Este site usa cookies para oferecer a melhor experiência possível. Ao navegar em nosso site, você concorda com o uso de cookies.

Se você precisar de mais informações e / ou não quiser que os cookies sejam colocados ao usar o site, visite a página da Política de Privacidade.

    Você está em
  1. > Home
  2. > Usuários
  3. > cinefileo
35 years (BRA)
Usuário desde Fevereiro de 2014
Grau de compatibilidade cinéfila
Baseado em 0 avaliações em comum

"De todas as artes, para nós, o cinema é a mais importante." LENIN, Vladiimir Ilitch.

"Direitista nem é gente. Olavete bom é Olavete morto." MESMO, Eu.

Últimas opiniões enviadas

  • L. A. Cardoso

    A premissa dos dois Blade Runner é a seguinte: Num "futuro" em que as Empresas Multinacionais se tornaram mais poderosos que os Estados Nacionais, humanos convivem com réplicas sintéticas produzidas por nanotecnologia celular, conhecidos como "replicantes". A democracia capitalista passou a aceitar e a conviver com um novo tipo de escravidão. Como não são considerados humanos (apesar da semelhança), não possuem direitos, os replicantes podem ser escravizados de todas as formas.

    Uma dessas formas de escravidão é uma certa "vida útil" ou "prazo de validade", com os quais esses seres não humanos já nascem, tornando-sua existência predeterminada, inclusive com data marcada para nascer e morrer. Literalmente. Foram criados para serem escravizados.

    Poderiam ser imortais, mas nasceram fadados a serem escravos das empresas que exploram minérios em planetas distantes, por causa de sua maior "durabilidade". Os replicantes também são estéreis, isto é, incapazes de gerar outros replicantes. Foram criados para não pensar, para não ter sentimentos, não se rebelar. Foram criados para ser simultaneamente mão-de- obra e propriedade privada de uma grande empresa.

    No primeiro filme, dirigido por Ridley Scott, Deckard (Harrison Ford), é um "Blade Runner" uma espécie de "capitão do mato", isto, aquele dentre os escravos tinha a tarefa de caçar e capturar os escravos fugidos e rebeldes. A tarefa de Deckard, por seu turno, é rastrear quatro replicantes: Roy Batty (Rutger Hauer), Zhora (Joanna Cassidy), e Pris (Daryl Hannah). Os 4 são de um modelo chamado Nexus-6, produzido pela Corporação Tyrell, que eram usados em mineração interplanetária e que voltaram à Terra ilegalmente. Uma das maneiras que um Blade Runner tem para rastrear um replicante que precisa ser "aposentado" é detectando reações humanas nele, como sentimentos ou emoções.

    No segundo filme, de Denis Villeneuve, o papel do "capitão do mato" é o oficial K (Ryan Gosling), um Blade Runner, ao perseguir alguns replicantes, descobre um segredo que pode ameaçar todo o status quo, de provocar uma revolução. Essa descoberta acaba fazendo com que seus caminhos se cruzem com Rick Deckard (Harrison Ford).

    O problema é que, assim como Deckard em sua Odisseia de 1982, à medida que cumpre sua missão, K vai adquirindo consciência. Consciência de si, passando a sentir, a pensar, a duvidar, a se emocionar. Consciência de mundo, passando a questionar, a se rebelar, a desobedecer, a romper com o status quo. Em ambos os filmes, Deckard e K lutam para negar e esconder suas reações, cada vez mais "humanas", fruto das dúvidas que vão despertando sua consciência. Mas esse despertar da consciência, uma vez iniciado, não pode mais ser impedido, e as consequências para a ordem estabelecidas são desastrosas. Daí o uso de toda forma de coerção e alienação, para impedir que ela desperte.

    No primeiro filme, Deckard e Rachel (Sean Young), uma replicante, descobrem o amor e fogem juntos, pois sabem que, se rastreados, poderão ser "aposentados" por outro Blade Runner. No segundo filme K precisa lutar a dúvida entre esconder o segredo que ele descobriu, ou revela-los aos seus superiores, pois a sua revelação poderia ameaçar tanto a vida de K quanto a ordem estabelecida, o status quo, o "sistema".

    Isso porque toda aquela sociedade, baseada na exploração dos replicantes pelas grandes corporações das quais simultaneamente trabalhadores e maquinas, se baseia na crença de que os replicantes não são humanos, não pensam, não possuem sentimentos, vontade ou consciência. Ou seja, não possuem "alma". Portanto, qualquer replicante que ousar pensar, questionar, descumprir normas, se rebelar... é uma ameça ao sistema e precisa ser eliminado. Todo sistema que se baseia na desigualdade e na exploração, é um sistema que, para se sustentar, precisará dispor de todas as formas de manipulação, coerção, repressão, censura, medo, perseguição e mentiras.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • L. A. Cardoso

    Logo no início o narrador deixa que claro que está contando uma história sobre um cara chamado Jeffrey Lebowski, mas que prefere ser chamado de "The Dude/O Cara". É um filme sobre "O Cara" e todos os "perrengues" que ele passa ao ser envolvido - meio que - acidentalmente e involuntariamente em uma certa trama. Trama que é mero pedaço de uma trama maior, que é a vida desse cara maluco. Portanto, o mistério sobre o sumiço da jovem Bunny é apenas uma questão secundária e o final do filme (que tem tanta importância para alguns), tem mais a ver com Lebowski do que a solução do sequestro.

    Aliás, essa discussão entre o que é principal e o que é secundário na narrativa é colocado o tempo inteiro em discussão durante todo o filme, especialmente por meio de Walter, para o qual tudo remete à guerra do Vietnã. Desse modo, assim como no magistral Barton Fink, os diretores fazem outro exercício brilhante sobre metalinguagem.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Os diretores desconstroem os clichês de filmes detetivescos colocando dois inusitados investigadores para solucionar um misterio do qual os primeiros palpites da dupla já se revelam muito próximas da verdade, mostrando que talvez o mistério não seja tão misterioso assim. Inicialmente Jeffrey acredita que tudo seja uma farsa e que o sequestro tenha sido encenado. Apesar de errar em muitos palpites sobre muitas coisas durante toda a trama. Walter está sempre dizendo que os sequestradores "são amadores". Contudo, apesar desses insights quase certeiros, os dois passaram por muitos perrengues até que entendam a cilada na qual estavam se metendo.

    "Às vezes a gente segura a barra, às vezes a barra cai em cima da gente". Lebowski segura-a firme, mesmo depois de 2 caras terem entrado em sua casa, confundindo-o com um milionário, mijado em seu tapete; depois de ser convencido a servir de intermediário na entrega do resgate em um sequestro; depois de ter seu carro roubado e seu novo tapete roubado, de ser sequestrado por um chefão da indústria pornô e sido dopado por ele para obter informações, de ter corrido alucinado e semi-inconsciente no meio de uma rodovia por quilômetros... e no final, apesar da "ajuda" de Walter, conseguirá solucionar o misterioso sequestro.

    Tudo isso apesar de ninguém leva-lo a sério nem respeitá-lo, apenas porque ele é um cara solteiro, desempregado, com mais 40 que gosta de fumar um baseado, ouvir Creedence e jogar boliche - e tá errado? E também, claro, porque ele foi capaz de segurar "a barra". Segurar a barra, apesar dos pesares, é, portanto, o super-poder desse herói inusitado chamado "O Cara".

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.
  • L. A. Cardoso

    Muuuito bom!

    É só o que tenho a dizer, por enquanto, antes de escrever meus longos comentários. Preciso refletir antes. Mas posso adiantar que é um filme profundamente coerente tanto com o original, dirigido por Ridley Scott, quanto com a obra de Denis Villeneuve, sem prejuízos a nenhum dos dois.

    Você precisa estar logado para comentar. Fazer login.