Achei bacana como o curta brinca com isso. Como demonstra uma certa angústia na ânsia de possuir e depois, quando a outra mãe "invade" a casa das protagonistas, é ali que a medida se inverte, sendo um objeto de valor memorialístico que se torna, ele sim, o mais valioso, para além de "nada disto tudo" que havia na outra casa.
Já dizia tio Schopão: "a vida é uma eterna oscilação entre o desejo de ter e o tédio de possuir". Para vencer isso, só os pequenos milagres, como acidentes e incêndios no Jardim, para saber o que realmente importa para nós...
Assistido durante a Mostra Ambiental do Dia Internacional da Animação, edição de 2024.
Muito bacana, e me fez relembrar de vários contos indígenas que li durante o mestrado. A cosmogonia indígena é riquíssima!
Ainda assim, eu fico com vários pés atrás sabendo que foi uma produção patrocinada pela Energisa. Não consigo deixar de enxergar uma enorme contradição... :')
(primeira vez que eu dou nota pra algum filme/curta/animação me baseando nos elementos da produção kkkkk)
Ainda assim, seriam curtas que eu gostaria de rever pelo teor das histórias.
Assistido em 28 de Outubro de 2024, segunda-feira.
Assistido durante a Mostra Ambiental no Dia Internacional da Animação.
Ainda que seja muito bem animado, não lembro de ter captado a ideia para além das representações clássicas de estiagens.
Lembro apenas de recordar que havia muitas representações de santos na casa das personagens (um amigo até brincou dizendo: "um dos santos ao menos deveria funcionar" rsrs).
De todo modo, é uma animação bonita e muito bem-feita também.
Assistido em 28 de Outubro de 2024, segunda-feira.
Alguma coisa estranha não me fez me conectar totalmente com o filme... A linha do equilíbrio talvez seja um certo "glamour melancólico"... em excesso? Mas ainda assim gostei muito, e entrou para os favoritos.
Interessante. Gostei até. Me peguei imaginando por onde estava nos idos de 10 anos atrás... época em que concluía a graduação em Letras e também me aprofundava nos estudos de Cinema.
O encontro da lente da câmera, que simula ao mesmo tempo um sol e um olho, é uma imagem poética muito bonita.
E esses rostos simplesmente colocados em sequência, embora em planos diferentes, me faz rememorar o final de "Joguem Fora Seus Livros e Saiam às Ruas" (1971), de Shūji Terayama, um filme de que gosto muito, tendo até mencionado na minha dissertação de mestrado... embora o tenha visto apenas uma vez. Suas imagens me marcaram.
Eu achei bem previsível uma série de coisas (na verdade, a maior parte), mas nem é por isso que diminuí a nota. Ou talvez seja? kkkkkk
Me deixou bem confuso, e tenho a sensação, sim, de pontas soltas, mas eu nem me preocupo muito em querer ficar caçando isso, já que roteiro não costuma ser o ponto mais importante pra mim.
Agora, que a fotografia é incrível e que a atmosfera do filme é massa, isso é. Esse banho todo de uma luz amarela intensa dá uma 'sensação morna' quase angustiante: que nem de quando ficamos direto no ar condicionado e saímos pro calor da tarde, pr'um mormaço q nos derrete... s=
Cage e Maika estão maravilhosos em seus papéis. Não consigo afirmar isso quanto ao restante do elenco. O chefe dela que me incomodou mais mesmo kkkkk
Talvez a minha experiência, apenas, e mais uma vez, tenha sido prejudicada por conta de ser interrompido tantas vezes assistindo o filme (casar uma fragmentação com a outra, infelizmente, n surtiu o efeito esperado...).
Talvez eu volte aqui para editar meu comentário. Por conta das exemplicações, no caso. Mas o que achei interessante no filme é essa composição quase que de "vitrais" (considero um ótimo símbolo para representar o tema da memória): o tempo se repetindo entre a dança na rave e a dança no hotel, oscilando feito onditas na água, intercalando-se, sobrepondo-se, tanto nas imagens quanto nas palavras. Alguns exemplos (por hora, apenas um, o primeiro, ou dois):
1) Já bem no início, quando o Calum vê que só tem uma cama no quarto, e depois a gente tem a sobreposição do diálogo dele com a recepção, em que o "boa noite" dele desligando o telefone 'cola-se' ao boa noite dele cobrindo a Sophie. Acho isso genial pq, para além das cenas clássicas em que temos distenções muito grandes de tempo (e que este filme tbm trás), eles também colocam essas memórias tão próximas, mostrando-nos como o oceano de memórias e tão caudaloso e o modo como essas próprias memórias se perdem não apenas pela distância, mas tbm pelos diversos pontos de vista sobre elas e tbm pelo processo de repetição da memória, um espelho que, pra usar a própria metáfora do filme, se vc cuspir nele e dps n limpar, irá ficar manchado. 2) Aqueles parapentes (eram parapentes?) aumentando cada vez mais no céu, e dps transitando lentamente para o reflexo na água, não apenas como um traço da memória, mas tbm parecendo lembrar lentamente o Calum de que ele estava fora do ciclo das pessoas que podiam pagar por aquilo...
Outras cenas das quais gostei muito:
1) A cena que a Sophie canta "Losing My Religion"... me atravessou mais do que a cena com "Under Pressure". 2) Aquele momento em que o Calum conta sobre a infância dele, só depois que a Sophie 'desliga a câmera', e mantém apenas ligada a "câmera mental". A história sendo contada no reflexo de uma tv desligada me pegou demais tbm... genial!
O filme é beeeeem doloroso e extremamente melancólico... A gente até quer revisitar, mas sabe o quão difícil é, mesmo que seja pra ter de nv esse 'gostinho', que, no fundo, nunca volta, pq sempre é o gosto da primeira vez.
Apesar de todo esse impasse entre artista e monstro, ele reconheceu toda a pluralidade da Alma.
Acho tão simbólico a esposa dele se chamar assim também. Quase como a mesma essência do filme "Persona".
E enfim, né? Igual ao filme do Bergman, o Hitchcock explorou nossos medos e desejos de forma intensa e sensacional, fazendo-nos lembrar da mesma máxima:
"Seu esconderijo não é à prova d'água. A vida entra em tudo."
É difícil falar sobre esse documentário... muito mesmo. Mas talvez tenha de dizer algo agora antes que eu esqueça de alguns pontos. Bom, não vou ter nem tempo pra ficar marcando onde começa e onde terminam os spoilers...
O documentário me mostrou, de maneira muito interessante, algo que comecei a captar através da fala do Michael Busse: "Eu vivi em uma época em que ser gay era um crime, uma doença e um pecado." Frente a esses pormenores, deu pra perceber q, à parte do discurso policial e do discurso médico, a 'melhor' saída seria o do campo religioso.
Nesse sentido, dá pra entender como q a Exodus sobreviveu por 30 anos. Fora da época das redes sociais, a ironia que existia é que pessoas LGBTQUIA+ só poderiam se encontrar através de um grupo que negava justamente a sua sexualidade.
O relato da Julie foi o que mais me derrubou. O modo como usaram o abuso sexual que ela sofreu para levar adiante a sua imagem como líder foi de uma perversidade e crueldade inimagináveis: o relato dela, então, é tão forte...
"Na primeira vez que me queimei, estava sentada na calçada da igreja, após uma reunião da Living Hope. Enquanto meu cigarro diminuía, sem pensar muito, eu o enfiei no meu ombro e ouvi a pele do meu braço esquerdo chiar. Logo depois daquela noite, estava sozinha no meu quarto, perdida em um turbilhão de medo, agonia e auto-ódio, e me lembrei da queimadura e da onda de desapego que senti pelo corpo quando o fogo queimou minha pele. Depois de procurar coisas de metal que esquentariam sob fogo, achei uma moeda. Segurando a moeda com uma pinça, eu a mergulhei na chama de um isqueiro, o coração acelerando enquanto a moeda esquentava. Respirei, dobrei o braço esquerdo e apertei a moeda na carne até a pele romper e a dor entorpecer. Repeti o processo pelo menos 20 vezes naquela tarde, fazendo linhas no ombro, cada uma com uns centímetros de largura. Por semanas, comecei a aplicar Neosporin nas feridas de manhã e de noite. Meu corpo e eu estávamos seguros nessas horas. Eu podia arregaçar a manga, expor minhas feridas e ser recebida com ternura e compaixão. Nos anos seguintes, quando a angústia ficava insuportável, eu voltava a essa rotina de queimar linhas retas nos meus ombros e usar as feridas como alívio. Ouvi que depressão é raiva voltada para dentro. Talvez fosse o que eu estava fazendo no meu quarto naquele tempo. Peguei a raiva que sentia por viver em um corpo que não podia ser domado ao tipo de corpo que deveria ser: um corpo hétero, um corpo feminino, um bom corpo cristão, e ateei fogo nele."
A fala do Randy no final também é devastadora:
"Logo depois de me assumir, uma pessoa gay me disse de forma direta que eu tinha sangue nas mãos. Ele disse: 'O que acha do sangue nas suas mãos?' Eu disse: "Agora... só sei que tenho medo de olhar para as minhas mãos.' Como líder, fui treinado para reconhecer a perda, mas para racionalizá-la, para negá-la. E odeio ter feito isso. E muitos de nós não cometem suicídio, mas estamos nos matando internamente por não aceitarmos quem Deus nos criou para sermos."
Eu não acredito que o filme faltou ser mais incisivo, pois ele começa e termina avisando dos perigos dessas terapias, e também trazendo, tanto no início quanto no fim, a figura do McCall como amostra desse perigo sempre iminente...
Achei talvez que faltasse maior representação de alguns grupos (por exemplo, de pessoas negras, mas esse ponto até entendo... que ainda mais nos EUA, lideranças de 'ex-gays' só tivessem como ser de pessoas brancas mesmo (Michael, John, Yvette, Julie e Randy como centrais)... e, por outro lado, que algumas pessoas da sigla poderiam ter sido representadas como mais veemência (a bissexualidade da Yvette me pareceu bem apagadinha, mas até isso é simbólico). E além desses dois pontos (que convergem para um só), fica o sentimento de mea culpa bem forte no documentário todo. Seria uma "culpa cristã" também? rsrs
Porém, eu não consigo julgar de maneira incisiva todos os líderes ali citados e entrevistados, pq todos os principais abandonaram a Exodus e as outras correntes e lutaram para mostrar o quão errados eles levantam, e, acima de tudo, eu consegui sentir muito todo o sofrimento que passaram nesse processo de autonegação.
Haveria tanta coisa pra falar, mas... esse documentário me machucou demais e tbm me fez lembrar, como pessoa bissexual, das vezes pelas quais passei pelo mesmo processo de negação...
De fato, é um documentário que precisa ser mais divulgado e melhor conhecido, até mesmo pela importância do seu valor histórico.
No início, fiquei desconfiando que fosse a Sra. Patterson e o pai da Virginia... pq desde o começo eles deixam uma pista de que pudessem ser "dois" assassinos. O filme deixa a gente confuso um bom par de vezes... e usar esse tom de duplo já é algo clássico pelo menos desde "Psicose" e foi repetido um par de inúmeras vezes (em "Armadilha para Turistas", em "Sexta-Feira 13" e em "A Casa de Cera", por exemplo... e até mesmo, de certo modo, em "Pânico")...
O filme tem todo um tom bem macabro, reforçando essa ideia dos feriados/datas comemorativas (aqui, agora com um aniversário) e, apesar de bem confuso em vários momentos, tem um roteiro interessante e acredito que consegue prender a gente até o fim. Algumas cenas são confusas mesmo... (por exemplo, o que a Amelia fazia lá parada na chuva, perto do fim do filme?!)...
Além disso, como são muitos personagens, fica difícil da gente gravar e isso gera mais confusão também. Mas, sabendo do plot final, deixar confuso obviamente é a função desse filme haha
Pra mim, o que pesou um tanto pra pesar a nota foi essa confusão toda e também, por outro lado, ironicamente, a excessividade de explicação de outros pontos.
Ah, aliás, em algum momento eu desconfiei da Ann, por conta do modo como ela parecia estar sempre demasiado preocupada com a Virginia... Xx
Pelo menos a três filmes me remeti assistindo esse filme: "Evil Dead" (o mais gritante), "O Exorcista" (obviamente, mas com outras características talvez mais sutis) e, sobretudo, em se tratando de filmes em Língua Espanhola, "O Bar", do Álex de la Iglesia...
No caso do último, o tema da "infecção" é bem notório também. Até mesmo a representação do ponto de partida: um corpo infectado, inchado, que faz crescer esse paralelo entre algo sobrenatural (a possessão) e algo 'natural' (uma epidemia). As cenas são aterradoras e a gente não tem muito tempo para se apegar a nenhum personagem, pq eles vão sendo destroçados um logo após o outro.
Na questão das regras e em outros pontos parece haver furos de roteiros, mas talvez sejam só marcações do desespero das próprias personagens e suas más decisões (às vezes com pressa, às vezes não), com esses 'demônios' que aparecem por todos os lados.
Dá pra pensar nesse ponto, também, em um paralelo, agora, com "O Enigma de Outro Mundo". Se lá não sabemos devidamente quem é o alienígena, aqui não sabemos quem é o possuído, de fato.
Agora vou correndo para o Dicionário de Demônios pesquisar sobre Azrael e Uriel haha
Assistido em 18 de Junho de 2024, terça-feira.
P.s.: Eu fique um pouco preocupado e confuso com a representação da personagem autista no filme (autista e TDAH aqui falando isso)...
O Xavier Dolan, talvez seja isso que só esteja percebendo agora, sabe como irritar a gente com esse jogo equilibrista dele entre um filme que pode ser pura arte e, ao mesmo tempo, cafona ou, pelo menos, piegas... é dá raiva ficar em dúvida [se/o quanto] ele está consciente disso.
Duas questões principais marcaram minha experiência com este filme:
1) O fato de eu sentir uma espécie de perda de 'timing' por ter visto esse filme apenas 10 anos depois que ele foi lançado (mesmo tendo assistido em um espaço de tempo menor a "Eu Matei Minha Mãe" (2009), "Amores Imaginários" (2010) e "A Morte e Vida de John F. Donovan" (2018).
2) Mais especificamnteA minha própria experiência assistindo o primeiro filme que centra uma personagem com TDAH após eu mesmo receber o laudo de TDAH e TEA.
Bom, vamos a cada uma.
A primeira parte é mais breve, talvez. Em todas as circunstâncias, com exceção da primeira, eu procurei os filmes do Dolan por uma necessidade de identificação: em "Amores Imaginários", pela provável presença de um protagonista bissexual; em "A Morte e a Vida de John F. Donovan", encontrei o filme buscando pela trilha sonora, com a presença de uma música do Robert Alfons (TR/ST) [e, mais tarde, talvez eu tivesse voltado a esse filme por motivos tão dolorosos que nem sequer vou citar aqui]; e aqui, em "Mommy", pelo que já disse, em relação ao TDAH.
Opa! Passemos ao ponto 2: E talvez essa busca incessante de identificação, mais ainda sabendo ainda mais sobre o que o próprio Dolan pensou da premiação dele no Queer Palm de 2012, me faz tbm me equilibrar e desequilibrar nesse intento... de todo modo, a própria questão do TDAH e da autoidentificação tornou a experiência de assistir esse filme extremamente dolorosa: seja pelo tema, seja pelo esforço em assisti-lo praticamente numa tomada só, sem ficar voltando pra "degustar" as cenas; ou para superar uma ou outra frustação em relação ao filme, aqui e acolá.
1) A cena da agressão (me fez lembrar muito da relação entre mãe e filho no longa "Réquiem para um Sonho".
2) A cena em que eles três estão cantando e dançando em casa... se não me engano é essa que me chamou a atenção pela letra...
3) A cena do Karaokê.
4) A cena do passeio com o skateboard e as bikes (não à toa é uma cena que aparece compartilhada até no anúncio do filme na MUBI). Essa me parecia talvez a mais apelativa/piegas... mas aí...
5) Aquela cena em que a mãe vê o futuro dela... enfim, esse combo de duas cenas me fez pensar: será que esse filme envelheceu bem?
6) A cena final, em que parece que não sabemos se ele está no primeiro piso ou em um mais alto, faz imaginar se ele estaria fugindo ou tentando cometer suicídio de novo... pelo menos foi assim que eu vi. E não seria, de todo modo, dois tipos de fuga?
Eu realmente fico com raiva em não saber/perceber até que ponto o Xavier tem consciência disso que ele está fazendo... mas gostei relativamente do filme sim, até pelas reflexões que ele me trouxe.
Eu o assistira mais uma vez apenas para descobrir quais são as cenas que não estão no formato 1:1. hehe
Sigo sendo tapeado pela rave (e sim, eu gostei do filme haha).
Acho, que de cara, o que tenha me irritado um pouco tenha sido só aquele final insosso e o garotinho um tanto quanto.
Há muitas coisas que gostei no filme: a trilha sonora pendendo para o eletrônico (mas queria mais, prometeram e acabaram me dando pouco kkkkk); as cores e a fotografia (gostei sobretudo dos fade ins e fade outs do filme, que fazem essa explosão de paletas soar mais longe); a sensação de que estamos adentrando quase que um jogo de RPG pela variabilidade de cenários e contatos pelos quais a que a Lee passa ao longo do filme (pegando um calçado aqui, enfrentando um 'boss' ali, trocando uma camiseta por um beijo e por aí vai).
É interessante como não sobra um único personagem com moral dúbia, mas justo isso que acho que é o maior "tchan" do filme. E que casa muito bem com a cena caótica de Nova Órleans (aliás, antes eu tava reclamando das cores e luminosidade de "Noite Passada em Soho", este aqui então, me deixou ceguinho, ceguinho).
Eu pensava que o filme se passaria todo durante a noite, mas tem cenas de dia também... contudo, acho que é alguma coisa da fotografia do filme que faz soar até os dias meio que "noturnos", como se fossem uma extensão da noite.
O filme realmente não explica quanto aos poderes da Lee, se eles vêm da Lua de Sangue... e qual essa relação direta... mas achei muito bacana (inclusive, em uma das críticas que li, reforça-se novamente isso como ponto positivo). E bota a gente pra pensar sobre a questão da Mona Lisa. Achei interessante tbm o jogo das cores vermelha e verde (sendo que associei o verde mais ao Charles, até pq dps vira a cor de cabelo dele).
Aquele final no aeroporto, ainda que tenha achado bem nobre a atitude do Charles (e mais inventiva ainda na saída que ele buscou), me pareceu dps talvez um pouco piegas... e, juntando com a cena final morníssima do avião, reforçou o sentimento de final de filme sessão da tarde kkkk q horror...).
De todo modo, há cenas que me soaram como um grande conforto, alguma certa calmaria... como ela cruzando a floresta pra chegar em Nova Órleans; ou mesmo as cenas de dia, sobretudo a da lavanderia. A cena do desenho, retomando a música-título, é muito linda.
Ainda que com várias pulgas atrás da orelha, foi uma grata surpresa. :]
Assistido em 05 de Junho de 2024, quarta-feira.
P.s.: Acho q entendi agora um ponto... é como se o fato de eu ter gostado tanto dele no começo e no meio me força-se a exigir que gostasse desse filme mais ainda no final (daí a frustração que baixou um pouco a nota haha).
Eu gostei muito do filme, embora tenha ficado quase cego com tanta luz. Xx haha
Levaria uma semana ou mais só pra levantar o tanto de inspirações/sugestões que o filme passa, inclusive de uma série de outros filmes: desde filmes diretamente citados no filme, como "Bonequinha de Luxo", até outros, subreptícios (Perfect Blue, Paprika [que pra mim é o que tá mais na cara, com esse tanto de sonho, chega a ser óbvio demais], Cidade dos Sonhos, Veludo Azul), sugerindo até trechos de Psicose (afinal, mesmo sendo americano, é um filme de 1960 de um diretor britânico). Com pegadas macabras ainda de Alice no País das Maravilhas haha
Seria até sufocante demais enaltecer tantos pontos bons: fotografia, figurino, roteiro (sim! até isso!), uso de cores, atuações, ambientação etc. Talvez só fique com a intenção de pontuar três questões que me vem mais à tona:
1) Quanto ao Lindsey "não ter descoberto as mortes", eu não acho que ela conseguiu esconder. Pelo contrário, acho que ele descobriu bem até demais e acobertou os assassinatos da Sandie. Tanto até que, antes de morrer, ele fala pra Ellie procurar a Alex (Sandie), para descobrir que ela não era essa pessoa que ela pensava ser. Além do mais, eu acredito que um enredo subreptício que há no filme é uma breve sugestão inicial de que a própria mãe da Ellie seria a Sandie (no sonho, uma vez que ela para de ver a mãe e logo em seguida passa a [re]ver a Sandie. P.s.: inclusive, a cena final do filme é praticamente um tríptico com Ellie/mãe da Ellie/Sandie). Quando eu vi o Lindsey pela primeira vez no filme, fiquei imaginando que fosse o pai da Ellie. Então, por esse comparativo de pares, e até mesmo pela cena em que a Sandie tem o encontro com o Lindsey, acredito que ele foi um pretendente meio que rejeitado pela Sandie (por ela se encontrar sem esperança de que pudesse sair daquela situ), e/ou que não conseguiu tirá-la daquela situação. Aí, temos, por espelhamento, um diálogo forte com o par Ellie-John. Mais uma vez, durante o filme, há a frase: "Esse é o mínimo que eu poderia fazer." x "E qual seria o máximo?" Nesse caso, mínimo e máximo se encontram: amando Sandie, e sendo não correspondido, ele poderia ao menos/ao mais não se intrometer na vingança pessoal dela.
2) Acho que o pessoal se desilude tanto quando vê "filme de Terror" pq já foi muito 'masturbado' pela indústria pop pra achar que o único sentimento provocado pelo filme de terror é o Medo (e ainda por cima, um tipo de medo tbm extremamente limitado), assim como recursos limitados (o jumpscare é só o carro-chefe, mas a gente poderia citar a atmosfera "sombria", que se perde aqui no meio de tantas luzes, e faz rememorar filmes como "Suspiria", que nos ensinaram que o Horror e o Terror possuem uma paleta de cores bem mais variada do que imaginamos). Nesse caso, se a gente olha para outros/as sentimentos/impressões/sensações (angústia, ansiedade, estranhamento, deslocamento, nojo, solidão etc.) que o gênero pode nos proporcionar, esse escopo fica bem mais ampliado: e realmente "Noite Passada em Soho" oferta tudo isso de maneira magistral.
3) Uma coisa que eu achei bem simbólica (e que acredito que não seja superinterpretação) é que o incêndio representa bem essa "purgação" do passado da própria Sandie e até mesmo do da Ellie (aliás, não à toa o nome original da primeira é Alexandra, daí em pensarmos no final como esse incêncio da biblioteca de Alexandria, de suas memórias).
Tirando isso, acho que só o excesso do CGI em algumas partes me incomodou, com aquele excesso de 'fantasmas/espectros' também...
Mesmo não dando nota máxima, eu praticamente amei esse filme.
Olha que eu nem parei pra ficar pensando em lenda da "Mulher que Chora" e da "Noiva de Branco"... mas... que pena! Um filme da época do colégio que parece não ter envelhecido nada bem, até mesmo pela CGI zoada kkkk Ai... aff!
Até a metade, eu tava achando bem legal. Mas depois daquela cena na casa com a senhora, parece que tudo desanda e fica confuso.
1. Uma coisa que eu não entendi por talvez ter assistido a pressa: o rio passava por debaixo da estrada, seria isso? 2. Tem até uma cena que o Nuño fala que tinha conversado com o Omar sobre os mapas... mas gente, eu não lembro disso acontecer em momento algum!
Tudo fica muito confuso e zoado pro final. Fica difícil ficar juntando tanto quebra-cabeça. E o fato de dizerem que é baseado em um caso real é bem zoado, pq tem muita coisa excessivamente incrível: no sentido de não crível mesmo kkkkk Ainda colocam a história da esquizofrenia pra dar uma duvidazinha na cabeça, maaaas... pqp, todo mundo era esquizofrênico então? kkkkkk
A cena do Omar mostrando o caminho pro corpo dele e a casa da senhora sendo também uma casa fantasma que aparentemente some apenas à noite... achei interessante (inclusive me lembra o jogo "A Bruxa de Blair: a maldição de Rustin Parr" [2000]), até mesmo por essa prática inversão de ela aparecer apenas de dia e não à noite, como se fosse a própria memória da casa que não conseguisse superar a morte.
O final tbm achei meio doido justo o fantasma assumir o corpo da Ágata.
Mas nem esses detalhes bacanas salvaram mesmo de eu gostar 'oficialmente' do filme...
Assistido em 24 de Maio de 2024.
P.s.: realmente, a fotografia esverdeada/azulada é algo que eu tbm tinha gostado bastante, pelo menos até um terço do filme... depois começa a ficar enjoativo.
Gostei bastante do filme, embora não totalmente. E não sei dizer ainda ao certo o porquê. Mas que o filme te põe pra pensar uma série de coisas, isso põe.
Acredito que a Tess tenha uma dependência emocional enorme, e até certo ponto parece ser isso que a guia para bancar a salvadora.
O Keith é outro coitado, e fiquei imaginando se até o nome dele não tem alguma ironia, pois é muito semelhante a "Key" (de fato, é ele que possui as chaves da casa, e é através da morte dele que o filme dá uma 'girada' de ato).
O Justin talvez seja ali o personagem central da moral duvidosa: acontece que, talvez, os seus maiores defeitos sejam a ganância e a covardia.
A coitada da monstra, tem nem o que falar... pensando bem, ela me faz lembrar muito a personagem torturada de "Mártires".
O Frank, para além de ser bem desprezível, me faz pensar que ele centraliza o núcleo do descaso daquela área da cidade. É como se ele concentrasse toda a podridão do bairro na casa dele.
O senhor morador de rua talvez seja o exemplo mais clássico de que "as aparências enganam"...
O filme parecia, a princípio, exigir muito da suspensão da descrença. Mas, por outro lado, acredito que tenha mais valor msm o valor da crença. Por incrível que pareça, exemplos desse tipo (e infelizmente) tem aos montes. O Frank poderia ser qualquer serial killer clássico das décadas de 70 e 80 que deu um olé incrível nas autoridades antes de ser pego. E isso reverbera até a atualidade do filme, quando a gente vê a atitude dos policiais para com a Tess.
De todo modo, me parece bem simbólico o suicídio do Frank na frente do AJ: quase como retratando - o que não deixa de ser controverso - : "Olha, se vc acha que este fulano é canalha, olhe bem para este outro aqui, de antigamente."
De fato, ele parece cometer dois acidentes msm... só que não sobra dúvida da intenção do último... e talvez a ironia seja a gente se motivar a pré-julgá-lo em relação as atitudes anteriores (o suposto estupro e o tiro que ele dá na Tess) com relação à última atitude dele.
Enfim, de todo modo, n é um filme convencional, e uma boa pedida pro meio da semana... rs
Aliás, o filme me fez me interessar por pesquisar um pouco mais sobre Detroit... pq n é a primeira vez que vejo a cidade sendo citada com tanto afinco em filmes de terror... =p
Longa Jornada Noite Adentro
3.6 66 Assista AgoraÉ estranho como não parece ser a primeira vez que vejo esse filme, ainda que, de fato, seja a primeira vez que me encanto por ele...
Em breve voltarei com mais comentários a respeito deles, ainda que breves.
Assistido em 7 de Setembro de 2025.
NOTA: 9,8.
Nada disso tudo
3.4 2"Casa Tomada", porém agora duplicada...
Achei bacana como o curta brinca com isso. Como demonstra uma certa angústia na ânsia de possuir e depois, quando a outra mãe "invade" a casa das protagonistas, é ali que a medida se inverte, sendo um objeto de valor memorialístico que se torna, ele sim, o mais valioso, para além de "nada disto tudo" que havia na outra casa.
Já dizia tio Schopão: "a vida é uma eterna oscilação entre o desejo de ter e o tédio de possuir". Para vencer isso, só os pequenos milagres, como acidentes e incêndios no Jardim, para saber o que realmente importa para nós...
Assistido em 12 de Junho de 2025.
Mitos Indígenas em Travessia
4.2 4Assistido durante a Mostra Ambiental do Dia Internacional da Animação, edição de 2024.
Muito bacana, e me fez relembrar de vários contos indígenas que li durante o mestrado. A cosmogonia indígena é riquíssima!
Ainda assim, eu fico com vários pés atrás sabendo que foi uma produção patrocinada pela Energisa. Não consigo deixar de enxergar uma enorme contradição... :')
(primeira vez que eu dou nota pra algum filme/curta/animação me baseando nos elementos da produção kkkkk)
Ainda assim, seriam curtas que eu gostaria de rever pelo teor das histórias.
Assistido em 28 de Outubro de 2024, segunda-feira.
Quando a Chuva Vem?
3.7 2Assistido durante a Mostra Ambiental no Dia Internacional da Animação.
Ainda que seja muito bem animado, não lembro de ter captado a ideia para além das representações clássicas de estiagens.
Lembro apenas de recordar que havia muitas representações de santos na casa das personagens (um amigo até brincou dizendo: "um dos santos ao menos deveria funcionar" rsrs).
De todo modo, é uma animação bonita e muito bem-feita também.
Assistido em 28 de Outubro de 2024, segunda-feira.
Manu sonha com onças
3.3 1Assistido durante o Dia Internacional da Animação.
Divertidinho, talvez tenha sido um dos que menos ficou na memória, mas ainda assim lembro de ter gostado também... :)
Assistido em 28 de Outubro de 2024, segunda-feira.
Anhell69
3.5 2Alguma coisa estranha não me fez me conectar totalmente com o filme... A linha do equilíbrio talvez seja um certo "glamour melancólico"... em excesso? Mas ainda assim gostei muito, e entrou para os favoritos.
Ainda que haja o fim emblemático no cemitério, uma ode à memória e à morte, o filme parece que presa mais pelo anticatártico.
Nesse ponto, ele já não se direciona ao glamour. E vejo isso como ponto positivo. Pq no fim, ocasiona uma mistura interessante.
"Eu me apaixonei pelo cinema, porque era o único lugar onde eu podia chorar."
Assistido em 18 de Outubro de 2024, sexta-feira.
The Haunted House
4.1 6Divertido, ainda que repita muita coisa de "A Dança dos Esqueletos", também do mesmo ano, e até mesmo da obra homônima do Segundo de Chomón.
Assistido em 13 de Outubro de 2024, domingo.
Não Filmarás
4.0 4Este curta não está catalogado no Letterboxd?
Não Filmarás
4.0 4Interessante. Gostei até. Me peguei imaginando por onde estava nos idos de 10 anos atrás... época em que concluía a graduação em Letras e também me aprofundava nos estudos de Cinema.
O encontro da lente da câmera, que simula ao mesmo tempo um sol e um olho, é uma imagem poética muito bonita.
E esses rostos simplesmente colocados em sequência, embora em planos diferentes, me faz rememorar o final de "Joguem Fora Seus Livros e Saiam às Ruas" (1971), de Shūji Terayama, um filme de que gosto muito, tendo até mencionado na minha dissertação de mestrado... embora o tenha visto apenas uma vez. Suas imagens me marcaram.
Assistido em 22 de Setembro de 2024.
Chainsaw Bunny
3.6 2Gostei bastante. Bem-feitinha a animação!
Só pensei q eles iriam ter de queimar os corpos, mas não é um "The Thing", né? haha
Gore puro de coelhinhas! kkkkkk
Assistido em 11 de Setembro de 2024, quarta-feira.
Longlegs: Vínculo Mortal
3.2 939 Assista AgoraEu achei bem previsível uma série de coisas (na verdade, a maior parte), mas nem é por isso que diminuí a nota. Ou talvez seja? kkkkkk
Me deixou bem confuso, e tenho a sensação, sim, de pontas soltas, mas eu nem me preocupo muito em querer ficar caçando isso, já que roteiro não costuma ser o ponto mais importante pra mim.
Agora, que a fotografia é incrível e que a atmosfera do filme é massa, isso é. Esse banho todo de uma luz amarela intensa dá uma 'sensação morna' quase angustiante: que nem de quando ficamos direto no ar condicionado e saímos pro calor da tarde, pr'um mormaço q nos derrete... s=
Cage e Maika estão maravilhosos em seus papéis. Não consigo afirmar isso quanto ao restante do elenco. O chefe dela que me incomodou mais mesmo kkkkk
Assistido em 1 de Setembro de 2024.
Aftersun
4.0 794Realmente, é um ótimo filme.
Talvez a minha experiência, apenas, e mais uma vez, tenha sido prejudicada por conta de ser interrompido tantas vezes assistindo o filme (casar uma fragmentação com a outra, infelizmente, n surtiu o efeito esperado...).
Talvez eu volte aqui para editar meu comentário. Por conta das exemplicações, no caso. Mas o que achei interessante no filme é essa composição quase que de "vitrais" (considero um ótimo símbolo para representar o tema da memória): o tempo se repetindo entre a dança na rave e a dança no hotel, oscilando feito onditas na água, intercalando-se, sobrepondo-se, tanto nas imagens quanto nas palavras. Alguns exemplos (por hora, apenas um, o primeiro, ou dois):
1) Já bem no início, quando o Calum vê que só tem uma cama no quarto, e depois a gente tem a sobreposição do diálogo dele com a recepção, em que o "boa noite" dele desligando o telefone 'cola-se' ao boa noite dele cobrindo a Sophie. Acho isso genial pq, para além das cenas clássicas em que temos distenções muito grandes de tempo (e que este filme tbm trás), eles também colocam essas memórias tão próximas, mostrando-nos como o oceano de memórias e tão caudaloso e o modo como essas próprias memórias se perdem não apenas pela distância, mas tbm pelos diversos pontos de vista sobre elas e tbm pelo processo de repetição da memória, um espelho que, pra usar a própria metáfora do filme, se vc cuspir nele e dps n limpar, irá ficar manchado.
2) Aqueles parapentes (eram parapentes?) aumentando cada vez mais no céu, e dps transitando lentamente para o reflexo na água, não apenas como um traço da memória, mas tbm parecendo lembrar lentamente o Calum de que ele estava fora do ciclo das pessoas que podiam pagar por aquilo...
Outras cenas das quais gostei muito:
1) A cena que a Sophie canta "Losing My Religion"... me atravessou mais do que a cena com "Under Pressure".
2) Aquele momento em que o Calum conta sobre a infância dele, só depois que a Sophie 'desliga a câmera', e mantém apenas ligada a "câmera mental". A história sendo contada no reflexo de uma tv desligada me pegou demais tbm... genial!
O filme é beeeeem doloroso e extremamente melancólico... A gente até quer revisitar, mas sabe o quão difícil é, mesmo que seja pra ter de nv esse 'gostinho', que, no fundo, nunca volta, pq sempre é o gosto da primeira vez.
Assistido em 23 de Agosto de 2024.
Eu Sou Alfred Hitchcock
4.1 9Apesar de todo esse impasse entre artista e monstro, ele reconheceu toda a pluralidade da Alma.
Acho tão simbólico a esposa dele se chamar assim também. Quase como a mesma essência do filme "Persona".
E enfim, né? Igual ao filme do Bergman, o Hitchcock explorou nossos medos e desejos de forma intensa e sensacional, fazendo-nos lembrar da mesma máxima:
"Seu esconderijo não é à prova d'água. A vida entra em tudo."
Assistido em 24 de Julho de 2024.
How to Be Alone
3.4 4 Assista AgoraMetade explícito demais, metade implícito demais.
E uma estrela a mais pq amo a Maika Monroe e ela, e outros fatores mais, me lembram de vez em quando que sou bi. haha
Assistido em 23 de Julho de 2024.
Pray Away
3.5 46 Assista AgoraÉ difícil falar sobre esse documentário... muito mesmo. Mas talvez tenha de dizer algo agora antes que eu esqueça de alguns pontos. Bom, não vou ter nem tempo pra ficar marcando onde começa e onde terminam os spoilers...
O documentário me mostrou, de maneira muito interessante, algo que comecei a captar através da fala do Michael Busse: "Eu vivi em uma época em que ser gay era um crime, uma doença e um pecado." Frente a esses pormenores, deu pra perceber q, à parte do discurso policial e do discurso médico, a 'melhor' saída seria o do campo religioso.
Nesse sentido, dá pra entender como q a Exodus sobreviveu por 30 anos. Fora da época das redes sociais, a ironia que existia é que pessoas LGBTQUIA+ só poderiam se encontrar através de um grupo que negava justamente a sua sexualidade.
O relato da Julie foi o que mais me derrubou. O modo como usaram o abuso sexual que ela sofreu para levar adiante a sua imagem como líder foi de uma perversidade e crueldade inimagináveis: o relato dela, então, é tão forte...
"Na primeira vez que me queimei, estava sentada na calçada da igreja, após uma reunião da Living Hope. Enquanto meu cigarro diminuía, sem pensar muito, eu o enfiei no meu ombro e ouvi a pele do meu braço esquerdo chiar. Logo depois daquela noite, estava sozinha no meu quarto, perdida em um turbilhão de medo, agonia e auto-ódio, e me lembrei da queimadura e da onda de desapego que senti pelo corpo quando o fogo queimou minha pele. Depois de procurar coisas de metal que esquentariam sob fogo, achei uma moeda. Segurando a moeda com uma pinça, eu a mergulhei na chama de um isqueiro, o coração acelerando enquanto a moeda esquentava. Respirei, dobrei o braço esquerdo e apertei a moeda na carne até a pele romper e a dor entorpecer. Repeti o processo pelo menos 20 vezes naquela tarde, fazendo linhas no ombro, cada uma com uns centímetros de largura. Por semanas, comecei a aplicar Neosporin nas feridas de manhã e de noite. Meu corpo e eu estávamos seguros nessas horas. Eu podia arregaçar a manga, expor minhas feridas e ser recebida com ternura e compaixão. Nos anos seguintes, quando a angústia ficava insuportável, eu voltava a essa rotina de queimar linhas retas nos meus ombros e usar as feridas como alívio. Ouvi que depressão é raiva voltada para dentro. Talvez fosse o que eu estava fazendo no meu quarto naquele tempo. Peguei a raiva que sentia por viver em um corpo que não podia ser domado ao tipo de corpo que deveria ser: um corpo hétero, um corpo feminino, um bom corpo cristão, e ateei fogo nele."
A fala do Randy no final também é devastadora:
"Logo depois de me assumir, uma pessoa gay me disse de forma direta que eu tinha sangue nas mãos. Ele disse: 'O que acha do sangue nas suas mãos?' Eu disse: "Agora... só sei que tenho medo de olhar para as minhas mãos.' Como líder, fui treinado para reconhecer a perda, mas para racionalizá-la, para negá-la. E odeio ter feito isso. E muitos de nós não cometem suicídio, mas estamos nos matando internamente por não aceitarmos quem Deus nos criou para sermos."
Eu não acredito que o filme faltou ser mais incisivo, pois ele começa e termina avisando dos perigos dessas terapias, e também trazendo, tanto no início quanto no fim, a figura do McCall como amostra desse perigo sempre iminente...
Achei talvez que faltasse maior representação de alguns grupos (por exemplo, de pessoas negras, mas esse ponto até entendo... que ainda mais nos EUA, lideranças de 'ex-gays' só tivessem como ser de pessoas brancas mesmo (Michael, John, Yvette, Julie e Randy como centrais)... e, por outro lado, que algumas pessoas da sigla poderiam ter sido representadas como mais veemência (a bissexualidade da Yvette me pareceu bem apagadinha, mas até isso é simbólico). E além desses dois pontos (que convergem para um só), fica o sentimento de mea culpa bem forte no documentário todo. Seria uma "culpa cristã" também? rsrs
Porém, eu não consigo julgar de maneira incisiva todos os líderes ali citados e entrevistados, pq todos os principais abandonaram a Exodus e as outras correntes e lutaram para mostrar o quão errados eles levantam, e, acima de tudo, eu consegui sentir muito todo o sofrimento que passaram nesse processo de autonegação.
Haveria tanta coisa pra falar, mas... esse documentário me machucou demais e tbm me fez lembrar, como pessoa bissexual, das vezes pelas quais passei pelo mesmo processo de negação...
De fato, é um documentário que precisa ser mais divulgado e melhor conhecido, até mesmo pela importância do seu valor histórico.
Assistido em 13 de Julho de 2024, sábado.
Feliz Aniversário Para Mim
3.1 148 Assista AgoraQue viagem... Xx
No início, fiquei desconfiando que fosse a Sra. Patterson e o pai da Virginia... pq desde o começo eles deixam uma pista de que pudessem ser "dois" assassinos. O filme deixa a gente confuso um bom par de vezes... e usar esse tom de duplo já é algo clássico pelo menos desde "Psicose" e foi repetido um par de inúmeras vezes (em "Armadilha para Turistas", em "Sexta-Feira 13" e em "A Casa de Cera", por exemplo... e até mesmo, de certo modo, em "Pânico")...
O filme tem todo um tom bem macabro, reforçando essa ideia dos feriados/datas comemorativas (aqui, agora com um aniversário) e, apesar de bem confuso em vários momentos, tem um roteiro interessante e acredito que consegue prender a gente até o fim. Algumas cenas são confusas mesmo... (por exemplo, o que a Amelia fazia lá parada na chuva, perto do fim do filme?!)...
Além disso, como são muitos personagens, fica difícil da gente gravar e isso gera mais confusão também. Mas, sabendo do plot final, deixar confuso obviamente é a função desse filme haha
Pra mim, o que pesou um tanto pra pesar a nota foi essa confusão toda e também, por outro lado, ironicamente, a excessividade de explicação de outros pontos.
Ah, aliás, em algum momento eu desconfiei da Ann, por conta do modo como ela parecia estar sempre demasiado preocupada com a Virginia... Xx
Porém, de fato, gostei bastante. :)
Assistido em 3 de Julho de 2024, quarta-feira.
O Mal Que Nos Habita
3.5 811 Assista AgoraPelo menos a três filmes me remeti assistindo esse filme: "Evil Dead" (o mais gritante), "O Exorcista" (obviamente, mas com outras características talvez mais sutis) e, sobretudo, em se tratando de filmes em Língua Espanhola, "O Bar", do Álex de la Iglesia...
No caso do último, o tema da "infecção" é bem notório também. Até mesmo a representação do ponto de partida: um corpo infectado, inchado, que faz crescer esse paralelo entre algo sobrenatural (a possessão) e algo 'natural' (uma epidemia). As cenas são aterradoras e a gente não tem muito tempo para se apegar a nenhum personagem, pq eles vão sendo destroçados um logo após o outro.
Na questão das regras e em outros pontos parece haver furos de roteiros, mas talvez sejam só marcações do desespero das próprias personagens e suas más decisões (às vezes com pressa, às vezes não), com esses 'demônios' que aparecem por todos os lados.
Dá pra pensar nesse ponto, também, em um paralelo, agora, com "O Enigma de Outro Mundo". Se lá não sabemos devidamente quem é o alienígena, aqui não sabemos quem é o possuído, de fato.
Agora vou correndo para o Dicionário de Demônios pesquisar sobre Azrael e Uriel haha
Assistido em 18 de Junho de 2024, terça-feira.
P.s.: Eu fique um pouco preocupado e confuso com a representação da personagem autista no filme (autista e TDAH aqui falando isso)...
Mommy
4.3 1,2K Assista AgoraO Xavier Dolan, talvez seja isso que só esteja percebendo agora, sabe como irritar a gente com esse jogo equilibrista dele entre um filme que pode ser pura arte e, ao mesmo tempo, cafona ou, pelo menos, piegas... é dá raiva ficar em dúvida [se/o quanto] ele está consciente disso.
Duas questões principais marcaram minha experiência com este filme:
1) O fato de eu sentir uma espécie de perda de 'timing' por ter visto esse filme apenas 10 anos depois que ele foi lançado (mesmo tendo assistido em um espaço de tempo menor a "Eu Matei Minha Mãe" (2009), "Amores Imaginários" (2010) e "A Morte e Vida de John F. Donovan" (2018).
2) Mais especificamnteA minha própria experiência assistindo o primeiro filme que centra uma personagem com TDAH após eu mesmo receber o laudo de TDAH e TEA.
Bom, vamos a cada uma.
A primeira parte é mais breve, talvez. Em todas as circunstâncias, com exceção da primeira, eu procurei os filmes do Dolan por uma necessidade de identificação: em "Amores Imaginários", pela provável presença de um protagonista bissexual; em "A Morte e a Vida de John F. Donovan", encontrei o filme buscando pela trilha sonora, com a presença de uma música do Robert Alfons (TR/ST) [e, mais tarde, talvez eu tivesse voltado a esse filme por motivos tão dolorosos que nem sequer vou citar aqui]; e aqui, em "Mommy", pelo que já disse, em relação ao TDAH.
Opa! Passemos ao ponto 2: E talvez essa busca incessante de identificação, mais ainda sabendo ainda mais sobre o que o próprio Dolan pensou da premiação dele no Queer Palm de 2012, me faz tbm me equilibrar e desequilibrar nesse intento... de todo modo, a própria questão do TDAH e da autoidentificação tornou a experiência de assistir esse filme extremamente dolorosa: seja pelo tema, seja pelo esforço em assisti-lo praticamente numa tomada só, sem ficar voltando pra "degustar" as cenas; ou para superar uma ou outra frustação em relação ao filme, aqui e acolá.
Algumas cenas que me chamaram mais a atenção:
1) A cena da agressão (me fez lembrar muito da relação entre mãe e filho no longa "Réquiem para um Sonho".
2) A cena em que eles três estão cantando e dançando em casa... se não me engano é essa que me chamou a atenção pela letra...
3) A cena do Karaokê.
4) A cena do passeio com o skateboard e as bikes (não à toa é uma cena que aparece compartilhada até no anúncio do filme na MUBI). Essa me parecia talvez a mais apelativa/piegas... mas aí...
5) Aquela cena em que a mãe vê o futuro dela... enfim, esse combo de duas cenas me fez pensar: será que esse filme envelheceu bem?
6) A cena final, em que parece que não sabemos se ele está no primeiro piso ou em um mais alto, faz imaginar se ele estaria fugindo ou tentando cometer suicídio de novo... pelo menos foi assim que eu vi. E não seria, de todo modo, dois tipos de fuga?
Eu realmente fico com raiva em não saber/perceber até que ponto o Xavier tem consciência disso que ele está fazendo... mas gostei relativamente do filme sim, até pelas reflexões que ele me trouxe.
Eu o assistira mais uma vez apenas para descobrir quais são as cenas que não estão no formato 1:1. hehe
Assistido em 10 de Junho de 2024, segunda-feira.
Mona Lisa e a Lua de Sangue
3.1 36Sigo sendo tapeado pela rave (e sim, eu gostei do filme haha).
Acho, que de cara, o que tenha me irritado um pouco tenha sido só aquele final insosso e o garotinho um tanto quanto.
Há muitas coisas que gostei no filme: a trilha sonora pendendo para o eletrônico (mas queria mais, prometeram e acabaram me dando pouco kkkkk); as cores e a fotografia (gostei sobretudo dos fade ins e fade outs do filme, que fazem essa explosão de paletas soar mais longe); a sensação de que estamos adentrando quase que um jogo de RPG pela variabilidade de cenários e contatos pelos quais a que a Lee passa ao longo do filme (pegando um calçado aqui, enfrentando um 'boss' ali, trocando uma camiseta por um beijo e por aí vai).
É interessante como não sobra um único personagem com moral dúbia, mas justo isso que acho que é o maior "tchan" do filme. E que casa muito bem com a cena caótica de Nova Órleans (aliás, antes eu tava reclamando das cores e luminosidade de "Noite Passada em Soho", este aqui então, me deixou ceguinho, ceguinho).
Eu pensava que o filme se passaria todo durante a noite, mas tem cenas de dia também... contudo, acho que é alguma coisa da fotografia do filme que faz soar até os dias meio que "noturnos", como se fossem uma extensão da noite.
O filme realmente não explica quanto aos poderes da Lee, se eles vêm da Lua de Sangue... e qual essa relação direta... mas achei muito bacana (inclusive, em uma das críticas que li, reforça-se novamente isso como ponto positivo). E bota a gente pra pensar sobre a questão da Mona Lisa. Achei interessante tbm o jogo das cores vermelha e verde (sendo que associei o verde mais ao Charles, até pq dps vira a cor de cabelo dele).
Aquele final no aeroporto, ainda que tenha achado bem nobre a atitude do Charles (e mais inventiva ainda na saída que ele buscou), me pareceu dps talvez um pouco piegas... e, juntando com a cena final morníssima do avião, reforçou o sentimento de final de filme sessão da tarde kkkk q horror...).
De todo modo, há cenas que me soaram como um grande conforto, alguma certa calmaria... como ela cruzando a floresta pra chegar em Nova Órleans; ou mesmo as cenas de dia, sobretudo a da lavanderia. A cena do desenho, retomando a música-título, é muito linda.
Ainda que com várias pulgas atrás da orelha, foi uma grata surpresa. :]
Assistido em 05 de Junho de 2024, quarta-feira.
P.s.: Acho q entendi agora um ponto... é como se o fato de eu ter gostado tanto dele no começo e no meio me força-se a exigir que gostasse desse filme mais ainda no final (daí a frustração que baixou um pouco a nota haha).
O Lagosta
3.8 1,5K Assista AgoraAssistio em 04 de Junho de 2024, terça-feira.
Disco Inferno
1.9 21 Assista AgoraAssistido em 25 de Maio de 2024.
Nada mais a declarar a não ser: que pena e que desperdício!
Noite Passada em Soho
3.5 800 Assista AgoraEu gostei muito do filme, embora tenha ficado quase cego com tanta luz. Xx haha
Levaria uma semana ou mais só pra levantar o tanto de inspirações/sugestões que o filme passa, inclusive de uma série de outros filmes: desde filmes diretamente citados no filme, como "Bonequinha de Luxo", até outros, subreptícios (Perfect Blue, Paprika [que pra mim é o que tá mais na cara, com esse tanto de sonho, chega a ser óbvio demais], Cidade dos Sonhos, Veludo Azul), sugerindo até trechos de Psicose (afinal, mesmo sendo americano, é um filme de 1960 de um diretor britânico). Com pegadas macabras ainda de Alice no País das Maravilhas haha
Seria até sufocante demais enaltecer tantos pontos bons: fotografia, figurino, roteiro (sim! até isso!), uso de cores, atuações, ambientação etc. Talvez só fique com a intenção de pontuar três questões que me vem mais à tona:
1) Quanto ao Lindsey "não ter descoberto as mortes", eu não acho que ela conseguiu esconder. Pelo contrário, acho que ele descobriu bem até demais e acobertou os assassinatos da Sandie. Tanto até que, antes de morrer, ele fala pra Ellie procurar a Alex (Sandie), para descobrir que ela não era essa pessoa que ela pensava ser. Além do mais, eu acredito que um enredo subreptício que há no filme é uma breve sugestão inicial de que a própria mãe da Ellie seria a Sandie (no sonho, uma vez que ela para de ver a mãe e logo em seguida passa a [re]ver a Sandie. P.s.: inclusive, a cena final do filme é praticamente um tríptico com Ellie/mãe da Ellie/Sandie). Quando eu vi o Lindsey pela primeira vez no filme, fiquei imaginando que fosse o pai da Ellie. Então, por esse comparativo de pares, e até mesmo pela cena em que a Sandie tem o encontro com o Lindsey, acredito que ele foi um pretendente meio que rejeitado pela Sandie (por ela se encontrar sem esperança de que pudesse sair daquela situ), e/ou que não conseguiu tirá-la daquela situação. Aí, temos, por espelhamento, um diálogo forte com o par Ellie-John. Mais uma vez, durante o filme, há a frase: "Esse é o mínimo que eu poderia fazer." x "E qual seria o máximo?" Nesse caso, mínimo e máximo se encontram: amando Sandie, e sendo não correspondido, ele poderia ao menos/ao mais não se intrometer na vingança pessoal dela.
2) Acho que o pessoal se desilude tanto quando vê "filme de Terror" pq já foi muito 'masturbado' pela indústria pop pra achar que o único sentimento provocado pelo filme de terror é o Medo (e ainda por cima, um tipo de medo tbm extremamente limitado), assim como recursos limitados (o jumpscare é só o carro-chefe, mas a gente poderia citar a atmosfera "sombria", que se perde aqui no meio de tantas luzes, e faz rememorar filmes como "Suspiria", que nos ensinaram que o Horror e o Terror possuem uma paleta de cores bem mais variada do que imaginamos). Nesse caso, se a gente olha para outros/as sentimentos/impressões/sensações (angústia, ansiedade, estranhamento, deslocamento, nojo, solidão etc.) que o gênero pode nos proporcionar, esse escopo fica bem mais ampliado: e realmente "Noite Passada em Soho" oferta tudo isso de maneira magistral.
3) Uma coisa que eu achei bem simbólica (e que acredito que não seja superinterpretação) é que o incêndio representa bem essa "purgação" do passado da própria Sandie e até mesmo do da Ellie (aliás, não à toa o nome original da primeira é Alexandra, daí em pensarmos no final como esse incêncio da biblioteca de Alexandria, de suas memórias).
Tirando isso, acho que só o excesso do CGI em algumas partes me incomodou, com aquele excesso de 'fantasmas/espectros' também...
Mesmo não dando nota máxima, eu praticamente amei esse filme.
Assistido em 25 de Maio de 2024.
KM 31
2.3 49 Assista AgoraQue salada...
Olha que eu nem parei pra ficar pensando em lenda da "Mulher que Chora" e da "Noiva de Branco"... mas... que pena! Um filme da época do colégio que parece não ter envelhecido nada bem, até mesmo pela CGI zoada kkkk Ai... aff!
Até a metade, eu tava achando bem legal. Mas depois daquela cena na casa com a senhora, parece que tudo desanda e fica confuso.
1. Uma coisa que eu não entendi por talvez ter assistido a pressa: o rio passava por debaixo da estrada, seria isso?
2. Tem até uma cena que o Nuño fala que tinha conversado com o Omar sobre os mapas... mas gente, eu não lembro disso acontecer em momento algum!
Tudo fica muito confuso e zoado pro final. Fica difícil ficar juntando tanto quebra-cabeça. E o fato de dizerem que é baseado em um caso real é bem zoado, pq tem muita coisa excessivamente incrível: no sentido de não crível mesmo kkkkk Ainda colocam a história da esquizofrenia pra dar uma duvidazinha na cabeça, maaaas... pqp, todo mundo era esquizofrênico então? kkkkkk
A cena do Omar mostrando o caminho pro corpo dele e a casa da senhora sendo também uma casa fantasma que aparentemente some apenas à noite... achei interessante (inclusive me lembra o jogo "A Bruxa de Blair: a maldição de Rustin Parr" [2000]), até mesmo por essa prática inversão de ela aparecer apenas de dia e não à noite, como se fosse a própria memória da casa que não conseguisse superar a morte.
O final tbm achei meio doido justo o fantasma assumir o corpo da Ágata.
Mas nem esses detalhes bacanas salvaram mesmo de eu gostar 'oficialmente' do filme...
Assistido em 24 de Maio de 2024.
P.s.: realmente, a fotografia esverdeada/azulada é algo que eu tbm tinha gostado bastante, pelo menos até um terço do filme... depois começa a ficar enjoativo.
Noites Brutais
3.4 1,2K Assista AgoraGostei bastante do filme, embora não totalmente. E não sei dizer ainda ao certo o porquê. Mas que o filme te põe pra pensar uma série de coisas, isso põe.
Sobre cada um dos personagens, em si:
Acredito que a Tess tenha uma dependência emocional enorme, e até certo ponto parece ser isso que a guia para bancar a salvadora.
O Keith é outro coitado, e fiquei imaginando se até o nome dele não tem alguma ironia, pois é muito semelhante a "Key" (de fato, é ele que possui as chaves da casa, e é através da morte dele que o filme dá uma 'girada' de ato).
O Justin talvez seja ali o personagem central da moral duvidosa: acontece que, talvez, os seus maiores defeitos sejam a ganância e a covardia.
A coitada da monstra, tem nem o que falar... pensando bem, ela me faz lembrar muito a personagem torturada de "Mártires".
O Frank, para além de ser bem desprezível, me faz pensar que ele centraliza o núcleo do descaso daquela área da cidade. É como se ele concentrasse toda a podridão do bairro na casa dele.
O senhor morador de rua talvez seja o exemplo mais clássico de que "as aparências enganam"...
O filme parecia, a princípio, exigir muito da suspensão da descrença. Mas, por outro lado, acredito que tenha mais valor msm o valor da crença. Por incrível que pareça, exemplos desse tipo (e infelizmente) tem aos montes. O Frank poderia ser qualquer serial killer clássico das décadas de 70 e 80 que deu um olé incrível nas autoridades antes de ser pego. E isso reverbera até a atualidade do filme, quando a gente vê a atitude dos policiais para com a Tess.
De todo modo, me parece bem simbólico o suicídio do Frank na frente do AJ: quase como retratando - o que não deixa de ser controverso - : "Olha, se vc acha que este fulano é canalha, olhe bem para este outro aqui, de antigamente."
De fato, ele parece cometer dois acidentes msm... só que não sobra dúvida da intenção do último... e talvez a ironia seja a gente se motivar a pré-julgá-lo em relação as atitudes anteriores (o suposto estupro e o tiro que ele dá na Tess) com relação à última atitude dele.
Enfim, de todo modo, n é um filme convencional, e uma boa pedida pro meio da semana... rs
Aliás, o filme me fez me interessar por pesquisar um pouco mais sobre Detroit... pq n é a primeira vez que vejo a cidade sendo citada com tanto afinco em filmes de terror... =p
Assistido em 23 de Maio de 2024.