Talvez seja o filme mais difuso do diretor, indo para vários pontos e não concluindo exatamente as histórias. Para cada "conto"/causo, não há exatamente um começo, nem um fim, e também quase não existe catarse, muito menos uma central ou uma que una todas as narrativas.
A cena em que todos os personagens da pensão dos refugiados estão conversando na sala, mais ali para o final, talvez seja um bom resumo da atmosfera do filme: a gente sequer sabe se aquilo que todos ali estão dizendo é verdade, a gente não sabe de onde eles são e muito menos o que acontecerão com eles, mas a gente sabe que todos ali estão tentando sobreviver, e mais que isso, carregar consigo aquilo que consideram mais importantes para viver: o filho, as amizades, o amor, os momentos de alegria, a própria identidade.
É uma história brutal, densa, cômica. Acho que tem filmes que não são para entender, mas para te fazer sentir algo. E esse consegue demais. Quando se é um agente secreto, o que realmente importa?
Existe toda uma vontade de viver dos personagens, na cidade, nas suas motivações, e isso é um resgate para os tempos atuais, de automatização/robotização/individualidades. As roupas, os costumes, os gestos, o cenário, a ambientação. É um trabalho de arte fantástico.
Amei as cenas que se tornam recortes num fundo branco. Dá pra perceber que é para economizar na animação, mas ficou tão lindo e poético.
A história é muito bacana e singela, de um amor e cumplicidade entre amigos e outro romântico não correspondido naquele momento, e sobre uma vontade sem apego, sem deixar de viver.
Encantado como Miyazaki consegue transformar uma história infantil em algo incrivelmente profundo e mesmo selvagem nas nuances. O gato, a cidade, os amigos: tudo é capaz de acolher na mesma medida em que pode ferir.
Interessante também ver uma obra de um tempo em que a infância tinha outra leitura, menos "infantilizada", em que crescer também é sinônimo de liberdade e autonomia.
A natureza apenas responde: ataca, sente medo, mas também acolhe e cuida.
Curioso como Miyazaki é um admirador do vento e das águas. A confiança e pureza que Nausicaä dispõe ao desconhecido é de uma generosidade digna de uma princesa de um vale utópico, em que apenas o que é humano é capaz de trair, prender, ameaçar e destruir, mas também reconsiderar e perdoar quando em harmonia e união.
Em que o Peter aborda os demais personagens na festa (Benny, Carmen e Grace). Ao final, o personagem hétero foi o único que, mesmo fazendo tudo errado, consegue chegar nos lugares ditos ali como de sucesso (o emprego desejado, o reconhecimento na faculdade), reforçando seus privilégios. Mas esse lugar de sucesso aos olhos de todos é contraditório se comparado ao "fracasso" dos demais, que apesar de tudo não estão sozinhos. A série reforça muito a importância da amizade e do afeto verdadeiro, além do amor romântico.
A questão de que laços surgem mesmo quando tudo fracassa é incrível. Como diz a pedra da tia Linda: "A perfeição não tem graça".
Amei os títulos dos capítulos serem os nomes das músicas que tocam neles.
Que filme divertido e leve, sem deixar de ser honesto na abordagem e nos sentimentos. Incrível como a música brasileira dos anos 80 combina com esse universo gay e solar em uma apropriação/ressignificação totalmente válida.
Conheci Alê Abreu em Garoto Cósmico (seu primeiro trabalho) e foi um filme que mudou minha vida. Depois veio O Menino e o Mundo. E agora essa obra-prima.
A forma como o autor trabalha essa dicotomia entre o mundo "adulto" mecânico e o universo fantasioso da criança está em suas três obras. É uma honra ter essa sensibilidade no cinema nacional, essa valorização de tantos aspectos da nossa cultura (da Vanessa da Mata no primeiro filme, ao Emicida no segundo, ao Milton Nascimento neste).
Destaque para a não binariedade dos personagens e a esse tema tão caro em tempos atuais que é a importância das relações, em um mundo cada vez mais individualizante.
Aos perlimps, que eles continuem e se multipliquem por aí (tamo precisando) ✨
Uma pena ter tantos altos e baixos. Particularmente, gostei. Acho que o caminho de Star Wars é variar seu público e histórias mesmo. Visualmente, é linda! Ao meu ver, pecou na estratégia "Game of Thrones" de chocar/impactar, faltando desenvolver melhor os personagens e histórias.
Fantasia incrível, sensível, densa, e deu uma vontade gigante de ler os livros. Jamais imaginei ver tantos temas dessa forma numa obra infanto-juvenil, e sem medo de abordar assuntos tão polêmicos. Sem contar a direção de arte, que é sutil, mas gigante: é natural e não chama atenção para si, mas fizeram um trabalho enorme de criação de mundo, ferramentas e mecânicas.
Destaque para os personagens LGBT. Apesar de muito sutil, é de um simbolismo e mensagem incríveis.
É uma história muito complicada de ser feita, por abordar tantos temas e camadas. Então dada as limitações, é encantador que fizeram e com o máximo de cuidado que conseguiram. É ótimo poder ter contato com esse tipo de fantasia, e essas lições e aprendizados. O poder das boas histórias é de fato o sraf desse e de todos os mundo.
Essa série alugou um leve clubinho na minha cabeça. Trata de questões profundas sobre aceitação, vida adulta, perfeccionismo, relação com os pais e amigos.
Fiquei tão tocado com essa série e com tudo o que ela representa. Ela consegue abordar vários clichês (da astrologia, das comédias românticas) e ainda trazer uma camada mais sensível e crítica, sendo leve. Amei o romance, e amei o final também.
Em geral não coloco novelas aqui (por não acompanhar, não finalizar etc.), mas essa é uma que consegui seguir. Gosto da história central e das discussões levantadas, mas infelizmente com alguns desfechos ruins e pouco desenvolvimento do meio pro final.
No geral, a discussão "rico x pobre" e "querer ser rico" tem pontos fortes e um final que eu gostei (afinal, qual o lugar ao sol que devemos mesmo levar em conta?), mas com problemáticas. O lugar do rico é pouco questionado e a obra cai no realismo capitalista, mas ainda assim com boas pitadas de psicologia para refletir, pouco visto em obras tradicionais.
Calhou de ler o livro poucos dias antes de estrear no HBO Max, e estou chocado com a semelhança dos dois. Deixaram praticamente tudo.
O John Green tem uma escrita muito sensível e isso está nos detalhes. Confesso que ao ler eu não tinha entendido algumas dimensões que ao ver na tela fica mais "fácil" (de entender, mas mais difícil de acompanhar, pela densidade). O temperamento do Chip, a instabilidade da Alaska, a melancolia do Miles, a praticidade do Takumi, os trotes, tudo tem um motivo muito bem trabalhado para existir.
Experiência incrível, chorei toda vida, e boas reflexões pra guardar. De fato, não estamos aqui a passeio, toda energia produzida vem de algum lugar e vai pra algum lugar. O meio é o que muda tudo.
"Existe uma parte dela maior que a soma das partes conhecidas. E essa parte precisa ir a algum lugar, porque a energia uma vez criada nunca é destruída."
Interessante ver que o He-Man só tem esses músculos fora do comum por questões puramente comerciais e de produto, porque era uma forma mais fácil do boneco ficar em pé sem cair, e também de se diferenciar no mercado (os outros bonecos não eram tão parrudos assim).
Não mostra no documentário (por ele ser de 2018), mas é curioso ver tudo isso sendo atualizado nos dias de hoje, com as histórias de She-Ra e o novo He-Man da Netflix, e ver que toda essa overdose de cores dos anos 80 pode passar diferentes mensagens, incluindo as mais afetuosas e diversas.
Ver esse filme foi uma experiência de ser transportado para um mundo mais simples. Um 1994 poético e de certa forma bastante funcional. É como se o trabalho, o estudo e a rotina não fossem um fardo, mas peças de um todo que se encaixa.
No livro "Por que amamos?", do Renato Nogueira, ele ressalta a importância de conhecermos nossa natureza antes de entrarmos em relações. Ele também escreve sobre o amor como estratégia de sobrevivência: um está ali para ajudar o outro a ser uma versão melhor de si, e vice-versa. Acho que o filme ilustra bem essas questões na relação entre Shizuku e Seiji.
A animação também começa com as cores escuras de uma noite de verão (achei inusitado, uma vez que os filmes do Ghibli são sempre tão claros) e termina no despertar de uma manhã, e isso é tão bonito.
Quando foi que viramos uma máquina de escassez e de não fazer sentido? Quando voltaremos a aproveitar os dias por eles mesmos? O sol ainda nasce lá fora, todas as manhãs. E quem nos desperta para vê-lo, a rotina por si só ou um grande amor?
De início, achei a moral do filme estranha, principalmente se você, assim como eu, passou boa parte esperando um "500 dias com ela" ou um "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". As temáticas se aproximam bastante, mas acho que o filme ainda conta com outro aspecto. Não é apenas sobre a relação romântica que não deu certo e sua possível superação, mas principalmente sobre a forma que o personagem lida com seus dilemas.
O filme passou a fazer sentido quanto vi outros comentários de não ser sobre um protagonista herói, mas um anti-herói.
É um filme sobre invisibilidade social e o quanto o protagonista é um c*zão. Ele está tão focado nos próprios dramas que passa a não enxergar mais nada além de si.
A própria moral do protagonista é questionável quando você vê que o único amigo que ele tem é um machista escrotão, quando ele sequer preocupa com os atendentes de um restaurante, o motorista do taxi ou a pessoa que ele atropela.
Curti o lance da cor vermelha, que está na figura da garota de programa, do batom que ela usa para marcar o telefone até a cadeira. Cores quentes na vida monocromática do personagem.
No fundo, as respostas para seguir com a própria vida também estão no outro, no coletivo, na novidade, basta ter olhos para ver.
Que delícia de história, e que quentinho no coração!
É uma narrativa simples, sem raio azul no final, mas com mensagens gigantes: a amizade, a família (a que abandona x a que acolhe), os desencontros necessários para construção da identidade, o afeto que permanece.
Muito lindo acompanhar essa história de amor, de abraços, de carinho. Saiamos do fundo do mar, paremos de comer as sobras, e voltemos ao desejo de descobrir o mundo (e as estrelas) e deixar bater o próprio coração!
que você sai totalmente destruído e sem rumo no último episódio. Queria colocar a série na lista de favoritos, mas esses eventos são amargos e traumáticos demais.
A sensação de você chegar no final de duas temporadas sem saber muito bem o que está acontecendo também é um pouco frustrante. Há uma camada muito densa por trás e subtextos importantíssimos, porém acho sem graça só segurar eles apenas pela emoção de guardar uma surpresa. A série se sustenta apenas no fato do espectador não saber sobre o que a série se trata? É estranho.
Um exemplo é o personagem do Boreal, cheio de mistérios na primeira temporada para encontrar o pai do Will (porque ele estaria à procura da faca sutil, como ele sabia disso?), sendo que o cara passava ali do lado da torre todos os dias, para depois a faca ser roubada por um garoto? Um suspense todo em cima de um personagem para depois revelar que ele só queria acumular riquezas e dar uns amassos?
No mais, ainda gosto bastante da série, da interação dos personagens e tudo mais. Só queria sair um pouco menos traumatizado da experiência - RIP Hester, Lee e cuidado familiar.
- Escute. As coisas acontecem. Coisas ruins. Doença, divórcio. É assustador. E recuar é uma defesa. Mas se você recuar, também perderá as coisas boas. Você entende? Sei que não falamos muito sobre isso, mas…
- Mãe, eu não posso deixar-la. E se…
- Você tem que viver a sua vida. E não colocar tudo em um contêiner para tentar controlar. Isso é impossível. Confie em mim. E sinto muito se não fui clara o suficiente sobre isso, mas… Eu quero ser agora. Quando a vida lhe oferece algo especial… você aceita.
De alguma forma, sempre me identifiquei com os textos da Tati (ainda que especificamente hoje ela tenha sido "cancelada" pelo seu último na Folha). E acho que o filme conseguiu passar bem o ar de criança de classe média filha única e repleta dos dramas para conseguir ter a sua vida milimetricamente controlada. E é justamente com essa vertente que me identifico: com o filho que nasceu para suprir algumas necessidades afetivas dos pais embora fosse apenas uma criança com suas paranóias, com os dramas de ter uma mãe que também tem suas questões, com a pessoa que tem dificuldades em lidar com rejeições de todos os níveis. Ainda que tudo pareça uma grande frescura de gente burguesa, são questões honestas, e válidas dentro da sua honestidade.
Acredito que a questão dos remédios foi mais relatada como o grande drama e um vício mesmo. Por mais que eles sejam muito positivos para algumas pessoas terem suas vidas mais normalizadas, há efeitos colaterais e nenhum tratamento é livre de conflitos (nem a terapia, nem a constelação, nem os remédios). Não achei romantizado ou desleixado esse ponto, e é interessante saber que a personagem consegue chegar em um caminho dentro das suas tentativas (até porque não há um único possível e correto).
ps. a queda por homens loucos e o lance de que eles transam bem é real! 😬😅
Não curti o lance da vingança. Serve como plot para satisfazer quem assiste, mas que mensagem ruim. Só mostra que a menina é tão psicopata quanto a "mãe".
O Último Azul
3.7 225 Assista AgoraEla queria voar, mas foi navegando que encontrou a própria liberdade.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraTalvez seja o filme mais difuso do diretor, indo para vários pontos e não concluindo exatamente as histórias. Para cada "conto"/causo, não há exatamente um começo, nem um fim, e também quase não existe catarse, muito menos uma central ou uma que una todas as narrativas.
A cena em que todos os personagens da pensão dos refugiados estão conversando na sala, mais ali para o final, talvez seja um bom resumo da atmosfera do filme: a gente sequer sabe se aquilo que todos ali estão dizendo é verdade, a gente não sabe de onde eles são e muito menos o que acontecerão com eles, mas a gente sabe que todos ali estão tentando sobreviver, e mais que isso, carregar consigo aquilo que consideram mais importantes para viver: o filho, as amizades, o amor, os momentos de alegria, a própria identidade.
É uma história brutal, densa, cômica. Acho que tem filmes que não são para entender, mas para te fazer sentir algo. E esse consegue demais. Quando se é um agente secreto, o que realmente importa?
Eu Posso Ouvir o Oceano
3.2 228 Assista AgoraExiste toda uma vontade de viver dos personagens, na cidade, nas suas motivações, e isso é um resgate para os tempos atuais, de automatização/robotização/individualidades. As roupas, os costumes, os gestos, o cenário, a ambientação. É um trabalho de arte fantástico.
Amei as cenas que se tornam recortes num fundo branco. Dá pra perceber que é para economizar na animação, mas ficou tão lindo e poético.
A história é muito bacana e singela, de um amor e cumplicidade entre amigos e outro romântico não correspondido naquele momento, e sobre uma vontade sem apego, sem deixar de viver.
Meu primeiro filme para 2026, apenas lindo.
O Serviço de Entregas da Kiki
4.3 815 Assista AgoraEncantado como Miyazaki consegue transformar uma história infantil em algo incrivelmente profundo e mesmo selvagem nas nuances. O gato, a cidade, os amigos: tudo é capaz de acolher na mesma medida em que pode ferir.
Interessante também ver uma obra de um tempo em que a infância tinha outra leitura, menos "infantilizada", em que crescer também é sinônimo de liberdade e autonomia.
Perfeito!
Nausicaä do Vale do Vento
4.3 465 Assista AgoraA natureza apenas responde:
ataca, sente medo, mas também acolhe e cuida.
Curioso como Miyazaki é um admirador do vento e das águas.
A confiança e pureza que Nausicaä dispõe ao desconhecido é de uma generosidade digna de uma princesa de um vale utópico, em que apenas o que é humano é capaz de trair, prender, ameaçar e destruir, mas também reconsiderar e perdoar quando em harmonia e união.
Espirituoso, hiper atual e belo.
Muito Esforçado (1ª Temporada)
3.8 80 Assista AgoraApesar de ser um besteirol gay (o que por si já é uma reparação), muito tocado com a experiência.
Destaque para o episódio final e a cena
Em que o Peter aborda os demais personagens na festa (Benny, Carmen e Grace). Ao final, o personagem hétero foi o único que, mesmo fazendo tudo errado, consegue chegar nos lugares ditos ali como de sucesso (o emprego desejado, o reconhecimento na faculdade), reforçando seus privilégios. Mas esse lugar de sucesso aos olhos de todos é contraditório se comparado ao "fracasso" dos demais, que apesar de tudo não estão sozinhos. A série reforça muito a importância da amizade e do afeto verdadeiro, além do amor romântico.
A questão de que laços surgem mesmo quando tudo fracassa é incrível. Como diz a pedra da tia Linda: "A perfeição não tem graça".
Amei os títulos dos capítulos serem os nomes das músicas que tocam neles.
O Melhor Amigo
2.8 58Que filme divertido e leve, sem deixar de ser honesto na abordagem e nos sentimentos. Incrível como a música brasileira dos anos 80 combina com esse universo gay e solar em uma apropriação/ressignificação totalmente válida.
Acho que a questão do personagem principal ser um ex-gordo fica muito sutil, pode passar despercebido aos mais desatentos, mas muito legal estar ali.
Perlimps
3.1 19 Assista AgoraNossa, eu tô sem palavras...
Conheci Alê Abreu em Garoto Cósmico (seu primeiro trabalho) e foi um filme que mudou minha vida. Depois veio O Menino e o Mundo. E agora essa obra-prima.
A forma como o autor trabalha essa dicotomia entre o mundo "adulto" mecânico e o universo fantasioso da criança está em suas três obras. É uma honra ter essa sensibilidade no cinema nacional, essa valorização de tantos aspectos da nossa cultura (da Vanessa da Mata no primeiro filme, ao Emicida no segundo, ao Milton Nascimento neste).
Destaque para a não binariedade dos personagens e a esse tema tão caro em tempos atuais que é a importância das relações, em um mundo cada vez mais individualizante.
Aos perlimps, que eles continuem e se multipliquem por aí (tamo precisando) ✨
Star Wars: The Acolyte (1ª Temporada)
2.4 173 Assista AgoraUma pena ter tantos altos e baixos. Particularmente, gostei. Acho que o caminho de Star Wars é variar seu público e histórias mesmo. Visualmente, é linda! Ao meu ver, pecou na estratégia "Game of Thrones" de chocar/impactar, faltando desenvolver melhor os personagens e histórias.
His Dark Materials - Fronteiras do Universo (3ª Temporada)
3.9 70 Assista AgoraFantasia incrível, sensível, densa, e deu uma vontade gigante de ler os livros. Jamais imaginei ver tantos temas dessa forma numa obra infanto-juvenil, e sem medo de abordar assuntos tão polêmicos. Sem contar a direção de arte, que é sutil, mas gigante: é natural e não chama atenção para si, mas fizeram um trabalho enorme de criação de mundo, ferramentas e mecânicas.
Destaque para os personagens LGBT. Apesar de muito sutil, é de um simbolismo e mensagem incríveis.
É uma história muito complicada de ser feita, por abordar tantos temas e camadas. Então dada as limitações, é encantador que fizeram e com o máximo de cuidado que conseguiram. É ótimo poder ter contato com esse tipo de fantasia, e essas lições e aprendizados. O poder das boas histórias é de fato o sraf desse e de todos os mundo.
🌳🔭✨
Turma da Mônica: A Série
4.3 80Essa série alugou um leve clubinho na minha cabeça. Trata de questões profundas sobre aceitação, vida adulta, perfeccionismo, relação com os pais e amigos.
A cena do Cascão pulando na piscina arregaçou meu coração.
Guia Astrológico para Corações Partidos (2ª Temporada)
3.5 39 Assista AgoraFiquei tão tocado com essa série e com tudo o que ela representa. Ela consegue abordar vários clichês (da astrologia, das comédias românticas) e ainda trazer uma camada mais sensível e crítica, sendo leve. Amei o romance, e amei o final também.
Às vezes é isso, só depende de um "oi" (ou neste caso, um "ciao" 😊)!
Rua Guaicurus
3.2 7Fiquei curioso para saber quais histórias são verdadeiras, e onde começa a ficção nelas. O filme é direto ao ponto e faz boas reflexões.
Um Lugar ao Sol
3.1 41Em geral não coloco novelas aqui (por não acompanhar, não finalizar etc.), mas essa é uma que consegui seguir. Gosto da história central e das discussões levantadas, mas infelizmente com alguns desfechos ruins e pouco desenvolvimento do meio pro final.
No geral, a discussão "rico x pobre" e "querer ser rico" tem pontos fortes e um final que eu gostei (afinal, qual o lugar ao sol que devemos mesmo levar em conta?), mas com problemáticas. O lugar do rico é pouco questionado e a obra cai no realismo capitalista, mas ainda assim com boas pitadas de psicologia para refletir, pouco visto em obras tradicionais.
Matrix Resurrections
2.8 1,3K Assista AgoraÉ um crossover de Matrix com Sense8, achei maravilhoso!
Um filme para e por esses tempos. Fica a questão: quando e se houver, o que faremos da nossa segunda chance, da nossa ressurreição?
Looking for Alaska
4.1 92Calhou de ler o livro poucos dias antes de estrear no HBO Max, e estou chocado com a semelhança dos dois. Deixaram praticamente tudo.
O John Green tem uma escrita muito sensível e isso está nos detalhes. Confesso que ao ler eu não tinha entendido algumas dimensões que ao ver na tela fica mais "fácil" (de entender, mas mais difícil de acompanhar, pela densidade). O temperamento do Chip, a instabilidade da Alaska, a melancolia do Miles, a praticidade do Takumi, os trotes, tudo tem um motivo muito bem trabalhado para existir.
Experiência incrível, chorei toda vida, e boas reflexões pra guardar. De fato, não estamos aqui a passeio, toda energia produzida vem de algum lugar e vai pra algum lugar. O meio é o que muda tudo.
"Existe uma parte dela maior que a soma das partes conhecidas. E essa parte precisa ir a algum lugar, porque a energia uma vez criada nunca é destruída."
A Força de Grayskull: A História de "He-Man e os …
3.6 22Interessante ver que o He-Man só tem esses músculos fora do comum por questões puramente comerciais e de produto, porque era uma forma mais fácil do boneco ficar em pé sem cair, e também de se diferenciar no mercado (os outros bonecos não eram tão parrudos assim).
Não mostra no documentário (por ele ser de 2018), mas é curioso ver tudo isso sendo atualizado nos dias de hoje, com as histórias de She-Ra e o novo He-Man da Netflix, e ver que toda essa overdose de cores dos anos 80 pode passar diferentes mensagens, incluindo as mais afetuosas e diversas.
Sussurros do Coração
4.3 502 Assista AgoraVer esse filme foi uma experiência de ser transportado para um mundo mais simples. Um 1994 poético e de certa forma bastante funcional. É como se o trabalho, o estudo e a rotina não fossem um fardo, mas peças de um todo que se encaixa.
No livro "Por que amamos?", do Renato Nogueira, ele ressalta a importância de conhecermos nossa natureza antes de entrarmos em relações. Ele também escreve sobre o amor como estratégia de sobrevivência: um está ali para ajudar o outro a ser uma versão melhor de si, e vice-versa. Acho que o filme ilustra bem essas questões na relação entre Shizuku e Seiji.
A animação também começa com as cores escuras de uma noite de verão (achei inusitado, uma vez que os filmes do Ghibli são sempre tão claros) e termina no despertar de uma manhã, e isso é tão bonito.
Quando foi que viramos uma máquina de escassez e de não fazer sentido? Quando voltaremos a aproveitar os dias por eles mesmos? O sol ainda nasce lá fora, todas as manhãs. E quem nos desperta para vê-lo, a rotina por si só ou um grande amor?
Entre Abelhas
3.4 832De início, achei a moral do filme estranha, principalmente se você, assim como eu, passou boa parte esperando um "500 dias com ela" ou um "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". As temáticas se aproximam bastante, mas acho que o filme ainda conta com outro aspecto. Não é apenas sobre a relação romântica que não deu certo e sua possível superação, mas principalmente sobre a forma que o personagem lida com seus dilemas.
O filme passou a fazer sentido quanto vi outros comentários de não ser sobre um protagonista herói, mas um anti-herói.
É um filme sobre invisibilidade social e o quanto o protagonista é um c*zão. Ele está tão focado nos próprios dramas que passa a não enxergar mais nada além de si.
A própria moral do protagonista é questionável quando você vê que o único amigo que ele tem é um machista escrotão, quando ele sequer preocupa com os atendentes de um restaurante, o motorista do taxi ou a pessoa que ele atropela.
Curti o lance da cor vermelha, que está na figura da garota de programa, do batom que ela usa para marcar o telefone até a cadeira. Cores quentes na vida monocromática do personagem.
No fundo, as respostas para seguir com a própria vida também estão no outro, no coletivo, na novidade, basta ter olhos para ver.
Luca
4.1 785Que delícia de história, e que quentinho no coração!
É uma narrativa simples, sem raio azul no final, mas com mensagens gigantes: a amizade, a família (a que abandona x a que acolhe), os desencontros necessários para construção da identidade, o afeto que permanece.
Muito lindo acompanhar essa história de amor, de abraços, de carinho.
Saiamos do fundo do mar, paremos de comer as sobras, e voltemos ao desejo de descobrir o mundo (e as estrelas) e deixar bater o próprio coração!
His Dark Materials - Fronteiras do Universo (2ª Temporada)
4.1 81 Assista AgoraE de novo vamos de uma temporada excelente, mas...
que você sai totalmente destruído e sem rumo no último episódio. Queria colocar a série na lista de favoritos, mas esses eventos são amargos e traumáticos demais.
A sensação de você chegar no final de duas temporadas sem saber muito bem o que está acontecendo também é um pouco frustrante. Há uma camada muito densa por trás e subtextos importantíssimos, porém acho sem graça só segurar eles apenas pela emoção de guardar uma surpresa. A série se sustenta apenas no fato do espectador não saber sobre o que a série se trata? É estranho.
Um exemplo é o personagem do Boreal, cheio de mistérios na primeira temporada para encontrar o pai do Will (porque ele estaria à procura da faca sutil, como ele sabia disso?), sendo que o cara passava ali do lado da torre todos os dias, para depois a faca ser roubada por um garoto? Um suspense todo em cima de um personagem para depois revelar que ele só queria acumular riquezas e dar uns amassos?
No mais, ainda gosto bastante da série, da interação dos personagens e tudo mais. Só queria sair um pouco menos traumatizado da experiência - RIP Hester, Lee e cuidado familiar.
Deixe a Neve Cair
2.8 278 Assista Agora- Escute. As coisas acontecem. Coisas ruins. Doença, divórcio. É assustador. E recuar é uma defesa. Mas se você recuar, também perderá as coisas boas. Você entende? Sei que não falamos muito sobre isso, mas…
- Mãe, eu não posso deixar-la. E se…
- Você tem que viver a sua vida. E não colocar tudo em um contêiner para tentar controlar. Isso é impossível. Confie em mim. E sinto muito se não fui clara o suficiente sobre isso, mas… Eu quero ser agora. Quando a vida lhe oferece algo especial… você aceita.
Depois a Louca Sou Eu
3.4 147De alguma forma, sempre me identifiquei com os textos da Tati (ainda que especificamente hoje ela tenha sido "cancelada" pelo seu último na Folha). E acho que o filme conseguiu passar bem o ar de criança de classe média filha única e repleta dos dramas para conseguir ter a sua vida milimetricamente controlada. E é justamente com essa vertente que me identifico: com o filho que nasceu para suprir algumas necessidades afetivas dos pais embora fosse apenas uma criança com suas paranóias, com os dramas de ter uma mãe que também tem suas questões, com a pessoa que tem dificuldades em lidar com rejeições de todos os níveis. Ainda que tudo pareça uma grande frescura de gente burguesa, são questões honestas, e válidas dentro da sua honestidade.
Acredito que a questão dos remédios foi mais relatada como o grande drama e um vício mesmo. Por mais que eles sejam muito positivos para algumas pessoas terem suas vidas mais normalizadas, há efeitos colaterais e nenhum tratamento é livre de conflitos (nem a terapia, nem a constelação, nem os remédios). Não achei romantizado ou desleixado esse ponto, e é interessante saber que a personagem consegue chegar em um caminho dentro das suas tentativas (até porque não há um único possível e correto).
ps. a queda por homens loucos e o lance de que eles transam bem é real! 😬😅
Fuja
3.4 1,1K Assista AgoraSobre o final do final:
Não curti o lance da vingança. Serve como plot para satisfazer quem assiste, mas que mensagem ruim. Só mostra que a menina é tão psicopata quanto a "mãe".