Esse é o tipo de filme que, durante a sessão, me causa uma impressão meio neutra: nem acho muito bom, nem muito ruim. Vou só acompanhando pra ver no que vai dar. Ao desligar a TV, minha nota seria um 3/5. Mas, conforme vou digerindo a coisa, a nota vai caindo. Quanto mais penso em 10 Cloverfield Lane, pior ele fica!
a tensãozinha mequetrefe da primeira tentativa de fuga – ter que abrir trocentos cadeados enquanto o bicho-papão avança em câmera lenta; o "help" escrito no vidro; a personagem tendo a maior dificuldade pra escapar de um cara e, logo em seguida, destruindo uma nave alienígena orgânica (?) como se não fosse nada, usando um coquetel molotov que surge providencialmente ali. Enfim, poucas qualidades desse filme resistem a um dia depois de ter assistido.
Vale dizer que só fui conhecer Cloverfield: Monstro agora em 2025 e achei maravilhoso! Tremenda maluquice essa sequência estar com a nota mais alta do que o primeiro.
Reassisti Em Busca do Ouro depois de alguns anos e continua um ótimo filme! Meu DVD vem com duas versões: a original, muda, com a trilha sonora de 1925; e um relançamento posterior, com adição de uma narração em off na voz do própria Chaplin, além de efeitos sonoros e trilha diferente – vale dizer que a narração não só vai contando a história, como também reproduz os diálogos dos personagens. Dei play na versão relançada, mas logo desisti. Fica muito estranho ver uma obra concebida sem som com o acréscimo da narração. O diretor precisa falar rápido demais para acompanhar o ritmo, fazendo com que a leitura das legendas atrapalhe a apreciação das imagens. Sem contar que os recursos narrativos próprios do cinema mudo – como a atuação exagerada, concebida para driblar a ausência do som – deixam de fazer sentido, gerando redundância.
Nos extras do DVD há também um mini documentário que, entre outras, traz a informação de que o primeiro ato foi inspirado em um acontecimento real: uma expedição ficou presa no meio do nada, por conta de uma nevasca e, sem ter o que comer, o grupo foi obrigado a recorrer a seus cachorros, posteriormente a suas vestimentas de couro e, por fim, aos cadáveres dos companheiros mortos. Chaplin pegou essa notícia e a transformou, com leveza e humor, nas engraçadas sequências dos dois mineradores na cabana – incluindo a maravilhosa transmutação do protagonista em frango.
O enredo amoroso é bem familiar: temos um casal super popular, com algumas atitudes um tanto babacas, que vive entre briguinhas e reconciliações. A garota, a fim de provocar ciúmes no outro, flerta com o pretendente mais improvável do lugar, o mais "loser". Ela, então, finge que gosta do bobalhão, brinca com os sentimentos dele, faz chacota do pobre coitado para divertimento de sua turma e, no final, os dois acabam juntos. É uma trama típica de comédia romântica adolescente dos anos 1990/2000, tornando Em Busca do Ouro precursor de todos esses filmes, já na década de 1920.
A Dança dos Pãezinhos, embora não seja criação do diretor (Roscoe Fatty Arbuckle já a havia executado em The Rough House, de 1917), entra para o rol de cenas icônicas de Charles Chaplin.
Outro elemento não original, mas que rendeu bons momentos aqui, é a ideia da cabana que se desloca no espaço, levada pelo vento. Para quem conhece a história de O Mágico de Oz, isso não é novidade.
Agora, para não dizer que tudo são flores, algo que me incomodou nessa revisita a The Gold Rush (e que tinha passado despercebido da primeira vez) é o modo como é negado à personagem feminina principal qualquer poder de escolha.
Voltando à comparação com as comédias românticas adolescentes, uma diferença fundamental de roteiro é que, aqui, o protagonista nunca chega a descobrir que foi feito de trouxa por sua amada. Sendo assim, baseado no bilhete que recebe por engano – originalmente endereçado a Jack –, o Minerador Solitário passa a acreditar que Georgia corresponde a seu amor. Embora a moça se mostre arrependida de ter zombado dele e, no final, já no navio, se ofereça para pagar sua passagem, sem saber que ele enriqueceu, em momento algum a vemos demonstrar qualquer sentimento para além da compaixão. Nada no filme nos diz que ela se apaixonou por aquele homenzinho peculiar. A partir do reencontro dos dois, Georgia apenas se deixa levar, demonstrando, em seu rosto, nem compreender muito bem o que se passa. Seu destino está além de seu desejo, pois ela, ali, deixa de ser um indivíduo, com vontade própria, e se transforma em um prêmio para o protagonista – que, além da fortuna possibilitada pela descoberta do ouro, ganha também a mão da donzela.
São Paulo: a locomotiva que move o Brasil. Seu combustível: brutal exploração da classe operária, corrupção, acordos fraudulentos, apropriação de dinheiro público pela burguesia industrial emergente e alienação da classe média.
Obra-prima do cinema nacional! E que montagem sofisticada! Demorei um pouco para me situar na história, confundi personagens, achei que Hilda fosse Luciana, me perdi na cronologia. Senti um pouco da confusão caótica da metrópole, com seu ritmo frenético de desenvolvimento a todo custo. A forma conduzindo o sentido. Lindo de se ver!
Carlos é um personagem muito peculiar. Um cara amargo, ranzinza, péssima companhia para se ter por perto. Chatão de galochas completo! Reclama de todos ao seu redor, trata todo mundo mal. Um nojo de pessoa. Ainda assim, é a figura com mais sensibilidade diante da falta de sentido daquela vidinha medíocre pequeno-burguesa. Ainda que não consiga por em palavras o que sente, ele sabe que há em seu peito uma angústia profunda e permanente.
No final, assim como a criança de foge de casa por ter levado bronca, mas volta antes de anoitecer, o protagonista empreende uma fuga que não dura mais do que 24 horas. E sem grandes consequências. O casamento pode ser retomado, já que Luciana conhece o traste com quem se casou, mas preza pela fachada de família modelo. O carro roubado, se descoberto, pode ser tomado como um capricho de playboy, ao invés de, necessariamente, um crime (aposto que Arturo, acionando sua rede de influências, não teria grande dificuldade em conseguir livrá-lo da cadeia).
O adeus de Carlos é mera rebeldia passageira. Válvula de escape de seu espírito conformista. Passada a adrenalina, tudo volta a seu lugar.
Afinal, a Locomotiva São Paulo S/A não pode parar.
Pegue a frase “Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar”, tire toda a sua poesia e deixe apenas a informação. O resultado é o título do filme em inglês: “Waiting for the Carnival”.
É triste ver uma sociedade inteira completamente seduzida pelo canto da sereia do empreendedorismo. Vendem a essas pessoas a ideia de trabalhar por conta, em alguns casos na própria casa, sem ter que obedecer a patrão, bater ponto ou cumprir horário fixo, podendo produzir o quanto quiser por dia. Ser um trabalhador autônomo. Livre para decidir como quer trabalhar.
Vendem isso e entregam altos níveis de precarização. A ausência de patrão vem acompanhada da ausência de qualquer direito trabalhista. Os que trabalham em casa tem que arcar com os custos de energia elétrica e manutenção dos equipamentos. Podem decidir seus horários e o quanto querem produzir por dia, mas, seguindo a lógica de “quanto mais se produz, mais se ganha”, dedicam 14/15/16 horas por dia para poder tirar seu sustento. Ainda assim, para muita gente, não é o suficiente para bancar alguns dias de lazer durante o carnaval. Lazer esse não só desejado, mas justificadamente necessário, para que não enlouqueçam em uma vida em que só se trabalha e nunca se aproveita.
E quem pode culpá-los por defenderem esse modelo? Em uma sociedade que traz ainda tão latente em seu imaginário a herança da escravidão, normalizamos a ideia de que aqueles que empregam detêm plenos poderes sobre os empregados. Quem nunca sofreu algum tipo de humilhação no trabalho? Quem nunca ouviu elogios sobre algum patrão por este não fazer mais do que sua obrigação: ser uma pessoa minimamente decente e respeitosa? Junte-se a isso a influência dos coaches de empreendedorismo e o resultado é um solo fértil para a agenda neoliberal fincar raízes.
Gostei de como o diretor se abstém de formular conclusões sobre o que os entrevistados falam, deixando a cargo dos espectadores perceber a violenta contradição daquele regime de trabalho tão desumano.
O documentário apenas perde um pouco de sua força ao optar por um enfoque exagerado em Léo – mesmo sendo uma figura bem interessante, não consegui enxergá-lo como protagonista da história recente de Toritama.
Em seu segundo longa-metragem, Chaplin decide não fazer parte do elenco – e deixa isso bem claro para o público por meio de uma inusitada mensagem logo no início do filme, acrescentando, ainda, que se trata de seu primeiro drama sério (me pergunto se, na época, algum desavisado chegou a pedir o dinheiro do ingresso de volta, alegando que tinha ido ao cinema não só para ver seu ator favorito na tela, como também para vê-lo fazendo comédia).
O enredo é simples: Marie e Jean, dois jovens apaixonados, decidem sair de casa e se mudar para a cidade grande a fim de se casarem e constituírem família longe da desaprovação de seus pais. Um acontecimento trágico impede o rapaz de se encontrar com a moça, e esta, desiludida, resolve ir embora sozinha. Um ano depois eles se reencontram, vivendo vidas completamente diferentes da que viviam (ela, sobretudo), e o antigo amor dá sinais de querer voltar a florescer.
De início, algo que enfraquece um pouco a história é a passagem do tempo entre o primeiro e o segundo ato. Afinal, doze meses parecem pouco para a transformação de Marie, de moça pobre com apenas a roupa do corpo para concubina do solteiro mais rico de Paris, ao mesmo tempo em que esse período não me parece longo o bastante para dar o peso necessário ao reencontro dela com Jean.
Casamento ou Luxo tem vários pontos interessantes, para além dos encontros e desencontros dos personagens principais.
Há uma inversão de papeis sociais entre Marie e Jean: nas cenas iniciais, vemos que a casa dela é bem mais modesta que a dele; já em Paris, enquanto a jovem vive em um apartamento luxuoso – inclusive com empregadas –, o rapaz mora em um espaço pequeno e humilde – onde não consegue encontrar um guardanapo sequer que não esteja furado. Não fica claro por que o pai de Jean desaprovava o casamento, mas a diferença de classe entre as duas famílias poderia ser o motivo. Posteriormente, quando Marie ressurge visivelmente em situação financeira confortável, o que entra em cena, por parte da mãe, é o moralismo: a velha rejeita o relacionamento do filho por não considerar sua amada digna dele.
Na agitação das festas dos habitantes endinheirados da capital francesa um pequeno detalhe chama a atenção: uma bela mulher é lentamente despida do longo tecido branco que envolve seu corpo, para divertimento de uma plateia que bebe, ri e aplaude. Entre as moças do grupo, vemos uma ajeitar um monóculo no rosto para admirar melhor a modelo, e seu rosto transparece inegável desejo pela outra. Um lampejo de representatividade lésbica no cinema da década de 1920? Me parece que sim.
Bem menos sutis são as expressões faciais da massagista que atende Marie em seu apartamento enquanto esta fofoca com suas “amigas”. Sendo obrigada a presenciar a falsidade com que as moças se tratam e ouvir sobre o mundinho de jantares e roupas bonitas em que elas vivem, sua única reação possível é a desaprovação no olhar. E o rosto da mulher, mostrado em sucessivos closes, confere ao drama sério de Chaplin um de seus melhores momentos (inclusive, um dos poucos momentos cômicos).
O namorado/mantenedor da protagonista, o ricaço Pierre, com sua personalidade meio cafajeste-simpático, é uma das figuras mais interessantes do filme. Ao descobrir que sua teúda e manteúda está, supostamente, tendo um caso com outro homem, ele não se mostra ciumento ou possessivo – o que, infelizmente, não seria estranho para os dias de hoje, quem dirá para aquela época. Mas não, ele apenas acha graça e ainda aconselha a moça a ter cuidado com quem se envolve.
Pierre ainda é usado para exemplificar duas visões possíveis sobre o matrimônio.
Por uma manchete de jornal ficamos sabendo que ele está noivo de uma jovem rica, e que o enlace representa a união das duas maiores fortunas do país. Tal fato, de maneira alguma, o impede de ter amantes. Casar-se, para ele, significa apenas consolidar uma relação de negócios. Em outra ocasião, quando Marie diz que quer romper com o namorado para se unir a Jean, aquele a chama até a janela e lhe dá uma amostra do que isso significa para quem não é abastado como ele – mostra-lhe uma família que passa na rua lá embaixo: o marido, carrancudo, andando apressado na frente; a espoca, com a infelicidade estampada no rosto, vem logo atrás, esforçando-se para manter as crianças junto se si. O filme, assim, parece querer apresentar o casamento como uma instituição falida. A burguesia se casa para perpetuar fortunas e manter aparências. A classe trabalhadora o faz para sobreviver. Em nenhum dos casos há felicidade, apenas conveniência.
Uma das cenas mais bem construídas da obra é a do suicídio de Jean, após ser rejeitado por Marie e humilhado por Pierre. O ímpeto inicial de tirar a vida do rival (ou, talvez, da moça, senão de ambos) transforma-se em desejo de morrer. E, na antessala de um restaurante, que delimita até onde ele pode chegar não sendo membro ou convidado da classe alta – sala esta que, ainda que seja apenas um cômodo preliminar, é grande o bastante para fazê-lo parecer tão pequeno e impotente –, o rapaz atira em si mesmo, tombando ao lado de uma bela e indiferente estátua.
Após a morte de Jean e, passado algum tempo, vemos o desfecho do filme com Marie reconciliada com a mãe de seu antigo amor, ambas dividindo uma casa no interior do país e cuidando de crianças órfãs – aparentemente adotadas por elas. É um final que, se por um lado é conservador ao nos dizer que a protagonista só encontra a verdadeira felicidade quando abandona sua vida de luxo e concubinato e abraça a maternidade, por outro é um tanto fora da curva, ao colocar a heroína criando seus filhos não com um homem, mas com outra mulher (aqui, é preciso dizer, sem qualquer aceno aparente à representatividade lésbica, como dito anteriormente sobre a garota com o binóculo).
Algumas curiosidades: * Chaplin situou sua história em Paris para não melindrar os brios puritanos dos espectadores estadunidenses com toda a representação de boemia e relações extraconjugais presentes na obra. Mesmo assim, Casamento ou Luxo não foi muito bem recebido, nem pela crítica nem pelo público. * Por uma escolha estratégica do diretor, todas as cenas foram filmadas na mesma ordem em que aparecem no filme. E ainda que isso tenha encarecido o projeto, vale lembrar que ele era um dos donos da empresa responsável pela produção.
Quem é Sergio Leone perto de Erico Rassi? Quem é Clint Eastwood perto de Rodger Rogério?
Brincadeiras ufanistas à parte, que filmaço é Oeste Outra Vez!
Em um mundo sem mulheres, os homens são todos patéticos. Tratam-se com cortesia, mas não conseguem falar sobre o que sentem. Empunham armas, mas erram o alvo. Apontam o taco, mas não acertam a bola. Só a cachaça é que vai certeira da garrafa para o copo e deste para a goela.
Na aridez da paisagem e dos corações, onde as mulheres são desejadas, mas nunca alcançadas, só o que resta a esses homens é a companhia deles mesmos, com sua cordialidade vazia e sua violência sem sentido.
Nem sempre é uma boa ideia revisitar nossos filmes favoritos da adolescência. A gente corre o risco de vê-los perder o encanto.
Evil Dead continua um filme interessante. É bem legal ver os lugares inusitados onde Sam Raimi posiciona sua câmera para criar as cenas. Os efeitos práticos, inclusive com stop-motion – coisa que eu não lembrava –, merecem todo o crédito.
O roteiro abraça de forma muito honesta um descompromisso total com o estabelecimento de regras sobre como os demônios operam: a namorada de Ash é possuída a partir do lápis enfiado no pé, enquanto ele mesmo é ferido várias vezes e de várias maneiras e nada acontece; a velocidade com que os personagens se transformam varia de acordo com a conveniência, assim como o uso que fazem de sua superforça.
Mas, no geral, o clássico cult de 1981 já não me empolga mais como antigamente.
(diga-se de passagem, no auge dos meus 15/16 anos eu sentia medo real de algumas cenas – em especial da versão endemoniada da Linda sentada no chão se balançado e falando com voz de criança)
Para além de eu ter achado bem menos divertido do que costumava achar, o desencanto se dá também pela percepção que tenho hoje em dia do sexismo latente no filme. A cena do estupro na floresta é bem difícil de defender. Hoje percebo o quanto ela é fetichizada e feita, ao que parece, com o único propósito de excitar o olhar masculino. Difícil sustentar o argumento de que foi um artifício usado na trama como forma de explorar uma das possíveis nuances do horror. Vale lembrar que Scott também sai sozinho lá fora e, assim como Cheryl, é atacado pelas árvores, voltando depois pra cabana todo machucado. Alguém vai dizer que ele também foi violentado? Claro que não!
Outro ponto que me incomodou nessa reassistida foi a quantidade de vezes em que Ash é mostrado batendo em Linda. E ainda que na história aquele ser já não seja mais sua namorada, o que vemos em tela é, de forma gráfica, um homem agredindo uma mulher, em uma encenação que não teve o cuidado de se fazer um pouco mais sutil a fim de amenizar o resultado final.
Essas críticas não me fazem abominar o filme; tenho consciência de que estou colocando um olhar de 2025 sobre uma obra com mais de quatro décadas de existência, produzida em outro momento histórico, com outra visão de mundo. Mas por não conseguir (e nem querer) relevar essas questões, The Evil Dead simplesmente perdeu pontos comigo.
Por último, outra velha lembrança que tenho da adolescência é de ver a apresentadora de um programa de TV de filmes de terror (provavelmente o Cine Sinistro da Band) anunciando a próxima atração pelo título brasileiro "A Morte do Demônio" e explicando que esse nome não fazia sentido, já que o demônio, no final, termina bem vivo. Era spoiler na cara do espectador... e ninguém ligava.
Não me lembro quando foi a última vez que assisti a um filme tão ruim quanto este lixão atômico chamado Emilia Pérez.
Tudo é da mais baixa qualidade. Os números musicais são terríveis, ninguém canta minimamente afinado e as letras das músicas parecem ter sido escritas por inteligência artificial. Tremendo mau gosto na cena da clínica em Bangkok. O espanhol falado pelo elenco é sofrível e isso deixa as atuações ainda mais porcas. O enredo é dos mais mequetrefes. Dei risada em vários momentos no cinema e vale lembrar que o filme não se propõe a ser cômico.
As 13 indicações dessa bomba ao Oscar são um ultraje! Não é possível! Um dia ainda vai ser revelado que esse foi o maior caso de corrupção da história da indústria cinematográfica.
Lembro que citei esse filme em um trabalho da faculdade de Letras. Precisávamos escrever um texto sobre a legalização das drogas, argumentando contra ou a favor.
Meu ponto foi que o único problema que o consumo necessariamente provoca é a deterioração da saúde do usuário – e isso é entre ele e seu próprio corpo. Qualquer dano secundário que o usuário possa causar à sociedade é hipotético: ele pode se tornar violento, pode cometer crimes, pode negligenciar outras pessoas que dependem de si, mas também pode não fazer nada disso e viver sua vida sem atrapalhar ninguém.
Assim, a punição (proibição) antes de qualquer mal ser causado seria equiparável – guardadas, obviamente, as devidas proporções – às prisões que acontecem no filme por crimes ainda não praticados.
A avaliação do professor foi apenas sobre nosso desempenho argumentativo, sem entrar no mérito da validade de nossos argumentos. No final, tirei uma boa nota.
O Menino e a Garça se torna outro filme depois deste documentário.
Minha leitura inicial era que o autor se colocava na história por meio da figura do tio-trisavô: um idoso, responsável pelo vasto universo que criou, vivendo o dilema de não ter alguém para quem deixar o legado de sua criação (e no caldeirão dessa interpretação eu misturava a relação conturbada de Miyazaki com seu filho também cineasta).
Aí descubro que o gênio da animação japonesa se vê, na verdade, como Mahito, o protagonista adolescente, e que o tio-trisavô faz referência a seu falecido amigo/mentor/rival Isao Takahata, o Pak-san. E outras ligações biográficas vêm como bônus: o produtor Toshio Suzuki é retratado como a garça do título e a colorista Michiyo Yasuda, a quem o diretor chama de Yacchin, serve de inspiração para a personagem Kiriko – na história, inclusive, quando Mahito e a versão jovem de Kiriko se separam, o menino pergunta se eles ainda irão se encontrar de novo; sabendo que Yacchin faleceu durante a produção do longa, a cena adquire um tremendo peso emocional.
O luto, aliás, permeia todo o processo de confecção do filme. Amigos e companheiros de profissão vão morrendo um após o outro, tornando o trabalho de Miyazaki cada vez mais pesado e doloroso, levando-o a buscar refúgio da dureza do mundo real em seus infinitos mundos imaginários.
Vale destacar o esmero na montagem do documentário.
O tempo todo, a edição pega algum momento trivial do dia a dia ou alguma frase dita ao acaso pelos entrevistados e faz paralelos visuais com as produções do Studio Ghibli. Seja uma caminhada às margens de um curso d’água ou a afirmação de Suzuki de que o diretor se alimenta da energia das pessoas ao seu redor para poder criar, tudo se conecta com cenas dos filmes.
Indicado para qualquer um que goste não só de O Menino e a Garça, mas das obras em geral do grande Hayao Miyazaki.
Fiquemos na torcida para que o velhinho ainda tenha fôlego para, pelo menos, mais um filme. Uma mente tão brilhante não deveria ter que se sujeitar ao mesmo tempo de vida que nós, meros mortais.
Não é a melhor das comédias estreladas por Leslie Nielsen, mas tem alguns bons momentos engraçados, como na cena da dança. Fica bem mais divertido se você já tiver assistido o Drácula de 1931, estrelado por Bela Lugosi, pois "Morto mas Feliz" é uma paródia daquele – inclusive com cenas idênticas. (eu, no caso, fiz a ordem inversa)
Vale destacar o final, o jeito como Drácula é derrotado, que achei bem criativo – ao contrário do final do original que, diga-se de passagem, é bem ruinzinho.
Assim como Bela Lugosi no filme anterior, Gloria Holden entrega uma atuação muito boa no papel de Condessa Zaleska, com seus olhares penetrantes e angustiados. Mas, apesar disso, A Filha de Drácula me pegou tanto quanto seu antecessor, ou seja, não muito.
Eu tinha detestado o final, até assistir a este vídeo: www.youtube.com/watch?v=MdWJ2tkcldQ (compartilhado abaixo pelo perfil CINEMAQUILES) Trata-se de uma explicação interessante para que
A rejeição de Zaleska por sua condição de vampira como metáfora para a homossexualidade reprimida foi algo que me passou completamente despercebido durante o filme. Este outro vídeo fala um pouco mais sobre isso (e também sobre o famigerado Código Hays): www.youtube.com/watch?v=greE16U721M (basta ativar a tradução automática na legenda que dá pra entender bem)
O Drácula de Bela Lugosi talvez seja a versão mais conhecida do vampiro de Bram Stoker no cinema. Seu olhar hipnotizante, com o jogo de luz & sombra, é muito icônico. Mas mesmo gostando de filmes antigos (e tendo certa facilidade para apreciá-los), este aqui não conseguiu me pegar. Achei o começo até interessante, mas o desenrolar foi ficando cada vez mais sem-graça, culminando naquele final terrível.
como o protagonista é derrotado (e morto) é de uma falta de criatividade gigantesca: ele se tranca em um cômodo que é facilmente aberto por seus perseguidores e, segundos depois, já está dormindinho em seu caixão, só esperando a estaca de Van Helsing. Não pude deixar de fazer a comparação com o final maravilhoso (e trágico) do Nosferatu de Murnau.
Por fim, o que achei muito curioso é a ausência de trilha sonora (com exceção do Lago dos Cisnes nos créditos iniciais). Como vi poucos filmes do período entre o final dos anos 1920 e começo dos 1930, quando houve a transição do cinema mudo para o falado, não sei dizer se se trata de algo característico da época.
Reassisti depois de milhões de anos e me surpreendi positivamente. Embora a história não seja lá grande coisa e os efeitos especiais sejam tenebrosos – não só por terem envelhecido mal, mas também por baixo orçamento –, esse filme tem um charme, uma classe, uma beleza que não sei muito bem como definir, mas que me agrada bastante. O que ele tem de ruim é bem menor do que o que tem de bom.
Blade e a Dra. Karen tem uma química absurda! A cena dele sugando o sangue dela ficou muito mais sexy do que se eles tivessem, de fato, tido uma relação sexual.
Pensando agora, o trabalho de Wesley Snipes aqui foi pioneiro entre os filmes de super-heróis dos quadrinhos: antes de Homem-Aranha, X-Men, Quarteto, Demolidor, Batman do Nolan, Bladão já estava lá!
O visual do personagem é estiloso demais! Fico imaginando o quanto não fazia bem para a autoestima da molecada negra da época poder ver um protagonista tão foda assim. A trilha-sonora eletrônica é pra ficar por dias no fone de ouvido.
"Tipos de Gentileza", até agora, foi meu Yorgos menos favorito (entre Pobres Criaturas, Cervo Sagrado, Favorita e Lagosta), mas ainda assim é um bom filme. Venho gostando cada vez mais das atuações do Jesse Plemons. Dafoe nos papéis malucões de sempre – maravilhoso! Emma Stone na famosa cena da dancinha no estacionamento <3
Então é assim que funciona o famoso Rebuceteio? rs. "A Amiga da Minha Amiga" é bem divertido e despretensioso, e muito legal para conhecer alguns pop rocks espanhóis.
O som desse filme é um personagem à parte: cachorro latindo, criança gritando, tiros na selva, telefone que toca, mosca voando. Tudo contribui para ir criando um estado de constante irritação e incômodo. Sem falar na sujeira latente da casa, dos personagens, daquela piscina nojenta! Um belo retrato de uma parcela da sociedade argentina, escancarando a contradição de seus preconceitos.
Filme incrível, que satisfação poder conferir uma obra nacional tão empolgante na telona! Tirando algumas cenas (rápidas) em que os efeitos ficaram zuadinhos, todo o restante é ótimo! Para mim, o ápice é quando
o piloto faz o avião cair de bico pra baixo: aquele momento de suspensão da gravidade – intensificado pela pausa no som – fez eu me sentir dentro do filme.
Este filme seria tão mais potente se fosse falado em francês! Não que o elenco principal precisasse se tornar fluente, mas um intensivão para, pelo menos, decorar as falas, acho que não custava nada, né? Napoleão arrotando nacionalismo o tempo todo, uniforme com bandeira da França enrolada na cintura... E o que ouvimos? O famigerado inglês, mesmo idioma do principal inimigo militar de Bonaparte: a Inglaterra.
Outra coisa que me incomodou é que, na primeira metade do filme, fica difícil aceitar que um ator visivelmente de meia-idade está interpretando um homem de 20 e poucos anos (o cara se tornou general aos 24!). Essa questão da precocidade, que acredito ser algo importante quando pensamos na vida do líder francês, é algo que se perde por conta disso.
Para não ficar só nas críticas, gostei bastante das cenas de batalhas, todas muito bem construídas por Ridley Scott.
uma viagem a Buenos Aires, assisti esse filme em um cinema de rua chamado Cine Gaumont, a 400 pesos a entrada (equivalente, na época, a 2,40 reais). Mesmo sem falar espanhol (obviamente, não tinha legendas) e, com isso, perdendo algumas falas, consegui entender o contexto geral. É um filme leve, despretensioso e divertido. Valeu demais a experiência!
Extermínio: A Evolução
3.1 556 Assista Agora23 anos depois do primeiro filme, Boyle e Garland, e isso é tudo que vocês conseguiram nos entregar?
Rua Cloverfield, 10
3.5 2,0KEsse é o tipo de filme que, durante a sessão, me causa uma impressão meio neutra: nem acho muito bom, nem muito ruim. Vou só acompanhando pra ver no que vai dar.
Ao desligar a TV, minha nota seria um 3/5. Mas, conforme vou digerindo a coisa, a nota vai caindo. Quanto mais penso em 10 Cloverfield Lane, pior ele fica!
História cheia de clichê:
a tensãozinha mequetrefe da primeira tentativa de fuga – ter que abrir trocentos cadeados enquanto o bicho-papão avança em câmera lenta; o "help" escrito no vidro; a personagem tendo a maior dificuldade pra escapar de um cara e, logo em seguida, destruindo uma nave alienígena orgânica (?) como se não fosse nada, usando um coquetel molotov que surge providencialmente ali. Enfim, poucas qualidades desse filme resistem a um dia depois de ter assistido.
Vale dizer que só fui conhecer Cloverfield: Monstro agora em 2025 e achei maravilhoso! Tremenda maluquice essa sequência estar com a nota mais alta do que o primeiro.
Em Busca do Ouro
4.4 287 Assista AgoraReassisti Em Busca do Ouro depois de alguns anos e continua um ótimo filme!
Meu DVD vem com duas versões: a original, muda, com a trilha sonora de 1925; e um relançamento posterior, com adição de uma narração em off na voz do própria Chaplin, além de efeitos sonoros e trilha diferente – vale dizer que a narração não só vai contando a história, como também reproduz os diálogos dos personagens.
Dei play na versão relançada, mas logo desisti. Fica muito estranho ver uma obra concebida sem som com o acréscimo da narração. O diretor precisa falar rápido demais para acompanhar o ritmo, fazendo com que a leitura das legendas atrapalhe a apreciação das imagens. Sem contar que os recursos narrativos próprios do cinema mudo – como a atuação exagerada, concebida para driblar a ausência do som – deixam de fazer sentido, gerando redundância.
Nos extras do DVD há também um mini documentário que, entre outras, traz a informação de que o primeiro ato foi inspirado em um acontecimento real: uma expedição ficou presa no meio do nada, por conta de uma nevasca e, sem ter o que comer, o grupo foi obrigado a recorrer a seus cachorros, posteriormente a suas vestimentas de couro e, por fim, aos cadáveres dos companheiros mortos.
Chaplin pegou essa notícia e a transformou, com leveza e humor, nas engraçadas sequências dos dois mineradores na cabana – incluindo a maravilhosa transmutação do protagonista em frango.
O enredo amoroso é bem familiar: temos um casal super popular, com algumas atitudes um tanto babacas, que vive entre briguinhas e reconciliações. A garota, a fim de provocar ciúmes no outro, flerta com o pretendente mais improvável do lugar, o mais "loser". Ela, então, finge que gosta do bobalhão, brinca com os sentimentos dele, faz chacota do pobre coitado para divertimento de sua turma e, no final, os dois acabam juntos. É uma trama típica de comédia romântica adolescente dos anos 1990/2000, tornando Em Busca do Ouro precursor de todos esses filmes, já na década de 1920.
A Dança dos Pãezinhos, embora não seja criação do diretor (Roscoe Fatty Arbuckle já a havia executado em The Rough House, de 1917), entra para o rol de cenas icônicas de Charles Chaplin.
Outro elemento não original, mas que rendeu bons momentos aqui, é a ideia da cabana que se desloca no espaço, levada pelo vento. Para quem conhece a história de O Mágico de Oz, isso não é novidade.
Agora, para não dizer que tudo são flores, algo que me incomodou nessa revisita a The Gold Rush (e que tinha passado despercebido da primeira vez) é o modo como é negado à personagem feminina principal qualquer poder de escolha.
Voltando à comparação com as comédias românticas adolescentes, uma diferença fundamental de roteiro é que, aqui, o protagonista nunca chega a descobrir que foi feito de trouxa por sua amada. Sendo assim, baseado no bilhete que recebe por engano – originalmente endereçado a Jack –, o Minerador Solitário passa a acreditar que Georgia corresponde a seu amor.
Embora a moça se mostre arrependida de ter zombado dele e, no final, já no navio, se ofereça para pagar sua passagem, sem saber que ele enriqueceu, em momento algum a vemos demonstrar qualquer sentimento para além da compaixão. Nada no filme nos diz que ela se apaixonou por aquele homenzinho peculiar. A partir do reencontro dos dois, Georgia apenas se deixa levar, demonstrando, em seu rosto, nem compreender muito bem o que se passa. Seu destino está além de seu desejo, pois ela, ali, deixa de ser um indivíduo, com vontade própria, e se transforma em um prêmio para o protagonista – que, além da fortuna possibilitada pela descoberta do ouro, ganha também a mão da donzela.
São Paulo Sociedade Anônima
4.2 207São Paulo: a locomotiva que move o Brasil.
Seu combustível: brutal exploração da classe operária, corrupção, acordos fraudulentos, apropriação de dinheiro público pela burguesia industrial emergente e alienação da classe média.
Obra-prima do cinema nacional! E que montagem sofisticada! Demorei um pouco para me situar na história, confundi personagens, achei que Hilda fosse Luciana, me perdi na cronologia. Senti um pouco da confusão caótica da metrópole, com seu ritmo frenético de desenvolvimento a todo custo. A forma conduzindo o sentido. Lindo de se ver!
Carlos é um personagem muito peculiar. Um cara amargo, ranzinza, péssima companhia para se ter por perto. Chatão de galochas completo! Reclama de todos ao seu redor, trata todo mundo mal. Um nojo de pessoa. Ainda assim, é a figura com mais sensibilidade diante da falta de sentido daquela vidinha medíocre pequeno-burguesa. Ainda que não consiga por em palavras o que sente, ele sabe que há em seu peito uma angústia profunda e permanente.
No final, assim como a criança de foge de casa por ter levado bronca, mas volta antes de anoitecer, o protagonista empreende uma fuga que não dura mais do que 24 horas. E sem grandes consequências. O casamento pode ser retomado, já que Luciana conhece o traste com quem se casou, mas preza pela fachada de família modelo. O carro roubado, se descoberto, pode ser tomado como um capricho de playboy, ao invés de, necessariamente, um crime (aposto que Arturo, acionando sua rede de influências, não teria grande dificuldade em conseguir livrá-lo da cadeia).
O adeus de Carlos é mera rebeldia passageira. Válvula de escape de seu espírito conformista. Passada a adrenalina, tudo volta a seu lugar.
Afinal, a Locomotiva São Paulo S/A não pode parar.
Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar
4.3 215Pegue a frase “Estou Me Guardando Para Quando o Carnaval Chegar”, tire toda a sua poesia e deixe apenas a informação. O resultado é o título do filme em inglês: “Waiting for the Carnival”.
É triste ver uma sociedade inteira completamente seduzida pelo canto da sereia do empreendedorismo. Vendem a essas pessoas a ideia de trabalhar por conta, em alguns casos na própria casa, sem ter que obedecer a patrão, bater ponto ou cumprir horário fixo, podendo produzir o quanto quiser por dia. Ser um trabalhador autônomo. Livre para decidir como quer trabalhar.
Vendem isso e entregam altos níveis de precarização. A ausência de patrão vem acompanhada da ausência de qualquer direito trabalhista. Os que trabalham em casa tem que arcar com os custos de energia elétrica e manutenção dos equipamentos. Podem decidir seus horários e o quanto querem produzir por dia, mas, seguindo a lógica de “quanto mais se produz, mais se ganha”, dedicam 14/15/16 horas por dia para poder tirar seu sustento. Ainda assim, para muita gente, não é o suficiente para bancar alguns dias de lazer durante o carnaval. Lazer esse não só desejado, mas justificadamente necessário, para que não enlouqueçam em uma vida em que só se trabalha e nunca se aproveita.
E quem pode culpá-los por defenderem esse modelo? Em uma sociedade que traz ainda tão latente em seu imaginário a herança da escravidão, normalizamos a ideia de que aqueles que empregam detêm plenos poderes sobre os empregados. Quem nunca sofreu algum tipo de humilhação no trabalho? Quem nunca ouviu elogios sobre algum patrão por este não fazer mais do que sua obrigação: ser uma pessoa minimamente decente e respeitosa? Junte-se a isso a influência dos coaches de empreendedorismo e o resultado é um solo fértil para a agenda neoliberal fincar raízes.
Gostei de como o diretor se abstém de formular conclusões sobre o que os entrevistados falam, deixando a cargo dos espectadores perceber a violenta contradição daquele regime de trabalho tão desumano.
O documentário apenas perde um pouco de sua força ao optar por um enfoque exagerado em Léo – mesmo sendo uma figura bem interessante, não consegui enxergá-lo como protagonista da história recente de Toritama.
Casamento ou Luxo?
3.9 33 Assista AgoraEm seu segundo longa-metragem, Chaplin decide não fazer parte do elenco – e deixa isso bem claro para o público por meio de uma inusitada mensagem logo no início do filme, acrescentando, ainda, que se trata de seu primeiro drama sério (me pergunto se, na época, algum desavisado chegou a pedir o dinheiro do ingresso de volta, alegando que tinha ido ao cinema não só para ver seu ator favorito na tela, como também para vê-lo fazendo comédia).
O enredo é simples: Marie e Jean, dois jovens apaixonados, decidem sair de casa e se mudar para a cidade grande a fim de se casarem e constituírem família longe da desaprovação de seus pais. Um acontecimento trágico impede o rapaz de se encontrar com a moça, e esta, desiludida, resolve ir embora sozinha. Um ano depois eles se reencontram, vivendo vidas completamente diferentes da que viviam (ela, sobretudo), e o antigo amor dá sinais de querer voltar a florescer.
De início, algo que enfraquece um pouco a história é a passagem do tempo entre o primeiro e o segundo ato. Afinal, doze meses parecem pouco para a transformação de Marie, de moça pobre com apenas a roupa do corpo para concubina do solteiro mais rico de Paris, ao mesmo tempo em que esse período não me parece longo o bastante para dar o peso necessário ao reencontro dela com Jean.
Casamento ou Luxo tem vários pontos interessantes, para além dos encontros e desencontros dos personagens principais.
Há uma inversão de papeis sociais entre Marie e Jean: nas cenas iniciais, vemos que a casa dela é bem mais modesta que a dele; já em Paris, enquanto a jovem vive em um apartamento luxuoso – inclusive com empregadas –, o rapaz mora em um espaço pequeno e humilde – onde não consegue encontrar um guardanapo sequer que não esteja furado.
Não fica claro por que o pai de Jean desaprovava o casamento, mas a diferença de classe entre as duas famílias poderia ser o motivo. Posteriormente, quando Marie ressurge visivelmente em situação financeira confortável, o que entra em cena, por parte da mãe, é o moralismo: a velha rejeita o relacionamento do filho por não considerar sua amada digna dele.
Na agitação das festas dos habitantes endinheirados da capital francesa um pequeno detalhe chama a atenção: uma bela mulher é lentamente despida do longo tecido branco que envolve seu corpo, para divertimento de uma plateia que bebe, ri e aplaude. Entre as moças do grupo, vemos uma ajeitar um monóculo no rosto para admirar melhor a modelo, e seu rosto transparece inegável desejo pela outra. Um lampejo de representatividade lésbica no cinema da década de 1920? Me parece que sim.
Bem menos sutis são as expressões faciais da massagista que atende Marie em seu apartamento enquanto esta fofoca com suas “amigas”. Sendo obrigada a presenciar a falsidade com que as moças se tratam e ouvir sobre o mundinho de jantares e roupas bonitas em que elas vivem, sua única reação possível é a desaprovação no olhar. E o rosto da mulher, mostrado em sucessivos closes, confere ao drama sério de Chaplin um de seus melhores momentos (inclusive, um dos poucos momentos cômicos).
O namorado/mantenedor da protagonista, o ricaço Pierre, com sua personalidade meio cafajeste-simpático, é uma das figuras mais interessantes do filme. Ao descobrir que sua teúda e manteúda está, supostamente, tendo um caso com outro homem, ele não se mostra ciumento ou possessivo – o que, infelizmente, não seria estranho para os dias de hoje, quem dirá para aquela época. Mas não, ele apenas acha graça e ainda aconselha a moça a ter cuidado com quem se envolve.
Pierre ainda é usado para exemplificar duas visões possíveis sobre o matrimônio.
Por uma manchete de jornal ficamos sabendo que ele está noivo de uma jovem rica, e que o enlace representa a união das duas maiores fortunas do país. Tal fato, de maneira alguma, o impede de ter amantes. Casar-se, para ele, significa apenas consolidar uma relação de negócios.
Em outra ocasião, quando Marie diz que quer romper com o namorado para se unir a Jean, aquele a chama até a janela e lhe dá uma amostra do que isso significa para quem não é abastado como ele – mostra-lhe uma família que passa na rua lá embaixo: o marido, carrancudo, andando apressado na frente; a espoca, com a infelicidade estampada no rosto, vem logo atrás, esforçando-se para manter as crianças junto se si.
O filme, assim, parece querer apresentar o casamento como uma instituição falida. A burguesia se casa para perpetuar fortunas e manter aparências. A classe trabalhadora o faz para sobreviver. Em nenhum dos casos há felicidade, apenas conveniência.
Uma das cenas mais bem construídas da obra é a do suicídio de Jean, após ser rejeitado por Marie e humilhado por Pierre. O ímpeto inicial de tirar a vida do rival (ou, talvez, da moça, senão de ambos) transforma-se em desejo de morrer. E, na antessala de um restaurante, que delimita até onde ele pode chegar não sendo membro ou convidado da classe alta – sala esta que, ainda que seja apenas um cômodo preliminar, é grande o bastante para fazê-lo parecer tão pequeno e impotente –, o rapaz atira em si mesmo, tombando ao lado de uma bela e indiferente estátua.
Após a morte de Jean e, passado algum tempo, vemos o desfecho do filme com Marie reconciliada com a mãe de seu antigo amor, ambas dividindo uma casa no interior do país e cuidando de crianças órfãs – aparentemente adotadas por elas.
É um final que, se por um lado é conservador ao nos dizer que a protagonista só encontra a verdadeira felicidade quando abandona sua vida de luxo e concubinato e abraça a maternidade, por outro é um tanto fora da curva, ao colocar a heroína criando seus filhos não com um homem, mas com outra mulher (aqui, é preciso dizer, sem qualquer aceno aparente à representatividade lésbica, como dito anteriormente sobre a garota com o binóculo).
Algumas curiosidades:
* Chaplin situou sua história em Paris para não melindrar os brios puritanos dos espectadores estadunidenses com toda a representação de boemia e relações extraconjugais presentes na obra. Mesmo assim, Casamento ou Luxo não foi muito bem recebido, nem pela crítica nem pelo público.
* Por uma escolha estratégica do diretor, todas as cenas foram filmadas na mesma ordem em que aparecem no filme. E ainda que isso tenha encarecido o projeto, vale lembrar que ele era um dos donos da empresa responsável pela produção.
Oeste Outra Vez
3.7 99 Assista AgoraQuem é Sergio Leone perto de Erico Rassi?
Quem é Clint Eastwood perto de Rodger Rogério?
Brincadeiras ufanistas à parte, que filmaço é Oeste Outra Vez!
Em um mundo sem mulheres, os homens são todos patéticos.
Tratam-se com cortesia, mas não conseguem falar sobre o que sentem. Empunham armas, mas erram o alvo. Apontam o taco, mas não acertam a bola. Só a cachaça é que vai certeira da garrafa para o copo e deste para a goela.
Na aridez da paisagem e dos corações, onde as mulheres são desejadas, mas nunca alcançadas, só o que resta a esses homens é a companhia deles mesmos, com sua cordialidade vazia e sua violência sem sentido.
Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio
3.7 1,5K Assista AgoraNem sempre é uma boa ideia revisitar nossos filmes favoritos da adolescência. A gente corre o risco de vê-los perder o encanto.
Evil Dead continua um filme interessante. É bem legal ver os lugares inusitados onde Sam Raimi posiciona sua câmera para criar as cenas. Os efeitos práticos, inclusive com stop-motion – coisa que eu não lembrava –, merecem todo o crédito.
O roteiro abraça de forma muito honesta um descompromisso total com o estabelecimento de regras sobre como os demônios operam: a namorada de Ash é possuída a partir do lápis enfiado no pé, enquanto ele mesmo é ferido várias vezes e de várias maneiras e nada acontece; a velocidade com que os personagens se transformam varia de acordo com a conveniência, assim como o uso que fazem de sua superforça.
Mas, no geral, o clássico cult de 1981 já não me empolga mais como antigamente.
(diga-se de passagem, no auge dos meus 15/16 anos eu sentia medo real de algumas cenas – em especial da versão endemoniada da Linda sentada no chão se balançado e falando com voz de criança)
Para além de eu ter achado bem menos divertido do que costumava achar, o desencanto se dá também pela percepção que tenho hoje em dia do sexismo latente no filme. A cena do estupro na floresta é bem difícil de defender. Hoje percebo o quanto ela é fetichizada e feita, ao que parece, com o único propósito de excitar o olhar masculino.
Difícil sustentar o argumento de que foi um artifício usado na trama como forma de explorar uma das possíveis nuances do horror. Vale lembrar que Scott também sai sozinho lá fora e, assim como Cheryl, é atacado pelas árvores, voltando depois pra cabana todo machucado. Alguém vai dizer que ele também foi violentado? Claro que não!
Outro ponto que me incomodou nessa reassistida foi a quantidade de vezes em que Ash é mostrado batendo em Linda. E ainda que na história aquele ser já não seja mais sua namorada, o que vemos em tela é, de forma gráfica, um homem agredindo uma mulher, em uma encenação que não teve o cuidado de se fazer um pouco mais sutil a fim de amenizar o resultado final.
Essas críticas não me fazem abominar o filme; tenho consciência de que estou colocando um olhar de 2025 sobre uma obra com mais de quatro décadas de existência, produzida em outro momento histórico, com outra visão de mundo.
Mas por não conseguir (e nem querer) relevar essas questões, The Evil Dead simplesmente perdeu pontos comigo.
Por último, outra velha lembrança que tenho da adolescência é de ver a apresentadora de um programa de TV de filmes de terror (provavelmente o Cine Sinistro da Band) anunciando a próxima atração pelo título brasileiro "A Morte do Demônio" e explicando que esse nome não fazia sentido, já que o demônio, no final, termina bem vivo.
Era spoiler na cara do espectador... e ninguém ligava.
Curiosidade: a cena em que Ash toca um espelho e este se liquefaz foi reaproveitada por Sam Raimi em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura.
Emilia Pérez
2.4 483 Assista AgoraNão me lembro quando foi a última vez que assisti a um filme tão ruim quanto este lixão atômico chamado Emilia Pérez.
Tudo é da mais baixa qualidade.
Os números musicais são terríveis, ninguém canta minimamente afinado e as letras das músicas parecem ter sido escritas por inteligência artificial. Tremendo mau gosto na cena da clínica em Bangkok. O espanhol falado pelo elenco é sofrível e isso deixa as atuações ainda mais porcas.
O enredo é dos mais mequetrefes. Dei risada em vários momentos no cinema e vale lembrar que o filme não se propõe a ser cômico.
As 13 indicações dessa bomba ao Oscar são um ultraje! Não é possível!
Um dia ainda vai ser revelado que esse foi o maior caso de corrupção da história da indústria cinematográfica.
Minority Report: A Nova Lei
3.7 761 Assista AgoraLembro que citei esse filme em um trabalho da faculdade de Letras. Precisávamos escrever um texto sobre a legalização das drogas, argumentando contra ou a favor.
Meu ponto foi que o único problema que o consumo necessariamente provoca é a deterioração da saúde do usuário – e isso é entre ele e seu próprio corpo. Qualquer dano secundário que o usuário possa causar à sociedade é hipotético: ele pode se tornar violento, pode cometer crimes, pode negligenciar outras pessoas que dependem de si, mas também pode não fazer nada disso e viver sua vida sem atrapalhar ninguém.
Assim, a punição (proibição) antes de qualquer mal ser causado seria equiparável – guardadas, obviamente, as devidas proporções – às prisões que acontecem no filme por crimes ainda não praticados.
A avaliação do professor foi apenas sobre nosso desempenho argumentativo, sem entrar no mérito da validade de nossos argumentos. No final, tirei uma boa nota.
Hayao Miyazaki e a Garça
4.6 19 Assista AgoraO Menino e a Garça se torna outro filme depois deste documentário.
Minha leitura inicial era que o autor se colocava na história por meio da figura do tio-trisavô: um idoso, responsável pelo vasto universo que criou, vivendo o dilema de não ter alguém para quem deixar o legado de sua criação (e no caldeirão dessa interpretação eu misturava a relação conturbada de Miyazaki com seu filho também cineasta).
Aí descubro que o gênio da animação japonesa se vê, na verdade, como Mahito, o protagonista adolescente, e que o tio-trisavô faz referência a seu falecido amigo/mentor/rival Isao Takahata, o Pak-san.
E outras ligações biográficas vêm como bônus: o produtor Toshio Suzuki é retratado como a garça do título e a colorista Michiyo Yasuda, a quem o diretor chama de Yacchin, serve de inspiração para a personagem Kiriko – na história, inclusive, quando Mahito e a versão jovem de Kiriko se separam, o menino pergunta se eles ainda irão se encontrar de novo; sabendo que Yacchin faleceu durante a produção do longa, a cena adquire um tremendo peso emocional.
O luto, aliás, permeia todo o processo de confecção do filme. Amigos e companheiros de profissão vão morrendo um após o outro, tornando o trabalho de Miyazaki cada vez mais pesado e doloroso, levando-o a buscar refúgio da dureza do mundo real em seus infinitos mundos imaginários.
Vale destacar o esmero na montagem do documentário.
O tempo todo, a edição pega algum momento trivial do dia a dia ou alguma frase dita ao acaso pelos entrevistados e faz paralelos visuais com as produções do Studio Ghibli. Seja uma caminhada às margens de um curso d’água ou a afirmação de Suzuki de que o diretor se alimenta da energia das pessoas ao seu redor para poder criar, tudo se conecta com cenas dos filmes.
Indicado para qualquer um que goste não só de O Menino e a Garça, mas das obras em geral do grande Hayao Miyazaki.
Fiquemos na torcida para que o velhinho ainda tenha fôlego para, pelo menos, mais um filme. Uma mente tão brilhante não deveria ter que se sujeitar ao mesmo tempo de vida que nós, meros mortais.
Vida longa, mestre!
Por último,
não posso deixar de comentar a fofura daquelas crianças que vão ao estúdio em busca de jujubas. “Trabalhe bastante hoje!” ♥
Drácula: Morto mas Feliz
3.2 217— Children of the night. What a mess they make!
— But, Lucy, I'm British!
— So are these!
Não é a melhor das comédias estreladas por Leslie Nielsen, mas tem alguns bons momentos engraçados, como na cena da dança.
Fica bem mais divertido se você já tiver assistido o Drácula de 1931, estrelado por Bela Lugosi, pois "Morto mas Feliz" é uma paródia daquele – inclusive com cenas idênticas.
(eu, no caso, fiz a ordem inversa)
Vale destacar o final, o jeito como Drácula é derrotado, que achei bem criativo – ao contrário do final do original que, diga-se de passagem, é bem ruinzinho.
A Filha de Drácula
3.3 26 Assista AgoraAssim como Bela Lugosi no filme anterior, Gloria Holden entrega uma atuação muito boa no papel de Condessa Zaleska, com seus olhares penetrantes e angustiados. Mas, apesar disso, A Filha de Drácula me pegou tanto quanto seu antecessor, ou seja, não muito.
Eu tinha detestado o final, até assistir a este vídeo:
www.youtube.com/watch?v=MdWJ2tkcldQ
(compartilhado abaixo pelo perfil CINEMAQUILES)
Trata-se de uma explicação interessante para que
a morte da condessa se dê pelas mãos de seu servo e não pelas do Dr. Garth.
Ok, aceito o autor do crime, embora a ferramenta utilizada continue me incomodando. Desculpa, mas
FLECHA NÃO É ESTACA! rs
A rejeição de Zaleska por sua condição de vampira como metáfora para a homossexualidade reprimida foi algo que me passou completamente despercebido durante o filme. Este outro vídeo fala um pouco mais sobre isso (e também sobre o famigerado Código Hays):
www.youtube.com/watch?v=greE16U721M
(basta ativar a tradução automática na legenda que dá pra entender bem)
Drácula
3.8 310 Assista AgoraO Drácula de Bela Lugosi talvez seja a versão mais conhecida do vampiro de Bram Stoker no cinema. Seu olhar hipnotizante, com o jogo de luz & sombra, é muito icônico.
Mas mesmo gostando de filmes antigos (e tendo certa facilidade para apreciá-los), este aqui não conseguiu me pegar. Achei o começo até interessante, mas o desenrolar foi ficando cada vez mais sem-graça, culminando naquele final terrível.
O filme parece muito "censurado":
não vemos os dentes do vampiro, não vemos ele mordendo as vítimas, não vemos as marcas no pescoço de Mina quando seu lenço é retirado.
Alguns acontecimentos são mostrados de forma tão sutil que me pergunto se ficam claros para quem não conhece a história de antemão
– a conversão de Renfield em servo do conde; a morte de Lucy; Van Helsing usando um crucifixo para impedir que Mina ataque o noivo.
Para não ficar só nas críticas, vale dizer que gostei bastante dos morceguinhos e da atuação de Dwight Frye como Renfield. Aliás, a cena
dele engatinhando para atacar a empregada
No final, o modo
como o protagonista é derrotado (e morto) é de uma falta de criatividade gigantesca: ele se tranca em um cômodo que é facilmente aberto por seus perseguidores e, segundos depois, já está dormindinho em seu caixão, só esperando a estaca de Van Helsing. Não pude deixar de fazer a comparação com o final maravilhoso (e trágico) do Nosferatu de Murnau.
Por fim, o que achei muito curioso é a ausência de trilha sonora (com exceção do Lago dos Cisnes nos créditos iniciais). Como vi poucos filmes do período entre o final dos anos 1920 e começo dos 1930, quando houve a transição do cinema mudo para o falado, não sei dizer se se trata de algo característico da época.
Blade: O Caçador de Vampiros
3.2 393 Assista AgoraReassisti depois de milhões de anos e me surpreendi positivamente.
Embora a história não seja lá grande coisa e os efeitos especiais sejam tenebrosos – não só por terem envelhecido mal, mas também por baixo orçamento –, esse filme tem um charme, uma classe, uma beleza que não sei muito bem como definir, mas que me agrada bastante.
O que ele tem de ruim é bem menor do que o que tem de bom.
Blade e a Dra. Karen tem uma química absurda! A cena dele sugando o sangue dela ficou muito mais sexy do que se eles tivessem, de fato, tido uma relação sexual.
Pensando agora, o trabalho de Wesley Snipes aqui foi pioneiro entre os filmes de super-heróis dos quadrinhos: antes de Homem-Aranha, X-Men, Quarteto, Demolidor, Batman do Nolan, Bladão já estava lá!
O visual do personagem é estiloso demais! Fico imaginando o quanto não fazia bem para a autoestima da molecada negra da época poder ver um protagonista tão foda assim.
A trilha-sonora eletrônica é pra ficar por dias no fone de ouvido.
O Conformista
4.1 92 Assista AgoraComposição visual das mais exuberantes que já vi. [2]
A câmera de Bertolucci é tão sofisticada que nem me sinto com bagagem suficiente para absorvê-la por completo. A cena do sanatório é linda demais!
Tipos de Gentileza
3.2 246"Tipos de Gentileza", até agora, foi meu Yorgos menos favorito (entre Pobres Criaturas, Cervo Sagrado, Favorita e Lagosta), mas ainda assim é um bom filme.
Venho gostando cada vez mais das atuações do Jesse Plemons.
Dafoe nos papéis malucões de sempre – maravilhoso!
Emma Stone na famosa cena da dancinha no estacionamento <3
GIRLFRIENDS AND GIRLFRIENDS
3.0 8Então é assim que funciona o famoso Rebuceteio? rs.
"A Amiga da Minha Amiga" é bem divertido e despretensioso, e muito legal para conhecer alguns pop rocks espanhóis.
O Pântano
3.8 100 Assista AgoraO som desse filme é um personagem à parte: cachorro latindo, criança gritando, tiros na selva, telefone que toca, mosca voando. Tudo contribui para ir criando um estado de constante irritação e incômodo. Sem falar na sujeira latente da casa, dos personagens, daquela piscina nojenta!
Um belo retrato de uma parcela da sociedade argentina, escancarando a contradição de seus preconceitos.
Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos
4.0 561 Assista AgoraMeu deus, que novelão maravilhoso! <3
O Sequestro do Voo 375
3.8 224 Assista AgoraFilme incrível, que satisfação poder conferir uma obra nacional tão empolgante na telona!
Tirando algumas cenas (rápidas) em que os efeitos ficaram zuadinhos, todo o restante é ótimo! Para mim, o ápice é quando
o piloto faz o avião cair de bico pra baixo: aquele momento de suspensão da gravidade – intensificado pela pausa no som – fez eu me sentir dentro do filme.
Napoleão
3.1 369Este filme seria tão mais potente se fosse falado em francês! Não que o elenco principal precisasse se tornar fluente, mas um intensivão para, pelo menos, decorar as falas, acho que não custava nada, né?
Napoleão arrotando nacionalismo o tempo todo, uniforme com bandeira da França enrolada na cintura... E o que ouvimos? O famigerado inglês, mesmo idioma do principal inimigo militar de Bonaparte: a Inglaterra.
Outra coisa que me incomodou é que, na primeira metade do filme, fica difícil aceitar que um ator visivelmente de meia-idade está interpretando um homem de 20 e poucos anos (o cara se tornou general aos 24!). Essa questão da precocidade, que acredito ser algo importante quando pensamos na vida do líder francês, é algo que se perde por conta disso.
Para não ficar só nas críticas, gostei bastante das cenas de batalhas, todas muito bem construídas por Ridley Scott.
El Duelo
3.2 2uma viagem a Buenos Aires, assisti esse filme em um cinema de rua chamado Cine Gaumont, a 400 pesos a entrada (equivalente, na época, a 2,40 reais).
Mesmo sem falar espanhol (obviamente, não tinha legendas) e, com isso, perdendo algumas falas, consegui entender o contexto geral. É um filme leve, despretensioso e divertido. Valeu demais a experiência!
El Camino: Um Filme de Breaking Bad
3.7 853Quero pensar que,
depois de ir pro Alasca, o Jesse enfim conseguiu ser feliz e viver em paz, com esposa, filhos, dois cachorros e um gato.