Adriano Silva 🎬
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Adriano Silva 🎬
4 dias atrás

🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS DO LIVRO E DO FILME ⚠ 🚨🚨🚨

A Empregada (The Housemaid) 2025

"A Empregada" é dirigido por Paul Feig (diretor de "Um Pequeno Favor", de 2018) e escrito por Rebecca Sonnenshine (roteirista das série "The Boys" e "The Vampire Diaries"). O longa é baseado no livro "A Empregada" de 2022 de Freida McFadden, e estrelado por Sydney Sweeney, Amanda Seyfried e Brandon Sklenar. No filme, Millie Calloway (Sydney Sweeney), uma jovem com um passado conturbado que tenta reconstruir sua vida, torna-se a empregada doméstica em uma luxuosa mansão do casal milionário Nina (Amanda Seyfried) e Andrew Winchester, cuja a casa e o casal escondem segredos obscuros.

Sobre o livro:
O estilo da escrita da Freida é algo que me atraiu bastante, por ser uma escrita enérgica, fluida, com um ritmo acertado, com uma linguagem simples e objetiva, o que fatalmente vai cativar o foco e a atenção daquele leitor que almeja um thriller psicológico. E é exatamente o que temos em "A empregada"; um mistério, um suspense, uma tensão que vai se instalando com o passar das páginas.

Acredito que o maior acerto da Freida aqui é exatamente a forma como ela decide contar a sua história, sendo objetiva, clara, nos envolvendo em um terror psicológico com um alto poder de entretenimento, com capítulos curtos, sem embarrigar a história, o que já é corriqueiro e costuma cansar o leitor. "A empregada" é certeira no que se propõe, porque além da construção do terror mental, do suspense e do mistério, o livro ainda traz abordagens sobre questões humanas como a relação do poder, da dependência emocional, da violência doméstica, do relacionamento tóxico e abusivo.

Por outro lado a história de "A empregada" é extremamente previsível, pois se você tem uma certa bagagem em literaturas de suspenses mais complexos, ou thrillers psicológicos, certamente antes da metade do livro você já estará construindo o que provavelmente acontecerá ao final da história. Foi exatamente o que aconteceu comigo, e o final não fugiu muito de tudo que eu já imaginava. Nem o Plot twist conseguiu me surpreender como eu esperava. Para ser justo, o ponto que mais me surpreendeu no final foi aquela última revelação da mãe do Andrew para a Nina, onde ela revela que aplicava aquela mesma disciplina de maneira abusiva no filho da forma que ele costumava aplicar na Nina.

Acredito que o livro surpreenderá mais aquele leitor iniciante no gênero, ou o que busque uma história mais objetiva mas sem grandes revelações ou surpresas, ou até mesmo aquele que busque a cura da famosa "ressaca literária".
Dessa forma eu vejo que "A empregada" funciona como uma leitura enérgica, fluida, que vai te prender pelo suspense e pelo mistério. Porém falta originalidade, pois a sua premissa poderá facilmente ser igualada e até superada por outros thrillers psicológicos que existem por aí.

Sobre o filme:
Temos aqui mais uma adaptação literária do já famoso "fenômeno do BookTok. Sem dúvidas o livro "A Empregada" virou uma febre assim como os casos que recentemente também viraram filmes - "É Assim Que Acaba" e "Verity", ambos da autora Colleen Hoover. O livro da Freida McFadden é um bom livro, traz assuntos pertinentes assim como eu já destaquei acima, porém é apenas o mais do mesmo, que não surpreende e não inova no tema já discutido diversas vezes no cenário literário. Ou seja, se o livro eu achei apenas bom o filme então é bem questionável.

Antes de mais nada eu preciso frisar que a adaptação vai por um caminho que difere do livro no quesito suspense e ação. Pois no livro seguimos em uma linha de suspense investigativo e no filme vamos diretamente para o cômico e consequentemente a ação. E aqui eu até entendo essa linha, já que a ação tende a conquistar mais rápido o público que não leu o livro, que é a grande maioria, e que é exatamente o que decidem fazer em grande parte da história e principalmente no final. Porém, ao seguir essa linha o diretor aceita correr os riscos, já que ele adota um tom histérico e exagerado que flerta com o cômico em momentos que deveriam ser de puro suspense, como acontecem no livro. Sendo assim, eu diria que essas escolhas podem atrair um público que veem apenas como um entretenimento divertido pelos motivos errados, se é que eu posso encarar dessa forma. Já que eu vejo como uma abordagem que sufoca e até despreza temas pesados e importantes como a violência doméstica e o gaslighting, quando na verdade deveria dar voz como um pedido de socorro.

E mais uma vez eu me vejo escrevendo que eu entendo que uma adaptação necessariamente não precisa seguir 100% à risca da obra adaptada, mas que pelo menos respeite a essência e a importância do tema já criado. E aqui isso não é respeitado, muito pelo contrário, a importância e a relevância da obra é completamente deixada de lado. Como no caso de dois personagens fundamentais da história no livro que aqui é completamente desprezado - o jardineiro italiano Enzo (Michele Morrone) e a menina Cecília (Indiana Elle).
Para começar o jardineiro nem demonstra ser de fato italiano, pois dificilmente eu me lembro dele falando em italiano com a Millie (eu assisto legendado) como acontece principalmente no início da história no livro. Sem falar que o Enzo no livro tem uma importância indispensável em toda a história do início ao fim. No livro o Enzo funciona como um aliado sempre presente da Millie, sendo ele que coloca uma dúvida inicial na cabeça dela quando ele tenta avisá-la proferindo em italiano a palavra "Pericolo". Por outro lado ele tem até um envolvimento romântico com a Nina - sim, eles transam no livro. Tanto que ele é peça fundamental na vida da Nina ao ajudá-la tanto na fuga quanto na volta para ajudar a Millie ao final da história. Já no filme ele é completamente escanteado, aparecendo em uma cena e outra, onde ele até tenta mostrar que quer ajudar a Nina, mas no fim ele não serve para absolutamente nada.

Mesmo caso da menina Cecília, que no livro tem um papel fundamental na trama ao se mostrar manipuladora com a Millie; como na cena do livro em que a Cece age de forma até maquiavélica sobre o sanduíche de pasta de amendoim, onde ela usa sua tática para surtar e acusar a Millie de querer matá-la pelo fato da sua alergia com amendoim, que por sua vez a Nina finge que já tinha avisado a Millie sobre a alergia da filha. Essa é uma cena crucial no livro que coloca a menina Cece como personagem importante na história ao lado da mãe. Já no filme essa cena sequer existe, e não só essa cena em específico, mas outras cenas com a Cece, como na parte em que a Nina vai embora com ela para a Califórnia. A menina Cece no filme tem importância quase nula na trama.
Só aqui eu já destaquei dois personagens que foram cruciais na história do livro que no filme decidiram desprezar suas importâncias.

Mais diferenças entre livro e filme:
No prólogo já iniciamos carregados no suspense e tensão ao nos deparar com o ambiente da casa com um corpo, policiais e uma investigação no ar. O que de cara já nos enfatizava sobre o tom do livro que estava sendo proposto ali. Já o filme opta por seguir uma cronologia linear ao iniciar já na entrevista de emprego da Millie.
O castigo da Millie no livro acontece pelo fato da Millie ter bagunçado os livros do Andrew, que era uma pessoa metódica e perfeccionista, o que a obriga a passar horas trancada no quartinho do sótão com uma pilha de livros sobre o abdômen. Acredito que esta cena no livro acompanha mais de perto a mente doentia e desequilibrada do Andrew. Já no filme o castigo acontece pelo fato da Millie ter quebrado a porcelana luxuosa que era da mãe de Andrew. Obviamente aqui temos o apelo mais gráfico, mais sanguinolento, onde a Millie é obrigada a realizar cortes na barriga com um pedaço da louça. Claramente temos aqui um dos exemplos que eu mencionei acima sobre o livro ir na linha do suspense e o filme na linha da ação.

Puxando esse gancho da porcelana da mãe do Andrew, a Sra. Evelyn Winchester (Elizabeth Perkins). Aqui eu preciso mencionar que de certa forma o tempo de tela da Sra. Winchester é melhor no filme que no livro, já que no livro sua participação é menor, aparecendo pouco durante a história, mais em flashbacks e no funeral do filho. No filme ela tem uma participação maior e até mais impactante, já que a partir dela podemos observar melhor a construção do contexto de abuso, perfeccionismo e psicopatologia de Andrew. No filme podemos observar que a Sra. Winchester menospreza a Nina e mantém desconfianças sobre a Millie, partindo dela a principal motivação para todo o desfecho entre a Millie e o Andrew, que é o conjuntos de porcelanas, que não existe no livro. Aquela revelação que a Sra. Winchester faz sobre os dentes do Andrew e todo aquele discurso sobre o tal privilégio, no livro é mais reservado feito diretamente para a Nina, já no filme ela revela após o funeral do filho de forma totalmente pública, o que causa mais espanto.
Este é um dos poucos pontos positivos no filme, a Sra. Evelyn Winchester, que no filme ela é melhor aproveitada que no livro.

Mais mudanças em relação livro e filme:
No livro a morte de Andrew ocorre após os abusos dele com a Millie onde ela consegue atingi-lo nos olhos com um spray de pimenta deixado estrategicamente no quarto pela própria Nina. A partir daí ela tranca o Andrew no quartinho e o obriga a arrancar vários dentes, o que o leva a morte por desidratação e sangramento. Quando a Nina chega na casa ela já encontra o Andrew morto no quarto. No filme a Millie atinge o Andrew com uma espécie de espátula, aparentemente a mesma que estava na mão da Nina ao se despedir da Millie na entrevista de emprego no início do filme. A partir daí a Millie tranca o Andrew no quarto e o obriga a arrancar um dente ao ficar quebrando as porcelanas de luxo da sua mãe do lado de fora. Logo na sequência a Nina aparece e o Andrew tenta convencê-la com um discurso tosco, tenta atacar a Nina perto do grande lance de escadas, quando aparece a Millie e o empurra para a morte. Outra demonstração da linha suspense no livro e ação no filme. Claramente aqui eles buscaram pelo apelo estético e gráfico da violência.

Outro ponto que difere do livro é justamente a investigação policial após a morte de Andrew, já que no livro quem investiga o caso é um detetive que se revela pai de Kathy (ex-noiva de Andrew), que revela que a filha havia ficado transtornada ao conseguir fugir de Andrew e ele queria punir o Andrew pelos seus atos. Já no filme a policial que investiga o caso se diz irmã da Kathy, que também conhecia tudo o que a sua irmã havia passado e assim decide ajudar acobertar aquele crime da Nina.

O destino final de Millie e Nina:
No livro a Nina vai embora para a Califórnia com a Cece após a morte de Andrew e recomenda os serviços da Millie para uma amiga. Já no filme temos um apelo para lado da vingança e da justiça, se assim podemos considerar, já que a Nina deixa uma grande quantia em um cheque para a Millie e praticamente a empurra para trabalhar na casa de outro homem que abusa da sua esposa. E aqui praticamente transformaram a Millie em uma espécie de justiceira dos maridos abusivos. Vai entender!

Sobre o elenco:
Amanda Seyfried é a única que carrega o piano e se salva no elenco. Ela consegue demonstrar com perfeição a figura da mulher coagida, vulnerável, que passa a imagem de uma pessoa desequilibrada mentalmente, quando na verdade ela agia na submissão buscando o ataque na hora certa. Baita atuação da Amanda, sempre dentro do ritmo certo, no ponto certo, sem extravagâncias e exageros, sem banalizar a personagem e principalmente o tema em questão. Meu único destaque positivo em todo o elenco.
Brandon Sklenar faz um personagem canastrão, caricato demais, que não convence nem como marido tóxico e abusivo e nem como um galã conquistador. Uma atuação fria e desinteressante.
Quero deixar um destaque positivo para a Elizabeth Perkins, que trouxe uma personagem muito bem apresentada na figura obscura e sombria da maquiavélica Sra. Evelyn Winchester.

Agora precisamos falar de Sydney Sweeney. Não é de hoje que ela está nos holofotes da queridinha de hollywood, muito por sucessos de peso, sua visão empreendedora e sua estética bombshell da Geração Z. É fato que a Sydney é o grande nome do momento, até por suas recentes polêmicas do cancelamento. Também é fato a sua presença em produções cinematográficas desse porte mais badalado, que é justamente o caso de "A Empregada". Eu considero a escolha da Sydney para viver a Millie como um completo erro, acredito que poderiam encontrar atrizes mais completas e muito mais competentes para o papel. Não tenho absolutamente nada contra atriz, também nada a favor, mas a considero como uma atriz bem mediana. É difícil não associar a escolha da atriz pela sua beleza, que sim é estonteante, principalmente de corpo. E no filme o que vemos é exatamente isso, um claro apelo estético para o seu corpo nas várias e até desnecessárias cenas de sexo com o Brandon Sklenar. É só observar os inúmeros focos no corpo da atriz e principalmente em seus belíssimos par de seios completamente nus.
Mas por outro lado a sua atuação é bem fraca, pra não dizer inteiramente ruim. Claramente você observa uma interpretação travada, fria, automática, sem nenhum esboço de reações adversas, tanto faz se ela estiver com medo, feliz, com tesão, com raiva, nada nela consegue transparecer o momento específico que a sua atuação na pele da Millie de fato pedia.

Tecnicamente o filme é bem feito, pois ele apresenta uma direção de arte muito boa, principalmente nos cenários que envolvia a mansão Winchester. A fotografia é muito bem destacada, tanto em cenários internos quanto externos. A trilha sonora é ok e acompanha bem o que cada cena pedia. O longa-metragem recebeu críticas positivas e arrecadou US$ 400,5 milhões com um orçamento de US$ 35 milhões. Uma sequência de "A Empregada" está em desenvolvimento, com o diretor Paul Feig e atriz Sydney Sweeney já confirmados para retornar e com estreia prevista para 17 de dezembro de 2027.
Eu pretendo ler a sequência dos livros da série, porém em relação a sequência dos filmes, eu não tenho muita empolgação.

Por fim:
Eu encerro afirmando que o livro "A Empregada" é bom, pois ele é bem escrito, bem fluido, bem enérgico e discute temas importantes, apesar da sua previsibilidade quanto os seus desdobramentos finais.
Já o filme é muito limitado, superficial, que tenta se desprender da linha lógica do livro e seguir os seus próprios passos usando a história do livro como base, mas seguindo a sua linha de apelo gráfico, de ação gratuita, fugindo do suspense investigativo do livro e até menosprezando temas tão importantes que deveriam ser mais discutidos - por mais que nem no próprio livro esses temas sejam bem abordados.
No fim você será mais impactado pelas cenas de nudez da Sydney Sweeney do que propriamente pelos temas em questão.

- 01/11/2026

editado
Adriano Silva 🎬
3 meses atrás

Stranger Things (5ª Temporada) 2025

A quinta e última temporada de "Stranger Things" foi lançada pela Netflix em dois volumes e o episódio final. O primeiro volume, com quatro episódios, foi lançado em 26 de novembro de 2025, o segundo volume, com três episódios, foi lançado em 25 de dezembro, e o episódio final foi lançado em 31 de dezembro.

"Stranger Things" foi uma série em que eu aprendi a amar desde o primeiro contato. A série logo me ganhou pelo charme transístico dos anos 80, com aquela história típica que se passa em uma pacata cidadezinha norte americana. E por falar na década de 1980, "Stranger Things" é o puro suco das lendárias produções oitentistas, do puro Sci-Fi estilo anos 80, com inúmeras referências da época, que vai desde os cenários, figurinos, fotografia e principalmente a trilha sonora. Este é o cenário que se inicia a primeira temporada com boas doses de terror, ficção, drama, fantasia, suspense e claro, o humor. Sem falar que a série começa com uma abordagem sobre o drama familiar, o bullying voltado para o núcleo infanto-juvenil, as crises, os traumas, as decepções e a corrupção que assola o governo americano em volta de toda experiência laboratorial com cobaias humanas.

A série continua impecável em sua segunda temporada por conseguir manter a essência, o ritmo e todo o clima da primeira. Esta temporada nos insere ainda mais na complexidade da mente humana acerca dos transtornos mentais, ao nos fazer refletir em como as nossas fraquezas e os nossos medos podem se virar contra nós. E muito dessa reflexão tiramos justamente do personagem Will (Noah Schnapp). Sem falar que é nessa temporada que temos a chegada de uma personagem extremamente importante e querida em toda a série, Max (Sadie Sink).

A terceira temporada continua inserida na essência oitentista, continua trazendo inúmeras referências da cultura pop dos anos 80. Porém, dessa vez temos uma temporada mais leve, mais cômica, a que chega mais perto de uma comédia oitentista. Esta é uma temporada onde o elenco "infanto-juvenil" já estão bem crescidos, e junto com este crescimento eles passam a ter outras preocupações e outros objetivos. Por outro lado esta temporada mostra uma Hawkins ainda mais envolvida em novas experiências do governo, onde temos praticamente uma invasão russa na cidade.

A quarta temporada de "Stranger Things" é excelente, facilmente uma das melhores temporadas de toda a série. Pois temos novos personagens e um novo vilão que deu novos ares, uma nova cara, um novo fôlego e um novo rumo para a série. Um dos pontos mais positivos dessa temporada está exatamente no novo vilão - Vecna (Jamie Campbell Bower), o Mago das Trevas. Achei uma ideia genial deixar um pouco de lado o Devorador de Mentes e focar a temporada inteira na construção e no desenvolvimento de um novo vilão. Por falar em Vecna, a forma como ele ataca e mata as sua vítimas é completamente bizarro e assustador, o que deu um ar e um clima ainda mais sombrio e aterrorizante para a temporada. Esta temporada tem seu lado mais pesado dramaticamente, com fortes revelações e com alguns arcos pessoais bastante importantes para a história. O nono episódio facilmente classifico como o melhor episódio da quarta temporada, o melhor episódio de toda a série "Stranger Things" e um dos melhores episódios de uma série que eu já assisti na vida. Todos os acontecimentos que envolvem este episódio com 2h22m é completamente surreal, avassalador, emocionante e fantástico.

E por fim, depois de longos anos, chegamos na quinta e última temporada de "Stranger Things".
Falar da quinta temporada não é algo fácil para quem é fã da série, até porque o quanto eu esperei e criei expectativas. Porém, na minha opinião o principal vilão dessa quinta temporada é o longo tempo de espera, o grande hiato entre a temporada 4 e 5, o que foram longos 3 anos e 5 meses de intervalo. E aqui podemos entender (e não aceitar) todos os problemas que a série atravessou nesse longo caminho até a chegada dessa última temporada. Por exemplo: tivemos duas grandes paralisações na indústria de entretenimento, a famigerada greve em Hollywood, o que levou a paralisação total das gravações. Já nas partes técnicas, os os irmãos Duffer relataram o envolvimento direto em supervisão e direção de cada episódio, acompanhando de perto cada edição, cada montagem, dando ênfase nos mínimos detalhes da produção. Consequentemente os longos episódios exigiram ainda mais da pós-produção em relação a filmagem, corte, mixagem e edição, e ainda mais considerando toda imposição colocada pelos showrunners da série.

Fato é, eu poderia passar horas aqui pesquisando e escrevendo sobre os vários motivos que fizeram a quinta temporada de "Stranger Things" demorar tanto tempo para acontecer. Ainda assim nada seria suficiente para amenizar, ou explicar, o que de fato deu tanto errado na temporada final de uma das melhores séries da minha vida, e que eu esperei uma temporada com um final apoteótico. Por outro lado podemos considerar que se os irmãos Duffer acompanharam assim de tão perto os mínimos detalhes, o que esperávamos era uma temporada final épica, até porque foram anos trabalhando em um material que eles já dominavam há muito tempo, que já eram expert no assunto, era só entregar o que já sabiam e o que todos nós almejávamos. Todavia não foi isso que aconteceu, a temporada final de "Stranger Things" é cercada por tantos problemas que chega a ser assustador o que foi entregue para nós.

Vamos ser sinceros aqui, todos nós sabemos que eles perderam a mão, e isso não é uma opinião é um fato. Parece que quanto mais eles tinham tempo para desenvolver o enredo da temporada pior ela ficava. O final da quarta temporada preparou todo o terreno para a quinta chegar e reinar em um final marcante e apoteótico. Para começar esta temporada perdeu completamente o clima de terror e suspense e focou inteiramente em uma ação desenfreada. Todo aquele clima pesado, sombrio, tenso, mórbido e aterrorizante dos ataques do Vecna foram amenizados e praticamente esquecidos. Sem falar que os próprios ataques eram em sua grande maioria simples e sem nenhum terror. Outro ponto completamente banalizado nessa temporada, o terror e o suspense psicológico, que sempre foram marcas registradas da franquia, aqui foram suavizados e esquecidos, principalmente no personagem Will. As temporadas anteriores tinham terror, tensão e suspense, principalmente o terror psicológico, e aqui foram completamente eliminados dando espaço somente para a ação.

O ritmo da temporada é muito acelerado, o que acaba nos passando um senso de urgência nos acontecimentos sem nenhum peso e sem nenhuma identificação com o espectador como acontecia antes. E aqui vale ressaltar que a temporada teve apenas 8 episódios em sua grande maioria longos, o que já é de praxe, e o último com praticamente 2h de duração. Eu achei que deveria ser uma temporada maior, com mais episódios, até para desenvolver melhor a história e principalmente o final, mais precisamente o embate final. Dessa forma teríamos uma temporada final mais abrangente, mais detalhada, dando espaço para desenvolver melhor os personagens e seus arcos pessoais, sem aquele senso de urgência, sem aquela correria que a temporada entregou. Por outro lado é notável a questão de parecer que todos já estavam de saco cheio e só queriam dar um fechamento para a série e cada um seguir o seu caminho.

Como a temporada é corrida e os acontecimentos são muitos, não temos tempo para desenvolver e construir nada. Ou seja, perderam o timing do elenco na questão da passagem em relação a adolescência de cada um, até pelo longo tempo entre as temporadas e no geral como um todo nesses quase 10 anos de série. O elenco em si eu amo de paixão, mas como eu achei tudo muito corrido eu não consegui ter aquela empatia com cada um como eu tinha anteriormente. É tudo muito rápido, quando você está dentro do acontecimento de um do nada você já está no acontecimento do outro, dessa forma você não consegue criar conexão com ninguém, fica tudo muito raso e muito vago, falta emoção.
Porém: uma das que mais me incomodou foi a Millie Bobby Brown. E aqui eu não quero julgar se foi ela que decidiu atuar assim, ou se de repente foram ordens superiores, mas fato é que ela está o tempo todo no automático, sem aquele envolvimento que ela tinha antes. É muito notável que falta emoção em sua atuação, parece que ela não estava se importando muito e só queria terminar logo as gravações.
O Will eu achei muito bom nas partes que ele também conseguia demonstrar os seus poderes igual a Onze, quero dizer na sua forma de caracterização. Por outro lado ele parecia estar mais preocupado com a sua aceitação como ele era do que de fato estava acontecendo ao seu redor.
O Dustin (Gaten Matarazzo) estava ok, ainda sentindo muito a morte do Eddie (Joseph Quinn), e parecia que ele estava lutando exatamente por essa causa o tempo todo.
O Mike (Finn Wolfhard) bem abaixo das temporadas passadas, melhorou mais no último episódio com os acontecimentos da Onze.
O mesmo vale para o Lucas (Caleb McLaughlin), que só cumpre o seu papel no grupo. E aqui vale ressaltar que diminuíram muito a sua importância com relação a Max, até pela forma como a Max passou da temporada 4 pra 5.
Já a Max é totalmente subaproveitada na temporada, ficando mais no destaque com as cenas com a Holly (Nell Fisher), que na minha opinião são cenas desnecessárias como um todo.
Já a presença da Holly eu gostei, acho que casou com o que a trama pedia naquele momento, e vale destacar que a atriz Nell Fisher é nova e já é muito boa.
A Nancy (Natalia Dyer) é uma personagem que eu adoro desde a sua primeira aparição na série, e aqui eu vi muitas pessoas julgando a sua participação na temporada, por ela estar quase o tempo todo como uma guerrilheira. Eu até acho que fez sentido pela forma como ela poderia de fato ajudar, mas eu entendo que aquela skin de Sarah Connor dela ficou até exagerada em algumas cenas.
E por falar em Sarah Connor, temos a presença ilustre de ninguém menos que a poderosa Linda Hamilton na temporada. Ela traz uma personagem bastante curiosa.
Jonathan Byers (Charlie Heaton) e Steve Harrington (Joe Keery) foram dois personagens completamente prejudicados pelo roteiro, ficando quase que apenas no papel de ambos se exibirem e cortejarem a atenção da Nancy - uma pena!
Eu sempre gostei da Robin Buckley (Maya Hawke), ela sempre está muito bem em suas apresentações, como acontece aqui. Ela tem uma veia para a atuação que é invejável, ainda mais tendo o pai e a mãe que ela tem.
A Erica (Priah Ferguson) é outra personagem completamente esquecida na temporada, ela está ali apenas cumprindo seu contrato mesmo.
Já o casal Joyce e Hopper (Winona Ryder e David Harbour) fazem o que sabem de melhor, fazem o que esperávamos e tem o final que também esperávamos.

Sobre o personagem do Jamie Campbell Bower eu preciso puxar o gancho do que foi aquele embate final contra o Vecna.
Eu não vou negar que eu gostei muito da forma como foi desenvolvida a guerra final, com cada um fazendo a sua tarefa e todos unindo suas forças em prol da causa maior. Porém, é fato que este embate final contra o Vecna não passa nem perto do que nós imaginávamos que seria. Tudo acontece de forma muito simples e até muito fácil. O poderoso Vecna, o lendário Mago das Trevas, que controlava e se apossava da mente de todos, que tinha um exército ao seu favor, de repente está completamente sozinho na hora que ele mais precisava. Tudo bem que ele está junto com a manifestação física do "Devorador de Mentes", mas e os Demogorgons? Sumiram todos? Já na questão da atuação do Jamie, como Vecna ele está bem abaixo da temporada anterior, até porque lá ele estava impecável, já como Henry ele faz um papel bem digno.

Esta quinta temporada deixa muitas pontas soltas, muitos acontecimentos que ficamos nos perguntando o que de fato está acontecendo, por exemplo: a questão do "Mundo Invertido", que antes era um local sombrio, obscuro, que para entrar nele era algo difícil e desafiador, agora está meio que normalizado, corriqueiro, simples, onde parece não oferecer mais nenhum perigo. Aquela parte do mundo imaginário na mente do Vecna é uma parte bem questionável, pra não dizer desnecessária mesmo (como já destaquei antes). E toda aquela história do Vecna em querer unir os mundos em um só, algo como uma reformulação à sua maneira, e ainda utilizar as crianças porque as mentes delas são uma espécie de "inocência", ou algo como um ponto de ancoragem para a fusão dos mundos, é uma viagem bem excêntrica - mas ok né! Outros pontos que eu não entendi: aquela cientista que aparece na mente do Vecna em uma caverna. Aquelas mulheres grávidas. Aquele Dr. Sam Owens que apareceu no final da quarta temporada e aqui ficou em aberto. A Suzie (Gabriella Pizzolo), a namorada do Dustin, que de repente desapareceu da série. E por fim a decisão em construir aquele final para a Onze, com um final em aberto se ela ainda existe ou não, eu achei um pouco fora de tom. Na minha modesta opinião eu acho que deveriam finalizar com o sacrifício dela mesmo pela questão que ela mesmo relatou para o Mike em cena. Acho que seria mais digno e condizente para o peso da própria personagem para a história. Ou será que eles optaram por um final em aberto para construir um spin-off da Onze em um futuro dentro do universo de "Stranger Things"? A mesma pergunta também vale para aquela cena final das crianças descendo para o porão e substituindo os já adolescentes/adultos. Estariam pensando em futuros spin-off de "Stranger Things"? Eu não duvido de mais nada.

Vale mencionar que em em questões técnicas a série continua dando um verdadeiro show. Tudo dentro da série é impecável, como a direção de arte que constrói cenários exuberantes dentro do padrão da série. A fotografia é outro grande destaque da série como um todo. O mesmo vale para a trilha sonora, que encerra a temporada com grandes clássicos da música. A equipe de figurinos e maquiagens é um verdadeiro luxo, pois o que dizer daquele penteado no maior estilo anos 80 da Nancy. E eu não posso deixar de citar que os episódios 3 e 5 foram dirigidos pelo inigualável Frank Darabont, que saiu da sua aposentadoria somente para dirigir os dois episódios - fantástico! Tecnicamente e artisticamente a série "Stranger Things" como um todo é uma verdadeira obra-prima.

E por fim: finalizo afirmando que "Stranger Things" é uma série excelente, uma obra-prima, que soube se reinventar e nos levar ao verdadeiro mergulho nostálgico das produções oitentistas, se transformando em um marco na cultura pop das séries. De fato a série enfrentou vários problemas ao longo desses quase 10 anos de existência, e eu diria que os maiores problemas já enfrentados pela série ocorrem justamente nessa temporada final, e muito por decisões completamente errôneas e fora de timing pela parte da produção. De qualquer forma isso não tira o brilho, a importância e principalmente a relevância da série. Pelo contrário, "Stranger Things" ficará marcada e eternizada como uma das maiores séries da história, e pra mim como uma das melhores séries da vida!

E parafraseando o final do meu próprio texto da última temporada de "The Handmaid's Tale":
"A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!"
⭐⭐⭐⭐⭐

01/08/2026

editado
Adriano Silva 🎬
½
3 meses atrás

🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS DO FILME E DO JOGO ⚠ 🚨🚨🚨

Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno (Return to Silent Hill) 2026

"Return to Silent Hill" é escrito e dirigido por Christophe Gans (diretor e roteirista do excelente "O Pacto dos Lobos", de 2001) com roteiro de Sandra Vo-Anh (roteirista de "A Bela e Fera, de 2014) e Will Schneider (roteirista de "O Corvo", de 2024). O longa-metragem é baseado e inspirado no jogo de videogame da Konami de 2001, "Silent Hill 2", e segue como o terceiro filme da franquia "Silent Hill" e ainda pode ser considerado como um reboot. O filme acompanha James Sunderland (Jeremy Irvine), um homem atormentado e consumido pelo luto após a perda do seu grande amor, Mary (Hannah Emily Anderson). Ao receber uma carta misteriosa dela, ele retorna à enevoada cidade de Silent Hill. Lá, o que antes parecia ser uma cidade familiar, agora o obriga a encarar e enfrentar forças demoníacas, o que acaba por desvendar verdades aterrorizantes e uma verdadeira luta para manter a sua sanidade.

Antes de mais nada eu preciso contextualizar que eu sou uma pessoa completamente viciada em videogames desde os meus 10 anos de idade. Dito isto, "Silent Hill" é uma das minhas franquias de jogos da vida, o que obviamente fez eu conhecer e entender tudo do universo "Silent Hill" e consequentemente já ter jogado e terminado todos os títulos da franquia existentes até hoje. Eu joguei e terminei o "Silent Hill 2" no Playstation 2 algumas vezes, assim como terminei a versão do Xbox 360 de "Silent Hill HD Collection", que inclui uma versão do "Silent Hill 2", e no ano passado eu terminei o mais recente e excelente Remake oficial no Playstation 5.

Quando foi lançado "Terror em Silent Hill" lá em 2006, eu fiquei em êxtase para conferir o que até então era o primeiro filme da minha amada série de jogos (me lembro de ter assistido exatamente no dia da sua estreia, 18 de Agosto de 2006). Este primeiro filme é dirigido justamente pelo próprio Christophe Gans, e na época eu adorei o filme. "Terror em Silent Hill" é baseado no primeiro jogo, lançado em 1999, e na minha opinião é um bom filme que traz uma adaptação bastante fiel até. O maior problema do filme é a mistura de personagens e acontecimentos que o diretor decide fazer, o que acaba mudando algumas partes da história original do jogo. Mas por outro lado temos bastante fidelidade nos personagens, nos cenários, no clima e na trilha sonora original. Já em 2012 tivemos "Silent Hill: Revelação", dessa vez dirigido por M.J. Bassett, que adapta de forma muito vaga algumas partes do enredo de "Silent Hill 3", lançado em 2003. Este filme já apresenta muitos problemas em relação ao roteiro adaptado, personagens, acontecimentos e principalmente mudanças significativas na história em relação ao jogo.

Após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna com "Return to Silent Hill" que traz uma adaptação justamente do segundo jogo da franquia que ainda não tinha sido adaptado. Como recentemente eu joguei o "Silent Hill HD Collection" e o Remake, então toda a história de "Silent Hill 2" está bastante fresca em minha memória, ou seja este era o momento exato para assistir "Return to Silent Hill".

Como um fã do segundo jogo eu gostei daquele cenário inicial, pois é exatamente o mesmo cenário do jogo, com o James andando no local, indo até o banheiro desativado e se olhando no espelho. Logo após o James desce a escadaria e chega até o cemitério, onde ele encontra a Angela (Hannah Emily Anderson). Logo após a conversa com a Angela ele segue andando e chega na cidade de Silent Hill, tudo bastante fiel ao jogo. Já por outro lado aquele flashback inicial do James chegando no local, conhecendo a Mary, e toda a sequência a partir dali não faz o menor sentindo. Ou seja, já no início do filme o diretor e roteiristas já mostraram o que pretendiam fazer com a história do jogo.

Os detalhes técnicos e artísticos do filme fazem toda a diferença e conta muito para a fidelidade da adaptação, como no caso dos cenários da cidade de Silent Hill, como as ruas, as lojas, o bar, o parque, o cemitério e o hospital, que estão perfeitos. Os cenários do filme mostram uma inspiração mais próxima do Remake oficial do que propriamente do jogo original. Outro ponto que conta muito para o desenvolvimento do filme é todo clima sombrio e macabro do jogo que está presente, assim como a famigerada névoa das ruas de Silent Hill e também às cinzas do incêndio. A fotografia é sensacional, pois ela dita o ritmo do filme com aqueles enquadramentos nos cenários com um tom mais morto, denso, borrado e acinzentado.

Christophe Gans transforma seu filme em um verdadeiro "Fan service", pois fora os cenários, o clima e a ambientação, temos a emblemática "Sirene", o James andando pelas ruas de Silent Hill com a barra de ferro e o icônico rádio que transmite interferências com a aproximação dos inimigos. Por outro lado em nenhum momento temos cenas com armas de fogo como no jogo. Por falar em inimigos, as famosas criaturas de Silent Hill estão presentes e são muito fiéis ao jogo, como no caso do "Sem braço" cuspindo ácido, o "Spider Mannequin", as "Enfermeiras", o Boss "Flesh lip" e o lendário "Pyramid Head". Em questão de personagens do jogo eles estão presentes, assim como o próprio James e a Mary, temos a Angela, a Maria, a Laura e o Eddie. Por outro lado temos alguns personagens insignificantes que não estão presentes no jogo.

Outro ponto bastante positivo no filme é a presença do lendário compositor Akira Yamaoka, que compôs a trilha sonora da grande maioria dos jogos da série "Silent Hill", incluindo a lendária música tema do jogo. Algumas músicas do jogo original foram usadas como música temporária durante a edição, inclusive o filme termina com uma icônica música do jogo.

No quesito técnico e artístico o diretor Christophe Gans consegue manter toda essência e toda a fidelidade do jogo "Silent Hill 2", já no quesito roteiro ele faz exatamente o que ele fez no filme de 2006, muda algumas partes da história original e coloca a sua visão em relação ao enredo do jogo. No filme o James consegue realizar ligações para sua psicanalista, sim ele tem uma psicanalista no filme, o que eu achei absurdo, mas ok, eu tinha certeza que o diretor iria querer colocar atitudes que humanizasse mais o James do filme em relação ao James do jogo. O jogo "Silent Hill 2" possui um terror psicológico sobrenatural que traz um foco no luto, no remorso e na culpa pessoal do James como uma manifestação psicológica dos traumas reprimidos dele em relação a sua atitude perante a sua amada Mary. Já no filme temos elementos que introduz uma espécie de seita como a responsável por todos os acontecimentos, e ainda colocando o pai da Mary como o grande mentor por trás desse culto satânico enquanto ainda estava vivo.

O remake de "Silent Hill 2" possui 8 finais, já no jogo clássico temos 6 finais. No final "In Water" mostra toda a dor e todo o sofrimento do James devido a doença terminal da Mary, o que mostra que a Mary não morreu no hospital pela sua doença mas sim pelas mãos do próprio James, que se viu incapaz de ver a sua amada sofrer e agindo por misericórdia, por frustração e exaustão ele a mata (como uma eutanásia) sufocando com um travesseiro. Movido pela dor da perda, pelo trauma e pelo luto, James decide tirar sua própria vida se afogando no lago Toluca ao lado do corpo da sua amada. Este é o peso emocional e espiritual do James no jogo, já no filme temos uma espécie de redenção, de humanização do James em relação a sua esposa, algo como se ele tivesse apenas deixado ela ir resolver seus problemas em Silent Hill. Esta é a forma que o filme apresenta a Mary, como uma espécie de vítima daquela seita, uma vez que no jogo temos a figura da Mary como frágil e vulnerável, que sofreu e morreu por causa da sua doença. No filme até temos a cena em que o James mata a Mary asfixiada e depois se joga com o carro com o corpo dela no lago Toluca, mas tudo é feito de forma leve, rasa, genérica, sem aquele peso e aquela dor, algo como apenas uma obrigação.

O jogo "Silent Hill 2" é emblemático justamente por apresentar uma gameplay acompanhada de um ritmo lento, mórbido, introspectivo, onde convivemos com a solidão, o mistério e principalmente o terror psicológico. Já no filme o que temos é uma narrativa autoexplicativa que de cara já entrega absolutamente tudo, sem deixar o espectador ser forçado a entender e juntar as peças desse quebra-cabeça justamente como acontece no jogo. O Maior erro dessa adaptação é justamente trazer um foco maior na humanização dos personagens, como se precisássemos se identificar com o casal para assim conseguir sentir a dor de ambos e se importar com eles. Eu preciso ressaltar aqui que estamos falando da adaptação de uma das maiores franquias do "Survival Horror" da história dos videogames e não de um filme romântico qualquer. E digo isso justamente pelo caminho que o roteiro seguiu ao decidir trazer o foco maior em um melodrama romântico sem o menor cabimento possível. Temos algumas cenas entre o James e a Mary que é um verdadeiro melodrama barato que supera qualquer novela mexicana - é um absurdo!

O que decidiram fazer com a Mary soa ainda mais absurdo quando ela passa a agir como vítima daquela seita, onde a própria afirma para o James que eles eram a sua família porque a acolheram após a morte de seu pai. E o pior ainda é a forma como o roteiro coloca os personagens coadjuvantes como uma espécie de extensão da Mary, como no caso da Laura e da Angela, algo completamente absurdo em relação ao jogo.
A jovem atriz Evie Templeton, que já havia dublado a personagem Laura no remake de 2024, agora interpreta a mesma personagem no filme. No jogo a Laura é uma criança rebelde órfã que sempre age fazendo suas artes com o James. Já no filme ela é tratada como uma espécie de criatura, ou entidade, que serve como uma manifestação de pesadelo controlada pela cidade de Silent Hill - bizarro!
A personagem Angela no jogo é uma jovem que foi para Silent Hill procurar sua mãe desaparecida, mas depois descobrimos que ela fugiu de casa por sofrer abusos sexuais e apresentar tendências suicidas. No filme ela nada mais é do que uma extensão dos sofrimentos da Mary, ou seja, ela perde a sua história pessoal do jogo para se tornar um representação dos abusos e sofrimentos da própria Mary.
O mesmo vale para a personagem Maria, que no jogo ela é uma manifestação sobrenatural criada por Silent Hill na mente do James, onde ele baseia os seus desejos mais carnais sobre Mary, ou seja a Maria é a figura da Mary viva mais sexy e atraente para o James. Já no filme a Mary e a Maria são essencialmente a mesma pessoa mas com a mudança que ela agora é ligada a tal seita. Pelo menos o figurino da Maria no filme é bem fiel ao figurino da Maria do Remake. E vale ressaltar que a atriz Hannah Emily Anderson interpreta a personagem Mary, a Maria e a Angela, o que eu achei uma decisão bem grotesca, a começar pela figura da própria Mary e Maria, que de cara já entrega tudo e meio que retira o peso daquela virada na trama pra quem já conhece história. Ou não também, a essa altura tanto faz!

Agora o que fizeram com o personagem Eddie Dombrowski (Pearse Egan) é o maior absurdo desse filme, algo completamente inaceitável e repudiante para nós fãs. No jogo Eddie é uma pessoa complexa, traumática, com sérios problemas psicológicos, que sofreu traumas e bullying pela sua aparência e seu peso, e com o passar do tempo ele vai perdendo a sua sanidade e se transforma em um assassino que mata todo mundo que rir dele. Tanto é que no jogo o Eddie serve como uma espécie de espelho obscuro do próprio James, ele tem um arco pessoal muito importante para o desenvolvimento da história, sendo um antagonista e se transformando em um dos Boss final do jogo. Já no filme o Eddie aparece unicamente como uma obrigação do roteiro para que os fãs do jogo vissem que ele estava presente na trama. Ou seja, o Eddie no filme tem um tempo de tela ridículo, está completamente perdido na trama, nem chega a confrontar o James como faz diversas vezes no jogo, apenas se mostra como um personagem assustado pelas criaturas e do nada é limado completamente da história e nunca mais aparece - absurdo! - Grotesco!

"Return to Silent Hill" tem sérios problemas com o CGI, isso é muito perceptível em várias cenas. Inclusive aquela barba que colocaram no Jeremy Irvine chega a dar vergonha alheia do quanto ficou ridículo. No entanto, aos trancos e barrancos, o Longa-metragem conseguiu superar o seu orçamento de US$ 23 milhões atingindo uma bilheteria mundial de US$ 47,9 milhões. O que não é assim considerado um grande resultado financeiro em relação a sua receita inicial nos dias de hoje.

No mais, após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna para a franquia "Silent Hill" trazendo um filme que para quem é fã do jogo poderá se agradar nos quesitos técnicos como cenários, personagens, criaturas lendárias, ambientação, clima, fotografia e trilha sonora, que de fato estão muito fiéis ao jogo, isso é inegável. Porém, no quesito enredo e fidelidade com a essência da história já eternizada no jogo, este filme chega a ser um insulto e um completo desrespeito para com o universo de "Silent Hill 2".

- 11/07/2026

editado
  • Filmow 1 mês atrás

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    Olá, cinéfilo!

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    Bons filmes!
    Equipe Filmow

  • Josy de Paulo 4 meses atrás

    AHSUASHUASUA
    O coitado do meu skoob está largados as traças kkk
    https://www.skoob.com.br/pt/user/67bd0e1970c4abc337704123/bookshelf?filter=read&page=1

  • Fabio Kowalski 1 ano atrás

    qualquer coisa estamos ai, escreva, dois ombros suportam o peso melhor meu caro