Saí do filme com a sensação de ter assistido pela primeira vez um filme com roteiro de IA. Pra mim é a sensação de comer um sanduíche do McDonalds. Não é bom, e não é que ruim também; é que é plástico. Parece muito com comida, mas não é.
Peckinpah + Cronemberg + "Lolita" + "Mad Max" + "A Bruxa de Blair" + "Psicose" + Schwarznegger invertido, outros tantos que esqueci ou não peguei mesmo, mas especialmente, "Faster, pussycat, kill! Kill!" e "Death Proof". Quebrou o contador de referências por minuto. Apesar disso, Fargeat reúne essa avalanche de citações duma maneira muito autoral, muito própria dela.
Aí a pergunta que me faço é se devo odiar ou gostar do filme por conta disso. Na minha primeira tentativa, achei tão intragável que não consegui terminar de ver. Desta vez, acabei gostando - possivelmente porque a vivência de uma década de gospelização do Brasil tenha me feito mais propenso a gostar de blasfêmias, mesmo que de qualidade duvidosa.
Pra constar, o filme tem lá seus pontos positivos. As apropriações radicalmente diferentes do mito da criação e seu significado por Tubalcaim e pela linhagem de Set põem na boca do herdeiro de Caim algumas das consequências mais óbvias da leitura literal do começo do Gênesis, e fazem dele o avatar do mal-estar desejado por Arronofsky ao dirigir este filme - aliás, correu boato de que ele e Ridley Scott, que lançou na mesma época seu "Êxodo", disputaram entre si quem incomodaria mais o público fundamentalista com suas releituras das histórias da Torá.
Também merece registro a pergunta "você tem um nome?" feita a Ila, que, assim como a mulher de Noé, as duas mulheres de Tubalcaim, as esposas de Cão e Jafé, e quaisquer presumíveis filhas deles, é anônima na Bíblia.
De resto, é possível dar um desconto ao filme contextualizando que ele "segue" a história do livro de Enoque (livro canônico apenas na Igreja Ortodoxa Etíope), que dá mais detalhes sobre os nephilim do que a narrativa do mito do dilúvio no Pentateuco.
Por questões éticas, esse filme nunca deveria ter sido gravado, lançado e distribuído. Uma vez que ele já existe, lamento dizer que ele não é tão ruim quanto nossa moralidade tenta nos convencer que ele é. Trata-se de um conto quase didático sobre amadurecimento, descoberta da sexualidade, crueldade, dominação e submissão num ambiente idílico que ressalta a ambiguidade entre inocência e malevolência. O "sexploitation" dos corpos adolescentes ao longo do filme,
e a tortura até a morte de um pássaro em dado momento
são de fato perturbadores, mas não são apresentados de maneira completamente gratuita - apesar de tudo, ainda servem ao enredo. O que mais diminui o filme enquanto filme é mesmo a péssima direção de atores (num filme com apenas três, seria de se esperar um maior cuidado nisso!) - Martin Loeb e Eva Ionesco não chegam nem mesmo a fingir saber atuar ao longo da película.
O melhor trabalho na filmografia do autor. As imagens traduzem a perfeita (e dolorosa) confluência entre o Zeitgeist decadente-autoritário-pandêmico e a experiência pessoal do protagonista. Além disso, aqueles que tiveram a sorte de frequentar o círculo pessoal do diretor-ator podem atestar que nunca o paradoxo magrittiano foi exposto com maior naturalidade antes.
Os caras pegam (sem autorização, claro) foto de Sebastião Salgado tirada em Serra Pelada, 1986, e colocam no "documentário" (sic) como cena da guerrilha do Araguaia (às 1h22 da dita película).
Confundem as bolas e mostram foto de generais da ditadura chilena de Pinochet (!) quando querem apresentar a linha-dura da ditadura brasileira (isso ocorre aproximadamente às 1h32 do pseudodoc).
Não sei se o "documentário" se notabiliza mais pelo "rigor" das constatações ou pela "boa-fé" nas afirmações. Não tem como dar menos de meia estrelinha não?
Para um "herói lutando pelo bem maior", é de uma irresponsabilidade impressionante o que Thor faz ao literalmente roubar o Mjolnir de sua contraparte da realidade alternativa em que estava. Não se perguntou pelas consequências de sua ação egoísta e mesquinha? Impressionante ele ainda ter sido aceito como "digno" pelo martelo depois disso.
Da mesma maneira a interferência desastrada de Lang e Stark, que acaba com Loki à solta com o Tesseract. A galera simplesmente vai embora, e foda-se aquela realidade. Bravos "heróis"!
Mas nesse ponto alguém pode dizer: ué, mas no fim devolvem às jóias às suas linhas temporais onde foram pegas. Bom, então afinal, qual a lógica de viagem no tempo que tá valendo no filme? Alteração do fluxo temporal numa realidade única ou realidades distintas, como estabeleceram antes? Se são realidades distintas, a ação dos Vingadores criou uma linha temporal em que Loki fugiu com o Tesseract, e outra em que a joia foi devolvida (isso além da original deles). Fizeram uma bagunça em uma realidade alternativa com tanto direito à existência quanto a deles mesmos.
A cena da pedra da Alma também é de uma incoerência absurda. Se alguém se mata, não é você que tá sacrificando aquilo que mais ama, é a própria pessoa que tá se sacrificando. Fiquei pensando em chamar o Arnaldo César Coelho pra perguntar se pode isso.
Por fim, a Capitã Marvel, autoanunciada como a arma para resolver todas as guerras (e completamente desperdiçada na batalha final) não conseguir arrancar no braço a luva de Thanos, mas o Homem de Ferro conseguir fazer isso sem ele nem perceber: pode ser um ótimo fanservice, mas não faz o menor sentido.
Não me levem a mal, me diverti com o filme também, e dar um fim à saga das joias do Infinito enquanto se lida com aquela quantidade de personagens não é tarefa fácil. Ainda assim, os problemas estão lá... e esses são só alguns dos mais gritantes na lógica do roteiro.
Com tão pouco tempo de filme e tantos herdeiros intelectuais que Foucault deixou, pôr o oportunista do Geoffroy de Lagasnerie como um dos interlocutores privilegiados foi a pior escolha possível. Levou não só à superficialidade, já esperada, mas a erros de interpretação sobre a obra foucaultiana. Outro problema grave vem ao trocar a ordem dos fatores entre a polêmica em torno do As Palavras e as Coisas e as eventuais colaborações de militância política com Jean-Paul Sartre; faz parecer (deliberadamente?) que o afastamento entre Foucault e o marxismo - teórico ou militante - foi mais linear e progressivo do que realmente foi. O filme tem sua utilidade relativa pra quem não conhece nada do careca, mas não vai além disso.
("poliamor", no caso, ao menos a partir do happy end)
é sempre interessante, mas a série erra a mão na caricatura tosca que são todos os habitantes da cidadezinha, sem exceção. O enchimento de linguiça não ajuda: ao menos da metade da temporada em diante, os "dilemas" com que se vêem às voltas os personagens são francamente ridículos. Suponho que a culpa da má avaliação é ao menos parcialmente minha: o público alvo dessa "comédia romântica a três", está claro, são pré-adolescentes. Farei realmente o possível pra só assistir séries adequadas pra trintões rabujentos como eu, a partir de agora.
Queria deixar uma sugestão à galera que leu a coluna do Reinaldo Azevedo e, obediente, veio se cadastrar no Filmow pra dar meia estrelinha em Aquarius sem assistí-lo. A sugestão é: assistam o filme. Vai fazer um bem danado pra vocês.
Guardo poucas lembranças desse filme, que vi numa mostra no Rio algum tempo atrás (creio que na época do lançamento, pouco mais de ano atrás), mas lembro que me irritei com ele do começo ao fim. Talvez tudo que senti pelo filme decorra do fato de que a identificação com a protagonista, ou a mera simpatia, para mim, era (é) impossível. Sendo assim, só pude ver nesse longa uma mostra da boçalidade da burguesia brasileira e do pedantismo da ala mais intelectualizada dela. Tem seus momentos de beleza e demonstração de talento sim; mas ambos estão subordinados a uma estética pretensiosa e a um subjetivismo narcísico (que se não estivesse vinculado a uma determinada perspectiva de classe, eu talvez tivesse tolerado melhor).
Os Demônios/Os Possessos é um livro de Dostoievsky que retrata uma célula terrorista niilista (e suas intermináveis e sutis discussões ideológicas), da qual faz parte o suicida Alexei Nilych Kirillov, que planeja matar o emissário do czar e... ops, aqui é o espaço pra comentar "A Chinesa", de Godard, né? Foi mal, galera, confundi...
Incrível a congruência temático/estilística do cinema escandinavo, de "A Carruagem Fantasma" a Lars Von Trier, passando pelos maiores mestres dessa escola (se me permitem chamar assim esse curioso fenômeno de coerência quase secular) - Carl Theodor Dreyer e Ingmar Bergman. No caso de "Häxan", não consegui deixar de lembrar dos "Dias de Ira" (Dreyer) e do "Anticristo" (Von Trier) enquanto assistia: com décadas de diferença, a mesma competência e genialidade na análise da transmutação do medo e desejo que a alteridade feminina provoca no homem em feitiçaria e satanismo. Esse documentário ficcional (ou ficção documental?) só não chega à perfeição por se encerrar com a exposição das equivocadas teorias psicologizantes em voga na época; não pode acompanhar seus sucessores, na (irônica?) atribuição do veredicto: "culpada!" à Mulher - essa bruxa, essa demônia...
Uma resposta direta a "Os Sonhadores"? É a impressão que fica quando (sob a desculpa de uma menção a "Antes da Revolução") uma personagem vira para a tela e chama devagar: Bernardo Bertolucci. Se o filme termina sob o "sono dos justos" em que o sonho da revolução acaba, é só motivo para confirmar: estamos diante de outra tentativa de retratar o amor sob o maio 68, uma tentativa menos luminosamente deslumbrante (embora não menos bela), uma tentativa com menos pretensão de contágio (embora não necessariamente menos contagiante), mas exatamente por isso, uma tentativa mais sincera.
Linda fotografia, montagem genial, direção magistral, e um filme praticamente incompreensível - tive que recorrer à biografia do diretor/roteirista e puxar da memória fatos da história política recente do leste europeu para "montar" um significado. "Porque voltar para um lugar onde você será escravo" é a pergunta petulante de uma italiana que nada entende da Rússia, responde e pensa Gorchakov (óbvio alter-ego de Tarkovsky, ele mesmo auto-exilado na Itália no fim das filmagens da película, depois de dois anos de indecisão e voltas à mãe-pátria), protagonista de um filme cuja hermeticidade explica-se parcialmente pelo fato do script original ter sido escrito para aprovação pela Mosfilm, empresa estatal soviética de cinema - o conteúdo fundamentalmente político do filme TINHA que permanecer velado. Gorchakov dá a dica: somente com a extinção das fronteiras - logo, dos Estados - duas culturas ímpares como a italiana e a russa poderão entender-se. Mas quem ousará atravessar e anular a grande Muralha de Ferro que se ergueu na Europa da Guerra Fria, quem levará luz ao outro lado das águas de Santa Catarina? Só um louco ousaria, e logo, é de loucos que o mundo (e Gorchakov/Tarkovsky) precisa; foi a Razão que construiu até hoje os Estados, as Fronteiras, e logo as guerras. O preço que a loucura paga nessa oposição não é pequeno:
vemos repetir-se no filme o gesto de Ryszard Siwiec, polonês que em 8 de setembro de 1968 imolou-se vivo
em protesto contra a participação das tropas de seu país na ocupação da Tchecoslováquia, sob o comando da mesma URSS que, em 56, invadira a Polônia; os estudantes boêmios Jan Palach, Jan Zajic e o operário checo Evzen Plocek logo o acompanhariam fazendo o mesmo, neste que foi o soturno fim da Primavera de Praga.
Ouvir o "Ode à Alegria" durante esse espetáculo bárbaro, não é nem um pouco irônico, nem descabido: a mensagem ali é a mesma colocada em versos por Schiller, a mesma posteriormente musicada por Beethoven nesse famoso trecho da 9ª Sinfonia;
trata-se de unir a humanidade, trata-se de derrubar as fronteiras. Um grito desesperado, romântico, individual, e apesar e por isso mesmo, incapaz ainda de se transpor numa reivindicação coletiva. E no fim de tudo isso, então é loucura se trancar com a família esperando o fim do mundo por 7 anos? Tudo bem, tudo bem... mas lembremos: no momento das filmagens, o mundo inteiro já aguardava pacientemente seu fim, e já há quase quarenta anos...
Excelente roteiro, quem disse que a indústria pornográfica nunca teve neurônios? Toda a criatividade louca das animações dos anos 20 está aí, a serviço da cabeça de baixo!
Como Mágica
3.9 115 Assista AgoraSaí do filme com a sensação de ter assistido pela primeira vez um filme com roteiro de IA. Pra mim é a sensação de comer um sanduíche do McDonalds. Não é bom, e não é que ruim também; é que é plástico. Parece muito com comida, mas não é.
Planeta dos Macacos: O Reinado
3.5 398 Assista AgoraNão é o pior da franquia porque existe "De Volta ao Planeta dos Macacos" (1970).
Vingança
3.2 680 Assista AgoraPeckinpah + Cronemberg + "Lolita" + "Mad Max" + "A Bruxa de Blair" + "Psicose" + Schwarznegger invertido, outros tantos que esqueci ou não peguei mesmo, mas especialmente, "Faster, pussycat, kill! Kill!" e "Death Proof". Quebrou o contador de referências por minuto. Apesar disso, Fargeat reúne essa avalanche de citações duma maneira muito autoral, muito própria dela.
Eu adoro.
Noé
3.0 2,6K Assista AgoraEsculhambou completamente a narrativa bíblica.
Aí a pergunta que me faço é se devo odiar ou gostar do filme por conta disso. Na minha primeira tentativa, achei tão intragável que não consegui terminar de ver. Desta vez, acabei gostando - possivelmente porque a vivência de uma década de gospelização do Brasil tenha me feito mais propenso a gostar de blasfêmias, mesmo que de qualidade duvidosa.
Pra constar, o filme tem lá seus pontos positivos. As apropriações radicalmente diferentes do mito da criação e seu significado por Tubalcaim e pela linhagem de Set põem na boca do herdeiro de Caim algumas das consequências mais óbvias da leitura literal do começo do Gênesis, e fazem dele o avatar do mal-estar desejado por Arronofsky ao dirigir este filme - aliás, correu boato de que ele e Ridley Scott, que lançou na mesma época seu "Êxodo", disputaram entre si quem incomodaria mais o público fundamentalista com suas releituras das histórias da Torá.
Também merece registro a pergunta "você tem um nome?" feita a Ila, que, assim como a mulher de Noé, as duas mulheres de Tubalcaim, as esposas de Cão e Jafé, e quaisquer presumíveis filhas deles, é anônima na Bíblia.
De resto, é possível dar um desconto ao filme contextualizando que ele "segue" a história do livro de Enoque (livro canônico apenas na Igreja Ortodoxa Etíope), que dá mais detalhes sobre os nephilim do que a narrativa do mito do dilúvio no Pentateuco.
Maladolescenza
2.6 68Por questões éticas, esse filme nunca deveria ter sido gravado, lançado e distribuído. Uma vez que ele já existe, lamento dizer que ele não é tão ruim quanto nossa moralidade tenta nos convencer que ele é. Trata-se de um conto quase didático sobre amadurecimento, descoberta da sexualidade, crueldade, dominação e submissão num ambiente idílico que ressalta a ambiguidade entre inocência e malevolência. O "sexploitation" dos corpos adolescentes ao longo do filme,
e a tortura até a morte de um pássaro em dado momento
O Futuro é um Vazio
3.7 5O melhor trabalho na filmografia do autor. As imagens traduzem a perfeita (e dolorosa) confluência entre o Zeitgeist decadente-autoritário-pandêmico e a experiência pessoal do protagonista. Além disso, aqueles que tiveram a sorte de frequentar o círculo pessoal do diretor-ator podem atestar que nunca o paradoxo magrittiano foi exposto com maior naturalidade antes.
House of Cards (6ª Temporada)
3.1 203 Assista AgoraIrreconhecível.
1964: O Brasil Entre Armas e Livros
3.1 327Os caras pegam (sem autorização, claro) foto de Sebastião Salgado tirada em Serra Pelada, 1986, e colocam no "documentário" (sic) como cena da guerrilha do Araguaia (às 1h22 da dita película).
Confundem as bolas e mostram foto de generais da ditadura chilena de Pinochet (!) quando querem apresentar a linha-dura da ditadura brasileira (isso ocorre aproximadamente às 1h32 do pseudodoc).
Não sei se o "documentário" se notabiliza mais pelo "rigor" das constatações ou pela "boa-fé" nas afirmações. Não tem como dar menos de meia estrelinha não?
Vingadores: Ultimato
4.3 2,7K Assista AgoraAssim... nesse tipo de filme a gente tem que abdicar de exigir coerência e lógica de tudo, em nome do fluxo da história. Mas há limites pra isso.
Para um "herói lutando pelo bem maior", é de uma irresponsabilidade impressionante o que Thor faz ao literalmente roubar o Mjolnir de sua contraparte da realidade alternativa em que estava. Não se perguntou pelas consequências de sua ação egoísta e mesquinha? Impressionante ele ainda ter sido aceito como "digno" pelo martelo depois disso.
Da mesma maneira a interferência desastrada de Lang e Stark, que acaba com Loki à solta com o Tesseract. A galera simplesmente vai embora, e foda-se aquela realidade. Bravos "heróis"!
Mas nesse ponto alguém pode dizer: ué, mas no fim devolvem às jóias às suas linhas temporais onde foram pegas. Bom, então afinal, qual a lógica de viagem no tempo que tá valendo no filme? Alteração do fluxo temporal numa realidade única ou realidades distintas, como estabeleceram antes? Se são realidades distintas, a ação dos Vingadores criou uma linha temporal em que Loki fugiu com o Tesseract, e outra em que a joia foi devolvida (isso além da original deles). Fizeram uma bagunça em uma realidade alternativa com tanto direito à existência quanto a deles mesmos.
A cena da pedra da Alma também é de uma incoerência absurda. Se alguém se mata, não é você que tá sacrificando aquilo que mais ama, é a própria pessoa que tá se sacrificando. Fiquei pensando em chamar o Arnaldo César Coelho pra perguntar se pode isso.
Por fim, a Capitã Marvel, autoanunciada como a arma para resolver todas as guerras (e completamente desperdiçada na batalha final) não conseguir arrancar no braço a luva de Thanos, mas o Homem de Ferro conseguir fazer isso sem ele nem perceber: pode ser um ótimo fanservice, mas não faz o menor sentido.
Não me levem a mal, me diverti com o filme também, e dar um fim à saga das joias do Infinito enquanto se lida com aquela quantidade de personagens não é tarefa fácil. Ainda assim, os problemas estão lá... e esses são só alguns dos mais gritantes na lógica do roteiro.
Cosmópolis
2.7 1,0KInteligente, hermético e verborréico: Cronemberg mostra que tá cagando pra sucesso comercial a essa altura da vida.
Dá pra assistir como parte de uma "trilogia do capital financeiro" junto com O Lobo de Wall Street (Scorsese) e O Capital (Costa Gravas).
A Cruz de Ferro
3.9 78 Assista AgoraUm excelente filme sobre os americanos na Guerra do Vietnã, travestido de filme sobre nazistas na Segunda Guerra Mundial. Praticamente uma parábola.
Conquista do Planeta dos Macacos
3.3 152 Assista AgoraA melhor continuação do filme original - isso apesar da lambança que a produção obrigou a fazer no "final do final" do filme.
A interferência é tão óbvia que dá pra selecionar os trechos do discurso final de César que foram "enxertados" pra amenizá-lo.
Velozes e Furiosos 8
3.4 748 Assista AgoraNão dou a nota mínima porque afinal de contas existe algum mérito em conseguir fazer um filme tão ruim em todos os aspectos possíveis.
Foucault Contra Si Mesmo
4.2 5 Assista AgoraCom tão pouco tempo de filme e tantos herdeiros intelectuais que Foucault deixou, pôr o oportunista do Geoffroy de Lagasnerie como um dos interlocutores privilegiados foi a pior escolha possível. Levou não só à superficialidade, já esperada, mas a erros de interpretação sobre a obra foucaultiana. Outro problema grave vem ao trocar a ordem dos fatores entre a polêmica em torno do As Palavras e as Coisas e as eventuais colaborações de militância política com Jean-Paul Sartre; faz parecer (deliberadamente?) que o afastamento entre Foucault e o marxismo - teórico ou militante - foi mais linear e progressivo do que realmente foi. O filme tem sua utilidade relativa pra quem não conhece nada do careca, mas não vai além disso.
Eu, Tu e Ela (1ª Temporada)
3.6 131 Assista AgoraA temática de relações alternativas
("poliamor", no caso, ao menos a partir do happy end)
Aquarius
4.2 1,9K Assista AgoraQueria deixar uma sugestão à galera que leu a coluna do Reinaldo Azevedo e, obediente, veio se cadastrar no Filmow pra dar meia estrelinha em Aquarius sem assistí-lo. A sugestão é: assistam o filme. Vai fazer um bem danado pra vocês.
Elena
4.2 1,3K Assista AgoraGuardo poucas lembranças desse filme, que vi numa mostra no Rio algum tempo atrás (creio que na época do lançamento, pouco mais de ano atrás), mas lembro que me irritei com ele do começo ao fim. Talvez tudo que senti pelo filme decorra do fato de que a identificação com a protagonista, ou a mera simpatia, para mim, era (é) impossível. Sendo assim, só pude ver nesse longa uma mostra da boçalidade da burguesia brasileira e do pedantismo da ala mais intelectualizada dela. Tem seus momentos de beleza e demonstração de talento sim; mas ambos estão subordinados a uma estética pretensiosa e a um subjetivismo narcísico (que se não estivesse vinculado a uma determinada perspectiva de classe, eu talvez tivesse tolerado melhor).
A Chinesa
3.9 138 Assista AgoraOs Demônios/Os Possessos é um livro de Dostoievsky que retrata uma célula terrorista niilista (e suas intermináveis e sutis discussões ideológicas), da qual faz parte o suicida Alexei Nilych Kirillov, que planeja matar o emissário do czar e... ops, aqui é o espaço pra comentar "A Chinesa", de Godard, né? Foi mal, galera, confundi...
Haxan: A Feitiçaria Através dos Tempos
4.2 187 Assista AgoraIncrível a congruência temático/estilística do cinema escandinavo, de "A Carruagem Fantasma" a Lars Von Trier, passando pelos maiores mestres dessa escola (se me permitem chamar assim esse curioso fenômeno de coerência quase secular) - Carl Theodor Dreyer e Ingmar Bergman. No caso de "Häxan", não consegui deixar de lembrar dos "Dias de Ira" (Dreyer) e do "Anticristo" (Von Trier) enquanto assistia: com décadas de diferença, a mesma competência e genialidade na análise da transmutação do medo e desejo que a alteridade feminina provoca no homem em feitiçaria e satanismo. Esse documentário ficcional (ou ficção documental?) só não chega à perfeição por se encerrar com a exposição das equivocadas teorias psicologizantes em voga na época; não pode acompanhar seus sucessores, na (irônica?) atribuição do veredicto: "culpada!" à Mulher - essa bruxa, essa demônia...
Amantes Constantes
3.6 131 Assista AgoraUma resposta direta a "Os Sonhadores"? É a impressão que fica quando (sob a desculpa de uma menção a "Antes da Revolução") uma personagem vira para a tela e chama devagar: Bernardo Bertolucci. Se o filme termina sob o "sono dos justos" em que o sonho da revolução acaba, é só motivo para confirmar: estamos diante de outra tentativa de retratar o amor sob o maio 68, uma tentativa menos luminosamente deslumbrante (embora não menos bela), uma tentativa com menos pretensão de contágio (embora não necessariamente menos contagiante), mas exatamente por isso, uma tentativa mais sincera.
Um Homem Sério
3.5 581"No Jews were harmed in the making of this motion picture".
Nostalgia
4.3 194 Assista AgoraLinda fotografia, montagem genial, direção magistral, e um filme praticamente incompreensível - tive que recorrer à biografia do diretor/roteirista e puxar da memória fatos da história política recente do leste europeu para "montar" um significado. "Porque voltar para um lugar onde você será escravo" é a pergunta petulante de uma italiana que nada entende da Rússia, responde e pensa Gorchakov (óbvio alter-ego de Tarkovsky, ele mesmo auto-exilado na Itália no fim das filmagens da película, depois de dois anos de indecisão e voltas à mãe-pátria), protagonista de um filme cuja hermeticidade explica-se parcialmente pelo fato do script original ter sido escrito para aprovação pela Mosfilm, empresa estatal soviética de cinema - o conteúdo fundamentalmente político do filme TINHA que permanecer velado. Gorchakov dá a dica: somente com a extinção das fronteiras - logo, dos Estados - duas culturas ímpares como a italiana e a russa poderão entender-se. Mas quem ousará atravessar e anular a grande Muralha de Ferro que se ergueu na Europa da Guerra Fria, quem levará luz ao outro lado das águas de Santa Catarina? Só um louco ousaria, e logo, é de loucos que o mundo (e Gorchakov/Tarkovsky) precisa; foi a Razão que construiu até hoje os Estados, as Fronteiras, e logo as guerras. O preço que a loucura paga nessa oposição não é pequeno:
vemos repetir-se no filme o gesto de Ryszard Siwiec, polonês que em 8 de setembro de 1968 imolou-se vivo
Ouvir o "Ode à Alegria" durante esse espetáculo bárbaro, não é nem um pouco irônico, nem descabido: a mensagem ali é a mesma colocada em versos por Schiller, a mesma posteriormente musicada por Beethoven nesse famoso trecho da 9ª Sinfonia;
Eveready Harton in Buried Treasure
3.6 52Excelente roteiro, quem disse que a indústria pornográfica nunca teve neurônios? Toda a criatividade louca das animações dos anos 20 está aí, a serviço da cabeça de baixo!
Sublime Obsessão
3.8 46 Assista AgoraMeu primeiro Douglas Sirk. E se tiver sorte, o último.