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Últimas opiniões enviadas

  • Kirley

    Quantas gerações cresceram com a obra de Maurício de Sousa? Só na minha casa há gibis em cruzado, cruzeiro e real. Uma coleção onde estão almanacões de férias, especiais do parque da Mônica e edições que perderam a capa de tanto que foram lidas. A verdade é que a turminha do Limoeiro faz parte da minha história, assim como da maioria dos brasileiros. Maurício é uma jóia nacional, e o mesmo pode ser afirmado sobre o diretor de Turma da Mônica – Laços, Daniel Rezende.

    Autor do ótimo Bingo, ele foi também editor de Cidade de Deus e A árvore da vida. Um raro talento que demonstra como é possível criar filmes nacionais bem realizados nos aspectos técnicos e estéticos. É nesta adaptação da graphic novel homônima que ele comprova de vez a sua habilidade. O diretor movimenta a câmera de forma bastante dinâmica e elabora composições de uma beleza plástica digna de pintura.

    Os trabalhos de fotografia e direção de arte são igualmente primorosos. O primeiro, cheio de contraluz e tons dourados, em uma eterna tarde de diversão que poderia fazer parte da infância de qualquer brasileiro. Já o segundo, aposta nas cores primárias a fim de traduzir para o real o lúdico colorido dos quadrinhos. Além disto, a caracterização de mundo e personagens é a adaptação mais perfeita dos gibis que poderia ser alcançada.

    É claro que nada disto funcionaria se o elenco não fosse muito bem escolhido. As crianças encarnam impecavelmente os personagens clássicos, seja visualmente ou nas particularidades que cada um possui. O filme conta ainda com easter eggs para fã nenhum botar defeito e uma participação absolutamente icônica de Rodrigo Santoro como o Louco.

    Todos estes elogios significam que Turma da Mônica – Laços é perfeito? Claro que não. É verdade que Daniel Rezende não fez a edição do filme, mas por ironia, é este um dos seus pontos fracos. Na primeira metade a montagem é bastante apressada. A partir do ato que se inicia na cena da encruzilhada, no entanto, as cenas ficam mais longas do que precisavam. Este receio de cortar acabou prejudicando o ritmo do filme.

    Já o roteiro, embora apresente atos bem delineados, é pouco consistente. Provavelmente o efeito de Rezende não ter dado às crianças o material para ler. O excesso de improviso impede que os diálogos sirvam para desenvolver melhor os personagens e avançar a trama de modo coeso. A trilha sonora de Fabio Góes é outro ponto fraco.

    Ainda que bem mixada e com arranjos bonitos, ela acaba soando mais óbvia do que deveria, telegrafando demais os acontecimentos da narrativa. São fatores que prejudicam o filme a ponto de diminuir a sua qualidade? Apenas para o monstrinho da crítica que habita em alguns de nós. Há suficientes acertos na obra para que relevemos estes pequenos problemas.

    Afinal, o resultado é visualmente belo, tecnicamente caprichado e notadamente esforçado. A proximidade visual com a graphic novel Laços, aliás, é muito grande. Daniel Rezende e toda a equipe fizeram um belo trabalho e criaram uma pequena gema preciosa do cinema nacional.

    Mais do que isto: é um frescor de ingenuidade e pureza em um mundo cada vez mais cínico dentro e fora das telas. Não há nada mais a dizer além de “palabéns” aos envolvidos em Turma da Mônica – Laços.

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  • Kirley

    De tempos em tempos algum picaretão desponta no cinema. Graças a uma estratégia de marketing esperta, e um ou outro filme mediano, o sujeito ganha a idolatria do público. É o que aconteceu com Lars Von Trier, e agora se repete com Luca Guadagnino. Anteriormente o irrelevante e misógino “100 escovadas antes de dormir” era seu único filme conhecido. Portanto, há 3 anos o siciliano era ninguém.

    Com Me Chame Pelo Seu Nome o diretor finalmente acertou a mão e criou algo digno de elogio. Ainda que o resultado tenha sido um longa honesto, porém mediano. O problema aqui começa na fidelização que o italiano conseguiu do famigerado pink money. Assim como certos “artistas” brasileiros duvidosos, ele não demorou para se aproveitar da situação.

    Primeiro, com as sequências desnecessárias que planeja para o seu único filme de sucesso. Agora, com este remake. Resumidamente: o Suspiria de Gudagnino é uma barafunda pretensa com pouquíssimos momentos de inspiração. Uma pincelada de imagens-pulsão que não fazem mais do que retomar fetiches do diretor. É uma obra feita sobre medida para quem tem preguiça de filmes com mais de 5 anos de idade. E também cai como uma luva para aqueles que querem manter a imagem de Cult no café da manhã.

    A contextualização histórica e tentativa de aprofundamento dos temas abordados na narrativa é risível e absurdamente superficial. Não passa de um aceno ao ego do diretor. E a coisa fica pior. Ao contrário do que a maioria acredita, este filme dá indícios consistentes de ser uma fábula antifeminista. O longa quase não fala verdadeiramente sobre arte ou competição pelo sucesso. O argumento implícito é muito mais sobre como grupos de mulheres que buscam autoridade são hipócritas e autodestrutivos.

    Tecnicamente a única coisa digna de elogio é a maravilhosa trilha sonora de Tom Yorke. A montagem do filme acerta quando ocorre em uníssono com a música. Sem este recurso, no entanto, soa deslocada em muitas sequências. Como a abertura que se passa no consultório do psiquiatra. Esteticamente o filme é pobre, até mesmo preguiçoso, e não lembra em nada a vibrância do original.

    Na fotografia o uso de película em lugar do digital não é valorizado pela cinematografia monótona. E mesmo empregando ISO 1000 em algumas sequências, aqui e ali encontramos cenas que parecem filmadas com a sensibilidade errada. Ou seja, há muita sombra e mescla de tons acinzentados, o que leva à perda de definição nos detalhes. Tampouco os zooms repentinos - clichê do cinema setentista que se tenta reproduzir - combinam com a sobriedade exacerbada com que se conta a história. No mais, o uso de dioptros poderia ser mais bem explorado.

    Já nas cenas onde a taxa de frames é alterada para algo diferente dos tradicionais 24 quadros por segundo, parece que assistimos a um dos capítulos da franquia Sharknado. E pensando bem, ainda que um pouco disfarçados, os efeitos especiais também são equivalentes aos filmes-pérola da SyFy.

    Difícil de entender já que o trabalho de efeitos práticos exibia qualidade razoável em outros momentos. O final é paradoxalmente o melhor e o pior do filme. Por um lado, é a única parte original e expressiva, por outro, é executado de forma tosca, quase cômica.

    O veredito é simples: como bom picareta que é, Guadagnino vai sugar até a última gota seminal do que restar nesta autofelação que ele chama de cinema. Uma sequência para este desastre que ele ousou chamar de Suspiria? Entrando dinheiro no caixa, é claro que sim. Me chame pelo seu nome 7 –Elio renascido do inferno? Por que não?

    Os limites não existem enquanto houver quem endosse o vigarista. Em termos de marketing é genial – um mercado estabelecido e pronto para consumir mercadorias-fetiche de baixa qualidade. Supreme está fazendo escola no cinema. Até quando vai ser assim? Quem sabe uma intoxicação fatal alerte a defesa sanitária, ou o público incauto, quanto ao perigo destes produtos e mude a situação. Ou talvez Luca decida fazer outro filme honesto e se desfazer da picaretice.

    Eu não esperaria sentado.

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  • Kirley

    Apesar do cabeça-de-teia ser um dos meus heróis favoritos da infância, confesso que não dava nada por este filme. O trailer de "Homem Aranha: no Aranhaverso" parecia apresentar uma animação visualmente bonita, original e divertida, mas nada especial. Hoje, depois de assistir, posso dizer: como é bom estar errado! O longa é uma bonita homenagem ao herói e aos quadrinhos que lhe dão origem.

    A abertura com retículas de impressão no título já dá o tom do carinho visual com que a animação será trabalhada. Os pontinhos permanecem durante todo o longa e são acompanhados de tracejados que lembram a arte-final em nanquim. Há inserção de caixas de pensamento e até planos de detalhe em quadros isolados, como os de um quadrinho. Em alguns momentos vemos até mesmo onomatopeias.

    Outro recurso emprestado da arte sequencial são as divisões de tela em duas ou mais partes. As inspirações contam ainda com os games atuais do Aranha, assim como títulos que empregam a técnica do Cel Shading. Praticamente não há limites para a estilização e dinamismo da animação. O que percebemos nos movimentos de câmera e distorções de perspectiva. O resultado é uma obra altamente imersiva e pop.

    Referências para os mais aficionados em quadrinhos não faltam: há menção aos filmes de Sam Raimi; um homem aranha loiro que lembra Ben Reilly, o clone de Parker; temos o Rei do crime gigantesco e estilizado como na arte de Bill Sienkiewicz em “Demolidor: Amor & Ódio”; Uma ponta do Aranha 2099 e até mesmo a memística série (des)animada dos anos 60.

    Narrativamente é uma história de origem redonda e que faz tudo certo. A diferença é que ela sai um pouco da curva com que o público se acostumou neste tipo de conto. Há também uma variação da jornada do herói. Aqui será um Parker cansado, meio fora de forma e mais velho, que servirá como mentor do protagonista. E este é ninguém menos que Miles Morales, fazendo uma bela estreia cinematográfica e acentuando a importância da representatividade.

    O que o filme regata em seu argumento ao lembrar que, afinal, “qualquer um pode vestir a máscara”. Palavras ditas por Stan Lee em um belo Cameo. E nesta participação acaba por soltar outra frase muito simbólica: “ele vai fazer falta”.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Uma referência ao Parker que havia morrido naquela realidade, mas que transcende o seu objetivo imediato na trama: é do próprio Lee que sentiremos saudade.

    Destaque mais uma vez para a nossa dublagem brasileira. Além de mostrar por que é uma das melhores do mundo, o estúdio fez uma bela localização do original. Neste tocante encontramos mais uma porção de pequenas referências, como Manolo Rey nos fazendo lembrar do herói interpretado por Tobey Maguire.

    Igualmente maravilhosas são trilha sonora e canção original, injustiçadas por não terem ganhado indicações ao Oscar. Poderiam ocupar facilmente o lugar de Mary Poppins e Beale Street. Até Ilha de Cachorros deveria abrir espaço. Alexandre Desplat é sempre competente, e seus arranjos para a música do longa de Wes Anderson são originais. O resultado, contudo, é relativamente blasé. Em termos de canção original era fácil deixar Buster Scrugs de lado.

    Seja como for, Homem Aranha no Aranhaverso é uma verdadeira obra de arte visual. Um trabalho apaixonante que mescla linguagens de diferentes mídias com perfeição. É não só a melhor animação a concorrer ao Oscar deste ano, como também o melhor filme já realizado do Aranha.

    E isso é tudo, pessoal.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Eliz
    Eliz

    Eu fiquei mais isolada com o tempo por causa da depressão, que às vezes melhora, outras piora, mas sempre vou tentando levar... Mas como tu diz, para manter a sanidade eu tento manter contato e conversar com pessoas que eu gosto e são legais.
    Sim, adoraria conversar em breve... Ah, e sem querer ser invasiva notei que se rendeu ao tumblr também, irei te seguir, se estiver tudo bem.

  • Eliz
    Eliz

    Eu sei que essas coisas acontecem, que na internet ou na vida real as pessoas simplesmente se afastam, mas é que nesse caso foi de um jeito tão estranho que eu fiquei pensando... Até porque tem algum tempo que eu voltei pra internet, e tentei manter contato com uns velhos amigos virtuais e tenho falado com eles ás vezes. Mesmo que não seja a mesma coisa, eu gosto da ideia de manter contato. Porque no fim, nunca foi minha intenção afastá-los.
    Fico feliz que me adicionou ^^

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