Um horripilante mergulho no submundo da pré-adolescência e das relações masculinas nesse período da vida, onde as percepções sobre tudo, especialmente sobre si, se embaralham numa confusão hormonal e ansiosa, marcada por domínio, territorialismo e intimidação. A praga é o terror que se instala desde cedo e que interrompe brutalmente a inocência de tantos meninos. Trilha sonora insana.
Para além de ser uma história um tanto batida do rapaz estadunidense com um sonho e vontade de vencer e que faz de tudo para dobrar o mundo a seu favor, me incomodou que a atuação de Timothée em muitos momentos parecia ele mesmo ali, apenas deslizando a atuação pelo próprio corpo, sem de fato transmitir através dele um personagem, sem se transformar noutra coisa. Como Marty ele convence, mas não apresenta nuances a se descobrir, por que é como se eu ja soubesse tudo sobre ele, tudo sobre o Timothée... Seria hora de uma pausa...? Cabe a observação do marketing agressivo que esse filme teve na temporada, com ele projetando em todos os canais e programas uma extensão modernizada do personagem, muita atitude e muita cor laranja, como se fosse o BRAT dele... Não ficou feio, mas também não tem um efeito bonito, por que apesar de um bom filme, é bem regular a entrega e a meu ver a ansiedade e aceleração do texto ao mesmo tempo que agrega, bagunça e transtorna a ideia em uma substancia indefinida, como um prato muito caro e cheio de bons ingredientes, mas sem muito sabor...
parece um dilema simples, mas a questão do ressentimento é justamente a bola de espinhos que forma na garganta. O que era supostamente simples se torna meio que um conflito geracional, avó/pai/irmã/filha todos feitos dos mesmos retalhos sentimentais, e nessa teia o que se desenvolve tanto no filme como no filme dentro do filme, é um convite a aprender a conviver com a própria mágoa.
A importância de um material como esse vai muito além do dever histórico de narrar os episódios de levante popular no século XIX. Está no impacto que causa a desumanidade, o desgosto de sermos uma sociedade levantada sobre essas bases. A dívida social brutal para com milhares de pessoas e descendentes que foram sequestrados e violados de tantas formas. A fidelidade mostrada aqui é primorosa em cada detalhe, dos figurinos à pluralidade religiosa retratada, a decadência moral e estética da casa grande, a presença solene de Rodrigo dos Santos, a emoção e naturalidade de Camila Pitanga, a relevância de Antonio Pitanga... São muitos elementos que engrandecem esse projeto, um sonho de mais de 20 anos. Que momento importante.
A cena que aparece o gato e aquela genuína expressão de espanto do Wagner Moura me deram um sentimento de deja vu (por causa do gato em Matrix, talvez?) e fiquei pensando como esse filme todo parece um delírio, um deja vu de um Brasil já vivido e ainda idealizado por um bando de "lesa pátrias". O horror de sequer estar na presença de um tipo desses é perfeitamente transmitido nas cenas de flashback, tanto pelo Wagner quanto pela Alice Carvalho, e me arrepiou a ojeriza, a repulsa, por que quando se tem sangue nas veias é difícil suportar o absurdo, não ser avesso à sujeira. Mais um filme do KMF cheio de sangue nas veias.
A trama é quente e provoca curiosidade mas em alguns momentos é cíclica, retrabalha pontos a meu ver desnecessários e subaproveita alguns plots e personagens como a exemplo da vizinha interpretada por Sasha Calle.
os personagens parecem jogados dentro de uma ampulheta, onde tudo é areia e tempo. A maior ansiedade aqui é escapar da aridez e desse paraíso silencioso, mas até quando há esperança, a ampulheta parece virar e cada grão de momento reinicia ao ponto de partida: a perpetuação do fardo geracional de uma vida limitada em meio a esse deserto sem fim. Os poucos momentos de escape parecem errados e sujos e o terror passa a ser viver em meio ao silencio enquanto tudo dentro é barulho. Um terrível teste de perseverança não só pela sobrevivência do corpo, mas da alma.
Que maravilha a interpretação de João Pedro Dias! Vi no rosto dele a mesma secura do chão, o cenho sempre franzido, a boca amarrada, as expressões angustiadas. Aí chegou o circo, uma nova perspectiva pro mundo, e João de Tambori venceu o medo. Segunda vez que Haroldo Borges me encanta, antes sendo com "Saudade fez morada aqui dentro", um espetáculo de sensibilidade.
Muito atmosférica a câmera que foca no que há distante e desfoca o que está próximo, como uma mente enevoada que vive pensando no exterior dessa situação que ela se encontra. É tudo cheio de apatia até a chegada de Robert e não por que ele "mudou tudo" ou algo do tipo, mas por que ele abre uma janela nesse cubículo monótono que ela vive diariamente. Como quando ela odiou o filme que eles viram pelo simples fato que ela não conseguiu ver nada além do próprio cubículo, e na medida que se expõe e pensa sobre ela passa a gostar. Ele propõe a ela de forma muito espontânea esse exercício de exposição ao que, dentro dela, já estava esquecido.
"Elétrico" é uma boa palavra para esse filme. Provoca assuntos desconfortáveis, mas que estão por aí acontecendo e é importante ter em mente que aos 16 anos a gente costuma topar muita coisa por esse prazer da eletricidade, para se sentir vivo ou apenas distante da vida real. Quanto mais fictício melhor e viver personas alternativas às que você vive no dia a dia parece ser a fuga perfeita rumo à vida adulta, que nessa idade obviamente é fictícia. Fumar sem saber por que está fumando, transar sem saber por que está transando e por aí vai... tudo superficial e sem fundamento, mas forte e "elétrico", ou seja, é o que importa. Não são fáceis os 16, mas tem alguma idade que seja? Ou ninguém percebeu que todo mundo nesse filme é falho e instável?
esse filme mexe comigo de um jeito que não consigo explicar bem, não sei se pela personagem principal e essa interpretação maravilhosa de Jodie Foster, se por todos os apontamentos filosóficos ou se só por ser uma história de perseverança. as câmeras que saem de lugares inesperados e essa sensação do contido nos lembra que tudo que conhecemos e não conhecemos está no mesmo espaço que nós e que “estar sozinho” se torna relativo sob essa perspectiva.
horripilante e desconfortável de um jeito que saí do cinema enjoado. o poster é perfeito em colocar a grama verde e o momento de lazer sob um céu escuro, como se todos estivessem condenados à ausência de luz pelo resto da vida. muito embora ninguém se incomode ou ao menos note o que está em andamento logo do outro lado do muro, ja lhes estaria corrompida a alma de um céu azul.
Muito surpreendente o quanto esse filme se aproveita do que há de mais convencional no imaginário extraterreste para se tornar tão bom quanto todos os outros aos quais se assemelha. O suspense é on point e a personagem principal é o ponto alto do roteiro, que aos poucos vai nos dando detalhes do que aconteceu numa narrativa quase sem diálogos. Boa parte do que há de trash e subjetivo é bem vindo e Kaitlyn Dever arrasou demais na interpretação.
Tanto o ótimo Shin Godzilla quanto o Minus One possuem uma autenticidade que torna essa franquia muito diferente - e superior - à americana principalmente por ligar esse monstro aos traumas que a sociedade japonesa enfrenta após a segunda guerra. Enquanto nos blockbusters dos EUA eles praticamente domesticaram o bicho tornando-o um anti-herói em prol da humanidade (que é mero acessório contextual), aqui os humanos precisam lidar diretamente com Godzilla, um apropriado monstro gigante terrível e implacável, ao mesmo tempo que com seus monstros interiores, causados pela guerra, fome, pobreza, abandono, etc. Texto sagaz e dramático, atuações convincentes e cinematografia muito estilosa. "Minha guerra ainda não acabou" e com isso ele falou por todos os japoneses.
Acaba seguindo aquela fórmula de "O impossível", a saga da família desencontrada após grande catástrofe natural, mas não preciso dizer que não é tão polido e impactante quanto, tampouco a fórmula é bem utilizada. O drama no núcleo dos pais acaba funcionando melhor enquanto o da filha perdida e os boysinho inglês parece um novelão indiano. Aqui sofri com a Alexandra Dadario. A parte científica é num lugar seguro de detalhamento e acaba ficando no plano de fundo, o CGI cuida do resto.
The Plague
3.3 21Um horripilante mergulho no submundo da pré-adolescência e das relações masculinas nesse período da vida, onde as percepções sobre tudo, especialmente sobre si, se embaralham numa confusão hormonal e ansiosa, marcada por domínio, territorialismo e intimidação. A praga é o terror que se instala desde cedo e que interrompe brutalmente a inocência de tantos meninos. Trilha sonora insana.
Marty Supreme
3.7 315 Assista AgoraPara além de ser uma história um tanto batida do rapaz estadunidense com um sonho e vontade de vencer e que faz de tudo para dobrar o mundo a seu favor, me incomodou que a atuação de Timothée em muitos momentos parecia ele mesmo ali, apenas deslizando a atuação pelo próprio corpo, sem de fato transmitir através dele um personagem, sem se transformar noutra coisa. Como Marty ele convence, mas não apresenta nuances a se descobrir, por que é como se eu ja soubesse tudo sobre ele, tudo sobre o Timothée... Seria hora de uma pausa...? Cabe a observação do marketing agressivo que esse filme teve na temporada, com ele projetando em todos os canais e programas uma extensão modernizada do personagem, muita atitude e muita cor laranja, como se fosse o BRAT dele... Não ficou feio, mas também não tem um efeito bonito, por que apesar de um bom filme, é bem regular a entrega e a meu ver a ansiedade e aceleração do texto ao mesmo tempo que agrega, bagunça e transtorna a ideia em uma substancia indefinida, como um prato muito caro e cheio de bons ingredientes, mas sem muito sabor...
Valor Sentimental
3.9 366 Assista Agoraparece um dilema simples, mas a questão do ressentimento é justamente a bola de espinhos que forma na garganta. O que era supostamente simples se torna meio que um conflito geracional, avó/pai/irmã/filha todos feitos dos mesmos retalhos sentimentais, e nessa teia o que se desenvolve tanto no filme como no filme dentro do filme, é um convite a aprender a conviver com a própria mágoa.
Malês
3.4 36 Assista AgoraA importância de um material como esse vai muito além do dever histórico de narrar os episódios de levante popular no século XIX. Está no impacto que causa a desumanidade, o desgosto de sermos uma sociedade levantada sobre essas bases. A dívida social brutal para com milhares de pessoas e descendentes que foram sequestrados e violados de tantas formas. A fidelidade mostrada aqui é primorosa em cada detalhe, dos figurinos à pluralidade religiosa retratada, a decadência moral e estética da casa grande, a presença solene de Rodrigo dos Santos, a emoção e naturalidade de Camila Pitanga, a relevância de Antonio Pitanga... São muitos elementos que engrandecem esse projeto, um sonho de mais de 20 anos. Que momento importante.
O Agente Secreto
3.9 1,0K Assista AgoraA cena que aparece o gato e aquela genuína expressão de espanto do Wagner Moura me deram um sentimento de deja vu (por causa do gato em Matrix, talvez?) e fiquei pensando como esse filme todo parece um delírio, um deja vu de um Brasil já vivido e ainda idealizado por um bando de "lesa pátrias". O horror de sequer estar na presença de um tipo desses é perfeitamente transmitido nas cenas de flashback, tanto pelo Wagner quanto pela Alice Carvalho, e me arrepiou a ojeriza, a repulsa, por que quando se tem sangue nas veias é difícil suportar o absurdo, não ser avesso à sujeira. Mais um filme do KMF cheio de sangue nas veias.
Apostas & Segredos
3.0 39A trama é quente e provoca curiosidade mas em alguns momentos é cíclica, retrabalha pontos a meu ver desnecessários e subaproveita alguns plots e personagens como a exemplo da vizinha interpretada por Sasha Calle.
Depois de Horas
4.0 511 Assista Agora"must be a full moon out there"
Oeste Outra Vez
3.7 99 Assista Agoraas cenas noturnas!!!!!❤️
Casa de Areia
3.7 256 Assista Agoraos personagens parecem jogados dentro de uma ampulheta, onde tudo é areia e tempo. A maior ansiedade aqui é escapar da aridez e desse paraíso silencioso, mas até quando há esperança, a ampulheta parece virar e cada grão de momento reinicia ao ponto de partida: a perpetuação do fardo geracional de uma vida limitada em meio a esse deserto sem fim. Os poucos momentos de escape parecem errados e sujos e o terror passa a ser viver em meio ao silencio enquanto tudo dentro é barulho. Um terrível teste de perseverança não só pela sobrevivência do corpo, mas da alma.
Deus e o Diabo na Terra do Sol
4.1 441"meu destino está tão sujo que nem todo o sangue do mundo pode lavar"
This Closeness
3.5 17 Assista AgoraÉ estranho pensar que intimidade pode ser algo que afasta, né?
Filho de Boi
3.8 13 Assista AgoraQue maravilha a interpretação de João Pedro Dias! Vi no rosto dele a mesma secura do chão, o cenho sempre franzido, a boca amarrada, as expressões angustiadas. Aí chegou o circo, uma nova perspectiva pro mundo, e João de Tambori venceu o medo. Segunda vez que Haroldo Borges me encanta, antes sendo com "Saudade fez morada aqui dentro", um espetáculo de sensibilidade.
Caminhos Cruzados
4.1 48 Assista AgoraReencontrar pode ser muito bonito pra quem sabe procurar o que perdeu.
Às Vezes Quero Sumir
3.5 68Muito atmosférica a câmera que foca no que há distante e desfoca o que está próximo, como uma mente enevoada que vive pensando no exterior dessa situação que ela se encontra. É tudo cheio de apatia até a chegada de Robert e não por que ele "mudou tudo" ou algo do tipo, mas por que ele abre uma janela nesse cubículo monótono que ela vive diariamente. Como quando ela odiou o filme que eles viram pelo simples fato que ela não conseguiu ver nada além do próprio cubículo, e na medida que se expõe e pensa sobre ela passa a gostar. Ele propõe a ela de forma muito espontânea esse exercício de exposição ao que, dentro dela, já estava esquecido.
Tenho Sonhos Elétricos
3.5 20"Elétrico" é uma boa palavra para esse filme. Provoca assuntos desconfortáveis, mas que estão por aí acontecendo e é importante ter em mente que aos 16 anos a gente costuma topar muita coisa por esse prazer da eletricidade, para se sentir vivo ou apenas distante da vida real. Quanto mais fictício melhor e viver personas alternativas às que você vive no dia a dia parece ser a fuga perfeita rumo à vida adulta, que nessa idade obviamente é fictícia. Fumar sem saber por que está fumando, transar sem saber por que está transando e por aí vai... tudo superficial e sem fundamento, mas forte e "elétrico", ou seja, é o que importa. Não são fáceis os 16, mas tem alguma idade que seja? Ou ninguém percebeu que todo mundo nesse filme é falho e instável?
Contato
4.1 823 Assista Agoraesse filme mexe comigo de um jeito que não consigo explicar bem, não sei se pela personagem principal e essa interpretação maravilhosa de Jodie Foster, se por todos os apontamentos filosóficos ou se só por ser uma história de perseverança. as câmeras que saem de lugares inesperados e essa sensação do contido nos lembra que tudo que conhecemos e não conhecemos está no mesmo espaço que nós e que “estar sozinho” se torna relativo sob essa perspectiva.
Zona de Interesse
3.6 694 Assista Agorahorripilante e desconfortável de um jeito que saí do cinema enjoado. o poster é perfeito em colocar a grama verde e o momento de lazer sob um céu escuro, como se todos estivessem condenados à ausência de luz pelo resto da vida. muito embora ninguém se incomode ou ao menos note o que está em andamento logo do outro lado do muro, ja lhes estaria corrompida a alma de um céu azul.
Ninguém Vai Te Salvar
3.2 609 Assista AgoraMuito surpreendente o quanto esse filme se aproveita do que há de mais convencional no imaginário extraterreste para se tornar tão bom quanto todos os outros aos quais se assemelha. O suspense é on point e a personagem principal é o ponto alto do roteiro, que aos poucos vai nos dando detalhes do que aconteceu numa narrativa quase sem diálogos. Boa parte do que há de trash e subjetivo é bem vindo e Kaitlyn Dever arrasou demais na interpretação.
Os Rejeitados
4.0 473 Assista AgoraTem algo muito aconchegante sobre esse filme que já o torna um clássico de filmes de natal.
Godzilla: Minus One
4.0 563Tanto o ótimo Shin Godzilla quanto o Minus One possuem uma autenticidade que torna essa franquia muito diferente - e superior - à americana principalmente por ligar esse monstro aos traumas que a sociedade japonesa enfrenta após a segunda guerra. Enquanto nos blockbusters dos EUA eles praticamente domesticaram o bicho tornando-o um anti-herói em prol da humanidade (que é mero acessório contextual), aqui os humanos precisam lidar diretamente com Godzilla, um apropriado monstro gigante terrível e implacável, ao mesmo tempo que com seus monstros interiores, causados pela guerra, fome, pobreza, abandono, etc. Texto sagaz e dramático, atuações convincentes e cinematografia muito estilosa. "Minha guerra ainda não acabou" e com isso ele falou por todos os japoneses.
Vidas Passadas
4.1 939 Assista AgoraAbsolutamente tudo nesse filme é sobre amar.
Feitiço da Lua
3.4 230 Assista AgoraMomentos absolutamente icônicos do cinema, "Snap out of it!".
O Mundo Depois de Nós
3.2 990 Assista AgoraDe algum modo a ideia desse filme me pegou e o desenrolar surpreendeu. Direção ousada e roteiro oxigenado, quase num ponto que sufocou tudo.
Terremoto: A Falha de San Andreas
3.0 1,0K Assista AgoraAcaba seguindo aquela fórmula de "O impossível", a saga da família desencontrada após grande catástrofe natural, mas não preciso dizer que não é tão polido e impactante quanto, tampouco a fórmula é bem utilizada. O drama no núcleo dos pais acaba funcionando melhor enquanto o da filha perdida e os boysinho inglês parece um novelão indiano. Aqui sofri com a Alexandra Dadario. A parte científica é num lugar seguro de detalhamento e acaba ficando no plano de fundo, o CGI cuida do resto.