Como forma de introduzir o universo Drag para o espectador comum, esse filme até funciona, chegado quase a ser didático em alguns momentos. No entanto, nada afasta a impressão de que essa foi uma ótima premissa subaproveitada por um roteiro fraco, atuações pouco inspiradas (à exceção do excepcional Silvério Pereira) e edição/montagem nem um pouco brilhantes. Talvez uma direção mais experiente pudesse ter extraído um resultado melhor, mas não é o caso aqui. Ainda assim, vale o esforço de chegar ao fim para conferir o exuberante desfile de looks das drags!
O Agente Secreto é, até o momento, o filme mais redondinho e fácil compreensão dentro da maravilhosa filmografia de Kleber Mendonça Filho, ainda que não seja o meu grande favorito (posto ocupado por Aquarius).
Por isso, confesso que me espantei quando notei o crescimento recente de conteúdos se esforçando para explicar coisas que, pra mim, são até óbvias demais na narrativa do filme, como por exemplo, "quem é o Agente Secreto?".
Acho realmente preocupante que, mesmo com uma história tão autoexplicativa, falte capacidade para alguns espectadores interpretarem significados e metáforas tão escancaradamente óbvias nesse filme! Estou inclinado a concordar com a opinião de Henrique Nascimento, publicado pela revista Rolling Stone, "O Agente Secreto não precisa ser explicado, mas talvez você precise sair do celular com urgência". Cirúrgico!
Mas vamos aos fatos: se você busca por um filme de entretenimento escapista, com cenas de ação empolgantes, definitivamente essa não é uma boa escolha. O Agente Secreto é um filme dramático, que envolve o espectador em sua atmosfera e confronta nossa história, expondo aquilo que muitos parecem fingir que nunca aconteceu: os anos de repressão e suas consequências naquele período.
Durante o filme testemunhamos a desconstrução da tal imagem ilibada dos anos chumbo, expondo a corrupção, a condescendência e a conivência das autoridades diante do crime! Além disso, de forma bem descontraída, Kleber Mendonça insere a mítica figura da Perna Cabeluda, que a imprensa usava como "bode expiatório" dos crimes noticiados que "não podiam ser explicados".
O final do filme, nada convencional e um tanto anticlimático, pode até frustrar expectativas de espectadores mais acostumados com conclusões tradicionais, mas ao meu ver, é totalmente alinhada a proposta de construção da narrativa.
O Agente Secreto é uma produção muito bem executada, que faz bom uso da ironia e do humor para debater a conflituosa relação que o nosso país tem com seu próprio passado autoritário, ao mesmo tempo em que provoca o espectador a refletir sobre essa sombra nos dias de hoje.
Sonhos de Trem é um filme visualmente deslumbrante e essencialmente melancólico, com potencial para fazer o espectador refletir bastante tempo sobre as escolhas que fazemos ao longo da vida.
Adaptado do livro homônimo, escrito por Denis Johnson, Sonhos de Trem abraça suas raízes ao adotar um narrador (Will Patton) que confere uma onisciência literária ao desenvolvimento da trama, transmitindo a impressão de que estamos acompanhando um formato híbrido de audiolivro ilustrado por belíssimas cenas.
Por isso, assistir a esse filme é um convite à uma imersão poética, quase onírica, cercada de uma atmosfera melancólica e acolhedora, que estimula o espectador a contemplar, sentir e refletir, desde que esteja disposto a se permitir ser conduzido por essa proposta.
A hipnótica fotografia, assinada pelo brasileiro Adolpho Veloso, é o principal catalizador dessa experiência sensorial, onde cada cena, cada enquadramento parece traduzir um conceito de obra de arte, seduzindo e fascinando cada vez mais o espectador.
Pela perspectiva do protagonista Joel Edgerton (Robert Grainier) acompanhamos uma sociedade americana do início do século XX em transformação, ao mesmo tempo em que compartilhamos e nos identificamos com suas angústias, incertezas e reflexões existencialistas.
De forma sutil, a narrativa cinematográfica ainda explora questões relevantes, como a exploração predatória da natureza, racismo e violência contra imigrantes, assuntos inegavelmente atuais na sociedade contemporânea.
Destaque ainda para a primorosa atuação de William H. Macy, no papel do lenhador Arn Peeples que mesmo com pouquíssimo tempo de tela, consegue cativar com seu carisma e talento.
Sonhos de Trem é um filme arrebatador, imersivo, sensível e onde até mesmo os silêncios ecoam reflexões. É uma produção que convida o espectador sentir e refletir (durante e após assisti-lo) sobre nosso papel no mundo e os desdobramentos de nossas decisões.
Hamnet é uma das produções mais sensíveis sobre o luto, já realizadas na história recente do cinema hollywoodiano!
Baseado no romance histórico homônimo, escrito por Maggie O'Farrell, que também assina o roteiro junto com a diretora Chloé Zhao, Hamnet é uma reimaginação ficcional de como foi a trajetória do casal Agnes Hathaway e William Shakespeare até a morte de um de seus filhos, Hamnet e de como esse evento teria inspirado o dramaturgo a escrever, quatro anos mais tarde, uma de suas mais importantes peças, Hamlet!
Com total liberdade pra criar, a produção entrega um retrato intenso e emocionante sobre o luto e seus desdobramentos. O assunto é tratado de forma bastante honesta e realista, evitando armadilhas narrativas que geralmente fazem de filmes com essa temática, algo artificial e piegas.
A diretora Chloé Zhao constrói essa história com uma sensibilidade e profundidade ímpares, fazendo que com o espectador se conecte com esses personagens e, pouco a pouco, fique imerso na narrativa. Dessa forma, quando a tragédia abala a família Shakespeare, torna-se impossível segurar sentimentos e não lançar um olhar empático diante da dor desses personagens.
O grande destaque da produção, claro, é a talentosa Jessie Buckley (Agnes), cuja performance, arrebatadora e repleta de camadas, alcança o ápice na angústia e na dor dilacerante diante da perda. É uma atuação emocionante em nível estratosférico!
Hamnet também é uma produção que consegue representar bem o poder transformador da arte, através de Shakespeare, que faz da tragédia pessoal de sua família, um emocionante e arrebatador texto teatral, que permanece atual e relevante até os dias de hoje.
Poucos filmes conseguem transitar de forma tão competente por mais de um gênero cinematográfico quanto Pecadores!
A produção abre com uma cena de suspense. Em seguida se volta para o drama, dá uma guinada repentina ao terror e, no final, abraça o cinema de ação em uma sequência carregada de justiça social e que dá gosto de ver.
Inegavelmente o filme evoca Um Drink no Inferno, mas de forma não convencional, com mais substância, desenvolvimento e aprofundamento dramático, elementos que fazem com que o espectador, de fato, se importe com cada personagem, até mesmo o vilão carismático!
A trilha sonora é um espetáculo! Vibrante, empolgante, madura e que funciona como catalizador da atmosfera imersiva que o filme proporciona. Assisti-lo no cinema inclusive é uma experiência reforça ainda mais essa proposta!
Minha crítica fica apenas à atuação deficiente de Michael B. Jodan, que não consegue entregar figuras realmente individualizadas para os gêmeos Fumaça e Fuligem. Não fosse o fato de primeiro ser carrancudo e usar o tempo todo uma boina azul, enquanto Fuligem é mais risonho e usa um Fedora vermelho na cabeça, nada diferenciaria a forma como cada um se expressa. Sequer a linguagem corporal dos personagens os separa.
Entretanto, as atuações de Delroy Lindo (Delta), Wunmi Mosaku (Anne), Miles Caton (Pastorzinho) e Jack O'Connell (Remmick) merece todo o destaque e reconhecimento!
Miles Caton inclusive protagoniza, para mim, a melhor cena do filme, um plano sequência em que interpreta a marcante faixa "I Lied to You"! Conforme a canção se desenvolve, ganha elementos modernos do Blues e vibra na tela, de forma pulsante e contagiante, muito bem alinhada a sequência visual, que emociona ao evocar ancestralidades. Um espetáculo!
Pecadores é, sem dúvida, o meu grande favorito entre os filmes de língua inglesa nessa temporada no Oscar!
É um filme inegavelmente divertido, que encontra alicerce na nostalgia, com suas referências e participações especiais que enchem os olhos de quem acompanha a franquia desde o começo, um excelente fan service.
Kevin Williamson, que assume a direção e co-roteiriza essa sequência, até tenta sustentar a mesma atmosfera do filme original, mas sinto que fica no quase. A falta de um núcleo de novos personagens que cative e estimule o espectador a se importar com eles é talvez um dos principais problemas da produção, que novamente se sustenta nas figuras de Sidney Prescot e de uma apagada Gale Weathers para tentar dar liga à trama, mas sem muito sucesso.
Os gêmeos Chad e Mindy são igualmente figuras apagadas e evidentemente sem função na trama, servindo suas participações de mera repetição dos dois filmes anteriores, o que faz deles praticamente uma piada pronta do enredo.
Nos deparamos também com cenas bem exageradas e pouco críveis na já tradicional chacina que a figura do Ghostface executa a cada filme e que remetem, negativamente falando, ao estilo visto em filmes da franquia Sexta-Feira 13 e Halloween, por exemplo. Se isso pode ser entendido como referência, homenagem ou gosto duvidoso, vai de espectador para espectador.
O final acaba sendo um pouco anticlimático, com uma motivação tão estapafúrdia, que torna a situação toda apenas risível. Ao lado do sexto filme, desponta com um dos mais fracos da franquia, mas se apreciado sem grandes expectativas, certamente irá cumprir sua função de entreter e divertir o espectador! Fica a esperança de que, após essa sequência, finalmente enterrem a franquia, antes que ela chegue ao fundo do poço.
Quando assisti pela primeira vez, ainda na adolescência, confesso que não gostei. Agora tive oportunidade de revisar a produção no cinema durante a mostra Madonna: ícone Pop e nossa, que filmaço! Uma atmosfera que reúne sensualidade e neonoir, em um filme parte policial, parte de tribunal.
Para o espectador contemporâneo, esse filme tem passagens que podem no mínimo serem classificadas como problemáticas, portanto deve ser apreciado sem anacronismos e com a devida atenção por ser uma produção +18. Espero por nudez, gatilhos, sexo e todo o pacote que poderia acompanhar a rainha do pop no começo dos anos 90, em plena era Erotica/Sexy. E sem dúvida, muito mais interessante do que Cinquenta Tons de Cinza! haha
Assistido em 23/08/2025, na Mostra Madona - Ícone Pop, na Caixa Cultural.
Não importa quantas vezes eu reveja "Quem é essa garota?", tantas irei soltar altas gargalhadas! Temos aqui Madonna em uma das suas melhores e mais autênticas atuações. É muito gostoso de ver ela totalmente solta, caótica e divertida em cada cena, além de possuir química perfeita com Griffin Dunne, que arrasa no papel de Louden.
É comédia pastelão, puro suco dos anos 80, feita para arrancar riso fácil e sincero de quem está disposto a relaxar. Não é filme para crítico de cinema blasé e muito menos para quem está esperando por atuações dignas do Oscar.
Não recomendável para gente chata e azedinha! 😅
Assistido em 15/08/2025, ao lado da melhor cia do mundo (Marcelo ❤️), na mostra "Madonna - ícone pop" na Caixa Cultural RJ
A impressão que eu tenho é de que o roteiro desse filme tenta atirar pra tudo quanto é lado e não consegue acertar efetivamente em nenhum. Tem elementos de comédia, ação, aventura e algo de noir, tudo misturado, num roteiro confuso, repleto de situações sem sentido (como ridícula cena de "perseguição" a bordo dos requixás) e que não se sustenta com um plot tão fraco e desinteressante.
Funciona como um bom passatempo quando não tentamos levar ele tão a sério, até porque algumas cenas são até divertidas e interessantes. As atuações tanto de Sean Penn quanto Madonna beiram a vergonha alheia em alguns momentos, especialmente nas cenas de maior apelo dramático. Além disso, a química do casal em cena é quase nula, o que chega a ser surpreendente, considerando que eram casados à época.
Para quem é fã da Madonna, como eu, vale a pena conferir pela presença da rainha do pop belíssima em seu primeiro papel principal num longa metragem ("Um certo sacrifício" é um média metragem).
Assistido pela primeira vez em 15/08/2025, na mostra "Madonna - ícone pop" na Caixa Cultural RJ
Quando assisti no cinema, ano passado, saí de lá bem feliz com todo o fan service que esse filme entrega. Mas na revisão é impossível não notar os sérios problemas de narrativa. Temos três arcos nessa história que são parcamente desenvolvidos.
O primeiro é o da Delores, cuja primeira cena, ao som de Tragedy dos Bee Gees é impressionante. No entanto, a personagem que promete muito, ao final não entrega nada. Após a primeira cena, Delores fica, basicamente, sem função. Ela some de cena e quando ressurge, pontualmente, é mostrada apenas vagando pelos cenários, como uma alma penada. Seu retorno "triunfante" no final, entrega uma personagem tão esvaziada de importância, que seu desfecho é meramente protocolar. Muito mal aproveitada,
Segundo arco mal conduzido é o de Jeremy. Adoro a construção que criam entrono do personagem, mas a situação é resolvida de forma tão besta e banal, que fica a impressão de que simplesmente decidiram se livrar o personagem para seguir com o bonde, sem dar muita importância a todo seu arco.
Por fim, o arco que envolve a relação entre Astrid e Richard. A personagem é introduzida na trama como alguém que rompeu com mãe sensitiva por não conseguir fazer contato com o espirito do falecido pai. Porém, quando finalmente Astrid tem a oportunidade de estar frente a frente com ele no além, nada é efetivamente desenvolvido além de trocas de olhares e frases banais.
Mas apesar desses detalhes, ainda continuando vendo essa sequência tardia (e desnecessária) com bons olhos. É um filme divertido que consegue alimentar a notalgia de fãs do primeiro.
Para quem é fã da obra de Agatha Christie, esse filme é um deleite! A metalinguagem e as referências pretendidas pela produção somente são amplamente captadas por quem é habituado com os livros da Rainha do Crime. Para o público em geral, talvez soe como uma versão menos elaborada de Entre Facas e Segredos, por exemplo, outra produção que tem, igualmente, a literatura de Agatha Christie como fonte.
É um excelente filme e até de fácil compreensão, considerando o gênero. Para quem já cumpriu sua quota de leituras de romances policiais, em poucos minutos de filme é possível começar a desvendar o "mistério" que envolve os personagens, com as pistas que o próprio filme vai dando e, até a metade, já matar a charada completa.
Apesar do esforço na caracterização de Sarah Snook, percebi de cara que se tratava de uma mulher no papel. Assistir dublado torna essa revelação mais fácil ainda, devido a escalação equivocada de uma dubladora com uma voz flagrantemente feminina e bem pouco talentosa na tentativa de disfarçar seu timbre.
Uma fala do personagem, sobre a morte, me acendeu o alerta e me fez desconfiar que John (versão Snook) era o tal detonador. Também antecipei as revelações de que ele e Jane eram a mesma pessoa, assim como também eram a personagem de Ethan Hawke, conforme pequenas pistas, como o lance das roupas escondidas foram sendo apresentadas.
O que realmente me surpreendeu, e nesse caso, um pouco negativamente, foi
a revelação de que o bebê de Jane era também ela mesma. O Paradoxo perde o sentido quando a origem dela está nela mesma, de forma cíclica.
Mas esses pormenores não mudam o fato de que esse filme é bem interessante, divertido e bem desenvolvido. Pretendo rever outras vezes, sem dúvida! haha
A proposta do filme é boa: dois norte americanos solitários, "perdidos" numa metrópole oriental, onde não conseguem se identificar culturalmente ou mesmo se comunicar. O encontro dos dois é uma virada de página para os personagens. Há uma atmosfera de densidade e melancolia que até gera a expectativa de algo maior, mas infelizmente fica só nisso. Não acho que o final, meio anticlimático, não fosse o já esperado. O problema maior pra mim é que a falta de carisma que assola os protagonistas, especialmente o Bob Harris de Bill Murray. O fato de seu contraponto em cena ser a Scarlett Johansson não ajuda muito no convencimento daquilo que parece estar sendo construído ali. O filme termina deixando aquela impressão de que prometeu mais do que poderia cumprir. Talvez uma escalação mais adequada tivesse ao menos gerado um convencimento maior daquilo que a trama parece propor. Filme OK.
Esse era o único longa ficcional brasileiro do Walter Salles que eu ainda não tinha assistido e acabou sendo o pior da filmografia dele, até então, para mim. Achei o roteiro, co-assinado pelos diretores em conjunto com João Emanuel Carneiro, mal desenvolvido. Há densidade nas cenas, mas não sinto que elas conseguem transportá-la para a atmosfera do filme e alcançar quem está assistindo, Ai impressão que tive foi de que a história em tela parece o tempo todo preparar o espectador para um climax que acaba não acontecendo. Quando chegamos à cena final, fiquei com a sensação de que, por mais que as tramas tivessem se reunido e sido concluídas, ainda faltava algo a dizer. Uma pena.
Já entrou oficialmente para a minha tradição cinematográfica natalina anual. É a quarta vez que assisto e acho que nunca vou me cansar de revisitar esse filme. É simples, clichê, fofo, positivo, bobo e gostoso de assistir, como costumam ser essas produções natalinas. O fato de ter como protagonistas um casal LGBT que não precisa enfrentar mais um drama de aceitação da sexualidade ou ser vítima de violência, já o coloca em alta conta para o meu gosto. Tenho a teoria de que quem reclama desse tipo de filme é pq já morreu por dentro com tanta amargura e falta de amor no coração. Bjs e boas festas meu povo!
Nunca um título fez tanto jus ao conteúdo do filme: é realmente um Belo Desastre essa sequência! O início é até interessante e divertido, mas conforme a história avança, vai ganhando contornos tão estranhos, com cenas sem propósito e de gosto não apenas duvidoso, como questionável e ultrajante. Tentam forçar humor em situações zero engraçadas e ainda se permitem repetir gags do filme anterior. Via de regra, uma piada só é realmente engraçada na primeira vez. Repeti-la, não vai alcançar o mesmo efeito, especialmente em um contexto tão gratuito. Não sei se o livro é melhor, mas essa adaptação é um desastre!
Só acho que vale a pena destacar a paródia realizada pelo filme à sequência homoerótica do jogo na praia em Top Gun. Achei bem bacana a sacada!
Ainda que se deixe de lado o livro e foquemos exclusivamente no filme apenas por seus méritos, é difícil tecer elogios para o que encontramos nessa adaptação. Falta carisma ao elenco e química entre os casais. A ambientação costeira, tendo como cenário um farol, tinha potencial para reproduzir um atmosfera sombria e claustrofóbica, mas nem chega perto disso. Para piorar, algumas decisões criativas desse roteiro são tão questionáveis e inverossímeis que fica difícil levar essa produção a sério em algum momento.
Não há também nada a se destacar positivamente sobre o elenco, pois as atuações aqui, de um modo geral, transitam entre o péssimo e o sofrível. Os personagens soam extremamente caricatos e superficiais, um verdadeiro festival de canastrice e cafonice. Em meio a tudo isso, fica difícil determinar se realmente falta talento à esses atores ou se todos foram vítimas de uma direção incompetente, incapaz de extrair deles o mínimo de convencimento. Mas também pode ser o conjunto da obra, né?
Ao final, essa releitura de O Morro dos Ventos Uivantes falha enquanto adaptação e falha ainda mais enquanto filme independente da obra. Ficou claro o objetivo de mirar em "10 Coisas que eu Odeio em Você" (releitura moderna de "A Megera Domada", de Shakespeare), mas faltou competência na execução, com problemas que já começam na escalação de elenco, passam pelo roteiro ruim e terminam numa direção fraca e pouco criativa, ainda que considero pouco provável que até o mais brilhante diretor fosse capaz de tirar leite de pedra e salvar essa bomba cinematográfica da vergonha alheia.
O primeiro filme me gerou uma grande queda expectativa, criada em parte pelo hype da época, que o vendia com o suprassumo do cinema, uma produção genial, única e com humor inteligente. O que encontrei foi só mais um filme com o padrão Marvel de humor da quinta série, com uma ou outra boa sacada, além de uma sequência de cenas onde o protagonista rompia a quarta parede, o que por si só, não é nada inovador em se tratando de cinema. O resultado, pra mim, foi ladeira abaixo e ranço registrado com sucesso.
Somente agora decidi dar uma oportunidade para ver essa sequência e acabei me surpreendendo positivamente. Indo na contramão da opinião de muitos, acho essa continuação mil vezes melhor e mais divertida. Se deixarmos de lado algumas questões que não fazem o menor sentido,
especialmente a viagem no tempo do Wade no final, salvando a namorada da morte - o que por si só, já invalidaria toda a motivação do personagem nesse filme
, é possível relaxar e dar umas boas risadas. Confesso que adorei a tonelada de referências, desde as mais evidentes, até as mais discretas, como a da cena ao som de Take on Me, com uma alusão direta ao videoclipe do A-ha. Vale muito a pena conferir.
Aquele filme leve, divertido e cercado de idealizações. Cumpre o papel de entreter, sem compromisso. Não vale a pena aqui perder tempo analisando o que faz e o que não faz sentido na narrativa, especialmente as escolhas da protagonista nessa trama. O objetivo desse filme é bem parecido com o de produções como Velozes e Furiosos: descansa o cérebro e divirta-se, sem buscar sentido!
O elenco é estupendo, mas sinto que a história, na forma como é conduzida, envelheceu mal. Continua divertido, mas não há como se sentir confortável diante de toda a situação que o filho faz os pais passarem, só para fazer bonito para um senador conservador.
Para alguém que foi criado por um casal LGBT, sinto um tremendo desamor da parte de Val, especialmente ao sugerir excluir a presença de um dos pais durante o jantar, por receio de que a verdade sobre os pais viesse a tona na frente do pai de sua noiva.
Seria interessante um novo remake da peça francesa, agora apostando na dramédia para debater questões contemporâneas a partir da mesma proposta de enredo.
Uma grata surpresa essa prequela de A Fantástica Fábrica de Chocolates. Confesso que não tinha muitas expectativas em relação a trama, então talvez por isso não tenha me gerado nenhuma frustração. Timothée Chalamet entrega um jovem Wonka carismático e divertido, além de mandar bem nas passagens musicais. Aliás, acho curioso que algumas pessoas tenham sido surpreendidas ao descobrir que esse filme é um musical, considerando que o clássico de 1971 também é. Falando no clássico, acho importante frisar que esse filme ignora solenemente a versão de 2005, dirigida por Tim Burton, o que inclui todos os acréscimos trazidos por aquele filme ao passado de Willy Wonka. Por isso, todas as referências e a estética desse filme se conectam com o musical de 1971, o que inclui o visual do Oompa-Loompa e do próprio Wonka. É um filme que cumpre aquilo a que se propõe: divertir e fazer o espectador sair do cinema com um sorriso estampado no rosto e com desejo de comer chocolate.
Inclusive, sejam espertos: deixe a pipoca de lado e assista a esse filme munido de uma suculenta barra de chocolates de seu gosto. Vai ter um sabor ainda mais especial consumi-la enquanto assiste Wonka - exatamente o que fiz!
Para quem teve oportunidade de ler o livro antes de assistir a essa adaptação, como eu, fica notável o quão equivocada foi a decisão dos roteiristas Alec Coppel e Samuel A. Taylor de antecipar a revelação, na segunda parte,
, temos uma segunda parte que parece ser uma nova história, focada na obsessão de um homem em transformar outra mulher à imagem e semelhança de outra. Sem os elementos de tensão e dúvida, presentes no texto original até as páginas finais, a última hora da adaptação não é nada além da jornada patética de um homem obcecado e abusivo.
Em análise final, a primeira parte da história funcionou infinitamente melhor na adaptação, que tornou mais enxuta e dinâmica a primeira parte do romance (bastante arrastada na leitura). Em compensação, introduziu modificações na segunda parte da trama, deixando-a bem menos interessante e envolvente que no texto original.
Vou começar pela parte boa: a atmosfera tensa e etérea, os ângulos de filmagem e os elementos insólitos da trama. De resto, é uma tosqueira do início ao fim. É o tipo de filme daqueles tão ruim, mas tão ruim, que chega a ser divertido assistir, especialmente em grupo com amigos (como foi a minha experiência). Assista, sem esperar encontrar sentido na trama ou nas ações dos personagens, pois o que ele tem a oferecer é a mais pura diversão escapista para quem tem apreço por filmes desse gênero. Caso não tenha, passe longe! A cereja do bolo fica com a conclusão da trama, que me remeteu imediatamente ao embate entre Doroty e a Bruxa Má do Oeste, no filme O Mágico de Oz. A influência gritou ali pra mim, haha.
Confesso que de todos os filmes indicados esse ano, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo era o que tinha me despertado menos interesse, mas como queria assistir ao máximo de títulos antes da cerimônia, resolvi dar uma oportunidade.
O filme começa passando a sensação de que perdemos o início da história, afinal ele já nos coloca em meio ao cotidiano estressante de Evelyn uma imigrante chinesa amargurada e cercada de problemas, que se vê jogada em uma confusão sem fim ao lhe revelarem que ela é a chave para salvar todo um multiverso.
É a partir desse ponto que a coisa enlouquece e desanda por um todo. A produção sofre uma guinada de gênero, passando de drama para um misto de filme de herói com elementos de ficção científica. Isso não seria um problema se nesse processo, filme despejasse um turbilhão de informações mal explicadas que tornam tudo o que acontece à seguir algo absolutamente incompreensível. Há quem defenda que isso faz parte da proposta, mas pra mim não cola.
“Ah, mas você não entendeu o conceito”. Desculpe, mas para mim, que sou fã de David Lynch, um diretor que constrói narrativas em cima de experiências cinematográficas abstratas, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo não passa de uma grande farofa regada de efeitos especiais, cenas de luta (bem elaboradas, registre-se) e muitos absurdos sem sentido, mas capazes de proporcionar entretenimento e arrancar risadas fáceis do espectador.
É tipo um filme da Marvel, mas sem ser da Marvel! Tem inclusive até produtores em comum, os já conhecidos irmãos Russo! Então, se você é fã desse tipo de produção, sem dúvida esse filme será um verdadeiro deleite, pois só falta à Evelyn vestir uma capa e colocar um máscara para ganhar status de super-heroína!
Aliás, se há algo que merece ser destacado nesse filme são as atuações espetaculares de Michelle Yeoh, Ke Huy Quan e Jamie Lee Curtis, cujas indicações em suas categorias no Oscar foram merecidas, especialmente Yeoh, que leva esse filme nas costas! A edição, assinada por Paul Rogers também chama a atenção, por ser bem inspirada e criativa!
Mas de resto, ficou pra mim a impressão de uma oportunidade perdida, uma boa proposta, porém mal executada. O roteiro confuso (que parece se orgulhar disso) é embalado por um andamento de trama frenético, mas ironicamente tão cansativo, que em nenhum momento consegui me conectar com os personagens ou realmente me importar com a maioria deles. Em um dado momento eu me senti tal qual a maléfica figura de Jobu Tupaki: torcendo para todo mundo ser destruído, e assim abreviar a tortura que foi permanecer mais de duas horas assistindo a esse filme até o final.
Vai agradar em especial aos fãs de filmes de heróis – o que explica sua crescente popularidade. Porém, espectadores mais exigentes, tendem a se decepcionar, caso esperem por uma produção realmente inteligente e fora da caixinha, pois perceberão que o filme propõe a mesmas e já repetidas reflexões sobre amor e família, inúmeras vezes reverberadas em outras produções, apenas enfeitas com muitas bizarrices e ideias propositadamente complexas, para parecer mais descolado. É criativo, sim, admito, mas essencialmente caótico e confuso. Resumindo, o famoso superestimado!
De Repente Drag
1.8 13Como forma de introduzir o universo Drag para o espectador comum, esse filme até funciona, chegado quase a ser didático em alguns momentos. No entanto, nada afasta a impressão de que essa foi uma ótima premissa subaproveitada por um roteiro fraco, atuações pouco inspiradas (à exceção do excepcional Silvério Pereira) e edição/montagem nem um pouco brilhantes. Talvez uma direção mais experiente pudesse ter extraído um resultado melhor, mas não é o caso aqui.
Ainda assim, vale o esforço de chegar ao fim para conferir o exuberante desfile de looks das drags!
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraO Agente Secreto é, até o momento, o filme mais redondinho e fácil compreensão dentro da maravilhosa filmografia de Kleber Mendonça Filho, ainda que não seja o meu grande favorito (posto ocupado por Aquarius).
Por isso, confesso que me espantei quando notei o crescimento recente de conteúdos se esforçando para explicar coisas que, pra mim, são até óbvias demais na narrativa do filme, como por exemplo, "quem é o Agente Secreto?".
Acho realmente preocupante que, mesmo com uma história tão autoexplicativa, falte capacidade para alguns espectadores interpretarem significados e metáforas tão escancaradamente óbvias nesse filme! Estou inclinado a concordar com a opinião de Henrique Nascimento, publicado pela revista Rolling Stone, "O Agente Secreto não precisa ser explicado, mas talvez você precise sair do celular com urgência". Cirúrgico!
Mas vamos aos fatos: se você busca por um filme de entretenimento escapista, com cenas de ação empolgantes, definitivamente essa não é uma boa escolha. O Agente Secreto é um filme dramático, que envolve o espectador em sua atmosfera e confronta nossa história, expondo aquilo que muitos parecem fingir que nunca aconteceu: os anos de repressão e suas consequências naquele período.
Durante o filme testemunhamos a desconstrução da tal imagem ilibada dos anos chumbo, expondo a corrupção, a condescendência e a conivência das autoridades diante do crime! Além disso, de forma bem descontraída, Kleber Mendonça insere a mítica figura da Perna Cabeluda, que a imprensa usava como "bode expiatório" dos crimes noticiados que "não podiam ser explicados".
O final do filme, nada convencional e um tanto anticlimático, pode até frustrar expectativas de espectadores mais acostumados com conclusões tradicionais, mas ao meu ver, é totalmente alinhada a proposta de construção da narrativa.
O Agente Secreto é uma produção muito bem executada, que faz bom uso da ironia e do humor para debater a conflituosa relação que o nosso país tem com seu próprio passado autoritário, ao mesmo tempo em que provoca o espectador a refletir sobre essa sombra nos dias de hoje.
Sonhos de Trem
3.7 351 Assista AgoraSonhos de Trem é um filme visualmente deslumbrante e essencialmente melancólico, com potencial para fazer o espectador refletir bastante tempo sobre as escolhas que fazemos ao longo da vida.
Adaptado do livro homônimo, escrito por Denis Johnson, Sonhos de Trem abraça suas raízes ao adotar um narrador (Will Patton) que confere uma onisciência literária ao desenvolvimento da trama, transmitindo a impressão de que estamos acompanhando um formato híbrido de audiolivro ilustrado por belíssimas cenas.
Por isso, assistir a esse filme é um convite à uma imersão poética, quase onírica, cercada de uma atmosfera melancólica e acolhedora, que estimula o espectador a contemplar, sentir e refletir, desde que esteja disposto a se permitir ser conduzido por essa proposta.
A hipnótica fotografia, assinada pelo brasileiro Adolpho Veloso, é o principal catalizador dessa experiência sensorial, onde cada cena, cada enquadramento parece traduzir um conceito de obra de arte, seduzindo e fascinando cada vez mais o espectador.
Pela perspectiva do protagonista Joel Edgerton (Robert Grainier) acompanhamos uma sociedade americana do início do século XX em transformação, ao mesmo tempo em que compartilhamos e nos identificamos com suas angústias, incertezas e reflexões existencialistas.
De forma sutil, a narrativa cinematográfica ainda explora questões relevantes, como a exploração predatória da natureza, racismo e violência contra imigrantes, assuntos inegavelmente atuais na sociedade contemporânea.
Destaque ainda para a primorosa atuação de William H. Macy, no papel do lenhador Arn Peeples que mesmo com pouquíssimo tempo de tela, consegue cativar com seu carisma e talento.
Sonhos de Trem é um filme arrebatador, imersivo, sensível e onde até mesmo os silêncios ecoam reflexões. É uma produção que convida o espectador sentir e refletir (durante e após assisti-lo) sobre nosso papel no mundo e os desdobramentos de nossas decisões.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 434 Assista AgoraHamnet é uma das produções mais sensíveis sobre o luto, já realizadas na história recente do cinema hollywoodiano!
Baseado no romance histórico homônimo, escrito por Maggie O'Farrell, que também assina o roteiro junto com a diretora Chloé Zhao, Hamnet é uma reimaginação ficcional de como foi a trajetória do casal Agnes Hathaway e William Shakespeare até a morte de um de seus filhos, Hamnet e de como esse evento teria inspirado o dramaturgo a escrever, quatro anos mais tarde, uma de suas mais importantes peças, Hamlet!
Com total liberdade pra criar, a produção entrega um retrato intenso e emocionante sobre o luto e seus desdobramentos. O assunto é tratado de forma bastante honesta e realista, evitando armadilhas narrativas que geralmente fazem de filmes com essa temática, algo artificial e piegas.
A diretora Chloé Zhao constrói essa história com uma sensibilidade e profundidade ímpares, fazendo que com o espectador se conecte com esses personagens e, pouco a pouco, fique imerso na narrativa. Dessa forma, quando a tragédia abala a família Shakespeare, torna-se impossível segurar sentimentos e não lançar um olhar empático diante da dor desses personagens.
O grande destaque da produção, claro, é a talentosa Jessie Buckley (Agnes), cuja performance, arrebatadora e repleta de camadas, alcança o ápice na angústia e na dor dilacerante diante da perda. É uma atuação emocionante em nível estratosférico!
Hamnet também é uma produção que consegue representar bem o poder transformador da arte, através de Shakespeare, que faz da tragédia pessoal de sua família, um emocionante e arrebatador texto teatral, que permanece atual e relevante até os dias de hoje.
Pecadores
4.0 1,3K Assista AgoraPoucos filmes conseguem transitar de forma tão competente por mais de um gênero cinematográfico quanto Pecadores!
A produção abre com uma cena de suspense. Em seguida se volta para o drama, dá uma guinada repentina ao terror e, no final, abraça o cinema de ação em uma sequência carregada de justiça social e que dá gosto de ver.
Inegavelmente o filme evoca Um Drink no Inferno, mas de forma não convencional, com mais substância, desenvolvimento e aprofundamento dramático, elementos que fazem com que o espectador, de fato, se importe com cada personagem, até mesmo o vilão carismático!
A trilha sonora é um espetáculo! Vibrante, empolgante, madura e que funciona como catalizador da atmosfera imersiva que o filme proporciona. Assisti-lo no cinema inclusive é uma experiência reforça ainda mais essa proposta!
Minha crítica fica apenas à atuação deficiente de Michael B. Jodan, que não consegue entregar figuras realmente individualizadas para os gêmeos Fumaça e Fuligem. Não fosse o fato de primeiro ser carrancudo e usar o tempo todo uma boina azul, enquanto Fuligem é mais risonho e usa um Fedora vermelho na cabeça, nada diferenciaria a forma como cada um se expressa. Sequer a linguagem corporal dos personagens os separa.
Entretanto, as atuações de Delroy Lindo (Delta), Wunmi Mosaku (Anne), Miles Caton (Pastorzinho) e Jack O'Connell (Remmick) merece todo o destaque e reconhecimento!
Miles Caton inclusive protagoniza, para mim, a melhor cena do filme, um plano sequência em que interpreta a marcante faixa "I Lied to You"! Conforme a canção se desenvolve, ganha elementos modernos do Blues e vibra na tela, de forma pulsante e contagiante, muito bem alinhada a sequência visual, que emociona ao evocar ancestralidades. Um espetáculo!
Pecadores é, sem dúvida, o meu grande favorito entre os filmes de língua inglesa nessa temporada no Oscar!
Pânico 7
2.7 399 Assista AgoraÉ um filme inegavelmente divertido, que encontra alicerce na nostalgia, com suas referências e participações especiais que enchem os olhos de quem acompanha a franquia desde o começo, um excelente fan service.
Kevin Williamson, que assume a direção e co-roteiriza essa sequência, até tenta sustentar a mesma atmosfera do filme original, mas sinto que fica no quase. A falta de um núcleo de novos personagens que cative e estimule o espectador a se importar com eles é talvez um dos principais problemas da produção, que novamente se sustenta nas figuras de Sidney Prescot e de uma apagada Gale Weathers para tentar dar liga à trama, mas sem muito sucesso.
Os gêmeos Chad e Mindy são igualmente figuras apagadas e evidentemente sem função na trama, servindo suas participações de mera repetição dos dois filmes anteriores, o que faz deles praticamente uma piada pronta do enredo.
Nos deparamos também com cenas bem exageradas e pouco críveis na já tradicional chacina que a figura do Ghostface executa a cada filme e que remetem, negativamente falando, ao estilo visto em filmes da franquia Sexta-Feira 13 e Halloween, por exemplo. Se isso pode ser entendido como referência, homenagem ou gosto duvidoso, vai de espectador para espectador.
O final acaba sendo um pouco anticlimático, com uma motivação tão estapafúrdia, que torna a situação toda apenas risível. Ao lado do sexto filme, desponta com um dos mais fracos da franquia, mas se apreciado sem grandes expectativas, certamente irá cumprir sua função de entreter e divertir o espectador! Fica a esperança de que, após essa sequência, finalmente enterrem a franquia, antes que ela chegue ao fundo do poço.
Corpo em Evidência
3.0 118 Assista AgoraQuando assisti pela primeira vez, ainda na adolescência, confesso que não gostei. Agora tive oportunidade de revisar a produção no cinema durante a mostra Madonna: ícone Pop e nossa, que filmaço! Uma atmosfera que reúne sensualidade e neonoir, em um filme parte policial, parte de tribunal.
Para o espectador contemporâneo, esse filme tem passagens que podem no mínimo serem classificadas como problemáticas, portanto deve ser apreciado sem anacronismos e com a devida atenção por ser uma produção +18. Espero por nudez, gatilhos, sexo e todo o pacote que poderia acompanhar a rainha do pop no começo dos anos 90, em plena era Erotica/Sexy. E sem dúvida, muito mais interessante do que Cinquenta Tons de Cinza! haha
Assistido em 23/08/2025, na Mostra Madona - Ícone Pop, na Caixa Cultural.
Quem é Essa Garota?
3.0 196 Assista AgoraNão importa quantas vezes eu reveja "Quem é essa garota?", tantas irei soltar altas gargalhadas! Temos aqui Madonna em uma das suas melhores e mais autênticas atuações. É muito gostoso de ver ela totalmente solta, caótica e divertida em cada cena, além de possuir química perfeita com Griffin Dunne, que arrasa no papel de Louden.
É comédia pastelão, puro suco dos anos 80, feita para arrancar riso fácil e sincero de quem está disposto a relaxar. Não é filme para crítico de cinema blasé e muito menos para quem está esperando por atuações dignas do Oscar.
Não recomendável para gente chata e azedinha! 😅
Assistido em 15/08/2025, ao lado da melhor cia do mundo (Marcelo ❤️), na mostra "Madonna - ícone pop" na Caixa Cultural RJ
Surpresa de Shanghai
3.6 18 Assista AgoraA impressão que eu tenho é de que o roteiro desse filme tenta atirar pra tudo quanto é lado e não consegue acertar efetivamente em nenhum. Tem elementos de comédia, ação, aventura e algo de noir, tudo misturado, num roteiro confuso, repleto de situações sem sentido (como ridícula cena de "perseguição" a bordo dos requixás) e que não se sustenta com um plot tão fraco e desinteressante.
Funciona como um bom passatempo quando não tentamos levar ele tão a sério, até porque algumas cenas são até divertidas e interessantes. As atuações tanto de Sean Penn quanto Madonna beiram a vergonha alheia em alguns momentos, especialmente nas cenas de maior apelo dramático. Além disso, a química do casal em cena é quase nula, o que chega a ser surpreendente, considerando que eram casados à época.
Para quem é fã da Madonna, como eu, vale a pena conferir pela presença da rainha do pop belíssima em seu primeiro papel principal num longa metragem ("Um certo sacrifício" é um média metragem).
Assistido pela primeira vez em 15/08/2025, na mostra "Madonna - ícone pop" na Caixa Cultural RJ
Os Fantasmas Ainda Se Divertem: Beetlejuice Beetlejuice
3.4 590 Assista AgoraQuando assisti no cinema, ano passado, saí de lá bem feliz com todo o fan service que esse filme entrega. Mas na revisão é impossível não notar os sérios problemas de narrativa. Temos três arcos nessa história que são parcamente desenvolvidos.
O primeiro é o da Delores, cuja primeira cena, ao som de Tragedy dos Bee Gees é impressionante. No entanto, a personagem que promete muito, ao final não entrega nada. Após a primeira cena, Delores fica, basicamente, sem função. Ela some de cena e quando ressurge, pontualmente, é mostrada apenas vagando pelos cenários, como uma alma penada. Seu retorno "triunfante" no final, entrega uma personagem tão esvaziada de importância, que seu desfecho é meramente protocolar. Muito mal aproveitada,
Segundo arco mal conduzido é o de Jeremy. Adoro a construção que criam entrono do personagem, mas a situação é resolvida de forma tão besta e banal, que fica a impressão de que simplesmente decidiram se livrar o personagem para seguir com o bonde, sem dar muita importância a todo seu arco.
Por fim, o arco que envolve a relação entre Astrid e Richard. A personagem é introduzida na trama como alguém que rompeu com mãe sensitiva por não conseguir fazer contato com o espirito do falecido pai. Porém, quando finalmente Astrid tem a oportunidade de estar frente a frente com ele no além, nada é efetivamente desenvolvido além de trocas de olhares e frases banais.
Mas apesar desses detalhes, ainda continuando vendo essa sequência tardia (e desnecessária) com bons olhos. É um filme divertido que consegue alimentar a notalgia de fãs do primeiro.
Veja Como Eles Correm
3.2 68 Assista AgoraPara quem é fã da obra de Agatha Christie, esse filme é um deleite! A metalinguagem e as referências pretendidas pela produção somente são amplamente captadas por quem é habituado com os livros da Rainha do Crime. Para o público em geral, talvez soe como uma versão menos elaborada de Entre Facas e Segredos, por exemplo, outra produção que tem, igualmente, a literatura de Agatha Christie como fonte.
O Predestinado
4.0 1,7K Assista AgoraÉ um excelente filme e até de fácil compreensão, considerando o gênero. Para quem já cumpriu sua quota de leituras de romances policiais, em poucos minutos de filme é possível começar a desvendar o "mistério" que envolve os personagens, com as pistas que o próprio filme vai dando e, até a metade, já matar a charada completa.
Apesar do esforço na caracterização de Sarah Snook, percebi de cara que se tratava de uma mulher no papel. Assistir dublado torna essa revelação mais fácil ainda, devido a escalação equivocada de uma dubladora com uma voz flagrantemente feminina e bem pouco talentosa na tentativa de disfarçar seu timbre.
Uma fala do personagem, sobre a morte, me acendeu o alerta e me fez desconfiar que John (versão Snook) era o tal detonador. Também antecipei as revelações de que ele e Jane eram a mesma pessoa, assim como também eram a personagem de Ethan Hawke, conforme pequenas pistas, como o lance das roupas escondidas foram sendo apresentadas.
O que realmente me surpreendeu, e nesse caso, um pouco negativamente, foi
a revelação de que o bebê de Jane era também ela mesma. O Paradoxo perde o sentido quando a origem dela está nela mesma, de forma cíclica.
Mas esses pormenores não mudam o fato de que esse filme é bem interessante, divertido e bem desenvolvido. Pretendo rever outras vezes, sem dúvida! haha
Encontros e Desencontros
3.8 1,7K Assista AgoraA proposta do filme é boa: dois norte americanos solitários, "perdidos" numa metrópole oriental, onde não conseguem se identificar culturalmente ou mesmo se comunicar. O encontro dos dois é uma virada de página para os personagens. Há uma atmosfera de densidade e melancolia que até gera a expectativa de algo maior, mas infelizmente fica só nisso. Não acho que o final, meio anticlimático, não fosse o já esperado. O problema maior pra mim é que a falta de carisma que assola os protagonistas, especialmente o Bob Harris de Bill Murray. O fato de seu contraponto em cena ser a Scarlett Johansson não ajuda muito no convencimento daquilo que parece estar sendo construído ali. O filme termina deixando aquela impressão de que prometeu mais do que poderia cumprir. Talvez uma escalação mais adequada tivesse ao menos gerado um convencimento maior daquilo que a trama parece propor. Filme OK.
O Primeiro Dia
3.3 36Esse era o único longa ficcional brasileiro do Walter Salles que eu ainda não tinha assistido e acabou sendo o pior da filmografia dele, até então, para mim. Achei o roteiro, co-assinado pelos diretores em conjunto com João Emanuel Carneiro, mal desenvolvido. Há densidade nas cenas, mas não sinto que elas conseguem transportá-la para a atmosfera do filme e alcançar quem está assistindo, Ai impressão que tive foi de que a história em tela parece o tempo todo preparar o espectador para um climax que acaba não acontecendo. Quando chegamos à cena final, fiquei com a sensação de que, por mais que as tramas tivessem se reunido e sido concluídas, ainda faltava algo a dizer. Uma pena.
Encontro de Natal
3.3 45 Assista AgoraJá entrou oficialmente para a minha tradição cinematográfica natalina anual. É a quarta vez que assisto e acho que nunca vou me cansar de revisitar esse filme. É simples, clichê, fofo, positivo, bobo e gostoso de assistir, como costumam ser essas produções natalinas. O fato de ter como protagonistas um casal LGBT que não precisa enfrentar mais um drama de aceitação da sexualidade ou ser vítima de violência, já o coloca em alta conta para o meu gosto. Tenho a teoria de que quem reclama desse tipo de filme é pq já morreu por dentro com tanta amargura e falta de amor no coração. Bjs e boas festas meu povo!
Belo Desastre: O Casamento
1.9 29 Assista AgoraNunca um título fez tanto jus ao conteúdo do filme: é realmente um Belo Desastre essa sequência! O início é até interessante e divertido, mas conforme a história avança, vai ganhando contornos tão estranhos, com cenas sem propósito e de gosto não apenas duvidoso, como questionável e ultrajante. Tentam forçar humor em situações zero engraçadas e ainda se permitem repetir gags do filme anterior. Via de regra, uma piada só é realmente engraçada na primeira vez. Repeti-la, não vai alcançar o mesmo efeito, especialmente em um contexto tão gratuito. Não sei se o livro é melhor, mas essa adaptação é um desastre!
Só acho que vale a pena destacar a paródia realizada pelo filme à sequência homoerótica do jogo na praia em Top Gun. Achei bem bacana a sacada!
O Morro dos Ventos Uivantes
2.0 168Ainda que se deixe de lado o livro e foquemos exclusivamente no filme apenas por seus méritos, é difícil tecer elogios para o que encontramos nessa adaptação. Falta carisma ao elenco e química entre os casais. A ambientação costeira, tendo como cenário um farol, tinha potencial para reproduzir um atmosfera sombria e claustrofóbica, mas nem chega perto disso. Para piorar, algumas decisões criativas desse roteiro são tão questionáveis e inverossímeis que fica difícil levar essa produção a sério em algum momento.
Não há também nada a se destacar positivamente sobre o elenco, pois as atuações aqui, de um modo geral, transitam entre o péssimo e o sofrível. Os personagens soam extremamente caricatos e superficiais, um verdadeiro festival de canastrice e cafonice. Em meio a tudo isso, fica difícil determinar se realmente falta talento à esses atores ou se todos foram vítimas de uma direção incompetente, incapaz de extrair deles o mínimo de convencimento. Mas também pode ser o conjunto da obra, né?
Ao final, essa releitura de O Morro dos Ventos Uivantes falha enquanto adaptação e falha ainda mais enquanto filme independente da obra. Ficou claro o objetivo de mirar em "10 Coisas que eu Odeio em Você" (releitura moderna de "A Megera Domada", de Shakespeare), mas faltou competência na execução, com problemas que já começam na escalação de elenco, passam pelo roteiro ruim e terminam numa direção fraca e pouco criativa, ainda que considero pouco provável que até o mais brilhante diretor fosse capaz de tirar leite de pedra e salvar essa bomba cinematográfica da vergonha alheia.
Deadpool 2
3.8 1,3K Assista AgoraO primeiro filme me gerou uma grande queda expectativa, criada em parte pelo hype da época, que o vendia com o suprassumo do cinema, uma produção genial, única e com humor inteligente. O que encontrei foi só mais um filme com o padrão Marvel de humor da quinta série, com uma ou outra boa sacada, além de uma sequência de cenas onde o protagonista rompia a quarta parede, o que por si só, não é nada inovador em se tratando de cinema. O resultado, pra mim, foi ladeira abaixo e ranço registrado com sucesso.
Somente agora decidi dar uma oportunidade para ver essa sequência e acabei me surpreendendo positivamente. Indo na contramão da opinião de muitos, acho essa continuação mil vezes melhor e mais divertida. Se deixarmos de lado algumas questões que não fazem o menor sentido,
especialmente a viagem no tempo do Wade no final, salvando a namorada da morte - o que por si só, já invalidaria toda a motivação do personagem nesse filme
Belo Desastre
2.4 128Aquele filme leve, divertido e cercado de idealizações. Cumpre o papel de entreter, sem compromisso. Não vale a pena aqui perder tempo analisando o que faz e o que não faz sentido na narrativa, especialmente as escolhas da protagonista nessa trama. O objetivo desse filme é bem parecido com o de produções como Velozes e Furiosos: descansa o cérebro e divirta-se, sem buscar sentido!
A Gaiola das Loucas
3.6 245 Assista AgoraO elenco é estupendo, mas sinto que a história, na forma como é conduzida, envelheceu mal. Continua divertido, mas não há como se sentir confortável diante de toda a situação que o filho faz os pais passarem, só para fazer bonito para um senador conservador.
Para alguém que foi criado por um casal LGBT, sinto um tremendo desamor da parte de Val, especialmente ao sugerir excluir a presença de um dos pais durante o jantar, por receio de que a verdade sobre os pais viesse a tona na frente do pai de sua noiva.
Seria interessante um novo remake da peça francesa, agora apostando na dramédia para debater questões contemporâneas a partir da mesma proposta de enredo.
Wonka
3.4 457 Assista AgoraUma grata surpresa essa prequela de A Fantástica Fábrica de Chocolates. Confesso que não tinha muitas expectativas em relação a trama, então talvez por isso não tenha me gerado nenhuma frustração.
Timothée Chalamet entrega um jovem Wonka carismático e divertido, além de mandar bem nas passagens musicais. Aliás, acho curioso que algumas pessoas tenham sido surpreendidas ao descobrir que esse filme é um musical, considerando que o clássico de 1971 também é.
Falando no clássico, acho importante frisar que esse filme ignora solenemente a versão de 2005, dirigida por Tim Burton, o que inclui todos os acréscimos trazidos por aquele filme ao passado de Willy Wonka. Por isso, todas as referências e a estética desse filme se conectam com o musical de 1971, o que inclui o visual do Oompa-Loompa e do próprio Wonka.
É um filme que cumpre aquilo a que se propõe: divertir e fazer o espectador sair do cinema com um sorriso estampado no rosto e com desejo de comer chocolate.
Inclusive, sejam espertos: deixe a pipoca de lado e assista a esse filme munido de uma suculenta barra de chocolates de seu gosto. Vai ter um sabor ainda mais especial consumi-la enquanto assiste Wonka - exatamente o que fiz!
Um Corpo que Cai
4.2 1,3K Assista AgoraPara quem teve oportunidade de ler o livro antes de assistir a essa adaptação, como eu, fica notável o quão equivocada foi a decisão dos roteiristas Alec Coppel e Samuel A. Taylor de antecipar a revelação, na segunda parte,
que Judy e Madeline eram a mesma pessoa
No filme,
após a morte de Madeline
Em análise final, a primeira parte da história funcionou infinitamente melhor na adaptação, que tornou mais enxuta e dinâmica a primeira parte do romance (bastante arrastada na leitura). Em compensação, introduziu modificações na segunda parte da trama, deixando-a bem menos interessante e envolvente que no texto original.
Pavor na Cidade dos Zumbis
3.5 115Vou começar pela parte boa: a atmosfera tensa e etérea, os ângulos de filmagem e os elementos insólitos da trama. De resto, é uma tosqueira do início ao fim. É o tipo de filme daqueles tão ruim, mas tão ruim, que chega a ser divertido assistir, especialmente em grupo com amigos (como foi a minha experiência). Assista, sem esperar encontrar sentido na trama ou nas ações dos personagens, pois o que ele tem a oferecer é a mais pura diversão escapista para quem tem apreço por filmes desse gênero. Caso não tenha, passe longe!
A cereja do bolo fica com a conclusão da trama, que me remeteu imediatamente ao embate entre Doroty e a Bruxa Má do Oeste, no filme O Mágico de Oz. A influência gritou ali pra mim, haha.
Tudo em Todo O Lugar ao Mesmo Tempo
4.0 2,1K Assista AgoraConfesso que de todos os filmes indicados esse ano, Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo era o que tinha me despertado menos interesse, mas como queria assistir ao máximo de títulos antes da cerimônia, resolvi dar uma oportunidade.
O filme começa passando a sensação de que perdemos o início da história, afinal ele já nos coloca em meio ao cotidiano estressante de Evelyn uma imigrante chinesa amargurada e cercada de problemas, que se vê jogada em uma confusão sem fim ao lhe revelarem que ela é a chave para salvar todo um multiverso.
É a partir desse ponto que a coisa enlouquece e desanda por um todo. A produção sofre uma guinada de gênero, passando de drama para um misto de filme de herói com elementos de ficção científica. Isso não seria um problema se nesse processo, filme despejasse um turbilhão de informações mal explicadas que tornam tudo o que acontece à seguir algo absolutamente incompreensível. Há quem defenda que isso faz parte da proposta, mas pra mim não cola.
“Ah, mas você não entendeu o conceito”. Desculpe, mas para mim, que sou fã de David Lynch, um diretor que constrói narrativas em cima de experiências cinematográficas abstratas, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo não passa de uma grande farofa regada de efeitos especiais, cenas de luta (bem elaboradas, registre-se) e muitos absurdos sem sentido, mas capazes de proporcionar entretenimento e arrancar risadas fáceis do espectador.
É tipo um filme da Marvel, mas sem ser da Marvel! Tem inclusive até produtores em comum, os já conhecidos irmãos Russo! Então, se você é fã desse tipo de produção, sem dúvida esse filme será um verdadeiro deleite, pois só falta à Evelyn vestir uma capa e colocar um máscara para ganhar status de super-heroína!
Aliás, se há algo que merece ser destacado nesse filme são as atuações espetaculares de Michelle Yeoh, Ke Huy Quan e Jamie Lee Curtis, cujas indicações em suas categorias no Oscar foram merecidas, especialmente Yeoh, que leva esse filme nas costas! A edição, assinada por Paul Rogers também chama a atenção, por ser bem inspirada e criativa!
Mas de resto, ficou pra mim a impressão de uma oportunidade perdida, uma boa proposta, porém mal executada. O roteiro confuso (que parece se orgulhar disso) é embalado por um andamento de trama frenético, mas ironicamente tão cansativo, que em nenhum momento consegui me conectar com os personagens ou realmente me importar com a maioria deles. Em um dado momento eu me senti tal qual a maléfica figura de Jobu Tupaki: torcendo para todo mundo ser destruído, e assim abreviar a tortura que foi permanecer mais de duas horas assistindo a esse filme até o final.
Vai agradar em especial aos fãs de filmes de heróis – o que explica sua crescente popularidade. Porém, espectadores mais exigentes, tendem a se decepcionar, caso esperem por uma produção realmente inteligente e fora da caixinha, pois perceberão que o filme propõe a mesmas e já repetidas reflexões sobre amor e família, inúmeras vezes reverberadas em outras produções, apenas enfeitas com muitas bizarrices e ideias propositadamente complexas, para parecer mais descolado. É criativo, sim, admito, mas essencialmente caótico e confuso. Resumindo, o famoso superestimado!