Um bom filme, mas Callas mostra-se tão intensa que o filme se torna pequeno para ela. Fanny Ardant está impecável, oscilando entre a elegante melancolia e a eletrizante alegria de Callas, mas é tudo muito americano para um filme franco-italiano que se passa em Paris e mostra uma grega que passou a maior parte da vida na Itália cantanto óperas alemãs e italianas. Embora Zeffirelli evidentemente conhecesse muito bem o mundo de Maria - e fizesse parte dele -, tudo o que a cerca no filme parece raso e artificial, até mesmo a amizade com Larry. Para os fãs, é sempre um misto de prazer e dor vê-la interpretar Carmen, um dos poucos grandes papéis que ela nunca representou no palco, mas me parece que o cinema ainda está em dívida com Callas.
Um delírio. Ou um sonho. Tudo parece inteiramente deslocado da realiadade, mas costurando os sons, cores, formas e situações estranhos estão sentimentos profundos, comuns a todos nós. O sonho, o delírio torna-se mais real que a própria realidade e dá pra sentir o que aquelas personagens sentem. A solidão, o desamor, a ternura, a loucura, o desepero e o instintivo desejo de sobreviver e seguir em frente. Uns conseguem, outros não. Annette Bening está realmente espantosa, mas todo o elenco (com exceção Gwyneth Paltrow) está fantástico, numa atmosfera meio onírica, meio romântica. Joseph Fiennes, aliás, é a própria personificação desses amores errados e irresistíveis que todo mundo tem, pelo menos uma vez na vida. Um belo, tocante e inesquecível filme, uma pequena obra-prima, talvez menos visto e conhecido do que deveria.
O grande trunfo dessa colorida e exuberante adaptção é, sem dúvida, Sônia Braga, que preenche o filme com a força de sua presença e a voluptuosidade de suas formas. Infelizmente a novela de Aguinaldo Silva está mais presente na memória das pessoas do que o romance do Jorge Amado, o que acabou criando, acredito, um certo estranhamento. Apesar de alguns desacertos estéticos (os figurinos de Ocimar Versolato às vezes fazem de Tieta uma drag queen ou uma caricatura de mau gosto de uma cafetina baiano-paulistana) e de concessões dementes a patrocinadores (chega a ser agressivo ver um ator esfregar uma marca na cara do espectador), é um filme muito agradável, de atmosfera bucólica, com uma Tieta irresistivelmente charmosa na sua humanidade e na decadência sensual do mundo onde nasceu.
É um livro difícil de adaptar e o filme não vence todos os obstáculos. Na verdade até cria alguns outros. Todo o clima do Rio de Janeiro oitocentista e imperial que o romance cria perde-se quase que completamente, ainda que seja uma produção excelente.
Uma obra-prima. Sob a sordidez, sob a perfídia, sob o "canibalismo" das questões dinásticas, emergem sentimentos profundos e - quem diria! - ternos. O'Toole (um rei sólido de um império frágil) e Hepburn (assustadoramente majestática em cada gesto, cada palavra, cada olha) simplesmente arrebatadores, dois eternos rivais que se amam. Chinon é um castelo sujo e seus reis e príncipes comem entre porcos e cães - também não se comportam de maneira muito diferente deles -, o que une aquelas pessoas é tanto o desejo de poder quanto o ressentimento mútuo, que surge envolvido em pura amargura nesses 134 minutos de filme.
Ousado, de tintas fortes, algum exagero. Muito interessante. Pena que será eternamente lembrado pela centimetragem do Caio Blat e não por suas qualidades reais.
A história é a mesma, mas falta ao filme o charme irresistível do livro. Catherine e Larry estão ótimos, ela com a sua beleza comum e ele com seu charme vulgar e cafajeste. Mas Noelle é mais do que uma mulher - é um ideal de beleza. E ideais são abstratos demais pra se lhes dar concretude.
Um clássico sobre a inveja. Só acho que o espelho mentiu, ou não tem um senso estético dos mais elevados... rs Ok, outros padrões. Mas a madrasta é uma prova de que beleza é muito mais do que simetria e frescor.
Antes de assistir já tinham me dito que era um filme que te faz sentir ódio do mundo. O mundo é sujo, mas Dançando no Escuro não caminha para um desfecho inexorável, as coisas poderiam ter sido diferentes, havia opção, havia alternativa.
Amar a droga sobre todas as coisas. Acho que o filme é isso aí. Aronofsky tem uma queda irresistível pela decadência e pela autodestruição, não tem jeito.
Callas Forever
3.5 22Um bom filme, mas Callas mostra-se tão intensa que o filme se torna pequeno para ela.
Fanny Ardant está impecável, oscilando entre a elegante melancolia e a eletrizante alegria de Callas, mas é tudo muito americano para um filme franco-italiano que se passa em Paris e mostra uma grega que passou a maior parte da vida na Itália cantanto óperas alemãs e italianas.
Embora Zeffirelli evidentemente conhecesse muito bem o mundo de Maria - e fizesse parte dele -, tudo o que a cerca no filme parece raso e artificial, até mesmo a amizade com Larry.
Para os fãs, é sempre um misto de prazer e dor vê-la interpretar Carmen, um dos poucos grandes papéis que ela nunca representou no palco, mas me parece que o cinema ainda está em dívida com Callas.
Correndo com Tesouras
3.8 263 Assista AgoraUm delírio. Ou um sonho. Tudo parece inteiramente deslocado da realiadade, mas costurando os sons, cores, formas e situações estranhos estão sentimentos profundos, comuns a todos nós. O sonho, o delírio torna-se mais real que a própria realidade e dá pra sentir o que aquelas personagens sentem. A solidão, o desamor, a ternura, a loucura, o desepero e o instintivo desejo de sobreviver e seguir em frente. Uns conseguem, outros não.
Annette Bening está realmente espantosa, mas todo o elenco (com exceção Gwyneth Paltrow) está fantástico, numa atmosfera meio onírica, meio romântica. Joseph Fiennes, aliás, é a própria personificação desses amores errados e irresistíveis que todo mundo tem, pelo menos uma vez na vida.
Um belo, tocante e inesquecível filme, uma pequena obra-prima, talvez menos visto e conhecido do que deveria.
Tieta do Agreste
3.0 114O grande trunfo dessa colorida e exuberante adaptção é, sem dúvida, Sônia Braga, que preenche o filme com a força de sua presença e a voluptuosidade de suas formas.
Infelizmente a novela de Aguinaldo Silva está mais presente na memória das pessoas do que o romance do Jorge Amado, o que acabou criando, acredito, um certo estranhamento.
Apesar de alguns desacertos estéticos (os figurinos de Ocimar Versolato às vezes fazem de Tieta uma drag queen ou uma caricatura de mau gosto de uma cafetina baiano-paulistana) e de concessões dementes a patrocinadores (chega a ser agressivo ver um ator esfregar uma marca na cara do espectador), é um filme muito agradável, de atmosfera bucólica, com uma Tieta irresistivelmente charmosa na sua humanidade e na decadência sensual do mundo onde nasceu.
O Gabinete do Dr. Caligari
4.3 539 Assista AgoraDeslumbrante, um delírio estético em p&b.
Em Nome de Deus
4.1 257Assustador.
Menina Má.Com
3.3 1,2KDos filmes mais aflitivos que eu já vi.
O Xangô de Baker Street
3.2 165 Assista AgoraÉ um livro difícil de adaptar e o filme não vence todos os obstáculos. Na verdade até cria alguns outros.
Todo o clima do Rio de Janeiro oitocentista e imperial que o romance cria perde-se quase que completamente, ainda que seja uma produção excelente.
O Leão no Inverno
4.2 80Uma obra-prima.
Sob a sordidez, sob a perfídia, sob o "canibalismo" das questões dinásticas, emergem sentimentos profundos e - quem diria! - ternos.
O'Toole (um rei sólido de um império frágil) e Hepburn (assustadoramente majestática em cada gesto, cada palavra, cada olha) simplesmente arrebatadores, dois eternos rivais que se amam.
Chinon é um castelo sujo e seus reis e príncipes comem entre porcos e cães - também não se comportam de maneira muito diferente deles -, o que une aquelas pessoas é tanto o desejo de poder quanto o ressentimento mútuo, que surge envolvido em pura amargura nesses 134 minutos de filme.
Amadeus
4.4 1,1KA genialidade se confronta com a inveja.
Um filme fantástico.
O limitado se volta contra o ilimitado.
O Segredo de Brokeback Mountain
3.9 2,2K Assista AgoraUm dos grandes amores infelizes do cinema.
Dança Comigo?
3.2 435 Assista AgoraGere e Sarandon já fizeram coisas beeeem melhores.
Um filme previsível e até irritante em alguns momentos.
Sessão da Tarde sem charme.
A Festa da Menina Morta
3.3 232Você só observa por frestas, o filme não se abre completamente em nenhum momento.
Interessantíssimo.
Cama de Gato
3.0 177Ousado, de tintas fortes, algum exagero.
Muito interessante.
Pena que será eternamente lembrado pela centimetragem do Caio Blat e não por suas qualidades reais.
Um Copo de Cólera
3.0 131A mim não disse nada.
O Homem Nu
2.8 85Muito simpático e engraçado, fugindo de todas as grande correntes do cinema atual e da época.
Do Começo ao Fim
3.0 1,3KCoerência? Pra que coerência? Pra quê um bom roteiro?
Dois belos irmãos se pegando já garantem o sucesso.
O Outro Lado da Meia Noite
3.6 63A história é a mesma, mas falta ao filme o charme irresistível do livro.
Catherine e Larry estão ótimos, ela com a sua beleza comum e ele com seu charme vulgar e cafajeste.
Mas Noelle é mais do que uma mulher - é um ideal de beleza. E ideais são abstratos demais pra se lhes dar concretude.
Branca de Neve e os Sete Anões
3.8 736 Assista AgoraUm clássico sobre a inveja.
Só acho que o espelho mentiu, ou não tem um senso estético dos mais elevados... rs
Ok, outros padrões. Mas a madrasta é uma prova de que beleza é muito mais do que simetria e frescor.
Dançando no Escuro
4.4 2,3K Assista AgoraAntes de assistir já tinham me dito que era um filme que te faz sentir ódio do mundo.
O mundo é sujo, mas Dançando no Escuro não caminha para um desfecho inexorável, as coisas poderiam ter sido diferentes, havia opção, havia alternativa.
Anastasia
3.9 835 Assista AgoraBonitinho, luxuoso e tal.
Mas ainda não tinha a pegada.
Zoando na TV
2.2 535Simpático pra quem viu naquele verão de 99.
E de certa forma cristalizou a imagem daqueles atores, que reproduziram no filme suas personas na vida.
Réquiem para um Sonho
4.3 4,4K Assista AgoraAmar a droga sobre todas as coisas.
Acho que o filme é isso aí.
Aronofsky tem uma queda irresistível pela decadência e pela autodestruição, não tem jeito.
Contos Proibidos do Marquês de Sade
3.8 421As ovelhas negras são sempre mais interessantes que as branquinhas.
Crepúsculo dos Deuses
4.5 818 Assista AgoraSe me pedissem um exemplo de perfeição cinematográfica, daria Crepúsculo dos Deuses sem pensar duas vezes.