Não me sinto decepcionado porque não criei expectativas. A escolha do roteiro em manter uma narração de "livro" não me desce, achei brega. O texto é prolixo e raso, com um protagonista de uma nota só e CGI exacerbado. O ator que faz o monstro (Jacob Elordi) é ótimo e o único que brilha de verdade, mas tudo acontece sem construção, parecendo facilitação de roteiro. Me surpreende ser um filme do Del Toro; o "fator Netflix" justifica minha desconexão. Fica a sensação de que o prestígio veio só pelo nome do diretor.
Surpreso com o quanto essa animação me tocou. É "só" uma criança descobrindo a vida, a morte e lidando com tudo isso, mas é de uma sensibilidade absurda. O filme é lindo, colorido e a protagonista transborda brilho. Talvez pudesse ser menos linear, mas talvez a proposta fosse justamente essa simplicidade. Deixa uma sensação deliciosa no final.
Uma facada das fortes! Embora a edição seja meio grosseira, o discurso é, sem dúvidas, o mais potente e emocionante dessa temporada. A sensação após ouvir os áudios originais das ligações feitas por Hind se resume à impotência e à tristeza de perceber como falhamos como humanidade. Certamente não vencerá na categoria de Filme Internacional, mas é um filme que precisa urgentemente ser vista pelo mundo.
Fofo demais, velho! Continua com a mesma magia do primeiro filme: um texto divertido, cheio de autorreferências e com um ritmo excelente. Se seguir a premissa investigativa para esse universo, temos um produto praticamente infinito.
Um filme definitivamente a cara de David Fincher. A história é longa e a montagem ajuda muito a contar os fatos sem ser tão cansativo. Mas não achei a história tão atraente como é vendida e a atuação do Jesse me parece sempre no mesmo tom - apático. É um filme bom, mas não sei se vejo um dos maiores injustiçados da história do Oscar como dizem.
Filmaço! Tem suas conveniências, mas definitivamente é um filme que desperta sentimentos e que gera apreensão. Tem muito terror/suspense por aí que promete muita coisa, mas não entrega a metade do que esse entrega sem prometer. Fui sem expectativas e saí totalmente surpreso.
Nos primeiros minutos de O Melhor Amigo, parece que estamos diante de um filme que realmente entende e abraça a comunidade que retrata. O tom é divertido, há personagens carismáticos e várias referências bem encaixadas à cultura LGBTQIA+. O problema? O roteiro não acompanha esse potencial. Mesmo com uma duração enxuta, o filme perde ritmo na reta final e parece não saber exatamente para onde está indo. O relacionamento central, por exemplo, se apresenta como algo intenso e profundo, mas o roteiro não entrega material suficiente para justificar essa conexão. Como era essa relação na faculdade? Que tipo de história eles compartilharam? Fica no ar. Os números musicais são um capítulo à parte: cumprem o papel de divertir e, às vezes, até constranger – no melhor sentido da palavra. Mas a mixagem de som deixa a desejar, e isso prejudica diretamente a experiência, especialmente no número final. O protagonista, ao contrário do que se espera de um musical, não tem um carisma explosivo. Ele é mais contido e silencioso, mas isso funciona dentro da proposta do filme, já que seu jeito introspectivo reforça o momento da vida que ele assume estar. Porém, o final abrupto só reforça a impressão de que estamos diante de um curta estendido—com alguns números musicais e cenas extras na casa de shows (além da participação da Gretchen, claro)—mas sem a profundidade ou a lapidação necessárias para sustentar um longa-metragem. Ainda assim, O Melhor Amigo tem seus momentos. Algumas sacadas de humor funcionam bem e as cenas filmadas em Canoa Quebrada são visualmente deslumbrantes. No entanto, o filme nunca chega a se concretizar como algo além de uma ideia promissora que teria funcionado melhor como episódio piloto de uma série ou, talvez, como o próprio curta que lhe deu origem.
Após anos reclamando de fazer sempre o mesmo tipo de personagem em novelas da Globo, Marcos Pigossi finalmente encontra um papel à altura—e entrega com sinceridade e camadas a trajetória de um imigrante brasileiro tentando se redescobrir nos Estados Unidos. O grande acerto do filme, além da atuação do protagonista, está em como o roteiro e a direção demonstram conhecer a comunidade que retratam, evitando abusar de caricaturas ou estereótipos. Além disso, o filme acerta ao representar com autenticidade a vida de um homem gay na faixa dos 30 anos, lidando com aceitação, relações familiares e sentimentos muitas vezes conflituosos—tudo isso enquanto tenta se adaptar a uma nova cultura.
Por outro lado, a construção emocional dos personagens parece travada, acumulando sentimentos que só explodem nos minutos finais—e nem sempre de forma convincente. Alguns temas surgem com naturalidade, enquanto outros parecem deslocados ou até mesmo forçados dentro da narrativa. No fim das contas, Maré Alta é um filme que provoca sentimentos, identificação e reflexões poderosas sobre autoconhecimento, coragem e desilusão. Além, é claro, do orgulho de ver histórias como essa ganhando espaço no cinema—e Pigossi brilhando Brasil afora.
Um palco pra Fernanda Montenegro brilhar e mostrar o porquê ela é a maior atriz do cinema brasileiro. Uma bela carta de amor ao seu trabalho minucioso e cheio de vida. O filme é bom, mas não possui um enredo que acompanhe com força o trabalho dela.
Ótimas atuações e design de produção, mas o roteiro é puro marasmo. Tem bons momentos, mas segue morno em sua grande maioria. Tem um bom comprometimento técnico, mas falta um bom enredo pra acompanhar. E particularmente não achei a Monica Bárbaro tudo isso.
A história que inspira Batalhão 6888 é poderosa e emocionante, mas sua força supera a criatividade do roteiro e da direção na hora de contá-la. Kerry Washington brilha no papel principal, transmitindo com intensidade a garra e determinação de uma líder militar negra que enfrenta preconceitos enquanto protege e guia suas companheiras. Seu desempenho é um dos grandes acertos do filme, trazendo diálogos cheios de vida e energia - apesar dos clichês. No entanto, o filme parece não atingir um ápice emocional e carece de variação em sua construção narrativa. Apesar de apresentar outras personagens e histórias dentro do batalhão, poucas são aprofundadas, e algumas acabam caindo em estereótipos comuns a personagens negras. No fim, a obra emociona mais pelo peso histórico do que por seu desenvolvimento em si, e ainda que tenha seus méritos, poderia ir além ao explorar com mais profundidade a jornada dessas mulheres tão resilientes e determinadas. Siga: @criticaspave.
Abertamente apaixonado por animações melancólicas que sou, fiquei totalmente encantado com a precisão com que Memórias de um Caracol consegue abarcar assuntos tão complexos e densos em uma atmosfera detalhista, acolhedora e com bem cabidos ótimos toques de humor. Em seus pouco mais de 90 minutos, somos convidados a acompanhar a vida desgraçada (isso sem exageros) da colecionadora de caracóis Grace, desde a sua infância, e perceber como ganhos e perdas em sua jornada contribuíram para a construção de sua personalidade silenciosa e sonhadora. A estética fúnebre de um stop-motion acinzentado acaba sendo a cereja do bolo para que abracemos as dores da protagonista e torçamos por uma mínima virada de chave. Se, por um lado, achei os primeiros minutos com um ritmo mais lento e arrastado, por outro, me sentia contente com os muitos sorrisos de canto que as composições de cena e o texto me arrancavam. Porém, enquanto a narrativa avançava e ganhava ritmo, essa positiva quebra de tensão acabou não acompanhando a crescente do enredo e, unida a uma constante narração melancólica, a sensação de cansaço tomava conta. No final, temos uma mensagem linda, um desfecho não tão surpreendente, mas que certamente abraça todos.
Capitão América: Admirável Mundo Novo é mais um exemplo da Marvel subestimando a inteligência do público, entregando um roteiro que insiste em responder perguntas óbvias dentro do próprio texto. O filme carece de um ponto de vista claro, resultado de um roteiro sem coesão, que aparenta ter passado por várias mãos.Sam Wilson continua sendo um ótimo personagem, mas o longa não tem fôlego suficiente para dar a ele o protagonismo que merece. O vilão é totalmente esquecível e, apesar do Hulk Vermelho ter sido um dos principais chamarizes nos trailers, sua presença na tela é um mísero flash (acredite). No fim, a sensação é de que passamos duas horas assistindo a um prólogo estendido para algo maior, sem que a narrativa tenha força própria. A montagem confusa, a falta de impacto emocional e os efeitos visuais inconsistentes prejudicam a experiência. Ainda assim, há bons momentos, principalmente nas coreografias de luta, que são bem executadas. Mas até mesmo o discurso sobre Sam assumir o manto do Capitão América se perde ao longo da trama. No fim das contas, parece mais um recálculo de rota da Marvel do que um projeto pensado com começo, meio e fim. E isso é uma pena, pois o arco de Sam Wilson – sua aceitação como Capitão América sem o soro de supersoldado e suas lutas pessoais – tinha um enorme potencial para um longa realmente impactante. Não é o pior filme da Marvel, mas dizer isso dificilmente pode ser considerado um elogio.
A Aardman Animations raramente decepciona, e Wallace & Gromit: A Vingança mantém a impecável qualidade artesanal do estúdio. Em um cenário onde as animações frequentemente exploram temas complexos e carregam uma notável carga dramática, esta nova aventura resgata o charme do absurdo com um roteiro leve e divertido. Embora a trama seja previsível, o estilo visual e a direção de arte fazem com que a narrativa funcione perfeitamente dentro da proposta, desde as proporções exageradas das cenas até as expressões dos personagens. O stop motion da Aardman segue impressionante, conferindo personalidade única ao filme. Apesar de não estar entre os meus favoritos do estúdio e de sentir que a história poderia ousar um pouco mais, é inegável que se trata de uma animação belíssima, cuidadosa e que exala o selo de qualidade da Aardman.
Assisti Duna já sabendo que se tratava de uma adaptação ambiciosa de uma das ficções científicas mais cultuadas e que sua narrativa estava dividida em duas partes. Essa informação me preparou para o fato de que, dentro dos longos 155 minutos de duração, nem todas as minhas perguntas seriam respondidas. Desde os primeiros minutos, fica evidente o capricho da direção de arte, da ambientação e da fotografia, que são exuberantes. O filme acerta em cheio na introdução e construção de seu universo, tornando tudo grandioso e imersivo. O roteiro me empolgou por sua sagacidade e inteligência, abordando temas como ecologia, exploração de recursos naturais e dizimação de povos originários com autenticidade.Apesar do ritmo flutuar entre o devagar e o empolgante, Duna me prendeu do início ao fim e conseguiu introduzir bem a saga nos cinemas. A escolha de dividir a narrativa em duas partes faz sentido, pois permite uma adaptação mais fiel e detalhada do material original. MASSSSSSS, em alguns momentos, essa divisão não é suficiente pra esconder uma conveniência aqui e acolá. As atuações são ótimas e, mesmo achando que Timothée Chalamet está sempre com a mesma expressão, ele convence no papel de protagonista e segura bem o peso de um filme tão grandioso. Minha maior frustração está na dificuldade do filme em encontrar o momento exato de pausar sua narrativa em ascensão para criar um desfecho que gere empolgação máxima para a continuação. Ainda assim, no que se propõe tecnicamente e narrativamente, Duna entrega o que se espera de uma grande ficção científica.
Adorei. O ritmo demora um pouco pra engatar no começo, mas o filme é tecnicamente impecável. Montagem, som, direção de arte e fotografia de quem sabe fazer cinema de qualidade. Ralph Fiennes está ÓTIMO no personagem e sua atuação é o que mais colabora para essa imersão na tensão do enredo. E o roteiro puts, incrível.
Prova viva de que alguns clássicos nacionais são intocáveis, O Auto da Compadecida 2 surge mais como uma tentativa de surfar na relevância do primeiro filme do que como uma justificativa criativa para uma sequência. A fórmula se repete: uma dupla carismática, piadas que arrancam risadas e um texto cheio de referências. Mas, no fundo, falta fôlego para justificar a existência dessa continuação nos cinemas. O filme até diverte em vários momentos, mas tecnicamente deixa a desejar. A montagem é confusa, o roteiro parece um amontoado de esquetes que funcionariam melhor num seriado, e os cenários, que no original criavam toda uma imersão, aqui soam descuidados, quase improvisados. As atuações às vezes tropeçam, como se não acompanhassem a teatralidade que o texto exige, e, por mais que eu adore João Gomes, a trilha sonora não encaixa. No fim das contas, é um repeteco que tenta emular a magia do primeiro, mas não alcança. Algumas piadas recicladas ainda funcionam, Fabíula Nascimento e Luís Miranda arrancam boas risadas, e as interações entre Selton Mello e Matheus Nachtergaele continuam sendo o ponto alto do filme. Além disso, todo o texto ao redor de Nossa Senhora ainda emociona. Porém, quando colocamos os dois filmes lado a lado, o peso dessa continuação mal chega a fazer cócegas no legado do original.
Difícil não admirar um filme que se propõe a tratar de temas tão sensíveis e raramente explorados como desejo, sexualidade, vícios e solidão. Guadagnino consegue trazer identidade e astúcia ao adaptar essa obra complexa, mas, mesmo com todos esses méritos, o filme não se completa. A jornada do protagonista, brilhantemente interpretado por Daniel Craig, é rica em nuances e angústias, mas se perde em uma narrativa fragmentada e em momentos que nos deixam mais confusos do que reflexivos. Os 137 minutos nos colocam na mente de um homem dos anos 40 — marcada por solidão e voracidade — e, embora isso tenha força, a sensação de ‘o que está acontecendo?’ persiste. Destaque para a direção de arte, fotografia e ambientação, que são impecáveis, e a coragem de encarar temas delicados, mas o filme parece querer dizer mais do que realmente consegue transmitir. Há muita sensibilidade ali, mas, por algum motivo, essa sensibilidade não chega por completo até nós. Um trabalho intrigante, mas que deixa a sensação de que poderia ter sido mais. @criticaspave
Wicked é minha porta de entrada para o universo de Oz, e que entrada! Muita coisa funciona aqui - e muito bem, por sinal. Comecemos pelo elenco: Cynthia Erivo e Ariana Grande encarnam Elphaba e Glinda com precisão, transmitindo toda a essência das personagens, seja nos momentos de humor, drama ou magia. A direção de arte, ambientação, coreografias e trabalhos vocais são impecáveis. Tudo isso resulta em uma experiência acima da média até mesmo para os padrões das grandes produções musicais atuais. Agora, para os fãs de musicais (ou até para os céticos), esse é o filme. Ele equilibra com maestria texto falado e cantado, sem cair na repetição ou no cansaço que às vezes assombram o gênero. O grande trunfo de Wicked - e o que acredito que garantira seu sucesso - é como ele faz jus às altas expectativas e ao investimento generoso. É um filme que exala grandiosidade técnica, combinando qualidades em níveis tão altos que as 2h41min passam voando. Desde que soube que a história seria dividida em duas partes, fiquei curioso sobre como condensariam o texto e onde pausariam a narrativa. O resultado foi um acerto: o filme termina em seu auge, com uma cena eletrizante e impecavelmente trabalhada. Contudo, alguns direcionamentos narrativos apresentados no caminho não foram tão desenvolvidos ou tiveram desfechos claros. Apesar disso, Wicked permanece uma obra rica, envolvente e divertida, com um equilíbrio impressionante entre complexidade e acessibilidade. Uma experiência que brilha em escala, qualidade e imersão.
Trazendo consigo a força que é representar o estúdio de animação mais autêntico da atualidade, Robô Selvagem caminha por caminhos já conhecidos, mas com um humor e identidade únicos. Além visualmente lindo, rico e colorido, o filme tem um excelente ritmo e uma ótima ambientação, a ponto de você não sentir o tempo passar e se sentir inspirado e animado nas mesmas medidas. No final, consegue a proeza de tratar de questões mais complexas, como afeto, senso de comunidade, perdas e maternidade, mantendo excelentes ritmos e desenvolvimentos.
Mas se é tudo isso, por que não não é 5⭐️?
Apesar do ótimo desenvolvimento e dos personagens divertidos e marcantes, em alguns momentos vamos cair na ideia de que alguns movimentos não geram tanta comoção ou surpresa, por já terem sido tratado antes de formas parecidas. O terceiro ato, de resolução, apresenta boas e esperadas ideias, mas a velocidade e virar de chaves parecem repentinos demais. Emociona, diverte e agrada e carrega bem o selo de qualidade dreamworks de trazer comédia nas animações de forma única.
Lindo e nostálgico, o filme consegue construir bem o enredo em torno das questões que afloram na adolescência. A fotografia é belíssima, não apenas porque o litoral alagoano brilha por si só, mas porque ela é minuciosa nos detalhes. Nessa construção, o silêncio é expressivo e, em alguns momentos, até aparenta ser suficiente. O grande "porém" é que várias subtramas vão aparecendo e tudo acaba se tornando coadjuvante. Aborda muito e não aprofunda nada. Uma pena, pois a estética é forte, as atuações são bem interessantes e as questões adolescentes tratadas poderiam trazer direcionamentos e vieses muito impactantes sobre solidão, inseguranças e autodescoberta.
Rivais (2024) não decepciona. Com Luca Guadagnino na direção e Zendaya no elenco, as expectativas estavam altíssimas, e o filme entrega tudo o que se espera. A trama é frenética, cheia de olhares intensos, atuações marcantes e uma tensão sexual absurda. A fotografia é imersiva, com enquadramentos vibrantes, e a trilha sonora acompanha bem o ritmo, incluindo até Caetano Veloso. Apesar de algumas decisões de roteiro e as quebras temporais serem questionáveis, a direção e a montagem são excepcionais. É um daqueles filmes para se envolver e mudar de opinião o tempo todo. Siga @criticaspave.
Frankenstein
3.7 600Não me sinto decepcionado porque não criei expectativas. A escolha do roteiro em manter uma narração de "livro" não me desce, achei brega. O texto é prolixo e raso, com um protagonista de uma nota só e CGI exacerbado. O ator que faz o monstro (Jacob Elordi) é ótimo e o único que brilha de verdade, mas tudo acontece sem construção, parecendo facilitação de roteiro. Me surpreende ser um filme do Del Toro; o "fator Netflix" justifica minha desconexão. Fica a sensação de que o prestígio veio só pelo nome do diretor.
A Pequena Amélie
3.9 49 Assista AgoraSurpreso com o quanto essa animação me tocou. É "só" uma criança descobrindo a vida, a morte e lidando com tudo isso, mas é de uma sensibilidade absurda. O filme é lindo, colorido e a protagonista transborda brilho. Talvez pudesse ser menos linear, mas talvez a proposta fosse justamente essa simplicidade. Deixa uma sensação deliciosa no final.
A Voz de Hind Rajab
4.2 126 Assista AgoraUma facada das fortes! Embora a edição seja meio grosseira, o discurso é, sem dúvidas, o mais potente e emocionante dessa temporada. A sensação após ouvir os áudios originais das ligações feitas por Hind se resume à impotência e à tristeza de perceber como falhamos como humanidade. Certamente não vencerá na categoria de Filme Internacional, mas é um filme que precisa urgentemente ser vista pelo mundo.
Letterboxd: @eliseumarx
Zootopia 2
3.7 170Fofo demais, velho! Continua com a mesma magia do primeiro filme: um texto divertido, cheio de autorreferências e com um ritmo excelente. Se seguir a premissa investigativa para esse universo, temos um produto praticamente infinito.
A Rede Social
3.6 3,1K Assista AgoraUm filme definitivamente a cara de David Fincher. A história é longa e a montagem ajuda muito a contar os fatos sem ser tão cansativo. Mas não achei a história tão atraente como é vendida e a atuação do Jesse me parece sempre no mesmo tom - apático. É um filme bom, mas não sei se vejo um dos maiores injustiçados da história do Oscar como dizem.
Malês
3.4 36 Assista AgoraRoteiro mal editado, mas um bom elenco e boa direção de arte. Se edição fosse melhor e o roteiro mais conciso, seria incrivel.
Ladrões
3.4 212 Assista AgoraFilmaço! Tem suas conveniências, mas definitivamente é um filme que desperta sentimentos e que gera apreensão. Tem muito terror/suspense por aí que promete muita coisa, mas não entrega a metade do que esse entrega sem prometer. Fui sem expectativas e saí totalmente surpreso.
O Melhor Amigo
2.9 55Nos primeiros minutos de O Melhor Amigo, parece que estamos diante de um filme que realmente entende e abraça a comunidade que retrata. O tom é divertido, há personagens carismáticos e várias referências bem encaixadas à cultura LGBTQIA+. O problema? O roteiro não acompanha esse potencial. Mesmo com uma duração enxuta, o filme perde ritmo na reta final e parece não saber exatamente para onde está indo. O relacionamento central, por exemplo, se apresenta como algo intenso e profundo, mas o roteiro não entrega material suficiente para justificar essa conexão. Como era essa relação na faculdade? Que tipo de história eles compartilharam? Fica no ar. Os números musicais são um capítulo à parte: cumprem o papel de divertir e, às vezes, até constranger – no melhor sentido da palavra. Mas a mixagem de som deixa a desejar, e isso prejudica diretamente a experiência, especialmente no número final. O protagonista, ao contrário do que se espera de um musical, não tem um carisma explosivo. Ele é mais contido e silencioso, mas isso funciona dentro da proposta do filme, já que seu jeito introspectivo reforça o momento da vida que ele assume estar. Porém, o final abrupto só reforça a impressão de que estamos diante de um curta estendido—com alguns números musicais e cenas extras na casa de shows (além da participação da Gretchen, claro)—mas sem a profundidade ou a lapidação necessárias para sustentar um longa-metragem. Ainda assim, O Melhor Amigo tem seus momentos. Algumas sacadas de humor funcionam bem e as cenas filmadas em Canoa Quebrada são visualmente deslumbrantes. No entanto, o filme nunca chega a se concretizar como algo além de uma ideia promissora que teria funcionado melhor como episódio piloto de uma série ou, talvez, como o próprio curta que lhe deu origem.
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Maré Alta
3.2 33Após anos reclamando de fazer sempre o mesmo tipo de personagem em novelas da Globo, Marcos Pigossi finalmente encontra um papel à altura—e entrega com sinceridade e camadas a trajetória de um imigrante brasileiro tentando se redescobrir nos Estados Unidos. O grande acerto do filme, além da atuação do protagonista, está em como o roteiro e a direção demonstram conhecer a comunidade que retratam, evitando abusar de caricaturas ou estereótipos. Além disso, o filme acerta ao representar com autenticidade a vida de um homem gay na faixa dos 30 anos, lidando com aceitação, relações familiares e sentimentos muitas vezes conflituosos—tudo isso enquanto tenta se adaptar a uma nova cultura.
Por outro lado, a construção emocional dos personagens parece travada, acumulando sentimentos que só explodem nos minutos finais—e nem sempre de forma convincente. Alguns temas surgem com naturalidade, enquanto outros parecem deslocados ou até mesmo forçados dentro da narrativa. No fim das contas, Maré Alta é um filme que provoca sentimentos, identificação e reflexões poderosas sobre autoconhecimento, coragem e desilusão. Além, é claro, do orgulho de ver histórias como essa ganhando espaço no cinema—e Pigossi brilhando Brasil afora.
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Vitória
3.7 249 Assista AgoraUm palco pra Fernanda Montenegro brilhar e mostrar o porquê ela é a maior atriz do cinema brasileiro. Uma bela carta de amor ao seu trabalho minucioso e cheio de vida. O filme é bom, mas não possui um enredo que acompanhe com força o trabalho dela.
Um Completo Desconhecido
3.5 235 Assista AgoraÓtimas atuações e design de produção, mas o roteiro é puro marasmo. Tem bons momentos, mas segue morno em sua grande maioria. Tem um bom comprometimento técnico, mas falta um bom enredo pra acompanhar. E particularmente não achei a Monica Bárbaro tudo isso.
A Verdadeira Dor
3.5 234 Assista Agoraótimo filme, ótimo roteiro e a atuação do Kieran Culkin é ótima.
Batalhão 6888
3.7 120A história que inspira Batalhão 6888 é poderosa e emocionante, mas sua força supera a criatividade do roteiro e da direção na hora de contá-la. Kerry Washington brilha no papel principal, transmitindo com intensidade a garra e determinação de uma líder militar negra que enfrenta preconceitos enquanto protege e guia suas companheiras. Seu desempenho é um dos grandes acertos do filme, trazendo diálogos cheios de vida e energia - apesar dos clichês. No entanto, o filme parece não atingir um ápice emocional e carece de variação em sua construção narrativa. Apesar de apresentar outras personagens e histórias dentro do batalhão, poucas são aprofundadas, e algumas acabam caindo em estereótipos comuns a personagens negras. No fim, a obra emociona mais pelo peso histórico do que por seu desenvolvimento em si, e ainda que tenha seus méritos, poderia ir além ao explorar com mais profundidade a jornada dessas mulheres tão resilientes e determinadas.
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Memórias de um Caracol
4.2 131 Assista AgoraAbertamente apaixonado por animações melancólicas que sou, fiquei totalmente encantado com a precisão com que Memórias de um Caracol consegue abarcar assuntos tão complexos e densos em uma atmosfera detalhista, acolhedora e com bem cabidos ótimos toques de humor. Em seus pouco mais de 90 minutos, somos convidados a acompanhar a vida desgraçada (isso sem exageros) da colecionadora de caracóis Grace, desde a sua infância, e perceber como ganhos e perdas em sua jornada contribuíram para a construção de sua personalidade silenciosa e sonhadora. A estética fúnebre de um stop-motion acinzentado acaba sendo a cereja do bolo para que abracemos as dores da protagonista e torçamos por uma mínima virada de chave. Se, por um lado, achei os primeiros minutos com um ritmo mais lento e arrastado, por outro, me sentia contente com os muitos sorrisos de canto que as composições de cena e o texto me arrancavam. Porém, enquanto a narrativa avançava e ganhava ritmo, essa positiva quebra de tensão acabou não acompanhando a crescente do enredo e, unida a uma constante narração melancólica, a sensação de cansaço tomava conta. No final, temos uma mensagem linda, um desfecho não tão surpreendente, mas que certamente abraça todos.
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Capitão América: Admirável Mundo Novo
2.7 379Capitão América: Admirável Mundo Novo é mais um exemplo da Marvel subestimando a inteligência do público, entregando um roteiro que insiste em responder perguntas óbvias dentro do próprio texto. O filme carece de um ponto de vista claro, resultado de um roteiro sem coesão, que aparenta ter passado por várias mãos.Sam Wilson continua sendo um ótimo personagem, mas o longa não tem fôlego suficiente para dar a ele o protagonismo que merece. O vilão é totalmente esquecível e, apesar do Hulk Vermelho ter sido um dos principais chamarizes nos trailers, sua presença na tela é um mísero flash (acredite). No fim, a sensação é de que passamos duas horas assistindo a um prólogo estendido para algo maior, sem que a narrativa tenha força própria. A montagem confusa, a falta de impacto emocional e os efeitos visuais inconsistentes prejudicam a experiência. Ainda assim, há bons momentos, principalmente nas coreografias de luta, que são bem executadas. Mas até mesmo o discurso sobre Sam assumir o manto do Capitão América se perde ao longo da trama. No fim das contas, parece mais um recálculo de rota da Marvel do que um projeto pensado com começo, meio e fim. E isso é uma pena, pois o arco de Sam Wilson – sua aceitação como Capitão América sem o soro de supersoldado e suas lutas pessoais – tinha um enorme potencial para um longa realmente impactante. Não é o pior filme da Marvel, mas dizer isso dificilmente pode ser considerado um elogio.
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Wallace & Gromit: Avengança
3.5 96 Assista AgoraA Aardman Animations raramente decepciona, e Wallace & Gromit: A Vingança mantém a impecável qualidade artesanal do estúdio. Em um cenário onde as animações frequentemente exploram temas complexos e carregam uma notável carga dramática, esta nova aventura resgata o charme do absurdo com um roteiro leve e divertido. Embora a trama seja previsível, o estilo visual e a direção de arte fazem com que a narrativa funcione perfeitamente dentro da proposta, desde as proporções exageradas das cenas até as expressões dos personagens. O stop motion da Aardman segue impressionante, conferindo personalidade única ao filme. Apesar de não estar entre os meus favoritos do estúdio e de sentir que a história poderia ousar um pouco mais, é inegável que se trata de uma animação belíssima, cuidadosa e que exala o selo de qualidade da Aardman.
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Duna
3.8 1,7K Assista AgoraAssisti Duna já sabendo que se tratava de uma adaptação ambiciosa de uma das ficções científicas mais cultuadas e que sua narrativa estava dividida em duas partes. Essa informação me preparou para o fato de que, dentro dos longos 155 minutos de duração, nem todas as minhas perguntas seriam respondidas. Desde os primeiros minutos, fica evidente o capricho da direção de arte, da ambientação e da fotografia, que são exuberantes. O filme acerta em cheio na introdução e construção de seu universo, tornando tudo grandioso e imersivo. O roteiro me empolgou por sua sagacidade e inteligência, abordando temas como ecologia, exploração de recursos naturais e dizimação de povos originários com autenticidade.Apesar do ritmo flutuar entre o devagar e o empolgante, Duna me prendeu do início ao fim e conseguiu introduzir bem a saga nos cinemas.
A escolha de dividir a narrativa em duas partes faz sentido, pois permite uma adaptação mais fiel e detalhada do material original. MASSSSSSS, em alguns momentos, essa divisão não é suficiente pra esconder uma conveniência aqui e acolá. As atuações são ótimas e, mesmo achando que Timothée Chalamet está sempre com a mesma expressão, ele convence no papel de protagonista e segura bem o peso de um filme tão grandioso. Minha maior frustração está na dificuldade do filme em encontrar o momento exato de pausar sua narrativa em ascensão para criar um desfecho que gere empolgação máxima para a continuação. Ainda assim, no que se propõe tecnicamente e narrativamente, Duna entrega o que se espera de uma grande ficção científica.
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Conclave
3.9 829Adorei. O ritmo demora um pouco pra engatar no começo, mas o filme é tecnicamente impecável. Montagem, som, direção de arte e fotografia de quem sabe fazer cinema de qualidade. Ralph Fiennes está ÓTIMO no personagem e sua atuação é o que mais colabora para essa imersão na tensão do enredo. E o roteiro puts, incrível.
Queria que o monólogo do Cardeal mexicano foi mais orgânico e crível, me pareceu mecânico e forçado, apesar de amar as reviravoltas aqui e ali.
4,5/5.
O Auto da Compadecida 2
3.0 445 Assista AgoraProva viva de que alguns clássicos nacionais são intocáveis, O Auto da Compadecida 2 surge mais como uma tentativa de surfar na relevância do primeiro filme do que como uma justificativa criativa para uma sequência. A fórmula se repete: uma dupla carismática, piadas que arrancam risadas e um texto cheio de referências. Mas, no fundo, falta fôlego para justificar a existência dessa continuação nos cinemas. O filme até diverte em vários momentos, mas tecnicamente deixa a desejar. A montagem é confusa, o roteiro parece um amontoado de esquetes que funcionariam melhor num seriado, e os cenários, que no original criavam toda uma imersão, aqui soam descuidados, quase improvisados. As atuações às vezes tropeçam, como se não acompanhassem a teatralidade que o texto exige, e, por mais que eu adore João Gomes, a trilha sonora não encaixa. No fim das contas, é um repeteco que tenta emular a magia do primeiro, mas não alcança. Algumas piadas recicladas ainda funcionam, Fabíula Nascimento e Luís Miranda arrancam boas risadas, e as interações entre Selton Mello e Matheus Nachtergaele continuam sendo o ponto alto do filme. Além disso, todo o texto ao redor de Nossa Senhora ainda emociona. Porém, quando colocamos os dois filmes lado a lado, o peso dessa continuação mal chega a fazer cócegas no legado do original.
Queer
3.1 187 Assista AgoraDifícil não admirar um filme que se propõe a tratar de temas tão sensíveis e raramente explorados como desejo, sexualidade, vícios e solidão. Guadagnino consegue trazer identidade e astúcia ao adaptar essa obra complexa, mas, mesmo com todos esses méritos, o filme não se completa. A jornada do protagonista, brilhantemente interpretado por Daniel Craig, é rica em nuances e angústias, mas se perde em uma narrativa fragmentada e em momentos que nos deixam mais confusos do que reflexivos. Os 137 minutos nos colocam na mente de um homem dos anos 40 — marcada por solidão e voracidade — e, embora isso tenha força, a sensação de ‘o que está acontecendo?’ persiste. Destaque para a direção de arte, fotografia e ambientação, que são impecáveis, e a coragem de encarar temas delicados, mas o filme parece querer dizer mais do que realmente consegue transmitir. Há muita sensibilidade ali, mas, por algum motivo, essa sensibilidade não chega por completo até nós. Um trabalho intrigante, mas que deixa a sensação de que poderia ter sido mais.
@criticaspave
Wicked
3.9 524 Assista AgoraWicked é minha porta de entrada para o universo de Oz, e que entrada! Muita coisa funciona aqui - e muito bem, por sinal.
Comecemos pelo elenco: Cynthia Erivo e Ariana Grande encarnam Elphaba e Glinda com precisão, transmitindo toda a essência das personagens, seja nos momentos de humor, drama ou magia. A direção de arte, ambientação, coreografias e trabalhos vocais são impecáveis. Tudo isso resulta em uma experiência acima da média até mesmo para os padrões das grandes produções musicais atuais. Agora, para os fãs de musicais (ou até para os céticos), esse é o filme. Ele equilibra com maestria texto falado e cantado, sem cair na repetição ou no cansaço que às vezes assombram o gênero.
O grande trunfo de Wicked - e o que acredito que garantira seu sucesso - é como ele faz jus às altas expectativas e ao investimento generoso. É um filme que exala grandiosidade técnica, combinando qualidades em níveis tão altos que as 2h41min passam voando.
Desde que soube que a história seria dividida em duas partes, fiquei curioso sobre como condensariam o texto e onde pausariam a narrativa. O resultado foi um acerto: o filme termina em seu auge, com uma cena eletrizante e impecavelmente trabalhada. Contudo, alguns direcionamentos narrativos apresentados no caminho não foram tão desenvolvidos ou tiveram desfechos claros. Apesar disso, Wicked permanece uma obra rica, envolvente e divertida, com um equilíbrio impressionante entre complexidade e acessibilidade. Uma experiência que brilha em escala, qualidade e imersão.
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Robô Selvagem
4.3 563Trazendo consigo a força que é representar o estúdio de animação mais autêntico da atualidade, Robô Selvagem caminha por caminhos já conhecidos, mas com um humor e identidade únicos. Além visualmente lindo, rico e colorido, o filme tem um excelente ritmo e uma ótima ambientação, a ponto de você não sentir o tempo passar e se sentir inspirado e animado nas mesmas medidas. No final, consegue a proeza de tratar de questões mais complexas, como afeto, senso de comunidade, perdas e maternidade, mantendo excelentes ritmos e desenvolvimentos.
Mas se é tudo isso, por que não não é 5⭐️?
Apesar do ótimo desenvolvimento e dos personagens divertidos e marcantes, em alguns momentos vamos cair na ideia de que alguns movimentos não geram tanta comoção ou surpresa, por já terem sido tratado antes de formas parecidas. O terceiro ato, de resolução, apresenta boas e esperadas ideias, mas a velocidade e virar de chaves parecem repentinos demais. Emociona, diverte e agrada e carrega bem o selo de qualidade dreamworks de trazer comédia nas animações de forma única.
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Sem Coração
3.5 70 Assista AgoraLindo e nostálgico, o filme consegue construir bem o enredo em torno das questões que afloram na adolescência. A fotografia é belíssima, não apenas porque o litoral alagoano brilha por si só, mas porque ela é minuciosa nos detalhes. Nessa construção, o silêncio é expressivo e, em alguns momentos, até aparenta ser suficiente. O grande "porém" é que várias subtramas vão aparecendo e tudo acaba se tornando coadjuvante.
Aborda muito e não aprofunda nada. Uma pena, pois a estética é forte, as atuações são bem interessantes e as questões adolescentes tratadas poderiam trazer direcionamentos e vieses muito impactantes sobre solidão, inseguranças e autodescoberta.
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Rivais
3.6 576 Assista AgoraRivais (2024) não decepciona. Com Luca Guadagnino na direção e Zendaya no elenco, as expectativas estavam altíssimas, e o filme entrega tudo o que se espera. A trama é frenética, cheia de olhares intensos, atuações marcantes e uma tensão sexual absurda. A fotografia é imersiva, com enquadramentos vibrantes, e a trilha sonora acompanha bem o ritmo, incluindo até Caetano Veloso. Apesar de algumas decisões de roteiro e as quebras temporais serem questionáveis, a direção e a montagem são excepcionais. É um daqueles filmes para se envolver e mudar de opinião o tempo todo.
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