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Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno (Return to Silent Hill) 2026
"Return to Silent Hill" é escrito e dirigido por Christophe Gans (diretor e roteirista do excelente "O Pacto dos Lobos", de 2001) com roteiro de Sandra Vo-Anh (roteirista de "A Bela e Fera, de 2014) e Will Schneider (roteirista de "O Corvo", de 2024). O longa-metragem é baseado e inspirado no jogo de videogame da Konami de 2001, "Silent Hill 2", e segue como o terceiro filme da franquia "Silent Hill" e ainda pode ser considerado como um reboot. O filme acompanha James Sunderland (Jeremy Irvine), um homem atormentado e consumido pelo luto após a perda do seu grande amor, Mary (Hannah Emily Anderson). Ao receber uma carta misteriosa dela, ele retorna à enevoada cidade de Silent Hill. Lá, o que antes parecia ser uma cidade familiar, agora o obriga a encarar e enfrentar forças demoníacas, o que acaba por desvendar verdades aterrorizantes e uma verdadeira luta para manter a sua sanidade.
Antes de mais nada eu preciso contextualizar que eu sou uma pessoa completamente viciada em videogames desde os meus 10 anos de idade. Dito isto, "Silent Hill" é uma das minhas franquias de jogos da vida, o que obviamente fez eu conhecer e entender tudo do universo "Silent Hill" e consequentemente já ter jogado e terminado todos os títulos da franquia existentes até hoje. Eu joguei e terminei o "Silent Hill 2" no Playstation 2 algumas vezes, assim como terminei a versão do Xbox 360 de "Silent Hill HD Collection", que inclui uma versão do "Silent Hill 2", e no ano passado eu terminei o mais recente e excelente Remake oficial no Playstation 5.
Quando foi lançado "Terror em Silent Hill" lá em 2006, eu fiquei em êxtase para conferir o que até então era o primeiro filme da minha amada série de jogos (me lembro de ter assistido exatamente no dia da sua estreia, 18 de Agosto de 2006). Este primeiro filme é dirigido justamente pelo próprio Christophe Gans, e na época eu adorei o filme. "Terror em Silent Hill" é baseado no primeiro jogo, lançado em 1999, e na minha opinião é um bom filme que traz uma adaptação bastante fiel até. O maior problema do filme é a mistura de personagens e acontecimentos que o diretor decide fazer, o que acaba mudando algumas partes da história original do jogo. Mas por outro lado temos bastante fidelidade nos personagens, nos cenários, no clima e na trilha sonora original. Já em 2012 tivemos "Silent Hill: Revelação", dessa vez dirigido por M.J. Bassett, que adapta de forma muito vaga algumas partes do enredo de "Silent Hill 3", lançado em 2003. Este filme já apresenta muitos problemas em relação ao roteiro adaptado, personagens, acontecimentos e principalmente mudanças significativas na história em relação ao jogo.
Após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna com "Return to Silent Hill" que traz uma adaptação justamente do segundo jogo da franquia que ainda não tinha sido adaptado. Como recentemente eu joguei o "Silent Hill HD Collection" e o Remake, então toda a história de "Silent Hill 2" está bastante fresca em minha memória, ou seja este era o momento exato para assistir "Return to Silent Hill".
Como um fã do segundo jogo eu gostei daquele cenário inicial, pois é exatamente o mesmo cenário do jogo, com o James andando no local, indo até o banheiro desativado e se olhando no espelho. Logo após o James desce a escadaria e chega até o cemitério, onde ele encontra a Angela (Hannah Emily Anderson). Logo após a conversa com a Angela ele segue andando e chega na cidade de Silent Hill, tudo bastante fiel ao jogo. Já por outro lado aquele flashback inicial do James chegando no local, conhecendo a Mary, e toda a sequência a partir dali não faz o menor sentindo. Ou seja, já no início do filme o diretor e roteiristas já mostraram o que pretendiam fazer com a história do jogo.
Os detalhes técnicos e artísticos do filme fazem toda a diferença e conta muito para a fidelidade da adaptação, como no caso dos cenários da cidade de Silent Hill, como as ruas, as lojas, o bar, o parque, o cemitério e o hospital, que estão perfeitos. Os cenários do filme mostram uma inspiração mais próxima do Remake oficial do que propriamente do jogo original. Outro ponto que conta muito para o desenvolvimento do filme é todo clima sombrio e macabro do jogo que está presente, assim como a famigerada névoa das ruas de Silent Hill e também às cinzas do incêndio. A fotografia é sensacional, pois ela dita o ritmo do filme com aqueles enquadramentos nos cenários com um tom mais morto, denso, borrado e acinzentado.
Christophe Gans transforma seu filme em um verdadeiro "Fan service", pois fora os cenários, o clima e a ambientação, temos a emblemática "Sirene", o James andando pelas ruas de Silent Hill com a barra de ferro e o icônico rádio que transmite interferências com a aproximação dos inimigos. Por outro lado em nenhum momento temos cenas com armas de fogo como no jogo. Por falar em inimigos, as famosas criaturas de Silent Hill estão presentes e são muito fiéis ao jogo, como no caso do "Sem braço" cuspindo ácido, o "Spider Mannequin", as "Enfermeiras", o Boss "Flesh lip" e o lendário "Pyramid Head". Em questão de personagens do jogo eles estão presentes, assim como o próprio James e a Mary, temos a Angela, a Maria, a Laura e o Eddie. Por outro lado temos alguns personagens insignificantes que não estão presentes no jogo.
Outro ponto bastante positivo no filme é a presença do lendário compositor Akira Yamaoka, que compôs a trilha sonora da grande maioria dos jogos da série "Silent Hill", incluindo a lendária música tema do jogo. Algumas músicas do jogo original foram usadas como música temporária durante a edição, inclusive o filme termina com uma icônica música do jogo.
No quesito técnico e artístico o diretor Christophe Gans consegue manter toda essência e toda a fidelidade do jogo "Silent Hill 2", já no quesito roteiro ele faz exatamente o que ele fez no filme de 2006, muda algumas partes da história original e coloca a sua visão em relação ao enredo do jogo. No filme o James consegue realizar ligações para sua psicanalista, sim ele tem uma psicanalista no filme, o que eu achei absurdo, mas ok, eu tinha certeza que o diretor iria querer colocar atitudes que humanizasse mais o James do filme em relação ao James do jogo. O jogo "Silent Hill 2" possui um terror psicológico sobrenatural que traz um foco no luto, no remorso e na culpa pessoal do James como uma manifestação psicológica dos traumas reprimidos dele em relação a sua atitude perante a sua amada Mary. Já no filme temos elementos que introduz uma espécie de seita como a responsável por todos os acontecimentos, e ainda colocando o pai da Mary como o grande mentor por trás desse culto satânico enquanto ainda estava vivo.
O remake de "Silent Hill 2" possui 8 finais, já no jogo clássico temos 6 finais. No final "In Water" mostra toda a dor e todo o sofrimento do James devido a doença terminal da Mary, o que mostra que a Mary não morreu no hospital pela sua doença mas sim pelas mãos do próprio James, que se viu incapaz de ver a sua amada sofrer e agindo por misericórdia, por frustração e exaustão ele a mata (como uma eutanásia) sufocando com um travesseiro. Movido pela dor da perda, pelo trauma e pelo luto, James decide tirar sua própria vida se afogando no lago Toluca ao lado do corpo da sua amada. Este é o peso emocional e espiritual do James no jogo, já no filme temos uma espécie de redenção, de humanização do James em relação a sua esposa, algo como se ele tivesse apenas deixado ela ir resolver seus problemas em Silent Hill. Esta é a forma que o filme apresenta a Mary, como uma espécie de vítima daquela seita, uma vez que no jogo temos a figura da Mary como frágil e vulnerável, que sofreu e morreu por causa da sua doença. No filme até temos a cena em que o James mata a Mary asfixiada e depois se joga com o carro com o corpo dela no lago Toluca, mas tudo é feito de forma leve, rasa, genérica, sem aquele peso e aquela dor, algo como apenas uma obrigação.
O jogo "Silent Hill 2" é emblemático justamente por apresentar uma gameplay acompanhada de um ritmo lento, mórbido, introspectivo, onde convivemos com a solidão, o mistério e principalmente o terror psicológico. Já no filme o que temos é uma narrativa autoexplicativa que de cara já entrega absolutamente tudo, sem deixar o espectador ser forçado a entender e juntar as peças desse quebra-cabeça justamente como acontece no jogo. O Maior erro dessa adaptação é justamente trazer um foco maior na humanização dos personagens, como se precisássemos se identificar com o casal para assim conseguir sentir a dor de ambos e se importar com eles. Eu preciso ressaltar aqui que estamos falando da adaptação de uma das maiores franquias do "Survival Horror" da história dos videogames e não de um filme romântico qualquer. E digo isso justamente pelo caminho que o roteiro seguiu ao decidir trazer o foco maior em um melodrama romântico sem o menor cabimento possível. Temos algumas cenas entre o James e a Mary que é um verdadeiro melodrama barato que supera qualquer novela mexicana - é um absurdo!
O que decidiram fazer com a Mary soa ainda mais absurdo quando ela passa a agir como vítima daquela seita, onde a própria afirma para o James que eles eram a sua família porque a acolheram após a morte de seu pai. E o pior ainda é a forma como o roteiro coloca os personagens coadjuvantes como uma espécie de extensão da Mary, como no caso da Laura e da Angela, algo completamente absurdo em relação ao jogo.
A jovem atriz Evie Templeton, que já havia dublado a personagem Laura no remake de 2024, agora interpreta a mesma personagem no filme. No jogo a Laura é uma criança rebelde órfã que sempre age fazendo suas artes com o James. Já no filme ela é tratada como uma espécie de criatura, ou entidade, que serve como uma manifestação de pesadelo controlada pela cidade de Silent Hill - bizarro!
A personagem Angela no jogo é uma jovem que foi para Silent Hill procurar sua mãe desaparecida, mas depois descobrimos que ela fugiu de casa por sofrer abusos sexuais e apresentar tendências suicidas. No filme ela nada mais é do que uma extensão dos sofrimentos da Mary, ou seja, ela perde a sua história pessoal do jogo para se tornar um representação dos abusos e sofrimentos da própria Mary.
O mesmo vale para a personagem Maria, que no jogo ela é uma manifestação sobrenatural criada por Silent Hill na mente do James, onde ele baseia os seus desejos mais carnais sobre Mary, ou seja a Maria é a figura da Mary viva mais sexy e atraente para o James. Já no filme a Mary e a Maria são essencialmente a mesma pessoa mas com a mudança que ela agora é ligada a tal seita. Pelo menos o figurino da Maria no filme é bem fiel ao figurino da Maria do Remake. E vale ressaltar que a atriz Hannah Emily Anderson interpreta a personagem Mary, a Maria e a Angela, o que eu achei uma decisão bem grotesca, a começar pela figura da própria Mary e Maria, que de cara já entrega tudo e meio que retira o peso daquela virada na trama pra quem já conhece história. Ou não também, a essa altura tanto faz!
Agora o que fizeram com o personagem Eddie Dombrowski (Pearse Egan) é o maior absurdo desse filme, algo completamente inaceitável e repudiante para nós fãs. No jogo Eddie é uma pessoa complexa, traumática, com sérios problemas psicológicos, que sofreu traumas e bullying pela sua aparência e seu peso, e com o passar do tempo ele vai perdendo a sua sanidade e se transforma em um assassino que mata todo mundo que rir dele. Tanto é que no jogo o Eddie serve como uma espécie de espelho obscuro do próprio James, ele tem um arco pessoal muito importante para o desenvolvimento da história, sendo um antagonista e se transformando em um dos Boss final do jogo. Já no filme o Eddie aparece unicamente como uma obrigação do roteiro para que os fãs do jogo vissem que ele estava presente na trama. Ou seja, o Eddie no filme tem um tempo de tela ridículo, está completamente perdido na trama, nem chega a confrontar o James como faz diversas vezes no jogo, apenas se mostra como um personagem assustado pelas criaturas e do nada é limado completamente da história e nunca mais aparece - absurdo! - Grotesco!
"Return to Silent Hill" tem sérios problemas com o CGI, isso é muito perceptível em várias cenas. Inclusive aquela barba que colocaram no Jeremy Irvine chega a dar vergonha alheia do quanto ficou ridículo. No entanto, aos trancos e barrancos, o Longa-metragem conseguiu superar o seu orçamento de US$ 23 milhões atingindo uma bilheteria mundial de US$ 47,9 milhões. O que não é assim considerado um grande resultado financeiro em relação a sua receita inicial nos dias de hoje.
No mais, após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna para a franquia "Silent Hill" trazendo um filme que para quem é fã do jogo poderá se agradar nos quesitos técnicos como cenários, personagens, criaturas lendárias, ambientação, clima, fotografia e trilha sonora, que de fato estão muito fiéis ao jogo, isso é inegável. Porém, no quesito enredo e fidelidade com a essência da história já eternizada no jogo, este filme chega a ser um insulto e um completo desrespeito para com o universo de "Silent Hill 2".
- 11/07/2026
🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Handmaid's Tale / O Conto da Aia (6ª Temporada) 2025
"The Handmaid's Tale" foi uma série que assim que eu conheci eu me apaixonei imediatamente, foi aquele típico amor a primeira vista (ou a primeira assistida).
Contextualizando:
A primeira temporada é para mim a melhor temporada de toda a série, e muito por ser aquela temporada inicial que já chega com o pé na porta, que já mostra a que veio, que já entrega um nível altíssimo dos acontecimentos que viriam a ser os maiores destaques de toda a série. A primeira temporada é a temporada mais pesada, cruel, dolorosa e consequentemente a mais revoltante de toda a série. E muito por ser a temporada de maior suspense, de maior tensão, que mostra de fato o terror que as "AIA" eram subjugadas a passarem.
A segunda temporada é incrível, ela mantém o mesmo nível da primeira e continua desafiando a nossa mente e a nossa crença com os feitos que acontecem no decorrer da história. Nessa temporada temos os bizarros 'estupros ritualizados', o que levou Offred (Elisabeth Moss) a engravidar. É nessa temporada que a Offred começa a sair do modo defesa e submissão para o modo ataque. A temporada foca ainda mais na posição da mulher na sociedade, a submissão pela qual elas são obrigadas a passarem, em como o machismo e o extremismo está incrustado na sociedade como um todo.
Pela primeira vez na série temos uma temporada um pouco abaixo das duas anteriores. A terceira temporada de "The Handmaid's Tale" é notavelmente mais fraca por ser uma temporada que não caminha, que não engrena, que estaciona nos temas já discutidos anteriormente e embarriga em alguns episódios. Por outro lado em questões de personagens temos algumas evoluções bem dignas e surpreendentes; como no caso daquele arco pessoal da Tia Lydia (Ann Dowd), que nos traz revelações fantásticas.
O que aconteceu na terceira temporada da série volta a acontecer na quarta, que é a série dar mais uma caída em relação as duas primeiras temporadas. Ou talvez as duas primeiras terem sido temporadas tão estratosféricas, que elevou muito o nível da série, que a partir da terceira em diante a série apenas continuou em seu ritmo normal mas inevitavelmente muito abaixo das duas primeiras. Essa temporada é a primeira que a June (Elisabeth Moss) consegue finalmente deixar Gilead. Acho que até por isso eu esperava uma temporada mais avassaladora nesse quesito. Esta também foi uma temporada que eu comecei a ter alguns probleminhas com alguns personagens. De fato as temporadas 1 e 2 são o ápice da série, as verdadeiras obras-primas de "The Handmaid's Tale". Pois é muito claro como as temporadas 3 e 4 estão abaixo delas, não são temporadas ruins, longe disso, mas de fato são mais fracas.
Curiosamente a quinta temporada de "The Handmaid's Tale" volta ao eixo, ganha novos ares, novos rumos, novos ritmos, um novo fôlego, onde consequentemente a coloca acima das temporadas 3 e 4. O acontecimento com o Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes) ao final da temporada 4 conta muito para o início dessa, pois a temporada é movida pela sede de justiça por parte de June e o desejo de vingança por parte da Serena (Yvonne Strahovski). Esta temporada consegue voltar a sua grandeza em relação as primeiras temporadas justamente por nos passar este sentimento de ódio e justiça sendo descaracterizado e desconstruído na personagem Serena juntamente ao lado da própria June.
No final da minha análise da quinta temporada de "The Handmaid's Tale" escrita lá em novembro de 2022 eu disse:
"Será que Serena Waterford merece nosso perdão? Será que ela merece uma segunda chance? Será que somos capazes de passar por cima de tudo que ela fez contra June enquanto era coagida (ou não) pelo seu marido? Eu acredito na redenção da Serena e em uma possível aliança com a June para acabar com o regime totalitarista e perverso da República de Gilead. Agora se elas vão se tornar amigas além de aliadas, bem...isso só a sexta temporada poderá nos dizer."
Eu realmente acreditava nisso que eu escrevi, eu realmente apostava que a Serena iria se unir com a June (não que fossem virar amigas) para acabar com tudo referente a República de Gilead, ou Nova Belém, ou qualquer governo voltado para esta corja. Hoje eu vejo que eu estava sendo muito otimista no final da quinta temporada, acho que eu me deixei levar pela emoção/comoção da última cena do encontro da June com a Serena no trem, ambas com seus filhos. Eu realmente fui muito inocente e a Serena conseguiu me enganar mais uma vez.
E realmente a sexta temporada inicia justamente com esta sensação, ao novamente retornar na cena do trem de refugiados no encontro entre June e Serena. A partir daí temos a cena em que e June ajuda a Serena a saltar do trem na fuga por ter sido descoberta a sua verdadeira identidade no local. A sexta temporada de "The Handmaid's Tale" é focada naquela sede por justiça e vingança da June para finalmente derrotar Gilead. Por outro lado temos Luke e Moira (O. T. Fagbenle e Samira Wiley) lutando ao lado da June na resistência do regime. Para minha surpresa (ou não) a Serena novamente se junta à corja do império totalitarista para tentar reformar a República de Gilead. Já o Comandante Joseph Lawrence (Bradley Whitford) e a tia Lydia (Ann Dowd) passam por uma síndrome de autojulgamento ao reconhecerem grande parte de tudo de ruim que fizeram ao longo de suas vidas miseráveis. Já o Comandante Nick Blaine (Max Minghella) confirma o que eu sempre desconfiei dele em toda a série; em se tornar aquela incógnita, aquele ser que foi escanteado, onde parece que sua presença já não era mais necessária na história, ou talvez ele ainda fizesse alguma diferença somente para a June.
Como um todo eu vejo que a sexta temporada teve alguns problemas, alguns erros, algumas tomadas de decisões questionáveis, alguns fechamento de histórias de personagens muito corridos e sem muita coerência. Na minha opinião esta temporada foi vendida como a temporada de fechamento onde iria acontecer a grande revolução tão esperada durante toda a série, e não foi bem isso que aconteceu. Pois até a metade da temporada tivemos episódios mais fracos, aqueles episódios que só serviam para contextualizar toda a história que já conhecemos; como o embate da república no Canadá, o encontro da June com sua mãe (que sim, foi emocionante), o embate da Moira e do Luke contra o regime, toda história cansativa da Serena em retornar ao governo e até se casar novamente. Ou seja, podem até ser episódios necessários, mas que não faziam a história andar, poderia até agregar mas não engrenava.
Os próprios trailers da sexta temporada sempre enfatizava a grande guerra e a grande revolução, algo que aconteceu mais no penúltimo episódio, e pra mim o melhor episódio da temporada. Pois até ali tivemos episódios mais focados em ideias do que a execução de tais ideias. A temporada como um todo teve episódios fracos que facilmente poderiam serem retirados da história, mas por outro lado estes próprios episódios estavam tentando construir o terreno para o grande embate do episódio 9. Acredito que a temporada poderia ter sido encurtada, ou talvez eles esticarem a guerra em mais episódios, realmente fica difícil apontar o caminho certo a seguir e o que daria certo ou não.
Falando do final do elenco e personagens:
Elisabeth Moss sempre deu o seu melhor na pele da icônica June Osborne, isso era inegável. Mas me parece que nessa sexta temporada ela já se mostrava um pouco cansada da personagem, ou talvez a sua atuação na personagem já não tinha mais para onde caminhar, fiquei com esta sensação. Mas no geral a Moss sempre entregou o suprassumo da sua atuação e interpretação em "The Handmaid's Tale".
Eu aplaudo de pé a Yvonne Strahovski em "The Handmaid's Tale", pois em todas as temporadas ela sempre me enganava, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. A Serena passou a série inteira sendo aquela personagem ame ou odeie, e nessa última temporada não foi diferente. O final dela ficou bom, ela realmente mostrou para todos que desde o começo ela queria unicamente o dom da maternidade, por mais que ela usasse seus métodos contestáveis. Ao lado da June e da Janine (Madeline Brewer), elas três são as minhas personagens preferidas de toda a série.
Ann Dowd em toda a série conseguiu o mesmo efeito da Yvonne Strahovski, que era compor uma personagem ame ou odeie. A tia Lydia nas primeiras temporadas era impossível não odiá-la, porém com o passar do tempo e das temporadas vamos observando os seus arcos pessoais, vamos tentando entender a motivação da personagem, e no fim ela tem a sua redenção e o seu julgamento que lhe coube.
Acho que o mesmo eu posso destacar do grande Bradley Whitford com seu repugnável Comandante Joseph Lawrence. Joseph foi um personagem que sempre tive um pé-atrás, que nunca confiei em seus discursos, tanto para a June, quanto para a Serena e principalmente para o Nick. No fim eu vejo que o Joseph sempre tentou fugir do inevitável, sempre tentou não ser aquele vendido pelo sistema, mas que o próprio sistema deu o seu fim na série. Ele merecia aquele fim? Fica ai o questionamento.
Por falar em final triste na série, temos o inigualável Max Minghella com seu Comandante Nick Blaine. O Nick é aquele personagem que você desconfia no início, começa a achar interessante na sequência, quando ele se envolve e até ajuda a June você começa a se apegar a ele, e logo ele passa aquela sensação de se vender para o sistema para conquistar cargos e funções maiores e de mais credibilidade em Gilead. O Nick sempre foi um personagem difícil e até questionável na série, mas uma coisa que não podemos negar era o fato que ele realmente gostava e se importava com a June. No fim eu acho que a série nunca ajudou o personagem, de fato ele nunca teve um grande espaço e até uma certa relevância dentro de toda a história, e no fim ele não merecia aquele final. Fica aí mais um questionamento.
Madeline Brewer com sua Janine sempre me conquistou e sempre me fez se importar com ela em todas as temporadas. Acredito que a Madeline também sofreu o que vários atores e atrizes sofreram durante toda a série, que foi o curto tempo de tela para o seu desenvolvimento no personagem. E até entendo, visto que a série era recheada de grandes personagens, fatalmente não iria sobrar espaços para todos. Mas eu sempre adorei a Janine, e vê-la recebendo a sua própria filha de volta me deixou com um nó na garganta ao mesmo tempo que senti um extremo sentimento de realização da personagem.
Por falar em tempo de tela dos personagens, temos o O. T. Fagbenle e a Samira Wiley. O personagem Luke sempre foi mais escanteado na série em quase todas as temporadas, mas nessas duas últimas ele ganhou mais importância e consequentemente mais relevância na história, até pelos embates criados entre ele e a June, que no fim já nem eram mais um casal como no início. Já a Moira também sempre foi escanteada, porém especificamente nessa temporada ela tem uma ótima participação e importância para todo o contexto da trama ali junto com a June.
Amanda Brugel sempre com ótimas contribuições em sua personagem Rita, isso desde o início da série.
Já o Sam Jaeger com seu personagem Mark Tuello ganhou bastante importância e notoriedade nessas duas últimas temporadas.
Boa temporada também da Ever Carradine como Naomi Putnam.
E por fim mas não menos importante, temos a volta da incrível Alexis Bledel como Emily Malek, que havia deixado a série. Poder vê-la novamente ao lado da June me trouxe de volta lembranças da incrível primeira temporada da série.
Por fim:
A sexta e última temporada de "The Handmaid's Tale" é boa, é digna, por mais que apresente alguns problemas no caminho, mas ainda assim tivemos fechamentos de algumas histórias, de alguns personagens e tivemos finais em abertos em outros, como no caso da própria June. A parte final da June revisitando a casa dos Waterford, onde ela viveu e sofreu todas as torturas lá no início, é completamente cinema. Toda sequência dessa cena é bastante emotiva, é bastante comovente, mexe com a gente que viveu e acompanhou toda essa sua trajetória para chegar até aonde ela chegou, e terminar dessa forma que ela terminou, sem conseguir de volta o seu principal objetivo na vida é ainda mais pesado e difícil, que era ter de volta a sua filha Hannah (Jordana Blake).
A história principal de "The Handmaid's Tale" chega ao seu final, mas o universo da série continuará a partir dos spin-offs "Os Testamentos: Das Filhas de Gilead".
E aqui eu me despeço de mais uma série que marcou a minha vida cinéfila. De uma série que eu aprendi a amar desde o lançamento do primeiro episódio da primeira temporada. "The Handmaid's Tale" ficará para sempre em minha memória marcada como uma das melhores séries que eu já acompanhei na vida.
A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!⭐⭐⭐⭐⭐
- 24/06/2026
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qualquer coisa estamos ai, escreva, dois ombros suportam o peso melhor meu caro
Stranger Things (5ª Temporada) 2025
A quinta e última temporada de "Stranger Things" foi lançada pela Netflix em dois volumes e o episódio final. O primeiro volume, com quatro episódios, foi lançado em 26 de novembro de 2025, o segundo volume, com três episódios, foi lançado em 25 de dezembro, e o episódio final foi lançado em 31 de dezembro.
"Stranger Things" foi uma série em que eu aprendi a amar desde o primeiro contato. A série logo me ganhou pelo charme transístico dos anos 80, com aquela história típica que se passa em uma pacata cidadezinha norte americana. E por falar na década de 1980, "Stranger Things" é o puro suco das lendárias produções oitentistas, do puro Sci-Fi estilo anos 80, com inúmeras referências da época, que vai desde os cenários, figurinos, fotografia e principalmente a trilha sonora. Este é o cenário que se inicia a primeira temporada com boas doses de terror, ficção, drama, fantasia, suspense e claro, o humor. Sem falar que a série começa com uma abordagem sobre o drama familiar, o bullying voltado para o núcleo infanto-juvenil, as crises, os traumas, as decepções e a corrupção que assola o governo americano em volta de toda experiência laboratorial com cobaias humanas.
A série continua impecável em sua segunda temporada por conseguir manter a essência, o ritmo e todo o clima da primeira. Esta temporada nos insere ainda mais na complexidade da mente humana acerca dos transtornos mentais, ao nos fazer refletir em como as nossas fraquezas e os nossos medos podem se virar contra nós. E muito dessa reflexão tiramos justamente do personagem Will (Noah Schnapp). Sem falar que é nessa temporada que temos a chegada de uma personagem extremamente importante e querida em toda a série, Max (Sadie Sink).
A terceira temporada continua inserida na essência oitentista, continua trazendo inúmeras referências da cultura pop dos anos 80. Porém, dessa vez temos uma temporada mais leve, mais cômica, a que chega mais perto de uma comédia oitentista. Esta é uma temporada onde o elenco "infanto-juvenil" já estão bem crescidos, e junto com este crescimento eles passam a ter outras preocupações e outros objetivos. Por outro lado esta temporada mostra uma Hawkins ainda mais envolvida em novas experiências do governo, onde temos praticamente uma invasão russa na cidade.
A quarta temporada de "Stranger Things" é excelente, facilmente uma das melhores temporadas de toda a série. Pois temos novos personagens e um novo vilão que deu novos ares, uma nova cara, um novo fôlego e um novo rumo para a série. Um dos pontos mais positivos dessa temporada está exatamente no novo vilão - Vecna (Jamie Campbell Bower), o Mago das Trevas. Achei uma ideia genial deixar um pouco de lado o Devorador de Mentes e focar a temporada inteira na construção e no desenvolvimento de um novo vilão. Por falar em Vecna, a forma como ele ataca e mata as sua vítimas é completamente bizarro e assustador, o que deu um ar e um clima ainda mais sombrio e aterrorizante para a temporada. Esta temporada tem seu lado mais pesado dramaticamente, com fortes revelações e com alguns arcos pessoais bastante importantes para a história. O nono episódio facilmente classifico como o melhor episódio da quarta temporada, o melhor episódio de toda a série "Stranger Things" e um dos melhores episódios de uma série que eu já assisti na vida. Todos os acontecimentos que envolvem este episódio com 2h22m é completamente surreal, avassalador, emocionante e fantástico.
E por fim, depois de longos anos, chegamos na quinta e última temporada de "Stranger Things".
Falar da quinta temporada não é algo fácil para quem é fã da série, até porque o quanto eu esperei e criei expectativas. Porém, na minha opinião o principal vilão dessa quinta temporada é o longo tempo de espera, o grande hiato entre a temporada 4 e 5, o que foram longos 3 anos e 5 meses de intervalo. E aqui podemos entender (e não aceitar) todos os problemas que a série atravessou nesse longo caminho até a chegada dessa última temporada. Por exemplo: tivemos duas grandes paralisações na indústria de entretenimento, a famigerada greve em Hollywood, o que levou a paralisação total das gravações. Já nas partes técnicas, os os irmãos Duffer relataram o envolvimento direto em supervisão e direção de cada episódio, acompanhando de perto cada edição, cada montagem, dando ênfase nos mínimos detalhes da produção. Consequentemente os longos episódios exigiram ainda mais da pós-produção em relação a filmagem, corte, mixagem e edição, e ainda mais considerando toda imposição colocada pelos showrunners da série.
Fato é, eu poderia passar horas aqui pesquisando e escrevendo sobre os vários motivos que fizeram a quinta temporada de "Stranger Things" demorar tanto tempo para acontecer. Ainda assim nada seria suficiente para amenizar, ou explicar, o que de fato deu tanto errado na temporada final de uma das melhores séries da minha vida, e que eu esperei uma temporada com um final apoteótico. Por outro lado podemos considerar que se os irmãos Duffer acompanharam assim de tão perto os mínimos detalhes, o que esperávamos era uma temporada final épica, até porque foram anos trabalhando em um material que eles já dominavam há muito tempo, que já eram expert no assunto, era só entregar o que já sabiam e o que todos nós almejávamos. Todavia não foi isso que aconteceu, a temporada final de "Stranger Things" é cercada por tantos problemas que chega a ser assustador o que foi entregue para nós.
Vamos ser sinceros aqui, todos nós sabemos que eles perderam a mão, e isso não é uma opinião é um fato. Parece que quanto mais eles tinham tempo para desenvolver o enredo da temporada pior ela ficava. O final da quarta temporada preparou todo o terreno para a quinta chegar e reinar em um final marcante e apoteótico. Para começar esta temporada perdeu completamente o clima de terror e suspense e focou inteiramente em uma ação desenfreada. Todo aquele clima pesado, sombrio, tenso, mórbido e aterrorizante dos ataques do Vecna foram amenizados e praticamente esquecidos. Sem falar que os próprios ataques eram em sua grande maioria simples e sem nenhum terror. Outro ponto completamente banalizado nessa temporada, o terror e o suspense psicológico, que sempre foram marcas registradas da franquia, aqui foram suavizados e esquecidos, principalmente no personagem Will. As temporadas anteriores tinham terror, tensão e suspense, principalmente o terror psicológico, e aqui foram completamente eliminados dando espaço somente para a ação.
O ritmo da temporada é muito acelerado, o que acaba nos passando um senso de urgência nos acontecimentos sem nenhum peso e sem nenhuma identificação com o espectador como acontecia antes. E aqui vale ressaltar que a temporada teve apenas 8 episódios em sua grande maioria longos, o que já é de praxe, e o último com praticamente 2h de duração. Eu achei que deveria ser uma temporada maior, com mais episódios, até para desenvolver melhor a história e principalmente o final, mais precisamente o embate final. Dessa forma teríamos uma temporada final mais abrangente, mais detalhada, dando espaço para desenvolver melhor os personagens e seus arcos pessoais, sem aquele senso de urgência, sem aquela correria que a temporada entregou. Por outro lado é notável a questão de parecer que todos já estavam de saco cheio e só queriam dar um fechamento para a série e cada um seguir o seu caminho.
Como a temporada é corrida e os acontecimentos são muitos, não temos tempo para desenvolver e construir nada. Ou seja, perderam o timing do elenco na questão da passagem em relação a adolescência de cada um, até pelo longo tempo entre as temporadas e no geral como um todo nesses quase 10 anos de série. O elenco em si eu amo de paixão, mas como eu achei tudo muito corrido eu não consegui ter aquela empatia com cada um como eu tinha anteriormente. É tudo muito rápido, quando você está dentro do acontecimento de um do nada você já está no acontecimento do outro, dessa forma você não consegue criar conexão com ninguém, fica tudo muito raso e muito vago, falta emoção.
Porém: uma das que mais me incomodou foi a Millie Bobby Brown. E aqui eu não quero julgar se foi ela que decidiu atuar assim, ou se de repente foram ordens superiores, mas fato é que ela está o tempo todo no automático, sem aquele envolvimento que ela tinha antes. É muito notável que falta emoção em sua atuação, parece que ela não estava se importando muito e só queria terminar logo as gravações.
O Will eu achei muito bom nas partes que ele também conseguia demonstrar os seus poderes igual a Onze, quero dizer na sua forma de caracterização. Por outro lado ele parecia estar mais preocupado com a sua aceitação como ele era do que de fato estava acontecendo ao seu redor.
O Dustin (Gaten Matarazzo) estava ok, ainda sentindo muito a morte do Eddie (Joseph Quinn), e parecia que ele estava lutando exatamente por essa causa o tempo todo.
O Mike (Finn Wolfhard) bem abaixo das temporadas passadas, melhorou mais no último episódio com os acontecimentos da Onze.
O mesmo vale para o Lucas (Caleb McLaughlin), que só cumpre o seu papel no grupo. E aqui vale ressaltar que diminuíram muito a sua importância com relação a Max, até pela forma como a Max passou da temporada 4 pra 5.
Já a Max é totalmente subaproveitada na temporada, ficando mais no destaque com as cenas com a Holly (Nell Fisher), que na minha opinião são cenas desnecessárias como um todo.
Já a presença da Holly eu gostei, acho que casou com o que a trama pedia naquele momento, e vale destacar que a atriz Nell Fisher é nova e já é muito boa.
A Nancy (Natalia Dyer) é uma personagem que eu adoro desde a sua primeira aparição na série, e aqui eu vi muitas pessoas julgando a sua participação na temporada, por ela estar quase o tempo todo como uma guerrilheira. Eu até acho que fez sentido pela forma como ela poderia de fato ajudar, mas eu entendo que aquela skin de Sarah Connor dela ficou até exagerada em algumas cenas.
E por falar em Sarah Connor, temos a presença ilustre de ninguém menos que a poderosa Linda Hamilton na temporada. Ela traz uma personagem bastante curiosa.
Jonathan Byers (Charlie Heaton) e Steve Harrington (Joe Keery) foram dois personagens completamente prejudicados pelo roteiro, ficando quase que apenas no papel de ambos se exibirem e cortejarem a atenção da Nancy - uma pena!
Eu sempre gostei da Robin Buckley (Maya Hawke), ela sempre está muito bem em suas apresentações, como acontece aqui. Ela tem uma veia para a atuação que é invejável, ainda mais tendo o pai e a mãe que ela tem.
A Erica (Priah Ferguson) é outra personagem completamente esquecida na temporada, ela está ali apenas cumprindo seu contrato mesmo.
Já o casal Joyce e Hopper (Winona Ryder e David Harbour) fazem o que sabem de melhor, fazem o que esperávamos e tem o final que também esperávamos.
Sobre o personagem do Jamie Campbell Bower eu preciso puxar o gancho do que foi aquele embate final contra o Vecna.
Eu não vou negar que eu gostei muito da forma como foi desenvolvida a guerra final, com cada um fazendo a sua tarefa e todos unindo suas forças em prol da causa maior. Porém, é fato que este embate final contra o Vecna não passa nem perto do que nós imaginávamos que seria. Tudo acontece de forma muito simples e até muito fácil. O poderoso Vecna, o lendário Mago das Trevas, que controlava e se apossava da mente de todos, que tinha um exército ao seu favor, de repente está completamente sozinho na hora que ele mais precisava. Tudo bem que ele está junto com a manifestação física do "Devorador de Mentes", mas e os Demogorgons? Sumiram todos? Já na questão da atuação do Jamie, como Vecna ele está bem abaixo da temporada anterior, até porque lá ele estava impecável, já como Henry ele faz um papel bem digno.
Esta quinta temporada deixa muitas pontas soltas, muitos acontecimentos que ficamos nos perguntando o que de fato está acontecendo, por exemplo: a questão do "Mundo Invertido", que antes era um local sombrio, obscuro, que para entrar nele era algo difícil e desafiador, agora está meio que normalizado, corriqueiro, simples, onde parece não oferecer mais nenhum perigo. Aquela parte do mundo imaginário na mente do Vecna é uma parte bem questionável, pra não dizer desnecessária mesmo (como já destaquei antes). E toda aquela história do Vecna em querer unir os mundos em um só, algo como uma reformulação à sua maneira, e ainda utilizar as crianças porque as mentes delas são uma espécie de "inocência", ou algo como um ponto de ancoragem para a fusão dos mundos, é uma viagem bem excêntrica - mas ok né! Outros pontos que eu não entendi: aquela cientista que aparece na mente do Vecna em uma caverna. Aquelas mulheres grávidas. Aquele Dr. Sam Owens que apareceu no final da quarta temporada e aqui ficou em aberto. A Suzie (Gabriella Pizzolo), a namorada do Dustin, que de repente desapareceu da série. E por fim a decisão em construir aquele final para a Onze, com um final em aberto se ela ainda existe ou não, eu achei um pouco fora de tom. Na minha modesta opinião eu acho que deveriam finalizar com o sacrifício dela mesmo pela questão que ela mesmo relatou para o Mike em cena. Acho que seria mais digno e condizente para o peso da própria personagem para a história. Ou será que eles optaram por um final em aberto para construir um spin-off da Onze em um futuro dentro do universo de "Stranger Things"? A mesma pergunta também vale para aquela cena final das crianças descendo para o porão e substituindo os já adolescentes/adultos. Estariam pensando em futuros spin-off de "Stranger Things"? Eu não duvido de mais nada.
Vale mencionar que em em questões técnicas a série continua dando um verdadeiro show. Tudo dentro da série é impecável, como a direção de arte que constrói cenários exuberantes dentro do padrão da série. A fotografia é outro grande destaque da série como um todo. O mesmo vale para a trilha sonora, que encerra a temporada com grandes clássicos da música. A equipe de figurinos e maquiagens é um verdadeiro luxo, pois o que dizer daquele penteado no maior estilo anos 80 da Nancy. E eu não posso deixar de citar que os episódios 3 e 5 foram dirigidos pelo inigualável Frank Darabont, que saiu da sua aposentadoria somente para dirigir os dois episódios - fantástico! Tecnicamente e artisticamente a série "Stranger Things" como um todo é uma verdadeira obra-prima.
E por fim: finalizo afirmando que "Stranger Things" é uma série excelente, uma obra-prima, que soube se reinventar e nos levar ao verdadeiro mergulho nostálgico das produções oitentistas, se transformando em um marco na cultura pop das séries. De fato a série enfrentou vários problemas ao longo desses quase 10 anos de existência, e eu diria que os maiores problemas já enfrentados pela série ocorrem justamente nessa temporada final, e muito por decisões completamente errôneas e fora de timing pela parte da produção. De qualquer forma isso não tira o brilho, a importância e principalmente a relevância da série. Pelo contrário, "Stranger Things" ficará marcada e eternizada como uma das maiores séries da história, e pra mim como uma das melhores séries da vida!
E parafraseando o final do meu próprio texto da última temporada de "The Handmaid's Tale":
"A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!"
⭐⭐⭐⭐⭐
01/08/2026