Gosto de muitos filmes desse diretor. "Um sonho de amor", "Me chame pelo seu nome", "Até os ossos" e o recente "Rivais". Porém, Queer se perde na falta de profundidade em relação aos personagens, que se tornam rasos, repetitivos e enfadonhos, contagiando o filme com esse inevitável marasmo.
Devido às inúmeras críticas negativas, eu tinha uma baixa expectativa em relação a esse filme. Provavelmente isso contribuiu para que eu tivesse uma boa experiência. Realmente o filme é totalmente diferente do primeiro, pois se trata mais de um filme de tribunal e com toques de musical. Eu não gosto de filmes de musicais propriamente ditos, mas as inserções musicais em Coringa não me incomodaram, muito embora o Joaquim Phoenix fosse um péssimo cantor, destoando da perfomance musical da Lady Gaga. As inserções musicais eram curtas e sempre dramáticas, ornando com a temática sombria do filme. E eu amo filmes de tribunais, logo, me agradou essa parte do filme. Quem realmente estava esperando um filme nos moldes do anterior, realmente se decepcionou. Mas quem estava aberto a uma nova experiência, pode ter uma boa surpresa.
Por exemplo, a polícia científica conseguiu constatar se a namorada poderia ser a atiradora pela estatura dela e posição dele? Como foi a dinâmica do crime, de acordo com a polícia científica? Havia digital de outras pessoas no imóvel e na arma? Havia câmeras proximas que flagraram a movimentação no imóvel? Afinal, qual a história verdadeira da arma do crime? O possuidor emprestou para a amante? A polícia conseguiu determinar onde o possuidor da arma realmente estava atraves da geolocalizacao do celular dele?
Triste perceber que as grandes empresas mentem quando informam que embalagens e itens são recicláveis. Mentem quando afirmam que tem políticas de reciclagem, quando na verdade até, literalmente, transferem o problema para países pobres sob o falso pretexto de "doações". E é triste perceber que as empresas realmente não querem investir nada em criar mecanismos eficazes de reciclagem ou criar produtos verdadeiramente "green". É triste perceber que governos não fazem nada e que sim, o que importa é o lucro. O mundo está entrando em um colapso ambiental, que chegará muito antes do previsto.
Apesar de muitos defenderem que houve "romantizacao" e mitigação da violência física e psicológica, eu acredito que, ao contrário, a autora do livro e diretor quiseram fazer um importante alerta: atrás de homens bem sucedidos e carinhosos, há ali um agressor em potencial, que irá se revelar em alguns momentos, que serão defendidos pelo agressor como "rompantes" e que este fará promessas que "nunca se repetirá" e que a mulher é "a pessoa da vida dele", seguido de falas mansas por parte do agressor e até choros copiosos. As pessoas, com base no que é divulgado na mídia, tem a cegueira de enxergar que apenas determinadas relações estereotipadas são psicologicamente e fisicamente atentatórias a condição digna da mulher e, muitas vezes, essas pessoas estão inseridas em relações abusivas e não conseguem perceber, muito embora exista a desconfiança e a insatisfação. E, esses agressores não estereotipados, que possuem status social e econômico, passam incólumes, mantendo as vítimas em bolhas de violência. E quando a vítima finalmente percebe e rompe esse ciclo é porque o caso chegou em uma violência mais extrema, pois o agressor, com o tempo, piora o grau de agressão. Me pergunto, depois desse filme, quantas mulheres que estão com esses "falsos príncipes" se identificaram com a personagem e estão questionando as próprias relações. Enfim, acho que o filme foi apedrejado por uma massa que não tem experiência como as situações de violência doméstica realmente ocorrem, pois vivem presas nos estereótipos.
Karim Aïnouz é um diretor incrível. Só ele mesmo para conseguir transformar um roteiro simples e cru em uma rica viagem cinematográfica. O filme é literalmente carnal e visual, com muitos "gemidos" em substituição à diálogos. Mas apesar dele ser um gênio, a precariedade do roteiro não contribui para transformar essa obra em uma das melhores de Karim Aïnouz, pois o filme terminou não sendo violento suficiente e nem erótico suficiente. Ficou no confortável meio termo, que sacrificou a sua essência. Mas, por outro lado, como o filme foi abraçado por Cannes e outros festivais importantes, se tornando uma obra reconhecida, isso foi extremamente importante, pois Karim Aïnouz merece todos os aplausos. Além de brilhante diretor, é um ser humano humilde e visionario, que voltou às raízes do Ceará para dar oportunidades a atores e profissionais de cinema do Ceará, dando necessários holofotes a essas pessoas que merecem oportunidade e reconhecimento. Nesse ponto, Motel Destino assume um papel cultural importantíssimo no contexto brasileiro, que vive um declínio cultural sem precedentes. Para ilustrar a relevância cultural e social da obra, o ator Iago Xavier é um jovem que reside em uma das comunidades mais violentas de Fortaleza, que se chama Pirambu e que se formou ator por um equipamento do governo do Ceará. Muito orgulho da trajetória dele, que demonstra que a arte é um importante meio de transformação social, que deveria ser mais utilizada pelos governos. Parabéns Karim Aïnouz por ser, acima de tudo, um ser humano incrível.
Filme humano, sensível e muito bem executado, que foge de estereótipos, apesar de ter personagens que facilmente se encaixam em estereótipos. Mostra uma Istambul efervescente e alegre, que assume também um protagonismo na história, sendo responsável por aliviar as tensões e tristezas.
Tipos de gentileza mostra três tipos diferentes de controle, com binômios bem definidos de dominador/dominado, tendo por fio condutor as relações profissionais (mostrado na primeira historia), as relações amorosas (mostrado na segunda história) e as relações religiosas ou similares (mostradas na ultima história). Claro que o diretor, em certos momentos, exagera na bizarrice, mas em muitos momentos ele reproduz situações que acontecem com o ser humano, nesses tres tipos de relação. Travestido por gestos "gentis", existe ali uma verdadeira relação abusiva e dominadora. O patrão domina o empregado através do emprego e da consequente provisao financeira. Nas relações amorosas, a velha frase "se você me ama, prove fazendo isso..." apresenta a submissão sentimental e manipulação bem evidentes, pois o amante faz greve de fome e pede para ser alimentado com partes do corpo da mulher. É exagerado, mas reproduz o alto grau de manipulação existente nas relações amorosas abusivas, que infelizmente sao frequentes em nossa sociedade machista e controladora. Destaque-se que quem esta inserido nessas situações, os abusos e a submissao são situações "normais", porém, essa relação, sob o olhar de pessoas de fora, no caso nós expectadores, enxergamos ali toda a relação de abuso e jogos de poder. A pessoa que esta inserida dentro dessas situações tem a falsa sensação de liberdade, acreditando que detem algum poder de escolha. Destaque para a ultima forma de dominação que mostra uma seita que faz toda uma lavagem cerebral, culminando em afastamento da pessoa com a família, relação abusiva de sexo sob o pretexto de purificação, relação amorosa restrita entre os integrantes, etc. Para quem assistiu o documentário "Dançando para o diabo" da Netflix e outros que retratam seitas, o diretor mostrou todos os fundamentos das seitas. É bizarro, doentio, mas é real
Não sei se o fato de eu ter visto recentemente o excelente " O Marinheiro das montanhas" do grande diretor cearense Karim Aïnouz me fez comparar as duas obras. Ambas encontram acolhida em memórias afetivas passadas, com um narrador, mesclando fotos, narrativas pessoais familiares e afetividades do passado que ecoam nos diretores. Mas enquanto a obra do Karim tem uma montagem deslumbrante, sendo uma narrativa complexa, mas coesa na construçao e desenvolvimento das ideias, não consegui ver essa mesma perspectiva na obra Retratos Fantasmas do Kleber. A parte 1 parece totalmente desconectada da parte 2, ligando ambas apenas sob o aspecto do saudosismo. A parte 1, soa mais pessoal e afetiva e, assim como na obra de Karim, o protagonismo também recaiu sobre a falecida mãe do diretor. Entretanto, a parte que retratou os cinemas antigos teve um ou outro momento interessante, mas ao todo ressoou insossa, pálida e sem alma. Se o Kleber tivesse estendido a parte 1, na mesma linha de desenvolvimento de ideias, acho que seria um filme muito mais interessante.
em certo momento do filme consegui perceber que ela é imaginária. No momento em que ela vai no banheiro masculino, tem outro homem dentro e ele não percebe a presença dela, algo que qualquer homem iria fixar olhar por achar estranho. A partir dali entendi tudo
O filme, desde o início, insinuou quem era o personagem Daniel. Os poucos diálogos com a irmã deixam claro que os filhos foram "quem o pai queria", atingindo uma conotação tanto na profissão, como na vida particular. O diálogo ocorre quando a irmã pensa em mudar de atividade profissional, deixando claro que o pai havia escolhido e ela estava insatisfeita, demonstrando como a figura paterna decidia a vida dos filhos. E o filho Daniel, por ser homem, segue ainda mais forte os desejos e imposições do pai, ao seguir os passos profissionais. E pelo visto, a educação foi rígida, conforme se depreende em alguns diálogos entre Daniel e o amigo de Sara, pois Daniel, conforme ele mesmo se define, não foi criado para contestar, mas sim, para seguir ordens. Nesse sentido, percebemos, atraves de um amigo policial de Daniel, que o pai de Daniel é muito conhecido e que ele tem orgulho de suas medalhas e trajetória profissional, como no momento em que ele vestiu seu traje de eventos de gala, demonstrando que, com certeza, ele queria que o filho fosse o reflexo desse "sucesso".Eu concordo que, desde o início, o pouco que foi mostrado da interação virtual entre Daniel e Sara, ficou claro que Sara não era uma mulher cis. Isso também diminuiu o impacto e surpresa da descoberta, mas refletindo bem, acredito que o diretor não estava almejando surpreender o público, mas sim demonstrar que, na verdade, Sara pouco escondeu quem era de fato, mas era Daniel que se recusava e enxergar o lógico e que este fugiu da realidade a todo momento, até ter o contato físico com Sara. Esse contato conectou ele com a realidade que ele inconscientemente tentava fugir. A partir desse ponto, Daniel trava uma luta interna, ao ponto de acreditar que precisa dar alguma explicação para o pai, que não tem mais discernimento, pois Daniel foi um "fracasso profissional" e este não queria mais uma vez "fracassar" e decepcionar o seu pai, sendo que essa "decepção" foi algo que foi criado no psicológico de Daniel, pois sequer seu pai tinha mais consciência da realidade. Esse ponto da ligação para o pai, mais uma vez, ratifica como essa figura paterna foi e continuava sendo determinante para as ações de Daniel. Um ponto negativo do filme é que achei que Daniel, apesar de todas as travas psicológicas, desenvolveu uma relação íntima muito rápida com Sara, ao ponto de beijar esta em público, mesmo não estando travestida de mulher e fazer sexo no estereotipado banheiro de rodoviária. Enfim... achei que o final foi apressado e merecia uma cadência melhor, para ficar mais crível. No mais, um filme com belas paisagens, atuações sensíveis e competentes e um roteiro consistente.
O filme é uma coleção de infelizes desacertos, que inicia desde as interpretações carregadas até o desperdício nas fotografias, que poderia ser algo compensador e o ponto forte do filme. Pura decepção
Eu nunca gostei muito dos filmes do Leos Carax, apesar das críticas positivas dos filmes dele. Mas realmente insistir vale a pena. Annette é um musical mais cru, ou nas palavras do seus idealizadores "mais naturalista", motivo pelo qual não existe também essa perfeição na forma de cantar, pois o importante era transmitir a emoção. Sim.. e emoção não faltou. Adam Driver excelente!! Realmente o filme merece todas as críticas positivas que teve.
Depois do cultuado "História de um casamento", Noah Baumbach ousou ao não repetir a fórmula do sucesso e se reinventou, de forma corajosa e deliciosamente nostálgica, ao nos brindar com esse filme gracioso, cheias de referências dos anos 80/90, com personagens interessantes, situações non senses, sem retirar a autenticidade. Para mim, o filme funcionou, divertiu e emocionou. Quem dera se tivesse uma continuação...
Alejandro González Iñárritu tinha pleno conhecimento que seria uma obra difícil de ser digerida pela crítica e pelo público, mas mesmo assim, como artista e claro com o todo o apoio da Netflix, encabeçou esse corajoso projeto, talvez mais necessário para ele próprio do que para o público, pois tem aspectos biográficos narrados de forma fantástica, abandonando a literalidade biográfica escolhida por outro famoso diretor mexicano Alfonso Cuaron no aclamado Roma, também da Netflix. A possível consciência crítica da escolha do novo projeto fica clara quando o alter ego fictício dele conversa com um algoz amigo jornalista, que descreve o projeto como ambicioso, onírico, mas nada poético. Eu achei a primeira hora sofrível e desnecessariamente longa, mas depois as peças iniciais mostradas vão se encaixando organicamente na trama. Depois dessa primeira hora de filme, Alejandro González Iñárritu mostrou toda a sua genialidade, em um puro deleite cinematográfico, com diálogos inspirados e corajosos abordando de forma sucinta, mas voraz e ácida, sobre vários aspectos da história como colonização pela Espanha, ditadura, migração, discriminação e ainda problemas familiares, misturados com belas paisagens e composições. Na minha opinião, Alejandro González Iñárritu mais acertou do que errou a destilar sua verborragia e sim, entregou poesia em forma de imagens.
A partir de uma história simples, os diretores conseguiram desenvolver uma narrativa instigante, com muitas nuances e interpretações, em um enredo dramático que vai envolvendo e disseminando em nossas capilaridades. E percebendo bem, a trama não é tão inteligível quanto aparenta ser, pois esconde histórias familiares de um passado/presente obscuro.
Nesse sentido, o achado do suposto filho perdido é apenas um dos aspectos utilizados para revolver o passado. Quem era o pai? Como ele morreu? Como o filho desapareceu? O filme não lança mão de respostas textuais e prontas, mas sim lança pequenas migalhas que devem ser interpretadas e nos lançam um desafio mental. De um lado, temos o relacionamento do irmão da vítima com a cunhada, que mais parece um relacionamento abusivo, pois ele se aproveita das dores e fragilidades emocionais de sua cunhada. Nesse aspecto, com a chegada do filho perdido, esse personagem se revela ciumento, ficando sempre a espreita e é sexualmente rejeitado com o retorno da prole perdida. Do outro lado, temos o filho perdido, que não sabemos se é um impostor. Ele tem cicatrizes no corpo, mas não sabemos o passado dele para sabermos se existe mesmo esse nexo de causalidade entre as cicatrizes e atos violentos do pai. Essas cicatrizes, mesmo parecidas com a da mãe, podem ter sido decorrentes de outros abusos. O suposto filho também tem algumas memórias como ouriço do mar que lesionou o pé, criação de animais, etc. Mas essas informações podem ter sido obtidas na Internet e nos vídeos caseiros de praia que ele sempre visualizava. Ao ser confrontado com o seu "padrinho" que disse que o suposto filho era um impostor, ele não negou e argumentou que o padrinho o queria inserido em uma família. O suposto filho também questionou o primo como este tinha certeza que ele era o desaparecido. As pessoas acreditam naquilo que elas querem acreditar. Quem renega é o tio, que efetivamente pode ter matado o sobrinho e por isso tinha tanta certeza que o jovem não poderia ser ele. Também nos questionamos como uma criança poderia sobreviver a neve e ter saído caminhando sem rumo, indo parar em um local distante
Um filme contemplativo, com um roteiro primoroso, que conseguiu agregar passado e presente, em um fluxo crescente de drama, onde o passado está sempre onipresente. Os personagens são interligados nesse passado, que aos poucos é revelado de forma brilhante pelo diretor, através de pequenas e inteligentes inserções. Sem dúvidas, um dos melhores filmes do catálogo recente da Netflix juntamente com Athena.
Eu não achei o filme misógino, ao contrário, o filme, partindo da premissa de reproduzir alguns fatos fictícios, tentou expor os sentimentos internalizados da Marilyn Monroe, ou melhor, da Norma, fazendo uma ruptura da personagem com a persona. A personagem Marilyn era sedutora, sexy, destemida. E Norma? Quem era a Norma?
o diretor toda hora mostra, mesmo com fatos ficcionais, a sequência de abusos de que Norma foi vítima, desde o abuso psicológico na infância, com a mãe esquizofrênica, até o abuso de diretores, marido e de seus agentes, que faziam de tudo para que ela atuasse e se submetesse a papéis que a envergonhavam, mesmo ela não estando bem psicologicamente. A vida dela foi uma sucessão de abusos e o diretor deixou isso claro ao mostrar que até o presidente queridinho dos USA, John F. Kennedy, também se aproveitou da fragilidade emocional dela, sendo importante destacar que o diretor, em poucos minutos, desmitificou a figura do presidente, que era acusado de outros abusos. E até os amigos de Norma se aproveitaram da questão da ausência do pai para brincar psicologicamente com ela, demonstrando que, afinal, ela não tinha sequer amigos verdadeiros e estava abandonada a própria sorte. O filme teve várias cenas inteligentes, como aquela do espelho em que a Norma quer que a personagem Marilyn apareça e ela aparece no espelho, glamurosa, rindo de uma forma sexy, mostrando, dessa forma, o completo abismo entre a personagem e a persona, deixando claro que Marilyn é uma ficção, assim como o nome indica. Sobre as cenas de nudez, não achei pesadas e ela deu entrevistas afirmando que só dormia usando o perfume da Chanel e mais nada, sendo também um contraponto como se o diretor quisesse mostrar uma mulher real desnuda do seu personagem. O filme tem uma fotografia esplendorosa, porém, terminou ficando longo demais e um tanto cansativo, com cenas desconexas de tempo e lugar, que terminam deixando o filme um retalho narrativo
Que bela surpresa esse filme da Netflix. Os conflitos e violência vão gradativamente crescendo, assim como o caos e o clima claustrofóbico, envolvendo cada vez mais o espectador, em filme onde tudo pode acontecer. Mas o clima caótico é perfeitamente controlado pela excelente direção, que aos poucos vai mostrando os personagens, sendo totalmente verossímil nessa construção, assim como na sucessão de eventos.
O filme é uma colcha de retalhos e terminamos sem saber qual foi o objetivo do diretor. A história é entrecortada várias vezes, padecendo de um maior aprofundamento e desenvolvimento do roteiro e dos personagens. Para quem deseja assistir como revival da década de 80, também encontra outra grande decepção.
Esse documentário me surpreendeu de forma positiva. É um documentário cujo enfoque é sobretudo mostrar quem é a Jennifer Lopez, o que ela pensa. O documentário mostra todo o preconceito por ela ser mulher e Latina nos USA. Ela faz críticas muito pertinentes como o fato de ninguem comentar os grammys e outras premiações que ela ganhou, mas sim fazerem memes e piadas sobre a bunda dela ser grande e que ela sempre faz o melhor e é criticada e subjugada como profissional e como isso afeta ela. Achei um documentário muito reflexivo sobre as posições que nós mulheres ocupamos dentro de uma sociedade e como isso é algo universal. Como nós sempre temos que cada dia sermos melhores e isso não é reconhecido. O documentário é crítico e se posiciona, assim como Jlo. PS. Fiquei impressionada porque diante de todas as reflexões mostradas, o que reverberou foi o fato da JLo mencionar que a organização do superbowl não deveria ter colocado duas cantoras latinas para dividirem tempo de apresentação. A imprensa quis lançar isso como se JLo se julgasse melhor do que a Shakira e claramente não foi essa a mensagem dela. E ela tem toda razão. As duas são grandes artistas com vários hits e mereciam ter uma apresentação completa. Por que dividiram? Pq são mulheres e latinas? Preconceito? São esses os questionamentos.
A arte de Barbora se inspira em aspectos mórbidos, repulsivos no contexto social, mas é nesse mundo feio e caótico que a artista retira sua força inspiradora, produzindo uma arte de acordo esses sentimentos, mesmo sem o despertar comercial. O diálogo com o namorado é esclarecedor para compreendermos essa aproximação e verdadeira fascinação pelo "ladrão". Barbora não pensa e não age como a maioria, pois ela se sente atraída artisticamente pelo "ladrão", que tem feridas emocionais e físicas e esses dois lados inspiram Barbora a reproduzir Karl em sua arte. Aos poucos, a amizade surge e vemos o que Bárbara percebeu há muito tempo com sua sagacidade. Dentro daquele corpo ferido, havia um apreciador de arte e um homem disposto a lidar com os seus demônios que nasceram na infância. Muito simbólica a cena dele ajudando Barbora a moldurar o quadro roubado, que disputa atenção com o quadro que retrata o próprio Karl e, para a nossa surpresa, é Barbora quem esta com ele na pintura, representando a união e amizade de duas almas sofridas que se compreendem
Queer
3.1 193 Assista AgoraGosto de muitos filmes desse diretor. "Um sonho de amor", "Me chame pelo seu nome", "Até os ossos" e o recente "Rivais". Porém, Queer se perde na falta de profundidade em relação aos personagens, que se tornam rasos, repetitivos e enfadonhos, contagiando o filme com esse inevitável marasmo.
Coringa: Delírio a Dois
2.5 925 Assista AgoraDevido às inúmeras críticas negativas, eu tinha uma baixa expectativa em relação a esse filme. Provavelmente isso contribuiu para que eu tivesse uma boa experiência. Realmente o filme é totalmente diferente do primeiro, pois se trata mais de um filme de tribunal e com toques de musical. Eu não gosto de filmes de musicais propriamente ditos, mas as inserções musicais em Coringa não me incomodaram, muito embora o Joaquim Phoenix fosse um péssimo cantor, destoando da perfomance musical da Lady Gaga. As inserções musicais eram curtas e sempre dramáticas, ornando com a temática sombria do filme. E eu amo filmes de tribunais, logo, me agradou essa parte do filme. Quem realmente estava esperando um filme nos moldes do anterior, realmente se decepcionou. Mas quem estava aberto a uma nova experiência, pode ter uma boa surpresa.
Untold: O Assassinato de Steve McNair
2.7 7Muito superficial, pois não mostra as investigações em si. É um grande resumo.
Por exemplo, a polícia científica conseguiu constatar se a namorada poderia ser a atiradora pela estatura dela e posição dele? Como foi a dinâmica do crime, de acordo com a polícia científica? Havia digital de outras pessoas no imóvel e na arma? Havia câmeras proximas que flagraram a movimentação no imóvel? Afinal, qual a história verdadeira da arma do crime? O possuidor emprestou para a amante? A polícia conseguiu determinar onde o possuidor da arma realmente estava atraves da geolocalizacao do celular dele?
A Conspiração Consumista
3.5 45 Assista AgoraTriste perceber que as grandes empresas mentem quando informam que embalagens e itens são recicláveis. Mentem quando afirmam que tem políticas de reciclagem, quando na verdade até, literalmente, transferem o problema para países pobres sob o falso pretexto de "doações". E é triste perceber que as empresas realmente não querem investir nada em criar mecanismos eficazes de reciclagem ou criar produtos verdadeiramente "green". É triste perceber que governos não fazem nada e que sim, o que importa é o lucro. O mundo está entrando em um colapso ambiental, que chegará muito antes do previsto.
É Assim Que Acaba
3.3 403 Assista AgoraApesar de muitos defenderem que houve "romantizacao" e mitigação da violência física e psicológica, eu acredito que, ao contrário, a autora do livro e diretor quiseram fazer um importante alerta: atrás de homens bem sucedidos e carinhosos, há ali um agressor em potencial, que irá se revelar em alguns momentos, que serão defendidos pelo agressor como "rompantes" e que este fará promessas que "nunca se repetirá" e que a mulher é "a pessoa da vida dele", seguido de falas mansas por parte do agressor e até choros copiosos. As pessoas, com base no que é divulgado na mídia, tem a cegueira de enxergar que apenas determinadas relações estereotipadas são psicologicamente e fisicamente atentatórias a condição digna da mulher e, muitas vezes, essas pessoas estão inseridas em relações abusivas e não conseguem perceber, muito embora exista a desconfiança e a insatisfação. E, esses agressores não estereotipados, que possuem status social e econômico, passam incólumes, mantendo as vítimas em bolhas de violência. E quando a vítima finalmente percebe e rompe esse ciclo é porque o caso chegou em uma violência mais extrema, pois o agressor, com o tempo,
piora o grau de agressão. Me pergunto, depois desse filme, quantas mulheres que estão com esses "falsos príncipes" se identificaram com a personagem e estão questionando as próprias relações.
Enfim, acho que o filme foi apedrejado por uma massa que não tem experiência como as situações de violência doméstica realmente ocorrem, pois vivem presas nos estereótipos.
Motel Destino
3.4 192 Assista AgoraKarim Aïnouz é um diretor incrível. Só ele mesmo para conseguir transformar um roteiro simples e cru em uma rica viagem cinematográfica. O filme é literalmente carnal e visual, com muitos "gemidos" em substituição à diálogos. Mas apesar dele ser um gênio, a precariedade do roteiro não contribui para transformar essa obra em uma das melhores de Karim Aïnouz, pois o filme terminou não sendo violento suficiente e nem erótico suficiente. Ficou no confortável meio termo, que sacrificou a sua essência.
Mas, por outro lado, como o filme foi abraçado por Cannes e outros festivais importantes, se tornando uma obra reconhecida, isso foi extremamente importante, pois Karim Aïnouz merece todos os aplausos. Além de brilhante diretor, é um ser humano humilde e visionario, que voltou às raízes do Ceará para dar oportunidades a atores e profissionais de cinema do Ceará, dando necessários holofotes a essas pessoas que merecem oportunidade e reconhecimento. Nesse ponto, Motel Destino assume um papel cultural importantíssimo no contexto brasileiro, que vive um declínio cultural sem precedentes. Para ilustrar a relevância cultural e social da obra, o ator Iago Xavier é um jovem que reside em uma das comunidades mais violentas de Fortaleza, que se chama Pirambu e que se formou ator por um equipamento do governo do Ceará. Muito orgulho da trajetória dele, que demonstra que a arte é um importante meio de transformação social, que deveria ser mais utilizada pelos governos. Parabéns Karim Aïnouz por ser, acima de tudo, um ser humano incrível.
Caminhos Cruzados
4.1 49 Assista AgoraFilme humano, sensível e muito bem executado, que foge de estereótipos, apesar de ter personagens que facilmente se encaixam em estereótipos. Mostra uma Istambul efervescente e alegre, que assume também um protagonismo na história, sendo responsável por aliviar as tensões e tristezas.
Tipos de Gentileza
3.2 248Tipos de gentileza mostra três tipos diferentes de controle, com binômios bem definidos de dominador/dominado, tendo por fio condutor as relações profissionais (mostrado na primeira historia), as relações amorosas (mostrado na segunda história) e as relações religiosas ou similares (mostradas na ultima história). Claro que o diretor, em certos momentos, exagera na bizarrice, mas em muitos momentos ele reproduz situações que acontecem com o ser humano, nesses tres tipos de relação. Travestido por gestos "gentis", existe ali uma verdadeira relação abusiva e dominadora. O patrão domina o empregado através do emprego e da consequente provisao financeira. Nas relações amorosas, a velha frase "se você me ama, prove fazendo isso..." apresenta a submissão sentimental e manipulação bem evidentes, pois o amante faz greve de fome e pede para ser alimentado com partes do corpo da mulher. É exagerado, mas reproduz o alto grau de manipulação existente nas relações amorosas abusivas, que infelizmente sao frequentes em nossa sociedade machista e controladora.
Destaque-se que quem esta inserido nessas situações, os abusos e a submissao são situações "normais", porém, essa relação, sob o olhar de pessoas de fora, no caso nós expectadores, enxergamos ali toda a relação de abuso e jogos de poder. A pessoa que esta inserida dentro dessas situações tem a falsa sensação de liberdade, acreditando que detem algum poder de escolha. Destaque para a ultima forma de dominação que mostra uma seita que faz toda uma lavagem cerebral, culminando em afastamento da pessoa com a família, relação abusiva de sexo sob o pretexto de purificação, relação amorosa restrita entre os integrantes, etc. Para quem assistiu o documentário "Dançando para o diabo" da Netflix e outros que retratam seitas, o diretor mostrou todos os fundamentos das seitas. É bizarro, doentio, mas é real
Love Lies Bleeding: O Amor Sangra
3.5 280 Assista AgoraQualquer semelhança com o Hulk...não é mera coincidência
Retratos Fantasmas
4.1 262 Assista AgoraNão sei se o fato de eu ter visto recentemente o excelente " O Marinheiro das montanhas" do grande diretor cearense Karim Aïnouz me fez comparar as duas obras. Ambas encontram acolhida em memórias afetivas passadas, com um narrador, mesclando fotos, narrativas pessoais familiares e afetividades do passado que ecoam nos diretores. Mas enquanto a obra do Karim tem uma montagem deslumbrante, sendo uma narrativa complexa, mas coesa na construçao e desenvolvimento das ideias, não consegui ver essa mesma perspectiva na obra Retratos Fantasmas do Kleber. A parte 1 parece totalmente desconectada da parte 2, ligando ambas apenas sob o aspecto do saudosismo. A parte 1, soa mais pessoal e afetiva e, assim como na obra de Karim, o protagonismo também recaiu sobre a falecida mãe do diretor. Entretanto, a parte que retratou os cinemas antigos teve um ou outro momento interessante, mas ao todo ressoou insossa, pálida e sem alma. Se o Kleber tivesse estendido a parte 1, na mesma linha de desenvolvimento de ideias, acho que seria um filme muito mais interessante.
Inimiga Perfeita
3.0 138 Assista AgoraO filme é bonzinho, mas nada espetacular
em certo momento do filme consegui perceber que ela é imaginária. No momento em que ela vai no banheiro masculino, tem outro homem dentro e ele não percebe a presença dela, algo que qualquer homem iria fixar olhar por achar estranho. A partir dali entendi tudo
Deserto Particular
3.8 198 Assista AgoraO filme, desde o início, insinuou quem era o personagem Daniel. Os poucos diálogos com a irmã deixam claro que os filhos foram "quem o pai queria", atingindo uma conotação tanto na profissão, como na vida particular. O diálogo ocorre quando a irmã pensa em mudar de atividade profissional, deixando claro que o pai havia escolhido e ela estava insatisfeita, demonstrando como a figura paterna decidia a vida dos filhos. E o filho Daniel, por ser homem, segue ainda mais forte os desejos e imposições do pai, ao seguir os passos profissionais. E pelo visto, a educação foi rígida, conforme se depreende em alguns diálogos entre Daniel e o amigo de Sara, pois Daniel, conforme ele mesmo se define, não foi criado para contestar, mas sim, para seguir ordens. Nesse sentido, percebemos, atraves de um amigo policial de Daniel, que o pai de Daniel é muito conhecido e que ele tem orgulho de suas medalhas e trajetória profissional, como no momento em que ele vestiu seu traje de eventos de gala, demonstrando que, com certeza, ele queria que o filho fosse o reflexo desse "sucesso".Eu concordo que, desde o início, o pouco que foi mostrado da interação virtual entre Daniel e Sara, ficou claro que Sara não era uma mulher cis. Isso também diminuiu o impacto e surpresa da descoberta, mas refletindo bem, acredito que o diretor não estava almejando surpreender o público, mas sim demonstrar que, na verdade, Sara pouco escondeu quem era de fato, mas era Daniel que se recusava e enxergar o lógico e que este fugiu da realidade a todo momento, até ter o contato físico com Sara. Esse contato conectou ele com a realidade que ele inconscientemente tentava fugir. A partir desse ponto, Daniel trava uma luta interna, ao ponto de acreditar que precisa dar alguma explicação para o pai, que não tem mais discernimento, pois Daniel foi um "fracasso profissional" e este não queria mais uma vez "fracassar" e decepcionar o seu pai, sendo que essa "decepção" foi algo que foi criado no psicológico de Daniel, pois sequer seu pai tinha mais consciência da realidade. Esse ponto da ligação para o pai, mais uma vez, ratifica como essa figura paterna foi e continuava sendo determinante para as ações de Daniel. Um ponto negativo do filme é que achei que Daniel, apesar de todas as travas psicológicas, desenvolveu uma relação íntima muito rápida com Sara, ao ponto de beijar esta em público, mesmo não estando travestida de mulher e fazer sexo no estereotipado banheiro de rodoviária. Enfim... achei que o final foi apressado e merecia uma cadência melhor, para ficar mais crível. No mais, um filme com belas paisagens, atuações sensíveis e competentes e um roteiro consistente.
O Mistério do Farol
2.8 99 Assista AgoraO filme é uma coleção de infelizes desacertos, que inicia desde as interpretações carregadas até o desperdício nas fotografias, que poderia ser algo compensador e o ponto forte do filme. Pura decepção
Annette
3.5 118 Assista AgoraEu nunca gostei muito dos filmes do Leos Carax, apesar das críticas positivas dos filmes dele. Mas realmente insistir vale a pena. Annette é um musical mais cru, ou nas palavras do seus idealizadores "mais naturalista", motivo pelo qual não existe também essa perfeição na forma de cantar, pois o importante era transmitir a emoção. Sim.. e emoção não faltou. Adam Driver excelente!! Realmente o filme merece todas as críticas positivas que teve.
Ruído Branco
2.7 213 Assista AgoraDepois do cultuado "História de um casamento", Noah Baumbach ousou ao não repetir a fórmula do sucesso e se reinventou, de forma corajosa e deliciosamente nostálgica, ao nos brindar com esse filme gracioso, cheias de referências dos anos 80/90, com personagens interessantes, situações non senses, sem retirar a autenticidade. Para mim, o filme funcionou, divertiu e emocionou. Quem dera se tivesse uma continuação...
Bardo, Falsa Crônica de Algumas Verdades
3.3 85 Assista AgoraAlejandro González Iñárritu tinha pleno conhecimento que seria uma obra difícil de ser digerida pela crítica e pelo público, mas mesmo assim, como artista e claro com o todo o apoio da Netflix, encabeçou esse corajoso projeto, talvez mais necessário para ele próprio do que para o público, pois tem aspectos biográficos narrados de forma fantástica, abandonando a literalidade biográfica escolhida por outro famoso diretor mexicano Alfonso Cuaron no aclamado Roma, também da Netflix. A possível consciência crítica da escolha do novo projeto fica clara quando o alter ego fictício dele conversa com um algoz amigo jornalista, que descreve o projeto como ambicioso, onírico, mas nada poético. Eu achei a primeira hora sofrível e desnecessariamente longa, mas depois as peças iniciais mostradas vão se encaixando organicamente na trama. Depois dessa primeira hora de filme, Alejandro González Iñárritu mostrou toda a sua genialidade, em um puro deleite cinematográfico, com diálogos inspirados e corajosos abordando de forma sucinta, mas voraz e ácida, sobre vários aspectos da história como colonização pela Espanha, ditadura, migração, discriminação e ainda problemas familiares, misturados com belas paisagens e composições. Na minha opinião, Alejandro González Iñárritu mais acertou do que errou a destilar sua verborragia e sim, entregou poesia em forma de imagens.
Traições
3.1 7Irritantemente verborrágico
A Próxima Pele
2.8 82 Assista AgoraA partir de uma história simples, os diretores conseguiram desenvolver uma narrativa instigante, com muitas nuances e interpretações, em um enredo dramático que vai envolvendo e disseminando em nossas capilaridades. E percebendo bem, a trama não é tão inteligível quanto aparenta ser, pois esconde histórias familiares de um passado/presente obscuro.
Nesse sentido, o achado do suposto filho perdido é apenas um dos aspectos utilizados para revolver o passado. Quem era o pai? Como ele morreu? Como o filho desapareceu? O filme não lança mão de respostas textuais e prontas, mas sim lança pequenas migalhas que devem ser interpretadas e nos lançam um desafio mental. De um lado, temos o relacionamento do irmão da vítima com a cunhada, que mais parece um relacionamento abusivo, pois ele se aproveita das dores e fragilidades emocionais de sua cunhada. Nesse aspecto, com a chegada do filho perdido, esse personagem se revela ciumento, ficando sempre a espreita e é sexualmente rejeitado com o retorno da prole perdida. Do outro lado, temos o filho perdido, que não sabemos se é um impostor. Ele tem cicatrizes no corpo, mas não sabemos o passado dele para sabermos se existe mesmo esse nexo de causalidade entre as cicatrizes e atos violentos do pai. Essas cicatrizes, mesmo parecidas com a da mãe, podem ter sido decorrentes de outros abusos. O suposto filho também tem algumas memórias como ouriço do mar que lesionou o pé, criação de animais, etc. Mas essas informações podem ter sido obtidas na Internet e nos vídeos caseiros de praia que ele sempre visualizava. Ao ser confrontado com o seu "padrinho" que disse que o suposto filho era um impostor, ele não negou e argumentou que o padrinho o queria inserido em uma família. O suposto filho também questionou o primo como este tinha certeza que ele era o desaparecido. As pessoas acreditam naquilo que elas querem acreditar. Quem renega é o tio, que efetivamente pode ter matado o sobrinho e por isso tinha tanta certeza que o jovem não poderia ser ele. Também nos questionamos como uma criança poderia sobreviver a neve e ter saído caminhando sem rumo, indo parar em um local distante
Quatro gerações
3.5 2Um filme contemplativo, com um roteiro primoroso, que conseguiu agregar passado e presente, em um fluxo crescente de drama, onde o passado está sempre onipresente. Os personagens são interligados nesse passado, que aos poucos é revelado de forma brilhante pelo diretor, através de pequenas e inteligentes inserções. Sem dúvidas, um dos melhores filmes do catálogo recente da Netflix juntamente com Athena.
Blonde
2.6 450 Assista AgoraEu não achei o filme misógino, ao contrário, o filme, partindo da premissa de reproduzir alguns fatos fictícios, tentou expor os sentimentos internalizados da Marilyn Monroe, ou melhor, da Norma, fazendo uma ruptura da personagem com a persona. A personagem Marilyn era sedutora, sexy, destemida. E Norma? Quem era a Norma?
o diretor toda hora mostra, mesmo com fatos ficcionais, a sequência de abusos de que Norma foi vítima, desde o abuso psicológico na infância, com a mãe esquizofrênica, até o abuso de diretores, marido e de seus agentes, que faziam de tudo para que ela atuasse e se submetesse a papéis que a envergonhavam, mesmo ela não estando bem psicologicamente. A vida dela foi uma sucessão de abusos e o diretor deixou isso claro ao mostrar que até o presidente queridinho dos USA, John F. Kennedy, também se aproveitou da fragilidade emocional dela, sendo importante destacar que o diretor, em poucos minutos, desmitificou a figura do presidente, que era acusado de outros abusos. E até os amigos de Norma se aproveitaram da questão da ausência do pai para brincar psicologicamente com ela, demonstrando que, afinal, ela não tinha sequer amigos verdadeiros e estava abandonada a própria sorte. O filme teve várias cenas inteligentes, como aquela do espelho em que a Norma quer que a personagem Marilyn apareça e ela aparece no espelho, glamurosa, rindo de uma forma sexy, mostrando, dessa forma, o completo abismo entre a personagem e a persona, deixando claro que Marilyn é uma ficção, assim como o nome indica. Sobre as cenas de nudez, não achei pesadas e ela deu entrevistas afirmando que só dormia usando o perfume da Chanel e mais nada, sendo também um contraponto como se o diretor quisesse mostrar uma mulher real desnuda do seu personagem.
O filme tem uma fotografia esplendorosa,
porém, terminou ficando longo demais e um tanto cansativo, com cenas desconexas de tempo e lugar, que terminam deixando o filme um retalho narrativo
Athena
3.7 69 Assista AgoraQue bela surpresa esse filme da Netflix. Os conflitos e violência vão gradativamente crescendo, assim como o caos e o clima claustrofóbico, envolvendo cada vez mais o espectador, em filme onde tudo pode acontecer. Mas o clima caótico é perfeitamente controlado pela excelente direção, que aos poucos vai mostrando os personagens, sendo totalmente verossímil nessa construção, assim como na sucessão de eventos.
Beauty
2.5 9 Assista AgoraO filme é uma colcha de retalhos e terminamos sem saber qual foi o objetivo do diretor. A história é entrecortada várias vezes, padecendo de um maior aprofundamento e desenvolvimento do roteiro e dos personagens. Para quem deseja assistir como revival da década de 80, também encontra outra grande decepção.
Jennifer Lopez: Halftime
3.6 26 Assista AgoraEsse documentário me surpreendeu de forma positiva. É um documentário cujo enfoque é sobretudo mostrar quem é a Jennifer Lopez, o que ela pensa. O documentário mostra todo o preconceito por ela ser mulher e Latina nos USA. Ela faz críticas muito pertinentes como o fato de ninguem comentar os grammys e outras premiações que ela ganhou, mas sim fazerem memes e piadas sobre a bunda dela ser grande e que ela sempre faz o melhor e é criticada e subjugada como profissional e como isso afeta ela. Achei um documentário muito reflexivo sobre as posições que nós mulheres ocupamos dentro de uma sociedade e como isso é algo universal. Como nós sempre temos que cada dia sermos melhores e isso não é reconhecido. O documentário é crítico e se posiciona, assim como Jlo.
PS. Fiquei impressionada porque diante de todas as reflexões mostradas, o que reverberou foi o fato da JLo mencionar que a organização do superbowl não deveria ter colocado duas cantoras latinas para dividirem tempo de apresentação. A imprensa quis lançar isso como se JLo se julgasse melhor do que a Shakira e claramente não foi essa a mensagem dela. E ela tem toda razão. As duas são grandes artistas com vários hits e mereciam ter uma apresentação completa. Por que dividiram? Pq são mulheres e latinas? Preconceito? São esses os questionamentos.
A Artista e o Ladrão
4.1 23A arte de Barbora se inspira em aspectos mórbidos, repulsivos no contexto social, mas é nesse mundo feio e caótico que a artista retira sua força inspiradora, produzindo uma arte de acordo esses sentimentos, mesmo sem o despertar comercial. O diálogo com o namorado é esclarecedor para compreendermos essa aproximação e verdadeira fascinação pelo "ladrão". Barbora não pensa e não age como a maioria, pois ela se sente atraída artisticamente pelo "ladrão", que tem feridas emocionais e físicas e esses dois lados inspiram Barbora a reproduzir Karl em sua arte. Aos poucos, a amizade surge e vemos o que Bárbara percebeu há muito tempo com sua sagacidade. Dentro daquele corpo ferido, havia um apreciador de arte e um homem disposto a lidar com os seus demônios que nasceram na infância. Muito simbólica a cena dele ajudando Barbora a moldurar o quadro roubado, que disputa atenção com o quadro que retrata o próprio Karl e, para a nossa surpresa, é Barbora quem esta com ele na pintura, representando a união e amizade de duas almas sofridas que se compreendem