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Jornalista, ilustrador, roteirista, músico e redator. Prazer.

“A linguagem realiza, quebrando o silêncio, o que o silêncio desejava e não conseguia.”
Maurice Merleau-Ponty

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Últimas opiniões enviadas

  • Kirley

    Com Infiltrado na Klan Spike Lee recupera aquilo que transformou Faça a Coisa Certa (1989) em um clássico instantâneo. Administrando seu humor subversivo ele conquista o espectador ao mesmo tempo em que escancara os absurdos da questão racial norte-americana. O início farsesco com o panfleto do Dr. Kennebrew Beauregard (Alec Baldwin) sendo gravado dá o tom do longa que vai se seguir.

    Estarrecedor é notar como o discurso revisionista e preconceituoso da introdução é real. No Brasil encontramos excelentes paralelos se mudarmos apenas alguns termos. Em ambos os casos ficam patentes as artimanhas repetitivas presentes na retórica da extrema-direita. Grupo este que tem no comunismo argumento teleológico favorito na hora de justificar todos os seus excessos.

    A narrativa de BlacKkKlansman, que trata de uma história inacreditável, mas verídica, é muito bem conduzida pelo diretor. O próprio investimento no humor serve de reconhecimento do absurdo que envolve o caso. Lee sabe aliar como ninguém o potencial de entretenimento de um filme ao seu valor crítico.

    Assim alimenta esta que é a grande força do cinema: divertir e fazer pensar ao mesmo tempo, desarmando os espectadores. Trabalho que também pode ser feito para o mal, como atesta O Nascimento de Uma Nação (1915). Nada menos do que a obra que ajudou a ressuscitar a KKK.

    Basta nos lembrarmos do relato de linchamento, tortura e assassinato de Jesse Washington para entendermos o poder desta influência. Com toda a sua inimaginável brutalidade é um caso 100% verídico. O fato estarrecedor: a obra de D.W. Griffith havia estourado nos cinemas americanos apenas um ano antes.

    Inclusive, na sequência em que se menciona o caso o uso da montagem paralela é recurso que surge para potencializar as mensagens do filme. Pois ao mesmo tempo em que conhecemos os detalhes mórbidos do trágico destino de Washington ocorre a cerimônia da Klan.

    Daquele aparente encontro de “cavalheiros” brancos exercendo a sua liberdade de reunião nasce a semente do ódio. O mesmo que culmina no linchamento e castração do negro. Vistos superficialmente, os supremacistas podem até ser um grupo cômico de néscios preconceituosos. Mas reunidos em grande número, e com a propagação de suas ideias, qualquer graça dá lugar à barbárie. É por isso que devemos tratá-los como o risco que realmente são.

    Na direção Spike Lee mostra o domínio que tem do ofício, mantendo seu estilo dinâmico e pop. Notamos o seu talento na forma como não banaliza recursos como a câmera na mão – empregada apenas em sequências de verdadeira tensão e correria. O mesmo ocorre nos ângulos escolhidos. Como o zenital que enquadra o telefone de Ron Stallworth na delegacia em um momento particular da trama.

    É quando ele recebe a primeira ligação da célula local da Klan. Uma surpresa desorientadora – reforçada cinematograficamente pela escolha do ângulo alto. O mesmo é válido para movimentos de câmera e outros recursos expressivos do longa. O diretor em diversos momentos deixa que as imagens falem por si mesmas. Exemplo disso é a sequência em que Stallworth vai investigar um terreno utilizado pelos supremacistas para a prática de tiro.

    Por um bom tempo não vemos o contra-plano, ou seja, aquilo em que o grupo atirava. Enquanto acompanhamos o policial sua expressão e a música de fundo ajudam a criar expectativa pelo que virá.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    A junção do trabalho de Lee e do compositor Terence Blachard culmina com a revelação dos alvos: silhuetas de crianças negras.

    O plano geral com as formas alvejadas perdura como um golpe reverberando no espectador.

    Outro exemplo de domínio narrativo: os personagens que deslizam por um corredor ao final da película. A sequência pode simbolizar um sonho ou um trato mais conceitual do assunto do longa. Na segunda hipótese Lee apontaria para uma das mensagens principais de seu filme: o racismo assassino não é coisa do passado. Ele ainda segue intenso e perigoso nos dias de hoje.

    A ideia é reforçada pela inserção de cenas reais de protestos e confrontos. É onde se opera também a grande ironia da realidade.

    Comentário contando partes do filme. Mostrar.

    Pois enquanto os supremacistas dizem que “vidas brancas também importam” o carro que passa por cima de manifestantes acaba por vitimar uma mulher branca

    . Um cruel acaso.

    É importante não deixar passar a lição: o ódio é seletivo. Não obstante, os seus efeitos perniciosos adoecem e vitimam toda a sociedade. Ao escolher encerrar seu filme com o silêncio, Spike Lee nos convida a pensar e sentir o assunto profundamente. Compele-nos igualmente a lamentar a forma covarde como vidas são ceifadas pelos motivos mais injustificáveis.

    Se a bandeira americana surge invertida ao final, é porque os valores de igualdade e liberdade não são respeitados. Se ela perde as cores, é porque também o sonho que deveria representar morre com a inversão. O luto que surge é pelo sangue negro derramado, e também pela humanidade perdida e afogada neste contínuo mar de ódio.

    *Nota: Por esta contundente experiência, Infiltrado na Klan deve ser lembrado no próximo Oscar por direção, roteiro adaptado, montagem e trilha sonora. Além de disputar a categoria de melhor filme. Tem a minha torcida.

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  • Kirley

    Não comparar “Mogli – Entre dois mundos” com seu recente antecessor é difícil – mas vale o esforço de boa-vontade do espectador. É verdade que a computação gráfica aqui fica atrás daquela vista no filme de John Favreau. O que não é demérito. A obra da Disney, com 177 milhões de orçamento – quase o dobro desta versão –, possui um trabalho excepcional de CGI.

    Para muitos críticos o longa estabeleceu “um novo padrão” a seguir. Nada mais natural quando levamos em conta o supervisor por trás deste trabalho: Adam Valdez. Duplamente agraciado no Oscar pelo segundo e terceiro capítulos da saga O Senhor dos Anéis – outro marco dos efeitos especiais.

    Pesando estes fatores, não é difícil relevar o que vemos aqui em nome da história. Ainda assim é importante registrar que a antropomorfização facial dos animais foi uma escolha pouco feliz da produção. Onde encontramos um bom trabalho é no desenvolvimento do conto.

    Narrativamente há maior peso dramático na forma como a história é apresentada. Vemos como a lei da selva pode ser brutal, mas nunca tão cruel quanto a ação humana. O que é exemplificado em algumas cenas-chave. Este rumo menos otimista adotado pela história é mais próximo da obra original de Rudyard Kipling.

    Inclusive o urso Baloo, que incomodou muitos espectadores nesta versão, nunca foi o bonachão vida mansa da Disney. No original tratava-se de um personagem rude, mal-humorado e um tanto cruel na tutoria de Mogli. Já o trabalho de vozes aqui é tão bom quanto no longa anterior, algo esperado uma vez que o elenco tem o mesmo calibre.

    O problema maior está na imersão e carga emocional do filme. Não há dúvida de que o método Disney de contar histórias foi lapidado por muitas gerações. Fator que dificulta a vida desta versão. Além disso, o peso da nostalgia e a ligação afetiva que o outro longa estabelece com a animação de 1967 desarma o público. Não obstante, são duas versões válidas e exitosas na forma de representar esta obra clássica.

    Com toda desvantagem aparente, o Mogli de Andy Serkis é um filme bastante razoável. Se perde em algo para o antecessor mais hypeado, não é por insuficiência própria. É por isso que acredito sinceramente que moderando um pouco as comparações podemos apreciá-lo melhor. Siga o conselho e dê uma chance ao longa. Você vai notar que a história do menino-lobo continua bem representada.

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  • Kirley

    A esta altura Joe Wright já se provou um diretor competente na condução de dramas históricos. Com a adaptação de Orgulho & Preconceito, uma das melhores adaptações literárias de todos os tempos, e o ótimo Desejo & Reparação no currículo, a temática de época parece ser um dos pontos fortes do britânico.

    E percebemos mais uma vez o talento de Wright para o ofício nos inventivos planos adotados pelo diretor neste seu mais novo trabalho. A forma como somos introduzidos ao parlamento britânico é não só imersiva, mas evoca representações da casa dos comuns na pintura. De Henry Barraud a George Hayter, há um senso pictórico evocativo da tradição britânica em quadros.

    É ainda mais interessante como o trabalho do cinematografista Bruno Delbonnel se embebe em sombras, apresentando a versão cinematográfica do que seria um Rembrant dessaturado, por vezes lembrando também fotografias de época. O uso naturalista de contraluz enriquece as sombras da composição e se torna uma confirmação visual da mensagem contida no título original do filme – darkest hour ou a hora mais escura.

    Delbonnel, que é mais conhecido por seu trabalho colorido em Amelie Poulain, parece ter dominado o estilo denso e carregado que começou a desenvolver em Harry Potter e o Enigma do Príncipe. Já que aqui, em minha opinião, os efeitos da fotografia são muito mais satisfatórios e narrativamente eficazes.

    Sobre a interpretação de Gary Oldman muito já foi dito, e só cabe confirmar o apurado trabalho de caracterização vocal e gestual do ator veterano. Auxiliado pelo excelente trabalho de prótese e maquiagem, aqui e acolá quase somos enganados de que aquele é de fato Winston Churchill.

    Mas aqui começamos as ressalvas, já que o filme não apresenta uma visão suficientemente crítica sobre a figura histórica. É inegável sua importância na sobrevivência britânica durante a segunda guerra mundial, mas faltaram críticas onde sobraram elogios, mesmo que subentendidos. A sequência que se passa entre Churchill e o “povo” no metrô, é além de populista, emocional e ideologicamente manipulativa a um nível canhestro.

    Churchill era o típico canalha carismático, o que não pode nos fazer esquecer que era também figura conservadora, venenosa e defensor de uma política agressiva. É um erro não apenas do filme, mas histórico, já que pouco se fala, por exemplo, do sucessor de Churchil, Clement Attlee, figura conciliadora e que criou o estado de bem-estar social britânico – posteriormente destruído por Margaret Thatcher.

    No plano propriamente narrativo, não dá para negar que o resultado do filme é excessivamente morno, sem passar ao espectador a urgência e o peso do momento histórico retratado. A sensação densa e claustrofóbica criada por direção e fotografia não se reflete na história apresentada. Talvez a exceção a isto seja a cena visualmente ressonante do discurso de Churchill ao rádio.

    Não é o trabalho mais inspirado de Joe Wright, nem o melhor drama político ou histórico que já foi produzido para o cinema. A verdade, é que embora O Destino de uma nação não seja um filme propriamente ruim, o provável é que seja lembrado pela posteridade como o filme que finalmente deu o Oscar a Gary Oldman.
    E mais nada.

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  • Filmow
    Filmow

    O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!

    Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)

    Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
    Boa sorte! :)

    * Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/

  • Eliz
    Eliz

    Eu fiquei mais isolada com o tempo por causa da depressão, que às vezes melhora, outras piora, mas sempre vou tentando levar... Mas como tu diz, para manter a sanidade eu tento manter contato e conversar com pessoas que eu gosto e são legais.
    Sim, adoraria conversar em breve... Ah, e sem querer ser invasiva notei que se rendeu ao tumblr também, irei te seguir, se estiver tudo bem.

  • Eliz
    Eliz

    Eu sei que essas coisas acontecem, que na internet ou na vida real as pessoas simplesmente se afastam, mas é que nesse caso foi de um jeito tão estranho que eu fiquei pensando... Até porque tem algum tempo que eu voltei pra internet, e tentei manter contato com uns velhos amigos virtuais e tenho falado com eles ás vezes. Mesmo que não seja a mesma coisa, eu gosto da ideia de manter contato. Porque no fim, nunca foi minha intenção afastá-los.
    Fico feliz que me adicionou ^^

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