Filme pioneiro em sua premissa, bem como repleto de cenas icônicas e memoráveis, Alien segue atemporal. Parece que foi feito ontem. Muito embora exista a necessidade de se fechar os olhos para algumas falhas no roteiro, o filme demonstra claramente como a incompetência de uma equipe ou má ação de quem está no comando pode levar a uma tragédia facilmente evitável. Para mim Ellen Ripley está, junto de Sarah Connor, entre as personagens femininas mais duronas do cinema.
Revi agora há pouco. Curiosamente, nunca tinha visto de madrugada. Engraçado como o filme parece ganhar uma outra atmosfera. Acho que isso se deve ao fato de que ele fica perambulando pelas ruas sobretudo de madrugada. Um dos filmes mais dostoievskianos que já vi.
Baseado num romance e, portanto, repleto de licenças poéticas com poucas precisões históricas, Hamnet se revela um filme tocante e extremamente delicado.
Curiosamente, o filme é mais focado em Agnes, sua esposa, que a história conheceu como Anne Hathaway (Sim, nome idêntico ao da atriz mas que, de acordo com alguns documentos, era originalmente Agnes). Pouco ou quase nada se sabe a respeito dela e, justamente nesse ponto, o roteiro abusa bastante da liberdade criativa. De acordo com o que já li sobre a biografia do casal, diversos estudiosos alegam que o casamento dos dois era infeliz e Shakespeare vivia em Londres justamente para ficar longe da esposa. Contudo, há também inúmeras especulações contrárias no que concerne a isso.
Acho válido ressaltar o caráter “místico”, por assim dizer, da Agnes, uma vez que não há nenhuma base biográfica que corrobore esse fato. Julgo que ela foi retratada dessa maneira porque a obra de Shakespeare está permeada de bruxas, feiticeiras, feitiços, venenos, ervas e mulheres com um pezinho no sobrenatural.
Um detalhe que achei bem interessante se passa numa cena em que Agnes e as filhas estão macerando algumas plantas e ela diz que o alecrim está associado “à memória”. Essa referência é encontrada em algum ato de Hamlet, quando Ofélia, uma das personagens femininas centrais da peça, faz a mesma observação.
Outro detalhe que achei muito interessante é o fato de que há a sugestão de que, inspirado na perda do filho, Shakespeare escreve uma peça em que um filho perde o pai. Nesse caso, o luto funciona como motor do processo criativo, gerando uma obra de um quilate sem precedentes. Tanto é que na cena final, bastante catártica, Agnes enfim compreende que, diferentemente do que pensava, o marido estava sofrendo terrivelmente com a morte do filho, tão terrivelmente que a partir dessa circunstância passou a se ver como um fantasma e chegou a cogitar a própria morte.
Para mim a fotografia é o ponto alto da película. Linda demais, com tomadas tão poéticas quanto alguns versos dos sonetos shakespearianos. Creio que esse ano o filme leva o Oscar de Melhor Filme e, se não, ao menos o de Melhor Roteiro Adaptado e Fotografia.
Por fim, muito embora o nome da peça de Shakespeare tenha o mesmo do nome de seu filho, morto em tenra idade, já havia peças homônimas na época. Uma das peças foi escrita por Françoise Belleforest, em algum período do século XVI e a outra, que se intitulava Ur-Hamlet, se perdeu nas poeiras do tempo. Todas elas foram baseadas na lenda escandinava de Amleth. Recentemente essa lenda foi trazida novamente a lume com o filme “O Homem do Norte”. Dito isso, filmaço, que vale muito a pena ser visto.
Bastante previsível, esquecivel e me bateu um arrependimento por ter visto. Vi, na verdade, para tentar tirar da cabeça a nova versão do Caligula. Nao adiantou muito. Tarde cinematográfica perdida. Triste.
Filme muito ruim, pelo amor de Deus. Corromperam gratuitamente um clássico. Ademais, é uma obra de certo modo saturada no cinema e nenhum dos filmes feitos chegou aos pés do livro. Mas esse aí se superou. Um excesso de erotismo desnecessário, trilha sonora moderna... e vários outros defeitos lamentáveis. Dou duas estrelas por causa de algumas partes da fotografia. Mas não recomendo.
Fui assistir despretensiosamente, mas fiquei surpreso com a qualidade da produção. Um ótimo filme sobre os primórdios da corrida espacial. Gostei muito.
Embora muito bem feito e executado, achei um filme maçante, mais importante por causa do tema que aborda do que por seu quilate cinematográfico. Julgo que a academia o galardeou com o Oscar por uma espécie de justiça histórica, uma vez que o Brasil foi muito injustiçado nessa premiação em outras ocasiões. Em minha concepção a atuação da Fernanda Torres é o ponto alto da obra, com destaque especial para a cena do interrogatório. Que a justiça prevaleça sempre.
Filme grotesco, bizarro e de extremo mau gosto. Alto nível de gore. Há quem goste, mas para mim não serve. Feito unicamente para chocar. Nota 2 por causa da atuação da Demi Moore, a única coisa que julguei interessante nesta obra que eu gostaria mesmo é de desver.
Filmaço. A fotografia desse filme julgo que foi inspirada sobretudo no Expressionismo Alemão dos anos 20. Os silêncios incômodos, olhares perdidos e atmosfera sombria refletem muito bem o período pelo qual a Europa estava passando na época em que a história, que por sinal é baseada em fatos reais, se desenrola. Victoria Carmen Sonne merecia ao menos uma indicação ao Oscar pela atuação primorosa que entrega. Inclusive, achei bem superior à vencedora do prêmio desse ano. Outra que merecia demais é a Trine Dyrholm com sua incrível performance. Um dos meus detalhes preferidos na obra, e que ficará para sempre guardado em minha memória é a do soldado que volta da guerra com o rosto deformado e usa uma máscara horrível que, no entanto, é mais "agradável" do que os ferimentos que sofreu no front. Triste demais, porque acontecia muito.
No ano passado eu visitei o Museu do Ipiranga e, curiosamente, a pintura que mais me impressionou lá não foi a "Independência ou Morte" do Pedro Américo, mas sim uma pintura chamada "A Fazedora de Anjos" do Pedro Weingärtner. Foi inevitável que eu não fizesse um paralelo entre essa pintura e o filme quando terminei de assisti-lo. Curioso e digno de nota é o fato de que essa pintura data de 1908, e o famoso caso no qual o filme se inspira ocorreu entre 1913 e 1920, coisa que revela que tais acontecimentos não eram muito incomuns na época.
Achei um filme demasiadamente caricato em todos os sentidos, sobretudo no que concerne ao personagem interpretado pelo Sean Penn. Talvez essa tenha sido justamente a intenção do P.T. Anderson, mas não me pegou de jeito nenhum. O filme flerta com tantos gêneros diferentes, de drama político a faroeste moderno, que mais parece uma cacofonia cinematográfica, coisa que se aplica também aos efeitos sonoros e à trilha. Ademais, em muitas ocasiões, o roteiro chega a insultar a inteligência do espectador. Saí da sessão meio zonzo e bastante cansado, como se tivesse tomado um porre. Para mim a Magnum Opus do P.T. Anderson continua sendo Sangue Negro e acho difícil que um dia ele a supere. Uma Batalha Após a Outra é um filme legalzinho, um pouco acima da média se comparado aos incontáveis lançamentos de ação que vemos por aí, porém totalmente esquecível.
Filme parte de uma premissa muito interessante, porém não gostei da forma como a história se desenrolou do meio para o final. O Kleber Mendonça é um diretor com um estilo bastante peculiar do qual não gosto muito. Ao menos de minha concepção, esse filme dialoga com Uma Batalha Após a Outra, do qual também não gostei muito. Ponto positivo: a atuação do Wagner Moura. Ponto negativo: O elemento fantástico que permeia o filme em alguns trechos. É um filme que vi uma vez por mera curiosidade, mas não pretendo rever nunca mais.
"Deus é supérfluo para aquele que se encontrou... Há pessoas que são atraídas pelo desastre. Pessoas que só encontram liberdade na falta de esperança e solidão"
Baseado na obra do laureado com o Nobel Henryk Pontoppidan, Lykke-per é um filme sobre um homem que sempre pensou saber quem era, mas que la no fundo nunca soube. Quando o assisti estabeleci um paralelo com o poema Tabacaria, do Fernando Pessoa, com ênfase no trecho: "Fiz de mim o que não soube... O dominó que eu vesti era errado"... Nesse compasso, o personagem flutua pela propria existência, quase sempre sonhando acordado, sem conseguir balancear seu brilhantismo com a constante angústia que o oprime. Destaque especial para a fotografia, para a beleza dos cenarios e para o estonteante encanto das irmãs Salomon.
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Alien: O Oitavo Passageiro
4.1 1,4K Assista AgoraFilme pioneiro em sua premissa, bem como repleto de cenas icônicas e memoráveis, Alien segue atemporal. Parece que foi feito ontem. Muito embora exista a necessidade de se fechar os olhos para algumas falhas no roteiro, o filme demonstra claramente como a incompetência de uma equipe ou má ação de quem está no comando pode levar a uma tragédia facilmente evitável. Para mim Ellen Ripley está, junto de Sarah Connor, entre as personagens femininas mais duronas do cinema.
Taxi Driver
4.2 2,6K Assista AgoraRevi agora há pouco. Curiosamente, nunca tinha visto de madrugada. Engraçado como o filme parece ganhar uma outra atmosfera. Acho que isso se deve ao fato de que ele fica perambulando pelas ruas sobretudo de madrugada. Um dos filmes mais dostoievskianos que já vi.
Sonhos de Trem
3.7 351 Assista AgoraFilme bonito demais. Profundo, introspectivo e poético na medida certa. Fotografia lindissima e irretocável.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 430 Assista AgoraBaseado num romance e, portanto, repleto de licenças poéticas com poucas precisões históricas, Hamnet se revela um filme tocante e extremamente delicado.
Curiosamente, o filme é mais focado em Agnes, sua esposa, que a história conheceu como Anne Hathaway (Sim, nome idêntico ao da atriz mas que, de acordo com alguns documentos, era originalmente Agnes). Pouco ou quase nada se sabe a respeito dela e, justamente nesse ponto, o roteiro abusa bastante da liberdade criativa. De acordo com o que já li sobre a biografia do casal, diversos estudiosos alegam que o casamento dos dois era infeliz e Shakespeare vivia em Londres justamente para ficar longe da esposa. Contudo, há também inúmeras especulações contrárias no que concerne a isso.
Acho válido ressaltar o caráter “místico”, por assim dizer, da Agnes, uma vez que não há nenhuma base biográfica que corrobore esse fato. Julgo que ela foi retratada dessa maneira porque a obra de Shakespeare está permeada de bruxas, feiticeiras, feitiços, venenos, ervas e mulheres com um pezinho no sobrenatural.
Um detalhe que achei bem interessante se passa numa cena em que Agnes e as filhas estão macerando algumas plantas e ela diz que o alecrim está associado “à memória”. Essa referência é encontrada em algum ato de Hamlet, quando Ofélia, uma das personagens femininas centrais da peça, faz a mesma observação.
Outro detalhe que achei muito interessante é o fato de que há a sugestão de que, inspirado na perda do filho, Shakespeare escreve uma peça em que um filho perde o pai. Nesse caso, o luto funciona como motor do processo criativo, gerando uma obra de um quilate sem precedentes. Tanto é que na cena final, bastante catártica, Agnes enfim compreende que, diferentemente do que pensava, o marido estava sofrendo terrivelmente com a morte do filho, tão terrivelmente que a partir dessa circunstância passou a se ver como um fantasma e chegou a cogitar a própria morte.
Para mim a fotografia é o ponto alto da película. Linda demais, com tomadas tão poéticas quanto alguns versos dos sonetos shakespearianos. Creio que esse ano o filme leva o Oscar de Melhor Filme e, se não, ao menos o de Melhor Roteiro Adaptado e Fotografia.
Por fim, muito embora o nome da peça de Shakespeare tenha o mesmo do nome de seu filho, morto em tenra idade, já havia peças homônimas na época. Uma das peças foi escrita por Françoise Belleforest, em algum período do século XVI e a outra, que se intitulava Ur-Hamlet, se perdeu nas poeiras do tempo. Todas elas foram baseadas na lenda escandinava de Amleth. Recentemente essa lenda foi trazida novamente a lume com o filme “O Homem do Norte”.
Dito isso, filmaço, que vale muito a pena ser visto.
E o resto é silêncio.
A Empregada
3.4 601 Assista AgoraBastante previsível, esquecivel e me bateu um arrependimento por ter visto. Vi, na verdade, para tentar tirar da cabeça a nova versão do Caligula. Nao adiantou muito. Tarde cinematográfica perdida. Triste.
Calígula
3.1 512 Assista AgoraPornô hardcore fantasiado de "drama histórico". Tinha visto ha tempos, agora lembrei que vi, graças à nova versão.
Calígula: O Corte Final
3.0 15 Assista AgoraChega a ser quase uma parodia da versão original. Nao recomendo. Aliás, também nao recomendo a versao original. haha
O Morro dos Ventos Uivantes
2.9 259 Assista AgoraFilme muito ruim, pelo amor de Deus. Corromperam gratuitamente um clássico. Ademais, é uma obra de certo modo saturada no cinema e nenhum dos filmes feitos chegou aos pés do livro. Mas esse aí se superou. Um excesso de erotismo desnecessário, trilha sonora moderna... e vários outros defeitos lamentáveis. Dou duas estrelas por causa de algumas partes da fotografia. Mas não recomendo.
Spacewalker - Rumo ao Desconhecido
3.8 25Fui assistir despretensiosamente, mas fiquei surpreso com a qualidade da produção. Um ótimo filme sobre os primórdios da corrida espacial. Gostei muito.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraEmbora muito bem feito e executado, achei um filme maçante, mais importante por causa do tema que aborda do que por seu quilate cinematográfico. Julgo que a academia o galardeou com o Oscar por uma espécie de justiça histórica, uma vez que o Brasil foi muito injustiçado nessa premiação em outras ocasiões. Em minha concepção a atuação da Fernanda Torres é o ponto alto da obra, com destaque especial para a cena do interrogatório. Que a justiça prevaleça sempre.
A Substância
3.9 1,9K Assista AgoraFilme grotesco, bizarro e de extremo mau gosto. Alto nível de gore. Há quem goste, mas para mim não serve. Feito unicamente para chocar. Nota 2 por causa da atuação da Demi Moore, a única coisa que julguei interessante nesta obra que eu gostaria mesmo é de desver.
A Garota da Agulha
4.0 299 Assista AgoraFilmaço. A fotografia desse filme julgo que foi inspirada sobretudo no Expressionismo Alemão dos anos 20. Os silêncios incômodos, olhares perdidos e atmosfera sombria refletem muito bem o período pelo qual a Europa estava passando na época em que a história, que por sinal é baseada em fatos reais, se desenrola.
Victoria Carmen Sonne merecia ao menos uma indicação ao Oscar pela atuação primorosa que entrega. Inclusive, achei bem superior à vencedora do prêmio desse ano. Outra que merecia demais é a Trine Dyrholm com sua incrível performance. Um dos meus detalhes preferidos na obra, e que ficará para sempre guardado em minha memória é a do soldado que volta da guerra com o rosto deformado e usa uma máscara horrível que, no entanto, é mais "agradável" do que os ferimentos que sofreu no front. Triste demais, porque acontecia muito.
No ano passado eu visitei o Museu do Ipiranga e, curiosamente, a pintura que mais me impressionou lá não foi a "Independência ou Morte" do Pedro Américo, mas sim uma pintura chamada "A Fazedora de Anjos" do Pedro Weingärtner. Foi inevitável que eu não fizesse um paralelo entre essa pintura e o filme quando terminei de assisti-lo. Curioso e digno de nota é o fato de que essa pintura data de 1908, e o famoso caso no qual o filme se inspira ocorreu entre 1913 e 1920, coisa que revela que tais acontecimentos não eram muito incomuns na época.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 665 Assista AgoraAchei um filme demasiadamente caricato em todos os sentidos, sobretudo no que concerne ao personagem interpretado pelo Sean Penn. Talvez essa tenha sido justamente a intenção do P.T. Anderson, mas não me pegou de jeito nenhum. O filme flerta com tantos gêneros diferentes, de drama político a faroeste moderno, que mais parece uma cacofonia cinematográfica, coisa que se aplica também aos efeitos sonoros e à trilha. Ademais, em muitas ocasiões, o roteiro chega a insultar a inteligência do espectador. Saí da sessão meio zonzo e bastante cansado, como se tivesse tomado um porre. Para mim a Magnum Opus do P.T. Anderson continua sendo Sangue Negro e acho difícil que um dia ele a supere. Uma Batalha Após a Outra é um filme legalzinho, um pouco acima da média se comparado aos incontáveis lançamentos de ação que vemos por aí, porém totalmente esquecível.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraFilme parte de uma premissa muito interessante, porém não gostei da forma como a história se desenrolou do meio para o final. O Kleber Mendonça é um diretor com um estilo bastante peculiar do qual não gosto muito. Ao menos de minha concepção, esse filme dialoga com Uma Batalha Após a Outra, do qual também não gostei muito. Ponto positivo: a atuação do Wagner Moura. Ponto negativo: O elemento fantástico que permeia o filme em alguns trechos. É um filme que vi uma vez por mera curiosidade, mas não pretendo rever nunca mais.
A Um Passo da Liberdade
4.3 42Filmaço! O melhor filme sobre fuga da prisão que já vi. Tensão, dinâmica e detalhismo na medida certa.
Um Homem de Sorte
3.5 79"Deus é supérfluo para aquele que se encontrou... Há pessoas que são atraídas pelo desastre. Pessoas que só encontram liberdade na falta de esperança e solidão"
Baseado na obra do laureado com o Nobel Henryk Pontoppidan, Lykke-per é um filme sobre um homem que sempre pensou saber quem era, mas que la no fundo nunca soube. Quando o assisti estabeleci um paralelo com o poema Tabacaria, do Fernando Pessoa, com ênfase no trecho: "Fiz de mim o que não soube... O dominó que eu vesti era errado"... Nesse compasso, o personagem flutua pela propria existência, quase sempre sonhando acordado, sem conseguir balancear seu brilhantismo com a constante angústia que o oprime.
Destaque especial para a fotografia, para a beleza dos cenarios e para o estonteante encanto das irmãs Salomon.