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Últimas opiniões enviadas

  • Daniel Corcino

    3 anos após ter contato com O Ato de Matar, sou impactado mais um vez assistindo The Look of Silence. Não vejo como sequência do anterior, mas realmente como outro trabalho singular, que enriquece e complementa o primeiro documentário. Para mim, é um filme que me faz perder fé na construção de um futuro melhor... É a banalidade do mal de modo mais explícito, onde qualquer desculpa pode ser criada (e acreditada) em prol de fugir da dissonância cognitiva que surge a partir de “perguntas profundas” demais e que fazem lembrar que o presente é produto direto do passado. As respostas dadas durante as entrevistas não são coisas “desumanas”, pelo contrário, são tão humanas que não queremos acreditar.

    Aliás, a troca de olhares entre Adi e os responsáveis pelo assassinato de seu irmão é um baque a parte nesse documentário, dá para imaginar diversos afetos negativos (re)ssurgindo e pondo em cheque a história dos indivíduos e do seu país. Em vários casos, Adi vai com o pretexto de melhorar a visão das pessoas que precisam de novos óculos e, metafórica e ironicamente, ele revela seu real propósito de tentar confrontar a visão “turva e míope” que os responsáveis pelos assassinatos do seu irmão possuem sobre os massacres de 65-66. Não é preciso mais do que algumas palavras ou silêncios para mexer diretamente nas zonas de conforto moral e histórico daqueles indivíduos.

    Nesse sentido, acho um trabalho politicamente poderoso, algo que só aconteceria pelo atravessamento de ter um americano querendo conhecer mais um pouco da vida desses homens (que juram que estariam na frente da câmera para mostrar como são heróis). Vale ressaltar que o diretor não possui um posicionamento neocolonialista, ele usa de sua posição para dar voz a parte do povo daquele país que não tem espaço para expressar sua opinião e dor.

    Por fim, é do tipo de documentário que me passa a sensação de como devo dar ainda menos atenção aos filmes-espetáculo hollywoodianos (que tanto nos bombardeia), pois é esse tipo de experiência que me enriquece e me faz ampliar a visão de mundo, me ajudando a fazer links com meu contexto histórico-social. Ao invés de produzir ideais inalcançáveis no público e entreter enquanto aliena, Joshua procura outro caminho enquanto americano para seu cinema. Pois ele questiona a responsabilidade dos indonésios no cenário presente em seu país, mas também criticando diretamente a participação (e posterior omissão) dos EUA no que ocorreu e ocorre na Indonésia. Assim, trata-se de uma obra única que, por mais dolorosa que seja, deveria ser sentida e refletida pelo maior número de pessoas possível.

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  • Daniel Corcino

    No fim, não faz tanta diferença o que é a “verdade” por trás de todo conflito gerado, mas sim quais pressupostos e caminhos cada um decide seguir ou ignorar perante os dilemas. Quais pesos cada um carrega consigo ou quer jogar sobre o outro? Quais pesos se está disposto a enxergar sobre o outro? Com uma grande ajudinha das normas sociais (teísmo, classismo, machismo...) é interessante perceber como vários caminhos já estão quase que determinados a cada um. O filme lança um jogo entre moral, ética, lei e normas sociais, embaralhando tudo e pondo em cheque até que medida uma coisa sobrepõe ou substitui outra. Se aqui ou se Alá, muitas variáveis subjetivas e sociais se entrelaçam e desfazem o que seria a busca por quem tem razão: é mais complexo e profundo. Quantas separações precisam ser realizadas em nós mesmos e dos outros diante dos problemas que nos convocam? Mesmo que possamos avaliar certas ações como mais ou menos desejáveis, não é um filme que quer passar o que é o certo e o errado, mas sim apresentar caminhos possíveis naquele contexto. Revela que há sim a liberdade individual, mas ela está fortemente associada às consequências presentes por ocupar determinados papeis sociais.

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