Uma produção fílmica "de curta duração", mas com elementos em seu enredo complexos e conflitantes (principalmente, nas relações sociais e interações - íntimas e pessoais - dos tempos atuais). O casal de "locatários" temporários, a meu ver: "espaçosos" (levando a crise de seu "consórcio" para a residência do solitário "locador"... e ainda ingerindo álcool de forma desmedida... além de convidar uma antiga colega de estudos, pouco urbana e indelicada... enfim, um pesadelo!), problemáticos e (já de época pretérita) emocionalmente desgastados (insistindo em uma relação decadente e tóxica). Confesso que o tom intimista e claustrofóbico da proposta me agradou: "...será que o personagem Adam vai 'enlouquecer', como o personagem de Roman Polansky (em O Inquilino, de 1976)?!... e mesmo avançar febrilmente em face aos seus inconvenientes 'hóspedes'?...". Mas o que consegui perceber foi, indubitavelmente, um apelo dramático em favor da abordagem das disfuncionais relações contemporâneas... do cada vez maior isolamento urbano... da solidão das pessoas no presente século (individual ou mesmo "compartilhada", como exemplo do problemático casal)... e até mesmo os desinteressantes empregos disponíveis (que provocam um desestimulante "hiato histórico" nas ofertas de trabalho às novas gerações)! Enfim, um filme relativamente simples - mas profundamente provocador (se posteriormente debatido). Em tempo: fico na torcida para que a personagem Tessa "dê uma chance" para o introvertido Adam - ou, ao menos, abandone seu incômodo atual parceiro (e que a personagem Lizzy "desencane" definitivamente do passado... e se "reinvente", ao menos romanticamente!). Assistido em: 12 de janeiro de 2026, segunda-feira.
Paisagens invernais sempre me atraíram - e, no sempre exacerbado e escaldante verão de minha cidade (!), confesso sentir certa "inveja" daqueles que habitam regiões mais frias! Dito isso, a competente produção fílmica (em que se configura 'Winter in Sokcho') entrega à sua audiência bem mais que um "prazeroso" ambiente frio e acolhedor. A complexidade dos três personagens principais (o "turista" francês, a bela jovem e sua sempre protetora progenitora), entre traumas, verdades escondidas, voluntária solidão e uma "estranha" ausência de ambição na mocidade... conquistou-me durante toda a execução da obra. Além disso, a singeleza das interações me faz imaginar que, ao menos em parte da Ásia, a dinâmica existencial ainda não foi - plena ou majotitariamente - "ceifada" pela celeridade e desconexão impessoal (tão presente nas relações contemporâneas do Ocidente). Se não é uma proposta de dinâmica ágil e repleta de eventos, entretanto esse sensível filme do realizador Koya Kamura nos favorece - ao ofertar uma trama ficcional que mergulha, principalmente, nas consequências dos impactos que eventos e escolhas passadas produzem na vida presente dos indivíduos. Vale conferir!
Em tempo, sublinho que desconfiei que o personagem do ator Roschdy Zem fosse o "perdido" pai da jovem e belíssima Soo-Ha (o que não se mostrou real na trama); ademais, vibrei com o exemplar comportamento e cavalheirismo do visitante francês - que, mesmo diante de uma jovem beleza feminil, não se permitiu oportunizar da fragilidade da moça em favor de qualquer mundano e passageiro intento genésico. Extraordinário e invejável comportamento!
Apreciei deveras esta excelente produção cinematográfica (da talentosa Kurdwin Ayub): suspense, "choques culturais", a independência feminina (no mundo ocidental), as tristes "amarras" opressoras em muitas das regiões onde a sociedade muçulmana se estabeleceu... entre outros temas importantes. Nesta produção fílmica, nos sensibiliza a existência limitada, vigiada e submissa que o grupo de irmãs vivencia, rotineiramente. A entrada da personagem Sarah (que, a princípio, parece externar uma certa repulsa pelos hábitos "mimados" de comportamento das jovens herdeiras muçulmanas), no final nos cria certa "esperança" - em ser a treinadora, uma espécie de "salvadora" em favor de suas alunas. Tragicamente, somos testemunhas de que o "ambiente" geográfico, o "meio" cultural e a exacerbada estrutura econômica que cerca as jovens vítimas (das mais censuráveis violências, tanto físicas como também psicológicas) se sobrepõem desfavorecendo qualquer oportunidade de "libertação" - justa e necessária. Sobre o final da produção - "em aberto", portanto indefinido - prefiro acreditar que a treinadora retornou ao país islâmico para dar continuidade às "aulas" (e, de certa forma, tentar ser um elemento externo àquele vil comportamento, com o intuito de "proteger" o grupo de irmãs - da melhor forma humanamente possível!). É óbvio que todos os espectadores desejavam um salvamento heroico, mas a cineasta Ayub inclina-se ao realismo da situação proposta: uma família economicamente poderosa (e, talvez, até mesmo com associação criminosa no país muçulmano), um contrato de confidencialidade assinado, além das diversas limitações da personagem Sarah... o que, evidentemente, afasta qualquer alternativa excepcional de radical auxílio às pobres "reféns" (onde uma delas, inclusive, aposta mais em um arranjo matrimonial futuro - burocrático e sem afeto - do que nutrir esperanças por qualquer outro mirabolante "elemento salvador"). Uma realidade triste, mas ainda assim sentida por inúmeros vulneráveis dispersos pelo mundo. Enfim, um filme maduro, visceral e eficientemente realista! Indico a audiência desta ímpar produção fílmica. Assistido em: 04 de janeiro de 2026, domingo.
Uma competente proposta fílmica do cineasta espanhol Rodrigo Sorogoyen. Sobre a estória (enredo ficcional), fica a reflexão: "... não existem guerreiros destemidos no mundo real...". Por mais lamentável (e injusto) que se configure, por vezes devemos desistir de algumas "metas" ou "planos" desejados (em favor, mesmo, de elementos e circunstâncias essenciais à nossa trajetória: segurança, paz, tranquilidade...). Ademais, problemas com vizinhos (e circunvizinhos) são sempre um 'infernal' e desgastante aborrecimento. A Galícia (região do noroeste espanhol, onde se retrata geograficamente o filme), talvez por ser uma comunidade autônoma tenha exacerbados sentimentos (em sua população menos escolarizada e instruída, principalmente) de antagonismo em relação aos estrangeiros - ainda mais se os mesmos decidem residir na região (e são prósperos e, inegavelmente, bem letrados!). Tragicamente, em um cenário cada vez mais desigual no mundo, disparidades e diferenças (neste caso, potencializados pela inserção de estrangeiros hipersuficientes em um ambiente social de escassez de recursos, no tocante à população nativa) quase sempre provocam sérios conflitos na habitual convivência - ainda mais se existem interesses financeiros, de natureza indenizatória, de certa forma obliterados pela parte mais "abastada". Considerei, após assistir atentamente à produção, de que a "lição" (em reformarmos planos, quando gravemente necessário) é válida - essencialmente, nos atuais tempos viscerais, onde restrições econômicas e a convivência de realidades domésticas com perspectivas tão distintas podem ser um indesejado "convite", ou mesmo "combustível", em favor de criminosas ações. E também, sinceramente, me sensibilizei com o zelo, a dedicação, a lealdade e o inabalável sentimento de compromisso matrimonial da protagonista! Enfim, uma produção merecedora de boas críticas - e o aplicado olhar do público. Assistido em: 03 de janeiro de 2026, sábado.
Excelente filme (!), e que trata de um "desconcertante" tema clássico: o conflito perpétuo entre 'afinidade' e 'conveniência'. Estar inserido em uma estrutura comunitária enraizada em regras conservadoras, impermeáveis ao mundanismo relativista que abala princípios e tradicionais costumes (...) é uma forma conveniente e razoável de diminuir os desafios existenciais. Entretanto, a afinidade genésica alimentada pelos intentos mais viscerais da "carne", pode abalar consideravelmente qualquer estrutura construída pelo homem. E é de tal temática, que esta conceitual produção fílmica aborda, levando a audiência em direção a uma obra - de visual e fotografia, principalmente- ímpar! Há também "silêncios acolhedores", além de necessários "hiatos" simbólicos. Enfim, uma produção cinematográfica que se destaca por uma "sofisticada singeleza" (mesmo diante de temas tão difíceis: o governo das paixões mundanas; a infidelidade conjugal - e suas nefastas consequências!; as imprecisas e inseguras "amarras" das convenções sociais... entre outros), levando o dedicado consumidor de cinema a "saborear" uma excepcional "iguaria" produzida pelo competente diretor Carlos Reygadas. Meus sinceros aplausos ao drama germano-mexicano: Luz Silenciosa! Assistido em: 07 de dezembro de 2025, domingo.
Considero que "Depois da Caçada" (do ano de 2025) tenha sido realizado de forma irregular. Explico: é até interessante a abordagem que a obra faz, principalmente sobre as interações - sempre tão sensíveis e meticulosas - entre indivíduos mais abastados e hipersuficientes. Suas extensas horas "recreativas" a analisar, ainda que com pouco propósito prático, as adversidades e conflitos de um mundo (onde, inegavelmente, a inquestionável maioria luta exclusivamente pela diária sobrevivência... e, portanto, sem ter a oportunidade de tratar assuntos mais profundos, infelizmente). Notei "teses" sobre os novos comportamentos de interação social estabelecidos (e aqui, necessariamente, nos ambientes corporativo e acadêmico) entre gêneros distintos; o perpétuo conflito de classes (e sua consequente necessidade de revanche - tanto simbólica, como também mais visceral), entre outros elementos... porém, com pouco êxito (ou mesmo vontade autoral) de se aprofundar ideias. Uma trama dúbia - portanto, rasa e falha - na execução: O evento traumático realmente aconteceu? Quem são os personagens sinceros... e os sicofantas? Enfim, vale rever a atriz Julia Roberts (se esforçando em interpretar personagens conceituais), além da regular atuação técnica do ator Michael Stuhlbarg. Assim sendo, se passa o tempo com um mediano entretenimento fílmico! Assistido em 30 de novembro de 2025, domingo.
Consegui curtir o filme! Não sou um aficionado pela filmografia irregular do ator estadunidense Nicolas Cage (ainda que tenha gostado, razoavelmente, de: Con Air, de 1997; Os Vigaristas, de 2003; e também de Um Homem de Família, de 2000). Todavia, neste título fílmico: O Homem dos Sonhos - do ano de 2023 -, a proposta me "agradou" (com um misto de "entretenimento razoavelmente sofisticado" - bem próximo de uma sessão de Supercine -, somado a uma "pegada" de ambientação mais cult com um enredo "levemente" intrigante e conceitual). Do gosto da audiência francesa, principalmente por obras rejeitadas nos Estados Unidos (a que se faz referência sobre o livro do protagonista, interpretado por Cage), recordei do filme "Dirigindo no Escuro" - de Woody Allen, em 2002. Visto que, exatamente o que não se compreende pelo público estadunidense, quase sempre é bem assimilado pelo "culto consumidor francês". Também adorei a participação de Julianne Nicholson (com sua estonteante, e ímpar, beleza "madura"... já que a admiro desde sua encenação em "Álbum de Família", de 2013!), com sua carga dramática "contida" e bem equilibrada. Enfim, a ideia de tornar-se "público" de maneira misteriosa e "compulsória"; e também do assédio e limitação impostos em face a uma "visibilidade" inesperada serviu para entreter-me - saudável e criativa mente! E é isso aí: vale conferir, ainda que sem uma super expectativa! Assistido em: 27 de novembro de 2025, quinta-feira.
Depois que assisti - em pretérita época! - ao filme: O Profeta (do ano de 2009), tornei-me um entusiasta do cinema francês contemporâneo. Sempre acertando com uma proposta realista daquela complexa sociedade, comumente me encontro "capturado" pelos dramas dessa singular nação europeia. Com a presente obra (Softie, de 2021) não foi diferente: é incrível como famílias disfuncionais, tragicamente, "implodem" uma futura trajetória de êxito dos entes que orbitam sua estrutura e sustentáculo! No enredo ficcional apresentado, além da nociva influência que uma parentela desorganizada provoca no jovem protagonista (e aqui, obviamente, não entrarei em detalhes!); se assiste a toda uma infeliz problemática que, acentuadamente, pode extravasar na vida profissional de dedicados docentes - e os afetando, robusta e consideravelmente! Por fim, mas uma vez mais, a produção cinematográfica francesa se esmerando por tratar de temas tão difíceis de sua tão hedonista, decadente e complexa sociedade. Vale conferir o filme!
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This Closeness
3.5 17 Assista AgoraUma produção fílmica "de curta duração", mas com elementos em seu enredo complexos e conflitantes (principalmente, nas relações sociais e interações - íntimas e pessoais - dos tempos atuais). O casal de "locatários" temporários, a meu ver: "espaçosos" (levando a crise de seu "consórcio" para a residência do solitário "locador"... e ainda ingerindo álcool de forma desmedida... além de convidar uma antiga colega de estudos, pouco urbana e indelicada... enfim, um pesadelo!), problemáticos e (já de época pretérita) emocionalmente desgastados (insistindo em uma relação decadente e tóxica). Confesso que o tom intimista e claustrofóbico da proposta me agradou: "...será que o personagem Adam vai 'enlouquecer', como o personagem de Roman Polansky (em O Inquilino, de 1976)?!... e mesmo avançar febrilmente em face aos seus inconvenientes 'hóspedes'?...". Mas o que consegui perceber foi, indubitavelmente, um apelo dramático em favor da abordagem das disfuncionais relações contemporâneas... do cada vez maior isolamento urbano... da solidão das pessoas no presente século (individual ou mesmo "compartilhada", como exemplo do problemático casal)... e até mesmo os desinteressantes empregos disponíveis (que provocam um desestimulante "hiato histórico" nas ofertas de trabalho às novas gerações)! Enfim, um filme relativamente simples - mas profundamente provocador (se posteriormente debatido). Em tempo: fico na torcida para que a personagem Tessa "dê uma chance" para o introvertido Adam - ou, ao menos, abandone seu incômodo atual parceiro (e que a personagem Lizzy "desencane" definitivamente do passado... e se "reinvente", ao menos romanticamente!). Assistido em: 12 de janeiro de 2026, segunda-feira.
Inverno em sokcho
3.5 11Paisagens invernais sempre me atraíram - e, no sempre exacerbado e escaldante verão de minha cidade (!), confesso sentir certa "inveja" daqueles que habitam regiões mais frias! Dito isso, a competente produção fílmica (em que se configura 'Winter in Sokcho') entrega à sua audiência bem mais que um "prazeroso" ambiente frio e acolhedor. A complexidade dos três personagens principais (o "turista" francês, a bela jovem e sua sempre protetora progenitora), entre traumas, verdades escondidas, voluntária solidão e uma "estranha" ausência de ambição na mocidade... conquistou-me durante toda a execução da obra. Além disso, a singeleza das interações me faz imaginar que, ao menos em parte da Ásia, a dinâmica existencial ainda não foi - plena ou majotitariamente - "ceifada" pela celeridade e desconexão impessoal (tão presente nas relações contemporâneas do Ocidente). Se não é uma proposta de dinâmica ágil e repleta de eventos, entretanto esse sensível filme do realizador Koya Kamura nos favorece - ao ofertar uma trama ficcional que mergulha, principalmente, nas consequências dos impactos que eventos e escolhas passadas produzem na vida presente dos indivíduos. Vale conferir!
Em tempo, sublinho que desconfiei que o personagem do ator Roschdy Zem fosse o "perdido" pai da jovem e belíssima Soo-Ha (o que não se mostrou real na trama); ademais, vibrei com o exemplar comportamento e cavalheirismo do visitante francês - que, mesmo diante de uma jovem beleza feminil, não se permitiu oportunizar da fragilidade da moça em favor de qualquer mundano e passageiro intento genésico. Extraordinário e invejável comportamento!
Moon
3.3 8 Assista AgoraApreciei deveras esta excelente produção cinematográfica (da talentosa Kurdwin Ayub): suspense, "choques culturais", a independência feminina (no mundo ocidental), as tristes "amarras" opressoras em muitas das regiões onde a sociedade muçulmana se estabeleceu... entre outros temas importantes. Nesta produção fílmica, nos sensibiliza a existência limitada, vigiada e submissa que o grupo de irmãs vivencia, rotineiramente. A entrada da personagem Sarah (que, a princípio, parece externar uma certa repulsa pelos hábitos "mimados" de comportamento das jovens herdeiras muçulmanas), no final nos cria certa "esperança" - em ser a treinadora, uma espécie de "salvadora" em favor de suas alunas. Tragicamente, somos testemunhas de que o "ambiente" geográfico, o "meio" cultural e a exacerbada estrutura econômica que cerca as jovens vítimas (das mais censuráveis violências, tanto físicas como também psicológicas) se sobrepõem desfavorecendo qualquer oportunidade de "libertação" - justa e necessária. Sobre o final da produção - "em aberto", portanto indefinido - prefiro acreditar que a treinadora retornou ao país islâmico para dar continuidade às "aulas" (e, de certa forma, tentar ser um elemento externo àquele vil comportamento, com o intuito de "proteger" o grupo de irmãs - da melhor forma humanamente possível!). É óbvio que todos os espectadores desejavam um salvamento heroico, mas a cineasta Ayub inclina-se ao realismo da situação proposta: uma família economicamente poderosa (e, talvez, até mesmo com associação criminosa no país muçulmano), um contrato de confidencialidade assinado, além das diversas limitações da personagem Sarah... o que, evidentemente, afasta qualquer alternativa excepcional de radical auxílio às pobres "reféns" (onde uma delas, inclusive, aposta mais em um arranjo matrimonial futuro - burocrático e sem afeto - do que nutrir esperanças por qualquer outro mirabolante "elemento salvador"). Uma realidade triste, mas ainda assim sentida por inúmeros vulneráveis dispersos pelo mundo. Enfim, um filme maduro, visceral e eficientemente realista! Indico a audiência desta ímpar produção fílmica. Assistido em: 04 de janeiro de 2026, domingo.
As Bestas
4.0 88Uma competente proposta fílmica do cineasta espanhol Rodrigo Sorogoyen. Sobre a estória (enredo ficcional), fica a reflexão: "... não existem guerreiros destemidos no mundo real...". Por mais lamentável (e injusto) que se configure, por vezes devemos desistir de algumas "metas" ou "planos" desejados (em favor, mesmo, de elementos e circunstâncias essenciais à nossa trajetória: segurança, paz, tranquilidade...). Ademais, problemas com vizinhos (e circunvizinhos) são sempre um 'infernal' e desgastante aborrecimento. A Galícia (região do noroeste espanhol, onde se retrata geograficamente o filme), talvez por ser uma comunidade autônoma tenha exacerbados sentimentos (em sua população menos escolarizada e instruída, principalmente) de antagonismo em relação aos estrangeiros - ainda mais se os mesmos decidem residir na região (e são prósperos e, inegavelmente, bem letrados!). Tragicamente, em um cenário cada vez mais desigual no mundo, disparidades e diferenças (neste caso, potencializados pela inserção de estrangeiros hipersuficientes em um ambiente social de escassez de recursos, no tocante à população nativa) quase sempre provocam sérios conflitos na habitual convivência - ainda mais se existem interesses financeiros, de natureza indenizatória, de certa forma obliterados pela parte mais "abastada". Considerei, após assistir atentamente à produção, de que a "lição" (em reformarmos planos, quando gravemente necessário) é válida - essencialmente, nos atuais tempos viscerais, onde restrições econômicas e a convivência de realidades domésticas com perspectivas tão distintas podem ser um indesejado "convite", ou mesmo "combustível", em favor de criminosas ações. E também, sinceramente, me sensibilizei com o zelo, a dedicação, a lealdade e o inabalável sentimento de compromisso matrimonial da protagonista! Enfim, uma produção merecedora de boas críticas - e o aplicado olhar do público. Assistido em: 03 de janeiro de 2026, sábado.
Luz Silenciosa
3.9 49Excelente filme (!), e que trata de um "desconcertante" tema clássico: o conflito perpétuo entre 'afinidade' e 'conveniência'. Estar inserido em uma estrutura comunitária enraizada em regras conservadoras, impermeáveis ao mundanismo relativista que abala princípios e tradicionais costumes (...) é uma forma conveniente e razoável de diminuir os desafios existenciais. Entretanto, a afinidade genésica alimentada pelos intentos mais viscerais da "carne", pode abalar consideravelmente qualquer estrutura construída pelo homem. E é de tal temática, que esta conceitual produção fílmica aborda, levando a audiência em direção a uma obra - de visual e fotografia, principalmente- ímpar! Há também "silêncios acolhedores", além de necessários "hiatos" simbólicos. Enfim, uma produção cinematográfica que se destaca por uma "sofisticada singeleza" (mesmo diante de temas tão difíceis: o governo das paixões mundanas; a infidelidade conjugal - e suas nefastas consequências!; as imprecisas e inseguras "amarras" das convenções sociais... entre outros), levando o dedicado consumidor de cinema a "saborear" uma excepcional "iguaria" produzida pelo competente diretor Carlos Reygadas. Meus sinceros aplausos ao drama germano-mexicano: Luz Silenciosa! Assistido em: 07 de dezembro de 2025, domingo.
Depois da Caçada
2.9 124 Assista AgoraConsidero que "Depois da Caçada" (do ano de 2025) tenha sido realizado de forma irregular. Explico: é até interessante a abordagem que a obra faz, principalmente sobre as interações - sempre tão sensíveis e meticulosas - entre indivíduos mais abastados e hipersuficientes. Suas extensas horas "recreativas" a analisar, ainda que com pouco propósito prático, as adversidades e conflitos de um mundo (onde, inegavelmente, a inquestionável maioria luta exclusivamente pela diária sobrevivência... e, portanto, sem ter a oportunidade de tratar assuntos mais profundos, infelizmente). Notei "teses" sobre os novos comportamentos de interação social estabelecidos (e aqui, necessariamente, nos ambientes corporativo e acadêmico) entre gêneros distintos; o perpétuo conflito de classes (e sua consequente necessidade de revanche - tanto simbólica, como também mais visceral), entre outros elementos... porém, com pouco êxito (ou mesmo vontade autoral) de se aprofundar ideias. Uma trama dúbia - portanto, rasa e falha - na execução: O evento traumático realmente aconteceu? Quem são os personagens sinceros... e os sicofantas? Enfim, vale rever a atriz Julia Roberts (se esforçando em interpretar personagens conceituais), além da regular atuação técnica do ator Michael Stuhlbarg. Assim sendo, se passa o tempo com um mediano entretenimento fílmico! Assistido em 30 de novembro de 2025, domingo.
O Homem dos Sonhos
3.4 207Consegui curtir o filme! Não sou um aficionado pela filmografia irregular do ator estadunidense Nicolas Cage (ainda que tenha gostado, razoavelmente, de: Con Air, de 1997; Os Vigaristas, de 2003; e também de Um Homem de Família, de 2000). Todavia, neste título fílmico: O Homem dos Sonhos - do ano de 2023 -, a proposta me "agradou" (com um misto de "entretenimento razoavelmente sofisticado" - bem próximo de uma sessão de Supercine -, somado a uma "pegada" de ambientação mais cult com um enredo "levemente" intrigante e conceitual). Do gosto da audiência francesa, principalmente por obras rejeitadas nos Estados Unidos (a que se faz referência sobre o livro do protagonista, interpretado por Cage), recordei do filme "Dirigindo no Escuro" - de Woody Allen, em 2002. Visto que, exatamente o que não se compreende pelo público estadunidense, quase sempre é bem assimilado pelo "culto consumidor francês". Também adorei a participação de Julianne Nicholson (com sua estonteante, e ímpar, beleza "madura"... já que a admiro desde sua encenação em "Álbum de Família", de 2013!), com sua carga dramática "contida" e bem equilibrada. Enfim, a ideia de tornar-se "público" de maneira misteriosa e "compulsória"; e também do assédio e limitação impostos em face a uma "visibilidade" inesperada serviu para entreter-me - saudável e criativa mente! E é isso aí: vale conferir, ainda que sem uma super expectativa! Assistido em: 27 de novembro de 2025, quinta-feira.
Softie
3.9 8Depois que assisti - em pretérita época! - ao filme: O Profeta (do ano de 2009), tornei-me um entusiasta do cinema francês contemporâneo. Sempre acertando com uma proposta realista daquela complexa sociedade, comumente me encontro "capturado" pelos dramas dessa singular nação europeia. Com a presente obra (Softie, de 2021) não foi diferente: é incrível como famílias disfuncionais, tragicamente, "implodem" uma futura trajetória de êxito dos entes que orbitam sua estrutura e sustentáculo! No enredo ficcional apresentado, além da nociva influência que uma parentela desorganizada provoca no jovem protagonista (e aqui, obviamente, não entrarei em detalhes!); se assiste a toda uma infeliz problemática que, acentuadamente, pode extravasar na vida profissional de dedicados docentes - e os afetando, robusta e consideravelmente! Por fim, mas uma vez mais, a produção cinematográfica francesa se esmerando por tratar de temas tão difíceis de sua tão hedonista, decadente e complexa sociedade. Vale conferir o filme!