Não sei se vale um Oscar, mas certamente é um baita filme! O roteiro é dado às sutilezas, um prato cheio para olhos atentos. É lindo ver como a relação deles vai evoluindo de pouquinho em pouquinho, abordando temas pouco explorados dentro da temática, como a solidão negra. Levei pra vida a lição final sobre orgulho, com aquela frase do Tony sobre como o mundo está cheio de pessoas solitárias com medo de dar o primeiro passo. Me fez rir, me emocionou e me fez refletir: três ótimas reações a um bom filme, principalmente se em conjunto.
Podia ser só um filme leve e bobinho, com uma boa mensagem ao final. Mas nem isso! O final consegue ser ainda mais problemático que os incômodos surgidos ao longo das cenas... Não perca seu tempo!
1. Impressionante como as pessoas são capazes de reduzir problemas emocionais e psicológicos de uma personalidade tão complexa a meros problemas com drogas, tratados sempre com rehabs e nunca terapia ou algo do gênero.
2. Outra coisa que me chamou a atenção é como sempre se fala em uso de "álcool E drogas", como se o álcool não fosse uma... Inclusive, no caso dela, foi a substância que causou a sua morte, ao menos segundo o filme.
3. Nojo é a melhor palavra para definir o que sinto quando vejo o assédio que a imprensa comete com os grandes artistas. Confesso que dei razão mentalmente a ela em todas as vezes que ela agrediu um.
4. Ainda sobre o tópico 3, fico angustiada em ver o quanto nos dividimos entre não dar valor algum aos músicos - muitos lutando pra sobreviver disso, principalmente no Brasil - e sobrevalorizar os artistas mais famosos, invadindo a sua privacidade, elevando-os a patamares tão altos que desconsideramos a própria pessoa. Idolatrar alguém é a pior coisa que você pode fazer por alguém que você admira. A Amy foi mais uma vítima disso, mas os exemplos são muitos.
O Cidadão Ilustre conta a história de Daniel Mantovani, um premiadíssimo escritor que decide voltar pela primeira vez em 40 anos a sua pacata cidade natal Salas, a 6 horas de Buenos Aires, Argentina, para receber homenagens.
O filme acerta ao conseguir desenrolar sua trama com leveza e humor, sem deixar de abordar questões relevantes ao universo da literatura. Apesar da construção do personagem de Daniel não ser das mais originais – aquele clichê do escritor de meia idade, solitário e arrogante -, algumas sutilezas mais interessantes da sua personalidade acabam aparecendo, como na sua atenção com o recepcionista do hotel. Pra mim, demonstra toda a força e a beleza das relações desinteressadas.
Se por um lado as cidades pequenas podem ser pouco inspiradoras em termos de fotografia, para a narrativa concordo com Daniel que são ótimos temas, até mesmo por reproduzirem de maneira crua o que temos de pior na natureza humana. Ainda assim, me surpreendi que mesmo depois de tanto tempo ele continue escrevendo todas as suas histórias sobre Salas. Esse detalhe abre uma brecha para se pensar que talvez a sua relação com o passado não seja tão bem resolvida quanto tenta convencer.
O filme todo é um exagero, e pode confundir quem tenha o hábito de interpretar tudo literalmente. A narrativa a la Dom Casmurro deixa no ar perguntas sobre as fronteiras entre a realidade e a ficção na obra literária, mas principalmente essa: por que diabos isso é tão importante?
Recomendo o filme para escritores, aspirantes ou simplesmente para todos os admiradores de bom cinema.
Como eu falei na crítica, o filme brinca o tempo todo com as fronteiras entre realidade X ficção, e porque nós temos essa mania incessante de querer sempre saber qual parte é real ou não. Mas eu não fujo à regra, e esse tipo de pergunta acaba passando pela minha cabeça também.
No caso desse filme, estou convencida de que senão tudo, pelo menos a cena em que ele entra na picape do “amigo de infância” e as seguintes são completamente fantasiosas. Primeiro que a não ser que ele fosse suicida, ele nunca entraria em um carro com o namorado e o pai da garota que ele transou, ambos caçadores de animais assumidos. Segundo que a cena da estrada à noite vai mostrando uma a uma todas as pessoas de Salas que passaram a ter raiva dele ao longo do filme, demonstrando mais uma vez que aquilo não era real. E terceiro que se ele tivesse sido mesmo atingido por um tiro naquelas condições, 99% certo de que não poderia sobreviver para contar a história.
Tá, mas qual a teoria? Então, lembra que no início quando o carro quebra na estrada, ele conta uma história pro motorista, à meia-luz da fogueira? A história incluía justamente um assassinato no meio do nada e o irmão gêmeo barbudo tirando a barba para poder substituir o irmão sem barba. E não é que na última cena ele reaparece sem barba, como ele estava somente no início (na cena do Prêmio Nobel)? Calma, não tô dizendo que ele tem um irmão gêmeo do mal não, hahaha. Mas pra mim esse pode ser um sinal discreto de que todo esse período entre o início e o final é só o que precisa ser: uma boa história.
Sobre Vera: Mulher moderna, independente, que não gosta de fazer tarefas domésticas. Mora junto com seu namorado e ambos são escritores. No momento em que sua carreira começa a decolar, ganhando coluna fixa e elogios do chefe, os problemas em casa começam a aparecer. Parece impensável que, no casal, a mulher seja a mais bem-sucedida. Ela se vê, então, tentando mudar a si mesma para não perder o namorado. Olha pela janela da vizinha, de outra geração, que ajeita o terno do marido e faz a comida todos os dias. Fica com vergonha de comprar o livro de crochê, mas compra mesmo assim. O dia que resolve fazer comida, olha pela janela, esperançosa de que a vizinha fofoqueira dessa vez fofoque algo que a agradaria. Mas dessa vez ela não estava olhando. E nem tampouco o namorado estava em casa para comer seu arroz mal-temperado.
La Misma Sangre
2.8 31Adoro o cinema argentino e me interessei pela premissa do roteiro, mas o filme é bem caído - especialmente da 2ª metade para o final. Não recomendo.
Green Book: O Guia
4.1 1,5K Assista AgoraNão sei se vale um Oscar, mas certamente é um baita filme! O roteiro é dado às sutilezas, um prato cheio para olhos atentos. É lindo ver como a relação deles vai evoluindo de pouquinho em pouquinho, abordando temas pouco explorados dentro da temática, como a solidão negra. Levei pra vida a lição final sobre orgulho, com aquela frase do Tony sobre como o mundo está cheio de pessoas solitárias com medo de dar o primeiro passo. Me fez rir, me emocionou e me fez refletir: três ótimas reações a um bom filme, principalmente se em conjunto.
O Orgulho
3.4 43 Assista AgoraPodia ser só um filme leve e bobinho, com uma boa mensagem ao final. Mas nem isso!
O final consegue ser ainda mais problemático que os incômodos surgidos ao longo das cenas... Não perca seu tempo!
Amy
4.4 1,0K Assista Agora1. Impressionante como as pessoas são capazes de reduzir problemas emocionais e psicológicos de uma personalidade tão complexa a meros problemas com drogas, tratados sempre com rehabs e nunca terapia ou algo do gênero.
2. Outra coisa que me chamou a atenção é como sempre se fala em uso de "álcool E drogas", como se o álcool não fosse uma... Inclusive, no caso dela, foi a substância que causou a sua morte, ao menos segundo o filme.
3. Nojo é a melhor palavra para definir o que sinto quando vejo o assédio que a imprensa comete com os grandes artistas. Confesso que dei razão mentalmente a ela em todas as vezes que ela agrediu um.
4. Ainda sobre o tópico 3, fico angustiada em ver o quanto nos dividimos entre não dar valor algum aos músicos - muitos lutando pra sobreviver disso, principalmente no Brasil - e sobrevalorizar os artistas mais famosos, invadindo a sua privacidade, elevando-os a patamares tão altos que desconsideramos a própria pessoa. Idolatrar alguém é a pior coisa que você pode fazer por alguém que você admira. A Amy foi mais uma vítima disso, mas os exemplos são muitos.
OBS: tem no Netflix!
Mudbound: Lágrimas Sobre o Mississippi
4.1 328 Assista AgoraAvaliando do ponto de vista da emoção que provoca e das reflexões embutidas, com certeza é um grande filme. Mas as falhas no roteiro me incomodaram.
Passei o filme todo com a sensação de que eu estava ainda tentando entender algumas coisas, com vários fios soltos que não se resolveram nem ao final.
Adoro sutilezas, acho que elas dão elegância a um filme, mas quando não são bem-feitas deixam o espectador simplesmente confuso.
Lady Bird: A Hora de Voar
3.8 2,1K Assista AgoraBonitinho, no big deal.
Pra mim a lição mais importante do filme é a importância da gratidão aos nossos pais.
Trainspotting: Sem Limites
4.2 1,9K Assista AgoraO filme conseguiu a proeza de falar de drogas sem moralismo, mas também sem apologia.
Neve Negra
3.4 156Me recuso a perder ainda mais tempo do que eu já perdi assistindo esse filme para escrever uma crítica negativa elaborada.
Me limitarei a dizer que o filme se perde nos limites entre um drama familiar e um thriller. Acaba não sendo nem um e nem outro.
O Cidadão Ilustre
4.0 195 Assista AgoraNem só de Darín vive o cinema argentino.
O Cidadão Ilustre conta a história de Daniel Mantovani, um premiadíssimo escritor que decide voltar pela primeira vez em 40 anos a sua pacata cidade natal Salas, a 6 horas de Buenos Aires, Argentina, para receber homenagens.
O filme acerta ao conseguir desenrolar sua trama com leveza e humor, sem deixar de abordar questões relevantes ao universo da literatura. Apesar da construção do personagem de Daniel não ser das mais originais – aquele clichê do escritor de meia idade, solitário e arrogante -, algumas sutilezas mais interessantes da sua personalidade acabam aparecendo, como na sua atenção com o recepcionista do hotel. Pra mim, demonstra toda a força e a beleza das relações desinteressadas.
Se por um lado as cidades pequenas podem ser pouco inspiradoras em termos de fotografia, para a narrativa concordo com Daniel que são ótimos temas, até mesmo por reproduzirem de maneira crua o que temos de pior na natureza humana. Ainda assim, me surpreendi que mesmo depois de tanto tempo ele continue escrevendo todas as suas histórias sobre Salas. Esse detalhe abre uma brecha para se pensar que talvez a sua relação com o passado não seja tão bem resolvida quanto tenta convencer.
O filme todo é um exagero, e pode confundir quem tenha o hábito de interpretar tudo literalmente. A narrativa a la Dom Casmurro deixa no ar perguntas sobre as fronteiras entre a realidade e a ficção na obra literária, mas principalmente essa: por que diabos isso é tão importante?
Recomendo o filme para escritores, aspirantes ou simplesmente para todos os admiradores de bom cinema.
Teoria sobre o final:
Como eu falei na crítica, o filme brinca o tempo todo com as fronteiras entre realidade X ficção, e porque nós temos essa mania incessante de querer sempre saber qual parte é real ou não. Mas eu não fujo à regra, e esse tipo de pergunta acaba passando pela minha cabeça também.
No caso desse filme, estou convencida de que senão tudo, pelo menos a cena em que ele entra na picape do “amigo de infância” e as seguintes são completamente fantasiosas. Primeiro que a não ser que ele fosse suicida, ele nunca entraria em um carro com o namorado e o pai da garota que ele transou, ambos caçadores de animais assumidos. Segundo que a cena da estrada à noite vai mostrando uma a uma todas as pessoas de Salas que passaram a ter raiva dele ao longo do filme, demonstrando mais uma vez que aquilo não era real. E terceiro que se ele tivesse sido mesmo atingido por um tiro naquelas condições, 99% certo de que não poderia sobreviver para contar a história.
Tá, mas qual a teoria? Então, lembra que no início quando o carro quebra na estrada, ele conta uma história pro motorista, à meia-luz da fogueira? A história incluía justamente um assassinato no meio do nada e o irmão gêmeo barbudo tirando a barba para poder substituir o irmão sem barba. E não é que na última cena ele reaparece sem barba, como ele estava somente no início (na cena do Prêmio Nobel)? Calma, não tô dizendo que ele tem um irmão gêmeo do mal não, hahaha. Mas pra mim esse pode ser um sinal discreto de que todo esse período entre o início e o final é só o que precisa ser: uma boa história.
Moonlight: Sob a Luz do Luar
4.1 2,4K Assista AgoraMoonlight e a importância do afeto.
Eu sou sozinha
3.2 10Sobre Vera: Mulher moderna, independente, que não gosta de fazer tarefas domésticas. Mora junto com seu namorado e ambos são escritores. No momento em que sua carreira começa a decolar, ganhando coluna fixa e elogios do chefe, os problemas em casa começam a aparecer. Parece impensável que, no casal, a mulher seja a mais bem-sucedida. Ela se vê, então, tentando mudar a si mesma para não perder o namorado. Olha pela janela da vizinha, de outra geração, que ajeita o terno do marido e faz a comida todos os dias. Fica com vergonha de comprar o livro de crochê, mas compra mesmo assim. O dia que resolve fazer comida, olha pela janela, esperançosa de que a vizinha fofoqueira dessa vez fofoque algo que a agradaria. Mas dessa vez ela não estava olhando. E nem tampouco o namorado estava em casa para comer seu arroz mal-temperado.
2 Dias em Paris
3.3 152Filme longo, arrastado. Mostra a arrogância francesa e a americana, diferentes, mas igualmente irritantes.
O Mesmo Amor, a Mesma Chuva
3.8 132"O triunfo da esperança sobre a experiência"