Vale muito pela atuação do Tim Roth porque, enquanto nas cinebiografias normais Van Gogh é retratado unicamente como um gênio mal compreendido (justo, aliás), aqui ele opta por mostrar uma face mais real: o efeito da esquizofrenia em uma pessoa. Então é extremamente realista em, aos poucos, ir mudando a postura do personagem, saindo de seu jeito expansivo para aos poucos ir ficando mais fechado, inclusive com o corpo curvo, por vezes se escondendo como um animal acuado que, mesmo nestas condições, consegue criar uma obra maravilhosa.
Loucura total, mas ainda assim um filme divertido de se assistir porque ele não se leva a sério, adotando mesmo o tom de comédia quando necessário, seja nas atuações, seja na trilha sonora. Seu foco é mais ser uma experiência diferente ao espectador do que contar uma costumeira história de terror que cause medos e sustos. É bem executado nisso, apesar de alguns momentos cansativos. Kung Fu rouba a cena sempre que aparece.
Não tinha a necessidade de um documentário tão longo, até mesmo porque boa parte das locações encontradas e demonstradas aqui sequer foram utilizadas em Nostalgia. No entanto, vale muito pelas conversas e divagações, com recomendações de filmes e diretores. Você percebe que a intenção é mais pretensiosa que a execução, não tendo o documentário tanto conteúdo assim.
Por vezes é preciso atear fogo em tudo para poder recomeçar. Mesmo sendo um filme extremamente complexo, tal qual qualquer obra de Tarkovsky, assisti-lo junto ao documentário Tempo de Viagem auxilia na compreensão. Não da compreensão da história em si, mas em entender que muitas das cenas e dos diálogos não são necessariamente criações para contar a história do protagonista em si, mas para mostrar divagações e questionamentos do próprio diretor à época, ainda que incompatíveis com o mote principal do filme. A nostalgia é apenas resultado da memória, e só há um modo de retornar para lá.
Ainda que sua narrativa seja confusa, principalmente em sua parte inicial, deixando o espectador com dúvida se o que está ocorrendo seria ou não um flashback (questão esta que é resolvido logo depois), ainda assim é um filme agradável de se assistir, com toda a busca pela liberdade, independente de qual forma seja, e suas consequências, desde o tédio, a paz ou a insanidade. Peca um pouco na sua metade final, em que torna a ficar confuso, com a impressão de que o final foi criado de qualquer modo unicamente para encerrar a história mas, ainda assim, vale a pena.
O filme vai te preparando por uma hora completa, momento em que você chega a se perguntar o motivo de continuar assistindo uma história em que nada acontece com seus personagens para, em seguida, mudar completamente o seu ritmo e você passa a a torcer para que nada aconteça com esses mesmos personagens. É feito justamente para apontar a crueldade, a falta de lógica na existência, que coisas ruins acontecem com pessoas boas e não há nada que possamos fazer para mudar isso porque o resultado já aconteceu e foi irreversível. E aqui, ainda que seja extremamente chocante, Lars von Trier ao menos conta de uma forma que você não sinta nojo do filme ou da história, como ele fez em Anticristo, sabendo ao menos dosar a mão.
Confesso que não sei como descrever esse filme porque, apesar de ele ter uma história toda lógica e ser bem racional em suas análises e metáforas, ao final você mais sente ele do que compreende. É como se o sentimento que ele te passar após acompanhar essa história fossem muito maiores do que aquilo que você conseguiria expressar. A agonia de tentar fazer algo e insistir até o limite, mesmo desmotivado e sem inspiração, a utilização de suas experiências mais íntimas, a ponto de ferir involuntariamente a outros em seu redor e ao final perceber que os personagens vão continuar te acompanhando, mesmo que não os utilize, é algo tão abstrato que aqui chega a ser impressionante como ele consegue transformar em algo concreto.
Um dos filmes que mais me deixou desconfortável na vida, e olha que eu já vi muita coisa. Porque o Peckinpah é muito habilidoso em ir incluindo pequenas situações desconfortáveis que todos já passamos ou já vimos alguma vez na vida, seja de alguém sofrendo uma injustiça ou alguém sendo inconveniente, e com isso acaba sendo inevitável que não nos identifiquemos com o protagonista logo nos seus momentos iniciais. Com isso, toda essa escalada de incômodos vai chegando ao final até um ponto insuportável, com o espectador ficando tão transtornado quanto o personagem, realmente achando melhor partir para um tudo ou nada.
Acaba sendo divertida a forma com que ele conta parte do Ramayana. Mesmo sendo confuso por ele simplesmente jogar informações na tela sem explicar porque alguém tem aparência de macaco ou outro tem várias cabeças, ainda assim esse incômodo não chega a atrapalhar a totalidade da história que é mais focada em batalhas e conflitos simples, sendo divertido de assistir quase que um Dragon Ball indiano.
Clichezão total dos blockbusters do início dos anos 2000, com muita tecnologia, muito efeito, muita gente morrendo em sacrifício pelos outros, música subindo nos momentos de emoção e piadas para dar uma empatia maior nos personagens. O interessante é que, mesmo sendo um filme longo, ele acaba sendo mal trabalhado considerando a quantidade de personagens e atores de qualidade na sua produção, não tendo tempo suficiente para nenhum deles ter seu momento de brilhar. É como se o filme fosse criando uma expectativa que nunca se cumpre e, com isso, acaba ficando vazio.
Tem um roteiro muito forte de ficção científica dos quadrinhos que até poderia funcionar nessa mídia mas que, no cinema, acabou parecendo bem piegas. No final de tudo acaba sendo cansativo, principalmente por você não dar credibilidade nenhuma à história e querer que tudo acabe o mais rápido possível, já que nem se importa mais com os personagens.
Revendo agora após 13 anos não sei dizer porque não gostei do filme da vez anterior. Sei que estava maratonando as obras para o Oscar daquele ano, e sei que o calor estava insuportável, mas de memória não consigo me lembrar de nenhum motivo para ter dado uma nota baixa. Agora, revendo, não sei se o cinema atual ficou muito ruim ou se minha percepção melhorou com o tempo, mas achei um filme maravilhoso, com ritmo e uma agonia crescente que vai acompanhando o espectador até o final. Claro que por diversos momentos você fica com raiva da protagonista pensando "Como levaram pro espaço uma pessoa sem treinamento?", mas tudo bem, é pelo bom andamento do roteiro.
Não conseguiu me agradar muito essa imagem do Predador amigo da galera. Não que seja um filme ruim, ao contrário, ele é bem agradável, mas para quem acompanha a saga do personagem, e justamente depois de ter vindo de um filme excelente, A Caçada, este aqui acaba tendo uma impressão de que se tratava de uma história de aventura que já existia e acabaram reformulando o roteiro para se encaixar na franquia. Ele deixa de ser uma nova ótica sobre o personagem para se tornar algo sem nexo, como um ponto fora da curva que pode ou não ser utilizado como algo canônico, dependendo do recebimento pelo público. Apesar disso, a personagem da androide é bem interessante, bem como toda a ambientação do planeta.
O problema do filme é sua hora inicial. A graça de Speed Racer, tanto aqui quanto na série original, são as corridas e os movimentos mirabolantes dos carros, tendo que o espectador aguardar muito em uma trama com personagens desinteressantes que servem unicamente para criar uma justificativa para as corridas (justificativa esta até mesmo desnecessária, já que o filme não tem nenhuma intenção de ser cerebral, mas sim apenas entretenimento). É quando a história passa a focar somente nas corridas que tudo melhora e fica realmente interessante.
Mesmo não sendo um grande filme ainda assim acabei gostando muito. Primeiro pela trilha do Nine Inch Nails, que realmente está muito boa. E em segundo porque ele traz de volta aquele estilo de filmes Disney dos anos 90/2000 em buscar contar uma história de aventura sem grandes pretensões. Mesmo com grandes investimentos, principalmente na parte dos efeitos, que estão excelentes, ele é basicamente um daqueles velhos filmes feitos para toda a família, e acaba sendo gostoso de assistir justamente por isso. Além do mais, pelo próprio estilo dos efeitos você consegue ver que claramente ele foi feito como uma obra para ser vista no cinema, com diversas coisas voando para a tela, desde lasers até cacos de vidro, perdendo toda essa magia ao ver pela televisão.
Revendo pela terceira vez após ler o livro, acabei gostando mais de Blade Runner. Enquanto da primeira vez eu havia odiado, achando um filme extremamente cansativo, e da segunda vez havia somente achado interessante, agora realmente consegui achar uma excelente obra, mesmo com todos os defeitos de alguns diálogos dublados para a versão definitiva do diretor. Enquanto o livro acaba sendo uma obra sobre a tecnologia e sobre a vida, o filme acaba subvertendo e sendo uma obra sobre o mal da tecnologia e a finitude desta mesma vida, com uma luta contínua pela sobrevivência e replicantes que, ao morrer, ou mostram como é triste a perda, ou mostram a revolta de ver a vida saindo de si. A trilha sonora, que eu mal havia prestado atenção nas oportunidades anteriores, desta vez me conquistou.
Delicioso de assistir porque toma uma boa decisão sobre como Toy Story deve ser daqui por diante. Considerando que temos uma trilogia perfeita, com começo, meio e fim, o quarto filme, mesmo sendo bom, acabou deixando todo mundo com um gosto amargo na boca por querer criar um novo final. Todo mundo, por mais que tenha amado a obra, saiu um pouco decepcionado e com o mesmo pensamento: não precisava criar um novo final, já tínhamos um e era perfeito.
E aqui basicamente a franquia assume o erro. Ela não quer criar um novo final, ela quer focar nos outros personagens, focar em suas características e contar uma história com eles. É quase como um spin off e, com um estilo bem despretensioso, longe de querer ser uma obra prima ou revolucionar o cinema (apesar de ter algumas cenas que você vê que foram criadas para alcançarem o mesmo nível de um Woody e Buzz voando no primeiro filme ou os brinquedos no compactador de lixo do terceiro. Ele quer somente te divertir e mostrar aqueles brinquedos em um mundo que, infelizmente, não lhes pertence mais, quase como se fosse um exercício criativo para responder "O que os brinquedos estariam fazendo em 2026?".
Poderia ficando vendo por horas de Bala do Alvo fazendo suas coisas de cavalo, ou toda a trama dos Buzz abandonados (um reaproveitamento de uma ideia abandonada para Toy Story 3).
É um bom filme que tinha potencial para ser bem melhor. Ainda que seja uma adaptação direta das obras dos anos 30, Flash Gordon acaba pecando pelo excesso. É divertido e visualmente bonita a construção de seus personagens de outro mundo, seu vilão é maravilhoso e Klytus rouba a cena, sendo até mesmo mais interessante do que Ming. No entanto, ao querer abordar toda a ambientação do personagem, acaba ficando extenso demais, podendo ser cortada sem prejuízo os segmentos no planeta do Príncipe e dos Homens Águia. A trilha do Queen, que confesso que me dava medo na infância, realmente faz o filme melhorar muito de nível, com direito a Brian May tocando uma ótima marcha nupcial.
Ele é o retrato de sua época, e isso não é necessariamente algo positivo. Barbarella tem todas as características do final dos anos 60, com uma liberdade sexual maior, protagonismo feminino e um olhar para o futuro. No entanto, ele foca tanto nesse aspecto simbólico que se esquece de um ponto importante: a atemporalidade necessária para que, 60 anos depois, pudéssemos continuar aproveitando o filme. Ao focar tanto em seu um produto/representação do seu tempo, o filme acaba ficando datado, com piadas que não funcionam uma trama que não nos atrai e aquele aspecto de filme B de baixa qualidade, quase a um estilo soft porn. Vale muito pela Jane Fonda, que realmente segura as pontas no filme, mas é sofrível de assistir atualmente.
O que acaba prejudicando ao filme é a fama criada ao redor dele. Em qualquer livro de cinema ou matéria sobre os bastidores de Apocalypse Now é possível ver os comentários sobre como a produção foi caótica, como Coppola quase chegou na insanidade, como o filme mal chegou a acontecer, etc.
No entanto, apesar de todas essas afirmações serem reais, assistindo você percebe que a produção não teve nada além do esperado para suas próprias condições, ou seja, quando se buscava gravar um filme em um local remoto, com idioma diferente e durante uma guerra civil. Sim, teve caos, teve gastos, adiamentos, viagens infinitas, mas nada além daquilo que seria esperado para uma obra desse porte (e que, aliás, também acontece com inúmeras outras produções). Com isso, por conta dessa expectativa criada pelos livros, assistimos o filme todo esperando quando a insanidade real começará a acontecer, e ela nunca vem, dando até uma pontada de decepção ao final.
É maravilhoso ao mostrar os bastidores de como um filme é feito, mas a expectativa e a imagem criada ao redor dele acabaram prejudicando.
Quando O Bebê de Rosemary encontra a Operação Cavalo de Troia (esse só quem leu a saga toda para entender). Me surpreendeu positivamente, apesar de ser incômodo o grande número de jump scares, ele tem uma história interessante o suficiente para nos fazer ficar até o final e entender todo aquele universo e o que vai acontecer com cada um dos personagens. Claro que poderia ser um pouco melhor, principalmente se o filme se esforçasse para que acreditássemos desde o início na teoria do convento ou, ao menos, que o considerássemos algo acolhedor, subvertendo essa figura na sua metade final. Pelo fato de o filme mostrar tudo já sob uma ótica bizarra ficamos o tempo todo desacreditando de cada um dos personagens, somente esperando o momento em que irão se revelar.
Faço parte do seleto grupo de pessoas que considera que Star Wars nunca teve um filme ruim. De verdade. Considerando que a saga aborda um universo praticamente infinito, com diversos planetas, raças e personagens, o que eu gosto de ver é como esses personagens vivem e fazem suas coisas, mesmo que não tenha um grande conflito político, uma guerra ou algo assim. E Mandalorian e Grogu tem bem este aspecto em que não está focado na grande trama principal da saga Skywalker, bem como não está fazendo nada para ajudá-la, como em Rogue One, mas sim tendo um universo próprio, separado, com pequenas missões que se interligam até o desfecho final. Acabou sendo uma das coisas mais agradáveis ver Grogu fazendo suas coisinhas em um cenário bem ao estilo Muppets e, por mim, ficaria extensas horas somente acompanhando ele e seus amigos em miniatura. É um filme para se divertir, como Star Wars foi pensado desde o início.
Sendo um fã da música dos anos 60/70, acaba sendo inevitável para mim me unir ao grande grupo dos tiozões que costuma dizer que não existe mais artista bom hoje em dia. Mas, por sorte, volta e meia temos uma Billie Eilish que acaba sendo uma exceção, uma artista que está preocupada em cantar sua verdade, escrever as próprias músicas sem delegar a função a terceiros, produzir seu disco no quarto com seu irmão e se preocupar com os mínimos detalhes do show. Tanto que por isso acabei enfrentando um longo festival, cheio de bandas que nunca ouvira falar (e algumas que até me arrependi de ter conhecido) unicamente para vê-la. E aqui toda esse energia de mostrar um show de vários pontos de vista (do público, da equipe embaixo do palco, dos músicos de apoio e da própria artista), é algo fascinante, realmente fazendo o máximo para que todos possam ter acesso ao que é uma tour sua. Confesso que por diversas vezes até quis que o pessoal não cantasse tanto para que eu conseguisse focar mais nesses detalhes que, no 3D, apareceram de forma realista e impecável. Ponto negativo: Os momentos de entrevista acabaram tendo perguntas muito rasas, talvez pela pressa com que tudo foi gravado. Para o fã, muitas das respostas já eram conhecidas.
P.S.: Quando saí do cinema só pensei "Realmente era impossível fazer esse show no Brasil"
Eu gostei muito de Michael, mas entendo completamente quem não gostou. Isso porque Michael, desde o início, era para ser um filme de 4 horas de duração, algo que infelizmente não se sustenta mais para o público atual, tanto que nas exibições teste o filme foi criticado por ser longo. Assim, a fim de se tornar mais ágil e simples, acaba não só sendo cortado em duas partes, como também suas cenas são focadas quase como em um grande videoclipe. Por eu já conhecer a história do artista, bem como esse bastidor, de fato não me incomodou em nada. Me diverti, tive uma excelente sessão em que o som estava no máximo para que o público realmente tivesse a impressão de estar em um show. Mas, sem essas informações prévias, provavelmente sairia com a sensação de "Acabou assim?", porque é inegável que a história vem sendo conduzida e do nada recebe um corte seco, quase como um anticlímax. O único ponto que de fato considerei negativo foi o excesso de CGI na composição do rosto do ator, com algumas cenas perdendo o sentido quando, a cada movimento, ele aparece com um rosto ligeiramente diferente. Fora isso, um bom filme.
Van Gogh: Vida e Obra de um Gênio
3.6 21Vale muito pela atuação do Tim Roth porque, enquanto nas cinebiografias normais Van Gogh é retratado unicamente como um gênio mal compreendido (justo, aliás), aqui ele opta por mostrar uma face mais real: o efeito da esquizofrenia em uma pessoa. Então é extremamente realista em, aos poucos, ir mudando a postura do personagem, saindo de seu jeito expansivo para aos poucos ir ficando mais fechado, inclusive com o corpo curvo, por vezes se escondendo como um animal acuado que, mesmo nestas condições, consegue criar uma obra maravilhosa.
Hausu
3.7 259Loucura total, mas ainda assim um filme divertido de se assistir porque ele não se leva a sério, adotando mesmo o tom de comédia quando necessário, seja nas atuações, seja na trilha sonora. Seu foco é mais ser uma experiência diferente ao espectador do que contar uma costumeira história de terror que cause medos e sustos. É bem executado nisso, apesar de alguns momentos cansativos. Kung Fu rouba a cena sempre que aparece.
Tempo de Viagem
4.1 25Não tinha a necessidade de um documentário tão longo, até mesmo porque boa parte das locações encontradas e demonstradas aqui sequer foram utilizadas em Nostalgia. No entanto, vale muito pelas conversas e divagações, com recomendações de filmes e diretores. Você percebe que a intenção é mais pretensiosa que a execução, não tendo o documentário tanto conteúdo assim.
Nostalgia
4.3 194 Assista AgoraPor vezes é preciso atear fogo em tudo para poder recomeçar.
Mesmo sendo um filme extremamente complexo, tal qual qualquer obra de Tarkovsky, assisti-lo junto ao documentário Tempo de Viagem auxilia na compreensão. Não da compreensão da história em si, mas em entender que muitas das cenas e dos diálogos não são necessariamente criações para contar a história do protagonista em si, mas para mostrar divagações e questionamentos do próprio diretor à época, ainda que incompatíveis com o mote principal do filme.
A nostalgia é apenas resultado da memória, e só há um modo de retornar para lá.
O Demônio das Onze Horas
4.1 440 Assista AgoraAinda que sua narrativa seja confusa, principalmente em sua parte inicial, deixando o espectador com dúvida se o que está ocorrendo seria ou não um flashback (questão esta que é resolvido logo depois), ainda assim é um filme agradável de se assistir, com toda a busca pela liberdade, independente de qual forma seja, e suas consequências, desde o tédio, a paz ou a insanidade. Peca um pouco na sua metade final, em que torna a ficar confuso, com a impressão de que o final foi criado de qualquer modo unicamente para encerrar a história mas, ainda assim, vale a pena.
Dançando no Escuro
4.4 2,3K Assista AgoraO filme vai te preparando por uma hora completa, momento em que você chega a se perguntar o motivo de continuar assistindo uma história em que nada acontece com seus personagens para, em seguida, mudar completamente o seu ritmo e você passa a a torcer para que nada aconteça com esses mesmos personagens. É feito justamente para apontar a crueldade, a falta de lógica na existência, que coisas ruins acontecem com pessoas boas e não há nada que possamos fazer para mudar isso porque o resultado já aconteceu e foi irreversível. E aqui, ainda que seja extremamente chocante, Lars von Trier ao menos conta de uma forma que você não sinta nojo do filme ou da história, como ele fez em Anticristo, sabendo ao menos dosar a mão.
8½
4.3 416Confesso que não sei como descrever esse filme porque, apesar de ele ter uma história toda lógica e ser bem racional em suas análises e metáforas, ao final você mais sente ele do que compreende. É como se o sentimento que ele te passar após acompanhar essa história fossem muito maiores do que aquilo que você conseguiria expressar. A agonia de tentar fazer algo e insistir até o limite, mesmo desmotivado e sem inspiração, a utilização de suas experiências mais íntimas, a ponto de ferir involuntariamente a outros em seu redor e ao final perceber que os personagens vão continuar te acompanhando, mesmo que não os utilize, é algo tão abstrato que aqui chega a ser impressionante como ele consegue transformar em algo concreto.
Sob o Domínio do Medo
3.8 284Um dos filmes que mais me deixou desconfortável na vida, e olha que eu já vi muita coisa. Porque o Peckinpah é muito habilidoso em ir incluindo pequenas situações desconfortáveis que todos já passamos ou já vimos alguma vez na vida, seja de alguém sofrendo uma injustiça ou alguém sendo inconveniente, e com isso acaba sendo inevitável que não nos identifiquemos com o protagonista logo nos seus momentos iniciais. Com isso, toda essa escalada de incômodos vai chegando ao final até um ponto insuportável, com o espectador ficando tão transtornado quanto o personagem, realmente achando melhor partir para um tudo ou nada.
O príncipe justiceiro
3.0 5Acaba sendo divertida a forma com que ele conta parte do Ramayana. Mesmo sendo confuso por ele simplesmente jogar informações na tela sem explicar porque alguém tem aparência de macaco ou outro tem várias cabeças, ainda assim esse incômodo não chega a atrapalhar a totalidade da história que é mais focada em batalhas e conflitos simples, sendo divertido de assistir quase que um Dragon Ball indiano.
Armageddon
3.5 1,1KClichezão total dos blockbusters do início dos anos 2000, com muita tecnologia, muito efeito, muita gente morrendo em sacrifício pelos outros, música subindo nos momentos de emoção e piadas para dar uma empatia maior nos personagens. O interessante é que, mesmo sendo um filme longo, ele acaba sendo mal trabalhado considerando a quantidade de personagens e atores de qualidade na sua produção, não tendo tempo suficiente para nenhum deles ter seu momento de brilhar. É como se o filme fosse criando uma expectativa que nunca se cumpre e, com isso, acaba ficando vazio.
De Volta ao Planeta dos Macacos
3.2 234 Assista AgoraTem um roteiro muito forte de ficção científica dos quadrinhos que até poderia funcionar nessa mídia mas que, no cinema, acabou parecendo bem piegas. No final de tudo acaba sendo cansativo, principalmente por você não dar credibilidade nenhuma à história e querer que tudo acabe o mais rápido possível, já que nem se importa mais com os personagens.
Gravidade
3.9 5,0K Assista AgoraRevendo agora após 13 anos não sei dizer porque não gostei do filme da vez anterior. Sei que estava maratonando as obras para o Oscar daquele ano, e sei que o calor estava insuportável, mas de memória não consigo me lembrar de nenhum motivo para ter dado uma nota baixa.
Agora, revendo, não sei se o cinema atual ficou muito ruim ou se minha percepção melhorou com o tempo, mas achei um filme maravilhoso, com ritmo e uma agonia crescente que vai acompanhando o espectador até o final. Claro que por diversos momentos você fica com raiva da protagonista pensando "Como levaram pro espaço uma pessoa sem treinamento?", mas tudo bem, é pelo bom andamento do roteiro.
Predador: Terras Selvagens
3.5 318 Assista AgoraNão conseguiu me agradar muito essa imagem do Predador amigo da galera. Não que seja um filme ruim, ao contrário, ele é bem agradável, mas para quem acompanha a saga do personagem, e justamente depois de ter vindo de um filme excelente, A Caçada, este aqui acaba tendo uma impressão de que se tratava de uma história de aventura que já existia e acabaram reformulando o roteiro para se encaixar na franquia.
Ele deixa de ser uma nova ótica sobre o personagem para se tornar algo sem nexo, como um ponto fora da curva que pode ou não ser utilizado como algo canônico, dependendo do recebimento pelo público.
Apesar disso, a personagem da androide é bem interessante, bem como toda a ambientação do planeta.
Speed Racer
2.8 427 Assista AgoraO problema do filme é sua hora inicial. A graça de Speed Racer, tanto aqui quanto na série original, são as corridas e os movimentos mirabolantes dos carros, tendo que o espectador aguardar muito em uma trama com personagens desinteressantes que servem unicamente para criar uma justificativa para as corridas (justificativa esta até mesmo desnecessária, já que o filme não tem nenhuma intenção de ser cerebral, mas sim apenas entretenimento). É quando a história passa a focar somente nas corridas que tudo melhora e fica realmente interessante.
P.S.: O macaco é o melhor personagem.
Tron: Ares
2.8 160 Assista AgoraMesmo não sendo um grande filme ainda assim acabei gostando muito. Primeiro pela trilha do Nine Inch Nails, que realmente está muito boa. E em segundo porque ele traz de volta aquele estilo de filmes Disney dos anos 90/2000 em buscar contar uma história de aventura sem grandes pretensões. Mesmo com grandes investimentos, principalmente na parte dos efeitos, que estão excelentes, ele é basicamente um daqueles velhos filmes feitos para toda a família, e acaba sendo gostoso de assistir justamente por isso.
Além do mais, pelo próprio estilo dos efeitos você consegue ver que claramente ele foi feito como uma obra para ser vista no cinema, com diversas coisas voando para a tela, desde lasers até cacos de vidro, perdendo toda essa magia ao ver pela televisão.
Blade Runner: O Caçador de Andróides
4.1 1,7K Assista AgoraRevendo pela terceira vez após ler o livro, acabei gostando mais de Blade Runner. Enquanto da primeira vez eu havia odiado, achando um filme extremamente cansativo, e da segunda vez havia somente achado interessante, agora realmente consegui achar uma excelente obra, mesmo com todos os defeitos de alguns diálogos dublados para a versão definitiva do diretor.
Enquanto o livro acaba sendo uma obra sobre a tecnologia e sobre a vida, o filme acaba subvertendo e sendo uma obra sobre o mal da tecnologia e a finitude desta mesma vida, com uma luta contínua pela sobrevivência e replicantes que, ao morrer, ou mostram como é triste a perda, ou mostram a revolta de ver a vida saindo de si.
A trilha sonora, que eu mal havia prestado atenção nas oportunidades anteriores, desta vez me conquistou.
Toy Story 5
3.9 185Delicioso de assistir porque toma uma boa decisão sobre como Toy Story deve ser daqui por diante. Considerando que temos uma trilogia perfeita, com começo, meio e fim, o quarto filme, mesmo sendo bom, acabou deixando todo mundo com um gosto amargo na boca por querer criar um novo final. Todo mundo, por mais que tenha amado a obra, saiu um pouco decepcionado e com o mesmo pensamento: não precisava criar um novo final, já tínhamos um e era perfeito.
E aqui basicamente a franquia assume o erro. Ela não quer criar um novo final, ela quer focar nos outros personagens, focar em suas características e contar uma história com eles. É quase como um spin off e, com um estilo bem despretensioso, longe de querer ser uma obra prima ou revolucionar o cinema (apesar de ter algumas cenas que você vê que foram criadas para alcançarem o mesmo nível de um Woody e Buzz voando no primeiro filme ou os brinquedos no compactador de lixo do terceiro. Ele quer somente te divertir e mostrar aqueles brinquedos em um mundo que, infelizmente, não lhes pertence mais, quase como se fosse um exercício criativo para responder "O que os brinquedos estariam fazendo em 2026?".
Poderia ficando vendo por horas de Bala do Alvo fazendo suas coisas de cavalo, ou toda a trama dos Buzz abandonados (um reaproveitamento de uma ideia abandonada para Toy Story 3).
Flash Gordon
3.0 145 Assista AgoraÉ um bom filme que tinha potencial para ser bem melhor. Ainda que seja uma adaptação direta das obras dos anos 30, Flash Gordon acaba pecando pelo excesso. É divertido e visualmente bonita a construção de seus personagens de outro mundo, seu vilão é maravilhoso e Klytus rouba a cena, sendo até mesmo mais interessante do que Ming. No entanto, ao querer abordar toda a ambientação do personagem, acaba ficando extenso demais, podendo ser cortada sem prejuízo os segmentos no planeta do Príncipe e dos Homens Águia.
A trilha do Queen, que confesso que me dava medo na infância, realmente faz o filme melhorar muito de nível, com direito a Brian May tocando uma ótima marcha nupcial.
Barbarella
3.2 281Ele é o retrato de sua época, e isso não é necessariamente algo positivo. Barbarella tem todas as características do final dos anos 60, com uma liberdade sexual maior, protagonismo feminino e um olhar para o futuro. No entanto, ele foca tanto nesse aspecto simbólico que se esquece de um ponto importante: a atemporalidade necessária para que, 60 anos depois, pudéssemos continuar aproveitando o filme.
Ao focar tanto em seu um produto/representação do seu tempo, o filme acaba ficando datado, com piadas que não funcionam uma trama que não nos atrai e aquele aspecto de filme B de baixa qualidade, quase a um estilo soft porn.
Vale muito pela Jane Fonda, que realmente segura as pontas no filme, mas é sofrível de assistir atualmente.
Francis Ford Coppola - O Apocalipse de um Cineasta
4.3 89O que acaba prejudicando ao filme é a fama criada ao redor dele. Em qualquer livro de cinema ou matéria sobre os bastidores de Apocalypse Now é possível ver os comentários sobre como a produção foi caótica, como Coppola quase chegou na insanidade, como o filme mal chegou a acontecer, etc.
No entanto, apesar de todas essas afirmações serem reais, assistindo você percebe que a produção não teve nada além do esperado para suas próprias condições, ou seja, quando se buscava gravar um filme em um local remoto, com idioma diferente e durante uma guerra civil. Sim, teve caos, teve gastos, adiamentos, viagens infinitas, mas nada além daquilo que seria esperado para uma obra desse porte (e que, aliás, também acontece com inúmeras outras produções). Com isso, por conta dessa expectativa criada pelos livros, assistimos o filme todo esperando quando a insanidade real começará a acontecer, e ela nunca vem, dando até uma pontada de decepção ao final.
É maravilhoso ao mostrar os bastidores de como um filme é feito, mas a expectativa e a imagem criada ao redor dele acabaram prejudicando.
Imaculada
3.0 535 Assista AgoraQuando O Bebê de Rosemary encontra a Operação Cavalo de Troia (esse só quem leu a saga toda para entender).
Me surpreendeu positivamente, apesar de ser incômodo o grande número de jump scares, ele tem uma história interessante o suficiente para nos fazer ficar até o final e entender todo aquele universo e o que vai acontecer com cada um dos personagens.
Claro que poderia ser um pouco melhor, principalmente se o filme se esforçasse para que acreditássemos desde o início na teoria do convento ou, ao menos, que o considerássemos algo acolhedor, subvertendo essa figura na sua metade final. Pelo fato de o filme mostrar tudo já sob uma ótica bizarra ficamos o tempo todo desacreditando de cada um dos personagens, somente esperando o momento em que irão se revelar.
Star Wars: O Mandaloriano e Grogu
3.5 85 Assista AgoraFaço parte do seleto grupo de pessoas que considera que Star Wars nunca teve um filme ruim. De verdade. Considerando que a saga aborda um universo praticamente infinito, com diversos planetas, raças e personagens, o que eu gosto de ver é como esses personagens vivem e fazem suas coisas, mesmo que não tenha um grande conflito político, uma guerra ou algo assim.
E Mandalorian e Grogu tem bem este aspecto em que não está focado na grande trama principal da saga Skywalker, bem como não está fazendo nada para ajudá-la, como em Rogue One, mas sim tendo um universo próprio, separado, com pequenas missões que se interligam até o desfecho final. Acabou sendo uma das coisas mais agradáveis ver Grogu fazendo suas coisinhas em um cenário bem ao estilo Muppets e, por mim, ficaria extensas horas somente acompanhando ele e seus amigos em miniatura.
É um filme para se divertir, como Star Wars foi pensado desde o início.
Billie Eilish - Hit Me Hard and Soft: The Tour …
4.0 4Sendo um fã da música dos anos 60/70, acaba sendo inevitável para mim me unir ao grande grupo dos tiozões que costuma dizer que não existe mais artista bom hoje em dia. Mas, por sorte, volta e meia temos uma Billie Eilish que acaba sendo uma exceção, uma artista que está preocupada em cantar sua verdade, escrever as próprias músicas sem delegar a função a terceiros, produzir seu disco no quarto com seu irmão e se preocupar com os mínimos detalhes do show. Tanto que por isso acabei enfrentando um longo festival, cheio de bandas que nunca ouvira falar (e algumas que até me arrependi de ter conhecido) unicamente para vê-la.
E aqui toda esse energia de mostrar um show de vários pontos de vista (do público, da equipe embaixo do palco, dos músicos de apoio e da própria artista), é algo fascinante, realmente fazendo o máximo para que todos possam ter acesso ao que é uma tour sua. Confesso que por diversas vezes até quis que o pessoal não cantasse tanto para que eu conseguisse focar mais nesses detalhes que, no 3D, apareceram de forma realista e impecável.
Ponto negativo: Os momentos de entrevista acabaram tendo perguntas muito rasas, talvez pela pressa com que tudo foi gravado. Para o fã, muitas das respostas já eram conhecidas.
P.S.: Quando saí do cinema só pensei "Realmente era impossível fazer esse show no Brasil"
Michael
3.7 534 Assista AgoraEu gostei muito de Michael, mas entendo completamente quem não gostou. Isso porque Michael, desde o início, era para ser um filme de 4 horas de duração, algo que infelizmente não se sustenta mais para o público atual, tanto que nas exibições teste o filme foi criticado por ser longo. Assim, a fim de se tornar mais ágil e simples, acaba não só sendo cortado em duas partes, como também suas cenas são focadas quase como em um grande videoclipe.
Por eu já conhecer a história do artista, bem como esse bastidor, de fato não me incomodou em nada. Me diverti, tive uma excelente sessão em que o som estava no máximo para que o público realmente tivesse a impressão de estar em um show. Mas, sem essas informações prévias, provavelmente sairia com a sensação de "Acabou assim?", porque é inegável que a história vem sendo conduzida e do nada recebe um corte seco, quase como um anticlímax.
O único ponto que de fato considerei negativo foi o excesso de CGI na composição do rosto do ator, com algumas cenas perdendo o sentido quando, a cada movimento, ele aparece com um rosto ligeiramente diferente. Fora isso, um bom filme.