De repente, naqueles dias, começaram a desaparecer pessoas, estranhamente. Desaparecia-se. Desaparecia-se muito naqueles dias.
Ia-se colher a flor oferta e se esvanecia. Eclipsava-se entre um endereço e outro ou no táxi que se ia. Culpado ou não, sumia-se ao regressar do escritório ou da orgia. Entre um trago de conhaque e um aceno de mão, o bebedor sumia. Evaporava o pai ao encontro da filha que não via. Mães segurando filhos e compras, gestantes com tricots ou grupos de estudantes desapareciam. Desapareciam amantes em pleno beijo e médicos em meio à cirurgia. Mecânicos se diluiam - mal ligavam o tôrno do dia.
Desaparecia-se. Desaparecia-se muito naqueles dias. Desaparecia-se a olhos vistos e não era miopia. Desaparecia-se até a primeira vista. Bastava que alguém visse um desaparecido e o desaparecido desaparecia. Desaparecia o mais conspícuo e o mais obscuro sumia. Até deputados e presidentes esvaneciam. Sacerdotes, igualmente, levitando iam, arefeitos, constatar no além, como os pescadores partiam.
Desaparecia-se. Desaparecia-se muito naqueles dias. Os atores no palco entre um gesto e outro, e os da platéia enquanto riam. Não, não era fácil ser poeta naqueles dias. Porque os poetas, sobretudo - desapareciam.
O filme é discreto, não faz alardes, não fala no assunto de maneira suntuosa, com requintes de drama (o que não é exagero, quando o é feito em outros filmes que retrataram ditadura, obviamente). No entanto, me parece que o objetivo era, entre tantos, que o filme nos desse impressão do que, acredito, era realmente conviver com uma ditadura: algumas pessoas agindo como se tudo estivesse bem, a vida seguindo "normalmente", e algumas poucas pessoas ligadas no que estava rolando de verdade. Impossível não me lembrar do Museu dos Direitos Humanos, em Santiago, Chile.
Renato merecia uma homenagem mais bonita. A maior decepção é saber que grande parte do filme se passa com uma personagem que nunca existiu na história do cantor. Sobre Renato, é preciso dizer também que, embora fosse rico e privilegiado, ele foi uma pessoa sensível com as questões sociais importantes e teve um papel relevante de representatividade da comunidade lgbt no cenário nacional em um período crítico da história do Brasil. Toda luta social carece de aliados.
Senti sensações estranhas durante o filme. Parece que ficou faltando algo, mesmo com tanto enredo: a relação do protagonista com a ex-esposa, o fato dele ser gay, o peso do luto, a doença que ele enfrenta, a relação do protagonista com a filha, a relação dele com a amiga, a relação dele com a religião... Não é de todo ruim, mas também não é um filme maravilhoso.
A frase "servirmos bem para servir sempre" me pegou muito também. Alguém me questionou: e quando deixamos de servir? Respondo: aí a gente deixa de existir. É preciso encontrar maneiras de existir na insubserviência.
Ao final, quando Paula troca de emprego e vai trabalhar no shopping. O empregador vira pra ela, entrega a carteira de trabalho dela e diz, mais ou menos: "seu primeiro registro, né? Agora você existe".
Filme pesadíssimo, visceral. A gente fica agoniado com a coragem que a mulher tem. No fim, só ficou uma frase (ainda que clichê, mas profunda) na minha cabeça:
"na vida, não é tão importante o que te fizeram, mas sim o que você faz com aquilo que te fizeram".
Filme muito delicado e sutil, apesar de falar de um tema visceral (religião e sexualidade). Só quem é LGBT sabe como é duro se sentir desencaixado de sua comunidade.
Gosto muito de filmes e séries sobre a comunidade judia, sobre os Haredi, e gosto ainda mais quando tem um final feliz, de aceitação, como ocorre em Desobediência. A reação final de Dovid foi linda. Mas não pude deixar de desejar que eles formassem um trisal, rs.
Enfim, apesar de ter me parecido bonito, o filme foi um pouco arrastado, demorado (nada insuportável para mim).
Fofo demais. Excelente continuação. Me lembrei que assisti A Fuga 1 no cinema, com a escola, quando eu era pequenininho. É um ótimo filme para introjetar luta de classes nas crianças, hihihihi.
O filme até pretende passar uma mensagem legal: o mundo tá acabando, a massa é refém dos ricos, precisamos nos unir, só quem tem grana conseguirá fugir... mas, a sensação que me fica é que a trama promete muito e entrega pouco. Uma coisa bem sei lá.
Algumas atuações não são perfeitas, mas tem uma história fofinha. As trilhas sonoras dialogam com o roteiro e valorizam demais a MPB. O filme tem diversidade e pode trazer umas reflexões profundas através de alguns diálogos. As cenas de sexo são muito sexys e esse Lee Taylor é um gostoso desgraçado da porra.
You're so vain You probably think this song is about you You're so vain (you're so vain) I bet you think this song is about you Don't you don't you?
Filme poético, inteligente, desvelador da inferiorização das culturas populares. Tudo que é do pobre é inferiorizado e o filme denuncia isso de uma maneira muito sensível.
Para mim, que cresci ouvindo brega (e aprendi a não gostar e a inferiorizar também) é uma libertação compreender essa relação do capital com a cultura brega.
Entre os temas atuais que o filme toca, estão: racismo, classe, prostituição, sexualidade, transgeneridade, machismo, autoaceitação, gozo.
É verdade que a diretora errou (e feio!) ao final, quando fez uma pergunta ridícula pra Marquise. Porém, vamos dar um desconto: o filme é de 2012. Nessa época, não se discutia sobre pessoas trans como hoje se discute. Aliás, para a época foi um grande avanço a diretora trazer a questão da sexualidade e das pessoas trans, porque ela poderia ter deixado a narrativa apenas na ótica hétero (ontem vi um filme sobre a cultura brega e fizeram isso). Estamos falando de oito anos atrás.
Enfim, errou? Errou e provavelmente não sabia que estava errado. Tomara que hoje tenha aprendido. O erro tirou o valor do filme? Definitivamente não.
Documentário maravilhoso. Abriu a minha mente num tanto!
A cultura popular é sempre vista como inferior porque é uma cultura que vem do povo. E tentam matar e inferiorizar tudo que é do povo: das empregadas, dos pedreiros, das putas, das atendentes, dos vendedores, dos cozinheiros... de todas as gentes e profissões que sustentam esse país tão desigual.
O brega é música com influências de nossos países irmãos da américa latina. Por isso, faz sentido a Bossa Nova ser valorizada, já que possui influências no jazz. O que é nosso é rejeitado, e o que é de fora, o que é da gringa, é visto como bonito.
É uma tristeza ver, por exemplo, que muitos filmes gringos possuem grande apelação e visibilidade, enquanto um documentário tão bonito como esse, sobre nossa cultura, possua apenas mil visualizações no youtube. Acabei de pesquisar e um documentário de pop arte possui 20 mil visualizações.
A colonização resiste na mente. Ainda somos colonizados. Talvez só tenha mudado o colono...
Eu, Tu, Eles
3.2 143 Assista AgoraTem muitos jeitos de se ser família.
Tem muitas maneiras de se dizer o não dito.
Tem muita forma de amar.
Nossos Tempos
2.8 29 Assista AgoraPromete muito e entrega pouco. Não tive paciência de terminar, embora adore filmes sobre viagem no tempo.
1976: Um Segredo na Ditadura
3.5 22De repente, naqueles dias, começaram
a desaparecer pessoas, estranhamente.
Desaparecia-se. Desaparecia-se muito
naqueles dias.
Ia-se colher a flor oferta
e se esvanecia.
Eclipsava-se entre um endereço e outro
ou no táxi que se ia.
Culpado ou não, sumia-se
ao regressar do escritório ou da orgia.
Entre um trago de conhaque
e um aceno de mão, o bebedor sumia.
Evaporava o pai
ao encontro da filha que não via.
Mães segurando filhos e compras,
gestantes com tricots ou grupos de estudantes
desapareciam.
Desapareciam amantes em pleno beijo
e médicos em meio à cirurgia.
Mecânicos se diluiam
- mal ligavam o tôrno do dia.
Desaparecia-se. Desaparecia-se muito
naqueles dias.
Desaparecia-se a olhos vistos
e não era miopia. Desaparecia-se
até a primeira vista. Bastava
que alguém visse um desaparecido
e o desaparecido desaparecia.
Desaparecia o mais conspícuo
e o mais obscuro sumia.
Até deputados e presidentes esvaneciam.
Sacerdotes, igualmente, levitando
iam, arefeitos, constatar no além,
como os pescadores partiam.
Desaparecia-se. Desaparecia-se muito
naqueles dias.
Os atores no palco
entre um gesto e outro, e os da platéia
enquanto riam.
Não, não era fácil ser poeta naqueles dias.
Porque os poetas, sobretudo
- desapareciam.
Affonso Romano de Sant’anna
1976: Um Segredo na Ditadura
3.5 22O filme é discreto, não faz alardes, não fala no assunto de maneira suntuosa, com requintes de drama (o que não é exagero, quando o é feito em outros filmes que retrataram ditadura, obviamente). No entanto, me parece que o objetivo era, entre tantos, que o filme nos desse impressão do que, acredito, era realmente conviver com uma ditadura: algumas pessoas agindo como se tudo estivesse bem, a vida seguindo "normalmente", e algumas poucas pessoas ligadas no que estava rolando de verdade. Impossível não me lembrar do Museu dos Direitos Humanos, em Santiago, Chile.
Somos Tão Jovens
3.3 2,0KRenato merecia uma homenagem mais bonita. A maior decepção é saber que grande parte do filme se passa com uma personagem que nunca existiu na história do cantor. Sobre Renato, é preciso dizer também que, embora fosse rico e privilegiado, ele foi uma pessoa sensível com as questões sociais importantes e teve um papel relevante de representatividade da comunidade lgbt no cenário nacional em um período crítico da história do Brasil. Toda luta social carece de aliados.
Mamonas Assassinas: O Filme
2.3 318 Assista AgoraEu curti. Depois, fui ver entrevistas da banda real e muita coisa se encaixou com o filme.
Como Ganhar Milhões Antes Que a Avó Morra
4.3 133 Assista AgoraO tipo de filme que nos faz chorar de soluçar no final.
Desmundo
3.5 119Filme muito pesado. Extremamente bem ambientado.
A Baleia
4.0 1,2K Assista AgoraSenti sensações estranhas durante o filme. Parece que ficou faltando algo, mesmo com tanto enredo: a relação do protagonista com a ex-esposa, o fato dele ser gay, o peso do luto, a doença que ele enfrenta, a relação do protagonista com a filha, a relação dele com a amiga, a relação dele com a religião... Não é de todo ruim, mas também não é um filme maravilhoso.
Trabalhar Cansa
3.6 224A frase "servirmos bem para servir sempre" me pegou muito também. Alguém me questionou: e quando deixamos de servir? Respondo: aí a gente deixa de existir. É preciso encontrar maneiras de existir na insubserviência.
Trabalhar Cansa
3.6 224Muita gente aqui abaixo já falou coisas interessantes sobre o filme. Gostaria, então, apenas de destacar uma cena marcante:
Ao final, quando Paula troca de emprego e vai trabalhar no shopping. O empregador vira pra ela, entrega a carteira de trabalho dela e diz, mais ou menos: "seu primeiro registro, né? Agora você existe".
É de dar um nó na garganta.
Uma Mulher Fantástica
4.1 429 Assista AgoraFilme pesadíssimo, visceral. A gente fica agoniado com a coragem que a mulher tem. No fim, só ficou uma frase (ainda que clichê, mas profunda) na minha cabeça:
"na vida, não é tão importante o que te fizeram, mas sim o que você faz com aquilo que te fizeram".
Obrigado, Marina!
Desobediência
3.7 728 Assista AgoraFilme muito delicado e sutil, apesar de falar de um tema visceral (religião e sexualidade). Só quem é LGBT sabe como é duro se sentir desencaixado de sua comunidade.
Gosto muito de filmes e séries sobre a comunidade judia, sobre os Haredi, e gosto ainda mais quando tem um final feliz, de aceitação, como ocorre em Desobediência. A reação final de Dovid foi linda. Mas não pude deixar de desejar que eles formassem um trisal, rs.
Enfim, apesar de ter me parecido bonito, o filme foi um pouco arrastado, demorado (nada insuportável para mim).
Bird Box
3.4 2,3K Assista AgoraResisti em ver, mas até que é bonzinho.
Tempo
3.1 1,2K Assista AgoraInstigante. Provocador. Vale a pena ver.
A Fuga das Galinhas: A Ameaça dos Nuggets
3.4 247 Assista AgoraFofo demais. Excelente continuação. Me lembrei que assisti A Fuga 1 no cinema, com a escola, quando eu era pequenininho. É um ótimo filme para introjetar luta de classes nas crianças, hihihihi.
O Mundo Depois de Nós
3.2 990 Assista AgoraO filme até pretende passar uma mensagem legal: o mundo tá acabando, a massa é refém dos ricos, precisamos nos unir, só quem tem grana conseguirá fugir... mas, a sensação que me fica é que a trama promete muito e entrega pouco. Uma coisa bem sei lá.
Boi Neon
3.6 466Esse Cazarré é um gostoso, pena que é negacionista.
Os Salafrários
2.7 135 Assista AgoraMais ridículo impossível.
Vergolha alheia.
Paraíso Perdido
3.8 265Algumas atuações não são perfeitas, mas tem uma história fofinha.
As trilhas sonoras dialogam com o roteiro e valorizam demais a MPB.
O filme tem diversidade e pode trazer umas reflexões profundas através de alguns diálogos. As cenas de sexo são muito sexys e esse Lee Taylor é um gostoso desgraçado da porra.
You're so vain
You probably think this song is about you
You're so vain (you're so vain)
I bet you think this song is about you
Don't you don't you?
Ponyo: Uma Amizade que Veio do Mar
4.2 1,0K Assista AgoraSó há duas maneiras de se ver a animação:
ou com os olhos de uma criança,
ou se conhecendo a beleza de uma criança.
Vou Rifar Meu Coração
4.1 222Filme poético, inteligente, desvelador da inferiorização das culturas populares. Tudo que é do pobre é inferiorizado e o filme denuncia isso de uma maneira muito sensível.
Para mim, que cresci ouvindo brega (e aprendi a não gostar e a inferiorizar também) é uma libertação compreender essa relação do capital com a cultura brega.
Entre os temas atuais que o filme toca, estão: racismo, classe, prostituição, sexualidade, transgeneridade, machismo, autoaceitação, gozo.
É verdade que a diretora errou (e feio!) ao final, quando fez uma pergunta ridícula pra Marquise. Porém, vamos dar um desconto: o filme é de 2012. Nessa época, não se discutia sobre pessoas trans como hoje se discute. Aliás, para a época foi um grande avanço a diretora trazer a questão da sexualidade e das pessoas trans, porque ela poderia ter deixado a narrativa apenas na ótica hétero (ontem vi um filme sobre a cultura brega e fizeram isso). Estamos falando de oito anos atrás.
Enfim, errou? Errou e provavelmente não sabia que estava errado. Tomara que hoje tenha aprendido. O erro tirou o valor do filme? Definitivamente não.
Amor & Brega
3.5 2Documentário maravilhoso.
Abriu a minha mente num tanto!
A cultura popular é sempre vista como inferior porque é uma cultura que vem do povo.
E tentam matar e inferiorizar tudo que é do povo: das empregadas, dos pedreiros, das putas, das atendentes, dos vendedores, dos cozinheiros... de todas as gentes e profissões que sustentam esse país tão desigual.
O brega é música com influências de nossos países irmãos da américa latina. Por isso, faz sentido a Bossa Nova ser valorizada, já que possui influências no jazz. O que é nosso é rejeitado, e o que é de fora, o que é da gringa, é visto como bonito.
É uma tristeza ver, por exemplo, que muitos filmes gringos possuem grande apelação e visibilidade, enquanto um documentário tão bonito como esse, sobre nossa cultura, possua apenas mil visualizações no youtube. Acabei de pesquisar e um documentário de pop arte possui 20 mil visualizações.
A colonização resiste na mente. Ainda somos colonizados. Talvez só tenha mudado o colono...
Aquarius
4.2 1,9K Assista AgoraQueria muito ser amigo de Clara.