Alguma coisa estranha não me fez me conectar totalmente com o filme... A linha do equilíbrio talvez seja um certo "glamour melancólico"... em excesso? Mas ainda assim gostei muito, e entrou para os favoritos.
Eu achei bem previsível uma série de coisas (na verdade, a maior parte), mas nem é por isso que diminuí a nota. Ou talvez seja? kkkkkk
Me deixou bem confuso, e tenho a sensação, sim, de pontas soltas, mas eu nem me preocupo muito em querer ficar caçando isso, já que roteiro não costuma ser o ponto mais importante pra mim.
Agora, que a fotografia é incrível e que a atmosfera do filme é massa, isso é. Esse banho todo de uma luz amarela intensa dá uma 'sensação morna' quase angustiante: que nem de quando ficamos direto no ar condicionado e saímos pro calor da tarde, pr'um mormaço q nos derrete... s=
Cage e Maika estão maravilhosos em seus papéis. Não consigo afirmar isso quanto ao restante do elenco. O chefe dela que me incomodou mais mesmo kkkkk
Talvez a minha experiência, apenas, e mais uma vez, tenha sido prejudicada por conta de ser interrompido tantas vezes assistindo o filme (casar uma fragmentação com a outra, infelizmente, n surtiu o efeito esperado...).
Talvez eu volte aqui para editar meu comentário. Por conta das exemplicações, no caso. Mas o que achei interessante no filme é essa composição quase que de "vitrais" (considero um ótimo símbolo para representar o tema da memória): o tempo se repetindo entre a dança na rave e a dança no hotel, oscilando feito onditas na água, intercalando-se, sobrepondo-se, tanto nas imagens quanto nas palavras. Alguns exemplos (por hora, apenas um, o primeiro, ou dois):
1) Já bem no início, quando o Calum vê que só tem uma cama no quarto, e depois a gente tem a sobreposição do diálogo dele com a recepção, em que o "boa noite" dele desligando o telefone 'cola-se' ao boa noite dele cobrindo a Sophie. Acho isso genial pq, para além das cenas clássicas em que temos distenções muito grandes de tempo (e que este filme tbm trás), eles também colocam essas memórias tão próximas, mostrando-nos como o oceano de memórias e tão caudaloso e o modo como essas próprias memórias se perdem não apenas pela distância, mas tbm pelos diversos pontos de vista sobre elas e tbm pelo processo de repetição da memória, um espelho que, pra usar a própria metáfora do filme, se vc cuspir nele e dps n limpar, irá ficar manchado. 2) Aqueles parapentes (eram parapentes?) aumentando cada vez mais no céu, e dps transitando lentamente para o reflexo na água, não apenas como um traço da memória, mas tbm parecendo lembrar lentamente o Calum de que ele estava fora do ciclo das pessoas que podiam pagar por aquilo...
Outras cenas das quais gostei muito:
1) A cena que a Sophie canta "Losing My Religion"... me atravessou mais do que a cena com "Under Pressure". 2) Aquele momento em que o Calum conta sobre a infância dele, só depois que a Sophie 'desliga a câmera', e mantém apenas ligada a "câmera mental". A história sendo contada no reflexo de uma tv desligada me pegou demais tbm... genial!
O filme é beeeeem doloroso e extremamente melancólico... A gente até quer revisitar, mas sabe o quão difícil é, mesmo que seja pra ter de nv esse 'gostinho', que, no fundo, nunca volta, pq sempre é o gosto da primeira vez.
Apesar de todo esse impasse entre artista e monstro, ele reconheceu toda a pluralidade da Alma.
Acho tão simbólico a esposa dele se chamar assim também. Quase como a mesma essência do filme "Persona".
E enfim, né? Igual ao filme do Bergman, o Hitchcock explorou nossos medos e desejos de forma intensa e sensacional, fazendo-nos lembrar da mesma máxima:
"Seu esconderijo não é à prova d'água. A vida entra em tudo."
É difícil falar sobre esse documentário... muito mesmo. Mas talvez tenha de dizer algo agora antes que eu esqueça de alguns pontos. Bom, não vou ter nem tempo pra ficar marcando onde começa e onde terminam os spoilers...
O documentário me mostrou, de maneira muito interessante, algo que comecei a captar através da fala do Michael Busse: "Eu vivi em uma época em que ser gay era um crime, uma doença e um pecado." Frente a esses pormenores, deu pra perceber q, à parte do discurso policial e do discurso médico, a 'melhor' saída seria o do campo religioso.
Nesse sentido, dá pra entender como q a Exodus sobreviveu por 30 anos. Fora da época das redes sociais, a ironia que existia é que pessoas LGBTQUIA+ só poderiam se encontrar através de um grupo que negava justamente a sua sexualidade.
O relato da Julie foi o que mais me derrubou. O modo como usaram o abuso sexual que ela sofreu para levar adiante a sua imagem como líder foi de uma perversidade e crueldade inimagináveis: o relato dela, então, é tão forte...
"Na primeira vez que me queimei, estava sentada na calçada da igreja, após uma reunião da Living Hope. Enquanto meu cigarro diminuía, sem pensar muito, eu o enfiei no meu ombro e ouvi a pele do meu braço esquerdo chiar. Logo depois daquela noite, estava sozinha no meu quarto, perdida em um turbilhão de medo, agonia e auto-ódio, e me lembrei da queimadura e da onda de desapego que senti pelo corpo quando o fogo queimou minha pele. Depois de procurar coisas de metal que esquentariam sob fogo, achei uma moeda. Segurando a moeda com uma pinça, eu a mergulhei na chama de um isqueiro, o coração acelerando enquanto a moeda esquentava. Respirei, dobrei o braço esquerdo e apertei a moeda na carne até a pele romper e a dor entorpecer. Repeti o processo pelo menos 20 vezes naquela tarde, fazendo linhas no ombro, cada uma com uns centímetros de largura. Por semanas, comecei a aplicar Neosporin nas feridas de manhã e de noite. Meu corpo e eu estávamos seguros nessas horas. Eu podia arregaçar a manga, expor minhas feridas e ser recebida com ternura e compaixão. Nos anos seguintes, quando a angústia ficava insuportável, eu voltava a essa rotina de queimar linhas retas nos meus ombros e usar as feridas como alívio. Ouvi que depressão é raiva voltada para dentro. Talvez fosse o que eu estava fazendo no meu quarto naquele tempo. Peguei a raiva que sentia por viver em um corpo que não podia ser domado ao tipo de corpo que deveria ser: um corpo hétero, um corpo feminino, um bom corpo cristão, e ateei fogo nele."
A fala do Randy no final também é devastadora:
"Logo depois de me assumir, uma pessoa gay me disse de forma direta que eu tinha sangue nas mãos. Ele disse: 'O que acha do sangue nas suas mãos?' Eu disse: "Agora... só sei que tenho medo de olhar para as minhas mãos.' Como líder, fui treinado para reconhecer a perda, mas para racionalizá-la, para negá-la. E odeio ter feito isso. E muitos de nós não cometem suicídio, mas estamos nos matando internamente por não aceitarmos quem Deus nos criou para sermos."
Eu não acredito que o filme faltou ser mais incisivo, pois ele começa e termina avisando dos perigos dessas terapias, e também trazendo, tanto no início quanto no fim, a figura do McCall como amostra desse perigo sempre iminente...
Achei talvez que faltasse maior representação de alguns grupos (por exemplo, de pessoas negras, mas esse ponto até entendo... que ainda mais nos EUA, lideranças de 'ex-gays' só tivessem como ser de pessoas brancas mesmo (Michael, John, Yvette, Julie e Randy como centrais)... e, por outro lado, que algumas pessoas da sigla poderiam ter sido representadas como mais veemência (a bissexualidade da Yvette me pareceu bem apagadinha, mas até isso é simbólico). E além desses dois pontos (que convergem para um só), fica o sentimento de mea culpa bem forte no documentário todo. Seria uma "culpa cristã" também? rsrs
Porém, eu não consigo julgar de maneira incisiva todos os líderes ali citados e entrevistados, pq todos os principais abandonaram a Exodus e as outras correntes e lutaram para mostrar o quão errados eles levantam, e, acima de tudo, eu consegui sentir muito todo o sofrimento que passaram nesse processo de autonegação.
Haveria tanta coisa pra falar, mas... esse documentário me machucou demais e tbm me fez lembrar, como pessoa bissexual, das vezes pelas quais passei pelo mesmo processo de negação...
De fato, é um documentário que precisa ser mais divulgado e melhor conhecido, até mesmo pela importância do seu valor histórico.
No início, fiquei desconfiando que fosse a Sra. Patterson e o pai da Virginia... pq desde o começo eles deixam uma pista de que pudessem ser "dois" assassinos. O filme deixa a gente confuso um bom par de vezes... e usar esse tom de duplo já é algo clássico pelo menos desde "Psicose" e foi repetido um par de inúmeras vezes (em "Armadilha para Turistas", em "Sexta-Feira 13" e em "A Casa de Cera", por exemplo... e até mesmo, de certo modo, em "Pânico")...
O filme tem todo um tom bem macabro, reforçando essa ideia dos feriados/datas comemorativas (aqui, agora com um aniversário) e, apesar de bem confuso em vários momentos, tem um roteiro interessante e acredito que consegue prender a gente até o fim. Algumas cenas são confusas mesmo... (por exemplo, o que a Amelia fazia lá parada na chuva, perto do fim do filme?!)...
Além disso, como são muitos personagens, fica difícil da gente gravar e isso gera mais confusão também. Mas, sabendo do plot final, deixar confuso obviamente é a função desse filme haha
Pra mim, o que pesou um tanto pra pesar a nota foi essa confusão toda e também, por outro lado, ironicamente, a excessividade de explicação de outros pontos.
Ah, aliás, em algum momento eu desconfiei da Ann, por conta do modo como ela parecia estar sempre demasiado preocupada com a Virginia... Xx
Pelo menos a três filmes me remeti assistindo esse filme: "Evil Dead" (o mais gritante), "O Exorcista" (obviamente, mas com outras características talvez mais sutis) e, sobretudo, em se tratando de filmes em Língua Espanhola, "O Bar", do Álex de la Iglesia...
No caso do último, o tema da "infecção" é bem notório também. Até mesmo a representação do ponto de partida: um corpo infectado, inchado, que faz crescer esse paralelo entre algo sobrenatural (a possessão) e algo 'natural' (uma epidemia). As cenas são aterradoras e a gente não tem muito tempo para se apegar a nenhum personagem, pq eles vão sendo destroçados um logo após o outro.
Na questão das regras e em outros pontos parece haver furos de roteiros, mas talvez sejam só marcações do desespero das próprias personagens e suas más decisões (às vezes com pressa, às vezes não), com esses 'demônios' que aparecem por todos os lados.
Dá pra pensar nesse ponto, também, em um paralelo, agora, com "O Enigma de Outro Mundo". Se lá não sabemos devidamente quem é o alienígena, aqui não sabemos quem é o possuído, de fato.
Agora vou correndo para o Dicionário de Demônios pesquisar sobre Azrael e Uriel haha
Assistido em 18 de Junho de 2024, terça-feira.
P.s.: Eu fique um pouco preocupado e confuso com a representação da personagem autista no filme (autista e TDAH aqui falando isso)...
O Xavier Dolan, talvez seja isso que só esteja percebendo agora, sabe como irritar a gente com esse jogo equilibrista dele entre um filme que pode ser pura arte e, ao mesmo tempo, cafona ou, pelo menos, piegas... é dá raiva ficar em dúvida [se/o quanto] ele está consciente disso.
Duas questões principais marcaram minha experiência com este filme:
1) O fato de eu sentir uma espécie de perda de 'timing' por ter visto esse filme apenas 10 anos depois que ele foi lançado (mesmo tendo assistido em um espaço de tempo menor a "Eu Matei Minha Mãe" (2009), "Amores Imaginários" (2010) e "A Morte e Vida de John F. Donovan" (2018).
2) Mais especificamnteA minha própria experiência assistindo o primeiro filme que centra uma personagem com TDAH após eu mesmo receber o laudo de TDAH e TEA.
Bom, vamos a cada uma.
A primeira parte é mais breve, talvez. Em todas as circunstâncias, com exceção da primeira, eu procurei os filmes do Dolan por uma necessidade de identificação: em "Amores Imaginários", pela provável presença de um protagonista bissexual; em "A Morte e a Vida de John F. Donovan", encontrei o filme buscando pela trilha sonora, com a presença de uma música do Robert Alfons (TR/ST) [e, mais tarde, talvez eu tivesse voltado a esse filme por motivos tão dolorosos que nem sequer vou citar aqui]; e aqui, em "Mommy", pelo que já disse, em relação ao TDAH.
Opa! Passemos ao ponto 2: E talvez essa busca incessante de identificação, mais ainda sabendo ainda mais sobre o que o próprio Dolan pensou da premiação dele no Queer Palm de 2012, me faz tbm me equilibrar e desequilibrar nesse intento... de todo modo, a própria questão do TDAH e da autoidentificação tornou a experiência de assistir esse filme extremamente dolorosa: seja pelo tema, seja pelo esforço em assisti-lo praticamente numa tomada só, sem ficar voltando pra "degustar" as cenas; ou para superar uma ou outra frustação em relação ao filme, aqui e acolá.
1) A cena da agressão (me fez lembrar muito da relação entre mãe e filho no longa "Réquiem para um Sonho".
2) A cena em que eles três estão cantando e dançando em casa... se não me engano é essa que me chamou a atenção pela letra...
3) A cena do Karaokê.
4) A cena do passeio com o skateboard e as bikes (não à toa é uma cena que aparece compartilhada até no anúncio do filme na MUBI). Essa me parecia talvez a mais apelativa/piegas... mas aí...
5) Aquela cena em que a mãe vê o futuro dela... enfim, esse combo de duas cenas me fez pensar: será que esse filme envelheceu bem?
6) A cena final, em que parece que não sabemos se ele está no primeiro piso ou em um mais alto, faz imaginar se ele estaria fugindo ou tentando cometer suicídio de novo... pelo menos foi assim que eu vi. E não seria, de todo modo, dois tipos de fuga?
Eu realmente fico com raiva em não saber/perceber até que ponto o Xavier tem consciência disso que ele está fazendo... mas gostei relativamente do filme sim, até pelas reflexões que ele me trouxe.
Eu o assistira mais uma vez apenas para descobrir quais são as cenas que não estão no formato 1:1. hehe
Sigo sendo tapeado pela rave (e sim, eu gostei do filme haha).
Acho, que de cara, o que tenha me irritado um pouco tenha sido só aquele final insosso e o garotinho um tanto quanto.
Há muitas coisas que gostei no filme: a trilha sonora pendendo para o eletrônico (mas queria mais, prometeram e acabaram me dando pouco kkkkk); as cores e a fotografia (gostei sobretudo dos fade ins e fade outs do filme, que fazem essa explosão de paletas soar mais longe); a sensação de que estamos adentrando quase que um jogo de RPG pela variabilidade de cenários e contatos pelos quais a que a Lee passa ao longo do filme (pegando um calçado aqui, enfrentando um 'boss' ali, trocando uma camiseta por um beijo e por aí vai).
É interessante como não sobra um único personagem com moral dúbia, mas justo isso que acho que é o maior "tchan" do filme. E que casa muito bem com a cena caótica de Nova Órleans (aliás, antes eu tava reclamando das cores e luminosidade de "Noite Passada em Soho", este aqui então, me deixou ceguinho, ceguinho).
Eu pensava que o filme se passaria todo durante a noite, mas tem cenas de dia também... contudo, acho que é alguma coisa da fotografia do filme que faz soar até os dias meio que "noturnos", como se fossem uma extensão da noite.
O filme realmente não explica quanto aos poderes da Lee, se eles vêm da Lua de Sangue... e qual essa relação direta... mas achei muito bacana (inclusive, em uma das críticas que li, reforça-se novamente isso como ponto positivo). E bota a gente pra pensar sobre a questão da Mona Lisa. Achei interessante tbm o jogo das cores vermelha e verde (sendo que associei o verde mais ao Charles, até pq dps vira a cor de cabelo dele).
Aquele final no aeroporto, ainda que tenha achado bem nobre a atitude do Charles (e mais inventiva ainda na saída que ele buscou), me pareceu dps talvez um pouco piegas... e, juntando com a cena final morníssima do avião, reforçou o sentimento de final de filme sessão da tarde kkkk q horror...).
De todo modo, há cenas que me soaram como um grande conforto, alguma certa calmaria... como ela cruzando a floresta pra chegar em Nova Órleans; ou mesmo as cenas de dia, sobretudo a da lavanderia. A cena do desenho, retomando a música-título, é muito linda.
Ainda que com várias pulgas atrás da orelha, foi uma grata surpresa. :]
Assistido em 05 de Junho de 2024, quarta-feira.
P.s.: Acho q entendi agora um ponto... é como se o fato de eu ter gostado tanto dele no começo e no meio me força-se a exigir que gostasse desse filme mais ainda no final (daí a frustração que baixou um pouco a nota haha).
Eu gostei muito do filme, embora tenha ficado quase cego com tanta luz. Xx haha
Levaria uma semana ou mais só pra levantar o tanto de inspirações/sugestões que o filme passa, inclusive de uma série de outros filmes: desde filmes diretamente citados no filme, como "Bonequinha de Luxo", até outros, subreptícios (Perfect Blue, Paprika [que pra mim é o que tá mais na cara, com esse tanto de sonho, chega a ser óbvio demais], Cidade dos Sonhos, Veludo Azul), sugerindo até trechos de Psicose (afinal, mesmo sendo americano, é um filme de 1960 de um diretor britânico). Com pegadas macabras ainda de Alice no País das Maravilhas haha
Seria até sufocante demais enaltecer tantos pontos bons: fotografia, figurino, roteiro (sim! até isso!), uso de cores, atuações, ambientação etc. Talvez só fique com a intenção de pontuar três questões que me vem mais à tona:
1) Quanto ao Lindsey "não ter descoberto as mortes", eu não acho que ela conseguiu esconder. Pelo contrário, acho que ele descobriu bem até demais e acobertou os assassinatos da Sandie. Tanto até que, antes de morrer, ele fala pra Ellie procurar a Alex (Sandie), para descobrir que ela não era essa pessoa que ela pensava ser. Além do mais, eu acredito que um enredo subreptício que há no filme é uma breve sugestão inicial de que a própria mãe da Ellie seria a Sandie (no sonho, uma vez que ela para de ver a mãe e logo em seguida passa a [re]ver a Sandie. P.s.: inclusive, a cena final do filme é praticamente um tríptico com Ellie/mãe da Ellie/Sandie). Quando eu vi o Lindsey pela primeira vez no filme, fiquei imaginando que fosse o pai da Ellie. Então, por esse comparativo de pares, e até mesmo pela cena em que a Sandie tem o encontro com o Lindsey, acredito que ele foi um pretendente meio que rejeitado pela Sandie (por ela se encontrar sem esperança de que pudesse sair daquela situ), e/ou que não conseguiu tirá-la daquela situação. Aí, temos, por espelhamento, um diálogo forte com o par Ellie-John. Mais uma vez, durante o filme, há a frase: "Esse é o mínimo que eu poderia fazer." x "E qual seria o máximo?" Nesse caso, mínimo e máximo se encontram: amando Sandie, e sendo não correspondido, ele poderia ao menos/ao mais não se intrometer na vingança pessoal dela.
2) Acho que o pessoal se desilude tanto quando vê "filme de Terror" pq já foi muito 'masturbado' pela indústria pop pra achar que o único sentimento provocado pelo filme de terror é o Medo (e ainda por cima, um tipo de medo tbm extremamente limitado), assim como recursos limitados (o jumpscare é só o carro-chefe, mas a gente poderia citar a atmosfera "sombria", que se perde aqui no meio de tantas luzes, e faz rememorar filmes como "Suspiria", que nos ensinaram que o Horror e o Terror possuem uma paleta de cores bem mais variada do que imaginamos). Nesse caso, se a gente olha para outros/as sentimentos/impressões/sensações (angústia, ansiedade, estranhamento, deslocamento, nojo, solidão etc.) que o gênero pode nos proporcionar, esse escopo fica bem mais ampliado: e realmente "Noite Passada em Soho" oferta tudo isso de maneira magistral.
3) Uma coisa que eu achei bem simbólica (e que acredito que não seja superinterpretação) é que o incêndio representa bem essa "purgação" do passado da própria Sandie e até mesmo do da Ellie (aliás, não à toa o nome original da primeira é Alexandra, daí em pensarmos no final como esse incêncio da biblioteca de Alexandria, de suas memórias).
Tirando isso, acho que só o excesso do CGI em algumas partes me incomodou, com aquele excesso de 'fantasmas/espectros' também...
Mesmo não dando nota máxima, eu praticamente amei esse filme.
Olha que eu nem parei pra ficar pensando em lenda da "Mulher que Chora" e da "Noiva de Branco"... mas... que pena! Um filme da época do colégio que parece não ter envelhecido nada bem, até mesmo pela CGI zoada kkkk Ai... aff!
Até a metade, eu tava achando bem legal. Mas depois daquela cena na casa com a senhora, parece que tudo desanda e fica confuso.
1. Uma coisa que eu não entendi por talvez ter assistido a pressa: o rio passava por debaixo da estrada, seria isso? 2. Tem até uma cena que o Nuño fala que tinha conversado com o Omar sobre os mapas... mas gente, eu não lembro disso acontecer em momento algum!
Tudo fica muito confuso e zoado pro final. Fica difícil ficar juntando tanto quebra-cabeça. E o fato de dizerem que é baseado em um caso real é bem zoado, pq tem muita coisa excessivamente incrível: no sentido de não crível mesmo kkkkk Ainda colocam a história da esquizofrenia pra dar uma duvidazinha na cabeça, maaaas... pqp, todo mundo era esquizofrênico então? kkkkkk
A cena do Omar mostrando o caminho pro corpo dele e a casa da senhora sendo também uma casa fantasma que aparentemente some apenas à noite... achei interessante (inclusive me lembra o jogo "A Bruxa de Blair: a maldição de Rustin Parr" [2000]), até mesmo por essa prática inversão de ela aparecer apenas de dia e não à noite, como se fosse a própria memória da casa que não conseguisse superar a morte.
O final tbm achei meio doido justo o fantasma assumir o corpo da Ágata.
Mas nem esses detalhes bacanas salvaram mesmo de eu gostar 'oficialmente' do filme...
Assistido em 24 de Maio de 2024.
P.s.: realmente, a fotografia esverdeada/azulada é algo que eu tbm tinha gostado bastante, pelo menos até um terço do filme... depois começa a ficar enjoativo.
Gostei bastante do filme, embora não totalmente. E não sei dizer ainda ao certo o porquê. Mas que o filme te põe pra pensar uma série de coisas, isso põe.
Acredito que a Tess tenha uma dependência emocional enorme, e até certo ponto parece ser isso que a guia para bancar a salvadora.
O Keith é outro coitado, e fiquei imaginando se até o nome dele não tem alguma ironia, pois é muito semelhante a "Key" (de fato, é ele que possui as chaves da casa, e é através da morte dele que o filme dá uma 'girada' de ato).
O Justin talvez seja ali o personagem central da moral duvidosa: acontece que, talvez, os seus maiores defeitos sejam a ganância e a covardia.
A coitada da monstra, tem nem o que falar... pensando bem, ela me faz lembrar muito a personagem torturada de "Mártires".
O Frank, para além de ser bem desprezível, me faz pensar que ele centraliza o núcleo do descaso daquela área da cidade. É como se ele concentrasse toda a podridão do bairro na casa dele.
O senhor morador de rua talvez seja o exemplo mais clássico de que "as aparências enganam"...
O filme parecia, a princípio, exigir muito da suspensão da descrença. Mas, por outro lado, acredito que tenha mais valor msm o valor da crença. Por incrível que pareça, exemplos desse tipo (e infelizmente) tem aos montes. O Frank poderia ser qualquer serial killer clássico das décadas de 70 e 80 que deu um olé incrível nas autoridades antes de ser pego. E isso reverbera até a atualidade do filme, quando a gente vê a atitude dos policiais para com a Tess.
De todo modo, me parece bem simbólico o suicídio do Frank na frente do AJ: quase como retratando - o que não deixa de ser controverso - : "Olha, se vc acha que este fulano é canalha, olhe bem para este outro aqui, de antigamente."
De fato, ele parece cometer dois acidentes msm... só que não sobra dúvida da intenção do último... e talvez a ironia seja a gente se motivar a pré-julgá-lo em relação as atitudes anteriores (o suposto estupro e o tiro que ele dá na Tess) com relação à última atitude dele.
Enfim, de todo modo, n é um filme convencional, e uma boa pedida pro meio da semana... rs
Aliás, o filme me fez me interessar por pesquisar um pouco mais sobre Detroit... pq n é a primeira vez que vejo a cidade sendo citada com tanto afinco em filmes de terror... =p
Algo ficou meio pé cá, meio pé lá com o filme, mas não o achei ruim. Comecei com um leve receio de ser mais um filme de "autojudiação"... de fato, tinha um ar de TCC pra mim (a vertente de análise que menos me atrai dentro das 3 maiores)... e, até certo ponto, não consegui me conectar muito nem com o diretor, nem com o terapeuta (embora talvez ainda mais próximo do Stutz...). E isso, de fato, não deveria ser um ponto negativo...
Talvez eu tenha sentido algo meio superficial. Talvez os próprios conceitos me pareceram superficiais. E talvez ainda o modo como eles foram apresentados, a própria ideia de encarar a imperfeição, a dor, a incerteza... apareça como um "mea culpa" do filme. Coisas que foram ditas já me pareceram muito similares com o conceito de "falta" da psicanálise. E uma contrapartida a essa necessidade bem tosca de buscarmos e acharmos que poderemos sanar o vazio. Achei interessante que ambos os pais do Stutz eram ateus. Esse ponto me aproxima mais dele, pois sou agnóstico.
De todo modo, o filme me fez sim refletir sobre um bocado de coisas, e talvez essa 'superficialidade', que pode ser apenas aparente talvez também, seja justamente o resquício de distância entre terapeuta e paciente que é pretendida em terapias tradicionais.
De todo modo, isso ressoou, olha que ironia, com o livro que estou lendo ultimamente, sobre a franquia Halloween. Em determinado momento, os autores do livro mencionam como há meio que uma 'piscadela' para o público por parte do diretor e da produtora, dizendo que não deveriam tentar intelectualizar demais a sua obra. ("Hã... não é que ele pensa que não importa quão complicada uma coisa possa ser, ela também é muito simples?").
Pois bem, talvez essa complicação toda seja pra dizer que esse filme é bem simples. E que ele se aproveita dessa simplicidade, para o bem ou para o mal haha
Dizer que não gostei seria mentira, ainda que, talvez, ele tenha me trazido mais angústias do que respostas (se é que, ao terminá-lo, eu ainda as estivesse buscando...).
Algumas mortes não aparecem como "definitivas" (como a do Brady), e a contagem dos corpos é mais incerta. Mas é bem interessante como colocaram o Myers ainda mais como uma força onipresente... agora assim dotada com toda certeza de elementos sobrenaturais, pelo modo como, a priori, aparentemente volta 'possuindo' a Jamie.... embora também, apenas pelo filme e seu final em si, possamos pensar em uma Jamie traumatizada pelos eventos daquela noite, e por isso matando a senhora Sra. Darlene Carruther... (é até interessante imaginar como o filme n apenas retoma o um com aquela fantasia de palhaço, como também parece fazer um tributo ao modelo inicial para os slashers, psicose, ao termos mais uma morte no banheiro).
Algumas coisas parecem confusas (por exemplo, como a Rachel parecia já reconhecer o Michael talvez... e o Brady não, mas isso poderia ser explicado por ela estar mais próxima da família da Jamie; ou então todos os caras sendo mortos em cima da picape sem um perceber o outro, mas talvez pelo fato de todos ali estarem bêbados...).
Fiquei triste pelo Sunday tbm... :')
Tinha visto cenas finais desse filme uma vez na TV, e agora posso me certificar de que era o quarto filme msm... hehe
No geral, parece que tem uma série de furos, mas se a gente assiste atentamente, há uma explicação para cada erro aparente. Voltarei a rever alguns trechos para fichar algumas coisas, inclusive.
Um detalhe é que não parece ter a mesma força motriz da trilha sonora dos demais filmes, mas acabei que gostei bastante até. Talvez tbm seja o tempo que dediquei assistindo o filme e fazendo anotações a respeito dele.
"Todo dia é Halloween, Halloween, Halloween Todo dia é Haloween, Silver Shamrock!"
[CONTÉM SPOILERS]
Hahaha Q djabjo de música que pega! X.x
Eu terminei de assistir pela primeira vez esse filme no dia 20 e, reassistindo no dia 21, para fazer outras observações, acabei gostando mais.
Confesso que, a priori, o ritmo talvez arrastado, com excesso de informações; o final meio zoado do Cochran e de seus autômatos; e a formação improvável do casal protagonista me enjoaram um pouquinho... Mas, além de rever esse último ponto (sim, com o Dan sendo meio ‘canalha’ e seguindo o moralismo oitocentista, o casal fazia sentido de se formar tão rápido), a relação de Easter Eggs (Páscoa e Halloween dão um combo legal kkk) trouxe um resultado bacana para este terceiro filme da franquia.
Talvez até por esse aspecto de “deslocamento” ele seja um filme mais saudosista: ele se encerra por si só e fica preso na década de 80.
Tudo nesse filme parece reiterar o número 3: a quantidade de máscaras (esqueleto, bruxa e abóbora); a relação do Dan com as três mulheres principais do filme (Linda, Teddy e Ellie); o canal 3 que é o único que fica em pé até o fim do filme.
Tem referência a Carlos Castañeda (a Marge estava lendo o livro “O Presente da Águia” [1981]); a “Invasion of The Body Snatchers” [1956] (o nome da cidade sendo Santa Mira); e ainda todo esse clima de paranoia e desconfiança de cidadezinha de interior, que faze lembrar, respectivamente, outros filmes do Carpenter como “Eles Vivem” (1988) e “À Beira da Loucura” (1994). Sem contar que toda essa visita à Silver Shamrock parece mais uma descida ao inferno (um pouco) mais macabra que uma visita à la “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (1971).
Como um verdadeiro inferno, é até interessante observar como o enredo é quase cíclico, fazendo com que o Dan retorne ao posto de gasolina tal qual o Harry, pai da Ellie.
[FIM DOS SPOILERS]
Há uma série de coisas que ainda daria pra comentar, mas dá pra dizer que embora a nota do coração seja 4, a razão poderia me fazer dar nota máxima ao filme rsrs
Mesmo que tenha sido o que menos gostei, talvez, até agora da franquia, ainda foi uma experiência bem bacana.
Assistido e reassistido em 20 e 21 de Março de 2024.
É um filme looooongo, mas que, ironicamente (ou não) merece ser revisto. A fotografia é muito bonita, tem um enredo bem detalhado, e as atrizes e os atores tão ótimos (dá pra sentir raiva e nojo de todos eles kkkkk).
Tem uma boa carga de metáforas e parece um jogo de xadrez sem fim.
É interessante o modo como a cena final seria quase um anticlímax... ou mesmo algo que encerre o filme com brutalidade e de forma abrupta.
No final, fica essa ironia: apesar de ter conquistado tanta coisa, a "favorita" (embora o filme possa parecer deixar claro quem é, a gente pode se perguntar: Anne, Sarah ou Abigail?)... enfim... a "favorita" conquistou tanto e, no final, conquistou nada: sem herdeiros ou coelhos, o reino sempre chega a seu fim.
Talvez seja o que eu tenha menos 'gostado' do Yorgos e ainda assim n posso dizer que não seja um filme primoroso.
"Mr. Sandman, bring me a dream Make him the cutest that I've ever seen Give him two lips like roses and clover Then tell him that his lonesome nights are over..."
Olha, por incrível que pareça, eu talvez tenha gostado até mais desse do que do primeiro. E olha que gosto muito do primeiro filme! hehe
Achei muito bacana como o filme começa e, como comentado já por estas bandas, dá mesmo a impressão de dois filmes em um só, como se fossem duas partes (não que isso seja o mais bacana, pois o fato do primeiro filme poder se encerrar em si mesmo já é muito legal tbm).
Interessante eles fazerem esse duo de Homem da Areia e "Boggieman" entre o segundo e o primeiro filme.
A contagem de corpos aqui é bem maior e o filme parece adentrar completamente agora o espírito (moralista, diga-se a verdade) dos anos 80. Mesmo que haja apenas um "casal" de mortes provocadas por... bem... "vcs n deveriam estar transando dentro do hospital!"...
A contagem de corpos:
1. Alice 2. Ben Tramer 3. Mr. Garrett 4. Budd 5. Karen 6. Dr. Mixter (encontrado) 7. Janet 8. Mrs. Alves 9. Jill 10. Oficial Terrence 11. Dr. Loomis [?] 12. Michael Myers [?]
Pensava que o Jimmy tinha morrido, mas ao final eles falam que encontraram 10 corpos... Faria mais sentido ser o do Dr. Loomis. Todavia, parece que ele reaparece nas continuações... No caso, não li mais nada a respeito, mas parece então que a contagem de corpos estava errada (aliás, nem dá pra saber o que aconteceu com os bebês).
Achei muito interessante a maior parte do filme se passar dentro de um hospital (a calmaria excessiva desse tipo de espaço, no final, é algo que talvez tenha sempre me assombrado)... mesmo que eu não soubesse pq. E tbm as referências (in)diretas (assim que acredito que sejam) a outros filmes, como: 1) "A Noite dos Mortos-Vivos"; 2) Não acredito que seja acidental vc colocar uma Alice conversando com uma Sally ("Sexta-Feira 13"; "O Massacre da Serra Elétrica"); 3) "Dementia", de 1955 (sim, esse eu tive de ir atrás...).
Acho que talvez apenas a imagem da Laurie como final girl segue meio "quebrada" tanto aqui quanto no primeiro, ela é salva por Loomis (e aqui ela mais foge do que entra em combate com Myers)... Claro, tem o fato da sedação, mas ainda assim me parece que 'nerfaram' a personagem. Aliás, a sequência final, de quando explodem tudo, é muito cara de jogo msm kkkkk
Aliás, acho que aqui fica evidente alguns moralismos a mais que depois voltariam em outras partes da franquia: o linchamento, a defesa do uso de armas, e até mesmo o fato de que, se vc beber demais, não deixe que alguém dirigindo te atropele haha
Realmente, gostei muito dessa sequência. =)
"Para acalmar os deuses, os padres druidas faziam rituais com fogo. Prisioneiros de guerra, criminosos, loucos, animais, todos... eram queimados vivos em cestas.Observando a forma como morriam, os druidas acreditavam que poderiam ter visões do futuro. Dois mil anos depois, não fizemos progresso algum. Samhain não são espíritos malignos. Não são duendes, fantasmas ou bruxas. É a mente inconsciente. Todos temos medo da escuridão dentro de nós mesmos."
"[...] Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento. Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. Na hora de matar um criminoso – nesse instante está sendo morto um inocente. [...]"
Sempre achei que a "pena de morte" fosse algo mais covarde do que um "crime de linchamento" à luz do dia. Este último ainda é feito pelas mãos que ao menos se sujam com o sangue. E não se disfarça tão bem de "justiça social". Por isso, talvez, eu achei muito interessante não apenas a premissa do filme (que na verdade desemboca e parte de seu epílogo), mas também a própria execução. Sim, "Bodies Bodies Bodies" pode ser um retrato de uma "Zeração Z", como costumo falar (sim, não à toa os personagens são lembrados como niilistas através das redes sociais no começo do filme, e até isso seria melhor); e de uma bem mais nichada classe alta e/ou média alta; mas também é um retrato da nossa sociedade como um todo, pq essa mesma geração não nasceu de proveta. E, nesse campo, o filme não apenas flerta com o Slasher da década de 80 ou o Found Footage da década de 90, mas também com esse quê mais antigo dos Whodunits ou a imagem de um mal onipresente e onipotente (frente à nossa própria omnimpotência), explorado até ao "aniquilamento" (como diria o David) nos filmes de terror mais recente.
É que justo aquele que é o primeiro personagem que se mostra execrável e que tbm é aquele que expõe as contradições do discurso Woke (e suas batalhas culturais) tbm é o primeiro a morrer: ou, mais especificamente, a se matar.
Há um tempo já eu venho imaginando isso: toda morte em si é tbm outro tipo de morte, e, acima de tudo, um suicídio. E, obviamente, isso não tem a ver com a ideia de culpabilizar a vítima, pelo contrário, de ir justamente na contramão disso, e, sobretudo, reafirmar a frase de Clarice que tomei de empréstimo ao começo desta resenha: que pudesse compreender, "que visse que nós todos, lama viva, somos escuros" e que vislumbrasse uma "justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado", e que, todavia, ainda assim, esse "crime particular" também é um crime social.
"Bodies Bodies Bodies", assim, não apenas faz menção direta e indireta ao sentimento de "BBB" da nossa contemporaneidade, ou, em outro extremo, o fato de estarmos todos já "Bored Bored Bored" com esse policiamento artificial de todos contra todos, mas acredito que também faz com que pensemos na questão da criminalidade não como uma loteria, onde um número precisa ser sorteado (e, isso, infelizmente acontece até na experiência cinematográfica, em que parece que o máximo q podemos fazer é 'adivinhar o final do filme'), mas como um problema para cuja solução todos podemos contribuir se colocarmos todas nossas cartas em cima da mesa.
Por último, quando ouvi falar do filme, vi muitos comentários dos personagens serem todos insuportáveis. Eu sinceramente n achei isso. Talvez no máximo, ingênuos, ou, melhor que isso, insuportáveis na medida que funcionam como um espelho da nossa própria insuportabilidade. Nada mais que os cidadãos médios, grupo em que qualquer um de nós poderia se incluir (ou ser incluído), sob os olhos dos demais.
Assistido em 28 de Fevereiro de 2024, quarta-feira.
Assisti ontem e, por grata surpresa, era o único na última sessão da semana com o filme kkkkkk
Bom que pude rir à vontade, e só o moço que cuidava da porta veio espiar algumas vezes quem era o maluco que tinha fugido da ala psiquiátrica (junto com o filme rsrs).
Gostei de muitas coisas no filme. Essa presença do gótico e do steampunk (mesmo que do último pensava q seria talvez mais onipresente). Pessoal costuma dizer q é uma mistura de Frankestein com Barbie... ok, o último eu n assisti, mas quanto ao primeiro estava lendo durante semanas (edição crítica do Sebo Clepsidra) para espiar este "delicioso cadáver".
E realmente, Frankenstein estava lá! Não apenas nos nomes históricos (William Godwin, pai de Mary Shelley; e Bella Baxter [ou Isabella Baxter], amiga de infância da autora), mas em diversos momentos da concepção, desde o próprio filme ser um amálgama de espaços e experiências até a sensação de estar perdido no mundo e/ou não pertencer a ele.
Vi ecos tbm de "A Professora de Piano" (Sim, pra fazer um trocadilho horrível, esse problema É-de-piano, tanto até que ela começa o filme tocando um kkkk)... e tbm de "Solaris", embora este último não tenha se concretizado na metade da (re-)parte londrina.
E olha que mais uma vez tento me explicar de não ligar muito para eles, mas neste eu liguei (de novo!)... O final parece quase inverter a lógica do steampunk: se o gênero é marcado por um avant guard social, aqui parece justo o oposto: tanto até que eu imaginava que a Bella iria realocar o cérebro do pai no corpo do velho esposo (ou que ela fosse castrá-lo, tal como ele estava pensando em fazer com ela)... E bem, o maluko virá praticamente um bode. A ironia é que não deixo de ver esse final como brilhante tbm por dois motivos: 1) Por parecer muito mais um final de algum filme das décadas de 30, como o adorável Freaks... (os animais misturados o atestam), retomando perspectivas antigas; 2) Por ser, assim justamente, uma quebra de expectativa, sendo por apelar a um final não inovador, seja por ir na contramão do dito 'progresso' (científico)... afinal, "girls just wanna have fun!"? haha
De todo modo, o filme segue com esse convite: "Be one of us!" E se vc aceitar esse convite, e adentrar esse circo de bizarrices, com certeza ao menos irá se divertir! :)
Assistido em 21 de Fevereiro de 2024, quarta-feira.
É. É um filme com uma mão na cueca e a outra na consciência hahaha
Quase perco os dois rins pra terminar de assistir, por culpa do hiperfoco, mas felizmente fui até o fim.
É interessante como o Bruce consegue praticamente inverter a lógica do pornô mainstream: enquanto que no pornô usual, a narrativa é apenas uma ponte para a excitação que vem a seguir, aqui são justamente as cenas de sexo explícito, os punhetaços, as gozadas que preparam terreno para a narrativa. E a mistura máxima é justamente a cena do elevador: enquanto algumas coisas estão 'subindo', a loucura vai descendo em espiral.
Em alguns momentos, me lembrou muito os pornôs tchecos (a cena inicial em que o Patrick aparece é muito os filmes da BelAmi ou do Czech Hunter hahaha).
Funciona na medida em que o Bruce sabe usar muito bem a ironia da lógica ilógica dos pornôs para fazer "denúncias" que podem soar e zoar ao msm tempo com(o) o objeto de crítica.
É até interessante dizer, em paralelo, que os melhores filmes de pornô gay me parece que tenham sido feitos pela CockyBoys, com quem ele trabalhou ao fazer os curtas de "It Is Not the Pornographer That Is Perverse..." (conheci a obra por "O Diabo em Madrid").
Mesmo assim, ele ainda consegue sustentar, ainda que brevemente a seriedade do impasse posto no centro da narrativa, que aparece desde a sinopse: não há transgressão sem interdição, e é isso que acredito que mais frusta os planos da Gudrun ao descobrir que o Patrick é um rejeitado pelo próprio pai devido à sua homossexualidade. Para em seguida negociar com essa figura patriarcal que sequer entra em campo: "Ele vai querer vc de volta para confirmar a heterossexualidade compulsória dele, para que possa te 'curar'."
Fiquei sabendo dps que têm duas versões (assisti ao "The Revolution Is My Boyfriend"). E se não fossem as legendas zoadas (e incrivelmente ainda assim sincronizadas), eu teria gostado ainda mais. Inclusive, esse título é bem interessante pq aponta para as duas direções, que se reproduzem nos slogans contraditórios (ou não) da Gudrun (como na cena do 'roubo' no mercadinho: a revolução é o namorado (a revolução é o que importa); meu namorado é que é a revolução (mais subreptício, mas confrontando quando perguntam a ela se não está sendo egocêntrica).
Eu só tinha assistido o Gerontofilia, e embora esse último seja meu preferido, há aqui um exercício melhor da mistura entre pornô e filme de arte/filme experimentalista. Ou seja, é praticamente como redescobrir o Bruce LaBruce na sua filmografia anos 2000.
No fundo, valeu a pena. :)
Assistido em 12 de Fevereiro de 2024, segunda-feira.
Puxa... esse eu gostei mais quando assisti na adolescência... =/
Tem toda a subcamada LGBT q dps a gente consegue encontrar sabendo de toda história sombria por trás do diretor... mas algo n conquistou mais tanto quanto antigamente. E, nesse ponto, o primeiro acaba ganhando por ser mais sutil, talvez, no mistério todo envolvendo a criatura.
Como que um filme maravilhoso desses têm uma nota tão baixa?
Depois de várias tentativas frustradas, finalmente consegui assistir (mesmo que uma metade menor na TV e outra maior pelo note).
O King tava certo quando disse que o Barker era o futuro do horror(/terror). Na verdade, fico é assombrado por um cara como ele não ter tido mais reconhecimento ainda. Não apenas é uma ótima estreia, como o filme também tem ótimas atuações (eu realmente gostei muito da Clare... gente, ela assume a maior parte da trama do filme!).
Acredito que o filme consegue apostar em duas linhas e é bem-sucedido em ambas: tanto no drama da Julia, como uma mulher frígida e sexualmente frustrada; quanto na do horror gore dos prazeres e das dores do sodomasoquismo.
Fico até com dó da Julia, pq ela é simplesmente usada e descartada pelo Frank... que ainda ironicamente não supera a frustração que ela sentia com o Larry. Sem contar q essa doideira dela conseguir transar com ele apenas dps que o Frank veste a pele é uma metáfora bem poderosa dos desejos. E, claro, não podia faltar a morte do pai bem freudiana, nesse impasse pelo qual a Kirsty passa. É até sarcástico ela comparar a frivolidade da Julia com a do Steve (imaginava que ele fosse morrer também).
Enfim, né? Será que é mais um caso de 8 ou 80? hehe
"Exploradores das regiões profundas da experiência. Demônios para uns. Anjos para outros."
Longa Jornada Noite Adentro
3.6 66 Assista AgoraÉ estranho como não parece ser a primeira vez que vejo esse filme, ainda que, de fato, seja a primeira vez que me encanto por ele...
Em breve voltarei com mais comentários a respeito deles, ainda que breves.
Assistido em 7 de Setembro de 2025.
NOTA: 9,8.
Anhell69
3.5 2Alguma coisa estranha não me fez me conectar totalmente com o filme... A linha do equilíbrio talvez seja um certo "glamour melancólico"... em excesso? Mas ainda assim gostei muito, e entrou para os favoritos.
Ainda que haja o fim emblemático no cemitério, uma ode à memória e à morte, o filme parece que presa mais pelo anticatártico.
Nesse ponto, ele já não se direciona ao glamour. E vejo isso como ponto positivo. Pq no fim, ocasiona uma mistura interessante.
"Eu me apaixonei pelo cinema, porque era o único lugar onde eu podia chorar."
Assistido em 18 de Outubro de 2024, sexta-feira.
Longlegs: Vínculo Mortal
3.2 939 Assista AgoraEu achei bem previsível uma série de coisas (na verdade, a maior parte), mas nem é por isso que diminuí a nota. Ou talvez seja? kkkkkk
Me deixou bem confuso, e tenho a sensação, sim, de pontas soltas, mas eu nem me preocupo muito em querer ficar caçando isso, já que roteiro não costuma ser o ponto mais importante pra mim.
Agora, que a fotografia é incrível e que a atmosfera do filme é massa, isso é. Esse banho todo de uma luz amarela intensa dá uma 'sensação morna' quase angustiante: que nem de quando ficamos direto no ar condicionado e saímos pro calor da tarde, pr'um mormaço q nos derrete... s=
Cage e Maika estão maravilhosos em seus papéis. Não consigo afirmar isso quanto ao restante do elenco. O chefe dela que me incomodou mais mesmo kkkkk
Assistido em 1 de Setembro de 2024.
Aftersun
4.0 794Realmente, é um ótimo filme.
Talvez a minha experiência, apenas, e mais uma vez, tenha sido prejudicada por conta de ser interrompido tantas vezes assistindo o filme (casar uma fragmentação com a outra, infelizmente, n surtiu o efeito esperado...).
Talvez eu volte aqui para editar meu comentário. Por conta das exemplicações, no caso. Mas o que achei interessante no filme é essa composição quase que de "vitrais" (considero um ótimo símbolo para representar o tema da memória): o tempo se repetindo entre a dança na rave e a dança no hotel, oscilando feito onditas na água, intercalando-se, sobrepondo-se, tanto nas imagens quanto nas palavras. Alguns exemplos (por hora, apenas um, o primeiro, ou dois):
1) Já bem no início, quando o Calum vê que só tem uma cama no quarto, e depois a gente tem a sobreposição do diálogo dele com a recepção, em que o "boa noite" dele desligando o telefone 'cola-se' ao boa noite dele cobrindo a Sophie. Acho isso genial pq, para além das cenas clássicas em que temos distenções muito grandes de tempo (e que este filme tbm trás), eles também colocam essas memórias tão próximas, mostrando-nos como o oceano de memórias e tão caudaloso e o modo como essas próprias memórias se perdem não apenas pela distância, mas tbm pelos diversos pontos de vista sobre elas e tbm pelo processo de repetição da memória, um espelho que, pra usar a própria metáfora do filme, se vc cuspir nele e dps n limpar, irá ficar manchado.
2) Aqueles parapentes (eram parapentes?) aumentando cada vez mais no céu, e dps transitando lentamente para o reflexo na água, não apenas como um traço da memória, mas tbm parecendo lembrar lentamente o Calum de que ele estava fora do ciclo das pessoas que podiam pagar por aquilo...
Outras cenas das quais gostei muito:
1) A cena que a Sophie canta "Losing My Religion"... me atravessou mais do que a cena com "Under Pressure".
2) Aquele momento em que o Calum conta sobre a infância dele, só depois que a Sophie 'desliga a câmera', e mantém apenas ligada a "câmera mental". A história sendo contada no reflexo de uma tv desligada me pegou demais tbm... genial!
O filme é beeeeem doloroso e extremamente melancólico... A gente até quer revisitar, mas sabe o quão difícil é, mesmo que seja pra ter de nv esse 'gostinho', que, no fundo, nunca volta, pq sempre é o gosto da primeira vez.
Assistido em 23 de Agosto de 2024.
Eu Sou Alfred Hitchcock
4.1 9Apesar de todo esse impasse entre artista e monstro, ele reconheceu toda a pluralidade da Alma.
Acho tão simbólico a esposa dele se chamar assim também. Quase como a mesma essência do filme "Persona".
E enfim, né? Igual ao filme do Bergman, o Hitchcock explorou nossos medos e desejos de forma intensa e sensacional, fazendo-nos lembrar da mesma máxima:
"Seu esconderijo não é à prova d'água. A vida entra em tudo."
Assistido em 24 de Julho de 2024.
Pray Away
3.5 46 Assista AgoraÉ difícil falar sobre esse documentário... muito mesmo. Mas talvez tenha de dizer algo agora antes que eu esqueça de alguns pontos. Bom, não vou ter nem tempo pra ficar marcando onde começa e onde terminam os spoilers...
O documentário me mostrou, de maneira muito interessante, algo que comecei a captar através da fala do Michael Busse: "Eu vivi em uma época em que ser gay era um crime, uma doença e um pecado." Frente a esses pormenores, deu pra perceber q, à parte do discurso policial e do discurso médico, a 'melhor' saída seria o do campo religioso.
Nesse sentido, dá pra entender como q a Exodus sobreviveu por 30 anos. Fora da época das redes sociais, a ironia que existia é que pessoas LGBTQUIA+ só poderiam se encontrar através de um grupo que negava justamente a sua sexualidade.
O relato da Julie foi o que mais me derrubou. O modo como usaram o abuso sexual que ela sofreu para levar adiante a sua imagem como líder foi de uma perversidade e crueldade inimagináveis: o relato dela, então, é tão forte...
"Na primeira vez que me queimei, estava sentada na calçada da igreja, após uma reunião da Living Hope. Enquanto meu cigarro diminuía, sem pensar muito, eu o enfiei no meu ombro e ouvi a pele do meu braço esquerdo chiar. Logo depois daquela noite, estava sozinha no meu quarto, perdida em um turbilhão de medo, agonia e auto-ódio, e me lembrei da queimadura e da onda de desapego que senti pelo corpo quando o fogo queimou minha pele. Depois de procurar coisas de metal que esquentariam sob fogo, achei uma moeda. Segurando a moeda com uma pinça, eu a mergulhei na chama de um isqueiro, o coração acelerando enquanto a moeda esquentava. Respirei, dobrei o braço esquerdo e apertei a moeda na carne até a pele romper e a dor entorpecer. Repeti o processo pelo menos 20 vezes naquela tarde, fazendo linhas no ombro, cada uma com uns centímetros de largura. Por semanas, comecei a aplicar Neosporin nas feridas de manhã e de noite. Meu corpo e eu estávamos seguros nessas horas. Eu podia arregaçar a manga, expor minhas feridas e ser recebida com ternura e compaixão. Nos anos seguintes, quando a angústia ficava insuportável, eu voltava a essa rotina de queimar linhas retas nos meus ombros e usar as feridas como alívio. Ouvi que depressão é raiva voltada para dentro. Talvez fosse o que eu estava fazendo no meu quarto naquele tempo. Peguei a raiva que sentia por viver em um corpo que não podia ser domado ao tipo de corpo que deveria ser: um corpo hétero, um corpo feminino, um bom corpo cristão, e ateei fogo nele."
A fala do Randy no final também é devastadora:
"Logo depois de me assumir, uma pessoa gay me disse de forma direta que eu tinha sangue nas mãos. Ele disse: 'O que acha do sangue nas suas mãos?' Eu disse: "Agora... só sei que tenho medo de olhar para as minhas mãos.' Como líder, fui treinado para reconhecer a perda, mas para racionalizá-la, para negá-la. E odeio ter feito isso. E muitos de nós não cometem suicídio, mas estamos nos matando internamente por não aceitarmos quem Deus nos criou para sermos."
Eu não acredito que o filme faltou ser mais incisivo, pois ele começa e termina avisando dos perigos dessas terapias, e também trazendo, tanto no início quanto no fim, a figura do McCall como amostra desse perigo sempre iminente...
Achei talvez que faltasse maior representação de alguns grupos (por exemplo, de pessoas negras, mas esse ponto até entendo... que ainda mais nos EUA, lideranças de 'ex-gays' só tivessem como ser de pessoas brancas mesmo (Michael, John, Yvette, Julie e Randy como centrais)... e, por outro lado, que algumas pessoas da sigla poderiam ter sido representadas como mais veemência (a bissexualidade da Yvette me pareceu bem apagadinha, mas até isso é simbólico). E além desses dois pontos (que convergem para um só), fica o sentimento de mea culpa bem forte no documentário todo. Seria uma "culpa cristã" também? rsrs
Porém, eu não consigo julgar de maneira incisiva todos os líderes ali citados e entrevistados, pq todos os principais abandonaram a Exodus e as outras correntes e lutaram para mostrar o quão errados eles levantam, e, acima de tudo, eu consegui sentir muito todo o sofrimento que passaram nesse processo de autonegação.
Haveria tanta coisa pra falar, mas... esse documentário me machucou demais e tbm me fez lembrar, como pessoa bissexual, das vezes pelas quais passei pelo mesmo processo de negação...
De fato, é um documentário que precisa ser mais divulgado e melhor conhecido, até mesmo pela importância do seu valor histórico.
Assistido em 13 de Julho de 2024, sábado.
Feliz Aniversário Para Mim
3.1 148 Assista AgoraQue viagem... Xx
No início, fiquei desconfiando que fosse a Sra. Patterson e o pai da Virginia... pq desde o começo eles deixam uma pista de que pudessem ser "dois" assassinos. O filme deixa a gente confuso um bom par de vezes... e usar esse tom de duplo já é algo clássico pelo menos desde "Psicose" e foi repetido um par de inúmeras vezes (em "Armadilha para Turistas", em "Sexta-Feira 13" e em "A Casa de Cera", por exemplo... e até mesmo, de certo modo, em "Pânico")...
O filme tem todo um tom bem macabro, reforçando essa ideia dos feriados/datas comemorativas (aqui, agora com um aniversário) e, apesar de bem confuso em vários momentos, tem um roteiro interessante e acredito que consegue prender a gente até o fim. Algumas cenas são confusas mesmo... (por exemplo, o que a Amelia fazia lá parada na chuva, perto do fim do filme?!)...
Além disso, como são muitos personagens, fica difícil da gente gravar e isso gera mais confusão também. Mas, sabendo do plot final, deixar confuso obviamente é a função desse filme haha
Pra mim, o que pesou um tanto pra pesar a nota foi essa confusão toda e também, por outro lado, ironicamente, a excessividade de explicação de outros pontos.
Ah, aliás, em algum momento eu desconfiei da Ann, por conta do modo como ela parecia estar sempre demasiado preocupada com a Virginia... Xx
Porém, de fato, gostei bastante. :)
Assistido em 3 de Julho de 2024, quarta-feira.
O Mal Que Nos Habita
3.5 811 Assista AgoraPelo menos a três filmes me remeti assistindo esse filme: "Evil Dead" (o mais gritante), "O Exorcista" (obviamente, mas com outras características talvez mais sutis) e, sobretudo, em se tratando de filmes em Língua Espanhola, "O Bar", do Álex de la Iglesia...
No caso do último, o tema da "infecção" é bem notório também. Até mesmo a representação do ponto de partida: um corpo infectado, inchado, que faz crescer esse paralelo entre algo sobrenatural (a possessão) e algo 'natural' (uma epidemia). As cenas são aterradoras e a gente não tem muito tempo para se apegar a nenhum personagem, pq eles vão sendo destroçados um logo após o outro.
Na questão das regras e em outros pontos parece haver furos de roteiros, mas talvez sejam só marcações do desespero das próprias personagens e suas más decisões (às vezes com pressa, às vezes não), com esses 'demônios' que aparecem por todos os lados.
Dá pra pensar nesse ponto, também, em um paralelo, agora, com "O Enigma de Outro Mundo". Se lá não sabemos devidamente quem é o alienígena, aqui não sabemos quem é o possuído, de fato.
Agora vou correndo para o Dicionário de Demônios pesquisar sobre Azrael e Uriel haha
Assistido em 18 de Junho de 2024, terça-feira.
P.s.: Eu fique um pouco preocupado e confuso com a representação da personagem autista no filme (autista e TDAH aqui falando isso)...
Mommy
4.3 1,2K Assista AgoraO Xavier Dolan, talvez seja isso que só esteja percebendo agora, sabe como irritar a gente com esse jogo equilibrista dele entre um filme que pode ser pura arte e, ao mesmo tempo, cafona ou, pelo menos, piegas... é dá raiva ficar em dúvida [se/o quanto] ele está consciente disso.
Duas questões principais marcaram minha experiência com este filme:
1) O fato de eu sentir uma espécie de perda de 'timing' por ter visto esse filme apenas 10 anos depois que ele foi lançado (mesmo tendo assistido em um espaço de tempo menor a "Eu Matei Minha Mãe" (2009), "Amores Imaginários" (2010) e "A Morte e Vida de John F. Donovan" (2018).
2) Mais especificamnteA minha própria experiência assistindo o primeiro filme que centra uma personagem com TDAH após eu mesmo receber o laudo de TDAH e TEA.
Bom, vamos a cada uma.
A primeira parte é mais breve, talvez. Em todas as circunstâncias, com exceção da primeira, eu procurei os filmes do Dolan por uma necessidade de identificação: em "Amores Imaginários", pela provável presença de um protagonista bissexual; em "A Morte e a Vida de John F. Donovan", encontrei o filme buscando pela trilha sonora, com a presença de uma música do Robert Alfons (TR/ST) [e, mais tarde, talvez eu tivesse voltado a esse filme por motivos tão dolorosos que nem sequer vou citar aqui]; e aqui, em "Mommy", pelo que já disse, em relação ao TDAH.
Opa! Passemos ao ponto 2: E talvez essa busca incessante de identificação, mais ainda sabendo ainda mais sobre o que o próprio Dolan pensou da premiação dele no Queer Palm de 2012, me faz tbm me equilibrar e desequilibrar nesse intento... de todo modo, a própria questão do TDAH e da autoidentificação tornou a experiência de assistir esse filme extremamente dolorosa: seja pelo tema, seja pelo esforço em assisti-lo praticamente numa tomada só, sem ficar voltando pra "degustar" as cenas; ou para superar uma ou outra frustação em relação ao filme, aqui e acolá.
Algumas cenas que me chamaram mais a atenção:
1) A cena da agressão (me fez lembrar muito da relação entre mãe e filho no longa "Réquiem para um Sonho".
2) A cena em que eles três estão cantando e dançando em casa... se não me engano é essa que me chamou a atenção pela letra...
3) A cena do Karaokê.
4) A cena do passeio com o skateboard e as bikes (não à toa é uma cena que aparece compartilhada até no anúncio do filme na MUBI). Essa me parecia talvez a mais apelativa/piegas... mas aí...
5) Aquela cena em que a mãe vê o futuro dela... enfim, esse combo de duas cenas me fez pensar: será que esse filme envelheceu bem?
6) A cena final, em que parece que não sabemos se ele está no primeiro piso ou em um mais alto, faz imaginar se ele estaria fugindo ou tentando cometer suicídio de novo... pelo menos foi assim que eu vi. E não seria, de todo modo, dois tipos de fuga?
Eu realmente fico com raiva em não saber/perceber até que ponto o Xavier tem consciência disso que ele está fazendo... mas gostei relativamente do filme sim, até pelas reflexões que ele me trouxe.
Eu o assistira mais uma vez apenas para descobrir quais são as cenas que não estão no formato 1:1. hehe
Assistido em 10 de Junho de 2024, segunda-feira.
Mona Lisa e a Lua de Sangue
3.1 36Sigo sendo tapeado pela rave (e sim, eu gostei do filme haha).
Acho, que de cara, o que tenha me irritado um pouco tenha sido só aquele final insosso e o garotinho um tanto quanto.
Há muitas coisas que gostei no filme: a trilha sonora pendendo para o eletrônico (mas queria mais, prometeram e acabaram me dando pouco kkkkk); as cores e a fotografia (gostei sobretudo dos fade ins e fade outs do filme, que fazem essa explosão de paletas soar mais longe); a sensação de que estamos adentrando quase que um jogo de RPG pela variabilidade de cenários e contatos pelos quais a que a Lee passa ao longo do filme (pegando um calçado aqui, enfrentando um 'boss' ali, trocando uma camiseta por um beijo e por aí vai).
É interessante como não sobra um único personagem com moral dúbia, mas justo isso que acho que é o maior "tchan" do filme. E que casa muito bem com a cena caótica de Nova Órleans (aliás, antes eu tava reclamando das cores e luminosidade de "Noite Passada em Soho", este aqui então, me deixou ceguinho, ceguinho).
Eu pensava que o filme se passaria todo durante a noite, mas tem cenas de dia também... contudo, acho que é alguma coisa da fotografia do filme que faz soar até os dias meio que "noturnos", como se fossem uma extensão da noite.
O filme realmente não explica quanto aos poderes da Lee, se eles vêm da Lua de Sangue... e qual essa relação direta... mas achei muito bacana (inclusive, em uma das críticas que li, reforça-se novamente isso como ponto positivo). E bota a gente pra pensar sobre a questão da Mona Lisa. Achei interessante tbm o jogo das cores vermelha e verde (sendo que associei o verde mais ao Charles, até pq dps vira a cor de cabelo dele).
Aquele final no aeroporto, ainda que tenha achado bem nobre a atitude do Charles (e mais inventiva ainda na saída que ele buscou), me pareceu dps talvez um pouco piegas... e, juntando com a cena final morníssima do avião, reforçou o sentimento de final de filme sessão da tarde kkkk q horror...).
De todo modo, há cenas que me soaram como um grande conforto, alguma certa calmaria... como ela cruzando a floresta pra chegar em Nova Órleans; ou mesmo as cenas de dia, sobretudo a da lavanderia. A cena do desenho, retomando a música-título, é muito linda.
Ainda que com várias pulgas atrás da orelha, foi uma grata surpresa. :]
Assistido em 05 de Junho de 2024, quarta-feira.
P.s.: Acho q entendi agora um ponto... é como se o fato de eu ter gostado tanto dele no começo e no meio me força-se a exigir que gostasse desse filme mais ainda no final (daí a frustração que baixou um pouco a nota haha).
O Lagosta
3.8 1,5K Assista AgoraAssistio em 04 de Junho de 2024, terça-feira.
Noite Passada em Soho
3.5 800 Assista AgoraEu gostei muito do filme, embora tenha ficado quase cego com tanta luz. Xx haha
Levaria uma semana ou mais só pra levantar o tanto de inspirações/sugestões que o filme passa, inclusive de uma série de outros filmes: desde filmes diretamente citados no filme, como "Bonequinha de Luxo", até outros, subreptícios (Perfect Blue, Paprika [que pra mim é o que tá mais na cara, com esse tanto de sonho, chega a ser óbvio demais], Cidade dos Sonhos, Veludo Azul), sugerindo até trechos de Psicose (afinal, mesmo sendo americano, é um filme de 1960 de um diretor britânico). Com pegadas macabras ainda de Alice no País das Maravilhas haha
Seria até sufocante demais enaltecer tantos pontos bons: fotografia, figurino, roteiro (sim! até isso!), uso de cores, atuações, ambientação etc. Talvez só fique com a intenção de pontuar três questões que me vem mais à tona:
1) Quanto ao Lindsey "não ter descoberto as mortes", eu não acho que ela conseguiu esconder. Pelo contrário, acho que ele descobriu bem até demais e acobertou os assassinatos da Sandie. Tanto até que, antes de morrer, ele fala pra Ellie procurar a Alex (Sandie), para descobrir que ela não era essa pessoa que ela pensava ser. Além do mais, eu acredito que um enredo subreptício que há no filme é uma breve sugestão inicial de que a própria mãe da Ellie seria a Sandie (no sonho, uma vez que ela para de ver a mãe e logo em seguida passa a [re]ver a Sandie. P.s.: inclusive, a cena final do filme é praticamente um tríptico com Ellie/mãe da Ellie/Sandie). Quando eu vi o Lindsey pela primeira vez no filme, fiquei imaginando que fosse o pai da Ellie. Então, por esse comparativo de pares, e até mesmo pela cena em que a Sandie tem o encontro com o Lindsey, acredito que ele foi um pretendente meio que rejeitado pela Sandie (por ela se encontrar sem esperança de que pudesse sair daquela situ), e/ou que não conseguiu tirá-la daquela situação. Aí, temos, por espelhamento, um diálogo forte com o par Ellie-John. Mais uma vez, durante o filme, há a frase: "Esse é o mínimo que eu poderia fazer." x "E qual seria o máximo?" Nesse caso, mínimo e máximo se encontram: amando Sandie, e sendo não correspondido, ele poderia ao menos/ao mais não se intrometer na vingança pessoal dela.
2) Acho que o pessoal se desilude tanto quando vê "filme de Terror" pq já foi muito 'masturbado' pela indústria pop pra achar que o único sentimento provocado pelo filme de terror é o Medo (e ainda por cima, um tipo de medo tbm extremamente limitado), assim como recursos limitados (o jumpscare é só o carro-chefe, mas a gente poderia citar a atmosfera "sombria", que se perde aqui no meio de tantas luzes, e faz rememorar filmes como "Suspiria", que nos ensinaram que o Horror e o Terror possuem uma paleta de cores bem mais variada do que imaginamos). Nesse caso, se a gente olha para outros/as sentimentos/impressões/sensações (angústia, ansiedade, estranhamento, deslocamento, nojo, solidão etc.) que o gênero pode nos proporcionar, esse escopo fica bem mais ampliado: e realmente "Noite Passada em Soho" oferta tudo isso de maneira magistral.
3) Uma coisa que eu achei bem simbólica (e que acredito que não seja superinterpretação) é que o incêndio representa bem essa "purgação" do passado da própria Sandie e até mesmo do da Ellie (aliás, não à toa o nome original da primeira é Alexandra, daí em pensarmos no final como esse incêncio da biblioteca de Alexandria, de suas memórias).
Tirando isso, acho que só o excesso do CGI em algumas partes me incomodou, com aquele excesso de 'fantasmas/espectros' também...
Mesmo não dando nota máxima, eu praticamente amei esse filme.
Assistido em 25 de Maio de 2024.
KM 31
2.3 49 Assista AgoraQue salada...
Olha que eu nem parei pra ficar pensando em lenda da "Mulher que Chora" e da "Noiva de Branco"... mas... que pena! Um filme da época do colégio que parece não ter envelhecido nada bem, até mesmo pela CGI zoada kkkk Ai... aff!
Até a metade, eu tava achando bem legal. Mas depois daquela cena na casa com a senhora, parece que tudo desanda e fica confuso.
1. Uma coisa que eu não entendi por talvez ter assistido a pressa: o rio passava por debaixo da estrada, seria isso?
2. Tem até uma cena que o Nuño fala que tinha conversado com o Omar sobre os mapas... mas gente, eu não lembro disso acontecer em momento algum!
Tudo fica muito confuso e zoado pro final. Fica difícil ficar juntando tanto quebra-cabeça. E o fato de dizerem que é baseado em um caso real é bem zoado, pq tem muita coisa excessivamente incrível: no sentido de não crível mesmo kkkkk Ainda colocam a história da esquizofrenia pra dar uma duvidazinha na cabeça, maaaas... pqp, todo mundo era esquizofrênico então? kkkkkk
A cena do Omar mostrando o caminho pro corpo dele e a casa da senhora sendo também uma casa fantasma que aparentemente some apenas à noite... achei interessante (inclusive me lembra o jogo "A Bruxa de Blair: a maldição de Rustin Parr" [2000]), até mesmo por essa prática inversão de ela aparecer apenas de dia e não à noite, como se fosse a própria memória da casa que não conseguisse superar a morte.
O final tbm achei meio doido justo o fantasma assumir o corpo da Ágata.
Mas nem esses detalhes bacanas salvaram mesmo de eu gostar 'oficialmente' do filme...
Assistido em 24 de Maio de 2024.
P.s.: realmente, a fotografia esverdeada/azulada é algo que eu tbm tinha gostado bastante, pelo menos até um terço do filme... depois começa a ficar enjoativo.
Noites Brutais
3.4 1,2K Assista AgoraGostei bastante do filme, embora não totalmente. E não sei dizer ainda ao certo o porquê. Mas que o filme te põe pra pensar uma série de coisas, isso põe.
Sobre cada um dos personagens, em si:
Acredito que a Tess tenha uma dependência emocional enorme, e até certo ponto parece ser isso que a guia para bancar a salvadora.
O Keith é outro coitado, e fiquei imaginando se até o nome dele não tem alguma ironia, pois é muito semelhante a "Key" (de fato, é ele que possui as chaves da casa, e é através da morte dele que o filme dá uma 'girada' de ato).
O Justin talvez seja ali o personagem central da moral duvidosa: acontece que, talvez, os seus maiores defeitos sejam a ganância e a covardia.
A coitada da monstra, tem nem o que falar... pensando bem, ela me faz lembrar muito a personagem torturada de "Mártires".
O Frank, para além de ser bem desprezível, me faz pensar que ele centraliza o núcleo do descaso daquela área da cidade. É como se ele concentrasse toda a podridão do bairro na casa dele.
O senhor morador de rua talvez seja o exemplo mais clássico de que "as aparências enganam"...
O filme parecia, a princípio, exigir muito da suspensão da descrença. Mas, por outro lado, acredito que tenha mais valor msm o valor da crença. Por incrível que pareça, exemplos desse tipo (e infelizmente) tem aos montes. O Frank poderia ser qualquer serial killer clássico das décadas de 70 e 80 que deu um olé incrível nas autoridades antes de ser pego. E isso reverbera até a atualidade do filme, quando a gente vê a atitude dos policiais para com a Tess.
De todo modo, me parece bem simbólico o suicídio do Frank na frente do AJ: quase como retratando - o que não deixa de ser controverso - : "Olha, se vc acha que este fulano é canalha, olhe bem para este outro aqui, de antigamente."
De fato, ele parece cometer dois acidentes msm... só que não sobra dúvida da intenção do último... e talvez a ironia seja a gente se motivar a pré-julgá-lo em relação as atitudes anteriores (o suposto estupro e o tiro que ele dá na Tess) com relação à última atitude dele.
Enfim, de todo modo, n é um filme convencional, e uma boa pedida pro meio da semana... rs
Aliás, o filme me fez me interessar por pesquisar um pouco mais sobre Detroit... pq n é a primeira vez que vejo a cidade sendo citada com tanto afinco em filmes de terror... =p
Assistido em 23 de Maio de 2024.
O Método de Stutz
3.8 29 Assista AgoraAlgo ficou meio pé cá, meio pé lá com o filme, mas não o achei ruim. Comecei com um leve receio de ser mais um filme de "autojudiação"... de fato, tinha um ar de TCC pra mim (a vertente de análise que menos me atrai dentro das 3 maiores)... e, até certo ponto, não consegui me conectar muito nem com o diretor, nem com o terapeuta (embora talvez ainda mais próximo do Stutz...). E isso, de fato, não deveria ser um ponto negativo...
Talvez eu tenha sentido algo meio superficial. Talvez os próprios conceitos me pareceram superficiais. E talvez ainda o modo como eles foram apresentados, a própria ideia de encarar a imperfeição, a dor, a incerteza... apareça como um "mea culpa" do filme. Coisas que foram ditas já me pareceram muito similares com o conceito de "falta" da psicanálise. E uma contrapartida a essa necessidade bem tosca de buscarmos e acharmos que poderemos sanar o vazio. Achei interessante que ambos os pais do Stutz eram ateus. Esse ponto me aproxima mais dele, pois sou agnóstico.
De todo modo, o filme me fez sim refletir sobre um bocado de coisas, e talvez essa 'superficialidade', que pode ser apenas aparente talvez também, seja justamente o resquício de distância entre terapeuta e paciente que é pretendida em terapias tradicionais.
De todo modo, isso ressoou, olha que ironia, com o livro que estou lendo ultimamente, sobre a franquia Halloween. Em determinado momento, os autores do livro mencionam como há meio que uma 'piscadela' para o público por parte do diretor e da produtora, dizendo que não deveriam tentar intelectualizar demais a sua obra. ("Hã... não é que ele pensa que não importa quão complicada uma coisa possa ser, ela também é muito simples?").
Pois bem, talvez essa complicação toda seja pra dizer que esse filme é bem simples. E que ele se aproveita dessa simplicidade, para o bem ou para o mal haha
Dizer que não gostei seria mentira, ainda que, talvez, ele tenha me trazido mais angústias do que respostas (se é que, ao terminá-lo, eu ainda as estivesse buscando...).
Assistido em 22 de Maio de 2023.
Halloween 4: O Retorno de Michael Myers
3.1 387 Assista AgoraE lá vem os spoilers... hahaha
Algumas mortes não aparecem como "definitivas" (como a do Brady), e a contagem dos corpos é mais incerta. Mas é bem interessante como colocaram o Myers ainda mais como uma força onipresente... agora assim dotada com toda certeza de elementos sobrenaturais, pelo modo como, a priori, aparentemente volta 'possuindo' a Jamie.... embora também, apenas pelo filme e seu final em si, possamos pensar em uma Jamie traumatizada pelos eventos daquela noite, e por isso matando a senhora Sra. Darlene Carruther... (é até interessante imaginar como o filme n apenas retoma o um com aquela fantasia de palhaço, como também parece fazer um tributo ao modelo inicial para os slashers, psicose, ao termos mais uma morte no banheiro).
Algumas coisas parecem confusas (por exemplo, como a Rachel parecia já reconhecer o Michael talvez... e o Brady não, mas isso poderia ser explicado por ela estar mais próxima da família da Jamie; ou então todos os caras sendo mortos em cima da picape sem um perceber o outro, mas talvez pelo fato de todos ali estarem bêbados...).
Fiquei triste pelo Sunday tbm... :')
Tinha visto cenas finais desse filme uma vez na TV, e agora posso me certificar de que era o quarto filme msm... hehe
No geral, parece que tem uma série de furos, mas se a gente assiste atentamente, há uma explicação para cada erro aparente. Voltarei a rever alguns trechos para fichar algumas coisas, inclusive.
Um detalhe é que não parece ter a mesma força motriz da trilha sonora dos demais filmes, mas acabei que gostei bastante até. Talvez tbm seja o tempo que dediquei assistindo o filme e fazendo anotações a respeito dele.
Assistido em 30 de Abril de 2024.
Halloween III: A Noite das Bruxas
2.3 491 Assista Agora"Todo dia é Halloween, Halloween, Halloween
Todo dia é Haloween, Silver Shamrock!"
[CONTÉM SPOILERS]
Hahaha Q djabjo de música que pega! X.x
Eu terminei de assistir pela primeira vez esse filme no dia 20 e, reassistindo no dia 21, para fazer outras observações, acabei gostando mais.
Confesso que, a priori, o ritmo talvez arrastado, com excesso de informações; o final meio zoado do Cochran e de seus autômatos; e a formação improvável do casal protagonista me enjoaram um pouquinho... Mas, além de rever esse último ponto (sim, com o Dan sendo meio ‘canalha’ e seguindo o moralismo oitocentista, o casal fazia sentido de se formar tão rápido), a relação de Easter Eggs (Páscoa e Halloween dão um combo legal kkk) trouxe um resultado bacana para este terceiro filme da franquia.
Talvez até por esse aspecto de “deslocamento” ele seja um filme mais saudosista: ele se encerra por si só e fica preso na década de 80.
Tudo nesse filme parece reiterar o número 3: a quantidade de máscaras (esqueleto, bruxa e abóbora); a relação do Dan com as três mulheres principais do filme (Linda, Teddy e Ellie); o canal 3 que é o único que fica em pé até o fim do filme.
Tem referência a Carlos Castañeda (a Marge estava lendo o livro “O Presente da Águia” [1981]); a “Invasion of The Body Snatchers” [1956] (o nome da cidade sendo Santa Mira); e ainda todo esse clima de paranoia e desconfiança de cidadezinha de interior, que faze lembrar, respectivamente, outros filmes do Carpenter como “Eles Vivem” (1988) e “À Beira da Loucura” (1994). Sem contar que toda essa visita à Silver Shamrock parece mais uma descida ao inferno (um pouco) mais macabra que uma visita à la “A Fantástica Fábrica de Chocolate” (1971).
Como um verdadeiro inferno, é até interessante observar como o enredo é quase cíclico, fazendo com que o Dan retorne ao posto de gasolina tal qual o Harry, pai da Ellie.
[FIM DOS SPOILERS]
Há uma série de coisas que ainda daria pra comentar, mas dá pra dizer que embora a nota do coração seja 4, a razão poderia me fazer dar nota máxima ao filme rsrs
Mesmo que tenha sido o que menos gostei, talvez, até agora da franquia, ainda foi uma experiência bem bacana.
Assistido e reassistido em 20 e 21 de Março de 2024.
A Favorita
3.9 1,2K Assista AgoraÉ um filme looooongo, mas que, ironicamente (ou não) merece ser revisto. A fotografia é muito bonita, tem um enredo bem detalhado, e as atrizes e os atores tão ótimos (dá pra sentir raiva e nojo de todos eles kkkkk).
Tem uma boa carga de metáforas e parece um jogo de xadrez sem fim.
É interessante o modo como a cena final seria quase um anticlímax... ou mesmo algo que encerre o filme com brutalidade e de forma abrupta.
No final, fica essa ironia: apesar de ter conquistado tanta coisa, a "favorita" (embora o filme possa parecer deixar claro quem é, a gente pode se perguntar: Anne, Sarah ou Abigail?)... enfim... a "favorita" conquistou tanto e, no final, conquistou nada: sem herdeiros ou coelhos, o reino sempre chega a seu fim.
Talvez seja o que eu tenha menos 'gostado' do Yorgos e ainda assim n posso dizer que não seja um filme primoroso.
Assistido em 14 de Março de 2024.
Halloween 2: O Pesadelo Continua
3.4 498 Assista Agora"Mr. Sandman, bring me a dream
Make him the cutest that I've ever seen
Give him two lips like roses and clover
Then tell him that his lonesome nights are over..."
Olha, por incrível que pareça, eu talvez tenha gostado até mais desse do que do primeiro. E olha que gosto muito do primeiro filme! hehe
Achei muito bacana como o filme começa e, como comentado já por estas bandas, dá mesmo a impressão de dois filmes em um só, como se fossem duas partes (não que isso seja o mais bacana, pois o fato do primeiro filme poder se encerrar em si mesmo já é muito legal tbm).
Interessante eles fazerem esse duo de Homem da Areia e "Boggieman" entre o segundo e o primeiro filme.
A contagem de corpos aqui é bem maior e o filme parece adentrar completamente agora o espírito (moralista, diga-se a verdade) dos anos 80. Mesmo que haja apenas um "casal" de mortes provocadas por... bem... "vcs n deveriam estar transando dentro do hospital!"...
A contagem de corpos:
1. Alice
2. Ben Tramer
3. Mr. Garrett
4. Budd
5. Karen
6. Dr. Mixter (encontrado)
7. Janet
8. Mrs. Alves
9. Jill
10. Oficial Terrence
11. Dr. Loomis [?]
12. Michael Myers [?]
Pensava que o Jimmy tinha morrido, mas ao final eles falam que encontraram 10 corpos... Faria mais sentido ser o do Dr. Loomis. Todavia, parece que ele reaparece nas continuações... No caso, não li mais nada a respeito, mas parece então que a contagem de corpos estava errada (aliás, nem dá pra saber o que aconteceu com os bebês).
Achei muito interessante a maior parte do filme se passar dentro de um hospital (a calmaria excessiva desse tipo de espaço, no final, é algo que talvez tenha sempre me assombrado)... mesmo que eu não soubesse pq. E tbm as referências (in)diretas (assim que acredito que sejam) a outros filmes, como: 1) "A Noite dos Mortos-Vivos"; 2) Não acredito que seja acidental vc colocar uma Alice conversando com uma Sally ("Sexta-Feira 13"; "O Massacre da Serra Elétrica"); 3) "Dementia", de 1955 (sim, esse eu tive de ir atrás...).
Acho que talvez apenas a imagem da Laurie como final girl segue meio "quebrada" tanto aqui quanto no primeiro, ela é salva por Loomis (e aqui ela mais foge do que entra em combate com Myers)... Claro, tem o fato da sedação, mas ainda assim me parece que 'nerfaram' a personagem. Aliás, a sequência final, de quando explodem tudo, é muito cara de jogo msm kkkkk
Aliás, acho que aqui fica evidente alguns moralismos a mais que depois voltariam em outras partes da franquia: o linchamento, a defesa do uso de armas, e até mesmo o fato de que, se vc beber demais, não deixe que alguém dirigindo te atropele haha
Realmente, gostei muito dessa sequência. =)
"Para acalmar os deuses, os padres druidas faziam rituais com fogo. Prisioneiros de guerra, criminosos, loucos, animais, todos... eram queimados vivos em cestas.Observando a forma como morriam, os druidas acreditavam que poderiam ter visões do futuro. Dois mil anos depois, não fizemos progresso algum. Samhain não são espíritos malignos. Não são duendes, fantasmas ou bruxas. É a mente inconsciente. Todos temos medo da escuridão dentro de nós mesmos."
Assistido em 7 de Março de 2024.
Morte Morte Morte
3.1 699 Assista Agora"[...] Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização.
Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento.
Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. Na hora de matar um criminoso – nesse instante está sendo morto um inocente. [...]"
Sempre achei que a "pena de morte" fosse algo mais covarde do que um "crime de linchamento" à luz do dia. Este último ainda é feito pelas mãos que ao menos se sujam com o sangue. E não se disfarça tão bem de "justiça social". Por isso, talvez, eu achei muito interessante não apenas a premissa do filme (que na verdade desemboca e parte de seu epílogo), mas também a própria execução. Sim, "Bodies Bodies Bodies" pode ser um retrato de uma "Zeração Z", como costumo falar (sim, não à toa os personagens são lembrados como niilistas através das redes sociais no começo do filme, e até isso seria melhor); e de uma bem mais nichada classe alta e/ou média alta; mas também é um retrato da nossa sociedade como um todo, pq essa mesma geração não nasceu de proveta. E, nesse campo, o filme não apenas flerta com o Slasher da década de 80 ou o Found Footage da década de 90, mas também com esse quê mais antigo dos Whodunits ou a imagem de um mal onipresente e onipotente (frente à nossa própria omnimpotência), explorado até ao "aniquilamento" (como diria o David) nos filmes de terror mais recente.
Todavia, a maior ironia do filme:
É que justo aquele que é o primeiro personagem que se mostra execrável e que tbm é aquele que expõe as contradições do discurso Woke (e suas batalhas culturais) tbm é o primeiro a morrer: ou, mais especificamente, a se matar.
Há um tempo já eu venho imaginando isso: toda morte em si é tbm outro tipo de morte, e, acima de tudo, um suicídio. E, obviamente, isso não tem a ver com a ideia de culpabilizar a vítima, pelo contrário, de ir justamente na contramão disso, e, sobretudo, reafirmar a frase de Clarice que tomei de empréstimo ao começo desta resenha: que pudesse compreender, "que visse que nós todos, lama viva, somos escuros" e que vislumbrasse uma "justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado", e que, todavia, ainda assim, esse "crime particular" também é um crime social.
"Bodies Bodies Bodies", assim, não apenas faz menção direta e indireta ao sentimento de "BBB" da nossa contemporaneidade, ou, em outro extremo, o fato de estarmos todos já "Bored Bored Bored" com esse policiamento artificial de todos contra todos, mas acredito que também faz com que pensemos na questão da criminalidade não como uma loteria, onde um número precisa ser sorteado (e, isso, infelizmente acontece até na experiência cinematográfica, em que parece que o máximo q podemos fazer é 'adivinhar o final do filme'), mas como um problema para cuja solução todos podemos contribuir se colocarmos todas nossas cartas em cima da mesa.
Por último, quando ouvi falar do filme, vi muitos comentários dos personagens serem todos insuportáveis. Eu sinceramente n achei isso. Talvez no máximo, ingênuos, ou, melhor que isso, insuportáveis na medida que funcionam como um espelho da nossa própria insuportabilidade. Nada mais que os cidadãos médios, grupo em que qualquer um de nós poderia se incluir (ou ser incluído), sob os olhos dos demais.
Assistido em 28 de Fevereiro de 2024, quarta-feira.
Pobres Criaturas
4.1 1,3K Assista AgoraAssisti ontem e, por grata surpresa, era o único na última sessão da semana com o filme kkkkkk
Bom que pude rir à vontade, e só o moço que cuidava da porta veio espiar algumas vezes quem era o maluco que tinha fugido da ala psiquiátrica (junto com o filme rsrs).
Gostei de muitas coisas no filme. Essa presença do gótico e do steampunk (mesmo que do último pensava q seria talvez mais onipresente). Pessoal costuma dizer q é uma mistura de Frankestein com Barbie... ok, o último eu n assisti, mas quanto ao primeiro estava lendo durante semanas (edição crítica do Sebo Clepsidra) para espiar este "delicioso cadáver".
E realmente, Frankenstein estava lá! Não apenas nos nomes históricos (William Godwin, pai de Mary Shelley; e Bella Baxter [ou Isabella Baxter], amiga de infância da autora), mas em diversos momentos da concepção, desde o próprio filme ser um amálgama de espaços e experiências até a sensação de estar perdido no mundo e/ou não pertencer a ele.
Vi ecos tbm de "A Professora de Piano" (Sim, pra fazer um trocadilho horrível, esse problema É-de-piano, tanto até que ela começa o filme tocando um kkkk)... e tbm de "Solaris", embora este último não tenha se concretizado na metade da (re-)parte londrina.
A meia estrela a menos vai para o final...
E olha que mais uma vez tento me explicar de não ligar muito para eles, mas neste eu liguei (de novo!)... O final parece quase inverter a lógica do steampunk: se o gênero é marcado por um avant guard social, aqui parece justo o oposto: tanto até que eu imaginava que a Bella iria realocar o cérebro do pai no corpo do velho esposo (ou que ela fosse castrá-lo, tal como ele estava pensando em fazer com ela)... E bem, o maluko virá praticamente um bode. A ironia é que não deixo de ver esse final como brilhante tbm por dois motivos: 1) Por parecer muito mais um final de algum filme das décadas de 30, como o adorável Freaks... (os animais misturados o atestam), retomando perspectivas antigas; 2) Por ser, assim justamente, uma quebra de expectativa, sendo por apelar a um final não inovador, seja por ir na contramão do dito 'progresso' (científico)... afinal, "girls just wanna have fun!"? haha
De todo modo, o filme segue com esse convite: "Be one of us!" E se vc aceitar esse convite, e adentrar esse circo de bizarrices, com certeza ao menos irá se divertir! :)
Assistido em 21 de Fevereiro de 2024, quarta-feira.
O Exército dos Frutas
3.4 77É. É um filme com uma mão na cueca e a outra na consciência hahaha
Quase perco os dois rins pra terminar de assistir, por culpa do hiperfoco, mas felizmente fui até o fim.
É interessante como o Bruce consegue praticamente inverter a lógica do pornô mainstream: enquanto que no pornô usual, a narrativa é apenas uma ponte para a excitação que vem a seguir, aqui são justamente as cenas de sexo explícito, os punhetaços, as gozadas que preparam terreno para a narrativa. E a mistura máxima é justamente a cena do elevador: enquanto algumas coisas estão 'subindo', a loucura vai descendo em espiral.
Em alguns momentos, me lembrou muito os pornôs tchecos (a cena inicial em que o Patrick aparece é muito os filmes da BelAmi ou do Czech Hunter hahaha).
Funciona na medida em que o Bruce sabe usar muito bem a ironia da lógica ilógica dos pornôs para fazer "denúncias" que podem soar e zoar ao msm tempo com(o) o objeto de crítica.
É até interessante dizer, em paralelo, que os melhores filmes de pornô gay me parece que tenham sido feitos pela CockyBoys, com quem ele trabalhou ao fazer os curtas de "It Is Not the Pornographer That Is Perverse..." (conheci a obra por "O Diabo em Madrid").
Mesmo assim, ele ainda consegue sustentar, ainda que brevemente a seriedade do impasse posto no centro da narrativa, que aparece desde a sinopse: não há transgressão sem interdição, e é isso que acredito que mais frusta os planos da Gudrun ao descobrir que o Patrick é um rejeitado pelo próprio pai devido à sua homossexualidade. Para em seguida negociar com essa figura patriarcal que sequer entra em campo: "Ele vai querer vc de volta para confirmar a heterossexualidade compulsória dele, para que possa te 'curar'."
Fiquei sabendo dps que têm duas versões (assisti ao "The Revolution Is My Boyfriend"). E se não fossem as legendas zoadas (e incrivelmente ainda assim sincronizadas), eu teria gostado ainda mais. Inclusive, esse título é bem interessante pq aponta para as duas direções, que se reproduzem nos slogans contraditórios (ou não) da Gudrun (como na cena do 'roubo' no mercadinho: a revolução é o namorado (a revolução é o que importa); meu namorado é que é a revolução (mais subreptício, mas confrontando quando perguntam a ela se não está sendo egocêntrica).
Eu só tinha assistido o Gerontofilia, e embora esse último seja meu preferido, há aqui um exercício melhor da mistura entre pornô e filme de arte/filme experimentalista. Ou seja, é praticamente como redescobrir o Bruce LaBruce na sua filmografia anos 2000.
No fundo, valeu a pena. :)
Assistido em 12 de Fevereiro de 2024, segunda-feira.
Olhos Famintos 2
2.9 638 Assista AgoraPuxa... esse eu gostei mais quando assisti na adolescência... =/
Tem toda a subcamada LGBT q dps a gente consegue encontrar sabendo de toda história sombria por trás do diretor... mas algo n conquistou mais tanto quanto antigamente. E, nesse ponto, o primeiro acaba ganhando por ser mais sutil, talvez, no mistério todo envolvendo a criatura.
Segue nos favoritos por conta da nostalgia...
Inclusive: RIP Nicki Aycox... :')
Reassistido em 31 de Janeiro de 2024.
Hellraiser: Renascido do Inferno
3.5 880 Assista AgoraComo que um filme maravilhoso desses têm uma nota tão baixa?
Depois de várias tentativas frustradas, finalmente consegui assistir (mesmo que uma metade menor na TV e outra maior pelo note).
O King tava certo quando disse que o Barker era o futuro do horror(/terror). Na verdade, fico é assombrado por um cara como ele não ter tido mais reconhecimento ainda. Não apenas é uma ótima estreia, como o filme também tem ótimas atuações (eu realmente gostei muito da Clare... gente, ela assume a maior parte da trama do filme!).
Acredito que o filme consegue apostar em duas linhas e é bem-sucedido em ambas: tanto no drama da Julia, como uma mulher frígida e sexualmente frustrada; quanto na do horror gore dos prazeres e das dores do sodomasoquismo.
Fico até com dó da Julia, pq ela é simplesmente usada e descartada pelo Frank... que ainda ironicamente não supera a frustração que ela sentia com o Larry. Sem contar q essa doideira dela conseguir transar com ele apenas dps que o Frank veste a pele é uma metáfora bem poderosa dos desejos. E, claro, não podia faltar a morte do pai bem freudiana, nesse impasse pelo qual a Kirsty passa. É até sarcástico ela comparar a frivolidade da Julia com a do Steve (imaginava que ele fosse morrer também).
Enfim, né? Será que é mais um caso de 8 ou 80? hehe
"Exploradores das regiões profundas da experiência. Demônios para uns. Anjos para outros."
Assistido em 29 de Janeiro de 2024.