É um filme muito bonito e sensível. É baseado em um livro de mesmo nome escrito por Denis Johnson. Acredito que a leitura do livro possa trazer alívio e resolução sobre dúvidas que o filme deixou em aberto.
É importante destacar que tanto o filme quanto o livro utilizam como base uma história de ficção, que se passa no início do século XX, uma época de intensas transformações sociais e tecnológicas nos EUA, a luz elétrica ainda estava sendo instalada nas cidades, então as pessoas ainda usavam muitas velas dentro das casas. As cidades ainda estavam em crescimento e recebiam trabalhadores de todos os lugares, era comum ver viajantes a trabalho e povos nativos juntos, muitas pessoas ainda moravam em cabanas rústicas de madeira que elas mesmas construíam nas florestas e bosques, naquela época muitas pessoas ainda faziam trabalhos manuais que exigiam muita força física e desgastavam a saúde porque ainda não existiam máquinas específicas e materiais mais leves, o progresso acontecia, mas era de maneira gradual. O ano indicado pelo filme é 1917.
No livro é explicado que o trabalhador chinês da ferrovia foi pego pelos outros trabalhadores porque era acusado de ser um
O sonho que Robert teve da esposa seria na verdade uma visita do fantasma dela que estaria mostrando exatamente o que aconteceu para consola-lo. A esposa dele mostra que
conseguiu tirar a Kate da cabana, mas acabou caindo, machucou as costas e não pôde mais correr, parece que o corpo dela nunca foi encontrado porque foi levado por um rio.
mesmo a Kate, que conseguiu sobreviver na floresta com os lobos
, mas que foi deixada para trás porque estava com a perna quebrada. Ela foge na manhã seguinte porque não conseguiu reconhecer ele.
No entanto, o encontro dos dois foi importante porque trouxe um pouco de consolo para ele e fechamento para a história, além de aliviar a culpa que ele carregava por não ter conseguido cuidar delas da maneira que acreditava ser a correta, principalmente porque conseguiu cuidar
uma coisa que a mãe dela não conseguiu fazer para se salvar,
e também aliviou a febre dela que acontecia devido ao ferimento.
O filme até mostra ele tentando procurar ela, mas depois também mostra que ele para, porque compreendeu que fez o que podia.
As atuações do Joel Edgerton e da Felicity Jones são muito boas, assim como a do ator William H. Macy.
Em geral, acredito que o filme quis passar a mensagem que é importante aproveitarmos o tempo que temos com as pessoas que são importantes para nós, porque nunca sabemos se teremos um próximo encontro. Além disso, é um filme realista porque mostra que nem sempre todas as fases da vida serão boas, muitas delas podem ser marcadas por tragédias e nem sempre a próxima fase será melhor ou irá trazer algum tipo de compensação pela fase difícil anteriormente vivida, às vezes a vida somente continua. ♡
A narração deste filme, assim como as histórias dos personagens que o Robert conhecia pelo caminho da vida, me fizeram lembrar da narração e da conclusão do filme O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) e a da tragédia a do filme Manchester By The Sea (2016). ♡
"Hamnet" é o filme mais bonito das premiações deste ano e considero o melhor. ♡
Sem o Teatro não teríamos o Cinema. A trilha sonora, a fotografia, a direção e as atuações deste filme são maravilhosas. É um filme muito emocionante que mostra como é possível superar o luto e os traumas da vida de maneira saudável através da Arte.
Ps. "Hamnet" Venceu o Globo de Ouro de "Melhor Filme". 🏆♡
Esse filme é um dos meus favoritos, assistia muito quando era criança e adolescente, porque estava em uma fase de assistir aos filmes do John Cusack e filmes dos anos 80. Fiquei feliz quando consegui comprar o DVD. ♡
Ele fala de música, sonhos e amor. Como muitas vezes às pessoas acreditam que para encontrar a felicidade precisam ir muito longe, mas ela pode estar em todo lugar e que é possível encontrá-la principalmente ao lado da nossa família de origem e das amizades de verdade.
Dos filmes clássicos do John Cusack, a TV costumava passar mais o filme "Alta Fidelidade", baseado no livro do Nick Hornby, que é muito bem escrito. Porém, lá o personagem dele é meio confuso, porque teve muitos relacionamentos e fica analisando todos eles utilizando a música como pano de fundo. Entretanto, como queria saber mais sobre as músicas, as imagens de tantos relacionamentos e relatos me cansaram um pouco, inclusive desisti de assistir o filme algumas vezes por causa disso. Então, prefiro esse filme de 1989 porque é mais simples, sincero e direto.
"Digam o que Quiserem" (1989) é mais interessante porque o personagem dele é mais corajoso e esforçado para ficar com a moça. A atriz que faz a personagem principal também fez uma boa atuação. ♡
Os diálogos desse filme também são melhores:
- "You're not a guy." - "I am." - "No, no. The world is full of guys, be a man. Don't be a guy." ♡
"Anora" é um filme realista e bem escrito que busca dar visibilidade para uma população historicamente estigmatizada, desde a Antiguidade, usada de diversas formas, tratada com pouca dignidade e que costuma receber pouca ou nenhuma compaixão da sociedade.
É um filme de diversas biografias, pois ele conta a história de milhares de pessoas.
Entendo que muitos possam ter ficado decepcionados porque acreditavam que a Demi Moore deveria ter ganhado um prêmio pelo seu papel em "A Substância", mas aquele é um filme de terror com uma história irrealista. Não existe nenhuma substância capaz de rejuvenescer as pessoas ou criar uma versão mais jovem e melhorada delas, a própria atriz que fez a versão jovem dela no filme afirmou que usou próteses de corpo, porque não existe corpo perfeito.
As pessoas são como elas devem ser, todos nós vamos envelhecer e isso não deve ser nenhuma vergonha, drama ou um conto de "terror". O envelhecimento é um processo natural do nosso corpo.
O filme toca em um tema muito importante que é o etarismo, mas dá uma solução dolorosa, violenta e inútil. Além disso ele não soube a hora de parar, ficando extremamente desagradável, até filmes de terror precisam saber a hora de parar.
"Anora" é um filme realista e bem escrito que conta uma história comum de milhares de mulheres e busca dar visibilidade para personagens estigmatizados e que sofrem diversos tipos de violência e humilhações, são pessoas simples que são usadas e enganadas de várias formas, geralmente desde jovens, possuem poucas oportunidades na vida e recebem pouca compaixão, isso é real.
A Demi Moore realmente poderia receber um Oscar e acredito que um dia ela possa recebê-lo, mas seria por outro trabalho ou pela carreira que ela trilhou. Ademais, ela recebeu diversos prêmios importantes por este filme, então não ficou sem nada.
Acontece que, o papel da Mikey Madison é mais desafiador, exigiu mais pesquisa e treinamento.
Por fim, talvez o filme "Anora" não fosse tão aclamado se não fosse pela interpretação que ELA fez, isso é, se fosse outra atriz no lugar dela talvez o filme não conseguisse obter êxito, inclusive podendo passar uma mensagem diferente da que pretendia.
O filme "Anora" venceu 5 prêmios Oscar, entre eles Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Melhor Direção e Melhor Filme e realmente foi.
O "Melhor Filme" é aquele que reúne mais atributos, não apenas um.
A Academia foi sensível e reconheceu a atriz responsável por segurar o filme, ao lado de outros atributos, o que muitas vezes não acontece.
"Flow" é um filme muito bonito e simbólico. A história se passa em um mundo pós-apocalíptico, a terra passou por um grande dilúvio e todas as civilizações desapareceram, só restaram os animais e as florestas que lutam para resistir à força das águas, visto que as raízes das árvores apodrecem aos poucos devido ao excesso de água que invade e retrocede no seu espaço várias vezes ao longo dos dias.
Das civilizações humanas só restaram as construções. Neste sentido, a animação mostra construções com diversos estilos arquitetônicos, com ênfase nos estilos arquitetônicos da cultura europeia, mas elas aparecem como ruínas.
O filme deixa explícito através de um simbolismo de uma estátua de mão que pede ajuda em meio às águas o destino de todos os seres humanos. Provavelmente, devido às mudanças climáticas, o nível dos oceanos aumentou e invadiu os continentes, pois para surgir tanta água deve ter ocorrido o derretimento das calotas polares.
Neste contexto, acompanhamos primeiramente um gatinho solitário fazendo suas atividades cotidianas até o momento em que ocorre uma enchente, mas são apresentados mais animais ao longo da história que se tornam companheiros do gatinho e que apoiam uns aos outros na luta pela sobrevivência, são eles: uma capivara, um lêmure, uma ave secretário, um cachorro labrador e uma baleia.
É interessante notar que esses animais são característicos de diferentes partes do mundo, a capivara é um animal típico da América do Sul, enquanto o lêmure é um primata típico da África assim como a ave secretário, já o cão labrador representaria os países do hemisfério norte. Além disso, eles representariam todos os animais terrestres, aquáticos e do ar juntos em um barco.
Os animais possuem suas próprias personalidades, mas penso que elas estão evoluindo conforme o fluxo acontece, como o fluxo das águas é crescente, sendo a ave secretário a mais sábia dos animais, pois é ela que conduz o barco em que os animais precisam entrar para sobreviver à enchente e sabe exatamente para onde deve ir, principalmente após sofrer uma injusta punição por "traição" ao tentar defender um amigo.
Quando a ave chega neste local sagrado, que representaria um templo, ela somente espera a
Para quem acredita em Astrologia, o nome científico da ave secretário é Sagittarius serpentarius. O signo de Sagitário é considerado nesta área de estudo "o mais sábio" do Zodíaco e serpentarius é uma constelação que faz parte do signo de Sagitário, que também é considerado um "guia espiritual", porém somente quando está na alta vibração e isso é raro (por isso somente uma ave desta espécie se destacou no filme) Inclusive, muitos padres possuem este signo forte no mapa, com vários posicionamentos de planetas, sendo um dos mais famosos o Papa Francisco.
O gatinho quase vai com a ave secretário neste caminho de
, mas ele ainda não está pronto e precisa ficar, pois ainda teme o desconhecido e é apegado ao mundo material.
Os demais animais que ainda estão no barco com ele, que lembra uma arca de Noé que reúne espécies diferentes de animais ainda que em menor número, também são ainda muito apegados aos prazeres do mundo material: a capivara só vive dormindo, enquanto o feliz labrador só quer brincar e o lêmure só pensa em acumular posses, situação que impede qualquer um deles de poder guiar o barco da vida.
Penso que o filme quis mostrar que após o dilúvio, os animais do mundo inteiro precisaram se unir e aprender a conviver uns com os outros.
O filme traz diversas mensagens importantes sobre respeito às diferenças e sobre a resiliência em tempos difíceis, mas acima de tudo ele fala sobre o poder da cooperação e da verdadeira amizade.
O filme não possui diálogos, mas consegue ser super compreensível.
Não vou me estender muito no comentário, pois este filme precisa ser assistido por todo mundo. Recomendo ♡
P.s: "Flow" venceu o Oscar de 2025 de "Melhor Animação" 🏆♡
"A Real Pain" é um filme sobre a dor de sentir que não tem nada ou sentir um vazio em relação aquilo que lhe falta, uma ausência que dói de verdade (a real pain) e que ocorre de maneira diferente em cada pessoa.
O filme conta a história de dois primos que estão viajando a turismo até a Polônia, buscando se reconectar com as suas raízes judaicas em homenagem a avó deles e também para passarem um tempo juntos.
O destaque do filme vai totalmente para o personagem do Kieran Culkin, que deveria ser coadjuvante, mas acaba sendo o ator principal.
Para quem não entendeu o personagem do Kieran Culkin:
- Ele não tem celular, por isso não atende as ligações e não tem como ouvir as músicas que gosta durante o banho.
- Ele manda as encomendas para o hotel porque não tem endereço fixo.
- Ele não tem amigos porque é muito "sincero" e instável emocionalmente. Acredito que a sinceridade dele está mais associada à frustração, mas acima de tudo: ele é muito sensível.
- Ele tem depressão, por isso se intoxica com substâncias mesmo sem aparentar necessidade de utilizá-las e também tem insônia.
- Não é possível dizer se ele é bipolar, mas ele apresenta frequentes estágios de euforia seguidos de depressão, mas pode ser que ele fique eufórico em público para esconder a tristeza.
- Ele se sente sozinho porque não conseguiu constituir família e inveja o primo por isso.
- Ele não tem um plano.
"A Verdadeira Dor" é um filme interessante, o roteiro é bem simples.
Aborda os temas de turismo em lugares de grande importância histórica, relações familiares, saúde emocional, a inveja e a comparação.
As falas dos personagens não são muito elaboradas, pois eles não são desenvolvidos, mas apenas observam os acontecimentos e participam das atividades propostas, não chegamos a conhecer nenhum deles de forma aprofundada exceto pela cena inicial da reunião em grupo.
As cidades polonesas visitadas são lindas e o filme consegue contar uma história utilizando como fundo a trilha sonora de Chopin, um pianista polonês que nasceu em uma aldeia próximo de Varsóvia, cidade que os primos passam a maior parte do filme conhecendo com o grupo de turismo, portanto, a escolha de Chopin se trata também de uma homenagem a esse compositor, à cidade de Varsóvia (reconstruída após a Guerra) e à Polônia, a casa deles.
"O Brutalista" é um filme regular. É sobre a história de um arquiteto de origem judaica que foge para os EUA no período pós-guerra, em busca do "sonho americano".
Entretanto, o filme logo inicia mostrando a estátua da liberdade de cabeça para baixo, explicitando que essa expectativa do personagem será alterada ao longo da obra.
É importante destacar que o personagem interpretado por Adrien Brody é fictício, isto é, ele e essa história nunca existiram de verdade.
Logo, o filme não se trata de uma biografia sobre um homem que sofreu e "venceu" as adversidades da vida, apesar dela ser inspirada na vida de imigrantes judeus que conseguiram alcançar uma carreira de sucesso na América.
Acontece que o filme é historicamente impreciso, apela para diversas cenas de sofrimento desnecessárias e que não retratam a realidade de arquitetos judeus que chegaram na América no período pós-guerra de maneira fidedigna, visto que a própria comunidade de arquitetos norte-americanos de origem judaica criticou esse filme publicamente.
A verdade é que a carreira de "arquiteto" no começo do século XX era praticada por uma parte muito pequena da população, tanto na Europa quanto nos EUA. As pessoas que conseguiam estudar e atuar como arquitetos eram de famílias bem estruturadas financeiramente e que possuíam estudos. Os judeus estavam dentro dessa população e muitos conseguiram fugir para os EUA e também encontraram poucas pessoas que conseguiram se formar e atuar nesta área. Naquela época, também não existiam muitas mulheres arquitetas, era uma carreira realmente restrita.
Então, a maioria deles que chegavam da Europa, sobretudo aqueles que tiveram uma formação de excelência e oportunidade de estudar na Escola Bauhaus conseguiram trabalhar como arquitetos sem muita dificuldade ou sofrimentos.
É claro que eles sofreram preconceitos, mas não passaram tanto sufoco como o personagem de Adrien Brody aceita passar na mão de uma única família que dá calote nele duas vezes e o abusa de diversas formas.
Não é mesmo lógico, que um grupo que buscava fugir do sofrimento e abusos aceitasse sofrê-los por anos, como ocorre neste filme, de forma gratuita, como se vivesse em um campo de concentração. Assim, como a maioria conseguiu oportunidades de trabalho devido à baixa competividade e boa disponibilidade de vagas eles permaneceram nos EUA.
Além disso, neste filme há diversas cenas que não fazem muito sentido como quando a esposa do personagem do Adrien Brody está com uma crise de dor e ao invés de levá-la para o hospital, o personagem prefere tomar outra decisão e somente depois que algo ruim acontece é que ele a leva ao hospital. Geralmente, em uma emergência a ordem é e deve ser inversa.
O filme também tenta passar a ideia de que ele era um "gênio incompreendido e visionário" de alguma forma, por ele ter estudado em uma escola muito difícil e renomada, no entanto, ele não saber que precisava levar a esposa no médico é meio confuso e a escolha dele por administrar substância sem respaldo médico é ainda mais, levando em consideração que ele sabia que ela lhe fazia mal.
Além disso, tivemos esse ano o filme "Gladiador II", também indicado ao Oscar, que mostrou justamente esse tipo de medicamento sendo administrado por um médico na Roma Antiga, mostrando que esse é um conhecimento antigo, milenar.
Assim, entendo que o personagem do Adrien Brody já poderia estar dependente da substância e poderia não estar sabendo tomar boas decisões, mas mesmo sem estar sob efeito dela ele poderia ter levado a esposa no médico antes, então essa "genialidade" dele é meio questionável.
Ainda sobre a personagem da Felicity Jones, é mais mostrada uma obsessão da parte dela para com o personagem do Adrien Brody do que de cuidado da parte dele para com ela, que estava muito doente, podemos citar a cena em que ele corre com a cadeira dela e a cena do jantar em que usando um andador ela que tem que o defender e acaba sendo arrastada
pelo chão, após sofrer uma overdose induzida por ele,
enquanto ele fica escondido em algum lugar.
Além das cenas em que ela, uma esposa bonita, praticamente precisa se oferecer para eles dormirem juntos enquanto ele fica todo agoniado, começa a chorar e só aceita tocar na esposa se estiver intoxicado, geralmente isso também ocorre de maneira inversa, visto que os homens se intoxicam para dormir com as esposas que eles não acham mais atraentes.
As demais interpretações estão boas, mas não me convenceu a história do
do personagem do Adrien Brody e a sua passividade no dia seguinte, pareceu uma situação contraditória, visto que o filme ficou anteriormente passando várias cenas dele sendo "valentão" fumando um cigarro e quase entrando em briga com funcionários grandes.
Ademais, parece que a ação em si era mais uma punição por inveja que o personagem do Guy Pearce sentia pelo arquiteto, só que o personagem do Adrien Brody era maior que ele, é estranho imaginar que ele aceitou isso e continuou trabalhando. De qualquer forma achei a cena apelativa e de uma violência desnecessária, não precisava estar no filme.
A violência do filho rico, interpretado pelo Joe Alwyn, também era irracional, mas ele também parecia um predador como o pai e agia com base no medo de perder tudo, mas acabava perdendo por agir assim, ele mesmo acabava se sabotando, pois na realidade é mais fácil ganhar respeito agindo certo do que agindo errado.
A fotografia do filme é interessante, tenta trazer a ideia de "grandeza", mas o projeto arquitetônico apresentado no filme é bem simples. Essa ideia funciona melhor com a trilha sonora.
Outrossim, parece que os desenhos do projeto foram feitos pelo computador ou algo assim, denunciaram isso na mídia, se isso for verdade para um filme de época que fala sobre originalidade, arte e valorização do profissional isso acaba sendo uma grande falta de noção, pois poderiam apenas ter contratado um arquiteto para desenhar o projeto, assim como contrataram um dublê desenhista para o filme "Titanic" (1997).
A trilha sonora de "O Brutalista" combina com o filme, penso que ele ganha mais expressividade devido ao som, principalmente porque a equipe escolheu colocar "abertura" e "intervalo", como ocorre em filmes como em "... E o Vento Levou" (1939), considerados "épicos" e parece que essa era a intenção.
Assim, se não tivesse esta trilha sonora acompanhando o filme, ele seria bem parado e difícil de assistir, principalmente pelo fato dele ter mais de 3 horas de duração, o que também considero desnecessário, visto que diversas cenas poderiam ter sido cortadas na edição como a cena do
Por fim, acredito que o personagem do Adrien Brody passou por muita dor, sofrimento e choro para construir um prédio feio, frio e vazio que no final parece ter virado cena de crime.
Na homenagem feita em um evento de arquitetura na Itália só mostraram esse projeto, fazendo parecer que ele não fez mais nada na vida depois daquilo e que aquilo foi o ponto alto na carreira dele, em um discurso fraco e nada convincente.
Pareceu uma tentativa de fazer um "Oppenheimer arquiteto" ou uma continuação de "O Pianista" só que com um sofrimento sem fim.
É um bom filme, realmente é bem longo, mas possui história suficiente para ocupar este tempo.
Lembra o filme "Tarde Demais" (1949), com a Olivia de Havilland, inclusive a atriz Lily Gladstone é parecida com ela, ambas possuem o mesmo olhar e as cenas finais das duas são semelhantes nos dois filmes. Gostei da escolha dessa atriz.
Em contrapartida, o filme possui problemas de edição. A primeira parte do filme é interessante, pois descreve o contexto histórico das famílias e de toda a situação criminosa que ocorria no local que necessitava de investigação.
Entretanto, a segunda parte é muito extensa e poderia ter sido reduzida, pois deu um grande foco nos diálogos e planos dos assassinos. Acredito que a maioria das pessoas já tinha entendido a intenção deles desde os primeiros minutos, inclusive a personagem feminina principal: interesse no dinheiro deles.
Na segunda parte do filme, o protagonismo indígena se torna secundário, eles perdem tempo de tela e só aparecem para serem manipulados e sofrer. Não gostei dessa parte, pois mostrou muito abuso e poucas cenas de indignação, parecia mais um filme de máfia do Scorsese.
A terceira parte, envolvendo o surgimento do FBI e as cenas de julgamento, retoma o ritmo do filme. O nome do J. Edgar Hoover, primeiro diretor do FBI, foi citado várias vezes, mas ele não aparece em nenhuma cena. Coincidentemente, o ator Leonardo DiCaprio fez um filme sobre ele, em que ele era J. Edgar Hoover, o nome do filme é "J. Edgar" (2011), o diretor foi o Clint Eastwood. Além disso, o aparecimento dos atores Brendan Fraser e Jesse Plemons melhora o andamento do filme.
O final do filme é corrido, gostei da homenagem ao rádio, mas acredito que era necessário ter dado mais atenção para o desfecho mostrando as cenas, pois ficou meio "Orson Welles narrando Guerra dos Mundos", isto é, o assunto ficou meio teatral, como se a história do filme fosse baseada em ficção, sendo uma radionovela. Assim, apesar do diretor aparecer no final, a cena poderia ter sido mesclada com cenas que retratassem os fatos narrados, elas poderiam ser narradas só por ele.
O roteiro é bom, é adaptado de um livro de mesmo nome, mas o filme passou a mensagem que estava mais interessado em mostrar os assassinos ambiciosos e as interpretações de Leonardo DiCaprio e Robert De Niro do que defender os indígenas, pois a maior parte do tempo de tela é ocupada por eles, os indígenas são mostrados como pessoas extremamente ingênuas e manipuláveis, que aceitavam as injustiças de forma passiva a maior parte do tempo.
A trilha sonora é sombria e é utilizada como um "Bolero de Ravel", mas acredito que eles poderiam ter utilizado mais músicas folk indígenas, pois com certeza existiam centenas e isto evitaria a utilização da mesma música várias vezes. Visto ser um filme que fala dos indígenas, seria legal ter utilizado as músicas folclóricas dos indígenas.
Em resumo, é uma história triste, pesada, como citado, chegou um momento que parecia mais um filme de máfia que o Scorsese fez no passado, mas acredito que realmente foi um problema de edição.
Dessa forma, este filme retrata uma história importante e que precisava ser contada.
"Vidas Passadas" é do tipo de filme que abre muitas ilusões nas pessoas, mas também pode ajudar a fechar.
"Almas Gêmeas", no sentido amoroso, são aquelas pessoas que escolhem ficar juntas e são felizes juntas, porque elas se complementam.
O casal de amigos mostrado neste filme vive se separando e por longos períodos de tempo, é uma vida de ausência, tão ausente que é possível construir uma vida dentro desta ausência, e foi o que aconteceu.
Logo, eles não eram "almas gêmeas" no sentido amoroso, pois é impossível ter um relacionamento estável assim. A amizade deles era alimentada por memórias e muitas suposições, que geravam estagnação mental e depois causaram sofrimento em ambos.
O filme mostra a história de amigos que vivem só de memórias da infância e projeções do passado, que idealizam como a vida poderia ter "sido", mas não foi e não é.
As pessoas possuem uma inclinação para romantizar e idealizar amores passados não concretizados, mas muitas vezes é necessário se curar e seguir em frente. É fácil falar isso e complexo de exercer, mas é a verdade.
Aceitar fins de ciclo é difícil, mas cada pessoa que passa pela nossa vida tenta ensinar algo, mesmo que de forma inconsciente, mesmo que ela não saiba que ensinou, são poucas as que conseguem fazer isto, por isto elas ficam na nossa memória e se a presença delas foi intensa, talvez vamos lembrar com detalhes da sua passagem.
O homem que casou com ela e a escutou falar de pessoas do passado era o verdadeiro "destino" dela, pois só uma pessoa que ama a outra tem paciência suficiente para aguentar este tipo de situação e não ir embora. Além disso, ele nunca se esquivou de responsabilidades e prestou atenção em detalhes importantes, se esforçando para manter o relacionamento, como aprender o idioma dela. Enquanto o amigo, quando questionado sobre a possibilidade de visitá-la elencou uma lista de prioridades pessoais, sendo que a primeira não incluía vê-la.
Desde o início do filme o amigo disse que só estava com "saudade", depois estabeleceu um prazo muito grande para vê-la e por fim disse que estava de "passagem". Essas não são atitudes muito firmes e nem que conferem a ideia de "permanência".
Acredito que o filme quis ensinar a ficarmos com as pessoas que permanecem conosco.
Se duas pessoas não ficam juntas, nem por todo diálogo, memória afetiva ou esforço do mundo, elas não são almas gêmeas, no sentido amoroso. Se elas se afastam, mas realmente é "destino", elas se reencontram e ficam juntas sem muito drama, é simples.
Ficar pensando em amores do passado não concretizados gera estagnação, alimenta ilusões, é desrespeitoso com os parceiros atuais, mesmo que eles sejam compreensivos, e não torna aquela situação "destino", isto não faz nem sentido, porque o "destino" da protagonista direcionou ela para outros caminhos.
O passado pode ser consultado nos momentos certos, mas não pode dirigir a vida das pessoas, pois é o presente que determina o futuro e não o passado. O final do filme foi coerente.
O roteiro não é original, mas é bem feito e tenta ser sensível ao mesmo tempo que é realista.
Na verdade, parece uma junção dos filmes da franquia "Antes do Amanhecer" com "Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo", em que a protagonista ficava criando realidades diferentes da que ela tinha e verificando em qual delas seria mais feliz, só foi tirada a parte da fantasia e ao invés da filha é um amigo.
A fotografia do filme é bonita. É um dos melhores filmes atuais que conseguiu captar a grandeza e a beleza de New York. A trilha sonora é sutil e combina com o filme. A duração do filme é adequada.
Em uma análise aprofundada é um filme mediano, mas nesses aspectos que mencionei é bom.
É um filme regular. A diretora deu bastante ênfase na parte de arte do filme, principalmente nos quesitos de figurino, maquiagem e produção de arte. Dessa forma, é um filme tecnicamente bem trabalhado e ambientado nestas áreas.
Exceto pela escolha das músicas ter ficado um pouco repetitiva, pois os estilos de músicas utilizados neste filme já foram aplicados em outros filmes biográficos dirigidos por ela, principalmente em "Maria Antonieta" (2006). Isto não é um problema, mas demonstra uma certa "zona de conforto" por parte da diretora, no sentido que não são músicas ruins, só a aplicação delas não é mais nenhuma novidade, se tornando uma espécie de assinatura.
Além disso, apesar do filme ser sobre a Priscilla Beaulieu e expor a visão dela em relação ao relacionamento dela com o Elvis, a falta de canções do Elvis, principalmente no final, nas cenas de shows dele, deixou a experiência imersiva da história um pouco incompleta e até mesmo trouxe uma sensação de vazio e silêncio.
Vale ressaltar, que muitas partes ficaram um pouco exageradas, como tentar retratar a Priscilla, o tempo todo, desde a primeira cena, como uma "boneca", vestindo ela como uma boneca, colocando e retirando os cílios toda hora, pintando as unhas, penteando o cabelo e trocando de roupa o tempo todo. Antes mesmo de qualquer pedido do Elvis e depois intensificando com as exigências. Isto deixou tudo artificial.
A relação dos dois é mostrada de uma forma idealizada e turbulenta, contudo, em alguns momentos, sinceramente, parecia que estava assistindo o filme "Lolita" (1997).
Isto gerou um sentimento de incômodo, não sei se foi esta a intenção da diretora, mas foi o que senti. Em alguns momentos, mesmo com toda aquela atmosfera de "arte", parecia um pouco perturbador e doentio, principalmente quando inseriram drogas alucinógenas e para dormir.
Em outros momentos, lembrava a série "Euphoria", inclusive o Jacob Elordi que interpreta o Elvis participa dessa série, ou um clipe da cantora Lana Del Rey, que já utilizou a obra "Lolita" e a Priscilla Presley como inspirações. Assim, a intenção de algumas cenas é um pouco incerta, visto que a obra "Lolita" retrata um crime, apesar dos diálogos deste filme sugerirem o contrário. Então, fica um questionamento do que é realmente uma crítica e do que é uso intencional romantizado.
Bom, fora esses pontos. Gostei de como o filme mostrou que apesar do tratamento que ela recebeu, do desrespeito e das traições que ela sofreu a Priscilla conseguiu seguir em frente, desenvolveu uma carreira de sucesso no cinema como atriz, se tornou uma escritora e uma grande empresária. Essas partes não passam no filme, mas foi legal ver a partida.
Gostei mais da interpretação desse ator, Jacob Elordi, como Elvis e gostei mais desse filme sobre parte da vida dele com a Priscilla Beaulieu do que do filme "Elvis" lançado no ano passado, pois este é um filme menos frenético, a atriz que interpretou a Priscilla foi mais competente e a aparência desse ator e sobretudo a voz dele é mais parecida com a do Elvis e é mais agradável.
Em resumo, é um filme interessante que mostra o crescimento e amadurecimento da Priscilla Beaulieu da adolescência na Alemanha até a independência na fase adulta. No final, temos Dolly Parton.
Não é um filme muito longo, então não é cansativo. Baseado em um livro escrito pela própria Priscilla Beaulieu, que inclusive auxiliou a produzir o filme, ele é basicamente um resumo da história de vida dela e da relação dela com o Elvis.
Assim, algumas cenas podem ser meio incômodas, mas, como a própria Priscilla Beaulieu auxiliou a produzir este filme, ele é baseado no livro que ela escreveu sobre a relação dos dois, os atores são maiores de idade e ele foi aprovado para exibição, ele deve ser o material mais "fiel" que temos sobre esta história e pelo menos serve para refletir sobre a vida.
Honestamente, é um filme muito longo para o que retrata.
A história em si é meio absurda, pois basicamente tenta discutir e enaltecer uma situação de genocídio em massa como um ato heroico e fruto de genialidade.
Os diálogos começam a ficar cansativos e repetitivos depois de 2 horas.
A edição entre os períodos (colorido e preto e branco) ficou um pouco bagunçada do meio para o final, principalmente em relação ao personagem do Robert Downey Jr, que teve diálogos muito chatos.
Neste sentido, o personagem do Casey Affleck, com pouco tempo de tela, pareceu mais interessante e convincente.
Cillian Murphy está bem, só a edição ficou estranha dele passando de um estudante com saudade de casa, meio perturbado, para um cientista genial, sem ter mostrado a genialidade primária dele, considerando que eles tiveram 3 horas para mostrar isso.
Pareceu que o diretor supôs que o público conhecia a biografia do Oppenheimer, provavelmente porque ele e a equipe pesquisaram muito sobre ele.
A personagem da Emily Blunt é pouco aproveitada, é mostrada como uma mãe irresponsável e que sofre de alcoolismo, ao mesmo tempo que serve como "a consciência estrategista" do personagem do Cillian Murphy, falando frases motivacionais em momentos decisivos.
Ficou meio sem sentido essa parte da história, visto que uma pessoa instável emocionalmente, que está doente e precisava de ajuda, não teria discernimento para auxiliar ninguém a tomar decisões de segurança nacional e internacional, mas esse é o roteiro.
A personagem da Florence Pugh foi menos aproveitada ainda, parece que só escolheram esta atriz, pois ela já tinha trabalhado em filmes que precisou tirar a roupa e era meio "viciada" em sexo, tipo "Lady Macbeth" (2016), pois basicamente os closes foram nos peitos dela, não há um desenvolvimento da personagem, ela aparece, faz o que "precisa fazer" e some. Parece uma objetificação consentida da personagem dela que parecia ser uma espiã frustrada e triste.
A fotografia desse filme é legal. A trilha sonora é repetitiva, acompanha o desenvolvimento dos capítulos, parece que o compositor se inspirou nos antigos trabalhos do Hans Zimmer com o Nolan e adicionou mais algumas influências minimalistas, mas combina com o filme.
Em resumo, a edição é ruim. A fotografia é boa. A trilha sonora é mediana e repetitiva. As atuações estão adequadas para um roteiro fraco e cansativo.
Para um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, dirigido pelo Nolan, ainda prefiro "Dunkirk".
É um filme muito bom, mas acredito que hoje ele seria problematizado, pois a situação poderia se configurar como abuso de incapaz.
Além disso, se uma pessoa precisa ficar mentindo para ter uma "vingança", acho que ela gasta energia, recursos e envolve muita gente de forma desnecessária, só uma pessoa com amnésia para acreditar nessa história. O marido dela nesse filme é um covarde, o ator fez um bom papel. O final foi coerente.
Assisti o remake com a Anna Faris, é legal, os papéis foram invertidos, talvez por esse receio de ser problematizado, mas esse é mais engraçado, pois o casal conseguiu convencer.
O legal é que o casal de atores desse filme continua junto até hoje, é difícil encontrar casais assim. É bom ver pessoas que se gostam de verdade e que buscam trazer felicidade através do trabalho que desempenham.
Acredito que todo mundo deveria assistir esse filme, principalmente estudantes de Rádio e TV e profissões ligadas à Comunicação.
Estou observando que muitos estudantes destas áreas estão esquecendo a essência do que é ser um locutor de Rádio e a função do Rádio.
Atualmente, ligamos em algumas estações de rádio e nos deparamos com locutores totalmente despreparados.
Primeiro, que a maioria deles não tem voz de locutor de rádio, muitos precisam fazer preparação de voz, pois possuem as vozes mais comuns do mundo, não há mais uma personalização da voz dos locutores atuais, uma característica importante dos locutores clássicos que ainda resistem mesmo com a diminuição dos salários e como brilhantemente demonstrou o ator Robin Williams nesse filme ♡
Depois, muitos deles ficam conversando entre si de forma debochada sobre temas igualmente fúteis, problemas sociais ou notícias da atualidade ficam atrás das fofocas e risadas fora do tempo.
Por último e o que considero o maior absurdo de todos: muitas rádios não tocam músicas inteiras, não falam sobre as músicas que tocam, quando falam é sobre a vida pessoal do cantor ou cantora. Uma rádio FM que não toca músicas está fazendo algo errado.
Entendo que as rádios atuais perderam muita audiência para outros meios de comunicação e até mesmo para podcasts, que na realidade são programas de rádio filmados, e precisaram cortar despesas e capital humano profissional, mas não é possível que não existam estudantes de Rádio e TV com vozes melhores e formação cultural mais preparada para assumir programas.
Enfim, faltam radialistas na sociedade que consigam levar alegria, entusiasmo, comentar notícias com respeito e passar músicas boas para a sociedade, mesmo em tempos difíceis, como esse filme mostra.
"The Notebook" é um filme muito bonito, baseado em um livro de mesmo nome, do Nicolas Sparks.
É uma história emocionante, não considero inverossímil, visto que no contexto que ela é inserida as distinções entre as classes sociais eram mais marcantes do que são hoje, apesar desse preconceito ainda existir.
Além disso, o filme fala da questão do Alzheimer, uma realidade presente na vida de inúmeras famílias e que afetou a vida de inúmeros casais. A diferença desse filme para os demais filmes baseados em obras do Nicolas Sparks é que esse possui uma singularidade que é a sutileza na construção do enredo.
Os filmes posteriores utilizaram essa receita "pronta" o que os tornou previsíveis. A sutileza e a construção da relação dos dois personagens neste filme ficou gradual e mais realista do que as paixões "instantâneas" e dramas apresentados no final dos seguintes.
Gosto como o filme revela como pessoas más tentam culpabilizar as vítimas para tentar encobrir as maldades e injustiças que fizeram para suprir seus próprios interesses, geralmente ligados à ganância e preconceitos. Os pais da personagem da Rachel McAdams dizem que o Noah não era "bom" para ela, mas queriam um casamento arranjado para aumentar a própria fortuna, escondem as cartas, inventam histórias, tentam transformá-lo em vilão, dizem que ele é um sem futuro quando ele era bastante esforçado. Assim, também gosto como o filme demonstra que o tempo sempre revela a verdade sobre tudo, pois realmente não existe nada oculto que não apareça na luz.
Recomendo, pois é um dos melhores filmes da Rachel McAdams e do Ryan Gosling, eles eram bem jovens, mas representaram os papéis com bastante maturidade e respeito ♡
Gosto desse filme porque é verdadeiro. Mostra a realidade da vida de um homem que possui uma doença que o impede de ter relacionamentos saudáveis e duradouros, pois o escraviza, deixando-o com sentimento de vazio e angústia. Ele não sente prazer nas relações, mas dor e vulnerabilidade. O filme também mostra a relação desajustada que ele tinha com a irmã, que provavelmente via nele um modelo de conduta desde jovem, por isso imitava o comportamento. Contudo, o filme deixa transparecer que ele se importava com ela, mas provavelmente eles tiveram uma infância conturbada, abusiva, sem amor e encontraram nas relações casuais uma forma de fuga da realidade, mesmo que de forma momentânea. Só que ela era mais sensível, estava doente e precisava de cuidado profissional, assim como ele, mas infelizmente ela não teve. Então, ele busca resistir para não ter o mesmo fim, não ser mais escravo da doença, busca aprender a se relacionar para ser livre do vício. É um dos melhores filmes do Steve McQueen junto com o Michael Fassbender, além desse filme, eles trabalharam juntos em "Hunger" e "12 Anos de Escravidão", que também são muito importantes. Recomendo.
Assisti esse filme faz muitos anos, mas basicamente ele fala da maldade humana. Conta a história de uma moça que busca abrigo em uma nova cidade, acredita que encontrou um lugar seguro, o líder da cidade a recebe e convence a cidade a aceitá-la, pois ela poderia ser "útil" no futuro. Conforme o tempo passa, as pessoas da cidade começam a mostrar as verdadeiras intenções para com a moça. Ela as ajuda, mas nunca é o suficiente. O líder deles era maldoso e queria usar ela como os outros. Mostra que fingiu que estava a ajudando, mas queria ser "recompensado" por isso, contudo, aos poucos ele começou a achar que ela seria uma "ameaça", pois era arrogante, no final ele admite isso, então começou a perseguí-la como os outros, utilizando de um discurso decorado. No final estava tentando fazer negócios com os perseguidores da cidade, pois era igual a eles. O filme pode ser visto como uma alegoria cristã que mostra a Grace, a graça entrando na vida das pessoas tentando ajudá-las, muitas vezes na forma de pessoas, mas como o excesso de ambição, covardia, mentiras, manipulação e maldade humanas tentam corrompê-la e destruí-la para benefício próprio e como o universo observa essas situações e julga. O filme fala sobre os diferentes tipos de abuso que os seres humanos infligem uns sobre os outros, fala dos limites da tolerância da bondade, que torna as pessoas coniventes para a continuidade de ciclos de abuso sobre outras pessoas inocentes. É um filme pesado, mas verdadeiro ♡
É um grande alerta e uma boa advertência tanto para os homens quanto para as mulheres que tentam construir e manter relacionamentos baseados apenas na aparência, que é mutável e enganosa.
Homens costumam cair mais em histórias como as mostradas neste filme, são atraídos por mulheres que só querem o dinheiro deles, obcecados pela aparência e ideia de juventude. Só que a aparência sempre se esvai e só é mantida com custos, sendo assim, eles podem gastar tudo o que possuem para "manter" essas mulheres que pouco fazem em troca.
A única exceção é quando eles as ajudam a se desenvolver como pessoa e em troca elas fazem o mesmo com eles, caso contrário é uma relação de parasitismo, como as relações mostradas neste filme. A esposa do personagem principal parasita ele emocionalmente e financeiramente, depois ele é parasitado financeiramente por outra mulher que era parasitada por um gigôlo mentiroso.
Atualmente, contudo, esse cenário está se invertendo com mais moças caindo nesses golpes. Mulheres que se submetem a "sustentar" homens que nada fazem por elas, convivendo com gigôlos, que nem valem o que cobram, que as oprimem, mentem e ameaçam de abandono constantemente, com medo de ficarem sozinhas.
O final do filme apesar de não ter agradado muitas pessoas, considero muito importante.
As pessoas tomam decisões sem pensar muito nas consequências das suas escolhas. Não colocam limites em como as pessoas podem as tratar e depois podem colher sofrimento.
É importante aprender a lição para não cometer os mesmos erros, se afastar de vampiros afetivos e emocionais, evitar dessa situação se transformar em um padrão repetitivo.
Esse filme é com o mesmo elenco de "Um Retrato de Mulher" (1944), acredito que se tivesse o mesmo final do outro filme a frase final utilizada naquele filme continuaria valendo para este:
"Nem por um milhão de dólares!" ♡
Acredito que se um deles tivesse quebrado o ciclo de exploração o final seria diferente para todos, mas o filme quis ser realista, porque muitas vezes parece que as pessoas sabem o que devem fazer e se libertar, mas preferem sofrer. Ninguém nasceu para sofrer, mas para ser feliz.
Enfim, é um filme pesado e triste, mas é um bom filme. ♡
Esta série é muito boa para quem tem curiosidade ou interesse em estudar Odontologia Legal, pois foi a partir deste evento, Incêndio do Bazar de Caridade de Paris, de 04 de maio de 1897, que foram iniciados estudos aprofundados nesta área, foi somente com a ajuda dos dentistas que foi possível identificar centenas de vítimas que estavam carbonizadas, impossibilitadas de serem reconhecidas de outra forma, sobrando apenas a arcada dentária. Entre as vítimas identificadas através da Odontologia Legal estava a Duquesa Sofia da Baviera, antiga noiva do Rei Ludwig II da Baviera, nascido em Munich, também conhecido como o "rei louco", "rei do conto de fadas" ou "rei cisne", pois resolveu construir o Castelo de Neuschwanstein, com quase todo o dinheiro que tinha no reino, sendo assim deposto de forma simbólica, eles ficaram noivos pois eram "fãs" da música e do compositor Richard Wagner, ela tocava piano e cantava com ele, eram bons amigos. No final, Ludwig II poderia ter alguns transtornos, mas não estava tão louco em relação à construção, pois o Castelo de Neuschwanstein é hoje considerado um dos castelos mais visitados da Alemanha. Misteriosamente ele faleceu em um lago. Enfim, o dentista da Sofia a reconheceu, pois ela tinha uma obturação de ouro, diversas outras vítimas foram sendo identificadas dessa forma: ausência de dentes, restaurações de ouro, cirurgias ósseas, anatomia craniana, etc. A Odontologia Legal é importante, pois devolve a identidade para várias vítimas, alivia o sofrimento dos familiares que acabam descobrindo o paradeiro de seus membros, principalmente de vítimas de desastres, sejam eles naturais ou acidentais como este. Além desse assunto, a série aborda questões importantes para as mulheres no final do século XIX, parece uma novela, é muito bem feita.
Terminei de assistir o filme, é uma pornochanchada criminal, este estilo de filme mais grosseiro, malicioso e erótico era comum durante a época que ocorreu o caso, anos 70. Neste tipo de filme o adultério e a falta de diálogo são comuns. Em "Angela", os personagens não conversam direito, o rapaz tratava ela como um animal... De cada três cenas, apenas uma era de diálogo e durava um pouco mais de um minuto. Os atores coadjuvantes não são bem aproveitados, todos são maliciosos e nem a existência deles é explicada, exceto pela moça que trabalhava na casa, eles aparecem e somem da tela de forma abrupta. Os filhos da Ângela só aparecem uma vez. A personagem da Bianca Bin é pouco desenvolvida e tratada como se não fosse importante, alienada, triste e descartável, não entendi o papel dela, em uma das cenas ela "foge" e deixa a Ângela para apanhar, sua "melhor amiga", e a cena mais longa dela é de conteúdo adulto. Todas as cenas do filme que envolvem outros atores parecem querer levar para cenas de conteúdo adulto. Lembra realmente um filme privê, que passaria de madrugada. O roteiro é pobre, assim como a produção, a maquiagem e o figurino, não parece um filme que busca trazer respeito ou justiça para a socialite Ângela Diniz, na verdade, a história dela nem é contada, sabemos mais sobre a reforma de uma casa. A fotografia do filme também é fraca, algumas cenas são muito escuras, não é possível enxergar as cenas direito, precisam trabalhar iluminação em cenas filmadas de noite... A Isis Valverde fez um bom papel, mas o roteiro não ajudou. O filme termina de forma decepcionante e sem defendê-la, a última tomada é sobre o rapaz. Não recomendo, tomara que um dia façam um filme decente sobre ela e a defendam, esse parece uma fantasia pessoal do diretor.
Este filme é baseado em uma novela escrita por Stefan Zweig, um escritor vienense, de origem judaica, ele escreveu diversos livros importantes, entre eles biografias e contos. A novela original foi publicada em 1922. Neste filme Joan Fontaine faz uma mártir autoimposta "de amor", que se apaixona por um pianista mulherengo. Algumas pessoas citaram uma possível alusão à santificação da personagem, isto é verdade em certo ponto, mas se observarmos a história de um aspecto mais amplo e profundo, ela se apaixonou por uma forma ilusória do pianista, uma forma que nunca existiu, pois até o mordomo dele prestava mais atenção nela do que o próprio pianista. No filme, em alguns momentos ela assume que tudo aquilo poderia se tratar de uma ilusão, mas até nestes momentos ela demonstra uma baixa autoestima e se culpa por ele "não amá-la", mesmo após muitos anos... É uma cegueira incontornável. A verdade é que se tratava de uma obsessão, pois ele não era nada daquilo que ela imaginava, o final do filme inclusive mostra que ele estava sempre a caminho da decadência. Não é possível julgar a personagem, pois a situação dela é bem comum, algumas mulheres tendem a colocar homens em pedestais, principalmente quando são rejeitadas de alguma forma, não aceitam o fim de uma relação ou simplesmente não aceitam que o homem não está ou nunca esteve interessado, não aceitam que os homens podem se envolver casualmente e simplesmente não sentir nada, nem antes e nem depois. Não aceitam, pois é uma dor que elas não querem sentir, é a dor da realidade humana, da superficialidade das relações, que não é exclusividade da "modernidade", ela sempre existiu. Sempre existiram os filhos "ilegítimos" e as "mulheres para casar". Da mesma forma, sempre existiram homens que não servem para casar e sempre existirá, pois é a realidade humana acreditar que sempre merece "o melhor" para si, mesmo quando é uma ilusão e outra máxima é que ninguém força ninguém a amar. A personagem de Joan então cria ilusões e se alimenta delas, esperando que "um dia" as coisas mudem, se talvez ela se "esforçar" ou se sacrificar de alguma forma, se não se casar, se não se relacionar com outras pessoas. Algumas mulheres fazem isso, elas fazem "tudo" por um homem esperando que ele retribua com "amor". Algumas tentam comprar o amor dele, comprando o tempo da companhia dele, etc. O problema deste último caso é que no dia que o dinheiro acabar e sumir, o "amor" dele também vai. Acredito que não é culpa das mulheres, elas só foram ensinadas "a amar", mesmo que isto signifique deixarem de "se amar". Acontece que este filme ensina outra lição importante, mostra que reciprocidade não é sinônimo de sacrifício, mostra que toda obsessão leva à uma tragédia, seja física, mental ou financeira. Quando as pessoas se gostam mutuamente não dói, o filme mostra que ela passa a vida em infelicidade, esperando... até mesmo quando bons homens a pedem em casamento, ela só aceita por causa do filho, para sustentá-lo, porém mesmo nesses momentos parece que ela só quer mantê-lo vivo pois ele era filho "dele", contudo, não falava nada para "ele" para não "incomodá-lo"... Mas "ele" nem lembrava da existência "dela" e continuava a viver a vida "dele" de solteiro, não se importando, portanto, com nenhum "filho dele"... Logo, essa "abnegação" ou sacrifício autoimposto da personagem era irracional e doentio, ela estava longe de ser uma mártir. Os santos libertam as pessoas e não são apegados ao mundo material, ela foi apegada até o último dia. Um verdadeiro mártir morre por uma causa que realmente existe, a sua morte não é premeditada por ele, por isto ele é um mártir, pois ele é inocente, geralmente ele é traído ou as condições são levadas ao extremo e o pegam. A personagem de Joan estava doente mentalmente, em parte ela sabia, só que a doença aos poucos a consumiu. Algumas pessoas podem se simpatizar com a personagem, mas sinceramente acredito que pessoas que vivem conflitos parecidos com os que ela vive precisam de algum tipo de ajuda, pois ninguém pode forçar amor ou tentar fazer o outro se sentir culpado, mesmo que de forma não intencional, a amar. Não é um filme sobre "amor" é um filme sobre obsessão, escravidão mental e martírio autoimposto. Joan Fontaine fez muito bem este papel, auxiliou a produzir o filme, o que foi uma conquista para as mulheres da época, pois foram poucas as atrizes que se arriscavam e foram autorizadas a produzir filmes. Ela fez um excelente trabalho. Entretanto, acredito que o filme ensina que é melhor enxergamos as pessoas como elas realmente são, para evitarmos causar sofrimento, não somente em nós mesmos, mas nos outros, que são tão inocentes quanto nós somos, principalmente as crianças que não deveriam sofrer com as consequências das nossas escolhas ♡
Esse filme é ideal para começar a estudar Arqueologia da Arquitetura, área não muito estudada no Brasil. É lindo observar o amor que a personagem da Rachel Weisz tem em falar dos objetos e das construções, não somente da parte histórica, mas de como tudo aquilo representava simbolicamente a cultura e a vida deles, ela fez outro filme também muito bom que é possível estudar a estética das edificações e dos artefatos, se chama "Alexandria" (no orginal "Ágora"), nele ela faz a filósofa grega, matemática e polímata Hipátia de Alexandria, que foi professora na Academia Neoplatônica, em um período em que as mulheres não tinham muito acesso ao conhecimento, sofriam preconceito, eram limitadas de lecionar e precisavam buscá-lo praticamente sozinhas, um cenário não muito diferente do atual.
Essa área de estudo da Arqueologia é importante para reconstruir e preservar estes patrimônios, pois quando se entende que tudo o que foi construído, criado e pintado ao longo de milhares de anos (pois não existiam fotografias, era a única forma do homem criar e construir imagens) se percebe que a história humana é escrita em pedra, cerâmica, âmbar, marfim, ouro e ossos, além das palavras... Se consegue entender a essência humana e da humanidade, visto que muitas construções e artefatos são produtos das relações humanas, relações sociais, das mais edificantes inspiradas pelo gênio e pelo gosto até às edificações fruto da corrupção e maldade, como às que são resultado de escravidão como às construções do Egito e até mesmo das edificações das civilizações latino-americanas, elas mostram e refletem como era o comportamento humano naquelas épocas.
Excelente filme, assistam ele também por este ângulo ♡
"Do atrito de duas pedras chispam faíscas; das faíscas vem o fogo; do fogo brota a luz.” "Nada pensou de importante que não fosse escrito na pedra." (Victor Hugo, escritor francês)
Esse filme é muito importante, pois ensina a importância de não perdermos a fé e a humanidade, mesmo quando em face da morte. O mundo possui muitas ilusões, assim, o caminho mais fácil pode parecer revoltar-se com a vida, corromper-se ou entregar-se à desilusão. Entretanto, o filme mostra que a única coisa que levamos dessa vida são os resultados dos nossos relacionamentos, das pessoas que tocamos, das palavras que dissemos, do bem ou do mal que desejamos ou fizemos uns para os outros. Ele foca, sobretudo, no bem, pois as pessoas que nos fazem o bem jamais são esquecidas mesmo quando partem, não necessariamente quando falecem, mas quando deixam em nossas vidas a ternura de sua passagem. Além disso, mostra que nem mesmo a injustiça consegue tornar pessoas boas naquilo que a sociedade espera que elas se tornem. É um filme que ensina e fala de compaixão, mesmo que tardia. O personagem John Coffey é inesquecível, um homem simples que não gostava da escuridão e que tentou tirá-la de dentro das pessoas, que tentou curá-las quando foi permitido fazê-lo, mas o filme também mostrou que algumas pessoas não querem ser curadas. O personagem dele faz uma alusão à história de Jesus Cristo, que ao tentar curar e aconselhar foi mal interpretado e condenado, muito por inveja, muito por ignorância, pois as pessoas possuem preconceito com aquilo que não entendem ou não querem entender, os dois são mártires. Foi a melhor interpretação feita por Michael Clarke Duncan. ♡
"Moulin Rouge" é um filme muito profundo, lançado no começo do século XXI, ele se passa no contexto da Belle Époque francesa, no histórico edifício do Moulin Rouge, aberto originalmente em 1889, na cidade de Paris. Assim, é necessário ter um pouco mais de sensibilidade para entender a história, visto que é um drama, não apenas um filme musical ou um simples filme de romance. As músicas são um personagem a parte, a maior parte dos personagens foram inspirados em pessoas reais, Satine foi inspirada em diversas atrizes, cantoras e cortesãs que frequentaram o Moulin Rouge desde 1889, inclusive o sonho dela era se tornar uma grande atriz, assim como Mistinguett, uma jovem francesa que tinha o sonho de tornar-se uma grande atriz e começou cantando em diversos cabarés, incluindo o Moulin Rouge, no final do século XIX e início do século XX. A maioria das moças que se apresentavam no local tinham as mesmas esperanças. O personagem do Ewan McGregor foi inspirado em diversos artistas, em especial escritores, poetas, que vivenciaram a Belle Époque francesa, possuíam uma vida boêmia e frequentaram o local. Além deles, o filme também traz como personagem real o pintor Henri de Toulouse-Lautrec, assíduo frequentador do Moulin Rouge e que pintou diversas telas representando as cenas cotidianas no local. A ideia do colocar músicas contemporâneas foi uma proposta bem interessante e diferente, estão presentes versões de canções de Whitney Houston, The Police e David Bowie. Todas as canções foram cantadas pelos atores, inclusive Nicole Kidman está muito bem, é afinada, inclusive o final da personagem é condizente com a situação da saúde naquela época. O diretor Baz Luhrmann possui um olhar único para a Arte e a maioria dos seus filmes possuem o mesmo estilo de Estética: "Romeu e Julieta" e "O Grande Gatsby", seguem a mesma linha artística deste filme. Dessa forma, "Moulin Rouge" é bem trabalhado na área da Arte, inclusive ganhou os prêmios Oscar de Melhor Figurino e Oscar de Melhor Direção de Arte ♡
Este filme é sensacional, ensina que não devemos desistir de fazer aquilo que é o certo. Não devemos abandonar nossos princípios, nossa ética, mesmo quando a maioria escolheu se corromper, pois se todos fizessem isto não teríamos conquistado tantos direitos que nos possibilitam uma existência mais digna enquanto seres humanos que vivem em sociedade.
Recomendo que todos assistam para ficarem vigilantes sobre os conselhos que recebem e para nunca desistirem de lutar por aquilo que é justo ♡
Como muitas pessoas perguntam sobre o significado do título vou deixar a explicação abaixo, sem maiores spoilers.
O filme leva esse nome "A Mulher Faz o Homem", pois como os pôsteres do filme informam o personagem principal acaba utilizando da ajuda de uma secretária chamada Clarissa, que ao longo do filme se torna amiga dele e por já conhecer o ambiente o ajuda com bons conselhos. Ela aparece ao lado dele nos pôsteres e no filme, é interpretada pela atriz Jean Arthur. Não posso falar muito mais do que isso, pois seria muito spoiler, mas é por isto.
O filme quis passar que ter uma mulher sábia ao lado de um homem pode tanto elevá-lo quanto não ter pode derrubá-lo ou estagná-lo, por isto é preciso saber escolher com quem se trabalha e com quem se casa.
Uma mulher insensata do lado de um homem que está tentando fazer um trabalho sério que para ele é importante, ainda mais quando ele está começando na carreira, aconselhando de forma errônea pode deixá-lo confuso e fazê-lo tomar decisões erradas, que podem prejudicar a sua imagem e seu trabalho.
Ela era a secretária dele, portanto, essa função ficava sendo ainda mais importante, principalmente porque ele era novo, era um líder de escoteiros antes de assumir a função e foi escolhido de forma estratégica para assumir o cargo, pois era inteligente, esforçado e carismático, idealista. Acreditavam que pela ingenuidade dele e por ele ser jovem poderia ser mais fácil manipulá-lo e corrompê-lo. Assim, ela contou como as coisas funcionavam de verdade, sem interesses.
Na teoria ela tinha mais experiência na área em questão de anos, então ela cumpriu bem a função, com integridade e honestidade, não era corrompida e não queria corrompê-lo para benefício dela ou permitir que fizessem isso com ele.
Ela falou a verdade, falou das manobras políticas, da propina, da corrupção. Explicou que apesar do sistema possuir corrupção, ele não deveria desistir de fazer a coisa certa, porque nem tudo é uma "causa perdida" ♡
Neste filme ela auxiliou ele com bons conselhos e apoio, principalmente pelo fato exposto na sinopse de que ele era novo no ambiente e ingênuo por ser ainda muito jovem, como falei anteriormente ele era escoteiro, mudou de área e assim ele precisava receber bons conselhos para continuar na profissão e ser respeitado e não virar fantoche e recebeu de uma boa mulher no momento em que mais precisava, que na tradução fez justiça à sua existência, pois o título original é "Mr. Smith Goes To Washington", pois o nome do personagem principal é Jefferson Smith e ele está indo para Washington D.C assumir uma cadeira no Senado, de forma inesperada.
Este filme foi importante para a história do cinema, ele ganhou o Oscar de Melhor Roteiro escrito no ano de 1939, vencendo, inclusive, o roteiro de "E O Vento Levou..." no Oscar daquele ano. Só para você entender a força desta história.
"I guess this is just another lost cause, Mr. Paine. All you people don't know about lost causes. Mr. Paine does. He said once they were the only causes worth fighting for. " ♡
Sonhos de Trem
3.7 338 Assista AgoraÉ um filme muito bonito e sensível. É baseado em um livro de mesmo nome escrito por Denis Johnson. Acredito que a leitura do livro possa trazer alívio e resolução sobre dúvidas que o filme deixou em aberto.
É importante destacar que tanto o filme quanto o livro utilizam como base uma história de ficção, que se passa no início do século XX, uma época de intensas transformações sociais e tecnológicas nos EUA, a luz elétrica ainda estava sendo instalada nas cidades, então as pessoas ainda usavam muitas velas dentro das casas. As cidades ainda estavam em crescimento e recebiam trabalhadores de todos os lugares, era comum ver viajantes a trabalho e povos nativos juntos, muitas pessoas ainda moravam em cabanas rústicas de madeira que elas mesmas construíam nas florestas e bosques, naquela época muitas pessoas ainda faziam trabalhos manuais que exigiam muita força física e desgastavam a saúde porque ainda não existiam máquinas específicas e materiais mais leves, o progresso acontecia, mas era de maneira gradual. O ano indicado pelo filme é 1917.
No livro é explicado que o trabalhador chinês da ferrovia foi pego pelos outros trabalhadores porque era acusado de ser um
ladrão
O sonho que Robert teve da esposa seria na verdade uma visita do fantasma dela que estaria mostrando exatamente o que aconteceu para consola-lo. A esposa dele mostra que
conseguiu tirar a Kate da cabana, mas acabou caindo, machucou as costas e não pôde mais correr, parece que o corpo dela nunca foi encontrado porque foi levado por um rio.
Sobre a filha dele Kate:
A Kate
consegue sobreviver e vira uma menina lobo que vive na floresta com os outros animais.
Então, quando o Robert ouve em uma noite o barulho de animais do lado de fora da cabana e encontra uma menina ferida, era
mesmo a Kate, que conseguiu sobreviver na floresta com os lobos
No entanto, o encontro dos dois foi importante porque trouxe um pouco de consolo para ele e fechamento para a história, além de aliviar a culpa que ele carregava por não ter conseguido cuidar delas da maneira que acreditava ser a correta, principalmente porque conseguiu cuidar
da filha
uma coisa que a mãe dela não conseguiu fazer para se salvar,
O filme até mostra ele tentando procurar ela, mas depois também mostra que ele para, porque compreendeu que fez o que podia.
As atuações do Joel Edgerton e da Felicity Jones são muito boas, assim como a do ator William H. Macy.
Em geral, acredito que o filme quis passar a mensagem que é importante aproveitarmos o tempo que temos com as pessoas que são importantes para nós, porque nunca sabemos se teremos um próximo encontro. Além disso, é um filme realista porque mostra que nem sempre todas as fases da vida serão boas, muitas delas podem ser marcadas por tragédias e nem sempre a próxima fase será melhor ou irá trazer algum tipo de compensação pela fase difícil anteriormente vivida, às vezes a vida somente continua. ♡
A narração deste filme, assim como as histórias dos personagens que o Robert conhecia pelo caminho da vida, me fizeram lembrar da narração e da conclusão do filme O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) e a da tragédia a do filme Manchester By The Sea (2016). ♡
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.2 403 Assista Agora"Hamnet" é o filme mais bonito das premiações deste ano e considero o melhor. ♡
Sem o Teatro não teríamos o Cinema. A trilha sonora, a fotografia, a direção e as atuações deste filme são maravilhosas. É um filme muito emocionante que mostra como é possível superar o luto e os traumas da vida de maneira saudável através da Arte.
Ps. "Hamnet" Venceu o Globo de Ouro de "Melhor Filme". 🏆♡
Nota 5 de 5. ♡
Digam o Que Quiserem
3.7 359Esse filme é um dos meus favoritos, assistia muito quando era criança e adolescente, porque estava em uma fase de assistir aos filmes do John Cusack e filmes dos anos 80. Fiquei feliz quando consegui comprar o DVD. ♡
Ele fala de música, sonhos e amor. Como muitas vezes às pessoas acreditam que para encontrar a felicidade precisam ir muito longe, mas ela pode estar em todo lugar e que é possível encontrá-la principalmente ao lado da nossa família de origem e das amizades de verdade.
Dos filmes clássicos do John Cusack, a TV costumava passar mais o filme "Alta Fidelidade", baseado no livro do Nick Hornby, que é muito bem escrito. Porém, lá o personagem dele é meio confuso, porque teve muitos relacionamentos e fica analisando todos eles utilizando a música como pano de fundo. Entretanto, como queria saber mais sobre as músicas, as imagens de tantos relacionamentos e relatos me cansaram um pouco, inclusive desisti de assistir o filme algumas vezes por causa disso. Então, prefiro esse filme de 1989 porque é mais simples, sincero e direto.
"Digam o que Quiserem" (1989) é mais interessante porque o personagem dele é mais corajoso e esforçado para ficar com a moça.
A atriz que faz a personagem principal também fez uma boa atuação. ♡
Os diálogos desse filme também são melhores:
- "You're not a guy."
- "I am."
- "No, no. The world is full of guys, be a man. Don't be a guy." ♡
Anora
3.4 1,1K Assista Agora"Anora" é um filme realista e bem escrito que busca dar visibilidade para uma população historicamente estigmatizada, desde a Antiguidade, usada de diversas formas, tratada com pouca dignidade e que costuma receber pouca ou nenhuma compaixão da sociedade.
É um filme de diversas biografias, pois ele conta a história de milhares de pessoas.
Entendo que muitos possam ter ficado decepcionados porque acreditavam que a Demi Moore deveria ter ganhado um prêmio pelo seu papel em "A Substância", mas aquele é um filme de terror com uma história irrealista. Não existe nenhuma substância capaz de rejuvenescer as pessoas ou criar uma versão mais jovem e melhorada delas, a própria atriz que fez a versão jovem dela no filme afirmou que usou próteses de corpo, porque não existe corpo perfeito.
As pessoas são como elas devem ser, todos nós vamos envelhecer e isso não deve ser nenhuma vergonha, drama ou um conto de "terror". O envelhecimento é um processo natural do nosso corpo.
O filme toca em um tema muito importante que é o etarismo, mas dá uma solução dolorosa, violenta e inútil. Além disso ele não soube a hora de parar, ficando extremamente desagradável, até filmes de terror precisam saber a hora de parar.
"Anora" é um filme realista e bem escrito que conta uma história comum de milhares de mulheres e busca dar visibilidade para personagens estigmatizados e que sofrem diversos tipos de violência e humilhações, são pessoas simples que são usadas e enganadas de várias formas, geralmente desde jovens, possuem poucas oportunidades na vida e recebem pouca compaixão, isso é real.
A Demi Moore realmente poderia receber um Oscar e acredito que um dia ela possa recebê-lo, mas seria por outro trabalho ou pela carreira que ela trilhou. Ademais, ela recebeu diversos prêmios importantes por este filme, então não ficou sem nada.
Acontece que, o papel da Mikey Madison é mais desafiador, exigiu mais pesquisa e treinamento.
Por fim, talvez o filme "Anora" não fosse tão aclamado se não fosse pela interpretação que ELA fez, isso é, se fosse outra atriz no lugar dela talvez o filme não conseguisse obter êxito, inclusive podendo passar uma mensagem diferente da que pretendia.
O filme "Anora" venceu 5 prêmios Oscar, entre eles Melhor Roteiro Original, Melhor Montagem, Melhor Direção e Melhor Filme e realmente foi.
O "Melhor Filme" é aquele que reúne mais atributos, não apenas um.
A Academia foi sensível e reconheceu a atriz responsável por segurar o filme, ao lado de outros atributos, o que muitas vezes não acontece.
Nota 4/5 ♡
Flow
4.2 576"Flow" é um filme muito bonito e simbólico. A história se passa em um mundo pós-apocalíptico, a terra passou por um grande dilúvio e todas as civilizações desapareceram, só restaram os animais e as florestas que lutam para resistir à força das águas, visto que as raízes das árvores apodrecem aos poucos devido ao excesso de água que invade e retrocede no seu espaço várias vezes ao longo dos dias.
Das civilizações humanas só restaram as construções. Neste sentido, a animação mostra construções com diversos estilos arquitetônicos, com ênfase nos estilos arquitetônicos da cultura europeia, mas elas aparecem como ruínas.
O filme deixa explícito através de um simbolismo de uma estátua de mão que pede ajuda em meio às águas o destino de todos os seres humanos. Provavelmente, devido às mudanças climáticas, o nível dos oceanos aumentou e invadiu os continentes, pois para surgir tanta água deve ter ocorrido o derretimento das calotas polares.
Neste contexto, acompanhamos primeiramente um gatinho solitário fazendo suas atividades cotidianas até o momento em que ocorre uma enchente, mas são apresentados mais animais ao longo da história que se tornam companheiros do gatinho e que apoiam uns aos outros na luta pela sobrevivência, são eles: uma capivara, um lêmure, uma ave secretário, um cachorro labrador e uma baleia.
É interessante notar que esses animais são característicos de diferentes partes do mundo, a capivara é um animal típico da América do Sul, enquanto o lêmure é um primata típico da África assim como a ave secretário, já o cão labrador representaria os países do hemisfério norte.
Além disso, eles representariam todos os animais terrestres, aquáticos e do ar juntos em um barco.
Os animais possuem suas próprias personalidades, mas penso que elas estão evoluindo conforme o fluxo acontece, como o fluxo das águas é crescente, sendo a ave secretário a mais sábia dos animais, pois é ela que conduz o barco em que os animais precisam entrar para sobreviver à enchente e sabe exatamente para onde deve ir, principalmente após sofrer uma injusta punição por "traição" ao tentar defender um amigo.
Quando a ave chega neste local sagrado, que representaria um templo, ela somente espera a
libertação
Para quem acredita em Astrologia, o nome científico da ave secretário é Sagittarius serpentarius. O signo de Sagitário é considerado nesta área de estudo "o mais sábio" do Zodíaco e serpentarius é uma constelação que faz parte do signo de Sagitário, que também é considerado um "guia espiritual", porém somente quando está na alta vibração e isso é raro (por isso somente uma ave desta espécie se destacou no filme)
Inclusive, muitos padres possuem este signo forte no mapa, com vários posicionamentos de planetas, sendo um dos mais famosos o Papa Francisco.
O gatinho quase vai com a ave secretário neste caminho de
libertação
Os demais animais que ainda estão no barco com ele, que lembra uma arca de Noé que reúne espécies diferentes de animais ainda que em menor número, também são ainda muito apegados aos prazeres do mundo material: a capivara só vive dormindo, enquanto o feliz labrador só quer brincar e o lêmure só pensa em acumular posses, situação que impede qualquer um deles de poder guiar o barco da vida.
Penso que o filme quis mostrar que após o dilúvio, os animais do mundo inteiro precisaram se unir e aprender a conviver uns com os outros.
O filme traz diversas mensagens importantes sobre respeito às diferenças e sobre a resiliência em tempos difíceis, mas acima de tudo ele fala sobre o poder da cooperação e da verdadeira amizade.
O filme não possui diálogos, mas consegue ser super compreensível.
Não vou me estender muito no comentário, pois este filme precisa ser assistido por todo mundo. Recomendo ♡
P.s: "Flow" venceu o Oscar de 2025 de "Melhor Animação" 🏆♡
A Verdadeira Dor
3.5 234 Assista Agora"A Real Pain" é um filme sobre a dor de sentir que não tem nada ou sentir um vazio em relação aquilo que lhe falta, uma ausência que dói de verdade (a real pain) e que ocorre de maneira diferente em cada pessoa.
O filme conta a história de dois primos que estão viajando a turismo até a Polônia, buscando se reconectar com as suas raízes judaicas em homenagem a avó deles e também para passarem um tempo juntos.
O destaque do filme vai totalmente para o personagem do Kieran Culkin, que deveria ser coadjuvante, mas acaba sendo o ator principal.
Para quem não entendeu o personagem do Kieran Culkin:
- Ele não tem celular, por isso não atende as ligações e não tem como ouvir as músicas que gosta durante o banho.
- Ele começa e
termina
- Ele manda as encomendas para o hotel porque não tem endereço fixo.
- Ele não tem amigos porque é muito "sincero" e instável emocionalmente. Acredito que a sinceridade dele está mais associada à frustração, mas acima de tudo: ele é muito sensível.
- Ele tem depressão, por isso se intoxica com substâncias mesmo sem aparentar necessidade de utilizá-las e também tem insônia.
- Não é possível dizer se ele é bipolar, mas ele apresenta frequentes estágios de euforia seguidos de depressão, mas pode ser que ele fique eufórico em público para esconder a tristeza.
- Ele se sente sozinho porque não conseguiu constituir família e inveja o primo por isso.
- Ele não tem um plano.
"A Verdadeira Dor" é um filme interessante, o roteiro é bem simples.
Aborda os temas de turismo em lugares de grande importância histórica, relações familiares, saúde emocional, a inveja e a comparação.
As falas dos personagens não são muito elaboradas, pois eles não são desenvolvidos, mas apenas observam os acontecimentos e participam das atividades propostas, não chegamos a conhecer nenhum deles de forma aprofundada exceto pela cena inicial da reunião em grupo.
As cidades polonesas visitadas são lindas e o filme consegue contar uma história utilizando como fundo a trilha sonora de Chopin, um pianista polonês que nasceu em uma aldeia próximo de Varsóvia, cidade que os primos passam a maior parte do filme conhecendo com o grupo de turismo, portanto, a escolha de Chopin se trata também de uma homenagem a esse compositor, à cidade de Varsóvia (reconstruída após a Guerra) e à Polônia, a casa deles.
Foi bom ver a Jennifer Grey novamente.
Nota 3 de 5.
O Brutalista
3.6 306 Assista Agora"O Brutalista" é um filme regular. É sobre a história de um arquiteto de origem judaica que foge para os EUA no período pós-guerra, em busca do "sonho americano".
Entretanto, o filme logo inicia mostrando a estátua da liberdade de cabeça para baixo, explicitando que essa expectativa do personagem será alterada ao longo da obra.
É importante destacar que o personagem interpretado por Adrien Brody é fictício, isto é, ele e essa história nunca existiram de verdade.
Logo, o filme não se trata de uma biografia sobre um homem que sofreu e "venceu" as adversidades da vida, apesar dela ser inspirada na vida de imigrantes judeus que conseguiram alcançar uma carreira de sucesso na América.
Acontece que o filme é historicamente impreciso, apela para diversas cenas de sofrimento desnecessárias e que não retratam a realidade de arquitetos judeus que chegaram na América no período pós-guerra de maneira fidedigna, visto que a própria comunidade de arquitetos norte-americanos de origem judaica criticou esse filme publicamente.
A verdade é que a carreira de "arquiteto" no começo do século XX era praticada por uma parte muito pequena da população, tanto na Europa quanto nos EUA. As pessoas que conseguiam estudar e atuar como arquitetos eram de famílias bem estruturadas financeiramente e que possuíam estudos. Os judeus estavam dentro dessa população e muitos conseguiram fugir para os EUA e também encontraram poucas pessoas que conseguiram se formar e atuar nesta área. Naquela época, também não existiam muitas mulheres arquitetas, era uma carreira realmente restrita.
Então, a maioria deles que chegavam da Europa, sobretudo aqueles que tiveram uma formação de excelência e oportunidade de estudar na Escola Bauhaus conseguiram trabalhar como arquitetos sem muita dificuldade ou sofrimentos.
É claro que eles sofreram preconceitos, mas não passaram tanto sufoco como o personagem de Adrien Brody aceita passar na mão de uma única família que dá calote nele duas vezes e o abusa de diversas formas.
Não é mesmo lógico, que um grupo que buscava fugir do sofrimento e abusos aceitasse sofrê-los por anos, como ocorre neste filme, de forma gratuita, como se vivesse em um campo de concentração. Assim, como a maioria conseguiu oportunidades de trabalho devido à baixa competividade e boa disponibilidade de vagas eles permaneceram nos EUA.
Além disso, neste filme há diversas cenas que não fazem muito sentido como quando a esposa do personagem do Adrien Brody está com uma crise de dor e ao invés de levá-la para o hospital, o personagem prefere tomar outra decisão e somente depois que algo ruim acontece é que ele a leva ao hospital. Geralmente, em uma emergência a ordem é e deve ser inversa.
O filme também tenta passar a ideia de que ele era um "gênio incompreendido e visionário" de alguma forma, por ele ter estudado em uma escola muito difícil e renomada, no entanto, ele não saber que precisava levar a esposa no médico é meio confuso e a escolha dele por administrar substância sem respaldo médico é ainda mais, levando em consideração que ele sabia que ela lhe fazia mal.
Além disso, tivemos esse ano o filme "Gladiador II", também indicado ao Oscar, que mostrou justamente esse tipo de medicamento sendo administrado por um médico na Roma Antiga, mostrando que esse é um conhecimento antigo, milenar.
Assim, entendo que o personagem do Adrien Brody já poderia estar dependente da substância e poderia não estar sabendo tomar boas decisões, mas mesmo sem estar sob efeito dela ele poderia ter levado a esposa no médico antes, então essa "genialidade" dele é meio questionável.
Ainda sobre a personagem da Felicity Jones, é mais mostrada uma obsessão da parte dela para com o personagem do Adrien Brody do que de cuidado da parte dele para com ela, que estava muito doente, podemos citar a cena em que ele corre com a cadeira dela e a cena do jantar em que usando um andador ela que tem que o defender e acaba sendo arrastada
pelo chão, após sofrer uma overdose induzida por ele,
Além das cenas em que ela, uma esposa bonita, praticamente precisa se oferecer para eles dormirem juntos enquanto ele fica todo agoniado, começa a chorar e só aceita tocar na esposa se estiver intoxicado, geralmente isso também ocorre de maneira inversa, visto que os homens se intoxicam para dormir com as esposas que eles não acham mais atraentes.
As demais interpretações estão boas, mas não me convenceu a história do
abuso sexual
Ademais, parece que a ação em si era mais uma punição por inveja que o personagem do Guy Pearce sentia pelo arquiteto, só que o personagem do Adrien Brody era maior que ele, é estranho imaginar que ele aceitou isso e continuou trabalhando. De qualquer forma achei a cena apelativa e de uma violência desnecessária, não precisava estar no filme.
A violência do filho rico, interpretado pelo Joe Alwyn, também era irracional, mas ele também parecia um predador como o pai e agia com base no medo de perder tudo, mas acabava perdendo por agir assim, ele mesmo acabava se sabotando, pois na realidade é mais fácil ganhar respeito agindo certo do que agindo errado.
A fotografia do filme é interessante, tenta trazer a ideia de "grandeza", mas o projeto arquitetônico apresentado no filme é bem simples. Essa ideia funciona melhor com a trilha sonora.
Outrossim, parece que os desenhos do projeto foram feitos pelo computador ou algo assim, denunciaram isso na mídia, se isso for verdade para um filme de época que fala sobre originalidade, arte e valorização do profissional isso acaba sendo uma grande falta de noção, pois poderiam apenas ter contratado um arquiteto para desenhar o projeto, assim como contrataram um dublê desenhista para o filme "Titanic" (1997).
A trilha sonora de "O Brutalista" combina com o filme, penso que ele ganha mais expressividade devido ao som, principalmente porque a equipe escolheu colocar "abertura" e "intervalo", como ocorre em filmes como em "... E o Vento Levou" (1939), considerados "épicos" e parece que essa era a intenção.
Assim, se não tivesse esta trilha sonora acompanhando o filme, ele seria bem parado e difícil de assistir, principalmente pelo fato dele ter mais de 3 horas de duração, o que também considero desnecessário, visto que diversas cenas poderiam ter sido cortadas na edição como a cena do
abuso
overdose
Por fim, acredito que o personagem do Adrien Brody passou por muita dor, sofrimento e choro para construir um prédio feio, frio e vazio que no final parece ter virado cena de crime.
Na homenagem feita em um evento de arquitetura na Itália só mostraram esse projeto, fazendo parecer que ele não fez mais nada na vida depois daquilo e que aquilo foi o ponto alto na carreira dele, em um discurso fraco e nada convincente.
Pareceu uma tentativa de fazer um "Oppenheimer arquiteto" ou uma continuação de "O Pianista" só que com um sofrimento sem fim.
Nota 3 de 5.
Assassinos da Lua das Flores
4.1 666 Assista AgoraÉ um bom filme, realmente é bem longo, mas possui história suficiente para ocupar este tempo.
Lembra o filme "Tarde Demais" (1949), com a Olivia de Havilland, inclusive a atriz Lily Gladstone é parecida com ela, ambas possuem o mesmo olhar e as cenas finais das duas são semelhantes nos dois filmes. Gostei da escolha dessa atriz.
Em contrapartida, o filme possui problemas de edição. A primeira parte do filme é interessante, pois descreve o contexto histórico das famílias e de toda a situação criminosa que ocorria no local que necessitava de investigação.
Entretanto, a segunda parte é muito extensa e poderia ter sido reduzida, pois deu um grande foco nos diálogos e planos dos assassinos. Acredito que a maioria das pessoas já tinha entendido a intenção deles desde os primeiros minutos, inclusive a personagem feminina principal: interesse no dinheiro deles.
Na segunda parte do filme, o protagonismo indígena se torna secundário, eles perdem tempo de tela e só aparecem para serem manipulados e sofrer. Não gostei dessa parte, pois mostrou muito abuso e poucas cenas de indignação, parecia mais um filme de máfia do Scorsese.
A terceira parte, envolvendo o surgimento do FBI e as cenas de julgamento, retoma o ritmo do filme. O nome do J. Edgar Hoover, primeiro diretor do FBI, foi citado várias vezes, mas ele não aparece em nenhuma cena.
Coincidentemente, o ator Leonardo DiCaprio fez um filme sobre ele, em que ele era J. Edgar Hoover, o nome do filme é "J. Edgar" (2011), o diretor foi o Clint Eastwood.
Além disso, o aparecimento dos atores Brendan Fraser e Jesse Plemons melhora o andamento do filme.
O final do filme é corrido, gostei da homenagem ao rádio, mas acredito que era necessário ter dado mais atenção para o desfecho mostrando as cenas, pois ficou meio "Orson Welles narrando Guerra dos Mundos", isto é, o assunto ficou meio teatral, como se a história do filme fosse baseada em ficção, sendo uma radionovela. Assim, apesar do diretor aparecer no final, a cena poderia ter sido mesclada com cenas que retratassem os fatos narrados, elas poderiam ser narradas só por ele.
O roteiro é bom, é adaptado de um livro de mesmo nome, mas o filme passou a mensagem que estava mais interessado em mostrar os assassinos ambiciosos e as interpretações de Leonardo DiCaprio e Robert De Niro do que defender os indígenas, pois a maior parte do tempo de tela é ocupada por eles, os indígenas são mostrados como pessoas extremamente ingênuas e manipuláveis, que aceitavam as injustiças de forma passiva a maior parte do tempo.
A trilha sonora é sombria e é utilizada como um "Bolero de Ravel", mas acredito que eles poderiam ter utilizado mais músicas folk indígenas, pois com certeza existiam centenas e isto evitaria a utilização da mesma música várias vezes. Visto ser um filme que fala dos indígenas, seria legal ter utilizado as músicas folclóricas dos indígenas.
Em resumo, é uma história triste, pesada, como citado, chegou um momento que parecia mais um filme de máfia que o Scorsese fez no passado, mas acredito que realmente foi um problema de edição.
Dessa forma, este filme retrata uma história importante e que precisava ser contada.
Vidas Passadas
4.1 939 Assista Agora"Vidas Passadas" é do tipo de filme que abre muitas ilusões nas pessoas, mas também pode ajudar a fechar.
"Almas Gêmeas", no sentido amoroso, são aquelas pessoas que escolhem ficar juntas e são felizes juntas, porque elas se complementam.
O casal de amigos mostrado neste filme vive se separando e por longos períodos de tempo, é uma vida de ausência, tão ausente que é possível construir uma vida dentro desta ausência, e foi o que aconteceu.
Logo, eles não eram "almas gêmeas" no sentido amoroso, pois é impossível ter um relacionamento estável assim. A amizade deles era alimentada por memórias e muitas suposições, que geravam estagnação mental e depois causaram sofrimento em ambos.
O filme mostra a história de amigos que vivem só de memórias da infância e projeções do passado, que idealizam como a vida poderia ter "sido", mas não foi e não é.
As pessoas possuem uma inclinação para romantizar e idealizar amores passados não concretizados, mas muitas vezes é necessário se curar e seguir em frente. É fácil falar isso e complexo de exercer, mas é a verdade.
Aceitar fins de ciclo é difícil, mas cada pessoa que passa pela nossa vida tenta ensinar algo, mesmo que de forma inconsciente, mesmo que ela não saiba que ensinou, são poucas as que conseguem fazer isto, por isto elas ficam na nossa memória e se a presença delas foi intensa, talvez vamos lembrar com detalhes da sua passagem.
O homem que casou com ela e a escutou falar de pessoas do passado era o verdadeiro "destino" dela, pois só uma pessoa que ama a outra tem paciência suficiente para aguentar este tipo de situação e não ir embora.
Além disso, ele nunca se esquivou de responsabilidades e prestou atenção em detalhes importantes, se esforçando para manter o relacionamento, como aprender o idioma dela. Enquanto o amigo, quando questionado sobre a possibilidade de visitá-la elencou uma lista de prioridades pessoais, sendo que a primeira não incluía vê-la.
Desde o início do filme o amigo disse que só estava com "saudade", depois estabeleceu um prazo muito grande para vê-la e por fim disse que estava de "passagem". Essas não são atitudes muito firmes e nem que conferem a ideia de "permanência".
Acredito que o filme quis ensinar a ficarmos com as pessoas que permanecem conosco.
Se duas pessoas não ficam juntas, nem por todo diálogo, memória afetiva ou esforço do mundo, elas não são almas gêmeas, no sentido amoroso. Se elas se afastam, mas realmente é "destino", elas se reencontram e ficam juntas sem muito drama, é simples.
Ficar pensando em amores do passado não concretizados gera estagnação, alimenta ilusões, é desrespeitoso com os parceiros atuais, mesmo que eles sejam compreensivos, e não torna aquela situação "destino", isto não faz nem sentido, porque o "destino" da protagonista direcionou ela para outros caminhos.
O passado pode ser consultado nos momentos certos, mas não pode dirigir a vida das pessoas, pois é o presente que determina o futuro e não o passado. O final do filme foi coerente.
O roteiro não é original, mas é bem feito e tenta ser sensível ao mesmo tempo que é realista.
Na verdade, parece uma junção dos filmes da franquia "Antes do Amanhecer" com "Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo", em que a protagonista ficava criando realidades diferentes da que ela tinha e verificando em qual delas seria mais feliz, só foi tirada a parte da fantasia e ao invés da filha é um amigo.
A fotografia do filme é bonita. É um dos melhores filmes atuais que conseguiu captar a grandeza e a beleza de New York.
A trilha sonora é sutil e combina com o filme. A duração do filme é adequada.
Em uma análise aprofundada é um filme mediano, mas nesses aspectos que mencionei é bom.
Priscilla
3.4 247 Assista AgoraÉ um filme regular. A diretora deu bastante ênfase na parte de arte do filme, principalmente nos quesitos de figurino, maquiagem e produção de arte. Dessa forma, é um filme tecnicamente bem trabalhado e ambientado nestas áreas.
Exceto pela escolha das músicas ter ficado um pouco repetitiva, pois os estilos de músicas utilizados neste filme já foram aplicados em outros filmes biográficos dirigidos por ela, principalmente em "Maria Antonieta" (2006).
Isto não é um problema, mas demonstra uma certa "zona de conforto" por parte da diretora, no sentido que não são músicas ruins, só a aplicação delas não é mais nenhuma novidade, se tornando uma espécie de assinatura.
Além disso, apesar do filme ser sobre a Priscilla Beaulieu e expor a visão dela em relação ao relacionamento dela com o Elvis, a falta de canções do Elvis, principalmente no final, nas cenas de shows dele, deixou a experiência imersiva da história um pouco incompleta e até mesmo trouxe uma sensação de vazio e silêncio.
Vale ressaltar, que muitas partes ficaram um pouco exageradas, como tentar retratar a Priscilla, o tempo todo, desde a primeira cena, como uma "boneca", vestindo ela como uma boneca, colocando e retirando os cílios toda hora, pintando as unhas, penteando o cabelo e trocando de roupa o tempo todo. Antes mesmo de qualquer pedido do Elvis e depois intensificando com as exigências. Isto deixou tudo artificial.
A relação dos dois é mostrada de uma forma idealizada e turbulenta, contudo, em alguns momentos, sinceramente, parecia que estava assistindo o filme "Lolita" (1997).
Isto gerou um sentimento de incômodo, não sei se foi esta a intenção da diretora, mas foi o que senti. Em alguns momentos, mesmo com toda aquela atmosfera de "arte", parecia um pouco perturbador e doentio, principalmente quando inseriram drogas alucinógenas e para dormir.
Em outros momentos, lembrava a série "Euphoria", inclusive o Jacob Elordi que interpreta o Elvis participa dessa série, ou um clipe da cantora Lana Del Rey, que já utilizou a obra "Lolita" e a Priscilla Presley como inspirações.
Assim, a intenção de algumas cenas é um pouco incerta, visto que a obra "Lolita" retrata um crime, apesar dos diálogos deste filme sugerirem o contrário. Então, fica um questionamento do que é realmente uma crítica e do que é uso intencional romantizado.
Bom, fora esses pontos. Gostei de como o filme mostrou que apesar do tratamento que ela recebeu, do desrespeito e das traições que ela sofreu a Priscilla conseguiu seguir em frente, desenvolveu uma carreira de sucesso no cinema como atriz, se tornou uma escritora e uma grande empresária. Essas partes não passam no filme, mas foi legal ver a partida.
Gostei mais da interpretação desse ator, Jacob Elordi, como Elvis e gostei mais desse filme sobre parte da vida dele com a Priscilla Beaulieu do que do filme "Elvis" lançado no ano passado, pois este é um filme menos frenético, a atriz que interpretou a Priscilla foi mais competente e a aparência desse ator e sobretudo a voz dele é mais parecida com a do Elvis e é mais agradável.
Em resumo, é um filme interessante que mostra o crescimento e amadurecimento da Priscilla Beaulieu da adolescência na Alemanha até a independência na fase adulta. No final, temos Dolly Parton.
Não é um filme muito longo, então não é cansativo. Baseado em um livro escrito pela própria Priscilla Beaulieu, que inclusive auxiliou a produzir o filme, ele é basicamente um resumo da história de vida dela e da relação dela com o Elvis.
Assim, algumas cenas podem ser meio incômodas, mas, como a própria Priscilla Beaulieu auxiliou a produzir este filme, ele é baseado no livro que ela escreveu sobre a relação dos dois, os atores são maiores de idade e ele foi aprovado para exibição, ele deve ser o material mais "fiel" que temos sobre esta história e pelo menos serve para refletir sobre a vida.
Oppenheimer
4.0 1,2KHonestamente, é um filme muito longo para o que retrata.
A história em si é meio absurda, pois basicamente tenta discutir e enaltecer uma situação de genocídio em massa como um ato heroico e fruto de genialidade.
Os diálogos começam a ficar cansativos e repetitivos depois de 2 horas.
A edição entre os períodos (colorido e preto e branco) ficou um pouco bagunçada do meio para o final, principalmente em relação ao personagem do Robert Downey Jr, que teve diálogos muito chatos.
Neste sentido, o personagem do Casey Affleck, com pouco tempo de tela, pareceu mais interessante e convincente.
Cillian Murphy está bem, só a edição ficou estranha dele passando de um estudante com saudade de casa, meio perturbado, para um cientista genial, sem ter mostrado a genialidade primária dele, considerando que eles tiveram 3 horas para mostrar isso.
Pareceu que o diretor supôs que o público conhecia a biografia do Oppenheimer, provavelmente porque ele e a equipe pesquisaram muito sobre ele.
A personagem da Emily Blunt é pouco aproveitada, é mostrada como uma mãe irresponsável e que sofre de alcoolismo, ao mesmo tempo que serve como "a consciência estrategista" do personagem do Cillian Murphy, falando frases motivacionais em momentos decisivos.
Ficou meio sem sentido essa parte da história, visto que uma pessoa instável emocionalmente, que está doente e precisava de ajuda, não teria discernimento para auxiliar ninguém a tomar decisões de segurança nacional e internacional, mas esse é o roteiro.
A personagem da Florence Pugh foi menos aproveitada ainda, parece que só escolheram esta atriz, pois ela já tinha trabalhado em filmes que precisou tirar a roupa e era meio "viciada" em sexo, tipo "Lady Macbeth" (2016), pois basicamente os closes foram nos peitos dela, não há um desenvolvimento da personagem, ela aparece, faz o que "precisa fazer" e some.
Parece uma objetificação consentida da personagem dela que parecia ser uma espiã frustrada e triste.
A fotografia desse filme é legal. A trilha sonora é repetitiva, acompanha o desenvolvimento dos capítulos, parece que o compositor se inspirou nos antigos trabalhos do Hans Zimmer com o Nolan e adicionou mais algumas influências minimalistas, mas combina com o filme.
Em resumo, a edição é ruim. A fotografia é boa. A trilha sonora é mediana e repetitiva. As atuações estão adequadas para um roteiro fraco e cansativo.
Para um filme sobre a Segunda Guerra Mundial, dirigido pelo Nolan, ainda prefiro "Dunkirk".
Um Salto Para a Felicidade
3.6 184 Assista AgoraÉ um filme muito bom, mas acredito que hoje ele seria problematizado, pois a situação poderia se configurar como abuso de incapaz.
Além disso, se uma pessoa precisa ficar mentindo para ter uma "vingança", acho que ela gasta energia, recursos e envolve muita gente de forma desnecessária, só uma pessoa com amnésia para acreditar nessa história. O marido dela nesse filme é um covarde, o ator fez um bom papel. O final foi coerente.
Assisti o remake com a Anna Faris, é legal, os papéis foram invertidos, talvez por esse receio de ser problematizado, mas esse é mais engraçado, pois o casal conseguiu convencer.
O legal é que o casal de atores desse filme continua junto até hoje, é difícil encontrar casais assim. É bom ver pessoas que se gostam de verdade e que buscam trazer felicidade através do trabalho que desempenham.
Assistido em 23/12/2023
Bom Dia, Vietnã
3.8 252 Assista AgoraAcredito que todo mundo deveria assistir esse filme, principalmente estudantes de Rádio e TV e profissões ligadas à Comunicação.
Estou observando que muitos estudantes destas áreas estão esquecendo a essência do que é ser um locutor de Rádio e a função do Rádio.
Atualmente, ligamos em algumas estações de rádio e nos deparamos com locutores totalmente despreparados.
Primeiro, que a maioria deles não tem voz de locutor de rádio, muitos precisam fazer preparação de voz, pois possuem as vozes mais comuns do mundo, não há mais uma personalização da voz dos locutores atuais, uma característica importante dos locutores clássicos que ainda resistem mesmo com a diminuição dos salários e como brilhantemente demonstrou o ator Robin Williams nesse filme ♡
Depois, muitos deles ficam conversando entre si de forma debochada sobre temas igualmente fúteis, problemas sociais ou notícias da atualidade ficam atrás das fofocas e risadas fora do tempo.
Por último e o que considero o maior absurdo de todos: muitas rádios não tocam músicas inteiras, não falam sobre as músicas que tocam, quando falam é sobre a vida pessoal do cantor ou cantora. Uma rádio FM que não toca músicas está fazendo algo errado.
Entendo que as rádios atuais perderam muita audiência para outros meios de comunicação e até mesmo para podcasts, que na realidade são programas de rádio filmados, e precisaram cortar despesas e capital humano profissional, mas não é possível que não existam estudantes de Rádio e TV com vozes melhores e formação cultural mais preparada para assumir programas.
Enfim, faltam radialistas na sociedade que consigam levar alegria, entusiasmo, comentar notícias com respeito e passar músicas boas para a sociedade, mesmo em tempos difíceis, como esse filme mostra.
Recomendo, assistam e aprendam ♡
Diário de uma Paixão
4.1 2,7K Assista Agora"The Notebook" é um filme muito bonito, baseado em um livro de mesmo nome, do Nicolas Sparks.
É uma história emocionante, não considero inverossímil, visto que no contexto que ela é inserida as distinções entre as classes sociais eram mais marcantes do que são hoje, apesar desse preconceito ainda existir.
Além disso, o filme fala da questão do Alzheimer, uma realidade presente na vida de inúmeras famílias e que afetou a vida de inúmeros casais. A diferença desse filme para os demais filmes baseados em obras do Nicolas Sparks é que esse possui uma singularidade que é a sutileza na construção do enredo.
Os filmes posteriores utilizaram essa receita "pronta" o que os tornou previsíveis. A sutileza e a construção da relação dos dois personagens neste filme ficou gradual e mais realista do que as paixões "instantâneas" e dramas apresentados no final dos seguintes.
Gosto como o filme revela como pessoas más tentam culpabilizar as vítimas para tentar encobrir as maldades e injustiças que fizeram para suprir seus próprios interesses, geralmente ligados à ganância e preconceitos. Os pais da personagem da Rachel McAdams dizem que o Noah não era "bom" para ela, mas queriam um casamento arranjado para aumentar a própria fortuna, escondem as cartas, inventam histórias, tentam transformá-lo em vilão, dizem que ele é um sem futuro quando ele era bastante esforçado. Assim, também gosto como o filme demonstra que o tempo sempre revela a verdade sobre tudo, pois realmente não existe nada oculto que não apareça na luz.
Recomendo, pois é um dos melhores filmes da Rachel McAdams e do Ryan Gosling, eles eram bem jovens, mas representaram os papéis com bastante maturidade e respeito ♡
Shame
3.6 2,0K Assista AgoraGosto desse filme porque é verdadeiro. Mostra a realidade da vida de um homem que possui uma doença que o impede de ter relacionamentos saudáveis e duradouros, pois o escraviza, deixando-o com sentimento de vazio e angústia. Ele não sente prazer nas relações, mas dor e vulnerabilidade.
O filme também mostra a relação desajustada que ele tinha com a irmã, que provavelmente via nele um modelo de conduta desde jovem, por isso imitava o comportamento. Contudo, o filme deixa transparecer que ele se importava com ela, mas provavelmente eles tiveram uma infância conturbada, abusiva, sem amor e encontraram nas relações casuais uma forma de fuga da realidade, mesmo que de forma momentânea. Só que ela era mais sensível, estava doente e precisava de cuidado profissional, assim como ele, mas infelizmente ela não teve. Então, ele busca resistir para não ter o mesmo fim, não ser mais escravo da doença, busca aprender a se relacionar para ser livre do vício.
É um dos melhores filmes do Steve McQueen junto com o Michael Fassbender, além desse filme, eles trabalharam juntos em "Hunger" e "12 Anos de Escravidão", que também são muito importantes. Recomendo.
Dogville
4.3 2,0K Assista AgoraAssisti esse filme faz muitos anos, mas basicamente ele fala da maldade humana. Conta a história de uma moça que busca abrigo em uma nova cidade, acredita que encontrou um lugar seguro, o líder da cidade a recebe e convence a cidade a aceitá-la, pois ela poderia ser "útil" no futuro. Conforme o tempo passa, as pessoas da cidade começam a mostrar as verdadeiras intenções para com a moça. Ela as ajuda, mas nunca é o suficiente. O líder deles era maldoso e queria usar ela como os outros. Mostra que fingiu que estava a ajudando, mas queria ser "recompensado" por isso, contudo, aos poucos ele começou a achar que ela seria uma "ameaça", pois era arrogante, no final ele admite isso, então começou a perseguí-la como os outros, utilizando de um discurso decorado. No final estava tentando fazer negócios com os perseguidores da cidade, pois era igual a eles.
O filme pode ser visto como uma alegoria cristã que mostra a Grace, a graça entrando na vida das pessoas tentando ajudá-las, muitas vezes na forma de pessoas, mas como o excesso de ambição, covardia, mentiras, manipulação e maldade humanas tentam corrompê-la e destruí-la para benefício próprio e como o universo observa essas situações e julga. O filme fala sobre os diferentes tipos de abuso que os seres humanos infligem uns sobre os outros, fala dos limites da tolerância da bondade, que torna as pessoas coniventes para a continuidade de ciclos de abuso sobre outras pessoas inocentes.
É um filme pesado, mas verdadeiro ♡
Almas Perversas
4.1 82 Assista AgoraEsse filme é muito importante.
É um grande alerta e uma boa advertência tanto para os homens quanto para as mulheres que tentam construir e manter relacionamentos baseados apenas na aparência, que é mutável e enganosa.
Homens costumam cair mais em histórias como as mostradas neste filme, são atraídos por mulheres que só querem o dinheiro deles, obcecados pela aparência e ideia de juventude.
Só que a aparência sempre se esvai e só é mantida com custos, sendo assim, eles podem gastar tudo o que possuem para "manter" essas mulheres que pouco fazem em troca.
A única exceção é quando eles as ajudam a se desenvolver como pessoa e em troca elas fazem o mesmo com eles, caso contrário é uma relação de parasitismo, como as relações mostradas neste filme.
A esposa do personagem principal parasita ele emocionalmente e financeiramente, depois ele é parasitado financeiramente por outra mulher que era parasitada por um gigôlo mentiroso.
Atualmente, contudo, esse cenário está se invertendo com mais moças caindo nesses golpes. Mulheres que se submetem a "sustentar" homens que nada fazem por elas, convivendo com gigôlos, que nem valem o que cobram, que as oprimem, mentem e ameaçam de abandono constantemente, com medo de ficarem sozinhas.
O final do filme apesar de não ter agradado muitas pessoas, considero muito importante.
As pessoas tomam decisões sem pensar muito nas consequências das suas escolhas. Não colocam limites em como as pessoas podem as tratar e depois podem colher sofrimento.
É importante aprender a lição para não cometer os mesmos erros, se afastar de vampiros afetivos e emocionais, evitar dessa situação se transformar em um padrão repetitivo.
Esse filme é com o mesmo elenco de "Um Retrato de Mulher" (1944), acredito que se tivesse o mesmo final do outro filme a frase final utilizada naquele filme continuaria valendo para este:
"Nem por um milhão de dólares!" ♡
Acredito que se um deles tivesse quebrado o ciclo de exploração o final seria diferente para todos, mas o filme quis ser realista, porque muitas vezes parece que as pessoas sabem o que devem fazer e se libertar, mas preferem sofrer.
Ninguém nasceu para sofrer, mas para ser feliz.
Enfim, é um filme pesado e triste, mas é um bom filme. ♡
Chamas do Destino
4.1 67Esta série é muito boa para quem tem curiosidade ou interesse em estudar Odontologia Legal, pois foi a partir deste evento, Incêndio do Bazar de Caridade de Paris, de 04 de maio de 1897, que foram iniciados estudos aprofundados nesta área, foi somente com a ajuda dos dentistas que foi possível identificar centenas de vítimas que estavam carbonizadas, impossibilitadas de serem reconhecidas de outra forma, sobrando apenas a arcada dentária.
Entre as vítimas identificadas através da Odontologia Legal estava a Duquesa Sofia da Baviera, antiga noiva do Rei Ludwig II da Baviera, nascido em Munich, também conhecido como o "rei louco", "rei do conto de fadas" ou "rei cisne", pois resolveu construir o Castelo de Neuschwanstein, com quase todo o dinheiro que tinha no reino, sendo assim deposto de forma simbólica, eles ficaram noivos pois eram "fãs" da música e do compositor Richard Wagner, ela tocava piano e cantava com ele, eram bons amigos. No final, Ludwig II poderia ter alguns transtornos, mas não estava tão louco em relação à construção, pois o Castelo de Neuschwanstein é hoje considerado um dos castelos mais visitados da Alemanha. Misteriosamente ele faleceu em um lago.
Enfim, o dentista da Sofia a reconheceu, pois ela tinha uma obturação de ouro, diversas outras vítimas foram sendo identificadas dessa forma: ausência de dentes, restaurações de ouro, cirurgias ósseas, anatomia craniana, etc.
A Odontologia Legal é importante, pois devolve a identidade para várias vítimas, alivia o sofrimento dos familiares que acabam descobrindo o paradeiro de seus membros, principalmente de vítimas de desastres, sejam eles naturais ou acidentais como este.
Além desse assunto, a série aborda questões importantes para as mulheres no final do século XIX, parece uma novela, é muito bem feita.
Angela
2.5 98Terminei de assistir o filme, é uma pornochanchada criminal, este estilo de filme mais grosseiro, malicioso e erótico era comum durante a época que ocorreu o caso, anos 70. Neste tipo de filme o adultério e a falta de diálogo são comuns.
Em "Angela", os personagens não conversam direito, o rapaz tratava ela como um animal... De cada três cenas, apenas uma era de diálogo e durava um pouco mais de um minuto.
Os atores coadjuvantes não são bem aproveitados, todos são maliciosos e nem a existência deles é explicada, exceto pela moça que trabalhava na casa, eles aparecem e somem da tela de forma abrupta. Os filhos da Ângela só aparecem uma vez.
A personagem da Bianca Bin é pouco desenvolvida e tratada como se não fosse importante, alienada, triste e descartável, não entendi o papel dela, em uma das cenas ela "foge" e deixa a Ângela para apanhar, sua "melhor amiga", e a cena mais longa dela é de conteúdo adulto.
Todas as cenas do filme que envolvem outros atores parecem querer levar para cenas de conteúdo adulto.
Lembra realmente um filme privê, que passaria de madrugada.
O roteiro é pobre, assim como a produção, a maquiagem e o figurino, não parece um filme que busca trazer respeito ou justiça para a socialite Ângela Diniz, na verdade, a história dela nem é contada, sabemos mais sobre a reforma de uma casa.
A fotografia do filme também é fraca, algumas cenas são muito escuras, não é possível enxergar as cenas direito, precisam trabalhar iluminação em cenas filmadas de noite...
A Isis Valverde fez um bom papel, mas o roteiro não ajudou. O filme termina de forma decepcionante e sem defendê-la, a última tomada é sobre o rapaz.
Não recomendo, tomara que um dia façam um filme decente sobre ela e a defendam, esse parece uma fantasia pessoal do diretor.
Carta de uma Desconhecida
4.2 64 Assista AgoraEste filme é baseado em uma novela escrita por Stefan Zweig, um escritor vienense, de origem judaica, ele escreveu diversos livros importantes, entre eles biografias e contos. A novela original foi publicada em 1922.
Neste filme Joan Fontaine faz uma mártir autoimposta "de amor", que se apaixona por um pianista mulherengo. Algumas pessoas citaram uma possível alusão à santificação da personagem, isto é verdade em certo ponto, mas se observarmos a história de um aspecto mais amplo e profundo, ela se apaixonou por uma forma ilusória do pianista, uma forma que nunca existiu, pois até o mordomo dele prestava mais atenção nela do que o próprio pianista.
No filme, em alguns momentos ela assume que tudo aquilo poderia se tratar de uma ilusão, mas até nestes momentos ela demonstra uma baixa autoestima e se culpa por ele "não amá-la", mesmo após muitos anos... É uma cegueira incontornável.
A verdade é que se tratava de uma obsessão, pois ele não era nada daquilo que ela imaginava, o final do filme inclusive mostra que ele estava sempre a caminho da decadência.
Não é possível julgar a personagem, pois a situação dela é bem comum, algumas mulheres tendem a colocar homens em pedestais, principalmente quando são rejeitadas de alguma forma, não aceitam o fim de uma relação ou simplesmente não aceitam que o homem não está ou nunca esteve interessado, não aceitam que os homens podem se envolver casualmente e simplesmente não sentir nada, nem antes e nem depois. Não aceitam, pois é uma dor que elas não querem sentir, é a dor da realidade humana, da superficialidade das relações, que não é exclusividade da "modernidade", ela sempre existiu. Sempre existiram os filhos "ilegítimos" e as "mulheres para casar". Da mesma forma, sempre existiram homens que não servem para casar e sempre existirá, pois é a realidade humana acreditar que sempre merece "o melhor" para si, mesmo quando é uma ilusão e outra máxima é que ninguém força ninguém a amar.
A personagem de Joan então cria ilusões e se alimenta delas, esperando que "um dia" as coisas mudem, se talvez ela se "esforçar" ou se sacrificar de alguma forma, se não se casar, se não se relacionar com outras pessoas. Algumas mulheres fazem isso, elas fazem "tudo" por um homem esperando que ele retribua com "amor".
Algumas tentam comprar o amor dele, comprando o tempo da companhia dele, etc. O problema deste último caso é que no dia que o dinheiro acabar e sumir, o "amor" dele também vai.
Acredito que não é culpa das mulheres, elas só foram ensinadas "a amar", mesmo que isto signifique deixarem de "se amar".
Acontece que este filme ensina outra lição importante, mostra que reciprocidade não é sinônimo de sacrifício, mostra que toda obsessão leva à uma tragédia, seja física, mental ou financeira.
Quando as pessoas se gostam mutuamente não dói, o filme mostra que ela passa a vida em infelicidade, esperando... até mesmo quando bons homens a pedem em casamento, ela só aceita por causa do filho, para sustentá-lo, porém mesmo nesses momentos parece que ela só quer mantê-lo vivo pois ele era filho "dele", contudo, não falava nada para "ele" para não "incomodá-lo"... Mas "ele" nem lembrava da existência "dela" e continuava a viver a vida "dele" de solteiro, não se importando, portanto, com nenhum "filho dele"...
Logo, essa "abnegação" ou sacrifício autoimposto da personagem era irracional e doentio, ela estava longe de ser uma mártir.
Os santos libertam as pessoas e não são apegados ao mundo material, ela foi apegada até o último dia.
Um verdadeiro mártir morre por uma causa que realmente existe, a sua morte não é premeditada por ele, por isto ele é um mártir, pois ele é inocente, geralmente ele é traído ou as condições são levadas ao extremo e o pegam.
A personagem de Joan estava doente mentalmente, em parte ela sabia, só que a doença aos poucos a consumiu.
Algumas pessoas podem se simpatizar com a personagem, mas sinceramente acredito que pessoas que vivem conflitos parecidos com os que ela vive precisam de algum tipo de ajuda, pois ninguém pode forçar amor ou tentar fazer o outro se sentir culpado, mesmo que de forma não intencional, a amar.
Não é um filme sobre "amor" é um filme sobre obsessão, escravidão mental e martírio autoimposto.
Joan Fontaine fez muito bem este papel, auxiliou a produzir o filme, o que foi uma conquista para as mulheres da época, pois foram poucas as atrizes que se arriscavam e foram autorizadas a produzir filmes. Ela fez um excelente trabalho.
Entretanto, acredito que o filme ensina que é melhor enxergamos as pessoas como elas realmente são, para evitarmos causar sofrimento, não somente em nós mesmos, mas nos outros, que são tão inocentes quanto nós somos, principalmente as crianças que não deveriam sofrer com as consequências das nossas escolhas ♡
A Múmia
3.5 1,0KEsse filme é ideal para começar a estudar Arqueologia da Arquitetura, área não muito estudada no Brasil. É lindo observar o amor que a personagem da Rachel Weisz tem em falar dos objetos e das construções, não somente da parte histórica, mas de como tudo aquilo representava simbolicamente a cultura e a vida deles, ela fez outro filme também muito bom que é possível estudar a estética das edificações e dos artefatos, se chama "Alexandria" (no orginal "Ágora"), nele ela faz a filósofa grega, matemática e polímata Hipátia de Alexandria, que foi professora na Academia Neoplatônica, em um período em que as mulheres não tinham muito acesso ao conhecimento, sofriam preconceito, eram limitadas de lecionar e precisavam buscá-lo praticamente sozinhas, um cenário não muito diferente do atual.
Essa área de estudo da Arqueologia é importante para reconstruir e preservar estes patrimônios, pois quando se entende que tudo o que foi construído, criado e pintado ao longo de milhares de anos (pois não existiam fotografias, era a única forma do homem criar e construir imagens) se percebe que a história humana é escrita em pedra, cerâmica, âmbar, marfim, ouro e ossos, além das palavras... Se consegue entender a essência humana e da humanidade, visto que muitas construções e artefatos são produtos das relações humanas, relações sociais, das mais edificantes inspiradas pelo gênio e pelo gosto até às edificações fruto da corrupção e maldade, como às que são resultado de escravidão como às construções do Egito e até mesmo das edificações das civilizações latino-americanas, elas mostram e refletem como era o comportamento humano naquelas épocas.
Excelente filme, assistam ele também por este ângulo ♡
"Do atrito de duas pedras chispam faíscas; das faíscas vem o fogo; do fogo brota a luz.”
"Nada pensou de importante que não fosse escrito na pedra."
(Victor Hugo, escritor francês)
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À Espera de Um Milagre
4.4 2,1K Assista AgoraEsse filme é muito importante, pois ensina a importância de não perdermos a fé e a humanidade, mesmo quando em face da morte.
O mundo possui muitas ilusões, assim, o caminho mais fácil pode parecer revoltar-se com a vida, corromper-se ou entregar-se à desilusão.
Entretanto, o filme mostra que a única coisa que levamos dessa vida são os resultados dos nossos relacionamentos, das pessoas que tocamos, das palavras que dissemos, do bem ou do mal que desejamos ou fizemos uns para os outros.
Ele foca, sobretudo, no bem, pois as pessoas que nos fazem o bem jamais são esquecidas mesmo quando partem, não necessariamente quando falecem, mas quando deixam em nossas vidas a ternura de sua passagem.
Além disso, mostra que nem mesmo a injustiça consegue tornar pessoas boas naquilo que a sociedade espera que elas se tornem. É um filme que ensina e fala de compaixão, mesmo que tardia.
O personagem John Coffey é inesquecível, um homem simples que não gostava da escuridão e que tentou tirá-la de dentro das pessoas, que tentou curá-las quando foi permitido fazê-lo, mas o filme também mostrou que algumas pessoas não querem ser curadas.
O personagem dele faz uma alusão à história de Jesus Cristo, que ao tentar curar e aconselhar foi mal interpretado e condenado, muito por inveja, muito por ignorância, pois as pessoas possuem preconceito com aquilo que não entendem ou não querem entender, os dois são mártires.
Foi a melhor interpretação feita por Michael Clarke Duncan. ♡
Moulin Rouge: Amor em Vermelho
4.1 1,8K Assista Agora"Moulin Rouge" é um filme muito profundo, lançado no começo do século XXI, ele se passa no contexto da Belle Époque francesa, no histórico edifício do Moulin Rouge, aberto originalmente em 1889, na cidade de Paris.
Assim, é necessário ter um pouco mais de sensibilidade para entender a história, visto que é um drama, não apenas um filme musical ou um simples filme de romance. As músicas são um personagem a parte, a maior parte dos personagens foram inspirados em pessoas reais, Satine foi inspirada em diversas atrizes, cantoras e cortesãs que frequentaram o Moulin Rouge desde 1889, inclusive o sonho dela era se tornar uma grande atriz, assim como Mistinguett, uma jovem francesa que tinha o sonho de tornar-se uma grande atriz e começou cantando em diversos cabarés, incluindo o Moulin Rouge, no final do século XIX e início do século XX. A maioria das moças que se apresentavam no local tinham as mesmas esperanças.
O personagem do Ewan McGregor foi inspirado em diversos artistas, em especial escritores, poetas, que vivenciaram a Belle Époque francesa, possuíam uma vida boêmia e frequentaram o local.
Além deles, o filme também traz como personagem real o pintor Henri de Toulouse-Lautrec, assíduo frequentador do Moulin Rouge e que pintou diversas telas representando as cenas cotidianas no local.
A ideia do colocar músicas contemporâneas foi uma proposta bem interessante e diferente, estão presentes versões de canções de Whitney Houston, The Police e David Bowie. Todas as canções foram cantadas pelos atores, inclusive Nicole Kidman está muito bem, é afinada, inclusive o final da personagem é condizente com a situação da saúde naquela época.
O diretor Baz Luhrmann possui um olhar único para a Arte e a maioria dos seus filmes possuem o mesmo estilo de Estética: "Romeu e Julieta" e "O Grande Gatsby", seguem a mesma linha artística deste filme.
Dessa forma, "Moulin Rouge" é bem trabalhado na área da Arte, inclusive ganhou os prêmios Oscar de Melhor Figurino e Oscar de Melhor Direção de Arte ♡
Recomendo para todas e todos ♡
A Mulher Faz o Homem
4.3 180 Assista AgoraEste filme é sensacional, ensina que não devemos desistir de fazer aquilo que é o certo. Não devemos abandonar nossos princípios, nossa ética, mesmo quando a maioria escolheu se corromper, pois se todos fizessem isto não teríamos conquistado tantos direitos que nos possibilitam uma existência mais digna enquanto seres humanos que vivem em sociedade.
Recomendo que todos assistam para ficarem vigilantes sobre os conselhos que recebem e para nunca desistirem de lutar por aquilo que é justo ♡
Como muitas pessoas perguntam sobre o significado do título vou deixar a explicação abaixo, sem maiores spoilers.
O filme leva esse nome "A Mulher Faz o Homem", pois como os pôsteres do filme informam o personagem principal acaba utilizando da ajuda de uma secretária chamada Clarissa, que ao longo do filme se torna amiga dele e por já conhecer o ambiente o ajuda com bons conselhos. Ela aparece ao lado dele nos pôsteres e no filme, é interpretada pela atriz Jean Arthur. Não posso falar muito mais do que isso, pois seria muito spoiler, mas é por isto.
O filme quis passar que ter uma mulher sábia ao lado de um homem pode tanto elevá-lo quanto não ter pode derrubá-lo ou estagná-lo, por isto é preciso saber escolher com quem se trabalha e com quem se casa.
Uma mulher insensata do lado de um homem que está tentando fazer um trabalho sério que para ele é importante, ainda mais quando ele está começando na carreira, aconselhando de forma errônea pode deixá-lo confuso e fazê-lo tomar decisões erradas, que podem prejudicar a sua imagem e seu trabalho.
Ela era a secretária dele, portanto, essa função ficava sendo ainda mais importante, principalmente porque ele era novo, era um líder de escoteiros antes de assumir a função e foi escolhido de forma estratégica para assumir o cargo, pois era inteligente, esforçado e carismático, idealista.
Acreditavam que pela ingenuidade dele e por ele ser jovem poderia ser mais fácil manipulá-lo e corrompê-lo. Assim, ela contou como as coisas funcionavam de verdade, sem interesses.
Na teoria ela tinha mais experiência na área em questão de anos, então ela cumpriu bem a função, com integridade e honestidade, não era corrompida e não queria corrompê-lo para benefício dela ou permitir que fizessem isso com ele.
Ela falou a verdade, falou das manobras políticas, da propina, da corrupção. Explicou que apesar do sistema possuir corrupção, ele não deveria desistir de fazer a coisa certa, porque nem tudo é uma "causa perdida" ♡
Neste filme ela auxiliou ele com bons conselhos e apoio, principalmente pelo fato exposto na sinopse de que ele era novo no ambiente e ingênuo por ser ainda muito jovem, como falei anteriormente ele era escoteiro, mudou de área e assim ele precisava receber bons conselhos para continuar na profissão e ser respeitado e não virar fantoche e recebeu de uma boa mulher no momento em que mais precisava, que na tradução fez justiça à sua existência, pois o título original é "Mr. Smith Goes To Washington", pois o nome do personagem principal é Jefferson Smith e ele está indo para Washington D.C assumir uma cadeira no Senado, de forma inesperada.
Este filme foi importante para a história do cinema, ele ganhou o Oscar de Melhor Roteiro escrito no ano de 1939, vencendo, inclusive, o roteiro de "E O Vento Levou..." no Oscar daquele ano. Só para você entender a força desta história.
"I guess this is just another lost cause, Mr. Paine. All you people don't know about lost causes. Mr. Paine does. He said once they were the only causes worth fighting for. " ♡
Espero ter ajudado ♡