Bem decepcionante, não funcionando de nenhuma forma, seja como ação, como suspense ou como adaptação. Apesar de os atores estarem bem em seus papeis e a história até ser boa, em nenhum momento você teme pela vida dos personagens ou pelas consequências dos atos, sendo uma sucessão aleatória de eventos que, mesmo com a revelação final, não te surpreende. Você acaba assistindo sem sentir nada pela história.
(você não dá a mínima para descobrir quem estava sabotando o submarino ou se eles serão atingidos, já tendo ficado satisfeito com Ramius e sua equipe sendo encontrados)
ainda tem um resultado bem satisfatório, sendo um ótimo thriller em que o coadjuvante segura muito mais a atenção do que Jack Ryan, o protagonista.
É bem idealizado e com um ritmo quase frenético, aproveitando bem a história de Tom Clancy que, apesar de eu não gostar como escritor, tem aqui o único livro dele que me agradou. Até mesmo os efeitos estão bem competentes para o período, também somente decaindo no segmento final, contribuindo para esse encerramento meio amargo de uma obra que até então estava grandiosa.
Mesmo tratando da parte final da Guerra Fria, não ficou datado, ainda sendo bem acessível nos dias atuais.
Apesar dos contínuos jump scares que chegam a se tornar um verdadeiro pé no saco (e todos eles surgindo de forma completamente irrelevante para a trama, somente feitos para dar uma acordada no espectador), ainda assim é bom o suficiente para nos prender a atenção tendo somente dois atores em tela. Isso porque a forma como a história é conduzida nos faz ter a mesma dúvida que o protagonista: se Josef é um psicopata ou somente um cara solitário que não sabe como lidar com as pessoas. E é essa mesma dúvida que nos faz ficar até o final para tentar descobrir a verdade.
Esse é Stephen King ao extremo, com todas as características que o autor utiliza em seus livros de criar um mistério em locais do interior e envolvendo crianças, não sendo à toa ter se tornado uma inspiração constante em seus trabalhos. E mesmo se utilizando de um medo comum do período, com diversos momentos em que remete à radioatividade, bomba atômica e Guerra Fria, ainda assim conversa muito com a paranoia dos dias atuais. Talvez por isso ele continue funcionando tão bem. Todo o elenco infantil está espetacular, em nenhum momento saindo de seus personagens.
Apesar da primeira metade ser bem clichê, por vezes até com algumas atuações ruins, é um filme bem competente trazendo aquele bom estilo dos anos 2000 de ser uma obra cara e despretensiosa para o espectador ver em um final de semana ou aleatoriamente na tv. Isso porque ver toda aquela turma de pescadores com seus próprios conflitos e seu trabalho acaba sendo suficiente para nos prender na tela por mais de duas horas, o que é impressionante ao se considerar que a tempestade em si somente surge na meia hora final. E até o CGI é bem competente para o período, não nos tirando da imersão em nenhum momento.
Ele seria muito melhor se fosse editado em conjunto com Gimme Some Truth. Aqui basicamente o filme acaba sendo um compilado de clipes e gravações tanto do projeto de John quanto do de Yoko, com muito do estilo surrealista. É uma ideia interessante e, como as músicas são boas, acaba sendo gostoso de assistir. No entanto, você fica esperando mostrar mais dos bastidores, de como elas foram feitas, os diálogos, ver John fazendo suas palhaçadas, e por isso que faz falta e tornou-se necessário o posterior Gimme Some Truth. É o complemento necessário.
Acredito que o Making Off acabou sendo melhor do que o filme de 72 em si, considerando que o que é mais agradável de ver não é somente a música, mas sim o processo de gravação, os diálogos e as interações em um período logo após o rompimento dos Beatles.
O que mais chama a atenção são duas cenas específicas: uma, com John mostrando How Do Sleep?, cantando a música com um sorriso no rosto tipo "Percebe o que estou dizendo?" e buscando revalidação enquanto todo mundo demonstra pouca importância e estão mais focados nos instrumentais; Outra, quando o fã encontra John como se esperasse grandes resposta para sua vida através das músicas e, quando John demonstra ser somente um cara normal que escreve sobre aquilo que vive, percebe-se o olhar perdido do rapaz, como alguém que tenta descobrir um sentido para a vida.
Somente por estes dois momentos o filme já vale a pena, e ele ainda mostra muito mais.
Muito fraco e cansativo. Se apoia unicamente no número de excelentes atores, mas o roteiro não ajuda em nada ao querer ser explicativo demais, chegando ao ponto de ser tedioso. Deixa de lado o mistério, não nos instigando em querer saber quem é o assassino ou como a empresa surgiu (que, no livro, acaba sendo um dos momentos mais agradáveis da história), para focar unicamente em diálogos entre os personagens.
É certo que a ideia é muito boa, e é impossível o início não te pegar com Beware the Darkness tocando. No entanto, parece que o filme cria uma proposta muito boa sem saber como quer desenvolver, focando em vários personagens sem qualquer necessidade para o final. É como se tivesse a ideia para uma série de televisão, com vários segmentos feitos para aumentar o mistério final e acabou tendo que ser reunido para um filme.
Seu próprio “mistério”, por assim dizer, acaba perdendo força após a revelação porque o espectador não consegue ver qualquer relevância no que a responsável queria causar. Vale pela primeira metade.
Mesmo sendo um grande admirador de Bruce Lee somente fui me dar conta de que não tinha visto seu primeiro filme pós-retorno a Hong Kong agora, ao terminar de ler a biografia escrita por Matthew Polly (que, aliás, recomendo).
E é muito bom ver como fica clara a tentativa de Bruce Lee em alterar o filme, em colocar algo com a sua personalidade e, ao mesmo tempo, sendo limado por Wei Lo. Isso porque era uma história que já existia, que estava em andamento, com outro protagonista e, quase que de uma maneira artesanal, o filme acabou sendo alterado enquanto corriam as gravações, com o protagonista sumindo na meia hora inicial, Bruce Lee tomando a cena mesmo que sem falas e cenas de lutas tendo que ser adaptadas entre aquilo que o público já estava acostumado e o realismo que Bruce Lee queria. Você quase consegue dividir o filme com uma faca.
E isso acaba sendo a resposta visual ao espírito da época: o espectador fica hipnotizado por aquela figura e quer vê-lo lutando, mas não uma luta de pulos e piruetas, mas uma luta real, de socos, chutes e camisas enrolando nos braços. Não à toa que, a partir daqui, o público exigiu mais.
Melhor que o anterior, tanto na criação desse universo quanto nas cenas de luta. No entanto, ainda sofre do mesmo problema ao criar diversas cenas, com introdução de personagens, sem fazer qualquer apresentação, inserindo nomes aleatórios e deixando o espectador deslocado nesse contexto. O plot twist final agrega bastante aos personagens já conhecidos.
A meia hora final é muito boa, com boas cenas de luta, coreografias e com um vilão que realmente torna o desafio difícil. No entanto, até chegar lá o filme acaba se desenrolando desnecessariamente por diversos dramas que poderiam muito bem ser resumidos para não prejudicar o desenvolvimento do personagem. Se tivesse meia hora a menos conseguiria contar a mesma história, com os mesmos acontecimentos e com uma eficácia maior.
É um bom filme, visualmente impecável, excelentes efeitos, personagens e atuações. Mas o excesso de falas rápidas, sempre com nomes e em um curto espaço de tempo deixa o espectador tão confuso que você não consegue ficar imerso na história, sempre tentando lembrar "Quem são essas pessoas????".
Muito extenso além do devido, deixando o filme cansativo por volta de uma hora. Acaba se dedicando à diversas cenas de luta, sempre no estilo de Jackie Chan em misturar humor com Kung Fu. Não é particularmente o tipo de visão que eu gosto para o Kung Fu, longe dos ensinamentos e do crescimento pessoal, mas ainda assim é interessante de ver. Vale como passatempo.
Confesso que considerei sua metade inicial confusa pelo fato de o filme fugir do padrão comum nos filmes de luta. Aqui, diferente do protagonista que utiliza da luta como uma forma de crescimento pessoal, ele inicia de uma forma negativa, pagando o preço pela soberba e é justamente na ausência da luta que começa a olhar a vida com mais leveza e valores.
E é este o ponto que fez o filme funcionar: seu início é propositalmente frenético e incômodo justamente para que nem mesmo o espectador valorize aqueles momentos, contando esta história da mesma forma de uma lenda em que é necessário se analisar o todo para compreender a mensagem. Com isso as lutas iniciais tem diversos cortes e jogos de câmera enquanto as lutas finais tem mais realismo e beleza, como se quisesse mostrar ao espectador a diferença entre briga e esporte. Quando o personagem tem sua pausa e respira, automaticamente ele nos dá a mesma oportunidade e o filme toma uma outra forma.
Acabou me surpreendendo positivamente, seja em questão de técnica de animação (principalmente nos dez minutos iniciais, com muita textura de areia ou do próprio disco de ouro da Voyager) quanto em roteiro. É uma história com uma premissa inicial um pouco diferente apesar de, no seu desenrolar, acabar trazendo mais do mesmo sobre a velha história de se sentir deslocado, família, solidão e etc.
Talvez seu maior problema seja que fiquemos extremamente satisfeitos com o filme até sua primeira hora inicial, em que surgem vários conflitos que vão sendo solucionados, ficando um pouco cansativo quando estes mesmos conflitos vão se estendendo com o intuito de ligar as últimas pontas soltas. Poderia ser melhor trabalhado em sua conclusão.
Quando Hithcock fez Pavor nos Bastidores nos anos 50 após uma série de filmes bons, foi massacrado a ponto de ele próprio afirmar que cometeu um erro grave no filme ao, após sua metade inicial, alterar tudo aquilo que havia mostrado sobre seu protagonista. Isso fez com que o público se afastasse da história por não ter mais nenhum vínculo emocional.
70 anos depois, infelizmente, Bugonia comete o mesmo erro. A história é incrível e o filme é puramente roteiro. No entanto, é impossível querer que o público, em 120 minutos, mantenha o mesmo vínculo e empatia com seus personagens quando altera diretamente a percepção que temos sobre eles a cada 20 minutos. Ele é psicológico, traz temas atuais, conflitos, mas com tanta coisa feita para surpreender que você não se importa com nada disso.
Com isso o filme não só fica lento, mas também faz com que você sequer tenha interesse naquele desfecho visto que não possui a menor ideia do que é verdade ou mentira. A história tem tantas alterações que até mesmo as atuações acabam sendo prejudicadas, visto que você perde até mesmo o norte do que é drama e do que é absurdo.
Funcionaria muito melhor como livro, com um tempo maior para digerir cada acontecimento. Como filme, é ok.
Aqui o negócio ficou difícil para Wagner Moura e O Agente Secreto. Isso porque Marty Supreme é uma boa forma de como contar uma história de um protagonista reprovável sem perder o público. Ele dedica boa parte de sua hora inicial colocando esse personagem sofrendo uma série de injustiças para que, quando o filme começa a mudar de figura e ele começa a cometer atos cada vez mais pesados e desprezíveis, mesmo que não o apoiemos, ainda fiquemos com o desejo de que ele não se dê mal na vida por conta de tudo o que sofreu. Talvez o grande trunfo do filme sejam a atuação do Chalamet, que consegue criar esse personagem cativante de uma forma crível e até mesmo lunática, junto com o roteiro e a montagem, dando um aspecto de série ao filme, com blocos de histórias de 30 minutos que vão se unindo e ficando maiores à medida do final. Realmente, se levar, não tem como dizer que foi roubado.
P.S.: O filme quase me perdeu com os acontecimentos do cachorro (animais sofrendo são meu limite em qualquer obra) mas fiquei satisfeito que, no final, ele foi o único que sobreviveu. P.S.2: Impressão minha ou o filme ainda fez uma piada final ao colocar uma criança parecida com o marido traído?
Apesar de ter sua hora final bem interessante, o filme tem um sério problema de excesso em seu roteiro, colocando personagens demais em seu início, diversas tramas paralelas que vão se encontrando e desencontrando, clichês feitos somente para serem desperdiçados e cenas inteiras somente para fazer referência ao Spielberg. Sim, é um filme divertido, bem sessão da tarde daqueles que assistíamos e ficávamos apontando as falhas no estilo de "Como o óculos desse homem ainda está na cara?" ou "Mas o fulano não estava com a perna ruim?", ou seja, não tem como levar a sério (mesmo com o filme se levando a sério, e é por isso que ele não funciona. Até mesmo os efeitos, responsáveis por uma indicação ao Oscar, estão bem ruins, sendo gritante a tela verde.
Li Hamnet há aproximadamente dois anos, quando quis suprir uma lacuna de nunca ter lido Shakespeare na vida e procurei antes ler sobre o próprio autor. E como adaptação acaba sendo uma obra extremamente fiel e, mesmo nos momentos em que transcende a obra, acaba fazendo isso de forma necessária. Afinal, ao dedicar, com muita coragem, toda sua meia hora final para a apresentação, mantendo a dificuldade dos diálogos e evitando ao máximo ser explicativo, estende a ação para além do livro, dando uma dimensão muito maior do impacto e do que é viver para a eternidade. Ainda assim, mesmo tendo uma ótima ambientação, te transmitindo todo o período, sofre do mesmo mal do livro: Agnes é a protagonista. No entanto, pelo pouco que se sabe de sua vida, mesmo sendo uma personagem muito bem construída, ainda não tem peso suficiente para um protagonismo, ficando às sombras de Shakespeare que domina a cena somente com seu peso histórico. Com isso, até mesmo aqui, com Jessie Buckley tendo excelentes momentos, no final você acaba se lembrando mais do Paul Mescal.
Cansativo, mesmo tendo muitas características de Gabriel Garcia Márquez em sua história, um escritor que gosto. É gritante nas referências, como o morto que continua aparecendo sempre calado, ou o realismo fantástico de não saber se algo é real ou imaginário (principalmente próximo ao final), ou ainda o ato de se maravilhar com um voo, remetendo ao mesmo sentimento do Coronel Aureliano com o gelo. Por conta disso, mesmo com uma ambientação muito boa, o filme acabou ficando com um aspecto de repetitivo para mim, sempre remetendo à outra história que já havia visto (e lá de forma muito melhor do que aqui, por sinal). É visualmente bonito e, por ter menos de 120 minutos, não acaba sendo uma perda de tempo, mas é esquecível.
Um ótimo exemplo de um filme que, mesmo tendo sua principal função arrecadar milhões com patrocínios, marcas e incentivar a circulação de dinheiro do próprio esporte, se preocupa ainda em criar um produto de qualidade.
Porque é isso, F1 não é só um macacão de F1 na tela, mas também tem uma boa história, simples ao estilo do Cavaleiro Solitário que chega em algum lugar com uma missão, ajuda a todos e vai embora, aliada a uma técnica surpreendente. Mesmo quem não morre de amores por esporte ou não conhece nada acaba ficando fissurado e a montagem aqui é o que realmente faz tudo brilhar, fazendo 2h:35 passar sem perceber.
Talvez não fique para a história do cinema, talvez seja substituído por algum outro filme de esporte em breve, mas realmente é uma obra que merece ser vista como um exemplo de qualidade.
E para nós, brasileiros, dá uma satisfação ver as diversas menções ao Senna como um dos melhores da história.
Acaba sendo bem agradável de assistir principalmente por corrigir a forma pedante como a mensagem moral era repassada no primeiro filme. Se antes atrapalhava o andamento da história e parecia algo quase pedagógico, aqui faz pleno sentido no contexto e, o principal, não trata o espectador como um idiota.
O ponto alto do filme é a compreensão de que Zootopia, por refletir o mundo animal, sempre pode ser expandido, mostrando novos bairros, territórios e tendo uma possibilidade muito maior em fazer piadas com o comportamento animal.
Este último elemento, aliás, é o que torna gritante a compreensão em como o filme foi feito de fato com amor, por pessoas que amam o cinema e a animação, prontas para mostrar um resultado de qualidade visto ter cenas até mesmo com uma duração razoável que são inseridas unicamente para uma piada ou para uma referência cinematográfica (como a feita sobre O Iluminado ou Ratatouille). Em um mundo em que qualquer cena extra é investimento em funcionários, trabalho, softwares e tempo de exibição, se dedicar alguns minutos a mais unicamente para mostrar algo cinematográfico é extremamente louvável nos dias atuais.
A ideia é muito boa, mas infelizmente acaba sendo atrapalhada pelo roteiro. Mostrar Silvio Santos fazendo um paralelo de sua vida com seus programas é bem interessante, mas querer inserir isso uma outra subtrama com a personagem da Manu Gavassi não deu certo. Sempre que o filme estava engrenando aparecia novamente toda uma trama dela com o namorado que fazia você querer acelerar e voltar para o Silvio. E mesmo com a atuação do Hassum não sendo das melhores ao mostrar o Silvio Santos no palco, causando uma estranheza, é quando ele representa o Silvio nos bastidores que a situação melhora. Vale um destaque à Regiane ALves que realmente rouba a cena como Íris Abravanel. Se tivessem trabalhado o filme por mais um ano, arrecadado mais recursos para fotografia e roteiro, tido mais tempo para entrosamento dos atores, seria impecável. No final é divertido, mas você vê que é um produto ainda precipitado.
Jogos Patrióticos
3.3 78 Assista AgoraBem decepcionante, não funcionando de nenhuma forma, seja como ação, como suspense ou como adaptação. Apesar de os atores estarem bem em seus papeis e a história até ser boa, em nenhum momento você teme pela vida dos personagens ou pelas consequências dos atos, sendo uma sucessão aleatória de eventos que, mesmo com a revelação final, não te surpreende. Você acaba assistindo sem sentir nada pela história.
A Caçada ao Outubro Vermelho
3.7 162 Assista AgoraMesmo caindo bem o nível na sua meia hora final
(você não dá a mínima para descobrir quem estava sabotando o submarino ou se eles serão atingidos, já tendo ficado satisfeito com Ramius e sua equipe sendo encontrados)
É bem idealizado e com um ritmo quase frenético, aproveitando bem a história de Tom Clancy que, apesar de eu não gostar como escritor, tem aqui o único livro dele que me agradou. Até mesmo os efeitos estão bem competentes para o período, também somente decaindo no segmento final, contribuindo para esse encerramento meio amargo de uma obra que até então estava grandiosa.
Mesmo tratando da parte final da Guerra Fria, não ficou datado, ainda sendo bem acessível nos dias atuais.
Creep
3.1 531 Assista AgoraApesar dos contínuos jump scares que chegam a se tornar um verdadeiro pé no saco (e todos eles surgindo de forma completamente irrelevante para a trama, somente feitos para dar uma acordada no espectador), ainda assim é bom o suficiente para nos prender a atenção tendo somente dois atores em tela. Isso porque a forma como a história é conduzida nos faz ter a mesma dúvida que o protagonista: se Josef é um psicopata ou somente um cara solitário que não sabe como lidar com as pessoas. E é essa mesma dúvida que nos faz ficar até o final para tentar descobrir a verdade.
A Aldeia dos Amaldiçoados
3.8 137 Assista AgoraEsse é Stephen King ao extremo, com todas as características que o autor utiliza em seus livros de criar um mistério em locais do interior e envolvendo crianças, não sendo à toa ter se tornado uma inspiração constante em seus trabalhos.
E mesmo se utilizando de um medo comum do período, com diversos momentos em que remete à radioatividade, bomba atômica e Guerra Fria, ainda assim conversa muito com a paranoia dos dias atuais. Talvez por isso ele continue funcionando tão bem.
Todo o elenco infantil está espetacular, em nenhum momento saindo de seus personagens.
Mar em Fúria
3.1 248 Assista AgoraApesar da primeira metade ser bem clichê, por vezes até com algumas atuações ruins, é um filme bem competente trazendo aquele bom estilo dos anos 2000 de ser uma obra cara e despretensiosa para o espectador ver em um final de semana ou aleatoriamente na tv. Isso porque ver toda aquela turma de pescadores com seus próprios conflitos e seu trabalho acaba sendo suficiente para nos prender na tela por mais de duas horas, o que é impressionante ao se considerar que a tempestade em si somente surge na meia hora final. E até o CGI é bem competente para o período, não nos tirando da imersão em nenhum momento.
Imagine
4.4 2Ele seria muito melhor se fosse editado em conjunto com Gimme Some Truth. Aqui basicamente o filme acaba sendo um compilado de clipes e gravações tanto do projeto de John quanto do de Yoko, com muito do estilo surrealista. É uma ideia interessante e, como as músicas são boas, acaba sendo gostoso de assistir. No entanto, você fica esperando mostrar mais dos bastidores, de como elas foram feitas, os diálogos, ver John fazendo suas palhaçadas, e por isso que faz falta e tornou-se necessário o posterior Gimme Some Truth. É o complemento necessário.
Gimme Some Truth: The Making of John Lennon's Imagine Album
4.5 2 Assista AgoraAcredito que o Making Off acabou sendo melhor do que o filme de 72 em si, considerando que o que é mais agradável de ver não é somente a música, mas sim o processo de gravação, os diálogos e as interações em um período logo após o rompimento dos Beatles.
O que mais chama a atenção são duas cenas específicas: uma, com John mostrando How Do Sleep?, cantando a música com um sorriso no rosto tipo "Percebe o que estou dizendo?" e buscando revalidação enquanto todo mundo demonstra pouca importância e estão mais focados nos instrumentais; Outra, quando o fã encontra John como se esperasse grandes resposta para sua vida através das músicas e, quando John demonstra ser somente um cara normal que escreve sobre aquilo que vive, percebe-se o olhar perdido do rapaz, como alguém que tenta descobrir um sentido para a vida.
Somente por estes dois momentos o filme já vale a pena, e ele ainda mostra muito mais.
A Herdeira
2.9 37Muito fraco e cansativo. Se apoia unicamente no número de excelentes atores, mas o roteiro não ajuda em nada ao querer ser explicativo demais, chegando ao ponto de ser tedioso. Deixa de lado o mistério, não nos instigando em querer saber quem é o assassino ou como a empresa surgiu (que, no livro, acaba sendo um dos momentos mais agradáveis da história), para focar unicamente em diálogos entre os personagens.
A Hora do Mal
3.7 1,0K Assista AgoraÉ certo que a ideia é muito boa, e é impossível o início não te pegar com Beware the Darkness tocando. No entanto, parece que o filme cria uma proposta muito boa sem saber como quer desenvolver, focando em vários personagens sem qualquer necessidade para o final. É como se tivesse a ideia para uma série de televisão, com vários segmentos feitos para aumentar o mistério final e acabou tendo que ser reunido para um filme.
Seu próprio “mistério”, por assim dizer, acaba perdendo força após a revelação porque o espectador não consegue ver qualquer relevância no que a responsável queria causar. Vale pela primeira metade.
O Dragão Chinês
3.6 113 Assista AgoraMesmo sendo um grande admirador de Bruce Lee somente fui me dar conta de que não tinha visto seu primeiro filme pós-retorno a Hong Kong agora, ao terminar de ler a biografia escrita por Matthew Polly (que, aliás, recomendo).
E é muito bom ver como fica clara a tentativa de Bruce Lee em alterar o filme, em colocar algo com a sua personalidade e, ao mesmo tempo, sendo limado por Wei Lo. Isso porque era uma história que já existia, que estava em andamento, com outro protagonista e, quase que de uma maneira artesanal, o filme acabou sendo alterado enquanto corriam as gravações, com o protagonista sumindo na meia hora inicial, Bruce Lee tomando a cena mesmo que sem falas e cenas de lutas tendo que ser adaptadas entre aquilo que o público já estava acostumado e o realismo que Bruce Lee queria. Você quase consegue dividir o filme com uma faca.
E isso acaba sendo a resposta visual ao espírito da época: o espectador fica hipnotizado por aquela figura e quer vê-lo lutando, mas não uma luta de pulos e piruetas, mas uma luta real, de socos, chutes e camisas enrolando nos braços. Não à toa que, a partir daqui, o público exigiu mais.
New Kung Fu Cult Master 2
3.5 1Melhor que o anterior, tanto na criação desse universo quanto nas cenas de luta. No entanto, ainda sofre do mesmo problema ao criar diversas cenas, com introdução de personagens, sem fazer qualquer apresentação, inserindo nomes aleatórios e deixando o espectador deslocado nesse contexto. O plot twist final agrega bastante aos personagens já conhecidos.
Espadachim de um Braço
3.9 21 Assista AgoraA meia hora final é muito boa, com boas cenas de luta, coreografias e com um vilão que realmente torna o desafio difícil. No entanto, até chegar lá o filme acaba se desenrolando desnecessariamente por diversos dramas que poderiam muito bem ser resumidos para não prejudicar o desenvolvimento do personagem. Se tivesse meia hora a menos conseguiria contar a mesma história, com os mesmos acontecimentos e com uma eficácia maior.
New Kung Fu Cult Master 1
3.2 1É um bom filme, visualmente impecável, excelentes efeitos, personagens e atuações. Mas o excesso de falas rápidas, sempre com nomes e em um curto espaço de tempo deixa o espectador tão confuso que você não consegue ficar imerso na história, sempre tentando lembrar "Quem são essas pessoas????".
O Mestre Invencível
3.9 109 Assista AgoraMuito extenso além do devido, deixando o filme cansativo por volta de uma hora. Acaba se dedicando à diversas cenas de luta, sempre no estilo de Jackie Chan em misturar humor com Kung Fu. Não é particularmente o tipo de visão que eu gosto para o Kung Fu, longe dos ensinamentos e do crescimento pessoal, mas ainda assim é interessante de ver. Vale como passatempo.
O Mestre das Armas
3.8 234Confesso que considerei sua metade inicial confusa pelo fato de o filme fugir do padrão comum nos filmes de luta. Aqui, diferente do protagonista que utiliza da luta como uma forma de crescimento pessoal, ele inicia de uma forma negativa, pagando o preço pela soberba e é justamente na ausência da luta que começa a olhar a vida com mais leveza e valores.
E é este o ponto que fez o filme funcionar: seu início é propositalmente frenético e incômodo justamente para que nem mesmo o espectador valorize aqueles momentos, contando esta história da mesma forma de uma lenda em que é necessário se analisar o todo para compreender a mensagem. Com isso as lutas iniciais tem diversos cortes e jogos de câmera enquanto as lutas finais tem mais realismo e beleza, como se quisesse mostrar ao espectador a diferença entre briga e esporte. Quando o personagem tem sua pausa e respira, automaticamente ele nos dá a mesma oportunidade e o filme toma uma outra forma.
Elio
3.3 132Acabou me surpreendendo positivamente, seja em questão de técnica de animação (principalmente nos dez minutos iniciais, com muita textura de areia ou do próprio disco de ouro da Voyager) quanto em roteiro. É uma história com uma premissa inicial um pouco diferente apesar de, no seu desenrolar, acabar trazendo mais do mesmo sobre a velha história de se sentir deslocado, família, solidão e etc.
Talvez seu maior problema seja que fiquemos extremamente satisfeitos com o filme até sua primeira hora inicial, em que surgem vários conflitos que vão sendo solucionados, ficando um pouco cansativo quando estes mesmos conflitos vão se estendendo com o intuito de ligar as últimas pontas soltas. Poderia ser melhor trabalhado em sua conclusão.
Bugonia
3.6 437 Assista AgoraQuando Hithcock fez Pavor nos Bastidores nos anos 50 após uma série de filmes bons, foi massacrado a ponto de ele próprio afirmar que cometeu um erro grave no filme ao, após sua metade inicial, alterar tudo aquilo que havia mostrado sobre seu protagonista. Isso fez com que o público se afastasse da história por não ter mais nenhum vínculo emocional.
70 anos depois, infelizmente, Bugonia comete o mesmo erro. A história é incrível e o filme é puramente roteiro. No entanto, é impossível querer que o público, em 120 minutos, mantenha o mesmo vínculo e empatia com seus personagens quando altera diretamente a percepção que temos sobre eles a cada 20 minutos. Ele é psicológico, traz temas atuais, conflitos, mas com tanta coisa feita para surpreender que você não se importa com nada disso.
Com isso o filme não só fica lento, mas também faz com que você sequer tenha interesse naquele desfecho visto que não possui a menor ideia do que é verdade ou mentira. A história tem tantas alterações que até mesmo as atuações acabam sendo prejudicadas, visto que você perde até mesmo o norte do que é drama e do que é absurdo.
Funcionaria muito melhor como livro, com um tempo maior para digerir cada acontecimento. Como filme, é ok.
Marty Supreme
3.7 349 Assista AgoraAqui o negócio ficou difícil para Wagner Moura e O Agente Secreto. Isso porque Marty Supreme é uma boa forma de como contar uma história de um protagonista reprovável sem perder o público. Ele dedica boa parte de sua hora inicial colocando esse personagem sofrendo uma série de injustiças para que, quando o filme começa a mudar de figura e ele começa a cometer atos cada vez mais pesados e desprezíveis, mesmo que não o apoiemos, ainda fiquemos com o desejo de que ele não se dê mal na vida por conta de tudo o que sofreu.
Talvez o grande trunfo do filme sejam a atuação do Chalamet, que consegue criar esse personagem cativante de uma forma crível e até mesmo lunática, junto com o roteiro e a montagem, dando um aspecto de série ao filme, com blocos de histórias de 30 minutos que vão se unindo e ficando maiores à medida do final.
Realmente, se levar, não tem como dizer que foi roubado.
P.S.: O filme quase me perdeu com os acontecimentos do cachorro (animais sofrendo são meu limite em qualquer obra) mas fiquei satisfeito que, no final, ele foi o único que sobreviveu.
P.S.2: Impressão minha ou o filme ainda fez uma piada final ao colocar uma criança parecida com o marido traído?
Jurassic World: Recomeço
2.7 460 Assista AgoraApesar de ter sua hora final bem interessante, o filme tem um sério problema de excesso em seu roteiro, colocando personagens demais em seu início, diversas tramas paralelas que vão se encontrando e desencontrando, clichês feitos somente para serem desperdiçados e cenas inteiras somente para fazer referência ao Spielberg.
Sim, é um filme divertido, bem sessão da tarde daqueles que assistíamos e ficávamos apontando as falhas no estilo de "Como o óculos desse homem ainda está na cara?" ou "Mas o fulano não estava com a perna ruim?", ou seja, não tem como levar a sério (mesmo com o filme se levando a sério, e é por isso que ele não funciona.
Até mesmo os efeitos, responsáveis por uma indicação ao Oscar, estão bem ruins, sendo gritante a tela verde.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 424 Assista AgoraLi Hamnet há aproximadamente dois anos, quando quis suprir uma lacuna de nunca ter lido Shakespeare na vida e procurei antes ler sobre o próprio autor. E como adaptação acaba sendo uma obra extremamente fiel e, mesmo nos momentos em que transcende a obra, acaba fazendo isso de forma necessária. Afinal, ao dedicar, com muita coragem, toda sua meia hora final para a apresentação, mantendo a dificuldade dos diálogos e evitando ao máximo ser explicativo, estende a ação para além do livro, dando uma dimensão muito maior do impacto e do que é viver para a eternidade.
Ainda assim, mesmo tendo uma ótima ambientação, te transmitindo todo o período, sofre do mesmo mal do livro: Agnes é a protagonista. No entanto, pelo pouco que se sabe de sua vida, mesmo sendo uma personagem muito bem construída, ainda não tem peso suficiente para um protagonismo, ficando às sombras de Shakespeare que domina a cena somente com seu peso histórico. Com isso, até mesmo aqui, com Jessie Buckley tendo excelentes momentos, no final você acaba se lembrando mais do Paul Mescal.
Sonhos de Trem
3.7 349 Assista AgoraCansativo, mesmo tendo muitas características de Gabriel Garcia Márquez em sua história, um escritor que gosto. É gritante nas referências, como o morto que continua aparecendo sempre calado, ou o realismo fantástico de não saber se algo é real ou imaginário (principalmente próximo ao final), ou ainda o ato de se maravilhar com um voo, remetendo ao mesmo sentimento do Coronel Aureliano com o gelo. Por conta disso, mesmo com uma ambientação muito boa, o filme acabou ficando com um aspecto de repetitivo para mim, sempre remetendo à outra história que já havia visto (e lá de forma muito melhor do que aqui, por sinal). É visualmente bonito e, por ter menos de 120 minutos, não acaba sendo uma perda de tempo, mas é esquecível.
F1: O Filme
3.7 441 Assista AgoraUm ótimo exemplo de um filme que, mesmo tendo sua principal função arrecadar milhões com patrocínios, marcas e incentivar a circulação de dinheiro do próprio esporte, se preocupa ainda em criar um produto de qualidade.
Porque é isso, F1 não é só um macacão de F1 na tela, mas também tem uma boa história, simples ao estilo do Cavaleiro Solitário que chega em algum lugar com uma missão, ajuda a todos e vai embora, aliada a uma técnica surpreendente. Mesmo quem não morre de amores por esporte ou não conhece nada acaba ficando fissurado e a montagem aqui é o que realmente faz tudo brilhar, fazendo 2h:35 passar sem perceber.
Talvez não fique para a história do cinema, talvez seja substituído por algum outro filme de esporte em breve, mas realmente é uma obra que merece ser vista como um exemplo de qualidade.
E para nós, brasileiros, dá uma satisfação ver as diversas menções ao Senna como um dos melhores da história.
Zootopia 2
3.7 170 Assista AgoraAcaba sendo bem agradável de assistir principalmente por corrigir a forma pedante como a mensagem moral era repassada no primeiro filme. Se antes atrapalhava o andamento da história e parecia algo quase pedagógico, aqui faz pleno sentido no contexto e, o principal, não trata o espectador como um idiota.
O ponto alto do filme é a compreensão de que Zootopia, por refletir o mundo animal, sempre pode ser expandido, mostrando novos bairros, territórios e tendo uma possibilidade muito maior em fazer piadas com o comportamento animal.
Este último elemento, aliás, é o que torna gritante a compreensão em como o filme foi feito de fato com amor, por pessoas que amam o cinema e a animação, prontas para mostrar um resultado de qualidade visto ter cenas até mesmo com uma duração razoável que são inseridas unicamente para uma piada ou para uma referência cinematográfica (como a feita sobre O Iluminado ou Ratatouille). Em um mundo em que qualquer cena extra é investimento em funcionários, trabalho, softwares e tempo de exibição, se dedicar alguns minutos a mais unicamente para mostrar algo cinematográfico é extremamente louvável nos dias atuais.
Silvio Santos Vem Aí
2.4 44A ideia é muito boa, mas infelizmente acaba sendo atrapalhada pelo roteiro. Mostrar Silvio Santos fazendo um paralelo de sua vida com seus programas é bem interessante, mas querer inserir isso uma outra subtrama com a personagem da Manu Gavassi não deu certo. Sempre que o filme estava engrenando aparecia novamente toda uma trama dela com o namorado que fazia você querer acelerar e voltar para o Silvio. E mesmo com a atuação do Hassum não sendo das melhores ao mostrar o Silvio Santos no palco, causando uma estranheza, é quando ele representa o Silvio nos bastidores que a situação melhora. Vale um destaque à Regiane ALves que realmente rouba a cena como Íris Abravanel.
Se tivessem trabalhado o filme por mais um ano, arrecadado mais recursos para fotografia e roteiro, tido mais tempo para entrosamento dos atores, seria impecável. No final é divertido, mas você vê que é um produto ainda precipitado.