Em resumo: *ótimo trabalho da atriz que interpreta Anora. Mas não acho sua atuação melhor ou que tenha um destaque como Callas de Angelina Jolie. Tendo o peso de que interpretar uma personagem num filme biográfico exige mais do ator. **é um filme sem qualquer coerência narrativa. Inicia contando uma coisa que se perde em meio ao barulho, caos e repetição do mesmo argumento ao longo de mais de uma hora de filme. *** a história do filme só começa depois
de quase 1 hora de cenas de sexo e uso de drogas como forma do diretor reforçar a superficialidade e diferenças entre Anora e o núcleo do jovem russo com quem ela inicia um envolvimento sexual..
**** Nada justifica o hype desse longa.
"Anora" está no mesmo patamar de Emília Perez: muito barulho por nada. O longa é lamentavelmente um grande desperdício de tempo. Nada no filme justiça o hype. A única coisa positiva desse caos narrativo que vemos em tela é a atuação da atriz Mikey Madison. Ela consegue demonstrar com muito talento o vazio, desespero e, em grande medida, a carência afetiva que ela busca esconder em sua performance sexual trabalhando como acompanhante e dançarina numa boate em Nova York.
As cenas que exigiram da atriz um pouco mais de emoção foram sustentadas com qualidade e técnica. Mas a trama em si não nos ajuda a ter qualquer empatia com Anora, seu desespero diante da frustração do desejo não realizado nos parece distante. A narrativa em nenhum momento nos aproxima da personagem . Não sabemos nada sobre ela ou suas motivações. As migalhas oferecidas não nos dizem nada além do que a própria personagem oferece aos seus clientes. Mas essa ausência de emoção não é culpa da atriz.
No geral, é um roteiro raso. A primeira hora do filme é um processo maçante e repetitivo
de cenas de sexo, uso de drogas e festas. Um ciclo repetitivo que não nos comunica nada
. O filme poderia ter contado uma história interessante sobre Anora, mas a cena final nos deixa sem saber o que exatamente o diretor conseguiu demonstrar.
É um filme barulhento, caótico, entediante, repetitivo, muito confuso e sem qualquer coerência narrativa. O filme não cativa. Não surpreende. Terminei com a sensação de que poderia ter uma hora a menos e ainda assim não causaria impacto algum.
Nota: 5/10 (apenas pela atuação da Madison) - e aqui já adianto que a Callas da Angelina Jolie se destacou mais mesmo sofrendo a mesma limitação narrativa desse longa. Se for indicada ao Oscar, ok. Mas se não for indicada não terá qualquer problema. Houve atuações melhores e que merecem indicação.
O mesmo cara que produziu o excelente "O sexto sentido" , outras obras maravilhosas como "A vila", "sinais" também é capaz de escrever e dirigir aberrações como esse péssimo "Armadilha".
O filme tinha uma ótima premissa, a gente fica na expectativa para ver como o serial killer vai conseguir sair dessa "armadilha", aí toda a boa construção inicial se perde numa solução preguiçosa, muito mal feita e com um dos finais mais cretinos que já vi no cinema - no mesmo nível dos lixos A Substância e Emília Pérez em termos de qualidade duvidosa, roteiro preguiçoso e atuações medíocres. Nem o rostinho bonito e talento do Josh Hartnett conseguiu dar um alívio a este filme.
Horrível num nível inimaginável. Eu fico me questionando como alguém conseguiu aprovar esse roteiro e, depois do filme finalizado, dar o ok e entender que o público merecia perder seu tempo assistindo isso. Nota: dó.
Do mesmo nível da Substância: um dos piores filmes do ano. Não vale seu tempo.
A expressão que melhor define o filme é "muito barulho por nada". Fora as atuações de Zoe Saldanha e da atriz que faz a Emília Pérez (Karla Sofía) nada nesse longa justifica os elogios que foram feitos como se fosse uma inovação audiovisual. Não é!
O primeiro ato do filme é excelente. Depois a história se perde numa trama sem sentido. A história se torna arrastada, vazia, com coreografias e músicas que não dizem exatamente qual a relação com a trama. O filme volta a ficar interessante
coreografando sobre as mesas enquanto Emília Pérez discursa
é um primor. Aí se perde novamente e só tem um bom momento no ato final.
Enfim, há mais coisas negativas do que positivas no longa. A narrativa não me convenceu porque foi contada sem qualquer coerência. A personagem de Selena Gomez, Jéssica, é caricata e sua atuação está muito exagerada. Zoe fez um trabalho significativo mostrando outras facetas ao cantar e dançar, mas seu personagem não foi bem construído. A cereja do bolo, o grande trunfo do filme, é a atuação espetacular da atriz Karla Sofía. Ela merece muito ser indicada por sua atuação.
É um filme com alguns números músicais ok, nada surpreendente, e duas atuações brilhantes. Para quem não curte musicais, evite-o. Aos que curtem musicais como eu, o filme foi decepcionante. Nota: 7 pelo conjunto.
Faltou ousadia, criatividade e coerência narrativa para o longa dizer mais. Não me convenceu. Terminei Emília Pérez sem entender exatamente o que causou esse burburinho em torno do filme.
Todos os elogios a Fernanda Torres não conseguem traduzir a força e impacto da sua atuação magistral e arrebatadora. Eu saí do cinema aos prantos. Chorei diante do desespero,espera e aflição de Eunice. É a melhor atuação de sua carreira e não indicá-la ao Oscar será um grave erro.
Fernanda entregou uma atuação precisa, genuina, numa personagem de uma dor contida que revela toda sua força e profundidade nas sutilezas. É através do olhar de Eunice que percebemos cada detalhe desse filme que considero o 2⁰ melhor trabalho da carreira de W. Salles ("Central do Brasil" é o melhor filme do diretor). Aliás, o olhar aqui é fundamental para mergulhar nessas sutilezas na trama.
"Ainda estou aqui" é, sem qualquer dúvida, o melhor filme brasileiro dos últimos 10 anos. Conseguiu traduzir todo o horror da ditadura civil militar brasileira em seu momento mais trágico. E aqui deixo todo o meu reconhecimento ao primor e sensibilidade dessa direção e atuações impecáveis.
É um filme com diversas camadas. O telespectador mergulha no cotidiano da Família do ex deputado Rubens Paiva como testemunhas oculares daquilo que conhecemos pelos relatos de memória das vítimas da violência militar. Uma ditadura desumana, cruel, cujo impacto na vida de Eunice abala todos nós que conhecemos bem essa história. Eu me vi em Eunice em diversos momentos. A sua aflição de mãe e esposa me pareceu muito próxima.É como se falasse dos acontecimentos recentes do Brasil, mas usando 1971 como metáfora.
O filme não é perfeito, pois possui um recorte redundante na cena final.
A cena de Eunice revendo as memórias da família diz muito. Mas compreendo o apelo da cena. E é impactante como o olhar da Fernanda Montenegro foi arrebatador e traduziu num único gesto todo drama de Eunice
A aceleração na narrativa depois das cenas na prisão me pareceu inoportuna pois cada cena do longa diz muito e apressar a narrativa quebrou a carga dramática da cena anterior.
Mas é um filme extremamente necessário neste momento que o Brasil encara as manchas de seu passado outra vez.
Como anistiar aqueles que torturaram, mataram e negaram o direito ao luto a tantas famílias? Como defender anistia aos que tentaram reproduzir o golpe de 1964 em novembro de 2022 e janeiro de 2023?
E temos a melhor animação do ano, a segunda melhor sequência da Pixar. Divertida Mente 2 conseguiu superar a primeira versão, apresentou as novas emoções que acompanham a chegada da personagem na fase mais complexa de sua vida: a puberdade.
Mesmo não tendo uma renovação do arco do primeiro filme, a animação introduziu conceitos que não foram explicados na versão de 2015. É uma narrativa mais divertida, mais intensa e didática (mas sem cair na infantilização) sobre a complexidade de nossas emoções. É sobre compreendermos quem somos ou reconhecermos nosso lugar no mundo. A questão central, talvez, seja como Riley lida com isso, juntamente com as outras emoções.
Numa das cenas mais importantes é mostrado como é ter uma crise de ansiedade de um jeito tão real que é impossível não se emocionar assistindo. Quem tem ou já teve uma crise de ansiedade vai entender o que quero dizer.
Sim, o filme brinca com alguns conceitos da psicologia como "negação" ou "fluxo de consciência" entre outros, mas não é um tratado sobre a psiquê humana. As situações complexas e patológicas são exemplificadas de modo a serem compreendidas tanto pelas crianças (o público alvo da animação) quanto por adultos que se quer leram qualquer teoria freudiana. Entendendo isso talvez se consiga ter o deleite de assistir a mais uma genial animação da Pixar/Disney.
Divertida mente 2 correspondeu minhas expectativas. E super indico para quem quer dar algumas boas risadas ou ver uma produção extremamente bem feita.
Um filme lindo, sensível e profundamente triste. Retrata a homofobia vivida por dois pré adolescentes que estão descobrindo o quanto a sociedade é cruel com aqueles que não se encaixam numa certa norma de gênero ou padrão sexual.
É difícil não chorar porque a angústia, o silêncio e a culpa do personagem é real, palpável, e a gente se sente meio cúmplice desses sentimentos.
Com certeza, um dos filmes mais bonitos e também mais tristes que vi. Recomendo fortemente assistir com a alma sensível e o coração aberto. Terminei o filme em lágrimas e com meu coração em pedaços.
Maravilhoso para quem, assim como eu, tem um carinho pelos anos 80's. Michael Jackson era um talento inigualável tanto como letrista quanto como dançarino. Era um artista completo. Assistindo o documentário me questionei sobre a escolha de alguns nomes que participam da gravação da canção. Nada contra a Cyndi Lauper, mas sempre achei a voz dela muito anasalada e na gravação dá para entender porquê não curto seu trabalho como artista ainda que entenda sua importância para música pop desse contexto. Fiquei imaginando se tivessem convidado Madonna. Imagina que fantástico termos Madonna e Michael Jackson dividindo o mesmo espaço numa música? Mas é isso, é um documentário intereressante porque apresenta algumas entrevistas com artistas que participaram e também mostra os bastidores e toda tensão que envolveu a gravação histórica dessa canção que marcou uma geração e a história da música pop.
Recentemente revi o espetacular "Anatomia de uma queda" (meu favorito ao Oscar), filme francês dirigido por Justine Triet, e que concorre ao Oscar nas categorias principais: direção, melhor filme, roteiro, montagem e atuação. O filme trata de um tema crucial: a representação da mulher.Não se trata de um drama policial ou filme de tribunal como tantos outros. As camadas apresentadas por Justine nos dão a perspectiva da humanização dos personagens. É um filme cheio de reviravoltas. Anatomia de uma queda é um filme que possui muitas camadas,
a cena que Sandra diz ao marido que ele não é vítima da sociedade, é
um dos discursos mais densos já apresentados no cinema.
A própria Justine Triet mencionou: "passei muito tempo pensando sobre o que realmente significa ser mulher – ter autoridade como mulher – e como somos tratadas como monstros por nos comportarmos de certas maneiras pelas quais os homens geralmente são perdoados."
Para abordar o modo como a sociedade normaliza esteriótipos de gênero, Justine usa o julgamento da personagem vivida por Sandra Hüller acusada de ter assassinado seu marido. Por um pouco mais de duas horas somos confrontados sobre o que sabemos sobre a verdade, e sobre os discursos que trazem a cena do crime duas representações da realidade: a de Samuel, o marido de Sandra visto como vítima de uma mulher fria, cruel, egoísta, e da própria Sandra, acusada da morte de seu marido.
de Sandra no início do filme: a questão não é se ela é culpada ou inocente. O tribunal não se preocupa com a verdade, preocupa-se com a história. E a história que o promotor conta é sobre a sexualidade e a inteligência de Sandra. O procurador alimenta-se de um estereótipo clássico de gênero. Ele apresenta Sandra como uma mulher bissexual, conivente, que castrou o marido e depois o empurrou para a morte.Sandra pode não ser a mãe ou esposa perfeita, mas ela é humana e não se desculpa por quem ela é.
A personagem de Sandra é atacada por ser uma mulher inteligente, forte, ambiciosa. Numa sociedade moralista que julga a forma como as mulheres escolhem conduzir as suas vidas é um filme que vale muito a pena. Nota: 9.8.
Assisti recentemente o assombroso "Zona de Interesse" (2023, filme alemão, direção de Jonathan Glazer). Ainda estou digerindo as imagens e a narrativa. Esqueçam qualquer semelhança com outros filmes que envolvem o tema do Holocausto, do nazismo. A abordagem de Glazer é estranhamente sutil. Tateamos os silêncios, o banal, o lúdico, o interdito, os objetos para capturar os corpos, as palavras, os cheiros.
A forma como o horror do holocausto é apresentado sob a perspectiva dos algozes é brutal. O choque não se dá pela espetacularização do horror. Aliás, não vemos os judeus em tela. E essa escolha se deve a mestria com que o diretor conduziu essa narrativa. É um filme frio. Seco. Coeso do início ao fim.A banalidade do mal, o conceito de Hannah Arendt, talvez, seja melhor traduzido nessa obra. São pessoas comuns, vivendo suas vidas com a naturalidade mórbida de quem tem em seu quintal Auschwitz, um dos campos de extermínio nazista. A parte da história do comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, e da sua esposa Hedwig, vivendo em uma linda casa de dois andares, com direito a lindos jardins em um quintal com piscina, ao lado do maior campo de extermínio do regime nazista é forte. Algumas cenas e diálogos nos embrulham o estômago.
Fora dessa banalidade do cotidiano familiar, dos dramas familiares, escutamos os gritos de agonia, tiros e se observa uma densa fumaça negra subindo no ar (a segunda imagem que anexei tem um contexto sensível). Destaque para trilha sonora. Ela nos conduz, desde o primeiro frame, ao horror que segue a narrativa. O filme
inicia numa tela preta, como se o espectador estivesse saindo de um buraco, ouve-se vozes ao longe, gritos e então o barulho de pássaros e a luz forte, colorida, onde uma família rir e conversa tranquilamente num jardim. É uma obra de arte para quem gosta de cinema pela técnica, posição de camera, coloração, luzes, timing do elenco. Os elementos não verbais são os protagonistas. O filme traduz o horror sem apelar aos excessos visuais. A última cena com todos os objetos (sapatos, roupas, próteses) revela o contraste emocional com a apatia do cotidiano banal daquela família
[alerta com spoiler de cena] O melhor filme do ano referencia e celebra o feminino. Não um feminino caricato, fútil, burlesco e patético que é como a sociedade, a partir do olhar masculino, traduz o ser mulher. O filme da Barbie usou um acontecimento catártico, de introspecção e crise de identidade e existencial para questionar: quem somos? o que desejamos? o que faz sermos quem somos? e se não tivermos respostas pra essas dúvidas? Ainda vale a pena a caminhar mesmo não sabendo pra que lugares iremos?
As mulheres no filme da Barbie são múltiplas, complexas, como todas somos na realidade em nossa fragilidade humana. Mas o filme vai além. Usa o deboche e a fina ironia pra mostrar que somos fortes. Que todas as mulheres possuem uma força interior que nos faz levantar depois da queda, nos reerguermos das cinzas, pois toda mulher ainda que mãe, filha, avó, tem um pouco de heroína.
O filme toca em todas as nossas feridas e escancara nossas fragilidades e pecados. Sim, as mulheres são violentadas todos os dias. As mulheres são desumanizadas todos os dias. Sofremos assédio nas ruas, no trabalho, temos nossas ideias roubadas ou menosprezadas. Temos que lutar todos os dias para sermos reconhecidas por nossos atributos intelectuais mais do que a nossa aparência física.
Sim, por vezes é cansativo ser mulher. É dolorido ser mulher. Mas é igualmente mágico saber que somos mulheres.
Eu me emocionei tanto na cena que a Barbie fecha os olhos, entende o que significa ser mulher e abraça sua humanidade com suas qualidades e imperfeições. Saí do cinema arrepiada. É um filme realmente escrito para as mulheres.
Foi como um abraço coletivo. Foi como ouvir ao pé do ouvido: você não está sozinha. Estamos todas aqui. Porque também compartilhamos da dor e delícia de sermos quem somos.
Sim, mulheres, não o sexo frágil. Somos muito fortes.
É o melhor filme do ano, por isso, minha nota é 9.8. Valeu cada minuto. Valeu por cada risada e cada lágrima, e mais ainda: Valeu por tocar lá no fundo reafirmando o quão incrível é viver a experiência de ser mulher.
Todas as meninas das próximas gerações terão esse filme como referência. é a carta de amor mais linda já escrita sobre o que é ser mulher.
Trilha sonora, roteiro, direção, atuações, tudo no filme está em completa harmonia.
Primeiro de tudo, minha nota para um dos melhores filmes do ano, e um dos filmes mais inteligentes do ano: 9,8.
Tudo em Barbie está em harmonia: roteiro, cenário, atuações, diálogos. Saí do cinema com a alma lavada por aquilo que foi entregue pela Greta. O filme da Barbie é um gostosa sátira. É muito criativa, com humor inteligente, cheia de metalinguagem, referências ao cinema clássico, profundas discussões sobre os papéis de gênero. E sim, é um filme feminista do início ao seu maravilhoso final. E não poderia ser diferente já que a boneca Barbie surgiu no contexto da década de 1960 com toda aquelas pautas feministas da 2ª onda sendo reinvindicadas.
O filme mergulha não apenas no processo da representação da boneca Barbie na sociedade, no mundo real, fora da "Barbieland", mas sobre o papel das mulheres hoje, e a influência da boneca na nossa sociedade. A diretora brinca com todas os discursos em torno da Barbie, tanto em defesa quanto de críticas aos esteriótipos que a boneca é acusada de perpetuar em nossa sociedade, e também sobre como o capitalismo se apossou dessas pautas do movimento feminista.
O filme tem uma ironia ácida, mas ao mesmo tempo nos provoca profundas reflexões sobre o que é ser mulher na sociedade, como seria uma sociedade onde as mulheres pudessem assumir papéis de destaque como acontece na sociedade patriarcal.
É um filme que diverte, com um roteiro inventivo e inteligente, e que é fundamental para se pensar que papéis homens e mulheres devem ocupar na sociedade atual, o que é ser homem ou mulher.
O filme inteiro é um deleite visual, com relevância social e de humor inteligente.
Quem disse que esse era o melhor filme do Nolan não viu nenhum filme do diretor. Isso é muito claro para mim. Não entra nem no top 3. Sai do cinema decepcionada. Não é um filme totalmente ruim. Minha nota é 7. É um filme com um roteiro ruim. E nem venham aqui tentar me convencer que eu não entendi. Eu fui atraída pelo apelo do diretor ser quem ele é, pela história, afinal, sou historiadora e tudo que envolve a II GM tem minha atenção, mas o que vi no cinema não está à altura do Nolan, e se quer pode ser considerado sua obra prima. Não é um total fiasco, mas não é um filme que eu indicaria para quem não curte drama, filmes com um ritmo mais lento.
A sensação que tive foi de 3 horas de filme que poderia muito bem ter sido cortado para 1 hora e 30 minutos. Muita encheção de linguiça.
O primeiro ato inteiro é desnecessário. A vida do Oppenheimer antes dele se envolver no projeto Trinity não é tão interessante assim. A partir do 2º ato houve mais enrolação sobre uma pseudo imersão do personagem no comunismo, mas que não é desenvolvida, como falei: apenas para encher linguiça. Roteiro muito preguiçoso.
O teste da bomba nuclear é impactante sim, quem viu a cena no cinema ficou realmente tocado, mas a cena é curta. O filme se resumo a muito diálogo desnecessário. O que salva no filme: atuações tanto do Cillian quanto da atriz que faz sua esposa (Emily Blunt).
Enfim, para quem curte filmes com uma narrativa mais lenta, com muitos diálogos que não chegam a lugar algum, mais com qualidades técnicas, pode ir ao cinema sem medo (mas coloquem a conta de vocês em risco).
Minha nota é 7. E passarei a ser mais criteriosa quanto aos projetos que Nolan endossar no futuro.
O filme é uma piada de mau gosto. Roteiro com a profundidade de um pires. Piadas que parece que sairam de uma sketch de Zorra Total. Fico me questionando como a Disney topou arcar com esse delírio do Taika Waititi. E eu achava que nada pior que "Thor: Ragnarok" poderia ser feito. Este filme prova que a máxima de Tiririca não é verdadeira: dá pra piorar bastante.
Só agora posso comentar o filme (sem dar spoiler para não estragar a experiência de quem verá no cinema). De cara já quero deixar minha primeira impressão (sem spoiler). Nota: 8.5 - bem melhor que Miranha!
Quem falou que o filme tem um roteiro ruim MENTIU. Quem falou que o filme era ruim MENTIU. É um filme excelente, com um roteiro fechado, conseguiu conectar várias facetas dessa nova fase da Marvel já introduzida a partir das séries/animações.
Dito isso, mesmo quem não viu WandaVision, What If ?, Loki ou Miranha (2021) consegue entender perfeitamente o filme. Até quem nunca leu uma HQ da Marvel consegue entender o filme. Esse mérito é do roteiro e da direção muito competente do Sam Raimi.
Os personagens tem motivações muito claras, tudo no "Multiverso" conseguiu dialogar com o que já sabíamos de narrativas anteriores. Mas este não é o "Mais do mesmo". A fórmula Marvel não se aplica a este filme.
É mais dark, muito mais sombrio, tem uma pegada de terror (Raimi é mestre do gênero, não é?), há muita ação, belíssimas cenas de luta, perseguição e transições. Ponto positivo para o cenário, a fotografia, os efeitos visuais do filme são um primor. Atuação fora do comum da talentosa Elizabeth Olsen. Ela nasceu pra esse personagem. Entregou absolutamente tudo. Benedict Cumberbatch dispensa apresentações. Um ator como poucos de sua geração. Seu Dr. Estranho conseguiu nos encantar com outras facetas do grande mago.
De negativo: a conclusão. Achei muito simples e preguiçosa, mas levando em consideração o contexto do Multiverso aquele final era o possível para que se concretizasse algo que só veremos na série Agatha - lembrando que a Agatha disse pra Feiticeira Escarlate em WandaVision: "você não sabe o que libertou" e "Você vai precisar da minha ajuda". Também achei a personagem America Chavez pouco desenvolvida na trama. Não consegui me conectar.
O que esperar do filme: espetáculo, criatividade, um filme mais DC do que Marvel em sua proposta (ainda que tenha um humor, só que mais sofisticado), diversão, sustos, surpresas, emoção.
Desconsiderem todas as criticas negativas de quem queria mais do mesmo. Sai do cinema em êxtase. Valeu muito a pena!
Enfim, vi #thebatman e estou de alma lavada. Filmaço!
Não é superior ao Batman:cavaleiro das trevas, mas entregou o melhor Batman/Bruce Wayne e melhor Mulher Gato/Selina de todas as adaptações do homem morcego para o cinema.
Amei a versão mais sombria e o resgate da identidade investigativa do Batman. Saí do cinema com a sensação que a espera valeu a pena. Mordi minha língua ao criticar a escolha do Robert Pattinson para viver meu personagem favorito da DC. É de longe a versão mais próxima do Batman dos quadrinhos. O Batman que faz meu olho brilhar.
A trilha sonora é um deleite à parte. Something in the way é uma das músicas mais lindas do Nirvana e, dentro do contexto narrativo, com toda aquela palheta de tons mais escuros (a fotogragia do filme é outro show de acertos) trouxe o tom certo na composição deste Batman mais "gótico ", mas fechado em si e tentando se libertar de seu passado traumático.
O último ato, pra mim, foi extremamente sensível. Mostrou o Batman se reencontrando com seu propósito, conduzindo o povo de Gotham em sua reconstrução. Outro acerto é o roteiro do filme que é muito bem construído. Os três atos dialogam perfeitamente na apresentação desse Bruce Wayne que se faz vingança e sua ascensão ao justiceiro que amamos.
Óbvio que há lacunas, mas por hora não entrarei em detalhes. Depois faço uma análise completa do longa no geral. Estou muito satisfeita. Segundo melhor filme do Batman na minha opinião.
Confesso que esperava mais dessa animação quando assisti o trailer. A Pixar inovou em vários elementos gráficos, trouxe questões fundamentais sobre o conceito de família, amizade, empoderamento feminino, sobre escolhas (ansiedade e o medo de frustrar expectativas que depositam em nós), mas não me cativou. É a primeira vez que uma animação da Pixar não me emociona. E é horrível assistir um filme e sair indiferente. Nota: 3/5. A parte técnica é brilhante, mas o enredo não me envolveu. Uma pena.
Acabei de ver Matrix 4 (sem spoiler!). Sobre #thematrixresurrections : que filme necessário. É uma metalinguagem. Roteiro incrível. Nasce mais um filme cult para desespero da extrema direita que tentou retirar o sentido original do conceito "Matrix". Estou muito satisfeita.
Lana Wachowski fez desse Matrix uma carta aberta aos fascistas e outras aberrações morais que permeiam a cabeça vazia da extrema direita americana (por tabela, os seus espelhos espalhados em outras partes do Globo, como o Brasil). É uma resposta sincera aqueles que por anos desprezaram a mensagem do filme original e fizeram Matrix dizer o que em linhas gerais as irmãs Wachowski nunca concordaram.
Se alguém mencionar que o filme não correspondeu suas expectativas é porque esperavam uma outra realidade nunca defendida no Matrix original (o primeiro longa da franquia continua insuperável, já adianto). O novo filme tem filosofia (muita filosofia!), efeitos especiais e tem ótimas cenas de ação e todos aqueles elementos criativos que adoramos na franquia.
Não encontrarão no filme: culto às armas e à violência, que foi cooptado e mal interpretado pela extrema direita ao longo desses 20 anos. A violência presente no filme continua metafórica sobre questões da nossa sociedade.
O que importa é que Lana entregou um filme muito bem construído e com um tom de desprezo completo às teorias conspiratórias da extrema direita e uma paródia autoconsciente.
Adorei o filme. Quem diz que o filme é ruim, precisa rever a trilogia anterior e assistir o novo filme sem buscar eco para teses infundadas.
8.5/10.
Aviso nº 1: Por favor, não perca seu tempo me xingando. Não estou aqui para agradar ninguém. Aviso nº 2: não voltarei ao tópico para discutir minha INTERPRETAÇÃO sobre o longa. Reveja o filme e seja feliz. Há muita coisa importante apresentada no roteiro que merece uma discussão aprofundada não cabível em alguns caracteres numa redes social como esta. Respeito quem não curtiu o filme (o gosto é mesmo subjetivo), mas discordo totalmente de quem diz que o filme é ruim. Não é.
Sobre Coringa, o filme é um clássico instantâneo. Daqui a 10 anos ninguém falará em 1917, mas continuarão falando de Coringa.
O pessoal terá que se esforçar muito para criticar esse filme. E terá que forçar muito a barra para afirmar que Coringa é um filme ruim. Só com muito esforço para ignorar as qualidades dessa narrativa (sim, cinema é antes de qualquer coisa uma narrativa).
Não há como gostar de Parasita e odiar Coringa, pois aquilo que Parasita explorou de modo superficial, Coringa aprofundou. Ambos tecem duras críticas ao sistema. O modo como somos desumanizados numa sociedade que vive para produzir e consumir. A diferença é que o roteiro de Joker está muito bem fechado. Parasita ficou prejudicado
por tudo aquilo que acontece depois do aniversário. Um olhar atento ao roteiro e compreendemos que foi uma explicação desnecessária.
O filme poderia ter acabado naquela cena e teria tido um impacto maior. Enfim. Ainda é um filme maravilhoso, mas as falhas precisam ser apontadas.
O roteiro deste filme é muito bem escrito, Joaquin Phoenix entregou um Coringa sem trejeitos, sem cair no caricato, explorando as camadas que tornam o Coringa um dos personagens mais complexos dos quadrinhos. Ele não é vilão também não é herói. Coringa e Batman não podem ser compreendidos a partir desta visão maniqueísta (Piada Mortal, do Moore, e Batman: ano um, do Miller, demonstram bem estas complexidades).
Cada frame do Coringa nos traz uma reflexão nova sobre a sociedade, sobre nós mesmos. É um filme para rever, para debater em sala de aula (aulas de Sociologia, Filosofia, História e de Cinema) para analisar seus vários aspectos. O filme é uma aula sobre a construção de personagens e roteiro (qualquer leitor da Poética, de Aristóteles, ficará satisfeito com o que vê na tela). Por mim, leva fácil esse Oscar de melhor filme.
Primeiro, preciso esclarecer que sou o público alvo desse tipo de filme. Gosto de filmes que retratam guerras. Mas gosto de bons filmes sobre guerras (olá, "Glória feita de Sangue", "Dunkirk", "Apocalipse Now", "A Ponte do Rio Kwai", "Lawrence da Arábia", "O Franco Atirador", "Platoon", "Coração Valente", "A Lista de Schindler", "O Pianista", "Círculo de Fogo", "Falcão Negro em Perigo", "Hotel Ruanda", "A Conquista da Honra", "Cartas de Iwo Jima", "A queda: as últimas horas de Hitler", alguns dos meus favoritos).
Não é o caso de 1917. Com exceção da parte técnica, não há justificativa para esse filme concorrer o Oscar de melhor filme. Roteiro fraco, nenhuma criatividade. É apenas um "Resgate do Soldado Ryan" com um ótimo plano sequência (há três cortes visíveis, mas não diminui o excelente trabalho apresentado em cena). Essa parte técnica é impecável. A trilha sonora envolvente, nos coloca dentro das emoções apresentadas nas cenas. Mas é apenas isso.
Sem desmerecer o trabalho do diretor, pois as qualidades do Sam Mendes neste filme são ressaltadas a cada frame. Mas 1917 não é um filme memorável. Não será o melhor filme sobre a 1ª GM já produzido. Filme não é só técnica. Filme é narrativa. E não achei a maneira como a história foi conduzida convincente. Há furos graves no roteiro (alguém gostou desse final?). É um bom filme até a primeira metade, depois se perde completamente.
É um filme ok para quem quer assistir algo despretensiosamente. Nada além disso. Nota: 3/5.
Ps. O filme deve levar 6 estatuetas pela parte técnica e é merecedor comparado aos outros filmes que concorrem na mesma categoria, mas por direção acho justo Scorsese ou Tarantino (dificilmente Bong Joon-ho leva, ainda que também mereça pelo excelente "Parasita"). "O Irlandês" ainda é o melhor filme de 2019, seguido por "Parasita" (ganhará como filme estrangeiro, certeza), "Coringa", "Era uma Vez em Hollywood" e "História de um Casamento". Infelizmente, nenhum filme com selo Netflix ganhará. Segue o jogo.
Por hora, deixo apenas registrado que é injusta essa pontuação no Filmow. O filme está longe de ser ruim. Não é um bom filme, é um ótimo filme. Entrarei neste aspecto, a questão do roteiro e o desfecho de alguns personagens que eu, particularmente, achava irrelevantes ao enredo em si.
Entendo o desapontamento de muitos que queriam um pouco mais daquilo que foi apresentado no episódio VIII (que eu adorei). Também compreendo quem está decepcionado com o desfecho dado a alguns personagens. Tudo isso é compreensível e podemos dialogar sobre. O que me parece incoerente mesmo é Star Wars com uma nota abaixo de filmes como Bacurau (que tem falhas graves de roteiro!).
Há dois principais problemas neste desfecho da saga. Retomarei tanto a crítica quanto o que achei positivo neste longa num próximo comentário. Por hora, só queria mesmo pontuar minha inquietação com essa nota. Acho injusto sobre vários aspectos (que abordarei depois).
Acabei de sair do cinema e gostei do final. Não é o que imaginei, não era o que eu desejava, mas no geral gostei do que vi.
Nota: 4.
*Farei outro comentário apresentando meus argumentos sobre o que percebi de positivo e negativo no longa. Não me ataquem antes de ler.
Uma aula sobre cinema. Tudo milimetricamente harmônico. Scorsese não decepciona nunca. É o filme do ano e o filme da década. Valeu cada minuto das mais de três horas de filme.
Cinema desde seu surgimento tem a ver com narrativa. O cinema (que vem do grego kinesis, palavra que os antigos gregos usavam para falar sobre movimento, Aristóteles é um dos filósofos que trabalham com esse conceito) sempre foi sobre contar uma história. O que diferencia é a linguagem, o método como esta narrativa é apresentada ao telespectador. E isso, ao meu ver, é feito com maestria por Martin Scorsese neste filme.
O tema da máfia, abordado pelo longa, foi explorado pelo próprio diretor em outros filmes como Caminhos perigosos (1973), Os Bons Companheiros (1990), Cassino (1995), ou seja, não é uma novidade para seu público ou para os amantes da sétima arte. O que Scorsese apresentou neste longa de 2019 subverteu o modo como o tema foi explorado em narrativas anteriores pelo próprio diretor. O centro da narrativa é a vida, dor, solidão, perda, as escolhas de um homem e o resultado delas. Não se resume à violência e crime, como é o usual em filmes sobre este tema. Em relação às divergências sobre o filme, elas são próprias da arte. Cada pessoa tem uma experiência particular ao apreciar a arte seja num filme, pintura, livro, música, HQ. O que é inegável aqui é que essa história foi bem contada e o mérito de nosso envolvimento com a narrativa vem dessa maestria do diretor. Poucos cineastas conseguiriam tornar verossímil (e não cansativa) uma história sem recursos visuais extraordinários ao longo de 3h e 30min.
Cinema é narrativa, e neste longa Scorsese conduziu a trama como um aedo, um bardo, um exímio contador de histórias. Não tenho dúvida que ganhará Oscar de melhor filme e levará outras 7/8 estatuetas ano que vem.
Sobre Bacurau: todo mundo deveria assistir. Dito isso, não é nosso melhor filme nacional e as falhas no roteiro interferem na experiência do longa. Acho que é um filme que possui lacunas e instiga vários debates sobre nossa história, nossa cultura, nossas relações sociais. Mas não é o melhor filme do Kleber Mendonça. Ainda considero O Som ao Redor sua obra prima.
O que faltou para o filme me convencer? Emoção. Não senti nada. Nenhum tipo de sentimento (horror, vergonha, medo, angustia, dor, tristeza). Nada. E a falha está no modo como a história foi conduzida, como ela foi contada. Isso é um demérito para o filme? Não. Eu acho que é um filme que vale a pena assistir, mas que não funcionará para todo mundo (como no meu caso). Como amante do trágico e dos gregos (e tendo ascendente em escorpião e lua em câncer 😁) eu preciso desesperadamente de algo que provoque arrepio na pele, nó na garganta, que me tire da apatia do cotidiano. O filme não preencheu minha necessidade de emoção.
Duas horas de um filme que não convence, não emociona o espectador. Não há identificação com os personagens ou qualquer lógica no enredo que torne crível a "violência" que vemos na tela. As aspas é para enfatizar que não se trata de crueldade ou sadismo, como muitos disseram, mas da banalidade. O revanchismo em cena é para demarcar a não passividade diante do aniquilamento do povo do vilarejo.
Há críticas sociais contundentes. Achei a trilha sonora agradável, a fotografia um charme, gostei do uso de sujeitos comuns da localidade atuando com atores profissionais. Não achei o papel de Lunga convincente. Silverio é um ótimo ator, nesse caso não foi culpa dele. É que seu personagem não tem profundidade. Não tem camadas.
Do ponto de vista narrativo esse é o grande erro de Bacurau. Identifiquei esse mesmo problema na personagem Domingas. Sonia Braga dá um show de interpretação, mas não me comoveu. Passei as duas horas na espera de sentir um arrepio, angustia, medo, qualquer sensação que me conectasse com essa história, com o apagamento não do lugar, mas de sujeitos que tinham um vinculo muito forte com aquele vilarejo.
Eu que fui criada no interior do Nordeste reconheço a paisagem belamente apresentada em cena, mas não reconheço aquelas personagens como parte da realidade do interior nordestino. Se era uma tentativa de produzir uma distopia sobre o passado e o presente da região, torturada pela seca, pela politicagem de quem dá ao povo apenas o que pode ser usado como moeda de troca
a cena dos livros velhos, donativos vencidos, remédio para deixar o povo em letargia é um signo importante dessa relação com o passado histórico da construção do Nordeste
o argumento possui lacunas.
Não vi uma defesa sobre a violência como alguns argumentaram aqui. Acredito que a ideia do revanchismo, da aniquilação do outro enquanto sujeito em pé de igualdade, capaz de ser visto em sua humanidade, é o ponto chave para compreender o que vemos na tela. Faltou ao Kleber Mendonça colocar em prática no roteiro aquilo que Aristóteles mencionou em sua Poética sobre a verossimilhança numa narrativa e a construção de personagens. Os maniqueísmos são fáceis de abordar, mas são simplistas.
A ideia de vilão e herói não ajuda a construir um pertencimento ao que se ouve ou vê, no máximo ajuda ao apelo sonoro da torcida. Mas cinema não é futebol. Cinema é arte e como tal seu papel é produzir catarse, mimetizar a realidade e despertar incômodo. Kleber Mendonça parece ter flertado com a banalização muito além do que era necessário para passar uma mensagem sobre as mazelas sociais. Banalização do mal, da violência, do sexo, da caracterização do nativo e do estrangeiro. Dito isso, é preciso reforçar que o filme não tem nenhuma proximidade com Quentin Tarantino, o Cinema Novo ou faroeste. Quem viu simetria com elementos do faroeste projetou na tela o que não aparece em cena.
Há muitas discussões que podem (e devem ser feitas) a partir do filme. E isso é importante. A obra não encerra em si mesma (nenhuma arte é indiferente ao contexto de sua produção e recepção), mas fiquei decepcionada porque faltou ousadia. Enquanto assistia o filme eu mesma fiz mentalmente cortes de cenas que foram desnecessárias no primeiro ato para tentar chegar ao resultado do que vemos na cena final.
Certamente é um filme que vai agradar ao público comum, aquele que não está preocupado com roteiro e outras questões meramente técnicas. Também agradará aqueles que têm urgência em discutir a política nacional a partir dessa pespectiva da retomada de ponto. Não julgo o público comum ou aqueles que buscam enxergar nossa história sob esse viés. Para mim, o filme não funcionou porque esperei desesperadamente sentir alguma conexão. Não me envolveu.
Nota 2/5 pela parte técnica (trilha, fotografia) e atuações.
PS. A minha crítica no Filmow trata de uma experiência pessoal com o filme. Isso não quer dizer que quem gostou (ou se identificar com o filme) está errado. Arte não existe para responder sobre o certo ou errado das coisas, mas provocar sentidos e reflexões. O mundo é complexo, as pessoas possuem necessidades e experiências diferentes e é maravilhoso que seja assim. O filme não me cativou.
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraEm resumo:
*ótimo trabalho da atriz que interpreta Anora. Mas não acho sua atuação melhor ou que tenha um destaque como Callas de Angelina Jolie. Tendo o peso de que interpretar uma personagem num filme biográfico exige mais do ator.
**é um filme sem qualquer coerência narrativa. Inicia contando uma coisa que se perde em meio ao barulho, caos e repetição do mesmo argumento ao longo de mais de uma hora de filme.
*** a história do filme só começa depois
de quase 1 hora de cenas de sexo e uso de drogas como forma do diretor reforçar a superficialidade e diferenças entre Anora e o núcleo do jovem russo com quem ela inicia um envolvimento sexual..
**** Nada justifica o hype desse longa.
"Anora" está no mesmo patamar de Emília Perez: muito barulho por nada.
O longa é lamentavelmente um grande desperdício de tempo. Nada no filme justiça o hype. A única coisa positiva desse caos narrativo que vemos em tela é a atuação da atriz Mikey Madison. Ela consegue demonstrar com muito talento o vazio, desespero e, em grande medida, a carência afetiva que ela busca esconder em sua performance sexual trabalhando como acompanhante e dançarina numa boate em Nova York.
As cenas que exigiram da atriz um pouco mais de emoção foram sustentadas com qualidade e técnica. Mas a trama em si não nos ajuda a ter qualquer empatia com Anora, seu desespero diante da frustração do desejo não realizado nos parece distante. A narrativa em nenhum momento nos aproxima da personagem . Não sabemos nada sobre ela ou suas motivações. As migalhas oferecidas não nos dizem nada além do que a própria personagem oferece aos seus clientes. Mas essa ausência de emoção não é culpa da atriz.
No geral, é um roteiro raso. A primeira hora do filme é um processo maçante e repetitivo
de cenas de sexo, uso de drogas e festas. Um ciclo repetitivo que não nos comunica nada
É um filme barulhento, caótico, entediante, repetitivo, muito confuso e sem qualquer coerência narrativa. O filme não cativa. Não surpreende. Terminei com a sensação de que poderia ter uma hora a menos e ainda assim não causaria impacto algum.
Nota: 5/10 (apenas pela atuação da Madison) - e aqui já adianto que a Callas da Angelina Jolie se destacou mais mesmo sofrendo a mesma limitação narrativa desse longa. Se for indicada ao Oscar, ok. Mas se não for indicada não terá qualquer problema. Houve atuações melhores e que merecem indicação.
Armadilha
2.7 874 Assista AgoraO mesmo cara que produziu o excelente "O sexto sentido" , outras obras maravilhosas como "A vila", "sinais" também é capaz de escrever e dirigir aberrações como esse péssimo "Armadilha".
O filme tinha uma ótima premissa, a gente fica na expectativa para ver como o serial killer vai conseguir sair dessa "armadilha", aí toda a boa construção inicial se perde numa solução preguiçosa, muito mal feita e com um dos finais mais cretinos que já vi no cinema - no mesmo nível dos lixos A Substância e Emília Pérez em termos de qualidade duvidosa, roteiro preguiçoso e atuações medíocres. Nem o rostinho bonito e talento do Josh Hartnett conseguiu dar um alívio a este filme.
Horrível num nível inimaginável. Eu fico me questionando como alguém conseguiu aprovar esse roteiro e, depois do filme finalizado, dar o ok e entender que o público merecia perder seu tempo assistindo isso. Nota: dó.
Do mesmo nível da Substância: um dos piores filmes do ano. Não vale seu tempo.
Emilia Pérez
2.4 483 Assista AgoraA expressão que melhor define o filme é "muito barulho por nada". Fora as atuações de Zoe Saldanha e da atriz que faz a Emília Pérez (Karla Sofía) nada nesse longa justifica os elogios que foram feitos como se fosse uma inovação audiovisual. Não é!
O primeiro ato do filme é excelente. Depois a história se perde numa trama sem sentido. A história se torna arrastada, vazia, com coreografias e músicas que não dizem exatamente qual a relação com a trama. O filme volta a ficar interessante
a partir da transição da personagem homônima
Mas até a transição de Emília
O filme volta a se encontrar no quarto ato, já na Cidade do México, com alguns musicais interessantes. A cena da Zoe Saldanha
coreografando sobre as mesas enquanto Emília Pérez discursa
Enfim, há mais coisas negativas do que positivas no longa. A narrativa não me convenceu porque foi contada sem qualquer coerência. A personagem de Selena Gomez, Jéssica, é caricata e sua atuação está muito exagerada. Zoe fez um trabalho significativo mostrando outras facetas ao cantar e dançar, mas seu personagem não foi bem construído.
A cereja do bolo, o grande trunfo do filme, é a atuação espetacular da atriz Karla Sofía. Ela merece muito ser indicada por sua atuação.
É um filme com alguns números músicais ok, nada surpreendente, e duas atuações brilhantes. Para quem não curte musicais, evite-o. Aos que curtem musicais como eu, o filme foi decepcionante. Nota: 7 pelo conjunto.
Faltou ousadia, criatividade e coerência narrativa para o longa dizer mais. Não me convenceu. Terminei Emília Pérez sem entender exatamente o que causou esse burburinho em torno do filme.
Ainda Estou Aqui
4.5 1,5K Assista AgoraTodos os elogios a Fernanda Torres não conseguem traduzir a força e impacto da sua atuação magistral e arrebatadora. Eu saí do cinema aos prantos. Chorei diante do desespero,espera e aflição de Eunice. É a melhor atuação de sua carreira e não indicá-la ao Oscar será um grave erro.
Fernanda entregou uma atuação precisa, genuina, numa personagem de uma dor contida que revela toda sua força e profundidade nas sutilezas. É através do olhar de Eunice que percebemos cada detalhe desse filme que considero o 2⁰ melhor trabalho da carreira de W. Salles ("Central do Brasil" é o melhor filme do diretor). Aliás, o olhar aqui é fundamental para mergulhar nessas sutilezas na trama.
"Ainda estou aqui" é, sem qualquer dúvida, o melhor filme brasileiro dos últimos 10 anos.
Conseguiu traduzir todo o horror da ditadura civil militar brasileira em seu momento mais trágico. E aqui deixo todo o meu reconhecimento ao primor e sensibilidade dessa direção e atuações impecáveis.
É um filme com diversas camadas. O telespectador mergulha no cotidiano da Família do ex deputado Rubens Paiva como testemunhas oculares daquilo que conhecemos pelos relatos de memória das vítimas da violência militar. Uma ditadura desumana, cruel, cujo impacto na vida de Eunice abala todos nós que conhecemos bem essa história. Eu me vi em Eunice em diversos momentos. A sua aflição de mãe e esposa me pareceu muito próxima.É como se falasse dos acontecimentos recentes do Brasil, mas usando 1971 como metáfora.
O filme não é perfeito, pois possui um recorte redundante na cena final.
A cena de Eunice revendo as memórias da família diz muito. Mas compreendo o apelo da cena. E é impactante como o olhar da Fernanda Montenegro foi arrebatador e traduziu num único gesto todo drama de Eunice
A aceleração na narrativa depois das cenas na prisão me pareceu inoportuna pois cada cena do longa diz muito e apressar a narrativa quebrou a carga dramática da cena anterior.
Como anistiar aqueles que torturaram, mataram e negaram o direito ao luto a tantas famílias? Como defender anistia aos que tentaram reproduzir o golpe de 1964 em novembro de 2022 e janeiro de 2023?
Nota: 9,3
Divertida Mente 2
4.0 645 Assista AgoraE temos a melhor animação do ano, a segunda melhor sequência da Pixar. Divertida Mente 2 conseguiu superar a primeira versão, apresentou as novas emoções que acompanham a chegada da personagem na fase mais complexa de sua vida: a puberdade.
Mesmo não tendo uma renovação do arco do primeiro filme, a animação introduziu conceitos que não foram explicados na versão de 2015. É uma narrativa mais divertida, mais intensa e didática (mas sem cair na infantilização) sobre a complexidade de nossas emoções. É sobre compreendermos quem somos ou reconhecermos nosso lugar no mundo. A questão central, talvez, seja como Riley lida com isso, juntamente com as outras emoções.
Numa das cenas mais importantes é mostrado como é ter uma crise de ansiedade de um jeito tão real que é impossível não se emocionar assistindo. Quem tem ou já teve uma crise de ansiedade vai entender o que quero dizer.
Sim, o filme brinca com alguns conceitos da psicologia como "negação" ou "fluxo de consciência" entre outros, mas não é um tratado sobre a psiquê humana. As situações complexas e patológicas são exemplificadas de modo a serem compreendidas tanto pelas crianças (o público alvo da animação) quanto por adultos que se quer leram qualquer teoria freudiana. Entendendo isso talvez se consiga ter o deleite de assistir a mais uma genial animação da Pixar/Disney.
Divertida mente 2 correspondeu minhas expectativas. E super indico para quem quer dar algumas boas risadas ou ver uma produção extremamente bem feita.
Nota: 9.8
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4.2 663 Assista AgoraUm filme lindo, sensível e profundamente triste. Retrata a homofobia vivida por dois pré adolescentes que estão descobrindo o quanto a sociedade é cruel com aqueles que não se encaixam numa certa norma de gênero ou padrão sexual.
É difícil não chorar porque a angústia, o silêncio e a culpa do personagem é real, palpável, e a gente se sente meio cúmplice desses sentimentos.
Com certeza, um dos filmes mais bonitos e também mais tristes que vi. Recomendo fortemente assistir com a alma sensível e o coração aberto. Terminei o filme em lágrimas e com meu coração em pedaços.
Nota: 9,2 de 10.
A Noite que Mudou o Pop
4.2 183 Assista AgoraMaravilhoso para quem, assim como eu, tem um carinho pelos anos 80's. Michael Jackson era um talento inigualável tanto como letrista quanto como dançarino. Era um artista completo. Assistindo o documentário me questionei sobre a escolha de alguns nomes que participam da gravação da canção. Nada contra a Cyndi Lauper, mas sempre achei a voz dela muito anasalada e na gravação dá para entender porquê não curto seu trabalho como artista ainda que entenda sua importância para música pop desse contexto. Fiquei imaginando se tivessem convidado Madonna. Imagina que fantástico termos Madonna e Michael Jackson dividindo o mesmo espaço numa música? Mas é isso, é um documentário intereressante porque apresenta algumas entrevistas com artistas que participaram e também mostra os bastidores e toda tensão que envolveu a gravação histórica dessa canção que marcou uma geração e a história da música pop.
Anatomia de uma Queda
4.0 983 Assista AgoraRecentemente revi o espetacular "Anatomia de uma queda" (meu favorito ao Oscar), filme francês dirigido por Justine Triet, e que concorre ao Oscar nas categorias principais: direção, melhor filme, roteiro, montagem e atuação. O filme trata de um tema crucial: a representação da mulher.Não se trata de um drama policial ou filme de tribunal como tantos outros. As camadas apresentadas por Justine nos dão a perspectiva da humanização dos personagens. É um filme cheio de reviravoltas. Anatomia de uma queda é um filme que possui muitas camadas,
a cena que Sandra diz ao marido que ele não é vítima da sociedade, é
A própria Justine Triet mencionou: "passei muito tempo pensando sobre o que realmente significa ser mulher – ter autoridade como mulher – e como somos tratadas como monstros por nos comportarmos de certas maneiras pelas quais os homens geralmente são perdoados."
Para abordar o modo como a sociedade normaliza esteriótipos de gênero, Justine usa o julgamento da personagem vivida por Sandra Hüller acusada de ter assassinado seu marido. Por um pouco mais de duas horas somos confrontados sobre o que sabemos sobre a verdade, e sobre os discursos que trazem a cena do crime duas representações da realidade: a de Samuel, o marido de Sandra visto como vítima de uma mulher fria, cruel, egoísta, e da própria Sandra, acusada da morte de seu marido.
Como apresentado pelo advogado
de Sandra no início do filme: a questão não é se ela é culpada ou inocente. O tribunal não se preocupa com a verdade, preocupa-se com a história. E a história que o promotor conta é sobre a sexualidade e a inteligência de Sandra.
O procurador alimenta-se de um estereótipo clássico de gênero. Ele apresenta Sandra como uma mulher bissexual, conivente, que castrou o marido e depois o empurrou para a morte.Sandra pode não ser a mãe ou esposa perfeita, mas ela é humana e não se desculpa por quem ela é.
Zona de Interesse
3.6 700 Assista AgoraAssisti recentemente o assombroso "Zona de Interesse" (2023, filme alemão, direção de Jonathan Glazer). Ainda estou digerindo as imagens e a narrativa. Esqueçam qualquer semelhança com outros filmes que envolvem o tema do Holocausto, do nazismo. A abordagem de Glazer é estranhamente sutil. Tateamos os silêncios, o banal, o lúdico, o interdito, os objetos para capturar os corpos, as palavras, os cheiros.
A forma como o horror do holocausto é apresentado sob a perspectiva dos algozes é brutal. O choque não se dá pela espetacularização do horror. Aliás, não vemos os judeus em tela. E essa escolha se deve a mestria com que o diretor conduziu essa narrativa. É um filme frio. Seco. Coeso do início ao fim.A banalidade do mal, o conceito de Hannah Arendt, talvez, seja melhor traduzido nessa obra. São pessoas comuns, vivendo suas vidas com a naturalidade mórbida de quem tem em seu quintal Auschwitz, um dos campos de extermínio nazista.
A parte da história do comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, e da sua esposa Hedwig, vivendo em uma linda casa de dois andares, com direito a lindos jardins em um quintal com piscina, ao lado do maior campo de extermínio do regime nazista é forte. Algumas cenas e diálogos nos embrulham o estômago.
Fora dessa banalidade do cotidiano familiar, dos dramas familiares, escutamos os gritos de agonia, tiros e se observa uma densa fumaça negra subindo no ar (a segunda imagem que anexei tem um contexto sensível).
Destaque para trilha sonora. Ela nos conduz, desde o primeiro frame, ao horror que segue a narrativa. O filme
inicia numa tela preta, como se o espectador estivesse saindo de um buraco, ouve-se vozes ao longe, gritos e então o barulho de pássaros e a luz forte, colorida, onde uma família rir e conversa tranquilamente num jardim.
É uma obra de arte para quem gosta de cinema pela técnica, posição de camera, coloração, luzes, timing do elenco. Os elementos não verbais são os protagonistas. O filme traduz o horror sem apelar aos excessos visuais. A última cena com todos os objetos (sapatos, roupas, próteses) revela o contraste emocional com a apatia do cotidiano banal daquela família
Recomendo fortemente. Nota: 8,5/10.
Barbie
3.8 1,7K Assista Agora[alerta com spoiler de cena]
O melhor filme do ano referencia e celebra o feminino. Não um feminino caricato, fútil, burlesco e patético que é como a sociedade, a partir do olhar masculino, traduz o ser mulher. O filme da Barbie usou um acontecimento catártico, de introspecção e crise de identidade e existencial para questionar: quem somos? o que desejamos? o que faz sermos quem somos? e se não tivermos respostas pra essas dúvidas? Ainda vale a pena a caminhar mesmo não sabendo pra que lugares iremos?
As mulheres no filme da Barbie são múltiplas, complexas, como todas somos na realidade em nossa fragilidade humana. Mas o filme vai além. Usa o deboche e a fina ironia pra mostrar que somos fortes. Que todas as mulheres possuem uma força interior que nos faz levantar depois da queda, nos reerguermos das cinzas, pois toda mulher ainda que mãe, filha, avó, tem um pouco de heroína.
O filme toca em todas as nossas feridas e escancara nossas fragilidades e pecados. Sim, as mulheres são violentadas todos os dias. As mulheres são desumanizadas todos os dias. Sofremos assédio nas ruas, no trabalho, temos nossas ideias roubadas ou menosprezadas. Temos que lutar todos os dias para sermos reconhecidas por nossos atributos intelectuais mais do que a nossa aparência física.
Sim, por vezes é cansativo ser mulher. É dolorido ser mulher. Mas é igualmente mágico saber que somos mulheres.
Eu me emocionei tanto na cena que a Barbie fecha os olhos, entende o que significa ser mulher e abraça sua humanidade com suas qualidades e imperfeições. Saí do cinema arrepiada. É um filme realmente escrito para as mulheres.
Foi como um abraço coletivo.
Foi como ouvir ao pé do ouvido: você não está sozinha. Estamos todas aqui. Porque também compartilhamos da dor e delícia de sermos quem somos.
Sim, mulheres, não o sexo frágil. Somos muito fortes.
É o melhor filme do ano, por isso, minha nota é 9.8. Valeu cada minuto. Valeu por cada risada e cada lágrima, e mais ainda: Valeu por tocar lá no fundo reafirmando o quão incrível é viver a experiência de ser mulher.
Todas as meninas das próximas gerações terão esse filme como referência.
é a carta de amor mais linda já escrita sobre o que é ser mulher.
Trilha sonora, roteiro, direção, atuações, tudo no filme está em completa harmonia.
NOTA: 9,8.
Barbie
3.8 1,7K Assista AgoraPrimeiro de tudo, minha nota para um dos melhores filmes do ano, e um dos filmes mais inteligentes do ano: 9,8.
Tudo em Barbie está em harmonia: roteiro, cenário, atuações, diálogos. Saí do cinema com a alma lavada por aquilo que foi entregue pela Greta. O filme da Barbie é um gostosa sátira. É muito criativa, com humor inteligente, cheia de metalinguagem, referências ao cinema clássico, profundas discussões sobre os papéis de gênero. E sim, é um filme feminista do início ao seu maravilhoso final. E não poderia ser diferente já que a boneca Barbie surgiu no contexto da década de 1960 com toda aquelas pautas feministas da 2ª onda sendo reinvindicadas.
O filme mergulha não apenas no processo da representação da boneca Barbie na sociedade, no mundo real, fora da "Barbieland", mas sobre o papel das mulheres hoje, e a influência da boneca na nossa sociedade. A diretora brinca com todas os discursos em torno da Barbie, tanto em defesa quanto de críticas aos esteriótipos que a boneca é acusada de perpetuar em nossa sociedade, e também sobre como o capitalismo se apossou dessas pautas do movimento feminista.
O filme tem uma ironia ácida, mas ao mesmo tempo nos provoca profundas reflexões sobre o que é ser mulher na sociedade, como seria uma sociedade onde as mulheres pudessem assumir papéis de destaque como acontece na sociedade patriarcal.
É um filme que diverte, com um roteiro inventivo e inteligente, e que é fundamental para se pensar que papéis homens e mulheres devem ocupar na sociedade atual, o que é ser homem ou mulher.
O filme inteiro é um deleite visual, com relevância social e de humor inteligente.
Indico demais.
Nota: 9,8.
Oppenheimer
4.0 1,2KALERTA DE SPOILER!
É o filme menos Nolan de Christopher Nolan.
Quem disse que esse era o melhor filme do Nolan não viu nenhum filme do diretor. Isso é muito claro para mim. Não entra nem no top 3. Sai do cinema decepcionada. Não é um filme totalmente ruim. Minha nota é 7. É um filme com um roteiro ruim. E nem venham aqui tentar me convencer que eu não entendi. Eu fui atraída pelo apelo do diretor ser quem ele é, pela história, afinal, sou historiadora e tudo que envolve a II GM tem minha atenção, mas o que vi no cinema não está à altura do Nolan, e se quer pode ser considerado sua obra prima. Não é um total fiasco, mas não é um filme que eu indicaria para quem não curte drama, filmes com um ritmo mais lento.
A sensação que tive foi de 3 horas de filme que poderia muito bem ter sido cortado para 1 hora e 30 minutos. Muita encheção de linguiça.
O primeiro ato inteiro é desnecessário. A vida do Oppenheimer antes dele se envolver no projeto Trinity não é tão interessante assim. A partir do 2º ato houve mais enrolação sobre uma pseudo imersão do personagem no comunismo, mas que não é desenvolvida, como falei: apenas para encher linguiça. Roteiro muito preguiçoso.
O teste da bomba nuclear é impactante sim, quem viu a cena no cinema ficou realmente tocado, mas a cena é curta. O filme se resumo a muito diálogo desnecessário. O que salva no filme: atuações tanto do Cillian quanto da atriz que faz sua esposa (Emily Blunt).
Enfim, para quem curte filmes com uma narrativa mais lenta, com muitos diálogos que não chegam a lugar algum, mais com qualidades técnicas, pode ir ao cinema sem medo (mas coloquem a conta de vocês em risco).
Minha nota é 7.
E passarei a ser mais criteriosa quanto aos projetos que Nolan endossar no futuro.
Thor: Amor e Trovão
2.9 982 Assista AgoraO filme é uma piada de mau gosto.
Roteiro com a profundidade de um pires. Piadas que parece que sairam de uma sketch de Zorra Total. Fico me questionando como a Disney topou arcar com esse delírio do Taika Waititi. E eu achava que nada pior que "Thor: Ragnarok" poderia ser feito. Este filme prova que a máxima de Tiririca não é verdadeira: dá pra piorar bastante.
Doutor Estranho no Multiverso da Loucura
3.5 1,3K Assista AgoraSó agora posso comentar o filme (sem dar spoiler para não estragar a experiência de quem verá no cinema).
De cara já quero deixar minha primeira impressão (sem spoiler). Nota: 8.5 - bem melhor que Miranha!
Quem falou que o filme tem um roteiro ruim MENTIU. Quem falou que o filme era ruim MENTIU. É um filme excelente, com um roteiro fechado, conseguiu conectar várias facetas dessa nova fase da Marvel já introduzida a partir das séries/animações.
Dito isso, mesmo quem não viu WandaVision, What If ?, Loki ou Miranha (2021) consegue entender perfeitamente o filme. Até quem nunca leu uma HQ da Marvel consegue entender o filme. Esse mérito é do roteiro e da direção muito competente do Sam Raimi.
Os personagens tem motivações muito claras, tudo no "Multiverso" conseguiu dialogar com o que já sabíamos de narrativas anteriores. Mas este não é o "Mais do mesmo". A fórmula Marvel não se aplica a este filme.
É mais dark, muito mais sombrio, tem uma pegada de terror (Raimi é mestre do gênero, não é?), há muita ação, belíssimas cenas de luta, perseguição e transições.
Ponto positivo para o cenário, a fotografia, os efeitos visuais do filme são um primor. Atuação fora do comum da talentosa Elizabeth Olsen. Ela nasceu pra esse personagem. Entregou absolutamente tudo. Benedict Cumberbatch dispensa apresentações. Um ator como poucos de sua geração. Seu Dr. Estranho conseguiu nos encantar com outras facetas do grande mago.
De negativo: a conclusão. Achei muito simples e preguiçosa, mas levando em consideração o contexto do Multiverso aquele final era o possível para que se concretizasse algo que só veremos na série Agatha - lembrando que a Agatha disse pra Feiticeira Escarlate em WandaVision: "você não sabe o que libertou" e "Você vai precisar da minha ajuda".
Também achei a personagem America Chavez pouco desenvolvida na trama. Não consegui me conectar.
O que esperar do filme: espetáculo, criatividade, um filme mais DC do que Marvel em sua proposta (ainda que tenha um humor, só que mais sofisticado), diversão, sustos, surpresas, emoção.
Desconsiderem todas as criticas negativas de quem queria mais do mesmo.
Sai do cinema em êxtase.
Valeu muito a pena!
Batman
4.0 1,9K Assista AgoraEnfim, vi #thebatman e estou de alma lavada. Filmaço!
Não é superior ao Batman:cavaleiro das trevas, mas entregou o melhor Batman/Bruce Wayne e melhor Mulher Gato/Selina de todas as adaptações do homem morcego para o cinema.
Amei a versão mais sombria e o resgate da identidade investigativa do Batman.
Saí do cinema com a sensação que a espera valeu a pena. Mordi minha língua ao criticar a escolha do Robert Pattinson para viver meu personagem favorito da DC. É de longe a versão mais próxima do Batman dos quadrinhos. O Batman que faz meu olho brilhar.
A trilha sonora é um deleite à parte. Something in the way é uma das músicas mais lindas do Nirvana e, dentro do contexto narrativo, com toda aquela palheta de tons mais escuros (a fotogragia do filme é outro show de acertos) trouxe o tom certo na composição deste Batman mais "gótico ", mas fechado em si e tentando se libertar de seu passado traumático.
O último ato, pra mim, foi extremamente sensível. Mostrou o Batman se reencontrando com seu propósito, conduzindo o povo de Gotham em sua reconstrução. Outro acerto é o roteiro do filme que é muito bem construído. Os três atos dialogam perfeitamente na apresentação desse Bruce Wayne que se faz vingança e sua ascensão ao justiceiro que amamos.
Óbvio que há lacunas, mas por hora não entrarei em detalhes. Depois faço uma análise completa do longa no geral. Estou muito satisfeita. Segundo melhor filme do Batman na minha opinião.
Nota: 9.8
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Red: Crescer é uma Fera
3.9 571 Assista AgoraConfesso que esperava mais dessa animação quando assisti o trailer. A Pixar inovou em vários elementos gráficos, trouxe questões fundamentais sobre o conceito de família, amizade, empoderamento feminino, sobre escolhas (ansiedade e o medo de frustrar expectativas que depositam em nós), mas não me cativou. É a primeira vez que uma animação da Pixar não me emociona. E é horrível assistir um filme e sair indiferente. Nota: 3/5. A parte técnica é brilhante, mas o enredo não me envolveu. Uma pena.
Matrix Resurrections
2.8 1,3K Assista AgoraAcabei de ver Matrix 4 (sem spoiler!). Sobre #thematrixresurrections : que filme necessário. É uma metalinguagem. Roteiro incrível. Nasce mais um filme cult para desespero da extrema direita que tentou retirar o sentido original do conceito "Matrix". Estou muito satisfeita.
Lana Wachowski fez desse Matrix uma carta aberta aos fascistas e outras aberrações morais que permeiam a cabeça vazia da extrema direita americana (por tabela, os seus espelhos espalhados em outras partes do Globo, como o Brasil). É uma resposta sincera aqueles que por anos desprezaram a mensagem do filme original e fizeram Matrix dizer o que em linhas gerais as irmãs Wachowski nunca concordaram.
Se alguém mencionar que o filme não correspondeu suas expectativas é porque esperavam uma outra realidade nunca defendida no Matrix original (o primeiro longa da franquia continua insuperável, já adianto). O novo filme tem filosofia (muita filosofia!), efeitos especiais e tem ótimas cenas de ação e todos aqueles elementos criativos que adoramos na franquia.
Não encontrarão no filme: culto às armas e à violência, que foi cooptado e mal interpretado pela extrema direita ao longo desses 20 anos. A violência presente no filme continua metafórica sobre questões da nossa sociedade.
Adorei o filme.
Quem diz que o filme é ruim, precisa rever a trilogia anterior e assistir o novo filme sem buscar eco para teses infundadas.
8.5/10.
Aviso nº 1: Por favor, não perca seu tempo me xingando. Não estou aqui para agradar ninguém.
Aviso nº 2: não voltarei ao tópico para discutir minha INTERPRETAÇÃO sobre o longa. Reveja o filme e seja feliz. Há muita coisa importante apresentada no roteiro que merece uma discussão aprofundada não cabível em alguns caracteres numa redes social como esta. Respeito quem não curtiu o filme (o gosto é mesmo subjetivo), mas discordo totalmente de quem diz que o filme é ruim. Não é.
Mogli: O Menino Lobo
3.8 1,0K Assista AgoraApenas reforçou minha tese: não devo perder meu tempo com versão live action de clássicos Disney, a frustração é certa.
Rei Arthur: A Lenda da Espada
3.2 622Um dos piores filmes que já vi em minha vida de cinéfila. Não vale a pena.
Coringa
4.4 4,1K Assista AgoraSobre Coringa, o filme é um clássico instantâneo. Daqui a 10 anos ninguém falará em 1917, mas continuarão falando de Coringa.
O pessoal terá que se esforçar muito para criticar esse filme. E terá que forçar muito a barra para afirmar que Coringa é um filme ruim. Só com muito esforço para ignorar as qualidades dessa narrativa (sim, cinema é antes de qualquer coisa uma narrativa).
Não há como gostar de Parasita e odiar Coringa, pois aquilo que Parasita explorou de modo superficial, Coringa aprofundou. Ambos tecem duras críticas ao sistema. O modo como somos desumanizados numa sociedade que vive para produzir e consumir. A diferença é que o roteiro de Joker está muito bem fechado. Parasita ficou prejudicado
por tudo aquilo que acontece depois do aniversário. Um olhar atento ao roteiro e compreendemos que foi uma explicação desnecessária.
O roteiro deste filme é muito bem escrito, Joaquin Phoenix entregou um Coringa sem trejeitos, sem cair no caricato, explorando as camadas que tornam o Coringa um dos personagens mais complexos dos quadrinhos. Ele não é vilão também não é herói. Coringa e Batman não podem ser compreendidos a partir desta visão maniqueísta (Piada Mortal, do Moore, e Batman: ano um, do Miller, demonstram bem estas complexidades).
Cada frame do Coringa nos traz uma reflexão nova sobre a sociedade, sobre nós mesmos. É um filme para rever, para debater em sala de aula (aulas de Sociologia, Filosofia, História e de Cinema) para analisar seus vários aspectos. O filme é uma aula sobre a construção de personagens e roteiro (qualquer leitor da Poética, de Aristóteles, ficará satisfeito com o que vê na tela). Por mim, leva fácil esse Oscar de melhor filme.
1917
4.2 1,8K Assista AgoraContrariando a opinião da maioria (sem spoiler).
Primeiro, preciso esclarecer que sou o público alvo desse tipo de filme. Gosto de filmes que retratam guerras. Mas gosto de bons filmes sobre guerras (olá, "Glória feita de Sangue", "Dunkirk", "Apocalipse Now", "A Ponte do Rio Kwai", "Lawrence da Arábia", "O Franco Atirador", "Platoon", "Coração Valente", "A Lista de Schindler", "O Pianista", "Círculo de Fogo", "Falcão Negro em Perigo", "Hotel Ruanda", "A Conquista da Honra", "Cartas de Iwo Jima", "A queda: as últimas horas de Hitler", alguns dos meus favoritos).
Não é o caso de 1917. Com exceção da parte técnica, não há justificativa para esse filme concorrer o Oscar de melhor filme. Roteiro fraco, nenhuma criatividade. É apenas um "Resgate do Soldado Ryan" com um ótimo plano sequência (há três cortes visíveis, mas não diminui o excelente trabalho apresentado em cena). Essa parte técnica é impecável. A trilha sonora envolvente, nos coloca dentro das emoções apresentadas nas cenas. Mas é apenas isso.
Sem desmerecer o trabalho do diretor, pois as qualidades do Sam Mendes neste filme são ressaltadas a cada frame. Mas 1917 não é um filme memorável. Não será o melhor filme sobre a 1ª GM já produzido. Filme não é só técnica. Filme é narrativa. E não achei a maneira como a história foi conduzida convincente. Há furos graves no roteiro (alguém gostou desse final?). É um bom filme até a primeira metade, depois se perde completamente.
É um filme ok para quem quer assistir algo despretensiosamente. Nada além disso.
Nota: 3/5.
Ps. O filme deve levar 6 estatuetas pela parte técnica e é merecedor comparado aos outros filmes que concorrem na mesma categoria, mas por direção acho justo Scorsese ou Tarantino (dificilmente Bong Joon-ho leva, ainda que também mereça pelo excelente "Parasita"). "O Irlandês" ainda é o melhor filme de 2019, seguido por "Parasita" (ganhará como filme estrangeiro, certeza), "Coringa", "Era uma Vez em Hollywood" e "História de um Casamento". Infelizmente, nenhum filme com selo Netflix ganhará. Segue o jogo.
Star Wars, Episódio IX: A Ascensão Skywalker
3.1 1,3K Assista AgoraPor hora, deixo apenas registrado que é injusta essa pontuação no Filmow. O filme está longe de ser ruim. Não é um bom filme, é um ótimo filme. Entrarei neste aspecto, a questão do roteiro e o desfecho de alguns personagens que eu, particularmente, achava irrelevantes ao enredo em si.
Entendo o desapontamento de muitos que queriam um pouco mais daquilo que foi apresentado no episódio VIII (que eu adorei). Também compreendo quem está decepcionado com o desfecho dado a alguns personagens. Tudo isso é compreensível e podemos dialogar sobre. O que me parece incoerente mesmo é Star Wars com uma nota abaixo de filmes como Bacurau (que tem falhas graves de roteiro!).
Há dois principais problemas neste desfecho da saga. Retomarei tanto a crítica quanto o que achei positivo neste longa num próximo comentário. Por hora, só queria mesmo pontuar minha inquietação com essa nota. Acho injusto sobre vários aspectos (que abordarei depois).
Acabei de sair do cinema e gostei do final. Não é o que imaginei, não era o que eu desejava, mas no geral gostei do que vi.
Nota: 4.
*Farei outro comentário apresentando meus argumentos sobre o que percebi de positivo e negativo no longa. Não me ataquem antes de ler.
O Irlandês
4.0 1,5K Assista AgoraUma aula sobre cinema. Tudo milimetricamente harmônico. Scorsese não decepciona nunca. É o filme do ano e o filme da década. Valeu cada minuto das mais de três horas de filme.
Cinema desde seu surgimento tem a ver com narrativa. O cinema (que vem do grego kinesis, palavra que os antigos gregos usavam para falar sobre movimento, Aristóteles é um dos filósofos que trabalham com esse conceito) sempre foi sobre contar uma história. O que diferencia é a linguagem, o método como esta narrativa é apresentada ao telespectador. E isso, ao meu ver, é feito com maestria por Martin Scorsese neste filme.
O tema da máfia, abordado pelo longa, foi explorado pelo próprio diretor em outros filmes como Caminhos perigosos (1973), Os Bons Companheiros (1990), Cassino (1995), ou seja, não é uma novidade para seu público ou para os amantes da sétima arte. O que Scorsese apresentou neste longa de 2019 subverteu o modo como o tema foi explorado em narrativas anteriores pelo próprio diretor. O centro da narrativa é a vida, dor, solidão, perda, as escolhas de um homem e o resultado delas. Não se resume à violência e crime, como é o usual em filmes sobre este tema. Em relação às divergências sobre o filme, elas são próprias da arte. Cada pessoa tem uma experiência particular ao apreciar a arte seja num filme, pintura, livro, música, HQ. O que é inegável aqui é que essa história foi bem contada e o mérito de nosso envolvimento com a narrativa vem dessa maestria do diretor. Poucos cineastas conseguiriam tornar verossímil (e não cansativa) uma história sem recursos visuais extraordinários ao longo de 3h e 30min.
Cinema é narrativa, e neste longa Scorsese conduziu a trama como um aedo, um bardo, um exímio contador de histórias. Não tenho dúvida que ganhará Oscar de melhor filme e levará outras 7/8 estatuetas ano que vem.
Bacurau
4.3 2,8K Assista AgoraSobre Bacurau: todo mundo deveria assistir. Dito isso, não é nosso melhor filme nacional e as falhas no roteiro interferem na experiência do longa. Acho que é um filme que possui lacunas e instiga vários debates sobre nossa história, nossa cultura, nossas relações sociais. Mas não é o melhor filme do Kleber Mendonça. Ainda considero O Som ao Redor sua obra prima.
O que faltou para o filme me convencer? Emoção. Não senti nada. Nenhum tipo de sentimento (horror, vergonha, medo, angustia, dor, tristeza). Nada. E a falha está no modo como a história foi conduzida, como ela foi contada. Isso é um demérito para o filme? Não. Eu acho que é um filme que vale a pena assistir, mas que não funcionará para todo mundo (como no meu caso). Como amante do trágico e dos gregos (e tendo ascendente em escorpião e lua em câncer 😁) eu preciso desesperadamente de algo que provoque arrepio na pele, nó na garganta, que me tire da apatia do cotidiano. O filme não preencheu minha necessidade de emoção.
Duas horas de um filme que não convence, não emociona o espectador. Não há identificação com os personagens ou qualquer lógica no enredo que torne crível a "violência" que vemos na tela. As aspas é para enfatizar que não se trata de crueldade ou sadismo, como muitos disseram, mas da banalidade. O revanchismo em cena é para demarcar a não passividade diante do aniquilamento do povo do vilarejo.
Há críticas sociais contundentes. Achei a trilha sonora agradável, a fotografia um charme, gostei do uso de sujeitos comuns da localidade atuando com atores profissionais. Não achei o papel de Lunga convincente. Silverio é um ótimo ator, nesse caso não foi culpa dele. É que seu personagem não tem profundidade. Não tem camadas.
Do ponto de vista narrativo esse é o grande erro de Bacurau. Identifiquei esse mesmo problema na personagem Domingas. Sonia Braga dá um show de interpretação, mas não me comoveu. Passei as duas horas na espera de sentir um arrepio, angustia, medo, qualquer sensação que me conectasse com essa história, com o apagamento não do lugar, mas de sujeitos que tinham um vinculo muito forte com aquele vilarejo.
Eu que fui criada no interior do Nordeste reconheço a paisagem belamente apresentada em cena, mas não reconheço aquelas personagens como parte da realidade do interior nordestino. Se era uma tentativa de produzir uma distopia sobre o passado e o presente da região, torturada pela seca, pela politicagem de quem dá ao povo apenas o que pode ser usado como moeda de troca
a cena dos livros velhos, donativos vencidos, remédio para deixar o povo em letargia é um signo importante dessa relação com o passado histórico da construção do Nordeste
Não vi uma defesa sobre a violência como alguns argumentaram aqui. Acredito que a ideia do revanchismo, da aniquilação do outro enquanto sujeito em pé de igualdade, capaz de ser visto em sua humanidade, é o ponto chave para compreender o que vemos na tela. Faltou ao Kleber Mendonça colocar em prática no roteiro aquilo que Aristóteles mencionou em sua Poética sobre a verossimilhança numa narrativa e a construção de personagens. Os maniqueísmos são fáceis de abordar, mas são simplistas.
A ideia de vilão e herói não ajuda a construir um pertencimento ao que se ouve ou vê, no máximo ajuda ao apelo sonoro da torcida. Mas cinema não é futebol. Cinema é arte e como tal seu papel é produzir catarse, mimetizar a realidade e despertar incômodo. Kleber Mendonça parece ter flertado com a banalização muito além do que era necessário para passar uma mensagem sobre as mazelas sociais. Banalização do mal, da violência, do sexo, da caracterização do nativo e do estrangeiro. Dito isso, é preciso reforçar que o filme não tem nenhuma proximidade com Quentin Tarantino, o Cinema Novo ou faroeste. Quem viu simetria com elementos do faroeste projetou na tela o que não aparece em cena.
Há muitas discussões que podem (e devem ser feitas) a partir do filme. E isso é importante. A obra não encerra em si mesma (nenhuma arte é indiferente ao contexto de sua produção e recepção), mas fiquei decepcionada porque faltou ousadia. Enquanto assistia o filme eu mesma fiz mentalmente cortes de cenas que foram desnecessárias no primeiro ato para tentar chegar ao resultado do que vemos na cena final.
Certamente é um filme que vai agradar ao público comum, aquele que não está preocupado com roteiro e outras questões meramente técnicas. Também agradará aqueles que têm urgência em discutir a política nacional a partir dessa pespectiva da retomada de ponto. Não julgo o público comum ou aqueles que buscam enxergar nossa história sob esse viés. Para mim, o filme não funcionou porque esperei desesperadamente sentir alguma conexão. Não me envolveu.
Nota 2/5 pela parte técnica (trilha, fotografia) e atuações.
PS. A minha crítica no Filmow trata de uma experiência pessoal com o filme. Isso não quer dizer que quem gostou (ou se identificar com o filme) está errado. Arte não existe para responder sobre o certo ou errado das coisas, mas provocar sentidos e reflexões. O mundo é complexo, as pessoas possuem necessidades e experiências diferentes e é maravilhoso que seja assim. O filme não me cativou.