Communion (1989) [br: Estranhos Visitantes] é datado, um pouco lento, e talvez seja o filme de "terror" mais calmo ou pacífico da história do cinema.
não há terror a não ser para aqueles que temam ser o universo mais surpreendente do que normalmente se fala ou se conhece dele.
existe alguma coisa de terror no sentido de delírio ou perda da razão. existe algo de terror em caminhar para loucura, mas este tipo de amedrontamento se difere do que normalmente se caracteriza o estilo "terror" no cinema.
Whitley Strieber, autor e protagonista, em algum momento, em entrevistas, expressa descontentamento com a obra por ela ter contado com o uso de improvisos e termos alheios ao seu texto original.
e ainda o filme não se torna insípido ou desinteressante apesar dos efeitos especiais presentes e atuações teatrais - carregadas e muito saturadas para o cinema.
a história é lenta e bem contada, sem deixar dúvidas ou saltos, e prenderá a atenção dos minimamente interessados em relatos de contatos com 'seres inteligentes não-humanos'.
e se não me engano, esta é uma distinção importante para o autor do livro no qual o filme se baseia: não se trata de 'alienígenas'. o autor simplesmente não sabe o que eles são e não tem a intenção de defini-los como uma coisa ou outra. seu interesse é apenas em relatar o ocorrido. ou pelo menos foi isto o que entendi de uma entrevista recente do escritor.
estou dando uma nota 7.0/10.0 para o filme e sei que é uma nota alta para o quê o telespectador normalmente espera e ainda mais dada as várias fragilidades presentes na obra. porém, o filme prende a atenção, não chega a ser tedioso, não é repetitivo, e assim cumpre minimamente o seu papel principal: entreter o telespectador durante toda sua execução.
ainda me parece que a obra fornece elementos para reflexão, e assim pode entreter ou ocupar o telespectador pós-execução - o que também tende a ser um bom sinal.
talvez seja como os filmes originais de Guerras nas Estrelas... que não se apresentam como obras tão interessantes mas as histórias ou o universo oferecido tendem a compensar quaisquer problemas cinematográficos.
em resumo, não é um bom filme, mas uma boa história.
prefiro recomendar The Incredible Shrinking Man (1957), Solaris (1972), Close Encounters of the Third Kind (1977), Stanley Kubrick's The Shining (1980), They Live (1988), The Langoliers (1995), Dark City (1998), Pi (1998), Pulse (2001), Signs (2002), Moon (2009), Super 8 (2011), Prometheus (2012), Coherence (2013), Under the Skin (2013), The Signal (2014), Arrival (2016), 10 Cloverfield Lane (2016), Mars Express (2023).
House of Numbers - Anatomy of an Epidemic (2009) é um minimamente interessante documentário, bastante superficial, com uma premissa cândida e desorientadora, que ora parece trollagem da melhor qualidade e ora parece investigação ou desnudamento.
veja: falo da obra e não da tese. ou seja, eu não tenho cachorro na briga da relação entre HIV e AIDS. o assunto por si só não me interessa, mas o assunto é apresentado no documentário como se fosse apenas isto: uma tentativa formal de separar ou discriminar ambos.
porém ao tentar distinguir um do outro, o que é revelado é uma conspiração ou ao menos uma série de incertezas ou inseguranças a respeito do que eventualmente ficou conhecido como uma epidemia global.
é apresentado alguns interesses econômicos e políticos em iludir ou inflar números de modo a garantir recursos e financiamento ininterrupto em todo mundo mesmo quando a simples regularização sanitária, com água potável e esgoto provavelmente produziria uma qualidade de vida muito melhor e um número menor de doenças e mortes de casos distintos à AIDS, os quais são muito mais letais. ao mesmo tempo é mostrada a fragilidade comum entre profissionais de saúde em defender ou mesmo citar suas fontes de informação ou replicação de estudos.
ou seja, eventualmente o que antes era chamado de "ciência" ou "consenso científico" é tratado no documentário como um conjunto de crenças conflitantes, mais de uma de cada lado, tornando a discussão antes sobre saúde em esferas de dogma ou coerção majoritária, em polarização, em "narrativas oficiais" contra investigações independentes ou grupos perseguidos.
o mundo será sempre um ambiente difícil e caracteriza-lo ou entendê-lo será sempre elusivo. e só por isto existem estratégia como a ciência, um método de investigação, revisão e criação de novas teses que espera-se que se atualizem à luz de novas descobertas.
segundo a wikipedia americana muitos entrevistados não gostaram da representação feita deles mesmos ou de seus discursos, e talvez isto tenha ajudado a diminuir a divulgação da obra, ainda que muitos ainda hoje parecem continuar a defender a mesma tese de separação entre o vírus e a doença.
foi um documentário relativamente difícil de encontrar... encontrei apenas num torrent russo, sem legendas, etc, mas existem exemplos dele no youtube.
em alguma entrevista em algum lugar... foi dito que o youtube continha versões falsas do documentário, contendo a apologia oposta ao conteúdo original da obra... mas tenho a impressão que não se trata mais do caso, e aparentemente a versão presente no yt é a mesma presente no torrent porém em qualidade de imagem levemente inferior.
em 2012 parece que houve uma entrevista reforçando teses do documentário, disponível para download no site archive org ou o áudio no spotify:
Joe Rogan Experience #282 – Dr. Peter Duesberg & Bryan Callen-480p
eu ainda não o vi, e já está na minha lista de consumo futuro. em conjunto a Communion (1989), Vaxxed - From Cover-Up to Catastrophe (2016), An Inconvenient Study (2025) e Moment of Contact - New Revelations of Alien Encounters (2025).
este último é sobre o caso Varginha que parece ter alegrado bastante aos gringos =]
Louis Theroux - Inside the Manosphere (2026) é um honesto, talvez levemente superficial e cansativo, documentário sobre um fenômeno digital recente.
não há muita reflexão e não é muito divertido. mas parece bastante fiel aos personagens envolvidos - e digo isto apesar de nunca ter visto nenhum vídeo dos personagens anteriormente mas já vi alguns vídeos do Andrew Tate e Dan Bilzerian, os quais possuem discurso semelhante, são mencionados mas não entrevistados.
Theroux talvez seja um dos documentaristas que mais vi na adolescência, sempre expondo algo considerado underground ou exótico, normalmente com humor, e tratando inclusive de casais de swing em outra oportunidade - o que não difere muita da publicidade ou promessa oferecida pelas "celebridades da manosfera". tais celebridades porém parecem desconhecer o passado do documentarista, mantendo uma posição talvez insegura ou beligerante contra o entrevistador.
como de costume, eu gosto da bastante da existência de tais grupos ou culturas, quiça sub-culturas, e não apenas desta obra mas também das demais pois o contrário me parece uma impossibilidade. ou dito de outra forma, seres humanos sempre irão se unir por alguma afinidade, por menor ou mais destoante que seja e apesar de qualquer opinião ou valor contrário vigente ou majoritário. assim, qualquer idéia de unidade universal ou coesão irrestrita ou massificação homogênea soa-me sempre como fantasia.
pelo documentário não ter tentado ser aprofundado ou reflexivo, não me parece coerente fazer alguma reflexão aqui. apenas perguntar: quanto tempo durará este fenômeno?
normalmente neste contexto o termo "red pill" é citado e curiosamente o documentário The Red Pill (2016) não parece tratar de quase nada do que é falado na "manosfera".
ou seja, em 10 anos "red pill" conceitualmente se transformou em outra coisa. e eu teria algum interesse em saber o que termo representará em 10 anos... em 2036 e quiçá depois.
dos entrevistados, o mais velho parece ser Justin Waller (1985-12-04), seguindo pelo Myron Gaines (nascido Amrou Fudl, 1990-02-01). Nicolas Kenn De Balinthazy (Sneako, 1998-09-08) e Harrison James Patrick Sullivan (HSTikkyTokky, 2001-10-06).
os mais novos parecem ter se "formado" na internet. estamos falando de pessoas com fama e dinheiro abaixo dos 20 anos de idade. e não consigo julgar pessoas nesta faixa de idade. errar em análise ou comportamento ou postura é o esperado pela idade.
por fim, é um bom documentário, convém conhecê-lo mas não me deixou saciado. ao contrário, aumentou minha vontade de conhecer mais histórias controversas ou combatidas ou sectárias ou de nichos.
recomendo assistir They Live (1988), Mystic River (2003), Confessions Of A Porn Addict (2008), The Imposter (2012), An Honest Liar - The Amazing Randi Story (2014), The Red Pill (2016), Take Your Pills (2018), There Are No Fakes (2019), Running with the Devil - The Wild World of John McAfee (2022).
não confundir com Bad Education (2004) [original: La mala educación - de Pedro Almodóvar], que é um bom filme também, apesar de não lembrar tão bem dele, apenas de ter gostado e ser +18.
Bad Education (2019) [br: Má Educação] é um documentário, segundo a própria obra, do maior crime de desvio de recursos de uma escola pública da história americana. tal título provavelmente está restrito ao 'desvio interno', produzido pela direção da instituição, sem considerar escândalos relativos ao executivo, legislativo ou privados... por exemplo, no mesmo ano do filme ficou conhecido o 'Varsity Blues scandal' que movimentou pelo menos o dobro de recursos, mas também envolveu mais instituições de ensino.
o tema é insípido, e ainda sim conseguiram fazer uma obra minimamente interessante, humana, realista, e até certo ponto envolvente.
entretanto, temia que não seria possível fazer um bom arremate da história. a obra parecia ser apenas a descrição de um caso de corrupção, com detalhes pessoais dos envolvidos, e assim seria só "vulgar" ou meio "sem sentido" para que valesse se transformar em filme.
porém, fiquei bastante surpreso e satisfeito com o final... que é curtíssimo e ao mesmo tempo belíssimo.
o filme tem uma narração interessante e é impressionante o trabalho que realizaram para transformar em entretenimento a descrição de uma simples corrupção burocrática numa escola local.
US$11 milhões me parece um valor muito baixo para ser considerado o maior desvio conhecido... ou então estou muito acostumado com o Brasil.
tentei lembrar de filmes sobre escolas para recomendar... e inicialmente só consegui lembrar de obras bem adolescentes como The Breakfast Club (1985), Ferris Bueller's Day Off (1986), Three O'Clock High (1987), e tantos outros sobre nerds, que são bons entretenimentos mas vou preferir recomendar Pink Floyd - The Wall (1982), War of the Buttons (1994), Kill the Messenger (2014).
agora terei que assistir The Manchurian Candidate (1962), Fahrenheit 451 (1966), Serpico (1973), The Parallax View (1974), The Insider (1999), The Manchurian Candidate (2004), The Most Dangerous Man in America - Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers (2009) [não confundir com M.D. Geist (1986), M.D. Geist II (1996) que são OVAs/anime], Margin Call (2011), The Fifth Estate (2013), Black Mass (2015), The Big Short (2015), Crypto (2019), The Great Hack (2019), Enemies of the State (2020).
Tron - O Legado (2010) é uma continuação do Tron (1982) - Uma Odisséia Eletrônica e desnecessariamente dependente da primeira obra para simples explicação do universo e navegação entre mundos. enquanto o primeiro filme tem um bom início e só isso, o segundo se passa perdido por volta da primeira hora inicial e só então apresenta o conflito, gerando assim algum sentido. ambas obras contam com diálogos horrorosos, intencionalmente horrorosos, superficiais, jocoso, insignificantes. parecem ser um fan-services popularesco, um universo de encanto meramente cosmético, um passatempo visual, descartável, sem relevância ou permanência posterior na mente.
o filme faz alguma crítica pertinente, minúscula, ao fazer a descrição entre as gerações atuais e anteriores, ainda preservando algum conceito de família e anti-utopia com algum elogio ao universo literário, quiça auto-crítico, e de desaprovação à ganácia ou ao mundo corporativo. o que me deixa confuso, e me leva a perguntar se há alguma seriedade, alguma alma, ou apenas um fan-service, um mecanismo de defesa ou uma espécie de cacoete comercial destinado ao público que seria majoritariamente desgostoso com a obra?
o diretor de Tron - O Legado (2010) também dirigiu Oblivion (2013), o que torna certas auto-críticas coerentes entre ambas obras, e assim ajuda a marcar o telespectador alvo do diretor como o público adolescente.
finalmente, Tron - Ares (2025) é completamente assistível. longe de ser um grande filme, ainda circunscrito numa tentativa de passatempo, a obra conta com diálogos melhores, narrativa mais coesa e uma nova temática, mais semelhante a The Matrix (1999) em relação ao instinto de sobrevivência do Agent Smith, e, assim, mais preocupado com a "existência reversa" - com a vida que surge do meio digital em direção ao analógico ou orgânico.
não há uma tentativa de poetizar ou descrever a importância do Sol, por exemplo. o que ajuda muito na tolerância do telespectador com a obra.
existe uma crescente reafinação do argumento ao longo da trilogia em direnção ao budismo. é quase como se o filme caminhasse em direção ao oriente tendo partido do coração do ocidente. o que parece produzir algum frescor e tornar a obra final mais palatável que as anteriores. e ao mesmo tempo, ao contrário das demais obras, Tron - Ares parece se estabelecer como um reboot, com a promessa de continuação.
Fright Night (1985) [br: A Hora do Espanto, +18] é quase interessante. fui convencido a assisti-lo pelo trailer.
num certo sentido, ele lembra The Platform / O Poço (2019) por ser quixotesco. lembra Being John Malkovich (1999), Stranger Than Fiction (2006) por ser um realismo fantástico, confundindo o espectador entre se tratar de uma história real ou evento psicológico... estilo também Rear Window / A Janela Indiscreta (1954).
lembra a estética de Videodrome (1983), They Live (1988), Dark City (1998), eXistenZ (1999), The Thirteenth Floor (1999) e tantos outros... The Evil Dead / Uma Noite Alucinante - A Morte do Demônio (1981), House / A Casa do Espanto (1985).
ele tem um desprendimento de auto-importância, despojado, abusado, querendo entreter sem fazê-lo esquecer que é cinema, que é tudo falso, estilo Alfred Hitchcock, Orson Welles.
ele não quer lhe convencer de nada, apenas entreter brevemente... e quase faz isto. mas beira a irrelevância, quase tropeça em pornochanchada.
poderia ser um pouco menor, principalmente no final. poderia ser mais cruel contra o protagonista, reforçando o humor, o absurdo e o desespero. e até mais sério, mais coeso com conveniências mais sólidas, sendo capaz de produzir terror ou tensão.
poderia ser melhor.
a atuação porém de Stephen Geoffreys (Evil Ed) [o amigo escolar] é fenomenal, perfeita. um show à parte. dá uma dose de realismo, convincente, forte. excelente!
não é um estilo que me agrada e portanto não consigo dar uma nota mais alta, mas entendo que o filme possa agradar a muitos... principalmente aos fãs de terror trash.
baixei na esperança de entreter minhas sobrinhas pequenas... assisti, e não gostei do que vi.
Eu e Meu Avô Nihonjin (2025) é brasileiro, ambientado no Brasil, é graficamente maravilhoso e só isto. o filme tem pouco mais de uma hora. mas que filme lento, chato, sem conflito bem definido na maior parte do tempo, e ainda que tenha algum apelo emocional próximo do fim, é difícil justificar tanto tempo para tão pouco conteúdo.
a menina neta do português não convence, não parece real. poderia muito bem ser um amigo inventado ou imaginado e assim quem sabe a história fosse mais interessante. não é o caso. apesar de todo o restante da obra ser bastante verossímil. e é realista ao ponto de ser desinteressante.
o filme claro celebra o templo da culpa. se constrói enquanto elogio da auto-crítica. encanta-se em destruir o orgulho do telespectador. paternaliza, moraliza, glorifica no altar das vaidades atuais o bom combate de denúncia contra o pecado dos ancestrais. tal pecado - alegre-se! - é aquilo de único que terá como herança. será sua régua e seu cajado, seu guia e sua guilhotina.
esta fé-secular, suave e presente, o suficiente para ser trabalhado em sala de aula. transparente o suficiente para não ser revelada aos novatos ou tratada como exagero. é na verdade o tema central e mais recorrente. a linha que une todos os personagens, em manutenção constante de conflito.
o filme tem os mesmos defeitos presentes em Sound of Metal (2019) e Uma Família Feliz (2024).
para quem gostou do filme recomendo assistir: The Incredible Shrinking Man (1957), Antonia's Line (1995), Karakter (1997), Big Fish (2003), Nocturnal Animals (2016), The Platform (2019).
mas se não gostou, assista ao Bufo & Spallanzani (2001). talvez o melhor filme nacional e um dos melhores filmes de todos os tempos e lugares! é fenomenal. (não há defeitos narrativos, a história está certa... talvez exija mais atenção do que se espera e isto é tudo)
Tron (1982) conta a história de um programador de jogos que teve a autoria dos jogos roubados e precisa invadir "o" computador para recuperar esta informação e acaba entrando fisicamente dentro do mesmo com ajuda de láseres, =]
a obra antropomorfisma a hierarquia de permissões, escalação de privilégios e quebra de ACLs (Access Control List) dentro do computador no começo da década de 80, quando micro-computadores ou computadores-pessoais eram a completa exceção ao invés de regra.
e assim a fábula é conceitualmente confusa para época de seu lançamento e não se apresenta além de uma espécie de publicidade das capacidades gráficas 3D de então.
os diálogos são quase nulos tanto de extensão quanto de sentido. e a trama ausente parece reforçar que estamos assistindo ao filme apenas pelos gráficos.
acabo de rever o filme na expectativa de assistir aos re-lançamentos de 2010 e 2025, mas aparentemente todos eles foram dirigidos pelo mesmo indivíduo: Steven Lisberger. o que não ajuda muito ao anônimo em assisti-los.
melhor jogar Kid Chameleon (1992) [Video Game, Sega Genesis] ou assistir ao The Lawnmower Man (1992) e The Matrix (1999).
Gaslight (1944) [~2h, br: À Meia Luz] é uma história bem contada, levemente diferente e com personagens melhores construídos que a versão de 1940 e até com a adição de algum alívio cômico.
Gaslight (1940) [~1h25, br: À Meia Luz] é um filme lento apesar de curto, com pouca história ou eventos e atuação bastante carregada, quase teatral.
a história deu nome à expressão atualmente famosa "gaslight" - a qual se refere a um tipo de abuso no qual tenta-se convencer a vítima de loucura ou outra fragilidade mental e assim aumentar a dependência de seu abusador.
entretanto não há muito além na obra do que a própria definição de seu título.
temo porém que minha expectativa em relação ao filme tenha prejudicado minha avaliação.
iluminar um comportamento abusivo por si só e ainda mais através de arte já é louvável, porém, para aqueles que já sabem do que o filme se trata, não parece haver mais novidades.
ou dito de outra forma, as manipulações da vida cotidiana são um spoiler do filme.
agora terei que assistir: Gaslight (1944); Sleep, My Love (1948); Hush, Hush Sweet Charlotte (1964); Strait Jacket (1964); Rosemary's Baby (1968); Stepford Wives (1975); Possession (1981); Sleeping with the Enemy (1991); The Forgotten (2004); Before I Go to Sleep (2014);
Double Indemnity (1944) [1h45, br: Pacto de Sangue] é um filme muito gostoso de assistir, com seu charme noir e seus diálogos de época - não tão bons como os presentes em The Incredible Shrinking Man (1957) - mas com uma narrativa bastante acelerada, principalmente pela época da sua gravação e pelo menos em relação ao envolvimento dos personagens e suas construções.
a trama é muito fácil de compreender - o que julgo muito positivo - entretanto a certa velocidade dos personagens quebrou algumas vezes minha imersão ao ponto de ter dificuldade em melhor avaliá-lo.
a obra é da mesma linha de Vertigo (1958), Chinatown (1974), A Perfect Murder (1998) e Bufo & Spallanzani (2001). este último, porém, é uma obra prima. um filme brasileiro, e portanto fácil de desmerecê-lo. mas ao contrário é de longe o mais sofisticado e interessante da lista mas também o que exige maior atenção e talvez até o maior número de replays até que se compreenda a obra.
"dupla indenização" seria uma melhor tradução do que "pacto de sangue" - o que parece-me demasiadamente macabro para dar título à história - mas talvez não fosse tão apelativo em relação à venda de ingressos ao cinema ou aluguéis em locadoras.
ps: até o ricardão é corno. que história realista.
https://www.imdb.com/title/tt0036775/
por fim, fazendo pesquisa para este comentário, cheguei a esta lista da super-interessante sobre o estilo noir que compartilho aqui: O Falcão Maltês (1941), Gilda (1946), À Beira do Abismo (1946), Fuga do Passado (1947), Fúria Sanguinária (1949), Crepúsculo dos Deuses (1950), A Morte num Beijo (1955), A Marca da Maldade (1958), Sob o Domínio do Mal (1962), Taxi Driver (1976), Blade Runner - O Caçador de Androides (1982), Instinto Selvagem (1992), Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995), Los Angeles – Cidade Proibida (1997), Amnésia (2000), Sin City – Cidade do Pecado (2005), Drive (2011).
Glass Onion (2022) [~2h15, br: Glass Onion - Um Mistério Knives Out] é um dos piores filmes que já vi na vida. sem propósito algum.
o filme começa com alguma vulgaridade, algum elogio vazio ao consumismo ou materialismo religioso e isso dura pelo menos 1h.
só então é apresentado o conflito do filme seguido pela revelação do passado do grupo. para então muito lentamente desencadear-se numa não-solução tediosa de iconoclastia daquele mesmo materialismo que por mais de 2 horas construiu.
o filme parece ter sido um orçamento gigantesco oferecido às mãos de adolescentes acostumados a assistir clipes na MTV. visualmente muito bonito, e completamente vazio de conteúdo.
uma cebola de vidro. _o/
https://www.imdb.com/title/tt11564570/
ps: Knives Out (2019) [br: Entre Facas e Segredos] é excelente, assista.
+18, Enter the Void (2009) é mais um filme de drogados. e como a maioria deles não é muito pertinente, cativante ou atraente.
visualmente interessante, se destaca graficamente e merece ser elogiado por isto.
infelizmente, porém, a história não é tão grande para um filme de quase 3 horas.
a narração pode ser dividida em 4 partes. algo como "situação", "contexto", "continuação" e "resolução".
em "situação" todo o filme é explicado, em "contexto" a história é repetida com uma pequena revisão histórica dos personagens pré-"situação", e nas demais partes ocorre que o se espera, já anunciado, com muitos poucos movimentos ou eventos.
Enter the Void (2009) do mesmo modo que John Wick (2014) são boas obras para serem usados como plano de fundo em bares ou casas noturnas, pois, chamam bastante atenção pelas cenas visuais, sem contraponto ou necessidade dos diálogos, ou aprofundamento na estória.
não chega a ser terrível, é bem lento e ao mesmo tempo completamente assistível, mas sinto dificuldade em recomendá-lo.
- quero ver um filme de psicopata! - veja este. ... - vi e não gostei. - eh, não pediu um filme bom, pediu um filme de psicopata.
Uma Família Feliz (2024) [~2h, nacional] é bem méh.
no começo as atuações não convencem... a narração é um pouco lenta e o filme se resolve apenas nos 5 minutos finais ou próximo disso. existem muitos filmes melhores de temática semelhante e temo que se sugerir filmes parecidos poderia revelar todo o mistério da obra.
agora sei que preciso assistir Gaslight (1940), Double Indemnity (1944), Gaslight (1944), Margin Call (2011), The Big Short (2015).
Stranger Than Fiction (2006) [~1h46min, imdb id: tt0420223, br: Mais Estranho que a Ficção] é genial e belíssimo.
suave como How Green Was My Valley (1941), The Incredible Shrinking Man (1957), Wild Strawberries (1957), Harold and Maude (1971), The Little Prince (1974), All That Jazz (1979), Being There (1979), The Man Who Loved Women (1983), The Meaning of Life (1983), Cinema Paradiso (1988), Groundhog Day (1993), Forrest Gump (1994), Roujin-Z (1994, anime), War of the Buttons (1994), Antonia's Line (1995), Son of the Bride (2001), Big Fish (2003), Lost in Translation (2003), Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), The World's Fastest Indian (2005), The Curious Case of Benjamin Button (2008), Little Nicholas (2009), The Lobster (2015), Passengers (2016).
é sempre preciso, porém, proteger o filme da expectativa desmedida que um elogio possa gerar.
o filme é bom como são bons os filmes de Alfred Hitchcock. puro entretenimento. distração profissional. gostoso de assistir, despretensioso, tocante, lúdico, celebrador de fantasias, fácil de entender, aquilo que se espera de um bom passatempo.
não desejo e nem peço nada mais do que a obra entrega. ele te ajuda a escapar. vamos?
acabei de ver o filme 2046 (2004) [ ~2h5min, imdbid: tt0212712 ] e não entendi.
se Passengers (2016) é um bom filme para casais. talvez 2046 seja um bom filme para recém separados. não que a obra ajude a acalmar a dor da perda. mas que pelo menos a intensidade da dor torne mais fácil de entender o filme.
há alguma metáfora convoluta, e não sei bem em que tempo estamos. mas, tudo bem, o tempo também não passa. talvez estejamos presos na roda de Samsara, numa roda de hamster ou em Dark City (1998).
o filme sem ser ruim tem alguma dificuldade de compreensão como em Magnolia (1999), algum espanto ou estranhamento do real como em The Red Pill (2016) e algum encanto como em Ashes of Time Redux (1994) - do mesmo diretor.
após pesquisa, o filme é considerado a obra final numa trilogia iniciada por "Days of Being Wild" (1990) e "In the Mood for Love" (2000) - os quais não vi nenhum.
não sei se um dia já estive em 2046. mas a obra de mesmo nome eu recomendo assistir.
> Se dois pontos se aproximarem demais, > eles morrem, mas se afastarem muito, > são atraídos um pelo outro.
(...)
> O espírito... Ou a consciência, a alma, > seja qual for o nome, > parece que o reino onde eles > habitam tem uma capacidade finita. > > Quer essa capacidade possa > acomodar bilhões ou trilhões, > eventualmente, ficará sem espaço. > > Quando está cheio até o limite, > têm de sair para fora, > de algum modo, para algum lugar. > > Mas para onde? > As almas não têm escolha, > a não ser irem para outro reino, > ou seja, o nosso mundo.
(...)
> De fato, fantasmas e pessoas são iguais, > quer estejam mortos ou vivos.
(...)
> As pessoas não se conectam de verdade, sabe? > Vivemos todos totalmente separados.
uma mistura de Ringu (1998) [br: Ring, O Chamado] com Serial Experiments Lain (1998) [anime, 13 eps], internet, alucionógenos e navegações inseguras usando Windows 9x. [tente linux na próxima vez]
vi e acho que não estava preparado para entender o filme. tem algum medo [ou premonição?] em relação às tecnologias de comunicação e alegoricamente o que elas farão conosco. provavelmente, nos tornarão mais sozinhos.
e assim o filme facilmente se escapa. é evasivo, elusivo, fácil de se perder.
ele é terror sem jump-scare. é terror avisando como será (e no caso já é) nossa vida presente, conectada, isolada, sozinha. o terror do que nos tornamos.
The Red Pill (2016) [~2h] é um documentário suave, acessível, levemente lento, não-militante sobre dificuldades masculinas num mundo apresentado como tiranicamente ou vilinisticamente masculino.
a obra é surpreendentemente boa, respeitosa, confortável de assistir, sem ser nem anti-feminista, nem confrontacional, nem panfletária, nem propagandista ou proselitista. não parece ser uma tentativa de convencer o telespectador a nada. mas, apenas, uma coleção de conversas. parece um diário - declarado, honesto, genuíno - de alguém que enfrentou uma perspectiva diferente da que conhecia ou que assumiu ao longo da vista e foi impactada por ela.
assim, a obra é parte da jornada da autora, sem me parecer que foi feito como sendo outra coisa. sem me parecer comprometido com a conversão do telespectador. não é, e nem quer ser, messiânico. e por isto me parece inerte ou sem apelo ou apego. não apresenta ameaça e nem muda nada.
ao contrário, a obra mostra - indiretamente - a força ou o controle das paixões - principalmente políticas ou relativas ao poder - sobre os seres humanos. o quão intenso ou convincente ou atrativo ou sedutor uma vida de carregador de bandeiras pode ser. o quão persuasivo é o caminho do partidarismo, da militância, do sectarismo. o quão fácil é encontrar sentido - talvez falso - nos confrontos ou discursos políticos. a força de atração das posições de comando, a força gravitacional do poder, da definição das leis, do controle sobre comportamentos, da definção de soluções-oficiais e formatação de discursos.
a obra pode lhe permitir a ver seres humanos como entidades perigosas. mas seria uma pena alguém depender desta obra para perceber isto.
não há bons moços. nem há salvadores. tudo sempre continua. só continua.
agora tenho que assistir Brainwash (2010) [O Paradoxo da Igualdade], Hoaxed (2019), No Safe Spaces (2019), 2000 Mules (2022), What Is a Woman? (2022).
Assassination (2015) [br: Assassinato, imdbid tt3501416 ] é um filme mediano sobre nacionalidade e traição.
tive muita dificuldade de acompanhar a história no início. a obra é bem confusa por ter apenas atores e localidades asiáticos, além de retratar tempos diferentes e traições entre espiões, mas pelo andar da carruagem, não se trata de uma trama muito elaborada.
a história tem seu charme - nacionalista - mas não é lá muita coisa.
melhor assistir: Tokyo Incidents - Beaucoup de Bruit pour Rien [2012-01-18] [360p only]
The Platform (2019, Netflix) [br: O Poço] é até certo ponto tedioso, apresenta as distrações comerciais de sempre: discurso panfletário e violência-gráfica.
a obra, no entanto, demanda algum esforço para além da aparência viciada de crítica-social, do heroísmo televisivo contrário à exploração da desigualdade, do lugar-comum das denúncias de injustiças entre homens e da reação violenta catártica da supostas retribuições.
ao contrário, há até o desnudamento das "boas-ações"; a demonstração explícita da inerente contradição entre matar aqueles que pretende proteger e salvar; e a ingenuidade normativa de soluções meramente apaixonadas e intelectuais sem conhecimento ou experiência com o ambiente que julgam solucionar.
tudo isto está na casca, na superfície. é preciso olhar mais fundo.
o filme trata, inclusive, de si mesmo. é um espelho para si e para nós. há uma série de elementos recursivos presentes, coisas que não acabam. mesmo diante de protesto ou morte.
é preciso fazer a exegese do filme. e acredito que há uma chave hermenêutica fácil que nos ajuda nesta tarefa.
[b] a "mãe" não está há uma década no prédio. mas apenas alguns meses, e nem entrou grávida no prédio. não há tempo suficiente para a criança crescer naquele ambiente;
[c] a "mãe" seguramente chegou ao fundo do poço inúmeras vezes (e logo depois subiu até a cozinha? parece uma fatalidade mecânica da aventura descer até o ponto mais baixo para então ser movido até o topo);
[d] não é permitido menores de 16 anos no prédio. a criança não seria capaz de fugir da fiscalização nem durante a entrada e nem durante a renovação mensal dos andares;
[e] alucinações são freqüentes no ambiente. sendo algumas compartilhadas;
dito isto...
outra alucinação compartilhada é a esperança que o poço tenha solução, que sua solução demanda da emissão de um sinal e alguém em cargo de comando aguarda ou espera ser convencido por tal sinal para só então destruir o 'experimento social' em ação.
não dá para saber há quanto tempo o poço existe... mas não há nada a ser parado ali. o poço é ordem, hierarquia, cadeia de comando, pirâmide social, estrutura da vida, é anterior aos prisioneiros. o poço existe fora do edifício. é realmente muito antigo.
ainda, segundo a administração o poço se chama "Vertical Self-Management Center" / "Centro Vertical de Autogestão". diz respeito, portanto, de auto-controle, autonomia individual. a avaliação é pessoal, não coletiva. e me parece que pode ser resumido como 'história de vida'.
o primeiro texto do filme:
"There are three types of person: Those at the top, those at the bottom, and those who fall."
na dublagem nacional, corretamente, o termo 'types' é substituído por 'classes'.
existem 3 classes, e existem 3 companheiros de cela:
primeiro aqueles de baixo. aqueles que foram pegos pelo poço, como Trimagasi e talvez a maioria.
depois aqueles de cima. aqueles que escolheram entrar no poço, como Goreng e Imoguiri.
finalmente, aqueles que caem, como Miharu e Baharat.
as classes sociais são móveis, inconstantes e misteriosas.
os indivíduos são tentados em diferentes pavimentos de conforto. e recorrentemente invertidos em suas relações de assimetria econômica após cada mês.
Goreng defende a responsabilidade individual - explicitamente não-coletiva em discurso - logo antes de matar - em espírito de ira ou vingança - Trimagasi, em diálogo durante a mutilação de sua coxa.
Trimagasi não tinha então a intenção de matar Goreng. ao contrário, tentava prolongar sem confrontamento a vida de ambos. sendo objetivo, frio e metódico o suficiente para vencer a situação. seu comportamento, porém, oscilava de mês em mês assim como sua fé ou religião.
diante destes acontecimentos a luz - ainda que fraca - que o filme projeta é a diferença de estratégias de sobrevivência de indivíduos sobre a mesma regra. ainda que os objetivos sejam idênticos: se salvarem, sobrevivendo por mais um ou dois meses.
não há ordem de cima ali. existe apenas a soma de pequenas e voláteis decisões individuais.
o poço é inocente.
Imoguiri se apresenta com o romatismo do mais jovem Goreng. o mesmo idealismo, talvez universal, dos iniciantes. porém, Imoguiri tem algum conhecimento de cima, da administração, e uma breve esperança na sua benevolência.
assim, nesta tese romântica, antes de ser um prédio de condenações, espera-se nele alguma expiação. ou regeneração moral.
ainda, o poço seria uma oportunidade edificante. um meio de se descobrir a utopia. a forma de semear solidariedade espontânea: a re-organização de múltiplos indivíduos em um só corpo, na uniformização de ações, na colaboração dependente da convergência de interesses de seres autônomos com assimetria momentânea de poder ou alcance em busca da sobrevivência do corpo.
a luz fraca do filme antes sobre estratégias contra a estrutura, agora se move sobre a possibilidade de interpretação destoantes da natureza dela, a estrutura.
o detento é animal.
ainda há fome, desejo sexual, alguma fantasia de fuga e a decisão de descida ou mergulho.
em cima há luz, ordem, pujança, vida.
embaixo há trevas, caos, miséria, morte. mas também paixão. quiça família.
um paralítico chamado de sábio desconfiado da administração mas crente nos funcionários sugere transformar o resultado final da descida em símbolo ao invés de ação - o plano de invasão da cozinha pela conquista da plataforma deveria ser substituído pelo retorno intacto de um doce ou símbolo.
assim, a vitória daria sem corpo. as mortes não seriam em vão - mas não são elas que importam.
parece suicídio, mas é martírio, sacrifício, heroísmo. complexo desmedido de messias.
a terceira dupla busca algo maior que eles mesmos e decidem descer.
pretendem descer ao inferno para oferecer alimento aos céus. quiça, um primogênito.
o "sábio" é ambíguo e pode tanto estar imbuído de "deus está morto" quanto de "conflito de classe".
temo, porém, - e esta obra é um espelho, lembre-se - que a suposta falta de 'consciência da administração' seja a ausência de existência da administração. ausência de comando inclusive. existe hierarquia na cozinha mas não sobre ela.
deus os abandonou.
até a paixão morreu. mas a última plataforma é diferente.
nela decidem trocar o que de mais valioso que possuíam por algo mais valioso que acharam.
Goreng e Baharat deixaram a vida ali. como Miharu também deixou.
a vida no poço é como a vida que cada um quer que seja vivida. quiça, contada.
e algumas vidas são inventadas, até em busca de uma família que não existe, desde que a fantasia dê forças para continuar.
não existem crianças ali.
a verdade do mundo pode ser insuportável.
agora terei de assistir The Young and the Damned (1950), The Exterminating Angel (1962), The Discreet Charm of the Bourgeoisie (1972), The Phantom of Liberty (1974), Character (1997), American History X (1998), Big Fish (2003), The Hunt (2012), High-Rise (2015), Sound of Freedom (2023).
a frase acima é diálogo real que ocorre em: 01:22:17,267 no filme.
o filme é tão nojento, horroroso, ultrajante que nem compensa falar sobre ele.
"LAWNMOWER MAN IS DEAD!"
temo porém que seja preciso um breve resumo que me garanta nunca mais ter que assistir a este monte de dejetos cinematográficos:
Lawnmower Man 2 - Beyond Cyberspace (1995) seguramente é continuação da FRANQUIA "Lawnmower Man", seus eventos ocorrem logo depois do primeiro filme e se estendem talvez em quase 1 década depois, mas quase nada é continuação da ESTÓRIA do primeiro.
o vilão principal é outro; Jobe tem outra personalidade e necessariamente outro corpo; o mundo é diferente, mais escuro e futurista; e os heróis são 4 crianças que não confiam em adultos mas salvam o mundo através de jogos de computador e um cachorro capaz de mexer em pc.
sim. acredite. é esse tipo de clima.
o filme é infantil. mas não no sentido de ofensa.
o filme é corretamente descritível como infantil. e ruim ao ponto não ser exibível nem em Sessão da Tarde.
"LAWNMOWER MAN IS DEAD!"
divaguei durante o filme. minha mente andou à deriva. a razão se libertou de mim.
não reconhecia como real o que (vi)via.
passei a me perguntar sobre a natureza-das-fantasias, a confecção-das-ficções, a ontologia dos personagens-inventados e seus universos-imaginados, a historiografia das estórias, a materialidade das ilusões, o compartilhamento dos sonhos, a distribuição das utopias, a realidade do fantástico, a economia do abstrato, a geologia dos planos teóricos, a matemática das confusões, o éter dos sentimentos, a verdade dos falsos, a construção do virtual, a analogia do irrealizável, a contradição das hipóteses, a probabilidade do inconsciente, a categorização do virtual, as vantagens do latente, a esperança do online.
a metafísica das criações humanas.
pensei e tinha o intelecto fora de mim sobre a existência de certos retratos cinematográfico. a exposição de temas recorrentes como o cyber-espaço e suas regras inerentes: sua inescapável invasão de privacidade; a automática quebra dos sigilos bancários; a letalidade automática dos corpos reais cuja as mentes foram mortas no ambiente virtual; sua furtividade global, seu ubíquo controle de máquinas e ferramenta;, seu aprisionamento humano; a condicionalidade da sua existência; a nossa dependência atrofiante dela; o feitiço dos seus mistérios.
por pior que tenha sido o filme, o cyber-espaço ainda é cyber-espaço. ou pelo menos parece ser cyber-espaço. e assim me perguntava:
"como eu sei que a descrição no filme deste cyber-espaço está correta?"
como se me perguntasse:
"como sei que está certa uma história sobre Alice, Branca de Neve, Coelhinho da Páscoa ou Papel-Noel? como verifico a veracidade de uma fantasia? dá para avaliar a qualidade representativa destas entidades que são pré-conhecidas antes da exibição da obra em questão?"
e se a fantasia moldar o futuro, poderia um mau filme prejudicar nossas decisões ou aspirações?
de modo mais direto: existe um certo papai-noel-conhecido ainda que nenhum papai-noel de fato exista. em analogia ao filme: existe um cyber-espaço descrito antes de cyber-espaços existirem. como a descrição do filme é anterior à criação desta entidade, poderia o filme ajudar a criar no futuro um cyber-espaço-real maculado como o cyber-espaço-do-filme? quantas versões ficcionais de cyber-espaço existem? é possível condicionar a produção futura de seres e objetos através exclusivamente de ficções?
assisti ao The Incredible Shrinking Man (1957) [O Incrível Homem que Encolheu] querendo dar 10.0/10 ao filme mas à medida que assistia, sua nota foi encolhendo, encolhendo...
The Incredible Shrinking Man (1957) tem o mesmo defeito ou "caso-de-uso" de Close Encounters of the Third Kind (1977): o trecho final é demasiadamente alongado - demais até para um filme de apenas 1h e 20 min.
acredito, porém, que em seu tempo - na década de 50 - tal alongamento deve ter agradado à maioria. uma espécie de "filler" que fazia valer o preço do cinema.
The Incredible Shrinking Man (1957) também tem o mesmo defeito ou "jeito-especial-de-consumo" de Waking Life (2001): a leitura da legenda do filme torna-o bem mais interessante. os diálogos não possuem tempo necessário para sua reflexão durante a execução do filme. sendo necessário assim uma calma leitura posterior de pelo menos alguns aforismos.
o filme tem uma profundidade muito maior quando tratado com atenção.
fazendo poucos cortes hoje o filme fácil mereceria 10.0/10. o ritmo dele é excelente na maior parte, salvo quando se torna tedioso, salvo quando substitui os conflitos humanos para ostentar a tecnologia cinematográfica da época, em longas cenas de sobre-vivência contra pequenos animais que seguramente produziram êxtases no cinema de então mas desviaram a atenção da camada filosófica ou espiritual do filme.
Scott Carey: "Relax Doctor. You can't tell me anything I haven't already imagined."
Clarice: "Maybe the best way to begin is to start thinking about the future." Scott Carey: "A future? In a world of giants?" Clarice: "Hmm. I've lived with them all my life. Oh, Scott, for people like you and me the world can be a wonderful place. The sky is as blue as it is for the giants. The friends are as warm."
Scott Carey: [after escaping from the spider] "In my hunt for food I had become the hunted. This time I survived, but I was no longer alone in my universe. I had an enemy, the most terrifying ever beheld by human eyes."
Scott Carey: "A strange calm possessed me. I thought more clearly than I had ever thought before - as if my mind were bathed in a brilliant light. I recognized that part of my illness was rooted in hunger, and I remembered the food on the shelf, the cake thredded with spider web. I no longer felt hatred for the spider. Like myself it struggled blindly for the means to live."
e ele matou a aranha.
Scott Carey: [last lines] "I was continuing to shrink, to become... what? The infinitesimal? What was I? Still a human being? Or was I the man of the future? If there were other bursts of radiation, other clouds drifting across seas and continents, would other beings follow me into this vast new world? So close - the infinitesimal and the infinite. But suddenly, I knew they were really the two ends of the same concept. The unbelievably small and the unbelievably vast eventually meet - like the closing of a gigantic circle. I looked up, as if somehow I would grasp the heavens. The universe, worlds beyond number, God's silver tapestry spread across the night. And in that moment, I knew the answer to the riddle of the infinite. I had thought in terms of man's own limited dimension. I had presumed upon nature. That existence begins and ends is man's conception, not nature's. And I felt my body dwindling, melting, becoming nothing. My fears melted away. And in their place came acceptance. All this vast majesty of creation, it had to mean something. And then I meant something, too. Yes, smaller than the smallest, I meant something, too. To God, there is no zero. I still exist!"
e assim o filme vai crescendo, crescendo.
recomendado com nota 8.0/10 - o modo em pé do infinito.
agora terei de assistir: Things to Come (1936); 20,000 Leagues Under the Sea (1954); Journey to the Center of the Earth (1959); The Time Machine (1960); Voyage to the Bottom of the Sea (1961); Alphaville (1965); Fantastic Voyage (1966); The Omega Man (1971); Brave New World (1980); The City of Lost Children (1994); Brave New World (1998); Ice (2007); Underwater (2020).
Estranhos Visitantes
2.3 57Communion (1989) [br: Estranhos Visitantes] é datado, um pouco lento, e talvez seja o filme de "terror" mais calmo ou pacífico da história do cinema.
não há terror a não ser para aqueles que temam ser o universo mais surpreendente do que normalmente se fala ou se conhece dele.
existe alguma coisa de terror no sentido de delírio ou perda da razão. existe algo de terror em caminhar para loucura, mas este tipo de amedrontamento se difere do que normalmente se caracteriza o estilo "terror" no cinema.
Whitley Strieber, autor e protagonista, em algum momento, em entrevistas, expressa descontentamento com a obra por ela ter contado com o uso de improvisos e termos alheios ao seu texto original.
e ainda o filme não se torna insípido ou desinteressante apesar dos efeitos especiais presentes e atuações teatrais - carregadas e muito saturadas para o cinema.
a história é lenta e bem contada, sem deixar dúvidas ou saltos, e prenderá a atenção dos minimamente interessados em relatos de contatos com 'seres inteligentes não-humanos'.
e se não me engano, esta é uma distinção importante para o autor do livro no qual o filme se baseia: não se trata de 'alienígenas'. o autor simplesmente não sabe o que eles são e não tem a intenção de defini-los como uma coisa ou outra. seu interesse é apenas em relatar o ocorrido. ou pelo menos foi isto o que entendi de uma entrevista recente do escritor.
estou dando uma nota 7.0/10.0 para o filme e sei que é uma nota alta para o quê o telespectador normalmente espera e ainda mais dada as várias fragilidades presentes na obra. porém, o filme prende a atenção, não chega a ser tedioso, não é repetitivo, e assim cumpre minimamente o seu papel principal: entreter o telespectador durante toda sua execução.
ainda me parece que a obra fornece elementos para reflexão, e assim pode entreter ou ocupar o telespectador pós-execução - o que também tende a ser um bom sinal.
talvez seja como os filmes originais de Guerras nas Estrelas... que não se apresentam como obras tão interessantes mas as histórias ou o universo oferecido tendem a compensar quaisquer problemas cinematográficos.
em resumo, não é um bom filme, mas uma boa história.
prefiro recomendar The Incredible Shrinking Man (1957), Solaris (1972), Close Encounters of the Third Kind (1977), Stanley Kubrick's The Shining (1980), They Live (1988), The Langoliers (1995), Dark City (1998), Pi (1998), Pulse (2001), Signs (2002), Moon (2009), Super 8 (2011), Prometheus (2012), Coherence (2013), Under the Skin (2013), The Signal (2014), Arrival (2016), 10 Cloverfield Lane (2016), Mars Express (2023).
_o/
A Casa dos Números: Anatomia de uma Epidemia
3.3 1House of Numbers - Anatomy of an Epidemic (2009) é um minimamente interessante documentário, bastante superficial, com uma premissa cândida e desorientadora, que ora parece trollagem da melhor qualidade e ora parece investigação ou desnudamento.
veja: falo da obra e não da tese. ou seja, eu não tenho cachorro na briga da relação entre HIV e AIDS. o assunto por si só não me interessa, mas o assunto é apresentado no documentário como se fosse apenas isto: uma tentativa formal de separar ou discriminar ambos.
porém ao tentar distinguir um do outro, o que é revelado é uma conspiração ou ao menos uma série de incertezas ou inseguranças a respeito do que eventualmente ficou conhecido como uma epidemia global.
é apresentado alguns interesses econômicos e políticos em iludir ou inflar números de modo a garantir recursos e financiamento ininterrupto em todo mundo mesmo quando a simples regularização sanitária, com água potável e esgoto provavelmente produziria uma qualidade de vida muito melhor e um número menor de doenças e mortes de casos distintos à AIDS, os quais são muito mais letais. ao mesmo tempo é mostrada a fragilidade comum entre profissionais de saúde em defender ou mesmo citar suas fontes de informação ou replicação de estudos.
ou seja, eventualmente o que antes era chamado de "ciência" ou "consenso científico" é tratado no documentário como um conjunto de crenças conflitantes, mais de uma de cada lado, tornando a discussão antes sobre saúde em esferas de dogma ou coerção majoritária, em polarização, em "narrativas oficiais" contra investigações independentes ou grupos perseguidos.
o mundo será sempre um ambiente difícil e caracteriza-lo ou entendê-lo será sempre elusivo. e só por isto existem estratégia como a ciência, um método de investigação, revisão e criação de novas teses que espera-se que se atualizem à luz de novas descobertas.
segundo a wikipedia americana muitos entrevistados não gostaram da representação feita deles mesmos ou de seus discursos, e talvez isto tenha ajudado a diminuir a divulgação da obra, ainda que muitos ainda hoje parecem continuar a defender a mesma tese de separação entre o vírus e a doença.
foi um documentário relativamente difícil de encontrar... encontrei apenas num torrent russo, sem legendas, etc, mas existem exemplos dele no youtube.
em alguma entrevista em algum lugar... foi dito que o youtube continha versões falsas do documentário, contendo a apologia oposta ao conteúdo original da obra... mas tenho a impressão que não se trata mais do caso, e aparentemente a versão presente no yt é a mesma presente no torrent porém em qualidade de imagem levemente inferior.
em 2012 parece que houve uma entrevista reforçando teses do documentário, disponível para download no site archive org ou o áudio no spotify:
Joe Rogan Experience #282 – Dr. Peter Duesberg & Bryan Callen-480p
eu ainda não o vi, e já está na minha lista de consumo futuro. em conjunto a Communion (1989), Vaxxed - From Cover-Up to Catastrophe (2016), An Inconvenient Study (2025) e Moment of Contact - New Revelations of Alien Encounters (2025).
este último é sobre o caso Varginha que parece ter alegrado bastante aos gringos =]
_o/
Louis Theroux: Por Dentro da Machosfera
3.2 21 Assista AgoraLouis Theroux - Inside the Manosphere (2026) é um honesto, talvez levemente superficial e cansativo, documentário sobre um fenômeno digital recente.
não há muita reflexão e não é muito divertido. mas parece bastante fiel aos personagens envolvidos - e digo isto apesar de nunca ter visto nenhum vídeo dos personagens anteriormente mas já vi alguns vídeos do Andrew Tate e Dan Bilzerian, os quais possuem discurso semelhante, são mencionados mas não entrevistados.
Theroux talvez seja um dos documentaristas que mais vi na adolescência, sempre expondo algo considerado underground ou exótico, normalmente com humor, e tratando inclusive de casais de swing em outra oportunidade - o que não difere muita da publicidade ou promessa oferecida pelas "celebridades da manosfera". tais celebridades porém parecem desconhecer o passado do documentarista, mantendo uma posição talvez insegura ou beligerante contra o entrevistador.
como de costume, eu gosto da bastante da existência de tais grupos ou culturas, quiça sub-culturas, e não apenas desta obra mas também das demais pois o contrário me parece uma impossibilidade. ou dito de outra forma, seres humanos sempre irão se unir por alguma afinidade, por menor ou mais destoante que seja e apesar de qualquer opinião ou valor contrário vigente ou majoritário. assim, qualquer idéia de unidade universal ou coesão irrestrita ou massificação homogênea soa-me sempre como fantasia.
pelo documentário não ter tentado ser aprofundado ou reflexivo, não me parece coerente fazer alguma reflexão aqui. apenas perguntar: quanto tempo durará este fenômeno?
normalmente neste contexto o termo "red pill" é citado e curiosamente o documentário The Red Pill (2016) não parece tratar de quase nada do que é falado na "manosfera".
ou seja, em 10 anos "red pill" conceitualmente se transformou em outra coisa. e eu teria algum interesse em saber o que termo representará em 10 anos... em 2036 e quiçá depois.
dos entrevistados, o mais velho parece ser Justin Waller (1985-12-04), seguindo pelo Myron Gaines (nascido Amrou Fudl, 1990-02-01). Nicolas Kenn De Balinthazy (Sneako, 1998-09-08) e Harrison James Patrick Sullivan (HSTikkyTokky, 2001-10-06).
os mais novos parecem ter se "formado" na internet. estamos falando de pessoas com fama e dinheiro abaixo dos 20 anos de idade. e não consigo julgar pessoas nesta faixa de idade. errar em análise ou comportamento ou postura é o esperado pela idade.
por fim, é um bom documentário, convém conhecê-lo mas não me deixou saciado. ao contrário, aumentou minha vontade de conhecer mais histórias controversas ou combatidas ou sectárias ou de nichos.
recomendo assistir They Live (1988), Mystic River (2003), Confessions Of A Porn Addict (2008), The Imposter (2012), An Honest Liar - The Amazing Randi Story (2014), The Red Pill (2016), Take Your Pills (2018), There Are No Fakes (2019), Running with the Devil - The Wild World of John McAfee (2022).
_o/
Má Educação
3.6 108 Assista Agoranão confundir com Bad Education (2004) [original: La mala educación - de Pedro Almodóvar], que é um bom filme também, apesar de não lembrar tão bem dele, apenas de ter gostado e ser +18.
Bad Education (2019) [br: Má Educação] é um documentário, segundo a própria obra, do maior crime de desvio de recursos de uma escola pública da história americana. tal título provavelmente está restrito ao 'desvio interno', produzido pela direção da instituição, sem considerar escândalos relativos ao executivo, legislativo ou privados... por exemplo, no mesmo ano do filme ficou conhecido o 'Varsity Blues scandal' que movimentou pelo menos o dobro de recursos, mas também envolveu mais instituições de ensino.
o tema é insípido, e ainda sim conseguiram fazer uma obra minimamente interessante, humana, realista, e até certo ponto envolvente.
entretanto, temia que não seria possível fazer um bom arremate da história. a obra parecia ser apenas a descrição de um caso de corrupção, com detalhes pessoais dos envolvidos, e assim seria só "vulgar" ou meio "sem sentido" para que valesse se transformar em filme.
porém, fiquei bastante surpreso e satisfeito com o final... que é curtíssimo e ao mesmo tempo belíssimo.
o filme tem uma narração interessante e é impressionante o trabalho que realizaram para transformar em entretenimento a descrição de uma simples corrupção burocrática numa escola local.
US$11 milhões me parece um valor muito baixo para ser considerado o maior desvio conhecido... ou então estou muito acostumado com o Brasil.
tentei lembrar de filmes sobre escolas para recomendar... e inicialmente só consegui lembrar de obras bem adolescentes como The Breakfast Club (1985), Ferris Bueller's Day Off (1986), Three O'Clock High (1987), e tantos outros sobre nerds, que são bons entretenimentos mas vou preferir recomendar Pink Floyd - The Wall (1982), War of the Buttons (1994), Kill the Messenger (2014).
agora terei que assistir The Manchurian Candidate (1962), Fahrenheit 451 (1966), Serpico (1973), The Parallax View (1974), The Insider (1999), The Manchurian Candidate (2004), The Most Dangerous Man in America - Daniel Ellsberg and the Pentagon Papers (2009) [não confundir com M.D. Geist (1986), M.D. Geist II (1996) que são OVAs/anime], Margin Call (2011), The Fifth Estate (2013), Black Mass (2015), The Big Short (2015), Crypto (2019), The Great Hack (2019), Enemies of the State (2020).
_o/
Tron: Ares
2.8 148 Assista AgoraTron - O Legado (2010) é uma continuação do Tron (1982) - Uma Odisséia Eletrônica e desnecessariamente dependente da primeira obra para simples explicação do universo e navegação entre mundos. enquanto o primeiro filme tem um bom início e só isso, o segundo se passa perdido por volta da primeira hora inicial e só então apresenta o conflito, gerando assim algum sentido. ambas obras contam com diálogos horrorosos, intencionalmente horrorosos, superficiais, jocoso, insignificantes. parecem ser um fan-services popularesco, um universo de encanto meramente cosmético, um passatempo visual, descartável, sem relevância ou permanência posterior na mente.
o filme faz alguma crítica pertinente, minúscula, ao fazer a descrição entre as gerações atuais e anteriores, ainda preservando algum conceito de família e anti-utopia com algum elogio ao universo literário, quiça auto-crítico, e de desaprovação à ganácia ou ao mundo corporativo. o que me deixa confuso, e me leva a perguntar se há alguma seriedade, alguma alma, ou apenas um fan-service, um mecanismo de defesa ou uma espécie de cacoete comercial destinado ao público que seria majoritariamente desgostoso com a obra?
o diretor de Tron - O Legado (2010) também dirigiu Oblivion (2013), o que torna certas auto-críticas coerentes entre ambas obras, e assim ajuda a marcar o telespectador alvo do diretor como o público adolescente.
finalmente, Tron - Ares (2025) é completamente assistível. longe de ser um grande filme, ainda circunscrito numa tentativa de passatempo, a obra conta com diálogos melhores, narrativa mais coesa e uma nova temática, mais semelhante a The Matrix (1999) em relação ao instinto de sobrevivência do Agent Smith, e, assim, mais preocupado com a "existência reversa" - com a vida que surge do meio digital em direção ao analógico ou orgânico.
não há uma tentativa de poetizar ou descrever a importância do Sol, por exemplo. o que ajuda muito na tolerância do telespectador com a obra.
existe uma crescente reafinação do argumento ao longo da trilogia em direnção ao budismo. é quase como se o filme caminhasse em direção ao oriente tendo partido do coração do ocidente. o que parece produzir algum frescor e tornar a obra final mais palatável que as anteriores. e ao mesmo tempo, ao contrário das demais obras, Tron - Ares parece se estabelecer como um reboot, com a promessa de continuação.
não empolga, mas também não decepciona.
_o/
A Hora do Espanto
3.6 618 Assista AgoraFright Night (1985) [br: A Hora do Espanto, +18] é quase interessante. fui convencido a assisti-lo pelo trailer.
num certo sentido, ele lembra The Platform / O Poço (2019) por ser quixotesco. lembra Being John Malkovich (1999), Stranger Than Fiction (2006) por ser um realismo fantástico, confundindo o espectador entre se tratar de uma história real ou evento psicológico... estilo também Rear Window / A Janela Indiscreta (1954).
lembra a estética de Videodrome (1983), They Live (1988), Dark City (1998), eXistenZ (1999), The Thirteenth Floor (1999) e tantos outros... The Evil Dead / Uma Noite Alucinante - A Morte do Demônio (1981), House / A Casa do Espanto (1985).
ele tem um desprendimento de auto-importância, despojado, abusado, querendo entreter sem fazê-lo esquecer que é cinema, que é tudo falso, estilo Alfred Hitchcock, Orson Welles.
ele não quer lhe convencer de nada, apenas entreter brevemente... e quase faz isto. mas beira a irrelevância, quase tropeça em pornochanchada.
poderia ser um pouco menor, principalmente no final. poderia ser mais cruel contra o protagonista, reforçando o humor, o absurdo e o desespero. e até mais sério, mais coeso com conveniências mais sólidas, sendo capaz de produzir terror ou tensão.
poderia ser melhor.
a atuação porém de Stephen Geoffreys (Evil Ed) [o amigo escolar] é fenomenal, perfeita. um show à parte. dá uma dose de realismo, convincente, forte. excelente!
não é um estilo que me agrada e portanto não consigo dar uma nota mais alta, mas entendo que o filme possa agradar a muitos... principalmente aos fãs de terror trash.
_o/
Eu e Meu Avô Nihonjin
3.8 12 Assista Agorabaixei na esperança de entreter minhas sobrinhas pequenas... assisti, e não gostei do que vi.
Eu e Meu Avô Nihonjin (2025) é brasileiro, ambientado no Brasil, é graficamente maravilhoso e só isto. o filme tem pouco mais de uma hora. mas que filme lento, chato, sem conflito bem definido na maior parte do tempo, e ainda que tenha algum apelo emocional próximo do fim, é difícil justificar tanto tempo para tão pouco conteúdo.
a menina neta do português não convence, não parece real. poderia muito bem ser um amigo inventado ou imaginado e assim quem sabe a história fosse mais interessante. não é o caso. apesar de todo o restante da obra ser bastante verossímil. e é realista ao ponto de ser desinteressante.
o filme claro celebra o templo da culpa. se constrói enquanto elogio da auto-crítica. encanta-se em destruir o orgulho do telespectador. paternaliza, moraliza, glorifica no altar das vaidades atuais o bom combate de denúncia contra o pecado dos ancestrais. tal pecado - alegre-se! - é aquilo de único que terá como herança. será sua régua e seu cajado, seu guia e sua guilhotina.
esta fé-secular, suave e presente, o suficiente para ser trabalhado em sala de aula. transparente o suficiente para não ser revelada aos novatos ou tratada como exagero. é na verdade o tema central e mais recorrente. a linha que une todos os personagens, em manutenção constante de conflito.
o filme tem os mesmos defeitos presentes em Sound of Metal (2019) e Uma Família Feliz (2024).
para quem gostou do filme recomendo assistir: The Incredible Shrinking Man (1957), Antonia's Line (1995), Karakter (1997), Big Fish (2003), Nocturnal Animals (2016), The Platform (2019).
mas se não gostou, assista ao Bufo & Spallanzani (2001). talvez o melhor filme nacional e um dos melhores filmes de todos os tempos e lugares! é fenomenal. (não há defeitos narrativos, a história está certa... talvez exija mais atenção do que se espera e isto é tudo)
_o/
Tron: Uma Odisséia Eletrônica
3.4 345 Assista Agoraque filme terrível =]
Tron (1982) conta a história de um programador de jogos que teve a autoria dos jogos roubados e precisa invadir "o" computador para recuperar esta informação e acaba entrando fisicamente dentro do mesmo com ajuda de láseres, =]
a obra antropomorfisma a hierarquia de permissões, escalação de privilégios e quebra de ACLs (Access Control List) dentro do computador no começo da década de 80, quando micro-computadores ou computadores-pessoais eram a completa exceção ao invés de regra.
e assim a fábula é conceitualmente confusa para época de seu lançamento e não se apresenta além de uma espécie de publicidade das capacidades gráficas 3D de então.
os diálogos são quase nulos tanto de extensão quanto de sentido. e a trama ausente parece reforçar que estamos assistindo ao filme apenas pelos gráficos.
acabo de rever o filme na expectativa de assistir aos re-lançamentos de 2010 e 2025, mas aparentemente todos eles foram dirigidos pelo mesmo indivíduo: Steven Lisberger. o que não ajuda muito ao anônimo em assisti-los.
melhor jogar Kid Chameleon (1992) [Video Game, Sega Genesis] ou assistir ao The Lawnmower Man (1992) e The Matrix (1999).
_o/
À Meia Luz
4.1 107Gaslight (1944) [~2h, br: À Meia Luz] é uma história bem contada, levemente diferente e com personagens melhores construídos que a versão de 1940 e até com a adição de algum alívio cômico.
https://www.imdb.com/title/tt0036855/ _o/
À Meia Luz
3.7 25 Assista AgoraGaslight (1940) [~1h25, br: À Meia Luz] é um filme lento apesar de curto, com pouca história ou eventos e atuação bastante carregada, quase teatral.
a história deu nome à expressão atualmente famosa "gaslight" - a qual se refere a um tipo de abuso no qual tenta-se convencer a vítima de loucura ou outra fragilidade mental e assim aumentar a dependência de seu abusador.
entretanto não há muito além na obra do que a própria definição de seu título.
temo porém que minha expectativa em relação ao filme tenha prejudicado minha avaliação.
iluminar um comportamento abusivo por si só e ainda mais através de arte já é louvável, porém, para aqueles que já sabem do que o filme se trata, não parece haver mais novidades.
ou dito de outra forma, as manipulações da vida cotidiana são um spoiler do filme.
agora terei que assistir: Gaslight (1944); Sleep, My Love (1948); Hush, Hush Sweet Charlotte (1964); Strait Jacket (1964); Rosemary's Baby (1968); Stepford Wives (1975); Possession (1981); Sleeping with the Enemy (1991); The Forgotten (2004); Before I Go to Sleep (2014);
https://www.imdb.com/title/tt0031359/ _o/
Pacto de Sangue
4.3 259 Assista AgoraDouble Indemnity (1944) [1h45, br: Pacto de Sangue] é um filme muito gostoso de assistir, com seu charme noir e seus diálogos de época - não tão bons como os presentes em The Incredible Shrinking Man (1957) - mas com uma narrativa bastante acelerada, principalmente pela época da sua gravação e pelo menos em relação ao envolvimento dos personagens e suas construções.
a trama é muito fácil de compreender - o que julgo muito positivo - entretanto a certa velocidade dos personagens quebrou algumas vezes minha imersão ao ponto de ter dificuldade em melhor avaliá-lo.
a obra é da mesma linha de Vertigo (1958), Chinatown (1974), A Perfect Murder (1998) e Bufo & Spallanzani (2001). este último, porém, é uma obra prima. um filme brasileiro, e portanto fácil de desmerecê-lo. mas ao contrário é de longe o mais sofisticado e interessante da lista mas também o que exige maior atenção e talvez até o maior número de replays até que se compreenda a obra.
"dupla indenização" seria uma melhor tradução do que "pacto de sangue" - o que parece-me demasiadamente macabro para dar título à história - mas talvez não fosse tão apelativo em relação à venda de ingressos ao cinema ou aluguéis em locadoras.
ps: até o ricardão é corno. que história realista.
https://www.imdb.com/title/tt0036775/
por fim, fazendo pesquisa para este comentário, cheguei a esta lista da super-interessante sobre o estilo noir que compartilho aqui: O Falcão Maltês (1941), Gilda (1946), À Beira do Abismo (1946), Fuga do Passado (1947), Fúria Sanguinária (1949), Crepúsculo dos Deuses (1950), A Morte num Beijo (1955), A Marca da Maldade (1958), Sob o Domínio do Mal (1962), Taxi Driver (1976), Blade Runner - O Caçador de Androides (1982), Instinto Selvagem (1992), Seven – Os Sete Crimes Capitais (1995), Los Angeles – Cidade Proibida (1997), Amnésia (2000), Sin City – Cidade do Pecado (2005), Drive (2011).
source: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-um-filme-noir _o/
Glass Onion: Um Mistério Knives Out
3.5 684 Assista AgoraGlass Onion (2022) [~2h15, br: Glass Onion - Um Mistério Knives Out] é um dos piores filmes que já vi na vida. sem propósito algum.
o filme começa com alguma vulgaridade, algum elogio vazio ao consumismo ou materialismo religioso e isso dura pelo menos 1h.
só então é apresentado o conflito do filme seguido pela revelação do passado do grupo. para então muito lentamente desencadear-se numa não-solução tediosa de iconoclastia daquele mesmo materialismo que por mais de 2 horas construiu.
o filme parece ter sido um orçamento gigantesco oferecido às mãos de adolescentes acostumados a assistir clipes na MTV. visualmente muito bonito, e completamente vazio de conteúdo.
uma cebola de vidro. _o/
https://www.imdb.com/title/tt11564570/
ps: Knives Out (2019) [br: Entre Facas e Segredos] é excelente, assista.
Enter The Void: Viagem Alucinante
4.0 875 Assista Agora+18, Enter the Void (2009) é mais um filme de drogados. e como a maioria deles não é muito pertinente, cativante ou atraente.
visualmente interessante, se destaca graficamente e merece ser elogiado por isto.
infelizmente, porém, a história não é tão grande para um filme de quase 3 horas.
a narração pode ser dividida em 4 partes. algo como "situação", "contexto", "continuação" e "resolução".
em "situação" todo o filme é explicado, em "contexto" a história é repetida com uma pequena revisão histórica dos personagens pré-"situação", e nas demais partes ocorre que o se espera, já anunciado, com muitos poucos movimentos ou eventos.
Enter the Void (2009) do mesmo modo que John Wick (2014) são boas obras para serem usados como plano de fundo em bares ou casas noturnas, pois, chamam bastante atenção pelas cenas visuais, sem contraponto ou necessidade dos diálogos, ou aprofundamento na estória.
não chega a ser terrível, é bem lento e ao mesmo tempo completamente assistível, mas sinto dificuldade em recomendá-lo.
https://www.imdb.com/title/tt1191111/ _o/
Quem Está no Controle?
2.9 1 Assista AgoraThe Illusion of Control (2022) [~1h35min, pt-BR: Quem Está no Controle?] é um filme desperdiçado.
a trama vai se complicando, você começa a duvidar que seja possível de se resolver e de fato não resolvem.
tava tão legal e o filme é de fato sobre outra coisa.
não chega a ser exagerado ou frustrante como Basic (2003) [imdb id: tt0264395, pt-BR: Violação de Conduta], mas ainda é decepcionante.
https://www.imdb.com/title/tt5926530/ _o/
Uma Família Feliz
3.2 199- quero ver um filme de psicopata!
- veja este.
...
- vi e não gostei.
- eh, não pediu um filme bom, pediu um filme de psicopata.
Uma Família Feliz (2024) [~2h, nacional] é bem méh.
no começo as atuações não convencem... a narração é um pouco lenta e o filme se resolve apenas nos 5 minutos finais ou próximo disso. existem muitos filmes melhores de temática semelhante e temo que se sugerir filmes parecidos poderia revelar todo o mistério da obra.
agora sei que preciso assistir Gaslight (1940), Double Indemnity (1944), Gaslight (1944), Margin Call (2011), The Big Short (2015).
https://www.imdb.com/title/tt26688282/ _o/
Babilônia
3.6 362 Assista AgoraBabylon (2022) é horroroso.
Mais Estranho que a Ficção
3.9 604Stranger Than Fiction (2006) [~1h46min, imdb id: tt0420223, br: Mais Estranho que a Ficção] é genial e belíssimo.
suave como How Green Was My Valley (1941), The Incredible Shrinking Man (1957), Wild Strawberries (1957), Harold and Maude (1971), The Little Prince (1974), All That Jazz (1979), Being There (1979), The Man Who Loved Women (1983), The Meaning of Life (1983), Cinema Paradiso (1988), Groundhog Day (1993), Forrest Gump (1994), Roujin-Z (1994, anime), War of the Buttons (1994), Antonia's Line (1995), Son of the Bride (2001), Big Fish (2003), Lost in Translation (2003), Eternal Sunshine of the Spotless Mind (2004), The World's Fastest Indian (2005), The Curious Case of Benjamin Button (2008), Little Nicholas (2009), The Lobster (2015), Passengers (2016).
é sempre preciso, porém, proteger o filme da expectativa desmedida que um elogio possa gerar.
o filme é bom como são bons os filmes de Alfred Hitchcock. puro entretenimento. distração profissional. gostoso de assistir, despretensioso, tocante, lúdico, celebrador de fantasias, fácil de entender, aquilo que se espera de um bom passatempo.
não desejo e nem peço nada mais do que a obra entrega. ele te ajuda a escapar. vamos?
https://www.imdb.com/title/tt0420223/ _o/
2046: Os Segredos do Amor
4.0 160 Assista Agoraacabei de ver o filme 2046 (2004) [ ~2h5min, imdbid: tt0212712 ] e não entendi.
se Passengers (2016) é um bom filme para casais. talvez 2046 seja um bom filme para recém separados. não que a obra ajude a acalmar a dor da perda. mas que pelo menos a intensidade da dor torne mais fácil de entender o filme.
há alguma metáfora convoluta, e não sei bem em que tempo estamos. mas, tudo bem, o tempo também não passa. talvez estejamos presos na roda de Samsara, numa roda de hamster ou em Dark City (1998).
o filme sem ser ruim tem alguma dificuldade de compreensão como em Magnolia (1999), algum espanto ou estranhamento do real como em The Red Pill (2016) e algum encanto como em Ashes of Time Redux (1994) - do mesmo diretor.
após pesquisa, o filme é considerado a obra final numa trilogia iniciada por "Days of Being Wild" (1990) e "In the Mood for Love" (2000) - os quais não vi nenhum.
não sei se um dia já estive em 2046. mas a obra de mesmo nome eu recomendo assistir.
https://www.imdb.com/title/tt0212712/ _o/
Kairo
3.4 192acabei de assistir Pulse (2001) [~2h, terror, br: Kairo] e é o puro suco do psicodelismo japonês.
> "Bem-vindo à Internet"
> "Divirta-se"
(...)
> Gostaria de conhecer um fantasma?
(...)
> Se dois pontos se aproximarem demais,
> eles morrem, mas se afastarem muito,
> são atraídos um pelo outro.
(...)
> O espírito... Ou a consciência, a alma,
> seja qual for o nome,
> parece que o reino onde eles
> habitam tem uma capacidade finita.
>
> Quer essa capacidade possa
> acomodar bilhões ou trilhões,
> eventualmente, ficará sem espaço.
>
> Quando está cheio até o limite,
> têm de sair para fora,
> de algum modo, para algum lugar.
>
> Mas para onde?
> As almas não têm escolha,
> a não ser irem para outro reino,
> ou seja, o nosso mundo.
(...)
> De fato, fantasmas e pessoas são iguais,
> quer estejam mortos ou vivos.
(...)
> As pessoas não se conectam de verdade, sabe?
> Vivemos todos totalmente separados.
uma mistura de Ringu (1998) [br: Ring, O Chamado] com Serial Experiments Lain (1998) [anime, 13 eps], internet, alucionógenos e navegações inseguras usando Windows 9x. [tente linux na próxima vez]
vi e acho que não estava preparado para entender o filme. tem algum medo [ou premonição?] em relação às tecnologias de comunicação e alegoricamente o que elas farão conosco. provavelmente, nos tornarão mais sozinhos.
e assim o filme facilmente se escapa. é evasivo, elusivo, fácil de se perder.
ele é terror sem jump-scare. é terror avisando como será (e no caso já é) nossa vida presente, conectada, isolada, sozinha. o terror do que nos tornamos.
https://www.imdb.com/title/tt0286751/ .o7
The Red Pill
4.2 44 Assista AgoraThe Red Pill (2016) [~2h] é um documentário suave, acessível, levemente lento, não-militante sobre dificuldades masculinas num mundo apresentado como tiranicamente ou vilinisticamente masculino.
a obra é surpreendentemente boa, respeitosa, confortável de assistir, sem ser nem anti-feminista, nem confrontacional, nem panfletária, nem propagandista ou proselitista. não parece ser uma tentativa de convencer o telespectador a nada. mas, apenas, uma coleção de conversas. parece um diário - declarado, honesto, genuíno - de alguém que enfrentou uma perspectiva diferente da que conhecia ou que assumiu ao longo da vista e foi impactada por ela.
assim, a obra é parte da jornada da autora, sem me parecer que foi feito como sendo outra coisa. sem me parecer comprometido com a conversão do telespectador. não é, e nem quer ser, messiânico. e por isto me parece inerte ou sem apelo ou apego. não apresenta ameaça e nem muda nada.
ao contrário, a obra mostra - indiretamente - a força ou o controle das paixões - principalmente políticas ou relativas ao poder - sobre os seres humanos. o quão intenso ou convincente ou atrativo ou sedutor uma vida de carregador de bandeiras pode ser. o quão persuasivo é o caminho do partidarismo, da militância, do sectarismo. o quão fácil é encontrar sentido - talvez falso - nos confrontos ou discursos políticos. a força de atração das posições de comando, a força gravitacional do poder, da definição das leis, do controle sobre comportamentos, da definção de soluções-oficiais e formatação de discursos.
a obra pode lhe permitir a ver seres humanos como entidades perigosas. mas seria uma pena alguém depender desta obra para perceber isto.
não há bons moços. nem há salvadores. tudo sempre continua. só continua.
agora tenho que assistir Brainwash (2010) [O Paradoxo da Igualdade], Hoaxed (2019), No Safe Spaces (2019), 2000 Mules (2022), What Is a Woman? (2022).
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Assassinato
4.0 21Assassination (2015) [br: Assassinato, imdbid tt3501416 ] é um filme mediano sobre nacionalidade e traição.
tive muita dificuldade de acompanhar a história no início. a obra é bem confusa por ter apenas atores e localidades asiáticos, além de retratar tempos diferentes e traições entre espiões, mas pelo andar da carruagem, não se trata de uma trama muito elaborada.
a história tem seu charme - nacionalista - mas não é lá muita coisa.
melhor assistir: Tokyo Incidents - Beaucoup de Bruit pour Rien [2012-01-18] [360p only]
https://www.youtube.com/watch?v=WVukps1Tjxk [music]
se gostar da banda experimente:
https://www.youtube.com/watch?v=Ix8Inb2wAl4
https://www.youtube.com/watch?v=ngfuE4fQXic [ bilibili id: BV1cb41147mb ]
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O Poço
3.7 2,1K Assista AgoraThe Platform (2019, Netflix) [br: O Poço] é até certo ponto tedioso, apresenta as distrações comerciais de sempre: discurso panfletário e violência-gráfica.
a obra, no entanto, demanda algum esforço para além da aparência viciada de crítica-social, do heroísmo televisivo contrário à exploração da desigualdade, do lugar-comum das denúncias de injustiças entre homens e da reação violenta catártica da supostas retribuições.
ao contrário, há até o desnudamento das "boas-ações"; a demonstração explícita da inerente contradição entre matar aqueles que pretende proteger e salvar; e a ingenuidade normativa de soluções meramente apaixonadas e intelectuais sem conhecimento ou experiência com o ambiente que julgam solucionar.
tudo isto está na casca, na superfície. é preciso olhar mais fundo.
o filme trata, inclusive, de si mesmo. é um espelho para si e para nós. há uma série de elementos recursivos presentes, coisas que não acabam. mesmo diante de protesto ou morte.
é preciso fazer a exegese do filme. e acredito que há uma chave hermenêutica fácil que nos ajuda nesta tarefa.
a criança não existe.
argumentos:
[a] ela não sobreviveria sozinha;
[b] a "mãe" não está há uma década no prédio. mas apenas alguns meses, e nem entrou grávida no prédio. não há tempo suficiente para a criança crescer naquele ambiente;
[c] a "mãe" seguramente chegou ao fundo do poço inúmeras vezes (e logo depois subiu até a cozinha? parece uma fatalidade mecânica da aventura descer até o ponto mais baixo para então ser movido até o topo);
[d] não é permitido menores de 16 anos no prédio. a criança não seria capaz de fugir da fiscalização nem durante a entrada e nem durante a renovação mensal dos andares;
[e] alucinações são freqüentes no ambiente. sendo algumas compartilhadas;
dito isto...
outra alucinação compartilhada é a esperança que o poço tenha solução, que sua solução demanda da emissão de um sinal e alguém em cargo de comando aguarda ou espera ser convencido por tal sinal para só então destruir o 'experimento social' em ação.
não dá para saber há quanto tempo o poço existe... mas não há nada a ser parado ali. o poço é ordem, hierarquia, cadeia de comando, pirâmide social, estrutura da vida, é anterior aos prisioneiros. o poço existe fora do edifício. é realmente muito antigo.
ainda, segundo a administração o poço se chama "Vertical Self-Management Center" / "Centro Vertical de Autogestão". diz respeito, portanto, de auto-controle, autonomia individual. a avaliação é pessoal, não coletiva. e me parece que pode ser resumido como 'história de vida'.
o primeiro texto do filme:
"There are three types of person: Those at the top, those at the bottom, and those who fall."
na dublagem nacional, corretamente, o termo 'types' é substituído por 'classes'.
existem 3 classes, e existem 3 companheiros de cela:
primeiro aqueles de baixo. aqueles que foram pegos pelo poço, como Trimagasi e talvez a maioria.
depois aqueles de cima. aqueles que escolheram entrar no poço, como Goreng e Imoguiri.
finalmente, aqueles que caem, como Miharu e Baharat.
as classes sociais são móveis, inconstantes e misteriosas.
os indivíduos são tentados em diferentes pavimentos de conforto. e recorrentemente invertidos em suas relações de assimetria econômica após cada mês.
Goreng defende a responsabilidade individual - explicitamente não-coletiva em discurso - logo antes de matar - em espírito de ira ou vingança - Trimagasi, em diálogo durante a mutilação de sua coxa.
Trimagasi não tinha então a intenção de matar Goreng. ao contrário, tentava prolongar sem confrontamento a vida de ambos. sendo objetivo, frio e metódico o suficiente para vencer a situação. seu comportamento, porém, oscilava de mês em mês assim como sua fé ou religião.
diante destes acontecimentos a luz - ainda que fraca - que o filme projeta é a diferença de estratégias de sobrevivência de indivíduos sobre a mesma regra. ainda que os objetivos sejam idênticos: se salvarem, sobrevivendo por mais um ou dois meses.
não há ordem de cima ali. existe apenas a soma de pequenas e voláteis decisões individuais.
o poço é inocente.
Imoguiri se apresenta com o romatismo do mais jovem Goreng. o mesmo idealismo, talvez universal, dos iniciantes. porém, Imoguiri tem algum conhecimento de cima, da administração, e uma breve esperança na sua benevolência.
assim, nesta tese romântica, antes de ser um prédio de condenações, espera-se nele alguma expiação. ou regeneração moral.
ainda, o poço seria uma oportunidade edificante. um meio de se descobrir a utopia. a forma de semear solidariedade espontânea: a re-organização de múltiplos indivíduos em um só corpo, na uniformização de ações, na colaboração dependente da convergência de interesses de seres autônomos com assimetria momentânea de poder ou alcance em busca da sobrevivência do corpo.
a luz fraca do filme antes sobre estratégias contra a estrutura, agora se move sobre a possibilidade de interpretação destoantes da natureza dela, a estrutura.
o detento é animal.
ainda há fome, desejo sexual, alguma fantasia de fuga e a decisão de descida ou mergulho.
em cima há luz, ordem, pujança, vida.
embaixo há trevas, caos, miséria, morte. mas também paixão. quiça família.
um paralítico chamado de sábio desconfiado da administração mas crente nos funcionários sugere transformar o resultado final da descida em símbolo ao invés de ação - o plano de invasão da cozinha pela conquista da plataforma deveria ser substituído pelo retorno intacto de um doce ou símbolo.
assim, a vitória daria sem corpo. as mortes não seriam em vão - mas não são elas que importam.
parece suicídio, mas é martírio, sacrifício, heroísmo. complexo desmedido de messias.
a terceira dupla busca algo maior que eles mesmos e decidem descer.
pretendem descer ao inferno para oferecer alimento aos céus. quiça, um primogênito.
o "sábio" é ambíguo e pode tanto estar imbuído de "deus está morto" quanto de "conflito de classe".
temo, porém, - e esta obra é um espelho, lembre-se - que a suposta falta de 'consciência da administração' seja a ausência de existência da administração. ausência de comando inclusive. existe hierarquia na cozinha mas não sobre ela.
deus os abandonou.
até a paixão morreu. mas a última plataforma é diferente.
nela decidem trocar o que de mais valioso que possuíam por algo mais valioso que acharam.
Goreng e Baharat deixaram a vida ali. como Miharu também deixou.
a vida no poço é como a vida que cada um quer que seja vivida. quiça, contada.
e algumas vidas são inventadas, até em busca de uma família que não existe, desde que a fantasia dê forças para continuar.
não existem crianças ali.
a verdade do mundo pode ser insuportável.
agora terei de assistir The Young and the Damned (1950), The Exterminating Angel (1962), The Discreet Charm of the Bourgeoisie (1972), The Phantom of Liberty (1974), Character (1997), American History X (1998), Big Fish (2003), The Hunt (2012), High-Rise (2015), Sound of Freedom (2023).
_o/
O Passageiro do Futuro 2
1.9 18 Assista Agora"LAWNMOWER MAN IS DEAD!"
a frase acima é diálogo real que ocorre em: 01:22:17,267 no filme.
o filme é tão nojento, horroroso, ultrajante que nem compensa falar sobre ele.
"LAWNMOWER MAN IS DEAD!"
temo porém que seja preciso um breve resumo que me garanta nunca mais ter que assistir a este monte de dejetos cinematográficos:
Lawnmower Man 2 - Beyond Cyberspace (1995) seguramente é continuação da FRANQUIA "Lawnmower Man", seus eventos ocorrem logo depois do primeiro filme e se estendem talvez em quase 1 década depois, mas quase nada é continuação da ESTÓRIA do primeiro.
o vilão principal é outro; Jobe tem outra personalidade e necessariamente outro corpo; o mundo é diferente, mais escuro e futurista; e os heróis são 4 crianças que não confiam em adultos mas salvam o mundo através de jogos de computador e um cachorro capaz de mexer em pc.
sim. acredite. é esse tipo de clima.
o filme é infantil. mas não no sentido de ofensa.
o filme é corretamente descritível como infantil. e ruim ao ponto não ser exibível nem em Sessão da Tarde.
"LAWNMOWER MAN IS DEAD!"
divaguei durante o filme. minha mente andou à deriva. a razão se libertou de mim.
não reconhecia como real o que (vi)via.
passei a me perguntar sobre a natureza-das-fantasias, a confecção-das-ficções, a ontologia dos personagens-inventados e seus universos-imaginados, a historiografia das estórias, a materialidade das ilusões, o compartilhamento dos sonhos, a distribuição das utopias, a realidade do fantástico, a economia do abstrato, a geologia dos planos teóricos, a matemática das confusões, o éter dos sentimentos, a verdade dos falsos, a construção do virtual, a analogia do irrealizável, a contradição das hipóteses, a probabilidade do inconsciente, a categorização do virtual, as vantagens do latente, a esperança do online.
a metafísica das criações humanas.
pensei e tinha o intelecto fora de mim sobre a existência de certos retratos cinematográfico. a exposição de temas recorrentes como o cyber-espaço e suas regras inerentes: sua inescapável invasão de privacidade; a automática quebra dos sigilos bancários; a letalidade automática dos corpos reais cuja as mentes foram mortas no ambiente virtual; sua furtividade global, seu ubíquo controle de máquinas e ferramenta;, seu aprisionamento humano; a condicionalidade da sua existência; a nossa dependência atrofiante dela; o feitiço dos seus mistérios.
por pior que tenha sido o filme, o cyber-espaço ainda é cyber-espaço. ou pelo menos parece ser cyber-espaço. e assim me perguntava:
"como eu sei que a descrição no filme deste cyber-espaço está correta?"
como se me perguntasse:
"como sei que está certa uma história sobre Alice, Branca de Neve, Coelhinho da Páscoa ou Papel-Noel? como verifico a veracidade de uma fantasia? dá para avaliar a qualidade representativa destas entidades que são pré-conhecidas antes da exibição da obra em questão?"
e se a fantasia moldar o futuro, poderia um mau filme prejudicar nossas decisões ou aspirações?
de modo mais direto: existe um certo papai-noel-conhecido ainda que nenhum papai-noel de fato exista. em analogia ao filme: existe um cyber-espaço descrito antes de cyber-espaços existirem. como a descrição do filme é anterior à criação desta entidade, poderia o filme ajudar a criar no futuro um cyber-espaço-real maculado como o cyber-espaço-do-filme? quantas versões ficcionais de cyber-espaço existem? é possível condicionar a produção futura de seres e objetos através exclusivamente de ficções?
"LAWNMOWER MAN IS DEAD!"
e nós também _o/
O Incrível Homem Que Encolheu
4.1 122assisti ao The Incredible Shrinking Man (1957) [O Incrível Homem que Encolheu] querendo dar 10.0/10 ao filme mas à medida que assistia, sua nota foi encolhendo, encolhendo...
The Incredible Shrinking Man (1957) tem o mesmo defeito ou "caso-de-uso" de Close Encounters of the Third Kind (1977): o trecho final é demasiadamente alongado - demais até para um filme de apenas 1h e 20 min.
acredito, porém, que em seu tempo - na década de 50 - tal alongamento deve ter agradado à maioria. uma espécie de "filler" que fazia valer o preço do cinema.
The Incredible Shrinking Man (1957) também tem o mesmo defeito ou "jeito-especial-de-consumo" de Waking Life (2001): a leitura da legenda do filme torna-o bem mais interessante. os diálogos não possuem tempo necessário para sua reflexão durante a execução do filme. sendo necessário assim uma calma leitura posterior de pelo menos alguns aforismos.
o filme tem uma profundidade muito maior quando tratado com atenção.
fazendo poucos cortes hoje o filme fácil mereceria 10.0/10. o ritmo dele é excelente na maior parte, salvo quando se torna tedioso, salvo quando substitui os conflitos humanos para ostentar a tecnologia cinematográfica da época, em longas cenas de sobre-vivência contra pequenos animais que seguramente produziram êxtases no cinema de então mas desviaram a atenção da camada filosófica ou espiritual do filme.
distração. ilusão. estrambolismo juvenil.
Scott Carey: "Relax Doctor. You can't tell me anything I haven't already imagined."
Clarice: "Maybe the best way to begin is to start thinking about the future."
Scott Carey: "A future? In a world of giants?"
Clarice: "Hmm. I've lived with them all my life. Oh, Scott, for people like you and me the world can be a wonderful place. The sky is as blue as it is for the giants. The friends are as warm."
Scott Carey: [after escaping from the spider] "In my hunt for food I had become the hunted. This time I survived, but I was no longer alone in my universe. I had an enemy, the most terrifying ever beheld by human eyes."
Scott Carey: "A strange calm possessed me. I thought more clearly than I had ever thought before - as if my mind were bathed in a brilliant light. I recognized that part of my illness was rooted in hunger, and I remembered the food on the shelf, the cake thredded with spider web. I no longer felt hatred for the spider. Like myself it struggled blindly for the means to live."
e ele matou a aranha.
Scott Carey: [last lines] "I was continuing to shrink, to become... what? The infinitesimal? What was I? Still a human being? Or was I the man of the future? If there were other bursts of radiation, other clouds drifting across seas and continents, would other beings follow me into this vast new world? So close - the infinitesimal and the infinite. But suddenly, I knew they were really the two ends of the same concept. The unbelievably small and the unbelievably vast eventually meet - like the closing of a gigantic circle. I looked up, as if somehow I would grasp the heavens. The universe, worlds beyond number, God's silver tapestry spread across the night. And in that moment, I knew the answer to the riddle of the infinite. I had thought in terms of man's own limited dimension. I had presumed upon nature. That existence begins and ends is man's conception, not nature's. And I felt my body dwindling, melting, becoming nothing. My fears melted away. And in their place came acceptance. All this vast majesty of creation, it had to mean something. And then I meant something, too. Yes, smaller than the smallest, I meant something, too. To God, there is no zero. I still exist!"
e assim o filme vai crescendo, crescendo.
recomendado com nota 8.0/10 - o modo em pé do infinito.
agora terei de assistir: Things to Come (1936); 20,000 Leagues Under the Sea (1954); Journey to the Center of the Earth (1959); The Time Machine (1960); Voyage to the Bottom of the Sea (1961); Alphaville (1965); Fantastic Voyage (1966); The Omega Man (1971); Brave New World (1980); The City of Lost Children (1994); Brave New World (1998); Ice (2007); Underwater (2020).
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