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Sorria 2 (Smile 2) 2024
"Sorria 2" é novamente escrito e dirigido por Parker Finn como uma sequência direta de "Sorria" (2022). O filme é estrelado por Naomi Scott como Skye Riley, uma estrela pop em ascensão que começa a vivenciar uma série de eventos macabros cada vez mais perturbadores justamente quando está prestes a embarcar em sua turnê.
Interessante que lá em 2022 a Paramount apostou em "Sorria" como a sua grande aposta para a criação de uma nova franquia de terror. Em questão de marketing e bilheteria o filme foi um sucesso imediato. Em questão de roteiro, o diretor Parker Finn inicialmente apostou em uma trama que navegava no terror sobrenatural, no suspense psicológico, que flerta diretamente com o mistério, com o lúdico, com o oculto, algo mais ligado com a relação da mente humana e suas variações perturbadoras, e as causas que isso podem implicar em cada um. Isso na primeira metade do filme, pois em sua segunda o diretor perde completamente a mão e toda ambientação misteriosa e psicológica que foi muito bem utilizada é deixado de lado para dar espaço para o terror genérico, o terror pastelão, forçando a barra em cima dos jumpscare, das aparições de figuras demoníacas afim de forçar o susto gratuito para impressionar o público.
"Sorria 2" inicia com uma introdução que faz ligação direta com os eventos do primeiro filme através do personagem Joel (Kyle Gallner). Por sinal uma introdução muito boa, onde temos uma sequência de ação com tiroteio de tirar o fôlego, melhora ainda mais na cena final dessa sequência. A partir daí o diretor tenta se reinventar no subgênero terror, novamente ele inicia apostando em um terror psicológico sobrenatural usando os acontecimentos anteriores envolvendo a personagem Skye Riley.
O interessante dessa personagem é justamente o fato dela ser uma estrela do pop, que vive uma vida de sonhos, de desejos, onde vive cercada pela fama, pelo dinheiro, pela ganância do sucesso e principalmente pela admiração e a inveja por parte do público. Podemos considerar que tudo isso poderia ser uma presa fácil para um distúrbio mental e psicológico. Um ano após ela ter presenciado o acidente que vitimou seu namorado Paul Hudson (Ray Nicholson), Skye presencia o suicídio de seu amigo de classe Lewis Fregoli (Lukas Gage). Por sinal a cena dele esmagando o próprio rosto com uma anilha de musculação é assustadoramente bizarra. A partir daí ela começa a ser perseguida pela maldição do sorriso macabro.
Uma jogada muito boa do roteiro é usarem o fato da Skye ter passado pelo trauma do acidente em contrapartida com sua dependência química, ou seja, seria difícil alguém acreditar em tudo que ela estava passando em consequência da maldição sem assimilar às drogas em consequência com o seu trauma. Ou seja, Skye vivia pressionada por todos os lados; a mãe dela a pressionava com um relacionamento controlador, tóxico e abusivo. Parecia que a Skye era uma marionete da mãe. Ela ainda convivia com a pressão da fama, do sucesso, da crítica, onde podemos considerar sobre a pressão que os artistas sofrem na indústria em busca da fama. Passamos a acompanhar a decadência da Skye como artista e principalmente como ser humano. Passamos a acompanhar o declínio e o colapso mental de uma artista em busca da fama em decorrência do seu estado psicológico.
E tudo isso que eu citei é muito bem usado pelo diretor para confrontá-la com a sua maldição. Pois o estado mental e psicológico da Skye era a porta de entrada para a maldição explorar as suas fragilidades com sua vulnerabilidade atual. Toda pressão pela fama era confrontado pelo horror dos seus traumas em contrapartida com a maldição do sorriso. Onde podemos facilmente fazer uma alusão com aquela obrigação que os artistas tem em sempre estarem sorrindo. O artista sempre precisa estar sorrindo para o público e fãs independente do seu humor naquele dia.
Dessa vez Parker Finn acerta em explorar todas as fraquezas e vulnerabilidade da protagonista em decorrência da maldição usando o seu estado psicológico. Acredito que este foi o maior diferencial em comparação com o primeiro filme, justamente uma exploração maior em cima do terror sobrenatural, do terror psicológico, usando aparições certeiras de figuras que exemplificavam o que a protagonista tinha presenciado, e não apenas jumpscare gratuitos para impactar. Tudo bem que ainda assim o diretor dá uma certa forçada justamente em cima desses jumpscare e traz uma figura monstruosa bizarra na última cena do palco, que pra mim é justamente a parte que novamente ele perde a mão. Porém, dessa vez eu até relevo, visto tudo que ele construiu para chegar até essa parte final.
O diretor acerta muito bem na construção das cenas bizarras, onde temos belas exibições do puro gore. A fotografia é outro ponto que se destaca notavelmente em cada cena. Pois cada foco naquele sorriso macabro soa extremamente diabólico, perturbador e incomoda muito. A atriz Naomi Scott faz uma performance espetacular, diga-se de passagem. Por mais que a sua personagem ande naquela linha de gritos, caras e bocas, mas tudo era muito bem construído e feito com um bom nível de atuação. Também preciso destacar o ator Ray Nicholson, o filho do grande Jack Nicholson, que em suas pequenas aparições ele nos mostra que também tem aquela veia sombria e macabra apenas no olhar. Sem falar que ele é a cara do pai.
Sendo assim eu considero que "Sorria 2" acerta mais do que erra, pois toda sua construção de terror psicológico se sobressai sobre o terror pastelão trivial desse gênero. Parker Finn acerta a mão nesse segundo filme, pois ele nos entrega algumas discussões sociais usando um pano de fundo de terror sobrenatural, que irá discutir até que ponto o trauma poderá ser superado.
E na cena final a maldição do sorriso passou para todos que estavam na plateia? Acredito que veremos mais em "Sorria 3".
- 12/11/2025
O Poço 2 (El hoyo 2) 2024
"O Poço 2" é novamente dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia em parceria com a Netflix espanhola. Dessa vez acompanhamos a protagonista em uma nova fase na prisão vertical, onde um líder misterioso impõe regras violentas e uma nova "Revolução Solidária" tenta controlar a distribuição de comida.
"O Poço" foi lançado no Brasil em Março de 2020, ou seja, o longa chega ao Brasil bem na fatídica pandemia do coronavírus e logo ganha um grande destaque diante daquele iminente cenário. A ligação que eu fiz com o filme na época foi exatamente o cenário onde cada um pensava unicamente em si próprio, cada um queria conseguir estocar o máximo de comida possível em suas casas. Ou seja, o filme tocava exatamente nesse ponto, no egoísmo, na falta de solidariedade humana, na empatia pelo próximo, sendo uma analogia perfeita sobre a nossa sociedade principalmente naquela época. "O Poço" me surpreendeu muito ao exibir uma metáfora explícita sobre a selvageria proporcionada pelo capitalismo e o comunismo a desigualdade social.
Curioso que "O Poço 2" não estava nos planos do diretor Galder Gaztelu-Urrutia. Porém, depois de 4 anos temos uma segunda parte da história, ou uma continuação, pois o título do filme leva o número 2, então podemos considerar um prelúdio ou sequência? O fato é que o longa-metragem é um prelúdio do primeiro filme, que nos mostra a primeira passagem da história que vimos no primeiro filme. Sendo assim temos o retorno dos personagens que morreram no filme anterior mas que aqui eles aparecem como a primeira parte de suas histórias - é um pouco confuso!
Dessa vez "O Poço 2" traz um foco maior na luta pela sobrevivência diante daquela rebelião que se formou contra o sistema imposto no local pela tal da "Revolução Solidária". Considerando todo o contexto temos a exibição de um sistema imperialista opressor, que impõe a lei onde cada pessoa deve comer apenas o seu próprio prato. E o curioso é o fato que mostra logo no início do filme, onde cada um dos detentos (se é que podemos considerá-los assim), faz uma exigência sobre ter diariamente a sua comida preferida. Logo podemos considerar que essa "Revolução Solidária" faz uma alusão ao nosso comportamento perante a nossa convivência em sociedade, às leis que existem e que temos que obedecê-las, e que muita das vezes descumprimos tais leis. Aquela velha história que se um pode descumprir uma lei o outro se sente no mesmo direito, onde logo temos o famoso efeito dominó.
Podemos considerar que o primeiro filme faz uma crítica ao classismo, ao capitalismo e a liberdade total, já nesse segundo temos uma crítica mais complexa que aborda o comunismo e o fanatismo religioso. Pois em dado momento observamos que eles castigam severamente os que descumprem tais leis (como a parte do braço), que é justamente uma interpretação de como as leis sagradas (ou bíblicas) são sempre interpretadas à favor de quem está impondo no momento. Também podemos considerar referências ao radicalismo extremo e o islamismo, que entra justamente a parte da mutilação de membros como punição para roubos, além da pena de morte de acordo com o Alcorão. Por outro lado também observamos uma alusão a Jesus Cristo, o messias, sobre a sua existência ter ocorrido ou não, como é discutido em uma determinada cena.
Claramente o filme é uma é reflexão sobre a riqueza e os poderes dentro da sociedade como um todo. Pois quando temos a presença daquela figura que impõe a lei local, logo temos um desafio sobre a noção de justiça, de comportamento, de solidariedade com os residentes locais, o que inflige justamente em um ambiente cruel e desumano a partir do momento da rebelião. O funcionamento do poço só serve para dar suporte ao argumento que ele propõe, pois de fato somos prisioneiros de nós mesmo e disso não podemos fugir. Seria o poço uma prisão pessoal? Uma prisão mental? A única saída é a morte? Temos várias perguntas que carecem de respostas!
Assim como no primeiro, ao término do filme ficamos com um milhão de perguntas e um milhão de possibilidades de interpretações na cabeça. Este é um dos maiores trunfos do filme, o seu poder em nos desafiar, em nos levar a reflexão profunda, de nos dar a livre opção de criarmos as nossas interpretações, de ser livre de regras, de obrigações, de rótulos, de cronologia dos acontecimentos. O próprio diretor afirmou que o filme não tem um lado certo ou errado, não existe um regra de interpretação, você é livre para criar às suas possibilidades e imaginações.
Como muitas pessoas consideram o primeiro filme excelente e este segundo ruim, eu vou por uma outra linha, eu vejo ambos os filmes dentro da mesma temática mas com propostas diferentes. Sendo assim eu considero "O Poço 2" como um bom filme, que consegue extrair ainda mais reflexões acerca da humanidade em contrapartida com o seu comportamento dentro de uma sociedade. Em como um ambiente muita das vezes pode moldar o comportamento humano em diferentes sentidos. "O Poço 2" toca em temas já discutidos no primeiro e ainda aborda outros pontos como o próprio extremismo e o fanatismo religioso.
Se permita interpretar o filme como você quiser!
- 08/11/2025
Últimos recados
qualquer coisa estamos ai, escreva, dois ombros suportam o peso melhor meu caro
Volta Adrianoooo..textões..o filmow precisa dos teus textões...
Gostei da introdução de seu perfil, bem bolado.
Hasta.
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The Walking Dead: Daryl Dixon (3ª Temporada) 2025
Dos três spin-offs da série original "Daryl Dixon" é a que eu tenho mais dificuldades. A primeira temporada é ok justamente por nos mostrar como seguiu a vida do personagem após os eventos da série principal, e expandir o universo desse personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbi. Já na segunda temporada a série cresce notavelmente de produção, e muito pela presença da icônica Carol Peletier (Melissa McBride). Carol traz um novo frescor e um novo fôlego para a série, onde logo temos o retorno de uma das maiores duplas de todo o universo de "The Walking Dead" - Daryl e Carol!
No final da segunda temporada eu fiquei curioso em como seguiria a história justamente pela exploração em um novo país. Daryl e Carol inevitavelmente teriam que seguir com a sua jornada de volta para casa, e para isso eles iriam passar por novos locais, novos desafios, onde iriam conhecer novos povos, que poderiam se tornar aliados ou não. Sem falar nos zumbis e em todas as suas variações. A temporada soa interessante justamente por estarmos diante de um novo vilarejo onde vamos desvendando cada segredo a partir dali. E como sempre acontece, logo o Daryl e a Carol estão envolvidos em todos os dramas dos residentes locais.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" novamente consegue inovar usando a mesma história mas com personagens diferentes. Pois temos um novo elenco inteiramente espanhol, que por sinal é um dos pontos altos da temporada, onde logo cada um se destaca dentro de cada personagem. Mas por outro lado o roteiro em si é aquele velho clichê que já conhecemos no universo de "The Walking Dead", onde temos um vilarejo que é sempre explorado por facções de fora, e logo toda essa exploração desencadeia uma nova guerra que entra em conflito justamente com os dois protagonistas. Às histórias paralelas não são inteiramente ruins e até funcionam dentro da proposta do roteiro. Porém, logo elas se tornam desinteressantes com o passar de cada episódio.
Daryl e Carol novamente são o fôlego da temporada (e não poderia ser diferente). Tanto o Norman quanto a Melissa quando estão atuando juntos é garantia de espetáculo. Mesmo que o conteúdo de ambos seja repetitivo com o passar dos anos, mas os dois contracenando juntos é o que de fato prende o espectador na série. Novamente temos ótimas cenas de ação proporcionada por ambos. Por falar em cenas de ação; esta temporada acerta muito bem, conseguindo dar dinâmica e objetividade em cada uma delas.
Tecnicamente a temporada melhora ainda mais, pois temos uma excelente direção de arte que constrói cenários impecáveis. A fotografia é outro ponto que se sobressai na temporada. Assim como a trilha sonora, que é acertadamente composta por ritmos espanhóis e casa perfeitamente com toda a história. Não posso deixar de mencionar às maquiagens dos zumbis, que nunca cai na mesmice e sempre traz alguma inovação. Realmente impressiona o quanto o trabalho de maquiagem é sempre um grande destaque dentro do universo de "The Walking Dead".
O elenco em si entregam atuações condizentes com a história e ainda conseguem nos passar uma boa dose de carisma; com destaques para Eduardo Noriega, Óscar Jaenada, Alexandra Masangkay e Candela Saitta.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" mantém a qualidade conquistada na segunda e ainda consegue se superar e evoluir em alguns pontos. Por mais que essa "turnê pós-apocalíptica" do Daryl e da Carol mostre uma certa fragilidade no roteiro e trazem histórias clichês em sua grande maioria, mas ainda assim nos convence a acompanhar toda a trajetória de ambos até o seu destino final. Destino este que com certeza será o retorno até os EUA, que obviamente acontecerá na já confirmada quarta e última temporada da série.
- 20/11/2025