Talvez seja o filme mais difuso do diretor, indo para vários pontos e não concluindo exatamente as histórias. Para cada "conto"/causo, não há exatamente um começo, nem um fim, e também quase não existe catarse, muito menos uma central ou uma que una todas as narrativas.
A cena em que todos os personagens da pensão dos refugiados estão conversando na sala, mais ali para o final, talvez seja um bom resumo da atmosfera do filme: a gente sequer sabe se aquilo que todos ali estão dizendo é verdade, a gente não sabe de onde eles são e muito menos o que acontecerão com eles, mas a gente sabe que todos ali estão tentando sobreviver, e mais que isso, carregar consigo aquilo que consideram mais importantes para viver: o filho, as amizades, o amor, os momentos de alegria, a própria identidade.
É uma história brutal, densa, cômica. Acho que tem filmes que não são para entender, mas para te fazer sentir algo. E esse consegue demais. Quando se é um agente secreto, o que realmente importa?
Existe toda uma vontade de viver dos personagens, na cidade, nas suas motivações, e isso é um resgate para os tempos atuais, de automatização/robotização/individualidades. As roupas, os costumes, os gestos, o cenário, a ambientação. É um trabalho de arte fantástico.
Amei as cenas que se tornam recortes num fundo branco. Dá pra perceber que é para economizar na animação, mas ficou tão lindo e poético.
A história é muito bacana e singela, de um amor e cumplicidade entre amigos e outro romântico não correspondido naquele momento, e sobre uma vontade sem apego, sem deixar de viver.
Encantado como Miyazaki consegue transformar uma história infantil em algo incrivelmente profundo e mesmo selvagem nas nuances. O gato, a cidade, os amigos: tudo é capaz de acolher na mesma medida em que pode ferir.
Interessante também ver uma obra de um tempo em que a infância tinha outra leitura, menos "infantilizada", em que crescer também é sinônimo de liberdade e autonomia.
A natureza apenas responde: ataca, sente medo, mas também acolhe e cuida.
Curioso como Miyazaki é um admirador do vento e das águas. A confiança e pureza que Nausicaä dispõe ao desconhecido é de uma generosidade digna de uma princesa de um vale utópico, em que apenas o que é humano é capaz de trair, prender, ameaçar e destruir, mas também reconsiderar e perdoar quando em harmonia e união.
Que filme divertido e leve, sem deixar de ser honesto na abordagem e nos sentimentos. Incrível como a música brasileira dos anos 80 combina com esse universo gay e solar em uma apropriação/ressignificação totalmente válida.
Conheci Alê Abreu em Garoto Cósmico (seu primeiro trabalho) e foi um filme que mudou minha vida. Depois veio O Menino e o Mundo. E agora essa obra-prima.
A forma como o autor trabalha essa dicotomia entre o mundo "adulto" mecânico e o universo fantasioso da criança está em suas três obras. É uma honra ter essa sensibilidade no cinema nacional, essa valorização de tantos aspectos da nossa cultura (da Vanessa da Mata no primeiro filme, ao Emicida no segundo, ao Milton Nascimento neste).
Destaque para a não binariedade dos personagens e a esse tema tão caro em tempos atuais que é a importância das relações, em um mundo cada vez mais individualizante.
Aos perlimps, que eles continuem e se multipliquem por aí (tamo precisando) ✨
Interessante ver que o He-Man só tem esses músculos fora do comum por questões puramente comerciais e de produto, porque era uma forma mais fácil do boneco ficar em pé sem cair, e também de se diferenciar no mercado (os outros bonecos não eram tão parrudos assim).
Não mostra no documentário (por ele ser de 2018), mas é curioso ver tudo isso sendo atualizado nos dias de hoje, com as histórias de She-Ra e o novo He-Man da Netflix, e ver que toda essa overdose de cores dos anos 80 pode passar diferentes mensagens, incluindo as mais afetuosas e diversas.
Ver esse filme foi uma experiência de ser transportado para um mundo mais simples. Um 1994 poético e de certa forma bastante funcional. É como se o trabalho, o estudo e a rotina não fossem um fardo, mas peças de um todo que se encaixa.
No livro "Por que amamos?", do Renato Nogueira, ele ressalta a importância de conhecermos nossa natureza antes de entrarmos em relações. Ele também escreve sobre o amor como estratégia de sobrevivência: um está ali para ajudar o outro a ser uma versão melhor de si, e vice-versa. Acho que o filme ilustra bem essas questões na relação entre Shizuku e Seiji.
A animação também começa com as cores escuras de uma noite de verão (achei inusitado, uma vez que os filmes do Ghibli são sempre tão claros) e termina no despertar de uma manhã, e isso é tão bonito.
Quando foi que viramos uma máquina de escassez e de não fazer sentido? Quando voltaremos a aproveitar os dias por eles mesmos? O sol ainda nasce lá fora, todas as manhãs. E quem nos desperta para vê-lo, a rotina por si só ou um grande amor?
De início, achei a moral do filme estranha, principalmente se você, assim como eu, passou boa parte esperando um "500 dias com ela" ou um "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". As temáticas se aproximam bastante, mas acho que o filme ainda conta com outro aspecto. Não é apenas sobre a relação romântica que não deu certo e sua possível superação, mas principalmente sobre a forma que o personagem lida com seus dilemas.
O filme passou a fazer sentido quanto vi outros comentários de não ser sobre um protagonista herói, mas um anti-herói.
É um filme sobre invisibilidade social e o quanto o protagonista é um c*zão. Ele está tão focado nos próprios dramas que passa a não enxergar mais nada além de si.
A própria moral do protagonista é questionável quando você vê que o único amigo que ele tem é um machista escrotão, quando ele sequer preocupa com os atendentes de um restaurante, o motorista do taxi ou a pessoa que ele atropela.
Curti o lance da cor vermelha, que está na figura da garota de programa, do batom que ela usa para marcar o telefone até a cadeira. Cores quentes na vida monocromática do personagem.
No fundo, as respostas para seguir com a própria vida também estão no outro, no coletivo, na novidade, basta ter olhos para ver.
Que delícia de história, e que quentinho no coração!
É uma narrativa simples, sem raio azul no final, mas com mensagens gigantes: a amizade, a família (a que abandona x a que acolhe), os desencontros necessários para construção da identidade, o afeto que permanece.
Muito lindo acompanhar essa história de amor, de abraços, de carinho. Saiamos do fundo do mar, paremos de comer as sobras, e voltemos ao desejo de descobrir o mundo (e as estrelas) e deixar bater o próprio coração!
- Escute. As coisas acontecem. Coisas ruins. Doença, divórcio. É assustador. E recuar é uma defesa. Mas se você recuar, também perderá as coisas boas. Você entende? Sei que não falamos muito sobre isso, mas…
- Mãe, eu não posso deixar-la. E se…
- Você tem que viver a sua vida. E não colocar tudo em um contêiner para tentar controlar. Isso é impossível. Confie em mim. E sinto muito se não fui clara o suficiente sobre isso, mas… Eu quero ser agora. Quando a vida lhe oferece algo especial… você aceita.
De alguma forma, sempre me identifiquei com os textos da Tati (ainda que especificamente hoje ela tenha sido "cancelada" pelo seu último na Folha). E acho que o filme conseguiu passar bem o ar de criança de classe média filha única e repleta dos dramas para conseguir ter a sua vida milimetricamente controlada. E é justamente com essa vertente que me identifico: com o filho que nasceu para suprir algumas necessidades afetivas dos pais embora fosse apenas uma criança com suas paranóias, com os dramas de ter uma mãe que também tem suas questões, com a pessoa que tem dificuldades em lidar com rejeições de todos os níveis. Ainda que tudo pareça uma grande frescura de gente burguesa, são questões honestas, e válidas dentro da sua honestidade.
Acredito que a questão dos remédios foi mais relatada como o grande drama e um vício mesmo. Por mais que eles sejam muito positivos para algumas pessoas terem suas vidas mais normalizadas, há efeitos colaterais e nenhum tratamento é livre de conflitos (nem a terapia, nem a constelação, nem os remédios). Não achei romantizado ou desleixado esse ponto, e é interessante saber que a personagem consegue chegar em um caminho dentro das suas tentativas (até porque não há um único possível e correto).
ps. a queda por homens loucos e o lance de que eles transam bem é real! 😬😅
Não curti o lance da vingança. Serve como plot para satisfazer quem assiste, mas que mensagem ruim. Só mostra que a menina é tão psicopata quanto a "mãe".
Fiquei me perguntando onde estes personagens estariam no Brasil atual, um país de sindicatos enfraquecidos, da carteira de trabalho verde e amarela, de "empreendedores" de aplicativos de corrida e entrega, um país dominado pela pós-política.
A igreja já não acolhe os trabalhadores e luta pela garantia dos seus direitos, a favela virou estética para ganhar likes, e a polícia continua sendo a polícia.
Já somos todos Tião, e já passamos fome, e não há mais amigos, apenas desconhecidos.
Cheguei aqui por indicação e precisei de um tempo para processar tudo.
Ainda somos um país construído nessa grande base de casas grandes e suas senzalas. Onde quem vive à margem não tem o direito de ser feliz, apenas ser mão de obra.
Porém, o filme traz outro retrato ainda mais verdadeiro e urgente: afinal, quem consegue mesmo ser feliz nessa pirâmide? O "dono" que nada mais é que um herdeiro de um sistema falido e cumpridor de regras que retalham sua existência, ou seus "súditos", que por já não terem tantos direitos, restam poucos deveres, sobra a liberdade (pelo menos parte dela).
É na margem que Jean encontra o afeto que procura. É na periferia que está a festa, uma família que acolhe seus filhos, e os sonhos.
Talvez seja por essa falta de perspectiva, de liberdades e de felicidade, que seja tão difícil para os "donos" da casa grande aceitar que a empregada possa sentir prazer no seu corpo e que os filhos das empregadas possam estudar e ser tão bem sucedidos quanto os seus.
No final, a classe média e a elite desse país talvez tenham tanta raiva das cotas, das universidades públicas de qualidade, das políticas de assistência, porque talvez estejam desamparados demais vivendo as próprias ilusões de privilegiados que já não são.
Vim pelo Boyega e continuei por ele: que homem! Amo muito suas representações de herói sem masculinidade frágil.
Mesmo que os personagens não sejam mega bem desenvolvidos e ainda por se tratar de uma história pró-bélica e militar, a realidade e o futuro de Pacific Rim em que mulheres lideram e um homem não tem nenhuma vergonha em dizer que o outro é bonitão já torna a sessão da tarde mais agradável e vale a pipoca!
Essa história me dói inteiro, e eu acho que não sei explicar onde.
Li "A hora da estrela" no colégio e guardo pouquíssima ou quase nenhuma lembrança, apenas a de que foi uma leitura difícil, mas que dizia sobre coisas que talvez eu ainda não entendia e que guardava certa angústia em entender.
Anos e algumas experiências depois, e um certo receio em ver o filme, me pego aqui, sentindo tudo, e mesmo já tendo acesso um pouco mais de onde, ainda seguro um certo medo em explicar o quê.
Acho que não tem palavras, ou muita explicação, apenas que dói. O mais profundo e crú do humano dói.
Terminei o filme com a sensação de "como eu queria ter um irmão assim", mas a magia não está no que poderia ser ou ter, mas no que já é, do jeito que é (e como potencializar isso).
Muito tocado com a amizade de Chu e Paul, e o quanto ele é direto e honesto na sua forma de expressar suas paixões. Enquanto Chu e Aster reproduzem nuances do amor ao compor canções, fazer belos desenhos e escrever textos requintados, Paul cozinha sem seguir receitas, levanta da mesa de supetão e fala direto o que sente.
Talvez tudo venha do mesmo lugar. E o texto requintado de um filósofo também possa ser redigido através de um trio de emojis, quem sabe...
O Último Azul
3.7 225 Assista AgoraEla queria voar, mas foi navegando que encontrou a própria liberdade.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraTalvez seja o filme mais difuso do diretor, indo para vários pontos e não concluindo exatamente as histórias. Para cada "conto"/causo, não há exatamente um começo, nem um fim, e também quase não existe catarse, muito menos uma central ou uma que una todas as narrativas.
A cena em que todos os personagens da pensão dos refugiados estão conversando na sala, mais ali para o final, talvez seja um bom resumo da atmosfera do filme: a gente sequer sabe se aquilo que todos ali estão dizendo é verdade, a gente não sabe de onde eles são e muito menos o que acontecerão com eles, mas a gente sabe que todos ali estão tentando sobreviver, e mais que isso, carregar consigo aquilo que consideram mais importantes para viver: o filho, as amizades, o amor, os momentos de alegria, a própria identidade.
É uma história brutal, densa, cômica. Acho que tem filmes que não são para entender, mas para te fazer sentir algo. E esse consegue demais. Quando se é um agente secreto, o que realmente importa?
Eu Posso Ouvir o Oceano
3.2 228 Assista AgoraExiste toda uma vontade de viver dos personagens, na cidade, nas suas motivações, e isso é um resgate para os tempos atuais, de automatização/robotização/individualidades. As roupas, os costumes, os gestos, o cenário, a ambientação. É um trabalho de arte fantástico.
Amei as cenas que se tornam recortes num fundo branco. Dá pra perceber que é para economizar na animação, mas ficou tão lindo e poético.
A história é muito bacana e singela, de um amor e cumplicidade entre amigos e outro romântico não correspondido naquele momento, e sobre uma vontade sem apego, sem deixar de viver.
Meu primeiro filme para 2026, apenas lindo.
O Serviço de Entregas da Kiki
4.3 815 Assista AgoraEncantado como Miyazaki consegue transformar uma história infantil em algo incrivelmente profundo e mesmo selvagem nas nuances. O gato, a cidade, os amigos: tudo é capaz de acolher na mesma medida em que pode ferir.
Interessante também ver uma obra de um tempo em que a infância tinha outra leitura, menos "infantilizada", em que crescer também é sinônimo de liberdade e autonomia.
Perfeito!
Nausicaä do Vale do Vento
4.3 465 Assista AgoraA natureza apenas responde:
ataca, sente medo, mas também acolhe e cuida.
Curioso como Miyazaki é um admirador do vento e das águas.
A confiança e pureza que Nausicaä dispõe ao desconhecido é de uma generosidade digna de uma princesa de um vale utópico, em que apenas o que é humano é capaz de trair, prender, ameaçar e destruir, mas também reconsiderar e perdoar quando em harmonia e união.
Espirituoso, hiper atual e belo.
O Melhor Amigo
2.8 58Que filme divertido e leve, sem deixar de ser honesto na abordagem e nos sentimentos. Incrível como a música brasileira dos anos 80 combina com esse universo gay e solar em uma apropriação/ressignificação totalmente válida.
Acho que a questão do personagem principal ser um ex-gordo fica muito sutil, pode passar despercebido aos mais desatentos, mas muito legal estar ali.
Perlimps
3.1 19 Assista AgoraNossa, eu tô sem palavras...
Conheci Alê Abreu em Garoto Cósmico (seu primeiro trabalho) e foi um filme que mudou minha vida. Depois veio O Menino e o Mundo. E agora essa obra-prima.
A forma como o autor trabalha essa dicotomia entre o mundo "adulto" mecânico e o universo fantasioso da criança está em suas três obras. É uma honra ter essa sensibilidade no cinema nacional, essa valorização de tantos aspectos da nossa cultura (da Vanessa da Mata no primeiro filme, ao Emicida no segundo, ao Milton Nascimento neste).
Destaque para a não binariedade dos personagens e a esse tema tão caro em tempos atuais que é a importância das relações, em um mundo cada vez mais individualizante.
Aos perlimps, que eles continuem e se multipliquem por aí (tamo precisando) ✨
Rua Guaicurus
3.2 7Fiquei curioso para saber quais histórias são verdadeiras, e onde começa a ficção nelas. O filme é direto ao ponto e faz boas reflexões.
Matrix Resurrections
2.8 1,3K Assista AgoraÉ um crossover de Matrix com Sense8, achei maravilhoso!
Um filme para e por esses tempos. Fica a questão: quando e se houver, o que faremos da nossa segunda chance, da nossa ressurreição?
A Força de Grayskull: A História de "He-Man e os …
3.6 22Interessante ver que o He-Man só tem esses músculos fora do comum por questões puramente comerciais e de produto, porque era uma forma mais fácil do boneco ficar em pé sem cair, e também de se diferenciar no mercado (os outros bonecos não eram tão parrudos assim).
Não mostra no documentário (por ele ser de 2018), mas é curioso ver tudo isso sendo atualizado nos dias de hoje, com as histórias de She-Ra e o novo He-Man da Netflix, e ver que toda essa overdose de cores dos anos 80 pode passar diferentes mensagens, incluindo as mais afetuosas e diversas.
Sussurros do Coração
4.3 502 Assista AgoraVer esse filme foi uma experiência de ser transportado para um mundo mais simples. Um 1994 poético e de certa forma bastante funcional. É como se o trabalho, o estudo e a rotina não fossem um fardo, mas peças de um todo que se encaixa.
No livro "Por que amamos?", do Renato Nogueira, ele ressalta a importância de conhecermos nossa natureza antes de entrarmos em relações. Ele também escreve sobre o amor como estratégia de sobrevivência: um está ali para ajudar o outro a ser uma versão melhor de si, e vice-versa. Acho que o filme ilustra bem essas questões na relação entre Shizuku e Seiji.
A animação também começa com as cores escuras de uma noite de verão (achei inusitado, uma vez que os filmes do Ghibli são sempre tão claros) e termina no despertar de uma manhã, e isso é tão bonito.
Quando foi que viramos uma máquina de escassez e de não fazer sentido? Quando voltaremos a aproveitar os dias por eles mesmos? O sol ainda nasce lá fora, todas as manhãs. E quem nos desperta para vê-lo, a rotina por si só ou um grande amor?
Entre Abelhas
3.4 832De início, achei a moral do filme estranha, principalmente se você, assim como eu, passou boa parte esperando um "500 dias com ela" ou um "Brilho eterno de uma mente sem lembranças". As temáticas se aproximam bastante, mas acho que o filme ainda conta com outro aspecto. Não é apenas sobre a relação romântica que não deu certo e sua possível superação, mas principalmente sobre a forma que o personagem lida com seus dilemas.
O filme passou a fazer sentido quanto vi outros comentários de não ser sobre um protagonista herói, mas um anti-herói.
É um filme sobre invisibilidade social e o quanto o protagonista é um c*zão. Ele está tão focado nos próprios dramas que passa a não enxergar mais nada além de si.
A própria moral do protagonista é questionável quando você vê que o único amigo que ele tem é um machista escrotão, quando ele sequer preocupa com os atendentes de um restaurante, o motorista do taxi ou a pessoa que ele atropela.
Curti o lance da cor vermelha, que está na figura da garota de programa, do batom que ela usa para marcar o telefone até a cadeira. Cores quentes na vida monocromática do personagem.
No fundo, as respostas para seguir com a própria vida também estão no outro, no coletivo, na novidade, basta ter olhos para ver.
Luca
4.1 785Que delícia de história, e que quentinho no coração!
É uma narrativa simples, sem raio azul no final, mas com mensagens gigantes: a amizade, a família (a que abandona x a que acolhe), os desencontros necessários para construção da identidade, o afeto que permanece.
Muito lindo acompanhar essa história de amor, de abraços, de carinho.
Saiamos do fundo do mar, paremos de comer as sobras, e voltemos ao desejo de descobrir o mundo (e as estrelas) e deixar bater o próprio coração!
Deixe a Neve Cair
2.8 278 Assista Agora- Escute. As coisas acontecem. Coisas ruins. Doença, divórcio. É assustador. E recuar é uma defesa. Mas se você recuar, também perderá as coisas boas. Você entende? Sei que não falamos muito sobre isso, mas…
- Mãe, eu não posso deixar-la. E se…
- Você tem que viver a sua vida. E não colocar tudo em um contêiner para tentar controlar. Isso é impossível. Confie em mim. E sinto muito se não fui clara o suficiente sobre isso, mas… Eu quero ser agora. Quando a vida lhe oferece algo especial… você aceita.
Depois a Louca Sou Eu
3.4 147De alguma forma, sempre me identifiquei com os textos da Tati (ainda que especificamente hoje ela tenha sido "cancelada" pelo seu último na Folha). E acho que o filme conseguiu passar bem o ar de criança de classe média filha única e repleta dos dramas para conseguir ter a sua vida milimetricamente controlada. E é justamente com essa vertente que me identifico: com o filho que nasceu para suprir algumas necessidades afetivas dos pais embora fosse apenas uma criança com suas paranóias, com os dramas de ter uma mãe que também tem suas questões, com a pessoa que tem dificuldades em lidar com rejeições de todos os níveis. Ainda que tudo pareça uma grande frescura de gente burguesa, são questões honestas, e válidas dentro da sua honestidade.
Acredito que a questão dos remédios foi mais relatada como o grande drama e um vício mesmo. Por mais que eles sejam muito positivos para algumas pessoas terem suas vidas mais normalizadas, há efeitos colaterais e nenhum tratamento é livre de conflitos (nem a terapia, nem a constelação, nem os remédios). Não achei romantizado ou desleixado esse ponto, e é interessante saber que a personagem consegue chegar em um caminho dentro das suas tentativas (até porque não há um único possível e correto).
ps. a queda por homens loucos e o lance de que eles transam bem é real! 😬😅
Fuja
3.4 1,1K Assista AgoraSobre o final do final:
Não curti o lance da vingança. Serve como plot para satisfazer quem assiste, mas que mensagem ruim. Só mostra que a menina é tão psicopata quanto a "mãe".
Eles Não Usam Black-Tie
4.3 321Fiquei me perguntando onde estes personagens estariam no Brasil atual, um país de sindicatos enfraquecidos, da carteira de trabalho verde e amarela, de "empreendedores" de aplicativos de corrida e entrega, um país dominado pela pós-política.
A igreja já não acolhe os trabalhadores e luta pela garantia dos seus direitos, a favela virou estética para ganhar likes, e a polícia continua sendo a polícia.
Já somos todos Tião, e já passamos fome, e não há mais amigos, apenas desconhecidos.
AmarElo - É Tudo Pra Ontem
4.6 349 Assista Agora"viver é partir, voltar e repartir" 💛
Tio Frank
3.9 248 Assista AgoraQ maridão!!! 🤗🤗🤗
Casa Grande
3.5 577 Assista AgoraCheguei aqui por indicação e precisei de um tempo para processar tudo.
Ainda somos um país construído nessa grande base de casas grandes e suas senzalas. Onde quem vive à margem não tem o direito de ser feliz, apenas ser mão de obra.
Porém, o filme traz outro retrato ainda mais verdadeiro e urgente: afinal, quem consegue mesmo ser feliz nessa pirâmide? O "dono" que nada mais é que um herdeiro de um sistema falido e cumpridor de regras que retalham sua existência, ou seus "súditos", que por já não terem tantos direitos, restam poucos deveres, sobra a liberdade (pelo menos parte dela).
É na margem que Jean encontra o afeto que procura. É na periferia que está a festa, uma família que acolhe seus filhos, e os sonhos.
Talvez seja por essa falta de perspectiva, de liberdades e de felicidade, que seja tão difícil para os "donos" da casa grande aceitar que a empregada possa sentir prazer no seu corpo e que os filhos das empregadas possam estudar e ser tão bem sucedidos quanto os seus.
No final, a classe média e a elite desse país talvez tenham tanta raiva das cotas, das universidades públicas de qualidade, das políticas de assistência, porque talvez estejam desamparados demais vivendo as próprias ilusões de privilegiados que já não são.
Círculo de Fogo: A Revolta
2.8 498 Assista AgoraVim pelo Boyega e continuei por ele: que homem!
Amo muito suas representações de herói sem masculinidade frágil.
Mesmo que os personagens não sejam mega bem desenvolvidos e ainda por se tratar de uma história pró-bélica e militar, a realidade e o futuro de Pacific Rim em que mulheres lideram e um homem não tem nenhuma vergonha em dizer que o outro é bonitão já torna a sessão da tarde mais agradável e vale a pipoca!
A Hora da Estrela
3.9 604 Assista AgoraEssa história me dói inteiro, e eu acho que não sei explicar onde.
Li "A hora da estrela" no colégio e guardo pouquíssima ou quase nenhuma lembrança, apenas a de que foi uma leitura difícil, mas que dizia sobre coisas que talvez eu ainda não entendia e que guardava certa angústia em entender.
Anos e algumas experiências depois, e um certo receio em ver o filme, me pego aqui, sentindo tudo, e mesmo já tendo acesso um pouco mais de onde, ainda seguro um certo medo em explicar o quê.
Acho que não tem palavras, ou muita explicação, apenas que dói.
O mais profundo e crú do humano dói.
Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica
3.9 667 Assista AgoraQue delícia de road movie e aprendizados 💙
Terminei o filme com a sensação de "como eu queria ter um irmão assim", mas a magia não está no que poderia ser ou ter, mas no que já é, do jeito que é (e como potencializar isso).
Foco, coração e entrega. (:
Você Nem Imagina
3.4 521 Assista Agora"nem toda história de amor é um romance..."
Muito tocado com a amizade de Chu e Paul, e o quanto ele é direto e honesto na sua forma de expressar suas paixões. Enquanto Chu e Aster reproduzem nuances do amor ao compor canções, fazer belos desenhos e escrever textos requintados, Paul cozinha sem seguir receitas, levanta da mesa de supetão e fala direto o que sente.
Talvez tudo venha do mesmo lugar. E o texto requintado de um filósofo também possa ser redigido através de um trio de emojis, quem sabe...
🍍🦉🐛