"Você é a anomalia original". Ao mesmo tempo que o filme consegue fazer um comentário sobre a indústria, ele é capaz de construir, narrativamente, uma trama muito bem amarrada do protagonista. Essa aliança entre construir uma história própria e, de forma consciente, referencia todo o universo, a indústria, é o que torna esse filme tão especial. Eles foram muito sagazes nessa perspectiva. Pois, no próprio filme, eles utilizam todos os argumentos possíveis para engajar na indústria da cultura. Do mesmo modo que existe o homem aranha negro punk anticapitalista, você tem o Miranha "original", vivendo muito bem naquele sistema e construindo uma família (conservador). Você tem a mulher imigrante, forte e vencedora e em contra partida, um homem (ou homens, no caso, os capitães), cheios de incertezas, inseguranças e sem saber lidar com seus sentimentos. Há sempre uma construção de personagem em meio de uma "poluição visual" maravilhosa. Fan-service à rodo, não só ao próprio universo aranha - Ben Reilly comentando cada passo que dá e vê, referenciando as HQs do mesmo que tinham textos extremamente enfadonhos - e também ao universo popular (dos memes), como quando os homens aranhas apontam para si. Até mesmo uma frontalidade e espécie de aviso para aqueles que não sabem nada sobre este universo, para aqueles que não pegarão nenhuma referência, para aqueles que nem se quer sabiam do Miranha negro: existe um "homem aranha" gato, dinossauro, carro... Então, não tem problema ele ser este homem aranha, e mesmo assim, ele continua sendo uma *anomalia*. Sagazes, muito sagazes. E tudo isso é pretexto para um subtexto ainda mais profundo: a liberdade do negro. Vemos todos os dias as pautas que são impostas, principalmente as pautas progressistas, sobre como combater o racismo, como o negro deve se portar, como o negro deve resgatar as suas "origens", ter uma religião de matriz africana (até porque a maioria não sabe que o cristianismo africana é mais antigo que o europeu), não palmitar, em tudo há uma rotulação que eles devem seguir, ou melhor, HÁ UM CANÔNE a ser seguido. E é esta a verdadeira luta do Miles Morales, ele mostra que é capaz de ter a liberdade de decidir o seu próprio destino e daqueles que o rodeiam, ele é capaz de ser um jovem que quer seguir uma carreira científica, de estudos e não um se tornar um Rapper ou jogador da NBA. E mais uma vez: esse pequeno subtexto é realizado em volta daquilo que se foge, ele ama RAP, Basquete, Air Jordan, grafite. É tanta informação pra se assimilar, que até nos perdemos nas ideias. Mas está tudo ali. É uma megalomania visual e subtextual. Praticamente um filho pródigo da indústria da cultura.
Na primeira hora de filme eu estava torcendo para terminar logo. Nos últimos minutos estava torcendo para que não acabasse. Ceylan se mostra um dos maiores da atualidade. Ainda prefiro Era Uma Vez em Anatólia e Distante, mas este não deixa de ser uma bela obra.
Mediano. Pelos comentários percebe-se que muitos têm pouca bagagem sobre Cinema Yakuza. Brother não chega nem no top 5 de Kitano, quem dirá ser um dos melhores filmes de yakuza. Nem o próprio Takeshi Kitano ficou satisfeito com a própria obra. Sobre a comparação com Tarantino, vishh, passa longe! Tarantino busca influência em Suzuki, e no mestre do cinema yakuza Fukasaku.
O personagem de Jude Law é uma clara referência ao assassino psicopata do filme A Tortura do Medo, de 1960. Uma obra brilhante. Recomendo a todos. (Peeping Tom, título original)
Só não é perfeito porque em certo momento do filme esperava algo mais forte, mais contundente. Todd Haynes, que dirige a obra com extrema delicadeza, poderia, sim, quebrar a sutileza sem mudar o tom, sem exagerar. Daria uma leve cutucada no peito do espectador. Porém, essa é única ressalva. É uma obra excelente, com uma trilha sonora linda! Outros aspectos técnicos também são perfeitos como Fotografia e Designer de Produção.
o "momento" ao qual me refiro acima é quando Carol deixa Therese. Poderia ser algo mais contundente na personagem. Ela esboça algumas coisinhas como vômito, uma leve chorada, um telefonema e só. Bem méeh. Compare por exemplo com Adele de Azul É a Cor Mais Quente, ela sofre tanto, que nós espectadores ficamos comovidos com todo o seu amor. É claro que fazer algo similar não funcionaria, pois são estilo diferentes, mas como eu disse, Haynes poderia trabalhar isso sem mudar o tom do filme. Me contradizendo, acho que até sei o porquê do diretor ter feito isso, talvez ele tentou deixar essa dúvida na cabeça do espectador, "Ela nem sofreu tanto, vai ser fácil se recuperar", e no último (suposto) encontro delas, percebemos que Belivet, de fato, superou, mas não. No final, temos um belo e sutil Twist.
E ainda me pergunto como que esnobaram Carol no Oscar, tanto em Filme quanto Direção.
Esse filme é pra assistir uma vez na vida e só. Vi há um bom tempo e não gostei. Passando pela Netflix o encontrei, pesquisei sobre o filme, e resolvi dá uma segunda chance. Não desceu. Woody Allen é muito chato. Seu jeito egocêntrico e meticuloso me irrita. Ele atuando não me convence. Seu roteiro fica exaltando seu conhecimento filosófico e cinematográfico. Passa o filme inteiro se orgulhando de NY, o pior que ele ainda coloca algum personagem para dizer algo do tipo "NY é suja", só para poder exaltar que prefere ela mesmo assim, ok Allen, já entendemos. Porém, seria ignorância dizer que o filme é mau dirigido. Ele manda muito bem nos planos, takes longos e um movimento de câmera sutil. Os cortes são lisos. Se não fosse a montagem fluida eu teria desistido da fita. Se não fosse também, claro, Diane Keaton que é brilhante atuando. Enfim, Annie Hall tem seus méritos, mas ainda acho-o ruim, não gosto do Woody Allen, tem muito filme ruim no currículo, com exceção, claro, de Manhattan e Meia Noite em Paris, estes são muito bons.
Puta drama! A cena final é antológica, subjetiva! A imagem de um país, descontrolado, diversificado, traumatizado por tragédias ou relações. Inerente à isso, surgem aqueles que tiveram um passado similar, ou motivações existenciais (Nate), tentam tapar as feridas, fazem de tudo para que outros não sofram do mesmo, com sentimento de solidariedade e humanidade.
Assisti à Rushmore sem saber que era um filme de Wes Anderson, inclusive, ao longo de todo filme pensei "então aí está a inspiração de Wes Anderson", ao termino da fita, curioso para saber quem era o diretor, me surpreendi (de certa forma) com o "directed by Wes Anderson". E agora sei que essa linguagem é somente dele. O cara é singular! Está fazendo escola!
Homem-Aranha: Através do Aranhaverso
4.3 556 Assista Agora"Você é a anomalia original".
Ao mesmo tempo que o filme consegue fazer um comentário sobre a indústria, ele é capaz de construir, narrativamente, uma trama muito bem amarrada do protagonista. Essa aliança entre construir uma história própria e, de forma consciente, referencia todo o universo, a indústria, é o que torna esse filme tão especial.
Eles foram muito sagazes nessa perspectiva. Pois, no próprio filme, eles utilizam todos os argumentos possíveis para engajar na indústria da cultura. Do mesmo modo que existe o homem aranha negro punk anticapitalista, você tem o Miranha "original", vivendo muito bem naquele sistema e construindo uma família (conservador). Você tem a mulher imigrante, forte e vencedora e em contra partida, um homem (ou homens, no caso, os capitães), cheios de incertezas, inseguranças e sem saber lidar com seus sentimentos.
Há sempre uma construção de personagem em meio de uma "poluição visual" maravilhosa. Fan-service à rodo, não só ao próprio universo aranha - Ben Reilly comentando cada passo que dá e vê, referenciando as HQs do mesmo que tinham textos extremamente enfadonhos - e também ao universo popular (dos memes), como quando os homens aranhas apontam para si. Até mesmo uma frontalidade e espécie de aviso para aqueles que não sabem nada sobre este universo, para aqueles que não pegarão nenhuma referência, para aqueles que nem se quer sabiam do Miranha negro: existe um "homem aranha" gato, dinossauro, carro... Então, não tem problema ele ser este homem aranha, e mesmo assim, ele continua sendo uma *anomalia*. Sagazes, muito sagazes.
E tudo isso é pretexto para um subtexto ainda mais profundo: a liberdade do negro. Vemos todos os dias as pautas que são impostas, principalmente as pautas progressistas, sobre como combater o racismo, como o negro deve se portar, como o negro deve resgatar as suas "origens", ter uma religião de matriz africana (até porque a maioria não sabe que o cristianismo africana é mais antigo que o europeu), não palmitar, em tudo há uma rotulação que eles devem seguir, ou melhor, HÁ UM CANÔNE a ser seguido. E é esta a verdadeira luta do Miles Morales, ele mostra que é capaz de ter a liberdade de decidir o seu próprio destino e daqueles que o rodeiam, ele é capaz de ser um jovem que quer seguir uma carreira científica, de estudos e não um se tornar um Rapper ou jogador da NBA. E mais uma vez: esse pequeno subtexto é realizado em volta daquilo que se foge, ele ama RAP, Basquete, Air Jordan, grafite. É tanta informação pra se assimilar, que até nos perdemos nas ideias. Mas está tudo ali.
É uma megalomania visual e subtextual. Praticamente um filho pródigo da indústria da cultura.
Anjos Caídos
4.0 298 Assista AgoraUma fantasia urbana.
O Matador
3.3 220 Assista AgoraMuito bacana, o filme faz uma quebra da expectativa em cada cena, do começo ao final. Isso criou bons momentos e boas cenas.
Sono de Inverno
4.0 138 Assista AgoraNa primeira hora de filme eu estava torcendo para terminar logo. Nos últimos minutos estava torcendo para que não acabasse. Ceylan se mostra um dos maiores da atualidade. Ainda prefiro Era Uma Vez em Anatólia e Distante, mas este não deixa de ser uma bela obra.
A Chegada
4.2 3,5K Assista AgoraDaqui a 3 mil anos vai lançar o 2.
Quanto Mais Quente Melhor
4.3 871 Assista AgoraFoi um prazer ter visto Marilyn Monroe na tela grande, no Cine Olympia, mais antigo cinema do Brasil.
Triângulo do Medo
3.5 1,3KO loop mais filha da puta do cinema.
Veludo Azul
3.9 816 Assista AgoraHeineken?
Repo Man: A Onda Punk
3.3 98 Assista AgoraApesar de não ser similar, considero este um De Volta para o Futuro para adultos.
X-Men: Apocalipse
3.5 2,1K Assista AgoraMaldita pressa. Poderia ter sido um filmão com esse elenco.
A Ponta de um Crime
3.5 136 Assista AgoraUma pequena grande obra.
Esquadrão Suicida
2.8 4,0K Assista AgoraSaí do cinema com lágrimas nos olhos.
O Convite
3.3 1,1KCaramba
Brother: A Máfia Japonesa Yakuza em Los Angeles
3.7 41Mediano. Pelos comentários percebe-se que muitos têm pouca bagagem sobre Cinema Yakuza. Brother não chega nem no top 5 de Kitano, quem dirá ser um dos melhores filmes de yakuza. Nem o próprio Takeshi Kitano ficou satisfeito com a própria obra.
Sobre a comparação com Tarantino, vishh, passa longe! Tarantino busca influência em Suzuki, e no mestre do cinema yakuza Fukasaku.
Deixem-nos Viver
3.6 10Um dos melhores filmes da história do cinema norte americano. O melhor retrato da contracultura.
Killer Joe: Matador de Aluguel
3.5 885 Assista AgoraA estranheza do filme é que o torna sensacional. Friedkin sempre subestimado.
A Criada
4.4 1,4K Assista AgoraExpectativas estão à milhões. Park Chan God.
Estrada para Perdição
3.9 419O personagem de Jude Law é uma clara referência ao assassino psicopata do filme A Tortura do Medo, de 1960. Uma obra brilhante. Recomendo a todos. (Peeping Tom, título original)
Carol
3.9 1,5K Assista AgoraSó não é perfeito porque em certo momento do filme esperava algo mais forte, mais contundente. Todd Haynes, que dirige a obra com extrema delicadeza, poderia, sim, quebrar a sutileza sem mudar o tom, sem exagerar. Daria uma leve cutucada no peito do espectador. Porém, essa é única ressalva. É uma obra excelente, com uma trilha sonora linda! Outros aspectos técnicos também são perfeitos como Fotografia e Designer de Produção.
o "momento" ao qual me refiro acima é quando Carol deixa Therese. Poderia ser algo mais contundente na personagem. Ela esboça algumas coisinhas como vômito, uma leve chorada, um telefonema e só. Bem méeh. Compare por exemplo com Adele de Azul É a Cor Mais Quente, ela sofre tanto, que nós espectadores ficamos comovidos com todo o seu amor. É claro que fazer algo similar não funcionaria, pois são estilo diferentes, mas como eu disse, Haynes poderia trabalhar isso sem mudar o tom do filme.
Me contradizendo, acho que até sei o porquê do diretor ter feito isso, talvez ele tentou deixar essa dúvida na cabeça do espectador, "Ela nem sofreu tanto, vai ser fácil se recuperar", e no último (suposto) encontro delas, percebemos que Belivet, de fato, superou, mas não. No final, temos um belo e sutil Twist.
E ainda me pergunto como que esnobaram Carol no Oscar, tanto em Filme quanto Direção.
Noivo Neurótico, Noiva Nervosa
4.1 1,1K Assista AgoraEsse filme é pra assistir uma vez na vida e só. Vi há um bom tempo e não gostei. Passando pela Netflix o encontrei, pesquisei sobre o filme, e resolvi dá uma segunda chance.
Não desceu. Woody Allen é muito chato. Seu jeito egocêntrico e meticuloso me irrita. Ele atuando não me convence. Seu roteiro fica exaltando seu conhecimento filosófico e cinematográfico. Passa o filme inteiro se orgulhando de NY, o pior que ele ainda coloca algum personagem para dizer algo do tipo "NY é suja", só para poder exaltar que prefere ela mesmo assim, ok Allen, já entendemos.
Porém, seria ignorância dizer que o filme é mau dirigido. Ele manda muito bem nos planos, takes longos e um movimento de câmera sutil. Os cortes são lisos. Se não fosse a montagem fluida eu teria desistido da fita. Se não fosse também, claro, Diane Keaton que é brilhante atuando.
Enfim, Annie Hall tem seus méritos, mas ainda acho-o ruim, não gosto do Woody Allen, tem muito filme ruim no currículo, com exceção, claro, de Manhattan e Meia Noite em Paris, estes são muito bons.
O Regresso
4.0 3,5K Assista AgoraCada Quadro uma Pintura
O Milagre de Anne Sullivan
4.4 224 Assista Agora"A sala está uma bagunça mas o guardanapo está dobrado." Lindo filme!
Temporário 12
4.3 593Puta drama! A cena final é antológica, subjetiva!
A imagem de um país, descontrolado, diversificado, traumatizado por tragédias ou relações.
Inerente à isso, surgem aqueles que tiveram um passado similar, ou motivações existenciais (Nate), tentam tapar as feridas, fazem de tudo para que outros não sofram do mesmo, com sentimento de solidariedade e humanidade.
Três é Demais
3.8 282 Assista AgoraAssisti à Rushmore sem saber que era um filme de Wes Anderson, inclusive, ao longo de todo filme pensei "então aí está a inspiração de Wes Anderson", ao termino da fita, curioso para saber quem era o diretor, me surpreendi (de certa forma) com o "directed by Wes Anderson". E agora sei que essa linguagem é somente dele. O cara é singular! Está fazendo escola!