que eu preciso destacar: o primeiro episódio termina igual o primeiro episódio da primeira temporada, ao som da trilha sonora clássica de "O Exorcista", "Tubular Bells", de autoria de Mike Oldfield. No final dos créditos temos uma citação ao William Peter Blatty, que havia falecido em 12 de janeiro de 2017.
A série segue com uma cena em que o Padre Bennett explica o processo de possessão para integração, que foi o ocorrido com a Angela/Regan no final da temporada anterior. Bennett explica que todos eles conhecem a possessão mas não sabem identificar a segunda fase da possessão. Uma fase irreversível chamada integração, a fusão permanente do demônio com a alma humana. O Padre Bennett diz que acredita que os integrados sempre se infiltraram em todos os níveis da Igreja, inclusive em Roma. Esta é a história paralela que vem desde a primeira temporada, onde nos mostra mais sobre essa difícil e arriscada tarefa que o Padre Bennett enfrenta no Vaticano, arriscando a sua própria vida contra os corruptos da Igreja. Logo o Padre Bennet rastreia uma solitária agente da Igreja chamada Mouse (Zuleikha Robinson), que a princípio não parece que iria colaborar com as investigações do Padre, mas logo eles formam uma improvável dupla.
A partir desse ponto a série foca inteiramente nos casos sobrenaturais que acontecem com mais frequência no orfanato, e a situação só piora na medida que os acontecimentos avançam. Andrew é uma espécie de paizão naquele orfanato, já que é um cenário muito difícil para ele, que vive de luto pelo falecimento de sua esposa Nicole. A casa é composta por Caleb (Hunter Dillon), um adolescente cego. Shelby (Alex Barima), um rapaz religioso. Verity (Brianna Hildebrand), um jovem rebelde homossexual. Truck (Cyrus Arnold), o garoto com problemas psicológicos. E Grace (Amélie Eve), uma garotinha com 6 anos que sofre de agorafobia. Depois temos a chegada da nova moradora do abrigo de adoção, que é a Harper (Beatrice Kitsos). A garota Harper conhece as crianças que moram naquele local, inclusive a Verity, na qual ela dividirá o quarto. A pequena Grace não gosta da presença da Harper, pois a Grace armazena (ou senti a presença) de alguma força sobrenatural.
O segredo por trás daquele orfanato é aquela mística lenda da bruxa da ilha, que atacava as crianças envenenando elas e jogando elas naquele misterioso poço. Tanto que aquele poço possui uma espécie de poder sombrio oculto que atrai as crianças do orfanato para lá, acredito que o caso esteja ligado com uma espécie de sacrifício das criança. Por si só aquele ambiente do orfanato já é muito sombrio e carregado com forças sobrenaturais, tanto que assim que os Padres começam a vasculhar mais profundamente os segredos do local, o Padre Tomas logo entra em um transe psicológico. Às partes que envolve o Padre Bennett e a Mouse é interessante, até por mostrar que os integrados estão cada vez mais infiltrados no Vaticano com mais e mais poderes sobre a Igreja. Aquela cena dos sacerdotes vomitando sangue na mesa e morrendo um por um, é uma cena bem elaborada e casa bem com o contexto daquela história paralela na trama central da série.
O elenco dessa segunda temporada é apenas ok, todos cumprem os seus papeis e nada além disso. O destaque maior fica à cargo de Alfonso Herrera e Ben Daniels. Acredito que os dois Padres são os maiores destaques da série, até por estarem diretamente ligados com todos os acontecimentos que sempre os envolvem em cada história (isso contando a primeira e a segunda temporada). O elenco que compõem o orfanato é bem mediano, típico elenco que não agrega em praticamente nada. Talvez o John Cho e a Li Jun Li que se destaquem um pouco mais, principalmente o John com sua possessão que está diretamente ligada com o final da temporada (que é bem questionável, por sinal). Porém, aidna assim devo mencionar a Alicia Witt, que fez a Nicole, esposa falecida de Andrew, que teve uma ótima performance passando aquele ar de maligna.
Eu vejo a série de "O Exorcista" como uma tentativa até válida de construir novas histórias e novos rumos a partir desse rico material (o livro e o filme clássico) que estava armazenado no passado. Esta segunda temporada até funciona melhor em sua proposta, sem querer se apegar o tempo todo em pontas do filme clássico, como a primeira temporada fez, ao reviver a Regan e a Chris MacNeil. Acredito que se pegarmos unicamente esta temporada livre de amarras, ela pode até em partes funcionar melhor que a primeira. Mas como um todo realmente é complicado preferir uma ou outra temporada, ou até mesmo apontar qual foi melhor, qual funcionou melhor dentro do que se esperava. Eu acredito que inicialmente a ideia dos produtores da série seria criar algum tipo de história que pegasse um gancho do filme clássico, algo como uma releitura modernizada a partir de uma nova história que se interligasse com personagens clássicos, e foi exatamente isso que aconteceu na primeira temporada.
Já esta segunda temporada continua na linha da primeira, confrontando os dois Padres com casos de possessões e integrações, porém aqui já vamos por um outro caminho que se afasta de vez da família MacNeil e cria sua identidade própria na série. No entanto, este caminho que a série tomou levou a história junto com seus personagens para algo mais mitológico do que precisamente demoníaco, que eu acredito que era o intuito do roteiro. Aqui a série deixa de lado o exorcismo e embarca praticamente na série "Supernatural" (2005), o que eu já acho bem discutível. A forma como os Padres agem quando chegam para explorar novos locais; como por exemplo naquela cena onde ambos chegam pela primeira vez no lar de adoção, logo que eles saem do carro eles começam a analisar o local sempre desconfiados. Pode parecer besteira mas esta cena imediatamente me remeteu aos irmãos Winchester de "Supernatural".
Outro ponto, aqui eu já acho muito "Supernatural":
Especificamente falando do final da temporada, onde a série simplesmente abandona o ato do exorcismo para expulsar o demônio do corpo do Andrew e decide resolver na bala. Até podemos considerar que esta temporada faz algumas referências ao "O Exorcista 3"(1990), como a cena do Padre Tomas em transe dentro do confessionário, mas daí decidir que o Padre Marcus acerte uma bala na cabeça do Andrew para finalizar toda a história foi uma escolha simplesmente ridícula. E vou além, o fato dessa decisão de matar o hospedeiro do demônio para que ele não se apossasse do corpo do Padre Tomas é uma escolha muito ruim.
Aquela história paralela envolvendo o Padre Bennett na sua caçada contra os dissidentes do Vaticano eu esperava um desenvolvimento muito maior do que foi entregue. No fim ficamos nos perguntando o que de fato aconteceu, qual foi a resolução daquele caso, onde fica uma clara oportunidade subaproveitada. Outro ponto polêmico e muito discutível, é a cena do beijo do Padre Marcus, onde eu achei um contexto desnecessário, totalmente gratuito, onde claramente ficou apenas como opção para causar, força a barra, gerar polêmicas, e no fim eu acho que conseguiu.
A primeira temporada de "O Exorcista" estreou na Fox em 23 de setembro de 2016, em 12 de maio de 2017 a Fox renovou a série para uma segunda temporada, que estreou em 29 de Setembro de 2017. Em 11 de maio de 2018, a Fox cancelou a série após duas temporadas. Segunda as matérias da época, a série teve um boa recepção crítica em sua primeira temporada e a segunda seguiu com o mesmo bom desempenho. Porém, a série foi alvo de algumas polêmicas, gerou algumas discursões, tanto que o próprio criador da série Jeremy Slater já havia manifestado insegurança quanto ao futuro do seriado pela compra da Fox pela Disney na época. Dizem que apesar da série ter recebido uma boa recepção crítica em suas duas temporadas, a série foi cancelada devido às baixas classificações. Por outro lado também dizem que a série de "O Exorcista" foi mais uma vítima da reorganização da Fox pela Disney, onde levou outros cancelamentos de séries como "Lucifer", "Brooklyn Nine-Nine", "The Last Man on Earth" e "The Mick".
Por fim: "O Exorcista" foi uma série com um grande potencial, com grande ideias, com um material muito rico, que iniciou muito bem mas foi se perdendo pelo caminho, e muito por escolhas erradas e desnecessárias durante todo o seu percurso. O que fica é um sentimento vazio de decepção, de acreditar que a série deveria ter ido além, ter sido muito melhor do que de fato foi, pois tinha muito potencial para isso, porém foi totalmente subaproveitado. Por mais que esta série carregue o nome do maior filme de terror de todos os tempos, mas infelizmente eu também optaria pelo seu cancelamento. Uma pena!
- 14/04/2024
O Exorcista (1ª Temporada)
4.0 350⚠ TEM SPOILERS ⚠
O Exorcista (The Exorcist) 1ª Temporada - 2016
"O Exorcista" é uma série de televisão americana criada por Jeremy Slater (roteirista das séries "The Umbrella Academy" e "Cavaleiro da Lua") para a Fox, onde teve a sua estreia em 23 de setembro de 2016. A série é inspirada (baseada) de forma vaga na obra-prima literária de William Peter Blatty, e funciona como uma possível continuação do clássico "O Exorcista" (1973), do saudoso e eterno William Friedkin, além de ignorar as várias sequências do filme. A série é estrelada por Alfonso Herrera e Ben Daniels como uma dupla de exorcistas que investigam casos de possessão demoníaca.
Sobre o livro:
Em outubro do ano passado eu li pela primeira vez o icônico livro de 1971, "O Exorcista". Foi uma experiência sombria, incomoda, obscura, tenebrosa, diferente de tudo que eu já vivi literariamente. O livro "O Exorcista" é uma obra que mexe com a nossa mente, que mescla o sagrado, o profano, o ceticismo, a fé, a crença, juntamente com o investigativo e um estudo das camadas do ser humano ao ser exposto ao seu limite mental e espiritual. Uma obra completamente imersa no terror psicológico, no terror sobrenatural, onde temos um embate entre a ciência e a fé, além de sermos confrontados com o ocultismo, o mistério, o suspense e obviamente o terror. Definitivamente o livro é uma obra sombria, macabra, soturna, um terror sobre o bem e o mau, Deus e o demônio, e principalmente sobre a renovação e o poder da fé. Posso afirmar com 100% de certeza que a obra de William Peter Blatty está simplesmente entre os maiores livros de terror de todos os tempos.
Sobre o clássico:
"O Exorcista" é um filme completamente fiel com a obra literária, muito bem adaptado, que consegue nos inserir com bastante propriedade no terror sobrenatural, psicológico, sombrio, nos causando um certo nível de tensão, desconforto, medo e repulsa. "O Exorcista" é mundialmente conhecido como o maior filme de terror do século XX, cuja influência foi extremamente significativa na cultura pop e diversas publicações o consideram um dos maiores filmes de terror já feitos. Uma obra categórica, apoteótica, pioneira, influente, revolucionária, um verdadeiro marco na história do cinema, que virou referência sobre o gênero terror e possessão. Dentro do meu conceito cinematográfico, "O Exorcista" é simplesmente o MAIOR filme de terror da história do cinema.
Sobre a série:
Confesso que na época em que a série foi divulgada eu fiquei muito curioso em como iriam retratar uma história tirada do clássico "O Exorcista". Logo eu fiquei com um pé atrás, pois sinceramente eu nunca confiei em seriados de obras clássicas, em que na sua grande maioria por si só elas já são irretocáveis e autossuficientes. Porém, antes de conferir a série eu queria ler o livro e revisitar o clássico, coisa que eu fui postergando até este momento, e que de fato aconteceu.
Realmente a série tem uma premissa muito interessante, já que no início conhecemos toda ambientação soturna e sombria, juntamente com uma fotografia que traz um foco ambientado em um cenário acinzentado, macabro, com um tom morto, denso, obscuro, que logo casa com uma trilha sonora potente, estridente, incomoda, que logo dita o ritmo exato que foi projetado pelo roteiro. É um início bastante motivador!
Destacando cada episódio:
O primeiro episódio se encarrega em apresentar cada personagem da história, onde logo conhecemos o Padre Tomas Ortega (Alfonso Herrera) e o Padre Marcus Keane (Ben Daniels). Logo após conhecemos a família da Angela Rance (Geena Davis), que é composta por suas duas filhas, Casey Rance (Hannah Kasulka) e Katherine "Kat" Rance (Brianne Howey), e seu marido Henry Rance (Alan Ruck). Nesse episódio temos uma cena marcante da série, que é a cena do exorcismo do garoto Gabriel que está sendo executada pelo Padre Marcus - de fato é uma cena tecnicamente muito bem feita. Logo em seguida vamos conhecendo mais a respeito dos dois Padres em questão, já que temos um grande embate de ideias e opiniões entre eles, onde o Padre Marcus se mostra extremamente perturbado e traumatizado com o trágico exorcismo do garoto Gabriel. Por outro lado já observamos que o Padre Tomas se mostra inexperiente e assustado com tudo que começa a acontecer com a garota Casey. O primeiro episódio termina ao som da icônica e lendária trilha sonora clássica de "O Exorcista", "Tubular Bells", de autoria de Mike Oldfield.
No segundo episódio já temos o início de todas as suspeitas envolvendo a garota Casey, em ela estar realmente possuída ou não. Tanto que o Padre Tomas vai em busca da Igreja com auxílio de vídeos para estudar a possibilidade de um exorcismo. Novamente estamos diante de uma caso de possessão, mas que a indicação inicial não é um exorcismo e sim uma sessão se terapia, ou algo do tipo. É nesse episódio que conhecemos aquela espécie de seita que fazem chacina e roubam os órgãos das vítimas. A partir daí a série segue nos mostrando mais a respeito da história do Padre Marcus, onde ele mostra ter uma personalidade muito forte, já que ele é muito enfático em seus objetivos de conseguir algo e provar algo. Como na cena em que ele consegue arrancar de dentro da Casey a presença do demônio. Por outro lado ele é visto como impostor pela diocese, o que culmina com a sua excomunhão vindo direto de Roma, por ele ter apontado uma arma para um colega Padre e conduzir um exorcismo que resultou na morte de uma criança. Já o Padre Tomas só observa tudo acontecer de fora, como se não entendesse a gravidade dos fatos, ou não soubesse como agir por inexperiência. No terceiro episódio que temos aquelas revelações sobre o passado de Kat envolvendo a Julia e o acidente de carro. Nesse mesmo episódio temos aquela cena no metrô, onde a Casey tem uma performance que me remete a Carrie (da lendária franquia de filmes baseado no icônico livro do mestre King).
No quarto episódio é onde estamos diante da Angela pedindo por um exorcismo em sua filha para o Padre Tomas, o que já me soava bastante estranho essa sua atitude. Já o Padre Tomas inicialmente recusa o pedido da Angela, mesmo com a já autorização do Bispo. Enquanto isso a Casey é submetida à inúmeros exames médicos desnecessários, já que ela está piorando cada vez mais e o seu problema não é médico. O Padre Marcus busca mais informações com a Freira chefe do convento, e ele passa por uma espécie de treinamento de exorcismo, para que ele entenda mais sobre como lidar corretamente com o caso, sem forçar a vítima até a morte, como aconteceu com o garoto Gabriel. No fim, ele consegue realizar o exorcismo do rapaz corretamente. A partir daí, o Padre Tomas solicita a ajuda do Padre Marcus no exorcismo da garota Casey, e logo eles começam a preparar o local do exorcismo na casa da família Rance.
No quinto episódio é onde temos a primeira tentativa de exorcismo na Casey. É uma cena muito boa, até por destacar aquela maquiagem pesada na Hannah Kasulka durante a possessão, e a sua performance também se destaca nessa cena. Como sempre acontece em sessões de exorcismo, o demônio se utiliza da vítima para relembrar os traumas e o ponto fraco do Padre Tomas, como no caso da Jessica (Mouzam Makkar). Já com o Padre Marcus o demônio ataca revivendo a figura de sua mãe, que diz que deveria ter abordado ele enquanto teve chances. Nesse episódio temos aquela cena da Casey na ambulância, que é bizarra. E possivelmente a maior revelação da série; quando a Angela revela para o Padre Tomas, durante uma conversa, que ela é a lendária Regan MacNeil do clássico. Ao mesmo tempo que temos uma espécie de homenagem da icônica cena de "O Exorcista", quando o Padre desce do Táxi e se porta bem na frente da casa, dessa vez é a Chris MacNeil (Sharon Gless), a mãe da Regan, que faz exatamente esta cena ao chegar na casa da filha.
A partir do sexto episódio é onde temos a dimensão de uma provável continuação da história do clássico "O Exorcista", já que o episódio se inicia nos mostrando os flashbacks de quando a mãe da Regan usava o caso de possessão da filha para lucrar um dinheiro, sendo com livros, entrevistas de Tvs, onde claramente a Regan não se sentia a vontade, pelo contrário, ela ficava visivelmente incomodada com esta situação imposta pela mãe. Esta é uma parte da série extremamente curiosa, já que nós da velha guarda não tivemos o conhecimento desses acontecimentos após o término da possessão da Regan, até porque são fatos novos criados exclusivamente para a série. E todos esses novos acontecimentos com relação ao passado da Regan e da Chris é criado para dar o contexto do atual relacionamento entre mãe e filha, já que a Regan tem uma relação muito difícil com sua mãe, ao ponto de ter falado para sua família que ela estava morta há muito tempo, pois a Regan senti um profundo ressentimento da mãe por tê-la usada com seu caso de possessão para alavancar sua carreira de atriz e ganhar dinheiro. Diante desses novos fatos fica muito claro o porque que a Angela (Regan) acreditava que sua filha estava realmente possuída desde o início, e que não era uma problema médico, já que ela sempre foi a Regan MacNeil e já havia passado por tudo que sua filha estava passando.
No sétimo episódio temos o destaque da grande repercussão midiática que deu esse caso de possessão da Casey, onde seus familiares foram encarados quase como celebridades, ainda mais com a volta do caso Chris e Regan. Nesse episódio o Padre Bennett (Kurt Egyiawan) tem uma bom destaque. Já o Padre Tomas resolve se entregar para a Jessica, enquanto a Casey está extremamente debilitada e é finalmente exorcizada pelo Padre Marcus dentro do lago.
No oitavo episódio temos mais revelações envolvendo aquela seita demoníaca, que acaba tomando uma vaga proporção dentro da série (muito questionável, por sinal). O episódio segue com a Casey já exorcizada e se recuperando no hospital. O padre Tomas é punido e afastado pela igreja por cometer adultério, enquanto o padre Bennett cai em uma emboscada. No final desse episódio é quando, no meu ponto de vista, as coisas começam a desandar dentro da série; quando temos a cena com a Angela/Regan torcendo o pescoço de sua mãe e ela caindo da escada.
O nono episódio da série é onde temos mais dúvidas e questionamentos em relação a Angela/Regan. Ela apresenta comportamentos cada vez mais estranhos e suspeitos, na medida que ela ataca sua família fazendo todos de reféns em sua casa, e logo após ela mata a Abadessa no convento. Estaria Regan MacNeil novamente possuída pelo demônio Pazuzu? O ponto mais questionável e curioso, é quando ela afirma que dessa vez não se trata de uma possessão e sim de uma integração entre ela e o demônio. A partir daí a Regan age inteiramente como se ela e o demônio tivessem se integrado e se tornado um só - Bizarro!
O último episódio é bem fraco, a começar por aquela espécie de reunião familiar destrutiva imposta pela Regan. Acredito que a parte positiva desse episódio é unicamente com a parte final do Padre Tomas e o Padre Marcus, pois eles foram os únicos que seguraram bem o último episódio. Estou curioso para saber como será este treinamento que o Padre Marcus fará com o Padre Tomas, para que ele vire um exorcista, já que foi um pedido do próprio Padre Tomas e o Padre Marcus aceitou ficar.
Pontos positivos dessa primeira temporada:
A ideia de composição da série é boa, pois podemos perceber que inicialmente a série consegue demonstrar aquela essência que vem diretamente da franquia de "O Exorcista". Querendo ou não, ao assistir a série a gente se pega revivendo acontecimentos ligados ao filme clássico ou até a obra literária - isso é um ponto muito positivo! incluindo as partes técnicas dessa primeira temporada, que eu já destaquei anteriormente, como ambientação, fotografia, enredo e trilha sonora.
Pontos negativos dessa primeira temporada:
Começando pelo roteiro, que obviamente se divide em dois pontos, um bom e outro péssimo. O acerto inicial do roteiro está justamente em criar uma temática para a série que está diretamente inserida dentro do universo de "O Exorcista", incluindo a sua atmosfera sombria e macabra. Acredito que se a primeira temporada tivesse seguido unicamente por este caminho, que engloba uma família que teve a sua filha possuída pelo demônio nos mesmos moldes do que aconteceu com a história original, ficaria uma história muito boa e muito mais relevante e aceitável. O maior erro do roteiro, que eu considero uma péssima escolha, é o fato de optarem por construir uma ligação verdadeira com a história original e não ficar somente no terreno do inspirado/baseado, que na minha opinião seria o certo.
A partir do momento que temos a revelação de que a Angela é a verdadeira Regan MacNeil, é onde a série despenca, cai completamente de produção e relevância. Pois a partir daí, nós que conhecemos a história original vamos buscar coerência em praticamente tudo. Sem falar que apresentação da atriz Geena Davis enquanto Angela é aceitável, dentro da questão de mãe desesperada por não saber o que de fato está acontecendo com sua filha. Porém, a partir do momento que ela revela ser a Regan, ela fica péssima, com uma atuação caricata demais, canastrona demais, grotesca demais, querendo se impor, com um ar de poderosa, de soberana, que ficou absurdamente péssimo. Sem falar que essa história de integração com o demônio (ao invés de possessão) é muito ruim, mal interpretada, onde a atriz está nitidamente sofrível para conseguir se impor como um ser soberano sobre os humanos.
Continuando com os pontos negativos:
Aquela cena com a Regan integrada com o demônio se exibindo para sua família, é bizarramente ruim, desnecessária, mal planejada, mal trabalhada, com atuações sofridas e um desfecho final inteiramente questionável. Sem falar que a forçação de barra nessa cena é ainda maior quando decidem que a Regan integrada obteve poderes no maior estilo X-Men. O CGI é um ponto técnico completamente negativo. Outro ponto: tentaram elaborar algumas histórias paralelas para dar mais contexto para a temporada, que no fim ficou com desfechos rasos e perdidos; como no caso daquele grupo, que mais parece uma seita demoníaca, que ainda não mostrou a que veio, talvez na próxima temporada.
Sobre o elenco:
Alfonso Herrera (protagonista da telenovela mexicana "Rebelde") está muito bem como o Padre Tomas, pois ele conseguiu expor aquela veia de personagem inexperiente, indeciso, confuso, muita das vezes até perdido em sua própria história. Todavia, seu personagem vai em uma crescente dentro da temporada, e no fim ele se torna bastante convincente.
Ben Daniels ("House of Cards") é outro que conseguiu compor muito bem o seu personagem Padre Marcus. O Padre Marcus foi o contraponto do Padre Tomas, e ambos funcionaram perfeitamente dentro das suas proporções de roteiro. Ben Daniels conseguiu demonstrar a figura daquele Padre incisivo, categórico, enfático, que nunca se dava por vencido, que não se vendia e sempre acreditava em seus princípios. Alfonso Herrera e Ben Daniels para mim foram os dois melhores de todo o elenco da série nessa primeira temporada.
Hannah Kasulka ("The Rookie") faz um trabalho modesto que até se destaca em algumas cenas. Acredito que ela compôs bem a figura da Casey, a garota possuída, e conseguiu uma atuação convincente, principalmente nas cenas de possessão.
Brianne Howey ("Ginny e Georgia") traz uma personagem que mostrou ter bastante potencial, mas foi completamente subaproveitada. A personagem Kat se destaca apenas por ser a irmã da filha possuída da Regan MacNeil, pois ela apenas compõe o elenco, quando na verdade eu achei que ela fosse ter mais destaque baseado naquele acidente de carro.
Alan Ruck ("Succession") traz seu personagem na mesma linha da Brianne Howey, ou seja, compor o elenco familiar como o pai de família. Seu personagem Henry Rance até mostra um certo destaque, principalmente nos embates com sua esposa Angela, mas como um todo é bem vago e sem grande influência.
Sharon Gless ("Burn Notice") faz a Chris MacNeil, que na minha opinião é a personagem mais sem sentido de toda temporada. Ela chega na série com um pé na porta, ao reviver uma cena icônica do filme clássico, mas também é só. De resto ela serve como bode expiatório da Regan, troca algumas farpas com a filha, revive o passado e tem uma morte absurdamente ridícula.
Geena Davis ("Grey's Anatomy") eu já destaquei perfeitamente o que ela representa para essa temporada. Como Angela Rance ela convence e vai muito bem, como Regan MacNeil é simplesmente péssima.
Considerações finais:
Esta primeira temporada de "O Exorcista" tem seus altos e baixos, pois a série inicia dentro de uma proposta, que é reviver um universo extremamente cultuado e glorificado do maior filme de terror de todos os tempos. E até a metade da temporada a série vai muito bem dentro dessa proposta. Porém, a partir do sexto episódio a série toma um outro rumo, deixa de lado a essência e a atmosfera do filme original para embarcar em uma espécie de mitologia, indo para o campo das seitas demoníacas, saindo da possessão para a integração, e com representações de forças sobrenaturais exageradas.
Não classifico a série como desnecessária (como muitas pessoas classificaram), acho que a série tinha muito potencial, porém foi mal utilizado nessa temporada. Acredito que a série inicia dentro da proposta mas encerra como algo que nunca foi e sequer precisava seguir por este caminho. É uma boa série em que a primeira temporada consegue honrar o nome do maior filme de terror da história até os cincos primeiros episódios, pois a partir daí a série perde completamente a mão, beirando o grotesco nos dois últimos episódios. Uma pena que a série foi cancelada pela Fox em sua segunda temporada, pois eu realmente acreditava que a série poderia melhorar ainda mais. O que me resta é conferir os 10 episódios da segunda e última temporada.
- 29/03/2024
Bates Motel (5ª Temporada)
4.4 760TEM SPOILERS!
Bates Motel (5ª Temporada) 2017
A quinta (e última) temporada de "Bates Motel" teve a sua estreia em 20 de fevereiro e terminou em 24 de abril de 2017. A temporada manteve os seus já tradicionais 10 episódios (como toda a série) e foi ao ar às segundas-feiras às 22h no canal de TV americana A&E.
Enfim chegamos na última temporada da famosa série que foi pensada e idealizada como como um "prequel contemporâneo" do clássico do mestre Alfred Hitchcock - "Psicose" - de 1960. Especificamente nessa quinta temporada, a série adapta (de modo bem leve) o enredo do filme clássico em uma versão modernizada, fazendo uma releitura de alguns de seus principais acontecimentos. Por outro lado também podemos considerar que esta ação ousada dos produtores serviu como uma espécie de despedida e homenagem ao icônico filme da década de 60.
A história da quinta temporada se passa justamente dois anos após a fatídica morte de Norma Bates (Vera Farmiga), que aconteceu na temporada passada. Tudo parece caminhar bem na vida de Norman Bates (Freddie Highmore), ele tenta manter as aparências após tudo que aconteceu, sempre se mostrando feliz e já muito bem adaptado ao gerenciar sozinho o Bates Motel. Por outro lado ele tenta incansavelmente preencher o vazio deixado por sua mãe criando em sua mente doentia e degrada a figura da Norma. A partir daí Norman interage com naturalidade vendo a figura fantasmagórica da mãe em várias partes da casa. A essa altura Norman já parou de tomar seus remédios contra os seus apagões, o que agora acontece constantemente, que logo o domina completamente pela personalidade de sua mãe.
O primeiro episódio já inicia nos mostrando como a vida de outros importantes personagens da história também passaram por grandes mudanças, que é justamente o caso de Dylan (Max Thieriot) e Emma (Olivia Cooke), onde eles se casaram e vivem juntos com uma filha. O curioso aqui é o fato do Dylan ter se afastado completamente de seu irmão Norman, onde ele sequer ficou sabendo da morte de sua mãe. Outro personagem que ao longo da série foi ganhando um grande destaque e se tornou uma peça fundamental na trama, é justamente o Xerife Alex Romero (Nestor Carbonell), que no início da temporada ele se encontra cumprindo pena em um presídio da cidade.
A quinta temporada de "Bates Motel" tem um início fulminante, principalmente pelos acontecimentos da temporada passada que permeia todo ódio e fúria de Alex no presente. Alex quer vingança a qualquer custo contra Norman pelo falecimento de Norma. A partir daí vemos um Alex completamente frustrado pelo seu plano não ter saído como ele desejava em relação ao Norman. Por outro lado ele se sente fortemente confrontado pelo próprio Norman, quando ele surge no presídio como uma visita inesperada. Aqui já temos uma outra versão do Alex Romero, muito diferente daquele Xerife do início da primeira temporada. Logo outro personagem importante da história reaparece, trata-se de Caleb Calhoun (Kenny Johnson), que invade a casa de Norman e vai até o porão, onde ele encontra o corpo empalhado de Norma Bates.
A partir desse ponto da temporada temos a já esperada transformação de Norman Bates, que consiste justamente em ele tomar pra si a personalidade de sua mãe ao vestir seu vestido e usar uma peruca loira. Logo temos aquele ataque do Norman contra o Caleb, ao perceber que ele viu a figura empalhada da Norma em seu porão. E aqui temos outra surpresa na temporada, que é a chegada na casa de Chick Hogan (Ryan Hurst) bem no momento em que Norman estava vestido e atacando o Caleb. Nesse ponto do episódio temos o Norman proferindo a emblemática frase para o Chick: "agora você sabe que eu ainda estou viva". Por sinal uma cena sensacional!
Fora os protagonistas e os coadjuvantes da série, nessa última temporada temos a chegada de novos personagens secundários: como a presença de uma nova Xerife na cidade de White Pine Bay, Jane Greene (Brooke Smith). Temos a Madeleine Loomis (Isabelle McNally), que é casada com Sam Loomis (Austin Nichols), por sinal um personagem conhecido do clássico "Psicose". Sam tem um relacionamento extraconjugal com Marion Crane, que também se destaca como outra personagem clássica de "Psicose", e aqui sendo vivida pela cantora Rihanna.
Esta última temporada também se destaca pelo clima de suspense e tensão que se instala na casa de Norman enquanto ele mantém preso no porão o Caleb e divide sua atenção com Chick. Novamente preciso citar que aqui o Norman já está completamente tomado pela personalidade da mãe, e muito por acompanharmos ele sempre tomando decisões em nome da Norma, como no caso daquele projeto que que trabalha junto com Chick. E aqui eu preciso destacar o péssimo final que deram para o Caleb na série, onde o limitaram apenas como uma marionete do Norman, e o levaram a ser morto atropelado pelo Chick enquanto fugia do Norman. Isso que eu chamo de descarte de personagem que não faz mais sentido na história.
Mais uma vez temos o Norman usando uma pessoa e depois o descartando com inutilizável. Que é justamente o que acontece com o Chick, quando Norman o manda embora de sua casa, e mesmo sabendo que agora ele sabe de seus segredos envolvendo a sua dupla personalidade. Nesse ponto da história temos outro envolvimento de Norman com uma garota, que é o caso de Madeleine. E novamente somos confrontados pela aparição da figura da Norma simulando a morte de Madeleine para Norman, o que logo o deixa desesperado enquanto foge do local.
A temporada transcorre bem ao dar espaço para os personagens coadjuvantes, que também tem a sua parcela de relevância dentro de toda a história. Como no caso do Dylan revelando para Emma tudo que ele pensa sobre o Norman ser culpado pelas várias mortes que aconteceram ao longo dos anos na cidade, isso incluindo até a morte da sua própria Mãe. A partir desse ponto na temporada temos o Norman sofrendo um forte descontrole mental e confessando ser o assassino de várias mortes. Isso inclui todas as investigações que estava no momento sobre a designação da Xerife Jane. Isso também passa pelas suas recentes descobertas sobre os vários corpos que foram jogados dentro do lago. Baseado em todas essas descobertas e todas as revelações, Norman vai preso. Por outro lado Romero está incansavelmente na busca por vingança, quando ele invade a casa de Norman em sua busca, mas ele não o encontra. Romero se depara com Chick no porão da casa e o mata a sangue frio com um tiro na testa.
Dylan e Emma sofrem com os acontecimentos que desabam sobre eles. Emma cuida dos negócios da família enquanto Dylan se vê preso entre seu passado e seu futuro. Dylan fica confuso, dividido, entre aceitar/acreditar no que o Norman cometeu todo esse tempo. Já a Emma está sofrendo muito por ter descoberto o monstro que o seu cunhado é, e por ele ter matado sua mãe. E aqui temos outra cena emblemática da temporada, que é a cena em que a Emma vai até o local onde Norman está preso para confrontá-lo. Já o Romero obriga Norman a levá-lo até o local onde Norma está morta. Porém, a forma como se dá toda a sequência na cena em que o Norman mata o Romero é patética para um fechamento de história. Colocaram uma grande expectativa em cima desse núcleo para finalizarem de forma pífia. No mínimo esta cena deveria ser emblemática, afinal de contas estamos falando de uma grande rivalidade que foi se criando dentro da série. Já a parte final dos flashback com o Norman e a Norma quando estavam se mudando para começar uma vida nova é muito bom. O final foi bem interessante e trouxe um fechamento coerente com o próprio Norman, já que ao ser morto pelo Dylan ele meio que retorna para os braços de sua mãe que já estava morta. É como se finalmente eles pudessem viver, ou morrer, felizes para sempre e juntos.
Quero destacar aqui a escolha de roteiro para esta última temporada de "Bates Motel", que eu já citei acima. Achei interessante esta ousadia dos produtores em aproximar a história com uma adaptação modernizada do clássico "Psicose". A inclusão na trama dos personagens Sam Loomis e Marion Crane serviu para nos trazer uma releitura de algumas cenas do clássico. Porém, devo deixar bem claro que temos as referências do clássico sessentista mas feitas de forma diferente, com uma nova roupagem e uma liberdade criativa, que até soou interessante.
Por exemplo: temos aquela referência do clássico, que é a Marion chegando no Bates Motel embaixo da chuva e tocando a companhia do Motel fechado, logo ela vai ao lado e olha para a casa dos Bates. O personagem Sam Loomis também é outra referência do clássico, até com o envolvimento com a Marion. A cena do Motel entre Marion Crane e Norman Bates é muito boa e foi baseada nessa mesma cena do clássico, até com alguns diálogos iguais. Achávamos que a cena clássica do chuveiro se repetiria com a Marion Crane, igual no clássico, mas dessa vez foi o Sam a vítima de Norman Bates na cena clássica do chuveiro de "Psicose". Eu confesso ter gostado dessa cena, por mais que entendo a frustração de outras pessoas que desejariam a releitura original do clássico, mas entendo a mudança e a liberdade criativa no quesito imprevisibilidade.
Os pontos fracos da temporada:
Um ponto que ao longo de cada temporada eu sempre reclamei, que são justamente as tramas secundárias da série, aqui elas voltam a incomodar. Não chegam a interferir tanto como nas duas primeiras temporadas, mas elas estão presentes e de certa forma bem irrelevantes. Eu diria que a trama secundária envolvendo a Madeleine, o Sam e a Marion é bem desinteressante e claramente não mantêm o mesmo nível da história principal. A temporada final acaba correndo demais em vários pontos para dar a conclusão para a história, porém se esqueceram de serem coerentes com várias pontas que ficaram soltas na história como um todo. Posso citar o caso do psiquiatra do Norman que acabou sendo esquecido na história final. O próprio Caleb foi totalmente subaproveitado e teve um final deprimente. O Chick foi um personagem no começo da série e terminou sendo outro totalmente diferente com seus desejos e opiniões, o que me deixou um tanto quanto confuso. No começo o Chick era um personagem decidido a dar fim no irmão da Norma e na última temporada ela meio que se oferece para ser aceito na casa pelo Norman e passa a "cuidar" dele. Confesso que essa mudança de chave no personagem não me agradou. Sem falar que o Chick tinha aquelas suas fitas e o livro, que também foi completamente esquecido no final.
Como o tema do empoderamento feminino está em bastante evidência, eu compreendo algumas tomadas de decisões na série e na temporada, principalmente envolvendo personagens como a Marion Crane e a Madeleine Loomis. Os personagens Dylan e Emma já estiveram em melhores posições de destaques dentro da série, porém especificamente nessa última temporada as participações de ambos chega a ser deprimente. O Dylan toma atitudes controversas e impensáveis, agindo por impulso próprio quanto ao confrontar o Norman. A Emma é a mais triste da temporada, sua participação é completamente abaixo de tudo que ela já entregou na série. A Emma não faz a menor diferença na temporada, se limitando a algumas cenas envolvendo a descoberta da morte de sua mãe, mas no geral ela é uma coadjuvante totalmente escanteada na trama - uma pena!
Alex Romero é tão mal utilizado nessa última temporada que chega a dar pena de seu personagem e do seu desfecho final. Volto a falar que a forma como ele morreu foi tão pífia que soa como um desrespeito com o personagem de Nestor Carbonell.
Já a Vera Farmiga, com a sua impecável Norman Bates, tem sempre uma participação irretocável dentro da série, e aqui chama a atenção por ela ter passado a temporada inteira sempre atuando como uma presença ilusória na história.
Freddie Highmore é sem dúvida o maior destaque da temporada e de toda a série (juntamente com a própria Vera Farmiga). É incrível e assustador a interpretação de Freddie na figura do Norman Bates, a sua entrega para o personagem, a sua dramaticidade, a sua desconstrução e degradação psicológica. Realmente é um trabalho impecável e com um grande final do personagem.
Tecnicamente e artisticamente a série beira a perfeição:
Temos uma trilha sonora muito bem performada em cada episódio, e que dizia muito sobre o que aquele episódio estava tratando. A fotografia é muito fiel com a proposta modernizada de uma série que tem como princípio um clássico dos anos 60. A direção de arte da série é muito bem conduzida, deixando cada ponto, cada cenário, cada item de cena com um padrão próprio. O trabalho cenográfico e de direção é outro grande acerto da série, mostrando o talento e a competência de cada diretor que conduzia a história.
A quinta temporada de "Bates Motel" recebeu 81 de 100 do Metacritic, com base em 8 avaliações. O Rotten Tomatoes informou que 8 em 8 respostas críticas foram positivas, com média de 100% da classificação. No geral, a quinta temporada de "Bates Motel" teve uma média de 1,29 milhão de espectadores, com uma classificação de 0,5 na faixa demográfica 18-49.
Por fim, a já lendária e aclamada série de TV "Bates Motel" chega ao seu final, ao seu fechamento de ciclo. Como um todo eu gostei demais da série, ela soube se reinventar e entregar algo novo tirado de um clássico antigo e renomado. Acredito que toda produção da série soube inovar bem no quesito modernização de uma história, até ousando em certos pontos que soa como uma referência e uma homenagem para a obra-prima divina do mestre Alfred Hitchcock.
Especificamente nessa última temporada a série tem seus altos e baixos, tem seus erros e seus acertos (o que é normal), mas consegue entregar uma temporada muito boa, que atinge o objetivo da missão de recontar a incrível história de Norman Bates por uma outra visão, com uma nova perspectiva, o que deixa ainda mais interessante. Sem falar no final, que na minha opinião foi fantástico, entregando a sua forma poética de representar aquele vínculo afetivo entre mãe e filho, por mais diferente que seja. Um verdadeiro final catártico e apoteótico! [17/12/2023]
Bates Motel (4ª Temporada)
4.4 724TEM SPOILERS!
Bates Motel (4ª Temporada) 2016
A quarta temporada de "Bates Motel" estreou em 7 de março de 2016 e terminou em 16 de maio de 2016. A temporada continua com o padrão de 10 episódios e foi ao ar às segundas-feiras às 21h pela A&E.
Posso afirmar aqui que as duas primeiras temporadas da série funcionou basicamente como uma apresentação de personagens, mais propriamente um desenvolvimento do Norman Bates (Freddie Highmore) e da sua mãe, Norma Louise Bates (Vera Farmiga). De certa forma a série estava tentando se achar como uma série moderna inserida em todo o universo do clássico "Psicose". Na terceira temporada a série começa a tomar um novo rumo, na verdade a série começa a trilhar o caminho principal de toda a história, e passa a focar ainda mais nos indícios psicóticos de Norman Bates. Esta quarta temporada se destaca como a melhor temporada da série até aqui, e muito por mergulharmos de vez no estágio mais crítico da relação tóxica e doentia entre Norman e Norma. É uma temporada que abrange diretamente o embate entre mãe e filho, e nos mostra todas as facetas de um Norman muito inteligente porém extremamente cético e manipulador para conseguir alcançar os seus principais objetivos.
A temporada já inicia nos mostrando os resquícios do final da temporada passada, onde temos o Xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) desovando o corpo de Bob Paris (Kevin Rahm), que ele mesmo matou, em um barco no mar. Norman está desaparecido de casa desde o final da temporada passada, quando ele matou a Bradley Martin (Nicola Peltz) e disse que voltaria a pé para sua casa. Exatamente nesse ponto do primeiro episódio que Norman se mostra totalmente descontrolado e desequilibrado, onde sua liberdade passa a ser considerada como uma ameaça para a sociedade, caso Norma não o interne em uma clínica psiquiátrica. Já pelo outro lado da história temos a Emma Decody (Olivia Cooke), que está internada em um hospital em Portland pronta para realizar seu transplante de pulmão.
Este primeiro episódio já se destaca como muito importante e bastante revelador para o contexto de toda a história. Pois é justamente nele que temos o aparecimento repentino de Audrey Ellis (Karina Logue), a mãe que abandonou a Emma enquanto ela era uma criança doente. Interessante que Audrey tem uma pequena participação na história, pois no final do episódio o Norman já mata ela enforcada. Porém, o que chama a atenção é justamente o envolvimento que Audrey criou e como ela se torna um dos pilares centrais para o desentendimento entre Norma e Norman.
Podemos considerar que finalmente Norma percebe que o caso do seu filho é sério e que ele precisa de ajuda médica. Já que Norman passa a ter um comportamento que afeta diretamente a relação com a mãe e sempre a deixa extremamente irritada. Aqui entra um ponto bastante curioso na temporada, que é justamente esse abrupto casamento entre Romero e Norma, já que ela precisava de ajuda com o plano de saúde para conseguir a internação do Norman na clínica psiquiátrica Pineview. A princípio podemos notar que este casamento é totalmente de fachada, já que era por puro interesse por parte da Norma, mas com o tempo eles vão se entendendo e acabam realmente se apaixonando. Norman atinge o ápice do seu surto psicótico contra Norma, ao apontar uma arma para ela, e o Romero o encaminha para o instituto.
Esta temporada funciona muito bem em mesclar a trama principal envolvendo o Norman, a Norma e o Xerife Romero, com a subtrama do Dylan (Max Thieriot) com a Emma. Emma já fez a sua cirurgia e tudo foi um sucesso. E aqui temos uma cena muito boa, que é justamente a cena em que a Emma retira os aparelhos de respiração após a cirurgia e vemos o quanto o Dylan se preocupa com ela, quando ele fica desesperado com ela não respirando. Dylan pensa em seu futuro com a Emma, já que seu relacionamento começa a fluir. Realmente ele está pensando em abandonar o ramo dos negócios com maconha e viver este romance.
Na clínica o Norman começa apresentando bastante resistência em seu tratamento com o Dr. Edwards (Damon Gupton). Porém com o tempo ele passa a aceitar as novas circunstâncias que lhe é designado. Sinceramente eu não acho que Norman aceitou, ele simplesmente está usando todo o seu poder de manipulação, principalmente com o Dr. Edwards. Podemos observar justamente essa questão quando Norman começa a agir com naturalidade as exigências da clínica, e principalmente quando ele conhece aquele seu novo "amigo" e juntos embarcam em uma aventura ao fugir da clínica. De qualquer forma logo Norman entra em outro surto psicótico e revela alguns dos seus segredos ao Dr. Edwards, e vai ainda mais além, quando ele decide denunciar sua mãe em relação as mortes que ocorreram. Norman revela que acredita que todos os assassinatos dos quais ele é o autor foram, na verdade, cometidos por sua mãe, quem realmente precisava de ajuda era ela, e não ele. Esta é uma cena emblemática em toda a série.
Outro ponto que a temporada aborda, e parece bem interessante, é esse relacionamento íntimo e de negócios que o Xerife Romero mantinha com a gerente do Banco Rebecca Hamilton (Jaime Ray Newman). Rebecca era a responsável em lavar o dinheiro para o Bob Paris. Ela revela ao Romero que Bob deixou uma grande quantia no banco, e que ela tem uma das chaves do cofre enquanto ele tem a outra (e realmente ele tinha). A partir desse envolvimento, a DEA passa a usar a Rebecca e passa a levantar uma investigação criminal que ameaça a vida de Romero.
O personagem Chick Hogan (Ryan Hurst) entre em cena ao perseguir a Norma em uma loja. Por fim, Chick revela tudo sobre Caleb (Kenny Johnson) para Norma, explicando para ela tudo que Caleb fez com ele. Norma fica preocupada com o que poderá acontecer com Caleb e ameaça Chick. Pegando este gancho, Norma revela a verdade para Romero sobre seu irmão Caleb ser o pai de Dylan. Ela também revela que teve um relacionamento com ele durante anos e ela o amava, porém quando ela quis terminar tudo ele não aceitou e estuprou ela. Uma cena bem chocante, por sinal.
A estadia de Norman na clínica parecia correr bem até ele descobrir, através de recortes de jornais, que sua mãe havia se casado com o Xerife Romero. Imediatamente a chave em sua cabeça muda e Norman quer deixar a clínica de qualquer forma. Norman é extremamente manipulador e persuasivo, e ele usa de todos os seus meios para convencer o Dr. Edwards que precisava voltar para casa para ficar ao lado de sua mãe, que isso seria muito benéfico para ele e o ajudaria ainda mais no tratamento. Após o Norman fazer todo um teatro ele convence o Dr. Edwards a assinar a sua liberação da clínica. Romero não ficou nada feliz pela a Norma aceitar que o Norman voltasse para casa, ainda mais agora com ele morando com ela. A presença de Norman em casa incomoda muito o Romero, e a Norma fica dividida entre os dois, tentando agradar os dois. E realmente Norman está decidido por um fim no casamento de sua mãe com o Xerife, pois ele foi confrontar pessoalmente o Romero para pedir que ele se divorciasse de sua mãe. O maior erro da Norma como mãe é proteger demais o seu filho, como se ele fosse um cristal que vai se quebrar a qualquer momento. Essa proteção excessiva atrapalha em seu crescimento e desenvolvimento como uma pessoa adulta.
No oitavo episódio temos uma reedição de uma cena clássica de "Psicose": que é a cena com o Norman olhando pelo buraco da parede no Motel a sua mãe transar com o Romero. Na hora eu peguei toda a referência da obra-prima do mestre Hitchcock.
O nono episódio revela como o Romero e o Dylan pretendiam se unir para forçar uma nova internação do Norman, mesmo contra a vontade da Norma. Norman está conseguindo manipular a mãe com relação ao seu casamento com o Romero, ou ela está deixando ser manipulada, mesmo sabendo as reais intenções do filho. A obsessão do Norman pela Norma é tanto, que ele fechou todas as entradas e saídas de ar da casa, ligou o forno no porão e soltou uma espécie de gás venenoso saindo unicamente embaixo da cama onde ele e a mãe dormiam. A ideia dele era se matar e matar a própria mãe enquanto dormiam. O Romero chega na casa e quebra a janela para entrar um pouco de ar mas já era tarde. Norman acorda porém sua mãe não.
O último episódio da temporada é magnífico, facilmente o melhor episódio da temporada e um dos melhores de toda a série. Temos o Norman planejando um evento especial para o velório da Norma. Também somos informados que a intoxicação por monóxido de carbono foi o que matou a Norma, causado pelo Norman, e esta substância pode afetar a memória. A guerra entre Romero e Norman está declarada, ele quer tentar de qualquer jeito provar que o Norman é o responsável pela morte da mãe. Norman parece conseguir manipular todos em sua volta, menos o Romero, que é astuto, inteligente e muito sagaz. Os últimos eventos na temporada do Xerife Romero consiste em como ele é pressionado pelos seus atos no passado, o que acaba fechando o cerco e ele acaba terminando a temporada sendo preso.
O final do episódio é catártico, pois ele nos mostra como ocorreu toda a libertação de tudo que estava reprimido entre sentimentos e emoções do Norman em referência com sua mãe. A partir daí temos uma excelente sequência de cenas; que é justamente quando o Norman vai até o cemitério e desenterra o corpo da Norma e a leva para casa. Logo temos uma cena completamente bizarra e bem mórbida, onde o Norman cola os olhos da defunta da mãe. Agora ele passa a conviver com a presença dela morta como se estivesse viva, e conversando com ela normalmente e constantemente, algo bastante natural para ele. Esta parte segue bem um roteiro se baseando na história original, tanto do clássico dos anos 60 quanto da obra-prima da literatura de Robert Bloch.
Sobre o elenco:
Não tem como mais elogiar e enaltecer a Vera Farmiga em "Bates Motel". Ela já atingiu um ápice de excelência inimaginável dentro da série.
Já o Freddie Highmore sempre esteve em uma ótima performance em cada temporada, porém nessa quarta ele atinge um grau superior, o ápice do seu personagem, se destacando em todas as cenas. Incrível como o Freddie cresce de produção em cada temporada, e aqui ele entrega um nível de dramaticidade muito fiel com o contexto do seu personagem.
Max Thieriot tem uma temporada bem apagada, em comparação com os seus maiores destaques nas temporadas passadas. O roteiro dessa temporada não contribuiu com o Dylan, o limitando em poucas participações na trama central.
O mesmo vale para a Olivia Cooke, que também tem uma temporada bem discreta, se limitando apenas em torno do seu transplante e recuperação morando em outra cidade com o Dylan.
Nestor Carbonell está em sua melhor temporada na série. É completamente incrível o crescimento absurdo em questão de relevância que o Xerife Romero tomou. Em contrapartida a sua atuação só melhora e cada vez mais nos surpreende. Acredito que o ápice de sua performance será exatamente na quinta temporada, com a guerra declarada contra Norman Bates. Nestor Carbonell é um ator excelente.
Ryan Hurst tem uma participação menor na temporada porém extremamente importante para o seguimento na quinta temporada. Eu estou muito curioso em como será a participação do Chick na última temporada.
Já o Kenny Johnson foi completamente esquecido nessa temporada, e eu que pensei que o Caleb teria participações cruciais nessa quarta temporada.
Parece que finalmente os roteiristas aprenderam a dar o maior foco e o maior destaque para a trama principal e deixar de lado as inúmeras subtramas paralelas. Este foi o maior erro das duas primeiras temporadas, o fato de querer contar várias histórias todas ao mesmo tempo e no fim não desenvolver bem nenhuma. Na minha opinião as histórias paralelas foram trazidas para a série apenas como uma válvula de escape, para chamar a atenção do espectador para outros rumos na história e não focar unicamente em torno do Norman e da Norma (apesar de esse ser o nosso principal interesse na série). As tramas secundárias nunca conseguiram atingir o mesmo grau de excelência dos eventos envolvendo os dois protagonistas. Na terceira temporada essas subtramas já haviam sido bem reduzidas e nessa quarta elas perderam ainda mais as suas forças. Por mais que ainda temos alguns desdobramentos paralelos na história, mas eles são bem pequenos e não interferem tanto como antes.
Outro ponto que não foi diretamente revelado nessa temporada, mas eu cheguei na conclusão: lá no começo da série foi levantado toda a questão que envolvia a construção da nova estrada que desviaria o fluxo do Bates Motel, e que obviamente a Norma Bates era contra. Ela chegou a lutar na prefeitura e comprou uma grande briga por esta causa. Porém, esse assunto não foi mais discutido na série, o que me leva a crê que a Norma perdeu a disputa e a estrada foi realmente construída.
A quarta temporada de "Bates Motel" recebeu elogios da crítica da televisão e foi indicada para dois Primetime Creative Arts Emmy Awards. Também ganhou três prêmios People's Choice Award por drama de TV a cabo, atriz de TV a cabo (Vera Farmiga) e ator de TV a cabo (Freddie Highmore). A quarta temporada do Bates Motel manteve classificações consistentes ao longo de sua exibição, com a estreia da temporada atraindo 1,55 milhão de espectadores e o final totalizando 1,50 milhão.
A temporada foi recebida com elogios da crítica. A temporada teve uma classificação 100% positiva no site agregador de críticas Rotten Tomatoes, com base em 17 respostas de críticos de televisão.
A série "Bates Motel" finaliza mais uma temporada em alto nível. A quarta temporada é de longe a melhor de toda a série até aqui. E muito por trazer uma temporada mais centrada, mais enxuta, mais focada na trama central, sem ficar vagando perdida em tramas paralelas e desinteressantes.
O que vimos até aqui foi a construção de um relacionamento entre mãe e filho baseado na obsessão, no extremismo, na devoção, na adoração, onde logo foi desenvolvido um relação tóxica e doentia. Uma demonstração de amor excessivo e corrosivo que se transformou em ódio, loucura e manipulação extrema.
A quinta (e última) temporada promete demais, pois será a primeira temporada sem a presença real da Norma Bates, o que trará um grande impacto para a trama central. Também será a primeira temporada em que teremos um Norman agindo "teoricamente sozinho", com suas escolhas e suas decisões tiradas de uma mente totalmente deturpada e psicótica.
Sem falar que nessa última temporada teremos o ápice do Norman, onde ele demonstrará toda a sua psicopatia e sua dupla personalidade. Ou seja, será na quinta temporada que Norman agirá da forma que conhecemos no clássico dos anos 60; quando o saudoso Anthony Perkins se consagrou como um dos maiores maníacos e psicopatas da história do cinema. Dessa vez o bastão foi passado para o talentosíssimo Freddie Highmore, e eu quero conferir como será a sua apresentação final na pele do lendário e icônico Norman Bates.
[27/10/2023]
Bates Motel (3ª Temporada)
4.3 608TEM SPOILERS!
Bates Motel (3ª Temporada) 2015
A terceira temporada de "Bates Motel" é novamente constituída em 10 episódios e foi transmitida pela A&E de 9 de março a 11 de maio de 2015, com exibição às segundas-feiras às 21h.
Na primeira e na segunda temporada de "Bates Motel" tivemos o início e o desenvolvimento da psicose de Norman Bates (Freddie Highmore). Ou seja, podíamos notar os primeiros indícios do seu lado psicótico, que de fato ainda acontecia em casos mais raros. Nessa terceira temporada esse quadro se agrava ainda mais, ficando cada vez mais específico e tomando uma proporção ainda maior. Norman passa a sofrer apagões mais constantes e passa a ter vagas memórias de suas ações nos momentos desses apagões. É como se ele sofresse para distinguir as criações de sua mente daquilo que realmente aconteceu.
O primeiro episódio já inicia de forma bastante peculiar com uma cena intrigante do Norman dormindo na cama com a Norma (Vera Farmiga), o que deixa o Dylan (Max Thieriot) incomodado ao presenciar esta situação. E mais bizarro ainda é o fato do Dylan confrontar a Norma sobre o caso e ela simplesmente dizer que acha isso tudo normal. É justamente nessa temporada que passamos a observar um comportamento cada vez mais estranho do Norman com sua mãe. Era como se o Norman sentisse algum tipo de desejo pela mãe, e ela em contrapartida acaba contribuindo para esse seu comportamento. Outro fato intrigante é justamente a cena em que a Norma recebe um telefonema informando que sua mãe havia falecido, e ela fica incomodada mas reage naturalmente como se não se importasse. E é muito curiosos a Norma dizer que não liga para o fato da morte de sua mãe por já ter 20 anos que não fala com ela, porém ela sofre com essa notícia por algum trauma do passado.
Norman ainda não superou a morte da professora Blaire Watson (Keegan Connor Tracy) e não consegue voltar para a escola, porém sua mãe o obriga. Várias plantações de maconhas da cidade foram queimadas pela narcóticos. Muito estranha essa atitude do Norman em querer namorar com a Emma (Olivia Cooke) agora, depois de tanto tempo. Eu acho que isso foi uma atitude tomada por pena dela, por ela ter informado que sua doença progrediu bastante. Norman decide largar a escola e passar a estudar em casa, sendo uma atitude apoiada pela sua mãe. Emma toda encantada pelo início do namoro também decide seguir os mesmos passos do Norman e também abandona a escola. Uma hóspede misteriosa chega no Motel e deixa o Norman bem impressionado. A garota se chama Annika Johnson (Tracy Spiridakos) e acaba revelando para o Norman que ela é uma garota de programa e está na cidade por causa de uma festa.
Temos o primeiro mistério da temporada: o desaparecimento de Annika. Como sempre acontece, o desaparecimento da moça levanta uma grande tensão na cidade. O fato do Norman ter retornado para o Motel no carro da moça deixa a Norma com vários pensamentos em relação ao seu filho. Norma vai investigar o local da festa que Annika disse que iria e acaba descobrindo a verdade sobre o Arcanum Club. A relação de Dylan e Caleb (Kenny Johnson), que retornou para a cidade após a morte de sua mãe, não está nos melhores dias. E pra piorar a situação, eles encontram um vizinho bem misterioso. O Xerife Romero (Nestor Carbonell) vai embora do Motel pelo fato da sua casa ter ficado pronta após 3 meses de hospedagem. Norma fica visivelmente chateada com a partida de Romero.
Como o Norman foi a última pessoa que esteve com a Annika antes de seu desaparecimento, o Xerife Romero decide investigá-lo. Norma hesita quando Romero faz perguntas complicadas a Norman. Norman está sofrendo uma pressão psicológica muito grande da mãe, ao ponto de deixá-lo completamente transtornado. A partir daí temos algumas revelações curiosas na temporada; como o fato do Xerife Romero conhecer o seu adversário para reeleição. Um corpo de uma garota misteriosa foi encontrado boiando em um lago da cidade, o que fatalmente pensaríamos que pudesse ser o corpo de Annika. Mas não era o corpo de Annika, era de outra garota, já que Annika reaparece no Bates Motel gravemente ferida e entrega um pen drive para a Norma e morre ali mesmo em seus braços.
A cidade de White Pine Bay continua com suas mortes misteriosas. O Xerife Romero investiga as mortes misteriosas de Lidsay e Annika, as duas garotas assassinadas que trabalhavam no Arcanum Club. Segredos enterrados vêm à tona para Caleb e Dylan. Norma decide voltar para a faculdade e acaba conhecendo o professor James Finnegan (Joshua Leonard). James por sua vez acaba se envolvendo com Norma e passa a conhecer um pouco dos seus problemas familiares, o quê ele se arrependeu mortalmente. A relação do Xerife Romero com a Norma tinha tudo para dar certo, mas a constante desconfiança dele sobre ela e o Norman impossibilita essa aproximação. E o fato da própria Norma querer acobertar o filho a todo custo acaba dificultando cada vez mais essa aproximação.
Em cada temporada temos a figura de um vilão, aquele maioral que dá as cartas na cidade de White Pine Bay. Nessa temporada esta figura é o misterioso Bob Paris (Kevin Rahm). Bob é o dono do Arcanum Club, que dá grandes festas na cidade regado a orgias sexuais e várias personalidades importantes. Mais tarde descobrimos que Bob é o homem responsável pela morte das duas garotas, além de ter colocado um concorrente ao posto de Xerife no caminho de Romero, e ter planejado uma tentativa de assassinato do próprio Romero. A principal subtrama da temporada consiste no Bob Paris em resgatar aquele pen drive que a Annika deu para a Norma em seu leito de morte. Este pen drive possui um conteúdo sigiloso que envolve todo o reinado de Bob Paris na cidade.
Por outro lado, Dylan faz uma tentativa de pedir para a Norma considerar falar com seu irmão Caleb. Esta tentativa não deu certo, já que a Norma ficou revoltada e acabou saindo de casa. Norma realmente considera uma vida fora de White Pine Bay, deixando Norman em uma posição vulnerável. Com a saída da Norma de casa, Norman ficou completamente transtornado, o que aproximou Dylan e Emma quando ambos se uniram para ajudar o Norman. O Xerife Romero descobre sobre a sua tentativa de assassinato e assim ele consegue ir atrás do seu concorrente no cargo de Xerife e matá-lo (uma cena espetacular, diga-se de passagem). Norma se encontra totalmente desequilibrada e perdida emocionalmente. Aquela cena com ela indo até o Caleb e o perdoando diz muito a respeito.
Preciso destacar uma cena do sexto episódio: que é a cena com a Norma chegando na agência de carros e pedindo para trocar seu carro. Logo me lembrou a mesma cena que aconteceu no filme clássico de 1960.
Com a aproximação de Dylan e Emma, ele acaba descobrindo notícias chocantes sobre a saúde de Emma. Emma precisa de um transplante de pulmão urgente ou poderá morrer e Dylan está tentando ajudá-la. Caleb e Dylan aceitam um trabalho que envolve certo risco. Dylan pretende vender toda a entrega de maconha para o transplante de pulmão da Emma. Incrível como Norman sente ciúmes das pessoas que a Norma dorme, como ele implica com ela, sente desejos sexuais por ela, e ainda olha seu corpo de relance.
Surpreendendo um total de zero pessoas, Bradley Martin (Nicola Peltz) está de volta. Esta volta de Bradley na série é bem questionável, e ela volta a atormentar o Norman com as suas loucuras. Dylan dá 50 mil dólares para o pai da Emma para a sua cirurgia. Emma tem uma reação surpreendente a notícias aparentemente positivas sobre sua chance de fazer o transplante de pulmão, mas ela não sabe que foi o Dylan que pagou. Parece rolar uma química entre o Dylan e a Emma, e finalmente rola um beijo entre eles. Eu acho que o Dylan se mostrou muito mais preocupado com o estado de saúde da Emma do que o Norman. Disto isto: eu prefiro muito mais o casal Emma e Dylan do que Emma e Norman.
Norma chega ao limite com os problemas de Norman e decide que quer interná-lo em uma clínica psiquiátrica. No final da temporada temos a morte de Bob Paris pelo Xerife Romero. Também temos Norman em um estado psicótico quando incorpora sua mãe e mata a Bradley. No final Norman faz exatamente como no filme clássico: ele coloca o corpo da Bradley no porta-malas do carro e o empurra até um lago. E assim termina a terceira temporada de "Bates Motel".
Um dos principais problemas das temporadas anteriores era exatamente na questão do roteiro, por querer contar várias histórias todas ao mesmo tempo e no fim não desenvolver bem nenhuma. Especificamente nessa temporada não temos este problema relacionado ao número de histórias paralelas desnecessárias. Temos algumas subtramas, é claro, como no caso do Bob Paris e sua incansável busca pelo pen drive. Que sim, foi uma história paralela bem desnecessária e totalmente cansativa, por se repetir demais. Mas eu confesso que no geral esta terceira temporada é mais direta ao ponto, é mais centrada na trama principal, que é justamente o desenvolvimento tóxico do Norman e da Norma. A história principal de "Bates Motel" tem uma alavancada nessa temporada justamente pelos problemas mentais de Norman se aflorarem e ele ficar cada vez mais descontrolado.
Porém, o excesso de personagens desnecessários é um ponto que me incomoda bastante na série. Nessa terceira temporada não é diferente, temos vários personagens desnecessários, que são trazidos para a série apenas para servirem de muletas para o desenvolvimento de uma história de um personagem principal da série. Como no caso das personagens Lidsay e Annika, e aquele postulante ao cargo de Xerife da cidade, que serviram de muletas para o encaixe do personagem Bob Paris na temporada. Bob Paris por sua vez é mais um personagem desnecessário que mantém aquele legado de vilão de temporada que é sempre morto no final. Na primeira temporada foi o Jake Abernathy (Jere Burns), na segunda temporada foi o Nick Ford (Michael O'Neill) e nessa temporada é o Bob Paris.
Uma personagem que foi extremamente importante na série, que teve a sua época, e que foi trazida de volta nessa temporada se tornando uma personagem completamente desnecessária, é exatamente a Bradley Martin. Quando a Bradley foi embora da cidade o seu retorno era só questão de tempo, e eu tinha certeza que isso mais cedo ou mais tarde iria acontecer. Bradley teve o seu auge e a sua relevância nas temporadas passadas, principalmente na segunda temporada, mas a sua volta nessa terceira temporada foi completamente infundada e desnecessária, servindo apenas para compor mais uma morte do Norman. Eu não duvido nem um pouco se nas próximas temporadas não irão trazer de volta a Cody Brannan (Paloma Kwiatkowski) para servir de vítima para o Norman.
Sobre o elenco:
Vera Farmiga como sempre é o principal destaque da temporada e da série. Em cada temporada é cada vez mais notável o seu crescimento e o desenvolvimento impecável de sua personagem Norma Louise Bates.
Freddie Highmore só cresce na série cada vez mais. Incrível como o Freddie vem em uma constante crescente, em uma constante evolução, que só melhora e nos surpreende em cada temporada. Especificamente nessa temporada a dupla Vera Farmiga e Freddie Highmore estão com mais sintonia e com mais química, cujo as cenas onde ambos estão contracenando juntos é tomada por um forte clima de tensão e desconforto para nós espectadores.
Max Thieriot ganha mais espaço na trama e logo seu personagem ganha mais destaque pelo o local que ele ocupa na série.
O mesmo vale para o Nestor Carbonell, que também se destaca em razão da importância que seu personagem tem com os vários problemas que surgem ao longo da temporada.
Olivia Cooke continua na mesma linha da temporada passada, com uma participação mais contida, mas eu confesso que fiquei bastante animado com as possibilidades da personagem para a quarta temporada. Já que agora temos uma aproximação da Emma com o Dylan e logo ela fará o transplante de pulmão.
Kenny Johnson finalmente consegue conquistar o seu espaço na série, e algo me diz que ele será importante nas próximas temporadas.
E pra finalizar o elenco, Nicola Peltz, que voltou para a série apenas para compor o final da temporada com o Norman liberando toda a sua fúria e descontrole do seu lado psicótico.
A terceira temporada de "Bates Motel" recebeu 72 de 100 da Metacritic, com base em 5 críticas de críticos de televisão, indicando "críticas geralmente favoráveis". O Rotten Tomatoes relatou que 11 das 12 respostas críticas foram positivas, com média de 92% da classificação." O episódio de estreia da temporada atraiu um total de 2,14 milhões de telespectadores. Por suas atuações nesta temporada, Vera Farmiga e Freddie Highmore foram indicados ao Critics' Choice Television Awards de Melhor Atriz e Melhor Ator em Série Dramática, respectivamente. A terceira temporada ficou em quarto lugar na lista de final de ano dos principais programas ao vivo + 7 dias da Nielsen, ganhando uma média de 201,8% de espectadores em DVR.
Tecnicamente a temporada também se destaca:
A trilha sonora é boa e agrega bastante na história. A fotografia se sobressai em cada cena apresentada. A direção de arte é muito bem representada. A edição é muito boa, assim como a mixagem de som. Cada detalhe técnico conta muito para a qualidade da temporada e consequentemente da série.
A terceira temporada de "Bates Motel" melhora em relação as temporadas anteriores. E muito dessa melhoria se dá exatamente por focar mais na trama central e deixar um pouco de lado as inúmeras histórias paralelas e desnecessárias. A temporada também se sobressai na questão da construção e no desenvolvimento do Norman Bates, que se mostra cada vez mais psicótico e insano, que vai perdendo o seu autocontrole gradativamente com o passar do tempo. No começo o Norman se mostrava assustado e coagido pelos seus apagões e a sua dupla personalidade, agora ele já parece dominar o seu caráter imprevisível, dúbio, e parece cada vez mais a vontade ao explorar a sua mente psicótica.
Esta temporada é também a responsável em nos elucidar sobre o comportamento e as atitudes da Norma Bates em relação ao seu filho. Que logo nos mostra quem é a verdadeira personalidade psicopata da história.
Acredito que agora a série irá crescer cada vez mais nas próximas temporadas. Potencial sempre teve, só não estava sendo totalmente explorado. [12/10/2023]
Bates Motel (2ª Temporada)
4.2 648TEM SPOILERS!
Bates Motel (2ª Temporada) 2014
A segunda temporada de "Bates Motel" teve novamente 10 episódios e estreou na TV a cabo A&E em 3 de março de 2014. A temporada foi ao ar às segundas-feiras às 21h e foi concluída em 5 de maio de 2014.
Em sua segunda temporada, "Bates Motel" continua na mesma linha da temporada passada, porém constrói uma história mais complexa e com várias subtramas. Temos novos conflitos que envolve, dessa vez, duas famílias que controlam as plantações de maconha da cidade de White Pine Bay. Dentro desse contexto, Norma (Vera Farmiga), Norman (Freddie Highmore) e Dylan (Max Thieriot) se encontram em situações delicadas.
A segunda temporada gira em torno de situações distintas: Norman fica obcecado em uma espécie de trauma pessoal referente à morte da professora Blaire Watson (Keegan Connor Tracy), que aconteceu no final da temporada passada. O passado sombrio de Norma se volta contra ela com o aparecimento de seu misterioso irmão. Bradley Martin (Nicola Peltz) está obcecada na busca pelo verdadeiro assassino de seu pai. Emma Decody (Olivia Cooke) vive seu drama pessoal ao se sentir excluída da família Bates, e logo se envolve em um novo interesse amoroso. Já o Xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) se vê ameaçado ao ser perseguido e descoberto em suas investigações.
O primeiro episódio é muito bom e já se destaca relevando alguns segredos que até então estavam guardados:
Norman não se conforma com a morte da Sra. Watson e não consegue se desprender desse acontecimento, passando a visitar seu túmulo no cemitério constantemente. Isso, claro, incomoda muito a Norma. No enterro da Sra. Watson o Norman chora copiosamente, talvez por culpa ou por remorso. Assim como o cinto do Keith Summers, Norman também guarda o colar da Sra. Watson. Bradley está totalmente descontrolada e transtornada pela morte do pai, o que a leva a tentar um suicídio ao se jogar de uma ponte, principalmente pelo fato dela ter descoberto que o seu pai estava tendo um caso com a Sra. Watson. Nesse ponto é interessante nos atentarmos que Bradley havia encontrado algumas cartas de amor que seu pai estava trocando com uma mulher que se identificava apenas como "B" (Blaire Watson). Norman está cada vez mais se dedicando ao empalhamento de animais no porão de sua casa. Bradley recebe alta do hospital psiquiátrico em que estava internada e quer buscar vingança contra o assassino de seu pai. E aqui temos um final de episódio surpreendente, que é justamente a Bradley indo até a casa de Gil Turner (Vincent Gale) e o matando com um tiro na testa. Ela havia descoberto que ele era o assassino de seu pai.
O segundo episódio mostra a Norma preocupada com aquela obsessão doentia de Norman pela morte da Sra. Watson, o que a leva a convencê-lo a participar de uma peça musical na cidade. Após ter matado o assassino de seu pai, Bradley se vê desesperada e busca a ajuda de Norman, que a esconde no porão de sua casa. Ela quer a ajuda de Norman para fugir da cidade, e com isso o Dylan, atendendo um pedido de Norman, ajuda ela a fugir. Com a morte de Gil a cidade fica bastante impactada, já que Zane Morgan (Michael Eklund), o chefe de Dylan, acredita que tem uma outra família no ramo das drogas, liderada por Nick Ford (Michael O'Neill), que está envolvida com o ocorrido, o que gera uma guerra de drogas na cidade.
A temporada segue nos mostrando o empenho da Norma na luta contra a construção da nova estrada. E podemos notar que finalmente o Bates Motel está prosperando, ao começar a receber hóspedes (mesmo aqueles hóspedes estranhos). Norma toma uma atitude de certa forma até precipitada, ao tomar conhecimento que o conselho da cidade fará uma reunião sobre o tema, e ela decidir confrontar os superiores expondo o seu descontentamento com a construção da estrada. De certa forma podemos até entender esta postura da Norma, já que realmente aquela nova estrada interferiria diretamente no movimento do seu Motel. Porém, a forma como ela contesta em seu discurso acaba sendo confrontada pelo pelo vereador Lee Berman (Robert Moloney), onde logo ela perde o controle da situação e acaba expondo as atividades ilegais que existem na cidade (o império da maconha).
Nos episódios seguintes temos uma revelação enigmática, que é justamente o aparecimento do irmão da Norma, Caleb Calhoun (Kenny Johnson). E este aparecimento revive lembranças traumáticas para Norma, o que a leva a revelar um segredo do seu passado. Em contrapartida Caleb tenta se aproximar de Dylan, que o leva até a casa da Norma, causando uma trágica situação com a própria Norma quando chega e dá de cara com seu irmão dentro de sua casa. Norma fica transtornada ao ver o irmão e o expulsa da sua casa. Em uma discursão Norma revela que ela era estuprada pelo seu irmão quando tinha 13 anos. Logo após ela revela que ele é o pai de Dylan. Na sequência temos outra cena impactante, que é justamente o momento em que Norma revela para Dylan que Caleb é o seu pai.
Temos outra revelação traumática para Norman, que acontece justamente quando Emma leva para ele a notícia de que Bradley havia se suicidado e deixado um bilhete junto com suas roupas na margem da praia (este foi um acordo que Bradley havia feito com Dylan antes dela fugir da cidade). Norman fica visivelmente transtornado com esta notícia referente a Bradley. A partir daí Norman começa uma amizade com Cody Brennan (Paloma Kwiatkowski). Cody conhece Norman em um mercado, quando ele estava fazendo compras para preparar um disfarce para a fuga de Bradley. Logo esta amizade toma um outro rumo, quando Norman transa com Cody, o que faz com que os dois se aproximem e Norman começa a tomar conhecimento da complicada vida de Cody, mas como ela é uma jovem rebelde, Norma não quer que o filho conviva com ela.
Cody tem uma importante participação na temporada ao colaborar (de forma negativa) no despertar dos "apagões" de Norman (um espécie de estado traumático, um transe psicótico). E justamente a Cody convence Norman a ir até o motel que Caleb estava hospedado e confrontá-lo (após Norman ter revelado este segredo para ela). A intenção de Cody era que Norman desse um susto em Caleb na intenção que ele se afastasse de Norma, porém Norman acaba desistindo da ideia no meio do caminho, onde logo após ele tem o seu primeiro apagão. Depois Norman volta até lá e confronta Caleb. Incrível que logo vemos como Norman entra em transe e passa a se identificar com as memórias da mãe diante de Caleb, que sofreu os abusos, como se ele fosse a Norma em um estado psicótico. Nesse mesmo episódio temos um final que revela que em meio a todas as questões investigativas que o Xerife Romero passou, ele acaba tendo a sua casa incendiada e ele precisa passar um tempo morando em um dos quartos do Motel Bates.
Norma se torna amiga de Christine Heldens (Rebecca Creskoff), a ex-diretora daquela peça musical que ela levou o Norman, e até comparece a uma festa na casa dela. A partir dessa amizade Christine leva Norma para a vida social de White Pine Bay. É interessante que a partir dessa amizade com Cristine, Norma conhece o misterioso Nick Ford, que também se mostra contra a construção da nova estrada. Norma acaba se envolvendo com Nick Ford sem saber que ele é o chefe da outra família de drogas, rival daquela para quem Dylan trabalha. Norma acaba entrando em uma teia de aranha com este envolvimento, ao aceitar a ajuda de Nick Ford onde rapidamente a construção da estrada é paralisada. O maior problema para Norma é que Nick Ford acaba cobrando a ajuda que ele deu para ela, e isso traz um problema seríssimo para Norma.
O quinto episódio nos mostra como Dylan precisa lutar por sua vida na guerra iniciada por Zane. Como o Xerife Romero foi se hospedar no Motel Bates, com o contato diário a sua relação com Norma vai aos poucos melhorando. Logo temos mais uma nova personagem chegando na série, trata-se da misteriosa Jodi Morgan (Kathleen Robertson), a irmã de Zane, que já se auto intitula como a verdadeira chefe de Dylan. Norma está cada vez mais se envolvendo com a política da cidade, o que lhe traz sérios problemas. Os constantes apagões de Norman acaba preocupando à todos, principalmente a Norma, que sabe os reais motivos desses apagões mas se recusa a contar a verdade para ele. O sexto episódio termina justamente em uma discursão entre Norman e Cody, quando o pai da Cody aparece e entra na discursão, e na sequência Norman acaba o empurrando da escada, matando o pai da Cody.
O sétimo episódio nos revela que Norman foi considerado inocente pela a morte do pai da Cody, que foi considerado como um acidente (e na real não foi). Cody rompe a amizade com Norman e vai morar com a tia em outra cidade. Por fim é confirmado, através de um exame, que o sêmen no útero da Sra. Watson é de Norman Bates, o que prova que foi ele mesmo quem a matou. E logo após temos a cena que revela que Norman fez sexo com a Sra. Watson naquela noite e depois cortou sua garganta com um canivete. Já no último episódio da temporada temos aquela já famosa matança descontrolada, que é justamente o Nick Ford sendo morto pelo Dylan. E logo após temos o resgate do Norman do cativeiro em que ele estava preso. No fim vemos que Norman está sempre com sua mãe dentro da sua mente, como se ela o controlasse o tempo todo, o fazendo negar até o seu assassinato da Sra. Watson. Gostei muito desse final de temporada.
Porém: a segunda temporada de "Bates Motel" continua insistindo nos mesmos erros da temporada anterior, que é justamente no desenvolvimento do roteiro, por novamente querer contar várias histórias todas ao mesmo tempo e no fim não desenvolver bem nenhuma. Por exemplo: em cada temporada aparece uma figura para ser o grande vilão do final de temporada (o que pode ser normal). Na primeira temporada foi o Jake Abernathy (Jere Burns) e nessa temporada é o Nick Ford. Me parece mais uma tentativa forçada de querer sempre por obrigação implantar um grande vilão, o manda-chuva, o big boss, sempre com aquele ar de poderoso, de superior, e no fim terminar como um morto qualquer sem nenhum sentido. No fim o grande vilão de temporada não passa de um personagem raso, falho e sem nenhuma relevância para o contexto da temporada e principalmente da série.
Outro ponto: criam histórias na primeira temporada e não tem uma relevância na próxima; como no caso do assassinato de Keith Summers, que foi completamente esquecido. A história da morte do pai da Bradley até deram uma certa continuidade nessa segunda temporada, mas depois esqueceram, e muito pelo fato da própria Bradley ter fugido da cidade (mas acredito que ela voltará na próxima temporada). Parecem que querem contar tantas histórias ao mesmo tempo que se perdem em diversas vezes e não dão continuidades e nem finalizam nenhuma, todas ficam como pontas soltas. Várias histórias paralelas que tiram o foco da série, como essa briga das gangues de maconha. Todo esse envolvimento da Norma com o Nick Ford na tentativa de ajudá-la com a estrada nova, o que resultou em todo esses arcos de histórias paralelas, rasas, falhas e sem sentido. Tudo isso só para integrar cada vez mais personagens na série, o que fatalmente mascara a história principal e faz com que toda essa inserção de novos personagens faz com que os protagonistas apareçam menos.
Sobre o elenco:
Vera Farmiga (atualmente em cartaz nos cinemas em "A Freira 2") é novamente o grande destaque da temporada. Dessa vez ainda mais atuante nos comportamentos e atitudes de Norman, o que começa a trazer cada vez mais problemas para ele. Mais uma excelente atuação de Vera Farmiga.
Freddie Highmore ("The Good Doctor"), assim como a Vera, é também mais um belíssimo destaque da temporada. Nessa temporada o Norman começa a lidar com os seus constantes apagões, o que logo resulta em seus transes psicóticos. Ele passa a reviver e conviver cada vez mais com as memórias de sua mãe, ou seja, praticamente se transformando nela. Aquela cena no final da temporada, com ele esboçando aquele olhar e aquele sorriso, é sensacional. Nos mostra o grandioso talento que Freddie Highmore tem.
Max Thieriot ("SEAL Team") está melhor nessa temporada e muito mais participativo. Ele tem participações cruciais em vários pontos importantes dentro da história. Nicola Peltz ("Transformers: A Era da Extinção") tem uma transformação gigantesca nessa temporada. Ela deixa de ser aquela patricinha mimada da primeira temporada e passa a ser uma personagem muito importante dentro do contexto da série. Aquelas cenas em que ela aparece descontrolada no carro e logo após se jogando da ponte, é genial. Sem falar na cena em que ela vai toda sedutora e vestida para matar - maravilhosa!
Olivia Cooke ("Jogador Nº1") novamente tem sua importância dentro da temporada (assim como na anterior), mas eu confesso que esperava mais da sua personagem. Sinceramente, eu queria ver a Emma mais participativa nos pontos cruciais da história, que ela fosse mais fundamental (como no início da temporada passada, nas investigações sobre a garota asiática). Mas aqui me parece que ela tem seus momentos de destaques, tem novamente a sua paixão, mas no fim ela se sente excluída e passa a ser escanteada.
Nestor Carbonell ("The Morning Show") tem uma participação muito mais relevante nessa temporada. O Xerife Romero tem participações mais fundamentais na história e sua aproximação com a Norma pode resultar em novas subtramas nas próximas temporadas. Não posso deixar de destacar a excelente participação de Paloma Kwiatkowski, que trouxe uma personagem muito importante para o desenrolar da temporada.
A segunda temporada de "Bates Motel" recebeu críticas positivas de críticos de televisão, e o episódio de estreia atraiu um total de 3,07 milhões de espectadores. A série foi renovada para uma terceira temporada depois que cinco episódios da segunda temporada foram ao ar. Por sua atuação, Vera Farmiga recebeu indicações para o Critics' Choice Television Award de Melhor Atriz em Série Dramática e o Saturn Award de 2014 para Melhor Atriz na Televisão.
A segunda temporada de "Bates Motel" recebeu uma pontuação de 67 em 100 no Metacritic, a partir de 11 comentários. O Rotten Tomatoes relatou uma classificação de 86% a partir de 12 comentários para a segunda temporada.
Apesar das falhas de roteiro e do desenvolvimento das histórias paralelas serem vagas e rasas, esta temporada continua em um bom nível de suspense, de mistério, conseguindo um bom aprofundamento no drama e na construção do terror psicológico. É interessante notar esse relacionamento que soa tóxico e doentio entre mãe e filho, o que logo nos leva a perceber que esse estado de possessão controladora da Norma é o principal fio condutor para o desenvolvimento dos comportamentos psicóticos do Norman. É também a partir dessa temporada que começamos a notar as principais diferenças comportamentais do Norman, o que logo resultará na sua transformação em um dos maiores maníacos e psicopatas da história do cinema.
Por fim, "Bates Motel" consegue novamente nos entregar uma boa temporada (por mais que persista no mesmos erros da anterior), com uma boa história central que começa a tomar o principal rumo da série, e uma boa construção em elementos que poderá ser melhor utilizados nas próximas temporadas. [24/09/2023]
Bates Motel (1ª Temporada)
4.3 1,4KTEM SPOILERS!
Bates Motel (1ª Temporada) 2013
"Bates Motel" foi criado por Anthony Cipriano e desenvolvido por Jeff Wadlow (diretor de "Quebrando Regras", de 2008), Carlton Cuse (produtor da série "Jack Ryan"), Kerry Ehrin (roteirista da série "The Morning Show"), e é produzido pela Universal Television e American Genre para a rede de TV a cabo A&E. A primeira temporada foi ao ar em 18 de março de 2013 com 10 episódios.
A série é vista como uma "prequela contemporânea" do clássico "Psicose", de Alfred Hitchcock, de 1960 (baseado no romance homônimo de Robert Bloch, de 1959), que retrata a vida de Norman Bates (Freddie Highmore) e sua mãe Norma (Vera Farmiga) antes dos eventos retratados no filme, embora em uma cidade fictícia diferente (White Pine Bay, Oregon, em oposição a Fairvale, Califórnia) e em um cenário moderno.
Após a misteriosa morte de seu marido, Norma Bates decidiu começar uma nova vida longe do Arizona, na pequena cidade de White Pine Bay, e leva o filho Norman, de 17 anos, com ela. Ela comprou um velho motel abandonado e a mansão ao lado.
Este ano eu finalmente consegui realizar um antigo desejo, que era ler a obra-prima de Robert Bloch, rever o clássico do mestre Hitchcock e assistir todos os filmes subsequentes da franquia "Psicose". Posso dizer que foi uma experiência incrível, uma das maiores experiências que eu já vivi em toda a minha vida literária e bibliófila. O livro é magnífico, excelente, uma verdadeira obra-prima da literatura sombria e um dos melhores livros que eu já li na vida. Já o clássico de 1960 fala por si só, simplesmente por ser um dos maiores suspense de toda a história do cinema, que foi conduzido justamente pelo mestre do suspense. Os filmes subsequentes não estão no mesmo nível, não estão na mesma prateleira do livro e do clássico. Eles seguem histórias próprias, paralelas e até continuações dentro do universo de "Psicose". O que pode até ser interessante, ou simplesmente horroroso, como é o caso do remake de 1998. E logo após ter lido o livro e assistido todos os filmes da franquia "Psicose", chegou a vez de conferir a série "Bates Motel", que também faz parte do universo e nos conta uma história sobre o início de tudo. Algo parecido com o que foi feito no filme "Psicose 4: O Começo", de 1990.
A série é bem intrigante e ao mesmo tempo interessante, pois obviamente ela constrói toda uma abordagem sobre o universo de "Psicose" servindo justamente como um prelúdio do clássico ao nos mergulhar naquela trama que futuramente irá nos nos contar sobre todo desenvolvimento de Norman Bates. Ou seja, a trama nos levará ao lado sombrio e psicótico entre a infância e a adolescência de Norman, explicando como o amor incontrolável de sua mãe ajudou a moldar um dos maiores maníacos e psicopatas da história do cinema.
O primeiro episódio já inicia de modo surpreendente com uma pessoa morta. Esta pessoa é simplesmente o pai de Norman, que está ali morto na garagem de forma bastante misteriosa (ou não, como vemos mais à frente na temporada). Logo após este início já temos um salto no tempo de 6 meses e chegamos até a cena da Norma chegando em seu mais novo Motel. O seu novo empreendimento antes tinha o nome de Seafarer's Motel, e em uma cena bem interessante vemos a troca do letreiro para Bates Motel. Por sinal a réplica que foi construída do Motel e da casa ficou excelente, com uma fidelidade ao clássico incrível. Este primeiro episódio já é um dos melhores da temporada por já nos confrontar com aquela sequência que vai desde a chegada do ex-proprietário do Motel (Keith Summers, interpretado por W. Earl Brown), passando pela invasão na casa, o estupro na Norma e a sua morte. Onde aconteceu em um momento de fúria incontrolável de Norma quando o esfaqueou brutalmente até a morte (por sinal, uma excelente cena). O episódio termina de forma intrigante ao revelar uma certa garota aprisionada.
O segundo episódio é muito revelador e diferente, eu diria. Simplesmente por acrescentar na trama a presença de Dylan Massett (Max Thieriot), o filho mais velho de Norma e meio-irmão de Norman. Pelo o que me consta, tanto pelo livro quanto pelo clássico sessentista, o Norman não tinha um meio-irmão assim dessa forma como foi abordado na série. Bem, achei interessante esse contexto trazido para a série. O episódio segue com os dramas e as aflições de Norman ao tentar se introduzir na nova cidade e conhecer novas pessoas. Como é justamente o caso do seu primeiro interesse - a jovem Bradley Martin (a belíssima Nicola Peltz). Aqui também fica claro que Norman tem muitos ciúmes da mãe e da forma como as pessoas se referem à ela. Até por isso vemos os constantes conflitos de Norman com Dylan.
O terceiro episódio segue mergulhado no mistério e no suspense pelo fato da polícia está no encalço da Norma pelo suspeita referente ao desaparecimento de Keith Summers. Aqui já temos vários envolvimentos na história; como é o caso do antigo dono do Motel parecer ter ligações com as garotas chinesas desaparecidas que está sendo investigada pela Emma Decody (Olivia Cooke). Logo essa ligação com o desaparecimento das garota cai sobre o policial Zach (Mike Vogel), pelo fato do Norman ter invadido sua casa procurando pelo cinto de Keith Summers, e ter sido confrontado com a garota oriental presa em seu porão.
A partir do quarto episódio temos cada vez mais revelações e acontecimentos surpreendentes. Norma está envolvida em uma verdadeira bola de neve, ao estar envolvida com o policial Zach como uma forma de se safar das investigações sobre a morte de Keith Summers. Por outro lado ela se recusa a acreditar em Norman sobre a possível garota presa no porão da casa de Zach. O que a leva a entrar em transe e levantar suspeitas sobre o estado mental e a sanidade de Norman com esta descoberta bizarra. Temos aqui a primeira transa de Norman, que aconteceu com a Bradley, e a prisão de Norma pelo assassinato de Keith Summers.
A história segue em uma verdadeira teia de aranha com cada vez mais confrontos: a garota oriental que era mantida como escrava sexual de Zach é encontrada e levada para o Motel. Zach por sua vez encontra a garota em um dos quartos do Motel e corre atrás dela pela floresta (não foi revelado, mas ao que tudo indica ele matou a garota). Logo após temos mais uma ótima sequência de cenas, que é todo confronto de Zach com a Norma e o Dylan na casa. O que termina brutalmente com um tiro no olho de Zach disparado por Dylan.
O desfecho do assassinato de Zach proposto pelo Xerife Alex Romero (Nestor Carbonell) é tudo muito suspeito. Por fim temos a aparição de um hóspede misterioso no Bates Motel, que parece saber demais. Já o Norman passa a enfrentar as complicadas garotas populares e o descaso da Bradley com ele. Essa é um situação bem complicada: a Emma é apaixonada pelo Norman e vive correndo atrás dele, já ele se rasteja pela Bradley e ela passa a desprezá-lo. Sem falar que é tudo muito estranho essa repentina aproximação da Bradley com o Dylan.
No oitavo episódio é onde o Norman desperta o interesse pela taxidermia (animais empalhados), com o pai da Emma. No filme clássico temos toda a dimensão desse amor que ele tem por essa arte. Norma está mais preocupada com a possível construção da nova estrada principal, o que vai mudar o trajeto das pessoas que passariam pelo seu Motel. A relação de Norma e Dylan parece melhorar. O episódio termina com aquele cadáver do Zach na cama da Norma.
O nono e o décimo episódio é a construção (e ligação) do fechamento dessa temporada. Norma sofre com as constantes ameaças de Jake Abernathy (Jere Burns), o hóspede misterioso. Norma decide que quer vender o Motel e recomeçar a vida novamente no Havaí, mas o Norman não quer ir. Norman por sua vez está cada vez mais apegado na cadela empalhada. E temos aquela cena onde a Norma vai ao encontro de Jake e é surpreendida pelo Xerife Alex confrontando justamente o Jake. Que termina com o Xerife dando um tiro em Jake.
Sobre o elenco:
Vera Farmiga (atualmente em cartaz nos cinemas em "A Freira 2") é sensacional, é sem dúvida a principal e mais destacável da série. É realmente impressionante como a Vera escolhe bem as suas personagens e sempre eleva o nível em cada trabalho apresentado. Em "Bates Motel" ela se encaixa como um luva na pele da Norma Louise Bates mais jovem. Ela traz esse lado mais jovial da mãe do Norman, que pretende recomeçar sua vida após os recentes acontecimentos, que mantém os seus dramas e os seus conflitos íntimos, justamente ao confrontar os seus traumas em relação à criação do jovem Norman.
Já o Freddie Highmore ("The Good Doctor") é outro que também se encaixa como uma luva na pele da versão adolescente do lendário Norman Bates. Caracteristicamente falando, o Freddie traz uma versão impecável do Norman jovem, que está se descobrindo, que está se conhecendo, que está conhecendo o mundo ao seu redor e as pessoas (e principalmente as garotas) ao seu redor. O Norman de Freddie pode soar como ingênuo, inocente, inexperiente, indefeso, tímido, ao mesmo tempo também soa como misterioso, enigmático, introspectivo e principalmente letal - como vimos na cena final do décimo episódio com aquele assassinato brutal da Srta. Watson (Keegan Connor Tracy).
Max Thieriot ("SEAL Team") começa em um ritmo mais morno em seu personagem Dylan, até pela forma como ele entra na série. Porém, com o passar dos episódios vamos nos afeiçoando à ele, vamos conhecendo ele melhor, vamos entendendo melhor os seus dramas e seus traumas. No fim da temporada ele já passa a ser um personagem que nos importamos.
Nicola Peltz ("Transformers: A Era da Extinção") traz uma personagem que faz o caminho inverso do Dylan. A Bradley Martin é uma personagem que eu até simpatizei no início, que eu acreditava no seu drama em relação a terrível morte de seu pai, porém com o tempo eu fui começando a questionar as suas atitudes com o Norman e principalmente a sua aproximação com o Dylan. No fim ela não passou de uma patricinha mimada que usou o Norman no momento em que ela estava frágil e vulnerável.
Olivia Cooke ("Jogador Nº1") com sua personagem Emma Decody me fez vê-la ao inverso da Bradley. Justamente por ela se apegar verdadeiramente ao Norman, por ela realmente criar um amor verdadeiro por ele, que realmente se importava com ele e não queria só usá-lo. Por fim ela vivia correndo atrás do Norman na intenção dele notar a presença dela, e ele não tirava a Bradley da cabeça. O que uma transa não faz!
"Bates Motel" acerta muito bem no suspense, no mistério, no enigmático e na construção do drama. Acredito que em si a história é sobre o amor incondicional de uma mãe por seu filho. Temos um relacionamento que é explorado através da premissa de que o jovem é excessivamente temperamental e ambos estão cercados por um ambiente com problemas, que os conduz ao extremo. No caso, cada um ali presente tinha os seus medos, os seus traumas, os seus conflitos e os seus dramas. Principalmente no caso da Norma e do Norman, que ora pareciam muito próximos e apegados, ora pareciam distantes e completamente diferentes.
Porém, tem alguns pontos dentro dessa temporada que me incomodou bastante: como o fato da história ser modernizada para a atualidade e se passar em um cenário moderno, onde temos os avanços tecnológicos como o uso constantes de notebooks e afins. Eu até entendo esse avanço na modernização da série, até para se encaixar com o público atual, mas particularmente eu não consegui engolir e me adaptar com essa proposta dentro do universo de "Psicose" (algo parecido com o que me aconteceu com a versão modernizada do filme "Carrie - A Estranha", de 2013).
Outro ponto que me incomodou (aqui eu já acho uma falha mesmo da série), é o fato de cada história ser mal desenvolvida, mal planejada, vaga, rasa, pobre, sem um aprofundamento que pudéssemos sentir o peso de cada acontecimento de cada personagem envolvido. Por exemplo: temos três personagens com histórias distintas que começou e terminou nessa temporada, e de forma totalmente rasa e aleatória. Que é o caso da personagem Jiao (Diana Bang), a garota presa no porão, o Zack Shelby e o Jake Abernathy. Sinceramente eu não sei o que os roteirista pretendiam, mas acredito que eles queria impactar, queriam nos surpreender com mortes repentinas quando não estivéssemos esperando, com de fato aconteceu. Eu entendo o fato de não quererem construir uma temporada ou mais elaborando subtramas e desenvolvendo histórias paralelas com a trama central, mas você não pode simplesmente jogar vários personagens em uma série, tentar construir uma história diferente pra cada um, onde você desperta o interesse do espectador, e simplesmente decidir matar os personagens assim do nada, só pra gerar impacto sem a mínima coerência. Eu achei um erro grotesco do roteiro da série.
Tecnicamente a série é muito boa!
Acredito que a direção de arte é o principal destaque aqui, e muito por construir cenários fiéis com o clássico e encaixá-los com harmonia na forma moderna adotada pela série. A fotografia é bem destacada, bem organizada, muito bem projetada em cada cena. Assim como a trilha sonora, que acompanha bem a série em sua versão modernizada.
"Bates Motel" é a série dramática com roteiro original de maior duração na história do canal A&E. Os atores principais da série, Vera Farmiga e Freddie Highmore, receberam elogios especiais por suas atuações na série, com a Vera recebendo uma indicação ao Primetime Emmy Award e ganhando o Saturn Award de Melhor Atriz de Televisão. A série também ganhou três People's Choice Awards de Drama Favorito de TV a Cabo e de Atriz Favorita de TV a Cabo (Vera Farmiga) e Ator (Freddie Highmore).
A primeira temporada recebeu críticas positivas dos críticos: no Metacritic, a temporada detém uma pontuação de 66 em 100, com base em 34 críticos, indicando "críticas geralmente favoráveis". No agregador de resenhas Rotten Tomatoes, a temporada tem uma classificação de 84% "fresco certificado" com uma pontuação média de 7,11/10, com base em 43 resenhas. O consenso crítico do site diz: "Bates Motel utiliza manipulação mental e táticas de medo de suspense, além de um trabalho de personagem consistentemente nítido e relacionamentos familiares maravilhosamente desconfortáveis".
A primeira temporada de "Bates Motel" é muito boa, muito bem apresentada, com um início bastante cativante, onde conta com um ótimo elenco e ótimas apresentações. Acredito que a temporada deixa muito a desejar no quesito roteiro, por querer contar várias histórias todas ao mesmo tempo e no fim não desenvolver e não finalizar nenhuma com coerência e relevância. Porém, ainda assim eu acredito que a série tem potencial para desenvolver melhor os roteiros das próximas temporadas e entregar uma série que no fim honre o nome de uma das maiores franquias de suspense de todos os tempos - "Psicose". [03/09/2023]
Breaking Bad (5ª Temporada)
4.8 3,1K Assista AgoraTEM SPOILERS!
Breaking Bad (5ª Temporada) 2012/2013
A quinta e última temporada de "Breaking Bad" estreou em 15 de julho de 2012 e foi concluída em 29 de setembro de 2013 na AMC nos Estados Unidos e Canadá. A temporada de 16 episódios é dividida em duas partes, cada uma contendo oito episódios. A primeira parte da temporada foi transmitida de 15 de julho a 2 de setembro de 2012 e foi ao ar aos domingos às 22:00 horário do leste dos EUA. A segunda parte foi transmitida de 11 de agosto a 29 de setembro de 2013 e foi ao ar aos domingos às 21:00.
Na vida é muito difícil encontrarmos algo perfeito, uma obra perfeita, ainda mais quando estamos se referindo ao audiovisual, que é justamente o caso aqui. "Breaking Bad" é uma série que eu aprendi a amar desde o seu lançamento lá em 2008 e hoje, ao finalizar o 16ª episódio da última temporada, eu só pude comprovar a magnífica obra de arte da história dos seriados de TV que a série sempre foi. Sem nenhuma dúvida "Breaking Bad" é a melhor série do século, a verdadeira obra-prima das séries e está simplesmente entre as melhores séries já criadas em toda a história, sendo completamente perfeita em todos os sentidos.
A quinta temporada é icônica, é emblemática, é completamente apoteótica!
O primeiro episódio já inicia de forma catártica ao nos revelar aquela versão quase irreconhecível do Walter White (Bryan Cranston) com barba e cabelo sendo chamado pelo codinome de "Lambert", que estava naquele local negociando armas. Logo tomamos conhecimento da atualidade com Walter tendo que conviver com o assassinato do Gus (Giancarlo Esposito). Skyler (Anna Gunn) está muito assustada com os últimos acontecimentos. Mike (Jonathan Banks) está se recuperando do tiro que ele levou na temporada passada. Walter quer encontrar as gravações do laboratório de metanfetamina que o Gus fazia. A partir dessa busca, Walter, Mike e Jesse (Aaron Paul) decidem que precisam destruir o laptop do Gus que foi apreendido pela polícia. Eles utilizam aquele ímã gigante e poderoso para conseguir destruir todas as evidências e provas que estava no laptop (por sinal, uma belíssima cena). Ainda no primeiro episódio somos confrontados com o Ted (Christopher Cousins) em estado terminal em uma cama de hospital pelos seus acontecimentos da temporada passada. Curioso que no final do episódio o Walter diz para a Skyler que ficou sabendo o que aconteceu com o Ted e revela para ela que a perdoa.
O segundo episódio começa bastante curioso e intrigante ao nos revelar uma cena em uma cozinha de teste na "Eletromotriz Madrigal", onde o executivo Peter Schuler realiza sua última "refeição" e caminha para o banheiro para cometer suicídio. No caminho, deparamos com a remoção do logo dos "Los Pollos Hermanos" (a marca do Gus), mas antes, vimos outros logos, respectivos às outras empresas financiadas pela Madrigal. Nesse mesmo episódio Jesse encontra aquele cigarro de "ricina" que ele achou que o Walter havia roubado para envenenar o garoto Brock na temporada passada. Jesse entra em uma crise de consciência, um verdadeiro remorso. Muito interessante que nesse episódio temos a revelação que Mike foi um ex-policial no passado na Filadélfia. Hank (Dean Norris) está agora no encalço do Mike, querendo arrancar informações dele. Como o Mike perdeu todo o seu dinheiro que ele havia reservado para sua neta, e como o Walter quer voltar a cozinhar a metanfetamina, eles se juntam para voltar com a velha produção.
Os episódios seguintes são bastante reveladores e surpreendentes:
Temos uma personagem bastante enigmática e misteriosa - Lydia (Laura Fraser). Temos uma versão da Skyler completamente perturbada e descontrolada, por todos os acontecimentos que ela está enfrentando com Walter. Tanto que temos uma cena em que ela surta com a Marie (Betsy Brandt) e a outra que ela decide se afogar na piscina na frente de todos. Walter e Jesse voltam a produzir a metanfetamina utilizando dessa vez os locais que estavam fechados para dedetização (ótima ideia e bela jogada do Walter). Por fim temos aquela cena emblemática do roubo de metilamina (que é utilizada na produção da metanfetamina ) no trem, com a presença de Walter, Jesse, Mike e Todd (Jesse Plemons). Que cena magnífica, icônica, apoteótica, um roubo no maior estilo de "Velozes e Furiosos" e "Red Dead Redemption 2".
No final do episódio do roubo do trem, Todd dá um tiro em um garoto que sem querer acaba vendo todos os integrantes daquela ação. O que logo desperta um estado de fúria e comoção em Jesse, que sempre se revoltou quando o assunto era atacar os garotos. Diante desse acontecimento, Jesse revela para Walter que deseja sair da parceria de produção de metanfetamina, assim como o próprio Mike, que também deseja abandonar o barco. Nesse ponto temos aquela parte onde cada um decide que quer vender a sua parte nos galões de metilamina e sair da parceria com Walter, mas Walter está mais ambicioso do que nunca, ele não quer só o dinheiro para deixar para sua família, como ele queria quando começou no ramo, ele quer ser a referência e construir um império de metanfetamina.
No sétimo episódio temos uma das cenas mais icônica e emblemática de toda a história de "Breaking Bad". Que é justamente a cena do Walter indo pessoalmente negociar com o Declan (Louis Ferreira) para ele ser o seu distribuidor de metanfetamina, onde temos a famigerada cena: "Say My Name". Há muito tempo que Walter já rompeu todos os limites da compaixão, da empatia, da misericórdia, está cada vez mais no lado sombrio, obscuro, com uma ambição incontrolável e destruível. Walter não tem mais nenhum limite em relação ao seu desejo de tomar o lugar que era do Gus, em ser o novo Manda-Chuva, o Big Boss, construindo o seu verdadeiro império de metanfetamina.
O oitavo episódio é outro episódio surpreendente e emblemático, pois é quando temos aquele confronto do Walter com o Mike, o que resulta na morte do Mike pelo Walter (não perdoo o Walter, eu gostava muito do Mike). Interessante que após o Walter assassinar o Mike ele está sentado e se depara novamente com aquela famigerada mosca, e bem em um momento que ele está em uma guerra pessoal com sua consciência. Jesse se afasta de Walter e Todd está como o seu mais novo pupilo, aprendendo o processo da produção de metanfetamina. Está cada vez mais nítido que Walter não precisa de mais dinheiro, ele não tem mais aonde guardar. E é exatamente este o pedido que a Skyler faz para ele, que ele pare de produzir a metanfetamina. Diante desse pedido, Walter finalmente decidi se aposentar da produção. O episódio termina de forma muito intrigante, com o Hank tentando ligar os pontos e chegando na pista WW, que liga diretamente com Walter White.
O nono e o décimo episódio são completamente surpreendentes!
Hank está transtornado com a possibilidade que ele levantou sobre o seu algoz ser mesmo o Walter. Jesse por sua vez está completamente perturbado, transtornado e em crise ao descobrir que foi realmente o Walter o responsável pelo envenenamento do garoto Brock. Sendo assim ele entra em um profundo estado de descontrole emocional e mental e sai atirando os maços de dinheiro pelas ruas. O cerco está cada vez mais se fechando ao redor do Walter e Hank finalmente descobre toda a verdade sobre seu cunhado: Walter White matou o Gus e ele é a personalidade que Hank esteve na caça por mais de um ano, se revelando como o verdadeiro "Heisenberg". O episódio termina de forma apoteótica!
A partir do momento que Hank descobre que Walter é o "Heisenberg" ele parte para cima da Skyler, a pressionando e a coagindo para que ela revele tudo que sabe a respeito do marido. Porém, inicialmente Skyler não revela nada para o Hank, o que muito me surpreende esta sua postura. Para tentar reunir provas ao invés de suspeitas, Hank decidi ir ao encontro de Jesse, que estava transtornado ao ponto de colocar fogo na casa do Walter. Realmente o Jesse está em seu limite, está tomado por um sentimento de culpa, de revolta, de remorso, de tristeza, uma forte crise existencial. Dessa forma Hank tenta uma espécie de acordo com Jesse, afinal ambos querem pegar o Walter.
No décimo primeiro episódio temos a revelação que o Câncer de Walter voltou, e logo ele tem um desmaio no banheiro e revela mais tarde para seu filho Jr. É nesse episódio que temos aquele icônico vídeo do Walter incriminando o Hank com a sua participação em seu império de metanfetamina. Vou confessar que eu achei essa ideia incrível, genial, ousada, que só poderia ter saído da mente brilhante do "Heisenberg". Sem falar na ligação que ele fez com o dinheiro que a Marie usou no tratamento e recuperação do Hank como prova do seu envolvimento em todo o esquema. O que obviamente deixa o Hank completamente transtornado e desacreditado.
Os últimos episódios da temporada são magníficos, atinge um alto nível que eu nunca vi em nenhuma outra série.
Temos aquela armadilha que o Hank e o Jesse prepara para o Walter com a foto do tambor com seu dinheiro, o que o obriga a ir até o local no deserto em que todo o seu dinheiro está enterrado (por sinal, é o mesmo local que o Walter e o Jesse começaram a cozinhar a metanfetamina lá na primeira temporada). Temos aquela cena absurda dos tiroteios no deserto entre o Hank e o agente Gómez contra a gangue do Tio Jack. Jack Welker (Michael Bowen) é o tio do Toddy, que lidera o grupo de neonazistas sempre fazendo trabalhos encomendados por outros. O grupo aparece de acordo quando Walter pede uma ajuda para eliminar o Jesse em troca de ensinar o Todd a produzir a metanfetamina mais pura possível. O episódio termina com a surpreende morte do Hank com o tiro disparado pelo Tio Jack.
Ozymandias é o décimo sexto episódio, o episódio final da série "Breaking Bad". Este episódio é incrível, icônico, emblemático, apoteótico. É um episódio que fecha com chave de ouro toda a saga de "Breaking Bad", que nos faz revelações surpreendentes, que nos impacta e nos emociona, que nos desperta todos os mistos de sentimentos que estavam guardados por muito tempo. Aquela cena da metralhadora no porta-malas do carro estraçalhando todo mundo na casa é absurdamente incrível, genial e bizarra. Uma cena completamente apoteótica. Ozymandias é sem dúvida um dos melhores episódios de toda a história dos seriados de TV, e ainda com um fechamento que traz um final catártico.
Sobre o icônico elenco de "Breaking Bad".
Bryan Cranston é um gênio, um mestre, um lord. Ele soube incorporar um personagem com maestria, com elegância, com grandeza, com uma competência absurda e antológica. Bryan Cranston deu vida para o Walter White, que é incontestavelmente um dos melhores personagens de séries de todos os tempos! Assim como o icônico "Heisenberg", que é simplesmente uma das maiores personalidades do mundo do entretenimento e da cultura pop.
Anna Gunn é uma atriz genial e poderosa. É realmente incrível a forma como a Anna conseguiu criar e interpretar uma personagem que transcendia todos os limites de uma simples mãe de família. Que soube se reinventar a cada episódio, a cada temporada, sempre entregando uma personagem que era amada e odiada praticamente ao mesmo tempo. Nessa quinta temporada a Anna Gunn está no ápice da sua personagem, conseguindo nos comover e nos impactar com um trabalho impecável e irretocável.
Aaron Paul é sem dúvida o personagem mais desacreditado do início da série. Acredito que o público (assim como eu) no início teve um pouco de pé-atrás com ele ao interpretar o jovem viciado Jesse Pinkman. Talvez por não conhecer muito do seu trabalho, talvez apenas por desconfianças mesmo, mas devo dizer que ele surpreendeu todo um planeta ao incorporar o Jesse. Aaron Paul é o ator que mais cresceu dentro da série, que mais desenvolveu o seu personagem ao longo das temporadas, que provou ser o ator magnífico que é pela competência de um trabalho fenomenal e impecável. Nessa quinta temporada o que o Aaron Paul entrega na pele do Jesse é absurdo, principalmente no quesito peso dramático e carga dramática - como podemos comprovar naquela cena absurda em que ele presencia o assassinato da Andrea (Emily Rios) - que cena impactante!
Dean Norris é um ator que eu gosto muito e aqui como Hank Schrader ele sempre foi colossal. Dean soube construir um personagem que facilmente poderíamos criar uma grande empatia, principalmente pelo seu grande crescimento e relevância dentro do contexto de toda a história. E o mais interessante em seu personagem é exatamente esse jogo de gato e rato com Walter, sempre no encalço da sua maior missão enquanto agente da DEA, que sempre esteve ali na frente do seu nariz, embaixo do próprio teto. Hank Schrader é mais um personagem icônico desse universo de "Breaking Bad", e tudo graças ao trabalho fantástico de Dean Norris.
Bob Odenkirk é sem dúvida a personificação do personagem mais hilário de toda a série - o grande Saul Goodman. Já o Jonathan Banks trouxe aquele personagem que também tem um crescimento absurdo na série, indo na mesma linha de crescimento do Hank. Mike sempre esteve na defesa do Gus, sempre funcionava com o seu cão de guarda, porém nessa temporada observamos mais do outro lado do Mike, sem aquela casca que ele sempre carregava.
Betsy Brandt trouxe uma personagem que ora funcionava no contexto da série, ora fica mais escanteada, mas no geral a Marie foi fundamental na construção final das motivações do Hank.
RJ Mitte é outro ator muito bom, que também contribuiu diretamente para a grandeza da série, e nessa temporada o Walter Jr. foi primordial ao tomar a atitude em relação ao pai. E pra finalizar temos a excelente participação do Jesse Plemons (novinho na época), que também teve a sua contribuição fundamental na série.
Precisamos voltar a falar de Walter White:
É incrível a grandeza desse personagem na série, é incrível como ele toma uma postura inicial e aos poucos vai deixando de lado, se descaracterizando, se desconstruindo. Aquele simples professor de química do ensino médio mal pago, superqualificado e desanimado que está lutando com um diagnóstico recente de câncer de pulmão. Que decide usar das suas extremas habilidades químicas para produzir uma metanfetamina mais pura o possível para deixar sua família estável financeiramente quando ele morrer. Este é um ponto abrangido com maestria na série: a desconstrução do ser humano, a ambição humana, a supervalorização, a briga de ego, a forma como uma pessoa deixa de lado todos os seus princípios e se torna um monstro, um sociopata, muda de personalidade, se entrega ao desejo incontrolável da ambição, ao lado sombrio e com uma mudança obscura em seu caráter.
É incrível como até hoje muitas pessoas se frustram ao ver a forma como o Walter se tornou dentro da série e principalmente a forma como ele termina. Muitos acham que a série não deveria ter transformado o Walter em um monstro, mas o Walter White sempre foi um monstro, ele só não tinha desenvolvido esse seu lado. Ele sempre teve aquele complexo de superioridade, de ser o centro das atenções, sempre com a mesma desculpa que tudo que ele fazia era pela sua família. Talvez no início até poderia ser, mas depois só constatamos que não, que ele fez tudo aquilo porque ele queria e porque ele gostava. Como observamos naquela conversa com a Skyler, que ele revela para ela que fez aquilo por ele, porque ele quis, porque ela achava bom ser o mais inteligente, ser o superior, construir o seu império, inflar o seu ego. Ou seja, Walter White sempre foi o "Heisenberg".
Tecnicamente e artisticamente a temporada e a série é completamente impecável!
O roteiro de "Breaking Bad" é estupidamente perfeito, Vince Gilligan aplicou uma genialidade absurda ao escrever um texto tão competente, tão abrangente, tão magnífico. O mesmo vale para a direção da série, que foi feita sempre de forma impecável. A trilha sonora da série sempre foi um destaque, sempre foi um show à parte, sempre foi relevante no quesito inovação e criatividade. O elenco é outro show, é uma obra-prima, daqueles elencos memoráveis, que vai ficar em nossa mente pelo resto de nossas vidas. O mesmo vale para cada personagem que foi criado e construído na série, que atingiu um nível de grandeza e excelência nunca visto anteriormente em questões de seriados de TV. A cinematografia da série é outra perfeição, sempre com um fotografia que nos maravilhava em cada temporada, em cada episódio, em cada cena, um nível de genialidade que não se vê mais hoje em dia.
"Breaking Bad" recebeu críticas positivas, enquanto o restante recebeu aclamação unânime da crítica, com elogios às performances, direção, cinematografia, roteiro, história e desenvolvimento de personagens. Desde sua conclusão, a série foi elogiada pela crítica como uma das maiores séries de televisão de todos os tempos. Teve uma audiência razoável em suas três primeiras temporadas, mas a quarta e a quinta temporadas tiveram um aumento moderado na audiência quando foi disponibilizado na Netflix pouco antes da estreia da quarta temporada. A audiência aumentou drasticamente após a estreia da segunda metade da quinta temporada em 2013. Quando o final da série foi ao ar, estava entre os programas a cabo mais assistidos da história da televisão americana.
"Breaking Bad" recebeu inúmeros prêmios, incluindo 16 Primetime Emmy Awards, oito Satellite Awards, dois Golden Globe Awards, dois Peabody Awards, dois Critics' Choice Awards e quatro Television Critics Association Awards. Bryan Cranston ganhou o Primetime Emmy Award de Melhor Ator Principal em Série Dramática quatro vezes, enquanto Aaron Paul ganhou o Primetime Emmy Award de Melhor Ator Coadjuvante em Série Dramática três vezes; Anna Gunn ganhou o Primetime Emmy Award de Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática duas vezes. Em 2013, "Breaking Bad" entrou no "Guinness World Records" como o programa de TV mais aclamado pela crítica de todos os tempos.
A série deu origem à maior franquia "Breaking Bad". "Better Call Saul" é uma série prequela com Bob Odenkirk, Jonathan Banks e Giancarlo Esposito reprisando seus papéis em "Breaking Bad", bem como muitos outros em participações especiais e recorrentes, estreou na AMC em 8 de fevereiro de 2015 e foi concluída em 15 de agosto de 2022. Uma sequência O filme "El Camino: A Breaking Bad Movie", estrelado por Aaron Paul, foi lançado na Netflix e nos cinemas em 11 de outubro de 2019.
"Breaking Bad" estreou na AMC em 20 de janeiro de 2008 e foi concluído em 29 de setembro de 2013, após cinco temporadas com 62 episódios.
Por fim, chegamos ao final da melhor série de TV que eu já assisti em toda a minha vida. "Breaking Bad" é simplesmente o suprassumo, a quinta-essência, o masterpiece da história das séries. Uma obra completamente impecável, irretocável, perfeita, triunfal, atemporal, relevante, influente, antológica, colossal, apoteótica, emblemática e icônica.
Simplesmente a melhor série de todos os tempos!
Vince Gilligan eu te amo!
(R.I.P. Mark Margolis - nosso eterno Hector Salamanca)
[19/08/2023]
Breaking Bad (4ª Temporada)
4.7 1,2K Assista AgoraTEM SPOILERS!
Breaking Bad (4ª Temporada) 2011
"Breaking Bad" é a única série que mantém uma crescente em cada temporada. Ou seja, cada temporada é um desenvolvimento da anterior, cada história é melhor desenvolvida na temporada seguinte, cada acontecimento que nos surpreende na temporada passada é cada vez mais impactante na próxima temporada. Por esses fatos que eu considero "Breaking Bad" como uma série impecável, por sempre elevar o nível em cada temporada, por sempre manter uma linha de interesse e desenvolvimento totalmente coerente e relevante, por sempre nos prender com um roteiro fabuloso, inteligente, dinâmico, bem estruturado e bem desenvolvido.
Como sempre afirmei: cada temporada é surpreendente e supera a temporada anterior, e esta quarta temporada não seria diferente.
No final do décimo terceiro episódio da temporada passada fomos surpreendidos com todos os acontecimentos em volta do Walter (Bryan Cranston) e do Jesse (Aaron Paul) relacionados ao Gus (Giancarlo Esposito). O episódio termina exatamente com o Jesse disparando contra o Gale (David Costabile) em seu apartamento. A partir desse fechamento de temporada que fica inúmeras perguntas como: será que o Jesse realmente acertou o tiro em Gale? Ou será que ele só quis assustá-lo? Se ele realmente matou o Gale qual será a postura do Gus a partir dessa afronta? Como ficará a vida de Jesse e principalmente do Walter na próxima temporada?
O primeiro episódio da quarta temporada já nos revela grande parte das respostas para todas essas perguntas: Jesse realmente acertou o tiro na cabeça do Gale. Gus se sentiu ameaçado e resolveu mostrar quem manda no pedaço ao construir aquela cena bizarra, onde ele corta a garganta do Victor (Jeremiah Bitsui) com um estilete a sangue frio na frente do Jesse e do Walter. Por sinal mais uma cena emblemática da série, pois é a primeira vez que eu vejo o Gus cometendo um assassinato daquela forma e naquela pompa, com requintes de crueldade e muita classe.
A partir do segundo episódio entramos de cabeça naquele jogo de gato e rato do Walter contra o Gus. A desconfiança e a incerteza de Walter faz com que ele compre uma arma para tentar se defender, tanto do Gus como até do próprio Mike (Jonathan Banks). Jesse por sua vez liga o modo foda-se e passa a viver uma vida de festas e drogas em sua casa que no momento mais se parece com um chiqueiro. Skyler (Anna Gunn) parece ter deixado um pouco de lado o Ted (Christopher Cousins) e se concentrar totalmente na compra do lava-rápido. Por sinal todo o empenho da Skyler em fazer aquela jogada de fiscalização para fechar o lava-rápido e facilitar a sua compra foi uma ideia genial, acredito que uma das melhores jogadas que ela já fez em toda a série.
Outro ponto interessante dessa temporada é o fato da própria Skyler voltar a se entender com o Walter após aquela sua postura traidora da temporada anterior. Lógico que a Skyler está agindo por interesse próprio, mas confesso ter gostado de vê-la junto do Walter novamente. E aqui já temos uma Skyler cada vez mais empenhada na lavagem de dinheiro no lava-rápido, onde a própria chega a revelar toda a armação do Walter ser um jogador para o Hank (Dean Norris). Logo eles voltam a transar depois de algum tempo, para oficializar e comemorar o esquema de lavagem de dinheiro. Temos aqui praticamente uma nova versão de Bonnie e Clyde.
Uma grande jogada do Gus nessa temporada foi voltar sua atenção para o Jesse, que estava frágil, vulnerável, com um psicológico e uma mente perturbada. É nessa hora que o Gus quer usar o Jesse para vê se ele pode ser confiável para o seu projeto de matar o Walter e assumir o laboratório de metanfetamina. E o mais interessante é saber que de fato o Jesse está tentando se provar útil na missão com o Mike para chegar até o Gus, já que o próprio Jesse está com a ideia de matar o Gus com o veneno do cigarro.
Hank foi um personagem extremamente importante na temporada passada, e agora ele está se recuperando e voltando na ativa das suas investigações. Todos nós sabemos que a maior obsessão de Hank sempre foi o enigmático e misterioso Heisenberg, e é a partir das investigações das pista encontradas no apartamento do Gale que ele passa a suspeitar do todo poderoso Gustavo Fring.
O cerco está se fechando contra o Gus, a DEA está em seu encalço. Já o Gus por sua vez é um ser extremamente hábil, inteligente, liso, astuto, aquele que escapa por entre os dedos, por onde não tem saídas. Naquela cena do interrogatório o Gus sequer titubeava nas respostas, sempre muito seguro de si. É muito interessante toda aquela revelação do passado do Gus, mostrando o porque não se acha mais vestígios dele no Chile, pois foi tudo apagado. É surpreendente a grande rivalidade (ou ódio) de Gus com Hector Salamanca (Mark Margolis) e Don Eladio (Steven Bauer).
Os últimos cinco episódios da temporada são ainda mais colossais e apoteóticos: temos o Walter fazendo de tudo para conseguir despistar a atenção do Hank em relação à investigação do Gus. Temos a volta do asqueroso Ted onde a Skyler o ajuda com uma parte do dinheiro do Walter (para todo seu desespero). Temo o Gus sendo forçado a manter (pelo menos inicialmente) um acordo com o Cartel Mexicano. E o final do décimo episódio é estratosférico, com aquela presença em território Mexicano do Gus, Mike e Jesse enfrentando o Don Eladio e sua trupe.
A partir do décimo primeiro episódio é onde o Gus afirma diretamente para o Walter que toda a sua família está ameaçada caso ele interfira na missão de acabar com o Hank. Temos grandes reviravoltas nos últimos episódios da temporada, como o fato do Gus entrar na mente do Jesse para que ele concorde com a morte do Walter, e se possível até executá-lo. Temos todos os acontecimentos envolvendo o possível envenenamento do garotinho Brock, o filho de Andrea (Emily Rios), que Jesse acreditava ter sido o Walter o responsável. Também acompanhamos a aproximação de Walter com o Tio Salamanca, como para usá-lo para conseguir matar o Gus, já que o Tio Salamanca também queria uma vingança contra o próprio Gus.
Diante disso chegamos em uma das cenas mais emblemáticas e apoteóticas de toda a história da série "Breaking Bad". Que é justamente a cena da explosão da bomba na cadeira de roda do Tio Salamanca, que atinge tanto o Tio quanto o próprio Gus. Esta cena é icônica, principalmente por nos mostrar todo requinte e elegância de um verdadeiro gentleman do Gus antes de morrer. Senhoras e senhores, que cena!
Walter White é o verdadeiro vilão de toda a história. Ele é o vilão do Jesse, ele é o vilão da Skyler, ele é o vilão do Hank, ele é o vilão de sua própria família, ele é o vilão dele próprio. Aquele Walter omisso, indefeso, preocupado, resguardado, tentando ser inofensivo, já não existe mais. Walter está mais do que nunca tomado pela ambição, pela escuridão, pela destruição, assumindo todos os riscos, enfrentando tudo e todos, tomado pela sede insaciável de vingança e poder. Walter está longe daquele pai, daquele esposo, daquele professor, daquele herói para seu filho, ele já é a personificação do traficante, do assassino, sempre traçado como um ser vingativo, cruel e impiedoso.
Nessa temporada temos várias atitudes do Walter que nos faz olhar para ele de um forma ainda mais diferente das temporadas anteriores. Posso citar a parte do possível envenenamento do Brock, que pode sim de fato ter sido o Walter como uma forma de trazer o Jesse novamente para o seu lado no império da metanfetamina (algo um pouco parecido com o que aconteceu com a Jane na segunda temporada). Walter não se preocupa mais em atacar seu algoz, mesmo que isso interfira diretamente em pessoas inocentes e indefesas. Nesse caso do Brock, ele sobreviveu por causa da percepção do Jesse, porque se dependesse do Walter ele realmente teria morrido.
Sem falar que temos algumas cenas em que mostra um Walter totalmente perturbado e fora de si, praticamente incorporando um Coringa: como na cena que a Skyler fala para ele que deu o dinheiro para ajudar o Ted e ele cai na gargalhada, e no último episódio, quando ele faz toda armação para acabar com o Gus e consegue. Ali vemos um Walter tomado pelo desejo de vingança a qualquer custo, principalmente na cena que ele vai até o laboratório e salva o Jesse e logo após ele destrói o laboratório, e ainda liga para Skyler para dizer: "Eu Venci" - com aquele ar de soberano.
Elogiar o Bryan Cranston como Walter White é praticamente chover no molhado. Então vou escrever aqui o mesmo que escrevi nas temporadas passada: "Bryan Cranston é incontestavelmente um dos melhores personagens de séries de todos os tempos!"
Anna Gunn e sua eterna personagem "ame ou odeie". Confesso que na temporada passada eu tive mais raiva da Skyler, pois eu não aprovava as suas atitudes, mas nessa temporada ela volta a me agradar em grande parte. Talvez a única parte em que eu não aprovei sua decisão foi na parte em que ela decide dar o dinheiro para ajudar o Ted. Mas de qualquer forma é aceitável que ela tome esta decisão, afinal de contas as fraudes poderia chegar até ela, uma vez que ela fez parte de todo o esquema junto com o Ted.
Aaron Paul sempre impecável e surpreendente: Jesse é um misto de sentimentos em cada temporada, pois ele tem o dom de nos impactar com variações mais dramáticas, mais agressivas, mais perturbadas, e aqui ele está exatamente dentro desse padrão. Nessa temporada temos um Jesse que inicialmente liga o modo foda-se e quer viver na esbórnia da sua casa. Logo após ele quer se provar útil e não descartável. Depois ele é tomado pela fúria do drama do acontecimento com o pequeno Brock. E no final o vemos novamente fortalecendo os laços com o Walter. Ou seja, mais uma temporada irretocável de Aaron Paul como Jesse Pinkman.
Dean Norris Não tem a mesma proporção da temporada passada, até pelos acontecimentos que ocorreu com ele, mas ainda assim ele se mostra extremamente importante, principalmente em pegar os atalhos da investigação do assassinato do Gale para chegar no Gus.
Giancarlo Esposito é talvez o personagem mais importante de toda a temporada depois do Walter. Gus é aquele vilão perfeito, com uma postura perfeita, com atitudes perfeitas, que nunca desperta suspeitas. Um homem pomposo, requintado, elegante, influente, extremamente educado, que tinha nas mãos todos os seus negócios, todos os seus rivais e, principalmente, a polícia. Gus sempre estava um passo na frente de tudo e de todos, que mantinha um discurso com um alto poder de persuasão, se destacando como um líder, como um chefe, como um pastor de uma igreja, que tinha todos os seus féis e seus seguidores dentro do seu regime. Giancarlo Esposito está magnífico na pele do envolvente e poderoso Gustavo Fring.
Bob Odenkirk é muito hilário na pele do envolvente Saúl Goodman. Incrível como o Saúl é um personagem importante dentro de todo o contexto da história. Por mais que ele não esteja sempre no foco, mas ele ataca sempre na hora certa, sempre com bastante oportunismo, tanto pelo lado do Walter, quanto pelo lado da Skyler e do Jesse. O mesmo vale para o personagem do Jonathan Banks, que sempre mantém aquela postura de cão de guarda e braço direito do Gus. Porém, logo após ele ter sido baleado no México eu me questionei exatamente sobre essa questão, de parecer que o Gus não se importava com ele, que ele era apenas mais um empregado totalmente descartável.
Completando o elenco temos o RJ Mitte, o Walter Jr. Walter Jr. tem algumas participações pontuais e interessantes na temporada, como na parte que ele fica feliz com o pai por ter ganhado seu super carro, e logo após a revolta com a mãe por ter devolvido. Já a Betsy Brandt teve um crescimento notável na temporada passada e aqui ela mantém esse destaque. Marie volta a atacar de cleptomaníaca com suas histórias mentirosas.
Com a morte do Gus nessa temporada, que era o maior confronto com o Walter e seus planos, a quinta temporada abre um leque de possibilidades. Sem o Gus no caminho, Walter está teoricamente livre e com o caminho aberto para ir cada vez mais fundo com a sua ganância e com a sua ambição no mundo do tráfico e do enriquecimento ilegal. A sua ganância irá crescer, a sua ambição irá crescer, a sua motivação irá crescer, pela oportunidade de ser a única referência e dominar todo o negócio do tráfico de metanfetamina. Walter White está no topo e ele precisa se manter lá.
A quarta temporada de "Breaking Bad" se mantém no topo, se mantém cada vez mais importante e cada vez mais relevante dentro do contexto de toda a história. Agora é partir para a última temporada da série, que irá trazer o fechamento mais apoteótico e icônico da história das séries. [02/08/2023]