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"De todas as artes, para nós, o cinema é a mais importante." LENIN, Vladiimir Ilitch.

Últimas opiniões enviadas

  • L. A. Cardoso

    Eu achei o filme lindo. As duas maiores qualidades do filme são o som e a fotografia. Parabéns aos responsáveis pela edição e pela mixagem de som, pois o trabalho que eles fizerem foi extraordinário. Na cena do lançamento da missão Gemini, os efeitos sonoros são incrivelmente precisos. Dá realmente a sensação de que você está ali dentro daquela cápsula.

    Se você prestar atenção dá pra ouvir tudo: explosões do combustíveis dentro dos motores de combustão, os parafusos e a fuzelagem rangendo com a pressão, o assovios do foguete literalmente cortando o ar em alta velocidade... tudo. Assistir o filme num ambiente silencioso no qual não haja distração alguma é o mais indicado - aliás, esse seria o certo em tratando de assistir qualquer filme.

    A fotografia é outro espetáculo. Nas cenas dentro das cápsulas a câmera treme, gira, rodopia, e transmite toda a sensação de desconforto e claustrofobia que o ambiente e a situação reais propiciariam. Na cenas dos astronautas na superfície lunar, os planos escuros e aparentemente infinitos também fazem com que sintamo-nos na Lua.

    Neste ponto, o som entra- e sai - coroando a cena: seja no silêncio quase absoluto da cena em que Armstrong coloca o pé na lua, seja na trilha sonora belíssima que Justin Hurwitz compôs para emoldurar a cena em que Armstrong caminha naquela arei fina e imóvel, como quem se dirige ao nada. Muito significativa, ela expressa uma outra caminhada, mais subjetiva, que o personagem faz durante o filme, que a jornada rumo à entender a morte e a perda como partes indeléveis da realidade, contra as quais é inútil lutar.

    O que importa é o presente, o agora, e o que fazemos dele. O passado já passou. O futuro não existe, a não ser que o façamos. E ao fazê-lo, ele se torna presente e, logo em seguida, passado. Somos feitos de poeira de estrelas. Aquela mesma poeira que cobre a superfície lunar na qual Amstrong deixou não apenas suas pegadas.

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  • L. A. Cardoso

    Uma coisa é o assunto que o filme pretende abordar. Outra é como essa abordagem é feita por meio do cinema. Considerando-se o tema, este Fast Food Nation poderia ser um excelente filme. Contudo, ao optar por acompanhar diferentes núcleos de personagens, com diferentes arcos narrativos, o ritmo do filme fica comprometido e alguns histórias ficam mal desenvolvidas.

    Richard Linklater é um grande cineasta e eu sou profundamente encantado tanto com a trilogia Before, quanto com Boyhood, todos filmes excepcionais. Contudo, no que tange à realização, este Fast Food Nation deixa a desejar. Por exemplo, no entrecho protagonizado por Greg Kinnear, ao qual o roteiro não dá uma conclusão satisfatória.

    Enfim, um filme que poderia ter sido melhor, mas resulta apenas mediano.

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  • L. A. Cardoso

    A primeira coisa que me chama a atenção nessa obra-prima de Alain Resnais é a metalinguagem. Quando indagada sobre o que faz no Japão, a protagonista Elle (Emmanuelle Riva) diz que está fazendo um filme sobre a paz. Depois da primeira noite de amor com Lui, o arquiteto japonês (Eiji Okada), Elle retorna o set onde o tal filme está sendo gravado e as pessoas e objetos que vemos compondo esses bastidores são os personagens coadjuvante da ação que se passa.

    Quando estes coadjuvantes se colocam em ação em uma marcha de protesto contra a guerra e contra as armas nucleares, tanto Elle quanto Lui se tornam parte da cena, ora como espectadores que assistem a marcha, ora entrando no meio dela. Mas entrando em sentido contrário, como se buscassem outra outra narrativa, um outro filme, que não seja apenas sobre a paz ou contra as guerras, mas sobre o amor, sobre a morte, sobre fim, sobre esquecimento, sobre memórias...

    Este aparente conflito de narrativas na verdade oculta uma relação dialética, na qual o fato objetivo, a realidade concreta, o que aconteceu, se confronta e se completa com a perspectiva subjetiva, a narrativa, o que recordamos. Estas polaridades nos são inicialmente insinuadas no começo do filme, quando Elle diz, sobre o ataque nuclear a Hiroshima, "eu vi de tudo", e Lui responde-lhe "você não viu nada".

    Como o Márcio disse em seu comentário, que pode ser encontrado abaixo, Elle não estava no Japão quando as bombas atômicas foram lançadas. Tudo o que ela diz saber sobre esse fato é resultado de narrativas, como livros, reportagens, exposições em museus, documentários. Perto do final, o engano de julgar saber tudo é cometido por Lui. Após ouvir Elle contar sobre os anos que viveu em Nevers, na França, ele interroga-a: "Seu marido conhece essa história?". Ela reponde que não e ele pergunta: "Só eu sei então?". Ela responde que sim, então ele a abraça e diz: "Ninguém mais sabe. Só eu".

    Será? Talvez seja verdade, levando-se em conta o modo como o comportamento de Elle muda depois que ela narra ao seu amante os segredos e traumas de seu passado durante a Segunda Guerra na França invadida e anexada pelos nazistas. Como em uma sessão de terapia, Elle realiza sua necessária catarse ao narrar suas dolorosas vivências e acaba, desse modo, reencontrando-se, compreendendo-se melhor.

    Narrar implica organizar, colocar em perspectiva, distanciar-se, racionalizar. Do mesmo modo que a narrativa de Elle ajuda-a a compreender a si mesma e curar suas feridas (ou ao menos a conhecê-las e aceita-las, convivendo melhor com elas e consigo mesmo), o filme de Resnais, esse filme sobre em defesa da paz, anti-bélico, que é também sobre o amor e morte, a memória e os esquecimento, serve também de narrativa para nós, seres humanos, nascidos num mundo que foi profundamente influenciado pelas duas grandes guerras do século XX, possamos entender melhor quem somos.

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