Os jesuítas tentaram recriar uma espécie de paraíso nos trópicos da América Latina, e quase conseguiram. O problema é que suas missões, como eram conhecidas as aglomerações de indígenas sob tutela da Companhia de Jesus, representavam um obstáculo para os colonos, que encontraram na mão de obra dos índios uma solução para a falta de trabalhadores necessários aos seus empreendimentos comerciais. A Igreja, através do Papado, viu o quanto a evangelização do Novo Mundo estava se expandindo por meio da dedicação das ordens religiosas, dentre as quais se destacavam os inacianos. Mas também viu que a oposição dos ibéricos que utilizavam o braço indígena nas lavouras e minas, transformava-se cada vez mais numa fonte inesgotável de conflitos com os religiosos, e portanto, com quem os apoiava. Eram esses empreendedores que representavam a maior ameaça ao "paraíso" missionário dos evangelizadores a serviço da Igreja. Eles que precisavam adquirir e ampliar o poder com o qual garantiriam o controle e os lucros de seus negócios comerciais. Esse é o fator que resultou na animosidade entre os defensores da escravização do silvícula, e a Igreja, que para salvar as almas dos naturais da terra, não podia abandonar as missões à ganância dos colonos, tão preocupados com seus interesses materiais, que mesmo sendo cristãos, não davam a devida importância ao evangelismo. É nesse contexto que se insere o personagem interpretado por Robert De Niro. Após uma vida dedicada ao apresamento de índios para o trabalho escravo, e depois de ter praticado um crime passional contra seu próprio irmão, Rodrigo Mendoza, personagem de De Niro, acaba tendo contato com alguns jesuítas, e consumido de remorsos e arrependimento, decide aceitar a proposta dos jesuítas de mudança de vida. É assim que começa seu processo de conversão. Seu encontro com Deus, através do arrependimento, penitência e obtenção de perdão, era muito comum naquela época, e uma das características dessa experiência espiritual, é a expiação dos pecados, após o reconhecimento dos próprios erros, e a obtenção externa do perdão por meio da prática de sacrifícios e humilhações públicos. Os penitentes sentiam que deviam pagar pelos seus pecados à vista de todos, como prova real de arrependimento. Na doutrina católica, o fiel só se sente perdoado quando recebe o sacramento da confissão, e paga a penitência escolhida pelo confessor, com a condição de prometer não mais pecar. O pecador só se "perdoa" após esse rito sacramental, pois o perdão vem de Deus, por intermédio do sacerdote. Infelizmente, esse rito tão útil para a consciência dos católicos, volta e meia é deturpado por aqueles que só enxergam controle político nas ações da Igreja. Os escravagistas não estavam nem um pouco preocupados com os sacramentos católicos. Para eles só o lucro salvava, ou seja, jamais seriam controlados politicamente pela Igreja, haja vista que os Rodrigos da vida eram uma exceção dentro daquele universo colonial. Rodrigo só era uma ameaça para os donos de escravos, se resistisse às investidas deles de recapturarem os índios recolhidos nas missões jesuítas. E quando Rodrigo faz isso, sua ação não é isolada. Ele não "descobriu uma suposta participação do Deus da Igreja na mercancia de escravos", até porque, o Deus da Igreja é Nosso Senhor Jesus Cristo, que jamais favoreceu a escravidão. O que Rodrigo fez foi unir-se aos jesuítas, que naquele período da história da Igreja, representavam a ponta da lança da defesa do Papado e do Catolicismo. Afirmar que ele teria negado a fé na Igreja para substituí-la por uma fé no Criador, é no mínimo um exercício de especulação radical, pois nada no filme indica isso. A fé na Igreja, para quem se converte, é baseada na fé no fundador da Igreja: Cristo Nosso Senhor.
Mel Gibson expôs a hipocrisia hollywoodiana com o filme A Paixão de Cristo. Basta verificar que apesar da boa fotografia, figurino, reconstituição de época e desempenho dos atores, sem falar na autenticidade proporcionada pela utilização do hebraico e latim em todo o filme, essa fita do ator/diretor Mel Gibson, começou a ser sabotada já antes de chegar às telas dos cinemas. E por que isso? Apenas porque mostra o que está registrado no Novo Testamento, sobre o sofrimento extremo de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o ódio do clero judaico contra Ele. No primeiro caso, a indústria cinematográfica tachou o filme de excessivamente violento. No segundo caso, rotulou-o de anti-semita. Essa mesma indústria que sempre evoca o direito de liberdade de expressão, e o respeito pela manifestação artística de filmes como a Última Tentação de Cristo ou Clube da Luta, independentemente de seus conteúdos claramente anti-cristãos ou de apologia da violência, negou para A Paixão de Cristo esses mesmos direitos, simplesmente porque filmes impactantes como esse, contêm um forte potencial de despertar sentimentos conservadores nas milhares de pessoas que o assistiram. Sentimentos esses que preocupam Hollywood, por serem contrários a uma vida hedonista e materialista, pregada de maneira explícita ou subliminar, por inúmeros filmes desde os princípios desse império da magia ilusionista do cinema. E principalmente nos dias de hoje, em pleno século vinte e um, após tantos avanços das ideias propugnadas pela revolução sexual e pelo liberal-progressismo, que sempre foram defendidas e até estimuladas pelos filmes hollywoodianos, obras como A Paixão de Cristo são combatidas não porque recorrem a uma violência inédita nesse tipo de filme, embora nunca gratuita, nem porque não escondem o deicídio judaico, mas porque transmitem uma mensagem incômoda para o mundo pós-moderno: arrependimento e mudança de vida.
Além de Hitler, Stalin é outro ditador que deveria ter sido retratado com mais frequência pelo cinema, desde que seus crimes e horrores fossem relembrados a exaustão, não só por um aspecto didático, considerando que ele foi contemporâneo de Hitler, e cometeu atrocidades semelhantes, por mais tempo, mas, para muitos, sobretudo as novas gerações, Hitler parece ser o protótipo por excelência do déspota sanguinário, e isso tem resultado numa consequência preocupante, pois alguns jovens acabam sendo convencidos de que Stalin "precisou" promover genocídios, para consolidar o comunismo soviético, que teria possibilitado a industrialização e a consequente "melhoria" da economia soviética; mas também por uma questão de justiça histórica, haja vista que Stalin passou para a posteridade como um dos vencedores do nazismo, e, no entanto, isso só veio a acontecer porque ele foi praticamente obrigado a voltar-se contra Hitler, após este ter traído o pacto de não agressão firmado com Stalin, que continha uma cláusula secreta, garantindo a repartição entre os dois ditadores, dos territórios invadidos por eles no leste da Europa. Esse é um dos fatos mais desfarçados e até silenciados sobre a II G.M. O pior conflito bélico de toda a história da humanidade, teve início com a participação ativa do Exército Vermelho sob comando de Stalin, ao lado da máquina de guerra nazista. E essa união terrível só cessou, por causa da megalomania de Hitler, que achou ser possível conquistar toda a Europa, mantendo duas frentes de combate tanto no oeste quanto no leste.
Existem temas complexos que nem sempre o cinema aborda com a devida profundidade. Mas, de vez em quando, algum diretor resolve transpor para as telas assuntos espinhosos, e o resultado as vezes surpreende. É o caso desse filme baseado em fatos reais. A chantagem sofrida por um padre católico, que é escolhido por um oficial nazista, responsável por tratar de uma questão delicada para o governo nazista, por conta de seu passado também católico, é desenvolvida ao longo de nove dias ( daí o título do filme). O padre também não foi escolhido aleatoriamente, já que ele tinha uma certa ligação com o bispo de uma diocese do leste europeu, que havia decidido não colaborar de forma alguma com o regime nazista. A missão do oficial nazista, era convencer esse padre, por meio de chantagem, a levar o bispo a ceder às pressões dos nazistas. Logo de cara, duas coisas me chamaram a atenção nesse filme: a produção e o elenco são de alemães que contam uma história ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, em territórios dominados pelos nazistas; e a coragem de falar de um acontecimento no qual a Igreja não surge como omissa ou coisa pior, em relação ao nazismo. Esses dois fatores me impressionaram, porque num universo de dezenas de filmes sobre o nazismo, pouquíssimos mostram o quanto o nazismo perseguiu a Igreja, inclusive mantendo em campos de concentração muitos sacerdotes e religiosas do catolicismo. Filmes assim contribuem para enriquecer o gênero Segunda Guerra Mundial, que ainda não está esgotado.
Ken Loach é o típico diretor de cinema panfletário, que não esconde o fato de que seus filmes estão a serviço do socialismo. Sua visão de mundo é maniqueísta e parcial, pois como todo militante de esquerda, para ele só há uma causa para os problemas sociais e as injustiças sofridas pela classe trabalhadora. Mas, em alguns casos, os acontecimentos históricos forçam uma auto crítica, e a guerra civil espanhola é um exemplo terrível para pessoas enganjadas, de como divisões entre as forças progressistas, e a disputa político-partidária, contribuíram para uma das piores derrotas dos marxistas. Reconhecer isso ajuda a entender a vitória de Franco na Espanha, e também aponta para a possibilidade de que as coisas teriam sido diferentes se não prevalecesse a desunião. Portanto, Terra e Liberdade é um filme no qual a militância do diretor dá o braço a torcer, e mostra que a esquerda também erra. Pena que essas lições da História acabem sempre sendo esquecidas, ou, o que é pior, sendo mal compreendidas, uma vez que o stalinismo, por exemplo, vem sendo "reabilitado", por representar uma época em que não havia apenas uma potência hegemônica, e com isso, as novas gerações são privadas de conhecer o quanto esse mesmo stalinismo favoreceu indiretamente a vitória dos franquistas, perseguindo e matando anarquistas e membros do P.O.U.M, apenas porque Stalin não admitia compartilhamento do poder.
Grata surpresa para quem sabe que histórias como essa, sobre o pior regime totalitário do século XX (e que, desgraçadamente, continua sendo defendido e desejado por alguns) aconteceram em várias ocasiões e lugares, aonde existiu ou ainda existem os continuadores desse sistema político/econômico, mas permanecem sendo pouco resgatadas pela sétima arte. De qualquer forma, os nostálgicos do stalinismo ficam furibundos quando um bom filme joga na cara deles um fato real, dos inúmeros que atestam o quanto aquela ditadura foi asquerosa, por mais que se trate apenas da ponta do iceberg. Na falta de argumentos contra fatos, só resta aos incorrigíveis pró URSS, tentarem desqualificar o filme e até um de seus personagens, recorrendo a um assassinato do oficial de um dos órgãos repressores soviéticos, por um polonês que faz parte do grupo de fugitivos, para tentar justificar todo o horror praticado não só contra esse personagem. Como se essa patética defesa da União Soviética, fosse suficiente para nos fazer acreditar que os russos naquela época desfrutavam de um padrão de vida invejável. Então por que tantos milhares de russos foram confinados em infernos como os Gulags?
Esse é um dos bons filmes sobre a guerra do Vietnam, praticamente desconhecido. Nesse caso específico, a trama gira em torno dos militares norte-americanos feitos prisioneiros e enviados para uma penitenciária no Vietnam do Norte. Nesse lugar eles são vítmas das infrações comunistas contra a convenção de Genebra, que é um tratado internacional por meio do qual se procura coibir crimes de guerra. Numa cena curiosa, entre os agentes comunistas de países que prestaram apoio ao governo comunista do norte, aparece um cubano.
Esse é um dos poucos casos em que o filme foi melhor do que o livro para mim. A sucessão de injustiças que o Rambo/Stallone sofre, apenas por parecer um vagabundo, que para o xerife de uma cidadezinha na qual ele chega, (após visitar a família de um amigo que lutou com ele no Vietnam) pode ser uma ameaça a paz e ordem do lugar, não deixa de ter uma semelhança com as injustiças sofridas pelos soldados que combateram o comunismo vietnamita, pois eles foram transformados em "assassinos" a serviço do "imperialismo" yankee, por uma campanha midiática que tomou conta do Ocidente, conseguindo colocar a opinião pública contra a intervenção dos Estados Unidos da América, num conflito que teve início quando Ho Chi Min passou a apoiar os guerrilheiros vietcongues, que atuavam no sul, almejando reunificar o Vietnam sob o regime da foice e do martelo. Como sempre acontece, quando um filme se atreve a mostrar o comunismo como uma ideologia que deve ser combatida, mesmo que indiretamente, pois só num discurso do Rambo, e em alguns flashbacks, é que se percebe isso, ou então, basta que os excombatentes não sejam representados como indefensáveis, os progressistas de plantão não perdoam, e é por isso que esse personagem ficou estigmatizado, pois os filmes subsequentes dessa franquia exaltaram seu anticomunismo latente.
Esse filme não é sobre a guerra do Vietnam, portanto não faz muito sentido incluí-lo numa lista sobre essa guerra, mas tudo bem, pode-se alegar tratar-se de um filme que mostra que a teoria do efeito dominó, defendida pelo governo norte-americano como um dos motivos para a intervenção a favor dos sul-vietnamitas, acabou se confirmando após a retirada das tropas do tio Sam daquela região da Ásia. Porém, embora seja um filme com vários méritos, tanto em relação a atuação dos atores, principalmente do ator cambojano que interpreta um conterrâneo seu, cuja a história é narrada no filme, quanto a direção do Roland Joffé, das locações e do clima de tensão constante, fiquei um pouco frustrado com as cenas sobre os crimes do Khmer Vermelho, que justificam o título em inglês do filme: The Killing Fields. Já li alguma coisa sobre o genocídio cambojano, e o filme mostra apenas uma ponta do que os comunistas foram capazes de fazer com os cambojanos, ainda que fossem mulheres, crianças e idosos. Mesmo assim classifiquei essa obra como excelente, pois é um dos poucos relatos cinematográficos que nos lembram de que outros holocaustos aconteceram, além do judaico.
Li o livro que deu origem a esse filme, e a parte final do livro, na qual é descrito um combate entre comunistas vietnamitas e soldados norte-americanos, me impressionou muito mais do que todo o resto do livro, e principalmente quanto ao filme.
Além de ter sido feito durante a guerra do Vietnam, esse filme do John Wayne mostra que a intervenção norte-americana nesse conflito no sudeste asiático, também foi uma resposta ao apoio de alguns países comunistas, em prol do Vietnam do Norte, e dos vietcongues no sul. Outro ponto importante desse filme, é a menção ao que os comunistas faziam contra os vietnamitas que não colaboravam com eles, ou que ajudavam de alguma forma os estadunidenses. Só por esse motivo, o patrulhamento ideológico passou a criticar e ridicularizar essa película, pois a guerra do Vietnam é um dos maiores símbolos do ideal revolucionário, por ser um exemplo concreto da ideia de que qualquer povo determinado e embuído de convicções revolucionárias, pode derrotar nações desenvolvidas, lembrando que antes dos Estados Unidos, a França já havia sido expulsa da Indochina. Por isso a esquerda não tolera que qualquer manifestação artísitica mostre as reais intenções, e sobretudo os crimes dos comunistas durante essa guerra. Essa intolerância só aumenta quando se trata de um filme estrelado por um mito do cinema, pois nesse caso, o alcance da mensagem anticomunista pode ser ainda maior. Daí Os Boinas Verdes serem considerados um equívoco e um deslize na carreira do John Wayne, não pelos aspectos técnicos da obra cinematográfica, porque nesse ponto o filme não é mal feito, ao menos quanto a época de sua produção, mas por ser um filme que revela a face cruel dos comunistas.
Excelente filme sobre a hipótese de que soldados norte-americanos desaparecidos durante a guerra do Vietnam, teriam sido mantidos como prisioneiros, mesmo após o fim da guerra. O filme narra com realismo todo o processo de pesquisa sobre alguns soldados desaparecidos, e a preparação de uma missão clandestina de resgate, idealizada pelo coronel Cal Rhodes ( Gene Hackman ), e um industrial financiador dessa empreitada. Esses dois personagens tinham cada um um filho desaparecido em combate. O col. Rhodes procura ex combatentes, principalmente os que serviram com seu filho, e estavam presentes quando ele foi capturado. Cada personagem que compõe a equipe foi bem caracterizado, e isso aumenta o drama em relação ao que lhes acontece na parte final do filme. O treinamento/reciclagem da equipe, e a descoberta e confisco das armas que seriam utilizadas na missão, pelo governo, também foram retratados de forma convincente. Na segunda parte do filme temos a reformulação e prosseguimento da missão, quando começa a ação propriamente dita, e entram em cena novos personagens. As cenas de combate e detonação de explosivos são empolgantes, e o final não cem porcento feliz, torna esse filme acima da média, para quem esperava apenas mais uma fita de ação.
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A Missão
3.8 237Os jesuítas tentaram recriar uma espécie de paraíso nos trópicos da América Latina, e quase conseguiram. O problema é que suas missões, como eram conhecidas as aglomerações de indígenas sob tutela da Companhia de Jesus, representavam um obstáculo para os colonos, que encontraram na mão de obra dos índios uma solução para a falta de trabalhadores necessários aos seus empreendimentos comerciais. A Igreja, através do Papado, viu o quanto a evangelização do Novo Mundo estava se expandindo por meio da dedicação das ordens religiosas, dentre as quais se destacavam os inacianos. Mas também viu que a oposição dos ibéricos que utilizavam o braço indígena nas lavouras e minas, transformava-se cada vez mais numa fonte inesgotável de conflitos com os religiosos, e portanto, com quem os apoiava. Eram esses empreendedores que representavam a maior ameaça ao "paraíso" missionário dos evangelizadores a serviço da Igreja. Eles que precisavam adquirir e ampliar o poder com o qual garantiriam o controle e os lucros de seus negócios comerciais. Esse é o fator que resultou na animosidade entre os defensores da escravização do silvícula, e a Igreja, que para salvar as almas dos naturais da terra, não podia abandonar as missões à ganância dos colonos, tão preocupados com seus interesses materiais, que mesmo sendo cristãos, não davam a devida importância ao evangelismo.
É nesse contexto que se insere o personagem interpretado por Robert De Niro. Após uma vida dedicada ao apresamento de índios para o trabalho escravo, e depois de ter praticado um crime passional contra seu próprio irmão, Rodrigo Mendoza, personagem de De Niro, acaba tendo contato com alguns jesuítas, e consumido de remorsos e arrependimento, decide aceitar a proposta dos jesuítas de mudança de vida. É assim que começa seu processo de conversão. Seu encontro com Deus, através do arrependimento, penitência e obtenção de perdão, era muito comum naquela época, e uma das características dessa experiência espiritual, é a expiação dos pecados, após o reconhecimento dos próprios erros, e a obtenção externa do perdão por meio da prática de sacrifícios e humilhações públicos. Os penitentes sentiam que deviam pagar pelos seus pecados à vista de todos, como prova real de arrependimento. Na doutrina católica, o fiel só se sente perdoado quando recebe o sacramento da confissão, e paga a penitência escolhida pelo confessor, com a condição de prometer não mais pecar. O pecador só se "perdoa" após esse rito sacramental, pois o perdão vem de Deus, por intermédio do sacerdote. Infelizmente, esse rito tão útil para a consciência dos católicos, volta e meia é deturpado por aqueles que só enxergam controle político nas ações da Igreja. Os escravagistas não estavam nem um pouco preocupados com os sacramentos católicos. Para eles só o lucro salvava, ou seja, jamais seriam controlados politicamente pela Igreja, haja vista que os Rodrigos da vida eram uma exceção dentro daquele universo colonial. Rodrigo só era uma ameaça para os donos de escravos, se resistisse às investidas deles de recapturarem os índios recolhidos nas missões jesuítas. E quando Rodrigo faz isso, sua ação não é isolada. Ele não "descobriu uma suposta participação do Deus da Igreja na mercancia de escravos", até porque, o Deus da Igreja é Nosso Senhor Jesus Cristo, que jamais favoreceu a escravidão. O que Rodrigo fez foi unir-se aos jesuítas, que naquele período da história da Igreja, representavam a ponta da lança da defesa do Papado e do Catolicismo. Afirmar que ele teria negado a fé na Igreja para substituí-la por uma fé no Criador, é no mínimo um exercício de especulação radical, pois nada no filme indica isso. A fé na Igreja, para quem se converte, é baseada na fé no fundador da Igreja: Cristo Nosso Senhor.
A Paixão de Cristo
3.7 1,2K Assista AgoraMel Gibson expôs a hipocrisia hollywoodiana com o filme A Paixão de Cristo. Basta verificar que apesar da boa fotografia, figurino, reconstituição de época e desempenho dos atores, sem falar na autenticidade proporcionada pela utilização do hebraico e latim em todo o filme, essa fita do ator/diretor Mel Gibson, começou a ser sabotada já antes de chegar às telas dos cinemas. E por que isso? Apenas porque mostra o que está registrado no Novo Testamento, sobre o sofrimento extremo de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o ódio do clero judaico contra Ele. No primeiro caso, a indústria cinematográfica tachou o filme de excessivamente violento. No segundo caso, rotulou-o de anti-semita. Essa mesma indústria que sempre evoca o direito de liberdade de expressão, e o respeito pela manifestação artística de filmes como a Última Tentação de Cristo ou Clube da Luta, independentemente de seus conteúdos claramente anti-cristãos ou de apologia da violência, negou para A Paixão de Cristo esses mesmos direitos, simplesmente porque filmes impactantes como esse, contêm um forte potencial de despertar sentimentos conservadores nas milhares de pessoas que o assistiram. Sentimentos esses que preocupam Hollywood, por serem contrários a uma vida hedonista e materialista, pregada de maneira explícita ou subliminar, por inúmeros filmes desde os princípios desse império da magia ilusionista do cinema. E principalmente nos dias de hoje, em pleno século vinte e um, após tantos avanços das ideias propugnadas pela revolução sexual e pelo liberal-progressismo, que sempre foram defendidas e até estimuladas pelos filmes hollywoodianos, obras como A Paixão de Cristo são combatidas não porque recorrem a uma violência inédita nesse tipo de filme, embora nunca gratuita, nem porque não escondem o deicídio judaico, mas porque transmitem uma mensagem incômoda para o mundo pós-moderno: arrependimento e mudança de vida.
Stalin
3.5 38Além de Hitler, Stalin é outro ditador que deveria ter sido retratado com mais frequência pelo cinema, desde que seus crimes e horrores fossem relembrados a exaustão, não só por um aspecto didático, considerando que ele foi contemporâneo de Hitler, e cometeu atrocidades semelhantes, por mais tempo, mas, para muitos, sobretudo as novas gerações, Hitler parece ser o protótipo por excelência do déspota sanguinário, e isso tem resultado numa consequência preocupante, pois alguns jovens acabam sendo convencidos de que Stalin "precisou" promover genocídios, para consolidar o comunismo soviético, que teria possibilitado a industrialização e a consequente "melhoria" da economia soviética; mas também por uma questão de justiça histórica, haja vista que Stalin passou para a posteridade como um dos vencedores do nazismo, e, no entanto, isso só veio a acontecer porque ele foi praticamente obrigado a voltar-se contra Hitler, após este ter traído o pacto de não agressão firmado com Stalin, que continha uma cláusula secreta, garantindo a repartição entre os dois ditadores, dos territórios invadidos por eles no leste da Europa. Esse é um dos fatos mais desfarçados e até silenciados sobre a II G.M. O pior conflito bélico de toda a história da humanidade, teve início com a participação ativa do Exército Vermelho sob comando de Stalin, ao lado da máquina de guerra nazista. E essa união terrível só cessou, por causa da megalomania de Hitler, que achou ser possível conquistar toda a Europa, mantendo duas frentes de combate tanto no oeste quanto no leste.
9º dia
3.3 11Existem temas complexos que nem sempre o cinema aborda com a devida profundidade. Mas, de vez em quando, algum diretor resolve transpor para as telas assuntos espinhosos, e o resultado as vezes surpreende. É o caso desse filme baseado em fatos reais. A chantagem sofrida por um padre católico, que é escolhido por um oficial nazista, responsável por tratar de uma questão delicada para o governo nazista, por conta de seu passado também católico, é desenvolvida ao longo de nove dias ( daí o título do filme). O padre também não foi escolhido aleatoriamente, já que ele tinha uma certa ligação com o bispo de uma diocese do leste europeu, que havia decidido não colaborar de forma alguma com o regime nazista. A missão do oficial nazista, era convencer esse padre, por meio de chantagem, a levar o bispo a ceder às pressões dos nazistas. Logo de cara, duas coisas me chamaram a atenção nesse filme: a produção e o elenco são de alemães que contam uma história ocorrida durante a Segunda Guerra Mundial, em territórios dominados pelos nazistas; e a coragem de falar de um acontecimento no qual a Igreja não surge como omissa ou coisa pior, em relação ao nazismo. Esses dois fatores me impressionaram, porque num universo de dezenas de filmes sobre o nazismo, pouquíssimos mostram o quanto o nazismo perseguiu a Igreja, inclusive mantendo em campos de concentração muitos sacerdotes e religiosas do catolicismo. Filmes assim contribuem para enriquecer o gênero Segunda Guerra Mundial, que ainda não está esgotado.
Terra e Liberdade
4.1 47Ken Loach é o típico diretor de cinema panfletário, que não esconde o fato de que seus filmes estão a serviço do socialismo. Sua visão de mundo é maniqueísta e parcial, pois como todo militante de esquerda, para ele só há uma causa para os problemas sociais e as injustiças sofridas pela classe trabalhadora. Mas, em alguns casos, os acontecimentos históricos forçam uma auto crítica, e a guerra civil espanhola é um exemplo terrível para pessoas enganjadas, de como divisões entre as forças progressistas, e a disputa político-partidária, contribuíram para uma das piores derrotas dos marxistas. Reconhecer isso ajuda a entender a vitória de Franco na Espanha, e também aponta para a possibilidade de que as coisas teriam sido diferentes se não prevalecesse a desunião. Portanto, Terra e Liberdade é um filme no qual a militância do diretor dá o braço a torcer, e mostra que a esquerda também erra. Pena que essas lições da História acabem sempre sendo esquecidas, ou, o que é pior, sendo mal compreendidas, uma vez que o stalinismo, por exemplo, vem sendo "reabilitado", por representar uma época em que não havia apenas uma potência hegemônica, e com isso, as novas gerações são privadas de conhecer o quanto esse mesmo stalinismo favoreceu indiretamente a vitória dos franquistas, perseguindo e matando anarquistas e membros do P.O.U.M, apenas porque Stalin não admitia compartilhamento do poder.
Caminho da Liberdade
3.9 405 Assista AgoraGrata surpresa para quem sabe que histórias como essa, sobre o pior regime totalitário do século XX (e que, desgraçadamente, continua sendo defendido e desejado por alguns) aconteceram em várias ocasiões e lugares, aonde existiu ou ainda existem os continuadores desse sistema político/econômico, mas permanecem sendo pouco resgatadas pela sétima arte. De qualquer forma, os nostálgicos do stalinismo ficam furibundos quando um bom filme joga na cara deles um fato real, dos inúmeros que atestam o quanto aquela ditadura foi asquerosa, por mais que se trate apenas da ponta do iceberg. Na falta de argumentos contra fatos, só resta aos incorrigíveis pró URSS, tentarem desqualificar o filme e até um de seus personagens, recorrendo a um assassinato do oficial de um dos órgãos repressores soviéticos, por um polonês que faz parte do grupo de fugitivos, para tentar justificar todo o horror praticado não só contra esse personagem. Como se essa patética defesa da União Soviética, fosse suficiente para nos fazer acreditar que os russos naquela época desfrutavam de um padrão de vida invejável. Então por que tantos milhares de russos foram confinados em infernos como os Gulags?
Hanoi Hilton
3.2 3Esse é um dos bons filmes sobre a guerra do Vietnam, praticamente desconhecido. Nesse caso específico, a trama gira em torno dos militares norte-americanos feitos prisioneiros e enviados para uma penitenciária no Vietnam do Norte. Nesse lugar eles são vítmas das infrações comunistas contra a convenção de Genebra, que é um tratado internacional por meio do qual se procura coibir crimes de guerra. Numa cena curiosa, entre os agentes comunistas de países que prestaram apoio ao governo comunista do norte, aparece um cubano.
Rambo: Programado Para Matar
3.7 607 Assista AgoraEsse é um dos poucos casos em que o filme foi melhor do que o livro para mim. A sucessão de injustiças que o Rambo/Stallone sofre, apenas por parecer um vagabundo, que para o xerife de uma cidadezinha na qual ele chega, (após visitar a família de um amigo que lutou com ele no Vietnam) pode ser uma ameaça a paz e ordem do lugar, não deixa de ter uma semelhança com as injustiças sofridas pelos soldados que combateram o comunismo vietnamita, pois eles foram transformados em "assassinos" a serviço do "imperialismo" yankee, por uma campanha midiática que tomou conta do Ocidente, conseguindo colocar a opinião pública contra a intervenção dos Estados Unidos da América, num conflito que teve início quando Ho Chi Min passou a apoiar os guerrilheiros vietcongues, que atuavam no sul, almejando reunificar o Vietnam sob o regime da foice e do martelo. Como sempre acontece, quando um filme se atreve a mostrar o comunismo como uma ideologia que deve ser combatida, mesmo que indiretamente, pois só num discurso do Rambo, e em alguns flashbacks, é que se percebe isso, ou então, basta que os excombatentes não sejam representados como indefensáveis, os progressistas de plantão não perdoam, e é por isso que esse personagem ficou estigmatizado, pois os filmes subsequentes dessa franquia exaltaram seu anticomunismo latente.
Os Gritos do Silêncio
4.0 131Esse filme não é sobre a guerra do Vietnam, portanto não faz muito sentido incluí-lo numa lista sobre essa guerra, mas tudo bem, pode-se alegar tratar-se de um filme que mostra que a teoria do efeito dominó, defendida pelo governo norte-americano como um dos motivos para a intervenção a favor dos sul-vietnamitas, acabou se confirmando após a retirada das tropas do tio Sam daquela região da Ásia. Porém, embora seja um filme com vários méritos, tanto em relação a atuação dos atores, principalmente do ator cambojano que interpreta um conterrâneo seu, cuja a história é narrada no filme, quanto a direção do Roland Joffé, das locações e do clima de tensão constante, fiquei um pouco frustrado com as cenas sobre os crimes do Khmer Vermelho, que justificam o título em inglês do filme: The Killing Fields. Já li alguma coisa sobre o genocídio cambojano, e o filme mostra apenas uma ponta do que os comunistas foram capazes de fazer com os cambojanos, ainda que fossem mulheres, crianças e idosos. Mesmo assim classifiquei essa obra como excelente, pois é um dos poucos relatos cinematográficos que nos lembram de que outros holocaustos aconteceram, além do judaico.
Jardins de Pedra
2.9 16 Assista AgoraLi o livro que deu origem a esse filme, e a parte final do livro, na qual é descrito um combate entre comunistas vietnamitas e soldados norte-americanos, me impressionou muito mais do que todo o resto do livro, e principalmente quanto ao filme.
Os Boinas Verdes
3.1 15 Assista AgoraAlém de ter sido feito durante a guerra do Vietnam, esse filme do John Wayne mostra que a intervenção norte-americana nesse conflito no sudeste asiático, também foi uma resposta ao apoio de alguns países comunistas, em prol do Vietnam do Norte, e dos vietcongues no sul. Outro ponto importante desse filme, é a menção ao que os comunistas faziam contra os vietnamitas que não colaboravam com eles, ou que ajudavam de alguma forma os estadunidenses. Só por esse motivo, o patrulhamento ideológico passou a criticar e ridicularizar essa película, pois a guerra do Vietnam é um dos maiores símbolos do ideal revolucionário, por ser um exemplo concreto da ideia de que qualquer povo determinado e embuído de convicções revolucionárias, pode derrotar nações desenvolvidas, lembrando que antes dos Estados Unidos, a França já havia sido expulsa da Indochina. Por isso a esquerda não tolera que qualquer manifestação artísitica mostre as reais intenções, e sobretudo os crimes dos comunistas durante essa guerra. Essa intolerância só aumenta quando se trata de um filme estrelado por um mito do cinema, pois nesse caso, o alcance da mensagem anticomunista pode ser ainda maior. Daí Os Boinas Verdes serem considerados um equívoco e um deslize na carreira do John Wayne, não pelos aspectos técnicos da obra cinematográfica, porque nesse ponto o filme não é mal feito, ao menos quanto a época de sua produção, mas por ser um filme que revela a face cruel dos comunistas.
De Volta para o Inferno
3.2 37 Assista AgoraExcelente filme sobre a hipótese de que soldados norte-americanos desaparecidos durante a guerra do Vietnam, teriam sido mantidos como prisioneiros, mesmo após o fim da guerra. O filme narra com realismo todo o processo de pesquisa sobre alguns soldados desaparecidos, e a preparação de uma missão clandestina de resgate, idealizada pelo coronel Cal Rhodes ( Gene Hackman ), e um industrial financiador dessa empreitada. Esses dois personagens tinham cada um um filho desaparecido em combate. O col. Rhodes procura ex combatentes, principalmente os que serviram com seu filho, e estavam presentes quando ele foi capturado. Cada personagem que compõe a equipe foi bem caracterizado, e isso aumenta o drama em relação ao que lhes acontece na parte final do filme. O treinamento/reciclagem da equipe, e a descoberta e confisco das armas que seriam utilizadas na missão, pelo governo, também foram retratados de forma convincente. Na segunda parte do filme temos a reformulação e prosseguimento da missão, quando começa a ação propriamente dita, e entram em cena novos personagens. As cenas de combate e detonação de explosivos são empolgantes, e o final não cem porcento feliz, torna esse filme acima da média, para quem esperava apenas mais uma fita de ação.