É como se fosse uma versão ilustrada de um post, um poema ou uma reportagem, igual há vários na rede social. A sua diferença é que aqui a animação serve em vários momentos como um complemento ao texto, não sendo somente a tradução do que está sendo dito, mas também sendo uma forma de fazer uma piada ou a ironia de algo que jamais vai se acontecer. A melhor coisa é a sua transição, que se inicia claramente como um desabafo de alguém que está saturado e quer tempo para fazer suas coisas para logo em seguida se mudar para uma previsão resiliente.
Eu gosto muito dessas animações com animais e natureza interagindo entre si, sem humanos nem nada do tipo, passando aquela vida simples que qualquer um que tem uma rotina cheia gostaria de ter. É ótimo nas suas intenções e, mesmo quando os personagens tomam decisões erradas, em nenhum momento te faz criar uma antipatia por eles. Ao contrário, te torna empático e faz sentir pena, não nos fazendo abandonar a história. A técnica de animação é maravilhosa, com muita textura e dando vontade de tocar esse mundo.
Ao menos de memória esta é a única vez na vida em que realmente percebi que toda a ideia de uma obra cinematográfica poderia ser simplesmente substituída por uma fotografia. Isso porque, mesmo sendo um curta, ainda é extenso demais para a ideia que quer mostrar, da diferença entre o que fomos, somos e os avanços, bem como as possibilidades do infinito. É quase como a transição do 2001: Uma Odisseia no Espaço mas, novamente, mostrada de uma forma que poderia facilmente transmitir a mesma ideia dos animais, no mesmo local, à noite, com as estrelas destacadas. É visualmente bonito, e só.
É um filme homenagem e é bem competente nessa idealização. Sua vontade não é destrinchar a guerra na Ucrânia ou colocar a culpa em qualquer lado. Também não busca transformar o jornalista em um mártir. Seu foco é contar a história de uma pessoa que existiu, que se encontrou no jornalismo de guerra/catástrofes e que, de repente, tal qual poderia ter acontecido com qualquer um que lhe acompanhava, acabou morrendo. Ele é como um discurso final no funeral, uma forma de celebrar a vida dessa pessoa e demonstrar que nada foi em vão.
Este me surpreendeu positivamente. Isso porque ele não busca discutir o tema do aborto, mas sim de mostrar a realidade de uma clínica, deixando as conclusões a cargo do espectador. Claro que o tema é discutido com seus entrevistados, mas nunca de forma a induzir uma resposta ou pensamento ao espectador. E, mesmo que se dedique em mostrar todas as medidas tomadas para deixar as pacientes confortáveis, sejam no respeito a seu nome, identidade, história ou até mesmo em uma chegada mais privativa, ainda faz questão de mostrar como o procedimento em si é assustador, com máquinas barulhentas e nada confortáveis. Ao menos para mim o ponto primordial não foi o cotidiano, os protestos ou as pacientes, mas a frase da enfermeira: "Espero que um dia a saúde da mulher não seja focada somente no aborto".
Uma das melhores decisões do curta é abordar o silêncio. Como a sua intenção é retirar o aspecto de tragédia normal que se tornaram os tiroteios em escolas, a ausência de palavras, neste caso, permite ao espectador tratar todos os temas que, em um tempo tão curto, seriam insuficientes. E é justamente com isso que o curta se torna tão pesado pois, vendo as imagens (e que sequer são imagens de violência ou do ato), é que na nossa mente vamos tendo diversas discussões sobre morte, luto, interrupção da vida e do que uma pessoa é e de todas as possibilidades de quem ela poderia ser. Ele acaba sendo abrangente justamente por não tratar de nada, mas te induzir a pensar sobre isso e em como é injusto um mundo sem uma pessoa, mesmo que você jamais a tenha conhecido.
Apesar de não ter gostado muito de sua condução final, é preciso reconhecer que este é ficção científica pura e de alta qualidade, daquelas que se utilizam de uma situação hipotética para nos fazer pensar em algo. É interessante toda a dúvida inicial, que nos deixa angustiados, sem saber se é realidade ou uma pegadinha. No entanto, após a dúvida ir embora o curta fica cansativo, se estendendo demais em algo que já havíamos entendido.
Um dos mais pesados do ano, é interessante ver como é o segundo curta do Oscar 2025 a tratar do tema da pena de morte, junto com Death by numbers, em que ambos fazem o espectador chegar a mesma conclusão: a ineficácia do meio. Em Death by numbers, mostra-se a pena de morte como ineficaz em razão de o próprio assassino não ter conhecimento da gravidade de seus atos, não servindo como punição. Aqui ele vai no sentido oposto: o assassino tem conhecimento de seus atos, e isso já é punição suficiente.
Tem dois momentos de extrema crueldade e realidade que fazem este filme ser algo fora do comum, digno de prêmio:
a primeira, ao mostrar o velório, dando a consciência de que era uma vida ali, nos deixando impactados. O outro, a gravação do filho da vítima ao receber a notícia, sendo nítida sua confusão ao perceber, tarde demais, que a morte não aliviou nenhum peso de sua consciência.
É cruel, e se torna ainda mais cruel por ser real.
Este é o verdadeiro significado de documentário. Documentário não é somente o relato de uma situação, ela também é cinema, é arte. E aqui, somente com câmeras de segurança, sem qualquer relato, entrevista ou narração, toda uma situação é mostrada ao espectador e nos transmite um sentimento, como é obrigação de um bom filme, além da reflexão. O "protagonista", mesmo sem falar uma única palavra, cria uma empatia imensa com o público. A edição merece todo o reconhecimento do mundo ao contar essa história da melhor forma possível.
Não consegui gostar. Acaba se estendendo demais em metáforas a ponto de ficar confuso e nos tirar daquela história, querendo ser amplo demais sem necessidade.
Apesar de ser um tema muito interessante (um dos artigos que escrevi à época da faculdade foi justamente sobre os massacres nas instituições de ensino) o curta perde força por acreditar demais no poder de sua protagonista e seu discurso.
Com uma direção um pouco confusa, o curta segue inicialmente a ideia (e muito correta) de não mostrar o rosto do agressor a fim de que seja realmente esquecido seu rosto e seu nome, não incentivando atos semelhantes. No entanto, logo em seguida, muda de opinião, mostrando sua reação junto ao discurso final que, como é perceptível, somente o choca no momento em que a garota afirma que se lembrava dele nos corredores, não causando qualquer impacto quando menciona o ato feito.
Serve mais para mostrar como as vítimas carregam esse peso por toda a vida.
Muito fraco. Mesmo sabendo que é costume do Oscar trazer curtas que denunciam determinada causa ou que buscar valorizar o trabalho realizado por uma ong, diferente de seu concorrente The Last Ranger este é muito mais uma propaganda do que uma obra cinematográfica, com diversos momentos desnecessários, unidos por uma linha tênue, como se fosse um compilado dos Médicos sem Fronteiras ou outro desses comerciais longos que passam na televisão. Acaba empobrecendo aquilo que está sendo mostrado, criando um aspecto de vazio. As atrizes são muito boas, mas a forma como a história foi contada acaba prejudicando o trabalho delas.
Apesar da técnica de animação incrível, com muita textura, em roteiro acaba sendo muito fraco. É interessante a ideia da bala e você até mesmo fica cativado em alguns momentos, no entanto o curta vai se tornando monótono com a repetição de "Qual será o efeito da bala seguinte?", criando uma expectativa que, ao final, não leva a lugar algum. Duas balas a menos (a do sofá e a das árvores) e estava perfeito.
Talvez o problema do curta seja em razão da característica da própria entrevistada. Orin teve uma vida fascinante e os melhores momentos do curta são quando mostra o seu passado, imagens de arquivo e quando esta conta sobre seus pais. No entanto, por ser extremamente reservada, é visível o desconforto dela ao ter sua privacidade mostrada. Você entende a intenção da idealizadora, sua sobrinha, a qual está focada em demonstrar a importância dessa mulher, mas o fato dela evitar uma colaboração mais ativa, por vezes se fechando, acaba fazendo com que o curta tenha que se apoiar em longas cenas focadas nos alunos, os quais não estamos interessados, ficando cansativo.
Não falha, animais são meu ponto fraco e sempre que tem uma obra cujo foco são os animais eu acabo ficando tenso e evito ao máximo ver porque sei que em algum momento irá mostrar o sofrimento deles. Por sorte, como é característico de todos os anos, este é um daqueles curtas feitos para divulgar uma causa em específico, nos dando uma certa esperança sobre toda a crueldade humana. Além da mensagem em si, a atuação da garota é impressionante.
Analisando como filme mesmo é impressionante como a realidade pode ser transformada em cinema, com as mesmas tensões e apego à personagens vindo de coisas do dia a dia. No entanto, analisando como um fenômeno real, uma notícia de jornal, acaba sendo até mesmo assustador a pressão colocada sobre um evento que seria até mesmo desnecessário para a vida escolar, uma apresentação de boas vindas para a turma do ano seguinte.
Considerando que se trata de uma questão muito específica da história, creio que seria recomendável para o público dos outros países que o curta se estendesse mais neste clima de tensão que ele cria e até mesmo buscasse trazer uma explicação sobre o período em que se passa e o resultado final. Claro que ele não se torna um curta ruim caso você não saiba essas informações ou não tenha lido a sinopse, mas acaba perdendo muito do contexto. Tendo essas informações, a tensão que permeia o filme seria ainda maior.
Acaba sendo mais pedagógico do que artístico. Tem bons personagens e você se diverte com eles, com uma animação que não precisa apelar para grandes efeitos quando ela já tem tudo o que precisa para contar essa história. No entanto, você fica com uma impressão muito forte de que está sentado de volta na sala de aula e o professor está lhe passando a matéria de educação sexual.
Foi o meu favorito dentre os curtas de animação, talvez pela surpresa desse aspecto mais terror na categoria. É como uma versão dark de Toy Story misturada com o mito da caverna, fazendo piada de sua própria situação e buscando uma alternativa para se libertar daquele meio. Assistiria facilmente um longa metragem baseado neste curta.
Confesso que não entendi qual a intenção do curta. A técnica é excelente, bem realista e muito mais inovadora que o também indicado Wallace e Gromit. No entanto, é uma história que traz alguns conflitos mas que não te levam a lugar algum. Provoca alguns risos e, no final, é somente isso.
Faz parte daqueles curtas de denúncia sobre determinada situação que sempre são indicados anualmente, chamando a atenção para uma causa ou para um acontecimento que fica esquecido da grande mídia. Apesar de ter uma boa trama, acaba sendo muito apelativo na sua condução, e não me refiro ao drama ou aos personagens, mas aos elementos utilizados para trazer urgência e desespero à história que não fazem sentido com aquele universo, como por exemplo as diversas ligações da esposa e mensagens mesmo quando ela sabe onde o marido está, ou a utilização da videochamada no momento da fuga, para mostrar impotência, sendo que novamente ela sabe onde ele está. A história é boa mas se ancora muito em clichês que, de tão sucessivos, acabam nos tirando daquela realidade e fazendo ter raiva da personagem.
Se os filmes de Nelson Pereira dos Santos, no período, já impressionavam por mostrar os ambientes reais em que as histórias se passavam, tornando-se verdadeiros documentos históricos, os documentários tomam ainda mais importância. É visualmente bonito ver esse retrato de uma redação, ainda como toda a fumaça, os linotipos e placas de chumbo. Nelson, que fora jornalista, cria um curta em que é possível até sentir o cheiro do papel e a gordura da tinta nos dedos. Algo para a posteridade.
Talvez não tenha gostado por ser o curta que fui ver com a maior expectativa já que qualquer forma de restrição à arte em geral me comove, e com isso acabei ficando decepcionado pelo curta ter sido raso em abordar as razões dos livros terem sido banidos ou restringidos, principalmente por, logo em seu início, apresentarem uma lista de obras que sequer faz sentido sua proibição, como O Conto de Aia ou O Hobbit, escolhendo focar mais nas histórias com temática LGBT e, próximo ao final, algumas que tratam a respeito do preconceito racial.
E até mesmo dentre essas poderia ter sido muito mais contundente já que já haviam mostrado a capa de grandes livros de mesma temática e que se encontravam proibidos, como por exemplo livros de Toni Morrison, vencedora do Nobel, os livros de Martin Luther King e alguns de James Baldwin, autor negro e gay que só se descobriu como ser humano após ir embora dos Estados Unidos.
Faltou muita coragem ao falar de como é a proibição é obra da ignorância, dedicando somente uma frase a isto.
Muito fraco mesmo tendo um potencial incrível pela história que se propõe a contar e pelas diversas imagens de arquivo que acaba juntando. No entanto, falta foco do diretor, que acaba criando vários fragmentos que pouco conversam entre si. Visualmente é o melhor de todos os curtas indicados, tendo uma excelente fotografia, mas faltou conteúdo.
Retirement Plan
3.8 27É como se fosse uma versão ilustrada de um post, um poema ou uma reportagem, igual há vários na rede social. A sua diferença é que aqui a animação serve em vários momentos como um complemento ao texto, não sendo somente a tradução do que está sendo dito, mas também sendo uma forma de fazer uma piada ou a ironia de algo que jamais vai se acontecer.
A melhor coisa é a sua transição, que se inicia claramente como um desabafo de alguém que está saturado e quer tempo para fazer suas coisas para logo em seguida se mudar para uma previsão resiliente.
Forevergreen
3.7 29Eu gosto muito dessas animações com animais e natureza interagindo entre si, sem humanos nem nada do tipo, passando aquela vida simples que qualquer um que tem uma rotina cheia gostaria de ter. É ótimo nas suas intenções e, mesmo quando os personagens tomam decisões erradas, em nenhum momento te faz criar uma antipatia por eles. Ao contrário, te torna empático e faz sentir pena, não nos fazendo abandonar a história. A técnica de animação é maravilhosa, com muita textura e dando vontade de tocar esse mundo.
Perfectly a Strangeness
2.5 29Ao menos de memória esta é a única vez na vida em que realmente percebi que toda a ideia de uma obra cinematográfica poderia ser simplesmente substituída por uma fotografia. Isso porque, mesmo sendo um curta, ainda é extenso demais para a ideia que quer mostrar, da diferença entre o que fomos, somos e os avanços, bem como as possibilidades do infinito. É quase como a transição do 2001: Uma Odisseia no Espaço mas, novamente, mostrada de uma forma que poderia facilmente transmitir a mesma ideia dos animais, no mesmo local, à noite, com as estrelas destacadas. É visualmente bonito, e só.
Armado com uma Câmera: Vida e Morte de Brent Renaud
3.5 30 Assista AgoraÉ um filme homenagem e é bem competente nessa idealização. Sua vontade não é destrinchar a guerra na Ucrânia ou colocar a culpa em qualquer lado. Também não busca transformar o jornalista em um mártir. Seu foco é contar a história de uma pessoa que existiu, que se encontrou no jornalismo de guerra/catástrofes e que, de repente, tal qual poderia ter acontecido com qualquer um que lhe acompanhava, acabou morrendo. Ele é como um discurso final no funeral, uma forma de celebrar a vida dessa pessoa e demonstrar que nada foi em vão.
O Diabo Não Tem Descanso
3.6 25 Assista AgoraEste me surpreendeu positivamente. Isso porque ele não busca discutir o tema do aborto, mas sim de mostrar a realidade de uma clínica, deixando as conclusões a cargo do espectador. Claro que o tema é discutido com seus entrevistados, mas nunca de forma a induzir uma resposta ou pensamento ao espectador. E, mesmo que se dedique em mostrar todas as medidas tomadas para deixar as pacientes confortáveis, sejam no respeito a seu nome, identidade, história ou até mesmo em uma chegada mais privativa, ainda faz questão de mostrar como o procedimento em si é assustador, com máquinas barulhentas e nada confortáveis.
Ao menos para mim o ponto primordial não foi o cotidiano, os protestos ou as pacientes, mas a frase da enfermeira: "Espero que um dia a saúde da mulher não seja focada somente no aborto".
Quartos Vazios
3.7 38 Assista AgoraUma das melhores decisões do curta é abordar o silêncio. Como a sua intenção é retirar o aspecto de tragédia normal que se tornaram os tiroteios em escolas, a ausência de palavras, neste caso, permite ao espectador tratar todos os temas que, em um tempo tão curto, seriam insuficientes. E é justamente com isso que o curta se torna tão pesado pois, vendo as imagens (e que sequer são imagens de violência ou do ato), é que na nossa mente vamos tendo diversas discussões sobre morte, luto, interrupção da vida e do que uma pessoa é e de todas as possibilidades de quem ela poderia ser. Ele acaba sendo abrangente justamente por não tratar de nada, mas te induzir a pensar sobre isso e em como é injusto um mundo sem uma pessoa, mesmo que você jamais a tenha conhecido.
I’m Not a Robot
3.4 40Apesar de não ter gostado muito de sua condução final, é preciso reconhecer que este é ficção científica pura e de alta qualidade, daquelas que se utilizam de uma situação hipotética para nos fazer pensar em algo. É interessante toda a dúvida inicial, que nos deixa angustiados, sem saber se é realidade ou uma pegadinha. No entanto, após a dúvida ir embora o curta fica cansativo, se estendendo demais em algo que já havíamos entendido.
I Am Ready, Warden
3.4 28Um dos mais pesados do ano, é interessante ver como é o segundo curta do Oscar 2025 a tratar do tema da pena de morte, junto com Death by numbers, em que ambos fazem o espectador chegar a mesma conclusão: a ineficácia do meio. Em Death by numbers, mostra-se a pena de morte como ineficaz em razão de o próprio assassino não ter conhecimento da gravidade de seus atos, não servindo como punição. Aqui ele vai no sentido oposto: o assassino tem conhecimento de seus atos, e isso já é punição suficiente.
Tem dois momentos de extrema crueldade e realidade que fazem este filme ser algo fora do comum, digno de prêmio:
a primeira, ao mostrar o velório, dando a consciência de que era uma vida ali, nos deixando impactados. O outro, a gravação do filho da vítima ao receber a notícia, sendo nítida sua confusão ao perceber, tarde demais, que a morte não aliviou nenhum peso de sua consciência.
É cruel, e se torna ainda mais cruel por ser real.
Incident
3.7 33Este é o verdadeiro significado de documentário. Documentário não é somente o relato de uma situação, ela também é cinema, é arte. E aqui, somente com câmeras de segurança, sem qualquer relato, entrevista ou narração, toda uma situação é mostrada ao espectador e nos transmite um sentimento, como é obrigação de um bom filme, além da reflexão. O "protagonista", mesmo sem falar uma única palavra, cria uma empatia imensa com o público. A edição merece todo o reconhecimento do mundo ao contar essa história da melhor forma possível.
In The Shadow Of the Cypress
3.7 29Não consegui gostar. Acaba se estendendo demais em metáforas a ponto de ficar confuso e nos tirar daquela história, querendo ser amplo demais sem necessidade.
Death by Numbers
3.2 27Apesar de ser um tema muito interessante (um dos artigos que escrevi à época da faculdade foi justamente sobre os massacres nas instituições de ensino) o curta perde força por acreditar demais no poder de sua protagonista e seu discurso.
Com uma direção um pouco confusa, o curta segue inicialmente a ideia (e muito correta) de não mostrar o rosto do agressor a fim de que seja realmente esquecido seu rosto e seu nome, não incentivando atos semelhantes. No entanto, logo em seguida, muda de opinião, mostrando sua reação junto ao discurso final que, como é perceptível, somente o choca no momento em que a garota afirma que se lembrava dele nos corredores, não causando qualquer impacto quando menciona o ato feito.
Serve mais para mostrar como as vítimas carregam esse peso por toda a vida.
Anuja
3.4 49 Assista AgoraMuito fraco. Mesmo sabendo que é costume do Oscar trazer curtas que denunciam determinada causa ou que buscar valorizar o trabalho realizado por uma ong, diferente de seu concorrente The Last Ranger este é muito mais uma propaganda do que uma obra cinematográfica, com diversos momentos desnecessários, unidos por uma linha tênue, como se fosse um compilado dos Médicos sem Fronteiras ou outro desses comerciais longos que passam na televisão. Acaba empobrecendo aquilo que está sendo mostrado, criando um aspecto de vazio. As atrizes são muito boas, mas a forma como a história foi contada acaba prejudicando o trabalho delas.
Magic Candies
3.8 36Apesar da técnica de animação incrível, com muita textura, em roteiro acaba sendo muito fraco. É interessante a ideia da bala e você até mesmo fica cativado em alguns momentos, no entanto o curta vai se tornando monótono com a repetição de "Qual será o efeito da bala seguinte?", criando uma expectativa que, ao final, não leva a lugar algum. Duas balas a menos (a do sofá e a das árvores) e estava perfeito.
A Única Mulher na Orquestra
3.3 38 Assista AgoraTalvez o problema do curta seja em razão da característica da própria entrevistada. Orin teve uma vida fascinante e os melhores momentos do curta são quando mostra o seu passado, imagens de arquivo e quando esta conta sobre seus pais. No entanto, por ser extremamente reservada, é visível o desconforto dela ao ter sua privacidade mostrada. Você entende a intenção da idealizadora, sua sobrinha, a qual está focada em demonstrar a importância dessa mulher, mas o fato dela evitar uma colaboração mais ativa, por vezes se fechando, acaba fazendo com que o curta tenha que se apoiar em longas cenas focadas nos alunos, os quais não estamos interessados, ficando cansativo.
The Last Ranger
3.8 26Não falha, animais são meu ponto fraco e sempre que tem uma obra cujo foco são os animais eu acabo ficando tenso e evito ao máximo ver porque sei que em algum momento irá mostrar o sofrimento deles. Por sorte, como é característico de todos os anos, este é um daqueles curtas feitos para divulgar uma causa em específico, nos dando uma certa esperança sobre toda a crueldade humana. Além da mensagem em si, a atuação da garota é impressionante.
Instruments of a Beating Heart
3.6 30Analisando como filme mesmo é impressionante como a realidade pode ser transformada em cinema, com as mesmas tensões e apego à personagens vindo de coisas do dia a dia. No entanto, analisando como um fenômeno real, uma notícia de jornal, acaba sendo até mesmo assustador a pressão colocada sobre um evento que seria até mesmo desnecessário para a vida escolar, uma apresentação de boas vindas para a turma do ano seguinte.
O Homem que Não Se Calou
3.5 23Considerando que se trata de uma questão muito específica da história, creio que seria recomendável para o público dos outros países que o curta se estendesse mais neste clima de tensão que ele cria e até mesmo buscasse trazer uma explicação sobre o período em que se passa e o resultado final. Claro que ele não se torna um curta ruim caso você não saiba essas informações ou não tenha lido a sinopse, mas acaba perdendo muito do contexto. Tendo essas informações, a tensão que permeia o filme seria ainda maior.
Yuck
3.4 33Acaba sendo mais pedagógico do que artístico. Tem bons personagens e você se diverte com eles, com uma animação que não precisa apelar para grandes efeitos quando ela já tem tudo o que precisa para contar essa história. No entanto, você fica com uma impressão muito forte de que está sentado de volta na sala de aula e o professor está lhe passando a matéria de educação sexual.
Wander to Wonder
3.3 31Foi o meu favorito dentre os curtas de animação, talvez pela surpresa desse aspecto mais terror na categoria. É como uma versão dark de Toy Story misturada com o mito da caverna, fazendo piada de sua própria situação e buscando uma alternativa para se libertar daquele meio. Assistiria facilmente um longa metragem baseado neste curta.
Beautiful Men
2.6 23Confesso que não entendi qual a intenção do curta. A técnica é excelente, bem realista e muito mais inovadora que o também indicado Wallace e Gromit. No entanto, é uma história que traz alguns conflitos mas que não te levam a lugar algum. Provoca alguns risos e, no final, é somente isso.
A Lien
3.7 36Faz parte daqueles curtas de denúncia sobre determinada situação que sempre são indicados anualmente, chamando a atenção para uma causa ou para um acontecimento que fica esquecido da grande mídia. Apesar de ter uma boa trama, acaba sendo muito apelativo na sua condução, e não me refiro ao drama ou aos personagens, mas aos elementos utilizados para trazer urgência e desespero à história que não fazem sentido com aquele universo, como por exemplo as diversas ligações da esposa e mensagens mesmo quando ela sabe onde o marido está, ou a utilização da videochamada no momento da fuga, para mostrar impotência, sendo que novamente ela sabe onde ele está. A história é boa mas se ancora muito em clichês que, de tão sucessivos, acabam nos tirando daquela realidade e fazendo ter raiva da personagem.
Um Moço de 74 Anos
3.7 4Se os filmes de Nelson Pereira dos Santos, no período, já impressionavam por mostrar os ambientes reais em que as histórias se passavam, tornando-se verdadeiros documentos históricos, os documentários tomam ainda mais importância. É visualmente bonito ver esse retrato de uma redação, ainda como toda a fumaça, os linotipos e placas de chumbo. Nelson, que fora jornalista, cria um curta em que é possível até sentir o cheiro do papel e a gordura da tinta nos dedos. Algo para a posteridade.
O ABC da Proibição de Livros
3.6 31Talvez não tenha gostado por ser o curta que fui ver com a maior expectativa já que qualquer forma de restrição à arte em geral me comove, e com isso acabei ficando decepcionado pelo curta ter sido raso em abordar as razões dos livros terem sido banidos ou restringidos, principalmente por, logo em seu início, apresentarem uma lista de obras que sequer faz sentido sua proibição, como O Conto de Aia ou O Hobbit, escolhendo focar mais nas histórias com temática LGBT e, próximo ao final, algumas que tratam a respeito do preconceito racial.
E até mesmo dentre essas poderia ter sido muito mais contundente já que já haviam mostrado a capa de grandes livros de mesma temática e que se encontravam proibidos, como por exemplo livros de Toni Morrison, vencedora do Nobel, os livros de Martin Luther King e alguns de James Baldwin, autor negro e gay que só se descobriu como ser humano após ir embora dos Estados Unidos.
Faltou muita coragem ao falar de como é a proibição é obra da ignorância, dedicando somente uma frase a isto.
Island in Between
2.9 21Muito fraco mesmo tendo um potencial incrível pela história que se propõe a contar e pelas diversas imagens de arquivo que acaba juntando. No entanto, falta foco do diretor, que acaba criando vários fragmentos que pouco conversam entre si. Visualmente é o melhor de todos os curtas indicados, tendo uma excelente fotografia, mas faltou conteúdo.