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Últimas opiniões enviadas

  • Taís Menezes

    SENTA QUE LÁ VEM TEXTÃO (COM SPOILERS)

    O filme enquanto filme, por si só, é muito bom. O enredo, a personagem e o seu desenvolvimento, os pequenos simbolismos, cinematografia, etc.

    Porém acho que é importante discutir o impacto social, cultural e psicológico do filme. Nesse aspecto, considerando a situação sensível em que estamos nacionalmente e internacionalmente, acho que esse filme pode ter um impacto muito negativo. Acho que esse não foi o melhor momento para lançar esse filme, talvez teria sido melhor alguns anos atrás ou daqui a alguns anos.

    - REPRESENTAÇÃO DE PACIENTES PSIQUIÁTRICOS
    Eu sou uma pessoa que tem transtorno bipolar, em tratamento. Fui diagnosticada aos 19 anos (hoje tenho 24), mas desenvolvi o transtorno no início de adolescência por vários fatores (baixa socialização, abusos na infância, etc). Foi uma jornada de tratamento bem sofrida, em que médicos não pareciam saber o que estavam fazendo comigo e nem sempre os psicólogos pareciam se importar muito ou sabiam o que fazer ou dizer. No início do filme, quando o Arthur diz estar tomando 7 remédios que não funcionam para uma psicóloga inatenta e indiferente... aquilo foi bem real. O descaso de maus profissionais existe e é bem problemático. Eu desisti de tratamento com medicação duas vezes, mas hoje felizmente estou melhor e em tratamento.

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    Arthur claramente é esquizofrênico, em parte por consequência dos abusos que sofreu na infância e por ter crescido isoladamente com uma mãe também esquizofrênica. Os abusos que sofria na vida adulta claramente não ajudavam na situação, além de ele ser "inexistente" em sua própria vida (como ele mesmo relata se sentir pra psicóloga). O descaso em seu tratamento no filme é infelizmente bem real.


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    A falta de preocupação, investimento e de políticas públicas na área da saúde mental

    também é um problema muitas vezes real. Até aí tudo bem (sofrido de assistir, mas tudo bem).
    O problema é quando Arthur vira um serial killer. Entendo que é um filme da DC sobre o personagem clássico do Coringa. Sei que a ideia de que "os criminosos de Gotham são todos loucos" é algo bem estabelecido nesse universo. Porém, enquanto paciente psiquiátrica, eu to bem de saco cheio desse tipo de representação preconceituosa. Então nesse ponto, o filme me deixou bem triste.

    - A PERSONAGEM
    O Arthur, como ele mesmo disse, não liga pra política. Ele vive num mundo interno de fantasia, inerte e inexistente no mundo real. Não é à toa que ele diz ter sentido a vida inteira que ele não existia de verdade... porque ele nunca viveu. Ele queria existir, pertencer ao mundo, pertencer a uma comunidade, ser reconhecido, bem tratado, amado, respeitado. Coisas que não tinha em sua vida. Sua busca constante em tentar fazer os outros rirem era, de certa forma, uma tentativa de tentar se conectar, de estabelecer raízes e laços. Se ele fazia alguém rir, ele existia no mundo... mas isso não ocorria de verdade. O 'riso' do personagem tem também um simbolismo muito mais profundo do que isso, que se relaciona com o tratamento que recebeu da mãe a vida inteira, a proposta de ser sempre 'um bom menino', que sorri perante as dores e os abusos, que não luta, que não tem voz própria.

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    Quando ele mata os três homens no metrô

    é o primeiro momento em sua vida em que, ao resistir, ele "existe" no mundo. Ele saiu do mundo interno, deixou de ser passivo e teve uma influência no mundo exterior (mesmo que muito negativa). Não só isso, mas o mundo reconheceu a existência dele, mesmo que anonimamente: "ele" aparecia nos jornais e na televisão. Isso foi uma transformação revolucionária para o personagem que, junto aos cortes na área médica e a interrupção do pouco tratamento que ele recebia, culminam no início de um surto psicótico. Daí ele começa a transformar a si mesmo, a buscar ser a pessoa que sempre quis ser. Ele tenta stand-up comedy, ele se apaixona
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    (por mais que fosse uma alucinação)

    , etc.
    Além disso, para piorar ainda mais o seu surto psicótico,
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    ele descobre toda a verdade sobre a sua mãe e a sua verdadeira infância.

    Aí eu não sei analisar direito, mas ao meu ver
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    ele matar a própria mãe

    é uma forma de tentar apagar a ilusão de vida que ele havia criado na mente dele
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    com base nas mentiras da mãe

    e simultaneamente tentar apagar um passado que lhe era desagradável.

    Arthur mata pois encontra no assassinato uma forma de existir, de sentir e de 'resistir' (possivelmente alguma forma de projeção inconsciente

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    de não ter reagido aos abusos da infância e pelo reflexo de riso - sua mãe relatou não reconhecer os abusos em parte porque ele nunca gritava quando apanhava do namorado da mãe, só ria

    ). Os outros de Gotham, em meio a um problema social e econômico, projetam na figura daquele palhaço uma resistência SOCIAL. Arthur aceita o símbolo não porque concorda com essa ideologia, mas porque ele encontrou uma 'comunidade' que o exalta e o respeita. A "carapuça serviu". Porém, ao final do filme é possível perceber que embora Arthur esteja feliz de ter pessoas ao seu redor celebrando-o, ele tem uma tristeza enorme no olhar. Ao meu ver, ele só queria ser feliz, se sentir bem, se sentir aceito. É triste ele ter chegado a esse ponto para ser reconhecido e respeitado. É a única cena no filme em que ele está deitado machucado no chão e alguém ajuda-o a se levantar e se erguer.
    Além disso, ao final do filme tem uma enorme ironia no reencontro com a psicóloga (e pelo que eu entendi, é por isso que ele ri tanto na cena). Ele enlouqueceu em parte porque as verbas foram cortadas e ele perdeu o tratamento. Porém quando ele mata vários e é institucionalizado, o governo cobre o tratamento no instituto Arkham. Somente após uma carnificina ele tem acesso ao tratamento público novamente. Não só isso, mas com "a mesma psicóloga" (algo simbólico, alguém que não vai realmente ouvi-lo).
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    Ele a mata

    e o filme acaba.

    QUE CONCLUSÕES TIRAR
    Encarecidamente peço para que não associem pacientes psiquiátricos à violência.
    Acesso público e de qualidade ao tratamento de doenças psiquiátricas é muito importante. São muitos os pacientes de periferia que não tem tratamento, que são marginalizados por fazerem parte de minorias e serem humilhados e ignorados diariamente. Inclusão social honesta, ter uma comunidade, ter independência financeira e principalmente emocional são todos muito importantes na reabilitação desses pacientes.
    O Arthur não é um símbolo de resistência ou transformação social, ele é somente uma pessoa muito triste e perturbada que não recebeu a ajuda que merecia e precisava por descaso tanto do governo quanto da sociedade (que ao final exaltava-o).

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    Pau no cu das elite tudo, se fode aí wayne-pai

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    Se você leu tudo isso, você é um amorzin. Tenha uma ótima semana e não tenha medo ou vergonha de buscar ajuda. E ainda mais, não tenha medo de insistir em buscar ajuda de qualidade. :)

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  • Taís Menezes

    Que filme lindo! Eu não tenho dislexia, mas sou Asperger. Me relacionei com algumas mensagens do filme.

    Pessoalmente acho que é um pouco complicado na hora de trazer personalidades com a condição que são considerados gênios, porque a gente acaba criando essa pressão de que temos que ser "fenomenais apesar da condição/transtorno/distúrbio" e isso às vezes pode ser meio danoso. São poucos os que vão se exceder e entrar pra história. Só algo pra se ter em mente e não exagerar muito nessa narrativa. ^^

    Fora isso, o filme é bem político. No geral os pais indianos cobram total excelência de seus filhos.Tem vários momentos expositivos no filme que claramente são direcionados ao público leigo. Considerando o "papel social" que os filmes de Bollywood muitas vezes exercem, acho que esse filme deve ter tido um ótimo impacto na população.

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  • Alan Guimarães
    Alan Guimarães

    Oi, Taís, obrigado pelas curtidas das minhas listas de História Geral e de Antropologia, e quanto a de História Geral, tem também as minhas complementares de História do Brasil e Oriente Médio, dê uma olhada também. Abraços.

  • Giulia
    Giulia

    oi migaaaaa

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