"Devemos estar sempre apaixonados, é por isso que não devemos nos casar". Oscar Wilde
Nossa, adoro essa atmosfera de filme que se passa praticamente em um único cenário e se sustenta nos diálogos. Tem também um quê de Woody Allen que eu adoro. Alguns diálogos chegam a cansar, são extensos demais, beiram um pouco o ridículo e parecem não levar a lugar nenhum, enquanto outros são realmente fortes.
E os atores, o que falar deles, né? Adoro todos os envolvidos. E Penélope Cruz, meu Deus, essa mulher é uma musa, uma diva que simplesmente não envelhece e está cada vez mais bonita.
Quando o filme começa a descambar para a "sacanagem", confesso que me incomoda, porque parece que vai virar provocação sem propósito. Mas aí vem o arco final e tudo se encaixa.
No fim, a personagem da Penélope funciona quase como uma terapeuta sem filtro. É ela que obriga os dois a encarar a vida que estavam levando e desmonta essa história de continuar casados por causa da filha. Afinal, ela prefere ter pais separados e felizes ou crescer vendo os dois juntos, infelizes, dia após dia? Não é a putaria que salva o casamento, é o choque que faz os dois perceberem o quanto estavam apagados, sem desejo, sem intimidade e marinando a própria infelicidade há anos.
E gosto muito do final, porque é o máximo. Ele volta a tocar piano, a fazer uma coisa que gostava e tinha abandonado, como se finalmente estivesse tentando se encontrar de novo. Ela se aproxima, dá a mão a ele e toca junto. Talvez eles fiquem juntos, talvez não. Mas, pela primeira vez em muito tempo, parecem dispostos a parar de apenas suportar a vida que têm, voltar a existir por conta própria e, a partir daí, tentar se encontrar de novo. Achei lindo. ❤️
Não deixa de ser curioso como algumas pessoas conseguem ver Blue Jay como um filme “lindo” ou “romântico”. Basta olhar com mais atenção para perceber outra coisa: Jim é um homem que nunca amadureceu, preso a um eterno papel de adolescente mal ensaiado. Suas falas soam deslocadas, como se tivesse parado no tempo, incapaz de acompanhar a vida adulta.
O mais impressionante é que o filme deixa isso explícito, mas ainda assim há quem romantize o reencontro. Não se trata de uma história de amor, mas de um retrato da fragilidade e da paralisia diante da vida.
A prova definitiva vem no diálogo em que eles revelam o passado. Amanda expõe algo gravíssimo, e a resposta dele é: “Eu não sabia como te ajudar.” Sério? Isso não é falta de jeito, é pura mediocridade. Qualquer um com um mínimo de responsabilidade teria tentado, mas Jim preferiu se esconder. Dizer isso depois de adulto, sem ao menos pedir desculpas ajoelhado, beira o grotesco.
E quando eles riem, fantasiados de colegiais, muitos enxergam ternura. Mas o que se vê é patético: Jim só consegue existir no passado. Brinca de adolescente como se fosse a única forma de se sentir vivo, mas o que transparece é o vazio de um homem que nunca cresceu.
Amanda, em contraste, seguiu em frente, construiu algo, encarou a vida real. Jim, não. Ele permanece perdido, usando a lembrança dela como um totem que sustenta a ilusão da vida que não conseguiu ter. Não é amor, nunca foi. É apego desesperado a uma memória que o protege da mediocridade do presente.
No fim, Blue Jay não é sobre reencontros mágicos nem sobre “o amor que resiste ao tempo”. É sobre um homem que envelheceu sem nunca crescer, e sobre como a nostalgia pode ser uma fantasia tão confortável quanto ridícula.
Eu nunca me canso desse filme. É um dos meus preferidos. Sempre me comove de um jeito calmo e devastador. Há algo nele que permanece, que ecoa dias depois — uma lembrança que insiste em não se apagar.
Cinema Paradiso é sobre o tempo, sobre os afetos que nos moldam, sobre as renúncias que nos transformam. Sobre como o amor nem sempre se mostra da forma que esperamos, mas ainda assim deixa marcas definitivas. É sobre crescer com dor, sobre sair de casa, sobre lembrar — e esquecer. E sobre o cinema como lugar de refúgio, de encontro e também de despedida.
Salvatore é um menino apaixonado pelas imagens que se movem na tela. É ali que ele descobre a beleza, o desejo, o riso e o mistério. E é ali que ele conhece Alfredo — que se torna muito mais do que o projecionista. Ele é o homem que acredita em seu talento mais do que ele mesmo. Que entende, com uma sabedoria dura, que amar também pode significar empurrar alguém para longe. Que ficar às vezes é egoísmo, e deixar ir pode ser o gesto mais generoso.
E ele vai. Deixa a cidade, a infância, a mãe. Deixa Elena, sem entender direito por quê. Carrega esse silêncio por toda a vida — como se tentar olhar para trás fosse perigoso demais.
Quando retorna, décadas depois, tudo está intacto e irremediavelmente mudado. A praça, os rostos, as ruínas do cinema. Tudo é memória. Mas o que mais dói não é aquilo que se perdeu — é o que nunca foi vivido. O que ficou suspenso no tempo. A ausência de respostas. O vazio dos afetos interrompidos.
A mãe dele, ali, simples e silenciosa, talvez seja quem mais entendeu tudo. Nunca pediu explicações, nunca o culpou. Mas observou. E, numa fala singela — “até hoje não ouvi uma voz que ame você de verdade” —, ela diz tudo. Que ele não conseguiu se entregar de novo. Que a ausência da cidade ficou nele como uma ferida que o impediu de seguir inteiro.
E é aí que entra o presente de Alfredo. A montagem dos beijos censurados não é apenas uma homenagem ao cinema — é uma mensagem. Uma carta sem palavras dizendo: “Você foi. Você viveu. Agora, lembre-se do que te fez começar.” Alfredo não manda Salvatore procurar Helena. Não há promessas, não há reconciliações. Há, sim, uma convocação ao reencontro consigo mesmo. Com o menino que ele foi. Com o desejo de viver que o cinema despertava nele.
E aquele homem excêntrico na praça, exatamente igual ao que era quando Salvatore partiu — como se o tempo não o tivesse alcançado — é o retrato do que permanece. Daquilo que se recusa a mudar. A cidade ficou, envelheceu, mas guardou esse fragmento congelado no tempo. É uma metáfora poderosa: por mais que a vida nos leve adiante, há sempre algo que continua esperando por nós lá atrás.
O novo Cinema Paradiso, moderno, impessoal, é a prova de que o mundo muda. Mas as ruínas do antigo guardam tudo o que realmente importa. A memória do amor silencioso de Alfredo, do encantamento da infância, da comunhão coletiva da sala escura. O cinema novo existe, mas o verdadeiro ficou na lembrança — e na fita que Alfredo deixou.
Cada vez que revejo esse filme, meu entendimento muda. Cresce comigo. E agora, como mãe, entendo ainda mais o que foi aquele gesto. Porque amar é, às vezes, deixar partir. E seguir amando de longe.
Cinema Paradiso não é um filme só sobre cinema. É sobre tudo que a gente tenta guardar mesmo quando o tempo insiste em levar embora. É sobre seguir em frente sem se desligar. Sobre entender que algumas perdas nos moldam mais do que as conquistas. Sobre aprender a dizer adeus — e, mesmo assim, continuar amando.
O Poderoso Chefão – Parte II fala sobre irmãos. E ver o que se quebra entre eles é uma dor que não passa batida. Tem algo ali que fica com a gente. Que cresce em silêncio. É como se a história inteira fosse costurada por aquilo que não foi dito a tempo.
Michael e Fredo nasceram da mesma casa. Dividiram tudo o que forma uma vida em comum. Mas, aos poucos, a distância começa a se instalar nos pequenos gestos. A mágoa cresce. O orgulho entra. O vínculo enfraquece. E o que era amor vira confusão.
Talvez por agora ser mãe, tudo isso me toque ainda mais. Porque quando a gente vê dois irmãos se perdendo, é impossível não pensar nos nossos. A gente deseja que eles cresçam próximos. Que sejam abrigo um para o outro. Que escolham ficar perto mesmo quando a vida puxar pra lados diferentes. Que sejam memória, afeto e proteção, sempre.
Mas não é só por ser mãe. Eu também sou irmã, de quatro! E sei o quanto esse laço pode ser desafiador e precioso ao mesmo tempo. Já houve alguns afastamentos, especialmente com o meu irmão mais velho, mas o tempo ensinou. E hoje, com o amadurecimento, estamos cada vez mais unidos. É bonito ver que a gente se reencontra. E que isso é escolha, é cuidado, é construção.
Ver um laço como o de Michael e Fredo se desfazer é difícil. Porque a gente entende que o amor estava ali — mas não souberam como protegê-lo. E isso dói. Não porque seja ficção, mas porque a gente sabe que pode acontecer. Com qualquer um.
Esse filme fala sobre identidade.Sobre o peso do que se herda. Sobre o silêncio que se instala quando o diálogo falha. Sobre o quanto pode se perder mesmo entre pessoas que se amaram a vida toda.
E agora, como mãe de dois filhos, há um desejo que vive dentro de mim todos os dias. Um desejo calmo, mas persistente.O de que, mesmo quando eu não estiver mais aqui, meus filhos continuem se escolhendo. Que se respeitem, se acompanhem, se tenham. Porque mais do que qualquer herança, o que eu quero deixar é esse vínculo. Esse amor entre eles. Algo que dure além da minha presença.
Esse filme não responde. Ele mostra.
E por isso, talvez, ele fique tanto tempo com a gente.
Costuma-se dizer que O Poderoso Chefão é um filme sobre o crime/máfia. Mas não é. Nunca foi. É um filme sobre família. Sobre amor em estado bruto. Sobre o silêncio de quem ama tanto que acaba se moldando, se dobrando, se tornando outra pessoa para proteger os seus.
A primeira vez que assisti, não gostei. Era escuro, contido, quase distante. Na segunda, comecei a entender. Hoje, depois de me tornar mãe de um casal de filhos, eu amo. Porque agora vejo com outros olhos. Olhos que conhecem o medo, o cuidado constante, o amor que pulsa mesmo nos dias mais difíceis.
O filme fala sobre pais e filhos, sobre o que se constrói dentro de uma casa, sobre os laços que se sustentam com o tempo, mesmo quando tudo em volta parece desmoronar. Fala sobre casamento, sobre o que se escolhe calar para manter o outro de pé. Fala sobre proteger a família como um ato sagrado. E também sobre como esse instinto de proteger, às vezes, nos transforma profundamente, sem que a gente perceba.
A gente cresce achando que vai fazer tudo diferente. Que vai acertar em cheio. Mas criar filhos é caminhar em terreno desconhecido. É tentar, todos os dias, ser abrigo. É colocar o corpo e a alma entre eles e o mundo. É querer oferecer leveza, mesmo quando tudo pesa.
O Poderoso Chefão toca fundo porque mostra o quanto o amor pode ser bonito e brutal ao mesmo tempo. Mostra que proteger também pode ser solitário. Que manter a família viva exige escolhas que, muitas vezes, ninguém vê. E que mesmo quando há falhas, há também uma entrega inteira por trás.
Hoje, eu entendo esse filme com o coração. Porque o que move tudo ali não é o poder. É o amor. Um amor profundo, imperfeito, humano. Um amor que luta em silêncio para que os outros possam seguir.
E talvez, no fundo, essa seja a mais humana de todas as tragédias.
Um filme tão necessário para quem está passando por essa aventura que é ter "Mais outro filho".
Acabo de ser mãe do meu segundo filho, mais precisamente há 20 dias, e me encontro nessa delícia e DESESPERO que é dar conta de dois! Tantas cenas com as quais me identifiquei, tantos diálogos que simplesmente morri de rir!
Ok que o filme perde um pouquinho do seu ritmo no meio do caminho. Entretanto, isso não tira o seu brilho.
Super recomendo, principalmente para as pessoas que estão vivendo essa fase atualmente.
"Cada conjunto de pais tem uma história e cada história é diferente.
Há pais apreensivos.
Eles se tornaram pais tarde, suas vidas giram em torno de seu filho.
Abnegação, sacrifício, dedicação maníaca ao pequenino,...que se lava com óleo de temperatura controlada, tem aula de inglês aos seis meses,.....quase nunca sai, ou está muito frio ou está muito quente.
Ele é sufocado com atenção que causa danos. A criança acha natural ser o centro do mundo. Em vez disso, crescendo, ele terá que enfrentar o capitalismo como todos nós...
Existem pais naturalistas. A natureza é forçada em seu filho. Ele não pode comer lanches, usar um iPad ou assistir TV. Ele ganha um sapato no Natal, o outro na Páscoa,...então ele não vai tomar as coisas como garantidas. Mas aos 18, ele injetará heroína na estação.
Existem pais milionários.
Eles têm babás, pagas a mais, que delegam 100% da educação da criança. Eles televotam para o "The X Factor" em suas mega TVs...Enquanto estão em um canto distante de sua sala enkrme, um par de filipinos brinca com as crianças,...fazendo com que as crianças os chamem de "mamãe" e "papai".
Há o pai separado, homem, cerca de quarenta anos,...sentindo apenas dor, angústia e ruína. Assaltado por sentimentos de culpa de origem católica,...ele sempre vê um padre à espreita.
Você, seu merda! Você é um verdadeiro merda. Solteiro, com inúmeras histórias de sexo, mas nunca está feliz.
Há pais com mais de dois filhos.
Perseguindo sonhos de antigos povos agro-artesãos,....eles se depararam com um grande equívoco....e estão expiando o sufoco de uma vida organizada ao enésimo...que pode desmoronar no caos a qualquer minuto.
Eles têm acidentes contínuos e uma longa lista de coisas para lembrar,...
..fazer, comprar, eles têm que gritar para serem ouvidos. Eles estão velhos e velhos agora. No bolso, se necessário, sempre guardam uma pílula de cianeto,...que, em meio a quatro crianças gritando, o pai sonha em engolir.
Há os muito jovens de vinte e cinco,...flexíveis e dinâmicos, eles não temem nada. Seus filhos escalam recifes perigosos, vão para a escola sozinhos, são responsáveis e maduros. Mas não há nada disso na Itália.
E depois há nós.
Quinze anos atrás, com nosso profissões, diríamos "privilegiados";...hoje, como todos, lutamos com as dificuldades do nosso tempo.
Temos TV via satélite, mas a receita pode bater a qualquer momento.Somos sortudos, não ricos, simples mas não elementares, neuróticos, mas não loucos. O futuro é esperançoso, mas tem armadilhas.
Uma crítica ao machismo sem aquele clichê de colocar o homem como um monstro/inimigo. Enfim, seres humanos, com erros e acertos, tentando se encaixar diante de tantas mudanças nesses tempos modernos! Mostrando que a "masculinidade" tóxica não faz mal apenas às mulheres ... Estas, que jamais assumem na série a posição de vítimas ou então de perfeitas (como em muitas produções feministas).
Sem mimimi, sem lacração e com muitas risadas! Amei!
Eu tinha 9 anos na época do crime e fiquei muito chocada... Lembro bem que tinha o disco da novela e passei, por uma semana, ouvindo a música tema da Yasmin, " Wishing on a Star" e chorando muito. Até que a minha mãe conversou comigo seriamente e me proibiu de colocar o disco novamente.
Após revisitar este caso, através de " Pacto Brutal", fui invadida novamente por uma tristeza profunda. Conhecendo melhor a história da Glória Perez, minha admiração aumentou absurdamente e me fez perceber o quanto preciso crescer como ser humano.. Meu pensamento mais intenso durante os 5 episódios foi querer saber o motivo da Glória não ter mandado apagar estes dois
As frases que me fizeram desabar:
"Porque aí você se dá conta que você não tem um filho você nasce com um filho, porque depois que um filho nasce você não consegue mais lembrar de sua vida sem a presença dele. Você não sabe em que canto da sua vida ele estava, mas ele estava. Você repassa a sua vida e a presença dele sempre está ali”
"Os assassinos têm um futuro. Bom ou mau, mas têm. A vítima nunca vai ter um futuro."
"Não tem como virar a página para a existência de um filho, várias pessoas que poderiam estar aqui do meu lado, não existirão nunca. São os netos que eu não tive. Quando se mata uma pessoa, é muito para além dela. Você mata tudo o que aquela pessoa poderia ter feito em vida. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Hoje, eu sei que a plenitude acabou.
"Como eu tenho vocação pra ser feliz, eu vivo as felicidades possíveis. Antes, eu podia sentir isso plenamente. E hoje não"
Adoro o Almodóvar, mas achei que em "Mães Paralelas" ele falhou ao abrir várias frentes e não se aprofundar em nenhuma. Estou com dificuldades de saber o enredo real do filme até agora...
O enredo é incrível. Mas, apesar disso, confesso que a construção narrativa não me agradou. Há um suspense que tenta se sustentar em situações que mais lembram episódios da “Família Buscapé”, mas que não chegam a lugar algum. As cenas envolvendo a boneca, por exemplo, beiram o constrangimento — pareciam retiradas de um pesadelo ou de um manicômio.
Por outro lado, Olivia Colman está simplesmente maravilhosa. Há uma naturalidade em sua atuação que dispensa qualquer esforço dramático — ela apenas existe em cena, com uma presença que é absurda de tão verdadeira. A atriz que interpreta sua versão mais jovem é igualmente impressionante: há um equilíbrio raro entre as duas, como se fossem realmente a mesma mulher em tempos diferentes.
Já Dakota Johnson, embora esteja sendo muito elogiada, não me impactou tanto. Não houve, para mim, um grande destaque. Sua atuação pareceu suave demais diante da densidade das outras.
Quanto à personagem principal, foi inevitável o incômodo com algumas atitudes. Mas, ao invés de julgá-la, me peguei lembrando que a maternidade é, muitas vezes, um território de ambivalência — feito de acertos e falhas, de doação e esgotamento. E que toda vez que apontamos o dedo para outra mãe, ainda que em um filme, tornamos esse caminho ainda mais difícil. Ninguém sabe o que vive o outro, nem de onde vem o que se sente.
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Sobre o que me atravessou
“Sempre que alguém tenta suprimir a dúvida, existe tirania.”
Durante muitos e muitos anos, eu mesma achei que não tinha nascido para ser mãe. O medo de perder minha liberdade, minha carreira, minha vida própria, era muito maior que qualquer desejo de ter filhos.
Fui pressionada de todos os lados: amigos, colegas de trabalho, vizinhos bem-intencionados, nas temidas festas de família. Ouvia coisas absurdas, como: “Você só será completa quando tiver um filho”, “Quem cuidará de você na velhice?”, “Como assim, daí de dentro não sai nada?”, “Seu marido não está dando no couro?” — essa última dita pela avó dele, com de 100 anos de idade.
A pressão para colocar um filho no mundo ainda existe — e muita gente o faz por medo da solidão, para segurar casamento, ou como uma aposta emocional para o futuro. Como se ter filhos fosse uma garantia de algo, como se não víssemos, todos os dias, casos de abandono e negligência de todos os lados.
“Foi como se eu tentasse não explodir… e então explodisse.”
Casei aos 24, mas fui me tornar mãe aos 37, quando a vontade foi realmente minha. Engravidei, pelos meus cálculos, no primeiro dia daquele que se tornaria um dos anos mais difíceis da nossa geração: 2020.
E o que eu não esperava era descobrir, nesse processo, um amor novo chamado maternidade. Um amor que me desmontou inteira — para depois me refazer.
Minha filha me deu sentidos que eu nem sabia que buscava. A amamentação virou uma experiência quase sagrada. Cada palavra nova, cada dança improvisada no meio da sala, cada risada. Às vezes só de olhar para ela, me dá vontade de chorar por pura gratidão.
Mas não romantizo. Nem tudo são flores. Por conta da pandemia, concilio home office e maternidade há dois anos. E até no meu parto as pessoas se sentiram no direito de opinar. Quando disse que faria cesárea, ouvi absurdos, como: “Mulher de verdade faz parto normal.”
Depois que minha filha nasceu, começaram as perguntas invasivas sobre a amamentação. A campeã: “Seu leite é forte ou ralinho?”
Ainda bem que pude amamentar — e pretendo seguir até quando minha filha quiser. Mas penso nas mães que desejam isso e não conseguem, e ainda têm que lidar com o julgamento alheio. Hoje, com 1 ano e 4 meses, sigo ouvindo críticas pelo simples fato de continuar amamentando, mesmo que a recomendação oficial seja até os dois anos.
A maternidade é um campo minado de palpites disfarçados de conselhos.
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Entre culpa e amor
“A vida é muito diferente sem filhos.”
Antes de ser mãe, meu plano era não ter plano. Eu adorava decidir tudo em cima da hora. Viajar sem avisar, tomar banho quando desse vontade, ir ao mercado à meia-noite só porque sim.
“Como foi ficar longe delas por três anos? — Foi maravilhoso.”
A primeira vez que saí de casa sem minha filha foi para ir ao médico. Pedi para ir sozinha. Sem marido. Sem bebê. O médico se atrasou e eu fiquei fora por três horas. Na volta, passei num restaurante que adoro. Quando sentei, chorei feito criança.
Chorei de felicidade por estar ali, sozinha, com um pedaço da minha vida de antes. Depois chorei de medo. Medo da vida nunca mais voltar a ser como era. Depois chorei de culpa — por ter me sentido feliz por estar longe da minha filha.
É isso. A culpa materna existe. E ela é cruel.
Mas hoje eu sei que a vida não é mais como antes — e tudo bem. Porque, no fundo, eu ganhei muito mais do que perdi.
Mesmo assim, carrego um respeito profundo por quem escolhe não ser mãe. Porque fui essa mulher durante anos. E admiro também aquelas que têm coragem de dizer em voz alta: a maternidade é linda, mas também é difícil, exaustiva, contraditória.
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A Filha Perdida me deixou inquieta, como só os bons filmes fazem.
E talvez seja esse o seu maior mérito: nos mostrar que por trás de toda mãe, há uma mulher com história própria, com cicatrizes, medos, desejos. E que nenhuma escolha é simples quando se trata de amor.
Ojalá que te vaya bonito Ojalá que se acaben tus penas Que te digan que yo ya no existo Que conozcas personas más buenas Que te den lo que no pude darte Aunque yo te haya dado de todo Nunca más volveré a molestarte Te adoré, te perdí, ya ni modo Cuántas cosas quedaron prendidas Hasta dentro del fondo de mi alma Cuántas luces dejaste encendidas Yo no sé cómo voy a apagarlas Ojalá que mi amor no te duela Y te olvides de mí para siempre Que se llenen de sangre tus venas Y te vista la vida de suerte Yo no sé si tu ausencia me mate Aunque tengo mi pecho de acero Pero nadie me llame cobarde Sin saber hasta dónde la quiero Cuántas cosas quedaron prendidas Hasta dentro del fondo de mi alma Cuántas luces dejaste encendidas Yo no sé cómo voy a apagarlas Ojalá que te vaya bonito"
" - Você está morrendo? - O que você acha? - Sim. Então não vou te ver mais. - Bem, você não vai ver o meu corpo, mas... você sabe como um casulo se torna algo mais? - Sim, uma borboleta. - Sim, você só tem que pensar em mim voando em algum lugar. O mágico conhece o segredo: só porque você não vê uma coisa, não significa que ela não esteja lá. Mesmo que pareça que eu estou ausente, o mágico sabe que não. Eu vou para cá, bem aqui no coração, dentro do mágico.Você não vai ouvir a minha voz, mas lá no fundo saberá o que eu estou dizendo... Mas nós temos ainda uma coisa, uma das maiores coisas que sempre teremos. Nossos sonhos. Vamos nos encontrar em sonho. Vamos conversar um com o outro. Caminhar juntos no verão, no inverno e na chuva, no sol..."
"-Você está assustada? -Um pouco. -Eu estava com medo por você, mas não estou mais, porque sei que você vai ficar bem. - Eu não quero dizer adeus. Eu vou sentir muito a sua falta. -Ah, querida, está tudo bem. Oh, querida. Tudo bem sentir minha falta. Tudo bem. Você pode sentir minha falta e você pode me levar com você. Você pode. Quero dizer, quando você estiver com problemas, me leve contigo. Quando você se apaixonar, me leve contigo. Você pode. Quer dizer, é assim ... É assim que as pessoas duram para sempre, sabe, porque alguém as leva junto. Na sua formatura e seu casamento e quando você tiver seus bebês. Leve-me junto, está bem? Sempre, sempre e sempre. Você tornou minha vida tão maravilhosa. Leve isso com você também, ok?❤️😍❤️
"Ela me levou a uma esquina e me forçou a passar dos meus limites. Me fez enfrentar o amor, o sacrifício, a delicadeza e o abandono. Me transformou.
Maternidade. Não como ideal. Não como fantasia. Mas como um antes e depois que muda tudo.
Um Evento Feliz é um dos filmes mais sinceros, corajosos e necessários que já vi sobre o que significa tornar-se mãe. Porque sim, a gente não nasce mãe — a gente vira. E virar mãe nem sempre é bonito. Às vezes é caos. É choro. É insônia. É um turbilhão de sentimentos que ninguém te prepara pra sentir.
Louise Bourgoin está absurda no filme. Entrega tudo. Ela vive a mulher que sonha, a que enlouquece, a que ama, a que quer fugir, a que fica. A personagem fala como quem passou por um furacão, e diz:
> “Minha vida não era mais minha. Eu era um abismo, um vazio, um nada... Agora eu era mãe.”
E o filme tem diálogos que são simplesmente geniais. Verdadeiros. Diretos. Alguns até engraçados de tão certeiros:
> “Os maridos nunca deveriam ver você parir... Um show de horrores estrelado por mim.”
> “Seus inimigos serão queijos, ovos, patê, frios... Sua mãe, sua sogra, e todos que têm filhos.”
Quando ouvi essa frase, eu ri. Porque era exatamente isso. Foi tão específico que parecia escrito pra mim.
> “A filosofia, ao invés de abrir os olhos, nos prende em conceitos.”
O filme mostra o puerpério como ele é de verdade. Aquele período em que tudo vira uma montanha-russa emocional. Em que o corpo muda, o sono desaparece, e a sensação de fracasso aparece mesmo quando você está tentando fazer tudo certo.
E, mesmo assim, o amor aparece. De um jeito confuso, às vezes. Mas aparece.
> “Eu amava tanto o seu pai, que a coisa mais bonita que eu poderia fazer com ele era ter filhos.”
Não é um filme sobre conto de fadas. É sobre o que a vida real faz com a gente. Sobre como o tempo passa, como as coisas mudam, como as certezas escorrem. Mas também sobre o que fica.
> “Tudo desaparece com o tempo. Tudo. Mas o que permanece, o que perdura por algum grande mistério, é a vida. Sim, a vida.”
E o mais louco é que eu assisti esse filme grávida. E saí da sessão absolutamente desesperada. Pensei: “Onde fui me meter?” “Tô ferrada.”
E o que é estar ferrada, afinal? É perceber que tudo o que te disseram sobre a maternidade não te preparou pra realidade. É ver que você vai perder coisas, vai duvidar de si mesma, vai chorar no banheiro. Mas também vai amar como nunca imaginou que pudesse. Vai rir quando menos espera. Vai olhar pra aquele bebê e pensar: “Tá, eu tô ferrada. Mas tô aqui.”
Um Evento Feliz me lembrou disso. Que a maternidade é difícil pra caramba. Mas também é amor. Verdadeiro. Bagunçado. Inesquecível.
“Às vezes é preciso deixar as pessoas amarem você.”
“Deixe suas ambições e aspirações guiarem você.”
“As pessoas enxergam o que desejam, independente da verdade.”
“A vida é curta demais para ser gasta fomentando animosidade ou remoendo erros.”
“Por que as piores lembranças são as mais insistentes?”
“Se a rosa não fosse bela, ninguém iria parar para cheirá-la.”
“Coisas quebradas tem uma certa beleza triste. Depois de anos de histórias e triunfos e tragédias infundidas nelas, elas podem ser muito mais românticas do que coisas novas que não tiveram aventuras.”
“De que adianta ter imaginação se não consigo ver o que está bem diante dos meus olhos.”
“Idade e memória são coisas que não andam de mãos dadas.”
“Não é o que o mundo reserva pra você, mas o que você traz para o mundo.”
“Não há um caminho certo na arte ou na vida. Às vezes, não há nenhum caminho e você deve demolir paredes e esculpir o seu caminho através das madeiras para chegar onde precisa.”
“Pra você, construirei um castelo, cada tijolo será forjado no meu coração, com o fogo do meu amor transcendente.”
“Vou parar de sonhar com o que eu não posso ter.”
“A guerra pode envenenar a cabeça de um homem.”
“Acredito que há sempre algo bom para aprender nas situações. Mesmo as ruins. Eu acho que constrói caráter.”
“A sua vida não precisa ser uma réplica exata da vida dos seus pais.” ❤️
“A vida tinha tantas cores através dos olhos dela. Isso coloriu o meu mundo para sempre.”
Existe uma camada de dor tão silenciosa em Druk – Mais uma Rodada que a gente quase não percebe que está assistindo a um filme sobre luto.
À primeira vista, é sobre um experimento: quatro professores decidem testar uma teoria — a de que o ser humano nasce com um déficit natural de 0,05% de álcool no sangue, e que manter esse nível tornaria a vida mais leve, mais criativa, mais viva. Eles passam a beber controladamente durante o expediente, observando as mudanças em suas aulas, nas interações sociais, nos casamentos.
Mas não demora muito para o filme mostrar que esse experimento é só a superfície. Porque o que eles estão realmente tentando é voltar a sentir alguma coisa. Voltar a se reconhecer em si mesmos. Romper com a anestesia de uma vida que virou rotina, função, obrigação.
Mads Mikkelsen está brilhante. Seu personagem carrega nos olhos o cansaço de quem um dia foi alguém apaixonado — e agora vive no automático. Ele não grita. Ele se apaga. E essa atuação contida, discreta, é o que faz o filme doer tanto.
A beleza de Druk está em não demonizar a bebida, mas também não glorificá-la. O álcool ali é uma metáfora — do impulso por liberdade, por fuga, por risco. Por tudo o que a vida adulta tantas vezes exige que a gente reprima.
É um filme sobre homens tentando entender onde foi parar o sentido das coisas. Tentando não naufragar. Tentando voltar à superfície. Tentando, simplesmente, sentir.
O final… sem spoilers, claro. Mas há um momento em que o corpo dança como se a alma voltasse a existir. É libertador e devastador ao mesmo tempo.
Druk me deixou com essa pergunta: em que momento da vida a gente para de se permitir sentir o que nos fazia vivos? E o que a gente faz com isso quando percebe?
Não é um filme sobre álcool. É um filme sobre ausência. E sobre a coragem — ou a vertigem — de se lançar mais uma vez.
Sabe quando um filme te decepciona em absolutamente todos os sentidos? Pois é. Foi exatamente o que senti com esse aqui.
A começar pelo roteiro: pavoroso. Não é uma palavra que costumo usar com leveza, mas nesse caso não encontrei outra. A história tenta se vender como um drama político profundo e atual, mas é artificial do começo ao fim. Tudo soa forçado, sem fluidez. Os diálogos são pretensiosos, como se o filme se esforçasse demais para parecer inteligente — e, no fim, não diz quase nada.
A estrutura narrativa é truncada, cheia de quebras de ritmo que não cumprem nenhum papel estético ou emocional. São interrupções vazias, quase decorativas. As viradas de roteiro não surpreendem, só cansam. Faltou coesão, faltou organicidade, faltou alma.
E as atuações… olha, me doeu. É raro ver um elenco tão bom entregue a personagens tão mal construídos. Muita gente ali parece atuar para uma plateia imaginária, em vez de simplesmente viver a cena. Tudo exagerado, carregado, teatral demais. Até Gary Oldman, que geralmente me convence com um olhar, aqui está engessado, sem timing, desconectado do que o filme precisava.
O que mais me incomodou foi o tom generalizado de autoimportância. A sensação de que o filme tem certeza de que está entregando uma obra-prima. Sabe aquele tipo de cinema que quer ser premiado? Que não quer emocionar, nem provocar, mas simplesmente ocupar espaço nas listas de final de ano? Esse é exatamente esse caso.
É o típico filme que vai circular por festivais, coletar indicações, aparecer em noites de premiação — muito mais pela assinatura do diretor e pelo peso dos nomes envolvidos do que por mérito artístico real. E isso, pra mim, é um grande problema. Porque o cinema precisa de verdade, não de fachada.
Assisti em 21/12/2020, durante a minha #MaratonaOscar2021
De repente, me vi querendo aprender a jogar xadrez... ❤️❤️❤️
"Xadrez nem sempre é competitivo. Xadrez pode ser lindo(…) É um mundo inteiro dentro de 64 quadrados. Eu me sinto segura no tabuleiro. Eu posso controlá-lo. Eu posso dominá-lo. E é previsível, então se eu me machucar, eu só tenho que culpar a mim mesma.”
“É preciso ser uma mulher forte para ficar sozinha em um mundo onde as pessoas se contentam com qualquer coisa, só para dizerem que têm alguma coisa.”
Trilha sonora perfeita! Destaque para You're the one. ❤️
Como sessão da tarde é bem razoável... Como filme típico para ser indicado ao Oscar, NÃO, OBRIGADA! Roteiro muito falho.
AMEI a atuação da Glenn, sempre na medida. Quando vi a caracterização dela me senti super incomodada, mas ao ver a avó da vida real me espantei com a semelhança!
“Me desculpem, mas eu não quero ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não quero governar ou conquistar ninguém. Gostaria de ajudar a todos — se possível — judeus, não-judeus, negros e brancos. Todos nós queremos ajudar uns aos outros. O ser humano é assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo — não para seu sofrimento. Não queremos odiar e desprezar uns aos outros. Neste mundo há lugar para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades. O estilo de vida poderia ser livre e belo, mas nós perdemos o caminho. A ganância envenenou a alma do homem, criou uma barreira de ódio e nos guiou no caminho de assassinato e sofrimento. Desenvolvemos a velocidade, mas nos fechamos em nós mesmos. A máquina, que produz abundância, nos deixou em necessidade. Nosso conhecimento nos fez cínicos; nossa inteligência nos fez cruéis e severos. Pensamos demais e sentimos muito pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de gentileza e bondade. Sem essas virtudes, a vida será violenta e tudo será perdido. A aviação e o rádio nos aproximou. A natureza dessas invenções grita em desespero pela bondade do homem, um apelo à irmandade universal e à união de todos nós. Mesmo agora que a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora, milhões de desesperados, homens, mulheres, crianças, vítimas de um sistema que faz o homem torturar e prender pessoas inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não se desesperem!” O sofrimento que está entre nós agora é apenas a passagem da ganância, a amargura de homens que temem o progresso humano. O ódio do homem vai passar e os ditadores morrerão. E o poder que que eles tomaram das pessoas, vai retornar para as pessoas. Enquanto os homens morrerem, a liberdade nunca se acabará. Soldados! Não se entreguem a esses homens cruéis. Homens que desprezam e escravizam vocês, que querem reger suas vidas e dizer o que pensar, o que falar e o que sentir, que treinam vocês e tratam com desprezo para depois serem sacrificados na guerra. Não se entreguem a esses homens artificiais. Homens-máquina, com mente e coração de máquina. Vocês não são máquinas, não são desprezíveis! Você é homem! Você tem o amor da humanidade no seu coração. Você não odeia, só os que não são amados e não naturais que odeiam. Soldados! Não lutem pela escravidão! Lutem pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito: ‘o Reino de Deus está dentro do homem’ — não de um só homem ou de um grupo de homens, mas de todos os homens, em você! Vocês, o povo, têm o poder — o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade! Vocês, o povo, têm o poder de fazer desta vida livre e bela, de fazer desta vida uma aventura maravilhosa. Portanto — em nome da democracia —vamos usar desse poder, vamos todos nos unir! Vamos lutar por um mundo novo, um mundo decente, que dê ao homem uma chance de trabalhar, que dê um futuro a juventude e segurança aos idosos. Foi prometendo essas coisas que cruéis chegaram ao poder. Mas eles mentiram! Não cumpriram sua promessa e nunca cumprirão! Ditadores libertam eles mesmos, mas escravizam as pessoas. Agora vamos lutar para que essa promessa seja cumprida, vamos lutar para libertar o mundo, acabar com as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à intolerância. Vamos lutar por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso vão levar à felicidade de todos. Soldados, em nome da democracia, vamos todos nos unir!”
O Convite
3.9 339 Assista Agora"Devemos estar sempre apaixonados, é por isso que não devemos nos casar". Oscar Wilde
Nossa, adoro essa atmosfera de filme que se passa praticamente em um único cenário e se sustenta nos diálogos. Tem também um quê de Woody Allen que eu adoro. Alguns diálogos chegam a cansar, são extensos demais, beiram um pouco o ridículo e parecem não levar a lugar nenhum, enquanto outros são realmente fortes.
E os atores, o que falar deles, né? Adoro todos os envolvidos. E Penélope Cruz, meu Deus, essa mulher é uma musa, uma diva que simplesmente não envelhece e está cada vez mais bonita.
Quando o filme começa a descambar para a "sacanagem", confesso que me incomoda, porque parece que vai virar provocação sem propósito. Mas aí vem o arco final e tudo se encaixa.
No fim, a personagem da Penélope funciona quase como uma terapeuta sem filtro. É ela que obriga os dois a encarar a vida que estavam levando e desmonta essa história de continuar casados por causa da filha. Afinal, ela prefere ter pais separados e felizes ou crescer vendo os dois juntos, infelizes, dia após dia? Não é a putaria que salva o casamento, é o choque que faz os dois perceberem o quanto estavam apagados, sem desejo, sem intimidade e marinando a própria infelicidade há anos.
E gosto muito do final, porque é o máximo. Ele volta a tocar piano, a fazer uma coisa que gostava e tinha abandonado, como se finalmente estivesse tentando se encontrar de novo. Ela se aproxima, dá a mão a ele e toca junto. Talvez eles fiquem juntos, talvez não. Mas, pela primeira vez em muito tempo, parecem dispostos a parar de apenas suportar a vida que têm, voltar a existir por conta própria e, a partir daí, tentar se encontrar de novo. Achei lindo. ❤️
Blue Jay
3.8 269 Assista AgoraNão deixa de ser curioso como algumas pessoas conseguem ver Blue Jay como um filme “lindo” ou “romântico”. Basta olhar com mais atenção para perceber outra coisa: Jim é um homem que nunca amadureceu, preso a um eterno papel de adolescente mal ensaiado. Suas falas soam deslocadas, como se tivesse parado no tempo, incapaz de acompanhar a vida adulta.
O mais impressionante é que o filme deixa isso explícito, mas ainda assim há quem romantize o reencontro. Não se trata de uma história de amor, mas de um retrato da fragilidade e da paralisia diante da vida.
A prova definitiva vem no diálogo em que eles revelam o passado. Amanda expõe algo gravíssimo, e a resposta dele é: “Eu não sabia como te ajudar.” Sério? Isso não é falta de jeito, é pura mediocridade. Qualquer um com um mínimo de responsabilidade teria tentado, mas Jim preferiu se esconder. Dizer isso depois de adulto, sem ao menos pedir desculpas ajoelhado, beira o grotesco.
E quando eles riem, fantasiados de colegiais, muitos enxergam ternura. Mas o que se vê é patético: Jim só consegue existir no passado. Brinca de adolescente como se fosse a única forma de se sentir vivo, mas o que transparece é o vazio de um homem que nunca cresceu.
Amanda, em contraste, seguiu em frente, construiu algo, encarou a vida real. Jim, não. Ele permanece perdido, usando a lembrança dela como um totem que sustenta a ilusão da vida que não conseguiu ter. Não é amor, nunca foi. É apego desesperado a uma memória que o protege da mediocridade do presente.
No fim, Blue Jay não é sobre reencontros mágicos nem sobre “o amor que resiste ao tempo”. É sobre um homem que envelheceu sem nunca crescer, e sobre como a nostalgia pode ser uma fantasia tão confortável quanto ridícula.
Cinema Paradiso
4.5 1,5K Assista Agora[spoiler][
Eu nunca me canso desse filme. É um dos meus preferidos. Sempre me comove de um jeito calmo e devastador. Há algo nele que permanece, que ecoa dias depois — uma lembrança que insiste em não se apagar.
Cinema Paradiso é sobre o tempo, sobre os afetos que nos moldam, sobre as renúncias que nos transformam. Sobre como o amor nem sempre se mostra da forma que esperamos, mas ainda assim deixa marcas definitivas. É sobre crescer com dor, sobre sair de casa, sobre lembrar — e esquecer. E sobre o cinema como lugar de refúgio, de encontro e também de despedida.
Salvatore é um menino apaixonado pelas imagens que se movem na tela. É ali que ele descobre a beleza, o desejo, o riso e o mistério. E é ali que ele conhece Alfredo — que se torna muito mais do que o projecionista. Ele é o homem que acredita em seu talento mais do que ele mesmo. Que entende, com uma sabedoria dura, que amar também pode significar empurrar alguém para longe. Que ficar às vezes é egoísmo, e deixar ir pode ser o gesto mais generoso.
E ele vai. Deixa a cidade, a infância, a mãe. Deixa Elena, sem entender direito por quê. Carrega esse silêncio por toda a vida — como se tentar olhar para trás fosse perigoso demais.
Quando retorna, décadas depois, tudo está intacto e irremediavelmente mudado. A praça, os rostos, as ruínas do cinema. Tudo é memória. Mas o que mais dói não é aquilo que se perdeu — é o que nunca foi vivido. O que ficou suspenso no tempo. A ausência de respostas. O vazio dos afetos interrompidos.
A mãe dele, ali, simples e silenciosa, talvez seja quem mais entendeu tudo. Nunca pediu explicações, nunca o culpou. Mas observou. E, numa fala singela — “até hoje não ouvi uma voz que ame você de verdade” —, ela diz tudo. Que ele não conseguiu se entregar de novo. Que a ausência da cidade ficou nele como uma ferida que o impediu de seguir inteiro.
E é aí que entra o presente de Alfredo. A montagem dos beijos censurados não é apenas uma homenagem ao cinema — é uma mensagem. Uma carta sem palavras dizendo: “Você foi. Você viveu. Agora, lembre-se do que te fez começar.” Alfredo não manda Salvatore procurar Helena. Não há promessas, não há reconciliações. Há, sim, uma convocação ao reencontro consigo mesmo. Com o menino que ele foi. Com o desejo de viver que o cinema despertava nele.
E aquele homem excêntrico na praça, exatamente igual ao que era quando Salvatore partiu — como se o tempo não o tivesse alcançado — é o retrato do que permanece. Daquilo que se recusa a mudar. A cidade ficou, envelheceu, mas guardou esse fragmento congelado no tempo. É uma metáfora poderosa: por mais que a vida nos leve adiante, há sempre algo que continua esperando por nós lá atrás.
O novo Cinema Paradiso, moderno, impessoal, é a prova de que o mundo muda. Mas as ruínas do antigo guardam tudo o que realmente importa. A memória do amor silencioso de Alfredo, do encantamento da infância, da comunhão coletiva da sala escura. O cinema novo existe, mas o verdadeiro ficou na lembrança — e na fita que Alfredo deixou.
Cada vez que revejo esse filme, meu entendimento muda. Cresce comigo. E agora, como mãe, entendo ainda mais o que foi aquele gesto. Porque amar é, às vezes, deixar partir. E seguir amando de longe.
Cinema Paradiso não é um filme só sobre cinema. É sobre tudo que a gente tenta guardar mesmo quando o tempo insiste em levar embora. É sobre seguir em frente sem se desligar. Sobre entender que algumas perdas nos moldam mais do que as conquistas. Sobre aprender a dizer adeus — e, mesmo assim, continuar amando.
/spoiler]
O Poderoso Chefão: Parte II
4.6 1,2K Assista AgoraO Poderoso Chefão – Parte II fala sobre irmãos.
E ver o que se quebra entre eles é uma dor que não passa batida. Tem algo ali que fica com a gente. Que cresce em silêncio. É como se a história inteira fosse costurada por aquilo que não foi dito a tempo.
Michael e Fredo nasceram da mesma casa.
Dividiram tudo o que forma uma vida em comum.
Mas, aos poucos, a distância começa a se instalar nos pequenos gestos. A mágoa cresce. O orgulho entra. O vínculo enfraquece. E o que era amor vira confusão.
Talvez por agora ser mãe, tudo isso me toque ainda mais.
Porque quando a gente vê dois irmãos se perdendo, é impossível não pensar nos nossos.
A gente deseja que eles cresçam próximos.
Que sejam abrigo um para o outro.
Que escolham ficar perto mesmo quando a vida puxar pra lados diferentes.
Que sejam memória, afeto e proteção, sempre.
Mas não é só por ser mãe. Eu também sou irmã, de quatro! E sei o quanto esse laço pode ser desafiador e precioso ao mesmo tempo. Já houve alguns afastamentos, especialmente com o meu irmão mais velho, mas o tempo ensinou.
E hoje, com o amadurecimento, estamos cada vez mais unidos. É bonito ver que a gente se reencontra. E que isso é escolha, é cuidado, é construção.
Ver um laço como o de Michael e Fredo se desfazer é difícil.
Porque a gente entende que o amor estava ali — mas não souberam como protegê-lo. E isso dói.
Não porque seja ficção, mas porque a gente sabe que pode acontecer. Com qualquer um.
Esse filme fala sobre identidade.Sobre o peso do que se herda. Sobre o silêncio que se instala quando o diálogo falha. Sobre o quanto pode se perder mesmo entre pessoas que se amaram a vida toda.
E agora, como mãe de dois filhos, há um desejo que vive dentro de mim todos os dias. Um desejo calmo, mas persistente.O de que, mesmo quando eu não estiver mais aqui, meus filhos continuem se escolhendo. Que se respeitem, se acompanhem, se tenham. Porque mais do que qualquer herança, o que eu quero deixar é esse vínculo. Esse amor entre eles. Algo que dure além da minha presença.
Esse filme não responde. Ele mostra.
E por isso, talvez, ele fique tanto tempo com a gente.
O Poderoso Chefão
4.7 3,0K Assista AgoraCostuma-se dizer que O Poderoso Chefão é um filme sobre o crime/máfia.
Mas não é. Nunca foi.
É um filme sobre família. Sobre amor em estado bruto. Sobre o silêncio de quem ama tanto que acaba se moldando, se dobrando, se tornando outra pessoa para proteger os seus.
A primeira vez que assisti, não gostei. Era escuro, contido, quase distante.
Na segunda, comecei a entender.
Hoje, depois de me tornar mãe de um casal de filhos, eu amo.
Porque agora vejo com outros olhos. Olhos que conhecem o medo, o cuidado constante, o amor que pulsa mesmo nos dias mais difíceis.
O filme fala sobre pais e filhos, sobre o que se constrói dentro de uma casa, sobre os laços que se sustentam com o tempo, mesmo quando tudo em volta parece desmoronar.
Fala sobre casamento, sobre o que se escolhe calar para manter o outro de pé.
Fala sobre proteger a família como um ato sagrado. E também sobre como esse instinto de proteger, às vezes, nos transforma profundamente, sem que a gente perceba.
A gente cresce achando que vai fazer tudo diferente. Que vai acertar em cheio.
Mas criar filhos é caminhar em terreno desconhecido.
É tentar, todos os dias, ser abrigo.
É colocar o corpo e a alma entre eles e o mundo.
É querer oferecer leveza, mesmo quando tudo pesa.
O Poderoso Chefão toca fundo porque mostra o quanto o amor pode ser bonito e brutal ao mesmo tempo.
Mostra que proteger também pode ser solitário. Que manter a família viva exige escolhas que, muitas vezes, ninguém vê.
E que mesmo quando há falhas, há também uma entrega inteira por trás.
Hoje, eu entendo esse filme com o coração.
Porque o que move tudo ali não é o poder.
É o amor.
Um amor profundo, imperfeito, humano.
Um amor que luta em silêncio para que os outros possam seguir.
E talvez, no fundo, essa seja a mais humana de todas as tragédias.
Mais Outro Filho
2.8 6Um filme tão necessário para quem está passando por essa aventura que é ter "Mais outro filho".
Acabo de ser mãe do meu segundo filho, mais precisamente há 20 dias, e me encontro nessa delícia e DESESPERO que é dar conta de dois! Tantas cenas com as quais me identifiquei, tantos diálogos que simplesmente morri de rir!
Ok que o filme perde um pouquinho do seu ritmo no meio do caminho. Entretanto, isso não tira o seu brilho.
Super recomendo, principalmente para as pessoas que estão vivendo essa fase atualmente.
"Cada conjunto de pais tem uma história
e cada história é diferente.
Há pais apreensivos.
Eles se tornaram pais tarde,
suas vidas giram em torno de seu filho.
Abnegação, sacrifício, dedicação maníaca ao pequenino,...que se lava com
óleo de temperatura controlada, tem aula de inglês aos seis meses,.....quase nunca sai,
ou está muito frio ou está muito quente.
Ele é sufocado com atenção
que causa danos. A criança acha
natural ser o centro do mundo. Em vez disso, crescendo,
ele terá que enfrentar o capitalismo como todos nós...
Existem pais naturalistas.
A natureza é forçada em seu filho. Ele não pode comer lanches,
usar um iPad ou assistir TV. Ele ganha um sapato no Natal,
o outro na Páscoa,...então ele não vai
tomar as coisas como garantidas. Mas aos 18, ele injetará heroína
na estação.
Existem pais milionários.
Eles têm babás, pagas a mais, que
delegam 100% da educação da criança. Eles televotam para o "The X Factor"
em suas mega TVs...Enquanto estão em um canto distante de sua
sala enkrme, um par de filipinos brinca com as crianças,...fazendo com que as crianças os chamem de "mamãe" e "papai".
Há o pai separado,
homem, cerca de quarenta anos,...sentindo apenas dor, angústia e ruína. Assaltado por sentimentos de culpa
de origem católica,...ele sempre vê
um padre à espreita.
Você, seu merda! Você é um verdadeiro merda. Solteiro, com inúmeras histórias de sexo,
mas nunca está feliz.
Há pais
com mais de dois filhos.
Perseguindo sonhos de antigos
povos agro-artesãos,....eles se depararam com um grande equívoco....e estão expiando o sufoco de uma vida organizada ao enésimo...que pode desmoronar no caos
a qualquer minuto.
Eles têm acidentes contínuos
e uma longa lista de coisas para lembrar,...
..fazer, comprar, eles têm que gritar
para serem ouvidos. Eles estão velhos e velhos agora. No bolso, se necessário,
sempre guardam uma pílula de cianeto,...que, em meio a quatro crianças gritando, o pai sonha em engolir.
Há os muito jovens de vinte e cinco,...flexíveis e dinâmicos, eles não temem nada. Seus filhos escalam recifes perigosos, vão para a escola sozinhos, são responsáveis e maduros. Mas não há nada disso na Itália.
E depois há nós.
Quinze anos atrás, com nosso
profissões, diríamos "privilegiados";...hoje, como todos, lutamos
com as dificuldades do nosso tempo.
Temos TV via satélite,
mas a receita pode bater a qualquer momento.Somos sortudos, não ricos, simples
mas não elementares, neuróticos, mas não loucos. O futuro é esperançoso, mas tem armadilhas.
Machos Alfa (1ª Temporada)
3.8 46 Assista AgoraSérie gostosa e MUITO divertida!!!!
Uma crítica ao machismo sem aquele clichê de colocar o homem como um monstro/inimigo. Enfim, seres humanos, com erros e acertos, tentando se encaixar diante de tantas mudanças nesses tempos modernos! Mostrando que a "masculinidade" tóxica não faz mal apenas às mulheres ... Estas, que jamais assumem na série a posição de vítimas ou então de perfeitas (como em muitas produções feministas).
Sem mimimi, sem lacração e com muitas risadas! Amei!
Que venha a segunda temporada!!! 😍😍😍
Harry & Meghan
3.6 35 Assista AgoraNão tem como dar uma nota boa para este péssimo "documentário".
Impossível defender Harry após vender a sua "verdade" em troca SIMPLESMENTE de dinheiro e vingança. Roupa suja se lava EM CASA!
Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez
4.4 417Eu tinha 9 anos na época do crime e fiquei muito chocada... Lembro bem que tinha o disco da novela e passei, por uma semana, ouvindo a música tema da Yasmin, " Wishing on a Star" e chorando muito. Até que a minha mãe conversou comigo seriamente e me proibiu de colocar o disco novamente.
Após revisitar este caso, através de " Pacto Brutal", fui invadida novamente por uma tristeza profunda. Conhecendo melhor a história da Glória Perez, minha admiração aumentou absurdamente e me fez perceber o quanto preciso crescer como ser humano.. Meu pensamento mais intenso durante os 5 episódios foi querer saber o motivo da Glória não ter mandado apagar estes dois
As frases que me fizeram desabar:
"Porque aí você se dá conta que você não tem um filho você nasce com um filho, porque depois que um filho nasce você não consegue mais lembrar de sua vida sem a presença dele. Você não sabe em que canto da sua vida ele estava, mas ele estava. Você repassa a sua vida e a presença dele sempre está ali”
"Os assassinos têm um futuro. Bom ou mau, mas têm. A vítima nunca vai ter um futuro."
"Não tem como virar a página para a existência de um filho, várias pessoas que poderiam estar aqui do meu lado, não existirão nunca. São os netos que eu não tive. Quando se mata uma pessoa, é muito para além dela. Você mata tudo o que aquela pessoa poderia ter feito em vida. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Hoje, eu sei que a plenitude acabou.
"Como eu tenho vocação pra ser feliz, eu vivo as felicidades possíveis. Antes, eu podia sentir isso plenamente. E hoje não"
Mães Paralelas
3.7 419Adoro o Almodóvar, mas achei que em "Mães Paralelas" ele falhou ao abrir várias frentes e não se aprofundar em nenhuma. Estou com dificuldades de saber o enredo real do filme até agora...
A Filha Perdida
3.6 583O enredo é incrível. Mas, apesar disso, confesso que a construção narrativa não me agradou. Há um suspense que tenta se sustentar em situações que mais lembram episódios da “Família Buscapé”, mas que não chegam a lugar algum. As cenas envolvendo a boneca, por exemplo, beiram o constrangimento — pareciam retiradas de um pesadelo ou de um manicômio.
Por outro lado, Olivia Colman está simplesmente maravilhosa. Há uma naturalidade em sua atuação que dispensa qualquer esforço dramático — ela apenas existe em cena, com uma presença que é absurda de tão verdadeira. A atriz que interpreta sua versão mais jovem é igualmente impressionante: há um equilíbrio raro entre as duas, como se fossem realmente a mesma mulher em tempos diferentes.
Já Dakota Johnson, embora esteja sendo muito elogiada, não me impactou tanto. Não houve, para mim, um grande destaque. Sua atuação pareceu suave demais diante da densidade das outras.
Quanto à personagem principal, foi inevitável o incômodo com algumas atitudes. Mas, ao invés de julgá-la, me peguei lembrando que a maternidade é, muitas vezes, um território de ambivalência — feito de acertos e falhas, de doação e esgotamento. E que toda vez que apontamos o dedo para outra mãe, ainda que em um filme, tornamos esse caminho ainda mais difícil. Ninguém sabe o que vive o outro, nem de onde vem o que se sente.
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Sobre o que me atravessou
“Sempre que alguém tenta suprimir a dúvida, existe tirania.”
Durante muitos e muitos anos, eu mesma achei que não tinha nascido para ser mãe. O medo de perder minha liberdade, minha carreira, minha vida própria, era muito maior que qualquer desejo de ter filhos.
Fui pressionada de todos os lados: amigos, colegas de trabalho, vizinhos bem-intencionados, nas temidas festas de família. Ouvia coisas absurdas, como: “Você só será completa quando tiver um filho”, “Quem cuidará de você na velhice?”, “Como assim, daí de dentro não sai nada?”, “Seu marido não está dando no couro?” — essa última dita pela avó dele, com de 100 anos de idade.
A pressão para colocar um filho no mundo ainda existe — e muita gente o faz por medo da solidão, para segurar casamento, ou como uma aposta emocional para o futuro. Como se ter filhos fosse uma garantia de algo, como se não víssemos, todos os dias, casos de abandono e negligência de todos os lados.
“Foi como se eu tentasse não explodir… e então explodisse.”
Casei aos 24, mas fui me tornar mãe aos 37, quando a vontade foi realmente minha. Engravidei, pelos meus cálculos, no primeiro dia daquele que se tornaria um dos anos mais difíceis da nossa geração: 2020.
E o que eu não esperava era descobrir, nesse processo, um amor novo chamado maternidade. Um amor que me desmontou inteira — para depois me refazer.
Minha filha me deu sentidos que eu nem sabia que buscava. A amamentação virou uma experiência quase sagrada. Cada palavra nova, cada dança improvisada no meio da sala, cada risada. Às vezes só de olhar para ela, me dá vontade de chorar por pura gratidão.
Mas não romantizo. Nem tudo são flores. Por conta da pandemia, concilio home office e maternidade há dois anos. E até no meu parto as pessoas se sentiram no direito de opinar. Quando disse que faria cesárea, ouvi absurdos, como: “Mulher de verdade faz parto normal.”
Depois que minha filha nasceu, começaram as perguntas invasivas sobre a amamentação. A campeã: “Seu leite é forte ou ralinho?”
Ainda bem que pude amamentar — e pretendo seguir até quando minha filha quiser. Mas penso nas mães que desejam isso e não conseguem, e ainda têm que lidar com o julgamento alheio. Hoje, com 1 ano e 4 meses, sigo ouvindo críticas pelo simples fato de continuar amamentando, mesmo que a recomendação oficial seja até os dois anos.
A maternidade é um campo minado de palpites disfarçados de conselhos.
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Entre culpa e amor
“A vida é muito diferente sem filhos.”
Antes de ser mãe, meu plano era não ter plano. Eu adorava decidir tudo em cima da hora. Viajar sem avisar, tomar banho quando desse vontade, ir ao mercado à meia-noite só porque sim.
“Como foi ficar longe delas por três anos? — Foi maravilhoso.”
A primeira vez que saí de casa sem minha filha foi para ir ao médico. Pedi para ir sozinha. Sem marido. Sem bebê. O médico se atrasou e eu fiquei fora por três horas. Na volta, passei num restaurante que adoro. Quando sentei, chorei feito criança.
Chorei de felicidade por estar ali, sozinha, com um pedaço da minha vida de antes. Depois chorei de medo. Medo da vida nunca mais voltar a ser como era. Depois chorei de culpa — por ter me sentido feliz por estar longe da minha filha.
É isso. A culpa materna existe. E ela é cruel.
Mas hoje eu sei que a vida não é mais como antes — e tudo bem. Porque, no fundo, eu ganhei muito mais do que perdi.
Mesmo assim, carrego um respeito profundo por quem escolhe não ser mãe. Porque fui essa mulher durante anos. E admiro também aquelas que têm coragem de dizer em voz alta: a maternidade é linda, mas também é difícil, exaustiva, contraditória.
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A Filha Perdida me deixou inquieta, como só os bons filmes fazem.
E talvez seja esse o seu maior mérito: nos mostrar que por trás de toda mãe, há uma mulher com história própria, com cicatrizes, medos, desejos. E que nenhuma escolha é simples quando se trata de amor.
La Casa de Papel (Parte 5)
3.7 529 Assista AgoraParece até com aquele cara cheio de defeitos, mas que vc está tão apaixonada que vai deixando passar falhas absurdas😂. N adianta, eu amo esta série!
A Tóquio nãoooooo! 😭
A trilha sonora só melhora! ♥️
"Que te vaya bonito
Vicente Fernández Jr.
Ojalá que te vaya bonito
Ojalá que se acaben tus penas
Que te digan que yo ya no existo
Que conozcas personas más buenas
Que te den lo que no pude darte
Aunque yo te haya dado de todo
Nunca más volveré a molestarte
Te adoré, te perdí, ya ni modo
Cuántas cosas quedaron prendidas
Hasta dentro del fondo de mi alma
Cuántas luces dejaste encendidas
Yo no sé cómo voy a apagarlas
Ojalá que mi amor no te duela
Y te olvides de mí para siempre
Que se llenen de sangre tus venas
Y te vista la vida de suerte
Yo no sé si tu ausencia me mate
Aunque tengo mi pecho de acero
Pero nadie me llame cobarde
Sin saber hasta dónde la quiero
Cuántas cosas quedaron prendidas
Hasta dentro del fondo de mi alma
Cuántas luces dejaste encendidas
Yo no sé cómo voy a apagarlas
Ojalá que te vaya bonito"
Visto dia 5/6 de setembro, Teresópolis, #536dias
Lado a Lado
3.9 634 Assista Agora" - Você está morrendo? - O que você acha? - Sim. Então não vou te ver mais. - Bem, você não vai ver o meu corpo, mas... você sabe como um casulo se torna algo mais? - Sim, uma borboleta.
- Sim, você só tem que pensar em mim voando em algum lugar. O mágico conhece o segredo: só porque você não vê uma coisa, não significa que ela não esteja lá. Mesmo que pareça que eu estou ausente, o mágico sabe que não. Eu vou para cá, bem aqui no coração, dentro do mágico.Você não vai ouvir a minha voz, mas lá no fundo saberá o que eu estou dizendo... Mas nós temos ainda uma coisa, uma das maiores coisas que sempre teremos. Nossos sonhos. Vamos nos encontrar em sonho. Vamos conversar um com o outro. Caminhar juntos no verão, no inverno e na chuva, no sol..."
"-Você está assustada?
-Um pouco.
-Eu estava com medo por você, mas não estou mais, porque sei que você vai ficar bem.
- Eu não quero dizer adeus. Eu vou sentir muito a sua falta.
-Ah, querida, está tudo bem. Oh, querida. Tudo bem sentir minha falta. Tudo bem. Você pode sentir minha falta e você pode me levar com você. Você pode. Quero dizer, quando você estiver com problemas, me leve contigo. Quando você se apaixonar, me leve contigo. Você pode. Quer dizer, é assim ... É assim que as pessoas duram para sempre, sabe, porque alguém as leva junto. Na sua formatura
e seu casamento e quando
você tiver seus bebês. Leve-me junto, está bem? Sempre, sempre e sempre.
Você tornou minha vida tão maravilhosa. Leve isso com você também, ok?❤️😍❤️
-OK.
Revisto em 10/7/2021 -csm
Um Evento Feliz
4.0 70"Ela me levou a uma esquina e me forçou a passar dos meus limites. Me fez enfrentar o amor, o sacrifício, a delicadeza e o abandono. Me transformou.
Maternidade. Não como ideal. Não como fantasia. Mas como um antes e depois que muda tudo.
Um Evento Feliz é um dos filmes mais sinceros, corajosos e necessários que já vi sobre o que significa tornar-se mãe. Porque sim, a gente não nasce mãe — a gente vira. E virar mãe nem sempre é bonito. Às vezes é caos. É choro. É insônia. É um turbilhão de sentimentos que ninguém te prepara pra sentir.
Louise Bourgoin está absurda no filme. Entrega tudo. Ela vive a mulher que sonha, a que enlouquece, a que ama, a que quer fugir, a que fica. A personagem fala como quem passou por um furacão, e diz:
> “Minha vida não era mais minha. Eu era um abismo, um vazio, um nada... Agora eu era mãe.”
E o filme tem diálogos que são simplesmente geniais. Verdadeiros. Diretos. Alguns até engraçados de tão certeiros:
> “Os maridos nunca deveriam ver você parir... Um show de horrores estrelado por mim.”
> “Seus inimigos serão queijos, ovos, patê, frios... Sua mãe, sua sogra, e todos que têm filhos.”
Quando ouvi essa frase, eu ri. Porque era exatamente isso. Foi tão específico que parecia escrito pra mim.
> “A filosofia, ao invés de abrir os olhos, nos prende em conceitos.”
O filme mostra o puerpério como ele é de verdade. Aquele período em que tudo vira uma montanha-russa emocional. Em que o corpo muda, o sono desaparece, e a sensação de fracasso aparece mesmo quando você está tentando fazer tudo certo.
E, mesmo assim, o amor aparece. De um jeito confuso, às vezes. Mas aparece.
> “Eu amava tanto o seu pai, que a coisa mais bonita que eu poderia fazer com ele era ter filhos.”
Não é um filme sobre conto de fadas. É sobre o que a vida real faz com a gente. Sobre como o tempo passa, como as coisas mudam, como as certezas escorrem. Mas também sobre o que fica.
> “Tudo desaparece com o tempo. Tudo. Mas o que permanece, o que perdura por algum grande mistério, é a vida. Sim, a vida.”
E o mais louco é que eu assisti esse filme grávida. E saí da sessão absolutamente desesperada.
Pensei: “Onde fui me meter?”
“Tô ferrada.”
E o que é estar ferrada, afinal? É perceber que tudo o que te disseram sobre a maternidade não te preparou pra realidade. É ver que você vai perder coisas, vai duvidar de si mesma, vai chorar no banheiro. Mas também vai amar como nunca imaginou que pudesse. Vai rir quando menos espera. Vai olhar pra aquele bebê e pensar: “Tá, eu tô ferrada. Mas tô aqui.”
Um Evento Feliz me lembrou disso. Que a maternidade é difícil pra caramba. Mas também é amor. Verdadeiro. Bagunçado. Inesquecível.
Visto em 30/6/2021. #CsM #Isld
Cruella
4.0 1,4K Assista AgoraTrilha sonora, Emma Thompson, figurino e fotografia!!! 😍😍😍
Visto em 4/6/21 - Teresópolis - marido, sobrinhas, cunhada ♥️ Disney +
Anna dos 6 aos 18
4.0 25"- O que você mais ama?
- O que te amedronta mais?
- O que você espera da vida?"
Respostas da minha filha, às vésperas de fazer 5 anos.
- Fazer biscoitinho.
- Da bruxa má.
- Adolescente, para ganhar um tablet.❤️
Anne com um E (1ª Temporada)
4.6 763 Assista Agora“Às vezes é preciso deixar as pessoas amarem você.”
“Deixe suas ambições e aspirações guiarem você.”
“As pessoas enxergam o que desejam, independente da verdade.”
“A vida é curta demais para ser gasta fomentando animosidade ou remoendo erros.”
“Por que as piores lembranças são as mais insistentes?”
“Se a rosa não fosse bela, ninguém iria parar para cheirá-la.”
“Coisas quebradas tem uma certa beleza triste. Depois de anos de histórias e triunfos e tragédias infundidas nelas, elas podem ser muito mais românticas do que coisas novas que não tiveram aventuras.”
“De que adianta ter imaginação se não consigo ver o que está bem diante dos meus olhos.”
“Idade e memória são coisas que não andam de mãos dadas.”
“Não é o que o mundo reserva pra você, mas o que você traz para o mundo.”
“Não há um caminho certo na arte ou na vida. Às vezes, não há nenhum caminho e você deve demolir paredes e esculpir o seu caminho através das madeiras para chegar onde precisa.”
“Pra você, construirei um castelo, cada tijolo será forjado no meu coração, com o fogo do meu amor transcendente.”
“Vou parar de sonhar com o que eu não posso ter.”
“A guerra pode envenenar a cabeça de um homem.”
“Acredito que há sempre algo bom para aprender nas situações. Mesmo as ruins. Eu acho que constrói caráter.”
“A sua vida não precisa ser uma réplica exata da vida dos seus pais.” ❤️
“A vida tinha tantas cores através dos olhos dela. Isso coloriu o meu mundo para sempre.”
Druk: Mais Uma Rodada
3.9 829 Assista AgoraExiste uma camada de dor tão silenciosa em Druk – Mais uma Rodada que a gente quase não percebe que está assistindo a um filme sobre luto.
À primeira vista, é sobre um experimento: quatro professores decidem testar uma teoria — a de que o ser humano nasce com um déficit natural de 0,05% de álcool no sangue, e que manter esse nível tornaria a vida mais leve, mais criativa, mais viva. Eles passam a beber controladamente durante o expediente, observando as mudanças em suas aulas, nas interações sociais, nos casamentos.
Mas não demora muito para o filme mostrar que esse experimento é só a superfície. Porque o que eles estão realmente tentando é voltar a sentir alguma coisa. Voltar a se reconhecer em si mesmos. Romper com a anestesia de uma vida que virou rotina, função, obrigação.
Mads Mikkelsen está brilhante. Seu personagem carrega nos olhos o cansaço de quem um dia foi alguém apaixonado — e agora vive no automático. Ele não grita. Ele se apaga. E essa atuação contida, discreta, é o que faz o filme doer tanto.
A beleza de Druk está em não demonizar a bebida, mas também não glorificá-la. O álcool ali é uma metáfora — do impulso por liberdade, por fuga, por risco. Por tudo o que a vida adulta tantas vezes exige que a gente reprima.
É um filme sobre homens tentando entender onde foi parar o sentido das coisas. Tentando não naufragar. Tentando voltar à superfície. Tentando, simplesmente, sentir.
O final… sem spoilers, claro. Mas há um momento em que o corpo dança como se a alma voltasse a existir. É libertador e devastador ao mesmo tempo.
Druk me deixou com essa pergunta: em que momento da vida a gente para de se permitir sentir o que nos fazia vivos? E o que a gente faz com isso quando percebe?
Não é um filme sobre álcool. É um filme sobre ausência. E sobre a coragem — ou a vertigem — de se lançar mais uma vez.
Mank
3.2 461 Assista AgoraSabe quando um filme te decepciona em absolutamente todos os sentidos? Pois é. Foi exatamente o que senti com esse aqui.
A começar pelo roteiro: pavoroso. Não é uma palavra que costumo usar com leveza, mas nesse caso não encontrei outra. A história tenta se vender como um drama político profundo e atual, mas é artificial do começo ao fim. Tudo soa forçado, sem fluidez. Os diálogos são pretensiosos, como se o filme se esforçasse demais para parecer inteligente — e, no fim, não diz quase nada.
A estrutura narrativa é truncada, cheia de quebras de ritmo que não cumprem nenhum papel estético ou emocional. São interrupções vazias, quase decorativas. As viradas de roteiro não surpreendem, só cansam. Faltou coesão, faltou organicidade, faltou alma.
E as atuações… olha, me doeu. É raro ver um elenco tão bom entregue a personagens tão mal construídos. Muita gente ali parece atuar para uma plateia imaginária, em vez de simplesmente viver a cena. Tudo exagerado, carregado, teatral demais. Até Gary Oldman, que geralmente me convence com um olhar, aqui está engessado, sem timing, desconectado do que o filme precisava.
O que mais me incomodou foi o tom generalizado de autoimportância. A sensação de que o filme tem certeza de que está entregando uma obra-prima. Sabe aquele tipo de cinema que quer ser premiado? Que não quer emocionar, nem provocar, mas simplesmente ocupar espaço nas listas de final de ano? Esse é exatamente esse caso.
É o típico filme que vai circular por festivais, coletar indicações, aparecer em noites de premiação — muito mais pela assinatura do diretor e pelo peso dos nomes envolvidos do que por mérito artístico real. E isso, pra mim, é um grande problema. Porque o cinema precisa de verdade, não de fachada.
Assisti em 21/12/2020, durante a minha #MaratonaOscar2021
O Gambito da Rainha
4.4 950 Assista AgoraDe repente, me vi querendo aprender a jogar xadrez... ❤️❤️❤️
"Xadrez nem sempre é competitivo. Xadrez pode ser lindo(…) É um mundo inteiro dentro de 64 quadrados. Eu me sinto segura no tabuleiro. Eu posso controlá-lo. Eu posso dominá-lo. E é previsível, então se eu me machucar, eu só tenho que culpar a mim mesma.”
“É preciso ser uma mulher forte para ficar sozinha em um mundo onde as pessoas se contentam com qualquer coisa, só para dizerem que têm alguma coisa.”
Trilha sonora perfeita! Destaque para You're the one. ❤️
Era Uma Vez um Sonho
3.5 455 Assista AgoraComo sessão da tarde é bem razoável... Como filme típico para ser indicado ao Oscar, NÃO, OBRIGADA! Roteiro muito falho.
AMEI a atuação da Glenn, sempre na medida. Quando vi a caracterização dela me senti super incomodada, mas ao ver a avó da vida real me espantei com a semelhança!
Visto em 27/11/2020 - casa - AmmG
Você Não Estava Aqui
4.1 253M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!!!
Visto em 16/11/2020 - casa- AmmG
Borat: Fita de Cinema Seguinte
3.6 555 Assista AgoraSe puderem dizer onde encontraram, AGRADEÇO!
QUERO MUITOOO! ❤️❤️❤️
O Grande Ditador
4.6 802 Assista Agora🥰❤️🤩
“Me desculpem, mas eu não quero ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não quero governar ou conquistar ninguém. Gostaria de ajudar a todos — se possível — judeus, não-judeus, negros e brancos.
Todos nós queremos ajudar uns aos outros. O ser humano é assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo — não para seu sofrimento. Não queremos odiar e desprezar uns aos outros. Neste mundo há lugar para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O estilo de vida poderia ser livre e belo, mas nós perdemos o caminho. A ganância envenenou a alma do homem, criou uma barreira de ódio e nos guiou no caminho de assassinato e sofrimento. Desenvolvemos a velocidade, mas nos fechamos em nós mesmos. A máquina, que produz abundância, nos deixou em necessidade. Nosso conhecimento nos fez cínicos; nossa inteligência nos fez cruéis e severos.
Pensamos demais e sentimos muito pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de gentileza e bondade. Sem essas virtudes, a vida será violenta e tudo será perdido.
A aviação e o rádio nos aproximou. A natureza dessas invenções grita em desespero pela bondade do homem, um apelo à irmandade universal e à união de todos nós.
Mesmo agora que a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo afora, milhões de desesperados, homens, mulheres, crianças, vítimas de um sistema que faz o homem torturar e prender pessoas inocentes.
Aos que me podem ouvir eu digo: “Não se desesperem!” O sofrimento que está entre nós agora é apenas a passagem da ganância, a amargura de homens que temem o progresso humano.
O ódio do homem vai passar e os ditadores morrerão. E o poder que que eles tomaram das pessoas, vai retornar para as pessoas. Enquanto os homens morrerem, a liberdade nunca se acabará.
Soldados! Não se entreguem a esses homens cruéis. Homens que desprezam e escravizam vocês, que querem reger suas vidas e dizer o que pensar, o que falar e o que sentir, que treinam vocês e tratam com desprezo para depois serem sacrificados na guerra.
Não se entreguem a esses homens artificiais. Homens-máquina, com mente e coração de máquina. Vocês não são máquinas, não são desprezíveis! Você é homem! Você tem o amor da humanidade no seu coração. Você não odeia, só os que não são amados e não naturais que odeiam.
Soldados! Não lutem pela escravidão! Lutem pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas é escrito: ‘o Reino de Deus está dentro do homem’ — não de um só homem ou de um grupo de homens, mas de todos os homens, em você!
Vocês, o povo, têm o poder — o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade! Vocês, o povo, têm o poder de fazer desta vida livre e bela, de fazer desta vida uma aventura maravilhosa.
Portanto — em nome da democracia —vamos usar desse poder, vamos todos nos unir! Vamos lutar por um mundo novo, um mundo decente, que dê ao homem uma chance de trabalhar, que dê um futuro a juventude e segurança aos idosos.
Foi prometendo essas coisas que cruéis chegaram ao poder. Mas eles mentiram! Não cumpriram sua promessa e nunca cumprirão! Ditadores libertam eles mesmos, mas escravizam as pessoas. Agora vamos lutar para que essa promessa seja cumprida, vamos lutar para libertar o mundo, acabar com as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à intolerância.
Vamos lutar por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso vão levar à felicidade de todos.
Soldados, em nome da democracia, vamos todos nos unir!”
Revisto em 23/8/20 #154diasDeQuarentena