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  • Leandro Andrade

    Como Marxista-Leninista Ortodoxo toda a minha visão de mundo procura enxergar primeiro a dialética que a tudo permeia, incluindo a luta de classes, que base econômica da vida política e social. Este texto, porém, contém spoilers das temporadas 1 e 2.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Deste modo, o que chama a atenção é o modo como, na série, a tecnologia não é apresentada dentro de uma perspectiva positivista, em que quando mais avançasse o desenvolvimento tecnológico, mais também avançaria o desenvolvimento das sociedades humanas, levando assim à uma libertação do homem em relação ao trabalho, ou seja, pondo fim à exploração/opressão que é motor da luta de classes. No episódio "Be Right Back" (2º Temp., 2016), por exemplo, uma mulher, desolada com a morte do marido e incapaz de lidar com sua falta, acaba aceitando se comunicar uma simulação dele por e-mail. Depois, na medida em que ela vai fornecendo dados sobre o falecido, mais a simulação vai se tornando real, até que a conversa evolui para chat, quando o programa de simulação passa a usar efeitos audiovisuais para simular o rosto e a voz do amado. Ao final, ela acaba comprando um clone robótico abrigo com essa consciência simulada, que vai se tornando cada vez mais difícil distinguir o verdadeiro do falso. Aqui já uma dialética, mas pré-Socrática, filosoficamente basilar ao racionalismo, que é oposição entre verdade e mentira, real e irreal, concreto e imaginário, ideia e coisa. Mas há também a dialética da exploração de homem pelo outro, essencial não à humanidade, mas apenas ao capitalismo. Essa dialética se expressa na mulher que, por ser mais humana que o robô (será? afinal, se ela mesma, humana, no final quase perdeu a faculdade de distinguir tais coisas), possui mais meios materiais, isto é, capital financeiro, para adquirir um outro ser menos humano do que ela, apesar de todas as semelhanças. Essa mulher irá fazer desse ser meio/menos humano um escravo sentimental e social, totalmente obediente à ela. Até mudar de ideia sobre o que sente por ela, ou sobre o modo como ela lhe é útil, e a deixará pra sempre num sótão. Humanizar a máquina para escraviza-la? Seria isso uma válvula de escape para um intrínseco desejo de escravizar/explorar/oprimir?

    Já no episódio "White Christimas" (2014), vemos uma tecnologia na qual a consciência de uma pessoa é capturada para moldar uma consciência artificial dela, que ficará "dentro" de um "egg", para ser literalmente ser submetida à escravidão e torturada por séculos em questão de segundos. Também não é uma visão idealista da tecnologia, ao modelo hegeliano, no qual a tecnologia é vista algo que resulta de um planejamento anterior, puramente racional, no qual o sumo bem aristotélico fosse o objetivo final, de modo que, tantos mais racionais se tornassem os homens (e portanto, quanto mais racionais, menos instintivos, como na perspectiva platônica), mais racional seriam os resultados de suas ações, como, por exemplo, a tecnologia. Essa irracionalidade da tecnologia, que também é um dos temas prediletos de Kubrick, está presente e explícita nos episódios "The National Anthem" (1ª Temp. 2014) e "Black Bear" (2ªTemp, 2016), onda tecnologia é usava para impingir sofrimento ao outro. É particular o uso econômico que é feito deste sofrimento pela empresa White Bear Park Justice, na qual a atração que atrai muitos visitantes são torturas psicológicas diárias realizadas por meio de encenação teatral para punir criminosos. Seria esse o resultado de privatizássemos os presídios, tendo vista que vivemos sob o capitalismo, no qual o lucro se sobrepõe frequente à ética?

    "Por outra parte, resultam igualmente evidentes os seguintes fatos: o desenvolvimento das ciências naturais (que formam, aliás, a base de qualquer conhecimento), como de qualquer noção (que se refira ao processo produtivo) ocorre novamente sobre a base da produção capitalista que pela primeira vez lhes proporciona em grande medida — às ciências — os meios materiais de investigação, observação, experimentação. Já que as ciências são utilizadas pelo capital como meio de enriquecimento e se convertem, portanto, em meios de enriquecimento para os homens que se ocupam do desenvolvimento das ciências, os homens de ciência competem entre si no intento de encontrar uma aplicação prática da ciência. De outro lado, a invenção se converte em uma espécie de artesanato. Por isso junto com a produção capitalista se desenvolve, pela primeira vez de maneira consciente, o fator científico em certo nível, se emprega e se constitui em dimensões que não se poderiam conceber em épocas anteriores.

    Somente a produção capitalista transforma o processo produtivo material em aplicação da ciência à produção — em ciência, posta em prática, mas somente submetendo o trabalho ao capital e reprimindo o próprio desenvolvimento intelectual e profissional." (MARX, Karl. Capital e Tecnologia.)

    Poderia falar ainda sobre "50 Millions Merits", no qual a evolução da tecnologia não libertou o homem do trabalho e da exploração de sua força de trabalho, aqueles personagens que passam dias pedalando para produzir eletricidade, que gastarão em seus quartos minúsculos que são sua única moradia, assim como gastarão os pontos ganhados pedalando trocando-os por aplicativos, ou por ticketes para o "sucesso", que também se tornará uma outra forma de exploração. E, em nome desse sucesso, que significa um pouco menos de exploração e um pouco mais de liberdade, ele se verá disposto a trocar sua liberdade de pensar, que implica e opor à quele sistema opressor, por ser mais um "youtuber" que se vendeu ao sistema. Vemos também a denúncia da pornografia como exploração sexual de mulheres, vide inúmeros de casos ex-atrizes pornôs que relataram os abusos e violências sofridos dentro dos sets de filmagem. O caso da atriz Linda Lovelace.

    Sob o capitalismo, portanto, a tecnologia não põe fim à exploração, mas acaba tornando o homem explorador de si mesmo, escravo de si mesmo, burguês e proletário de si mesmo. Mas esse ser é duplamente quando se pensa nas empresas que realmente lucram com todo este aparato tecnológico, do qual acabamos nos tornando também escravos. E será que já não estamos nós, agora, um pouco escravos da tecnologia? Em que medida essa escravidão que atualmente reconhecemos é menor que a escravidão prevista no futuro distópico apresentado no episódio? Vemos aqui, a dialética entre razão e irracionalidade, entre liberdade e servidão, entre dependência e autonomia, bem como a relação entre utilidade e benefício, bem como muitas questões éticas.

    "O capital não cria a ciência e sim a explora apropriando-se dela no processo produtivo. Com isto se produz, simultaneamente, a separação entre a ciência, enquanto ciência aplicada à produção e o trabalho direto, enquanto nas fases anteriores da produção a experiência e o intercâmbio limitado de conhecimentos estavam ligados diretamente ao próprio trabalho; não se desenvolviam tais conhecimentos como força separada e independente da produção e, portanto, não haviam chegado nunca em conjunto além dos limites da tradicional coleção de receitas que existiam desde há muito tempo e que só se desenvolviam muito lenta e gradualmente (estudo empírico de cada um dos artesanatos). O braço e a mente não estavam separados.

    Do mesmo modo que por máquina entendemos a “máquina do patrão” e, por sua função, a “função do patrão”, no processo produtivo (na produção), assim é também a situação da ciência que se encarna nesta máquina, nos modos de produção, nos processos químicos, etc. A ciência intervém como força externa, hostil ao trabalho, que o domina e cuja aplicação é, por uma parte, desenvolvimento científico de testemunhos, de observações, de segredos do artesanato adquiridos por vias experimentais, pela análise do processo produtivo e aplicação das ciências naturais ao processo material produtivo; e como tal, se baseia, do mesmo modo, na separação das forças espirituais do processo no que se refere aos conhecimentos, testemunhos e capacidades do operário individual e como a acumulação e o desenvolvimento das condições de produção e sua transformação em capital se baseiam na privação do operário destas condições, na separação do operário em relação às mesmas." (MARX, Karl. Capital e Tecnologia.Tradução de extrato (pp. 161-164) do original em castelhano Capital y Tecnologia – Manuscritos Ineditos (1861-1863), publicado no México pela editora Terra Nova em 1980. Responsável pela tradução: Elídio Marques.)

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  • Leandro Andrade

    O filme é uma obra-prima, mas não exatamente pelas qualidades mais aparentes, como a belíssima fotografia, a marcante trilha sonora ou o desempenho dos atores. Por trás da história de um homem rude que não desiste da missão de resgatar a sobrinha capturada por índios comanches, o cineasta John Ford desconstrói os mitos do cowboy enquanto herói e enquanto encarnação do self made man.

    John Wayne interpreta Ethan Edwards, um veterano da Guerra de Secessão norte-americana que, 3 anos o término do conflito, volta para o Texas para visitar o irmão. Interessante notar o modo como Ethan, na primeira parte do filme (que antecede o ataque dos índios) olha lascivamente a cunhada Martha (Dorothy Jordan), que, desde a belíssima cena que abre o filme, olha-o com grande afeto e ternura, para depois, na cena em que ele decide se juntar aos patrulheiros, demonstrar que esse afeto vai além do deveria, quando esta alisa demoradamente o casaco de Ethan, antes de entrega-lo a ele.

    Mais interessante ainda é constatar que Ethan, sendo texano, lutou ao lado dos Estados Confederados, o que implica que ele se opunha ao fim da escravidão. Este racismo inerente ao personagem, apesar do tratamento sutil dado pela direção e pelo roteiro, não deve ser deixado de lado. Ao longo veremos Ethan demonstrar com violência seu ódio pelas outras raças, seja discriminando seu parceiro mestiço Martin Pawley (Jeffrey Hunter) - que, quando menino, teria sido salvo por Ethan depois que índios massacraram sua família - ou quando ele revela a intenção de matar a sobrinha depois de considerar que ela poderia ter se tornado uma selvagem após longo convívio com os índios comanches.

    A cena em que ele atira insana e indiscriminadamente em um bando de bisões, bradando que assim impedirá que os índios tenham o que caçar o com o que se alimentar, é, ao meu ver, antológica. Junte-se a estas cenas uma outra, no início do filme, em que diz que só se faz um juramento na vida e que ele já havia jurado lealdade à causa confederada (isto é, a manutenção do escravismo), e então poderemos montar um panorama que nos permita compreender melhor a crítica proposta pelo diretor.

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  • Leandro Andrade

    Esta temporada teve momentos espetaculares e marcantes, como o ataque surpresa de Daenerys aos Lannisters e Tarlys em High Garden e a luta contra o urso polar nas terras além da Muralha.

    Momentos lindos como o fim de Mindinho e a vingança de Arya contra os responsáveis pelo Casamento Vermelho.

    Momentos tristes, com a morte de Vyserion. E forçado, afinal, se eu fosse o Rei da Noite, teria jogado a lança no dragão que a Daenerys estava em cima. Mas... the show most go on.

    E momentos imbecis e decepcionantes, com a ideia estúpida de Jon Snow de ir além da Muralha, e outros piegas, como aquele em que ele chama Daenerys de "Dani". Blerghh...

    Minha avaliação da 7ª Temporada de Game of Thrones fica assim:
    1. Dragonstone - ★★★★½
    2. Stormborn - ★★★★½
    3. The Queen's Justice - ★★★★★
    4. The Spoils of War - ★★★★★
    5. Eastwatch - ★★★★½
    6. Beyond the Wall - ★★★½
    7. The Dragon and the Wolf - ★★★★½
    NOTA FINAL: 8,0

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  • Zack
    Zack

    :-( :- (
    Que pena!

    Obrigado de todo modo pelo esforço camarada!
    *__*

  • Zack
    Zack

    Buenas Leandro!
    Por acaso conseguiu o doc. Paulo Leminski - Um Coração de Poeta". Que consta em uma de tuas bem feitas listas e que mencionou que talvez conseguiria o mesmo. Queria muito ver. Se acaso conseguir!
    Grande abraço Leandro Andrade!

  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/