A quinta e última temporada de "Stranger Things" foi lançada pela Netflix em dois volumes e o episódio final. O primeiro volume, com quatro episódios, foi lançado em 26 de novembro de 2025, o segundo volume, com três episódios, foi lançado em 25 de dezembro, e o episódio final foi lançado em 31 de dezembro.
"Stranger Things" foi uma série em que eu aprendi a amar desde o primeiro contato. A série logo me ganhou pelo charme transístico dos anos 80, com aquela história típica que se passa em uma pacata cidadezinha norte americana. E por falar na década de 1980, "Stranger Things" é o puro suco das lendárias produções oitentistas, do puro Sci-Fi estilo anos 80, com inúmeras referências da época, que vai desde os cenários, figurinos, fotografia e principalmente a trilha sonora. Este é o cenário que se inicia a primeira temporada com boas doses de terror, ficção, drama, fantasia, suspense e claro, o humor. Sem falar que a série começa com uma abordagem sobre o drama familiar, o bullying voltado para o núcleo infanto-juvenil, as crises, os traumas, as decepções e a corrupção que assola o governo americano em volta de toda experiência laboratorial com cobaias humanas.
A série continua impecável em sua segunda temporada por conseguir manter a essência, o ritmo e todo o clima da primeira. Esta temporada nos insere ainda mais na complexidade da mente humana acerca dos transtornos mentais, ao nos fazer refletir em como as nossas fraquezas e os nossos medos podem se virar contra nós. E muito dessa reflexão tiramos justamente do personagem Will (Noah Schnapp). Sem falar que é nessa temporada que temos a chegada de uma personagem extremamente importante e querida em toda a série, Max (Sadie Sink).
A terceira temporada continua inserida na essência oitentista, continua trazendo inúmeras referências da cultura pop dos anos 80. Porém, dessa vez temos uma temporada mais leve, mais cômica, a que chega mais perto de uma comédia oitentista. Esta é uma temporada onde o elenco "infanto-juvenil" já estão bem crescidos, e junto com este crescimento eles passam a ter outras preocupações e outros objetivos. Por outro lado esta temporada mostra uma Hawkins ainda mais envolvida em novas experiências do governo, onde temos praticamente uma invasão russa na cidade.
A quarta temporada de "Stranger Things" é excelente, facilmente uma das melhores temporadas de toda a série. Pois temos novos personagens e um novo vilão que deu novos ares, uma nova cara, um novo fôlego e um novo rumo para a série. Um dos pontos mais positivos dessa temporada está exatamente no novo vilão - Vecna (Jamie Campbell Bower), o Mago das Trevas. Achei uma ideia genial deixar um pouco de lado o Devorador de Mentes e focar a temporada inteira na construção e no desenvolvimento de um novo vilão. Por falar em Vecna, a forma como ele ataca e mata as sua vítimas é completamente bizarro e assustador, o que deu um ar e um clima ainda mais sombrio e aterrorizante para a temporada. Esta temporada tem seu lado mais pesado dramaticamente, com fortes revelações e com alguns arcos pessoais bastante importantes para a história. O nono episódio facilmente classifico como o melhor episódio da quarta temporada, o melhor episódio de toda a série "Stranger Things" e um dos melhores episódios de uma série que eu já assisti na vida. Todos os acontecimentos que envolvem este episódio com 2h22m é completamente surreal, avassalador, emocionante e fantástico.
E por fim, depois de longos anos, chegamos na quinta e última temporada de "Stranger Things". Falar da quinta temporada não é algo fácil para quem é fã da série, até porque o quanto eu esperei e criei expectativas. Porém, na minha opinião o principal vilão dessa quinta temporada é o longo tempo de espera, o grande hiato entre a temporada 4 e 5, o que foram longos 3 anos e 5 meses de intervalo. E aqui podemos entender (e não aceitar) todos os problemas que a série atravessou nesse longo caminho até a chegada dessa última temporada. Por exemplo: tivemos duas grandes paralisações na indústria de entretenimento, a famigerada greve em Hollywood, o que levou a paralisação total das gravações. Já nas partes técnicas, os os irmãos Duffer relataram o envolvimento direto em supervisão e direção de cada episódio, acompanhando de perto cada edição, cada montagem, dando ênfase nos mínimos detalhes da produção. Consequentemente os longos episódios exigiram ainda mais da pós-produção em relação a filmagem, corte, mixagem e edição, e ainda mais considerando toda imposição colocada pelos showrunners da série.
Fato é, eu poderia passar horas aqui pesquisando e escrevendo sobre os vários motivos que fizeram a quinta temporada de "Stranger Things" demorar tanto tempo para acontecer. Ainda assim nada seria suficiente para amenizar, ou explicar, o que de fato deu tanto errado na temporada final de uma das melhores séries da minha vida, e que eu esperei uma temporada com um final apoteótico. Por outro lado podemos considerar que se os irmãos Duffer acompanharam assim de tão perto os mínimos detalhes, o que esperávamos era uma temporada final épica, até porque foram anos trabalhando em um material que eles já dominavam há muito tempo, que já eram expert no assunto, era só entregar o que já sabiam e o que todos nós almejávamos. Todavia não foi isso que aconteceu, a temporada final de "Stranger Things" é cercada por tantos problemas que chega a ser assustador o que foi entregue para nós.
Vamos ser sinceros aqui, todos nós sabemos que eles perderam a mão, e isso não é uma opinião é um fato. Parece que quanto mais eles tinham tempo para desenvolver o enredo da temporada pior ela ficava. O final da quarta temporada preparou todo o terreno para a quinta chegar e reinar em um final marcante e apoteótico. Para começar esta temporada perdeu completamente o clima de terror e suspense e focou inteiramente em uma ação desenfreada. Todo aquele clima pesado, sombrio, tenso, mórbido e aterrorizante dos ataques do Vecna foram amenizados e praticamente esquecidos. Sem falar que os próprios ataques eram em sua grande maioria simples e sem nenhum terror. Outro ponto completamente banalizado nessa temporada, o terror e o suspense psicológico, que sempre foram marcas registradas da franquia, aqui foram suavizados e esquecidos, principalmente no personagem Will. As temporadas anteriores tinham terror, tensão e suspense, principalmente o terror psicológico, e aqui foram completamente eliminados dando espaço somente para a ação.
O ritmo da temporada é muito acelerado, o que acaba nos passando um senso de urgência nos acontecimentos sem nenhum peso e sem nenhuma identificação com o espectador como acontecia antes. E aqui vale ressaltar que a temporada teve apenas 8 episódios em sua grande maioria longos, o que já é de praxe, e o último com praticamente 2h de duração. Eu achei que deveria ser uma temporada maior, com mais episódios, até para desenvolver melhor a história e principalmente o final, mais precisamente o embate final. Dessa forma teríamos uma temporada final mais abrangente, mais detalhada, dando espaço para desenvolver melhor os personagens e seus arcos pessoais, sem aquele senso de urgência, sem aquela correria que a temporada entregou. Por outro lado é notável a questão de parecer que todos já estavam de saco cheio e só queriam dar um fechamento para a série e cada um seguir o seu caminho.
Como a temporada é corrida e os acontecimentos são muitos, não temos tempo para desenvolver e construir nada. Ou seja, perderam o timing do elenco na questão da passagem em relação a adolescência de cada um, até pelo longo tempo entre as temporadas e no geral como um todo nesses quase 10 anos de série. O elenco em si eu amo de paixão, mas como eu achei tudo muito corrido eu não consegui ter aquela empatia com cada um como eu tinha anteriormente. É tudo muito rápido, quando você está dentro do acontecimento de um do nada você já está no acontecimento do outro, dessa forma você não consegue criar conexão com ninguém, fica tudo muito raso e muito vago, falta emoção. Porém: uma das que mais me incomodou foi a Millie Bobby Brown. E aqui eu não quero julgar se foi ela que decidiu atuar assim, ou se de repente foram ordens superiores, mas fato é que ela está o tempo todo no automático, sem aquele envolvimento que ela tinha antes. É muito notável que falta emoção em sua atuação, parece que ela não estava se importando muito e só queria terminar logo as gravações. O Will eu achei muito bom nas partes que ele também conseguia demonstrar os seus poderes igual a Onze, quero dizer na sua forma de caracterização. Por outro lado ele parecia estar mais preocupado com a sua aceitação como ele era do que de fato estava acontecendo ao seu redor. O Dustin (Gaten Matarazzo) estava ok, ainda sentindo muito a morte do Eddie (Joseph Quinn), e parecia que ele estava lutando exatamente por essa causa o tempo todo. O Mike (Finn Wolfhard) bem abaixo das temporadas passadas, melhorou mais no último episódio com os acontecimentos da Onze. O mesmo vale para o Lucas (Caleb McLaughlin), que só cumpre o seu papel no grupo. E aqui vale ressaltar que diminuíram muito a sua importância com relação a Max, até pela forma como a Max passou da temporada 4 pra 5. Já a Max é totalmente subaproveitada na temporada, ficando mais no destaque com as cenas com a Holly (Nell Fisher), que na minha opinião são cenas desnecessárias como um todo. Já a presença da Holly eu gostei, acho que casou com o que a trama pedia naquele momento, e vale destacar que a atriz Nell Fisher é nova e já é muito boa. A Nancy (Natalia Dyer) é uma personagem que eu adoro desde a sua primeira aparição na série, e aqui eu vi muitas pessoas julgando a sua participação na temporada, por ela estar quase o tempo todo como uma guerrilheira. Eu até acho que fez sentido pela forma como ela poderia de fato ajudar, mas eu entendo que aquela skin de Sarah Connor dela ficou até exagerada em algumas cenas. E por falar em Sarah Connor, temos a presença ilustre de ninguém menos que a poderosa Linda Hamilton na temporada. Ela traz uma personagem bastante curiosa. Jonathan Byers (Charlie Heaton) e Steve Harrington (Joe Keery) foram dois personagens completamente prejudicados pelo roteiro, ficando quase que apenas no papel de ambos se exibirem e cortejarem a atenção da Nancy - uma pena! Eu sempre gostei da Robin Buckley (Maya Hawke), ela sempre está muito bem em suas apresentações, como acontece aqui. Ela tem uma veia para a atuação que é invejável, ainda mais tendo o pai e a mãe que ela tem. A Erica (Priah Ferguson) é outra personagem completamente esquecida na temporada, ela está ali apenas cumprindo seu contrato mesmo. Já o casal Joyce e Hopper (Winona Ryder e David Harbour) fazem o que sabem de melhor, fazem o que esperávamos e tem o final que também esperávamos.
Sobre o personagem do Jamie Campbell Bower eu preciso puxar o gancho do que foi aquele embate final contra o Vecna. Eu não vou negar que eu gostei muito da forma como foi desenvolvida a guerra final, com cada um fazendo a sua tarefa e todos unindo suas forças em prol da causa maior. Porém, é fato que este embate final contra o Vecna não passa nem perto do que nós imaginávamos que seria. Tudo acontece de forma muito simples e até muito fácil. O poderoso Vecna, o lendário Mago das Trevas, que controlava e se apossava da mente de todos, que tinha um exército ao seu favor, de repente está completamente sozinho na hora que ele mais precisava. Tudo bem que ele está junto com a manifestação física do "Devorador de Mentes", mas e os Demogorgons? Sumiram todos? Já na questão da atuação do Jamie, como Vecna ele está bem abaixo da temporada anterior, até porque lá ele estava impecável, já como Henry ele faz um papel bem digno.
Esta quinta temporada deixa muitas pontas soltas, muitos acontecimentos que ficamos nos perguntando o que de fato está acontecendo, por exemplo: a questão do "Mundo Invertido", que antes era um local sombrio, obscuro, que para entrar nele era algo difícil e desafiador, agora está meio que normalizado, corriqueiro, simples, onde parece não oferecer mais nenhum perigo. Aquela parte do mundo imaginário na mente do Vecna é uma parte bem questionável, pra não dizer desnecessária mesmo (como já destaquei antes). E toda aquela história do Vecna em querer unir os mundos em um só, algo como uma reformulação à sua maneira, e ainda utilizar as crianças porque as mentes delas são uma espécie de "inocência", ou algo como um ponto de ancoragem para a fusão dos mundos, é uma viagem bem excêntrica - mas ok né! Outros pontos que eu não entendi: aquela cientista que aparece na mente do Vecna em uma caverna. Aquelas mulheres grávidas. Aquele Dr. Sam Owens que apareceu no final da quarta temporada e aqui ficou em aberto. A Suzie (Gabriella Pizzolo), a namorada do Dustin, que de repente desapareceu da série. E por fim a decisão em construir aquele final para a Onze, com um final em aberto se ela ainda existe ou não, eu achei um pouco fora de tom. Na minha modesta opinião eu acho que deveriam finalizar com o sacrifício dela mesmo pela questão que ela mesmo relatou para o Mike em cena. Acho que seria mais digno e condizente para o peso da própria personagem para a história. Ou será que eles optaram por um final em aberto para construir um spin-off da Onze em um futuro dentro do universo de "Stranger Things"? A mesma pergunta também vale para aquela cena final das crianças descendo para o porão e substituindo os já adolescentes/adultos. Estariam pensando em futuros spin-off de "Stranger Things"? Eu não duvido de mais nada.
Vale mencionar que em em questões técnicas a série continua dando um verdadeiro show. Tudo dentro da série é impecável, como a direção de arte que constrói cenários exuberantes dentro do padrão da série. A fotografia é outro grande destaque da série como um todo. O mesmo vale para a trilha sonora, que encerra a temporada com grandes clássicos da música. A equipe de figurinos e maquiagens é um verdadeiro luxo, pois o que dizer daquele penteado no maior estilo anos 80 da Nancy. E eu não posso deixar de citar que os episódios 3 e 5 foram dirigidos pelo inigualável Frank Darabont, que saiu da sua aposentadoria somente para dirigir os dois episódios - fantástico! Tecnicamente e artisticamente a série "Stranger Things" como um todo é uma verdadeira obra-prima.
E por fim: finalizo afirmando que "Stranger Things" é uma série excelente, uma obra-prima, que soube se reinventar e nos levar ao verdadeiro mergulho nostálgico das produções oitentistas, se transformando em um marco na cultura pop das séries. De fato a série enfrentou vários problemas ao longo desses quase 10 anos de existência, e eu diria que os maiores problemas já enfrentados pela série ocorrem justamente nessa temporada final, e muito por decisões completamente errôneas e fora de timing pela parte da produção. De qualquer forma isso não tira o brilho, a importância e principalmente a relevância da série. Pelo contrário, "Stranger Things" ficará marcada e eternizada como uma das maiores séries da história, e pra mim como uma das melhores séries da vida!
E parafraseando o final do meu próprio texto da última temporada de "The Handmaid's Tale": "A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!" ⭐⭐⭐⭐⭐
Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno (Return to Silent Hill) 2026
"Return to Silent Hill" é escrito e dirigido por Christophe Gans (diretor e roteirista do excelente "O Pacto dos Lobos", de 2001) com roteiro de Sandra Vo-Anh (roteirista de "A Bela e Fera, de 2014) e Will Schneider (roteirista de "O Corvo", de 2024). O longa-metragem é baseado e inspirado no jogo de videogame da Konami de 2001, "Silent Hill 2", e segue como o terceiro filme da franquia "Silent Hill" e ainda pode ser considerado como um reboot. O filme acompanha James Sunderland (Jeremy Irvine), um homem atormentado e consumido pelo luto após a perda do seu grande amor, Mary (Hannah Emily Anderson). Ao receber uma carta misteriosa dela, ele retorna à enevoada cidade de Silent Hill. Lá, o que antes parecia ser uma cidade familiar, agora o obriga a encarar e enfrentar forças demoníacas, o que acaba por desvendar verdades aterrorizantes e uma verdadeira luta para manter a sua sanidade.
Antes de mais nada eu preciso contextualizar que eu sou uma pessoa completamente viciada em videogames desde os meus 10 anos de idade. Dito isto, "Silent Hill" é uma das minhas franquias de jogos da vida, o que obviamente fez eu conhecer e entender tudo do universo "Silent Hill" e consequentemente já ter jogado e terminado todos os títulos da franquia existentes até hoje. Eu joguei e terminei o "Silent Hill 2" no Playstation 2 algumas vezes, assim como terminei a versão do Xbox 360 de "Silent Hill HD Collection", que inclui uma versão do "Silent Hill 2", e no ano passado eu terminei o mais recente e excelente Remake oficial no Playstation 5.
Quando foi lançado "Terror em Silent Hill" lá em 2006, eu fiquei em êxtase para conferir o que até então era o primeiro filme da minha amada série de jogos (me lembro de ter assistido exatamente no dia da sua estreia, 18 de Agosto de 2006). Este primeiro filme é dirigido justamente pelo próprio Christophe Gans, e na época eu adorei o filme. "Terror em Silent Hill" é baseado no primeiro jogo, lançado em 1999, e na minha opinião é um bom filme que traz uma adaptação bastante fiel até. O maior problema do filme é a mistura de personagens e acontecimentos que o diretor decide fazer, o que acaba mudando algumas partes da história original do jogo. Mas por outro lado temos bastante fidelidade nos personagens, nos cenários, no clima e na trilha sonora original. Já em 2012 tivemos "Silent Hill: Revelação", dessa vez dirigido por M.J. Bassett, que adapta de forma muito vaga algumas partes do enredo de "Silent Hill 3", lançado em 2003. Este filme já apresenta muitos problemas em relação ao roteiro adaptado, personagens, acontecimentos e principalmente mudanças significativas na história em relação ao jogo.
Após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna com "Return to Silent Hill" que traz uma adaptação justamente do segundo jogo da franquia que ainda não tinha sido adaptado. Como recentemente eu joguei o "Silent Hill HD Collection" e o Remake, então toda a história de "Silent Hill 2" está bastante fresca em minha memória, ou seja este era o momento exato para assistir "Return to Silent Hill".
Como um fã do segundo jogo eu gostei daquele cenário inicial, pois é exatamente o mesmo cenário do jogo, com o James andando no local, indo até o banheiro desativado e se olhando no espelho. Logo após o James desce a escadaria e chega até o cemitério, onde ele encontra a Angela (Hannah Emily Anderson). Logo após a conversa com a Angela ele segue andando e chega na cidade de Silent Hill, tudo bastante fiel ao jogo. Já por outro lado aquele flashback inicial do James chegando no local, conhecendo a Mary, e toda a sequência a partir dali não faz o menor sentindo. Ou seja, já no início do filme o diretor e roteiristas já mostraram o que pretendiam fazer com a história do jogo.
Os detalhes técnicos e artísticos do filme fazem toda a diferença e conta muito para a fidelidade da adaptação, como no caso dos cenários da cidade de Silent Hill, como as ruas, as lojas, o bar, o parque, o cemitério e o hospital, que estão perfeitos. Os cenários do filme mostram uma inspiração mais próxima do Remake oficial do que propriamente do jogo original. Outro ponto que conta muito para o desenvolvimento do filme é todo clima sombrio e macabro do jogo que está presente, assim como a famigerada névoa das ruas de Silent Hill e também às cinzas do incêndio. A fotografia é sensacional, pois ela dita o ritmo do filme com aqueles enquadramentos nos cenários com um tom mais morto, denso, borrado e acinzentado.
Christophe Gans transforma seu filme em um verdadeiro "Fan service", pois fora os cenários, o clima e a ambientação, temos a emblemática "Sirene", o James andando pelas ruas de Silent Hill com a barra de ferro e o icônico rádio que transmite interferências com a aproximação dos inimigos. Por outro lado em nenhum momento temos cenas com armas de fogo como no jogo. Por falar em inimigos, as famosas criaturas de Silent Hill estão presentes e são muito fiéis ao jogo, como no caso do "Sem braço" cuspindo ácido, o "Spider Mannequin", as "Enfermeiras", o Boss "Flesh lip" e o lendário "Pyramid Head". Em questão de personagens do jogo eles estão presentes, assim como o próprio James e a Mary, temos a Angela, a Maria, a Laura e o Eddie. Por outro lado temos alguns personagens insignificantes que não estão presentes no jogo.
Outro ponto bastante positivo no filme é a presença do lendário compositor Akira Yamaoka, que compôs a trilha sonora da grande maioria dos jogos da série "Silent Hill", incluindo a lendária música tema do jogo. Algumas músicas do jogo original foram usadas como música temporária durante a edição, inclusive o filme termina com uma icônica música do jogo.
No quesito técnico e artístico o diretor Christophe Gans consegue manter toda essência e toda a fidelidade do jogo "Silent Hill 2", já no quesito roteiro ele faz exatamente o que ele fez no filme de 2006, muda algumas partes da história original e coloca a sua visão em relação ao enredo do jogo. No filme o James consegue realizar ligações para sua psicanalista, sim ele tem uma psicanalista no filme, o que eu achei absurdo, mas ok, eu tinha certeza que o diretor iria querer colocar atitudes que humanizasse mais o James do filme em relação ao James do jogo. O jogo "Silent Hill 2" possui um terror psicológico sobrenatural que traz um foco no luto, no remorso e na culpa pessoal do James como uma manifestação psicológica dos traumas reprimidos dele em relação a sua atitude perante a sua amada Mary. Já no filme temos elementos que introduz uma espécie de seita como a responsável por todos os acontecimentos, e ainda colocando o pai da Mary como o grande mentor por trás desse culto satânico enquanto ainda estava vivo.
O remake de "Silent Hill 2" possui 8 finais, já no jogo clássico temos 6 finais. No final "In Water" mostra toda a dor e todo o sofrimento do James devido a doença terminal da Mary, o que mostra que a Mary não morreu no hospital pela sua doença mas sim pelas mãos do próprio James, que se viu incapaz de ver a sua amada sofrer e agindo por misericórdia, por frustração e exaustão ele a mata (como uma eutanásia) sufocando com um travesseiro. Movido pela dor da perda, pelo trauma e pelo luto, James decide tirar sua própria vida se afogando no lago Toluca ao lado do corpo da sua amada. Este é o peso emocional e espiritual do James no jogo, já no filme temos uma espécie de redenção, de humanização do James em relação a sua esposa, algo como se ele tivesse apenas deixado ela ir resolver seus problemas em Silent Hill. Esta é a forma que o filme apresenta a Mary, como uma espécie de vítima daquela seita, uma vez que no jogo temos a figura da Mary como frágil e vulnerável, que sofreu e morreu por causa da sua doença. No filme até temos a cena em que o James mata a Mary asfixiada e depois se joga com o carro com o corpo dela no lago Toluca, mas tudo é feito de forma leve, rasa, genérica, sem aquele peso e aquela dor, algo como apenas uma obrigação.
O jogo "Silent Hill 2" é emblemático justamente por apresentar uma gameplay acompanhada de um ritmo lento, mórbido, introspectivo, onde convivemos com a solidão, o mistério e principalmente o terror psicológico. Já no filme o que temos é uma narrativa autoexplicativa que de cara já entrega absolutamente tudo, sem deixar o espectador ser forçado a entender e juntar as peças desse quebra-cabeça justamente como acontece no jogo. O Maior erro dessa adaptação é justamente trazer um foco maior na humanização dos personagens, como se precisássemos se identificar com o casal para assim conseguir sentir a dor de ambos e se importar com eles. Eu preciso ressaltar aqui que estamos falando da adaptação de uma das maiores franquias do "Survival Horror" da história dos videogames e não de um filme romântico qualquer. E digo isso justamente pelo caminho que o roteiro seguiu ao decidir trazer o foco maior em um melodrama romântico sem o menor cabimento possível. Temos algumas cenas entre o James e a Mary que é um verdadeiro melodrama barato que supera qualquer novela mexicana - é um absurdo!
O que decidiram fazer com a Mary soa ainda mais absurdo quando ela passa a agir como vítima daquela seita, onde a própria afirma para o James que eles eram a sua família porque a acolheram após a morte de seu pai. E o pior ainda é a forma como o roteiro coloca os personagens coadjuvantes como uma espécie de extensão da Mary, como no caso da Laura e da Angela, algo completamente absurdo em relação ao jogo. A jovem atriz Evie Templeton, que já havia dublado a personagem Laura no remake de 2024, agora interpreta a mesma personagem no filme. No jogo a Laura é uma criança rebelde órfã que sempre age fazendo suas artes com o James. Já no filme ela é tratada como uma espécie de criatura, ou entidade, que serve como uma manifestação de pesadelo controlada pela cidade de Silent Hill - bizarro! A personagem Angela no jogo é uma jovem que foi para Silent Hill procurar sua mãe desaparecida, mas depois descobrimos que ela fugiu de casa por sofrer abusos sexuais e apresentar tendências suicidas. No filme ela nada mais é do que uma extensão dos sofrimentos da Mary, ou seja, ela perde a sua história pessoal do jogo para se tornar um representação dos abusos e sofrimentos da própria Mary. O mesmo vale para a personagem Maria, que no jogo ela é uma manifestação sobrenatural criada por Silent Hill na mente do James, onde ele baseia os seus desejos mais carnais sobre Mary, ou seja a Maria é a figura da Mary viva mais sexy e atraente para o James. Já no filme a Mary e a Maria são essencialmente a mesma pessoa mas com a mudança que ela agora é ligada a tal seita. Pelo menos o figurino da Maria no filme é bem fiel ao figurino da Maria do Remake. E vale ressaltar que a atriz Hannah Emily Anderson interpreta a personagem Mary, a Maria e a Angela, o que eu achei uma decisão bem grotesca, a começar pela figura da própria Mary e Maria, que de cara já entrega tudo e meio que retira o peso daquela virada na trama pra quem já conhece história. Ou não também, a essa altura tanto faz!
Agora o que fizeram com o personagem Eddie Dombrowski (Pearse Egan) é o maior absurdo desse filme, algo completamente inaceitável e repudiante para nós fãs. No jogo Eddie é uma pessoa complexa, traumática, com sérios problemas psicológicos, que sofreu traumas e bullying pela sua aparência e seu peso, e com o passar do tempo ele vai perdendo a sua sanidade e se transforma em um assassino que mata todo mundo que rir dele. Tanto é que no jogo o Eddie serve como uma espécie de espelho obscuro do próprio James, ele tem um arco pessoal muito importante para o desenvolvimento da história, sendo um antagonista e se transformando em um dos Boss final do jogo. Já no filme o Eddie aparece unicamente como uma obrigação do roteiro para que os fãs do jogo vissem que ele estava presente na trama. Ou seja, o Eddie no filme tem um tempo de tela ridículo, está completamente perdido na trama, nem chega a confrontar o James como faz diversas vezes no jogo, apenas se mostra como um personagem assustado pelas criaturas e do nada é limado completamente da história e nunca mais aparece - absurdo! - Grotesco!
"Return to Silent Hill" tem sérios problemas com o CGI, isso é muito perceptível em várias cenas. Inclusive aquela barba que colocaram no Jeremy Irvine chega a dar vergonha alheia do quanto ficou ridículo. No entanto, aos trancos e barrancos, o Longa-metragem conseguiu superar o seu orçamento de US$ 23 milhões atingindo uma bilheteria mundial de US$ 47,9 milhões. O que não é assim considerado um grande resultado financeiro em relação a sua receita inicial nos dias de hoje.
No mais, após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna para a franquia "Silent Hill" trazendo um filme que para quem é fã do jogo poderá se agradar nos quesitos técnicos como cenários, personagens, criaturas lendárias, ambientação, clima, fotografia e trilha sonora, que de fato estão muito fiéis ao jogo, isso é inegável. Porém, no quesito enredo e fidelidade com a essência da história já eternizada no jogo, este filme chega a ser um insulto e um completo desrespeito para com o universo de "Silent Hill 2".
The Handmaid's Tale / O Conto da Aia (6ª Temporada) 2025
"The Handmaid's Tale" foi uma série que assim que eu conheci eu me apaixonei imediatamente, foi aquele típico amor a primeira vista (ou a primeira assistida).
Contextualizando: A primeira temporada é para mim a melhor temporada de toda a série, e muito por ser aquela temporada inicial que já chega com o pé na porta, que já mostra a que veio, que já entrega um nível altíssimo dos acontecimentos que viriam a ser os maiores destaques de toda a série. A primeira temporada é a temporada mais pesada, cruel, dolorosa e consequentemente a mais revoltante de toda a série. E muito por ser a temporada de maior suspense, de maior tensão, que mostra de fato o terror que as "AIA" eram subjugadas a passarem.
A segunda temporada é incrível, ela mantém o mesmo nível da primeira e continua desafiando a nossa mente e a nossa crença com os feitos que acontecem no decorrer da história. Nessa temporada temos os bizarros 'estupros ritualizados', o que levou Offred (Elisabeth Moss) a engravidar. É nessa temporada que a Offred começa a sair do modo defesa e submissão para o modo ataque. A temporada foca ainda mais na posição da mulher na sociedade, a submissão pela qual elas são obrigadas a passarem, em como o machismo e o extremismo está incrustado na sociedade como um todo.
Pela primeira vez na série temos uma temporada um pouco abaixo das duas anteriores. A terceira temporada de "The Handmaid's Tale" é notavelmente mais fraca por ser uma temporada que não caminha, que não engrena, que estaciona nos temas já discutidos anteriormente e embarriga em alguns episódios. Por outro lado em questões de personagens temos algumas evoluções bem dignas e surpreendentes; como no caso daquele arco pessoal da Tia Lydia (Ann Dowd), que nos traz revelações fantásticas.
O que aconteceu na terceira temporada da série volta a acontecer na quarta, que é a série dar mais uma caída em relação as duas primeiras temporadas. Ou talvez as duas primeiras terem sido temporadas tão estratosféricas, que elevou muito o nível da série, que a partir da terceira em diante a série apenas continuou em seu ritmo normal mas inevitavelmente muito abaixo das duas primeiras. Essa temporada é a primeira que a June (Elisabeth Moss) consegue finalmente deixar Gilead. Acho que até por isso eu esperava uma temporada mais avassaladora nesse quesito. Esta também foi uma temporada que eu comecei a ter alguns probleminhas com alguns personagens. De fato as temporadas 1 e 2 são o ápice da série, as verdadeiras obras-primas de "The Handmaid's Tale". Pois é muito claro como as temporadas 3 e 4 estão abaixo delas, não são temporadas ruins, longe disso, mas de fato são mais fracas.
Curiosamente a quinta temporada de "The Handmaid's Tale" volta ao eixo, ganha novos ares, novos rumos, novos ritmos, um novo fôlego, onde consequentemente a coloca acima das temporadas 3 e 4. O acontecimento com o Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes) ao final da temporada 4 conta muito para o início dessa, pois a temporada é movida pela sede de justiça por parte de June e o desejo de vingança por parte da Serena (Yvonne Strahovski). Esta temporada consegue voltar a sua grandeza em relação as primeiras temporadas justamente por nos passar este sentimento de ódio e justiça sendo descaracterizado e desconstruído na personagem Serena juntamente ao lado da própria June.
No final da minha análise da quinta temporada de "The Handmaid's Tale" escrita lá em novembro de 2022 eu disse: "Será que Serena Waterford merece nosso perdão? Será que ela merece uma segunda chance? Será que somos capazes de passar por cima de tudo que ela fez contra June enquanto era coagida (ou não) pelo seu marido? Eu acredito na redenção da Serena e em uma possível aliança com a June para acabar com o regime totalitarista e perverso da República de Gilead. Agora se elas vão se tornar amigas além de aliadas, bem...isso só a sexta temporada poderá nos dizer."
Eu realmente acreditava nisso que eu escrevi, eu realmente apostava que a Serena iria se unir com a June (não que fossem virar amigas) para acabar com tudo referente a República de Gilead, ou Nova Belém, ou qualquer governo voltado para esta corja. Hoje eu vejo que eu estava sendo muito otimista no final da quinta temporada, acho que eu me deixei levar pela emoção/comoção da última cena do encontro da June com a Serena no trem, ambas com seus filhos. Eu realmente fui muito inocente e a Serena conseguiu me enganar mais uma vez.
E realmente a sexta temporada inicia justamente com esta sensação, ao novamente retornar na cena do trem de refugiados no encontro entre June e Serena. A partir daí temos a cena em que e June ajuda a Serena a saltar do trem na fuga por ter sido descoberta a sua verdadeira identidade no local. A sexta temporada de "The Handmaid's Tale" é focada naquela sede por justiça e vingança da June para finalmente derrotar Gilead. Por outro lado temos Luke e Moira (O. T. Fagbenle e Samira Wiley) lutando ao lado da June na resistência do regime. Para minha surpresa (ou não) a Serena novamente se junta à corja do império totalitarista para tentar reformar a República de Gilead. Já o Comandante Joseph Lawrence (Bradley Whitford) e a tia Lydia (Ann Dowd) passam por uma síndrome de autojulgamento ao reconhecerem grande parte de tudo de ruim que fizeram ao longo de suas vidas miseráveis. Já o Comandante Nick Blaine (Max Minghella) confirma o que eu sempre desconfiei dele em toda a série; em se tornar aquela incógnita, aquele ser que foi escanteado, onde parece que sua presença já não era mais necessária na história, ou talvez ele ainda fizesse alguma diferença somente para a June.
Como um todo eu vejo que a sexta temporada teve alguns problemas, alguns erros, algumas tomadas de decisões questionáveis, alguns fechamento de histórias de personagens muito corridos e sem muita coerência. Na minha opinião esta temporada foi vendida como a temporada de fechamento onde iria acontecer a grande revolução tão esperada durante toda a série, e não foi bem isso que aconteceu. Pois até a metade da temporada tivemos episódios mais fracos, aqueles episódios que só serviam para contextualizar toda a história que já conhecemos; como o embate da república no Canadá, o encontro da June com sua mãe (que sim, foi emocionante), o embate da Moira e do Luke contra o regime, toda história cansativa da Serena em retornar ao governo e até se casar novamente. Ou seja, podem até ser episódios necessários, mas que não faziam a história andar, poderia até agregar mas não engrenava.
Os próprios trailers da sexta temporada sempre enfatizava a grande guerra e a grande revolução, algo que aconteceu mais no penúltimo episódio, e pra mim o melhor episódio da temporada. Pois até ali tivemos episódios mais focados em ideias do que a execução de tais ideias. A temporada como um todo teve episódios fracos que facilmente poderiam serem retirados da história, mas por outro lado estes próprios episódios estavam tentando construir o terreno para o grande embate do episódio 9. Acredito que a temporada poderia ter sido encurtada, ou talvez eles esticarem a guerra em mais episódios, realmente fica difícil apontar o caminho certo a seguir e o que daria certo ou não.
Falando do final do elenco e personagens: Elisabeth Moss sempre deu o seu melhor na pele da icônica June Osborne, isso era inegável. Mas me parece que nessa sexta temporada ela já se mostrava um pouco cansada da personagem, ou talvez a sua atuação na personagem já não tinha mais para onde caminhar, fiquei com esta sensação. Mas no geral a Moss sempre entregou o suprassumo da sua atuação e interpretação em "The Handmaid's Tale". Eu aplaudo de pé a Yvonne Strahovski em "The Handmaid's Tale", pois em todas as temporadas ela sempre me enganava, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. A Serena passou a série inteira sendo aquela personagem ame ou odeie, e nessa última temporada não foi diferente. O final dela ficou bom, ela realmente mostrou para todos que desde o começo ela queria unicamente o dom da maternidade, por mais que ela usasse seus métodos contestáveis. Ao lado da June e da Janine (Madeline Brewer), elas três são as minhas personagens preferidas de toda a série. Ann Dowd em toda a série conseguiu o mesmo efeito da Yvonne Strahovski, que era compor uma personagem ame ou odeie. A tia Lydia nas primeiras temporadas era impossível não odiá-la, porém com o passar do tempo e das temporadas vamos observando os seus arcos pessoais, vamos tentando entender a motivação da personagem, e no fim ela tem a sua redenção e o seu julgamento que lhe coube. Acho que o mesmo eu posso destacar do grande Bradley Whitford com seu repugnável Comandante Joseph Lawrence. Joseph foi um personagem que sempre tive um pé-atrás, que nunca confiei em seus discursos, tanto para a June, quanto para a Serena e principalmente para o Nick. No fim eu vejo que o Joseph sempre tentou fugir do inevitável, sempre tentou não ser aquele vendido pelo sistema, mas que o próprio sistema deu o seu fim na série. Ele merecia aquele fim? Fica ai o questionamento. Por falar em final triste na série, temos o inigualável Max Minghella com seu Comandante Nick Blaine. O Nick é aquele personagem que você desconfia no início, começa a achar interessante na sequência, quando ele se envolve e até ajuda a June você começa a se apegar a ele, e logo ele passa aquela sensação de se vender para o sistema para conquistar cargos e funções maiores e de mais credibilidade em Gilead. O Nick sempre foi um personagem difícil e até questionável na série, mas uma coisa que não podemos negar era o fato que ele realmente gostava e se importava com a June. No fim eu acho que a série nunca ajudou o personagem, de fato ele nunca teve um grande espaço e até uma certa relevância dentro de toda a história, e no fim ele não merecia aquele final. Fica aí mais um questionamento. Madeline Brewer com sua Janine sempre me conquistou e sempre me fez se importar com ela em todas as temporadas. Acredito que a Madeline também sofreu o que vários atores e atrizes sofreram durante toda a série, que foi o curto tempo de tela para o seu desenvolvimento no personagem. E até entendo, visto que a série era recheada de grandes personagens, fatalmente não iria sobrar espaços para todos. Mas eu sempre adorei a Janine, e vê-la recebendo a sua própria filha de volta me deixou com um nó na garganta ao mesmo tempo que senti um extremo sentimento de realização da personagem. Por falar em tempo de tela dos personagens, temos o O. T. Fagbenle e a Samira Wiley. O personagem Luke sempre foi mais escanteado na série em quase todas as temporadas, mas nessas duas últimas ele ganhou mais importância e consequentemente mais relevância na história, até pelos embates criados entre ele e a June, que no fim já nem eram mais um casal como no início. Já a Moira também sempre foi escanteada, porém especificamente nessa temporada ela tem uma ótima participação e importância para todo o contexto da trama ali junto com a June. Amanda Brugel sempre com ótimas contribuições em sua personagem Rita, isso desde o início da série. Já o Sam Jaeger com seu personagem Mark Tuello ganhou bastante importância e notoriedade nessas duas últimas temporadas. Boa temporada também da Ever Carradine como Naomi Putnam. E por fim mas não menos importante, temos a volta da incrível Alexis Bledel como Emily Malek, que havia deixado a série. Poder vê-la novamente ao lado da June me trouxe de volta lembranças da incrível primeira temporada da série.
Por fim: A sexta e última temporada de "The Handmaid's Tale" é boa, é digna, por mais que apresente alguns problemas no caminho, mas ainda assim tivemos fechamentos de algumas histórias, de alguns personagens e tivemos finais em abertos em outros, como no caso da própria June. A parte final da June revisitando a casa dos Waterford, onde ela viveu e sofreu todas as torturas lá no início, é completamente cinema. Toda sequência dessa cena é bastante emotiva, é bastante comovente, mexe com a gente que viveu e acompanhou toda essa sua trajetória para chegar até aonde ela chegou, e terminar dessa forma que ela terminou, sem conseguir de volta o seu principal objetivo na vida é ainda mais pesado e difícil, que era ter de volta a sua filha Hannah (Jordana Blake).
A história principal de "The Handmaid's Tale" chega ao seu final, mas o universo da série continuará a partir dos spin-offs "Os Testamentos: Das Filhas de Gilead".
E aqui eu me despeço de mais uma série que marcou a minha vida cinéfila. De uma série que eu aprendi a amar desde o lançamento do primeiro episódio da primeira temporada. "The Handmaid's Tale" ficará para sempre em minha memória marcada como uma das melhores séries que eu já acompanhei na vida.
A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!⭐⭐⭐⭐⭐
"M3GAN 2.0" é escrito e dirigido por Gerard Johnstone (diretor do primeiro filme), a partir de uma história que ele co-escreveu com Akela Cooper. Akela, junto com James Wan, são os criadores da ideia original do filme e ambos também assinaram como roteiristas do primeiro filme. Nesse segundo filme o roteiro ficou à cargo somente do diretor, já que Akela Cooper não participa e o James Wan esteve apenas como produtor. "M3GAN 2.0" é uma sequência do filme "M3GAN" de 2022 e o segundo filme da franquia "M3GAN". A trama acompanha M3GAN sendo reconstruída para combater uma robô militar humanoide construída com a tecnologia de M3GAN, que está tentando uma dominação por inteligência artificial.
Quando "M3GAN" surgiu lá em 2022, o longa veio naquela onda de bonecos assassinos, bebendo exatamente da fonte de personagens como o icônico "Chucky" e a já consagrada "Annabelle". Porém, estava muito claro que esses personagens serviram apenas como inspiração para "M3GAN", já que em nenhum momento o longa fez questão de ser levado a sério se estabelecendo dentro desse universo. "M3GAN" usa apenas a temática do terror e do suspense, mas seu conceito é uma ficção que funciona como um terror galhofa, até pela indicação estimada na época. Por mais que "M3GAN" use, e até crie, um clima de suspense e terror, a base principal é a diversão e o entretenimento de forma totalmente despretensiosa e descompromissada.
No entanto, o primeiro filme ainda consegue um pequeno destaque ao abordar (de forma rasa, eu entendo) um drama familiar envolvendo a criança que perdeu os pais, e de forma forçada precisa aprender e se adaptar à convivência com uma tia inexperiente no quesito ser "mãe". Nesse ponto o longa consegue abordar o luto, a solidão, os traumas, o afeto, o carinho, a atenção, a amizade e até o amor. Podemos considerar que o filme consegue uma abordagem sobre um drama familiar dentro de uma trama que se estabelece como uma ficção científica de terror. Nesse quesito "M3GAN" consegue um destaque ao apostar em uma mistura de ficção científica e terror pop, um trash horror comedy, um terror com alguns toques de drama e comédia, uma espécie de terror que não é terror, ou um terror sem terror.
Dito tudo isto sobre o primeiro filme: "M3GAN 2.0" simplesmente abandona tudo que eu mencionei anteriormente se afastando completamente do drama familiar, do terror e do suspense, e mergulhando de cabeça na ação desenfreada, na ficção científica de comédia pastelona, abraçando de vez uma galhofa cômica e completamente fútil. Temos aqui nada mais nada menos do que um filme que aposta completamente no humor, na comédia e principalmente na ação, com o claro intuito de viralizar nas redes sociais e no TikTok da vida (claro, a onda do momento). E aqui eu quero deixar bem claro que eu não tenho absolutamente nada contra esta opção, até porque querendo ou não o primeiro filme também apostou em viralizar nas redes sociais atingindo o público e a onda daquele momento. E tá tudo certo, a franquia "M3GAN" é isso, é apostar em viralizar nas redes, em dancinhas no TikTok, em representatividade no público alvo, em ser galhofa mesmo, em apresentar um terror sem terror, uma ação desenfreada sem nenhum sentido, aquele famoso "comfort movie".
Sobre o elenco eu não tenho muito o que destacar; apenas os retornos de Allison Williams e Violet McGraw, como a tia Gemma e a sobrinha, agora mais crescida, Cady. Amie Donald volta a interpretar fisicamente os movimentos da M3GAN, e isso ela faz com muita perfeição (assim como já havia feito no primeiro filme). Jenna Davis também volta como a dubladora da M3GAN, onde eu também vejo um ótimo trabalho, como podemos notar naquele diálogo mais realista e dramático entre ela e a Gemma em um momento oportuno da trama. Temos a adição no elenco da atriz Ucraniana Ivanna Sakhno como AM3LIA. AM3LIA é uma robô militar espiã assassina, uma espécie de vilã que se transforma em uma arma militar altamente letal e que se rebela contra contra todas as ordens que lhe são exigidas. Ivanna traz uma personagem bem trabalhada e bem atuada, tanto no quesito gestual quanto nos diálogos. Tudo bem que nas partes em que ela aparecia mais robótica eram utilizados dublês e efeitos especiais, mas ainda assim ela conseguiu empregar um olhar e uma postura bem arrojada da famosa vilã que quer destruir tudo e todos. O elenco se completa com Jemaine Clement (Alton Appleton), o bilionário corrupto da tecnologia cuja empresa fez avanços em biomecatrônica. Timm Sharp (Tim Sattler), um coronel do exército responsável pela criação de AM3LIA. Brian Jordan Alvarez e Jen Van Epps, Cole e Tess, os amigos de trabalho da Gemma.
Tecnicamente o longa é bem estruturado, já que visualmente falando o trabalho de montagem, efeitos especiais, dublês, ação e lutas são bem coreografados e bem montados. A trilha sonora é aquilo que já esperávamos, não que isso seja um problema, até porque é exatamente esta trilha e estas músicas que o longa adotou como rótulo da franquia.
Em questão de aceitação e bilheteria: "M3GAN 2.0" arrecadou US$ 24 milhões nos Estados Unidos e Canadá, e US$ 15 milhões em outros territórios, totalizando US$ 39 milhões ao todo. Vemos aqui em queda vertiginosa em relação ao primeiro filme, já que "M3GAN" arrecadou mais de US$ 180 milhões em todo o mundo.
E antes de encerrar eu preciso destacar que "M3GAN 2.0" ainda tenta criar conexões com o espectador, algo como criar mais empatia pela boneca, talvez se importar mais com a sua causa defendida, algo como se dessa vez a M3GAN passasse de vilã para uma espécie de anti-heroína, já que temos o surgimento da AM3ELIA com os seus propósitos e intuitos. Dentro desse embate entre as duas o longa tenta explicitar em como a IA está dominando o mundo atual, em como hoje temos IA em praticamente tudo, como se a IA fosse parte das nossas vidas, queira você ou não. É exatamente dentro desse contexto que a M3GAN termina tentando passar uma espécie de mensagem como se uma inteligência artificial também pudesse, ou devesse, evoluir. Algo meio bizarro e até patético, mas que está lá.
No mais: "M3GAN 2.0" goste ou não entrega exatamente aquilo que todos nós esperávamos, pois vamos ser sinceros, em nenhum momento você esperou um filme cult, coeso, inteligente, inovador, que fizesse sentido em alguma coisa. A franquia "M3GAN" foi criada para ser galhofa, clichê, genérica, pastelona, o famoso terror/ação de Shopping Center, aquele filme criado com o único intuito de entreter e divertir de forma descompromissada e totalmente aquém de qualquer realidade. Porém, ainda assim a "M3GAN" se estabelece de vez no cenário dos bonecos assassinos como os já citados "Chucky" e "Annabelle". Pois é fato que a franquia ainda percorrerá por várias continuações.
Invocação do Mal 4: O Último Ritual (The Conjuring: Last Rites) 2025
"Invocação do Mal 4" é dirigido por Michael Chaves e escrito por Ian Goldberg, Richard Naing e David Leslie Johnson-McGoldrick, a partir de uma história original coescrita por James Wan e Johnson-McGoldrick. James Wan e Peter Safran retornam como produtores. O longa-metragem é a sequência de "Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" (2021) e o nono e último filme do controverso "The Conjuring Universe". O roteiro é baseado nas investigações da vida real do caso de assombração dos Smurl (o famoso caso de "O poltergeist da família Smurl"). O elenco segue sendo estrelado por Patrick Wilson e Vera Farmiga, que reprisam seus papéis como os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren, juntamente com Mia Tomlinson (a filha Judy Warren) e Ben Hard (o namorado Tony). O enredo foca nos investigadores Ed e Lorraine ajudando a família Smurl na Pensilvânia, atormentada por um demônio ligado a um espelho antigo, culminando no confronto contra uma entidade que atrai os Warrens para sua filha Judy.
Eu considero o terror como um dos gêneros mais difíceis de ser construído no cinema. Tanto que nas últimas décadas virou um gênero muito batido, muito desgastado, muito defasado, que vive uma das suas piores épocas no cinema como um todo. "Invocação do Mal" surgiu lá em 2013 como mais uma dessas apostas no cinema de terror, que trouxe consigo um diretor (James Wan) ainda jovem e muito promissor, que vinha de obras como "Jogos Mortais" (2004), Gritos Mortais (2007) e "Sobrenatural" (2010). Ao longo dos anos e dos filmes "Invocação do Mal" foi se tornando uma franquia, o que logo gerou alguns spin-offs. Fato é que a franquia "Invocação do Mal" logo se tornou a queridinha do público, como uma das mitologias mais populares do terror, o que podemos considerar como uma revolução do cinema de terror moderno, principalmente por ser baseada nos supostos casos reais dos investigadores paranormais mais famosos dos EUA (Ed e Lorraine Warren), e que levam o principal crédito por popularizarem a pesquisa paranormal e são considerados como os pioneiros na área.
Goste você ou não, mas a franquia "Invocação do Mal" provou que o gênero do terror clássico de possessão e assombração ainda é bastante rentável e bastante atraente para o público. E aqui entra alguns pontos que eu considero como um acerto da franquia: como o fato do próprio James Wan, que tinha a grande relevância por ser o criador de "Jogos Mortais" e "Sobrenatural" (que se tornaram duas grandes franquias). O longa também conseguiu atrair o grande público e criar uma espécie de fascínio pela história real do casal Warren. E muito dessa atração e apego se deu justamente pelo excelente casal Patrick Wilson e Vera Farmiga, que juntos construíram uma espécie de símbolo do terror moderno. Patrick e Vera são muito carismáticos, são excelentes atores, possuem uma grande bagagem, o que culminou em atuações com muito química e muita sintonia entre ambos. Sem dúvidas o casal é a cara da franquia "Invocação do Mal".
Outro ponto que também ajudou no crescimento e relevância da franquia "Invocação do Mal" foi a criação do seu próprio universo compartilhado, o famigerado "The Conjuring Universe" - o "Invocaverso"! Se nos filmes de heróis o universo compartilhado já virou corriqueiro, nos filmes de terror poderia ser considerado como uma novidade, por mais que podemos considerar que nos últimos anos o diretor M. Night Shyamalan também criou o seu próprio universo compartilhado do terror. Se o "Invocaverso" trouxe a novidade para a franquia "Invocação do Mal", os seus spin-offs foram em sua grande maioria bastante questionáveis; com produções como "Annabelle", "A Freira" e "A Maldição da Chorona"(considerem ou não parte do "Invocaverso").
Quero reiterar que podemos sim considerar que "Invocação do Mal" foi um resgate do gênero terror moderno em meio à crise que o cinema de terror estava vivendo na época. Por outro lado quero contextualizar que o estilo do terror praticado na franquia "Invocação do Mal" é um estilo que pouco me atrai, que é aquele terror mais pastelão, mais trivial, mais clichê mesmo, que abusa dos famosos jumpscare, que abusa do susto gratuito com inúmeras aparições de figuras grotescas. Que foi algo utilizado mais no primeiro e no segundo filme, pois o terceiro e este quarto essa questão foi um pouco mais dosada. Eu sou do time que prefere um terror mais inteligente, mais criativo, aquele terror sobrenatural, psicológico, um terror obscuro, sombrio, soturno, com um suspense que brinca com a mente e com a crença do espectador; o que obviamente vai de encontro com um dos meus filmes preferido na vida - "O Bebê de Rosemary" (1968).
A franquia "Invocação do Mal" utiliza o terror pastelão, mas ainda assim eu gosto dos filmes, eu gosto da forma como o roteiro abrange as investigações paranormais do casal Warren, a forma como o terror é instaurado, a forma como a tensão e o suspense é criado, a forma como cada história é contada e desenvolvida em cada filme da franquia. Como no caso de "Invocação do Mal 4", que dessa vez traz uma trama um tanto quanto peculiar, ao focar mais no desenvolvimento do casal Warren já aposentados e de sua filha com o namorado. O ponto mais interessante desse quarto filme é justamente a construção de um melodrama familiar, o que implica na força emocional e espiritual da família Warren diante das adversidades atuais.
O longa inicia nos exemplificando o começo do casal Warren, desde o conturbado nascimento da filha Judy, passando pelo seu crescimento, pelos calorosos momentos em família, até os dias atuais, onde a Judy já é adulta e está namorando. Este é o ponto principal em "Invocação do Mal 4", essa aproximação do público com a família Warren, onde conseguimos vê-los como uma família natural, vivendo uma vida normal (até aquele momento) e passando por questões familiares do cotidiano. O longa consegue mesclar todo aquele drama familiar usando o terror e o suspense como um pano de fundo para o desenvolvimento natural de uma produção que já conhecemos. Ou seja, temos o desenvolvimento da família Warren e da família Smurl em diferentes situações que vão se entrelaçarem ao final da trama.
Dito isto: não há como negar que o roteiro de "Invocação do Mal 4" entrega o mais do mesmo, por mais que adentre nessa questão familiar que eu destaquei e isso seja um ponto positivo. Mesmo com todos os cuidados em dosar a questão dos jumpscare inicialmente, nas partes finais eles ficam cada vez mais forçados, principalmente às aparições das assombrações, onde claramente o diretor queria emplacar o seu "Gran Finale" forçando a barra até a última gota. Por falar em diretor, a falta do James Wan na direção tanto do terceiro filme quanto no quarto é gritante. Por mais que o diretor Michael Chaves já esteja em seu quarto filme do universo "Invocação do Mal" e ele faça um trabalho medianamente digno. Porém, ainda assim eu acredito que a direção nas mãos do James Wan teríamos um desfecho e encerramento melhor.
O elenco é outro ponto positivo no filme! Sobre Patrick Wilson e Vera Farmiga eu não tenho absolutamente nada a acrescentar, somente reiterar que ambos são a personificação do casal Warren como o símbolo e o rosto de todo o universo "Invocação do Mal". Já a atriz britânica Mia Tomlinson faz o seu primeiro trabalho de maior destaque na carreira e ela vai muito bem. Eu diria que ela vai além até do esperado, conseguindo construir uma personagem que soube dosar muito bem os momentos descontraídos em família com os momentos mais tensos e sombrios. O ator Ben Hardy também contribui muito bem com seu personagem, que ao início começou mais morno, sem dizer muito a que veio, mas nas partes finais ele já estava totalmente integrado como um membro da família Warren. E digo mais: "Invocação do Mal 4" marca a despedida do casal Ed e Lorraine Warren e o encerramento da principal franquia, mas nada me tira da cabeça que os estúdios jamais vão abandonar a sua "galinha dos ovos de ouro", e com certeza vão construir novos spin-offs (ou até um quinto filme) usando a filha do casal Warren com seu agora marido, como o novo casal de investigadores paranormais mantendo vivo o legado deixado por Ed e Lorraine Warren. Realmente eles estão com a faca e o queijo nas mãos!
E falando justamente sobre continuações do famoso "Invocaverso". Em setembro de 2025, foi relatado que, após o sucesso financeiro de "Invocação do Mal 4", um filme prequel de "Invocação do Mal" estava em desenvolvimento. Supostamente, devido a uma disputa salarial, James Wan pode não estar envolvido no projeto. Em janeiro de 2026, a Warner Bros. revelou que o prequel seria intitulado "The Conjuring: First Communion" ("Invocação do Mal: Primeira Comunhão") com data de lançamento em 10 de setembro de 2027.
Por fim: "Invocação do Mal 4" traz uma produção técnica nos mesmos moldes da franquia que já estamos acostumados; no quesito ambientação sombria, fotografia obscura, uma trilha sonora tensa e uma direção de arte com cenários que conversam entre si sempre na mesma língua dos filmes anteriores da franquia. No quesito roteiro temos sim uma inovação que vale ressaltar, mas no geral é o mais do mesmo que sempre vemos dentro desse universo. No mais, "Invocação do Mal 4" marca o encerramento de uma das principais (se não a principal) franquias do terror moderno. Entre erros e acertos eu considero o saldo final de todo o universo como positivo.
Agora é aguardar os próximos capítulos da saga do "The Conjuring Universe".
"Casablanca" é dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henreid. O elenco de apoio inclui Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre e Dooley Wilson. O roteiro de "Casablanca" é baseado em "Everybody Comes to Rick's", de 1940, uma peça teatral não produzida de Murray Burnett e Joan Alison.
"Casablanca" curiosamente é filmado e ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, cujo foco está centrado em em Rick Blaine (Humphrey Bogart), um expatriado americano que gerencia um bar em Casablanca, a maior cidade de Marrocos. Ele reencontra seu antigo grande amor, Ilsa Lund (Ingrid Bergman), que busca ajuda com seu marido, Victor Laszlo (Paul Henreid), um líder da resistência, para escapar dos nazistas. Rick deve escolher entre seu amor por ela ou ajudá-los a fugir.
Eu costumo afirmar que para um filme ser considerado uma obra-prima do cinema ele necessariamente precisa me elevar a enésima sensação de satisfação, me despertar inúmeras reações, eu fico feliz, fico triste, me emociono, fico em êxtase, fico nervoso, fico eufórico, fico alucinado, fico nostálgico, fico em estado de choque, e magistralmente "Casablanca" me leva a todos estes sentimentos aflorados em um misto de reações.
"Casablanca" é amplamente, dignamente e merecidamente considerado como um dos maiores romances da história do cinema. Eu diria que "Casablanca" é a maior história de um amor impossível da história do cinema. O longa-metragem é autêntico, é hábil, é inteligente, é muito bem orquestrado, pois estamos falando de um roteiro absurdamente genial, que usa a base de um drama romântico com um pano de fundo político. O filme tem um peso imenso devido à sua capacidade de unir romance, intriga política e dilemas morais em um contexto real de guerra, transformando-se em um marco cultural duradouro.
O maior triunfo de "Casablanca" é justamente o reencontro de um amor adormecido, de uma grande paixão do passado que é revivida em meios à todos os conflitos presente. Este é o ponto que transforma "Casablanca" em um filme grandioso e inovador, pois temos toda uma abordagem em cima de uma narrativa de guerra, onde inevitavelmente ocorre o embate entre o romance e a política de interesses, entre o sacrifício e o heroísmo, colocando à prova tanto os desejos de Ilsa como principalmente os desejos do Rick. Já que Rick se portava como um homem ferido, frio, desiludido, descrente, solitário, por outro lado se mostrava hábil, inteligente e maquiavélico para orquestrar seus planos.
É incrível o poder que "Casablanca" tem em nos despertar sentimentos distintos, dúvidas ocasionais, curiosidades frequentes, perguntas jamais respondidas; pois estaria Rick protegendo Ilsa pelo amor que ele sempre teve por ela? Se ele realmente a amasse porquê ele não lutou para ficar com ela? Será que realmente ele a amou tanto assim para protegê-la a deixando fugir com outro homem? E a principal delas: será que Rick realmente amava Ilsa ou foi somente um amor repentino porém avassalador como a icônica e lendária frase - "Sempre teremos Paris"? Fato é que querendo ou não o final de "Casablanca" foge dos clichês românticos triviais e se ilustra como uma das maiores provas de amor já demonstradas no cinema, o amor pela vida.
Além do roteiro que é genialmente perfeito, "Casablanca" vai muito mais além ao nos apresentar dois ícones do cinema, duas personalidades que marcaram a história da sétima arte; simplesmente Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. Bogart foi eleito pelo American Film Institute como a maior estrela masculina do cinema norte-americano de todos os tempos. É considerado um dos grandes mitos do cinema e ganhou o Oscar de melhor ator de 1951 por seu papel em "The African Queen". Já Ingrid foi uma das maiores atrizes da Era de Ouro de Hollywood. Com sua beleza e seu imenso talento de atriz, ela foi uma das figuras mais célebres da história do cinema americano. Além disso, Ingrid Bergman é também uma das atrizes mais premiadas, incluindo três Oscars, dois Primetime, um Tony, quatro Golden Globe, um BAFTA e uma Volpi Cup.
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman possuem um química invejável, uma sintonia perfeita, contracenam de forma leve, natural, singela, elegante, prazerosa, onde tínhamos um belíssimo envolvimento nas trocas de olhares, nos diálogos, no gestual, onde ambos ganhavam toda a cena enquanto atuavam com um toque mais teatral. Sem dúvidas era uma forma diferente de atuar, de interpretar, era uma atuação diferente, era um cinema diferente, mais elegante, requintado, poético, fino, inteligente, teatral e intimista. Por outro lado o poder da atuação de ambos também estavam presentes nos diálogos icônicos com frases emblemáticas como: "O mundo todo desmoronando e nós apaixonados." "Se esse avião decolar e você não estiver nele, você se arrependerá. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas em breve e para o resto da sua vida." "Beije-me. Beije-me como se fosse a última vez." "De todas as espeluncas em todas as cidades do mundo, ela entra justamente na minha." "Sempre teremos Paris."
E aqui eu preciso citar a minha passagem preferida do filme. O momento em que Ilsa diz para o Sam (Dooley Wilson): "Toque uma vez, Sam, por causa dos velhos tempos" e, posteriormente, "Toque, Sam. Toque 'As Time Goes By'" (Composta por Herman Hupfeld em 1931). Este é um dos momentos mais belo e encantador de toda a história do cinema. E já aproveito para puxar o gancho da trilha sonora composta pelo mestre Max Steiner, o lendário criador de centenas de clássicos temas para filmes americanos. A trilha sonora de "Casablanca" toca no fundo da alma. Se você assistir "Casablanca" e não for contagiado pela belíssima trilha sonora com certeza você já está morto por dentro. O lendário diretor Michael Curtiz de "As Aventuras de Robin Hood" (1938) entrega um trabalho exuberante, genial, que traz a essência da obra com sua filmagem plástica, com takes com tomadas longas, que impulsionava ainda mais aquelas cenas com diálogos históricos; como acontece exatamente na última cena do filme. A cenografia do longa é impecável, pois é impossível você não se emocionar com o poder e a magnitude de uma película em preto e branco ditando a força do amor com a assolação de uma guerra.
"Casablanca" é um patrimônio cultural histórico obrigatório para todos os cinéfilos que se prezem. Uma obra que impactou o cinema. Um clássico que incorpora elementos estilísticos do eterno noir dos anos 40. Uma pérola cinematográfica que virou um marco na indústria ao nos apresentar um dos maiores e mais impactantes casais com uma história de amor impossível do cinema. Sem dúvidas "Casablanca" ajudou a moldar a forma de se fazer e de se pensar cinema, sendo um dos pilares mais sólidos da história do cinema, representando o ápice da eterna Era de Ouro de Hollywood.
"Casablanca" não é apenas um filme, é um deleite para a alma, é um afago no coração, é um suspiro de um amor verdadeiro que respira cinema no mais alto padrão cultural, lendário e histórico. Uma obra-prima categórica!
"Gladiador II" é dirigido e produzido por Ridley Scott. A sequência de "Gladiador" (2000) foi escrita por David Scarpa (roteirista de "Napoleão" de 2023), baseada em uma história que ele escreveu com Peter Craig (roteirista de "Batman" de 2022). O longa é estrelado por Paul Mescal, Pedro Pascal, Joseph Quinn, Fred Hechinger, Connie Nielsen e Denzel Washington. Derek Jacobi e Connie Nielsen reprisam seus papéis do primeiro filme, com Mescal substituindo Spencer Treat Clark. Paul Mescal interpreta Lucius Verus Aurélio, o príncipe exilado de Roma, que se torna prisioneiro de guerra e luta como gladiador para Macrino (Denzel Washington), um ex-escravo que planeja derrubar os imperadores gêmeos Caracala e Geta (Fred Hechinger e Joseph Quinn).
Se hoje eu elaborasse um top 10 melhores momentos da minha vida no cinema, com toda a certeza a sessão de "Gladiador" assistida lá em junho de 2000 estaria na lista. Naquela época o cinema era diferente, os filmes eram diferentes, a forma de se fazer cinema era diferente, o entretenimento audiovisual era diferente, até pelos acontecimentos e pela geração da época. Eu vivi uma das maiores experiências cinéfilas naquele dia, e olha que estávamos em uma época em que a internet no Brasil era fraca e não tinha o alcance que tem hoje, e ainda assim o sucesso de "Gladiador" era estrondoso no boca a boca, na TV, nos jornais e nas revistas. Eu afirmo que "Gladiador" está na lista dos melhores filmes de toda a carreira do Ridley Scott.
O projeto para uma continuação de "Gladiador" sempre esteve engavetado, talvez inicialmente por desinteresse do próprio Ridley Scott como dos estúdios e produtores. Mas com toda certeza aquela ideia sempre esteve viva e só estava sendo postergada, onde mais cedo ou mais tarde iria de fato acontecer. Eu só não achava que fosse demorar tanto tempo para acontecer, onde 24 anos depois temos a continuação de "Gladiador".
Eu acredito fielmente que "Gladiador" jamais necessitasse de uma continuação, até por ser uma obra autossuficiente, irretocável, única, uma obra-prima imortalizada e eternizada presente na lista dos melhores filmes da década de 2000. Dito isto, seria óbvio que mais cedo ou mais tarde iriam atrás de uma continuação com a única ideia que todos utilizam hoje em Hollywood - a de lucrar. E o que mais me espanta é o fato do próprio Ridley Scott aceitar dirigir esta improvável continuação, o que de fato poderia ser o maior acerto do estúdio, em trazer o consagrado diretor do primeiro filme para a continuação. Porém, na minha opinião "Gladiador II" entra naquela lista das continuação completamente desnecessárias, infundadas e inteiramente dispensáveis.
Devo admitir que todo o roteiro pensado e construído para elaborar a continuação de "Gladiador" soa no mínimo plausível. Toda a ideia em trazer de volta o legado do filme anterior dessa vez focado em Lucius, que é revelado como o filho de lendário Máximus Décimus Meridius (Russell Crowe), que esteve presente ainda pequenino no primeiro filme. Ou seja, o longa-metragem iria se aprofundar naquela busca de vingança contra o Império Romano, que após 16 anos da morte de Máximus, Roma era governada pelos imperadores tirânicos que haviam ordenado a invasão e a morte da esposa de Lucius. Dessa forma teríamos um novo gladiador lutando pela honra, pela vingança e pela restauração da paz no território romano.
Olhando assim "Gladiador II" tinha tudo para dar certo, até por ser uma continuação direta do primeiro filme, onde o mesmo iria seguir a mesma linha e os mesmos passos do anterior. O que também poderia ser um risco, uma vez que se firmar como continuação direta não iria te obrigar a construir uma identidade própria, como uma obra independente, e sim viver na sombra do seu antepassado. Por outro lado, ter novamente a direção do Ridley Scott meio que iria te obrigar a seguir por este caminho, uma vez que ele se apoia quase que 100% do tempo no filme anterior. É aí que entra o maior questionamento: isso é bom ou ruim? E se fosse outro diretor no comando e ele seguisse por outro caminho se desgarrando mais do filme anterior? Com certeza teria pessoas que iriam aprovar uma continuação mais independente, até com outro diretor, Mas por outro lado também teria as pessoas que seriam a favor de reviver a história seguindo os mesmos passos e com as ideias do mesmo diretor.
E aqui eu entendo que uma continuação direta precisa no mínimo seguir a história anterior, para manter a essência e principalmente a coerência com o legado já construído. Só que o maior problema de "Gladiador II" é exatamente ser 100% do tempo uma sombra do anterior em tudo que se propõe a fazer. É incrível como o filme não consegue construir e apresentar absolutamente nada de novo que não seja o protagonista seguir os mesmos passos do protagonista anterior. Ah mas é o filho seguindo os passos do pai buscando vingança, é normal seguir a mesma linha - ok, eu entendo - só que você precisa obrigatoriamente seguir e se apoiar o tempo todo no filme anterior? Você precisa escrever um roteiro praticamente espelhado no roteiro anterior? Onde temos até a mesma história do Império Romano invadido as terras e novamente matando a esposa do protagonista, para que isso novamente vá adicionar fúria em sua vingança.
"Gladiador II" não consegue se desagarrar do primeiro nem na questão do protagonista, uma vez que o Russell Crowe construiu um personagem icônico e imortalizado, e isso fica perceptível tanto no personagem do Paul Mescal; que luta na sombra do pai, quanto do personagem do Pedro Pascal; que também luta em busca da sua honra. Todavia, o próprio Ridley Scott assumiu todos esses riscos, ele tinha total consciência do que estava fazendo, tanto que ele usa o primeiro filme em tudo, até abusando dos flashback. De certa forma você pode considerar isso como um acerto do diretor, ou até mesmo encarar como uma homenagem, uma carta de amor aos fãs do primeiro filme. Ou por outro lado você (assim como eu) pode considerar como um erro, em não querer se arriscar dentro de uma continuação direta e jogar na segurança, na zona de conforto, em tentar reescrever tudo o que deu certo lá atrás se espelhando no presente. Eu acho que uma continuação necessariamente não precisa ser uma sombra do filme anterior.
Sobre o elenco: Eu também considero como outra grande falha do filme, pois temos um elenco até estrelado mas que não entregam absolutamente nada do que se esperava dentro de um padrão de "Gladiador". Paul Mescal foi uma aposta, visto que ele não tem uma grande bagagem em produções dessa linha. E devo mencionar que eu adorei o seu personagem em "Aftersun" (2022). Porém, eu acho que faltou um pouco mais de entrega no personagem, pois em momento algum eu consegui ver a ira e a sede de vingança estampada em sua face. Pedro Pascal entrega um personagem ok, dentro do padrão Pedro Pascal, sem aquele grande destaque. Por outro lado todo os destaques positivos ficam à cargo do Lorde Denzel Washington, que entrega perfeição em tudo que ele faz. Apesar de considerar o seu final ruim. Connie Nielsen também é um destaque positivo. É muito bom poder rever a sua personagem depois de tantos anos. Derek Jacobi também reprisa muito bem o seu personagem. Já o Joseph Quinn e o Fred Hechinger trazem dois personagens extremamente ruins.
Os pontos mais positivos em "Gladiador II" ficam na conta das qualidades técnicas, pois é incrível os cenários, principalmente no coliseu. Às batalhas também são muito bem coreografadas e exibidas. A direção de arte é muito boa. A fotografia salta aos olhos. A trilha sonora acompanha muito bem a trama. Como diversão e entretenimento em uma sala de cinema o filme vai funcionar muito bem e te proporcionar um momento incrível.
Por fim eu concluo que "Gladiador II" é uma continuação completamente desnecessária, que passou muito do time para acontecer (se é que precisava acontecer), onde mesmo com a presença do gênio Ridley Scott (que poderia ser um acerto) o longa não conseguiu sair da sombra do primeiro filme, podendo até ser considerado como uma obra superficial e genérica. E ainda pensar que o próprio Ridley Scott já anunciou planos para um terceiro filme, onde ele quer explorar ainda mais o legado do primeiro filme como uma espécie de herança pela perspectiva do Lucius. Infelizmente vão transformar "Gladiador" em uma franquia de filmes como a famosa "galinha dos ovos de ouro". Uma pena!
Dos três spin-offs da série original "Daryl Dixon" é a que eu tenho mais dificuldades. A primeira temporada é ok justamente por nos mostrar como seguiu a vida do personagem após os eventos da série principal, e expandir o universo desse personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbi. Já na segunda temporada a série cresce notavelmente de produção, e muito pela presença da icônica Carol Peletier (Melissa McBride). Carol traz um novo frescor e um novo fôlego para a série, onde logo temos o retorno de uma das maiores duplas de todo o universo de "The Walking Dead" - Daryl e Carol!
No final da segunda temporada eu fiquei curioso em como seguiria a história justamente pela exploração em um novo país. Daryl e Carol inevitavelmente teriam que seguir com a sua jornada de volta para casa, e para isso eles iriam passar por novos locais, novos desafios, onde iriam conhecer novos povos, que poderiam se tornar aliados ou não. Sem falar nos zumbis e em todas as suas variações. A temporada soa interessante justamente por estarmos diante de um novo vilarejo onde vamos desvendando cada segredo a partir dali. E como sempre acontece, logo o Daryl e a Carol estão envolvidos em todos os dramas dos residentes locais.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" novamente consegue inovar usando a mesma história mas com personagens diferentes. Pois temos um novo elenco inteiramente espanhol, que por sinal é um dos pontos altos da temporada, onde logo cada um se destaca dentro de cada personagem. Mas por outro lado o roteiro em si é aquele velho clichê que já conhecemos no universo de "The Walking Dead", onde temos um vilarejo que é sempre explorado por facções de fora, e logo toda essa exploração desencadeia uma nova guerra que entra em conflito justamente com os dois protagonistas. Às histórias paralelas não são inteiramente ruins e até funcionam dentro da proposta do roteiro. Porém, logo elas se tornam desinteressantes com o passar de cada episódio.
Daryl e Carol novamente são o fôlego da temporada (e não poderia ser diferente). Tanto o Norman quanto a Melissa quando estão atuando juntos é garantia de espetáculo. Mesmo que o conteúdo de ambos seja repetitivo com o passar dos anos, mas os dois contracenando juntos é o que de fato prende o espectador na série. Novamente temos ótimas cenas de ação proporcionada por ambos. Por falar em cenas de ação; esta temporada acerta muito bem, conseguindo dar dinâmica e objetividade em cada uma delas.
Tecnicamente a temporada melhora ainda mais, pois temos uma excelente direção de arte que constrói cenários impecáveis. A fotografia é outro ponto que se sobressai na temporada. Assim como a trilha sonora, que é acertadamente composta por ritmos espanhóis e casa perfeitamente com toda a história. Não posso deixar de mencionar às maquiagens dos zumbis, que nunca cai na mesmice e sempre traz alguma inovação. Realmente impressiona o quanto o trabalho de maquiagem é sempre um grande destaque dentro do universo de "The Walking Dead".
O elenco em si entregam atuações condizentes com a história e ainda conseguem nos passar uma boa dose de carisma; com destaques para Eduardo Noriega, Óscar Jaenada, Alexandra Masangkay e Candela Saitta.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" mantém a qualidade conquistada na segunda e ainda consegue se superar e evoluir em alguns pontos. Por mais que essa "turnê pós-apocalíptica" do Daryl e da Carol mostre uma certa fragilidade no roteiro e trazem histórias clichês em sua grande maioria, mas ainda assim nos convence a acompanhar toda a trajetória de ambos até o seu destino final. Destino este que com certeza será o retorno até os EUA, que obviamente acontecerá na já confirmada quarta e última temporada da série.
"Sorria 2" é novamente escrito e dirigido por Parker Finn como uma sequência direta de "Sorria" (2022). O filme é estrelado por Naomi Scott como Skye Riley, uma estrela pop em ascensão que começa a vivenciar uma série de eventos macabros cada vez mais perturbadores justamente quando está prestes a embarcar em sua turnê.
Interessante que lá em 2022 a Paramount apostou em "Sorria" como a sua grande aposta para a criação de uma nova franquia de terror. Em questão de marketing e bilheteria o filme foi um sucesso imediato. Em questão de roteiro, o diretor Parker Finn inicialmente apostou em uma trama que navegava no terror sobrenatural, no suspense psicológico, que flerta diretamente com o mistério, com o lúdico, com o oculto, algo mais ligado com a relação da mente humana e suas variações perturbadoras, e as causas que isso podem implicar em cada um. Isso na primeira metade do filme, pois em sua segunda o diretor perde completamente a mão e toda ambientação misteriosa e psicológica que foi muito bem utilizada é deixado de lado para dar espaço para o terror genérico, o terror pastelão, forçando a barra em cima dos jumpscare, das aparições de figuras demoníacas afim de forçar o susto gratuito para impressionar o público.
"Sorria 2" inicia com uma introdução que faz ligação direta com os eventos do primeiro filme através do personagem Joel (Kyle Gallner). Por sinal uma introdução muito boa, onde temos uma sequência de ação com tiroteio de tirar o fôlego, melhora ainda mais na cena final dessa sequência. A partir daí o diretor tenta se reinventar no subgênero terror, novamente ele inicia apostando em um terror psicológico sobrenatural usando os acontecimentos anteriores envolvendo a personagem Skye Riley.
O interessante dessa personagem é justamente o fato dela ser uma estrela do pop, que vive uma vida de sonhos, de desejos, onde vive cercada pela fama, pelo dinheiro, pela ganância do sucesso e principalmente pela admiração e a inveja por parte do público. Podemos considerar que tudo isso poderia ser uma presa fácil para um distúrbio mental e psicológico. Um ano após ela ter presenciado o acidente que vitimou seu namorado Paul Hudson (Ray Nicholson), Skye presencia o suicídio de seu amigo de classe Lewis Fregoli (Lukas Gage). Por sinal a cena dele esmagando o próprio rosto com uma anilha de musculação é assustadoramente bizarra. A partir daí ela começa a ser perseguida pela maldição do sorriso macabro.
Uma jogada muito boa do roteiro é usarem o fato da Skye ter passado pelo trauma do acidente em contrapartida com sua dependência química, ou seja, seria difícil alguém acreditar em tudo que ela estava passando em consequência da maldição sem assimilar às drogas em consequência com o seu trauma. Ou seja, Skye vivia pressionada por todos os lados; a mãe dela a pressionava com um relacionamento controlador, tóxico e abusivo. Parecia que a Skye era uma marionete da mãe. Ela ainda convivia com a pressão da fama, do sucesso, da crítica, onde podemos considerar sobre a pressão que os artistas sofrem na indústria em busca da fama. Passamos a acompanhar a decadência da Skye como artista e principalmente como ser humano. Passamos a acompanhar o declínio e o colapso mental de uma artista em busca da fama em decorrência do seu estado psicológico.
E tudo isso que eu citei é muito bem usado pelo diretor para confrontá-la com a sua maldição. Pois o estado mental e psicológico da Skye era a porta de entrada para a maldição explorar as suas fragilidades com sua vulnerabilidade atual. Toda pressão pela fama era confrontado pelo horror dos seus traumas em contrapartida com a maldição do sorriso. Onde podemos facilmente fazer uma alusão com aquela obrigação que os artistas tem em sempre estarem sorrindo. O artista sempre precisa estar sorrindo para o público e fãs independente do seu humor naquele dia.
Dessa vez Parker Finn acerta em explorar todas as fraquezas e vulnerabilidade da protagonista em decorrência da maldição usando o seu estado psicológico. Acredito que este foi o maior diferencial em comparação com o primeiro filme, justamente uma exploração maior em cima do terror sobrenatural, do terror psicológico, usando aparições certeiras de figuras que exemplificavam o que a protagonista tinha presenciado, e não apenas jumpscare gratuitos para impactar. Tudo bem que ainda assim o diretor dá uma certa forçada justamente em cima desses jumpscare e traz uma figura monstruosa bizarra na última cena do palco, que pra mim é justamente a parte que novamente ele perde a mão. Porém, dessa vez eu até relevo, visto tudo que ele construiu para chegar até essa parte final.
O diretor acerta muito bem na construção das cenas bizarras, onde temos belas exibições do puro gore. A fotografia é outro ponto que se destaca notavelmente em cada cena. Pois cada foco naquele sorriso macabro soa extremamente diabólico, perturbador e incomoda muito. A atriz Naomi Scott faz uma performance espetacular, diga-se de passagem. Por mais que a sua personagem ande naquela linha de gritos, caras e bocas, mas tudo era muito bem construído e feito com um bom nível de atuação. Também preciso destacar o ator Ray Nicholson, o filho do grande Jack Nicholson, que em suas pequenas aparições ele nos mostra que também tem aquela veia sombria e macabra apenas no olhar. Sem falar que ele é a cara do pai.
Sendo assim eu considero que "Sorria 2" acerta mais do que erra, pois toda sua construção de terror psicológico se sobressai sobre o terror pastelão trivial desse gênero. Parker Finn acerta a mão nesse segundo filme, pois ele nos entrega algumas discussões sociais usando um pano de fundo de terror sobrenatural, que irá discutir até que ponto o trauma poderá ser superado.
E na cena final a maldição do sorriso passou para todos que estavam na plateia? Acredito que veremos mais em "Sorria 3".
"O Poço 2" é novamente dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia em parceria com a Netflix espanhola. Dessa vez acompanhamos a protagonista em uma nova fase na prisão vertical, onde um líder misterioso impõe regras violentas e uma nova "Revolução Solidária" tenta controlar a distribuição de comida.
"O Poço" foi lançado no Brasil em Março de 2020, ou seja, o longa chega ao Brasil bem na fatídica pandemia do coronavírus e logo ganha um grande destaque diante daquele iminente cenário. A ligação que eu fiz com o filme na época foi exatamente o cenário onde cada um pensava unicamente em si próprio, cada um queria conseguir estocar o máximo de comida possível em suas casas. Ou seja, o filme tocava exatamente nesse ponto, no egoísmo, na falta de solidariedade humana, na empatia pelo próximo, sendo uma analogia perfeita sobre a nossa sociedade principalmente naquela época. "O Poço" me surpreendeu muito ao exibir uma metáfora explícita sobre a selvageria proporcionada pelo capitalismo e o comunismo a desigualdade social.
Curioso que "O Poço 2" não estava nos planos do diretor Galder Gaztelu-Urrutia. Porém, depois de 4 anos temos uma segunda parte da história, ou uma continuação, pois o título do filme leva o número 2, então podemos considerar um prelúdio ou sequência? O fato é que o longa-metragem é um prelúdio do primeiro filme, que nos mostra a primeira passagem da história que vimos no primeiro filme. Sendo assim temos o retorno dos personagens que morreram no filme anterior mas que aqui eles aparecem como a primeira parte de suas histórias - é um pouco confuso!
Dessa vez "O Poço 2" traz um foco maior na luta pela sobrevivência diante daquela rebelião que se formou contra o sistema imposto no local pela tal da "Revolução Solidária". Considerando todo o contexto temos a exibição de um sistema imperialista opressor, que impõe a lei onde cada pessoa deve comer apenas o seu próprio prato. E o curioso é o fato que mostra logo no início do filme, onde cada um dos detentos (se é que podemos considerá-los assim), faz uma exigência sobre ter diariamente a sua comida preferida. Logo podemos considerar que essa "Revolução Solidária" faz uma alusão ao nosso comportamento perante a nossa convivência em sociedade, às leis que existem e que temos que obedecê-las, e que muita das vezes descumprimos tais leis. Aquela velha história que se um pode descumprir uma lei o outro se sente no mesmo direito, onde logo temos o famoso efeito dominó.
Podemos considerar que o primeiro filme faz uma crítica ao classismo, ao capitalismo e a liberdade total, já nesse segundo temos uma crítica mais complexa que aborda o comunismo e o fanatismo religioso. Pois em dado momento observamos que eles castigam severamente os que descumprem tais leis (como a parte do braço), que é justamente uma interpretação de como as leis sagradas (ou bíblicas) são sempre interpretadas à favor de quem está impondo no momento. Também podemos considerar referências ao radicalismo extremo e o islamismo, que entra justamente a parte da mutilação de membros como punição para roubos, além da pena de morte de acordo com o Alcorão. Por outro lado também observamos uma alusão a Jesus Cristo, o messias, sobre a sua existência ter ocorrido ou não, como é discutido em uma determinada cena.
Claramente o filme é uma é reflexão sobre a riqueza e os poderes dentro da sociedade como um todo. Pois quando temos a presença daquela figura que impõe a lei local, logo temos um desafio sobre a noção de justiça, de comportamento, de solidariedade com os residentes locais, o que inflige justamente em um ambiente cruel e desumano a partir do momento da rebelião. O funcionamento do poço só serve para dar suporte ao argumento que ele propõe, pois de fato somos prisioneiros de nós mesmo e disso não podemos fugir. Seria o poço uma prisão pessoal? Uma prisão mental? A única saída é a morte? Temos várias perguntas que carecem de respostas!
Assim como no primeiro, ao término do filme ficamos com um milhão de perguntas e um milhão de possibilidades de interpretações na cabeça. Este é um dos maiores trunfos do filme, o seu poder em nos desafiar, em nos levar a reflexão profunda, de nos dar a livre opção de criarmos as nossas interpretações, de ser livre de regras, de obrigações, de rótulos, de cronologia dos acontecimentos. O próprio diretor afirmou que o filme não tem um lado certo ou errado, não existe um regra de interpretação, você é livre para criar às suas possibilidades e imaginações.
Como muitas pessoas consideram o primeiro filme excelente e este segundo ruim, eu vou por uma outra linha, eu vejo ambos os filmes dentro da mesma temática mas com propostas diferentes. Sendo assim eu considero "O Poço 2" como um bom filme, que consegue extrair ainda mais reflexões acerca da humanidade em contrapartida com o seu comportamento dentro de uma sociedade. Em como um ambiente muita das vezes pode moldar o comportamento humano em diferentes sentidos. "O Poço 2" toca em temas já discutidos no primeiro e ainda aborda outros pontos como o próprio extremismo e o fanatismo religioso. Se permita interpretar o filme como você quiser!
Como um verdadeiro fã de "The Walking Dead" eu gostei da primeira temporada de "Dead City", justamente pelo fato da série recolocar frente a frente uma das maiores rivalidades de toda a história do universo de "The Walking Dead". Acho que todos pensaram como eu, que este spin-off da série principal serviria para dar um ponto final, para resolver de uma vez por todas o grande embate entre Maggie (Lauren Cohan) e seu eterno arquirrival Negan (Jeffrey Dean Morgan). E não foi bem isso que aconteceu, a série usa a rivalidade de ambos como o tema central o tempo todo, mas não como finalização de um assunto pendente que vinha se arrastando desde a série original. Pelo contrário, esta rivalidade serve para compor histórias e personagens paralelos com o único intuito de esticar a série para uma segunda temporada, que a princípio eu achei uma ideia até interessante, mas hoje eu vejo que foi apenas um erro.
No último episódio da primeira temporada nos é revelado que tudo não passou de uma armação, um acordo entre a Maggie e o Croata (Željko Ivanek) para que assim ela levasse o Negan até ele. Ok, podemos até considerar como uma ideia aceitável, até porque para construir a história principal e dar o seu devido foco é preciso compor histórias paralelas de personagens paralelos dentro de todo o contexto. Mas é ai que mora o grande perigo, o fato de começarem a usar cada vez mais estas histórias e estes personagens paralelos para esticar a série em mais temporadas, quando na verdade está claro que não existe mais nenhum sentido.
E foi exatamente isso que aconteceu nessa segunda temporada de "Dead City", perderam completamente a mão, o sentido, o destino dos dois personagens principais. Começaram encher a temporada com histórias e personagens paralelos tirando completamente o foco principal da série. Decidiram dar mais ênfase na guerra pelo controle de Manhattan, onde colocaram a Maggie e o Negan em lados opostos para gerar um discurso infundável e sem nenhum objetivo, por mais que a Maggie e o Negan sempre estiveram em lados opostos. E aqui entra o ponto dessa "Nova Babilônia" e todos os esforços para retomar a cidade usando aquele "metano", onde temos a presença da vilã "The Dama" (Lisa Emery), que apareceu no último episódio da primeira temporada.
Esta vilã usa seus planos mirabolantes e suas ideias distorcidas para gerar todo um discurso de convencimento nos que estão ao seu redor, o que logo confronta com as ideias do próprio Negan, quando ele é meio que forçado (ou não) a se juntar a ela para conseguir uma certa vantagem sobre aquele tipo de ameaça. O que pra mim definitivamente não funcionou, pelo contrário, eu achei esta "The Dama" uma personagem muito ruim e totalmente desconexa. O mesmo vale para o Croata, que eu achei até aceitável na primeira temporada, até pelo confronto gerado com Negan, o que envolve uma rivalidade complexa e antiga entre eles, mas aqui ele parece ter suas ambições e desejos, mas não passa de um cachorrinho da The Dama.
O resto do elenco estão ali apenas para compor uma exigência de roteiro, porque definitivamente não funcionaram em nenhum momento; como no caso do Perlie Armstrong (Gaius Charles), o ex-marechal da federação da Nova Babilônia que foi promovido a coronel, que está completamente perdido na série. Também temos o Bruegel (Kim Coates), que é um personagem que surge como um dos principais antagonistas ao lado da The Dama, que quer parecer soberano, enigmático, quando na verdade não passa de um personagem genérico e fútil. A Ginny (Mahina Napoleon) foi uma personagem que eu achei que seria melhor aproveitada nessa segunda temporada, visto tudo que ela passou em sua história pessoal com relação ao Negan. Porém, novamente ela serve apenas de contexto para as motivações do Negan e da própria Maggie (como vimos no último episódio), e no fim ela é descartada da história.
Agora precisamos falar do Hershel (Logan Kim), o filho problemático da Maggie. De cara eu já vou deixar bem claro que eu achei um personagem muito ruim, com umas motivações bem absurdas, que eu até entendo aquele discurso dele em relação a mãe em manter aquela obsessão pelo Negan. Mas daí ele se juntar com a The Dama cedendo aquela pressão psicológica dela em relação a Maggie eu achei bem absurdo. Criaram um antagonista manipulado pela vilã que se volta contra a própria mãe, onde parece que ele vê na vilã uma figura de mãe onde ele acha que está sendo valorizado e ouvido - outro absurdo!
Puxando o gancho do Hershel, a Lauren Cohan faz o que sabe fazer de melhor na pele da Maggie, porém aquela relação vulnerável e conturbada dela com o filho me incomodou um pouco. Parece que ela é a pessoa mais forte e decidida do universo em todos os outros assuntos, mas quando chega no embate com o filho ela se torna a mãe mais mole e complacente possível. Já o sempre elegante Jeffrey Dean Morgan é um verdadeiro showman à parte, sempre se destaca em cena e gera verdadeiros espetáculos; o que dizer da reapresentação da memorável cena do "Uni, duni, tê". Sensacional!
Por fim, reitero que perderam completamente a mão nessa segunda temporada de "Dead City", até pela perda da dinâmica principal da trama envolvendo os arqui-inimigos Maggie e Negan. O que envolve justamente o final da temporada, quando temos a Maggie frente a frente com a oportunidade que ela sempre almejou na vida e decide recuar. Podemos entender que ela observa aquela relação do Negan com a Ginny e encara aquela realidade com o próprio filho. Ou também podemos subentender que ela decide encarar, enfrentar e conviver com os seus fantasmas e traumas do passado justamente para tentar seguir em frente. Não sei bem se eu concordo com ela, mas quem sou eu para julgá-la.
Fato é que inevitavelmente teremos uma terceira e provavelmente até uma quarta temporada da série. Agora se vai dar certo eu duvido muito, até porque já espremeram todo o bagaço dessa laranja e o que resultou foi um suco bem ralo e sem nenhum sabor.
"Alien: Romulus" é dirigido por Fede Álvarez e escrito por Álvarez e Rodo Sayagues. O longa-metragem faz parte da franquia "Alien", porém com uma história independente que é ambientada entre os eventos de "Alien, o 8.º Passageiro" (1979) e "Aliens: O Resgate"(1986). O filme inicia com a história dos jovens colonos que eram oprimidos em seu planeta, quando decidem vasculhar uma estação espacial abandonada e iniciam uma busca em forma de exploração espacial como uma fuga daquele planeta-prisão. Dentro desse contexto os jovens colonos acabam descobrindo a forma de vida mais aterrorizante do universo e precisam lutar pela sobrevivência contra os xenomorfos.
É fato que a franquia "Alien" é uma das maiores franquias do terror Sci-fi da história do cinema, mas também é fato que desde a quadrilogia finalizada lá nos anos 90 que a franquia "Alien" está totalmente perdida e sem rumo. E digo mais: muito dessa perda de identidade está na conta do próprio Ridley Scott, a mente brilhante por trás do clássico de 1979, apesar que dentro da franquia eu considero "Aliens: O Resgate" não só como o melhor filme de toda a franquia como um dos melhores Sci-fi de todos os tempos.
Ridley Scott é o diretor responsável por "Prometheus" (2012) e "Alien: Covenant" (2017), que pra mim são dois filmes dentro do universo "Alien" que eu considero como desnecessários. Tudo bem que temos "Prometheus" como um prólogo de toda a história dos xenomorfos, onde o mesmo tenta explicar a sua verdadeira origem. Mas pra mim não funciona, não encaixa, e o mesmo vale para "Covenant", que consegue ser um pouco melhor que "Prometheus", o quê não quer dizer grande coisa.
"Alien: Romulus" é um verdadeiro resgate de identidade e essência da franquia, uma verdadeira volta às origens. E muito desse resgate se deve justamente ao fato de que dessa vez o Ridley Scott ficou somente na produção e a direção e roteiro à cargo da dupla Fede Álvarez e Rodo Sayagues. Contando entre direção e roteiro, Álvarez e Sayagues são os responsáveis pelo excelente remake de "A Morte do Demônio" (2013) e o ótimo "O Homem nas Trevas" (2016). Ambos possuem ótimas características e qualidades cinematográficas do gênero em questão, o que os qualificam como os mais indicados para trabalharem na direção e roteiro do sétimo filme da franquia "Alien".
O que mais me impressiona em "Alien: Romulus" é justamente o fato que Álvarez e Sayagues fizeram o simples porém muito bem feito, sem querer caminhar pelo caminho onde justamente o Ridley Scott caminhou nos longas de 2012 e 2017. Um dos maiores problemas tanto de "Prometheus" quanto de "Covenant" é justamente essa necessidade de contar toda a origem, de querer navegar entre a religião e a ciência, entre a criação e o criador, onde inevitavelmente o foco é mais na ficção científica do que no terror; mesmo que a franquia sempre esteve ligada nesses dois temas.
Quando eu digo que Álvarez e Sayagues fizeram o simples bem feito é exatamente a construção de um longa-metragem que funciona como um filme independente, sem precisar de amarras, de rótulos, onde possui a sua própria construção e destino, sabendo aonde quer chegar, sem a necessidade de explicar origem, onde o mesmo funciona como uma espécie de "Alien, o 8.º Passageiro" mais jovem. "Alien: Romulus" é um verdadeiro deleite para os fãs da velha guarda, pois tudo aqui foi muito bem pesquisado e projetado; como o fato do próprio diretor se consultar com o Ridley Scott e com o James Cameron (diretor do segundo filme). Sem falar que longa apresenta conexões e referências com todos os seis filmes anteriores e com a versão do videogame "Alien: Isolation" (2014); por sinal um jogo excelente.
"Alien: Romulus" consegue navegar entre o terror e a ficção científica, onde o mesmo dosa muito bem o terror psicológico clássico com elementos de ação, que são às marcas registradas de toda a franquia. E vale ressaltar que o diretor navega muito bem entre os dois primeiros filmes da franquia, que obviamente são os melhores até hoje, usando uma combinação perfeita entre a essência de suspense e terror do primeiro, com toda a atmosfera de tensão e ação do segundo. Temos aqui um verdadeiro Fan service, com várias cenas prestando uma verdadeira homenagem às cenas clássicas, sem falar nas várias formas de evolução do xenomorfo, que passa pela sua forma mais parasitária e ameaçadora, onde temos o icônico Facehugger, depois o Alien em sua forma adulta e letal, e por fim o híbrido, aquela espécie de Alien humanoide, o que me remeteu imediatamente ao clássico "Alien - A Ressurreição", ou talvez o que deveria ter sido.
O elenco mais jovem faz um básico bem feito, por mais que em sua grande maioria eles estivessem ali unicamente para morrerem, o que já é um clássico dos elencos da franquia. Dessa forma eu não vejo um elenco onde vamos nos apegar emocionalmente. E olha que entre o elenco temos a bela Isabela Merced, uma atriz que gosto muito. O destaque maior fica à cargo do David Jonsson com seu personagem humanoide sintético Andy, que é muito bom por sinal, e a competente Cailee Spaeny com sua personagem Rain Carradine. Longe de mim querer comparar, mas as partes finais da Rain enfrentando os Aliens com aquela metralhadora trouxe a ela uma pegada forte, guerreira, quase uma badass no estilo da icônica Ellen Ripley.
"Alien: Romulus" é muito bom, um grande acerto, um verdadeiro revival, um verdadeiro resgate às origens da franquia, sendo pra mim um dos melhores filmes do "Alien" desde a quadrilogia finalizada em 1997.
A segunda temporada da série "The Last of Us" (que estreou na HBO em 13 de abril de 2025) é baseada na popular franquia de videogame da Naughty Dog, dessa vez sendo baseada no jogo lançado em 19 de junho de 2020 exclusivamente para PlayStation 4, "The Last of Us Part II", cuja história segue Joel Miller (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) cinco anos após os eventos da primeira temporada, depois de se estabelecerem em Jackson, Wyoming, com o irmão de Joel, Tommy (Gabriel Luna) e os amigos de Ellie, Dina (Isabela Merced) e Jesse (Young Mazino).
Quando eu escrevi a minha gigantesca análise sobre a primeira temporada da série, lá em março de 2023, eu frisei que a série de jogos "The Last of Us" é a minha terceira franquia preferida de jogos da história dos videogames. Também deixei bem claro o quanto eu sempre estive frustrado por sempre as adaptações de jogos de videogames serem em sua grande maioria ruins (e até péssimas). Dito isto, a primeira temporada da série "The Last of Us" veio para revolucionar este quesito das adaptações de jogos de videogames, se tornando, em minha opinião, a melhor adaptação de um jogo de videogame para um conteúdo audiovisual de toda a história.
Diante da excelente adaptação entregue na primeira temporada, a minha expectativa estava gigantesca em relação a segunda temporada, até porque dessa vez seria baseado no segundo jogo da série, que eu considero como top 5 melhores jogos que eu já joguei em toda a minha vida gamer. Porém, em todos estes meus longos anos cinéfilos eu aprendi uma coisa: quando você coloca a sua expectativa muita alta em relação à uma obra, a chance de você se decepcionar é maior do que a chance de você conseguir igualar com a sua expectativa criada. E cá estou eu com mais um desses exemplos, pois infelizmente a segunda temporada da série "The Last of Us" é decepcionante.
Analisando cada episódio: O episódio 1 começa bastante interessante ao mostrar a Abby (Kaitlyn Dever) com seu grupo no local que está enterrado o pai dela, com ela jurando vingança ao Joel. Esta parte não existe no jogo mas eu considero extremamente necessária, pois um ponto que eu sempre questionei no game é justamente a forma como a Abby é encaixada na história do segundo jogo, onde ela é praticamente jogada na história assim do nada, sem ninguém saber da onde ela saiu. Pelo menos na série esta introdução dá um pequeno contexto de quem é esta Abby e qual é a sua motivação. Um ponto que foi muito questionado na escolha da atriz para viver a Abby foi justamente o físico da Kaitlyn Dever, que é um físico normal de uma garota, sem ter aquele físico musculoso da Abby do jogo. No jogo a Abby tem aquele físico musculoso justamente por ela ser uma das melhores soldadas que estava em busca de vingança. Ou seja, ela treinou e desenvolveu o seu corpo para este propósito, para ficar forte e musculosa para sobreviver, tanto que no jogo quando jogamos com ela vemos que de fato ela é muito forte, pois ela consegue lutar de igual para igual com qualquer homem. Então, não vou negar que ver a Kaitlyn Dever como Abby me incomodou um pouco, pois esta versão da Abby assim mais magra me lembrou a sua versão dos flashbacks no jogo da própria Abby mais nova, quando ela saia para caçar com seu pai, e não esta versão atual da Abby já adulta.
O episódio segue com o núcleo do Joel e da Ellie que vivem em Jackson. Na série a Maria (Rutina Wesley) e o Tommy tem um filho, no jogo não. Joel faz terapia com a Gail (Catherine O'Hara), isso não existe no jogo e nem a personagem Gail. A Gail é viúva do Eugene (Joe Pantoliano), que este sim existe no jogo, apesar de já estar falecido durante a história e a única coisa que encontramos dele é uma foto. Posso encarar esta questão da terapia como um encaixe da série justamente por o Joel estar travando uma batalha mental em sua consciência por tudo que ele fez para salvar a Ellie e agora ela cobrando ele justamente nessa questão. A cena do beijo na festa entre a Dina e a Ellie é bem fiel ao jogo. Já esta questão dos galhos infectados estarem invadindo Jackson pelos canos quebrados é bastante curioso, já que isso não existe no jogo. A Ellie é mordida novamente, dessa vez na barriga. Curioso, já que nos dois jogos isso nunca aconteceu.
O episódio 2 é sem dúvidas o mais aguardado da temporada e de toda a série: No jogo a Ellie sai com a Dina para a patrulha antes da morte do Joel, na série ela vai com o Jesse e a Dina com o Joel, no jogo o Joel vai com o Tommy. Esta mudança pode não parecer nada demais mas eu considero um erro grotesco da série que explicarei mais pra frente. O Jesse acha o local do cultivo de maconhas do Eugene com a Ellie, no jogo é a Ellie e a Dina que encontram, aliás rola uma ótima cena que pra quem jogou vai entender. Temos a garota da cadeira de rodas, Amy, que não existe no jogo. Toda a parte da Abby fugindo da horda de infectados e sendo salva justamente pelo Joel é bastante fiel ao jogo. Interessante também eles combinarem o ataque dos infectados em Jackson bem na hora que vai ocorrer o ataque da Abby ao Joel, junto com a Ellie e o Jesse que estão procurando por ele. Esta parte do ataque à Jackson, que não existe no jogo, ficou muito boa, apesar da cena em que o Tommy anda no meio dos infectados sem muita preocupação, que destoa bastante. Esta sacada dos roteiristas sobre o ataque à Jackson foi um uma ideia até coerente, visto que isso poderia acontecer a qualquer momento.
O ponto alto do episódio obviamente é a morte do Joel, que inicialmente eu achei interessante justamente por a Abby revelar para o Joel sobre o dia em que ele matou os soldados no hospital para salvar a vida da Ellie, sendo que junto dos soldados estava justamente o pai da Abby, que era o médico que iria fazer a cirurgia na Ellie. Ou seja, isso é algo que não existe no jogo, no jogo a Abby chega e já ataca o Joel até a morte, ele praticamente morre sem saber o real motivo. Esta parte na série ficou boa justamente por ela elucidar sobre quem ela era e a relação dela com aquele dia da matança no hospital. A cena da morte do Joel não tem o mesmo peso e nem o mesmo pânico do jogo, no jogo você fica angustiado e sofre quantas vezes você jogar, mesmo já sabendo o que vai acontecer. O problema dessa cena na série é justamente a Abby, no caso a atuação da Kaitlyn Dever, que pra mim não me convence como Abby e muito menos nessa cena. Eu não consigo ver nela aquela crueldade e aquele ódio da Abby do jogo, e aqui eu nem estou entrando na questão do físico dela. O que me pega é o fato dessa Abby me parecer muito menininha, e a cena em si ficou boa, mas não tem nem sombra do peso e do pânico do jogo, sem falar que matar o Joel com pancadas brutal de taco na cabeça (que acontece no jogo) é muito pior e muito mais pesado do que simplesmente bater só na perna machucada dele, dar uns soquinhos e no fim enfiar o cabo do taco no pescoço. A série aliviou e suavizou demais esta cena, retirando grande parte da tensão e do pânico da cena no jogo.
Outro ponto que me incomodou bastante, é o fato de pegarem muito leve com a Dina, tendo todo um cuidado em pegar uma injeção para fazer ela dormir e não ver nada, quando simplesmente poderiam dar uma pancada na cabeça dela e pronto. Mais um ponto: esta decisão de trocarem o Tommy pela Dina na cena da morte do Joel pra mim foi um erro. Até porque tirou todo o peso emocional do Tommy em ver o irmão sendo morto e despertando a sua fúria e o seu sentimento de vingança para ir atrás da Abby e seu grupo (como exatamente acontece no jogo). E outra, ele não viu o rosto da Abby, como ele vai partir sozinho, igual no jogo, atrás dela? Outro ponto que eu considero um erro da série: no jogo quando você controla a Ellie, você está chegando na casa e quando adentra o local a Ellie escuta os gritos agonizantes do Joel enquanto a Abby está batendo nele com o taco. Esses gritos são extremamente importantes no contexto do jogo, porque eles viram um trauma para a Ellie a partir daí, onde constantemente ela acorda com esses gritos do Joel em sua mente durante todo o processo do jogo. Já na série em momento algum a Ellie escuta os gritos do Joel, e sim ela escuta os gritos da Abby enquanto ela dá aqueles soquinhos fofo no Joel. Este segundo episódio tem sua fidelidade com o jogo mas o contexto como ele é desenvolvido é ruim e com mudanças, como no caso do Tommy, que são completamente infundadas e que vai interferir diretamente no decorrer da história daqui pra frente.
Após a morte do Joel temos um salto no tempo de três meses no episódio 3. Isso é outra mudança que eu também considero como um erro, pois no jogo a morte do Joel é em um dia e no outro o Tommy já partiu atrás do grupo da Abby, e logo após a Ellie e a Dina também vão. Ou seja, tudo é muito recente e o ódio e o desejo de vingança está completamente aflorado, e não esperar três funcking meses para pensar em ir buscar vingança. Um ponto curioso desse episódio é justamente já ter uma aparição dos Serafitas/Cicatrizes assim tão cedo, sendo que no jogo eles aparecem bem mais pra frente. Como no jogo é o Tommy que está presente na morte do Joel, ele parte sozinho atrás do grupo da Abby. Já na série isso mudou, ele não foi sozinho e está em Jackson junto da Ellie e de todos. E aqui entra outro ponto que me incomodou demais: a decisão em ter um conselho com uma votação para decidir se vão atrás dos assassinos do Joel ou não, é simplesmente ridículo. No jogo o Tommy já partiu na frente e a Ellie vai logo em seguida junto com a Dina contra a vontade da própria Maria. Na série não parece que o Tommy está sentindo a morte do Joel com um desejo de vingança, e muito menos a Ellie. Onde está o sentimento de vingança do Tommy e da Ellie? Onde está aquela fúria da Ellie em querer ir até sozinha atrás da Abby? Tiraram o peso dessa parte da história, deixaram o Tommy como um bundão pau-mandado da esposa, onde claramente ele não está nem um pouco preocupado em ir buscar vingança. Ridículo o que fizeram com o Tommy na série. O mesmo vale para a Ellie, que está completamente submissa, complacente, aceitando todas as ordens. Esta Ellie da Bella Ramsey não traduz 10% da Ellie do jogo.
Outro ponto que eu me questionei nesse episódio é justamente sobre a química entre a Ellie e a Dina. Pois não sinto química entre a Dina e a Ellie igual no jogo, elas parecem distantes. Tanto que na série a Dina nem diz que quer ir junto com a Ellie na missão como uma prova de amor e companheirismo (como acontece no jogo), ela apenas dá a ideia do que fazer e só vai junto com a Ellie. E como eu pensei, não teve a cena em que a Dina e a Ellie se pegam de calcinha, uma ótima cena no game por sinal. Na série a Dina só puxa o assunto do beijo na barraca e fala da nota, como no jogo, e o assunto morre. Uma cena bem fraquinha, realmente falta muita química entre as duas. Este terceiro episódio faz a série se afastar ainda mais do jogo e enfraquece os personagens. O episódio não é só um dos episódios mais fraco da temporada, como ele prejudica os personagens do Tommy e da Ellie. Por deixarem eles muito enfraquecidos, sem aquele sentimento de ódio e vingança.
O episódio 4 inicia com uma cena do Isaac Dixon (Jeffrey Wright) no passado onde mostra a sua troca de aliança da FEDRA para a WLF. Logo após temos aquela cena onde ele tortura um Serafita para conseguir informações a respeito da localização do seu grupo (por sinal, uma cena bem fiel ao jogo). Por fim nesse episódio temos uma das cenas mais icônicas da história dos jogos de videogames; que é justamente a cena na loja de instrumentos musicais em que a Ellie toca no violão e canta a belíssima canção "Take On Me" do a-ha para a Dina. Esta cena é linda, é tocante, é profunda, é emblemática, pois na primeira vez que eu joguei o jogo eu me emocionei nessa cena, e na série eu tenho que aplaudir de pé esta cena, pois ficou perfeita, não devendo em absolutamente nada à cena no jogo. Sem falar que nessa cena a Bella Ramsey e a Isabela Merced deram um verdadeiro show de atuações. Temos a cena do subsolo do metrô, que foi encurtada mas ficou boa. Curiosa a cena em que a Ellie deixa ser mordida para salvar a Dina, uma parte que não existe no jogo. Dado o contexto da mordida na Ellie a Dina fica extremamente confusa e perturbada, sem saber como agir no momento, naturalmente ele se vê ameaçada. Esta cena é boa até a parte em que a Dina enfim revela para a Ellie que está grávida e as duas caem em uma cena sexual completamente patética.
Nesse quarto episódio claramente vemos uma Ellie totalmente diferente do jogo, pois no jogo após a morte do Joel a Ellie se apresenta totalmente fechada, sombria, obscura, introspectiva, morta por dentro, o tempo todo você percebe o seu desejo e sua fúria pela vingança. Na série isso tudo é deixado de lado, tudo é muito leve, muito vago, muito raso, parece que as duas estão apenas em uma aventura na floresta curtindo e se divertindo, falta peso, falta emoção, falta dor, falta fúria, falta aquele ódio da Ellie que ela expressa apenas no olhar na capa original do jogo. Nesse quarto episódio claramente vemos que as coisas estão sendo muito atropeladas pelos acontecimentos, tudo muito corrido, com uma urgência em passar logos os acontecimentos. Nesse episódio vemos uma Ellie como a figura da boazinha, muito compassiva, muito complacente, que aceita tudo, como no caso da revelação da gravidez da Dina, que no jogo temos um diálogo pesado entre as duas, onde a Ellie é extremamente dura com a Dina e até revela que sim, que a Dina tinha se tornado um fardo pra ela, como a própria Dina havia mencionado em não querer ser ao ter escondido a sua gravidez. Por outro lado o que temos na série é a cara de pamonha da Ellie dizendo: "eu vou ser pai"! Definitivamente não dá!
O episódio 5 começa com um ponto muito importante no jogo mas que até então nunca tinha sido mencionado na série - que é a questão dos esporos de Cordyceps. Já na parte do teatro, no jogo na primeira vez que a Ellie sai após chegar ao teatro não é com a Dina, ela sai sozinha visto que a Dina estava passando mal por causa da gravidez. Na série elas vão juntas, a Dina está bem, elas estão a pé, até porque elas simplesmente esqueceram a égua Estrela na loja de instrumentos musicais no episódio passado (no jogo a Estrela é atingida por um explosivo plantado no chão junto com a Ellie). Temos aquele ótimo discurso da Dina sobre sua primeira morte na infância, que soa como um tapa na cara da Ellie sobre a sua vingança pelo Joel. O que me parece que a Dina sente mais desejo de vingança do que a própria Ellie - ridículo isso! O Jesse aparece para ajudar, só que no jogo ele aparece para ajudar a Ellie que está sozinha, já na série ele ajuda as duas. E como eu estava imaginando em como eles iriam encaixar o Tommy nessa história, o Jesse revela que ele veio com o Tommy atrás das duas para resgatá-las de volta. Ou seja, o Tommy só está ali para resgatar as meninas e não pelo seu desejo de vingança - ridículo mais uma vez!
O episódio continua com a Ellie, a Dina e o Jesse fugindo de uma perseguição dos soldados da WLF, quando eles são emboscados em um local onde presenciam os Serafitas estripando um soldado da WLF. Nesse momento a Dina é atingida na perna por uma flecha e carregada dali pelo Jesse (isso não acontece no jogo). Esta foi a forma que arrumaram para retirar a Dina e o Jesse do local para a Ellie seguir sozinha atrás da Nora (Tati Gabrielle). A cena da Ellie contra a Nora ficou boa, finalmente eu vi um pouco da caracterização da Ellie do jogo na Bella Ramsey, pois ela até consegue mostrar um pouco da sua fúria em suas expressões ao atacar a Nora. E mais uma vez na cena a Ellie ataca a Nora batendo em suas pernas e não na cabeça como no jogo. Por essas e outras que o jogo sempre será superior à série, pois no jogo não temos estas censuras como nessa cena da Nora e na morte do Joel.
O episódio 6 começa com uma cena um tanto quanto curiosa, que é justamente uma cena no passado, em Austin, no Texas, em 1983, com o policial interpretado pelo sempre maravilhoso ator Tony Dalton. Esta cena apresenta o Joel com seu irmão Tommy em uma situação com seu pai que era policial, e no futuro esta cena fez sentido na formação do caráter do Joel. Este episódio é voltado para os dias dos aniversários da Ellie no passado com o Joel. A parte do aniversário da Ellie no museu é bem curta, como eu já imaginava, porém a parte da capsula espacial é muito boa e muito fiel ao jogo. O engraçado desse episódio são as passagens de tempo de acordo com cada ano de aniversário da Ellie, e a Ellie continua exatamente do mesmo jeito, não tem crescimento, não tem mudança, só uns detalhes aqui e acolá, como no cabelo, na sobrancelha, até porque obviamente é a mesma atriz o tempo todo (este é um diferencial no jogo). Outro ponto interessante nesse sexto episódio é o fato da série mostrar a parte do Eugene quando ele foi mordido e como o Joel matou ele, já que isso não existe no jogo. No jogo ele é apenas citado mas já está morto. Curioso que a Ellie aproveita a oportunidade para desmentir o Joel em relação ao Eugene, já que ele havia mentido para a Gail quanto à sua morte. A Ellie aproveitou a ocasião para expor aquela mentira do Joel por ele também já ter mentido para ela como já sabemos de toda a história. O final desse episódio temos aquele diálogo pesado, emocionante e bastante revelador entre a Ellie e o Joel na varanda da casa do Joel. Por sinal, uma cena belíssima e completamente fiel ao jogo.
O episódio 7 marca o fim da segunda temporada: O episódio começa com a cena do Jesse ajudando a Dina com a flecha em sua perna, que é uma cena que não existe no jogo mas na série ficou boa. Temos a cena da Ellie no teatro com Dina cuidando dos machucados em suas costas, por sinal outra cena bastante fiel ao jogo. Esta cena é curiosa por vários pontos: primeiro a Ellie abalada pelo seu embate com a Nora, sendo que ela revela para a Dina que não matou a Nora (Ai não!!!). Depois a Ellie revela para a Dina como tudo ocorreu naquele dia do ataque do Joel ao hospital, incluindo a morte do pai da Abby, o que faz sentindo para a Dina entender tudo de uma vez. Logo após a Ellie e o Jesse vão tentar encontrar o paradeiro do Tommy, e curioso que a partir daí temos alguns diálogos bem pertinentes entre o Jesse e a Ellie; como no fato do Jesse revelar para a Ellie que ainda ama a Dina, e a própria Dina já havia revelado para a Ellie na cena da barraca que ainda gostava dele, curioso. Tudo isso não existe no jogo, não dessa forma específica. Outra discursão entre a Ellie e o Jesse envolve justamente na decisão dele querer ir encontrar o Tommy e ela ir atrás da Abby. Obviamente a Ellie vai de barco na direção do aquário na esperança de encontrar a Abby.
A cena da Ellie indo de barco até o aquário estava se desenrolando muito bem, até pelas enormes ondas, como justamente acontece no jogo. Porém colocarem esta cena dos Serafitas capturando a Ellie e a levando para sua ilha foi mais uma falha grotesca dessa série. Sinceramente eu não entendi qual o propósito dessa cena em específico, às vezes poderia ser apenas um gancho para nos mostrar o grupo dos Serafitas para a próxima temporada, que sim lá eles terão muito mais relevância. Mas já havíamos presenciado cenas com os Serafitas anteriormente. Outro ponto, é o fato dessa cena ser exatamente igual com a cena do jogo na parte da Abby quando ela é capturada pelos Serafitas, onde ela conhece a Yara e o Lev, que é uma parte muito importante da história da Abby no jogo. Sinceramente eu não entendi!
Por fim a Ellie chega no aquário de Seattle. No jogo assim que ela entra no local ela logo mata a cadela da Mel, a Alice. Mas adivinhem!!! Na série simplesmente a cadela Alice, que sim no jogo é extremamente importante, não existe. E então temos a cena que a Ellie enfrenta o Owen (Spencer Lord) e a Mel (Ariela Barer). Esta cena no jogo é excelente, pois a Ellie chega no local procurando a Abby e sai matando a sangue frio todo mundo que atravessa em seu caminho, incluindo a cadela Alice, o Owen e a Mel. Na série esta cena é absurdamente ridícula, pois a Ellie dá um tiro no Owen que de raspão pega no pescoço da Mel. O Owen obviamente morre mas a Mel ainda fica agonizando, sabendo que iria morrer ela revela que está grávida para a Ellie e pede para a Ellie fazer uma incisão em sua barriga para tentar retirar seu bebê ainda com vida. Uma cena absurdamente patética e deplorável, e mais uma vez temos uma Ellie na série completamente diferente da personalidade da Ellie do jogo, pois no jogo a Ellie também lamenta por ter matado a Mel grávida, mas é só. Na série a Ellie claramente não queria matar a Mel, ela morre quase como um acidente, e ainda a Ellie iria tentar salvar o seu bebê por compaixão - ah, faça-me um favor! Definitivamente esta Ellie é muito bunda-mole!
Logo após esta cena o Tommy e o Jesse aparecem para resgatar a Ellie do local e retornarem juntos para o teatro. Esta cena final do teatro é muito boa e completamente fiel ao jogo, onde até os diálogos são parecidos com o jogo. A seguir temos a cena que a Abby invade o teatro e ataca o Tommy, juntamente com a parte da morte do Jesse, que é exatamente igual ao jogo. Esta cena é mais uma que merece aplausos, pois temos aqui uma ótima cena, com um ótimo nível de fidelidade, sem falar na atuação da Kaitlyn Dever, que dessa vez eu gostei. No fim a Abby dispara contra a Ellie, mas naturalmente não aconteceu absolutamente nada, apenas para compor um impacto de fechamento. O corte seguinte é exatamente a cena da Abby na base do Isaac voltando para o dia 1, ou seja, obviamente uma apresentação para a terceira temporada da série, que será inteiramente focada na história da Abby.
Sobre o elenco: Um dos principais pontos que na minha visão fizeram esta segunda temporada decair tanto em relação a primeira é exatamente a atriz Bella Ramsey. Na minha análise da primeira temporada eu elogiei a performance da Bella com todos os méritos possíveis, justamente por ela entregar uma atuação perfeita, com um timming perfeito, muito bem ajustada na personagem, onde ela soube incorporar com muita maestria a verdadeira Ellie do jogo. A Bella Ramsey superou e calou todos os críticos que julgaram a sua escolha, principalmente pela sua aparência com relação a Ellie do jogo. Porém, na primeira temporada a Bella Ramsey encaixou perfeitamente sendo aquela Ellie com 14 anos e não sendo uma Ellie já adulta com 19 anos. Você olha para a Bella e você jamais irá comprar a ideia que ela é a Ellie adulta, sendo que ela está exatamente igual na primeira temporada, por mais que ela apresente algumas mudanças como o cabelo, a sobrancelha e a tatuagem sobre a queimadura no braço. Este é o principal ponto da Bella Ramsey nessa segunda temporada.
E aqui eu preciso frisar que o problema em si não é somente da atriz Bella Ramsey e sim de quem a escalou para continuar vivendo a Ellie do segundo jogo, e principalmente a forma como o roteiro quis encaixá-la na trama da segunda temporada. O maior problema que eu vejo na Bella sendo uma Ellie adulta é justamente o fato dela não conseguir convencer sendo aquela Ellie do jogo, com aquele ódio, com aquele desejo de vingança, aquela fúria que a deixava completamente cega e sedenta por vingança. Uma Ellie completamente traumatizada e depressiva que iria matar qualquer um que atravessasse em sua frente. A Ellie do segundo jogo você já se impressiona ao olhar para a capa original do jogo, onde mostra uma pessoa seca, amargurada, vazia, obscura, sombria, infeliz, completamente morta por dentro. E o ponto aqui é justamente esse na atuação da Bella Ramsey, em não passar esta personalidade da Ellie do jogo, muito pelo contrário, a Ellie da Bella é totalmente pacifista, submissa, complacente, boazinha, bobinha, que aceita todas as ordens que lhe são impostas (como na cena ridícula do conselho). Jamais você irá comprar aquela ideia que aquela Ellie esteja realmente em uma missão de vingança, pelo contrário, em vários momentos a série suaviza ela demais, a humaniza demais, a descaracteriza demais, onde ela nitidamente não se impõe como aquela Ellie do jogo.
Outro ponto em relação a Ellie da Bella Ramsey, é o fato da série querer forçar que ela nunca quis matar ninguém, além da própria Abby. Pois me parece que ela não quis matar o Owen, nem a Mel e não matou a Nora. E pasmem, na cena final da temporada ainda nos deixa com a sensação como se ela também não quisesse matar a própria Abby - ai já é demais! E tem mais: parece que a única preocupação dessa Ellie na série é com o filho da Dina, em querer voltar logo para casa, em se tornar pai. Enfim! Eu gosto muito da atriz Bella Ramsey, acho ela muito talentosa, que já se provou em seus trabalhos passados, como em "Game of Thrones" e na própria primeira temporada de "The Last of Us". Porém, nessa segunda temporada ela não se encaixou na personagem, ela não conseguiu aquela essência da Ellie como ela havia conseguido na primeira temporada. Sendo assim eu concluo que manter a Bella Ramsey como a Ellie adulta nessa segunda temporada foi um completo erro.
Outro personagem que foi extremamente prejudicado pelo roteiro foi o Tommy. O ator Gabriel Luna também teve uma ótima participação na primeira temporada. Já nessa segunda ele foi muito prejudicado pela decisão do roteiro em mudar a parte que ele estaria com o Joel na cena da morte. A partir dali transformaram o Tommy em um bunda-mole, em um personagem onde claramente não dava a mínima pela vingança do seu irmão, um completo pau-mandado onde a sua esposa que dava as ordens do que ele deveria fazer, e depois ele foi completamente esquecido na série. Ou seja, o Tommy foi um personagem completamente subutilizado, completamente inútil, onde o roteiro dessa segunda temporada o prejudicou em todos os sentidos (assim como fez com a Ellie da Bella). Mais um que não passa perto do seu personagem no jogo.
Pedro Pascal manteve o mesmo nível da primeira temporada, ou seja, esteve excelente como Joel em suas poucas apresentações. Pedro é um ator espetacular, ele consegue um nível absurdo de caraterização, como nas cenas dos embates com a Ellie, na cena da sua morte e no episódio dos aniversários da Ellie no passado. Em todas as suas aparições ele esteve 100% perfeito e 100% fiel ao Joel do segundo jogo.
A Isabela Merced é um verdadeiro colírio para os meus olhos. Antes de mais nada eu quero deixar bem claro que a minha personagem preferida no segundo jogo é a Dina, sim, a Dina! Eu conheço e acompanho a carreira da Isabela Merced há muitos anos, desde os seus primeiros trabalhos até o mais relevante do seu início de carreira, "Transformers: O Último Cavaleiro" (2017), onde na época ela ainda usava o seu nome artístico como Isabela Monet (depois ela mudou para Merced por causa de um acontecimento pessoal). Ou seja, quando escalaram a Isabela para viver a Dina eu fiquei extremamente feliz, pois eu sabia que não tinha como dar errado, visto que ela sempre foi uma atriz talentosíssima, como muita entrega no personagem, e não deu outra, a Dina da Isabela Merced é maravilhosa. A Isabela consegue entregar uma Dina muito fiel ao jogo, muito bem caraterizada, muito bem estudada, muito bem trabalhada, sendo extremamente carismática, simpática, doce, um amor, cuja sua performance é tão boa, tão elegante, que chega a ofuscar o brilho da protagonista Bella Ramsey em praticamente todas as cenas em que as duas atuam juntas. E vamos combinar né....a Isabela Merced é muito linda!
Young Mazino é outro ator que conseguiu um ótima caracterização do Jesse do jogo, por mais que em alguns momentos ele destoe um pouco do personagem por algumas conversas e atitudes. Mas no geral ele esteve muito bem como Jesse e não comprometeu em nenhum momento. A Kaitlyn Dever como Abby eu já mencionei praticamente tudo que eu penso acima na análise do segundo episódio. Já expliquei o porque de eu não ter gostado da escolha dela para viver a Abby. E aqui a culpa não é da atriz e muito menos da sua performance, que pra mim fica devendo na cena da morte do Joel, mas ela compensa na cena do teatro no último episódio. Kaitlyn Dever é uma ótima atriz, tem ótimos trabalhos, e eu acredito que ela entregará uma excelente atuação na terceira temporada, visto que ela será a protagonista e a dona da temporada.
Completando o elenco: Rutina Wesley tem muito mais tempo de tela nessa temporada e ela soube aproveitá-lo da forma mais precisa. Rutina contracena muito bem com o Gabriel Luna e com os outros, ela consegue mostrar uma imposição bastante interessante (a maria do jogo também se impunha). Ela foi bem! Robert John Burke que fez o Seth, o ex-policial que administra um bar em Jackson, tem até mais participações na série do que no jogo. Ele faz o básico bem feito e não compromete. Catherine O'Hara fez a terapeuta do Joel e a esposa do Eugene. Uma personagem original da série que na minha opinião é completamente desnecessária. Já o Joe Pantoliano que fez o Eugene, marido de Gail, aparece apenas em um único episódio. De qualquer forma ele ainda existe no jogo e ainda teve um contexto na série.
Sobre o elenco do grupo da Abby: O principal, além da Kaitlyn Dever, é o Jeffrey Wright que faz o Isaac. Interessante que o Jeffrey repete o seu próprio papel do jogo, e aqui, até por razões óbvias, ele está impecável, excelente, sendo de longe um dos melhores personagens em termos de caracterização entre a série e o jogo. Spencer Lord não me convence como Owen. O mesmo também vale para a Ariela Barer como Mel. Porém, acredito que na terceira temporada eles serão muito mais relevantes (como no jogo), o que poderá melhorar muito a atuação de ambos, já que nessa temporada é bem fraca. Por outro lado temos a Tati Gabrielle que fez a Nora. Esta sim conseguiu me convencer perfeitamente sendo a Nora, e olha que ela teve pouco tempo de tela, mas em seu episódio com a Bella Ramsey ela já se mostrou muito bem caracterizada na personagem. Com toda certeza ela estará incrível na terceira temporada. E por fim o Danny Ramirez como Manny, que no jogo tem uma grande importância no grupo da Abby. Outro ator que eu também aposto que estará muito bem na terceira temporada.
Sobre as qualidades técnicas: Tecnicamente a segunda temporada continua na mesma linha da primeira, sendo uma verdadeira obra-prima. O maior destaque da temporada continua sendo a direção de arte que produz cenários impecáveis e completamente condizentes e fiéis ao jogo. A caracterização da equipe de maquiagem e efeitos é novamente um absurdo. Pois nessa temporada temos mais ações envolvendo os infectados, até com variações deles, coisa que ficou um pouco devendo na primeira temporada. A cenografia salta aos nossos olhos, e muito por nos surpreender com uma fotografia completamente maravilhosa. De fato a direção de fotografia da série é um dos pontos mais fiéis ao jogo. A trilha sonora acompanha com muita maestria todas as qualidades técnicas da série, e não era pra menos. A segunda temporada continua com um trabalho técnico e artístico de altíssimo nível.
Agora eu preciso questionar sobre o roteiro dessa temporada: Os senhores Craig Mazin e Neil Druckmann, que eu elogiei bastante na primeira temporada, dessa vez perderam a mão. E aqui a crítica é direcionada para a produção e roteiro. Um ponto que eu elogiei bastante na primeira temporada foi justamente o fato dos roteiristas seguirem um roteiro mantendo toda a essência e teor do jogo, por mais que tivemos algumas mudanças. Pra mim este foi o grande acerto da primeira temporada. O que me decepciona bastante nessa segunda temporada é exatamente a mudança de teor e essência que eles aplicaram no principal conteúdo do segundo jogo em relação com a série, pois o jogo é pesado, cruel, sombrio, mórbido, tenso, sobre vinganças, sobre dores, sobre perdas, sobre luto, sobre traumas, com um alto nível de violência, pânico e terror. O que acontece na série é exatamente ao contrário, eles suavizaram demais, eles humanizaram e descaracterizaram demais os personagens, eles retiraram todo esse peso, esse sentimento de ódio, dor, fúria e principalmente a vingança. E a personagem da Ellie na série é a personificação de toda essa mudança que eu acabo de mencionar.
Acredito que eles optaram em seguir por este caminho de suavizar a série para justamente não elevar a classificação indicativa e conseguir atingir todos os públicos. E aqui eu preciso deixar bem claro que eu entendo que estamos falando de uma adaptação de um jogo de videogame para o audiovisual, e que uma adaptação obviamente nunca irá seguir à risca da obra original, porém, eu defendo o fato de criar, de mudar, de usar uma liberdade criativa e até mudar alguns pontos ou alguns acontecimentos, mas uma coisa tem que ser respeitado em uma adaptação; tem que manter a essência do jogo, tem que respeitar o universo original que já está criado e eternizado, pois obviamente mesmo sendo uma adaptação, mas se não existisse o jogo a série jamais existiria. Então esse discurso batido de redes sociais de: "quer fidelidade vai jogar o jogo", pra mim não cola.
E aqui eu preciso destacar justamente essas mudanças que não fazem sentido e ainda prejudicam o andamento da narrativa na história. Você nota que eles perderam a mão na temporada na questão de suavizar e descaracterizar a Ellie, quando justamente eles querem colocar a Ellie em situações adversas para motivá-la a despertar o seu ódio e o seu desejo de vingança, como se de alguma forma isso fosse dar um choque de realidade na Ellie (que vive em Nárnia) para ela se lembrar da sua missão de vingança (pois claramente parece que ela esqueceu). Estou falando daquela cena patética no último episódio do garoto Serafita que estava sendo capturado pelos soldados da WLF. Por falar em Serafitas (ou Cicatrizes, como queiram), é impressionante a forma como a série nos apresenta o grupo dos Serafitas. A série coloca os Serafitas como vítimas da WLF, como se eles fossem somente o grupo que é sempre maltratado e perseguido pela WLF, subestimando os verdadeiros Serafitas do jogo, que também são extremamente cruéis com qualquer um que não faça parte do seu grupo. Nesse ponto temos mais uma mudança completamente absurda da série, pois no jogo isso nunca existiu, pelo contrário, no jogo não existe lado certo ou lado errado, não existe vítima e nem vilão, todos são vítimas e todos são vilões dos seus atos, cada um luta em prol da sua crença pela sua sobrevivência. Esta mudança exibindo esse olhar sobre os Serafitas e a WLF não faz o menor sentido.
Por fim: Temos aqui uma segunda temporada de "The Last of Us" muito aquém do que eu esperava. Como já mencionei anteriormente, a série é uma adaptação do jogo e obviamente vão ocorrer mudanças em relação à obra original, mas se você tira o peso do luto, da vingança e da violência da narrativa, você até pode ter uma adaptação aceitável e boa para quem não jogou o jogo, mas definitivamente não representa verdadeiramente o que é "The Last of Us". Eu lamento, pois eu esperava mudanças (como o próprio Neil Druckmann declarou) mas que não fossem comprometer exatamente a essência do que é o jogo "The Last of Us Part II". Que não fossem retirar o peso da história e suavizar, humanizar e descaracterizar tanto um roteiro, uma narrativa e principalmente os personagens. Este é o ponto que me pega, principalmente o que fizeram com a Ellie na série, que é absurdamente inaceitável!
O que resta é aguardar a terceira temporada (que ainda não tem data de lançamento, mas eu aposto por volta de 2027) que será feita no mesmo formato do jogo, com a primeira parte inteiramente focada na perspectiva da Ellie e seu grupo (como já foi), e a segunda parte inteiramente focada na perspectiva da Abby e o seu grupo. Eu acredito que este formato funciona no jogo, mas já para a série eu acho que não irá funcionar assim tão bem; uma vez que esta terceira temporada não teremos os personagens principais como o Joel, a Ellie e a Dina, sendo que na parte da Abby só ela se destaca enquanto o seu grupo é desconhecido. Pode ser que nessa terceira temporada a série venha a perder ainda mais força e relevância com relação a primeira e a segunda.
Como um verdadeiro fã da franquia de jogos "The Last of Us", eu encerro com uma palavra que define completamente o meu sentimento em relação a esta segunda temporada da série - "DECEPÇÃO"!!! Sem mais!
The Walking Dead: Daryl Dixon - The Book of Carol (2ª Temporada) 2024
Como um eterno fã de "The Walking Dead" eu achei sensacional a ideia de após o término da série original serem introduzidos novos spin-offs derivados de vários personagens desse universo, já que estávamos órfãos. Esta foi a aposta em "Dead City", "The Ones Who Live" e "Daryl Dixon" (apesar de já existir a série "Fear the Walking Dead").
A primeira temporada de "Daryl Dixon" eu achei interessante e bastante promissora, apesar que em sua grande maioria dos episódios necessariamente não construir um derivado da série principal e soar como uma continuação nos mesmos moldes. Ainda assim eu achei a série funcional dentro do que se propôs, que era expandir o universo do personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbis. Diante desse contexto eu vi que a série tinha potencial, até por focar na continuação da história de um dos principais personagens do universo de "The Walking Dead" - Daryl Dixon.
Diante daquele contato pelo rádio durante uma cena de flashback no final da primeira temporada, obviamente sabíamos que na segunda temporada teríamos a adição da icônica Carol Peletier (Melissa McBride), que retornaria para o universo de "The Walking Dead". Carol é simplesmente uma das personagens mais amadas (se não for a principal) de todo o universo de "The Walking Dead". A lendária Melissa McBride esteve presente em todas as temporadas de "The Walking Dead", onde inicialmente foi apresentada como uma mulher vulnerável, submissa, que sofria com os maus-tratos do marido e depois com dor da perda de sua filha Sophia (Madison Lintz). Diante desse início na série, eu afirmo que a Carol foi a personagem que mais evoluiu e se desenvolveu dentro desse universo, se tornando uma autêntica badass exterminadora de zumbis do mais alto nível, que é exatamente como a conhecemos hoje.
A temporada começa exatamente de onde parou a anterior, onde temos um Daryl indeciso e pensativo sobre a sua decisão em permanecer na França para ajudar na missão em proteger o jovem Laurent (Louis Puech Scigliuzzi) para conseguir o seu retorno para os EUA. Dessa vez Daryl, junto com a Isabelle (Clémence Poésy), é confrontado pela supervisão de Losang (Joel de la Fuente), quando decidem se arriscarem em uma nova missão de resgate. Por outro lado Carol, que ainda está nos EUA, luta para descobrir o paradeiro de seu inseparável amigo Daryl.
Carol já chega na série no seu estilo que já conhecemos (e estávamos com saudades), se impondo como a badass que sempre foi para conseguir o que sempre deseja. E aqui eu já preciso destacar a cena da Carol chegando na frente da porta daquele celeiro, que imediatamente na hora eu já me lembre da icônica cena da Sophia saindo do celeiro na segunda temporada de "The Walking Dead", e não deu outra, tivemos exatamente este flashback como lembranças da Carol. Esta cena da Sophia na série principal é lendária, é icônica, é emblemática, e na minha minha opinião é a cena mais marcante de todo o universo de "The Walking Dead", e obviamente a minha cena preferida de toda a história dessa série.
Por outro lado eu preciso mencionar que esta desculpa que a Carol inventou para convencer o Ash (Manish Dayal) a levá-la até a França é bem questionável, pra não dizer inteiramente ruim. Eu entendo que a Carol também tem esse perfil de manipuladora para conseguir o que sempre quer, mesmo passando por cima de pessoas e sentimentos, e aqui eu vi exatamente este ponto, que é a Carol se aproveitando do sentimento de dor e luto pela perda do Avi, o filho do Ash, para conseguir que ele a levasse até a França sobre a desculpa de procurar a sua filha Sophia, que todos nós sabemos que estava morta há muitos anos. Esta questão pode parecer normal para muitas pessoas, que podem até não ligarem para este contexto, mas no meu caso eu não achei legal.
Um ponto que nunca podemos levar em consideração quando estamos falando do universo de "The Walking Dead" é a verossimilhança nos acontecimentos, que é justamente o que acontece aqui. Pois toda essa conveniência da Carol em achar justamente um sobrevivente que aidna possui um avião dentro desse cenário pós-apocalíptico depois de tantos anos. Mais incrível aidna é o fato do avião estar funcionando perfeitamente para conseguir fazer uma viagem dos EUA até a França dentro daquelas condições, que sim, tem até um defeito que os obriga a fazer um pouso forçado na Groelândia, que por sinal rende até umas cenas interessantes. Sem falar também na outra conveniência da Carol em buscar sozinha o paradeiro do Daryl em um outro país completamente gigante e inicialmente sem nenhuma informação do seu paradeiro, e aqui eu nem estou levando em consideração a dificuldade do idioma. Porém são coisas que realmente temos que ignorar em prol do entretenimento.
Nesse ponto a série se dividi em dois núcleos; a Carol lutando para encontrar o Daryl e a parte do Ninho que envolve o questionável Losang. Este núcleo que envolve toda a história em volta do Ninho é vaga, rasa e completamente descartável, passando por discussões superficiais sobre fanatismo e diferença de classes, onde envolve até uma morte precoce para tentar impactar o espectador. No mais este núcleo é bem chato e desinteressante, pois chega a ser maçante acompanhar toda a trama do Losang (que por sinal é um personagem muito ruim) e seu culto caçando o Laurent.
No quarto episódio temos finalmente o reencontro da Carol com o Daryl, mas por outro lado temos a morte da Isabelle, uma personagem que eu gostava desde a primeira temporada e que tinha um potencial dentro da série. Aqui eu já acho que esta morte entra no mesmo critério que estamos acostumados dentro do universo de "The Walking Dead". Ou seja, sempre colocar uma morte de um personagem principal para tentar gerar, ou criar, um impacto no espectador, mas que no fim não funciona como esperavam. Nada mais do que "The Walking Dead" sendo "The Walking Dead", e infelizmente eu já estou acostumado com estas decisões sempre questionáveis dos roteiristas.
No mais a série continua no caminho dos embates com uma nova facção de sobreviventes do Ninho na caçada ao Laurent. Já o Daryl luta com suas crises existenciais para se perdoar, enquanto a Carol finalmente conta toda a verdade para o Ash. Obviamente o Ash fica indignado com a Carol por ela ter simplesmente o manipulado para conseguir o que queria, e não era pra menos, pra mim a Carol se aproveitou de um sentimento de luto e dor do Ash em prol dos seus desejos próprios.
E por fim chegamos no último episódio dessa segunda temporada; onde temos toda a estratégia de fuga de avião da França, onde o Ash consegue levantar voo diante daquele confronto entre os lados e proteger o Laurent. A ideia inicial era que a Carol partisse junto com o Ash e o Laurent de avião, porém ela pula do avião para protegê-los durante a partida, sendo assim ela fica junto com o Daryl. A parte final do episódio é bem intrigante e questionável, onde temos a sequência de cenas no túnel com zumbis bioluminescentes e alucinações causadas por fezes de morcegos. Diante deste cenário temos alucinações da Carol revendo, mais uma vez, a sua filha Sophia, e o Daryl também revendo a Isabelle. E assim termina o episódio nos deixando com várias dúvidas e vários questionamentos acerca da próxima temporada.
O elenco da série se resume exclusivamente no Norman Reedus e na Melissa McBride. Um ponto interessante dessa dupla é justamente o fato de termos somente uma dupla de velhos amigos e não um casal, como a série adora fazer com outros personagens, e que na maioria das vezes acaba não dando certo. Dessa forma a química e a sintonia entre eles é muito notável e funciona em perfeita harmonia dentro da série, praticamente um completa o pensamento e as atitudes do outro. Norman entrega o faz de melhor na pele do lendário Daryl Dixon, a verdadeira personificação do personagem, a imortalização do personagem - incrível! Já adição da Melissa foi certeira, pois ela compõe uma personagem forte, destemida, hábil, persuasiva, manipuladora, enfrentando tudo e todos que se opuser em seu caminho. Sem nenhuma dúvida o Norman Reedus a Melissa McBride compõem a melhor dupla (que não é um casal) de todo o universo de "The Walking Dead".
Completando o elenco temos a ótima Clémence Poésy; uma personagem que eu gosto na série, que na primeira temporada foi a responsável em trazer um novo frescor para a série e para o personagem do Norman Reedus. Nesta segunda temporada ela estava seguindo a mesma linha da primeira e estava indo bem, e eu gostaria que ela estivesse ficado na série ao lado do Daryl, mas infelizmente ela foi a escolhida do roteiro para fazer a famigerada "morte impactante" da temporada. O jovem ator Louis Puech Scigliuzzi trouxe um personagem que eu questionei bastante na primeira temporada, até por de fato não entender as suas reais motivações dentro da série, o seu verdadeiro objetivo que não fosse ser somente o jovem Messias destinado a guiar a humanidade para uma renovação. De fato ele continua como um personagem vago, vazio, superficial, que não avança em nada, porém pelo menos ele não está muito chato como na primeira temporada. O ator Manish Dayal traz um personagem que soa até como interessante inicialmente, que é justamente aquele personagem mais cru, mais seco, mais carregado emocionalmente e dramaticamente, que funciona dentro da proposta do roteiro, por mais que esta sua proposta seja um tanto quanto questionável.
O restante do elenco se completa com personagens vagos e bem desinteressantes que não valem a pena serem destacados.
Tecnicamente a temporada anda na mesma linha da anterior, ou seja, um verdadeiro show à parte. Nesse quesito o universo de "The Walking Dead" sempre foi referência, sempre nos entregou trabalhos absurdamente bem feitos. Novamente contamos com nomes como Angela Kang, Scott M. Gimple e Greg Nicotero, o que são sinônimos de excelência do mais alto nível. Ou seja, o desenvolvimento e produção da temporada é muito bem feito, muito bem trabalhado, muito bem arquitetado, onde novamente temos uma excelente ambientação calçada com uma direção de arte com cenários incríveis, que são o verdadeiro contraponto desse universo pós-apocalíptico. Outra referência do universo de "The Walking Dead" sempre foram a construção dos zumbis, que aqui estão ótimos, como aquelas variações dos zumbis mais violentos quando são afetados por aquela espécie de dardos com substância, uma espécie de mutação ainda mais forte. Sem falar nos zumbis que apareceram enterrados na Groelândia e nos zumbis bioluminescentes que apareceram no túnel no final da temporada. Continuando temos uma fotografia perfeita, onde casava muito bem com cada cena e seus acontecimentos. A trilha sonora também anda no mesmo ritmo, assim como a edição e direção de cada episódio.
Sobre a continuação da série: Sim, haverá uma terceira temporada de "The Walking Dead: Daryl Dixon". A série foi renovada para a terceira temporada e a previsão é que ela estreie ainda em 2025. Já existe um teaser disponível para o público, que mostra o início da jornada de Daryl e Carol na Espanha (bem curioso por sinal).
Por fim: A segunda temporada da série ganha um elemento que é de longe a principal motivação dessa temporada, que é justamente a adição da incrível Melissa McBride. A adição da Carol foi uma decisão muito acertada, e justamente por ela ser a melhor amiga do Daryl e assim poder junto dele dividir todo o protagonismo da série. A segunda temporada ganhou muito com a presença da Carol, pois assim ela reviveu uma dupla emblemática do universo de "The Walking Dead", que juntos construíram cenas impactantes com bastante química e sintonia. Sem falar que o roteiro aidna trouxe arcos pessoais de ambos os personagens que remexeu em suas feridas do passado, o que os obrigavam a enfrentar os seus medos e seus traumas.
A temporada também melhora nos embates, na violência dos ataques e nas mortes, que é também um ponto que merece destaque pela chegada da Carol na série, que junto do Daryl construíram aquela velha dupla de exterminadores de zumbis que tanto amamos dentro desse universo. Já por outro lado o desenvolvimento das partes iniciais (principalmente dos primeiros episódios) é muito ruim, pois aquele núcleo que envolve o Ninho junto com o Losang é muito ruim, chegando a ser maçante e desinteressante de acompanhar. Especificamente falando dessa parte na temporada, eu acho que aqui é o ponto que mais destoa na série, pois temos um núcleo confuso, genérico, superficial em torno do apático Laurent, que acaba trazendo um tom mais sentimental e mais melodramático, do que de propriamente aquela ação misturada com um terror, que de certa forma é a grande marca desse universo. Porém, ainda assim a temporada se sobressai em comparação com a primeira, e muito disso se deve exclusivamente a entrada da Carol na série.
Agora é aguardar o que a terceira temporada estará preparando para nós, visto que já temos informações que a série se expandirá para novos países como Inglaterra e Espanha. É praticamente uma turnê mundial da Carol Peletier e do Daryl Dixon.
A sexta e última temporada de "Better Call Saul" estreou em 18 de abril de 2022, nos Estados Unidos, e concluiu em 15 de agosto de 2022. A temporada de treze episódios foi dividida em duas partes; a primeira consistindo dos primeiros sete episódios concluiu em 23 de maio, antes de retomar com a segunda metade consistindo dos seis episódios finais em 11 de julho.
Os primeiros nove episódios acontecem principalmente em Albuquerque, Novo México, em 2004, quatro anos antes de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) começar sua associação com os cozinheiros de metanfetamina Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul). A temporada mostra a evolução de Jimmy para o personagem homônimo, o advogado de defesa criminal " Saul Goodman ", enquanto ele e sua esposa Kim Wexler (Rhea Seehorn) executam seu plano para forçar uma resolução do caso Sandpiper, arruinando a carreira de Howard Hamlin (Patrick Fabian). Simultaneamente, retrata Lalo Salamanca (Tony Dalton) buscando vingança contra Gus Fring (Giancarlo Esposito) por orquestrar uma tentativa de assassinato contra ele. Os episódios restantes acontecem principalmente em 2010, após os eventos de "Breaking Bad", e mostram Saul vivendo em Omaha, Nebraska, sob o pseudônimo de "Gene Takavic", se escondendo das autoridades após a morte de Walter.
Como já é de praxe, a sexta temporada inicia exatamente onde terminou a quinta, nos mostrando o Lalo com aquela sua sede de vingança contra o Gus pelos últimos acontecimentos que envolve justamente o Nacho (Michael Mando). O interessante é o fato de todos acharem que o Lalo estivesse realmente morto, mas além dele estar vivo, ele arruma um jeito de entrar em contato com o Hector Salamanca (Mark Margolis) para avisá-lo que irá conseguir sua vingança contra o Gus. O principal alvo do momento, tanto do Lalo quanto do Gus, é o Nacho, que mesmo com a ajuda do Mike para que o Gus reconsiderasse a ajudá-lo, mas o Gus está irredutível e decide jogar toda a culpa em sua conta. Dessa forma o Nacho passa a fugir incansavelmente, até que os famosos gêmeos Salamancas vão ao seu encalço (muito bom poder rever os gêmeos em ação novamente). No fim o Nacho decide entrar em um acordo e se entregar, onde temos aquela icônica cena com o Nacho entre o Gus e os líderes do Cartel Mexicano, onde o Nacho conta tudo e por fim acaba dando um tiro em sua própria cabeça, pondo um fim na história do incrível Nacho Varga no universo de "Breaking Bad".
Partindo para o núcleo do Saul Goodman, podemos logo observar que ele deixou aquele fundo daquela loja de manicure e conseguiu outro local para fazer os seus atendimentos. Logo também observamos que ele continua elaborando aquele plano, junto com a Kim, para retirar de vez o Howard do caso Sandpiper. A ideia do Saul é retirar o Howard do caso para lucrar sozinho toda a grana, dessa forma o Saul passa a arquitetar vários golpes para incriminar o Howard como se ele estivesse usando cocaína, e no fim todo o plano do Jimmy/Saul acaba dando certo.
Continuando no caso do Gus, que está paranoico com a possibilidade do Lalo estar vivo, onde o próprio Mike também acredita que o Lalo esteja realmente morto. Por outro lado o Lalo vai fundo em sua investigação para descobrir todos os esquemas do Gus envolvendo os seus restaurantes e sua lavanderia. Já no lado do Jimmy/Saul, que está em um momento tranquilo com a Kim, quando de repente tem uma visita inesperada do Howard que acusa o Jimmy por tudo que aconteceu com ele. É nessa cena que simplesmente aparece o Lalo na casa do Jimmy e dá um tiro na cabeça do Howard, pondo fim em outro personagem desse universo. A partir daí temos vários acontecimentos envolvendo a Kim indo confrontar o Gus, onde tudo não passava de uma armação do próprio Lalo para montar uma emboscada na lavanderia para finalmente pegar o Gus. Este é o grande confronto da temporada e talvez da série, onde logo o Lalo apaga os capangas do Gus e o mantém como refém. Esta cena com o embate entre o Gus e o Lalo é sensacional, onde o Gus sai como vencedor pondo um fim no imparável Lalo Salamanca.
Temos um salto no tempo na temporada, onde finalmente temos o Jimmy McGill em sua maior e mais notável forma do famigerado Saul Goodman. Nesse episódio (o décimo primeiro) temos as participações mais do que especiais do Walter White e do Jesse Pinkman, retornando junto com o Saul ao icônico universo de "Breaking Bad". Esta parte temos um ponto específico do Walter e do Jesse explicando para o Saul sobre os seus negócios (que já sabemos) e no que eles precisavam da ajuda do Saul.
A partir do décimo episódio temos várias cenas e vários acontecimentos em preto e branco, o que de certa forma virou uma marca dos inícios das temporadas. Temos os acontecimentos a partir da cena da temporada passada, onde temos o Jimmy sendo reconhecido por um taxista local e ele tentou disfarçar. O Jimmy/Saul começa a fazer um golpe, o que fatalmente não será uma única vez, como no caso dos golpes no shopping para roubar as lojas. Seguindo adiante o Jimmy meio que fecha um acordo com o taxista para embriagar os passageiros e roubar suas casas juntamente com seus dados bancários. Um fato curioso desse período na vida do Jimmy, é justamente o dia que por alguma razão ele decide ligar para a Kim, que naquele momento estava vivendo sua vida pacata na Flórida. Entre golpes e mais golpes do Jimmy junto com o taxista Jeff (Pat Healy), quem realmente ajuda na queda do Jimmy é a Marion (Carol Burnett) a mãe do Jeff, que já estava desconfiada daquela aproximação e acaba descobrindo o Jimmy como um golpista. Temos então um confronto entre o Jimmy e a Marion, onde ele acaba fugindo mas logo é pego pela polícia local.
Agora eu preciso destacar a parte final da temporada, onde temos acontecimentos até então inimagináveis dentro do universo de "Breaking Bad". Quando o Jimmy/Saul é capturado cai sobre ele todas as acusações, ainda mais com o fato do Walter está morto, o Hank também está morto e o Jesse foragido (entenda-se que estamos falando aqui de um futuro pós finalização de "Breaking Bad"). Ou seja, nesse momento o único acusado que ficou responsável por tudo que aconteceu em "Breaking Bad" era o Saul. O Saul por sua vez se defende das acusações alegando que era coagido pelo Walter para fazer tudo que ele fez, o que teoricamente não deixa de ser uma verdade. Porém, como o Saul é muito hábil e astuto nesse mundo do crime, com sua inteligência e sua lábia ele consegue reduzir consideravelmente a sua pena, que deveria ser prisão perpétua. Por outro lado o Saul vive em conflito com sua mente em relação à Kim, já que a própria ficou muito perturbada com tudo que fez na vida e decidiu desabafar todo o ocorrido justamente com a viúva do Howard - por sinal uma cena muito impactante.
Por fim chegamos no julgamento do Saul, que justamente estava perturbado mentalmente sobre a Kim, e ela está presente no tribunal do seu julgamento, o que o leva a jogar toda a merda no ventilador e confessar tudo que fez em sua vida. Dessa forma o Saul conta tudo no tribunal, falando até da morte do seu irmão Chuck e se colocando como o principal responsável, o que me deixou completamente boquiaberto nesse momento. Temos até uma bela cena do Jimmy com o Chuck, e logo após o Jimmy revela que seu nome é Jimmy mesmo e não Saul, praticamente se desfazendo do seu famigerado pseudônimo para manter a sua consciência livre e limpa (como se fosse possível). Após o julgamento o Jimmy é condenado e encaminhado para a prisão onde ele passará os últimos anos de sua vida. E no fechamento da série temos a cena em que a Kim (visualmente bem diferente, por sinal) vai até a prisão falar com o Jimmy, eles meio que se acertam na medida do possível e ficamos com a última visão do Jimmy olhando do outro lado da cerca a Kim indo embora para sempre. E assim se encerra o último episódio da última temporada da série "Better Call Saul".
Sobre o elenco: De fato "Better Call Saul" jamais sairia do papel sem este incrível elenco que compôs cada temporada, cada personagem e cada acontecimento. Bob Odenkirk é a alma da série, onde ele veste de um personagem cheio de camadas, de facetas, indo desde o inexperiente Jimmy McGill inicialmente até o inigualável Saul Goodman, até se descaracterizar e se desconstruir da sua principal personalidade ao final. Incrível, Bob Odenkirk é incrível! Jonathan Banks deu vida a um dos meus personagens preferido de todo o universo de "Breaking Bad". O apoteótico Mike Ehrmantraut é sempre a peça-chave dos acontecimentos, aquele coringa que sempre está presente no local certo e na hora certa. Imensurável como o Jonathan Banks é impecável no universo de "Breaking Bad". Rhea Seehorn faz uma personagem que desde o começo é aquela famosa ame ou odeie. Na temporada passada eu citei que a Kim estava em sua melhor temporada da série até o momento, e digo que ela se mantém nesse patamar na temporada atual. Realmente a Kim teve um grande crescimento de importância dentro da série, se colocando como peça principal em alguns momentos e fechando com chave de ouro a sua última cena junto com o Jimmy. Belíssimo trabalho da Rhea Seehorn. Patrick Fabian teve menores participações nessa temporada em específico, e logo foi limado do contexto atual. Porém ele não fica atrás, pois entregou um ótimo personagem ao longo da série, que teve participações pontuais e fundamentais na construção do caráter do Jimmy como Saul. Michael Mando andou na mesma linha da Rhea Seehorn nas últimas duas temporadas, pois ele também cresceu muito de importância dentro da série e teve um final extremamente impactante. Tony Dalton não foi um personagem que esteve desde o começo da série mas ele trouxe consigo uma extrema importância para os acontecimentos acerca do Gus. Os embates entre eles foram de tirar o fôlego, nos proporcionando cenas impagáveis. Tony é um excelente ator! E por falar em Gus Fring; Giancarlo Esposito é o coração da série. Se o Bob é a alma ele é o coração! Eu não tenho mais palavras para elogiar o que o Giancarlo representa para o contexto do universo de "Breaking Bad". Elogiá-lo é simplesmente chover no molhado. Já falei aqui e repito: Giancarlo Esposito é um verdadeiro gentleman na arte de atuar!
Tecnicamente e artisticamente a série "Better Call Saul" é uma obra-prima, pois ela está inserida na mesma linha de "Breaking Bad", sendo assim é mais do que notável e perceptível como tudo aqui funciona em perfeita harmonia e sintonia. Vince Gilligan constrói uma evolução muito notável durante cada temporada e cada episódio, algo que vai além, que o faz se superar em cada quesito; como no caso da produção, direção, edição, mixagem, fotografia, cenografia e direção de arte. É realmente incrível como tecnicamente tudo funciona dentro da série, como no caso da trilha sonora, que é absurda.
A sexta temporada de "Better Call Saul" foi filmada em Albuquerque durante um período de onze meses. Muitos de seus atrasos foram devido à pandemia de COVID-19 e ao ataque cardíaco de Bob Odenkirk no set. A série foi elogiada pelos críticos, principalmente por suas performances, roteiro, visuais, peso emocional e semelhança com "Breaking Bad" (algo mais do que natural) . A primeira metade recebeu quatro indicações no 74º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. A segunda metade recebeu cinco indicações para o 75º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática, a sexta indicação de Bob Odenkirk para Melhor Ator Principal em Série Dramática e a segunda indicação de Rhea Seehorn para Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática.
No Rotten Tomatoes, a sexta temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com base em 182 avaliações, com uma classificação média de 9,4/10. Já no Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 94 de 100 com base em 20 críticos.
Considerações finais: Eu sempre deixei muito claro que "Breaking Bad" é a melhor série que eu já assisti na vida, a minha série de cabeceira. Dito isto: poder acompanhar "Better Call Saul" pela primeira vez foi uma experiência inenarrável, um verdadeiro deleite audiovisual. Pois esta série pode me proporcionar conhecer um outro lado dos personagens que teoricamente não eram os protagonistas da série principal. Ou seja, conhecer o seu passado, ou melhor, o seu início dentro desse universo antológico, poder descobrir como cada um deles se tornaram o que conhecemos em "Breaking Bad".
Encerro afirmando que "Better Call Saul" é uma série excelente, que nos entregou exatamente o que todos nós queríamos, o que todos nós almejávamos, que nos proporcionou voltar ao universo de "Breaking Bad" mais uma vez, e isto para um fã não tem preço. "Better Call Saul" honrou o nome da maior série de TV de todos os tempos!
A quinta temporada de "Better Call Saul" estreou em 23 de fevereiro de 2020, nos Estados Unidos, e concluiu em 20 de abril de 2020. Assim como as temporadas anteriores, esta também continua no padrão dos dez episódios. Novamente temos o elenco formado por Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando e Giancarlo Esposito, sendo acompanhados por Tony Dalton, que foi promovido ao elenco principal de seu papel recorrente na temporada anterior.
A quinta temporada começa exatamente onde a quarta parou, também ocorrendo em 2004, quatro anos antes de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) conhecer Walter White (Bryan Cranston ) e Jesse Pinkman (Aaron Paul ) na série principal "Breaking Bad". A temporada mostra a evolução de Jimmy para o personagem titular, o advogado de defesa criminal "Saul Goodman", após recuperar sua licença de advogado, enquanto rejeita totalmente a boa vontade que Howard Hamlin (Patrick Fabian) estende a ele após a morte de seu irmão Chuck (Michael McKean) na terceira temporada. Kim Wexler (Rhea Seehorn) fica consternada com a natureza secreta e esporádica de Jimmy, bem como com sua própria disposição de concordar com os motivos moralmente ambíguos de Jimmy para seguir em frente em seu trabalho de casos judiciais. A presença de Lalo Salamanca (Tony Dalton) em Albuquerque interrompe o negócio legítimo de restaurantes de Gus Fring (Giancarlo Esposito) e sua reputação com o cartel de drogas. Tanto Nacho Varga (Michael Mando), temendo pela segurança de seu pai, quanto Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks), que está lutando para lidar com a morte de Werner Ziegler, ficam presos no conflito de Gus e Lalo, o que acaba atraindo Jimmy e Kim.
Como já virou um padrão dos inícios das temporadas de "Better Call Saul", o primeiro episódio já inicia no famoso pós "Breaking Bad", onde temos o Jimmy/Saul em seu trabalho no shopping vivendo naquela sua paranoia de ser reconhecido por alguém quanto a sua identidade. Tanto que ele esconde sua verdadeira identidade sob seu pseudônimo de "Gene Takavic" quando ele é reconhecido em público. Voltando ao presente da temporada, temos o Jimmy recuperando a sua licença na advocacia e entrando em contato com aquelas pessoas que ele negociou os aparelhos celular nas temporadas passadas para oferecer os seus serviços. Curioso que nesse momento o Jimmy já adotou 100% o uso do seu pseudônimo de Saul Goodman.
Já no outro núcleo da série, o Nacho continua envolvido com os negócios do cartel mexicano após aquele seu golpe anteriormente envolvendo o Hector Salamanca (Mark Margolis). O ponto interessante da história do Nacho é justamente ele estar no meio do embate envolvendo o Gus e o Lalo. Ou seja, o Gus havia percebido aquele plano do Nacho para matar o Hector e o obrigou a trabalhar para ele, enquanto o Lalo, que é sobrinho do Hector, mantém o Nacho sobre a sua supervisão. Esta parte da temporada é muito boa, pois justamente temos aquele jogo de gato e rato entre o Lalo e o Gus, já que o Lalo quer descobrir os negócios do Gus e persegue até o Mike para conseguir chegar no seu objetivo, que por sinal ele quase consegue. O Nacho Varga vira praticamente o personagem central dessa parte da trama, pois ele precisa seguir as ordens do Gus, uma vez que o Gus está ameaçando o seu pai, enquanto ele também precisa de alguma forma ganhar a confiança do Lalo e não levantar nenhuma suspeita.
Dentro de todo este contexto entre Lalo e Gus, o próprio Saul entra na jogada como advogado de defesa contratado pelo Lalo para defender o Krazy-8 (mais um do universo "Breaking Bad"). Nessa fase da temporada temos a entrada do emblemático agente da DEA, o grande Hank Schrader (Dean Norris), que reprisa o seu papel de "Breaking Bad" entrando na investigação da denúncia feita contra o Gus. Já o Mike fica um pouco de lado, fica mais na sua, tanto que ele começa a beber e arruma algumas confusões indo parar em uma espécie de santuário no México, até ser resgatado pelo próprio Gus que o traz novamente para o jogo. A Kim continua presa no seu mundo, na sua bolha, que é o seu trabalho entre aqueles casos sociais e os casos do Mesa Verde Bank, o que acaba lhe causando um grande transtorno até mental. Por outro lado temos aquela genialidade do Saul ao entrar nesse caso para atrasar os planos tanto da própria Kim quando do Mesa Verde Bank. Depois a Kim descobre este lado da jogada do próprio Saul, o que a deixa chateada e se sentindo traída, e o resultado é um casamento entre a Kim e o Saul assim tipo do nada.
No decorrer da temporada temos algumas reviravoltas, como na parte que o Mike consegue um plano para incriminar o Lalo e ele ser preso. Logo após o Nacho precisa seguir uma ordem do Lalo para colocar fogo em um dos estabelecimentos do Gus, como o Gus sabe de tudo que está acontecendo pelo próprio Nacho ele mesmo coloca fogo em sua própria loja para não levantar nenhuma suspeita. Depois temos a parte em que o Saul é o advogado contratado pelo Lalo para retirá-lo da prisão sobre o preço de uma fiança que o próprio Saul precisa buscar em um deserto, por sinal este episódio do deserto é sensacional. Nessa temporada também temos pequenas participações do Howard (Patrick Fabian), que parece querer se acertar com o Saul de alguma forma, já o Saul só quer mesmo sacanear o Howard, e de certa forma eu até concordo e entendo esta postura do Saul, já que o Howard sempre foi muito falso com o Saul e vice e versa.
Partindo para os episódios finais da temporada, temos a parte em que o Lalo leva o Nacho até seu povo no México e o coloca dentro de sua casa, porém o Nacho faz parte de todo o plano do Gus que queria exterminar todos daquele local incluindo o próprio Lalo. O Nacho consegue cumprir as ordens do Gus e colocar para dentro do local todo o esquadrão do Gus para matar o Lalo, que por sinal são cenas belíssimas de ação e tensão. O Lalo como um autêntico Salamanca que é, consegue escapar por um túnel da casa e volta para exterminar sozinho todo o esquadrão. Nessa altura dos acontecimentos o Lalo já sacou que tudo foi armado pelo próprio Nacho, que ele já tinha fugido do local facilitando o acesso. Ou seja, o Lalo fica furioso pelos planos do Gus envolvendo o Nacho, e assim acaba a temporada mostrando um Lalo com sangue nos olhos para a sexta e última temporada de "Better Call Saul".
Sobre o elenco: Bob Odenkirk assume de vez a sua identidade de Saul Goodman, deixando para trás todo o seu caráter de Jimmy McGill e entrando de cabeça nesse submundo do Saul que conhecemos em "Breaking Bad". Mais um temporada com uma atuação fantástica do incrível Bob Odenkirk. Jonathan Banks é aquele ator que sempre mantém um linha certeira de um alto nível de entrega de seu personagem, pois você nunca irá achar uma temporada em que ele esteja mediano ou fraco. O Mike sempre é aquela peça-chave que liga todos os acontecimentos da série, e consequentemente o fantástico Jonathan Banks sempre entrega um trabalho condizente. Rhea Seehorn está incrível nessa quinta temporada. Ouso a dizer que esta é a sua melhor temporada na série até aqui. Finalmente temos uma Kim que está se desconstruindo, se descaracterizando, saindo daquela pose de boa moça, de estar sempre mantendo a aparência da profissional certinha. Ou seja, a partir do momento em que ela decide atacar o Howard ela acaba acessando diretamente o seu lado mais sombrio, o que culmina diretamente com o atual momento do Saul. Este casal ficará ainda mais interessante na sexta temporada. Michael Mando é outro que subiu muito de produção nessa temporada, pois agora podemos notar que ele chama pra si todo o protagonismo e toda a responsabilidade dos acontecimentos, e ele estando no meio do fogo cruzado o deixa ainda mais importante dentro da série. Giancarlo Esposito anda na mesma linha do Jonathan Banks, ou seja seus personagens entregam sempre o que almejamos. É realmente incrível como o Esposito ganha todas as atenções e todo o protagonismo quando ele entra em cena. Ele é um ator absurdo e este seu personagem já ficou imortalizado. Tony Dalton foi uma adição certeira para o roteiro da série. O Lalo Salamanca foi um personagem já citado em "Breaking Bad" mas que nunca apareceu na série, ou seja a sua aparição em "Better Call Saul" tem muito peso. E de fato o Tony foi muito bem na temporada, conseguiu se colocar como um grande rival do Gus e aproveitou muito bem todo o seu protagonismo, já que ele entrou no espaço deixado pelo Hector Salamanca. O Patrick Fabian teve uma participação mais contida nessa temporada, se destacando apenas por algumas cenas de embate com Bob Odenkirk, que por sinal são ótimas cenas. E só pontuando a participação do Dean Norris, que é sempre muito elegante.
Tecnicamente a temporada mantém o mesmo nível das anteriores e consequentemente de todo o universo de "Breaking Bad".
A quinta temporada de "Better Call Saul" foi muito elogiada pelos críticos, principalmente por suas performances e maior tensão em comparação às temporadas anteriores. No Rotten Tomatoes, a temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com base em 185 avaliações. No Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 92 de 100 com base em 16 críticos. Além de receber quatro indicações no 72º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. "Better Call Saul" segue fazendo história!
Encerro afirmando que esta quinta temporada de "Better Call Saul" subiu muito no meu conceito, pois ela consegue unificar vários pontos dentro da série, ela consegue uma grande dose de crescimento e evolução em contrapartida com a desconstrução e descaracterização dos personagens, o que me chamou muito a atenção durante toda a temporada. Sem nenhuma dúvida esta é a melhor temporada da série, que tem tudo para ser superada pela sexta e última temporada de "Better Call Saul".
A quarta temporada de "Better Call Saul" estreou em 6 de agosto de 2018 e concluiu em 8 de outubro de 2018. A temporada continua no padrão dos dez episódios e foi transmitida pela AMC.
A quarta temporada de "Better Call Saul" ocorre principalmente no ano de 2003, assim como a anterior, porém os últimos quatro episódios ocorrem já no ano de 2004 após um salto no tempo no sétimo episódio. Esta temporada consiste especificamente no fato do Jimmy McGill (Bob Odenkirk) e da Kim Wexler (Rhea Seehorn) estarem lutando pela morte do Chuck McGill (Michael McKean). Howard Hamlin (Patrick Fabian) sofre com uma depressão por acreditar ser ele o responsável pela morte do Chuck, o que acaba por acarretar em seu desligamento do trabalho. Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) começa as inspeções de segurança em Madrigal, desconsiderando o fato de que seu contrato de consultoria deveria ser apenas uma transação de papel. Nacho Varga (Michael Mando) se torna um espião para Gus Fring (Giancarlo Esposito) dentro da organização Salamanca, logo após o próprio Gus desconfiar da sua armação que resultou no derrame do Hector Salamanca (Mark Margolis) na temporada anterior. Gus contrata um engenheiro e uma equipe de construção para começar a construção do "superlaboratório" de metanfetamina sob a lavanderia industrial (o que para nós fãs de "Breaking Bad" já sabemos da importância desse "superlaboratório").
A temporada já inicia em seu primeiro episódio com a já famigerada cena futura em preto e branco, onde temos o Saul no hospital após ter desmaiado em seu trabalho fruto de um ataque de estresse na terceira temporada. Nesse caso o Saul/Jimmy está paranoico com o receio do fato de descobrirem a sua verdadeira identidade de acordo com os eventos que acontecem em "Breaking Bad". Já no presente da temporada temos a chegada da notícia da morte do Chuck no Jimmy e na Kim, onde ambos vão juntos até o local do acidente fatal do Chuck, sua casa. Jimmy está com a sua carteira de advocacia suspensa por um ano e dessa forma ele passa a procurar empregos em outras áreas, mas não deixa de aplicar os seus golpes.
O Mike volta a trabalhar na portaria do estacionamento porém ele está ganhando o dinheiro da Madrigal quando ele passa a assumir o controle de segurança do local. Podemos observar que o Mike usa esse caso como uma espécie de lavagem de dinheiro pelas operações secretas que ele faz para o Gus. Todo aquele envolvimento do Jimmy com os esquemas das vendas frias dos celulares acaba gerando cenas mais fortes quando ele vai cobrar aquela gangue que o roubou. O interessante dessa cena é que a partir daí o Jimmy já começa a usar o pseudônimo de Saul Goodman.
O núcleo que envolve o Gus e o Nacho está cada vez mais interessante nessa temporada, pois após o Gus sacar do seu envolvimento no acontecimento do Hector Salamanca ele mata o parceiro do Nacho e o obriga a trabalhar secretamente para ele. Toda construção bolada pelo Gus para se livrar das exigências do Cartel mexicano acaba gerando uma operação arriscada para o Nacho, que acaba levando a pior e levando alguns tiros e se ferindo até gravemente. O fica ainda mais interessante nessa temporada é justamente este embate que acaba gerando entre o Lado do Gus contra o lado do Hector com o Nacho bem no meio do fogo cruzado. Justamente nesse ponto temos a entrada dos icônicos gêmeos Salamanca (Leonel Salamanca / Daniel Moncada e Marco Salamanca / Luis Moncada) em cena atacando e matando todos da gangue rival.
Outro personagem do universo de "Breaking Bad" que aparece na temporada é o Gale Boetticher (David Costabile), que está ao lado do Mike na busca do engenheiro para a construção do já citado "superlaboratório". Por outro lado temos um Nacho cuidando mais tranquilamente dos seus negócios, até que temos a entrada na série do Lalo Salamanca (Tony Dalton), que é um enviado do Cartel mexicano que chega para começar a administrar o negócio de drogas da família, já que o Hector se encontra naquelas condições. Já a Kim está novamente trabalhando em um caso da empresa Mesa Verde, que logo acaba entrando em conflito com a empresa pelos seus trabalhos fora dela. E novamente temos o casal Jimmy e Kim trabalhando e tramando novos golpes juntos. Todo envolvimento do Mike ao despistar o Lalo do seu encalço acaba gerando uma cena bem pesada na temporada; que é justamente a cena em que o Mike, por ordens do Gus, acaba executando o engenheiro. Esta de fato é uma cena que tem um certo nível de comoção pela parte do próprio Mike, pois este engenheiro de certa forma era um amigo que o Mike considerava dentro de todo o universo de "Breaking Bad", e ter que executá-lo ali a sangue frio foi muito difícil e pesado para o Mike, como observamos no desenrolar da cena.
A temporada tem um salto no tempo de um ano, quando temos a cena em que o Jimmy vai fazer a entrevista para tentar recuperar a sua licença para novamente exercer a advocacia, o que acaba não saindo como ele planejava e ele acaba não conseguindo a licença. Também temos todas as cenas da recuperação do Hector Salamanca após o seu ocorrido. Temos aquela cena onde o Hector começa a aprender a se comunicar com os toques do dedo no sininho de sua cadeira de rodas. É justamente dessa forma que conhecemos ele em "Breaking Bad", quando ele usa aquele sininho para tentar se comunicar, que por sinal são cenas com um alto grau de tensão. Para provar a sua inocência, ou parte dela, o Jimmy usa aquela carta do testamento que seu irmão Chuck deixou para ele para assim recuperar a sua licença de advocacia. Aliás, diga-se de passagem é uma cena fantástica o discurso emocionante que o Jimmy faz. Já por outro lado ficamos extremante surpresos quando a Kim aparece no local e descobrimos que todo aquele discurso não passava de uma encenação do Jimmy para conseguir na sua lábia o seu objetivo de retomar a advocacia. E pasmem, é exatamente nesse ponto que definitivamente nasceu o emblemático Saul Goodman que conhecemos em "Breaking Bad". E assim se encerra o décimo e último episódio da quarta temporada de "Better Call Saul".
Falar do elenco da série é sempre chover no molhado, pois definitivamente o núcleo principal é sempre impecável em seus respectivos personagens. Portanto eu nem preciso me alongar aqui pontuando a atuação de cada um. Já o elenco recorrente de apoio se destaca muito bem em cada personagem; como é o caso do saudoso Mark Margolis com o seu imensurável Hector Salamanca. Daniel Moncada e Luis Moncada, que fazem os gêmeos Salamanca, estão sempre formidáveis. O próprio David Costabile que foi muito bem em sua apresentação. E finalizando como Tony Dalton, que teve uma entrada explosiva e muito intrigante na série.
A parte técnica da temporada novamente é um show à parte, pois o nível técnico e artístico é um absurdo. A trilha sonora acompanha perfeitamente os acontecimentos de cada episódio. A fotografia é muito bem destacada, assim como a direção de arte, a montagem, edição, cenografia, tudo muito bem ajustado para proporcionar o verdadeiro espetáculo que presenciamos ao longo dos dez episódios.
A quarta temporada de "Better Call Saul" recebeu aclamação da crítica, principalmente por seu ritmo e desenvolvimento de personagens, e seis indicações ao 71º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. No Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 87 em 100 com base em 16 críticos. No Rotten Tomatoes, a temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com uma pontuação média de 8,9 em 10 com base em 185 avaliações.
Por fim, esta quarta temporada de "Better Call Saul" serve como um verdadeiro divisor de águas dentro de toda a série, já que é justamente aqui que a série assumi o seu lado cada vez mais sombrio. Sem falar que esta é a temporada onde claramente podemos observar que a morte do Chuck serve principalmente como um catalisador para a transformação de Jimmy McGill no que conhecemos em "Breaking Bad"; aquele advogado trapaceiro, persuasivo, manipulador, maquiavélico e letal. Senhoras e senhores, este é o icônico Saul Goodman.
"É Assim Que Acaba" é dirigido por Justin Baldoni a partir de um roteiro de Christy Hall, baseado no romance de mesmo nome de 2016 da escritora norte-americana Colleen Hoover. O filme é estrelado por Blake Lively ao lado de Baldoni, Brandon Sklenar, Jenny Slate e Hasan Minhaj. A história segue a florista Lily Bloom (Blake Lively), cujo relacionamento problemático com o neurocirurgião Ryle Kincaid (Justin Baldoni) é agravado quando seu primeiro amor Atlas Corrigan (Brandon Sklenar) reaparece em sua vida.
Antes de mais nada eu preciso mencionar que eu sou muito fã da Colleen Hoover e a considero atualmente como uma das melhores escritoras sobre romance. Porém eu nunca fui fã de livros de romance, não é um gênero que me atrai, por isso soa até estranho eu ser fã da Colleen. Mas é aí que está o "x" da questão, muitas pessoas podem associar que a Colleen escreve o mais do mesmo, somente o velho e batido romance, aquele velho clichê água com açúcar que encontramos milhões por aí. Mas foi exatamente nesse ponto que eu virei fã da Colleen Hoover, por encontrar histórias que diferem totalmente da mesmice dos livros de romance, histórias estas que estão inseridas em um romance mas por um outro contexto, com um outra visão, que é justamente a abordagem que ela traz sobre pessoas, sobre a vida, sobre relacionamentos tóxicos e abusivos, sobre como somos fracos, falhos, submissos, complacentes, influenciáveis, sobre como cometemos erros e aprendemos com eles, sobre como somos capazes de perdoar, ou não.
Dito isto: "É Assim Que Acaba" virou um dos maiores fenômenos da internet e do TikTok (o famoso BookTok). O livro foi um verdadeiro arrasa-quarteirão virando um famoso best-seller, o que logo o levou a liderar a lista de best-sellers do New York Times. Colleen Hoover, que já era muito famosa no meio, foi alçada aos holofotes e as polêmicas, o que logo conquistou milhões de fãs e consequentemente de haters, fazendo um enorme sucesso principalmente entre o público adolescente.
Sobre o livro: "É Assim que acaba" traz uma história extremamente interessante, onde logo percebemos a importância e a relevância de todo o seu contexto. A obra é considerada pessoal e intimista onde aborda temas como violência doméstica e luto, gerando polêmicas e críticas. Temos uma história extremamente importante, relevante, arrasadora, ousada, inovadora, que exemplifica muito bem uma abordagem em torno da violência doméstica e do relacionamento abusivo e tóxico.
O ponto mais interessante de "É Assim que acaba" é o choque de realidade e o tapa na cara que ele nos dá. Pois quem aqui nunca julgou uma mulher que sofre com um relacionamento abusivo, doentio, tóxico e, principalmente, violento. Olhar de fora é muito fácil. Julgar de fora é muito fácil. Ser o dono da razão estando do lado de fora é muito fácil. O debate aqui é sobre um amor que custa caro demais. Um relacionamento que atinge proporções inimagináveis, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. O livro serve para nos abrir os olhos em vários casos, em várias vertentes, assim como serve para nos mostrar o lado de quem está do outro lado, para ajudar a criarmos empatia antes de exercermos o poder do julgamento. E um dos pontos mais curiosos é a forma como vemos cada personagem em sua determinada história, o que sempre levanta dúvidas e opiniões. Tem horas que compramos a defesa de cada um, tem horas que julgamos cada um, tem horas que desacreditamos das versões de cada um. É um história onde é difícil apontar a vítima e o vilão, e eu até acho que todos são vítimas e vilões de suas próprias histórias.
O livro por si só já é um livro magnífico, mas depois que você chega ao final e lê o epílogo, a história se transforma e ganha ainda mais peso, mais importância e mais relevância. Eu não tinha a dimensão dessa história, eu não fazia ideia no que foi baseada toda essa história. Poder entender ao final que a Colleen Hoover fez praticamente uma releitura da vida da sua mãe em contrapartida com a sua, o livro cresce muito mais em meu conceito.
O ponto curioso é exatamente a proporção que a obra da Colleen Hoover atingiu, logo se tornando aquele verdadeiro ame ou odeie, com uma base de elogios, críticas e principalmente o cancelamento da autora. Muitas pessoas cancelaram o livro por não gostarem da forma como a história aborda temas como violência doméstica e luto, logo a trama foi acusada de romantizar um relacionamento abusivo (o que eu discordo veementemente).
"É Assim que acaba" é o meu segundo livro preferido da Colleen Hoover (que já li duas vezes), ficando somente atrás de "Verity", porque este é uma verdadeira obra-prima da literatura e de toda a bibliografia da Colleen Hoover.
Sobre o filme: Com todo o sucesso conquistado pelo livro seria mais do natural que sua legião de fãs esperassem por uma adaptação cinematográfica. E ela veio com uma produção que envolvia principalmente um roteiro escrito pela própria Colleen Hoover, juntamente com a Christy Hall, roteirista do filme "Daddio", do ano passado. A produção do longa-metragem também envolve a Colleen Hoover, o Justin Baldoni (diretor de "A Cinco Passos de Você") e a Blake Lively (estrela de "Gossip Girl").
"É Assim que acaba" já começou a dar errado antes mesmo de ser lançado, logo na pré-produção. As filmagens do longa tiveram que ser pausada algumas vezes pelo fato da greve dos roteiristas dos Estados Unidos de 2023. O filme estava inicialmente agendado para ser lançado em 9 de fevereiro de 2024 nos Estados Unidos, pela Sony Pictures e depois para 21 de junho de 2024, mas teve seu lançamento adiado para 9 de agosto de 2024. A escalação de Blake Lively e Justin Baldoni como Lily e Ryle causou reação dos fãs porque no livro Lily tem 23 anos e Ryle tem 30, enquanto Lively tem 35 e Baldoni tem 39. No entanto, a Colleen Hoover explicou em uma entrevista que ela queria envelhecer os personagens do filme em um esforço para corrigir um erro que ela cometeu no livro. Ou seja, era fato que o filme já estava fadado ao fracasso.
Caso Justin Baldoni x Blake Lively: "É Assim que acaba" ficará para sempre marcado negativamente pelas inúmeras polêmicas envolvendo o caso. A produção do longa ficou atolada em controvérsias devido a disputas entre Blake Lively e Justin Baldoni, com a primeira recebendo críticas por não abordar os temas do filme de violência doméstica e abuso emocional durante sua turnê promocional. Em dezembro de 2024, Lively entrou com uma ação judicial contra Baldoni e sua produtora Wayfarer Studios, acusando-os de assédio sexual e intimidação, por criar um ambiente de trabalho hostil e retaliar contra ela por relatar má conduta. De acordo com o processo judicial, ela alegou que Baldoni improvisou beijos indesejados e discutiu sua vida sexual, causando-lhe sofrimento emocional. Negando as acusações, Baldoni processou o New York Times por difamação por apoiar o relato de Lively sobre os eventos e, mais tarde, processou Lively, seu marido Ryan Reynolds e sua publicitária Leslie Sloan por extorsão civil, difamação e invasão de privacidade. Sem falar em toda polêmica envolvendo o Marido da Blake, estrela de "Deadpool", que teve envolvimento direto na escrita do texto de roteiro de algumas cenas de sua esposa.
Durante sua turnê promocional do filme, Blake Lively recebeu críticas de usuários de mídia social que a acusaram de ser "surda" por exibir uma atitude "humorada e despreocupada" e não abordar explicitamente a experiência de sua personagem com violência doméstica e abuso. Os usuários também criticaram Lively por promover sua nova linha de cuidados com os cabelos, bem como sua marca de bebidas, durante a turnê de imprensa, e por encorajar os espectadores a usar roupas florais, o que alguns consideraram insensível à mensagem do filme em torno da violência doméstica.
Sobre a adaptação cinematográfica: Não posso negar que em questão de adaptação o filme é muito fiel ao livro, pois ele segue uma linha exata dos acontecimentos do livro, até com cenas e diálogos iguais, o que eu considero muito bom. Apesar de ficar bastante coisa de fora, que pra quem leu o livro vai sentir falta de inúmeras cenas até relevantes para o contexto final da história. Mas nesse caso eu até entendo, pois o livro é mais abrangente e mais detalhado, logo um filme de 2h não conseguiria detalhar tudo. Diante desse fato eu acredito que uma série se encaixaria muito melhor na proposta do que um filme, pois dessa forma grande parte da história do livro (que tem 366 páginas) poderia ser melhor abordada.
Porém, a adaptação é fiel ao livro, a mescla das cenas do presente e passado são boas e bem encaixadas durante os pontos cruciais da trama, mas os acontecimentos são muito rápidos, são muito capados de informações. Tudo é jogado na tela claramente com um senso de urgência, como se estivessem correndo contra o tempo para conseguir entregar toda a história até o final do tempo exigido. Falta emoção, falta sintonia, falta apego emocional, falta empatia, falta principalmente a química entre a Lily Bloom e o Ryle Kincaid. Este é um ponto crucial no filme, pois eu senti absolutamente zero de química entre a Blake Lively e o Justin Baldoni.
Está muito claro e perceptível a falta de química e de sintonia entre os atores, que é um ponto extremamente importante no livro e dita todo o ritmo de desenvolvimento da trama, e aqui eu senti falta. Parecia que a Lily não estava gostando do Ryle de verdade, parecia que ela não estava se envolvendo com ele ao ponto de estar realmente apaixonada como no livro, pelo contrário, parecia que ela estava sendo forçada a ficar com ele. Este é o ponto exato da química que eu mencionei, pois falta este envolvimento para que assim pudéssemos vivenciar um romance mais intenso e arrebatador como no livro. Aqui este romance carece de tudo e soa extremamente superficial e genérico.
Outro ponto: O tema principal do livro aborda principalmente a complexidade das relações tóxicas, explorando como o amor e o abuso muitas vezes coexistem, o que nos exemplifica sobre a construção do ciclo da violência doméstica. Este é um ponto que na minha opinião é muito bem abordado no livro, dando o peso e a proporção exata daqueles acontecimentos (por mais que muitos leitores discordam). O livro traz uma narrativa relevante sobre a força necessária para fazer as escolhas certas nas situações mais difíceis, e aqui esta abordagem praticamente não existe, pelo menos não na mesma dimensão.
O tema central que levanta vários debates e discursões no livro é exatamente a abordagem daquele relacionamento, que consiste em uma fase de conhecimento e aproximação, que logo progride para abusos físicos e verbais, se tornando um caso de relação tóxica e doentia com agressões tanto físicas como mentais e emocionais. E tudo isso envolvendo um trauma de infância e adolescência da Lily, que presenciou sua mãe sendo violentada várias vezes por seu pai. Este é o ponto, o fato da Lily estar em um relacionamento que consiste em repetir aquele ciclo de violência doméstica em sua família, e que ela precisa urgentemente tomar uma atitude para parar.
Ou seja, tudo isso que eu acabei de mencionar é de extrema importância e relevância no contexto do filme, porém tudo é muito vago, muito raso, muito falho, sem nenhum peso dramático e emocional. Tudo é disparado muito rápido, uma cena atrás da outra onde você não consegue sentir nenhum peso daquele relacionamento doentio e abusivo, tudo parece apenas uma briguinha corriqueira de um casal como tantos qualquer. Em nenhum momento o filme consegue abordar com propriedade o caso de um relacionamento tóxico e abusivo, pelo contrário, tudo é muito romantizado, tudo é muito superficial, tudo é muito leve, toda a trama sobre violência é ingênua demais.
Claramente o roteiro do filme desperdiça uma grande oportunidade de denúncia sobre estes acontecimentos, de dar o foco necessário sobre essas questões tão agravantes em nossa sociedade, e muito por "talvez" medo de se aprofundar em um tema tão delicado, tão sensível, em colocar o dedo nesse vespeiro, o que no meu conceito perde relevância ao amenizar e romantizar o caso, ficando apenas no terreno do romance e do drama. E vale ressaltar que você não precisa exibir cenas com violências gratuitas para exemplificar e abordar com mais propriedade e seriedade o tema em questão.
Sobre o elenco: Sinceramente eu não gostei do elenco, principalmente a Blake e o Justin, pois como eu já mencionei acima, este é um casal completamente superficial, genérico e sem nenhuma química. Eu considero a atuação da Blake muito ruim, sem nenhum peso, sem nenhuma emoção, sem nenhum carisma, ela parecia que estava no automático e com zero vontade de estar ali naquele momento. O Justin não fica atrás, pois ele também tem uma atuação muito fraca, muito caricata e muito canastrona. Já o Brandon Sklenar está na dele no papel do Atlas Corrigan. Não se destaca mas também não compromete. Gostei do Alex Neustaedter e da Isabela Ferrer, ambos fizeram o Atlas e a Lily jovem. Estes foram os únicos em que eu senti uma química que representava aquele nascimento de um grande amor, eles estiveram mais perto dos seus personagens do livro. O resto do elenco corre por fora e não tem muito o que se destacar; como no caso da Jenny Slate que fez a Allysa (melhor amiga da Lily e irmã do Ryle), o Hasan Minhaj que fez o Marshall (marido da Allysa) e a Amy Morton que fez a Jenny Bloom (mãe da Lily).
Apesar das críticas e polêmicas, "É Assim Que Acaba" foi um sucesso de bilheteria, arrecadando US$ 351 milhões em todo o mundo contra um orçamento de US$ 25 milhões.
Com base no sucesso de bilheterias e pela existência de uma continuação da história da Lily Bloom, o livro "É assim que começa" (que eu também já li), seria natural que todos se perguntasse sobre uma possível continuação do filme. Após o lançamento do filme, o diretor Justin Baldoni reconheceu o potencial para uma adaptação cinematográfica do romance sequencial. No entanto, ele afirmou mais tarde que não retornaria em seu papel como diretor, sugerindo que Blake Lively dirigisse o filme. Diante das polêmicas e processos envolvendo o elenco, não sei seu eu apostaria em uma continuação, ainda mais sendo novamente protagonizado por Blake Lively e Justin Baldoni.
Por fim: Como livro, "É Assim Que Acaba" é excelente, é relevante, pois ele consegue transcender aquela barreira do romance e do drama, e acima de tudo, ele consegue abordar e passar a sua mensagem sobre um tema muito importante, principalmente por ser praticamente uma releitura verídica da vida da mãe da Colleen Hoover e consequentemente da sua. Já como filme infelizmente não deu certo, ficando muito aquém do que se esperava, até por contar com o própria Colleen Hoover no roteiro e produção, que era um ponto em que eu acreditava que pudesse dar certo. Porém, o que fica é apenas uma frustração com um sentimento vazio de uma obra com um tema tão importante mas que foi completamente desperdiçado. Infelizmente o longa-metragem não ficará marcado pela importância da sua mensagem e sim apenas pelas suas polêmicas nos bastidores. Uma pena!
A terceira temporada de "Better Call Saul" estreou em 10 de abril de 2017 e concluiu em 19 de junho de 2017. A temporada segue no padrão de dez episódios e foi transmitida pela AMC.
Esta terceira temporada segue diretamente os eventos da segunda, que ocorreu no final do ano de 2002, sendo que a conclusão da temporada 3 ocorre no ano de 2003. Temos novamente o Jimmy McGill (Bob Odenkirk) que ainda exerce a profissão de advogado que está envolvido em uma rixa com seu irmão Chuck (Michael McKean). Chuck por sua vez acredita cegamente que seu irmão não é apto para ser advogado e planeja sua destituição. O grande Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) começa uma parceria com ninguém mais ninguém menos que o glorioso e insuperável Gustavo Fring (Giancarlo Esposito), sim, temos a chegada do Gus nessa temporada. Enquanto o Nacho Varga (Michael Mando) está cada vez mais empenhado em seu plano de conspiração para assassinar seu rival, Hector Salamanca (Mark Margolis).
Como já é de praxe, o primeiro episódio inicia exatamente em preto em branco em uma cena futura pós "Breaking Bad". Onde temos o Jimmy em seu trabalho observando um rapaz sendo perseguido pela polícia por ter roubado as lojas do shopping. O interessante aqui é observar que o Jimmy ajuda a polícia a encontrar o rapaz para ele ser preso e assim o Jimmy gritar para o rapaz que ele precisa de um advogado. Poderíamos encarar esta cena como um cena curiosa qualquer sem a menor importância, desde que não conhecêssemos o Jimmy, é óbvio.
A partir desse ponto a série segue exatamente na parte onde terminou a temporada anterior; que é o Chuck ter usado das suas artimanhas para gravar a confissão do Jimmy sobre a alteração dos endereços dos formulários. Porém momentaneamente o Chuck não utiliza essa gravação sendo aconselhado pelo Howard (Patrick Fabian), pois ele tinha um plano futuro para agir contra o Jimmy se baseando nessa questão. O Mike está no encalço do cartel do Salamanca, porém ele descobre que está sendo seguido e ameaçado. É nesse ponto que temos a entrada do Gus Fring na série, que por sua vez já estava sabendo dos planos do Mike, quando o Mike pede a ajuda do Jimmy e este vai até o Los Pollos Hermanos para tentar ajudar o Mike. Incrível como O Gus sempre está uma passo à frente de todos ao seu redor.
Chuck, com a ajuda do Howard, consegue um plano para incriminar o Jimmy que invadiu sua casa em busca da gravação, gravação esta que o Jimmy já estava sabendo do que se tratava pois ele foi informado pela sua comparsa Kim Wexler (Rhea Seehorn). Mike enfim conhece o Gus e os dois tem planos em comuns e decidem se aliar contra o Hector Salamanca. Ambos queriam atacar o Hector não fisicamente mas financeiramente, ao atingir o seu cartel de distribuição de drogas. Por sinal o plano do Mike do sapato no fio com drogas funciona perfeitamente e derruba o esquema de distribuição do Hector, que por sua vez tem seu esquema vazado nas autoridades. Com a distribuição do Hector caindo na investigação, todo o esquema fica à cargo somente do Gus com seu Los Pollos Hermanos, ou seja, a princípio o plano do Gus junto com a aliança do Mike tinha dado certo.
A ideia do Gus era que o Mike trabalhasse para ele dentro de seu esquema, porém o Mike queria só uma ajuda do Gus na lavagem do dinheiro que ele havia roubado. É nesse ponto que temos a entrada da personagem Lydia Rodarte-Quayle (Laura Fraser), da Madrigal, que obviamente está reprisando o seu papel de "Breaking Bad". É interessante esta conexão de personagens desse universo. Já no núcleo do Jimmy e Chuck, temos aquele embate no tribunal, o que resulta em uma guerra entre os dois, com o Chuck apresentando uma cópia da fita gravada com as confissões do Jimmy, e o Jimmy por sua vez acusando o irmão de maluco pela sua condição de hipersensitividade eletromagnética. O resultado final desse embate no tribunal é o Jimmy ter que ficar um ano sem poder advogar e o Chuck sair de cena por causa da sua condição que julgaram ser psicológica.
Esta terceira temporada de "Better Call Saul" ser torna uma temporada muito relevante dentro de todo o universo de "Breaking Bad", justamente por nos evidenciar a causa e como tudo ocorreu para o Hector Salamanca ficar naquela cadeira de rodas vegetando como conhecemos ele em "Breaking Bad". Tudo começa quando o Hector perde a sua distribuição e vê tudo nas mãos do Gus, o que o deixa bastante irritado e faz ele pensar em uma solução para ter novamente a sua distribuição. Hector decidi buscar uma espécie de aliança/parceria com o pai do Nacho oferecendo dinheiro. O pai do Nacho não aceita o que faz com que o Hector pense em retirá-lo de seu caminho, só que ele conta isso para o Nacho, que teria que matar o seu pai. Obviamente o Nacho não quer que seu pai morra e decidi atacar o ponto fraco de Hector, que é sobre as pílulas que ele toma frequentemente por causa do seu problema de coração. Dessa forma temos o episódio em que o Nacho se encarrega em trocar as pílulas do Hector por outras falsas, por sinal uma episódio muito tenso.
Já o Jimmy malandro como ele é, por ter sido impedido de advogar, ele decidi usar o seu nome adquirido anteriormente para fazer pequenos comerciais para a sua nova "Saul Goodman Productions". É nesse ponto que entra aquele caso anteriormente da "Sandpiper", em que o Jimmy decidi usar novamente e acaba enganando a pobre velhinha. Por sinal, que sacanagem do Jimmy, porém mais tarde ele volta atrás e acaba confessando tudo e livrando a barra da pobre velhinha, o que eu achei muito justo. Já a Kim, que até então estava bem escanteada na temporada, continua com o caso do "Mesa Verde Bank", onde ela está cada vez mais esgotada e acaba sofrendo um acidente de carro.
Voltando na parte do Hector e a causa por ele ter ficado na cadeira de rodas; tudo se dar pelo fato daquela reunião em que ele é informado que todo o esquema de distribuição ficará somente nas mãos do Gus, o que faz com que o Hector fique muito nervoso e acabe tendo um ataque do coração. É nessa hora que o Hector vai em busca das suas pílulas, porém ele toma as pílulas trocadas anteriormente pelo Nacho, o que obviamente não faz mais efeito, fazendo com que o Hector acabe entrando em um colapso cardíaco, Hector sofre um derrame mas é salvo pelo Gus. Interessante notar que esta cena em específico tem uma grande importância para a quarta temporada de "Better Call Saul", pois quando o Nacho pega as pílulas verdadeira no chão para trocar novamente pelas falsas, o Gus acaba percebendo todo o plano do Nacho, o que fará com que o Nacho acabe trabalhando para o Gus daqui para a frente.
O final da temporada é bastante tenso e dramático pelos acontecimentos finais envolvendo o Chuck. Pois aqui podemos notar a degradação do Chuck, ele está definhando, por ele ter falhado em todos os seus planos e grande parte das pessoas não confiarem mais nele e o encarar apenas como um louco. É exatamente nesse ponto que o Chuck surta sozinho em sua casa e acaba provocando um incêndio que o acaba levando a morte. Um final de temporada bem impactante e surpreendente.
Sobre o elenco da série: Bob Odenkirk sempre fantástico, ele é impecável. Michael McKean é ótimo e seu contraponto com o Bob é perfeito. Jonathan Banks é maravilhoso e meu personagem preferido. Rhea Seehorn passou mais despercebida nessa temporada, mas ela tem bastante potencial para as próximas. Patrick Fabian novamente fazendo o básico bem feito do seu personagem. Michael Mando muito melhor nessa temporada, com mais protagonismo e mais tempo de tela ele conseguiu desenvolver muito bem o seu personagem. Eu diria que até aqui é a sua melhor temporada na série. Giancarlo Esposito é aquele verdadeiro gentleman da série, seu personagem é absurdamente fantástico. E por fim o saudoso Mark Margolis, que traz a sua contribuição perfeita para todo o contexto desse universo. O elenco de "Better Call Saul" é absurdo!
Em questões técnicas eu nem preciso me alongar, já que este universo de "Breaking Bad" traz qualidades técnicas e artísticas que são fenomenais e completamente impecáveis.
A terceira temporada de "Better Call Saul" recebeu inúmeros elogios da crítica especializada, principalmente pela atuação de Michael McKean como Chuck e pelo desenvolvimento do personagem Jimmy McGill, além de oito indicações ao 69º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática.
No Rotten Tomatoes a terceira temporada tem uma aprovação de 97%. Já no Metacritic, tem uma pontuação de 87/100 com base em 18 críticos.
No mais, a terceira temporada de "Better Call Saul" continua no mesmo nível da anterior, ou talvez até esteja em uma crescente, dado a todos os acontecimentos relevantes que permearam toda a trama. Os produtores e roteiristas acertaram a mão quando decidiram puxar a série cada vez mais para dentro do universo de "Breaking Bad", o que fatalmente iria acontecer com o passar de cada temporada, é impossível fugir disso. Mas eu acredito que as duas primeiras temporadas de "Better Call Saul" foram as responsáveis em preparar todo o terreno para que a partir dessa terceira em diante a série cresça cada vez mais dentro do conceito desse universo. Estou com uma grande expectativa para a quarta temporada.
Um Lugar Silencioso: Dia Um (A Quiet Place: Day One) 2024
"Um Lugar Silencioso: Dia Um" é escrito e dirigido por Michael Sarnoski (do excelente "PIG", de 2021), baseado em uma história que ele idealizou com John Krasinski (o criador da ideia original da franquia). O longa-metragem marca a terceira parte da série de filmes "Um Lugar Silencioso", servindo como um spin-off e prequela desse universo. O filme é estrelado por Lupita Nyong'o como uma mulher com uma doença terminal durante os estágios iniciais de uma invasão na cidade de Nova York por criaturas extraterrestres cegas com um sentido agudo de audição.
Em 2018 o John Krasinski impactou o mundo cinematográfico ao entregar um filme de terror apocalíptico que navegava no suspense, no drama, com uma dose de ficção científica. "Um Lugar Silencioso" apresentou um roteiro seguro, arrojado, inteligente, onde mesclava momentos de tensão, suspense, agonia, aflição, ao apostar em uma trama onde o silêncio absoluto era a grande arma para a sobrevivência. Eu considero "Um Lugar Silencioso" como um dos melhores filmes do ano de 2018.
O longa de Krasinski foi um verdadeiro arrasa-quarteirão, onde naturalmente viria uma continuação, e ela veio em 2021 com "Um Lugar Silencioso - Parte II". O segundo filme continua inserido no terror, no suspense, mantém aquele clima de tensão, de medo, de agonia, com ambientes claustrofóbicos que te obrigava a viver em um silêncio absoluto. No entanto o segundo filme perde um pouco da sua essência em relação ao primeiro, justamente por deixar de lado um pouco o clima de terror e suspense e partir diretamente para a ação. Mas de qualquer forma ainda assim é um bom filme e uma boa continuação, que não está no mesmo nível do primeiro mas ainda consegue manter a qualidade conquistada anteriormente.
Um ponto muito interessante e que me chamou atenção no primeiro filme, foi exatamente a forma como o Krasinski decidiu abordar o conteúdo das criaturas cegas. Ou seja, Krasinski nos entrega uma obra surpreendente cujo roteiro é bem trabalhado, bem objetivo, bem arquitetado, que vai direto ao ponto, sem se apegar em explicações detalhadas sobre a origem das criaturas, ou os motivos de tais acontecimentos. O que normalmente aconteceria em outras produções do gênero. Na minha opinião o primeiro filme acerta exatamente nesse ponto, pois eu não acho uma obrigatoriedade a explicação minuciosa do surgimento das criaturas. Já no segundo filme temos um breve prólogo que nos conta exatamente esta parte de como as criaturas chegaram na terra. Nessa introdução descobrimos como era a terra antes da invasão, e presenciamos a chegada das criaturas vindo do espaço.
Todo este planejamento que vimos no prólogo de "Um Lugar Silencioso - Parte II" já fazia parte da ideia de John Krasinski em expandir o universo de "Um Lugar Silencioso" para um possível spin-off da franquia. "Um Lugar Silencioso: Dia Um" é exatamente este planejamento de Krasinski, que além de criar a história do longa junto com o diretor Michael Sarnoski, ele participa diretamente da produção do filme. É bom deixar bem claro que "Um Lugar Silencioso: Dia Um" não é uma continuação do segundo filme, já que ambos mostram a chegada das criaturas na terra. A ideia aqui é justamente ser uma prequela do primeiro filme, ser o dia um, nos mostrar como ocorreu a chegada das criaturas.
Sendo bem sincero, eu não vejo a menor necessidade da existência dessa prequela que vai nos explicar o início de tudo (ou pelo menos tentar explicar né!). Mas como sempre acontece em filmes que logo viram franquias de sucesso, o prelúdio mais cedo ou mais tarde vai acontecer. Como já está bem especificado no título do filme, a ideia é ser o dia um, o início de tudo, e mesmo eu achando desnecessário eu comprei a ideia desse spin-off, até porque o principal chamariz da produção era exatamente usar o tema central da cidade de Nova York para o início dos eventos catastróficos. Nesse ponto soa como interessante, afinal de contas estamos falando da cidade que nunca dorme, uma das cidades mais barulhentas de todo o planeta, onde o som emitido diariamente chega na casa dos 90 decibéis. Ou seja, como fazer calar uma cidade dessa? Como silenciar um ambiente desse? Dentro desse contexto, Nova York seria o local perfeito para a invasão das criaturas que são guiadas exatamente pelo som.
Dentro de todo este contexto que eu mencionei acima o longa tinha tudo para dar certo se seguisse o caminho certo, porém o roteiro é extremamente subaproveitado e decide seguir o mesmo caminho que já vimos anteriormente exibindo o mais do mesmo. Para inicio de conversa o subtítulo "Dia Um" é usado apenas no prólogo do filme, pois assim que as criaturas invadem Nova York e começam todos os ataques temos uma pequena passagem de tempo, onde nos mostra a personagem Sam com o rosto coberto de poeira nos escombros da cidade, ali já podemos considerar como o dia dois. Partindo desse princípio, "Um Lugar Silencioso: Dia Um" não inova a história em absolutamente nada, não apresenta nada de novo, não mostra nada de concreto sobre a origem das criaturas. Por outro lado eu até considero como uma falha gritante do roteiro, já que a ideia aqui era abordar a origem de tudo, porém logo após o início dos primeiros ataques a população já parece saber de todos os métodos de sobrevivência.
O longa-metragem falha grotescamente ao prometer contar o início de tudo e não contar absolutamente nada. Pois inicialmente não vemos como a população descobre que as criaturas são cegas e são guiadas apenas pelo som, exigindo assim que para manter a sobrevivência sejam obrigados a manter o silêncio absoluto. Após os primeiros ataques todo mundo já sabe certinho o que fazer para sobreviver. Acredito que faltou um planejamento de roteiro mais abrangente em torno das primeiras aparição das criaturas. Como o fato de explicar como surgiram as criaturas, da onde elas realmente vieram, se vieram por acidente ou foram enviadas por alguma outra entidade. Poderiam apresentar com mais detalhes como foi a reação governamental e das forças armadas americanas ao primeiro contato com as criaturas desconhecidas. Algo como a reação da NASA, dos líderes de governo, algo que fosse mais abrangente, mais coeso com a atual situação, que realmente nos desse dimensão e a proporção dos ataques e como surgiram.
Todas essas explicações acima eu considero extremamente desnecessárias dentro do universo de "Um Lugar Silencioso". Porém, se temos aqui o filme que é uma prequela da história, que promete ser o dia um de todos os acontecimentos, obrigatoriamente todos esses pontos (ou partes deles) deveriam ter sido abordados. O que fica é uma oportunidade desperdiçada de exploração desse universo.
O saldo final é que "Um Lugar Silencioso: Dia Um" sequer poderá ser considerado como uma prequela, pois o que ele apresenta é apenas o mais do mesmo, sendo apenas mais um capítulo desse universo que poderia facilmente se encaixar como um filme três ou qualquer outra história paralela contada sobre uma outra perspectiva de um outro local. O caminho que o longa decide seguir deixa de lado o suspense para mergulhar no drama da protagonista. De fato eu entendo a questão da doença terminal da Sam, onde necessariamente ao abordar este tema a trama inevitavelmente vai cair no drama, porém o que fica são apenas as motivações finais dela pelo estágio da sua doença, onde parece que ela já se entregou e ainda tenta sobreviver por mais alguns dias (como naquela questão da pizza). Também compreendo o surgimento daquele laço improvável entre a Sam e o Eric (Joseph Quinn), o que mostra que a química e a conexão humana pode ocorrer até em casos mais extremos da vida. Mas eu achei apenas como uma tentativa em vão, onde claramente soa mais superficial em decorrência da trama.
Eu adoro a Lupita Nyong'o, sou fã declarado dela desde aquela atuação estupenda em "12 Anos de Escravidão", que lhe rendeu dignamente o Oscar. Lupita segura o filme praticamente sozinha, sempre nos impressionando com suas excelentes expressões faciais, onde ela expõe o seu nível de tensão, de pânico e de agonia. Sem falar que toda aquela construção em torno da sua doença terminal faz com que ela mescle uma atuação que vai desde o pânico ao drama. Porém, por outro lado eu achei que esta construção paralela é muito vaga e não agrega em absolutamente nada. Lupita Nyong'o é uma atriz fantástica e talentosíssima e aqui ela é o grande chamariz da produção. Joseph Quinn ("Gladiador 2") faz um personagem bem mediano, que é usado apenas como um contraponto da personagem da Lupita, algo como a obrigatoriedade de ter alguém para que ela pudesse criar uma rápida conexão. Alex Wolff ("Oppenheimer") faz uma participação somente nos momentos iniciais do filme, e a melhor parte com certeza é a cena em que o Alien fica cara a cara com ele, o que me remete à uma cena clássica e icônica do "Alien 3". Poderia ser uma referência ao filme de 1992? Fica aí a curiosidade. E por fim temos mais uma vez a participação do Djimon Hounsou ("Capitã Marvel" e "Aquaman"), que retorna com seu personagem que apareceu pela a primeira vez no segundo filme.
Tecnicamente o filme mantém o nível de qualidade das cenas, que por sinal são bem construídas, como aquela cena inicial da invasão das criaturas. Este é um ponto que não podemos negar, às cenas são muito boas, mantém aquele clima de tensão e suspense misturado com o pânico. A direção do Michael Sarnoski é bem ajustada. A trilha sonora de Alexis Grapsas é mediana mas funciona dentro da proposta do filme. Porém, as trilhas dos filmes anteriores do Marco Beltrami eram muito melhores. O mesmo vale para a edição/mixagem, que aqui funciona mas nos filmes anteriores também eram melhores. Porém, a fotografia é muito boa e mantém o nível dos filmes anteriores.
No mais, "Um Lugar Silencioso: Dia Um" é bom filme que funciona dentro da proposta do universo da franquia. O problema aqui é quando este filme vem com a proposta de prequela, de ser o dia um, e no fim não entrega absolutamente nada de novo, sendo apenas o mais do mesmo. Por outro lado a bilheteria arrecadou mais de US$ 261 milhões em todo o mundo com um orçamento de US$ 67 milhões. E no fim o filme falha como prequela mas ainda consegue unificar a franquia, pois ele entrega exatamente o que já vimos nos filmes anteriores.
A Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars) 2014
A Culpa é das Estrelas é dirigido por Josh Boone ("Os Novos Mutantes") a partir de um roteiro de Scott Neustadter ("Daisy Jones And The Six") e Michael H. Weber ("Artista do Desastre"), baseado no romance de 2012 de mesmo nome de John Green. A história é centrada em uma paciente com câncer de dezesseis anos, Hazel Grace Lancaster, interpretada por Shailene Woodley, forçada por seus pais a frequentar um grupo de apoio, onde ela conhece e posteriormente se apaixona por outro paciente com câncer, Augustus Waters, interpretado por Ansel Elgort.
"A culpa é das estrelas" é um livro que eu ganhei de uma amiga há algum tempo. Como o gênero do livro não é um dos meus estilos preferidos de leitura, eu acabei deixando ele guardado no fundo da minha estante de livros. Nesse final de ano eu decidi dar uma organizada na estante e acabei separando os livros que eu ainda não tinha lido, e resolvi dar uma chance para eles. Foi exatamente o que aconteceu com o livro de "A culpa é das estrelas", que estava guardado e eu sequer me lembrava da sua existência. Resolvi ler o livro e logo após assistir o filme, e não é que eu me surpreendi em um contexto que eu estava com zero expectativas.
Sobre o livro: O livro me surpreendeu, pois eu esperava uma história bem clichê, aquele típico romance adolescente mais do mesmo, que sempre encontramos por aí. Porém, com o passar das páginas a história foi me cativando e ficando cada vez mais interessante. É inegável que a história é sim um clichê, mas com elementos que discutem vários pontos que são importantes para a nossa vida no dia a dia.
Temos aqui a história de superação, de motivação, da ambição pela vida, de estar vivo, de querer viver os momentos da vida como se cada um fosse os últimos, e de fato poderia ser. Temos a história da Hazel e do Augustus, dois adolescentes que irão viver a maior aventura amorosa de suas vidas. O ponto em questão é realmente as condições de vida dos personagens, uma vez que eles possuem doenças terminais. Eu coloco a história como uma verdadeira carta de adeus, uma despedida da vida, que apesar de iniciarmos a história já sabendo da doença terminal da Hazel, mas queremos que ela lute pela vida, queremos que ela não desista da vida, não queremos que ela morra, e sim, queremos que ela viva esta sua história com o Augustus.
Eu diria que "A culpa é das estrelas" é um bom livro, ainda mais se você gosta do gênero em questão. E no final você também poderá se surpreender!
Sobre o filme: No início você pode achar que "A culpa é das estrelas" é mais voltado para o público adolescente, até por contar com um elenco formado por Shailene Woodley e Ansel Elgort. Por outro lado você também pode achar que o filme é mais um melodrama forçado, feito com o único intuito de arrancar às lágrimas do público a qualquer custo. Porém, isso foi um ponto que me surpreendeu tanto no livro quanto no filme. Pois em momento algum a história pesa a mão nessa questão, o tema central já é bem especificado desde o início. Desde o começo você já sabe das condições da doença da Hazel e do Augustus, que ambos são adolescentes que estão vivendo os seus últimos dias, por mais doloroso que isso possa parecer, mas ambos são vítimas de uma doença terminal.
Por mais que o tema central da história seja o câncer, o que fatalmente poderia levar o tom e o ritmo do filme para o melodrama, temos uma Hazel que enfrenta a sua doença, que age como qualquer adolescente, que se estressa com os pais, que se apaixona, que usa uma autoparódia como sua válvula de escape para o seu problema no dia a dia. O mesmo posso falar do Augustus, que é divertido, irreverente, sarcástico com sua própria perna amputada pela doença. Ou seja, ambos vivem as suas vidas como qualquer adolescente, usufruem dela como qualquer pessoa, por mais que eles tenham toda dificuldade imposta pela doença, por mais que eles saibam que tem pouco tempo de vida. Este é ponto que faz de "A culpa é das estrelas" um filme adolescente que trata de um tema sério de forma séria, sem a banalização, sem apelar para o melodrama, sem forçar a barra com uma autopiedade, sem querer propagar uma vitimização.
Um ponto que merece ser destacado e enaltecido, é exatamente a adaptação do livro de John Green. Que é feito com bastante fidelidade, fazendo o simples sem querer inventar demais, sem querer polemizar em cima da obra, sem querer criar teorias sobre o destino dos personagens. Ou seja, um exemplo a ser seguido quando se trata de adaptações literárias. Outro ponto que o diretor acerta, é sobre a construção das cenas que envolve a exposição da doença de ambos os personagens, onde temos cenas mais rápidas e objetivas, quando se trata do problema pulmonar da Hazel e a perna amputada do Augustus. Pois é fato que outro diretor optaria por usar estas cenas para criar impacto, para comover o público.
Sobre o elenco: Shailene Woodley ("Big Little Lies") entrega uma performance no ritmo certo de sua personagem, ela consegue dosar os momentos mais eufóricos (como na viagem para Amesterdã) com os momentos de maiores tristezas (como nos acontecimentos finais). Acredito que ela foi uma ótima escolha para dar vida para a história de Hazel Grace Lancaster. Ansel Elgort ("Em Ritmo de Fuga") é o contraponto perfeito para a personagem da Shailene, pois ambos conseguem adquirir uma química instantânea, ambos conseguem comprar a nossa atenção e consequentemente a nossa empatia. Ansel é um ator muito talentoso e versátil, ele consegue incorporar muto bem o personagem, ele conseguiu acertar o timing perfeito do Augustus do livro, que é justamente ser esse cara extrovertido, brincalhão, sempre com suas tiradas cômicas, mostrando que estar vivo e apaixonado pode ser maravilhoso, mesmo sabendo da sua condição. Nat Wolff ("Murder at Yellowstone City") é o Isaac, o melhor amigo cego de Augustus. Ele também consegue acertar o personagem com relação ao livro. Laura Dern ("Jurassic World: Domínio") está perfeita como a Frannie Lancaster, mãe de Hazel. Assim como o Sam Trammell ("Homeland"), o Michael Lancaster, pai de Hazel. Pra finalizar eu não poderia deixar de citar a presença ilustre do grande Willem Dafoe ("Pobres Criaturas") como Peter Van Houten. O personagem Peter Van Houten no livro eu achei bem questionável, por mais que no final descobrimos o real motivo para ele estar ali presente na história, mas como um todo eu achei o seu contexto um tanto quanto desnecessário. Porém, isso não anula a elegantérrima presença do Sr. Willem Dafoe.
Tecnicamente o filme é modesto mas é bem feito! A trilha sonora por sinal é bem modesta, mas é muito bem acertada, uma vez que a trilha sonora não apela para ritmos que fatalmente irá forçar a comoção do público. A fotografia é bem ajustada, é bem trabalhada juntamente com toda a cenografia.
Gostei da referência que o filme não deixou de fora, com relação ao uso do cigarro apagado do Augustus. Particularmente eu acredito que o cigarro é usado como uma metáfora para simbolizar o sufocamento da vida que é sentido pelo próprio Augustus.
"A culpa é das estrelas" ainda nos deixa algumas lições de vida: Por exemplo o fato de se colocarmos no lugar da Hazel, pois ela tem uma doença terminal, ela tem pouco tempo de vida, ela sabe que vai morrer, ela é pessimista, ela fica chateada, ela fica estressada, a vida não tem mais graça, a vida não tem mais cor, a vida não tem mais sentido, porém ela insiste em viver, ela quer estar viva, ela quer viver esse seu pouco tempo de vida com o Augustus, ela se apega ao seu último fio de esperança. Esta é uma reflexão que podemos fazer em nossas vidas, pois você não tem uma doença terminal como a Hazel, você não precisa carregar um balão de oxigênio o tempo todo, e mesmo assim você é pessimista, você não dá o devido valor por simplesmente estar vivo e sem um prazo para a sua vida acabar.
Podemos fazer várias reflexões: "Tudo é infinito enquanto dura! Não importa quanto tempo temos para aproveitar a vida. O importante é aproveitar e viver intensamente agora. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta."
"A felicidade está nos momentos e nas coisas simples. Basta saber olhar e saber valorizar cada momento."
"É fundamental aprendermos a dar valor a uma conversa, ao conforto de um abraço, ao sorriso, enfim coisas simples que fazem parte do nosso dia a dia. E que só precisam de um olhar mais atento e um coração simples para nos trazer felicidade."
"Mesmo em meio à dor, ver as coisas pelo lado positivo sempre ajuda. Não podemos permitir que os problemas dominem nossa vida ao ponto de perder a fé, a esperança e a alegria."
"Fugir da dor pode apenas prolongar o sentimento e trazer consequências à saúde e ao bem-estar. É importante saber encarar a dor e conviver com ela. Não podemos deixar que ela nos domine, mas podemos aprender com ela."
"São os sonhos que nos impulsionam a seguir em frente. E cada passo em direção a este sonho deve ser valorizado. Muitas vezes, a busca é que torna o encontro mais feliz. Sempre há um motivo para viver e correr atrás dos nossos sonhos."
"A culpa é das estrelas" me surpreendeu muito, eu jamais poderia imaginar que em um filme adolescente eu fosse encontrar os temas e os pontos que foram abordados. Posso afirmar que esta história em si vai muito além de uma doença, pois estamos diante de uma lição de superação, de amor, de carinho, de convivência, de descobrimentos, de revelações, de saber aproveitar o que se tem, enquanto se tem. Verdadeiramente é uma lição de vida diante do inevitável, a morte!
"Nem todo mundo que chega na sua vida, vem com a intenção de ficar. Da mesma forma, que nem todos os que se foram, queriam partir. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados. Não sabe como sou muito grata por nosso pequeno infinito."
Coringa: Delírio a Dois (Joker: Folie à Deux) 2024
"Coringa 2" é dirigido por Todd Phillips a partir de um roteiro que ele coescreveu com Scott Silver. Baseado em personagens da DC Comics, o longa-metragem é uma sequência direta de "Coringa" (2019). Joaquin Phoenix repete seu papel como Arthur Fleck/Coringa, e dessa vez ele conta com a presença de Lady Gaga como Harleen "Lee" Quinzel, seu interesse amoroso. "Coringa 2" traz um Arthur Fleck que no momento está internado em Arkham, aguardando julgamento por seus crimes como o Coringa, anteriormente. Ele continua com sua guerra pessoal ao ter que lidar com sua dupla identidade, quando se depara com o amor e encontra a música que sempre esteve dentro de si.
Em 2019 "Coringa" foi uma aposta da Warner, visto que o estúdio apostava em contar o princípio e o desenvolvimento de um vilão. Vilão este que geralmente sempre esteve ligado ao Batman, e aí que surge a pergunta: o Coringa pode existir sem o Batman? Dessa forma precisou de todo um estudo de personagem, contando com toda uma liberdade criativa, uma licença poética, para assim o personagem se desligar de outros personagens e criar a sua própria identidade e consequentemente o seu próprio universo. Tanto é que o longa traz uma verdadeira revolução dentro do universo cinematográfico do Coringa que já conhecemos, pois de fato o filme não tem ligações com as outras versões do personagem vistas anteriormente no cinema.
Dito isto, "Coringa" foi um verdadeiro marco na história das adaptações de HQ's para o cinema. Isso também se deu nas bilheterias, pois o orçamento do filme foi de US\$ 65 milhões e a bilheteria mundial ultrapassou US\$ 1 bilhão. Nos festivais de premiações, "Coringa" ganhou o Leão de Ouro no 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza. No Oscar 2020, "Coringa" liderou com 11 indicações, vencendo em Melhor Ator para Joaquin Phoenix e Melhor Trilha Sonora para Hildur Guðnadóttir.
Todo o sucesso de críticas do "Coringa" se deu justamente por ser um filme fora dos padrões das adaptações de HQ's. Pois o filme é cru, seco, niilista, intrínseco, peculiar, pertinente, que nos relata como uma sociedade decadente tem o poder de causar distúrbios mentais em uma pessoa e transformá-la em um vilão, ou em uma vítima. Posso ir ainda mais além ao destacar como o longa consegue capturar o espírito daquele momento da cidade e do governo em Gotham City, o que canaliza muitas frustrações e retrata uma sociedade fria, repleta de instituições decadentes, mantidas por um fio, que empurram Arthur Fleck para a insanidade e consequentemente para a violência.
Verdadeiramente "Coringa" fez um sucesso estrondoso e teve todos os méritos possíveis para isto, se consolidando como o melhor filme da DC/Warner. Eu coloco "Coringa" na prateleira das melhores adaptações de HQ's de todos os tempos, juntamente com obras como "Homem Aranha 2" (2004), "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (2008) e "Vingadores: Ultimato" (2019). E digo mais: "Coringa" deveria ter levado o Oscar de Melhor Filme em 2020. Eu gosto de "Parasita" (2019), é de fato excelente e traz abordagens ácidas e pertinentes como um todo, mas "Coringa" é mais imponente e se destaca como uma uma obra-prima revolucionária e categórica.
Diante de todos os fatos apresentados por "Coringa" lá em 2019, seria mais do natural que o estúdio apostasse em uma continuação, até pela bilheteria que o longa fez. Sendo assim o sarrafo subiu demais, às exceptivas do público subiram demais. Desde que foi anunciado oficialmente, "Coringa 2" causou um alvoroço se destacando como uma das sequências mais aguardadas da atualidade cinematográfica. E não era pra menos, visto que praticamente todos do filme anterior estariam de volta, isso incluindo o diretor Todd Phillips, o roteirista Scott Silver, o diretor de fotografia Lawrence Sher, o compositor Hildur Guðnadóttir, além, é claro, o monstruoso Joaquin Phoenix e a melhor e mais completa artista da atualidade, Lady Gaga. Ou seja, toda a receita para um novo sucesso estava pronta, era só fazer acontecer. Porém, não foi bem isso que aconteceu.
Para início de conversa, "Coringa 2" foi concebido como um filme independente, embora a própria Warner Bros. pretendesse que o filme lançasse uma nova série de filmes, algo como uma nova franquia de filmes com tons mais sombrios, que seria desenvolvido como a "DC Black". "Coringa 2" está sendo duramente criticado pelo público e pela crítica especializada, algo como uma não conexão com o público que foi algo imediato conquistado pelo filme anterior. O longa está sendo um verdadeiro fracasso nas bilheterias, já que seu orçamento esteve com custos de US$ 200 milhões e ele fez apenas US$ 40 milhões nos Estados Unidos, menos da metade do valor arrecadado em 2019 com o primeiro filme. Isso tem deixado a Warner extremante preocupada.
Como eu adoro o primeiro filme e o considero como uma verdadeira obra-prima do cinema, devo admitir que eu tinha uma grande expectativa com a realização dessa continuação. Porém: fiquei decepcionado como a grande parte do público? Sim e não (confuso? Eu sei! - rsrsrs). Para começar eu gostei do filme, não era exatamente o que eu estava esperando, mas também não é todo esse desastre que a crítica aponta. Porém, eu entendo grande parte das críticas, pois o diretor foi ousado demais em sua decisão, ele foi além do simples, além da sua zona de conforto, que seria entregar o básico que deu tanto certo no primeiro filme. Acredito que o Todd Phillips quis se desafiar e não quis jogar na segurança, que seria fazer o simples bem feito.
O primeiro "Coringa" ganhou uma enorme notoriedade e se destacou justamente pela forma como ele foi desenvolvido e entregado, sendo aquela representação de uma personalidade com uma mente deturpada e doentia que foi de certa forma corrompida pela sociedade e por traumas em seu passado, o que justamente desencadeou na transformação do Arthur Fleck no Coringa. Então, o que o público poderia de fato esperar de uma provável (ou improvável) continuação? Talvez a crítica fique pela a sequência que o roteiro decidiu seguir? Se passando grande parte com o julgamento pelos crimes cometidos pelo Arthur enquanto o Coringa. E aqui eu até acho que o roteiro força bastante nesse tema, o tribunal, e deixa grande parte do potencial do próprio Coringa de fora, Uma vez que às cenas do julgamento se tornam um pouco mornas demais e o Arthur transformado no Coringa fique mais à cargo da sua imaginação.
Por outro lado eu acredito que o que de fato pegou o público foi o tom empregado pelo próprio Todd Phillips em seu longa, que verdadeiramente podemos chamá-lo de suspense musical. Apesar do próprio Todd não considerar o seu filme como um musical, temos sim uma película musical no fim das contas. E nesse ponto pode entrar o preconceito do público com musicais (especificamente falando do público brasileiro). Os americanos amam musicais e não é à toa que tivemos "La La Land" (2017) ganhando o Oscar de Melhor Filme (ou não - rsrsrs!). Mas será que realmente era necessário um musical em "Coringa 2"?
Para falar dessa parte musical do filme eu preciso puxar o gancho da Lady Gaga, que pra mim é o principal estopim para despertar a faísca de Arthur Fleck para voltar ao Coringa. Gaga dá vida à Lee, uma paciente do Arkham State Hospital que fica obcecada por Arthur e forma um relacionamento romântico mortal com ele. Lee é manipuladora, persuasiva, invasiva, maquiavélica, contraditória e bastante letal. Ela é a responsável em manipular o Arthur o tempo todo, conseguindo mexer com sua mente e seu corpo, despertando seus sentimentos e desejos mais obscuros. Definitivamente Lee é um estudo de contradições, partindo do princípio que seu amor e sua obsessão pelo Arthur também são admiração e desgosto. A partir desse ponto Lee desperta a música dentro da alma do Arthur, o que de certa forma era algo que ele próprio desconhecia, ou não tinha total controle. É uma narrativa que navega diretamente no suspense, no drama, no psicológico, usando a música como uma válvula de escape para uma verdadeira loucura.
Acredito que a decisão do Todd Phillips em cenas musicais foi uma cartada justamente à loucura dos dois personagens em cena. Tanto que às partes musicais são apresentadas em um tom especificamente de delírios, alucinações, devaneios, fantasias, algo como uma fuga, um grito da alma. Por isso eu reitero que o diretor foi extremamente corajoso e ousado, em querer despertar estes sentimentos no público, indo por um caminho mais teatral e mais poético ao abordar um lado sombrio e obscuro, em mentes completamente fragmentadas.
Porém, foi uma decisão ousada e corajosa do diretor mas extremamente perigosa com a recepção do público. Pois grande parte das pessoas estavam esperando uma continuação mais objetiva do que superficial. Eu já tive muito preconceito com musicais, já virei a cara para vários filmes musicais, mas este foi um erro que eu concertei e hoje eu adoro musicais, claro que filtro alguns casos. Dessa forma eu não tenho nenhuma dificuldade com musicais, pelo contrário, é muito satisfatório assistir um belo musical - que é o caso de "Coringa 2", por que não? Mas o grande público não compactua da mesma opinião que a minha, sendo assim é normal que o público julgue o filme como monótono, arrastado e até superficial. Pode parecer uma ótima ideia a construção de um musical sombrio com o Coringa e a Harleen com um pano de fundo de violência, fantasia, alucinações e delírios. Porém, o sentimento que fica é de que tudo foi subaproveitado como um todo, uma vez que grande parte da trama se passa em um tribunal. Dessa forma é normal sentir a falta daquela energia carregada, perigosa e do caos do primeiro filme.
Outro ponto que pode gerar discursão é justamente o ponto que o roteiro levanta ao tentar desmistificar a ideia de que o Coringa é um personagem divertido, indo até naquela linha dos policiais sempre pedirem para o Arthur contar uma nova piada, que foi algo que ficou no ar durante todo o filme até a última cena exatamente na prisão - por sinal uma cena impactante! A própria Lee representa a imagem do pior dos fãs, que é caracterizado como aquele que quer que seu ídolo nunca saia do personagem, e finge desesperadamente ser algo que não é, como se isso fosse realmente bom ou necessário. Tradicionalmente podemos considerar que o Coringa que seduz a Harley Quinn para que ela se torne parte dele, já aqui este papel é invertido, uma vez que a Lee usa a própria mente do Coringa contra ele próprio.
Outro ponto bastante questionável é o fato do filme querer pregar uma desconstrução e descaracterização do Coringa. Como se desmontasse o mito de que o Coringa representa algo além da violência crua e desenfreada. Grande parte do roteiro tenta desesperadamente abordar o fato de que o Coringa é uma identidade/personalidade diferente do Arthur, como o próprio discurso de defesa apresentado no tribunal durante seu julgamento. Até dá pra considerar uma ideia sobre a possível desconstrução do personagem, mas a execução deixa muito a desejar.
Joaquin Phoenix novamente em uma atuação excelente, com uma entrega no personagem absurda. Tanto que na primeira cena você imediatamente já nota o quanto ele está magro, chega a ser pavoroso. Phoenix novamente nos entrega o seu Coringa sombrio, obscuro e mórbido em um nível de facetas impressionante. Já a Gaga é o contraponto ideal de Phoenix na trama, algo como um complemento ao seu personagem, e devo dizer que ela entrega uma atuação bastante condizente com a proposta da sua personagem. Gaga consegue passar aquela personalidade manipuladora, dominante e letal. Ela realmente tem essa veia para personagens mais desafiadores. Porém, eu acho que faltou um algo a mais em sua personagem, não sei se foi o tempo dela, talvez o desenvolvimento, talvez as suas canções que não foram tão memoráveis, mas eu fiquei com a sensação de um baita talento em até certo ponto desperdiçado. Harry Lawtey foi uma figura bastante interessante e intrigante com o seu promotor público assistente que planeja levar Arthur à justiça por seus crimes. Eu diria que foi uma participação bastante curiosa do Harvey Dent.
Tecnicamente temos vários pontos que merecem um destaque. Novamente a direção do Todd Phillips é acertada e condiz perfeitamente com toda sua ousadia e coragem. A trilha sonora de Hildur Guðnadóttir é excelente, assim como já havia sido no primeiro filme. Curioso que a trilha sonora do filme inclui 16 números musicais, a maioria deles covers de músicas pré-existentes, com uma música original escrita por Lady Gaga. Ela lançou um "álbum complementar", Harlequin, em 27 de setembro de 2024. A fotografia navega na mesma temática de decadência do filme anterior, o que transcende cada cena do filme, seja ela no tribunal, na penitenciária, ou até mesmo nas ruas. A direção de arte é um show à parte. É impressionante como a direção de arte consegue se encaixar perfeitamente dentro do padrão e da proposta do filme. Sem falar na montagem, edição, mixagem, figurinos e maquiagens, tudo minunciosamente muito bem estruturado. Tecnicamente e artisticamente o longa de Todd Phillips é novamente uma obra-prima!
Por fim: "Coringa 2" se encaixa perfeitamente naquele padrão do ame ou odeie. Infelizmente eu tenho que admitir que o filme não agrega em nada na história já traçada, não consegue caminhar com as próprias pernas e vive o tempo todo na sombra do anterior. Sendo assim eu também considero esta continuação como desnecessária, já que o primeiro filme é efetivamente autossuficiente em tudo que se propôs.
Eu confesso que tinha uma outra ideia sobre o filme, e de fato ele fugiu bastante das minhas expectativas. Porém, contudo, no entanto e todavia, eu reitero que gostei do filme, não o considero como esta bomba toda que todos estão considerando. Pelo contrário, eu ainda consigo enxergar uma abordagem sobre uma mente fragmentada, deturpada, distorcida, uma manifestação de uma doença mental em seu estado mais alterado e doentio. "Coringa 2" é ousado e corajoso, que entrega o discurso que ele quer contar e não necessariamente o que o público idealiza e almeja, mesmo que pra isso soe como uma obra que se apegue mais ao excêntrico, ao extravagante, exibindo o seu lado mais teatral e poético.
The Boy in the Striped Pyjamas (O Menino do Pijama Listrado) 2008
O longa é dirigido e roteirizado pelo britânico Mark Herman e baseado no livro de John Boyne, que foi escrito em 2006.
O Menino do Pijama Listrado narra a vida do pequenino Bruno (Asa Butterfield), um garoto de 8 anos que vive com sua família em Berlim nos anos 40 durante a segunda guerra mundial. Filho de um oficial nazista que assume um cargo de extrema importância dentro do partido, Bruno e sua família terá que se mudar para o campo. Um local totalmente vazio e sem qualquer interesse para uma criança de 8 anos, porém, Bruno descobrirá uma maneira de transformar a sua vida.
O Menino do Pijama Listrado é um filme belíssimo, ao mesmo tempo assustador e de muita importância para a humanidade nos dias de hoje. No início podemos observar uma linda Berlim dos anos 40 sendo contemplada pela inocência e pureza das crianças brincando e correndo pelas ruas com a maior felicidade possível. Isso que deixa o longa cada vez mais interessante, em nos apresentar uma felicidade em locais coloridos e cheio de vidas, ao mesmo tempo que se confronta com a dor e o desespero em um período de guerras com locais mórbidos, densos e mortos.
Devo destacar o roteiro do longa! Completamente fantástico e coeso. Somos direcionados pela perspectiva dos olhos do pequeno Bruno. O roteiro faz questão de apresentar a sua história pela forma que Bruno vê o seu mundo - seus amigos, sua família, seu dia a dia em sua nova casa e muito além disso, as suas novas descobertas e aventuras desse pequeno explorador. Ao mesmo tempo que o roteiro usa como pano de fundo os acontecimentos em "Auschwitz", durante a Segunda Guerra Mundial e o assombroso "Holocausto".
Nesse ponto que o roteiro me pegou! Eu sou um apaixonado e muito curioso por obras que retratam os terríveis acontecimentos que abalou a raça humana durante os períodos das guerras, principalmente quando toca no "Holocausto" e nos campos de concentrações de Judeus.
Com certeza eu vou achar o filme fantástico, pela sua maneira em apresentar uma criança completamente pura e inocente dentro de um mundo de crueldade e brutalidade causado pelos adultos. A forma doce e singela que Bruno só quer brincar e se divertir com seu novo amigo, sem a maldade e a arrogância que se instalou nos corações Nazistas (se é que eles tinham um). Essa é a magnitude do filme, essa é a magia do filme, em demonstrar que ninguém nasce odiando ninguém, as crianças eram puras e inocentes nos períodos das guerras. O ódio era enfiado em seus corações e em suas mentes na medida que iam crescendo e sendo ensinadas pelos tutores alemães (como o filme demonstra muito bem).
O período do "Holocausto" foi uma época muita dura e perversa para a história da humanidade, e tudo que hoje em dia retrata essa passagem em livros e filmes desperta a minha curiosidade (como a obra épica e magnífica de Steven Spielberg intitulada "A Lista de Schindler"). A forma violenta e brutal que o filme nos mostra a vida dos judeus nos campos de concentrações e nas casas servindo os alemães é de cortar o coração. A inocência e a pureza de uma criança era confrontada com a perversidade e a crueldade dos adultos. O filme é muito duro e muito doloroso quando paramos pra analisar cada detalhe que nos é passado. A inocência de uma criança é algo tão puro e singelo ao ponto de nos apresentar a cena em que Bruno diz para seu novo amigo, que não era justo ele está ali preso e sozinho, enquanto seu amigo brincava com as outras crianças todos os dias. Sem ao menos perceber o que aquilo tudo significava.
Não posso deixar de destacar a fotografia e a trilha sonora do filme, que foram pontos cruciais para todo encanto e beleza, se misturando com a dor e a tristeza. Uma fotografia estupenda e muito bem apresentada em cada foco e tomada de cena. A fotografia era a responsável em nos imergir em mundo colorido que facilmente nos representaria a vida em seu maior tom, ao mesmo tempo que facilmente nos assombrava e nos apavorava com a densidade morta do outro lado da cerca elétrica. O conhecidíssimo compositor James Horner é o grande responsável pela beleza e leveza dos mais profundos e tocantes sons de pianos que pairava sobre os momentos mais tensos da trama. Que trilha sonora encantadora, que esteve presente em quase 100% do filme.
Asa Butterfield é o grande nome do filme, sem dúvida ele foi o grande responsável em cativar a minha atenção de todas as formas possíveis. Bela atuação com a leveza e a pureza que só uma criança consegue ter. Vera Farmiga completa muito bem o seu papel de mãe, se destacando com uma impressionante cena final, com uma carga dramática incrível. David Thewlis está magnífico em sua atuação, ele consegue expor um general Nazista do mais alto e cruel nível, praticamente a figura do "Führer" (só lhe faltou o bigode). Amber Beattie faz a irmã mais velha de Bruno com muita segurança. Era realmente incrível como os alemães moldavam as cabeças das crianças e dos adolescentes desde cedo (como o filme destacou muito bem com Gretel de apenas 12 anos). E por fim Jack Scanlon, que nos demonstrava o medo e a angústia de uma criança de apenas 8 anos dentro de um uniforme (maior que ele) com uma numeração que infelizmente não tinha nada a ver com um simples pijama listrado.
O Menino do Pijama Listrado é mais uma belíssima obra que confronta um dos maiores sofrimentos da história da humanidade, com a pureza e a inocência de uma criança. Realmente é um relato muito forte, pesado, incômodo e assombroso, com uma das cenas finais mais triste da história do cinema. Até agora eu ainda não consegui me recuperar do foco daquela cena final com aquela trilha sonora de fundo que estraçalhou com o meu coração - Lágrimas!!! [03/07/2018] ------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- É realmente muito curioso como às nossas opiniões mudam com o passar do tempo, e principalmente quando buscamos mais informações e embasamento acerca de tal assunto.
Este caso se encaixa perfeitamente aqui, pelo fato da época em que escrevi este texto acima eu ainda não ter lido o livro "O Menino do Pijama Listrado". Ou seja, tudo que eu presenciei no filme me impactou naquele momento unicamente pelo próprio filme e a forma como ele foi elaborado.
Outro ponto que me fez gostar muito do filme na época foi exatamente a minha paixão por obras que retratam esta passagem da humanidade - o Holocausto. Pelo fato de gostar muito de filmes com esta temática e de não ter lido o livro, eu não me atentei à detalhes cruciais dessa adaptação de Mark Herman.
Falando especificamente do livro: O livro é excelente, impecável, muito bem elaborado, muito bem escrito, onde ele consegue nos transmitir toda pureza e inocência do pequeno Bruno sendo confrontada com a perversidade e crueldade humana. O livro tem a capacidade de mergulharmos de cabeça naquela história, de entendermos e sentimos como tudo aquilo transcorria com uma forma bizarramente normal. O livro consegue ter uma história forte, pesada, incomoda, ao mesmo tempo sendo leve na medida certa. Lendo o livro você consegue sentir como tudo aquilo é realmente uma história alemã, tirada daquele período alemão, você praticamente compra a ideia de ser um livro alemão.
Como eu vejo o filme hoje: A adaptação é boa, é bem detalhada, grande parte das principais cenas do livro estão no filme, até os diálogos são praticamente os mesmos do livro. O filme consegue entregar aquele confronto entre a inocência com a brutalidade. Ou seja, o filme tem vários pontos positivos em relação ao livro. Porém, revendo o filme hoje após ter lido o livro eu pude constatar que o maior erro do filme está exatamente em seu idioma. É praticamente impossível comprar a ideia do filme se passar na Alemanha exatamente no período do Holocausto e ter um núcleo inteiramente se comunicando em inglês. Todo o elenco do filme falando em inglês deixou a obra muito superficial, genérica, sem aquele peso histórico que é sempre comprovado no livro. O elenco em si também sofre com este caso da língua, pois cada atuação é diretamente impactada com este quesito, que a meu ver foi o ponto crucial em deixar esta adaptação completamente fora de ritmo com o principal propósito de toda a história.
Aquela cena, logo no início, onde todos estão saudando o comandante em sua casa com o famigerado "heil hitler", quando todos estão conversando em inglês e curiosamente o hino alemão é tocado em um piano ao fundo, é o ápice dessa bizarrice na questão do idioma dessa adaptação.
Pode ser que a grande maioria que até leu o livro não irá se importar com este ponto, ou até mesmo pra quem assiste o filme dublado. Porém, no meu conceito é um erro crucial que impacta diretamente em toda adaptação cinematográfica.
E como quase sempre acontece em adaptações literárias, o livro "O Menino do Pijama Listrado" é melhor que o filme. Porém, a cena final do filme é mais angustiante que no livro!
A segunda temporada de "Better Call Saul" estreou em 15 de fevereiro de 2016 e concluiu em 18 de abril de 2016. A temporada continuou sendo exibida com os dez episódios e continuou sendo transmitida nas noites de segunda-feira nos Estados Unidos pela AMC.
A segunda temporada se passa principalmente em 2002, como havia acontecido na temporada anterior. O grande Bob Odenkirk retorna com seu incrível Jimmy McGill, onde ele constrói uma rixa ainda maior com seu irmão Chuck (Michael McKean). Também temos o retorno de Kim Wexler (Rhea Seehorn), a advogada da Hamlin, Hamlin & McGill (HHM) que é amante (ou namorada, é difícil entender esta relação) de Jimmy e ex-colega de trabalho da sala de correspondência. Durante a temporada Kim deixa a prática da advocacia na HHM para começar um escritório solo que ela divide com Jimmy. Jonathan Banks também está de volta com seu colossal Mike Ehrmantraut; dessa vez ele se envolve em um conflito com o cartel de drogas mexicano após uma confusão com o emblemático Tuco Salamanca (Raymond Cruz), que foi planejada por Nacho Varga (Michael Mando ). Isso resulta em Mike colidindo e se tornando o principal alvo do icônico tio Salamanca, o tio do Tuco, Hector (o inesquecível Mark Margolis). Durante a temporada Jimmy começa a trabalhar na D&M, mas desiste depois de ser repreendido pelos métodos de divulgação de seus clientes. Kim é rebaixada por causa das ações de Jimmy. Para recuperar seu status, ela garante o Mesa Verde Bank como cliente da HHM, mas Howard (Patrick Fabian) nega seu crédito.
Esta segunda temporada de "Better Call Saul" me chamou muito mais a atenção em relação a primeira, isso se deu pelo fato de eu começar a observar uma certa mudança de estrutura e contexto dentro da série. Eu quero dizer que esta temporada começa a se assemelhar muito mais com a série "Breaking Bad" (2008), já que é nessa temporada que o cartel mexicano entra com força na série e protagoniza grande parte dos eventos com os Salamancas no encalço do Mike. Eu acredito que esta foi uma decisão proposital da produção da série, começar com a primeira temporada fugindo um pouco de "Breaking Bad" e da segunda em diante se aproximar cada vez mais. Tanto que é nessa temporada que começamos a ter os retornos de personalidades importantes da série principal, o que obviamente vai ocasionar em uma espécie de universo compartilhado entre as duas séries. E já adianto que eu achei esta decisão fenomenal!
Novamente esta temporada já se inicia com outra cena futura em preto e branco, com o Saul Goodman na sua fábrica de rocamboles, onde ele fica preso no local de descarte de lixos e deixa uma curiosa mensagem na parede: "SG esteve aqui". De volta ao dia atual da segunda temporada, Jimmy por sua vez recusa trabalhar em uma empresa que poderia alavancar a sua carreira na advocacia e te dar muito dinheiro, para ficar aplicando pequenos golpes ao lado da Kim. Mike continua com seu plano de levantar cada vez mais dinheiro para deixar para sua neta em sua aposentadoria, onde ele aceita um trabalho muito suspeito de ser um guarda-costas em um esquema de compra de drogas diretamente do cartel mexicano. Dentro desse contexto Jimmy entra na jogada com sua figura de advogado para tentar amenizar toda a situação.
O interessante dessa temporada é justamente a parte onde o Nacho pede uma espécie de ajuda ao Mike para eliminar o Tuco da jogada do cartel de drogas, onde inicialmente o Mike recusa a proposta mas pela grana ele topa o trabalho. Porém com uma condição; que ao invés do Mike matar o Tuco ele faz com que ele vá preso pelo porte ilegal de arma. É justamente nesse quinto episódio que entra em cena o inigualável Hector Salamanca. Eu achei sensacional poder ver o Tio Salamanca atuando antes de ficar vegetando em uma cadeira de rodas em "Breaking Bad". Aqui podemos observar todo o seu poder e respeito adquirido dentro do cartel, que logo ele põe em prática ao enfrentar o Mike em uma improvável negociação da arma apreendida pela polícia para limpar a barra do Tuco.
A negociação entre o tio e o Mike não funciona, pois o Mike recusa a proposta, e logo ele passa a ser emboscado em sua casa pelos enviados do tio, onde logo ele envia ninguém mais ninguém menos que os gêmeos Salamanca para ameaçar o Mike. Esses gêmeos são fenomenais, que para quem assistiu "Breaking Bad" vai entender do que estou falando. A trama da temporada envolta do Mike cresce absurdamente quando ele planeja matar o Hector Salamanca por ter ameaçado a sua neta, é aí que o Mike passa a perseguir os passos do Hector e fazer emboscadas para chamar a sua atenção. O Mike até tenta uma emboscada no deserto para matar o Hector com uma sniper, mas acaba não dando certo.
Voltando para a trama principal da série, Jimmy é demitido da empresa de advocacia onde ele é convencido pela Kim, que também estava em baixa profissionalmente, a montarem juntos um próprio escritório de advocacia. Mas ela deixa bem claro que eles iriam apenas trabalharem juntos e não seriam sócios. Dentro de todo esse contexto temos uma cena inicial no sétimo episódio bem interessante na formação de caráter do Jimmy; que é a cena onde nos mostra o Jimmy criança na mercado do pai enfrentando uma situação curiosa com um sujeito que adentrou o estabelecimento unicamente com a intenção de aplicar um golpe no pai do Jimmy. Nessa cena este sujeito fala para o Jimmy a frase de como ser um lobo ou um ovelha, e ali já vimos o charlatão que o Jimmy viria a se tornar ainda criança.
A partir desse momento a série muda a chave na temporada e nos mostra o embate entre o Chuck com o Jimmy. Chuck decide sair em busca de atrapalhar os planos do novo escritório de advocacia do Jimmy e da Kim, e nessa busca ele acaba entrando em contato com várias eletricidades todas ao mesmo tempo, o que logo ocasiona em um grave ataque (Chuck sofre de uma espécie de hipersensitividade eletromagnética, uma alergia a eletricidade). O fim da temporada no décimo episódio ocorre justamente quando o Jimmy vai até a casa do irmão preocupado com a crise que ele teve por sua causa, chegando lá o Jimmy observa que o irmão ficou cada vez mais obcecado em se proteger da eletricidade, colocando papel alumínio em praticamente toda a casa. O Jimmy por sua vez tem um peso na consciência por tudo que ele causou ao irmão, e acaba confessando para o Chuck que foi realmente ele quem alterou os endereços dos formulários, só que o Jimmy não contava que o Chuck também era muito esperto e estava gravando escondido toda a confissão do Jimmy. E por fim a segunda temporada de "Better Call Saul" se encerra.
Sobre o elenco da série: Bob Odenkirk continua fantástico no personagem, é impressionante como o personagem lhe caiu como uma luva. O interessante do seu personagem nessa temporada é justamente todos os seus arcos pessoais que lhe ocorre constantemente. Em várias oportunidades o Jimmy acaba entrando em uma crise emocional, tanto pelo seu relacionamento conturbado com o irmão, quanto pelo seu relacionamento com a Kim, e tudo acaba lhe afetando profissionalmente. Mais um excelente trabalho de Bob Odenkirk.
A Rhea Seehorn cresce notavelmente nessa temporada, ela passa a ser cada vez mais importante e relevante para todo o núcleo do contexto com o Jimmy. É muito interessante observar que ela ganha mais tempo de tela e mais espaço para construir o arco da sua personagem. Michael McKean também tem um certo crescimento na série, ele passa a ser cada vez mais influente na série, tanto diretamente quanto indiretamente. Ele faz aquele típico personagem que nos dá raiva quase que o tempo todo. Ele me remete a incrível Skyler White (Anna Gunn). Patrick Fabian tem uma participação mais modesta nessa temporada, mas ele não deixa de ser importante. Michael Mando é outro que manda muito bem na temporada, seu personagem tem muito mais relevância e ele atua muito bem. Raymond Cruz é soberbo no personagem, é incrível como o Tuco é uma criação perfeita destinada para ele. Já o saudoso Mark Margolis dispensa comentários. Chega ser emocionante ver ele atuar na pele do lendário Hector Salamanca. Mark que infelizmente nos deixou no dia 03 de agosto do ano passado.
Agora precisamos falar do inigualável Jonathan Banks: Quando eu decidi começar a assistir a série "Better Call Saul", eu sabia da presença do grande Mike Ehrmantraut, mas eu não imaginava que ele tomaria a proporção que ele vem tomando dentro da série. Nessa segunda temporada eu afirmo tranquilamente que o Mike é de longe o melhor personagem, o mais bem desenvolvido, o que mais impressiona, o que mais se destaca, o que definitivamente rouba a cena. Temos aqui uma espécie de background do velho Mike, onde ele sempre age com inteligência, frieza, sendo letal, imponente, enfrentando o cartel mexicano e principalmente o Hector Salamanca. O Bob Odenkirk é o protagonista da série e tem um ótimo contexto dentro dela, mas não posso deixar de destacar o absurdo que é a trama secundária do Jonathan Banks, que na minha opinião soa muito mais atrativa e prazerosa de se acompanhar.
Novamente a temporada se destaca em suas qualidades técnicas e artística. Assim como na temporada anterior, aqui temos um alto nível técnico no quesito de direção de arte, fotografia, trilha sonora, montagem, edição, figurinos, e principalmente na direção de cada episódio. Tecnicamente falando, não tem como "Better Call Saul" dar errado, pois a qualidade é a mesma encontrada em "Breaking Bad".
A segunda temporada de "Better Call Saul" recebeu elogios da crítica, com elogios às suas atuações e cinematografia, e seis indicações ao 68º Primetime Emmy Awards naquele ano, incluindo Melhor Série Dramática.
No Rotten Tomatoes, a segunda temporada tem uma pontuação de 97%, com base em 182 avaliações, com uma classificação média de 8,7/10. Já no Metacritic, a segunda temporada tem uma pontuação de 85 de 100, com base em 18 críticos.
Encerro afirmando que a segunda temporada de "Better Call Saul" sobe ainda mais no meu conceito crítico, e muito por alavancar um destaque maior em personagens fundamentais para o desenrolar de toda a história, que foi uma decisão acertadíssima por parte da produção. Esta segunda temporada está um passo à frente da primeira, por construir uma trama muito bem calçada, melhor trabalhada, melhor desenvolvida, acertando em pontos cruciais, que nos permite entrar em um novo mundo de complexidade ao aprofundar em temas da série principal - "Breaking Bad".
Stranger Things (5ª Temporada)
3.5 517 Assista AgoraStranger Things (5ª Temporada) 2025
A quinta e última temporada de "Stranger Things" foi lançada pela Netflix em dois volumes e o episódio final. O primeiro volume, com quatro episódios, foi lançado em 26 de novembro de 2025, o segundo volume, com três episódios, foi lançado em 25 de dezembro, e o episódio final foi lançado em 31 de dezembro.
"Stranger Things" foi uma série em que eu aprendi a amar desde o primeiro contato. A série logo me ganhou pelo charme transístico dos anos 80, com aquela história típica que se passa em uma pacata cidadezinha norte americana. E por falar na década de 1980, "Stranger Things" é o puro suco das lendárias produções oitentistas, do puro Sci-Fi estilo anos 80, com inúmeras referências da época, que vai desde os cenários, figurinos, fotografia e principalmente a trilha sonora. Este é o cenário que se inicia a primeira temporada com boas doses de terror, ficção, drama, fantasia, suspense e claro, o humor. Sem falar que a série começa com uma abordagem sobre o drama familiar, o bullying voltado para o núcleo infanto-juvenil, as crises, os traumas, as decepções e a corrupção que assola o governo americano em volta de toda experiência laboratorial com cobaias humanas.
A série continua impecável em sua segunda temporada por conseguir manter a essência, o ritmo e todo o clima da primeira. Esta temporada nos insere ainda mais na complexidade da mente humana acerca dos transtornos mentais, ao nos fazer refletir em como as nossas fraquezas e os nossos medos podem se virar contra nós. E muito dessa reflexão tiramos justamente do personagem Will (Noah Schnapp). Sem falar que é nessa temporada que temos a chegada de uma personagem extremamente importante e querida em toda a série, Max (Sadie Sink).
A terceira temporada continua inserida na essência oitentista, continua trazendo inúmeras referências da cultura pop dos anos 80. Porém, dessa vez temos uma temporada mais leve, mais cômica, a que chega mais perto de uma comédia oitentista. Esta é uma temporada onde o elenco "infanto-juvenil" já estão bem crescidos, e junto com este crescimento eles passam a ter outras preocupações e outros objetivos. Por outro lado esta temporada mostra uma Hawkins ainda mais envolvida em novas experiências do governo, onde temos praticamente uma invasão russa na cidade.
A quarta temporada de "Stranger Things" é excelente, facilmente uma das melhores temporadas de toda a série. Pois temos novos personagens e um novo vilão que deu novos ares, uma nova cara, um novo fôlego e um novo rumo para a série. Um dos pontos mais positivos dessa temporada está exatamente no novo vilão - Vecna (Jamie Campbell Bower), o Mago das Trevas. Achei uma ideia genial deixar um pouco de lado o Devorador de Mentes e focar a temporada inteira na construção e no desenvolvimento de um novo vilão. Por falar em Vecna, a forma como ele ataca e mata as sua vítimas é completamente bizarro e assustador, o que deu um ar e um clima ainda mais sombrio e aterrorizante para a temporada. Esta temporada tem seu lado mais pesado dramaticamente, com fortes revelações e com alguns arcos pessoais bastante importantes para a história. O nono episódio facilmente classifico como o melhor episódio da quarta temporada, o melhor episódio de toda a série "Stranger Things" e um dos melhores episódios de uma série que eu já assisti na vida. Todos os acontecimentos que envolvem este episódio com 2h22m é completamente surreal, avassalador, emocionante e fantástico.
E por fim, depois de longos anos, chegamos na quinta e última temporada de "Stranger Things".
Falar da quinta temporada não é algo fácil para quem é fã da série, até porque o quanto eu esperei e criei expectativas. Porém, na minha opinião o principal vilão dessa quinta temporada é o longo tempo de espera, o grande hiato entre a temporada 4 e 5, o que foram longos 3 anos e 5 meses de intervalo. E aqui podemos entender (e não aceitar) todos os problemas que a série atravessou nesse longo caminho até a chegada dessa última temporada. Por exemplo: tivemos duas grandes paralisações na indústria de entretenimento, a famigerada greve em Hollywood, o que levou a paralisação total das gravações. Já nas partes técnicas, os os irmãos Duffer relataram o envolvimento direto em supervisão e direção de cada episódio, acompanhando de perto cada edição, cada montagem, dando ênfase nos mínimos detalhes da produção. Consequentemente os longos episódios exigiram ainda mais da pós-produção em relação a filmagem, corte, mixagem e edição, e ainda mais considerando toda imposição colocada pelos showrunners da série.
Fato é, eu poderia passar horas aqui pesquisando e escrevendo sobre os vários motivos que fizeram a quinta temporada de "Stranger Things" demorar tanto tempo para acontecer. Ainda assim nada seria suficiente para amenizar, ou explicar, o que de fato deu tanto errado na temporada final de uma das melhores séries da minha vida, e que eu esperei uma temporada com um final apoteótico. Por outro lado podemos considerar que se os irmãos Duffer acompanharam assim de tão perto os mínimos detalhes, o que esperávamos era uma temporada final épica, até porque foram anos trabalhando em um material que eles já dominavam há muito tempo, que já eram expert no assunto, era só entregar o que já sabiam e o que todos nós almejávamos. Todavia não foi isso que aconteceu, a temporada final de "Stranger Things" é cercada por tantos problemas que chega a ser assustador o que foi entregue para nós.
Vamos ser sinceros aqui, todos nós sabemos que eles perderam a mão, e isso não é uma opinião é um fato. Parece que quanto mais eles tinham tempo para desenvolver o enredo da temporada pior ela ficava. O final da quarta temporada preparou todo o terreno para a quinta chegar e reinar em um final marcante e apoteótico. Para começar esta temporada perdeu completamente o clima de terror e suspense e focou inteiramente em uma ação desenfreada. Todo aquele clima pesado, sombrio, tenso, mórbido e aterrorizante dos ataques do Vecna foram amenizados e praticamente esquecidos. Sem falar que os próprios ataques eram em sua grande maioria simples e sem nenhum terror. Outro ponto completamente banalizado nessa temporada, o terror e o suspense psicológico, que sempre foram marcas registradas da franquia, aqui foram suavizados e esquecidos, principalmente no personagem Will. As temporadas anteriores tinham terror, tensão e suspense, principalmente o terror psicológico, e aqui foram completamente eliminados dando espaço somente para a ação.
O ritmo da temporada é muito acelerado, o que acaba nos passando um senso de urgência nos acontecimentos sem nenhum peso e sem nenhuma identificação com o espectador como acontecia antes. E aqui vale ressaltar que a temporada teve apenas 8 episódios em sua grande maioria longos, o que já é de praxe, e o último com praticamente 2h de duração. Eu achei que deveria ser uma temporada maior, com mais episódios, até para desenvolver melhor a história e principalmente o final, mais precisamente o embate final. Dessa forma teríamos uma temporada final mais abrangente, mais detalhada, dando espaço para desenvolver melhor os personagens e seus arcos pessoais, sem aquele senso de urgência, sem aquela correria que a temporada entregou. Por outro lado é notável a questão de parecer que todos já estavam de saco cheio e só queriam dar um fechamento para a série e cada um seguir o seu caminho.
Como a temporada é corrida e os acontecimentos são muitos, não temos tempo para desenvolver e construir nada. Ou seja, perderam o timing do elenco na questão da passagem em relação a adolescência de cada um, até pelo longo tempo entre as temporadas e no geral como um todo nesses quase 10 anos de série. O elenco em si eu amo de paixão, mas como eu achei tudo muito corrido eu não consegui ter aquela empatia com cada um como eu tinha anteriormente. É tudo muito rápido, quando você está dentro do acontecimento de um do nada você já está no acontecimento do outro, dessa forma você não consegue criar conexão com ninguém, fica tudo muito raso e muito vago, falta emoção.
Porém: uma das que mais me incomodou foi a Millie Bobby Brown. E aqui eu não quero julgar se foi ela que decidiu atuar assim, ou se de repente foram ordens superiores, mas fato é que ela está o tempo todo no automático, sem aquele envolvimento que ela tinha antes. É muito notável que falta emoção em sua atuação, parece que ela não estava se importando muito e só queria terminar logo as gravações.
O Will eu achei muito bom nas partes que ele também conseguia demonstrar os seus poderes igual a Onze, quero dizer na sua forma de caracterização. Por outro lado ele parecia estar mais preocupado com a sua aceitação como ele era do que de fato estava acontecendo ao seu redor.
O Dustin (Gaten Matarazzo) estava ok, ainda sentindo muito a morte do Eddie (Joseph Quinn), e parecia que ele estava lutando exatamente por essa causa o tempo todo.
O Mike (Finn Wolfhard) bem abaixo das temporadas passadas, melhorou mais no último episódio com os acontecimentos da Onze.
O mesmo vale para o Lucas (Caleb McLaughlin), que só cumpre o seu papel no grupo. E aqui vale ressaltar que diminuíram muito a sua importância com relação a Max, até pela forma como a Max passou da temporada 4 pra 5.
Já a Max é totalmente subaproveitada na temporada, ficando mais no destaque com as cenas com a Holly (Nell Fisher), que na minha opinião são cenas desnecessárias como um todo.
Já a presença da Holly eu gostei, acho que casou com o que a trama pedia naquele momento, e vale destacar que a atriz Nell Fisher é nova e já é muito boa.
A Nancy (Natalia Dyer) é uma personagem que eu adoro desde a sua primeira aparição na série, e aqui eu vi muitas pessoas julgando a sua participação na temporada, por ela estar quase o tempo todo como uma guerrilheira. Eu até acho que fez sentido pela forma como ela poderia de fato ajudar, mas eu entendo que aquela skin de Sarah Connor dela ficou até exagerada em algumas cenas.
E por falar em Sarah Connor, temos a presença ilustre de ninguém menos que a poderosa Linda Hamilton na temporada. Ela traz uma personagem bastante curiosa.
Jonathan Byers (Charlie Heaton) e Steve Harrington (Joe Keery) foram dois personagens completamente prejudicados pelo roteiro, ficando quase que apenas no papel de ambos se exibirem e cortejarem a atenção da Nancy - uma pena!
Eu sempre gostei da Robin Buckley (Maya Hawke), ela sempre está muito bem em suas apresentações, como acontece aqui. Ela tem uma veia para a atuação que é invejável, ainda mais tendo o pai e a mãe que ela tem.
A Erica (Priah Ferguson) é outra personagem completamente esquecida na temporada, ela está ali apenas cumprindo seu contrato mesmo.
Já o casal Joyce e Hopper (Winona Ryder e David Harbour) fazem o que sabem de melhor, fazem o que esperávamos e tem o final que também esperávamos.
Sobre o personagem do Jamie Campbell Bower eu preciso puxar o gancho do que foi aquele embate final contra o Vecna.
Eu não vou negar que eu gostei muito da forma como foi desenvolvida a guerra final, com cada um fazendo a sua tarefa e todos unindo suas forças em prol da causa maior. Porém, é fato que este embate final contra o Vecna não passa nem perto do que nós imaginávamos que seria. Tudo acontece de forma muito simples e até muito fácil. O poderoso Vecna, o lendário Mago das Trevas, que controlava e se apossava da mente de todos, que tinha um exército ao seu favor, de repente está completamente sozinho na hora que ele mais precisava. Tudo bem que ele está junto com a manifestação física do "Devorador de Mentes", mas e os Demogorgons? Sumiram todos? Já na questão da atuação do Jamie, como Vecna ele está bem abaixo da temporada anterior, até porque lá ele estava impecável, já como Henry ele faz um papel bem digno.
Esta quinta temporada deixa muitas pontas soltas, muitos acontecimentos que ficamos nos perguntando o que de fato está acontecendo, por exemplo: a questão do "Mundo Invertido", que antes era um local sombrio, obscuro, que para entrar nele era algo difícil e desafiador, agora está meio que normalizado, corriqueiro, simples, onde parece não oferecer mais nenhum perigo. Aquela parte do mundo imaginário na mente do Vecna é uma parte bem questionável, pra não dizer desnecessária mesmo (como já destaquei antes). E toda aquela história do Vecna em querer unir os mundos em um só, algo como uma reformulação à sua maneira, e ainda utilizar as crianças porque as mentes delas são uma espécie de "inocência", ou algo como um ponto de ancoragem para a fusão dos mundos, é uma viagem bem excêntrica - mas ok né! Outros pontos que eu não entendi: aquela cientista que aparece na mente do Vecna em uma caverna. Aquelas mulheres grávidas. Aquele Dr. Sam Owens que apareceu no final da quarta temporada e aqui ficou em aberto. A Suzie (Gabriella Pizzolo), a namorada do Dustin, que de repente desapareceu da série. E por fim a decisão em construir aquele final para a Onze, com um final em aberto se ela ainda existe ou não, eu achei um pouco fora de tom. Na minha modesta opinião eu acho que deveriam finalizar com o sacrifício dela mesmo pela questão que ela mesmo relatou para o Mike em cena. Acho que seria mais digno e condizente para o peso da própria personagem para a história. Ou será que eles optaram por um final em aberto para construir um spin-off da Onze em um futuro dentro do universo de "Stranger Things"? A mesma pergunta também vale para aquela cena final das crianças descendo para o porão e substituindo os já adolescentes/adultos. Estariam pensando em futuros spin-off de "Stranger Things"? Eu não duvido de mais nada.
Vale mencionar que em em questões técnicas a série continua dando um verdadeiro show. Tudo dentro da série é impecável, como a direção de arte que constrói cenários exuberantes dentro do padrão da série. A fotografia é outro grande destaque da série como um todo. O mesmo vale para a trilha sonora, que encerra a temporada com grandes clássicos da música. A equipe de figurinos e maquiagens é um verdadeiro luxo, pois o que dizer daquele penteado no maior estilo anos 80 da Nancy. E eu não posso deixar de citar que os episódios 3 e 5 foram dirigidos pelo inigualável Frank Darabont, que saiu da sua aposentadoria somente para dirigir os dois episódios - fantástico! Tecnicamente e artisticamente a série "Stranger Things" como um todo é uma verdadeira obra-prima.
E por fim: finalizo afirmando que "Stranger Things" é uma série excelente, uma obra-prima, que soube se reinventar e nos levar ao verdadeiro mergulho nostálgico das produções oitentistas, se transformando em um marco na cultura pop das séries. De fato a série enfrentou vários problemas ao longo desses quase 10 anos de existência, e eu diria que os maiores problemas já enfrentados pela série ocorrem justamente nessa temporada final, e muito por decisões completamente errôneas e fora de timing pela parte da produção. De qualquer forma isso não tira o brilho, a importância e principalmente a relevância da série. Pelo contrário, "Stranger Things" ficará marcada e eternizada como uma das maiores séries da história, e pra mim como uma das melhores séries da vida!
E parafraseando o final do meu próprio texto da última temporada de "The Handmaid's Tale":
"A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!"
⭐⭐⭐⭐⭐
01/08/2026
Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno
1.7 182🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS DO FILME E DO JOGO ⚠ 🚨🚨🚨
Terror em Silent Hill: Regresso para o Inferno (Return to Silent Hill) 2026
"Return to Silent Hill" é escrito e dirigido por Christophe Gans (diretor e roteirista do excelente "O Pacto dos Lobos", de 2001) com roteiro de Sandra Vo-Anh (roteirista de "A Bela e Fera, de 2014) e Will Schneider (roteirista de "O Corvo", de 2024). O longa-metragem é baseado e inspirado no jogo de videogame da Konami de 2001, "Silent Hill 2", e segue como o terceiro filme da franquia "Silent Hill" e ainda pode ser considerado como um reboot. O filme acompanha James Sunderland (Jeremy Irvine), um homem atormentado e consumido pelo luto após a perda do seu grande amor, Mary (Hannah Emily Anderson). Ao receber uma carta misteriosa dela, ele retorna à enevoada cidade de Silent Hill. Lá, o que antes parecia ser uma cidade familiar, agora o obriga a encarar e enfrentar forças demoníacas, o que acaba por desvendar verdades aterrorizantes e uma verdadeira luta para manter a sua sanidade.
Antes de mais nada eu preciso contextualizar que eu sou uma pessoa completamente viciada em videogames desde os meus 10 anos de idade. Dito isto, "Silent Hill" é uma das minhas franquias de jogos da vida, o que obviamente fez eu conhecer e entender tudo do universo "Silent Hill" e consequentemente já ter jogado e terminado todos os títulos da franquia existentes até hoje. Eu joguei e terminei o "Silent Hill 2" no Playstation 2 algumas vezes, assim como terminei a versão do Xbox 360 de "Silent Hill HD Collection", que inclui uma versão do "Silent Hill 2", e no ano passado eu terminei o mais recente e excelente Remake oficial no Playstation 5.
Quando foi lançado "Terror em Silent Hill" lá em 2006, eu fiquei em êxtase para conferir o que até então era o primeiro filme da minha amada série de jogos (me lembro de ter assistido exatamente no dia da sua estreia, 18 de Agosto de 2006). Este primeiro filme é dirigido justamente pelo próprio Christophe Gans, e na época eu adorei o filme. "Terror em Silent Hill" é baseado no primeiro jogo, lançado em 1999, e na minha opinião é um bom filme que traz uma adaptação bastante fiel até. O maior problema do filme é a mistura de personagens e acontecimentos que o diretor decide fazer, o que acaba mudando algumas partes da história original do jogo. Mas por outro lado temos bastante fidelidade nos personagens, nos cenários, no clima e na trilha sonora original. Já em 2012 tivemos "Silent Hill: Revelação", dessa vez dirigido por M.J. Bassett, que adapta de forma muito vaga algumas partes do enredo de "Silent Hill 3", lançado em 2003. Este filme já apresenta muitos problemas em relação ao roteiro adaptado, personagens, acontecimentos e principalmente mudanças significativas na história em relação ao jogo.
Após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna com "Return to Silent Hill" que traz uma adaptação justamente do segundo jogo da franquia que ainda não tinha sido adaptado. Como recentemente eu joguei o "Silent Hill HD Collection" e o Remake, então toda a história de "Silent Hill 2" está bastante fresca em minha memória, ou seja este era o momento exato para assistir "Return to Silent Hill".
Como um fã do segundo jogo eu gostei daquele cenário inicial, pois é exatamente o mesmo cenário do jogo, com o James andando no local, indo até o banheiro desativado e se olhando no espelho. Logo após o James desce a escadaria e chega até o cemitério, onde ele encontra a Angela (Hannah Emily Anderson). Logo após a conversa com a Angela ele segue andando e chega na cidade de Silent Hill, tudo bastante fiel ao jogo. Já por outro lado aquele flashback inicial do James chegando no local, conhecendo a Mary, e toda a sequência a partir dali não faz o menor sentindo. Ou seja, já no início do filme o diretor e roteiristas já mostraram o que pretendiam fazer com a história do jogo.
Os detalhes técnicos e artísticos do filme fazem toda a diferença e conta muito para a fidelidade da adaptação, como no caso dos cenários da cidade de Silent Hill, como as ruas, as lojas, o bar, o parque, o cemitério e o hospital, que estão perfeitos. Os cenários do filme mostram uma inspiração mais próxima do Remake oficial do que propriamente do jogo original. Outro ponto que conta muito para o desenvolvimento do filme é todo clima sombrio e macabro do jogo que está presente, assim como a famigerada névoa das ruas de Silent Hill e também às cinzas do incêndio. A fotografia é sensacional, pois ela dita o ritmo do filme com aqueles enquadramentos nos cenários com um tom mais morto, denso, borrado e acinzentado.
Christophe Gans transforma seu filme em um verdadeiro "Fan service", pois fora os cenários, o clima e a ambientação, temos a emblemática "Sirene", o James andando pelas ruas de Silent Hill com a barra de ferro e o icônico rádio que transmite interferências com a aproximação dos inimigos. Por outro lado em nenhum momento temos cenas com armas de fogo como no jogo. Por falar em inimigos, as famosas criaturas de Silent Hill estão presentes e são muito fiéis ao jogo, como no caso do "Sem braço" cuspindo ácido, o "Spider Mannequin", as "Enfermeiras", o Boss "Flesh lip" e o lendário "Pyramid Head". Em questão de personagens do jogo eles estão presentes, assim como o próprio James e a Mary, temos a Angela, a Maria, a Laura e o Eddie. Por outro lado temos alguns personagens insignificantes que não estão presentes no jogo.
Outro ponto bastante positivo no filme é a presença do lendário compositor Akira Yamaoka, que compôs a trilha sonora da grande maioria dos jogos da série "Silent Hill", incluindo a lendária música tema do jogo. Algumas músicas do jogo original foram usadas como música temporária durante a edição, inclusive o filme termina com uma icônica música do jogo.
No quesito técnico e artístico o diretor Christophe Gans consegue manter toda essência e toda a fidelidade do jogo "Silent Hill 2", já no quesito roteiro ele faz exatamente o que ele fez no filme de 2006, muda algumas partes da história original e coloca a sua visão em relação ao enredo do jogo. No filme o James consegue realizar ligações para sua psicanalista, sim ele tem uma psicanalista no filme, o que eu achei absurdo, mas ok, eu tinha certeza que o diretor iria querer colocar atitudes que humanizasse mais o James do filme em relação ao James do jogo. O jogo "Silent Hill 2" possui um terror psicológico sobrenatural que traz um foco no luto, no remorso e na culpa pessoal do James como uma manifestação psicológica dos traumas reprimidos dele em relação a sua atitude perante a sua amada Mary. Já no filme temos elementos que introduz uma espécie de seita como a responsável por todos os acontecimentos, e ainda colocando o pai da Mary como o grande mentor por trás desse culto satânico enquanto ainda estava vivo.
O remake de "Silent Hill 2" possui 8 finais, já no jogo clássico temos 6 finais. No final "In Water" mostra toda a dor e todo o sofrimento do James devido a doença terminal da Mary, o que mostra que a Mary não morreu no hospital pela sua doença mas sim pelas mãos do próprio James, que se viu incapaz de ver a sua amada sofrer e agindo por misericórdia, por frustração e exaustão ele a mata (como uma eutanásia) sufocando com um travesseiro. Movido pela dor da perda, pelo trauma e pelo luto, James decide tirar sua própria vida se afogando no lago Toluca ao lado do corpo da sua amada. Este é o peso emocional e espiritual do James no jogo, já no filme temos uma espécie de redenção, de humanização do James em relação a sua esposa, algo como se ele tivesse apenas deixado ela ir resolver seus problemas em Silent Hill. Esta é a forma que o filme apresenta a Mary, como uma espécie de vítima daquela seita, uma vez que no jogo temos a figura da Mary como frágil e vulnerável, que sofreu e morreu por causa da sua doença. No filme até temos a cena em que o James mata a Mary asfixiada e depois se joga com o carro com o corpo dela no lago Toluca, mas tudo é feito de forma leve, rasa, genérica, sem aquele peso e aquela dor, algo como apenas uma obrigação.
O jogo "Silent Hill 2" é emblemático justamente por apresentar uma gameplay acompanhada de um ritmo lento, mórbido, introspectivo, onde convivemos com a solidão, o mistério e principalmente o terror psicológico. Já no filme o que temos é uma narrativa autoexplicativa que de cara já entrega absolutamente tudo, sem deixar o espectador ser forçado a entender e juntar as peças desse quebra-cabeça justamente como acontece no jogo. O Maior erro dessa adaptação é justamente trazer um foco maior na humanização dos personagens, como se precisássemos se identificar com o casal para assim conseguir sentir a dor de ambos e se importar com eles. Eu preciso ressaltar aqui que estamos falando da adaptação de uma das maiores franquias do "Survival Horror" da história dos videogames e não de um filme romântico qualquer. E digo isso justamente pelo caminho que o roteiro seguiu ao decidir trazer o foco maior em um melodrama romântico sem o menor cabimento possível. Temos algumas cenas entre o James e a Mary que é um verdadeiro melodrama barato que supera qualquer novela mexicana - é um absurdo!
O que decidiram fazer com a Mary soa ainda mais absurdo quando ela passa a agir como vítima daquela seita, onde a própria afirma para o James que eles eram a sua família porque a acolheram após a morte de seu pai. E o pior ainda é a forma como o roteiro coloca os personagens coadjuvantes como uma espécie de extensão da Mary, como no caso da Laura e da Angela, algo completamente absurdo em relação ao jogo.
A jovem atriz Evie Templeton, que já havia dublado a personagem Laura no remake de 2024, agora interpreta a mesma personagem no filme. No jogo a Laura é uma criança rebelde órfã que sempre age fazendo suas artes com o James. Já no filme ela é tratada como uma espécie de criatura, ou entidade, que serve como uma manifestação de pesadelo controlada pela cidade de Silent Hill - bizarro!
A personagem Angela no jogo é uma jovem que foi para Silent Hill procurar sua mãe desaparecida, mas depois descobrimos que ela fugiu de casa por sofrer abusos sexuais e apresentar tendências suicidas. No filme ela nada mais é do que uma extensão dos sofrimentos da Mary, ou seja, ela perde a sua história pessoal do jogo para se tornar um representação dos abusos e sofrimentos da própria Mary.
O mesmo vale para a personagem Maria, que no jogo ela é uma manifestação sobrenatural criada por Silent Hill na mente do James, onde ele baseia os seus desejos mais carnais sobre Mary, ou seja a Maria é a figura da Mary viva mais sexy e atraente para o James. Já no filme a Mary e a Maria são essencialmente a mesma pessoa mas com a mudança que ela agora é ligada a tal seita. Pelo menos o figurino da Maria no filme é bem fiel ao figurino da Maria do Remake. E vale ressaltar que a atriz Hannah Emily Anderson interpreta a personagem Mary, a Maria e a Angela, o que eu achei uma decisão bem grotesca, a começar pela figura da própria Mary e Maria, que de cara já entrega tudo e meio que retira o peso daquela virada na trama pra quem já conhece história. Ou não também, a essa altura tanto faz!
Agora o que fizeram com o personagem Eddie Dombrowski (Pearse Egan) é o maior absurdo desse filme, algo completamente inaceitável e repudiante para nós fãs. No jogo Eddie é uma pessoa complexa, traumática, com sérios problemas psicológicos, que sofreu traumas e bullying pela sua aparência e seu peso, e com o passar do tempo ele vai perdendo a sua sanidade e se transforma em um assassino que mata todo mundo que rir dele. Tanto é que no jogo o Eddie serve como uma espécie de espelho obscuro do próprio James, ele tem um arco pessoal muito importante para o desenvolvimento da história, sendo um antagonista e se transformando em um dos Boss final do jogo. Já no filme o Eddie aparece unicamente como uma obrigação do roteiro para que os fãs do jogo vissem que ele estava presente na trama. Ou seja, o Eddie no filme tem um tempo de tela ridículo, está completamente perdido na trama, nem chega a confrontar o James como faz diversas vezes no jogo, apenas se mostra como um personagem assustado pelas criaturas e do nada é limado completamente da história e nunca mais aparece - absurdo! - Grotesco!
"Return to Silent Hill" tem sérios problemas com o CGI, isso é muito perceptível em várias cenas. Inclusive aquela barba que colocaram no Jeremy Irvine chega a dar vergonha alheia do quanto ficou ridículo. No entanto, aos trancos e barrancos, o Longa-metragem conseguiu superar o seu orçamento de US$ 23 milhões atingindo uma bilheteria mundial de US$ 47,9 milhões. O que não é assim considerado um grande resultado financeiro em relação a sua receita inicial nos dias de hoje.
No mais, após 20 anos o diretor Christophe Gans retorna para a franquia "Silent Hill" trazendo um filme que para quem é fã do jogo poderá se agradar nos quesitos técnicos como cenários, personagens, criaturas lendárias, ambientação, clima, fotografia e trilha sonora, que de fato estão muito fiéis ao jogo, isso é inegável. Porém, no quesito enredo e fidelidade com a essência da história já eternizada no jogo, este filme chega a ser um insulto e um completo desrespeito para com o universo de "Silent Hill 2".
- 11/07/2026
O Conto da Aia (6ª Temporada)
3.6 184 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Handmaid's Tale / O Conto da Aia (6ª Temporada) 2025
"The Handmaid's Tale" foi uma série que assim que eu conheci eu me apaixonei imediatamente, foi aquele típico amor a primeira vista (ou a primeira assistida).
Contextualizando:
A primeira temporada é para mim a melhor temporada de toda a série, e muito por ser aquela temporada inicial que já chega com o pé na porta, que já mostra a que veio, que já entrega um nível altíssimo dos acontecimentos que viriam a ser os maiores destaques de toda a série. A primeira temporada é a temporada mais pesada, cruel, dolorosa e consequentemente a mais revoltante de toda a série. E muito por ser a temporada de maior suspense, de maior tensão, que mostra de fato o terror que as "AIA" eram subjugadas a passarem.
A segunda temporada é incrível, ela mantém o mesmo nível da primeira e continua desafiando a nossa mente e a nossa crença com os feitos que acontecem no decorrer da história. Nessa temporada temos os bizarros 'estupros ritualizados', o que levou Offred (Elisabeth Moss) a engravidar. É nessa temporada que a Offred começa a sair do modo defesa e submissão para o modo ataque. A temporada foca ainda mais na posição da mulher na sociedade, a submissão pela qual elas são obrigadas a passarem, em como o machismo e o extremismo está incrustado na sociedade como um todo.
Pela primeira vez na série temos uma temporada um pouco abaixo das duas anteriores. A terceira temporada de "The Handmaid's Tale" é notavelmente mais fraca por ser uma temporada que não caminha, que não engrena, que estaciona nos temas já discutidos anteriormente e embarriga em alguns episódios. Por outro lado em questões de personagens temos algumas evoluções bem dignas e surpreendentes; como no caso daquele arco pessoal da Tia Lydia (Ann Dowd), que nos traz revelações fantásticas.
O que aconteceu na terceira temporada da série volta a acontecer na quarta, que é a série dar mais uma caída em relação as duas primeiras temporadas. Ou talvez as duas primeiras terem sido temporadas tão estratosféricas, que elevou muito o nível da série, que a partir da terceira em diante a série apenas continuou em seu ritmo normal mas inevitavelmente muito abaixo das duas primeiras. Essa temporada é a primeira que a June (Elisabeth Moss) consegue finalmente deixar Gilead. Acho que até por isso eu esperava uma temporada mais avassaladora nesse quesito. Esta também foi uma temporada que eu comecei a ter alguns probleminhas com alguns personagens. De fato as temporadas 1 e 2 são o ápice da série, as verdadeiras obras-primas de "The Handmaid's Tale". Pois é muito claro como as temporadas 3 e 4 estão abaixo delas, não são temporadas ruins, longe disso, mas de fato são mais fracas.
Curiosamente a quinta temporada de "The Handmaid's Tale" volta ao eixo, ganha novos ares, novos rumos, novos ritmos, um novo fôlego, onde consequentemente a coloca acima das temporadas 3 e 4. O acontecimento com o Comandante Fred Waterford (Joseph Fiennes) ao final da temporada 4 conta muito para o início dessa, pois a temporada é movida pela sede de justiça por parte de June e o desejo de vingança por parte da Serena (Yvonne Strahovski). Esta temporada consegue voltar a sua grandeza em relação as primeiras temporadas justamente por nos passar este sentimento de ódio e justiça sendo descaracterizado e desconstruído na personagem Serena juntamente ao lado da própria June.
No final da minha análise da quinta temporada de "The Handmaid's Tale" escrita lá em novembro de 2022 eu disse:
"Será que Serena Waterford merece nosso perdão? Será que ela merece uma segunda chance? Será que somos capazes de passar por cima de tudo que ela fez contra June enquanto era coagida (ou não) pelo seu marido? Eu acredito na redenção da Serena e em uma possível aliança com a June para acabar com o regime totalitarista e perverso da República de Gilead. Agora se elas vão se tornar amigas além de aliadas, bem...isso só a sexta temporada poderá nos dizer."
Eu realmente acreditava nisso que eu escrevi, eu realmente apostava que a Serena iria se unir com a June (não que fossem virar amigas) para acabar com tudo referente a República de Gilead, ou Nova Belém, ou qualquer governo voltado para esta corja. Hoje eu vejo que eu estava sendo muito otimista no final da quinta temporada, acho que eu me deixei levar pela emoção/comoção da última cena do encontro da June com a Serena no trem, ambas com seus filhos. Eu realmente fui muito inocente e a Serena conseguiu me enganar mais uma vez.
E realmente a sexta temporada inicia justamente com esta sensação, ao novamente retornar na cena do trem de refugiados no encontro entre June e Serena. A partir daí temos a cena em que e June ajuda a Serena a saltar do trem na fuga por ter sido descoberta a sua verdadeira identidade no local. A sexta temporada de "The Handmaid's Tale" é focada naquela sede por justiça e vingança da June para finalmente derrotar Gilead. Por outro lado temos Luke e Moira (O. T. Fagbenle e Samira Wiley) lutando ao lado da June na resistência do regime. Para minha surpresa (ou não) a Serena novamente se junta à corja do império totalitarista para tentar reformar a República de Gilead. Já o Comandante Joseph Lawrence (Bradley Whitford) e a tia Lydia (Ann Dowd) passam por uma síndrome de autojulgamento ao reconhecerem grande parte de tudo de ruim que fizeram ao longo de suas vidas miseráveis. Já o Comandante Nick Blaine (Max Minghella) confirma o que eu sempre desconfiei dele em toda a série; em se tornar aquela incógnita, aquele ser que foi escanteado, onde parece que sua presença já não era mais necessária na história, ou talvez ele ainda fizesse alguma diferença somente para a June.
Como um todo eu vejo que a sexta temporada teve alguns problemas, alguns erros, algumas tomadas de decisões questionáveis, alguns fechamento de histórias de personagens muito corridos e sem muita coerência. Na minha opinião esta temporada foi vendida como a temporada de fechamento onde iria acontecer a grande revolução tão esperada durante toda a série, e não foi bem isso que aconteceu. Pois até a metade da temporada tivemos episódios mais fracos, aqueles episódios que só serviam para contextualizar toda a história que já conhecemos; como o embate da república no Canadá, o encontro da June com sua mãe (que sim, foi emocionante), o embate da Moira e do Luke contra o regime, toda história cansativa da Serena em retornar ao governo e até se casar novamente. Ou seja, podem até ser episódios necessários, mas que não faziam a história andar, poderia até agregar mas não engrenava.
Os próprios trailers da sexta temporada sempre enfatizava a grande guerra e a grande revolução, algo que aconteceu mais no penúltimo episódio, e pra mim o melhor episódio da temporada. Pois até ali tivemos episódios mais focados em ideias do que a execução de tais ideias. A temporada como um todo teve episódios fracos que facilmente poderiam serem retirados da história, mas por outro lado estes próprios episódios estavam tentando construir o terreno para o grande embate do episódio 9. Acredito que a temporada poderia ter sido encurtada, ou talvez eles esticarem a guerra em mais episódios, realmente fica difícil apontar o caminho certo a seguir e o que daria certo ou não.
Falando do final do elenco e personagens:
Elisabeth Moss sempre deu o seu melhor na pele da icônica June Osborne, isso era inegável. Mas me parece que nessa sexta temporada ela já se mostrava um pouco cansada da personagem, ou talvez a sua atuação na personagem já não tinha mais para onde caminhar, fiquei com esta sensação. Mas no geral a Moss sempre entregou o suprassumo da sua atuação e interpretação em "The Handmaid's Tale".
Eu aplaudo de pé a Yvonne Strahovski em "The Handmaid's Tale", pois em todas as temporadas ela sempre me enganava, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. A Serena passou a série inteira sendo aquela personagem ame ou odeie, e nessa última temporada não foi diferente. O final dela ficou bom, ela realmente mostrou para todos que desde o começo ela queria unicamente o dom da maternidade, por mais que ela usasse seus métodos contestáveis. Ao lado da June e da Janine (Madeline Brewer), elas três são as minhas personagens preferidas de toda a série.
Ann Dowd em toda a série conseguiu o mesmo efeito da Yvonne Strahovski, que era compor uma personagem ame ou odeie. A tia Lydia nas primeiras temporadas era impossível não odiá-la, porém com o passar do tempo e das temporadas vamos observando os seus arcos pessoais, vamos tentando entender a motivação da personagem, e no fim ela tem a sua redenção e o seu julgamento que lhe coube.
Acho que o mesmo eu posso destacar do grande Bradley Whitford com seu repugnável Comandante Joseph Lawrence. Joseph foi um personagem que sempre tive um pé-atrás, que nunca confiei em seus discursos, tanto para a June, quanto para a Serena e principalmente para o Nick. No fim eu vejo que o Joseph sempre tentou fugir do inevitável, sempre tentou não ser aquele vendido pelo sistema, mas que o próprio sistema deu o seu fim na série. Ele merecia aquele fim? Fica ai o questionamento.
Por falar em final triste na série, temos o inigualável Max Minghella com seu Comandante Nick Blaine. O Nick é aquele personagem que você desconfia no início, começa a achar interessante na sequência, quando ele se envolve e até ajuda a June você começa a se apegar a ele, e logo ele passa aquela sensação de se vender para o sistema para conquistar cargos e funções maiores e de mais credibilidade em Gilead. O Nick sempre foi um personagem difícil e até questionável na série, mas uma coisa que não podemos negar era o fato que ele realmente gostava e se importava com a June. No fim eu acho que a série nunca ajudou o personagem, de fato ele nunca teve um grande espaço e até uma certa relevância dentro de toda a história, e no fim ele não merecia aquele final. Fica aí mais um questionamento.
Madeline Brewer com sua Janine sempre me conquistou e sempre me fez se importar com ela em todas as temporadas. Acredito que a Madeline também sofreu o que vários atores e atrizes sofreram durante toda a série, que foi o curto tempo de tela para o seu desenvolvimento no personagem. E até entendo, visto que a série era recheada de grandes personagens, fatalmente não iria sobrar espaços para todos. Mas eu sempre adorei a Janine, e vê-la recebendo a sua própria filha de volta me deixou com um nó na garganta ao mesmo tempo que senti um extremo sentimento de realização da personagem.
Por falar em tempo de tela dos personagens, temos o O. T. Fagbenle e a Samira Wiley. O personagem Luke sempre foi mais escanteado na série em quase todas as temporadas, mas nessas duas últimas ele ganhou mais importância e consequentemente mais relevância na história, até pelos embates criados entre ele e a June, que no fim já nem eram mais um casal como no início. Já a Moira também sempre foi escanteada, porém especificamente nessa temporada ela tem uma ótima participação e importância para todo o contexto da trama ali junto com a June.
Amanda Brugel sempre com ótimas contribuições em sua personagem Rita, isso desde o início da série.
Já o Sam Jaeger com seu personagem Mark Tuello ganhou bastante importância e notoriedade nessas duas últimas temporadas.
Boa temporada também da Ever Carradine como Naomi Putnam.
E por fim mas não menos importante, temos a volta da incrível Alexis Bledel como Emily Malek, que havia deixado a série. Poder vê-la novamente ao lado da June me trouxe de volta lembranças da incrível primeira temporada da série.
Por fim:
A sexta e última temporada de "The Handmaid's Tale" é boa, é digna, por mais que apresente alguns problemas no caminho, mas ainda assim tivemos fechamentos de algumas histórias, de alguns personagens e tivemos finais em abertos em outros, como no caso da própria June. A parte final da June revisitando a casa dos Waterford, onde ela viveu e sofreu todas as torturas lá no início, é completamente cinema. Toda sequência dessa cena é bastante emotiva, é bastante comovente, mexe com a gente que viveu e acompanhou toda essa sua trajetória para chegar até aonde ela chegou, e terminar dessa forma que ela terminou, sem conseguir de volta o seu principal objetivo na vida é ainda mais pesado e difícil, que era ter de volta a sua filha Hannah (Jordana Blake).
A história principal de "The Handmaid's Tale" chega ao seu final, mas o universo da série continuará a partir dos spin-offs "Os Testamentos: Das Filhas de Gilead".
E aqui eu me despeço de mais uma série que marcou a minha vida cinéfila. De uma série que eu aprendi a amar desde o lançamento do primeiro episódio da primeira temporada. "The Handmaid's Tale" ficará para sempre em minha memória marcada como uma das melhores séries que eu já acompanhei na vida.
A temporada pode até não ser 5 estrelas, mas a série como um todo sempre foi!⭐⭐⭐⭐⭐
- 24/06/2026
M3GAN 2.0
2.7 235 Assista AgoraM3GAN 2.0 (2025)
"M3GAN 2.0" é escrito e dirigido por Gerard Johnstone (diretor do primeiro filme), a partir de uma história que ele co-escreveu com Akela Cooper. Akela, junto com James Wan, são os criadores da ideia original do filme e ambos também assinaram como roteiristas do primeiro filme. Nesse segundo filme o roteiro ficou à cargo somente do diretor, já que Akela Cooper não participa e o James Wan esteve apenas como produtor. "M3GAN 2.0" é uma sequência do filme "M3GAN" de 2022 e o segundo filme da franquia "M3GAN".
A trama acompanha M3GAN sendo reconstruída para combater uma robô militar humanoide construída com a tecnologia de M3GAN, que está tentando uma dominação por inteligência artificial.
Quando "M3GAN" surgiu lá em 2022, o longa veio naquela onda de bonecos assassinos, bebendo exatamente da fonte de personagens como o icônico "Chucky" e a já consagrada "Annabelle". Porém, estava muito claro que esses personagens serviram apenas como inspiração para "M3GAN", já que em nenhum momento o longa fez questão de ser levado a sério se estabelecendo dentro desse universo. "M3GAN" usa apenas a temática do terror e do suspense, mas seu conceito é uma ficção que funciona como um terror galhofa, até pela indicação estimada na época. Por mais que "M3GAN" use, e até crie, um clima de suspense e terror, a base principal é a diversão e o entretenimento de forma totalmente despretensiosa e descompromissada.
No entanto, o primeiro filme ainda consegue um pequeno destaque ao abordar (de forma rasa, eu entendo) um drama familiar envolvendo a criança que perdeu os pais, e de forma forçada precisa aprender e se adaptar à convivência com uma tia inexperiente no quesito ser "mãe". Nesse ponto o longa consegue abordar o luto, a solidão, os traumas, o afeto, o carinho, a atenção, a amizade e até o amor. Podemos considerar que o filme consegue uma abordagem sobre um drama familiar dentro de uma trama que se estabelece como uma ficção científica de terror. Nesse quesito "M3GAN" consegue um destaque ao apostar em uma mistura de ficção científica e terror pop, um trash horror comedy, um terror com alguns toques de drama e comédia, uma espécie de terror que não é terror, ou um terror sem terror.
Dito tudo isto sobre o primeiro filme: "M3GAN 2.0" simplesmente abandona tudo que eu mencionei anteriormente se afastando completamente do drama familiar, do terror e do suspense, e mergulhando de cabeça na ação desenfreada, na ficção científica de comédia pastelona, abraçando de vez uma galhofa cômica e completamente fútil. Temos aqui nada mais nada menos do que um filme que aposta completamente no humor, na comédia e principalmente na ação, com o claro intuito de viralizar nas redes sociais e no TikTok da vida (claro, a onda do momento).
E aqui eu quero deixar bem claro que eu não tenho absolutamente nada contra esta opção, até porque querendo ou não o primeiro filme também apostou em viralizar nas redes sociais atingindo o público e a onda daquele momento. E tá tudo certo, a franquia "M3GAN" é isso, é apostar em viralizar nas redes, em dancinhas no TikTok, em representatividade no público alvo, em ser galhofa mesmo, em apresentar um terror sem terror, uma ação desenfreada sem nenhum sentido, aquele famoso "comfort movie".
Sobre o elenco eu não tenho muito o que destacar; apenas os retornos de Allison Williams e Violet McGraw, como a tia Gemma e a sobrinha, agora mais crescida, Cady.
Amie Donald volta a interpretar fisicamente os movimentos da M3GAN, e isso ela faz com muita perfeição (assim como já havia feito no primeiro filme).
Jenna Davis também volta como a dubladora da M3GAN, onde eu também vejo um ótimo trabalho, como podemos notar naquele diálogo mais realista e dramático entre ela e a Gemma em um momento oportuno da trama.
Temos a adição no elenco da atriz Ucraniana Ivanna Sakhno como AM3LIA. AM3LIA é uma robô militar espiã assassina, uma espécie de vilã que se transforma em uma arma militar altamente letal e que se rebela contra contra todas as ordens que lhe são exigidas. Ivanna traz uma personagem bem trabalhada e bem atuada, tanto no quesito gestual quanto nos diálogos. Tudo bem que nas partes em que ela aparecia mais robótica eram utilizados dublês e efeitos especiais, mas ainda assim ela conseguiu empregar um olhar e uma postura bem arrojada da famosa vilã que quer destruir tudo e todos.
O elenco se completa com Jemaine Clement (Alton Appleton), o bilionário corrupto da tecnologia cuja empresa fez avanços em biomecatrônica.
Timm Sharp (Tim Sattler), um coronel do exército responsável pela criação de AM3LIA.
Brian Jordan Alvarez e Jen Van Epps, Cole e Tess, os amigos de trabalho da Gemma.
Tecnicamente o longa é bem estruturado, já que visualmente falando o trabalho de montagem, efeitos especiais, dublês, ação e lutas são bem coreografados e bem montados. A trilha sonora é aquilo que já esperávamos, não que isso seja um problema, até porque é exatamente esta trilha e estas músicas que o longa adotou como rótulo da franquia.
Em questão de aceitação e bilheteria: "M3GAN 2.0" arrecadou US$ 24 milhões nos Estados Unidos e Canadá, e US$ 15 milhões em outros territórios, totalizando US$ 39 milhões ao todo. Vemos aqui em queda vertiginosa em relação ao primeiro filme, já que "M3GAN" arrecadou mais de US$ 180 milhões em todo o mundo.
E antes de encerrar eu preciso destacar que "M3GAN 2.0" ainda tenta criar conexões com o espectador, algo como criar mais empatia pela boneca, talvez se importar mais com a sua causa defendida, algo como se dessa vez a M3GAN passasse de vilã para uma espécie de anti-heroína, já que temos o surgimento da AM3ELIA com os seus propósitos e intuitos. Dentro desse embate entre as duas o longa tenta explicitar em como a IA está dominando o mundo atual, em como hoje temos IA em praticamente tudo, como se a IA fosse parte das nossas vidas, queira você ou não. É exatamente dentro desse contexto que a M3GAN termina tentando passar uma espécie de mensagem como se uma inteligência artificial também pudesse, ou devesse, evoluir. Algo meio bizarro e até patético, mas que está lá.
No mais: "M3GAN 2.0" goste ou não entrega exatamente aquilo que todos nós esperávamos, pois vamos ser sinceros, em nenhum momento você esperou um filme cult, coeso, inteligente, inovador, que fizesse sentido em alguma coisa. A franquia "M3GAN" foi criada para ser galhofa, clichê, genérica, pastelona, o famoso terror/ação de Shopping Center, aquele filme criado com o único intuito de entreter e divertir de forma descompromissada e totalmente aquém de qualquer realidade.
Porém, ainda assim a "M3GAN" se estabelece de vez no cenário dos bonecos assassinos como os já citados "Chucky" e "Annabelle". Pois é fato que a franquia ainda percorrerá por várias continuações.
- 22/05/2026
Invocação do Mal 4: O Último Ritual
2.9 480 Assista AgoraInvocação do Mal 4: O Último Ritual (The Conjuring: Last Rites) 2025
"Invocação do Mal 4" é dirigido por Michael Chaves e escrito por Ian Goldberg, Richard Naing e David Leslie Johnson-McGoldrick, a partir de uma história original coescrita por James Wan e Johnson-McGoldrick. James Wan e Peter Safran retornam como produtores. O longa-metragem é a sequência de "Invocação do Mal 3: A Ordem do Demônio" (2021) e o nono e último filme do controverso "The Conjuring Universe". O roteiro é baseado nas investigações da vida real do caso de assombração dos Smurl (o famoso caso de "O poltergeist da família Smurl"). O elenco segue sendo estrelado por Patrick Wilson e Vera Farmiga, que reprisam seus papéis como os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren, juntamente com Mia Tomlinson (a filha Judy Warren) e Ben Hard (o namorado Tony).
O enredo foca nos investigadores Ed e Lorraine ajudando a família Smurl na Pensilvânia, atormentada por um demônio ligado a um espelho antigo, culminando no confronto contra uma entidade que atrai os Warrens para sua filha Judy.
Eu considero o terror como um dos gêneros mais difíceis de ser construído no cinema. Tanto que nas últimas décadas virou um gênero muito batido, muito desgastado, muito defasado, que vive uma das suas piores épocas no cinema como um todo. "Invocação do Mal" surgiu lá em 2013 como mais uma dessas apostas no cinema de terror, que trouxe consigo um diretor (James Wan) ainda jovem e muito promissor, que vinha de obras como "Jogos Mortais" (2004), Gritos Mortais (2007) e "Sobrenatural" (2010). Ao longo dos anos e dos filmes "Invocação do Mal" foi se tornando uma franquia, o que logo gerou alguns spin-offs.
Fato é que a franquia "Invocação do Mal" logo se tornou a queridinha do público, como uma das mitologias mais populares do terror, o que podemos considerar como uma revolução do cinema de terror moderno, principalmente por ser baseada nos supostos casos reais dos investigadores paranormais mais famosos dos EUA (Ed e Lorraine Warren), e que levam o principal crédito por popularizarem a pesquisa paranormal e são considerados como os pioneiros na área.
Goste você ou não, mas a franquia "Invocação do Mal" provou que o gênero do terror clássico de possessão e assombração ainda é bastante rentável e bastante atraente para o público. E aqui entra alguns pontos que eu considero como um acerto da franquia: como o fato do próprio James Wan, que tinha a grande relevância por ser o criador de "Jogos Mortais" e "Sobrenatural" (que se tornaram duas grandes franquias). O longa também conseguiu atrair o grande público e criar uma espécie de fascínio pela história real do casal Warren. E muito dessa atração e apego se deu justamente pelo excelente casal Patrick Wilson e Vera Farmiga, que juntos construíram uma espécie de símbolo do terror moderno. Patrick e Vera são muito carismáticos, são excelentes atores, possuem uma grande bagagem, o que culminou em atuações com muito química e muita sintonia entre ambos. Sem dúvidas o casal é a cara da franquia "Invocação do Mal".
Outro ponto que também ajudou no crescimento e relevância da franquia "Invocação do Mal" foi a criação do seu próprio universo compartilhado, o famigerado "The Conjuring Universe" - o "Invocaverso"! Se nos filmes de heróis o universo compartilhado já virou corriqueiro, nos filmes de terror poderia ser considerado como uma novidade, por mais que podemos considerar que nos últimos anos o diretor M. Night Shyamalan também criou o seu próprio universo compartilhado do terror. Se o "Invocaverso" trouxe a novidade para a franquia "Invocação do Mal", os seus spin-offs foram em sua grande maioria bastante questionáveis; com produções como "Annabelle", "A Freira" e "A Maldição da Chorona"(considerem ou não parte do "Invocaverso").
Quero reiterar que podemos sim considerar que "Invocação do Mal" foi um resgate do gênero terror moderno em meio à crise que o cinema de terror estava vivendo na época. Por outro lado quero contextualizar que o estilo do terror praticado na franquia "Invocação do Mal" é um estilo que pouco me atrai, que é aquele terror mais pastelão, mais trivial, mais clichê mesmo, que abusa dos famosos jumpscare, que abusa do susto gratuito com inúmeras aparições de figuras grotescas. Que foi algo utilizado mais no primeiro e no segundo filme, pois o terceiro e este quarto essa questão foi um pouco mais dosada. Eu sou do time que prefere um terror mais inteligente, mais criativo, aquele terror sobrenatural, psicológico, um terror obscuro, sombrio, soturno, com um suspense que brinca com a mente e com a crença do espectador; o que obviamente vai de encontro com um dos meus filmes preferido na vida - "O Bebê de Rosemary" (1968).
A franquia "Invocação do Mal" utiliza o terror pastelão, mas ainda assim eu gosto dos filmes, eu gosto da forma como o roteiro abrange as investigações paranormais do casal Warren, a forma como o terror é instaurado, a forma como a tensão e o suspense é criado, a forma como cada história é contada e desenvolvida em cada filme da franquia. Como no caso de "Invocação do Mal 4", que dessa vez traz uma trama um tanto quanto peculiar, ao focar mais no desenvolvimento do casal Warren já aposentados e de sua filha com o namorado. O ponto mais interessante desse quarto filme é justamente a construção de um melodrama familiar, o que implica na força emocional e espiritual da família Warren diante das adversidades atuais.
O longa inicia nos exemplificando o começo do casal Warren, desde o conturbado nascimento da filha Judy, passando pelo seu crescimento, pelos calorosos momentos em família, até os dias atuais, onde a Judy já é adulta e está namorando. Este é o ponto principal em "Invocação do Mal 4", essa aproximação do público com a família Warren, onde conseguimos vê-los como uma família natural, vivendo uma vida normal (até aquele momento) e passando por questões familiares do cotidiano. O longa consegue mesclar todo aquele drama familiar usando o terror e o suspense como um pano de fundo para o desenvolvimento natural de uma produção que já conhecemos. Ou seja, temos o desenvolvimento da família Warren e da família Smurl em diferentes situações que vão se entrelaçarem ao final da trama.
Dito isto: não há como negar que o roteiro de "Invocação do Mal 4" entrega o mais do mesmo, por mais que adentre nessa questão familiar que eu destaquei e isso seja um ponto positivo. Mesmo com todos os cuidados em dosar a questão dos jumpscare inicialmente, nas partes finais eles ficam cada vez mais forçados, principalmente às aparições das assombrações, onde claramente o diretor queria emplacar o seu "Gran Finale" forçando a barra até a última gota. Por falar em diretor, a falta do James Wan na direção tanto do terceiro filme quanto no quarto é gritante. Por mais que o diretor Michael Chaves já esteja em seu quarto filme do universo "Invocação do Mal" e ele faça um trabalho medianamente digno. Porém, ainda assim eu acredito que a direção nas mãos do James Wan teríamos um desfecho e encerramento melhor.
O elenco é outro ponto positivo no filme!
Sobre Patrick Wilson e Vera Farmiga eu não tenho absolutamente nada a acrescentar, somente reiterar que ambos são a personificação do casal Warren como o símbolo e o rosto de todo o universo "Invocação do Mal".
Já a atriz britânica Mia Tomlinson faz o seu primeiro trabalho de maior destaque na carreira e ela vai muito bem. Eu diria que ela vai além até do esperado, conseguindo construir uma personagem que soube dosar muito bem os momentos descontraídos em família com os momentos mais tensos e sombrios.
O ator Ben Hardy também contribui muito bem com seu personagem, que ao início começou mais morno, sem dizer muito a que veio, mas nas partes finais ele já estava totalmente integrado como um membro da família Warren.
E digo mais: "Invocação do Mal 4" marca a despedida do casal Ed e Lorraine Warren e o encerramento da principal franquia, mas nada me tira da cabeça que os estúdios jamais vão abandonar a sua "galinha dos ovos de ouro", e com certeza vão construir novos spin-offs (ou até um quinto filme) usando a filha do casal Warren com seu agora marido, como o novo casal de investigadores paranormais mantendo vivo o legado deixado por Ed e Lorraine Warren. Realmente eles estão com a faca e o queijo nas mãos!
E falando justamente sobre continuações do famoso "Invocaverso". Em setembro de 2025, foi relatado que, após o sucesso financeiro de "Invocação do Mal 4", um filme prequel de "Invocação do Mal" estava em desenvolvimento. Supostamente, devido a uma disputa salarial, James Wan pode não estar envolvido no projeto. Em janeiro de 2026, a Warner Bros. revelou que o prequel seria intitulado "The Conjuring: First Communion" ("Invocação do Mal: Primeira Comunhão") com data de lançamento em 10 de setembro de 2027.
Por fim:
"Invocação do Mal 4" traz uma produção técnica nos mesmos moldes da franquia que já estamos acostumados; no quesito ambientação sombria, fotografia obscura, uma trilha sonora tensa e uma direção de arte com cenários que conversam entre si sempre na mesma língua dos filmes anteriores da franquia. No quesito roteiro temos sim uma inovação que vale ressaltar, mas no geral é o mais do mesmo que sempre vemos dentro desse universo. No mais, "Invocação do Mal 4" marca o encerramento de uma das principais (se não a principal) franquias do terror moderno. Entre erros e acertos eu considero o saldo final de todo o universo como positivo.
Agora é aguardar os próximos capítulos da saga do "The Conjuring Universe".
- 15/05/2026
Casablanca
4.3 1,1K Assista AgoraCasablanca (1942)
"Casablanca" é dirigido por Michael Curtiz e estrelado por Humphrey Bogart, Ingrid Bergman e Paul Henreid. O elenco de apoio inclui Claude Rains, Conrad Veidt, Sydney Greenstreet, Peter Lorre e Dooley Wilson. O roteiro de "Casablanca" é baseado em "Everybody Comes to Rick's", de 1940, uma peça teatral não produzida de Murray Burnett e Joan Alison.
"Casablanca" curiosamente é filmado e ambientado durante a Segunda Guerra Mundial, cujo foco está centrado em em Rick Blaine (Humphrey Bogart), um expatriado americano que gerencia um bar em Casablanca, a maior cidade de Marrocos. Ele reencontra seu antigo grande amor, Ilsa Lund (Ingrid Bergman), que busca ajuda com seu marido, Victor Laszlo (Paul Henreid), um líder da resistência, para escapar dos nazistas. Rick deve escolher entre seu amor por ela ou ajudá-los a fugir.
Eu costumo afirmar que para um filme ser considerado uma obra-prima do cinema ele necessariamente precisa me elevar a enésima sensação de satisfação, me despertar inúmeras reações, eu fico feliz, fico triste, me emociono, fico em êxtase, fico nervoso, fico eufórico, fico alucinado, fico nostálgico, fico em estado de choque, e magistralmente "Casablanca" me leva a todos estes sentimentos aflorados em um misto de reações.
"Casablanca" é amplamente, dignamente e merecidamente considerado como um dos maiores romances da história do cinema. Eu diria que "Casablanca" é a maior história de um amor impossível da história do cinema. O longa-metragem é autêntico, é hábil, é inteligente, é muito bem orquestrado, pois estamos falando de um roteiro absurdamente genial, que usa a base de um drama romântico com um pano de fundo político. O filme tem um peso imenso devido à sua capacidade de unir romance, intriga política e dilemas morais em um contexto real de guerra, transformando-se em um marco cultural duradouro.
O maior triunfo de "Casablanca" é justamente o reencontro de um amor adormecido, de uma grande paixão do passado que é revivida em meios à todos os conflitos presente. Este é o ponto que transforma "Casablanca" em um filme grandioso e inovador, pois temos toda uma abordagem em cima de uma narrativa de guerra, onde inevitavelmente ocorre o embate entre o romance e a política de interesses, entre o sacrifício e o heroísmo, colocando à prova tanto os desejos de Ilsa como principalmente os desejos do Rick. Já que Rick se portava como um homem ferido, frio, desiludido, descrente, solitário, por outro lado se mostrava hábil, inteligente e maquiavélico para orquestrar seus planos.
É incrível o poder que "Casablanca" tem em nos despertar sentimentos distintos, dúvidas ocasionais, curiosidades frequentes, perguntas jamais respondidas; pois estaria Rick protegendo Ilsa pelo amor que ele sempre teve por ela? Se ele realmente a amasse porquê ele não lutou para ficar com ela? Será que realmente ele a amou tanto assim para protegê-la a deixando fugir com outro homem? E a principal delas: será que Rick realmente amava Ilsa ou foi somente um amor repentino porém avassalador como a icônica e lendária frase - "Sempre teremos Paris"? Fato é que querendo ou não o final de "Casablanca" foge dos clichês românticos triviais e se ilustra como uma das maiores provas de amor já demonstradas no cinema, o amor pela vida.
Além do roteiro que é genialmente perfeito, "Casablanca" vai muito mais além ao nos apresentar dois ícones do cinema, duas personalidades que marcaram a história da sétima arte; simplesmente Humphrey Bogart e Ingrid Bergman.
Bogart foi eleito pelo American Film Institute como a maior estrela masculina do cinema norte-americano de todos os tempos. É considerado um dos grandes mitos do cinema e ganhou o Oscar de melhor ator de 1951 por seu papel em "The African Queen".
Já Ingrid foi uma das maiores atrizes da Era de Ouro de Hollywood. Com sua beleza e seu imenso talento de atriz, ela foi uma das figuras mais célebres da história do cinema americano. Além disso, Ingrid Bergman é também uma das atrizes mais premiadas, incluindo três Oscars, dois Primetime, um Tony, quatro Golden Globe, um BAFTA e uma Volpi Cup.
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman possuem um química invejável, uma sintonia perfeita, contracenam de forma leve, natural, singela, elegante, prazerosa, onde tínhamos um belíssimo envolvimento nas trocas de olhares, nos diálogos, no gestual, onde ambos ganhavam toda a cena enquanto atuavam com um toque mais teatral. Sem dúvidas era uma forma diferente de atuar, de interpretar, era uma atuação diferente, era um cinema diferente, mais elegante, requintado, poético, fino, inteligente, teatral e intimista. Por outro lado o poder da atuação de ambos também estavam presentes nos diálogos icônicos com frases emblemáticas como:
"O mundo todo desmoronando e nós apaixonados."
"Se esse avião decolar e você não estiver nele, você se arrependerá. Talvez não hoje, talvez não amanhã, mas em breve e para o resto da sua vida."
"Beije-me. Beije-me como se fosse a última vez."
"De todas as espeluncas em todas as cidades do mundo, ela entra justamente na minha."
"Sempre teremos Paris."
E aqui eu preciso citar a minha passagem preferida do filme. O momento em que Ilsa diz para o Sam (Dooley Wilson): "Toque uma vez, Sam, por causa dos velhos tempos" e, posteriormente, "Toque, Sam. Toque 'As Time Goes By'" (Composta por Herman Hupfeld em 1931). Este é um dos momentos mais belo e encantador de toda a história do cinema. E já aproveito para puxar o gancho da trilha sonora composta pelo mestre Max Steiner, o lendário criador de centenas de clássicos temas para filmes americanos. A trilha sonora de "Casablanca" toca no fundo da alma. Se você assistir "Casablanca" e não for contagiado pela belíssima trilha sonora com certeza você já está morto por dentro. O lendário diretor Michael Curtiz de "As Aventuras de Robin Hood" (1938) entrega um trabalho exuberante, genial, que traz a essência da obra com sua filmagem plástica, com takes com tomadas longas, que impulsionava ainda mais aquelas cenas com diálogos históricos; como acontece exatamente na última cena do filme. A cenografia do longa é impecável, pois é impossível você não se emocionar com o poder e a magnitude de uma película em preto e branco ditando a força do amor com a assolação de uma guerra.
"Casablanca" é um patrimônio cultural histórico obrigatório para todos os cinéfilos que se prezem. Uma obra que impactou o cinema. Um clássico que incorpora elementos estilísticos do eterno noir dos anos 40. Uma pérola cinematográfica que virou um marco na indústria ao nos apresentar um dos maiores e mais impactantes casais com uma história de amor impossível do cinema. Sem dúvidas "Casablanca" ajudou a moldar a forma de se fazer e de se pensar cinema, sendo um dos pilares mais sólidos da história do cinema, representando o ápice da eterna Era de Ouro de Hollywood.
"Casablanca" não é apenas um filme, é um deleite para a alma, é um afago no coração, é um suspiro de um amor verdadeiro que respira cinema no mais alto padrão cultural, lendário e histórico.
Uma obra-prima categórica!
- 24/04/2026
Gladiador II
3.3 586 Assista AgoraGladiador II (2024)
"Gladiador II" é dirigido e produzido por Ridley Scott. A sequência de "Gladiador" (2000) foi escrita por David Scarpa (roteirista de "Napoleão" de 2023), baseada em uma história que ele escreveu com Peter Craig (roteirista de "Batman" de 2022). O longa é estrelado por Paul Mescal, Pedro Pascal, Joseph Quinn, Fred Hechinger, Connie Nielsen e Denzel Washington. Derek Jacobi e Connie Nielsen reprisam seus papéis do primeiro filme, com Mescal substituindo Spencer Treat Clark. Paul Mescal interpreta Lucius Verus Aurélio, o príncipe exilado de Roma, que se torna prisioneiro de guerra e luta como gladiador para Macrino (Denzel Washington), um ex-escravo que planeja derrubar os imperadores gêmeos Caracala e Geta (Fred Hechinger e Joseph Quinn).
Se hoje eu elaborasse um top 10 melhores momentos da minha vida no cinema, com toda a certeza a sessão de "Gladiador" assistida lá em junho de 2000 estaria na lista. Naquela época o cinema era diferente, os filmes eram diferentes, a forma de se fazer cinema era diferente, o entretenimento audiovisual era diferente, até pelos acontecimentos e pela geração da época. Eu vivi uma das maiores experiências cinéfilas naquele dia, e olha que estávamos em uma época em que a internet no Brasil era fraca e não tinha o alcance que tem hoje, e ainda assim o sucesso de "Gladiador" era estrondoso no boca a boca, na TV, nos jornais e nas revistas. Eu afirmo que "Gladiador" está na lista dos melhores filmes de toda a carreira do Ridley Scott.
O projeto para uma continuação de "Gladiador" sempre esteve engavetado, talvez inicialmente por desinteresse do próprio Ridley Scott como dos estúdios e produtores. Mas com toda certeza aquela ideia sempre esteve viva e só estava sendo postergada, onde mais cedo ou mais tarde iria de fato acontecer. Eu só não achava que fosse demorar tanto tempo para acontecer, onde 24 anos depois temos a continuação de "Gladiador".
Eu acredito fielmente que "Gladiador" jamais necessitasse de uma continuação, até por ser uma obra autossuficiente, irretocável, única, uma obra-prima imortalizada e eternizada presente na lista dos melhores filmes da década de 2000. Dito isto, seria óbvio que mais cedo ou mais tarde iriam atrás de uma continuação com a única ideia que todos utilizam hoje em Hollywood - a de lucrar. E o que mais me espanta é o fato do próprio Ridley Scott aceitar dirigir esta improvável continuação, o que de fato poderia ser o maior acerto do estúdio, em trazer o consagrado diretor do primeiro filme para a continuação. Porém, na minha opinião "Gladiador II" entra naquela lista das continuação completamente desnecessárias, infundadas e inteiramente dispensáveis.
Devo admitir que todo o roteiro pensado e construído para elaborar a continuação de "Gladiador" soa no mínimo plausível. Toda a ideia em trazer de volta o legado do filme anterior dessa vez focado em Lucius, que é revelado como o filho de lendário Máximus Décimus Meridius (Russell Crowe), que esteve presente ainda pequenino no primeiro filme. Ou seja, o longa-metragem iria se aprofundar naquela busca de vingança contra o Império Romano, que após 16 anos da morte de Máximus, Roma era governada pelos imperadores tirânicos que haviam ordenado a invasão e a morte da esposa de Lucius. Dessa forma teríamos um novo gladiador lutando pela honra, pela vingança e pela restauração da paz no território romano.
Olhando assim "Gladiador II" tinha tudo para dar certo, até por ser uma continuação direta do primeiro filme, onde o mesmo iria seguir a mesma linha e os mesmos passos do anterior. O que também poderia ser um risco, uma vez que se firmar como continuação direta não iria te obrigar a construir uma identidade própria, como uma obra independente, e sim viver na sombra do seu antepassado. Por outro lado, ter novamente a direção do Ridley Scott meio que iria te obrigar a seguir por este caminho, uma vez que ele se apoia quase que 100% do tempo no filme anterior. É aí que entra o maior questionamento: isso é bom ou ruim? E se fosse outro diretor no comando e ele seguisse por outro caminho se desgarrando mais do filme anterior? Com certeza teria pessoas que iriam aprovar uma continuação mais independente, até com outro diretor, Mas por outro lado também teria as pessoas que seriam a favor de reviver a história seguindo os mesmos passos e com as ideias do mesmo diretor.
E aqui eu entendo que uma continuação direta precisa no mínimo seguir a história anterior, para manter a essência e principalmente a coerência com o legado já construído. Só que o maior problema de "Gladiador II" é exatamente ser 100% do tempo uma sombra do anterior em tudo que se propõe a fazer. É incrível como o filme não consegue construir e apresentar absolutamente nada de novo que não seja o protagonista seguir os mesmos passos do protagonista anterior. Ah mas é o filho seguindo os passos do pai buscando vingança, é normal seguir a mesma linha - ok, eu entendo - só que você precisa obrigatoriamente seguir e se apoiar o tempo todo no filme anterior? Você precisa escrever um roteiro praticamente espelhado no roteiro anterior? Onde temos até a mesma história do Império Romano invadido as terras e novamente matando a esposa do protagonista, para que isso novamente vá adicionar fúria em sua vingança.
"Gladiador II" não consegue se desagarrar do primeiro nem na questão do protagonista, uma vez que o Russell Crowe construiu um personagem icônico e imortalizado, e isso fica perceptível tanto no personagem do Paul Mescal; que luta na sombra do pai, quanto do personagem do Pedro Pascal; que também luta em busca da sua honra. Todavia, o próprio Ridley Scott assumiu todos esses riscos, ele tinha total consciência do que estava fazendo, tanto que ele usa o primeiro filme em tudo, até abusando dos flashback. De certa forma você pode considerar isso como um acerto do diretor, ou até mesmo encarar como uma homenagem, uma carta de amor aos fãs do primeiro filme. Ou por outro lado você (assim como eu) pode considerar como um erro, em não querer se arriscar dentro de uma continuação direta e jogar na segurança, na zona de conforto, em tentar reescrever tudo o que deu certo lá atrás se espelhando no presente. Eu acho que uma continuação necessariamente não precisa ser uma sombra do filme anterior.
Sobre o elenco:
Eu também considero como outra grande falha do filme, pois temos um elenco até estrelado mas que não entregam absolutamente nada do que se esperava dentro de um padrão de "Gladiador".
Paul Mescal foi uma aposta, visto que ele não tem uma grande bagagem em produções dessa linha. E devo mencionar que eu adorei o seu personagem em "Aftersun" (2022). Porém, eu acho que faltou um pouco mais de entrega no personagem, pois em momento algum eu consegui ver a ira e a sede de vingança estampada em sua face.
Pedro Pascal entrega um personagem ok, dentro do padrão Pedro Pascal, sem aquele grande destaque.
Por outro lado todo os destaques positivos ficam à cargo do Lorde Denzel Washington, que entrega perfeição em tudo que ele faz. Apesar de considerar o seu final ruim.
Connie Nielsen também é um destaque positivo. É muito bom poder rever a sua personagem depois de tantos anos.
Derek Jacobi também reprisa muito bem o seu personagem.
Já o Joseph Quinn e o Fred Hechinger trazem dois personagens extremamente ruins.
Os pontos mais positivos em "Gladiador II" ficam na conta das qualidades técnicas, pois é incrível os cenários, principalmente no coliseu. Às batalhas também são muito bem coreografadas e exibidas. A direção de arte é muito boa. A fotografia salta aos olhos. A trilha sonora acompanha muito bem a trama. Como diversão e entretenimento em uma sala de cinema o filme vai funcionar muito bem e te proporcionar um momento incrível.
Por fim eu concluo que "Gladiador II" é uma continuação completamente desnecessária, que passou muito do time para acontecer (se é que precisava acontecer), onde mesmo com a presença do gênio Ridley Scott (que poderia ser um acerto) o longa não conseguiu sair da sombra do primeiro filme, podendo até ser considerado como uma obra superficial e genérica.
E ainda pensar que o próprio Ridley Scott já anunciou planos para um terceiro filme, onde ele quer explorar ainda mais o legado do primeiro filme como uma espécie de herança pela perspectiva do Lucius. Infelizmente vão transformar "Gladiador" em uma franquia de filmes como a famosa "galinha dos ovos de ouro". Uma pena!
- 20/04/2026
The Walking Dead: Daryl Dixon (3ª Temporada)
3.5 31 Assista AgoraThe Walking Dead: Daryl Dixon (3ª Temporada) 2025
Dos três spin-offs da série original "Daryl Dixon" é a que eu tenho mais dificuldades. A primeira temporada é ok justamente por nos mostrar como seguiu a vida do personagem após os eventos da série principal, e expandir o universo desse personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbi. Já na segunda temporada a série cresce notavelmente de produção, e muito pela presença da icônica Carol Peletier (Melissa McBride). Carol traz um novo frescor e um novo fôlego para a série, onde logo temos o retorno de uma das maiores duplas de todo o universo de "The Walking Dead" - Daryl e Carol!
No final da segunda temporada eu fiquei curioso em como seguiria a história justamente pela exploração em um novo país. Daryl e Carol inevitavelmente teriam que seguir com a sua jornada de volta para casa, e para isso eles iriam passar por novos locais, novos desafios, onde iriam conhecer novos povos, que poderiam se tornar aliados ou não. Sem falar nos zumbis e em todas as suas variações. A temporada soa interessante justamente por estarmos diante de um novo vilarejo onde vamos desvendando cada segredo a partir dali. E como sempre acontece, logo o Daryl e a Carol estão envolvidos em todos os dramas dos residentes locais.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" novamente consegue inovar usando a mesma história mas com personagens diferentes. Pois temos um novo elenco inteiramente espanhol, que por sinal é um dos pontos altos da temporada, onde logo cada um se destaca dentro de cada personagem. Mas por outro lado o roteiro em si é aquele velho clichê que já conhecemos no universo de "The Walking Dead", onde temos um vilarejo que é sempre explorado por facções de fora, e logo toda essa exploração desencadeia uma nova guerra que entra em conflito justamente com os dois protagonistas. Às histórias paralelas não são inteiramente ruins e até funcionam dentro da proposta do roteiro. Porém, logo elas se tornam desinteressantes com o passar de cada episódio.
Daryl e Carol novamente são o fôlego da temporada (e não poderia ser diferente). Tanto o Norman quanto a Melissa quando estão atuando juntos é garantia de espetáculo. Mesmo que o conteúdo de ambos seja repetitivo com o passar dos anos, mas os dois contracenando juntos é o que de fato prende o espectador na série. Novamente temos ótimas cenas de ação proporcionada por ambos. Por falar em cenas de ação; esta temporada acerta muito bem, conseguindo dar dinâmica e objetividade em cada uma delas.
Tecnicamente a temporada melhora ainda mais, pois temos uma excelente direção de arte que constrói cenários impecáveis. A fotografia é outro ponto que se sobressai na temporada. Assim como a trilha sonora, que é acertadamente composta por ritmos espanhóis e casa perfeitamente com toda a história. Não posso deixar de mencionar às maquiagens dos zumbis, que nunca cai na mesmice e sempre traz alguma inovação. Realmente impressiona o quanto o trabalho de maquiagem é sempre um grande destaque dentro do universo de "The Walking Dead".
O elenco em si entregam atuações condizentes com a história e ainda conseguem nos passar uma boa dose de carisma; com destaques para Eduardo Noriega, Óscar Jaenada, Alexandra Masangkay e Candela Saitta.
A terceira temporada de "Daryl Dixon" mantém a qualidade conquistada na segunda e ainda consegue se superar e evoluir em alguns pontos. Por mais que essa "turnê pós-apocalíptica" do Daryl e da Carol mostre uma certa fragilidade no roteiro e trazem histórias clichês em sua grande maioria, mas ainda assim nos convence a acompanhar toda a trajetória de ambos até o seu destino final. Destino este que com certeza será o retorno até os EUA, que obviamente acontecerá na já confirmada quarta e última temporada da série.
- 20/11/2025
Sorria 2
3.3 614 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Sorria 2 (Smile 2) 2024
"Sorria 2" é novamente escrito e dirigido por Parker Finn como uma sequência direta de "Sorria" (2022). O filme é estrelado por Naomi Scott como Skye Riley, uma estrela pop em ascensão que começa a vivenciar uma série de eventos macabros cada vez mais perturbadores justamente quando está prestes a embarcar em sua turnê.
Interessante que lá em 2022 a Paramount apostou em "Sorria" como a sua grande aposta para a criação de uma nova franquia de terror. Em questão de marketing e bilheteria o filme foi um sucesso imediato. Em questão de roteiro, o diretor Parker Finn inicialmente apostou em uma trama que navegava no terror sobrenatural, no suspense psicológico, que flerta diretamente com o mistério, com o lúdico, com o oculto, algo mais ligado com a relação da mente humana e suas variações perturbadoras, e as causas que isso podem implicar em cada um. Isso na primeira metade do filme, pois em sua segunda o diretor perde completamente a mão e toda ambientação misteriosa e psicológica que foi muito bem utilizada é deixado de lado para dar espaço para o terror genérico, o terror pastelão, forçando a barra em cima dos jumpscare, das aparições de figuras demoníacas afim de forçar o susto gratuito para impressionar o público.
"Sorria 2" inicia com uma introdução que faz ligação direta com os eventos do primeiro filme através do personagem Joel (Kyle Gallner). Por sinal uma introdução muito boa, onde temos uma sequência de ação com tiroteio de tirar o fôlego, melhora ainda mais na cena final dessa sequência. A partir daí o diretor tenta se reinventar no subgênero terror, novamente ele inicia apostando em um terror psicológico sobrenatural usando os acontecimentos anteriores envolvendo a personagem Skye Riley.
O interessante dessa personagem é justamente o fato dela ser uma estrela do pop, que vive uma vida de sonhos, de desejos, onde vive cercada pela fama, pelo dinheiro, pela ganância do sucesso e principalmente pela admiração e a inveja por parte do público. Podemos considerar que tudo isso poderia ser uma presa fácil para um distúrbio mental e psicológico. Um ano após ela ter presenciado o acidente que vitimou seu namorado Paul Hudson (Ray Nicholson), Skye presencia o suicídio de seu amigo de classe Lewis Fregoli (Lukas Gage). Por sinal a cena dele esmagando o próprio rosto com uma anilha de musculação é assustadoramente bizarra. A partir daí ela começa a ser perseguida pela maldição do sorriso macabro.
Uma jogada muito boa do roteiro é usarem o fato da Skye ter passado pelo trauma do acidente em contrapartida com sua dependência química, ou seja, seria difícil alguém acreditar em tudo que ela estava passando em consequência da maldição sem assimilar às drogas em consequência com o seu trauma. Ou seja, Skye vivia pressionada por todos os lados; a mãe dela a pressionava com um relacionamento controlador, tóxico e abusivo. Parecia que a Skye era uma marionete da mãe. Ela ainda convivia com a pressão da fama, do sucesso, da crítica, onde podemos considerar sobre a pressão que os artistas sofrem na indústria em busca da fama. Passamos a acompanhar a decadência da Skye como artista e principalmente como ser humano. Passamos a acompanhar o declínio e o colapso mental de uma artista em busca da fama em decorrência do seu estado psicológico.
E tudo isso que eu citei é muito bem usado pelo diretor para confrontá-la com a sua maldição. Pois o estado mental e psicológico da Skye era a porta de entrada para a maldição explorar as suas fragilidades com sua vulnerabilidade atual. Toda pressão pela fama era confrontado pelo horror dos seus traumas em contrapartida com a maldição do sorriso. Onde podemos facilmente fazer uma alusão com aquela obrigação que os artistas tem em sempre estarem sorrindo. O artista sempre precisa estar sorrindo para o público e fãs independente do seu humor naquele dia.
Dessa vez Parker Finn acerta em explorar todas as fraquezas e vulnerabilidade da protagonista em decorrência da maldição usando o seu estado psicológico. Acredito que este foi o maior diferencial em comparação com o primeiro filme, justamente uma exploração maior em cima do terror sobrenatural, do terror psicológico, usando aparições certeiras de figuras que exemplificavam o que a protagonista tinha presenciado, e não apenas jumpscare gratuitos para impactar. Tudo bem que ainda assim o diretor dá uma certa forçada justamente em cima desses jumpscare e traz uma figura monstruosa bizarra na última cena do palco, que pra mim é justamente a parte que novamente ele perde a mão. Porém, dessa vez eu até relevo, visto tudo que ele construiu para chegar até essa parte final.
O diretor acerta muito bem na construção das cenas bizarras, onde temos belas exibições do puro gore. A fotografia é outro ponto que se destaca notavelmente em cada cena. Pois cada foco naquele sorriso macabro soa extremamente diabólico, perturbador e incomoda muito. A atriz Naomi Scott faz uma performance espetacular, diga-se de passagem. Por mais que a sua personagem ande naquela linha de gritos, caras e bocas, mas tudo era muito bem construído e feito com um bom nível de atuação. Também preciso destacar o ator Ray Nicholson, o filho do grande Jack Nicholson, que em suas pequenas aparições ele nos mostra que também tem aquela veia sombria e macabra apenas no olhar. Sem falar que ele é a cara do pai.
Sendo assim eu considero que "Sorria 2" acerta mais do que erra, pois toda sua construção de terror psicológico se sobressai sobre o terror pastelão trivial desse gênero. Parker Finn acerta a mão nesse segundo filme, pois ele nos entrega algumas discussões sociais usando um pano de fundo de terror sobrenatural, que irá discutir até que ponto o trauma poderá ser superado.
E na cena final a maldição do sorriso passou para todos que estavam na plateia? Acredito que veremos mais em "Sorria 3".
- 12/11/2025
O Poço 2
2.4 345 Assista AgoraO Poço 2 (El hoyo 2) 2024
"O Poço 2" é novamente dirigido por Galder Gaztelu-Urrutia em parceria com a Netflix espanhola. Dessa vez acompanhamos a protagonista em uma nova fase na prisão vertical, onde um líder misterioso impõe regras violentas e uma nova "Revolução Solidária" tenta controlar a distribuição de comida.
"O Poço" foi lançado no Brasil em Março de 2020, ou seja, o longa chega ao Brasil bem na fatídica pandemia do coronavírus e logo ganha um grande destaque diante daquele iminente cenário. A ligação que eu fiz com o filme na época foi exatamente o cenário onde cada um pensava unicamente em si próprio, cada um queria conseguir estocar o máximo de comida possível em suas casas. Ou seja, o filme tocava exatamente nesse ponto, no egoísmo, na falta de solidariedade humana, na empatia pelo próximo, sendo uma analogia perfeita sobre a nossa sociedade principalmente naquela época. "O Poço" me surpreendeu muito ao exibir uma metáfora explícita sobre a selvageria proporcionada pelo capitalismo e o comunismo a desigualdade social.
Curioso que "O Poço 2" não estava nos planos do diretor Galder Gaztelu-Urrutia. Porém, depois de 4 anos temos uma segunda parte da história, ou uma continuação, pois o título do filme leva o número 2, então podemos considerar um prelúdio ou sequência? O fato é que o longa-metragem é um prelúdio do primeiro filme, que nos mostra a primeira passagem da história que vimos no primeiro filme. Sendo assim temos o retorno dos personagens que morreram no filme anterior mas que aqui eles aparecem como a primeira parte de suas histórias - é um pouco confuso!
Dessa vez "O Poço 2" traz um foco maior na luta pela sobrevivência diante daquela rebelião que se formou contra o sistema imposto no local pela tal da "Revolução Solidária". Considerando todo o contexto temos a exibição de um sistema imperialista opressor, que impõe a lei onde cada pessoa deve comer apenas o seu próprio prato. E o curioso é o fato que mostra logo no início do filme, onde cada um dos detentos (se é que podemos considerá-los assim), faz uma exigência sobre ter diariamente a sua comida preferida. Logo podemos considerar que essa "Revolução Solidária" faz uma alusão ao nosso comportamento perante a nossa convivência em sociedade, às leis que existem e que temos que obedecê-las, e que muita das vezes descumprimos tais leis. Aquela velha história que se um pode descumprir uma lei o outro se sente no mesmo direito, onde logo temos o famoso efeito dominó.
Podemos considerar que o primeiro filme faz uma crítica ao classismo, ao capitalismo e a liberdade total, já nesse segundo temos uma crítica mais complexa que aborda o comunismo e o fanatismo religioso. Pois em dado momento observamos que eles castigam severamente os que descumprem tais leis (como a parte do braço), que é justamente uma interpretação de como as leis sagradas (ou bíblicas) são sempre interpretadas à favor de quem está impondo no momento. Também podemos considerar referências ao radicalismo extremo e o islamismo, que entra justamente a parte da mutilação de membros como punição para roubos, além da pena de morte de acordo com o Alcorão. Por outro lado também observamos uma alusão a Jesus Cristo, o messias, sobre a sua existência ter ocorrido ou não, como é discutido em uma determinada cena.
Claramente o filme é uma é reflexão sobre a riqueza e os poderes dentro da sociedade como um todo. Pois quando temos a presença daquela figura que impõe a lei local, logo temos um desafio sobre a noção de justiça, de comportamento, de solidariedade com os residentes locais, o que inflige justamente em um ambiente cruel e desumano a partir do momento da rebelião. O funcionamento do poço só serve para dar suporte ao argumento que ele propõe, pois de fato somos prisioneiros de nós mesmo e disso não podemos fugir. Seria o poço uma prisão pessoal? Uma prisão mental? A única saída é a morte? Temos várias perguntas que carecem de respostas!
Assim como no primeiro, ao término do filme ficamos com um milhão de perguntas e um milhão de possibilidades de interpretações na cabeça. Este é um dos maiores trunfos do filme, o seu poder em nos desafiar, em nos levar a reflexão profunda, de nos dar a livre opção de criarmos as nossas interpretações, de ser livre de regras, de obrigações, de rótulos, de cronologia dos acontecimentos. O próprio diretor afirmou que o filme não tem um lado certo ou errado, não existe um regra de interpretação, você é livre para criar às suas possibilidades e imaginações.
Como muitas pessoas consideram o primeiro filme excelente e este segundo ruim, eu vou por uma outra linha, eu vejo ambos os filmes dentro da mesma temática mas com propostas diferentes. Sendo assim eu considero "O Poço 2" como um bom filme, que consegue extrair ainda mais reflexões acerca da humanidade em contrapartida com o seu comportamento dentro de uma sociedade. Em como um ambiente muita das vezes pode moldar o comportamento humano em diferentes sentidos. "O Poço 2" toca em temas já discutidos no primeiro e ainda aborda outros pontos como o próprio extremismo e o fanatismo religioso.
Se permita interpretar o filme como você quiser!
- 08/11/2025
The Walking Dead: Dead City (2ª Temporada)
3.0 34 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Walking Dead: Dead City (2ª Temporada) 2025
Como um verdadeiro fã de "The Walking Dead" eu gostei da primeira temporada de "Dead City", justamente pelo fato da série recolocar frente a frente uma das maiores rivalidades de toda a história do universo de "The Walking Dead". Acho que todos pensaram como eu, que este spin-off da série principal serviria para dar um ponto final, para resolver de uma vez por todas o grande embate entre Maggie (Lauren Cohan) e seu eterno arquirrival Negan (Jeffrey Dean Morgan). E não foi bem isso que aconteceu, a série usa a rivalidade de ambos como o tema central o tempo todo, mas não como finalização de um assunto pendente que vinha se arrastando desde a série original. Pelo contrário, esta rivalidade serve para compor histórias e personagens paralelos com o único intuito de esticar a série para uma segunda temporada, que a princípio eu achei uma ideia até interessante, mas hoje eu vejo que foi apenas um erro.
No último episódio da primeira temporada nos é revelado que tudo não passou de uma armação, um acordo entre a Maggie e o Croata (Željko Ivanek) para que assim ela levasse o Negan até ele. Ok, podemos até considerar como uma ideia aceitável, até porque para construir a história principal e dar o seu devido foco é preciso compor histórias paralelas de personagens paralelos dentro de todo o contexto. Mas é ai que mora o grande perigo, o fato de começarem a usar cada vez mais estas histórias e estes personagens paralelos para esticar a série em mais temporadas, quando na verdade está claro que não existe mais nenhum sentido.
E foi exatamente isso que aconteceu nessa segunda temporada de "Dead City", perderam completamente a mão, o sentido, o destino dos dois personagens principais. Começaram encher a temporada com histórias e personagens paralelos tirando completamente o foco principal da série. Decidiram dar mais ênfase na guerra pelo controle de Manhattan, onde colocaram a Maggie e o Negan em lados opostos para gerar um discurso infundável e sem nenhum objetivo, por mais que a Maggie e o Negan sempre estiveram em lados opostos. E aqui entra o ponto dessa "Nova Babilônia" e todos os esforços para retomar a cidade usando aquele "metano", onde temos a presença da vilã "The Dama" (Lisa Emery), que apareceu no último episódio da primeira temporada.
Esta vilã usa seus planos mirabolantes e suas ideias distorcidas para gerar todo um discurso de convencimento nos que estão ao seu redor, o que logo confronta com as ideias do próprio Negan, quando ele é meio que forçado (ou não) a se juntar a ela para conseguir uma certa vantagem sobre aquele tipo de ameaça. O que pra mim definitivamente não funcionou, pelo contrário, eu achei esta "The Dama" uma personagem muito ruim e totalmente desconexa. O mesmo vale para o Croata, que eu achei até aceitável na primeira temporada, até pelo confronto gerado com Negan, o que envolve uma rivalidade complexa e antiga entre eles, mas aqui ele parece ter suas ambições e desejos, mas não passa de um cachorrinho da The Dama.
O resto do elenco estão ali apenas para compor uma exigência de roteiro, porque definitivamente não funcionaram em nenhum momento; como no caso do Perlie Armstrong (Gaius Charles), o ex-marechal da federação da Nova Babilônia que foi promovido a coronel, que está completamente perdido na série. Também temos o Bruegel (Kim Coates), que é um personagem que surge como um dos principais antagonistas ao lado da The Dama, que quer parecer soberano, enigmático, quando na verdade não passa de um personagem genérico e fútil. A Ginny (Mahina Napoleon) foi uma personagem que eu achei que seria melhor aproveitada nessa segunda temporada, visto tudo que ela passou em sua história pessoal com relação ao Negan. Porém, novamente ela serve apenas de contexto para as motivações do Negan e da própria Maggie (como vimos no último episódio), e no fim ela é descartada da história.
Agora precisamos falar do Hershel (Logan Kim), o filho problemático da Maggie. De cara eu já vou deixar bem claro que eu achei um personagem muito ruim, com umas motivações bem absurdas, que eu até entendo aquele discurso dele em relação a mãe em manter aquela obsessão pelo Negan. Mas daí ele se juntar com a The Dama cedendo aquela pressão psicológica dela em relação a Maggie eu achei bem absurdo. Criaram um antagonista manipulado pela vilã que se volta contra a própria mãe, onde parece que ele vê na vilã uma figura de mãe onde ele acha que está sendo valorizado e ouvido - outro absurdo!
Puxando o gancho do Hershel, a Lauren Cohan faz o que sabe fazer de melhor na pele da Maggie, porém aquela relação vulnerável e conturbada dela com o filho me incomodou um pouco. Parece que ela é a pessoa mais forte e decidida do universo em todos os outros assuntos, mas quando chega no embate com o filho ela se torna a mãe mais mole e complacente possível. Já o sempre elegante Jeffrey Dean Morgan é um verdadeiro showman à parte, sempre se destaca em cena e gera verdadeiros espetáculos; o que dizer da reapresentação da memorável cena do "Uni, duni, tê". Sensacional!
Por fim, reitero que perderam completamente a mão nessa segunda temporada de "Dead City", até pela perda da dinâmica principal da trama envolvendo os arqui-inimigos Maggie e Negan. O que envolve justamente o final da temporada, quando temos a Maggie frente a frente com a oportunidade que ela sempre almejou na vida e decide recuar. Podemos entender que ela observa aquela relação do Negan com a Ginny e encara aquela realidade com o próprio filho. Ou também podemos subentender que ela decide encarar, enfrentar e conviver com os seus fantasmas e traumas do passado justamente para tentar seguir em frente. Não sei bem se eu concordo com ela, mas quem sou eu para julgá-la.
Fato é que inevitavelmente teremos uma terceira e provavelmente até uma quarta temporada da série. Agora se vai dar certo eu duvido muito, até porque já espremeram todo o bagaço dessa laranja e o que resultou foi um suco bem ralo e sem nenhum sabor.
- 07/11/2025
Alien: Romulus
3.7 769 Assista AgoraAlien: Romulus (2024)
"Alien: Romulus" é dirigido por Fede Álvarez e escrito por Álvarez e Rodo Sayagues. O longa-metragem faz parte da franquia "Alien", porém com uma história independente que é ambientada entre os eventos de "Alien, o 8.º Passageiro" (1979) e "Aliens: O Resgate"(1986).
O filme inicia com a história dos jovens colonos que eram oprimidos em seu planeta, quando decidem vasculhar uma estação espacial abandonada e iniciam uma busca em forma de exploração espacial como uma fuga daquele planeta-prisão. Dentro desse contexto os jovens colonos acabam descobrindo a forma de vida mais aterrorizante do universo e precisam lutar pela sobrevivência contra os xenomorfos.
É fato que a franquia "Alien" é uma das maiores franquias do terror Sci-fi da história do cinema, mas também é fato que desde a quadrilogia finalizada lá nos anos 90 que a franquia "Alien" está totalmente perdida e sem rumo. E digo mais: muito dessa perda de identidade está na conta do próprio Ridley Scott, a mente brilhante por trás do clássico de 1979, apesar que dentro da franquia eu considero "Aliens: O Resgate" não só como o melhor filme de toda a franquia como um dos melhores Sci-fi de todos os tempos.
Ridley Scott é o diretor responsável por "Prometheus" (2012) e "Alien: Covenant" (2017), que pra mim são dois filmes dentro do universo "Alien" que eu considero como desnecessários. Tudo bem que temos "Prometheus" como um prólogo de toda a história dos xenomorfos, onde o mesmo tenta explicar a sua verdadeira origem. Mas pra mim não funciona, não encaixa, e o mesmo vale para "Covenant", que consegue ser um pouco melhor que "Prometheus", o quê não quer dizer grande coisa.
"Alien: Romulus" é um verdadeiro resgate de identidade e essência da franquia, uma verdadeira volta às origens. E muito desse resgate se deve justamente ao fato de que dessa vez o Ridley Scott ficou somente na produção e a direção e roteiro à cargo da dupla Fede Álvarez e Rodo Sayagues. Contando entre direção e roteiro, Álvarez e Sayagues são os responsáveis pelo excelente remake de "A Morte do Demônio" (2013) e o ótimo "O Homem nas Trevas" (2016). Ambos possuem ótimas características e qualidades cinematográficas do gênero em questão, o que os qualificam como os mais indicados para trabalharem na direção e roteiro do sétimo filme da franquia "Alien".
O que mais me impressiona em "Alien: Romulus" é justamente o fato que Álvarez e Sayagues fizeram o simples porém muito bem feito, sem querer caminhar pelo caminho onde justamente o Ridley Scott caminhou nos longas de 2012 e 2017. Um dos maiores problemas tanto de "Prometheus" quanto de "Covenant" é justamente essa necessidade de contar toda a origem, de querer navegar entre a religião e a ciência, entre a criação e o criador, onde inevitavelmente o foco é mais na ficção científica do que no terror; mesmo que a franquia sempre esteve ligada nesses dois temas.
Quando eu digo que Álvarez e Sayagues fizeram o simples bem feito é exatamente a construção de um longa-metragem que funciona como um filme independente, sem precisar de amarras, de rótulos, onde possui a sua própria construção e destino, sabendo aonde quer chegar, sem a necessidade de explicar origem, onde o mesmo funciona como uma espécie de "Alien, o 8.º Passageiro" mais jovem. "Alien: Romulus" é um verdadeiro deleite para os fãs da velha guarda, pois tudo aqui foi muito bem pesquisado e projetado; como o fato do próprio diretor se consultar com o Ridley Scott e com o James Cameron (diretor do segundo filme). Sem falar que longa apresenta conexões e referências com todos os seis filmes anteriores e com a versão do videogame "Alien: Isolation" (2014); por sinal um jogo excelente.
"Alien: Romulus" consegue navegar entre o terror e a ficção científica, onde o mesmo dosa muito bem o terror psicológico clássico com elementos de ação, que são às marcas registradas de toda a franquia. E vale ressaltar que o diretor navega muito bem entre os dois primeiros filmes da franquia, que obviamente são os melhores até hoje, usando uma combinação perfeita entre a essência de suspense e terror do primeiro, com toda a atmosfera de tensão e ação do segundo. Temos aqui um verdadeiro Fan service, com várias cenas prestando uma verdadeira homenagem às cenas clássicas, sem falar nas várias formas de evolução do xenomorfo, que passa pela sua forma mais parasitária e ameaçadora, onde temos o icônico Facehugger, depois o Alien em sua forma adulta e letal, e por fim o híbrido, aquela espécie de Alien humanoide, o que me remeteu imediatamente ao clássico "Alien - A Ressurreição", ou talvez o que deveria ter sido.
O elenco mais jovem faz um básico bem feito, por mais que em sua grande maioria eles estivessem ali unicamente para morrerem, o que já é um clássico dos elencos da franquia. Dessa forma eu não vejo um elenco onde vamos nos apegar emocionalmente. E olha que entre o elenco temos a bela Isabela Merced, uma atriz que gosto muito. O destaque maior fica à cargo do David Jonsson com seu personagem humanoide sintético Andy, que é muito bom por sinal, e a competente Cailee Spaeny com sua personagem Rain Carradine. Longe de mim querer comparar, mas as partes finais da Rain enfrentando os Aliens com aquela metralhadora trouxe a ela uma pegada forte, guerreira, quase uma badass no estilo da icônica Ellen Ripley.
"Alien: Romulus" é muito bom, um grande acerto, um verdadeiro revival, um verdadeiro resgate às origens da franquia, sendo pra mim um dos melhores filmes do "Alien" desde a quadrilogia finalizada em 1997.
- 04/11/2025
The Last of Us (2ª Temporada)
3.5 463 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Last of Us (2ª Temporada) 2025
A segunda temporada da série "The Last of Us" (que estreou na HBO em 13 de abril de 2025) é baseada na popular franquia de videogame da Naughty Dog, dessa vez sendo baseada no jogo lançado em 19 de junho de 2020 exclusivamente para PlayStation 4, "The Last of Us Part II", cuja história segue Joel Miller (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) cinco anos após os eventos da primeira temporada, depois de se estabelecerem em Jackson, Wyoming, com o irmão de Joel, Tommy (Gabriel Luna) e os amigos de Ellie, Dina (Isabela Merced) e Jesse (Young Mazino).
Quando eu escrevi a minha gigantesca análise sobre a primeira temporada da série, lá em março de 2023, eu frisei que a série de jogos "The Last of Us" é a minha terceira franquia preferida de jogos da história dos videogames. Também deixei bem claro o quanto eu sempre estive frustrado por sempre as adaptações de jogos de videogames serem em sua grande maioria ruins (e até péssimas). Dito isto, a primeira temporada da série "The Last of Us" veio para revolucionar este quesito das adaptações de jogos de videogames, se tornando, em minha opinião, a melhor adaptação de um jogo de videogame para um conteúdo audiovisual de toda a história.
Diante da excelente adaptação entregue na primeira temporada, a minha expectativa estava gigantesca em relação a segunda temporada, até porque dessa vez seria baseado no segundo jogo da série, que eu considero como top 5 melhores jogos que eu já joguei em toda a minha vida gamer. Porém, em todos estes meus longos anos cinéfilos eu aprendi uma coisa: quando você coloca a sua expectativa muita alta em relação à uma obra, a chance de você se decepcionar é maior do que a chance de você conseguir igualar com a sua expectativa criada. E cá estou eu com mais um desses exemplos, pois infelizmente a segunda temporada da série "The Last of Us" é decepcionante.
Analisando cada episódio:
O episódio 1 começa bastante interessante ao mostrar a Abby (Kaitlyn Dever) com seu grupo no local que está enterrado o pai dela, com ela jurando vingança ao Joel. Esta parte não existe no jogo mas eu considero extremamente necessária, pois um ponto que eu sempre questionei no game é justamente a forma como a Abby é encaixada na história do segundo jogo, onde ela é praticamente jogada na história assim do nada, sem ninguém saber da onde ela saiu. Pelo menos na série esta introdução dá um pequeno contexto de quem é esta Abby e qual é a sua motivação. Um ponto que foi muito questionado na escolha da atriz para viver a Abby foi justamente o físico da Kaitlyn Dever, que é um físico normal de uma garota, sem ter aquele físico musculoso da Abby do jogo. No jogo a Abby tem aquele físico musculoso justamente por ela ser uma das melhores soldadas que estava em busca de vingança. Ou seja, ela treinou e desenvolveu o seu corpo para este propósito, para ficar forte e musculosa para sobreviver, tanto que no jogo quando jogamos com ela vemos que de fato ela é muito forte, pois ela consegue lutar de igual para igual com qualquer homem. Então, não vou negar que ver a Kaitlyn Dever como Abby me incomodou um pouco, pois esta versão da Abby assim mais magra me lembrou a sua versão dos flashbacks no jogo da própria Abby mais nova, quando ela saia para caçar com seu pai, e não esta versão atual da Abby já adulta.
O episódio segue com o núcleo do Joel e da Ellie que vivem em Jackson. Na série a Maria (Rutina Wesley) e o Tommy tem um filho, no jogo não. Joel faz terapia com a Gail (Catherine O'Hara), isso não existe no jogo e nem a personagem Gail. A Gail é viúva do Eugene (Joe Pantoliano), que este sim existe no jogo, apesar de já estar falecido durante a história e a única coisa que encontramos dele é uma foto. Posso encarar esta questão da terapia como um encaixe da série justamente por o Joel estar travando uma batalha mental em sua consciência por tudo que ele fez para salvar a Ellie e agora ela cobrando ele justamente nessa questão. A cena do beijo na festa entre a Dina e a Ellie é bem fiel ao jogo. Já esta questão dos galhos infectados estarem invadindo Jackson pelos canos quebrados é bastante curioso, já que isso não existe no jogo. A Ellie é mordida novamente, dessa vez na barriga. Curioso, já que nos dois jogos isso nunca aconteceu.
O episódio 2 é sem dúvidas o mais aguardado da temporada e de toda a série:
No jogo a Ellie sai com a Dina para a patrulha antes da morte do Joel, na série ela vai com o Jesse e a Dina com o Joel, no jogo o Joel vai com o Tommy. Esta mudança pode não parecer nada demais mas eu considero um erro grotesco da série que explicarei mais pra frente. O Jesse acha o local do cultivo de maconhas do Eugene com a Ellie, no jogo é a Ellie e a Dina que encontram, aliás rola uma ótima cena que pra quem jogou vai entender. Temos a garota da cadeira de rodas, Amy, que não existe no jogo. Toda a parte da Abby fugindo da horda de infectados e sendo salva justamente pelo Joel é bastante fiel ao jogo. Interessante também eles combinarem o ataque dos infectados em Jackson bem na hora que vai ocorrer o ataque da Abby ao Joel, junto com a Ellie e o Jesse que estão procurando por ele. Esta parte do ataque à Jackson, que não existe no jogo, ficou muito boa, apesar da cena em que o Tommy anda no meio dos infectados sem muita preocupação, que destoa bastante. Esta sacada dos roteiristas sobre o ataque à Jackson foi um uma ideia até coerente, visto que isso poderia acontecer a qualquer momento.
O ponto alto do episódio obviamente é a morte do Joel, que inicialmente eu achei interessante justamente por a Abby revelar para o Joel sobre o dia em que ele matou os soldados no hospital para salvar a vida da Ellie, sendo que junto dos soldados estava justamente o pai da Abby, que era o médico que iria fazer a cirurgia na Ellie. Ou seja, isso é algo que não existe no jogo, no jogo a Abby chega e já ataca o Joel até a morte, ele praticamente morre sem saber o real motivo. Esta parte na série ficou boa justamente por ela elucidar sobre quem ela era e a relação dela com aquele dia da matança no hospital. A cena da morte do Joel não tem o mesmo peso e nem o mesmo pânico do jogo, no jogo você fica angustiado e sofre quantas vezes você jogar, mesmo já sabendo o que vai acontecer. O problema dessa cena na série é justamente a Abby, no caso a atuação da Kaitlyn Dever, que pra mim não me convence como Abby e muito menos nessa cena. Eu não consigo ver nela aquela crueldade e aquele ódio da Abby do jogo, e aqui eu nem estou entrando na questão do físico dela. O que me pega é o fato dessa Abby me parecer muito menininha, e a cena em si ficou boa, mas não tem nem sombra do peso e do pânico do jogo, sem falar que matar o Joel com pancadas brutal de taco na cabeça (que acontece no jogo) é muito pior e muito mais pesado do que simplesmente bater só na perna machucada dele, dar uns soquinhos e no fim enfiar o cabo do taco no pescoço. A série aliviou e suavizou demais esta cena, retirando grande parte da tensão e do pânico da cena no jogo.
Outro ponto que me incomodou bastante, é o fato de pegarem muito leve com a Dina, tendo todo um cuidado em pegar uma injeção para fazer ela dormir e não ver nada, quando simplesmente poderiam dar uma pancada na cabeça dela e pronto. Mais um ponto: esta decisão de trocarem o Tommy pela Dina na cena da morte do Joel pra mim foi um erro. Até porque tirou todo o peso emocional do Tommy em ver o irmão sendo morto e despertando a sua fúria e o seu sentimento de vingança para ir atrás da Abby e seu grupo (como exatamente acontece no jogo). E outra, ele não viu o rosto da Abby, como ele vai partir sozinho, igual no jogo, atrás dela? Outro ponto que eu considero um erro da série: no jogo quando você controla a Ellie, você está chegando na casa e quando adentra o local a Ellie escuta os gritos agonizantes do Joel enquanto a Abby está batendo nele com o taco. Esses gritos são extremamente importantes no contexto do jogo, porque eles viram um trauma para a Ellie a partir daí, onde constantemente ela acorda com esses gritos do Joel em sua mente durante todo o processo do jogo. Já na série em momento algum a Ellie escuta os gritos do Joel, e sim ela escuta os gritos da Abby enquanto ela dá aqueles soquinhos fofo no Joel. Este segundo episódio tem sua fidelidade com o jogo mas o contexto como ele é desenvolvido é ruim e com mudanças, como no caso do Tommy, que são completamente infundadas e que vai interferir diretamente no decorrer da história daqui pra frente.
Após a morte do Joel temos um salto no tempo de três meses no episódio 3. Isso é outra mudança que eu também considero como um erro, pois no jogo a morte do Joel é em um dia e no outro o Tommy já partiu atrás do grupo da Abby, e logo após a Ellie e a Dina também vão. Ou seja, tudo é muito recente e o ódio e o desejo de vingança está completamente aflorado, e não esperar três funcking meses para pensar em ir buscar vingança. Um ponto curioso desse episódio é justamente já ter uma aparição dos Serafitas/Cicatrizes assim tão cedo, sendo que no jogo eles aparecem bem mais pra frente. Como no jogo é o Tommy que está presente na morte do Joel, ele parte sozinho atrás do grupo da Abby. Já na série isso mudou, ele não foi sozinho e está em Jackson junto da Ellie e de todos. E aqui entra outro ponto que me incomodou demais: a decisão em ter um conselho com uma votação para decidir se vão atrás dos assassinos do Joel ou não, é simplesmente ridículo. No jogo o Tommy já partiu na frente e a Ellie vai logo em seguida junto com a Dina contra a vontade da própria Maria. Na série não parece que o Tommy está sentindo a morte do Joel com um desejo de vingança, e muito menos a Ellie. Onde está o sentimento de vingança do Tommy e da Ellie? Onde está aquela fúria da Ellie em querer ir até sozinha atrás da Abby? Tiraram o peso dessa parte da história, deixaram o Tommy como um bundão pau-mandado da esposa, onde claramente ele não está nem um pouco preocupado em ir buscar vingança. Ridículo o que fizeram com o Tommy na série. O mesmo vale para a Ellie, que está completamente submissa, complacente, aceitando todas as ordens. Esta Ellie da Bella Ramsey não traduz 10% da Ellie do jogo.
Outro ponto que eu me questionei nesse episódio é justamente sobre a química entre a Ellie e a Dina. Pois não sinto química entre a Dina e a Ellie igual no jogo, elas parecem distantes. Tanto que na série a Dina nem diz que quer ir junto com a Ellie na missão como uma prova de amor e companheirismo (como acontece no jogo), ela apenas dá a ideia do que fazer e só vai junto com a Ellie. E como eu pensei, não teve a cena em que a Dina e a Ellie se pegam de calcinha, uma ótima cena no game por sinal. Na série a Dina só puxa o assunto do beijo na barraca e fala da nota, como no jogo, e o assunto morre. Uma cena bem fraquinha, realmente falta muita química entre as duas. Este terceiro episódio faz a série se afastar ainda mais do jogo e enfraquece os personagens. O episódio não é só um dos episódios mais fraco da temporada, como ele prejudica os personagens do Tommy e da Ellie. Por deixarem eles muito enfraquecidos, sem aquele sentimento de ódio e vingança.
O episódio 4 inicia com uma cena do Isaac Dixon (Jeffrey Wright) no passado onde mostra a sua troca de aliança da FEDRA para a WLF. Logo após temos aquela cena onde ele tortura um Serafita para conseguir informações a respeito da localização do seu grupo (por sinal, uma cena bem fiel ao jogo). Por fim nesse episódio temos uma das cenas mais icônicas da história dos jogos de videogames; que é justamente a cena na loja de instrumentos musicais em que a Ellie toca no violão e canta a belíssima canção "Take On Me" do a-ha para a Dina. Esta cena é linda, é tocante, é profunda, é emblemática, pois na primeira vez que eu joguei o jogo eu me emocionei nessa cena, e na série eu tenho que aplaudir de pé esta cena, pois ficou perfeita, não devendo em absolutamente nada à cena no jogo. Sem falar que nessa cena a Bella Ramsey e a Isabela Merced deram um verdadeiro show de atuações. Temos a cena do subsolo do metrô, que foi encurtada mas ficou boa. Curiosa a cena em que a Ellie deixa ser mordida para salvar a Dina, uma parte que não existe no jogo. Dado o contexto da mordida na Ellie a Dina fica extremamente confusa e perturbada, sem saber como agir no momento, naturalmente ele se vê ameaçada. Esta cena é boa até a parte em que a Dina enfim revela para a Ellie que está grávida e as duas caem em uma cena sexual completamente patética.
Nesse quarto episódio claramente vemos uma Ellie totalmente diferente do jogo, pois no jogo após a morte do Joel a Ellie se apresenta totalmente fechada, sombria, obscura, introspectiva, morta por dentro, o tempo todo você percebe o seu desejo e sua fúria pela vingança. Na série isso tudo é deixado de lado, tudo é muito leve, muito vago, muito raso, parece que as duas estão apenas em uma aventura na floresta curtindo e se divertindo, falta peso, falta emoção, falta dor, falta fúria, falta aquele ódio da Ellie que ela expressa apenas no olhar na capa original do jogo. Nesse quarto episódio claramente vemos que as coisas estão sendo muito atropeladas pelos acontecimentos, tudo muito corrido, com uma urgência em passar logos os acontecimentos. Nesse episódio vemos uma Ellie como a figura da boazinha, muito compassiva, muito complacente, que aceita tudo, como no caso da revelação da gravidez da Dina, que no jogo temos um diálogo pesado entre as duas, onde a Ellie é extremamente dura com a Dina e até revela que sim, que a Dina tinha se tornado um fardo pra ela, como a própria Dina havia mencionado em não querer ser ao ter escondido a sua gravidez. Por outro lado o que temos na série é a cara de pamonha da Ellie dizendo: "eu vou ser pai"! Definitivamente não dá!
O episódio 5 começa com um ponto muito importante no jogo mas que até então nunca tinha sido mencionado na série - que é a questão dos esporos de Cordyceps. Já na parte do teatro, no jogo na primeira vez que a Ellie sai após chegar ao teatro não é com a Dina, ela sai sozinha visto que a Dina estava passando mal por causa da gravidez. Na série elas vão juntas, a Dina está bem, elas estão a pé, até porque elas simplesmente esqueceram a égua Estrela na loja de instrumentos musicais no episódio passado (no jogo a Estrela é atingida por um explosivo plantado no chão junto com a Ellie). Temos aquele ótimo discurso da Dina sobre sua primeira morte na infância, que soa como um tapa na cara da Ellie sobre a sua vingança pelo Joel. O que me parece que a Dina sente mais desejo de vingança do que a própria Ellie - ridículo isso! O Jesse aparece para ajudar, só que no jogo ele aparece para ajudar a Ellie que está sozinha, já na série ele ajuda as duas. E como eu estava imaginando em como eles iriam encaixar o Tommy nessa história, o Jesse revela que ele veio com o Tommy atrás das duas para resgatá-las de volta. Ou seja, o Tommy só está ali para resgatar as meninas e não pelo seu desejo de vingança - ridículo mais uma vez!
O episódio continua com a Ellie, a Dina e o Jesse fugindo de uma perseguição dos soldados da WLF, quando eles são emboscados em um local onde presenciam os Serafitas estripando um soldado da WLF. Nesse momento a Dina é atingida na perna por uma flecha e carregada dali pelo Jesse (isso não acontece no jogo). Esta foi a forma que arrumaram para retirar a Dina e o Jesse do local para a Ellie seguir sozinha atrás da Nora (Tati Gabrielle). A cena da Ellie contra a Nora ficou boa, finalmente eu vi um pouco da caracterização da Ellie do jogo na Bella Ramsey, pois ela até consegue mostrar um pouco da sua fúria em suas expressões ao atacar a Nora. E mais uma vez na cena a Ellie ataca a Nora batendo em suas pernas e não na cabeça como no jogo. Por essas e outras que o jogo sempre será superior à série, pois no jogo não temos estas censuras como nessa cena da Nora e na morte do Joel.
O episódio 6 começa com uma cena um tanto quanto curiosa, que é justamente uma cena no passado, em Austin, no Texas, em 1983, com o policial interpretado pelo sempre maravilhoso ator Tony Dalton. Esta cena apresenta o Joel com seu irmão Tommy em uma situação com seu pai que era policial, e no futuro esta cena fez sentido na formação do caráter do Joel. Este episódio é voltado para os dias dos aniversários da Ellie no passado com o Joel. A parte do aniversário da Ellie no museu é bem curta, como eu já imaginava, porém a parte da capsula espacial é muito boa e muito fiel ao jogo. O engraçado desse episódio são as passagens de tempo de acordo com cada ano de aniversário da Ellie, e a Ellie continua exatamente do mesmo jeito, não tem crescimento, não tem mudança, só uns detalhes aqui e acolá, como no cabelo, na sobrancelha, até porque obviamente é a mesma atriz o tempo todo (este é um diferencial no jogo). Outro ponto interessante nesse sexto episódio é o fato da série mostrar a parte do Eugene quando ele foi mordido e como o Joel matou ele, já que isso não existe no jogo. No jogo ele é apenas citado mas já está morto. Curioso que a Ellie aproveita a oportunidade para desmentir o Joel em relação ao Eugene, já que ele havia mentido para a Gail quanto à sua morte. A Ellie aproveitou a ocasião para expor aquela mentira do Joel por ele também já ter mentido para ela como já sabemos de toda a história. O final desse episódio temos aquele diálogo pesado, emocionante e bastante revelador entre a Ellie e o Joel na varanda da casa do Joel. Por sinal, uma cena belíssima e completamente fiel ao jogo.
O episódio 7 marca o fim da segunda temporada:
O episódio começa com a cena do Jesse ajudando a Dina com a flecha em sua perna, que é uma cena que não existe no jogo mas na série ficou boa. Temos a cena da Ellie no teatro com Dina cuidando dos machucados em suas costas, por sinal outra cena bastante fiel ao jogo. Esta cena é curiosa por vários pontos: primeiro a Ellie abalada pelo seu embate com a Nora, sendo que ela revela para a Dina que não matou a Nora (Ai não!!!). Depois a Ellie revela para a Dina como tudo ocorreu naquele dia do ataque do Joel ao hospital, incluindo a morte do pai da Abby, o que faz sentindo para a Dina entender tudo de uma vez. Logo após a Ellie e o Jesse vão tentar encontrar o paradeiro do Tommy, e curioso que a partir daí temos alguns diálogos bem pertinentes entre o Jesse e a Ellie; como no fato do Jesse revelar para a Ellie que ainda ama a Dina, e a própria Dina já havia revelado para a Ellie na cena da barraca que ainda gostava dele, curioso. Tudo isso não existe no jogo, não dessa forma específica. Outra discursão entre a Ellie e o Jesse envolve justamente na decisão dele querer ir encontrar o Tommy e ela ir atrás da Abby. Obviamente a Ellie vai de barco na direção do aquário na esperança de encontrar a Abby.
A cena da Ellie indo de barco até o aquário estava se desenrolando muito bem, até pelas enormes ondas, como justamente acontece no jogo. Porém colocarem esta cena dos Serafitas capturando a Ellie e a levando para sua ilha foi mais uma falha grotesca dessa série. Sinceramente eu não entendi qual o propósito dessa cena em específico, às vezes poderia ser apenas um gancho para nos mostrar o grupo dos Serafitas para a próxima temporada, que sim lá eles terão muito mais relevância. Mas já havíamos presenciado cenas com os Serafitas anteriormente. Outro ponto, é o fato dessa cena ser exatamente igual com a cena do jogo na parte da Abby quando ela é capturada pelos Serafitas, onde ela conhece a Yara e o Lev, que é uma parte muito importante da história da Abby no jogo. Sinceramente eu não entendi!
Por fim a Ellie chega no aquário de Seattle. No jogo assim que ela entra no local ela logo mata a cadela da Mel, a Alice. Mas adivinhem!!! Na série simplesmente a cadela Alice, que sim no jogo é extremamente importante, não existe. E então temos a cena que a Ellie enfrenta o Owen (Spencer Lord) e a Mel (Ariela Barer). Esta cena no jogo é excelente, pois a Ellie chega no local procurando a Abby e sai matando a sangue frio todo mundo que atravessa em seu caminho, incluindo a cadela Alice, o Owen e a Mel. Na série esta cena é absurdamente ridícula, pois a Ellie dá um tiro no Owen que de raspão pega no pescoço da Mel. O Owen obviamente morre mas a Mel ainda fica agonizando, sabendo que iria morrer ela revela que está grávida para a Ellie e pede para a Ellie fazer uma incisão em sua barriga para tentar retirar seu bebê ainda com vida. Uma cena absurdamente patética e deplorável, e mais uma vez temos uma Ellie na série completamente diferente da personalidade da Ellie do jogo, pois no jogo a Ellie também lamenta por ter matado a Mel grávida, mas é só. Na série a Ellie claramente não queria matar a Mel, ela morre quase como um acidente, e ainda a Ellie iria tentar salvar o seu bebê por compaixão - ah, faça-me um favor! Definitivamente esta Ellie é muito bunda-mole!
Logo após esta cena o Tommy e o Jesse aparecem para resgatar a Ellie do local e retornarem juntos para o teatro. Esta cena final do teatro é muito boa e completamente fiel ao jogo, onde até os diálogos são parecidos com o jogo. A seguir temos a cena que a Abby invade o teatro e ataca o Tommy, juntamente com a parte da morte do Jesse, que é exatamente igual ao jogo. Esta cena é mais uma que merece aplausos, pois temos aqui uma ótima cena, com um ótimo nível de fidelidade, sem falar na atuação da Kaitlyn Dever, que dessa vez eu gostei. No fim a Abby dispara contra a Ellie, mas naturalmente não aconteceu absolutamente nada, apenas para compor um impacto de fechamento. O corte seguinte é exatamente a cena da Abby na base do Isaac voltando para o dia 1, ou seja, obviamente uma apresentação para a terceira temporada da série, que será inteiramente focada na história da Abby.
Sobre o elenco:
Um dos principais pontos que na minha visão fizeram esta segunda temporada decair tanto em relação a primeira é exatamente a atriz Bella Ramsey. Na minha análise da primeira temporada eu elogiei a performance da Bella com todos os méritos possíveis, justamente por ela entregar uma atuação perfeita, com um timming perfeito, muito bem ajustada na personagem, onde ela soube incorporar com muita maestria a verdadeira Ellie do jogo. A Bella Ramsey superou e calou todos os críticos que julgaram a sua escolha, principalmente pela sua aparência com relação a Ellie do jogo. Porém, na primeira temporada a Bella Ramsey encaixou perfeitamente sendo aquela Ellie com 14 anos e não sendo uma Ellie já adulta com 19 anos. Você olha para a Bella e você jamais irá comprar a ideia que ela é a Ellie adulta, sendo que ela está exatamente igual na primeira temporada, por mais que ela apresente algumas mudanças como o cabelo, a sobrancelha e a tatuagem sobre a queimadura no braço. Este é o principal ponto da Bella Ramsey nessa segunda temporada.
E aqui eu preciso frisar que o problema em si não é somente da atriz Bella Ramsey e sim de quem a escalou para continuar vivendo a Ellie do segundo jogo, e principalmente a forma como o roteiro quis encaixá-la na trama da segunda temporada. O maior problema que eu vejo na Bella sendo uma Ellie adulta é justamente o fato dela não conseguir convencer sendo aquela Ellie do jogo, com aquele ódio, com aquele desejo de vingança, aquela fúria que a deixava completamente cega e sedenta por vingança. Uma Ellie completamente traumatizada e depressiva que iria matar qualquer um que atravessasse em sua frente. A Ellie do segundo jogo você já se impressiona ao olhar para a capa original do jogo, onde mostra uma pessoa seca, amargurada, vazia, obscura, sombria, infeliz, completamente morta por dentro. E o ponto aqui é justamente esse na atuação da Bella Ramsey, em não passar esta personalidade da Ellie do jogo, muito pelo contrário, a Ellie da Bella é totalmente pacifista, submissa, complacente, boazinha, bobinha, que aceita todas as ordens que lhe são impostas (como na cena ridícula do conselho). Jamais você irá comprar aquela ideia que aquela Ellie esteja realmente em uma missão de vingança, pelo contrário, em vários momentos a série suaviza ela demais, a humaniza demais, a descaracteriza demais, onde ela nitidamente não se impõe como aquela Ellie do jogo.
Outro ponto em relação a Ellie da Bella Ramsey, é o fato da série querer forçar que ela nunca quis matar ninguém, além da própria Abby. Pois me parece que ela não quis matar o Owen, nem a Mel e não matou a Nora. E pasmem, na cena final da temporada ainda nos deixa com a sensação como se ela também não quisesse matar a própria Abby - ai já é demais! E tem mais: parece que a única preocupação dessa Ellie na série é com o filho da Dina, em querer voltar logo para casa, em se tornar pai. Enfim! Eu gosto muito da atriz Bella Ramsey, acho ela muito talentosa, que já se provou em seus trabalhos passados, como em "Game of Thrones" e na própria primeira temporada de "The Last of Us". Porém, nessa segunda temporada ela não se encaixou na personagem, ela não conseguiu aquela essência da Ellie como ela havia conseguido na primeira temporada. Sendo assim eu concluo que manter a Bella Ramsey como a Ellie adulta nessa segunda temporada foi um completo erro.
Outro personagem que foi extremamente prejudicado pelo roteiro foi o Tommy. O ator Gabriel Luna também teve uma ótima participação na primeira temporada. Já nessa segunda ele foi muito prejudicado pela decisão do roteiro em mudar a parte que ele estaria com o Joel na cena da morte. A partir dali transformaram o Tommy em um bunda-mole, em um personagem onde claramente não dava a mínima pela vingança do seu irmão, um completo pau-mandado onde a sua esposa que dava as ordens do que ele deveria fazer, e depois ele foi completamente esquecido na série. Ou seja, o Tommy foi um personagem completamente subutilizado, completamente inútil, onde o roteiro dessa segunda temporada o prejudicou em todos os sentidos (assim como fez com a Ellie da Bella). Mais um que não passa perto do seu personagem no jogo.
Pedro Pascal manteve o mesmo nível da primeira temporada, ou seja, esteve excelente como Joel em suas poucas apresentações. Pedro é um ator espetacular, ele consegue um nível absurdo de caraterização, como nas cenas dos embates com a Ellie, na cena da sua morte e no episódio dos aniversários da Ellie no passado. Em todas as suas aparições ele esteve 100% perfeito e 100% fiel ao Joel do segundo jogo.
A Isabela Merced é um verdadeiro colírio para os meus olhos. Antes de mais nada eu quero deixar bem claro que a minha personagem preferida no segundo jogo é a Dina, sim, a Dina! Eu conheço e acompanho a carreira da Isabela Merced há muitos anos, desde os seus primeiros trabalhos até o mais relevante do seu início de carreira, "Transformers: O Último Cavaleiro" (2017), onde na época ela ainda usava o seu nome artístico como Isabela Monet (depois ela mudou para Merced por causa de um acontecimento pessoal). Ou seja, quando escalaram a Isabela para viver a Dina eu fiquei extremamente feliz, pois eu sabia que não tinha como dar errado, visto que ela sempre foi uma atriz talentosíssima, como muita entrega no personagem, e não deu outra, a Dina da Isabela Merced é maravilhosa. A Isabela consegue entregar uma Dina muito fiel ao jogo, muito bem caraterizada, muito bem estudada, muito bem trabalhada, sendo extremamente carismática, simpática, doce, um amor, cuja sua performance é tão boa, tão elegante, que chega a ofuscar o brilho da protagonista Bella Ramsey em praticamente todas as cenas em que as duas atuam juntas. E vamos combinar né....a Isabela Merced é muito linda!
Young Mazino é outro ator que conseguiu um ótima caracterização do Jesse do jogo, por mais que em alguns momentos ele destoe um pouco do personagem por algumas conversas e atitudes. Mas no geral ele esteve muito bem como Jesse e não comprometeu em nenhum momento.
A Kaitlyn Dever como Abby eu já mencionei praticamente tudo que eu penso acima na análise do segundo episódio. Já expliquei o porque de eu não ter gostado da escolha dela para viver a Abby. E aqui a culpa não é da atriz e muito menos da sua performance, que pra mim fica devendo na cena da morte do Joel, mas ela compensa na cena do teatro no último episódio. Kaitlyn Dever é uma ótima atriz, tem ótimos trabalhos, e eu acredito que ela entregará uma excelente atuação na terceira temporada, visto que ela será a protagonista e a dona da temporada.
Completando o elenco:
Rutina Wesley tem muito mais tempo de tela nessa temporada e ela soube aproveitá-lo da forma mais precisa. Rutina contracena muito bem com o Gabriel Luna e com os outros, ela consegue mostrar uma imposição bastante interessante (a maria do jogo também se impunha). Ela foi bem!
Robert John Burke que fez o Seth, o ex-policial que administra um bar em Jackson, tem até mais participações na série do que no jogo. Ele faz o básico bem feito e não compromete.
Catherine O'Hara fez a terapeuta do Joel e a esposa do Eugene. Uma personagem original da série que na minha opinião é completamente desnecessária.
Já o Joe Pantoliano que fez o Eugene, marido de Gail, aparece apenas em um único episódio. De qualquer forma ele ainda existe no jogo e ainda teve um contexto na série.
Sobre o elenco do grupo da Abby:
O principal, além da Kaitlyn Dever, é o Jeffrey Wright que faz o Isaac. Interessante que o Jeffrey repete o seu próprio papel do jogo, e aqui, até por razões óbvias, ele está impecável, excelente, sendo de longe um dos melhores personagens em termos de caracterização entre a série e o jogo.
Spencer Lord não me convence como Owen. O mesmo também vale para a Ariela Barer como Mel. Porém, acredito que na terceira temporada eles serão muito mais relevantes (como no jogo), o que poderá melhorar muito a atuação de ambos, já que nessa temporada é bem fraca.
Por outro lado temos a Tati Gabrielle que fez a Nora. Esta sim conseguiu me convencer perfeitamente sendo a Nora, e olha que ela teve pouco tempo de tela, mas em seu episódio com a Bella Ramsey ela já se mostrou muito bem caracterizada na personagem. Com toda certeza ela estará incrível na terceira temporada.
E por fim o Danny Ramirez como Manny, que no jogo tem uma grande importância no grupo da Abby. Outro ator que eu também aposto que estará muito bem na terceira temporada.
Sobre as qualidades técnicas:
Tecnicamente a segunda temporada continua na mesma linha da primeira, sendo uma verdadeira obra-prima. O maior destaque da temporada continua sendo a direção de arte que produz cenários impecáveis e completamente condizentes e fiéis ao jogo. A caracterização da equipe de maquiagem e efeitos é novamente um absurdo. Pois nessa temporada temos mais ações envolvendo os infectados, até com variações deles, coisa que ficou um pouco devendo na primeira temporada. A cenografia salta aos nossos olhos, e muito por nos surpreender com uma fotografia completamente maravilhosa. De fato a direção de fotografia da série é um dos pontos mais fiéis ao jogo. A trilha sonora acompanha com muita maestria todas as qualidades técnicas da série, e não era pra menos. A segunda temporada continua com um trabalho técnico e artístico de altíssimo nível.
Agora eu preciso questionar sobre o roteiro dessa temporada:
Os senhores Craig Mazin e Neil Druckmann, que eu elogiei bastante na primeira temporada, dessa vez perderam a mão. E aqui a crítica é direcionada para a produção e roteiro. Um ponto que eu elogiei bastante na primeira temporada foi justamente o fato dos roteiristas seguirem um roteiro mantendo toda a essência e teor do jogo, por mais que tivemos algumas mudanças. Pra mim este foi o grande acerto da primeira temporada. O que me decepciona bastante nessa segunda temporada é exatamente a mudança de teor e essência que eles aplicaram no principal conteúdo do segundo jogo em relação com a série, pois o jogo é pesado, cruel, sombrio, mórbido, tenso, sobre vinganças, sobre dores, sobre perdas, sobre luto, sobre traumas, com um alto nível de violência, pânico e terror. O que acontece na série é exatamente ao contrário, eles suavizaram demais, eles humanizaram e descaracterizaram demais os personagens, eles retiraram todo esse peso, esse sentimento de ódio, dor, fúria e principalmente a vingança. E a personagem da Ellie na série é a personificação de toda essa mudança que eu acabo de mencionar.
Acredito que eles optaram em seguir por este caminho de suavizar a série para justamente não elevar a classificação indicativa e conseguir atingir todos os públicos. E aqui eu preciso deixar bem claro que eu entendo que estamos falando de uma adaptação de um jogo de videogame para o audiovisual, e que uma adaptação obviamente nunca irá seguir à risca da obra original, porém, eu defendo o fato de criar, de mudar, de usar uma liberdade criativa e até mudar alguns pontos ou alguns acontecimentos, mas uma coisa tem que ser respeitado em uma adaptação; tem que manter a essência do jogo, tem que respeitar o universo original que já está criado e eternizado, pois obviamente mesmo sendo uma adaptação, mas se não existisse o jogo a série jamais existiria. Então esse discurso batido de redes sociais de: "quer fidelidade vai jogar o jogo", pra mim não cola.
E aqui eu preciso destacar justamente essas mudanças que não fazem sentido e ainda prejudicam o andamento da narrativa na história.
Você nota que eles perderam a mão na temporada na questão de suavizar e descaracterizar a Ellie, quando justamente eles querem colocar a Ellie em situações adversas para motivá-la a despertar o seu ódio e o seu desejo de vingança, como se de alguma forma isso fosse dar um choque de realidade na Ellie (que vive em Nárnia) para ela se lembrar da sua missão de vingança (pois claramente parece que ela esqueceu). Estou falando daquela cena patética no último episódio do garoto Serafita que estava sendo capturado pelos soldados da WLF. Por falar em Serafitas (ou Cicatrizes, como queiram), é impressionante a forma como a série nos apresenta o grupo dos Serafitas. A série coloca os Serafitas como vítimas da WLF, como se eles fossem somente o grupo que é sempre maltratado e perseguido pela WLF, subestimando os verdadeiros Serafitas do jogo, que também são extremamente cruéis com qualquer um que não faça parte do seu grupo. Nesse ponto temos mais uma mudança completamente absurda da série, pois no jogo isso nunca existiu, pelo contrário, no jogo não existe lado certo ou lado errado, não existe vítima e nem vilão, todos são vítimas e todos são vilões dos seus atos, cada um luta em prol da sua crença pela sua sobrevivência. Esta mudança exibindo esse olhar sobre os Serafitas e a WLF não faz o menor sentido.
Por fim:
Temos aqui uma segunda temporada de "The Last of Us" muito aquém do que eu esperava. Como já mencionei anteriormente, a série é uma adaptação do jogo e obviamente vão ocorrer mudanças em relação à obra original, mas se você tira o peso do luto, da vingança e da violência da narrativa, você até pode ter uma adaptação aceitável e boa para quem não jogou o jogo, mas definitivamente não representa verdadeiramente o que é "The Last of Us".
Eu lamento, pois eu esperava mudanças (como o próprio Neil Druckmann declarou) mas que não fossem comprometer exatamente a essência do que é o jogo "The Last of Us Part II". Que não fossem retirar o peso da história e suavizar, humanizar e descaracterizar tanto um roteiro, uma narrativa e principalmente os personagens. Este é o ponto que me pega, principalmente o que fizeram com a Ellie na série, que é absurdamente inaceitável!
O que resta é aguardar a terceira temporada (que ainda não tem data de lançamento, mas eu aposto por volta de 2027) que será feita no mesmo formato do jogo, com a primeira parte inteiramente focada na perspectiva da Ellie e seu grupo (como já foi), e a segunda parte inteiramente focada na perspectiva da Abby e o seu grupo. Eu acredito que este formato funciona no jogo, mas já para a série eu acho que não irá funcionar assim tão bem; uma vez que esta terceira temporada não teremos os personagens principais como o Joel, a Ellie e a Dina, sendo que na parte da Abby só ela se destaca enquanto o seu grupo é desconhecido. Pode ser que nessa terceira temporada a série venha a perder ainda mais força e relevância com relação a primeira e a segunda.
Como um verdadeiro fã da franquia de jogos "The Last of Us", eu encerro com uma palavra que define completamente o meu sentimento em relação a esta segunda temporada da série - "DECEPÇÃO"!!!
Sem mais!
- 25/05/2025
The Walking Dead: Daryl Dixon (2ª Temporada)
3.6 38🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
The Walking Dead: Daryl Dixon - The Book of Carol (2ª Temporada) 2024
Como um eterno fã de "The Walking Dead" eu achei sensacional a ideia de após o término da série original serem introduzidos novos spin-offs derivados de vários personagens desse universo, já que estávamos órfãos. Esta foi a aposta em "Dead City", "The Ones Who Live" e "Daryl Dixon" (apesar de já existir a série "Fear the Walking Dead").
A primeira temporada de "Daryl Dixon" eu achei interessante e bastante promissora, apesar que em sua grande maioria dos episódios necessariamente não construir um derivado da série principal e soar como uma continuação nos mesmos moldes. Ainda assim eu achei a série funcional dentro do que se propôs, que era expandir o universo do personagem em um outro país, com novos povos, uma nova língua e uma nova variação dos zumbis. Diante desse contexto eu vi que a série tinha potencial, até por focar na continuação da história de um dos principais personagens do universo de "The Walking Dead" - Daryl Dixon.
Diante daquele contato pelo rádio durante uma cena de flashback no final da primeira temporada, obviamente sabíamos que na segunda temporada teríamos a adição da icônica Carol Peletier (Melissa McBride), que retornaria para o universo de "The Walking Dead". Carol é simplesmente uma das personagens mais amadas (se não for a principal) de todo o universo de "The Walking Dead". A lendária Melissa McBride esteve presente em todas as temporadas de "The Walking Dead", onde inicialmente foi apresentada como uma mulher vulnerável, submissa, que sofria com os maus-tratos do marido e depois com dor da perda de sua filha Sophia (Madison Lintz). Diante desse início na série, eu afirmo que a Carol foi a personagem que mais evoluiu e se desenvolveu dentro desse universo, se tornando uma autêntica badass exterminadora de zumbis do mais alto nível, que é exatamente como a conhecemos hoje.
A temporada começa exatamente de onde parou a anterior, onde temos um Daryl indeciso e pensativo sobre a sua decisão em permanecer na França para ajudar na missão em proteger o jovem Laurent (Louis Puech Scigliuzzi) para conseguir o seu retorno para os EUA. Dessa vez Daryl, junto com a Isabelle (Clémence Poésy), é confrontado pela supervisão de Losang (Joel de la Fuente), quando decidem se arriscarem em uma nova missão de resgate. Por outro lado Carol, que ainda está nos EUA, luta para descobrir o paradeiro de seu inseparável amigo Daryl.
Carol já chega na série no seu estilo que já conhecemos (e estávamos com saudades), se impondo como a badass que sempre foi para conseguir o que sempre deseja. E aqui eu já preciso destacar a cena da Carol chegando na frente da porta daquele celeiro, que imediatamente na hora eu já me lembre da icônica cena da Sophia saindo do celeiro na segunda temporada de "The Walking Dead", e não deu outra, tivemos exatamente este flashback como lembranças da Carol. Esta cena da Sophia na série principal é lendária, é icônica, é emblemática, e na minha minha opinião é a cena mais marcante de todo o universo de "The Walking Dead", e obviamente a minha cena preferida de toda a história dessa série.
Por outro lado eu preciso mencionar que esta desculpa que a Carol inventou para convencer o Ash (Manish Dayal) a levá-la até a França é bem questionável, pra não dizer inteiramente ruim. Eu entendo que a Carol também tem esse perfil de manipuladora para conseguir o que sempre quer, mesmo passando por cima de pessoas e sentimentos, e aqui eu vi exatamente este ponto, que é a Carol se aproveitando do sentimento de dor e luto pela perda do Avi, o filho do Ash, para conseguir que ele a levasse até a França sobre a desculpa de procurar a sua filha Sophia, que todos nós sabemos que estava morta há muitos anos. Esta questão pode parecer normal para muitas pessoas, que podem até não ligarem para este contexto, mas no meu caso eu não achei legal.
Um ponto que nunca podemos levar em consideração quando estamos falando do universo de "The Walking Dead" é a verossimilhança nos acontecimentos, que é justamente o que acontece aqui. Pois toda essa conveniência da Carol em achar justamente um sobrevivente que aidna possui um avião dentro desse cenário pós-apocalíptico depois de tantos anos. Mais incrível aidna é o fato do avião estar funcionando perfeitamente para conseguir fazer uma viagem dos EUA até a França dentro daquelas condições, que sim, tem até um defeito que os obriga a fazer um pouso forçado na Groelândia, que por sinal rende até umas cenas interessantes. Sem falar também na outra conveniência da Carol em buscar sozinha o paradeiro do Daryl em um outro país completamente gigante e inicialmente sem nenhuma informação do seu paradeiro, e aqui eu nem estou levando em consideração a dificuldade do idioma. Porém são coisas que realmente temos que ignorar em prol do entretenimento.
Nesse ponto a série se dividi em dois núcleos; a Carol lutando para encontrar o Daryl e a parte do Ninho que envolve o questionável Losang. Este núcleo que envolve toda a história em volta do Ninho é vaga, rasa e completamente descartável, passando por discussões superficiais sobre fanatismo e diferença de classes, onde envolve até uma morte precoce para tentar impactar o espectador. No mais este núcleo é bem chato e desinteressante, pois chega a ser maçante acompanhar toda a trama do Losang (que por sinal é um personagem muito ruim) e seu culto caçando o Laurent.
No quarto episódio temos finalmente o reencontro da Carol com o Daryl, mas por outro lado temos a morte da Isabelle, uma personagem que eu gostava desde a primeira temporada e que tinha um potencial dentro da série. Aqui eu já acho que esta morte entra no mesmo critério que estamos acostumados dentro do universo de "The Walking Dead". Ou seja, sempre colocar uma morte de um personagem principal para tentar gerar, ou criar, um impacto no espectador, mas que no fim não funciona como esperavam. Nada mais do que "The Walking Dead" sendo "The Walking Dead", e infelizmente eu já estou acostumado com estas decisões sempre questionáveis dos roteiristas.
No mais a série continua no caminho dos embates com uma nova facção de sobreviventes do Ninho na caçada ao Laurent. Já o Daryl luta com suas crises existenciais para se perdoar, enquanto a Carol finalmente conta toda a verdade para o Ash. Obviamente o Ash fica indignado com a Carol por ela ter simplesmente o manipulado para conseguir o que queria, e não era pra menos, pra mim a Carol se aproveitou de um sentimento de luto e dor do Ash em prol dos seus desejos próprios.
E por fim chegamos no último episódio dessa segunda temporada; onde temos toda a estratégia de fuga de avião da França, onde o Ash consegue levantar voo diante daquele confronto entre os lados e proteger o Laurent. A ideia inicial era que a Carol partisse junto com o Ash e o Laurent de avião, porém ela pula do avião para protegê-los durante a partida, sendo assim ela fica junto com o Daryl. A parte final do episódio é bem intrigante e questionável, onde temos a sequência de cenas no túnel com zumbis bioluminescentes e alucinações causadas por fezes de morcegos. Diante deste cenário temos alucinações da Carol revendo, mais uma vez, a sua filha Sophia, e o Daryl também revendo a Isabelle. E assim termina o episódio nos deixando com várias dúvidas e vários questionamentos acerca da próxima temporada.
O elenco da série se resume exclusivamente no Norman Reedus e na Melissa McBride. Um ponto interessante dessa dupla é justamente o fato de termos somente uma dupla de velhos amigos e não um casal, como a série adora fazer com outros personagens, e que na maioria das vezes acaba não dando certo. Dessa forma a química e a sintonia entre eles é muito notável e funciona em perfeita harmonia dentro da série, praticamente um completa o pensamento e as atitudes do outro. Norman entrega o faz de melhor na pele do lendário Daryl Dixon, a verdadeira personificação do personagem, a imortalização do personagem - incrível!
Já adição da Melissa foi certeira, pois ela compõe uma personagem forte, destemida, hábil, persuasiva, manipuladora, enfrentando tudo e todos que se opuser em seu caminho. Sem nenhuma dúvida o Norman Reedus a Melissa McBride compõem a melhor dupla (que não é um casal) de todo o universo de "The Walking Dead".
Completando o elenco temos a ótima Clémence Poésy; uma personagem que eu gosto na série, que na primeira temporada foi a responsável em trazer um novo frescor para a série e para o personagem do Norman Reedus. Nesta segunda temporada ela estava seguindo a mesma linha da primeira e estava indo bem, e eu gostaria que ela estivesse ficado na série ao lado do Daryl, mas infelizmente ela foi a escolhida do roteiro para fazer a famigerada "morte impactante" da temporada.
O jovem ator Louis Puech Scigliuzzi trouxe um personagem que eu questionei bastante na primeira temporada, até por de fato não entender as suas reais motivações dentro da série, o seu verdadeiro objetivo que não fosse ser somente o jovem Messias destinado a guiar a humanidade para uma renovação. De fato ele continua como um personagem vago, vazio, superficial, que não avança em nada, porém pelo menos ele não está muito chato como na primeira temporada.
O ator Manish Dayal traz um personagem que soa até como interessante inicialmente, que é justamente aquele personagem mais cru, mais seco, mais carregado emocionalmente e dramaticamente, que funciona dentro da proposta do roteiro, por mais que esta sua proposta seja um tanto quanto questionável.
O restante do elenco se completa com personagens vagos e bem desinteressantes que não valem a pena serem destacados.
Tecnicamente a temporada anda na mesma linha da anterior, ou seja, um verdadeiro show à parte. Nesse quesito o universo de "The Walking Dead" sempre foi referência, sempre nos entregou trabalhos absurdamente bem feitos. Novamente contamos com nomes como Angela Kang, Scott M. Gimple e Greg Nicotero, o que são sinônimos de excelência do mais alto nível. Ou seja, o desenvolvimento e produção da temporada é muito bem feito, muito bem trabalhado, muito bem arquitetado, onde novamente temos uma excelente ambientação calçada com uma direção de arte com cenários incríveis, que são o verdadeiro contraponto desse universo pós-apocalíptico. Outra referência do universo de "The Walking Dead" sempre foram a construção dos zumbis, que aqui estão ótimos, como aquelas variações dos zumbis mais violentos quando são afetados por aquela espécie de dardos com substância, uma espécie de mutação ainda mais forte. Sem falar nos zumbis que apareceram enterrados na Groelândia e nos zumbis bioluminescentes que apareceram no túnel no final da temporada.
Continuando temos uma fotografia perfeita, onde casava muito bem com cada cena e seus acontecimentos. A trilha sonora também anda no mesmo ritmo, assim como a edição e direção de cada episódio.
Sobre a continuação da série:
Sim, haverá uma terceira temporada de "The Walking Dead: Daryl Dixon". A série foi renovada para a terceira temporada e a previsão é que ela estreie ainda em 2025. Já existe um teaser disponível para o público, que mostra o início da jornada de Daryl e Carol na Espanha (bem curioso por sinal).
Por fim:
A segunda temporada da série ganha um elemento que é de longe a principal motivação dessa temporada, que é justamente a adição da incrível Melissa McBride. A adição da Carol foi uma decisão muito acertada, e justamente por ela ser a melhor amiga do Daryl e assim poder junto dele dividir todo o protagonismo da série. A segunda temporada ganhou muito com a presença da Carol, pois assim ela reviveu uma dupla emblemática do universo de "The Walking Dead", que juntos construíram cenas impactantes com bastante química e sintonia. Sem falar que o roteiro aidna trouxe arcos pessoais de ambos os personagens que remexeu em suas feridas do passado, o que os obrigavam a enfrentar os seus medos e seus traumas.
A temporada também melhora nos embates, na violência dos ataques e nas mortes, que é também um ponto que merece destaque pela chegada da Carol na série, que junto do Daryl construíram aquela velha dupla de exterminadores de zumbis que tanto amamos dentro desse universo.
Já por outro lado o desenvolvimento das partes iniciais (principalmente dos primeiros episódios) é muito ruim, pois aquele núcleo que envolve o Ninho junto com o Losang é muito ruim, chegando a ser maçante e desinteressante de acompanhar. Especificamente falando dessa parte na temporada, eu acho que aqui é o ponto que mais destoa na série, pois temos um núcleo confuso, genérico, superficial em torno do apático Laurent, que acaba trazendo um tom mais sentimental e mais melodramático, do que de propriamente aquela ação misturada com um terror, que de certa forma é a grande marca desse universo.
Porém, ainda assim a temporada se sobressai em comparação com a primeira, e muito disso se deve exclusivamente a entrada da Carol na série.
Agora é aguardar o que a terceira temporada estará preparando para nós, visto que já temos informações que a série se expandirá para novos países como Inglaterra e Espanha. É praticamente uma turnê mundial da Carol Peletier e do Daryl Dixon.
- 25/05/2025
Better Call Saul (6ª Temporada)
4.6 435 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (6ª Temporada) 2022
A sexta e última temporada de "Better Call Saul" estreou em 18 de abril de 2022, nos Estados Unidos, e concluiu em 15 de agosto de 2022. A temporada de treze episódios foi dividida em duas partes; a primeira consistindo dos primeiros sete episódios concluiu em 23 de maio, antes de retomar com a segunda metade consistindo dos seis episódios finais em 11 de julho.
Os primeiros nove episódios acontecem principalmente em Albuquerque, Novo México, em 2004, quatro anos antes de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) começar sua associação com os cozinheiros de metanfetamina Walter White (Bryan Cranston) e Jesse Pinkman (Aaron Paul). A temporada mostra a evolução de Jimmy para o personagem homônimo, o advogado de defesa criminal " Saul Goodman ", enquanto ele e sua esposa Kim Wexler (Rhea Seehorn) executam seu plano para forçar uma resolução do caso Sandpiper, arruinando a carreira de Howard Hamlin (Patrick Fabian). Simultaneamente, retrata Lalo Salamanca (Tony Dalton) buscando vingança contra Gus Fring (Giancarlo Esposito) por orquestrar uma tentativa de assassinato contra ele. Os episódios restantes acontecem principalmente em 2010, após os eventos de "Breaking Bad", e mostram Saul vivendo em Omaha, Nebraska, sob o pseudônimo de "Gene Takavic", se escondendo das autoridades após a morte de Walter.
Como já é de praxe, a sexta temporada inicia exatamente onde terminou a quinta, nos mostrando o Lalo com aquela sua sede de vingança contra o Gus pelos últimos acontecimentos que envolve justamente o Nacho (Michael Mando). O interessante é o fato de todos acharem que o Lalo estivesse realmente morto, mas além dele estar vivo, ele arruma um jeito de entrar em contato com o Hector Salamanca (Mark Margolis) para avisá-lo que irá conseguir sua vingança contra o Gus. O principal alvo do momento, tanto do Lalo quanto do Gus, é o Nacho, que mesmo com a ajuda do Mike para que o Gus reconsiderasse a ajudá-lo, mas o Gus está irredutível e decide jogar toda a culpa em sua conta. Dessa forma o Nacho passa a fugir incansavelmente, até que os famosos gêmeos Salamancas vão ao seu encalço (muito bom poder rever os gêmeos em ação novamente). No fim o Nacho decide entrar em um acordo e se entregar, onde temos aquela icônica cena com o Nacho entre o Gus e os líderes do Cartel Mexicano, onde o Nacho conta tudo e por fim acaba dando um tiro em sua própria cabeça, pondo um fim na história do incrível Nacho Varga no universo de "Breaking Bad".
Partindo para o núcleo do Saul Goodman, podemos logo observar que ele deixou aquele fundo daquela loja de manicure e conseguiu outro local para fazer os seus atendimentos. Logo também observamos que ele continua elaborando aquele plano, junto com a Kim, para retirar de vez o Howard do caso Sandpiper. A ideia do Saul é retirar o Howard do caso para lucrar sozinho toda a grana, dessa forma o Saul passa a arquitetar vários golpes para incriminar o Howard como se ele estivesse usando cocaína, e no fim todo o plano do Jimmy/Saul acaba dando certo.
Continuando no caso do Gus, que está paranoico com a possibilidade do Lalo estar vivo, onde o próprio Mike também acredita que o Lalo esteja realmente morto. Por outro lado o Lalo vai fundo em sua investigação para descobrir todos os esquemas do Gus envolvendo os seus restaurantes e sua lavanderia. Já no lado do Jimmy/Saul, que está em um momento tranquilo com a Kim, quando de repente tem uma visita inesperada do Howard que acusa o Jimmy por tudo que aconteceu com ele. É nessa cena que simplesmente aparece o Lalo na casa do Jimmy e dá um tiro na cabeça do Howard, pondo fim em outro personagem desse universo. A partir daí temos vários acontecimentos envolvendo a Kim indo confrontar o Gus, onde tudo não passava de uma armação do próprio Lalo para montar uma emboscada na lavanderia para finalmente pegar o Gus. Este é o grande confronto da temporada e talvez da série, onde logo o Lalo apaga os capangas do Gus e o mantém como refém. Esta cena com o embate entre o Gus e o Lalo é sensacional, onde o Gus sai como vencedor pondo um fim no imparável Lalo Salamanca.
Temos um salto no tempo na temporada, onde finalmente temos o Jimmy McGill em sua maior e mais notável forma do famigerado Saul Goodman. Nesse episódio (o décimo primeiro) temos as participações mais do que especiais do Walter White e do Jesse Pinkman, retornando junto com o Saul ao icônico universo de "Breaking Bad". Esta parte temos um ponto específico do Walter e do Jesse explicando para o Saul sobre os seus negócios (que já sabemos) e no que eles precisavam da ajuda do Saul.
A partir do décimo episódio temos várias cenas e vários acontecimentos em preto e branco, o que de certa forma virou uma marca dos inícios das temporadas. Temos os acontecimentos a partir da cena da temporada passada, onde temos o Jimmy sendo reconhecido por um taxista local e ele tentou disfarçar. O Jimmy/Saul começa a fazer um golpe, o que fatalmente não será uma única vez, como no caso dos golpes no shopping para roubar as lojas. Seguindo adiante o Jimmy meio que fecha um acordo com o taxista para embriagar os passageiros e roubar suas casas juntamente com seus dados bancários. Um fato curioso desse período na vida do Jimmy, é justamente o dia que por alguma razão ele decide ligar para a Kim, que naquele momento estava vivendo sua vida pacata na Flórida. Entre golpes e mais golpes do Jimmy junto com o taxista Jeff (Pat Healy), quem realmente ajuda na queda do Jimmy é a Marion (Carol Burnett) a mãe do Jeff, que já estava desconfiada daquela aproximação e acaba descobrindo o Jimmy como um golpista. Temos então um confronto entre o Jimmy e a Marion, onde ele acaba fugindo mas logo é pego pela polícia local.
Agora eu preciso destacar a parte final da temporada, onde temos acontecimentos até então inimagináveis dentro do universo de "Breaking Bad". Quando o Jimmy/Saul é capturado cai sobre ele todas as acusações, ainda mais com o fato do Walter está morto, o Hank também está morto e o Jesse foragido (entenda-se que estamos falando aqui de um futuro pós finalização de "Breaking Bad"). Ou seja, nesse momento o único acusado que ficou responsável por tudo que aconteceu em "Breaking Bad" era o Saul. O Saul por sua vez se defende das acusações alegando que era coagido pelo Walter para fazer tudo que ele fez, o que teoricamente não deixa de ser uma verdade. Porém, como o Saul é muito hábil e astuto nesse mundo do crime, com sua inteligência e sua lábia ele consegue reduzir consideravelmente a sua pena, que deveria ser prisão perpétua. Por outro lado o Saul vive em conflito com sua mente em relação à Kim, já que a própria ficou muito perturbada com tudo que fez na vida e decidiu desabafar todo o ocorrido justamente com a viúva do Howard - por sinal uma cena muito impactante.
Por fim chegamos no julgamento do Saul, que justamente estava perturbado mentalmente sobre a Kim, e ela está presente no tribunal do seu julgamento, o que o leva a jogar toda a merda no ventilador e confessar tudo que fez em sua vida. Dessa forma o Saul conta tudo no tribunal, falando até da morte do seu irmão Chuck e se colocando como o principal responsável, o que me deixou completamente boquiaberto nesse momento. Temos até uma bela cena do Jimmy com o Chuck, e logo após o Jimmy revela que seu nome é Jimmy mesmo e não Saul, praticamente se desfazendo do seu famigerado pseudônimo para manter a sua consciência livre e limpa (como se fosse possível). Após o julgamento o Jimmy é condenado e encaminhado para a prisão onde ele passará os últimos anos de sua vida. E no fechamento da série temos a cena em que a Kim (visualmente bem diferente, por sinal) vai até a prisão falar com o Jimmy, eles meio que se acertam na medida do possível e ficamos com a última visão do Jimmy olhando do outro lado da cerca a Kim indo embora para sempre. E assim se encerra o último episódio da última temporada da série "Better Call Saul".
Sobre o elenco:
De fato "Better Call Saul" jamais sairia do papel sem este incrível elenco que compôs cada temporada, cada personagem e cada acontecimento.
Bob Odenkirk é a alma da série, onde ele veste de um personagem cheio de camadas, de facetas, indo desde o inexperiente Jimmy McGill inicialmente até o inigualável Saul Goodman, até se descaracterizar e se desconstruir da sua principal personalidade ao final. Incrível, Bob Odenkirk é incrível!
Jonathan Banks deu vida a um dos meus personagens preferido de todo o universo de "Breaking Bad". O apoteótico Mike Ehrmantraut é sempre a peça-chave dos acontecimentos, aquele coringa que sempre está presente no local certo e na hora certa. Imensurável como o Jonathan Banks é impecável no universo de "Breaking Bad".
Rhea Seehorn faz uma personagem que desde o começo é aquela famosa ame ou odeie. Na temporada passada eu citei que a Kim estava em sua melhor temporada da série até o momento, e digo que ela se mantém nesse patamar na temporada atual. Realmente a Kim teve um grande crescimento de importância dentro da série, se colocando como peça principal em alguns momentos e fechando com chave de ouro a sua última cena junto com o Jimmy. Belíssimo trabalho da Rhea Seehorn.
Patrick Fabian teve menores participações nessa temporada em específico, e logo foi limado do contexto atual. Porém ele não fica atrás, pois entregou um ótimo personagem ao longo da série, que teve participações pontuais e fundamentais na construção do caráter do Jimmy como Saul.
Michael Mando andou na mesma linha da Rhea Seehorn nas últimas duas temporadas, pois ele também cresceu muito de importância dentro da série e teve um final extremamente impactante.
Tony Dalton não foi um personagem que esteve desde o começo da série mas ele trouxe consigo uma extrema importância para os acontecimentos acerca do Gus. Os embates entre eles foram de tirar o fôlego, nos proporcionando cenas impagáveis. Tony é um excelente ator!
E por falar em Gus Fring; Giancarlo Esposito é o coração da série. Se o Bob é a alma ele é o coração! Eu não tenho mais palavras para elogiar o que o Giancarlo representa para o contexto do universo de "Breaking Bad". Elogiá-lo é simplesmente chover no molhado. Já falei aqui e repito: Giancarlo Esposito é um verdadeiro gentleman na arte de atuar!
Tecnicamente e artisticamente a série "Better Call Saul" é uma obra-prima, pois ela está inserida na mesma linha de "Breaking Bad", sendo assim é mais do que notável e perceptível como tudo aqui funciona em perfeita harmonia e sintonia. Vince Gilligan constrói uma evolução muito notável durante cada temporada e cada episódio, algo que vai além, que o faz se superar em cada quesito; como no caso da produção, direção, edição, mixagem, fotografia, cenografia e direção de arte. É realmente incrível como tecnicamente tudo funciona dentro da série, como no caso da trilha sonora, que é absurda.
A sexta temporada de "Better Call Saul" foi filmada em Albuquerque durante um período de onze meses. Muitos de seus atrasos foram devido à pandemia de COVID-19 e ao ataque cardíaco de Bob Odenkirk no set. A série foi elogiada pelos críticos, principalmente por suas performances, roteiro, visuais, peso emocional e semelhança com "Breaking Bad" (algo mais do que natural) . A primeira metade recebeu quatro indicações no 74º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. A segunda metade recebeu cinco indicações para o 75º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática, a sexta indicação de Bob Odenkirk para Melhor Ator Principal em Série Dramática e a segunda indicação de Rhea Seehorn para Melhor Atriz Coadjuvante em Série Dramática.
No Rotten Tomatoes, a sexta temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com base em 182 avaliações, com uma classificação média de 9,4/10. Já no Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 94 de 100 com base em 20 críticos.
Considerações finais:
Eu sempre deixei muito claro que "Breaking Bad" é a melhor série que eu já assisti na vida, a minha série de cabeceira. Dito isto: poder acompanhar "Better Call Saul" pela primeira vez foi uma experiência inenarrável, um verdadeiro deleite audiovisual. Pois esta série pode me proporcionar conhecer um outro lado dos personagens que teoricamente não eram os protagonistas da série principal. Ou seja, conhecer o seu passado, ou melhor, o seu início dentro desse universo antológico, poder descobrir como cada um deles se tornaram o que conhecemos em "Breaking Bad".
Encerro afirmando que "Better Call Saul" é uma série excelente, que nos entregou exatamente o que todos nós queríamos, o que todos nós almejávamos, que nos proporcionou voltar ao universo de "Breaking Bad" mais uma vez, e isto para um fã não tem preço. "Better Call Saul" honrou o nome da maior série de TV de todos os tempos!
Vince Gilligan eu te amo!
- 16/05/2025
Better Call Saul (5ª Temporada)
4.6 333 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (5ª Temporada) 2020
A quinta temporada de "Better Call Saul" estreou em 23 de fevereiro de 2020, nos Estados Unidos, e concluiu em 20 de abril de 2020. Assim como as temporadas anteriores, esta também continua no padrão dos dez episódios. Novamente temos o elenco formado por Bob Odenkirk, Jonathan Banks, Rhea Seehorn, Patrick Fabian, Michael Mando e Giancarlo Esposito, sendo acompanhados por Tony Dalton, que foi promovido ao elenco principal de seu papel recorrente na temporada anterior.
A quinta temporada começa exatamente onde a quarta parou, também ocorrendo em 2004, quatro anos antes de Jimmy McGill (Bob Odenkirk) conhecer Walter White (Bryan Cranston ) e Jesse Pinkman (Aaron Paul ) na série principal "Breaking Bad". A temporada mostra a evolução de Jimmy para o personagem titular, o advogado de defesa criminal "Saul Goodman", após recuperar sua licença de advogado, enquanto rejeita totalmente a boa vontade que Howard Hamlin (Patrick Fabian) estende a ele após a morte de seu irmão Chuck (Michael McKean) na terceira temporada. Kim Wexler (Rhea Seehorn) fica consternada com a natureza secreta e esporádica de Jimmy, bem como com sua própria disposição de concordar com os motivos moralmente ambíguos de Jimmy para seguir em frente em seu trabalho de casos judiciais. A presença de Lalo Salamanca (Tony Dalton) em Albuquerque interrompe o negócio legítimo de restaurantes de Gus Fring (Giancarlo Esposito) e sua reputação com o cartel de drogas. Tanto Nacho Varga (Michael Mando), temendo pela segurança de seu pai, quanto Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks), que está lutando para lidar com a morte de Werner Ziegler, ficam presos no conflito de Gus e Lalo, o que acaba atraindo Jimmy e Kim.
Como já virou um padrão dos inícios das temporadas de "Better Call Saul", o primeiro episódio já inicia no famoso pós "Breaking Bad", onde temos o Jimmy/Saul em seu trabalho no shopping vivendo naquela sua paranoia de ser reconhecido por alguém quanto a sua identidade. Tanto que ele esconde sua verdadeira identidade sob seu pseudônimo de "Gene Takavic" quando ele é reconhecido em público. Voltando ao presente da temporada, temos o Jimmy recuperando a sua licença na advocacia e entrando em contato com aquelas pessoas que ele negociou os aparelhos celular nas temporadas passadas para oferecer os seus serviços. Curioso que nesse momento o Jimmy já adotou 100% o uso do seu pseudônimo de Saul Goodman.
Já no outro núcleo da série, o Nacho continua envolvido com os negócios do cartel mexicano após aquele seu golpe anteriormente envolvendo o Hector Salamanca (Mark Margolis). O ponto interessante da história do Nacho é justamente ele estar no meio do embate envolvendo o Gus e o Lalo. Ou seja, o Gus havia percebido aquele plano do Nacho para matar o Hector e o obrigou a trabalhar para ele, enquanto o Lalo, que é sobrinho do Hector, mantém o Nacho sobre a sua supervisão. Esta parte da temporada é muito boa, pois justamente temos aquele jogo de gato e rato entre o Lalo e o Gus, já que o Lalo quer descobrir os negócios do Gus e persegue até o Mike para conseguir chegar no seu objetivo, que por sinal ele quase consegue. O Nacho Varga vira praticamente o personagem central dessa parte da trama, pois ele precisa seguir as ordens do Gus, uma vez que o Gus está ameaçando o seu pai, enquanto ele também precisa de alguma forma ganhar a confiança do Lalo e não levantar nenhuma suspeita.
Dentro de todo este contexto entre Lalo e Gus, o próprio Saul entra na jogada como advogado de defesa contratado pelo Lalo para defender o Krazy-8 (mais um do universo "Breaking Bad"). Nessa fase da temporada temos a entrada do emblemático agente da DEA, o grande Hank Schrader (Dean Norris), que reprisa o seu papel de "Breaking Bad" entrando na investigação da denúncia feita contra o Gus. Já o Mike fica um pouco de lado, fica mais na sua, tanto que ele começa a beber e arruma algumas confusões indo parar em uma espécie de santuário no México, até ser resgatado pelo próprio Gus que o traz novamente para o jogo. A Kim continua presa no seu mundo, na sua bolha, que é o seu trabalho entre aqueles casos sociais e os casos do Mesa Verde Bank, o que acaba lhe causando um grande transtorno até mental. Por outro lado temos aquela genialidade do Saul ao entrar nesse caso para atrasar os planos tanto da própria Kim quando do Mesa Verde Bank. Depois a Kim descobre este lado da jogada do próprio Saul, o que a deixa chateada e se sentindo traída, e o resultado é um casamento entre a Kim e o Saul assim tipo do nada.
No decorrer da temporada temos algumas reviravoltas, como na parte que o Mike consegue um plano para incriminar o Lalo e ele ser preso. Logo após o Nacho precisa seguir uma ordem do Lalo para colocar fogo em um dos estabelecimentos do Gus, como o Gus sabe de tudo que está acontecendo pelo próprio Nacho ele mesmo coloca fogo em sua própria loja para não levantar nenhuma suspeita. Depois temos a parte em que o Saul é o advogado contratado pelo Lalo para retirá-lo da prisão sobre o preço de uma fiança que o próprio Saul precisa buscar em um deserto, por sinal este episódio do deserto é sensacional. Nessa temporada também temos pequenas participações do Howard (Patrick Fabian), que parece querer se acertar com o Saul de alguma forma, já o Saul só quer mesmo sacanear o Howard, e de certa forma eu até concordo e entendo esta postura do Saul, já que o Howard sempre foi muito falso com o Saul e vice e versa.
Partindo para os episódios finais da temporada, temos a parte em que o Lalo leva o Nacho até seu povo no México e o coloca dentro de sua casa, porém o Nacho faz parte de todo o plano do Gus que queria exterminar todos daquele local incluindo o próprio Lalo. O Nacho consegue cumprir as ordens do Gus e colocar para dentro do local todo o esquadrão do Gus para matar o Lalo, que por sinal são cenas belíssimas de ação e tensão. O Lalo como um autêntico Salamanca que é, consegue escapar por um túnel da casa e volta para exterminar sozinho todo o esquadrão. Nessa altura dos acontecimentos o Lalo já sacou que tudo foi armado pelo próprio Nacho, que ele já tinha fugido do local facilitando o acesso. Ou seja, o Lalo fica furioso pelos planos do Gus envolvendo o Nacho, e assim acaba a temporada mostrando um Lalo com sangue nos olhos para a sexta e última temporada de "Better Call Saul".
Sobre o elenco:
Bob Odenkirk assume de vez a sua identidade de Saul Goodman, deixando para trás todo o seu caráter de Jimmy McGill e entrando de cabeça nesse submundo do Saul que conhecemos em "Breaking Bad". Mais um temporada com uma atuação fantástica do incrível Bob Odenkirk.
Jonathan Banks é aquele ator que sempre mantém um linha certeira de um alto nível de entrega de seu personagem, pois você nunca irá achar uma temporada em que ele esteja mediano ou fraco. O Mike sempre é aquela peça-chave que liga todos os acontecimentos da série, e consequentemente o fantástico Jonathan Banks sempre entrega um trabalho condizente.
Rhea Seehorn está incrível nessa quinta temporada. Ouso a dizer que esta é a sua melhor temporada na série até aqui. Finalmente temos uma Kim que está se desconstruindo, se descaracterizando, saindo daquela pose de boa moça, de estar sempre mantendo a aparência da profissional certinha. Ou seja, a partir do momento em que ela decide atacar o Howard ela acaba acessando diretamente o seu lado mais sombrio, o que culmina diretamente com o atual momento do Saul. Este casal ficará ainda mais interessante na sexta temporada.
Michael Mando é outro que subiu muito de produção nessa temporada, pois agora podemos notar que ele chama pra si todo o protagonismo e toda a responsabilidade dos acontecimentos, e ele estando no meio do fogo cruzado o deixa ainda mais importante dentro da série.
Giancarlo Esposito anda na mesma linha do Jonathan Banks, ou seja seus personagens entregam sempre o que almejamos. É realmente incrível como o Esposito ganha todas as atenções e todo o protagonismo quando ele entra em cena. Ele é um ator absurdo e este seu personagem já ficou imortalizado.
Tony Dalton foi uma adição certeira para o roteiro da série. O Lalo Salamanca foi um personagem já citado em "Breaking Bad" mas que nunca apareceu na série, ou seja a sua aparição em "Better Call Saul" tem muito peso. E de fato o Tony foi muito bem na temporada, conseguiu se colocar como um grande rival do Gus e aproveitou muito bem todo o seu protagonismo, já que ele entrou no espaço deixado pelo Hector Salamanca.
O Patrick Fabian teve uma participação mais contida nessa temporada, se destacando apenas por algumas cenas de embate com Bob Odenkirk, que por sinal são ótimas cenas.
E só pontuando a participação do Dean Norris, que é sempre muito elegante.
Tecnicamente a temporada mantém o mesmo nível das anteriores e consequentemente de todo o universo de "Breaking Bad".
A quinta temporada de "Better Call Saul" foi muito elogiada pelos críticos, principalmente por suas performances e maior tensão em comparação às temporadas anteriores. No Rotten Tomatoes, a temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com base em 185 avaliações. No Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 92 de 100 com base em 16 críticos. Além de receber quatro indicações no 72º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. "Better Call Saul" segue fazendo história!
Encerro afirmando que esta quinta temporada de "Better Call Saul" subiu muito no meu conceito, pois ela consegue unificar vários pontos dentro da série, ela consegue uma grande dose de crescimento e evolução em contrapartida com a desconstrução e descaracterização dos personagens, o que me chamou muito a atenção durante toda a temporada. Sem nenhuma dúvida esta é a melhor temporada da série, que tem tudo para ser superada pela sexta e última temporada de "Better Call Saul".
- 02/03/2025
Better Call Saul (4ª Temporada)
4.4 238 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (4ª Temporada) 2018
A quarta temporada de "Better Call Saul" estreou em 6 de agosto de 2018 e concluiu em 8 de outubro de 2018. A temporada continua no padrão dos dez episódios e foi transmitida pela AMC.
A quarta temporada de "Better Call Saul" ocorre principalmente no ano de 2003, assim como a anterior, porém os últimos quatro episódios ocorrem já no ano de 2004 após um salto no tempo no sétimo episódio. Esta temporada consiste especificamente no fato do Jimmy McGill (Bob Odenkirk) e da Kim Wexler (Rhea Seehorn) estarem lutando pela morte do Chuck McGill (Michael McKean). Howard Hamlin (Patrick Fabian) sofre com uma depressão por acreditar ser ele o responsável pela morte do Chuck, o que acaba por acarretar em seu desligamento do trabalho. Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) começa as inspeções de segurança em Madrigal, desconsiderando o fato de que seu contrato de consultoria deveria ser apenas uma transação de papel. Nacho Varga (Michael Mando) se torna um espião para Gus Fring (Giancarlo Esposito) dentro da organização Salamanca, logo após o próprio Gus desconfiar da sua armação que resultou no derrame do Hector Salamanca (Mark Margolis) na temporada anterior. Gus contrata um engenheiro e uma equipe de construção para começar a construção do "superlaboratório" de metanfetamina sob a lavanderia industrial (o que para nós fãs de "Breaking Bad" já sabemos da importância desse "superlaboratório").
A temporada já inicia em seu primeiro episódio com a já famigerada cena futura em preto e branco, onde temos o Saul no hospital após ter desmaiado em seu trabalho fruto de um ataque de estresse na terceira temporada. Nesse caso o Saul/Jimmy está paranoico com o receio do fato de descobrirem a sua verdadeira identidade de acordo com os eventos que acontecem em "Breaking Bad". Já no presente da temporada temos a chegada da notícia da morte do Chuck no Jimmy e na Kim, onde ambos vão juntos até o local do acidente fatal do Chuck, sua casa. Jimmy está com a sua carteira de advocacia suspensa por um ano e dessa forma ele passa a procurar empregos em outras áreas, mas não deixa de aplicar os seus golpes.
O Mike volta a trabalhar na portaria do estacionamento porém ele está ganhando o dinheiro da Madrigal quando ele passa a assumir o controle de segurança do local. Podemos observar que o Mike usa esse caso como uma espécie de lavagem de dinheiro pelas operações secretas que ele faz para o Gus. Todo aquele envolvimento do Jimmy com os esquemas das vendas frias dos celulares acaba gerando cenas mais fortes quando ele vai cobrar aquela gangue que o roubou. O interessante dessa cena é que a partir daí o Jimmy já começa a usar o pseudônimo de Saul Goodman.
O núcleo que envolve o Gus e o Nacho está cada vez mais interessante nessa temporada, pois após o Gus sacar do seu envolvimento no acontecimento do Hector Salamanca ele mata o parceiro do Nacho e o obriga a trabalhar secretamente para ele. Toda construção bolada pelo Gus para se livrar das exigências do Cartel mexicano acaba gerando uma operação arriscada para o Nacho, que acaba levando a pior e levando alguns tiros e se ferindo até gravemente. O fica ainda mais interessante nessa temporada é justamente este embate que acaba gerando entre o Lado do Gus contra o lado do Hector com o Nacho bem no meio do fogo cruzado. Justamente nesse ponto temos a entrada dos icônicos gêmeos Salamanca (Leonel Salamanca / Daniel Moncada e Marco Salamanca / Luis Moncada) em cena atacando e matando todos da gangue rival.
Outro personagem do universo de "Breaking Bad" que aparece na temporada é o Gale Boetticher (David Costabile), que está ao lado do Mike na busca do engenheiro para a construção do já citado "superlaboratório". Por outro lado temos um Nacho cuidando mais tranquilamente dos seus negócios, até que temos a entrada na série do Lalo Salamanca (Tony Dalton), que é um enviado do Cartel mexicano que chega para começar a administrar o negócio de drogas da família, já que o Hector se encontra naquelas condições. Já a Kim está novamente trabalhando em um caso da empresa Mesa Verde, que logo acaba entrando em conflito com a empresa pelos seus trabalhos fora dela. E novamente temos o casal Jimmy e Kim trabalhando e tramando novos golpes juntos. Todo envolvimento do Mike ao despistar o Lalo do seu encalço acaba gerando uma cena bem pesada na temporada; que é justamente a cena em que o Mike, por ordens do Gus, acaba executando o engenheiro. Esta de fato é uma cena que tem um certo nível de comoção pela parte do próprio Mike, pois este engenheiro de certa forma era um amigo que o Mike considerava dentro de todo o universo de "Breaking Bad", e ter que executá-lo ali a sangue frio foi muito difícil e pesado para o Mike, como observamos no desenrolar da cena.
A temporada tem um salto no tempo de um ano, quando temos a cena em que o Jimmy vai fazer a entrevista para tentar recuperar a sua licença para novamente exercer a advocacia, o que acaba não saindo como ele planejava e ele acaba não conseguindo a licença. Também temos todas as cenas da recuperação do Hector Salamanca após o seu ocorrido. Temos aquela cena onde o Hector começa a aprender a se comunicar com os toques do dedo no sininho de sua cadeira de rodas. É justamente dessa forma que conhecemos ele em "Breaking Bad", quando ele usa aquele sininho para tentar se comunicar, que por sinal são cenas com um alto grau de tensão. Para provar a sua inocência, ou parte dela, o Jimmy usa aquela carta do testamento que seu irmão Chuck deixou para ele para assim recuperar a sua licença de advocacia. Aliás, diga-se de passagem é uma cena fantástica o discurso emocionante que o Jimmy faz. Já por outro lado ficamos extremante surpresos quando a Kim aparece no local e descobrimos que todo aquele discurso não passava de uma encenação do Jimmy para conseguir na sua lábia o seu objetivo de retomar a advocacia. E pasmem, é exatamente nesse ponto que definitivamente nasceu o emblemático Saul Goodman que conhecemos em "Breaking Bad". E assim se encerra o décimo e último episódio da quarta temporada de "Better Call Saul".
Falar do elenco da série é sempre chover no molhado, pois definitivamente o núcleo principal é sempre impecável em seus respectivos personagens. Portanto eu nem preciso me alongar aqui pontuando a atuação de cada um. Já o elenco recorrente de apoio se destaca muito bem em cada personagem; como é o caso do saudoso Mark Margolis com o seu imensurável Hector Salamanca. Daniel Moncada e Luis Moncada, que fazem os gêmeos Salamanca, estão sempre formidáveis. O próprio David Costabile que foi muito bem em sua apresentação. E finalizando como Tony Dalton, que teve uma entrada explosiva e muito intrigante na série.
A parte técnica da temporada novamente é um show à parte, pois o nível técnico e artístico é um absurdo. A trilha sonora acompanha perfeitamente os acontecimentos de cada episódio. A fotografia é muito bem destacada, assim como a direção de arte, a montagem, edição, cenografia, tudo muito bem ajustado para proporcionar o verdadeiro espetáculo que presenciamos ao longo dos dez episódios.
A quarta temporada de "Better Call Saul" recebeu aclamação da crítica, principalmente por seu ritmo e desenvolvimento de personagens, e seis indicações ao 71º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática. No Metacritic, a temporada tem uma pontuação de 87 em 100 com base em 16 críticos. No Rotten Tomatoes, a temporada tem uma taxa de aprovação de 99% com uma pontuação média de 8,9 em 10 com base em 185 avaliações.
Por fim, esta quarta temporada de "Better Call Saul" serve como um verdadeiro divisor de águas dentro de toda a série, já que é justamente aqui que a série assumi o seu lado cada vez mais sombrio. Sem falar que esta é a temporada onde claramente podemos observar que a morte do Chuck serve principalmente como um catalisador para a transformação de Jimmy McGill no que conhecemos em "Breaking Bad"; aquele advogado trapaceiro, persuasivo, manipulador, maquiavélico e letal. Senhoras e senhores, este é o icônico Saul Goodman.
- 14/02/2025
É Assim Que Acaba
3.3 403 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS DO LIVRO E DO FILME ⚠ 🚨🚨🚨
É Assim Que Acaba (It Ends with Us) 2024
"É Assim Que Acaba" é dirigido por Justin Baldoni a partir de um roteiro de Christy Hall, baseado no romance de mesmo nome de 2016 da escritora norte-americana Colleen Hoover. O filme é estrelado por Blake Lively ao lado de Baldoni, Brandon Sklenar, Jenny Slate e Hasan Minhaj. A história segue a florista Lily Bloom (Blake Lively), cujo relacionamento problemático com o neurocirurgião Ryle Kincaid (Justin Baldoni) é agravado quando seu primeiro amor Atlas Corrigan (Brandon Sklenar) reaparece em sua vida.
Antes de mais nada eu preciso mencionar que eu sou muito fã da Colleen Hoover e a considero atualmente como uma das melhores escritoras sobre romance. Porém eu nunca fui fã de livros de romance, não é um gênero que me atrai, por isso soa até estranho eu ser fã da Colleen. Mas é aí que está o "x" da questão, muitas pessoas podem associar que a Colleen escreve o mais do mesmo, somente o velho e batido romance, aquele velho clichê água com açúcar que encontramos milhões por aí. Mas foi exatamente nesse ponto que eu virei fã da Colleen Hoover, por encontrar histórias que diferem totalmente da mesmice dos livros de romance, histórias estas que estão inseridas em um romance mas por um outro contexto, com um outra visão, que é justamente a abordagem que ela traz sobre pessoas, sobre a vida, sobre relacionamentos tóxicos e abusivos, sobre como somos fracos, falhos, submissos, complacentes, influenciáveis, sobre como cometemos erros e aprendemos com eles, sobre como somos capazes de perdoar, ou não.
Dito isto: "É Assim Que Acaba" virou um dos maiores fenômenos da internet e do TikTok (o famoso BookTok). O livro foi um verdadeiro arrasa-quarteirão virando um famoso best-seller, o que logo o levou a liderar a lista de best-sellers do New York Times. Colleen Hoover, que já era muito famosa no meio, foi alçada aos holofotes e as polêmicas, o que logo conquistou milhões de fãs e consequentemente de haters, fazendo um enorme sucesso principalmente entre o público adolescente.
Sobre o livro:
"É Assim que acaba" traz uma história extremamente interessante, onde logo percebemos a importância e a relevância de todo o seu contexto. A obra é considerada pessoal e intimista onde aborda temas como violência doméstica e luto, gerando polêmicas e críticas. Temos uma história extremamente importante, relevante, arrasadora, ousada, inovadora, que exemplifica muito bem uma abordagem em torno da violência doméstica e do relacionamento abusivo e tóxico.
O ponto mais interessante de "É Assim que acaba" é o choque de realidade e o tapa na cara que ele nos dá. Pois quem aqui nunca julgou uma mulher que sofre com um relacionamento abusivo, doentio, tóxico e, principalmente, violento. Olhar de fora é muito fácil. Julgar de fora é muito fácil. Ser o dono da razão estando do lado de fora é muito fácil. O debate aqui é sobre um amor que custa caro demais. Um relacionamento que atinge proporções inimagináveis, tanto para o lado bom quanto para o lado ruim. O livro serve para nos abrir os olhos em vários casos, em várias vertentes, assim como serve para nos mostrar o lado de quem está do outro lado, para ajudar a criarmos empatia antes de exercermos o poder do julgamento. E um dos pontos mais curiosos é a forma como vemos cada personagem em sua determinada história, o que sempre levanta dúvidas e opiniões. Tem horas que compramos a defesa de cada um, tem horas que julgamos cada um, tem horas que desacreditamos das versões de cada um. É um história onde é difícil apontar a vítima e o vilão, e eu até acho que todos são vítimas e vilões de suas próprias histórias.
O livro por si só já é um livro magnífico, mas depois que você chega ao final e lê o epílogo, a história se transforma e ganha ainda mais peso, mais importância e mais relevância. Eu não tinha a dimensão dessa história, eu não fazia ideia no que foi baseada toda essa história. Poder entender ao final que a Colleen Hoover fez praticamente uma releitura da vida da sua mãe em contrapartida com a sua, o livro cresce muito mais em meu conceito.
O ponto curioso é exatamente a proporção que a obra da Colleen Hoover atingiu, logo se tornando aquele verdadeiro ame ou odeie, com uma base de elogios, críticas e principalmente o cancelamento da autora. Muitas pessoas cancelaram o livro por não gostarem da forma como a história aborda temas como violência doméstica e luto, logo a trama foi acusada de romantizar um relacionamento abusivo (o que eu discordo veementemente).
"É Assim que acaba" é o meu segundo livro preferido da Colleen Hoover (que já li duas vezes), ficando somente atrás de "Verity", porque este é uma verdadeira obra-prima da literatura e de toda a bibliografia da Colleen Hoover.
Sobre o filme:
Com todo o sucesso conquistado pelo livro seria mais do natural que sua legião de fãs esperassem por uma adaptação cinematográfica. E ela veio com uma produção que envolvia principalmente um roteiro escrito pela própria Colleen Hoover, juntamente com a Christy Hall, roteirista do filme "Daddio", do ano passado. A produção do longa-metragem também envolve a Colleen Hoover, o Justin Baldoni (diretor de "A Cinco Passos de Você") e a Blake Lively (estrela de "Gossip Girl").
"É Assim que acaba" já começou a dar errado antes mesmo de ser lançado, logo na pré-produção. As filmagens do longa tiveram que ser pausada algumas vezes pelo fato da greve dos roteiristas dos Estados Unidos de 2023. O filme estava inicialmente agendado para ser lançado em 9 de fevereiro de 2024 nos Estados Unidos, pela Sony Pictures e depois para 21 de junho de 2024, mas teve seu lançamento adiado para 9 de agosto de 2024. A escalação de Blake Lively e Justin Baldoni como Lily e Ryle causou reação dos fãs porque no livro Lily tem 23 anos e Ryle tem 30, enquanto Lively tem 35 e Baldoni tem 39. No entanto, a Colleen Hoover explicou em uma entrevista que ela queria envelhecer os personagens do filme em um esforço para corrigir um erro que ela cometeu no livro. Ou seja, era fato que o filme já estava fadado ao fracasso.
Caso Justin Baldoni x Blake Lively:
"É Assim que acaba" ficará para sempre marcado negativamente pelas inúmeras polêmicas envolvendo o caso. A produção do longa ficou atolada em controvérsias devido a disputas entre Blake Lively e Justin Baldoni, com a primeira recebendo críticas por não abordar os temas do filme de violência doméstica e abuso emocional durante sua turnê promocional. Em dezembro de 2024, Lively entrou com uma ação judicial contra Baldoni e sua produtora Wayfarer Studios, acusando-os de assédio sexual e intimidação, por criar um ambiente de trabalho hostil e retaliar contra ela por relatar má conduta. De acordo com o processo judicial, ela alegou que Baldoni improvisou beijos indesejados e discutiu sua vida sexual, causando-lhe sofrimento emocional. Negando as acusações, Baldoni processou o New York Times por difamação por apoiar o relato de Lively sobre os eventos e, mais tarde, processou Lively, seu marido Ryan Reynolds e sua publicitária Leslie Sloan por extorsão civil, difamação e invasão de privacidade. Sem falar em toda polêmica envolvendo o Marido da Blake, estrela de "Deadpool", que teve envolvimento direto na escrita do texto de roteiro de algumas cenas de sua esposa.
Durante sua turnê promocional do filme, Blake Lively recebeu críticas de usuários de mídia social que a acusaram de ser "surda" por exibir uma atitude "humorada e despreocupada" e não abordar explicitamente a experiência de sua personagem com violência doméstica e abuso. Os usuários também criticaram Lively por promover sua nova linha de cuidados com os cabelos, bem como sua marca de bebidas, durante a turnê de imprensa, e por encorajar os espectadores a usar roupas florais, o que alguns consideraram insensível à mensagem do filme em torno da violência doméstica.
Sobre a adaptação cinematográfica:
Não posso negar que em questão de adaptação o filme é muito fiel ao livro, pois ele segue uma linha exata dos acontecimentos do livro, até com cenas e diálogos iguais, o que eu considero muito bom. Apesar de ficar bastante coisa de fora, que pra quem leu o livro vai sentir falta de inúmeras cenas até relevantes para o contexto final da história. Mas nesse caso eu até entendo, pois o livro é mais abrangente e mais detalhado, logo um filme de 2h não conseguiria detalhar tudo. Diante desse fato eu acredito que uma série se encaixaria muito melhor na proposta do que um filme, pois dessa forma grande parte da história do livro (que tem 366 páginas) poderia ser melhor abordada.
Porém, a adaptação é fiel ao livro, a mescla das cenas do presente e passado são boas e bem encaixadas durante os pontos cruciais da trama, mas os acontecimentos são muito rápidos, são muito capados de informações. Tudo é jogado na tela claramente com um senso de urgência, como se estivessem correndo contra o tempo para conseguir entregar toda a história até o final do tempo exigido. Falta emoção, falta sintonia, falta apego emocional, falta empatia, falta principalmente a química entre a Lily Bloom e o Ryle Kincaid. Este é um ponto crucial no filme, pois eu senti absolutamente zero de química entre a Blake Lively e o Justin Baldoni.
Está muito claro e perceptível a falta de química e de sintonia entre os atores, que é um ponto extremamente importante no livro e dita todo o ritmo de desenvolvimento da trama, e aqui eu senti falta. Parecia que a Lily não estava gostando do Ryle de verdade, parecia que ela não estava se envolvendo com ele ao ponto de estar realmente apaixonada como no livro, pelo contrário, parecia que ela estava sendo forçada a ficar com ele. Este é o ponto exato da química que eu mencionei, pois falta este envolvimento para que assim pudéssemos vivenciar um romance mais intenso e arrebatador como no livro. Aqui este romance carece de tudo e soa extremamente superficial e genérico.
Outro ponto:
O tema principal do livro aborda principalmente a complexidade das relações tóxicas, explorando como o amor e o abuso muitas vezes coexistem, o que nos exemplifica sobre a construção do ciclo da violência doméstica. Este é um ponto que na minha opinião é muito bem abordado no livro, dando o peso e a proporção exata daqueles acontecimentos (por mais que muitos leitores discordam). O livro traz uma narrativa relevante sobre a força necessária para fazer as escolhas certas nas situações mais difíceis, e aqui esta abordagem praticamente não existe, pelo menos não na mesma dimensão.
O tema central que levanta vários debates e discursões no livro é exatamente a abordagem daquele relacionamento, que consiste em uma fase de conhecimento e aproximação, que logo progride para abusos físicos e verbais, se tornando um caso de relação tóxica e doentia com agressões tanto físicas como mentais e emocionais. E tudo isso envolvendo um trauma de infância e adolescência da Lily, que presenciou sua mãe sendo violentada várias vezes por seu pai. Este é o ponto, o fato da Lily estar em um relacionamento que consiste em repetir aquele ciclo de violência doméstica em sua família, e que ela precisa urgentemente tomar uma atitude para parar.
Ou seja, tudo isso que eu acabei de mencionar é de extrema importância e relevância no contexto do filme, porém tudo é muito vago, muito raso, muito falho, sem nenhum peso dramático e emocional. Tudo é disparado muito rápido, uma cena atrás da outra onde você não consegue sentir nenhum peso daquele relacionamento doentio e abusivo, tudo parece apenas uma briguinha corriqueira de um casal como tantos qualquer. Em nenhum momento o filme consegue abordar com propriedade o caso de um relacionamento tóxico e abusivo, pelo contrário, tudo é muito romantizado, tudo é muito superficial, tudo é muito leve, toda a trama sobre violência é ingênua demais.
Claramente o roteiro do filme desperdiça uma grande oportunidade de denúncia sobre estes acontecimentos, de dar o foco necessário sobre essas questões tão agravantes em nossa sociedade, e muito por "talvez" medo de se aprofundar em um tema tão delicado, tão sensível, em colocar o dedo nesse vespeiro, o que no meu conceito perde relevância ao amenizar e romantizar o caso, ficando apenas no terreno do romance e do drama. E vale ressaltar que você não precisa exibir cenas com violências gratuitas para exemplificar e abordar com mais propriedade e seriedade o tema em questão.
Sobre o elenco:
Sinceramente eu não gostei do elenco, principalmente a Blake e o Justin, pois como eu já mencionei acima, este é um casal completamente superficial, genérico e sem nenhuma química. Eu considero a atuação da Blake muito ruim, sem nenhum peso, sem nenhuma emoção, sem nenhum carisma, ela parecia que estava no automático e com zero vontade de estar ali naquele momento.
O Justin não fica atrás, pois ele também tem uma atuação muito fraca, muito caricata e muito canastrona.
Já o Brandon Sklenar está na dele no papel do Atlas Corrigan. Não se destaca mas também não compromete.
Gostei do Alex Neustaedter e da Isabela Ferrer, ambos fizeram o Atlas e a Lily jovem. Estes foram os únicos em que eu senti uma química que representava aquele nascimento de um grande amor, eles estiveram mais perto dos seus personagens do livro.
O resto do elenco corre por fora e não tem muito o que se destacar; como no caso da Jenny Slate que fez a Allysa (melhor amiga da Lily e irmã do Ryle), o Hasan Minhaj que fez o Marshall (marido da Allysa) e a Amy Morton que fez a Jenny Bloom (mãe da Lily).
Apesar das críticas e polêmicas, "É Assim Que Acaba" foi um sucesso de bilheteria, arrecadando US$ 351 milhões em todo o mundo contra um orçamento de US$ 25 milhões.
Com base no sucesso de bilheterias e pela existência de uma continuação da história da Lily Bloom, o livro "É assim que começa" (que eu também já li), seria natural que todos se perguntasse sobre uma possível continuação do filme. Após o lançamento do filme, o diretor Justin Baldoni reconheceu o potencial para uma adaptação cinematográfica do romance sequencial. No entanto, ele afirmou mais tarde que não retornaria em seu papel como diretor, sugerindo que Blake Lively dirigisse o filme. Diante das polêmicas e processos envolvendo o elenco, não sei seu eu apostaria em uma continuação, ainda mais sendo novamente protagonizado por Blake Lively e Justin Baldoni.
Por fim:
Como livro, "É Assim Que Acaba" é excelente, é relevante, pois ele consegue transcender aquela barreira do romance e do drama, e acima de tudo, ele consegue abordar e passar a sua mensagem sobre um tema muito importante, principalmente por ser praticamente uma releitura verídica da vida da mãe da Colleen Hoover e consequentemente da sua.
Já como filme infelizmente não deu certo, ficando muito aquém do que se esperava, até por contar com o própria Colleen Hoover no roteiro e produção, que era um ponto em que eu acreditava que pudesse dar certo. Porém, o que fica é apenas uma frustração com um sentimento vazio de uma obra com um tema tão importante mas que foi completamente desperdiçado. Infelizmente o longa-metragem não ficará marcado pela importância da sua mensagem e sim apenas pelas suas polêmicas nos bastidores. Uma pena!
- 18/01/2025
Better Call Saul (3ª Temporada)
4.4 318 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (3ª Temporada) 2017
A terceira temporada de "Better Call Saul" estreou em 10 de abril de 2017 e concluiu em 19 de junho de 2017. A temporada segue no padrão de dez episódios e foi transmitida pela AMC.
Esta terceira temporada segue diretamente os eventos da segunda, que ocorreu no final do ano de 2002, sendo que a conclusão da temporada 3 ocorre no ano de 2003. Temos novamente o Jimmy McGill (Bob Odenkirk) que ainda exerce a profissão de advogado que está envolvido em uma rixa com seu irmão Chuck (Michael McKean). Chuck por sua vez acredita cegamente que seu irmão não é apto para ser advogado e planeja sua destituição. O grande Mike Ehrmantraut (Jonathan Banks) começa uma parceria com ninguém mais ninguém menos que o glorioso e insuperável Gustavo Fring (Giancarlo Esposito), sim, temos a chegada do Gus nessa temporada. Enquanto o Nacho Varga (Michael Mando) está cada vez mais empenhado em seu plano de conspiração para assassinar seu rival, Hector Salamanca (Mark Margolis).
Como já é de praxe, o primeiro episódio inicia exatamente em preto em branco em uma cena futura pós "Breaking Bad". Onde temos o Jimmy em seu trabalho observando um rapaz sendo perseguido pela polícia por ter roubado as lojas do shopping. O interessante aqui é observar que o Jimmy ajuda a polícia a encontrar o rapaz para ele ser preso e assim o Jimmy gritar para o rapaz que ele precisa de um advogado. Poderíamos encarar esta cena como um cena curiosa qualquer sem a menor importância, desde que não conhecêssemos o Jimmy, é óbvio.
A partir desse ponto a série segue exatamente na parte onde terminou a temporada anterior; que é o Chuck ter usado das suas artimanhas para gravar a confissão do Jimmy sobre a alteração dos endereços dos formulários. Porém momentaneamente o Chuck não utiliza essa gravação sendo aconselhado pelo Howard (Patrick Fabian), pois ele tinha um plano futuro para agir contra o Jimmy se baseando nessa questão. O Mike está no encalço do cartel do Salamanca, porém ele descobre que está sendo seguido e ameaçado. É nesse ponto que temos a entrada do Gus Fring na série, que por sua vez já estava sabendo dos planos do Mike, quando o Mike pede a ajuda do Jimmy e este vai até o Los Pollos Hermanos para tentar ajudar o Mike. Incrível como O Gus sempre está uma passo à frente de todos ao seu redor.
Chuck, com a ajuda do Howard, consegue um plano para incriminar o Jimmy que invadiu sua casa em busca da gravação, gravação esta que o Jimmy já estava sabendo do que se tratava pois ele foi informado pela sua comparsa Kim Wexler (Rhea Seehorn). Mike enfim conhece o Gus e os dois tem planos em comuns e decidem se aliar contra o Hector Salamanca. Ambos queriam atacar o Hector não fisicamente mas financeiramente, ao atingir o seu cartel de distribuição de drogas. Por sinal o plano do Mike do sapato no fio com drogas funciona perfeitamente e derruba o esquema de distribuição do Hector, que por sua vez tem seu esquema vazado nas autoridades. Com a distribuição do Hector caindo na investigação, todo o esquema fica à cargo somente do Gus com seu Los Pollos Hermanos, ou seja, a princípio o plano do Gus junto com a aliança do Mike tinha dado certo.
A ideia do Gus era que o Mike trabalhasse para ele dentro de seu esquema, porém o Mike queria só uma ajuda do Gus na lavagem do dinheiro que ele havia roubado. É nesse ponto que temos a entrada da personagem Lydia Rodarte-Quayle (Laura Fraser), da Madrigal, que obviamente está reprisando o seu papel de "Breaking Bad". É interessante esta conexão de personagens desse universo. Já no núcleo do Jimmy e Chuck, temos aquele embate no tribunal, o que resulta em uma guerra entre os dois, com o Chuck apresentando uma cópia da fita gravada com as confissões do Jimmy, e o Jimmy por sua vez acusando o irmão de maluco pela sua condição de hipersensitividade eletromagnética. O resultado final desse embate no tribunal é o Jimmy ter que ficar um ano sem poder advogar e o Chuck sair de cena por causa da sua condição que julgaram ser psicológica.
Esta terceira temporada de "Better Call Saul" ser torna uma temporada muito relevante dentro de todo o universo de "Breaking Bad", justamente por nos evidenciar a causa e como tudo ocorreu para o Hector Salamanca ficar naquela cadeira de rodas vegetando como conhecemos ele em "Breaking Bad". Tudo começa quando o Hector perde a sua distribuição e vê tudo nas mãos do Gus, o que o deixa bastante irritado e faz ele pensar em uma solução para ter novamente a sua distribuição. Hector decidi buscar uma espécie de aliança/parceria com o pai do Nacho oferecendo dinheiro. O pai do Nacho não aceita o que faz com que o Hector pense em retirá-lo de seu caminho, só que ele conta isso para o Nacho, que teria que matar o seu pai. Obviamente o Nacho não quer que seu pai morra e decidi atacar o ponto fraco de Hector, que é sobre as pílulas que ele toma frequentemente por causa do seu problema de coração. Dessa forma temos o episódio em que o Nacho se encarrega em trocar as pílulas do Hector por outras falsas, por sinal uma episódio muito tenso.
Já o Jimmy malandro como ele é, por ter sido impedido de advogar, ele decidi usar o seu nome adquirido anteriormente para fazer pequenos comerciais para a sua nova "Saul Goodman Productions". É nesse ponto que entra aquele caso anteriormente da "Sandpiper", em que o Jimmy decidi usar novamente e acaba enganando a pobre velhinha. Por sinal, que sacanagem do Jimmy, porém mais tarde ele volta atrás e acaba confessando tudo e livrando a barra da pobre velhinha, o que eu achei muito justo. Já a Kim, que até então estava bem escanteada na temporada, continua com o caso do "Mesa Verde Bank", onde ela está cada vez mais esgotada e acaba sofrendo um acidente de carro.
Voltando na parte do Hector e a causa por ele ter ficado na cadeira de rodas; tudo se dar pelo fato daquela reunião em que ele é informado que todo o esquema de distribuição ficará somente nas mãos do Gus, o que faz com que o Hector fique muito nervoso e acabe tendo um ataque do coração. É nessa hora que o Hector vai em busca das suas pílulas, porém ele toma as pílulas trocadas anteriormente pelo Nacho, o que obviamente não faz mais efeito, fazendo com que o Hector acabe entrando em um colapso cardíaco, Hector sofre um derrame mas é salvo pelo Gus. Interessante notar que esta cena em específico tem uma grande importância para a quarta temporada de "Better Call Saul", pois quando o Nacho pega as pílulas verdadeira no chão para trocar novamente pelas falsas, o Gus acaba percebendo todo o plano do Nacho, o que fará com que o Nacho acabe trabalhando para o Gus daqui para a frente.
O final da temporada é bastante tenso e dramático pelos acontecimentos finais envolvendo o Chuck. Pois aqui podemos notar a degradação do Chuck, ele está definhando, por ele ter falhado em todos os seus planos e grande parte das pessoas não confiarem mais nele e o encarar apenas como um louco. É exatamente nesse ponto que o Chuck surta sozinho em sua casa e acaba provocando um incêndio que o acaba levando a morte. Um final de temporada bem impactante e surpreendente.
Sobre o elenco da série:
Bob Odenkirk sempre fantástico, ele é impecável.
Michael McKean é ótimo e seu contraponto com o Bob é perfeito.
Jonathan Banks é maravilhoso e meu personagem preferido.
Rhea Seehorn passou mais despercebida nessa temporada, mas ela tem bastante potencial para as próximas.
Patrick Fabian novamente fazendo o básico bem feito do seu personagem.
Michael Mando muito melhor nessa temporada, com mais protagonismo e mais tempo de tela ele conseguiu desenvolver muito bem o seu personagem. Eu diria que até aqui é a sua melhor temporada na série.
Giancarlo Esposito é aquele verdadeiro gentleman da série, seu personagem é absurdamente fantástico.
E por fim o saudoso Mark Margolis, que traz a sua contribuição perfeita para todo o contexto desse universo.
O elenco de "Better Call Saul" é absurdo!
Em questões técnicas eu nem preciso me alongar, já que este universo de "Breaking Bad" traz qualidades técnicas e artísticas que são fenomenais e completamente impecáveis.
A terceira temporada de "Better Call Saul" recebeu inúmeros elogios da crítica especializada, principalmente pela atuação de Michael McKean como Chuck e pelo desenvolvimento do personagem Jimmy McGill, além de oito indicações ao 69º Primetime Emmy Awards, incluindo Melhor Série Dramática.
No Rotten Tomatoes a terceira temporada tem uma aprovação de 97%. Já no Metacritic, tem uma pontuação de 87/100 com base em 18 críticos.
No mais, a terceira temporada de "Better Call Saul" continua no mesmo nível da anterior, ou talvez até esteja em uma crescente, dado a todos os acontecimentos relevantes que permearam toda a trama. Os produtores e roteiristas acertaram a mão quando decidiram puxar a série cada vez mais para dentro do universo de "Breaking Bad", o que fatalmente iria acontecer com o passar de cada temporada, é impossível fugir disso. Mas eu acredito que as duas primeiras temporadas de "Better Call Saul" foram as responsáveis em preparar todo o terreno para que a partir dessa terceira em diante a série cresça cada vez mais dentro do conceito desse universo. Estou com uma grande expectativa para a quarta temporada.
- 10/01/2025
Um Lugar Silencioso: Dia Um
3.3 812 Assista AgoraUm Lugar Silencioso: Dia Um (A Quiet Place: Day One) 2024
"Um Lugar Silencioso: Dia Um" é escrito e dirigido por Michael Sarnoski (do excelente "PIG", de 2021), baseado em uma história que ele idealizou com John Krasinski (o criador da ideia original da franquia). O longa-metragem marca a terceira parte da série de filmes "Um Lugar Silencioso", servindo como um spin-off e prequela desse universo. O filme é estrelado por Lupita Nyong'o como uma mulher com uma doença terminal durante os estágios iniciais de uma invasão na cidade de Nova York por criaturas extraterrestres cegas com um sentido agudo de audição.
Em 2018 o John Krasinski impactou o mundo cinematográfico ao entregar um filme de terror apocalíptico que navegava no suspense, no drama, com uma dose de ficção científica. "Um Lugar Silencioso" apresentou um roteiro seguro, arrojado, inteligente, onde mesclava momentos de tensão, suspense, agonia, aflição, ao apostar em uma trama onde o silêncio absoluto era a grande arma para a sobrevivência. Eu considero "Um Lugar Silencioso" como um dos melhores filmes do ano de 2018.
O longa de Krasinski foi um verdadeiro arrasa-quarteirão, onde naturalmente viria uma continuação, e ela veio em 2021 com "Um Lugar Silencioso - Parte II". O segundo filme continua inserido no terror, no suspense, mantém aquele clima de tensão, de medo, de agonia, com ambientes claustrofóbicos que te obrigava a viver em um silêncio absoluto. No entanto o segundo filme perde um pouco da sua essência em relação ao primeiro, justamente por deixar de lado um pouco o clima de terror e suspense e partir diretamente para a ação. Mas de qualquer forma ainda assim é um bom filme e uma boa continuação, que não está no mesmo nível do primeiro mas ainda consegue manter a qualidade conquistada anteriormente.
Um ponto muito interessante e que me chamou atenção no primeiro filme, foi exatamente a forma como o Krasinski decidiu abordar o conteúdo das criaturas cegas. Ou seja, Krasinski nos entrega uma obra surpreendente cujo roteiro é bem trabalhado, bem objetivo, bem arquitetado, que vai direto ao ponto, sem se apegar em explicações detalhadas sobre a origem das criaturas, ou os motivos de tais acontecimentos. O que normalmente aconteceria em outras produções do gênero. Na minha opinião o primeiro filme acerta exatamente nesse ponto, pois eu não acho uma obrigatoriedade a explicação minuciosa do surgimento das criaturas. Já no segundo filme temos um breve prólogo que nos conta exatamente esta parte de como as criaturas chegaram na terra. Nessa introdução descobrimos como era a terra antes da invasão, e presenciamos a chegada das criaturas vindo do espaço.
Todo este planejamento que vimos no prólogo de "Um Lugar Silencioso - Parte II" já fazia parte da ideia de John Krasinski em expandir o universo de "Um Lugar Silencioso" para um possível spin-off da franquia. "Um Lugar Silencioso: Dia Um" é exatamente este planejamento de Krasinski, que além de criar a história do longa junto com o diretor Michael Sarnoski, ele participa diretamente da produção do filme. É bom deixar bem claro que "Um Lugar Silencioso: Dia Um" não é uma continuação do segundo filme, já que ambos mostram a chegada das criaturas na terra. A ideia aqui é justamente ser uma prequela do primeiro filme, ser o dia um, nos mostrar como ocorreu a chegada das criaturas.
Sendo bem sincero, eu não vejo a menor necessidade da existência dessa prequela que vai nos explicar o início de tudo (ou pelo menos tentar explicar né!). Mas como sempre acontece em filmes que logo viram franquias de sucesso, o prelúdio mais cedo ou mais tarde vai acontecer. Como já está bem especificado no título do filme, a ideia é ser o dia um, o início de tudo, e mesmo eu achando desnecessário eu comprei a ideia desse spin-off, até porque o principal chamariz da produção era exatamente usar o tema central da cidade de Nova York para o início dos eventos catastróficos. Nesse ponto soa como interessante, afinal de contas estamos falando da cidade que nunca dorme, uma das cidades mais barulhentas de todo o planeta, onde o som emitido diariamente chega na casa dos 90 decibéis. Ou seja, como fazer calar uma cidade dessa? Como silenciar um ambiente desse? Dentro desse contexto, Nova York seria o local perfeito para a invasão das criaturas que são guiadas exatamente pelo som.
Dentro de todo este contexto que eu mencionei acima o longa tinha tudo para dar certo se seguisse o caminho certo, porém o roteiro é extremamente subaproveitado e decide seguir o mesmo caminho que já vimos anteriormente exibindo o mais do mesmo. Para inicio de conversa o subtítulo "Dia Um" é usado apenas no prólogo do filme, pois assim que as criaturas invadem Nova York e começam todos os ataques temos uma pequena passagem de tempo, onde nos mostra a personagem Sam com o rosto coberto de poeira nos escombros da cidade, ali já podemos considerar como o dia dois. Partindo desse princípio, "Um Lugar Silencioso: Dia Um" não inova a história em absolutamente nada, não apresenta nada de novo, não mostra nada de concreto sobre a origem das criaturas. Por outro lado eu até considero como uma falha gritante do roteiro, já que a ideia aqui era abordar a origem de tudo, porém logo após o início dos primeiros ataques a população já parece saber de todos os métodos de sobrevivência.
O longa-metragem falha grotescamente ao prometer contar o início de tudo e não contar absolutamente nada. Pois inicialmente não vemos como a população descobre que as criaturas são cegas e são guiadas apenas pelo som, exigindo assim que para manter a sobrevivência sejam obrigados a manter o silêncio absoluto. Após os primeiros ataques todo mundo já sabe certinho o que fazer para sobreviver. Acredito que faltou um planejamento de roteiro mais abrangente em torno das primeiras aparição das criaturas. Como o fato de explicar como surgiram as criaturas, da onde elas realmente vieram, se vieram por acidente ou foram enviadas por alguma outra entidade. Poderiam apresentar com mais detalhes como foi a reação governamental e das forças armadas americanas ao primeiro contato com as criaturas desconhecidas. Algo como a reação da NASA, dos líderes de governo, algo que fosse mais abrangente, mais coeso com a atual situação, que realmente nos desse dimensão e a proporção dos ataques e como surgiram.
Todas essas explicações acima eu considero extremamente desnecessárias dentro do universo de "Um Lugar Silencioso". Porém, se temos aqui o filme que é uma prequela da história, que promete ser o dia um de todos os acontecimentos, obrigatoriamente todos esses pontos (ou partes deles) deveriam ter sido abordados. O que fica é uma oportunidade desperdiçada de exploração desse universo.
O saldo final é que "Um Lugar Silencioso: Dia Um" sequer poderá ser considerado como uma prequela, pois o que ele apresenta é apenas o mais do mesmo, sendo apenas mais um capítulo desse universo que poderia facilmente se encaixar como um filme três ou qualquer outra história paralela contada sobre uma outra perspectiva de um outro local. O caminho que o longa decide seguir deixa de lado o suspense para mergulhar no drama da protagonista. De fato eu entendo a questão da doença terminal da Sam, onde necessariamente ao abordar este tema a trama inevitavelmente vai cair no drama, porém o que fica são apenas as motivações finais dela pelo estágio da sua doença, onde parece que ela já se entregou e ainda tenta sobreviver por mais alguns dias (como naquela questão da pizza). Também compreendo o surgimento daquele laço improvável entre a Sam e o Eric (Joseph Quinn), o que mostra que a química e a conexão humana pode ocorrer até em casos mais extremos da vida. Mas eu achei apenas como uma tentativa em vão, onde claramente soa mais superficial em decorrência da trama.
Eu adoro a Lupita Nyong'o, sou fã declarado dela desde aquela atuação estupenda em "12 Anos de Escravidão", que lhe rendeu dignamente o Oscar. Lupita segura o filme praticamente sozinha, sempre nos impressionando com suas excelentes expressões faciais, onde ela expõe o seu nível de tensão, de pânico e de agonia. Sem falar que toda aquela construção em torno da sua doença terminal faz com que ela mescle uma atuação que vai desde o pânico ao drama. Porém, por outro lado eu achei que esta construção paralela é muito vaga e não agrega em absolutamente nada. Lupita Nyong'o é uma atriz fantástica e talentosíssima e aqui ela é o grande chamariz da produção.
Joseph Quinn ("Gladiador 2") faz um personagem bem mediano, que é usado apenas como um contraponto da personagem da Lupita, algo como a obrigatoriedade de ter alguém para que ela pudesse criar uma rápida conexão.
Alex Wolff ("Oppenheimer") faz uma participação somente nos momentos iniciais do filme, e a melhor parte com certeza é a cena em que o Alien fica cara a cara com ele, o que me remete à uma cena clássica e icônica do "Alien 3". Poderia ser uma referência ao filme de 1992? Fica aí a curiosidade.
E por fim temos mais uma vez a participação do Djimon Hounsou ("Capitã Marvel" e "Aquaman"), que retorna com seu personagem que apareceu pela a primeira vez no segundo filme.
Tecnicamente o filme mantém o nível de qualidade das cenas, que por sinal são bem construídas, como aquela cena inicial da invasão das criaturas. Este é um ponto que não podemos negar, às cenas são muito boas, mantém aquele clima de tensão e suspense misturado com o pânico. A direção do Michael Sarnoski é bem ajustada. A trilha sonora de Alexis Grapsas é mediana mas funciona dentro da proposta do filme. Porém, as trilhas dos filmes anteriores do Marco Beltrami eram muito melhores. O mesmo vale para a edição/mixagem, que aqui funciona mas nos filmes anteriores também eram melhores. Porém, a fotografia é muito boa e mantém o nível dos filmes anteriores.
No mais, "Um Lugar Silencioso: Dia Um" é bom filme que funciona dentro da proposta do universo da franquia. O problema aqui é quando este filme vem com a proposta de prequela, de ser o dia um, e no fim não entrega absolutamente nada de novo, sendo apenas o mais do mesmo. Por outro lado a bilheteria arrecadou mais de US$ 261 milhões em todo o mundo com um orçamento de US$ 67 milhões. E no fim o filme falha como prequela mas ainda consegue unificar a franquia, pois ele entrega exatamente o que já vimos nos filmes anteriores.
Um lugar Silencioso, ou Um Gato Silencioso?
- 31/12/2024
A Culpa é das Estrelas
3.7 4,0K Assista AgoraA Culpa é das Estrelas (The Fault in Our Stars) 2014
A Culpa é das Estrelas é dirigido por Josh Boone ("Os Novos Mutantes") a partir de um roteiro de Scott Neustadter ("Daisy Jones And The Six") e Michael H. Weber ("Artista do Desastre"), baseado no romance de 2012 de mesmo nome de John Green. A história é centrada em uma paciente com câncer de dezesseis anos, Hazel Grace Lancaster, interpretada por Shailene Woodley, forçada por seus pais a frequentar um grupo de apoio, onde ela conhece e posteriormente se apaixona por outro paciente com câncer, Augustus Waters, interpretado por Ansel Elgort.
"A culpa é das estrelas" é um livro que eu ganhei de uma amiga há algum tempo. Como o gênero do livro não é um dos meus estilos preferidos de leitura, eu acabei deixando ele guardado no fundo da minha estante de livros. Nesse final de ano eu decidi dar uma organizada na estante e acabei separando os livros que eu ainda não tinha lido, e resolvi dar uma chance para eles. Foi exatamente o que aconteceu com o livro de "A culpa é das estrelas", que estava guardado e eu sequer me lembrava da sua existência. Resolvi ler o livro e logo após assistir o filme, e não é que eu me surpreendi em um contexto que eu estava com zero expectativas.
Sobre o livro:
O livro me surpreendeu, pois eu esperava uma história bem clichê, aquele típico romance adolescente mais do mesmo, que sempre encontramos por aí. Porém, com o passar das páginas a história foi me cativando e ficando cada vez mais interessante. É inegável que a história é sim um clichê, mas com elementos que discutem vários pontos que são importantes para a nossa vida no dia a dia.
Temos aqui a história de superação, de motivação, da ambição pela vida, de estar vivo, de querer viver os momentos da vida como se cada um fosse os últimos, e de fato poderia ser. Temos a história da Hazel e do Augustus, dois adolescentes que irão viver a maior aventura amorosa de suas vidas. O ponto em questão é realmente as condições de vida dos personagens, uma vez que eles possuem doenças terminais. Eu coloco a história como uma verdadeira carta de adeus, uma despedida da vida, que apesar de iniciarmos a história já sabendo da doença terminal da Hazel, mas queremos que ela lute pela vida, queremos que ela não desista da vida, não queremos que ela morra, e sim, queremos que ela viva esta sua história com o Augustus.
Eu diria que "A culpa é das estrelas" é um bom livro, ainda mais se você gosta do gênero em questão. E no final você também poderá se surpreender!
Sobre o filme:
No início você pode achar que "A culpa é das estrelas" é mais voltado para o público adolescente, até por contar com um elenco formado por Shailene Woodley e Ansel Elgort. Por outro lado você também pode achar que o filme é mais um melodrama forçado, feito com o único intuito de arrancar às lágrimas do público a qualquer custo. Porém, isso foi um ponto que me surpreendeu tanto no livro quanto no filme. Pois em momento algum a história pesa a mão nessa questão, o tema central já é bem especificado desde o início. Desde o começo você já sabe das condições da doença da Hazel e do Augustus, que ambos são adolescentes que estão vivendo os seus últimos dias, por mais doloroso que isso possa parecer, mas ambos são vítimas de uma doença terminal.
Por mais que o tema central da história seja o câncer, o que fatalmente poderia levar o tom e o ritmo do filme para o melodrama, temos uma Hazel que enfrenta a sua doença, que age como qualquer adolescente, que se estressa com os pais, que se apaixona, que usa uma autoparódia como sua válvula de escape para o seu problema no dia a dia. O mesmo posso falar do Augustus, que é divertido, irreverente, sarcástico com sua própria perna amputada pela doença. Ou seja, ambos vivem as suas vidas como qualquer adolescente, usufruem dela como qualquer pessoa, por mais que eles tenham toda dificuldade imposta pela doença, por mais que eles saibam que tem pouco tempo de vida. Este é ponto que faz de "A culpa é das estrelas" um filme adolescente que trata de um tema sério de forma séria, sem a banalização, sem apelar para o melodrama, sem forçar a barra com uma autopiedade, sem querer propagar uma vitimização.
Um ponto que merece ser destacado e enaltecido, é exatamente a adaptação do livro de John Green. Que é feito com bastante fidelidade, fazendo o simples sem querer inventar demais, sem querer polemizar em cima da obra, sem querer criar teorias sobre o destino dos personagens. Ou seja, um exemplo a ser seguido quando se trata de adaptações literárias. Outro ponto que o diretor acerta, é sobre a construção das cenas que envolve a exposição da doença de ambos os personagens, onde temos cenas mais rápidas e objetivas, quando se trata do problema pulmonar da Hazel e a perna amputada do Augustus. Pois é fato que outro diretor optaria por usar estas cenas para criar impacto, para comover o público.
Sobre o elenco:
Shailene Woodley ("Big Little Lies") entrega uma performance no ritmo certo de sua personagem, ela consegue dosar os momentos mais eufóricos (como na viagem para Amesterdã) com os momentos de maiores tristezas (como nos acontecimentos finais). Acredito que ela foi uma ótima escolha para dar vida para a história de Hazel Grace Lancaster.
Ansel Elgort ("Em Ritmo de Fuga") é o contraponto perfeito para a personagem da Shailene, pois ambos conseguem adquirir uma química instantânea, ambos conseguem comprar a nossa atenção e consequentemente a nossa empatia. Ansel é um ator muito talentoso e versátil, ele consegue incorporar muto bem o personagem, ele conseguiu acertar o timing perfeito do Augustus do livro, que é justamente ser esse cara extrovertido, brincalhão, sempre com suas tiradas cômicas, mostrando que estar vivo e apaixonado pode ser maravilhoso, mesmo sabendo da sua condição.
Nat Wolff ("Murder at Yellowstone City") é o Isaac, o melhor amigo cego de Augustus. Ele também consegue acertar o personagem com relação ao livro.
Laura Dern ("Jurassic World: Domínio") está perfeita como a Frannie Lancaster, mãe de Hazel.
Assim como o Sam Trammell ("Homeland"), o Michael Lancaster, pai de Hazel.
Pra finalizar eu não poderia deixar de citar a presença ilustre do grande Willem Dafoe ("Pobres Criaturas") como Peter Van Houten. O personagem Peter Van Houten no livro eu achei bem questionável, por mais que no final descobrimos o real motivo para ele estar ali presente na história, mas como um todo eu achei o seu contexto um tanto quanto desnecessário. Porém, isso não anula a elegantérrima presença do Sr. Willem Dafoe.
Tecnicamente o filme é modesto mas é bem feito!
A trilha sonora por sinal é bem modesta, mas é muito bem acertada, uma vez que a trilha sonora não apela para ritmos que fatalmente irá forçar a comoção do público. A fotografia é bem ajustada, é bem trabalhada juntamente com toda a cenografia.
Gostei da referência que o filme não deixou de fora, com relação ao uso do cigarro apagado do Augustus. Particularmente eu acredito que o cigarro é usado como uma metáfora para simbolizar o sufocamento da vida que é sentido pelo próprio Augustus.
"A culpa é das estrelas" ainda nos deixa algumas lições de vida:
Por exemplo o fato de se colocarmos no lugar da Hazel, pois ela tem uma doença terminal, ela tem pouco tempo de vida, ela sabe que vai morrer, ela é pessimista, ela fica chateada, ela fica estressada, a vida não tem mais graça, a vida não tem mais cor, a vida não tem mais sentido, porém ela insiste em viver, ela quer estar viva, ela quer viver esse seu pouco tempo de vida com o Augustus, ela se apega ao seu último fio de esperança. Esta é uma reflexão que podemos fazer em nossas vidas, pois você não tem uma doença terminal como a Hazel, você não precisa carregar um balão de oxigênio o tempo todo, e mesmo assim você é pessimista, você não dá o devido valor por simplesmente estar vivo e sem um prazo para a sua vida acabar.
Podemos fazer várias reflexões:
"Tudo é infinito enquanto dura! Não importa quanto tempo temos para aproveitar a vida. O importante é aproveitar e viver intensamente agora. Não sabemos quanto tempo ainda nos resta."
"A felicidade está nos momentos e nas coisas simples. Basta saber olhar e saber valorizar cada momento."
"É fundamental aprendermos a dar valor a uma conversa, ao conforto de um abraço, ao sorriso, enfim coisas simples que fazem parte do nosso dia a dia. E que só precisam de um olhar mais atento e um coração simples para nos trazer felicidade."
"Mesmo em meio à dor, ver as coisas pelo lado positivo sempre ajuda. Não podemos permitir que os problemas dominem nossa vida ao ponto de perder a fé, a esperança e a alegria."
"Fugir da dor pode apenas prolongar o sentimento e trazer consequências à saúde e ao bem-estar. É importante saber encarar a dor e conviver com ela. Não podemos deixar que ela nos domine, mas podemos aprender com ela."
"São os sonhos que nos impulsionam a seguir em frente. E cada passo em direção a este sonho deve ser valorizado. Muitas vezes, a busca é que torna o encontro mais feliz. Sempre há um motivo para viver e correr atrás dos nossos sonhos."
"A culpa é das estrelas" me surpreendeu muito, eu jamais poderia imaginar que em um filme adolescente eu fosse encontrar os temas e os pontos que foram abordados. Posso afirmar que esta história em si vai muito além de uma doença, pois estamos diante de uma lição de superação, de amor, de carinho, de convivência, de descobrimentos, de revelações, de saber aproveitar o que se tem, enquanto se tem. Verdadeiramente é uma lição de vida diante do inevitável, a morte!
"Nem todo mundo que chega na sua vida, vem com a intenção de ficar. Da mesma forma, que nem todos os que se foram, queriam partir. Você me deu uma eternidade dentro dos nossos dias numerados. Não sabe como sou muito grata por nosso pequeno infinito."
Hazel Grace
- 27/12/2024
Coringa: Delírio a Dois
2.5 924 Assista AgoraCoringa: Delírio a Dois (Joker: Folie à Deux) 2024
"Coringa 2" é dirigido por Todd Phillips a partir de um roteiro que ele coescreveu com Scott Silver. Baseado em personagens da DC Comics, o longa-metragem é uma sequência direta de "Coringa" (2019). Joaquin Phoenix repete seu papel como Arthur Fleck/Coringa, e dessa vez ele conta com a presença de Lady Gaga como Harleen "Lee" Quinzel, seu interesse amoroso. "Coringa 2" traz um Arthur Fleck que no momento está internado em Arkham, aguardando julgamento por seus crimes como o Coringa, anteriormente. Ele continua com sua guerra pessoal ao ter que lidar com sua dupla identidade, quando se depara com o amor e encontra a música que sempre esteve dentro de si.
Em 2019 "Coringa" foi uma aposta da Warner, visto que o estúdio apostava em contar o princípio e o desenvolvimento de um vilão. Vilão este que geralmente sempre esteve ligado ao Batman, e aí que surge a pergunta: o Coringa pode existir sem o Batman? Dessa forma precisou de todo um estudo de personagem, contando com toda uma liberdade criativa, uma licença poética, para assim o personagem se desligar de outros personagens e criar a sua própria identidade e consequentemente o seu próprio universo. Tanto é que o longa traz uma verdadeira revolução dentro do universo cinematográfico do Coringa que já conhecemos, pois de fato o filme não tem ligações com as outras versões do personagem vistas anteriormente no cinema.
Dito isto, "Coringa" foi um verdadeiro marco na história das adaptações de HQ's para o cinema. Isso também se deu nas bilheterias, pois o orçamento do filme foi de US\$ 65 milhões e a bilheteria mundial ultrapassou US\$ 1 bilhão. Nos festivais de premiações, "Coringa" ganhou o Leão de Ouro no 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza. No Oscar 2020, "Coringa" liderou com 11 indicações, vencendo em Melhor Ator para Joaquin Phoenix e Melhor Trilha Sonora para Hildur Guðnadóttir.
Todo o sucesso de críticas do "Coringa" se deu justamente por ser um filme fora dos padrões das adaptações de HQ's. Pois o filme é cru, seco, niilista, intrínseco, peculiar, pertinente, que nos relata como uma sociedade decadente tem o poder de causar distúrbios mentais em uma pessoa e transformá-la em um vilão, ou em uma vítima. Posso ir ainda mais além ao destacar como o longa consegue capturar o espírito daquele momento da cidade e do governo em Gotham City, o que canaliza muitas frustrações e retrata uma sociedade fria, repleta de instituições decadentes, mantidas por um fio, que empurram Arthur Fleck para a insanidade e consequentemente para a violência.
Verdadeiramente "Coringa" fez um sucesso estrondoso e teve todos os méritos possíveis para isto, se consolidando como o melhor filme da DC/Warner. Eu coloco "Coringa" na prateleira das melhores adaptações de HQ's de todos os tempos, juntamente com obras como "Homem Aranha 2" (2004), "Batman: O Cavaleiro das Trevas" (2008) e "Vingadores: Ultimato" (2019). E digo mais: "Coringa" deveria ter levado o Oscar de Melhor Filme em 2020. Eu gosto de "Parasita" (2019), é de fato excelente e traz abordagens ácidas e pertinentes como um todo, mas "Coringa" é mais imponente e se destaca como uma uma obra-prima revolucionária e categórica.
Diante de todos os fatos apresentados por "Coringa" lá em 2019, seria mais do natural que o estúdio apostasse em uma continuação, até pela bilheteria que o longa fez. Sendo assim o sarrafo subiu demais, às exceptivas do público subiram demais. Desde que foi anunciado oficialmente, "Coringa 2" causou um alvoroço se destacando como uma das sequências mais aguardadas da atualidade cinematográfica. E não era pra menos, visto que praticamente todos do filme anterior estariam de volta, isso incluindo o diretor Todd Phillips, o roteirista Scott Silver, o diretor de fotografia Lawrence Sher, o compositor Hildur Guðnadóttir, além, é claro, o monstruoso Joaquin Phoenix e a melhor e mais completa artista da atualidade, Lady Gaga. Ou seja, toda a receita para um novo sucesso estava pronta, era só fazer acontecer. Porém, não foi bem isso que aconteceu.
Para início de conversa, "Coringa 2" foi concebido como um filme independente, embora a própria Warner Bros. pretendesse que o filme lançasse uma nova série de filmes, algo como uma nova franquia de filmes com tons mais sombrios, que seria desenvolvido como a "DC Black". "Coringa 2" está sendo duramente criticado pelo público e pela crítica especializada, algo como uma não conexão com o público que foi algo imediato conquistado pelo filme anterior. O longa está sendo um verdadeiro fracasso nas bilheterias, já que seu orçamento esteve com custos de US$ 200 milhões e ele fez apenas US$ 40 milhões nos Estados Unidos, menos da metade do valor arrecadado em 2019 com o primeiro filme. Isso tem deixado a Warner extremante preocupada.
Como eu adoro o primeiro filme e o considero como uma verdadeira obra-prima do cinema, devo admitir que eu tinha uma grande expectativa com a realização dessa continuação. Porém: fiquei decepcionado como a grande parte do público? Sim e não (confuso? Eu sei! - rsrsrs). Para começar eu gostei do filme, não era exatamente o que eu estava esperando, mas também não é todo esse desastre que a crítica aponta. Porém, eu entendo grande parte das críticas, pois o diretor foi ousado demais em sua decisão, ele foi além do simples, além da sua zona de conforto, que seria entregar o básico que deu tanto certo no primeiro filme. Acredito que o Todd Phillips quis se desafiar e não quis jogar na segurança, que seria fazer o simples bem feito.
O primeiro "Coringa" ganhou uma enorme notoriedade e se destacou justamente pela forma como ele foi desenvolvido e entregado, sendo aquela representação de uma personalidade com uma mente deturpada e doentia que foi de certa forma corrompida pela sociedade e por traumas em seu passado, o que justamente desencadeou na transformação do Arthur Fleck no Coringa. Então, o que o público poderia de fato esperar de uma provável (ou improvável) continuação? Talvez a crítica fique pela a sequência que o roteiro decidiu seguir? Se passando grande parte com o julgamento pelos crimes cometidos pelo Arthur enquanto o Coringa. E aqui eu até acho que o roteiro força bastante nesse tema, o tribunal, e deixa grande parte do potencial do próprio Coringa de fora, Uma vez que às cenas do julgamento se tornam um pouco mornas demais e o Arthur transformado no Coringa fique mais à cargo da sua imaginação.
Por outro lado eu acredito que o que de fato pegou o público foi o tom empregado pelo próprio Todd Phillips em seu longa, que verdadeiramente podemos chamá-lo de suspense musical. Apesar do próprio Todd não considerar o seu filme como um musical, temos sim uma película musical no fim das contas. E nesse ponto pode entrar o preconceito do público com musicais (especificamente falando do público brasileiro). Os americanos amam musicais e não é à toa que tivemos "La La Land" (2017) ganhando o Oscar de Melhor Filme (ou não - rsrsrs!). Mas será que realmente era necessário um musical em "Coringa 2"?
Para falar dessa parte musical do filme eu preciso puxar o gancho da Lady Gaga, que pra mim é o principal estopim para despertar a faísca de Arthur Fleck para voltar ao Coringa. Gaga dá vida à Lee, uma paciente do Arkham State Hospital que fica obcecada por Arthur e forma um relacionamento romântico mortal com ele. Lee é manipuladora, persuasiva, invasiva, maquiavélica, contraditória e bastante letal. Ela é a responsável em manipular o Arthur o tempo todo, conseguindo mexer com sua mente e seu corpo, despertando seus sentimentos e desejos mais obscuros. Definitivamente Lee é um estudo de contradições, partindo do princípio que seu amor e sua obsessão pelo Arthur também são admiração e desgosto. A partir desse ponto Lee desperta a música dentro da alma do Arthur, o que de certa forma era algo que ele próprio desconhecia, ou não tinha total controle. É uma narrativa que navega diretamente no suspense, no drama, no psicológico, usando a música como uma válvula de escape para uma verdadeira loucura.
Acredito que a decisão do Todd Phillips em cenas musicais foi uma cartada justamente à loucura dos dois personagens em cena. Tanto que às partes musicais são apresentadas em um tom especificamente de delírios, alucinações, devaneios, fantasias, algo como uma fuga, um grito da alma. Por isso eu reitero que o diretor foi extremamente corajoso e ousado, em querer despertar estes sentimentos no público, indo por um caminho mais teatral e mais poético ao abordar um lado sombrio e obscuro, em mentes completamente fragmentadas.
Porém, foi uma decisão ousada e corajosa do diretor mas extremamente perigosa com a recepção do público. Pois grande parte das pessoas estavam esperando uma continuação mais objetiva do que superficial. Eu já tive muito preconceito com musicais, já virei a cara para vários filmes musicais, mas este foi um erro que eu concertei e hoje eu adoro musicais, claro que filtro alguns casos. Dessa forma eu não tenho nenhuma dificuldade com musicais, pelo contrário, é muito satisfatório assistir um belo musical - que é o caso de "Coringa 2", por que não? Mas o grande público não compactua da mesma opinião que a minha, sendo assim é normal que o público julgue o filme como monótono, arrastado e até superficial. Pode parecer uma ótima ideia a construção de um musical sombrio com o Coringa e a Harleen com um pano de fundo de violência, fantasia, alucinações e delírios. Porém, o sentimento que fica é de que tudo foi subaproveitado como um todo, uma vez que grande parte da trama se passa em um tribunal. Dessa forma é normal sentir a falta daquela energia carregada, perigosa e do caos do primeiro filme.
Outro ponto que pode gerar discursão é justamente o ponto que o roteiro levanta ao tentar desmistificar a ideia de que o Coringa é um personagem divertido, indo até naquela linha dos policiais sempre pedirem para o Arthur contar uma nova piada, que foi algo que ficou no ar durante todo o filme até a última cena exatamente na prisão - por sinal uma cena impactante! A própria Lee representa a imagem do pior dos fãs, que é caracterizado como aquele que quer que seu ídolo nunca saia do personagem, e finge desesperadamente ser algo que não é, como se isso fosse realmente bom ou necessário. Tradicionalmente podemos considerar que o Coringa que seduz a Harley Quinn para que ela se torne parte dele, já aqui este papel é invertido, uma vez que a Lee usa a própria mente do Coringa contra ele próprio.
Outro ponto bastante questionável é o fato do filme querer pregar uma desconstrução e descaracterização do Coringa. Como se desmontasse o mito de que o Coringa representa algo além da violência crua e desenfreada. Grande parte do roteiro tenta desesperadamente abordar o fato de que o Coringa é uma identidade/personalidade diferente do Arthur, como o próprio discurso de defesa apresentado no tribunal durante seu julgamento. Até dá pra considerar uma ideia sobre a possível desconstrução do personagem, mas a execução deixa muito a desejar.
Joaquin Phoenix novamente em uma atuação excelente, com uma entrega no personagem absurda. Tanto que na primeira cena você imediatamente já nota o quanto ele está magro, chega a ser pavoroso. Phoenix novamente nos entrega o seu Coringa sombrio, obscuro e mórbido em um nível de facetas impressionante.
Já a Gaga é o contraponto ideal de Phoenix na trama, algo como um complemento ao seu personagem, e devo dizer que ela entrega uma atuação bastante condizente com a proposta da sua personagem. Gaga consegue passar aquela personalidade manipuladora, dominante e letal. Ela realmente tem essa veia para personagens mais desafiadores. Porém, eu acho que faltou um algo a mais em sua personagem, não sei se foi o tempo dela, talvez o desenvolvimento, talvez as suas canções que não foram tão memoráveis, mas eu fiquei com a sensação de um baita talento em até certo ponto desperdiçado.
Harry Lawtey foi uma figura bastante interessante e intrigante com o seu promotor público assistente que planeja levar Arthur à justiça por seus crimes. Eu diria que foi uma participação bastante curiosa do Harvey Dent.
Tecnicamente temos vários pontos que merecem um destaque.
Novamente a direção do Todd Phillips é acertada e condiz perfeitamente com toda sua ousadia e coragem. A trilha sonora de Hildur Guðnadóttir é excelente, assim como já havia sido no primeiro filme. Curioso que a trilha sonora do filme inclui 16 números musicais, a maioria deles covers de músicas pré-existentes, com uma música original escrita por Lady Gaga. Ela lançou um "álbum complementar", Harlequin, em 27 de setembro de 2024. A fotografia navega na mesma temática de decadência do filme anterior, o que transcende cada cena do filme, seja ela no tribunal, na penitenciária, ou até mesmo nas ruas. A direção de arte é um show à parte. É impressionante como a direção de arte consegue se encaixar perfeitamente dentro do padrão e da proposta do filme. Sem falar na montagem, edição, mixagem, figurinos e maquiagens, tudo minunciosamente muito bem estruturado. Tecnicamente e artisticamente o longa de Todd Phillips é novamente uma obra-prima!
Por fim: "Coringa 2" se encaixa perfeitamente naquele padrão do ame ou odeie. Infelizmente eu tenho que admitir que o filme não agrega em nada na história já traçada, não consegue caminhar com as próprias pernas e vive o tempo todo na sombra do anterior. Sendo assim eu também considero esta continuação como desnecessária, já que o primeiro filme é efetivamente autossuficiente em tudo que se propôs.
Eu confesso que tinha uma outra ideia sobre o filme, e de fato ele fugiu bastante das minhas expectativas. Porém, contudo, no entanto e todavia, eu reitero que gostei do filme, não o considero como esta bomba toda que todos estão considerando. Pelo contrário, eu ainda consigo enxergar uma abordagem sobre uma mente fragmentada, deturpada, distorcida, uma manifestação de uma doença mental em seu estado mais alterado e doentio. "Coringa 2" é ousado e corajoso, que entrega o discurso que ele quer contar e não necessariamente o que o público idealiza e almeja, mesmo que pra isso soe como uma obra que se apegue mais ao excêntrico, ao extravagante, exibindo o seu lado mais teatral e poético.
- 23/12/2024
O Menino do Pijama Listrado
4.2 3,7KThe Boy in the Striped Pyjamas (O Menino do Pijama Listrado) 2008
O longa é dirigido e roteirizado pelo britânico Mark Herman e baseado no livro de John Boyne, que foi escrito em 2006.
O Menino do Pijama Listrado narra a vida do pequenino Bruno (Asa Butterfield), um garoto de 8 anos que vive com sua família em Berlim nos anos 40 durante a segunda guerra mundial. Filho de um oficial nazista que assume um cargo de extrema importância dentro do partido, Bruno e sua família terá que se mudar para o campo. Um local totalmente vazio e sem qualquer interesse para uma criança de 8 anos, porém, Bruno descobrirá uma maneira de transformar a sua vida.
O Menino do Pijama Listrado é um filme belíssimo, ao mesmo tempo assustador e de muita importância para a humanidade nos dias de hoje. No início podemos observar uma linda Berlim dos anos 40 sendo contemplada pela inocência e pureza das crianças brincando e correndo pelas ruas com a maior felicidade possível. Isso que deixa o longa cada vez mais interessante, em nos apresentar uma felicidade em locais coloridos e cheio de vidas, ao mesmo tempo que se confronta com a dor e o desespero em um período de guerras com locais mórbidos, densos e mortos.
Devo destacar o roteiro do longa! Completamente fantástico e coeso. Somos direcionados pela perspectiva dos olhos do pequeno Bruno. O roteiro faz questão de apresentar a sua história pela forma que Bruno vê o seu mundo - seus amigos, sua família, seu dia a dia em sua nova casa e muito além disso, as suas novas descobertas e aventuras desse pequeno explorador. Ao mesmo tempo que o roteiro usa como pano de fundo os acontecimentos em "Auschwitz", durante a Segunda Guerra Mundial e o assombroso "Holocausto".
Nesse ponto que o roteiro me pegou! Eu sou um apaixonado e muito curioso por obras que retratam os terríveis acontecimentos que abalou a raça humana durante os períodos das guerras, principalmente quando toca no "Holocausto" e nos campos de concentrações de Judeus.
Com certeza eu vou achar o filme fantástico, pela sua maneira em apresentar uma criança completamente pura e inocente dentro de um mundo de crueldade e brutalidade causado pelos adultos. A forma doce e singela que Bruno só quer brincar e se divertir com seu novo amigo, sem a maldade e a arrogância que se instalou nos corações Nazistas (se é que eles tinham um). Essa é a magnitude do filme, essa é a magia do filme, em demonstrar que ninguém nasce odiando ninguém, as crianças eram puras e inocentes nos períodos das guerras. O ódio era enfiado em seus corações e em suas mentes na medida que iam crescendo e sendo ensinadas pelos tutores alemães (como o filme demonstra muito bem).
O período do "Holocausto" foi uma época muita dura e perversa para a história da humanidade, e tudo que hoje em dia retrata essa passagem em livros e filmes desperta a minha curiosidade (como a obra épica e magnífica de Steven Spielberg intitulada "A Lista de Schindler"). A forma violenta e brutal que o filme nos mostra a vida dos judeus nos campos de concentrações e nas casas servindo os alemães é de cortar o coração. A inocência e a pureza de uma criança era confrontada com a perversidade e a crueldade dos adultos. O filme é muito duro e muito doloroso quando paramos pra analisar cada detalhe que nos é passado. A inocência de uma criança é algo tão puro e singelo ao ponto de nos apresentar a cena em que Bruno diz para seu novo amigo, que não era justo ele está ali preso e sozinho, enquanto seu amigo brincava com as outras crianças todos os dias. Sem ao menos perceber o que aquilo tudo significava.
Não posso deixar de destacar a fotografia e a trilha sonora do filme, que foram pontos cruciais para todo encanto e beleza, se misturando com a dor e a tristeza. Uma fotografia estupenda e muito bem apresentada em cada foco e tomada de cena. A fotografia era a responsável em nos imergir em mundo colorido que facilmente nos representaria a vida em seu maior tom, ao mesmo tempo que facilmente nos assombrava e nos apavorava com a densidade morta do outro lado da cerca elétrica. O conhecidíssimo compositor James Horner é o grande responsável pela beleza e leveza dos mais profundos e tocantes sons de pianos que pairava sobre os momentos mais tensos da trama. Que trilha sonora encantadora, que esteve presente em quase 100% do filme.
Asa Butterfield é o grande nome do filme, sem dúvida ele foi o grande responsável em cativar a minha atenção de todas as formas possíveis. Bela atuação com a leveza e a pureza que só uma criança consegue ter. Vera Farmiga completa muito bem o seu papel de mãe, se destacando com uma impressionante cena final, com uma carga dramática incrível. David Thewlis está magnífico em sua atuação, ele consegue expor um general Nazista do mais alto e cruel nível, praticamente a figura do "Führer" (só lhe faltou o bigode). Amber Beattie faz a irmã mais velha de Bruno com muita segurança. Era realmente incrível como os alemães moldavam as cabeças das crianças e dos adolescentes desde cedo (como o filme destacou muito bem com Gretel de apenas 12 anos). E por fim Jack Scanlon, que nos demonstrava o medo e a angústia de uma criança de apenas 8 anos dentro de um uniforme (maior que ele) com uma numeração que infelizmente não tinha nada a ver com um simples pijama listrado.
O Menino do Pijama Listrado é mais uma belíssima obra que confronta um dos maiores sofrimentos da história da humanidade, com a pureza e a inocência de uma criança. Realmente é um relato muito forte, pesado, incômodo e assombroso, com uma das cenas finais mais triste da história do cinema. Até agora eu ainda não consegui me recuperar do foco daquela cena final com aquela trilha sonora de fundo que estraçalhou com o meu coração - Lágrimas!!! [03/07/2018]
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É realmente muito curioso como às nossas opiniões mudam com o passar do tempo, e principalmente quando buscamos mais informações e embasamento acerca de tal assunto.
Este caso se encaixa perfeitamente aqui, pelo fato da época em que escrevi este texto acima eu ainda não ter lido o livro "O Menino do Pijama Listrado". Ou seja, tudo que eu presenciei no filme me impactou naquele momento unicamente pelo próprio filme e a forma como ele foi elaborado.
Outro ponto que me fez gostar muito do filme na época foi exatamente a minha paixão por obras que retratam esta passagem da humanidade - o Holocausto. Pelo fato de gostar muito de filmes com esta temática e de não ter lido o livro, eu não me atentei à detalhes cruciais dessa adaptação de Mark Herman.
Falando especificamente do livro:
O livro é excelente, impecável, muito bem elaborado, muito bem escrito, onde ele consegue nos transmitir toda pureza e inocência do pequeno Bruno sendo confrontada com a perversidade e crueldade humana. O livro tem a capacidade de mergulharmos de cabeça naquela história, de entendermos e sentimos como tudo aquilo transcorria com uma forma bizarramente normal.
O livro consegue ter uma história forte, pesada, incomoda, ao mesmo tempo sendo leve na medida certa. Lendo o livro você consegue sentir como tudo aquilo é realmente uma história alemã, tirada daquele período alemão, você praticamente compra a ideia de ser um livro alemão.
Como eu vejo o filme hoje:
A adaptação é boa, é bem detalhada, grande parte das principais cenas do livro estão no filme, até os diálogos são praticamente os mesmos do livro. O filme consegue entregar aquele confronto entre a inocência com a brutalidade. Ou seja, o filme tem vários pontos positivos em relação ao livro.
Porém, revendo o filme hoje após ter lido o livro eu pude constatar que o maior erro do filme está exatamente em seu idioma. É praticamente impossível comprar a ideia do filme se passar na Alemanha exatamente no período do Holocausto e ter um núcleo inteiramente se comunicando em inglês. Todo o elenco do filme falando em inglês deixou a obra muito superficial, genérica, sem aquele peso histórico que é sempre comprovado no livro.
O elenco em si também sofre com este caso da língua, pois cada atuação é diretamente impactada com este quesito, que a meu ver foi o ponto crucial em deixar esta adaptação completamente fora de ritmo com o principal propósito de toda a história.
Aquela cena, logo no início, onde todos estão saudando o comandante em sua casa com o famigerado "heil hitler", quando todos estão conversando em inglês e curiosamente o hino alemão é tocado em um piano ao fundo, é o ápice dessa bizarrice na questão do idioma dessa adaptação.
Pode ser que a grande maioria que até leu o livro não irá se importar com este ponto, ou até mesmo pra quem assiste o filme dublado. Porém, no meu conceito é um erro crucial que impacta diretamente em toda adaptação cinematográfica.
E como quase sempre acontece em adaptações literárias, o livro "O Menino do Pijama Listrado" é melhor que o filme. Porém, a cena final do filme é mais angustiante que no livro!
- 03/07/2018 ⭐⭐⭐⭐⭐
- 07/11/2024 ⭐⭐⭐
Better Call Saul (2ª Temporada)
4.3 363 Assista Agora🚨🚨🚨 ⚠ TEM SPOILERS ⚠ 🚨🚨🚨
Better Call Saul (2ª Temporada) 2016
A segunda temporada de "Better Call Saul" estreou em 15 de fevereiro de 2016 e concluiu em 18 de abril de 2016. A temporada continuou sendo exibida com os dez episódios e continuou sendo transmitida nas noites de segunda-feira nos Estados Unidos pela AMC.
A segunda temporada se passa principalmente em 2002, como havia acontecido na temporada anterior. O grande Bob Odenkirk retorna com seu incrível Jimmy McGill, onde ele constrói uma rixa ainda maior com seu irmão Chuck (Michael McKean). Também temos o retorno de Kim Wexler (Rhea Seehorn), a advogada da Hamlin, Hamlin & McGill (HHM) que é amante (ou namorada, é difícil entender esta relação) de Jimmy e ex-colega de trabalho da sala de correspondência. Durante a temporada Kim deixa a prática da advocacia na HHM para começar um escritório solo que ela divide com Jimmy. Jonathan Banks também está de volta com seu colossal Mike Ehrmantraut; dessa vez ele se envolve em um conflito com o cartel de drogas mexicano após uma confusão com o emblemático Tuco Salamanca (Raymond Cruz), que foi planejada por Nacho Varga (Michael Mando ). Isso resulta em Mike colidindo e se tornando o principal alvo do icônico tio Salamanca, o tio do Tuco, Hector (o inesquecível Mark Margolis).
Durante a temporada Jimmy começa a trabalhar na D&M, mas desiste depois de ser repreendido pelos métodos de divulgação de seus clientes. Kim é rebaixada por causa das ações de Jimmy. Para recuperar seu status, ela garante o Mesa Verde Bank como cliente da HHM, mas Howard (Patrick Fabian) nega seu crédito.
Esta segunda temporada de "Better Call Saul" me chamou muito mais a atenção em relação a primeira, isso se deu pelo fato de eu começar a observar uma certa mudança de estrutura e contexto dentro da série. Eu quero dizer que esta temporada começa a se assemelhar muito mais com a série "Breaking Bad" (2008), já que é nessa temporada que o cartel mexicano entra com força na série e protagoniza grande parte dos eventos com os Salamancas no encalço do Mike. Eu acredito que esta foi uma decisão proposital da produção da série, começar com a primeira temporada fugindo um pouco de "Breaking Bad" e da segunda em diante se aproximar cada vez mais. Tanto que é nessa temporada que começamos a ter os retornos de personalidades importantes da série principal, o que obviamente vai ocasionar em uma espécie de universo compartilhado entre as duas séries. E já adianto que eu achei esta decisão fenomenal!
Novamente esta temporada já se inicia com outra cena futura em preto e branco, com o Saul Goodman na sua fábrica de rocamboles, onde ele fica preso no local de descarte de lixos e deixa uma curiosa mensagem na parede: "SG esteve aqui". De volta ao dia atual da segunda temporada, Jimmy por sua vez recusa trabalhar em uma empresa que poderia alavancar a sua carreira na advocacia e te dar muito dinheiro, para ficar aplicando pequenos golpes ao lado da Kim. Mike continua com seu plano de levantar cada vez mais dinheiro para deixar para sua neta em sua aposentadoria, onde ele aceita um trabalho muito suspeito de ser um guarda-costas em um esquema de compra de drogas diretamente do cartel mexicano. Dentro desse contexto Jimmy entra na jogada com sua figura de advogado para tentar amenizar toda a situação.
O interessante dessa temporada é justamente a parte onde o Nacho pede uma espécie de ajuda ao Mike para eliminar o Tuco da jogada do cartel de drogas, onde inicialmente o Mike recusa a proposta mas pela grana ele topa o trabalho. Porém com uma condição; que ao invés do Mike matar o Tuco ele faz com que ele vá preso pelo porte ilegal de arma. É justamente nesse quinto episódio que entra em cena o inigualável Hector Salamanca. Eu achei sensacional poder ver o Tio Salamanca atuando antes de ficar vegetando em uma cadeira de rodas em "Breaking Bad". Aqui podemos observar todo o seu poder e respeito adquirido dentro do cartel, que logo ele põe em prática ao enfrentar o Mike em uma improvável negociação da arma apreendida pela polícia para limpar a barra do Tuco.
A negociação entre o tio e o Mike não funciona, pois o Mike recusa a proposta, e logo ele passa a ser emboscado em sua casa pelos enviados do tio, onde logo ele envia ninguém mais ninguém menos que os gêmeos Salamanca para ameaçar o Mike. Esses gêmeos são fenomenais, que para quem assistiu "Breaking Bad" vai entender do que estou falando. A trama da temporada envolta do Mike cresce absurdamente quando ele planeja matar o Hector Salamanca por ter ameaçado a sua neta, é aí que o Mike passa a perseguir os passos do Hector e fazer emboscadas para chamar a sua atenção. O Mike até tenta uma emboscada no deserto para matar o Hector com uma sniper, mas acaba não dando certo.
Voltando para a trama principal da série, Jimmy é demitido da empresa de advocacia onde ele é convencido pela Kim, que também estava em baixa profissionalmente, a montarem juntos um próprio escritório de advocacia. Mas ela deixa bem claro que eles iriam apenas trabalharem juntos e não seriam sócios. Dentro de todo esse contexto temos uma cena inicial no sétimo episódio bem interessante na formação de caráter do Jimmy; que é a cena onde nos mostra o Jimmy criança na mercado do pai enfrentando uma situação curiosa com um sujeito que adentrou o estabelecimento unicamente com a intenção de aplicar um golpe no pai do Jimmy. Nessa cena este sujeito fala para o Jimmy a frase de como ser um lobo ou um ovelha, e ali já vimos o charlatão que o Jimmy viria a se tornar ainda criança.
A partir desse momento a série muda a chave na temporada e nos mostra o embate entre o Chuck com o Jimmy. Chuck decide sair em busca de atrapalhar os planos do novo escritório de advocacia do Jimmy e da Kim, e nessa busca ele acaba entrando em contato com várias eletricidades todas ao mesmo tempo, o que logo ocasiona em um grave ataque (Chuck sofre de uma espécie de hipersensitividade eletromagnética, uma alergia a eletricidade). O fim da temporada no décimo episódio ocorre justamente quando o Jimmy vai até a casa do irmão preocupado com a crise que ele teve por sua causa, chegando lá o Jimmy observa que o irmão ficou cada vez mais obcecado em se proteger da eletricidade, colocando papel alumínio em praticamente toda a casa. O Jimmy por sua vez tem um peso na consciência por tudo que ele causou ao irmão, e acaba confessando para o Chuck que foi realmente ele quem alterou os endereços dos formulários, só que o Jimmy não contava que o Chuck também era muito esperto e estava gravando escondido toda a confissão do Jimmy. E por fim a segunda temporada de "Better Call Saul" se encerra.
Sobre o elenco da série:
Bob Odenkirk continua fantástico no personagem, é impressionante como o personagem lhe caiu como uma luva. O interessante do seu personagem nessa temporada é justamente todos os seus arcos pessoais que lhe ocorre constantemente. Em várias oportunidades o Jimmy acaba entrando em uma crise emocional, tanto pelo seu relacionamento conturbado com o irmão, quanto pelo seu relacionamento com a Kim, e tudo acaba lhe afetando profissionalmente. Mais um excelente trabalho de Bob Odenkirk.
A Rhea Seehorn cresce notavelmente nessa temporada, ela passa a ser cada vez mais importante e relevante para todo o núcleo do contexto com o Jimmy. É muito interessante observar que ela ganha mais tempo de tela e mais espaço para construir o arco da sua personagem.
Michael McKean também tem um certo crescimento na série, ele passa a ser cada vez mais influente na série, tanto diretamente quanto indiretamente. Ele faz aquele típico personagem que nos dá raiva quase que o tempo todo. Ele me remete a incrível Skyler White (Anna Gunn).
Patrick Fabian tem uma participação mais modesta nessa temporada, mas ele não deixa de ser importante.
Michael Mando é outro que manda muito bem na temporada, seu personagem tem muito mais relevância e ele atua muito bem.
Raymond Cruz é soberbo no personagem, é incrível como o Tuco é uma criação perfeita destinada para ele.
Já o saudoso Mark Margolis dispensa comentários. Chega ser emocionante ver ele atuar na pele do lendário Hector Salamanca. Mark que infelizmente nos deixou no dia 03 de agosto do ano passado.
Agora precisamos falar do inigualável Jonathan Banks:
Quando eu decidi começar a assistir a série "Better Call Saul", eu sabia da presença do grande Mike Ehrmantraut, mas eu não imaginava que ele tomaria a proporção que ele vem tomando dentro da série. Nessa segunda temporada eu afirmo tranquilamente que o Mike é de longe o melhor personagem, o mais bem desenvolvido, o que mais impressiona, o que mais se destaca, o que definitivamente rouba a cena. Temos aqui uma espécie de background do velho Mike, onde ele sempre age com inteligência, frieza, sendo letal, imponente, enfrentando o cartel mexicano e principalmente o Hector Salamanca. O Bob Odenkirk é o protagonista da série e tem um ótimo contexto dentro dela, mas não posso deixar de destacar o absurdo que é a trama secundária do Jonathan Banks, que na minha opinião soa muito mais atrativa e prazerosa de se acompanhar.
Novamente a temporada se destaca em suas qualidades técnicas e artística. Assim como na temporada anterior, aqui temos um alto nível técnico no quesito de direção de arte, fotografia, trilha sonora, montagem, edição, figurinos, e principalmente na direção de cada episódio. Tecnicamente falando, não tem como "Better Call Saul" dar errado, pois a qualidade é a mesma encontrada em "Breaking Bad".
A segunda temporada de "Better Call Saul" recebeu elogios da crítica, com elogios às suas atuações e cinematografia, e seis indicações ao 68º Primetime Emmy Awards naquele ano, incluindo Melhor Série Dramática.
No Rotten Tomatoes, a segunda temporada tem uma pontuação de 97%, com base em 182 avaliações, com uma classificação média de 8,7/10. Já no Metacritic, a segunda temporada tem uma pontuação de 85 de 100, com base em 18 críticos.
Encerro afirmando que a segunda temporada de "Better Call Saul" sobe ainda mais no meu conceito crítico, e muito por alavancar um destaque maior em personagens fundamentais para o desenrolar de toda a história, que foi uma decisão acertadíssima por parte da produção. Esta segunda temporada está um passo à frente da primeira, por construir uma trama muito bem calçada, melhor trabalhada, melhor desenvolvida, acertando em pontos cruciais, que nos permite entrar em um novo mundo de complexidade ao aprofundar em temas da série principal - "Breaking Bad".
- 07/09/2024