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Jovem deputado da oposição decide mudar para o partido da situação achando que só no poder conseguirá fazer alguma coisa pela causa pública. Um cabo eleitoral adverte-o que pelegos tentam tomar o sindicato tendo por motivo projeto de lei de sua autoria. O deputado vai à Assembléia Geral do sindicato e faz um discurso narrando a sua história política, concluindo que não é mais indicado para defender os sindicalizados. De volta ao lar, encosta o cano de um revólver no céu da boca. Este filme faz parte da segunda fase do Cinema Novo, movimento cinematográfico brasileiro da década de 60.
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É um filme difícil, em sua reverência straubiana, mas eu amo cada instante, mergulho na trama como se estivesse a assistir a algo que aconteceu comigo, pessoalmente. O elenco está soberbo, muitas vezes invertendo expectativas quando aos tipos que eles consagraram, em interpretações posteriores, e os diálogos são geniais, dignos de serem anotados, a cada instante. As cenas protagonizadas por Maria Lúcia Dahl são esplêndidas, em sua vocação antonioniana, e a progressão discursiva da seqüência do sindicato é magistral: que trabalho precioso de montagem. Eduardo Escorel estava em estado de graça, bem como o fotografo Affonso Beato. Mas, claro, precisamos falar sobre o desfecho - muito mais em aberto do que o seu impacto visual deixa entrever
: lembremos que o tiro não foi disparado e, como tal, pode ser que o personagem do Peréio tenha se convertido numa versão mais jovem do personagem de Mário Lago, idealista que cansou de estar apaixonado pela política, após infinitas traições.
- peréio é gigante! atuação simplesmente espetacular
- o monólogo dele final diz tudo sobre a politica do nosso país, não mudou nada. é dito de uma forma bem teatral e não condiz muito com o público, mas concordo com cada palavra
usaram um ótimo termo nos comentários: filme pedagógico. o filme insere teorias e explica muitas bases políticas sem muito disfarce. é uma história que insere poucas voltas e é muito direta ao ponto. lançado no mesmo ano do ai-5 (não encontrei se antes ou depois do ato), carrega uma tensão política muito forte despejada no personagem principal. tudo parecia estar desabando na vida dele e todas as suas escolhas afetavam ainda mais sua situação: o casamento, a troca de partido, a situação política, a sua imagem, etc
pereio faz um personagem que é bem raro no seu estilo de atuação: um personagem rígido, apático, sério. essa rigidez, no entanto, parece ter desumanizado um pouco miguel horta, afinal não se sente exatamente empatia por ele ou torcida pelas suas ações. perto do final do filme, ele faz um monólogo espetacular que ainda segue muito atual sobre a política brasileira. o final teria sido um pouco mais impactante se não tivessem colocado literalmente a última cena no CARTAZ do filme
foi o primeiro filme do gustavo dahl e dá pra sentir que algumas escolhas de direção e edição poderiam ter funcionado de outra forma, mas vendo por outro lado, é um filme enorme para uma estreia. creio que tenha uma base na escrita, já que o texto impressiona muito mais do que o filme em si.
Deve ter tido algum impacto quando foi lançado; vendo hoje, 2022, é tolo...
Filme pedagógico.... ótimo para análise do discurso e teoria política... (Que texto incrível)