A biografia onírica de uma cidade rememorada. Tem mais a ver com fruição subjetiva do que acompanhar uma história... Pra mim, o ápice do que se convencionou chamar de "felliniano".
Nenhuma surpresa, diversão sem compromisso. Sustenta-se pelo carisma do elenco. Embora os personagens pareçam incólumes à passagem do tempo e às próprias vivências, valeu a pena reencontrá-los.
Pode ser visto como um remake que arranha questões contemporâneas... Mas, tal qual uma faca cega, incapaz de produzir resultados.
O fato de apresentar boas ideias acaba pesando pra mim por ter criado uma expectativa que o desenvolvimento não atingiu.
A sequência inicial é puro cinema, coisa fina mesmo. Ali já se estabelece a atmosfera de estranhamento que sustenta a trama de contornos lovecraftianos.
Esquecendo qualquer relação com "aquele outro" filme, talvez valha alguns momentos. Pode ser divertido se encarado como um slasher, sem muita preocupação com suas premissas.
Luiz Carlos Merten: "Fui ver Heroi de Sangue, Tirailleurs/Atiradores, no original. Omar Sy virou o grande astro do cinema francês atual, após o estouro de Os Intocáveis, cujo diretor de fotografia, Mathieu Vadepied, agora dirige o novo longa. Filho de pai senegalês e mãe da Mauritânia, Sy tem feito filmes que abordam a herança africana na vida social e na cultura francesas. O colonialismo. O lendário palhaço preto, Chocolate, o Arsène Lupin, também negro, e agora os ‘tirailleurs’.
As brigadas de atiradores africanos convocados à força para defender a ‘pátria’ na 1ª e 2ª Grandes Guerras. Cidadãos de segunda categoria, sem direitos, exceto o de morrer na frente de combate. Gostei de ter visto Herói de Sangue. Em inglês, chama-se Father and Soldier, Pai e Soldado. Sy faz esse senegalês que se alista para tentar proteger o filho na guerra. A relação familiar é colocada à prova quando o filho é promovido a ‘caporal’ e, sendo hierarquicamente superior ao pai, começa a lhe dar ordens.
Há uma cena muito interessante, quando os soldados conversam, num intervalo dos combates. Falam de sexo – fazer sexo com as prostitutas brancas -, e o garoto antevê ali a possibilidade de construir uma nova vida na França, distante da aldeia. Sy percebe que está perdendo o seu garoto. Ele tenta fazê-lo desertar, o filho resiste. O pai vira herói, malgré lui.
O filme começa e termina com a exumação de ossos humanos que irão compor o túmulo do soldado desconhecido, no Panteão da Pátria, no Arco do Triunfo, em Paris. O heroísmo anônimo, a chama eterna – a história recuperada dos tirailleurs. Qual será o próximo movimento de Omar Sy? Na França, ao promover o filme, ele destacou o heroísmo dos senegaleses e a direita acusou-o de tentar distorcer a história, cuspindo na tradição branca que o acolheu. Curti muito um detalhe. Sy fala no dialeto que aprendeu com seu pai em casa, só o filho – Alassane Sy, muito bom – fala francês no filme. Heróis de sangue, Tirailleurs.
Difícil, para um fordiano de carteirinha, como eu, não pensar em Sangue de Heróis. Cheguei a confundir o título, mas me corrigi a tempo. Fort Apache, de 1948. A versão do mestre para a história do lendário General Custer. A vida no forte sofre um sobressalto quando chega o novo comandante – Henry Fonda – com sua crença de que índio bom é índio morto. John Wayne – ele! – opõe-se, menos para defender os peles-vermelhas, mas porque sabe que a disciplina imposta por Fonda é suicida e coloca em risco a vida dos soldados. Sangue de Heróis é o filme que inicia a trilogia da Cavalaria.
Apesar de todas as diferenças, Herói de Sangue e Sangue de Heróis no fundo falam sobre a mesma coisa. O que é o heroísmo, quem são os heróis?"
O livro de Frank Herbert é um marco inegável em seu gênero. Não o li, mas absorvi muito do que o constitui através daquilo que consumi da cultura pop.
Digo isso pois essa adaptação me provoca um intenso déjà vu. Perfeitamente compreensível, haja vista suceder tantas obras que beberam da mesma fonte... Star Wars, é você?
Compreensível, conquanto incontornável. Tanto quanto meu desejo de adentrar este universo e acompanhar os desdobramentos desta trama — muito pelo esmero da produção e competência do elenco.
Certa vez li em algum lugar que Hollywood adora se ver na tela, ora de forma crítica, ora de forma indulgente. Historicamente, produções nessa toada tendem a se destacar no Oscar... De fato, o roteiro de Cord Jefferson é muito bem escrito, não vejo arestas, mas sua premiação acaba por acrescentar uma camada metalinguística extra.
Tenho acompanhado as repercussões sobre o ingresso do Krenak na ABL, e um ponto recorrente vai ao encontro da reflexão que o filme propõe: o fato dele ser o primeiro indígena lá soterra qualquer menção concreta a sua obra.
Queria tanto ter curtido... O filme acabou, não me importei.
Do roteiro, não sei o que quis dizer. Não fossem os intérpretes, os personagens talvez parececem manequins numa megastore. Redemption Song rolando diante da fogueira, e eu me perguntava quem seriam aquelas crianças... Quando cheguei perto de me comover, foi quando Lashana Lynch esteve em tela. Que luz a dessa moça!
Das músicas, só uma degustação, a maioria era cortada no clímax. Soa como uma playlist no modo shuffle.
O roteiro serve-se de clichês e cede a algumas facilidades? Claro. Mas as cenas funcionam. Muito pela qualidade do elenco também. O casal protagonista esbanja química e simpatia. Aquela cena do jantar, na piscina, já vale um filme. E, ademais, quantas comédias românticas hoje são absolutamente originais?
É admirável o que esse elenco entrega: alternar personas quase como roupa não é qualquer coisa. Devidamente reconhecido pelos pares do Screen Actors Guild.
Lá pelos 15 minutos, ainda meio desorientado, o título do filme fez todo sentido pra mim. Ao final, me pergunto como o montador conseguiu dar coesão ao caos, sem abandonar subtramas, e ainda manter a sanidade. Outro ponto positivo. Mas...
A comédia me diverte? Não. A ação me empolga? Não. O drama me comove? Não.
"... E quem me vê apanhando da vida Duvida que eu vá revidar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar Eu vejo a barra do dia surgindo Pedindo pra gente cantar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada Quem dera gritar Tou me guardando pra quando o carnaval chegar"
Poucas vezes um microcosmo refletiu tão bem a complexidade das nossas relações socioeconômicas.
Esse filme precisa ser visto, revisto, pensado e discutido. Talvez seja exagero de um expectador ainda atordoado pela experiência, mas eu incluiria essa joia do Marcelo Gomes numa lista ao lado de Tempos Modernos.
Como dito pelo próprio diretor: "Toritama é como a China com um Carnaval no meio."
Embora não tenha me envolvido tanto com os personagens, muito pelo roteiro, o elenco dá vida a cenas tocantes.
Essa atmosfera mambembe me pega muito pela nostalgia. Outro filme dessa estirpe, em que acompanhamos uma trupe itinerante, o drama francês "Les Ogres".
Aqui a fotografia de Petrus Cariry se destaca pra mim, especialmente na forma como olha pra vastidão do sertão, lembrando velhos westerns.
Revendo o "Auto da Compadecida", encantado pela tradição do cordel, fiquei na vontade de voltar à encenação do "Auto de Lamparina" pelas mãos do mestre Rosemberg.
Amarcord
4.2 189 Assista AgoraA biografia onírica de uma cidade rememorada. Tem mais a ver com fruição subjetiva do que acompanhar uma história... Pra mim, o ápice do que se convencionou chamar de "felliniano".
O Diabo Veste Prada 2
3.3 425 Assista AgoraNenhuma surpresa, diversão sem compromisso. Sustenta-se pelo carisma do elenco. Embora os personagens pareçam incólumes à passagem do tempo e às próprias vivências, valeu a pena reencontrá-los.
Pode ser visto como um remake que arranha questões contemporâneas... Mas, tal qual uma faca cega, incapaz de produzir resultados.
Noé
3.0 2,6K Assista AgoraNoé na Terra Média!?
Flow
4.2 585Fica, tem pós crédito...
Enterre Seus Mortos
2.3 50 Assista AgoraO fato de apresentar boas ideias acaba pesando pra mim por ter criado uma expectativa que o desenvolvimento não atingiu.
A sequência inicial é puro cinema, coisa fina mesmo. Ali já se estabelece a atmosfera de estranhamento que sustenta a trama de contornos lovecraftianos.
Hannibal
4.0 1,1K Assista AgoraEsquecendo qualquer relação com "aquele outro" filme, talvez valha alguns momentos. Pode ser divertido se encarado como um slasher, sem muita preocupação com suas premissas.
The Shield - Acima da Lei (7ª temporada)
4.6 34Estaria esse entre os melhores finais de série de todos os tempos?
Herói de Sangue
3.2 3Luiz Carlos Merten: "Fui ver Heroi de Sangue, Tirailleurs/Atiradores, no original. Omar Sy virou o grande astro do cinema francês atual, após o estouro de Os Intocáveis, cujo diretor de fotografia, Mathieu Vadepied, agora dirige o novo longa. Filho de pai senegalês e mãe da Mauritânia, Sy tem feito filmes que abordam a herança africana na vida social e na cultura francesas. O colonialismo. O lendário palhaço preto, Chocolate, o Arsène Lupin, também negro, e agora os ‘tirailleurs’.
As brigadas de atiradores africanos convocados à força para defender a ‘pátria’ na 1ª e 2ª Grandes Guerras. Cidadãos de segunda categoria, sem direitos, exceto o de morrer na frente de combate. Gostei de ter visto Herói de Sangue. Em inglês, chama-se Father and Soldier, Pai e Soldado. Sy faz esse senegalês que se alista para tentar proteger o filho na guerra. A relação familiar é colocada à prova quando o filho é promovido a ‘caporal’ e, sendo hierarquicamente superior ao pai, começa a lhe dar ordens.
Há uma cena muito interessante, quando os soldados conversam, num intervalo dos combates. Falam de sexo – fazer sexo com as prostitutas brancas -, e o garoto antevê ali a possibilidade de construir uma nova vida na França, distante da aldeia. Sy percebe que está perdendo o seu garoto. Ele tenta fazê-lo desertar, o filho resiste. O pai vira herói, malgré lui.
O filme começa e termina com a exumação de ossos humanos que irão compor o túmulo do soldado desconhecido, no Panteão da Pátria, no Arco do Triunfo, em Paris. O heroísmo anônimo, a chama eterna – a história recuperada dos tirailleurs. Qual será o próximo movimento de Omar Sy? Na França, ao promover o filme, ele destacou o heroísmo dos senegaleses e a direita acusou-o de tentar distorcer a história, cuspindo na tradição branca que o acolheu. Curti muito um detalhe. Sy fala no dialeto que aprendeu com seu pai em casa, só o filho – Alassane Sy, muito bom – fala francês no filme. Heróis de sangue, Tirailleurs.
Difícil, para um fordiano de carteirinha, como eu, não pensar em Sangue de Heróis. Cheguei a confundir o título, mas me corrigi a tempo. Fort Apache, de 1948. A versão do mestre para a história do lendário General Custer. A vida no forte sofre um sobressalto quando chega o novo comandante – Henry Fonda – com sua crença de que índio bom é índio morto. John Wayne – ele! – opõe-se, menos para defender os peles-vermelhas, mas porque sabe que a disciplina imposta por Fonda é suicida e coloca em risco a vida dos soldados. Sangue de Heróis é o filme que inicia a trilogia da Cavalaria.
Apesar de todas as diferenças, Herói de Sangue e Sangue de Heróis no fundo falam sobre a mesma coisa. O que é o heroísmo, quem são os heróis?"
Twisted Metal (1ª Temporada)
3.6 79 Assista AgoraEra uma vez um palhaço...
O Poderoso Chefão
4.7 3,0K Assista AgoraNão curtir qualquer filme que seja é algo natural, mas chamar isso aqui de superestimado diz mais sobre você do que sobre a própria obra...
Isso aqui é cinema! Absolutamente impecável. Aula de roteiro, mise en scène e atuação.
Duna
3.8 1,7K Assista AgoraO livro de Frank Herbert é um marco inegável em seu gênero. Não o li, mas absorvi muito do que o constitui através daquilo que consumi da cultura pop.
Digo isso pois essa adaptação me provoca um intenso déjà vu. Perfeitamente compreensível, haja vista suceder tantas obras que beberam da mesma fonte... Star Wars, é você?
Compreensível, conquanto incontornável. Tanto quanto meu desejo de adentrar este universo e acompanhar os desdobramentos desta trama — muito pelo esmero da produção e competência do elenco.
Ficção Americana
3.8 424Certa vez li em algum lugar que Hollywood adora se ver na tela, ora de forma crítica, ora de forma indulgente. Historicamente, produções nessa toada tendem a se destacar no Oscar... De fato, o roteiro de Cord Jefferson é muito bem escrito, não vejo arestas, mas sua premiação acaba por acrescentar uma camada metalinguística extra.
Tenho acompanhado as repercussões sobre o ingresso do Krenak na ABL, e um ponto recorrente vai ao encontro da reflexão que o filme propõe: o fato dele ser o primeiro indígena lá soterra qualquer menção concreta a sua obra.
Bob Marley: One Love
3.1 197Queria tanto ter curtido... O filme acabou, não me importei.
Do roteiro, não sei o que quis dizer. Não fossem os intérpretes, os personagens talvez parececem manequins numa megastore. Redemption Song rolando diante da fogueira, e eu me perguntava quem seriam aquelas crianças...
Quando cheguei perto de me comover, foi quando Lashana Lynch esteve em tela. Que luz a dessa moça!
Das músicas, só uma degustação, a maioria era cortada no clímax. Soa como uma playlist no modo shuffle.
A Mata Negra
3.2 100A nossa Bruxa!?
De Carona para o Amor
3.5 44O roteiro serve-se de clichês e cede a algumas facilidades? Claro. Mas as cenas funcionam. Muito pela qualidade do elenco também. O casal protagonista esbanja química e simpatia. Aquela cena do jantar, na piscina, já vale um filme.
E, ademais, quantas comédias românticas hoje são absolutamente originais?
Oscar Niemeyer - A Vida é um Sopro
4.2 47Deveras interessante essa trilha sonora.
Tudo em Todo O Lugar ao Mesmo Tempo
4.0 2,1K Assista AgoraÉ admirável o que esse elenco entrega: alternar personas quase como roupa não é qualquer coisa. Devidamente reconhecido pelos pares do Screen Actors Guild.
Lá pelos 15 minutos, ainda meio desorientado, o título do filme fez todo sentido pra mim. Ao final, me pergunto como o montador conseguiu dar coesão ao caos, sem abandonar subtramas, e ainda manter a sanidade. Outro ponto positivo. Mas...
A comédia me diverte? Não.
A ação me empolga? Não.
O drama me comove? Não.
Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar
4.3 215"...
E quem me vê apanhando da vida
Duvida que eu vá revidar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo
Pedindo pra gente cantar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada
Quem dera gritar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar"
BUARQUE, Chico
Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar
4.3 215Poucas vezes um microcosmo refletiu tão bem a complexidade das nossas relações socioeconômicas.
Esse filme precisa ser visto, revisto, pensado e discutido. Talvez seja exagero de um expectador ainda atordoado pela experiência, mas eu incluiria essa joia do Marcelo Gomes numa lista ao lado de Tempos Modernos.
Como dito pelo próprio diretor: "Toritama é como a China com um Carnaval no meio."
Uma Onda no Ar
3.3 47Seria um blaxploitation à brasileira?
Sem Limites
3.7 49 Assista AgoraDesanda um tanto no final... Talvez merecesse mais alguns episódios.
O Homem dos Olhos Frios
3.9 36Conto moral conduzido com uma sensibilidade rara no oeste distante. Embora, impregnado por sua época, soe machista nalguns momentos.
No fundo, acho que é muito sobre se permitir renascer, reinventar-se a cada dia. O menino como pivô dessas movimentações me cativa.
Sheriff, I'll see you at the Bates Motel
À Prova de Morte
3.9 2,0K Assista AgoraUma experiência tardia com a obra do diretor.
Gosto desse Tarantino que fazia os filmes que gostaria de ver, sem muitas pretensões. Cinefilia obsessiva em máximo grau.
Na superfície, aos não iniciados nas referências obscuras do criador, uma obra divertida, digna de qualquer sessão grindhouse.
A hoje lendária montadora Sally Menke entendia-se com o diretor como ninguém. O ritmo é uma delícia. A sequência final, um delírio.
Os Pobres Diabos
3.4 11Embora não tenha me envolvido tanto com os personagens, muito pelo roteiro, o elenco dá vida a cenas tocantes.
Essa atmosfera mambembe me pega muito pela nostalgia. Outro filme dessa estirpe, em que acompanhamos uma trupe itinerante, o drama francês "Les Ogres".
Aqui a fotografia de Petrus Cariry se destaca pra mim, especialmente na forma como olha pra vastidão do sertão, lembrando velhos westerns.
Revendo o "Auto da Compadecida", encantado pela tradição do cordel, fiquei na vontade de voltar à encenação do "Auto de Lamparina" pelas mãos do mestre Rosemberg.