Como fã de Judy, relutei bastante ao ver esse filme, pensando que se tratava de uma exploração sensacionalista barata dos momentos mais delicados da vida dela, mas acabei surpreso: o filme é bastante respeitoso nesse quesito, porém, tão fantasioso que quase não se qualifica como biografia.
O enredo toma muitas liberdades criativas ao retratar coisas que nunca aconteceram, como por exemplo:
1) Judy conhecer Mickey em uma festa e casar com ele algumas semanas depois - na verdade, ambos se conheceram em 1966, 3 anos antes do casamento, quando Mickey entregou pílulas a Judy em um hotel... depois disso, ambos conviveram por algum tempo em 1967, quando Mickey gerenciava uma casa noturna de alta categoria chamada Arthur's em Nova Iorque; 2) Judy ir pra Londres sozinha - na verdade, ela foi com Mickey, os dois já estavam noivos quando foram pra lá, e não foi ela quem o pediu em casamento, foi ele; 3) Judy estar abandonada e implorar para ir jantar na casa de fãs - Judy sempre se sentia muito sozinha depois dos shows, pois havia um contraste enorme entre o barulho ensurdecedor de uma plateia e o silêncio de um quarto de hotel, mas ela estava com o Mickey na época ; 4) Judy brigar com Mickey e se separar dele - eles permaneceram casados até a morte de Judy; 5) Sid Luft ira pra Londres; 6) Judy ser demitida do Talk of the Town - na verdade, ela finalizou o contrato e o empresário Bernard Delfont, que a contratou, disse que ela tinha sido ótima, que todos os problemas tinham valido a pena e que ela podia voltar quando quisesse, em suma, um sucesso.
Ou coisas que estão muito distorcidas, como por exemplo:
1) Judy, Lorna e Joey se apresentando numa espécie de convenção barata, quando, na verdade, a apresentação foi no Palace Theather em Nova Iorque, uma das mais tradicionais e prestigiadas casas de espetáculo do mundo; 2) Judy insultando o público com palavrões, isso nunca aconteceu; na noite do atraso em que a plateia ficou revoltada, ela estava realmente doente, gripada e se forçou a ir se apresentar, indo contra todos que a aconselharam a não ir... por isso houve um atraso de mais de uma hora. Quando a plateia ficou revoltada, além de jogarem pães, bitucas de cigarro e até copos nela, um homem invadiu o palco e a sacudiu pelos ombros dizendo que teria sido melhor não ter ido... Judy simplesmente disse "Boa noite, Deus os abençoe" e saiu do palco chorando; 3) Judy e Mickey se casaram depois do final do contrato com o Talk of the Town e o bolo de casamento fora presente da casa noturna;
Apesar de ser importante manter em mente que se trata de um filme, e não de um documentário, detalhes como esse formam uma ideia muito errada no público a respeito do tema do filme e das pessoas nele retratadas, especialmente em se tratando de um filme que pretende ser uma biografia.
A performance de Zellweger, ainda que premiada com o Oscar, me pareceu afetada demais, quase teatral. Os demais atores estavam muito melhores que ela.
Outra parte fraca do filme é a musical. Zellweger não tem o mesmo poder vocal que Judy tinha e, portanto, não há, no filme, nenhum vestígio do poder hipnótico que Judy possuía ao cantar e que permaneceu inalterado mesmo quando ela estava perto da morte, ainda que a voz, em si, não existisse mais. Aos curiosos, existem no Youtube diversos trechos dos bons concertos dados por Judy no Talk of the Town.
O filme dá a impressão de que o contrato com o Talk of the Town fora o último da carreira de Judy, o que não é verdade. Depois, ela fez uma turnê pela Escandinávia, cantou na Suécia e na Dinamarca, onde recebeu uma ovação de 10 minutos, fez uma aparição na TV britânica, visitou os Estados Unidos, e continuou ativa e fazendo planos até o dia anterior à sua morte.
Judy não era uma coitada que viveu sofrendo. Ela era uma mulher complexa que teve uma carreira tão excepcional que continuamos falando dela quase 60 anos após a sua morte. A pior coisa que podemos fazer é pensar nela como uma tragédia ambulante, especialmente porque ela não foi.
Quando nos deparamos com as situações descritas no documentário, fica fácil sermos tomados de um horror e uma repulsa por todos os envolvidos, porém é preciso ter em mente que a história como um todo, e, sobretudo, a história de todos os ramos da medicina, é uma linha no tempo, ou seja, em constante evolução, e aquilo que para nós é normal hoje, provavelmente será visto com horror em cem anos.
O que quero dizer é que fica fácil apontar o dedo e julgar os tratamentos do conforto de nossas poltronas, perdendo de vista que, na época, não havia muito desenvolvimento no ramo e que era tudo muito primitivo mesmo, assim como dentistas um dia arrancavam dentes dando cachaça aos pacientes (o que ainda acontece em partes menos desenvolvidas do mundo.)
Com isso, não quero dar a impressão de estar defendendo a venda de cadáveres, a redução dos pacientes a uma condição subumana, o eletrochoque como punição por insolência, mas sim quero apenas contextualizar, pois é preciso.
Tendo isso em conta, o documentário peca pela visão simplista e por não considerar o contexto histórico da saúde mental e por apostar em uma abordagem um tanto quanto sensacionalista.
Brilhante documentário que registra não apenas um dos mais importantes avanços científicos dos últimos tempos, mas também as consequências que este avanço teve na vida de muitas pessoas que, subitamente, viram seu mundo mudar radicalmente.
Um belo filmezinho com forte influência da nouvelle vague que nos remete aos problemas trazidos pela sociedade pós-industrializada. Como vagalumes, milhões de luzes a brilhar nos labirintos das megalópoles confundem o pensamento e nos levam a seguir ora uma, ora outra, sem apontar destino algum.
Para um filme cujo ponto principal é a linguagem, é bastante irônica a falta de habilidade do diretor em se fazer compreender. Não consegui suportar por mais de dez minutos. A animação crua é desnecessária, as questões são superficiais, a interferência de Gondry é irritante... Enfim, é um bom filme apenas se você gosta de linhas coloridas se movendo.
Remake do clássico britânico Scum (1979), Dog Pound empalidece em comparação com o original em quase todos os aspectos. Prejudicado por seu desenvolvimento irregular, cenas desnecessárias, e um diálogo que, de tão cafona, às vezes beira o de uma telenovela (- It's my kid's birthday. - These are your kids, too), Dog Pound se torna um filme descartável.
A licença dramática a respeito da biografia de Farinelli é tamanha que podemos classificar este filme como ficção. Fora isso, a direção de arte é confusa e apresenta diversos anacronismos, o que torna difícil apreciar a beleza visual que poderia ser extraída do longa. Vale a pena conferir pelas peças clássicas utilizadas no desenvolvimento, mas de uma forma geral, decepcionante.
Imóvel, a câmera observa. De repente, nos tornamos a câmera e estamos dentro daquele universo. Um certo incômodo que segue a descoberta do fato nos leva a querer sair. Não podemos. Imóveis, observamos a destruição.
Absolutamente fascinante. Um Trier com um forte sotaque Herzogniano nesta fase da Dogma 95 que inverte o postulado societário onde os mentalmente peculiares são vítimas de ridicularização, e transforma os algozes em presas.
Esse filme me deixou com uma sensação de "meh". Não que não seja muito bem realizado ou que não toque em temas delicadíssimos, mas o fato é que é um "mais do mesmo". Com exceção de ser baseado nos diários reais da protagonista, o filme não aporta nada de novo para o gênero de filmes de guerra, e portanto falha como veículo cinematográfico, na minha opininåo.
Um bom exemplo de uma tímida nouvelle vague inglesa que lança críticos olhares em direção à nossa sociedade consumista e governada pelo dinheiro. O filme é prejudicado com um primeiro ato lento, além de várias montagens que não servem propósito algum e que parecem terem sido feitas apenas para preencher tempo. Ainda assim é extremamente relevante como representante de uma era e de uma nação, que não longe do tempo de sua relização viveria uma séria crise financeira.
Filme dolorosíssimo, mas é carregado inteiramente nas costas do casal Yasuhiko e Chieko, tanto que são eles que aparecem nos posters. O que eu senti foi que o roteiro acabou mal desenvolvido por causa das muitas interferências do jovem casal que enfrenta a paranóia nuclear. Talvez se tivesse sido mais curto, sem a intervenção constante de cenas desnecessárias, teria sido um filme 5 estrelas. A cinematografia é lindíssima, os valores de produção são sólidos e fiquei encantadíssimo com Naoko Otani!
Uma das mais belas expressões poéticas da 7ª arte e um dos maiores acontecimentos no cinema de todos os tempos. O filme, de tão poderoso, nem parece pertencer a um tempo específico. É como se todas as barreiras tivessem sido rompidas por ele. Com certeza uma experiência única e repleta de lirismo e beleza. La Passion parece ter sido arrancado, através de mágica, dos tempos remotos quando o cinema não existia. É o pai e mãe de todos os filmes, anteriores e posteriores. O Santo Graal do cinema. Sua mais rara joia.
Uma das coisas mais verdadeiras e chocantes ditas pelo Tun Fei Mou em uma entrevista quando falava dos projetos para outros filmes contando atrocidades de conflitos na Ásia foi que ele não conseguiu financiamento porque o público americano só se interessa com o que aconteceu com eles. Eu fiquei paralisado com a realização dessa verdade tão simples e poderosa.
O filme segue um formato folhetinesco de narrativa e manté o foco na relação de Vaslav e Sergei Pavlovich, o que era de se esperar, já que a maior parte das pessoas se interessa muito por esse aspecto. Porém, para um filme que se diz biográfico, muitas falsidades são apresentadas. A caracterização de Nijinsky como afeminado não corresponde com a realidade. Ele sequer era gay, apesar da relação com Diaghilev, que foi mantida por interesse mútuo, porém Nijinsky frequentemente procurava prostitutas para satisfazer seus desejos heterossexuais. Portanto, o ponto-chave do filme de que Vaslvav foi levado à loucura por um desejo de reprimir sua homossexualidade é prepóstero!
Outro fato a ser notado é a caracterização da Sra. De Pulszky como a vilã da história. Basicamente todo o reconto de como ela entrou em contato com o Ballet Russes aconteceu de forma muito diferente. De fato, ela tinha interesse em se aproximar de Nijinsky porque se apaixonou por ele, mas não havia uma intenção de "curá-lo". Romola de Pulszky foi uma mulher extremamente dedicada ao marido e esteve a seu lado até o fim, quando poderia tê-lo internado num sanatório qualquer e deixá-lo de lado quando já não tinha o mundo a seus pés.
Eu poderia passar muito tempo apontando as discrepâncias entre filme X realidade, mas apenas vou deixar registrado que para um filme que diz ter sido baseado na verdade, este não passa de ficção, ou melhor, 20% de verdade que se perde em meio a folhetim de novela das 6.
Num comentário final, até mesmo os créditos de encerramento são mentirosos. Diaghilev não morreu no mar, mas sim de diabetes, confortável em uma cama. Nijinsky, depois de ter sido demitido do Ballet Russes em 1913, voltou à companhia em 1916, depois da Guerra, a pedido de Diaghilev.
Estou ainda em choque com tamanha sensível brutalidade. O filme é tão bem construído em todos os aspectos que não senti o tempo passar. Não conseguirei fazer justiça a esta obra com minhas torpes palavras, então não tentarei.
Um roteiro de Gore Vidal com base na peça de Tennessee Williams, estrelando Montgomery Clift, Katharine Hepburn e Elizabeth Taylor é basicamente uma receita de sucesso.
É preciso que se elogie a engenhosidade de Gore Vidal ao transformar a peça de um ato só de Williams que consiste em apenas dois monólogos em um roteiro tão bom e que ao mesmo tempo tenha permanecido fiel ao original. Vidal precisou adicionar personagens para fazer o filme tomar corpo, mas manteve, na medida do possível, a ideia teatral escrevendo cenas longas.
Na época, o tema da homossexualidade de Sebastian causou problemas entre os censores, mas eles permitiram que o filme fosse lançado virtualmente sem alterações por considerarem a mensagem do filme (na visão deles: de que o estilo de vida homossexual levava a fins catastróficos) era importante.
Os bastidores de Suddenly, Last Summer foram tempestuosos. Liz Taylor fez campanha para que seu amigo Montgomery Clift estivesse no filme. Clift havia sofrido um acidente de carro alguns anos antes quando ia visitar Taylor e acabou parcialmente desfigurado e com os nervos danificados, o que o levou ao alcoolismo. Durante as filmagens, Clift se sentia cansado com o ritmo longo das tomadas e precisava de constantes descansos. Ao contrário da equipe, que entendia e apoiava Clift, o diretor Joseph L. Mankiewicz não era tão amável e fazia constantes pedidos ao produtor para que ele fosse substituído. O clima das filmagens foi tão pesado para Clift que depois da última cena, quando Mankiewicz disse "corta" pela última vez, Katharine Hepburn foi até ele e cuspiu em sua cara. Muito merecido!
As palavras ficam pequenas e sem sentido perto da grandiosidade de Katharine Hepburn.
Esta versão de The Glass Menagerie me remeteu completamente a um outro filme estrelado por Kate, Long Day's Journey Into Night pelo seguinte motivo: ambos são adaptações de peças teatrais e ambos foram filmados (dentro do possível) respeitando a linguagem teatral na qual o argumento foi concebido.
Eu recomendo muito Long Day's, baseado na peça homônima de Eugene O'Neil, onde Katharine interpreta uma matriarca que acabou viciada em morfina por consequência do parto difícil de seu último filho. Apesar de não tão poderoso quanto, The Glass Menagerie conseque passar perto e transmitir aquela sensação catastrófica e claustrofóbica de Long Day's.
Por se tratar de um clássico moderno, confesso que minhas expetativas quanto a Harold and Maude estavam altas. Infelizmente, o filme foi uma decepção de certa forma grande porque o argumento é bom, mas a execução foi ruim.
Sofrendo com um primeiro ato extremamente falho, o desenvolvimento da história é prejudicado. Não se sabe se é uma comédia, um drama, uma tentativa de alguma coisa ou apenas indecisão do roteirista e diretor. Mania de Hollywood de fazer filmes que intercalam gêneros para agradar o maior público possível.
Ter apenas um músico fazendo a trilha sonora de um filme é um ato muito arriscado, e no caso desta fita, falho. Por entre cenas quietas e calmas, lá vem Cat Stevens gritando com sua voz anasalada alguma rima barata acompanhado de um arranjo pedestre.
Se não fosse pela trilha sonora e desenvolvimento, o filme teria sido excelente.
Judy: Muito Além do Arco-Íris
3.4 363 Assista AgoraComo fã de Judy, relutei bastante ao ver esse filme, pensando que se tratava de uma exploração sensacionalista barata dos momentos mais delicados da vida dela, mas acabei surpreso: o filme é bastante respeitoso nesse quesito, porém, tão fantasioso que quase não se qualifica como biografia.
O enredo toma muitas liberdades criativas ao retratar coisas que nunca aconteceram, como por exemplo:
1) Judy conhecer Mickey em uma festa e casar com ele algumas semanas depois - na verdade, ambos se conheceram em 1966, 3 anos antes do casamento, quando Mickey entregou pílulas a Judy em um hotel... depois disso, ambos conviveram por algum tempo em 1967, quando Mickey gerenciava uma casa noturna de alta categoria chamada Arthur's em Nova Iorque;
2) Judy ir pra Londres sozinha - na verdade, ela foi com Mickey, os dois já estavam noivos quando foram pra lá, e não foi ela quem o pediu em casamento, foi ele;
3) Judy estar abandonada e implorar para ir jantar na casa de fãs - Judy sempre se sentia muito sozinha depois dos shows, pois havia um contraste enorme entre o barulho ensurdecedor de uma plateia e o silêncio de um quarto de hotel, mas ela estava com o Mickey na época ;
4) Judy brigar com Mickey e se separar dele - eles permaneceram casados até a morte de Judy;
5) Sid Luft ira pra Londres;
6) Judy ser demitida do Talk of the Town - na verdade, ela finalizou o contrato e o empresário Bernard Delfont, que a contratou, disse que ela tinha sido ótima, que todos os problemas tinham valido a pena e que ela podia voltar quando quisesse, em suma, um sucesso.
Ou coisas que estão muito distorcidas, como por exemplo:
1) Judy, Lorna e Joey se apresentando numa espécie de convenção barata, quando, na verdade, a apresentação foi no Palace Theather em Nova Iorque, uma das mais tradicionais e prestigiadas casas de espetáculo do mundo;
2) Judy insultando o público com palavrões, isso nunca aconteceu; na noite do atraso em que a plateia ficou revoltada, ela estava realmente doente, gripada e se forçou a ir se apresentar, indo contra todos que a aconselharam a não ir... por isso houve um atraso de mais de uma hora. Quando a plateia ficou revoltada, além de jogarem pães, bitucas de cigarro e até copos nela, um homem invadiu o palco e a sacudiu pelos ombros dizendo que teria sido melhor não ter ido... Judy simplesmente disse "Boa noite, Deus os abençoe" e saiu do palco chorando;
3) Judy e Mickey se casaram depois do final do contrato com o Talk of the Town e o bolo de casamento fora presente da casa noturna;
Apesar de ser importante manter em mente que se trata de um filme, e não de um documentário, detalhes como esse formam uma ideia muito errada no público a respeito do tema do filme e das pessoas nele retratadas, especialmente em se tratando de um filme que pretende ser uma biografia.
A performance de Zellweger, ainda que premiada com o Oscar, me pareceu afetada demais, quase teatral. Os demais atores estavam muito melhores que ela.
Outra parte fraca do filme é a musical. Zellweger não tem o mesmo poder vocal que Judy tinha e, portanto, não há, no filme, nenhum vestígio do poder hipnótico que Judy possuía ao cantar e que permaneceu inalterado mesmo quando ela estava perto da morte, ainda que a voz, em si, não existisse mais. Aos curiosos, existem no Youtube diversos trechos dos bons concertos dados por Judy no Talk of the Town.
O filme dá a impressão de que o contrato com o Talk of the Town fora o último da carreira de Judy, o que não é verdade. Depois, ela fez uma turnê pela Escandinávia, cantou na Suécia e na Dinamarca, onde recebeu uma ovação de 10 minutos, fez uma aparição na TV britânica, visitou os Estados Unidos, e continuou ativa e fazendo planos até o dia anterior à sua morte.
Judy não era uma coitada que viveu sofrendo. Ela era uma mulher complexa que teve uma carreira tão excepcional que continuamos falando dela quase 60 anos após a sua morte. A pior coisa que podemos fazer é pensar nela como uma tragédia ambulante, especialmente porque ela não foi.
Holocausto Brasileiro
4.3 158Quando nos deparamos com as situações descritas no documentário, fica fácil sermos tomados de um horror e uma repulsa por todos os envolvidos, porém é preciso ter em mente que a história como um todo, e, sobretudo, a história de todos os ramos da medicina, é uma linha no tempo, ou seja, em constante evolução, e aquilo que para nós é normal hoje, provavelmente será visto com horror em cem anos.
O que quero dizer é que fica fácil apontar o dedo e julgar os tratamentos do conforto de nossas poltronas, perdendo de vista que, na época, não havia muito desenvolvimento no ramo e que era tudo muito primitivo mesmo, assim como dentistas um dia arrancavam dentes dando cachaça aos pacientes (o que ainda acontece em partes menos desenvolvidas do mundo.)
Com isso, não quero dar a impressão de estar defendendo a venda de cadáveres, a redução dos pacientes a uma condição subumana, o eletrochoque como punição por insolência, mas sim quero apenas contextualizar, pois é preciso.
Tendo isso em conta, o documentário peca pela visão simplista e por não considerar o contexto histórico da saúde mental e por apostar em uma abordagem um tanto quanto sensacionalista.
Código de Conduta
4.0 1,8K Assista AgoraEu gostei bastante desse filme, apesar de alguns buracos bem evidentes no roteiro.
Sound and Fury
4.1 2Brilhante documentário que registra não apenas um dos mais importantes avanços científicos dos últimos tempos, mas também as consequências que este avanço teve na vida de muitas pessoas que, subitamente, viram seu mundo mudar radicalmente.
Siddharth
4.0 3Siddharth tem o mérito de ser um filme honesto.
Oh Boy
3.8 92Um belo filmezinho com forte influência da nouvelle vague que nos remete aos problemas trazidos pela sociedade pós-industrializada. Como vagalumes, milhões de luzes a brilhar nos labirintos das megalópoles confundem o pensamento e nos levam a seguir ora uma, ora outra, sem apontar destino algum.
O Homem Que é Alto é Feliz?
4.0 9Para um filme cujo ponto principal é a linguagem, é bastante irônica a falta de habilidade do diretor em se fazer compreender. Não consegui suportar por mais de dez minutos. A animação crua é desnecessária, as questões são superficiais, a interferência de Gondry é irritante... Enfim, é um bom filme apenas se você gosta de linhas coloridas se movendo.
O Canil
3.7 38 Assista AgoraRemake do clássico britânico Scum (1979), Dog Pound empalidece em comparação com o original em quase todos os aspectos. Prejudicado por seu desenvolvimento irregular, cenas desnecessárias, e um diálogo que, de tão cafona, às vezes beira o de uma telenovela (- It's my kid's birthday. - These are your kids, too), Dog Pound se torna um filme descartável.
Farinelli
3.7 43A licença dramática a respeito da biografia de Farinelli é tamanha que podemos classificar este filme como ficção. Fora isso, a direção de arte é confusa e apresenta diversos anacronismos, o que torna difícil apreciar a beleza visual que poderia ser extraída do longa. Vale a pena conferir pelas peças clássicas utilizadas no desenvolvimento, mas de uma forma geral, decepcionante.
No Quarto da Vanda
4.0 17Imóvel, a câmera observa. De repente, nos tornamos a câmera e estamos dentro daquele universo. Um certo incômodo que segue a descoberta do fato nos leva a querer sair. Não podemos. Imóveis, observamos a destruição.
Os Idiotas
3.5 283 Assista AgoraAbsolutamente fascinante. Um Trier com um forte sotaque Herzogniano nesta fase da Dogma 95 que inverte o postulado societário onde os mentalmente peculiares são vítimas de ridicularização, e transforma os algozes em presas.
Anônima - Uma Mulher em Berlim
3.7 38Esse filme me deixou com uma sensação de "meh". Não que não seja muito bem realizado ou que não toque em temas delicadíssimos, mas o fato é que é um "mais do mesmo". Com exceção de ser baseado nos diários reais da protagonista, o filme não aporta nada de novo para o gênero de filmes de guerra, e portanto falha como veículo cinematográfico, na minha opininåo.
A Solidão de uma Corrida Sem Fim
4.1 16Um bom exemplo de uma tímida nouvelle vague inglesa que lança críticos olhares em direção à nossa sociedade consumista e governada pelo dinheiro. O filme é prejudicado com um primeiro ato lento, além de várias montagens que não servem propósito algum e que parecem terem sido feitas apenas para preencher tempo. Ainda assim é extremamente relevante como representante de uma era e de uma nação, que não longe do tempo de sua relização viveria uma séria crise financeira.
A Terra da Esperança
3.8 11Filme dolorosíssimo, mas é carregado inteiramente nas costas do casal Yasuhiko e Chieko, tanto que são eles que aparecem nos posters. O que eu senti foi que o roteiro acabou mal desenvolvido por causa das muitas interferências do jovem casal que enfrenta a paranóia nuclear. Talvez se tivesse sido mais curto, sem a intervenção constante de cenas desnecessárias, teria sido um filme 5 estrelas. A cinematografia é lindíssima, os valores de produção são sólidos e fiquei encantadíssimo com Naoko Otani!
A Paixão de Joana d'Arc
4.5 240 Assista AgoraUma das mais belas expressões poéticas da 7ª arte e um dos maiores acontecimentos no cinema de todos os tempos. O filme, de tão poderoso, nem parece pertencer a um tempo específico. É como se todas as barreiras tivessem sido rompidas por ele. Com certeza uma experiência única e repleta de lirismo e beleza. La Passion parece ter sido arrancado, através de mágica, dos tempos remotos quando o cinema não existia. É o pai e mãe de todos os filmes, anteriores e posteriores. O Santo Graal do cinema. Sua mais rara joia.
Campo 731: Bactérias, a Maldade Humana
3.4 100Uma das coisas mais verdadeiras e chocantes ditas pelo Tun Fei Mou em uma entrevista quando falava dos projetos para outros filmes contando atrocidades de conflitos na Ásia foi que ele não conseguiu financiamento porque o público americano só se interessa com o que aconteceu com eles. Eu fiquei paralisado com a realização dessa verdade tão simples e poderosa.
Nijinsky - Uma História Real
3.4 8O filme segue um formato folhetinesco de narrativa e manté o foco na relação de Vaslav e Sergei Pavlovich, o que era de se esperar, já que a maior parte das pessoas se interessa muito por esse aspecto. Porém, para um filme que se diz biográfico, muitas falsidades são apresentadas. A caracterização de Nijinsky como afeminado não corresponde com a realidade. Ele sequer era gay, apesar da relação com Diaghilev, que foi mantida por interesse mútuo, porém Nijinsky frequentemente procurava prostitutas para satisfazer seus desejos heterossexuais. Portanto, o ponto-chave do filme de que Vaslvav foi levado à loucura por um desejo de reprimir sua homossexualidade é prepóstero!
Outro fato a ser notado é a caracterização da Sra. De Pulszky como a vilã da história. Basicamente todo o reconto de como ela entrou em contato com o Ballet Russes aconteceu de forma muito diferente. De fato, ela tinha interesse em se aproximar de Nijinsky porque se apaixonou por ele, mas não havia uma intenção de "curá-lo". Romola de Pulszky foi uma mulher extremamente dedicada ao marido e esteve a seu lado até o fim, quando poderia tê-lo internado num sanatório qualquer e deixá-lo de lado quando já não tinha o mundo a seus pés.
Eu poderia passar muito tempo apontando as discrepâncias entre filme X realidade, mas apenas vou deixar registrado que para um filme que diz ter sido baseado na verdade, este não passa de ficção, ou melhor, 20% de verdade que se perde em meio a folhetim de novela das 6.
Num comentário final, até mesmo os créditos de encerramento são mentirosos. Diaghilev não morreu no mar, mas sim de diabetes, confortável em uma cama. Nijinsky, depois de ter sido demitido do Ballet Russes em 1913, voltou à companhia em 1916, depois da Guerra, a pedido de Diaghilev.
O Intendente Sansho
4.5 67Estou ainda em choque com tamanha sensível brutalidade. O filme é tão bem construído em todos os aspectos que não senti o tempo passar. Não conseguirei fazer justiça a esta obra com minhas torpes palavras, então não tentarei.
De Repente, No Último Verão
4.1 100 Assista AgoraUm roteiro de Gore Vidal com base na peça de Tennessee Williams, estrelando Montgomery Clift, Katharine Hepburn e Elizabeth Taylor é basicamente uma receita de sucesso.
É preciso que se elogie a engenhosidade de Gore Vidal ao transformar a peça de um ato só de Williams que consiste em apenas dois monólogos em um roteiro tão bom e que ao mesmo tempo tenha permanecido fiel ao original. Vidal precisou adicionar personagens para fazer o filme tomar corpo, mas manteve, na medida do possível, a ideia teatral escrevendo cenas longas.
Na época, o tema da homossexualidade de Sebastian causou problemas entre os censores, mas eles permitiram que o filme fosse lançado virtualmente sem alterações por considerarem a mensagem do filme (na visão deles: de que o estilo de vida homossexual levava a fins catastróficos) era importante.
Os bastidores de Suddenly, Last Summer foram tempestuosos. Liz Taylor fez campanha para que seu amigo Montgomery Clift estivesse no filme. Clift havia sofrido um acidente de carro alguns anos antes quando ia visitar Taylor e acabou parcialmente desfigurado e com os nervos danificados, o que o levou ao alcoolismo. Durante as filmagens, Clift se sentia cansado com o ritmo longo das tomadas e precisava de constantes descansos. Ao contrário da equipe, que entendia e apoiava Clift, o diretor Joseph L. Mankiewicz não era tão amável e fazia constantes pedidos ao produtor para que ele fosse substituído. O clima das filmagens foi tão pesado para Clift que depois da última cena, quando Mankiewicz disse "corta" pela última vez, Katharine Hepburn foi até ele e cuspiu em sua cara. Muito merecido!
Algemas de Cristal
3.4 8As palavras ficam pequenas e sem sentido perto da grandiosidade de Katharine Hepburn.
Esta versão de The Glass Menagerie me remeteu completamente a um outro filme estrelado por Kate, Long Day's Journey Into Night pelo seguinte motivo: ambos são adaptações de peças teatrais e ambos foram filmados (dentro do possível) respeitando a linguagem teatral na qual o argumento foi concebido.
Eu recomendo muito Long Day's, baseado na peça homônima de Eugene O'Neil, onde Katharine interpreta uma matriarca que acabou viciada em morfina por consequência do parto difícil de seu último filho. Apesar de não tão poderoso quanto, The Glass Menagerie conseque passar perto e transmitir aquela sensação catastrófica e claustrofóbica de Long Day's.
A Paixão de Joana d'Arc
4.5 240 Assista Agora"Vous dites que je suis l'envoyée du diable, ce n'est pas vrai. C'est vous qui êtes envoyés par le diable pour me faire souffrir."
Ensina-me a Viver
4.3 880 Assista AgoraPor se tratar de um clássico moderno, confesso que minhas expetativas quanto a Harold and Maude estavam altas. Infelizmente, o filme foi uma decepção de certa forma grande porque o argumento é bom, mas a execução foi ruim.
Sofrendo com um primeiro ato extremamente falho, o desenvolvimento da história é prejudicado. Não se sabe se é uma comédia, um drama, uma tentativa de alguma coisa ou apenas indecisão do roteirista e diretor. Mania de Hollywood de fazer filmes que intercalam gêneros para agradar o maior público possível.
Ter apenas um músico fazendo a trilha sonora de um filme é um ato muito arriscado, e no caso desta fita, falho. Por entre cenas quietas e calmas, lá vem Cat Stevens gritando com sua voz anasalada alguma rima barata acompanhado de um arranjo pedestre.
Se não fosse pela trilha sonora e desenvolvimento, o filme teria sido excelente.
Siberian Education
3.5 41"A man cannot possess more than his heart can love."
Adeus, Meninos
4.2 258 Assista Agora- Au revoir, mon père.
- Au revoir, les enfants.
[Nó na garganta]