"Eu não conheço a Bíblia como deveria. Nem sei o Pai Nosso."
Num tempo de religiosos que não se lembram do sacrifício de Cristo, essa série caiu como uma luva. A teologia de direita não vê Jesus. Não busca o estudo bíblico. Se vale de achismos e de interpretações que massageiam o ego.
Há um tópico forte sobre a dualidade do ser humano. Se BJ parecia querer vingança, as visões mostravam o sangue que NÃO DEVERIA ser derramado. Mas um homem que é batizado precisa de intimidade com Deus. O coração de pedra não recebe o Espírito, só é rodeado por ele, como alguém batendo a porta querendo entrar. Assim o patriarca que deveria acolher a família machuca e afasta todo mundo com sua loucura. E às vezes até contamina com o jeito violento de agir. O caso poderia ser solucionado com comunicação.
Jesus desafiando os Fariseus, angustiado com uma cidade perseguidora e sem fé genuína, apegada somente aos feriados e status... Tudo isso deixa a visão com Davi na harpa ainda mais simbólica. É quase como um vislumbre do próprio Reino do Céu, afim de dar um pequeno descanso pro sofrer humano que o Homem que não se vende estava destinado.
Imagina um espectador como Simão ou Éden assistindo a essa season finale. Pessoas de diversas culturas podem se sentir acolhidas aqui. Glória a Jeová!
Por ter crescido com Cristo, senti a Graça e me emocionei. Me fez lembrar que fui como esse Pedro. Rude, decepcionado, indigno do Mestre.
Agora, buscando me enraizar, estou redescobrindo como é maravilhoso ter Yeshua como mestre e amigo. Estudar com Ele e ser Seu aluno. Um teimoso sempre precisa lembrar que nenhuma mágoa com Mestre da Lei ou referência errada pode nos impedir de ir na fonte e beber dela. É o melhor lugar.
"Eu sempre achava que meu amigo poderia estar na companhia de alguém melhor."
Por várias vezes fiquei emocionado com o Charlie na entrevista. Sóbrio. Coerente. Amável. Com o tempo as pessoas conseguem dizer não ao que é destrutivo. Mas só as que buscam olhar ao redor e além de si mesmas.
"Eu não vou colocar ele num pedestal nem vou acabar com ele."
Apesar de todo o privilégio, talvez Charlie tenha se achado medíocre por não ter estudado pra ser ator. Pra uma mente adoecida, é sempre mais fácil enxergar a sedução da luz da propaganda e ser conduzido pelo orgulho da falta de consciência do auto desenvolvimento. "Eu gostava de negociar comigo mesmo."
"Eu sou o que sou, e ninguém vai me mudar". Essa frase vai soando cada vez mais idiota com o tempo. Mostra a falta de crença da pessoa, que tira dela a noção de limite e de amor.
Comecei pelo ícone e terminei conhecendo o ser humano. Ele acaba nos lembrando sobre a importância do secreto como um lugar de busca, de evoluir, de relaxar e agradecer. Não deixar isso pra depois como o Roberto deixou.
O Chespirito só conseguia focar no seu redor quando era sobre criar arte. Já ter família, era como uma regra que ele achava que deveria seguir. Tipo subir num barco e se aventurar, sem pensar demais no que vem a frente.
Talvez a Grazi tenha sido apenas uma engrenagem para o trabalho do Roberto. Mas vendo com olhos bons, percebemos que a amizade continuou porque houve bons frutos. Os dois criaram seus filhos com amor, assim como as séries que nasceram daquele afeto.
Esse anime me lembrou que o que faz a comunidade interessante são as visões diversas.
* O que vi foi uma pessoa encontrando sua base de acolhimento, mas sem o amor próprio. Rakka ainda estava muito apegada ao mundo que deixou.
* O sonho caindo do céu representa a fuga do mundo antigo (opressão/impulsividade) para o novo (segurança/aprendizado/afeto). Os corvos não aceitam isso, assim como pessoas/ideais que deixamos para trás.
* Não sei se vejo a fuga da muralha como voltar às origens (com novos ideais) ou apenas a vontade de viver sozinho sendo independente.
* Acho que o cigarro simboliza o peso da responsabilidade. Reki vive pelo dom, mas quer o sonho, descanso.
* As pessoas brincando pela cidade parecem relax, mas sabem exatamente o que querem. Esperam a oportunidade, mas não vivem em casa remoendo o que não chegou.
* A janela do perdão só foi aberta porque Rakka estava por perto para fazer a ligação com as duas. Foi a semente plantada de uma oração antiga. É lindo.
* O episódio final tem uma vibe Silent Hill que eu amei. Mostra que uma pessoa pode ter duas perspectivas diferentes sobre si mesma: Eu "luto contra a dor" ou "eu sou a minha dor"? Algumas pessoas não conseguem se libertar sozinhas da sua depressão, e precisam de alguém que as lembre que o que foi feito até ali não foi em vão. A nossa dor não nos define se pudermos ser melhores do que isso.
Toda nação têm vários povos. E no meio do preconceito e da guerra causadas por uns, outros apenas lutam pra continuarem vivos.
Os jovens prisioneiros não sabem se tornam-se soldados das ruas ou artistas das quedas da vida. Mas uma mãe tem fé. Às vezes é tão incompreendida quanto um filho problemático.
Nessa temporada, a sensação é como se fosse acontecer uma perda a qualquer momento, principalmente com a tristeza do Si-Eun. No fim, isso se torna o contraponto desse ano com o anterior.
Mesmo com o peso nas costas, as coisas vão acontecendo, se reerguendo. O bem vai buscando seu lugar, e o ruim vai se perdendo. A escola se torna um bom lugar pra voltar.
Assim como o sucesso Adolescência, essa série também trata sobre os dilemas da idade. A solidão, as escolhas, a falta de de escolhas, a pressão pela ascensão social... Mas também envolve o sistema que foge do nosso controle, comandado por pessoas violentas e hipócritas. Adultos que pensam que são exemplos, que acreditam que merecem respeito mesmo sem caráter.
Não é a toa que a série começa com uma leitura sobre revolução, pois nesse contexto até as câmeras de "segurança" tem um dono.
Há um preço a se pagar quando se enfrenta algo maior. Apesar da perda, a luta só vai se intensificando, como uma mensagem que sobrevive.
Achei interessante a demora pra lançar a segunda temporada. 3 anos, um luto.
Queria que tivesse rolado um beijo em específico aaaaaaa
* Pra mim, uma das imagens mais marcante da série mostra Jamie no centro, o seu pai ao lado o protegendo, e seu advogado do outro o coagindo a mentir como se fosse o certo. No final, ele só conseguiu confessar estando sozinho.
* A única coisa que diferenciava pai de filho era a agressão. A internet foi só mais uma extensão do ensino patriarcal que Jamie recebia.
* Pra Jamie, um pai amoroso significava um pai esquisito. Mas não dá pra saber se ele sente isso com certeza ou se é algo vindo do preconceito midiático. Tipo, são essas pequenas regras de "como ser homem" que o colocaram num dilema (e acho q todo o jovem). Os meninos precisam de uma educação mais sensível, sem competição ou vontade de se provar, sem precisar reagir a toda provocação.
Jamie gostava de desenhar, mas quando desanimou da arte, ganhou um computador. Não houve um suporte mais atencioso. Era só mais um presente.
* Enquanto Jamie queria validação pra inflar o próprio orgulho masculino, a médica o questionava afim de fazê-lo ver a própria culpa.
* O episódio 2 é o meu favorito, pois traz consciência sobre as falhas dos sistemas educacional e parental. Do tipo "vejam isso, e façam algo enquanto é tempo."
Ao contrário dos professores que só queriam trabalhar ou do Instagram sensacionalista que definia pessoas, ali havia um pai querendo aprender com o mais jovem.
* No último episódio, vemos o que uma provocação faz com o pai: seu carinho com a esposa se tornou aversão. Convivendo com isso, a visão da filha sobre o pai irá afetar seus relacionamentos, seu lugar no mundo, trazendo aversão aos homens, com toda razão.
Não é preciso muita atenção pra ver a bandeira LGBT+ no quarto da filha. Perto dos parentes ela se diminuía pra caber, mas sabia que ainda existia um jeito de viver melhor.
* Acho que o choro no final tem uma certa nostalgia, um desejo de voltar a ser criança quando não havia pressão para ser homem. Era apenas ser.
Definitivamente essa é a minha melhor recomendação. Não sei se é pq resignifiquei algumas dores com a série, mas fiquei tristinh com o episódio final. Vou levar comigo tudo o que aprendi. Não é como a maioria dos animes. É cheio de humanidade, principalmente quando a gente se descobre como um outro personagem. Sentimos, lembramos e até superamos com essa ficção.
Nesse universo, namorar é quase sempre se limitar, controlando o jeito de dar afeto aos amigos. Mas pq ficar quando o olhar busca a direção da liberdade (espontaneidade)?
Há um dilema sério no final: Alguns amores são melhores na memória, e outros que evoluem sozinhos, valendo o risco. Mas afinal, como saber qual é qual? Seria melhor evitar a comunicação mesmo que um amor tenha ficado pelo caminho? Mesmo sendo um fdp, Shoji foi o mais comunicativo. Perguntou e ouviu Hachiko no fim. Já Nana e Nobu, estavam ali, controlando suas paixões pela amizade e pelo sonho dela ser a princesa.
Não li o mangá, mas será que ela vai ficar feliz com isso? Vai evitar o dilema afim de ter uma vida monótona mas estável? A evolução do ser é a coisa mais importante de todas, Hachiko! Ser independente não é só pagar as próprias contas. E libertar nosso eu, saber dizer "não", mostrar ao mundo que não existe prisão para alguém como nós. Chore de saudade, mas não deixe seu destino na mão dos outros.
"Não fique lendo só manga. Leia um livro de verdade."
O obra que me faz lembrar pq tenho depressão, e pq não faço as pazes com o social majoritário heteronormativo.
Talvez a maior filosofia da série seja sobre fugir do patriarcado. Se envolver com pessoas gentis, ser dedicado a vida acadêmica, fugir da realidade das ruas, pegar a estrada pra longe. Pq quando a música da vida pára, é só escuridão. Quando se faz o mau, os fantasmas cobram.
Acho que nessa última temporada, Tony soube ser gentil e aproveitar os detalhes com mais cuidado. Mas havia a maldição do pacto irreversível. Tony tinha que dar um falso respeito, comandar mesmo quando estava cansado de estar no trono. Pra alguns, o trabalho e os colegas são como maldição. E o costume pesava na decisão quando o assunto era RECOMEÇAR e SER FELIZ.
Talvez seja viagem minha, mas acho que o David Chase acredita em reencarnação. Se Adriana é uma gata, Tony é um Pato.
Pie-O-May é o episódio mais reflexivos da temporada. Alguns são felizes sendo "cavalos", outros tristes, enquanto uns fingem jogando nos dois lados. Fazer o que? A vida está cheia de jóqueis.
Tirar o visor dos olhos pode ser difícil, mas muda o rumo. E Adriana... Preferiu entorpecer a correr.
Tony faz carinho no animal como se não quisesse perder um trabalhador leal.
Tony não tinha peito de aço. Era só mais um selvagem suicida num mundo cheio deles.
A corrida da Meadow nessa season finale lembra a do último episódio. Reforça ainda mais a minha teoria da sua sobrevivência.
O Júnior cantando pode representar a falsidade que a nova juventude não conseguiu suportar. A fuga acadêmica talvez seja a salvação. E o q sobra pro resto da família é aproveitar aquele raro momento bonito antes da descida fatal.
O episódio final dessa temporada consegue definir a essência de toda a série
Tony não passou mal no barco pq só ali ele se sentia melhor. Talvez ele goste de ser um monstro, pois é o que tira ele de casa e da vontade de se matar. E assim, quando está em família, ele se torna um parasita mentiroso.
Tony aprende com a psiquiatra a culpar a sua infância pela violência que comete. O faz passar mal se ver como um monstro que não desiste do jogo, e só com a Melfi ele pode esticar suas pernas.
Num sonho, Meadow diz que já tinha escolhido sua universidade. Era o seu crescimento para a fuga. Talvez ela não precisasse de um barco, e sim de respeito próprio e honestidade.
Tony fantasia sua fuga na terapia, sua esposa na religião, e sua filha na mentira. Assim os momentos doces e singelos da família são sempre carregados de ironia.
Quando um homem observa a natureza, é pq ele quer estudar as opções. Mas a família preferiu a rotina. Preferiu dizer que ele não poderia ser atleta, nem dançar com sua mãe, pois ser carinhoso o faria diferente de seus pais. Naquele meio, quem se beneficiaria de algo que não dá capital?
Pro Tony, os patos pareciam ser o seu único afeto real. E mesmo assim, eles voaram, enquanto ele tinha de viver com o pé naquela realidade onde "amigo" e "marido" não tinham uma definição clara.
A mãe do T representa o tempo vivido naquela bolha. Um dia ele seria o paranóico.
Já Carmela e Meadow são um contraste uma da outra sobre a derradeira tomada de decisão. No episódio 5, a mais nova respira e aceita o fato de ter o pai que tem, pois naquele momento, suas asas de fuga ainda estavam em crescimento.
Acho irônico o Tony no divã falando que terapia não é coisa de macho. Na cabeça dele ele era o rei pq tinha que ser. Era o único lugar onde o chamavam de inteligente e não duvidavam de sua masculinidade.
Meadow tenta conscientizar AJ, mas ele só conseguia ver o pai cercado de "amigos", além de estar refém da escolha ignorante do T de não fazer tratamento. Por isso gosto de pensar na Meadow como a única que conseguiu confrontar e se desvencilhar daquela família.
As vezes acho que a dr.a Melfi é muito expositiva sobre o significado do episódio. Mas entendo que o público alvo (homens brutos) precisa de uma ajuda pra pensar além do que se vê.
Quando eu achava que Oz acolhia Victor, ele só estava o usando. Até com a própria mãe, ele sempre buscou ser amado, mas nunca quis amar. O pior de tudo é lembrar que tive pena dele pela sua condição. Achava que haveria compaixão.
Vejo um simbolismo no modo relaxado como Oz trata do próprio machucado. Não há cuidado. Não há reflexão. É só pra seguir em frente, sendo o mesmo de sempre.
Dependendo do ponto de vista, é mais uma vez a história da civilização sendo contada. Manipulada. No mundo real, a sede de poder é maior do que qualquer ideal verdadeiro, e não é a toa que algumas bandeiras estão manchadas com sangue.
Provavelmente deve ganhar 3 Emmys: Ator, Atriz e fotografia. Fascinantes.
Stranger Things (1ª Temporada)
4.5 2,7K Assista AgoraNão fui fisgado pela série, mas a 11 é uma personagem espetacular. A Millie dá um show.
Mão de Deus (2ª Temporada)
3.7 11 Assista AgoraAo mesmo tempo que se repete, também consegue ter uma das melhores season finale da TV.
Jesus de Nazaré
3.7 160"O mundo inteiro é território romano"
Mas tem uma coisa que nenhum ditador pode conquistar.
Achei interessante como adaptaram Barrabás como um patriota, e o imperador quase como um "santo".
The Fragrant Flower Blooms With Dignity
4.2 15 Assista AgoraComo um bolo de confeitaria. Bonito, recheado de lembranças, mas as vezes enjoado por ser doce demais kk
Mão de Deus (1ª Temporada)
3.9 20"Eu não conheço a Bíblia como deveria. Nem sei o Pai Nosso."
Num tempo de religiosos que não se lembram do sacrifício de Cristo, essa série caiu como uma luva. A teologia de direita não vê Jesus. Não busca o estudo bíblico. Se vale de achismos e de interpretações que massageiam o ego.
Há um tópico forte sobre a dualidade do ser humano. Se BJ parecia querer vingança, as visões mostravam o sangue que NÃO DEVERIA ser derramado. Mas um homem que é batizado precisa de intimidade com Deus. O coração de pedra não recebe o Espírito, só é rodeado por ele, como alguém batendo a porta querendo entrar. Assim o patriarca que deveria acolher a família machuca e afasta todo mundo com sua loucura. E às vezes até contamina com o jeito violento de agir. O caso poderia ser solucionado com comunicação.
Os Escolhidos (5ª Temporada)
4.4 22Jesus desafiando os Fariseus, angustiado com uma cidade perseguidora e sem fé genuína, apegada somente aos feriados e status... Tudo isso deixa a visão com Davi na harpa ainda mais simbólica. É quase como um vislumbre do próprio Reino do Céu, afim de dar um pequeno descanso pro sofrer humano que o Homem que não se vende estava destinado.
Os Escolhidos (3ª Temporada)
4.6 42 Assista AgoraImagina um espectador como Simão ou Éden assistindo a essa season finale. Pessoas de diversas culturas podem se sentir acolhidas aqui. Glória a Jeová!
Por ter crescido com Cristo, senti a Graça e me emocionei. Me fez lembrar que fui como esse Pedro. Rude, decepcionado, indigno do Mestre.
Agora, buscando me enraizar, estou redescobrindo como é maravilhoso ter Yeshua como mestre e amigo. Estudar com Ele e ser Seu aluno. Um teimoso sempre precisa lembrar que nenhuma mágoa com Mestre da Lei ou referência errada pode nos impedir de ir na fonte e beber dela. É o melhor lugar.
Shin's Project
3.5 1Não é uma obra prima, mas é divertida e emocionante. Me apeguei aos personagens, que são muito carismáticos.
A audiência tá muito boa, então provavelmente será renovada.
aka Charlie Sheen
4.0 43 Assista Agora"Eu sempre achava que meu amigo poderia estar na companhia de alguém melhor."
Por várias vezes fiquei emocionado com o Charlie na entrevista. Sóbrio. Coerente. Amável. Com o tempo as pessoas conseguem dizer não ao que é destrutivo. Mas só as que buscam olhar ao redor e além de si mesmas.
"Eu não vou colocar ele num pedestal nem vou acabar com ele."
Apesar de todo o privilégio, talvez Charlie tenha se achado medíocre por não ter estudado pra ser ator. Pra uma mente adoecida, é sempre mais fácil enxergar a sedução da luz da propaganda e ser conduzido pelo orgulho da falta de consciência do auto desenvolvimento. "Eu gostava de negociar comigo mesmo."
"Eu sou o que sou, e ninguém vai me mudar". Essa frase vai soando cada vez mais idiota com o tempo. Mostra a falta de crença da pessoa, que tira dela a noção de limite e de amor.
Chespirito: Sem Querer Querendo
3.5 109 Assista AgoraComecei pelo ícone e terminei conhecendo o ser humano. Ele acaba nos lembrando sobre a importância do secreto como um lugar de busca, de evoluir, de relaxar e agradecer. Não deixar isso pra depois como o Roberto deixou.
O Chespirito só conseguia focar no seu redor quando era sobre criar arte. Já ter família, era como uma regra que ele achava que deveria seguir. Tipo subir num barco e se aventurar, sem pensar demais no que vem a frente.
Talvez a Grazi tenha sido apenas uma engrenagem para o trabalho do Roberto. Mas vendo com olhos bons, percebemos que a amizade continuou porque houve bons frutos. Os dois criaram seus filhos com amor, assim como as séries que nasceram daquele afeto.
Haibane Renmei
4.5 11Esse anime me lembrou que o que faz a comunidade interessante são as visões diversas.
* O que vi foi uma pessoa encontrando sua base de acolhimento, mas sem o amor próprio. Rakka ainda estava muito apegada ao mundo que deixou.
* O sonho caindo do céu representa a fuga do mundo antigo (opressão/impulsividade) para o novo (segurança/aprendizado/afeto). Os corvos não aceitam isso, assim como pessoas/ideais que deixamos para trás.
* Não sei se vejo a fuga da muralha como voltar às origens (com novos ideais) ou apenas a vontade de viver sozinho sendo independente.
* Acho que o cigarro simboliza o peso da responsabilidade. Reki vive pelo dom, mas quer o sonho, descanso.
* As pessoas brincando pela cidade parecem relax, mas sabem exatamente o que querem. Esperam a oportunidade, mas não vivem em casa remoendo o que não chegou.
* A janela do perdão só foi aberta porque Rakka estava por perto para fazer a ligação com as duas. Foi a semente plantada de uma oração antiga. É lindo.
* O episódio final tem uma vibe Silent Hill que eu amei. Mostra que uma pessoa pode ter duas perspectivas diferentes sobre si mesma: Eu "luto contra a dor" ou "eu sou a minha dor"? Algumas pessoas não conseguem se libertar sozinhas da sua depressão, e precisam de alguém que as lembre que o que foi feito até ali não foi em vão. A nossa dor não nos define se pudermos ser melhores do que isso.
Bad Boy
3.9 6Toda nação têm vários povos. E no meio do preconceito e da guerra causadas por uns, outros apenas lutam pra continuarem vivos.
Os jovens prisioneiros não sabem se tornam-se soldados das ruas ou artistas das quedas da vida. Mas uma mãe tem fé. Às vezes é tão incompreendida quanto um filho problemático.
Star Wars: Andor (2ª Temporada)
4.5 87 Assista AgoraNão é apenas mais um Star Wars. Não precisa se sustentar nos ícones, é mais maduro do que isso
Classe dos Heróis Fracos 2
4.0 29Nessa temporada, a sensação é como se fosse acontecer uma perda a qualquer momento, principalmente com a tristeza do Si-Eun. No fim, isso se torna o contraponto desse ano com o anterior.
Mesmo com o peso nas costas, as coisas vão acontecendo, se reerguendo. O bem vai buscando seu lugar, e o ruim vai se perdendo. A escola se torna um bom lugar pra voltar.
Classe dos Heróis Fracos 1
4.3 40 Assista AgoraAssim como o sucesso Adolescência, essa série também trata sobre os dilemas da idade. A solidão, as escolhas, a falta de de escolhas, a pressão pela ascensão social... Mas também envolve o sistema que foge do nosso controle, comandado por pessoas violentas e hipócritas. Adultos que pensam que são exemplos, que acreditam que merecem respeito mesmo sem caráter.
Não é a toa que a série começa com uma leitura sobre revolução, pois nesse contexto até as câmeras de "segurança" tem um dono.
Há um preço a se pagar quando se enfrenta algo maior. Apesar da perda, a luta só vai se intensificando, como uma mensagem que sobrevive.
Achei interessante a demora pra lançar a segunda temporada. 3 anos, um luto.
Queria que tivesse rolado um beijo em específico aaaaaaa
Adolescência
4.0 610* Pra mim, uma das imagens mais marcante da série mostra Jamie no centro, o seu pai ao lado o protegendo, e seu advogado do outro o coagindo a mentir como se fosse o certo. No final, ele só conseguiu confessar estando sozinho.
* A única coisa que diferenciava pai de filho era a agressão. A internet foi só mais uma extensão do ensino patriarcal que Jamie recebia.
* Pra Jamie, um pai amoroso significava um pai esquisito. Mas não dá pra saber se ele sente isso com certeza ou se é algo vindo do preconceito midiático. Tipo, são essas pequenas regras de "como ser homem" que o colocaram num dilema (e acho q todo o jovem). Os meninos precisam de uma educação mais sensível, sem competição ou vontade de se provar, sem precisar reagir a toda provocação.
Jamie gostava de desenhar, mas quando desanimou da arte, ganhou um computador. Não houve um suporte mais atencioso. Era só mais um presente.
* Enquanto Jamie queria validação pra inflar o próprio orgulho masculino, a médica o questionava afim de fazê-lo ver a própria culpa.
* O episódio 2 é o meu favorito, pois traz consciência sobre as falhas dos sistemas educacional e parental. Do tipo "vejam isso, e façam algo enquanto é tempo."
Ao contrário dos professores que só queriam trabalhar ou do Instagram sensacionalista que definia pessoas, ali havia um pai querendo aprender com o mais jovem.
* No último episódio, vemos o que uma provocação faz com o pai: seu carinho com a esposa se tornou aversão. Convivendo com isso, a visão da filha sobre o pai irá afetar seus relacionamentos, seu lugar no mundo, trazendo aversão aos homens, com toda razão.
Não é preciso muita atenção pra ver a bandeira LGBT+ no quarto da filha. Perto dos parentes ela se diminuía pra caber, mas sabia que ainda existia um jeito de viver melhor.
* Acho que o choro no final tem uma certa nostalgia, um desejo de voltar a ser criança quando não havia pressão para ser homem. Era apenas ser.
Nana
4.6 124FIM DA SÉRIE
Definitivamente essa é a minha melhor recomendação. Não sei se é pq resignifiquei algumas dores com a série, mas fiquei tristinh com o episódio final. Vou levar comigo tudo o que aprendi. Não é como a maioria dos animes. É cheio de humanidade, principalmente quando a gente se descobre como um outro personagem. Sentimos, lembramos e até superamos com essa ficção.
Nesse universo, namorar é quase sempre se limitar, controlando o jeito de dar afeto aos amigos. Mas pq ficar quando o olhar busca a direção da liberdade (espontaneidade)?
Há um dilema sério no final: Alguns amores são melhores na memória, e outros que evoluem sozinhos, valendo o risco. Mas afinal, como saber qual é qual? Seria melhor evitar a comunicação mesmo que um amor tenha ficado pelo caminho? Mesmo sendo um fdp, Shoji foi o mais comunicativo. Perguntou e ouviu Hachiko no fim. Já Nana e Nobu, estavam ali, controlando suas paixões pela amizade e pelo sonho dela ser a princesa.
Não li o mangá, mas será que ela vai ficar feliz com isso? Vai evitar o dilema afim de ter uma vida monótona mas estável? A evolução do ser é a coisa mais importante de todas, Hachiko! Ser independente não é só pagar as próprias contas. E libertar nosso eu, saber dizer "não", mostrar ao mundo que não existe prisão para alguém como nós. Chore de saudade, mas não deixe seu destino na mão dos outros.
"Não fique lendo só manga. Leia um livro de verdade."
Família Soprano (6ª Temporada)
4.7 330 Assista AgoraO obra que me faz lembrar pq tenho depressão, e pq não faço as pazes com o social majoritário heteronormativo.
Talvez a maior filosofia da série seja sobre fugir do patriarcado. Se envolver com pessoas gentis, ser dedicado a vida acadêmica, fugir da realidade das ruas, pegar a estrada pra longe. Pq quando a música da vida pára, é só escuridão. Quando se faz o mau, os fantasmas cobram.
Acho que nessa última temporada, Tony soube ser gentil e aproveitar os detalhes com mais cuidado. Mas havia a maldição do pacto irreversível. Tony tinha que dar um falso respeito, comandar mesmo quando estava cansado de estar no trono. Pra alguns, o trabalho e os colegas são como maldição. E o costume pesava na decisão quando o assunto era RECOMEÇAR e SER FELIZ.
Talvez seja viagem minha, mas acho que o David Chase acredita em reencarnação. Se Adriana é uma gata, Tony é um Pato.
Família Soprano (4ª Temporada)
4.6 131Pie-O-May é o episódio mais reflexivos da temporada. Alguns são felizes sendo "cavalos", outros tristes, enquanto uns fingem jogando nos dois lados. Fazer o que? A vida está cheia de jóqueis.
Tirar o visor dos olhos pode ser difícil, mas muda o rumo. E Adriana... Preferiu entorpecer a correr.
Tony faz carinho no animal como se não quisesse perder um trabalhador leal.
Tony não tinha peito de aço. Era só mais um selvagem suicida num mundo cheio deles.
Família Soprano (3ª Temporada)
4.6 149 Assista AgoraA corrida da Meadow nessa season finale lembra a do último episódio. Reforça ainda mais a minha teoria da sua sobrevivência.
O Júnior cantando pode representar a falsidade que a nova juventude não conseguiu suportar. A fuga acadêmica talvez seja a salvação. E o q sobra pro resto da família é aproveitar aquele raro momento bonito antes da descida fatal.
Knuckles (1ª Temporada)
2.8 20Agradável. Já tô acostumado com estórias onde o aprendiz é o protagonista.
Família Soprano (2ª Temporada)
4.5 129 Assista AgoraO episódio final dessa temporada consegue definir a essência de toda a série
Tony não passou mal no barco pq só ali ele se sentia melhor. Talvez ele goste de ser um monstro, pois é o que tira ele de casa e da vontade de se matar. E assim, quando está em família, ele se torna um parasita mentiroso.
Tony aprende com a psiquiatra a culpar a sua infância pela violência que comete. O faz passar mal se ver como um monstro que não desiste do jogo, e só com a Melfi ele pode esticar suas pernas.
Num sonho, Meadow diz que já tinha escolhido sua universidade. Era o seu crescimento para a fuga. Talvez ela não precisasse de um barco, e sim de respeito próprio e honestidade.
Família Soprano (1ª Temporada)
4.5 285Tony fantasia sua fuga na terapia, sua esposa na religião, e sua filha na mentira. Assim os momentos doces e singelos da família são sempre carregados de ironia.
Quando um homem observa a natureza, é pq ele quer estudar as opções. Mas a família preferiu a rotina. Preferiu dizer que ele não poderia ser atleta, nem dançar com sua mãe, pois ser carinhoso o faria diferente de seus pais. Naquele meio, quem se beneficiaria de algo que não dá capital?
Pro Tony, os patos pareciam ser o seu único afeto real. E mesmo assim, eles voaram, enquanto ele tinha de viver com o pé naquela realidade onde "amigo" e "marido" não tinham uma definição clara.
A mãe do T representa o tempo vivido naquela bolha. Um dia ele seria o paranóico.
Já Carmela e Meadow são um contraste uma da outra sobre a derradeira tomada de decisão. No episódio 5, a mais nova respira e aceita o fato de ter o pai que tem, pois naquele momento, suas asas de fuga ainda estavam em crescimento.
Acho irônico o Tony no divã falando que terapia não é coisa de macho. Na cabeça dele ele era o rei pq tinha que ser. Era o único lugar onde o chamavam de inteligente e não duvidavam de sua masculinidade.
Meadow tenta conscientizar AJ, mas ele só conseguia ver o pai cercado de "amigos", além de estar refém da escolha ignorante do T de não fazer tratamento. Por isso gosto de pensar na Meadow como a única que conseguiu confrontar e se desvencilhar daquela família.
As vezes acho que a dr.a Melfi é muito expositiva sobre o significado do episódio. Mas entendo que o público alvo (homens brutos) precisa de uma ajuda pra pensar além do que se vê.
Pinguim
4.4 292 Assista AgoraQuando eu achava que Oz acolhia Victor, ele só estava o usando. Até com a própria mãe, ele sempre buscou ser amado, mas nunca quis amar. O pior de tudo é lembrar que tive pena dele pela sua condição. Achava que haveria compaixão.
Vejo um simbolismo no modo relaxado como Oz trata do próprio machucado. Não há cuidado. Não há reflexão. É só pra seguir em frente, sendo o mesmo de sempre.
Dependendo do ponto de vista, é mais uma vez a história da civilização sendo contada. Manipulada. No mundo real, a sede de poder é maior do que qualquer ideal verdadeiro, e não é a toa que algumas bandeiras estão manchadas com sangue.
Provavelmente deve ganhar 3 Emmys: Ator, Atriz e fotografia. Fascinantes.