Promising Young Woman é uma falha curiosa. É um filme que tenta abordar o difícil tema da cultura de estupro com a delicadeza de nunca ficar difícil de assistir, pelo menos não perturbador num nível que não seja conceitual, fluindo como uma dark comedy.
Mas erra em cheio exatamente no tom conciliador. É humoroso demais para ser sério, e sério demais para ser humoroso. Como resultado, fica um filme de proposta confusa que não tem coragem para encarar os riscos que sugere que vai tomar.
O filme começa dando dicas de ser uma revenge fantasy, onde a protagonista Cassie tem um plano sociopata para se vingar de cada homem que toma vantagens sobre mulheres bêbadas em clubes. Entretanto, o payback absurdista violento tarantinesco nunca vem, com os encontros terminando numa anticlimática, decepcionante lição moral nos agressores, que observam chocados a militância de Cassie.
O que quebra a imersão, Cassie dá lições sermões em predadores, sozinha com eles em espaços vazios, em uma cena até destruindo o carro de um redneck que parece violento. É um realismo mágico? Uma metáfora em linguagem de sonho? Pois, na vida real, a mulher que fizesse isso ia acabar no mínimo com um olho roxo. No filme, os homens fogem assustados.
Então tudo bem, Promising Young Woman seria uma crítica séria, com pés no chão? Também não funciona com a bizarrice tonal atrapalhando qualquer crítica construtiva sobre a cultura de estupro. É estranho que os planos sociopatas de Cassie funcionam justamente com mulheres, com o filme celebrando vitórias sádicas e justiceiras dela, que chega a ameaçar a filha inocente de outra mulher. A vingança 3 encontra o perdão do homem arrependido, a vingança 4 encontra a morte de Cassie, finalmente encarando o feminicídio que é a primeira coisa realista que acontece no filme.
Isso tudo é uma crítica irônica pós-moderna auto-consciente bla bla bla? É impossível dizer, não porque Promising Young Woman é sutil, sofisticado ou propositalmente ambíguo, mas porque ele realiza um double-talking, buscando fazer mais de um discurso de uma vez e não conseguindo nenhum, as lições sobre cultura de estupro ficando incrivelmente superficiais (feminismo 101 de twitter) e o filme até mesmo sugerindo entrar no território de autoparódia.
A cena no mercado com Paris Hilton tocando é exemplo: é a estupidez da paródia de encontrar o homem ideal, como parte da audiência achou, ou um momento romântico pra millenials que passaram dos 30 e cresceram com guilty pleasures se projetarem, como a outra parte achou?
Promising Young Woman tenta ter tudo ao mesmo tempo e vai pra casa de mãos vazias, mas é um filme confuso que não deixa de ser provocador, uma bagunça que pelo menos nunca fica chata.
Judas and the Black Messiah é um filme de informante, mas com pouco foco no suspense do infiltrado ser potencialmente capturado, e sim em como a jornada emocional do seu protagonista funciona como perfeito microcosmo de um quadro maior.
E William O'Neal (Lakeith Stanfield, criminosamente indicado a Melhor Ator Coadjuvante) é um homem pego no meio de uma situação. Um low-life aparentemente desinteressado em políticas, vira uma peça de xadrez fundamental na luta do FBI racista, genocida de Edgar Hoover (Martin Sheen, ativista, caprichou no quão evil Hoover ficou) contra o grupo revolucionário Black Panthers.
O'Neal se envolve ideologicamente e afetivamente com o grupo, mas completa seu serviço para o FBI, que graças a sua ajuda criminosamente assassina Fred Hampton. Stanfield é inesquecível: O'Neal nunca é muito expressivo, com mesmo suas contestações a Roy Mitchell (atuado pela versão feia do Matt Damon), pouco articuladas, em uma atuação física que diz mais com o desespero do olhar.
O lado do filme que conta a história dos Black Panthers é didático, preciso. Daniel Kaluuya é brilhante na pele de Hampton, colocando em tela o vigor revolucionário que fez a figura ser chamada de messias. Sua esposa, revolucionária Deborah Jones, e outros integrantes dos panteras são todos trazidos a vida como pessoas reais, de anseios humanos perante à violenta situação maior.
2 horas compartilhadas com outro personagem principal pode ser pouco para trazer a complexidade de uma figura como Fred Hampton à tela, mas Kaluuya e o roteiro trazem a urgência adequada. O filme é bem dirigido. Alternando os pontos de vista - panteras, informantes, fbi - Judas and the Black Messiah tem valor histórico, dramatização coerente para introduzir a história da traição/assassinato de Hampton, em 1969, para novas gerações.
Os dois homens no centro são contrapontos: Hampton é um homem disposto a morrer pela sua raça, O'Neal é disposto a sacrificar sua raça para sobreviver. O'Neal, tirando no título, nunca é vilanizado, tratado com um pathos generoso de figura complexa, também uma vítima do genocídio racial. Para mim, a informação no pós-filme foi a parte mais devastadora.
Este filme tem uma grande direção, cenas impressionantes e todo ator é muito talentoso, especialmente o Norton É um excelente filme mas poderia ser um clássico; a edição parece apressada e obtusa. O filme tem uma estrutura estranha, com enormes flashbacks no meio e a história mais interessante que parece que vai desenvolver no começo do filme acaba indo para caminhos abreviados. As motivações do Derek são explicadas, mas quase que num improviso tipo aquela rápida cena com o pai dele num flashback; apesar da amizade na cadeia ser marcante, o caminho para ele deixar de ser um skinhead também é pouco desenvolvido. O final é espetacular cinematograficamente e pesado, mas também parece um pouco repentino. O diretor Tony Kaye brigou com o Norton e a produção o filme todo, com ele eventualmente saindo (e pedindo para tirar seus créditos - não foi atendido). O próprio Norton fez a edição final, que parece remendar um trabalho incompleto - tenho impressão que no projeto original, deveriam ter menos flashbacks e mais desenvolvimento daqueles grupos neonazistas com aquele escritor supremacista que eles protegem; provavelmente o plot giraria entorno do Derek voltar infiltrado para ajudar o policial e o professor, como eles pedem no fim? Seria demais! No filme acabam que várias cenas são como band-aids pro roteiro não andar, e aí as conclusões chegam apressadas.
Ainda é um grande filme, quando você dá play ele voa porque cena a cena ele é provocador, mas é difícil não imaginar o clássico que poderia ser.
The Dead Zone – lançado como Na Hora da Zona Morta no Brasil – é uma joia do cinema B. Como Roger Ebert argumenta e tantos episódios de Arquivo X também mostram, algumas das melhores histórias paranormais são aquelas que nos fazem justamente esquecer o paranormal, tão capazes de envolver a audiência com dilemas pessoais e atmosfera.
Com a premissa comum envolvendo um personagem que, após um acidente quase fatal, ganha capacidades psiquícas de prever o futuro, o filme é elevado pelo drama existencial de Johnny, seu personagem principal: ele pode ter ganhado o famigerado “dom/maldição” da premonição, mas nos 5 anos de coma, perdeu tudo – sua namorada casou com outro, suas pernas não funcionam mais, sua mãe logo morre e seu emprego como professor de literatura também se foi.
The Dead Zone é um drama sobre um indivíduo que, congelado no tempo, perde a andada do mundo. A grande atuação de Christopher Walken dá enorme pathos a história: ele humaniza o atormentado personagem, mas mesmo despertando pena, de forma alguma vira um misery porn. Como um bom filme de gênero de baixo orçamento (de 1h30min), o enredo se move pela curiosidade, cada esquina uma nova parábola pessoal envolvendo suas misteriosas novas capacidades.
Walken não é o único grande talento envolvido, o filme inteiro está em boas mãos – David Cronenberg capricha na sua direção mais convencional, uma dos poucos sem tentáculos e parasitas (um bizarro suicídio é o único toque com a cara do diretor); legendária produtora de horror Debra Hill está no barco; Stephen King, autor do livro, ficou satisfeito com as mudanças de Jeffrey Boam no roteiro (apesar de subestimado, vez ou outra o filme é lembrado como das boas adaptações de King); o grande Martin Sheen ainda aparece no ato final com um memorável vilão.
Charmoso, atmosférico e carregado pelo pathos do seu personagem principal, The Dead Zone tem foco: bem editadas direção e roteiro são sutis, colocando o necessário na tela com clareza. A curta e recompensadora jornada termina no climáx com minutos finais poderosos.
Um icônico filme B de muitas formas, Cães de Aluguel é uma história hilária e ultraviolenta de uma locação só, conduzida por uma linguagem sensacionalista e por grandes atuações de um elenco de excelentes de antes e depois.
A violência e o teor racial de tantos diálogos foi mais chocante em 1992 do que é hoje, e o filme tem muitas características que seriam virtudes da carreira do Tarantino: o diálogo é hilário e descompromissado, mas não o suficiente para o filme virar uma comédia - ou seja, nunca sacrifica a tensão dos momentos de thriller. Homenagens a cultura pop em menções a música negra, séries de televisão antiga e outros filmes também aparecem.
Uma produção de baixo orçamento, acaba cedo demais, justo quando você pega o gosto pelas articulações dos personagens excêntricos. Fica o gosto de querer mais, e de muitas formas o diretor entrega no filme seguinte.
Anos depois, com superexposições do diretor que virou uma celebridade entrevistas, fica notável que todo personagem em Reservoir Dogs ou Pulp Fiction soa como uma versão exagerada do próprio Tarantino (o melhor de todos, Jackie Brown, foi um roteiro adaptado), o que sugere que o mesmo seja afinal um escritor limitado, baseado em gimmicks - seus filmes funcionando mais como esquetes noir do que como as obras profundas que o culto de personalidade sugerem. Mas dentro dessas concessões, ele é ainda é divertido demais e em 1992 não havia nada igual a Reservoir Dogs.
Eu amei esse filme. O formato e o tom é bem Disney, mas a roupagem das melodias e a entrega dos personagens é diferente - provavelmente pelo tanto talento mexicano por trás da produção. As músicas são discretas, mas o plot importa mais e trata de forma delicada e bondosa questões pesadas como morte e memória - apesar de ser diferente por ser completamente sinistro, me lembrou A Viagem de Chihiro pois contempla o espaço metafísico que pertence aos que já foram. É um filme cerebral, hilário e com ambientes deslumbrantes, água fresca depois de tanto reino nesses filmes. Eu não sou o público alvo de animações e gostei muito.
Com uma proposta espetacular e episódios que rapidamente apresentam um enredo urgente e repleto de tensão, a primeira temporada de 24, embora revolucionária quando saiu (não havia nada na tevê aberta tão serializado), envelheceu um pouco mal. Especialmente após a resolução do arco do Gaines (nos 12 primeiros episódios), ela destrilha um pouco até os acontecimentos bombásticos dos dois últimos episódios. Acontece que, com o 11 de Setembro, ninguém esperava que os 12 episódios iniciais seriam renovados para mais 12 "horas" fechando o dia... a escrita foi improvisada e os plots da Kim/Teri, da família do Palmer e etc são bem fracos em relação ao do Bauer. E é estranho ver o Bauer com a corda no pescoço, não o bad-ass das próximas temporadas.
Mas só os acontecimentos dos dois episódios finais já fazem valer a pena assistir. Na cena final da temporada, o Jack Bauer com a alma ferida enfim está moldado. A série ficaria muito melhor nos anos seguintes, onde plots ação-B de terroristas do Leste Europeu seriam substituídos por uma série de relações políticas com acontecimentos do mundo real nos anos 2000.
É estranho que esse filme por um tempo teve uma reputação infame, sendo quase esquecido na discussão de épicos de Hollywood de ficção científica, ofuscados por alguns recentes bem inferiores (ou alguns antigos que envelheceram bem mais mau).
Comandado por uma atuação inesquecível da Jodie Foster, Contato revela informações aos poucos, começando minimalista como um thriller extraterrestre estilo Arquivo X, finalizando com viagens interdimensionais buscando o significado sobre tudo, estilo algum livro do Arthur C Clarke.
Mas é dum livro do Carl Seagan que é baseado, e debates sobre machismo na ciência, ciência vs religião, financiamento de pesquisas e um fundo de verdade bem pesquisado sobre uma ou outra parte também fazem parte.
Eu gosto como ele vai revelando aos poucos as informações, e em breve uma suástica recebida de sinais de rádio antigos do espaço sideral viram uma questão global de busca pela verdade na operação científica mais elaborada da humanidade. O filme promove o Ciência vs Fé sem diminuir a ciência e embora dando valor igual a fé, atacando o extremismo religioso sem pudor. É um em cima do muro que ainda faz as críticas que precisa.
O personagem do Matthew McConaughey aparecendo aleatoriamente por todo o filme distrai um pouco, tem um melodrama típico de blockbuster 90s que alguns vão amar e outros nem tanto mas a grande mancha pra mim é a manipulação de discursos do Bill Clinton da vida real, recortados para aparecer na história, e também o uso de figuras jornalísticas da CNN do mundo real em um produto entretenimento. Ambos são emblemáticos ao preceder questões como deep fakes e a machucada integridade jornalística no mundo "pós-verdade" de hoje.
Apesar de uns 15-30 mins mais longo do que devia ser, Dog Day Afternoon é um excelente "siege film" (pessoas cercadas numa mesma locação por todo o filme), comandado por uma atuação estelar do Al Pacino. O assalto violento acaba sendo encarado num tom mais leve, amenizando o tema pesando e quase anulando a violência que um filme, como outros apelativos dessa época, teriam.
Logo o roteiro se politiza, falando também da polícia, da mídia e por identidade sexual. Ele é um estudo do Sonny, o personagem principal. O assaltante da história real (que foi solto acho que 5 anos depois), aparentemente uma pessoa curiosa e articulada como o personagem do filme, enviou uma carta ao NYT falando que, apesar de adorar a performance do Al Pacino, o filme só condiz em 30% com a verdade. A menina conseguiu sua cirurgia de mudança de sexo!
Ainda assim vale a pena, pra quem gosta dum certo tom contracultural, anti-autoritário do cinema americano dos anos 70.
[Review pra série inteira, não só pra primeira temporada]
Terminei a melhor sitcom britânica que já assisti, até melhor que o The Office certo... hilária, dark, trágica, cringe, impossível de olhar às vezes, com side characters legendários, inteligente, com uma direção única de POVs... mas acima de tudo engraçada a cada cena, o raro humor que faz piadas com referências obscuras que nem muitos ingleses vão pegar lado a lado com piadas bobas e idiotas globais, com um meio termo gigante de diferentes equílibrios entre os dois modelos, tudo graças a uma escrita fenomenal e dois leads icônicos mestres na arte de soar incrivelmente estúpidos linha por linha, pra mim sempre a alma do humor
Ao contrário do filme e da primeira temp, a 2ª temp de Fargo já ensaiava críticas sociais ao estágio do capitalismo corporativo que o mundo entrava nos anos 80. Passando em 2010, logo após a crise de 2008, essa vai afundo com um enredo altamente entorno de fraudes corporativas.
Essa temporada é uma falha curiosa, que é frequentemente sem foco e insatisfatória por tentar ser Fargo, retornando as origens da primeira temporada, ao mesmo tempo que introduz complexos plots pós-modernos sobre tecnologia e capitalismo. Começa devagar, tem um episódio standalone em Los Angeles bom, desenvolve ok, sem espetáculos, tem um incrível oitavo episódio (especialmente os primeiros 30 mins, na linha de "Pine Barrens", ep de Sopranos dirigido justamente por Buscemi, homenageando o filme Fargo). Os dois últimos são decepcionantes, o final é ruim.
McGregor atua mal e não é bom o suficiente para carregar dois personagens, que parecem idênticos. Carrie Coon é uma alegria de ver, Mary Elizabeth vai bem, mas o melhor é David Thewlis com um vilão que salva muitas cenas, embora eu ainda prefira Lorne Malvo.
Depois da segunda temporada dar um passo a frente em complexidade ao filme e a primeira, a terceira tenta ser ainda mais, uma narrativa super complexa, faustiana e não-ortodoxa, mas tropeça no caminho sendo um ano frustrante e desinteressante da série.
Facilmente uma das melhores temporadas da história da TV, construída em cima de uma breve menção a um caso antigo feita por um personagem secundário na primeira temporada. A série deixa pra trás as homenagens aos filmes e aos irmãos Cohen da primeira para trás par embarcar num estilo visual, de direção e escrita completamente original, sendo a perfeita série de época do fim dos anos 70, quando os sonhos contraculturais morriam e davam lugar para a era Reagan - que aparece em carne e osso aqui, em um retrato bem crítico.
Todos os atores são espetaculares, Wilson, Durnst, Danson, Plemons, basicamente todos os secundários também. O episódio nove, Castle, é um dos melhores de TV da sua década. A direção é super estilizada e original, os roteiristas são estupendos, com nenhum episódio sequer dos 10 de filler, uma história com inicio, meio e fim e acontecimentos bombásticos. São cerca de 80 mortes a temporada inteiro, um banho de sangue episódio pós episódio mas sempre otimista, alegre de proporcionar ação sem diminuir a complexidade da trama e a profundidade dos personagens.
É tão bom assim. Como um crítico falou, ao contrário de outras séries derivadas de Breaking Bad que perdem muito tempo debatendo moralidade, a segunda de Fargo vai ao ponto o tempo todo e não falha nunca.
Wow eu amei essa temporada. Apesar de ser perfeitamente compreendida por quem nunca viu o filme, é incrível como eles continuaram em tom, atmosfera, humor e vários pequenos easter eggs e throwbacks um dos melhores filmes dos 90s. Tantos personagens memoráveis, sejam os bondosos que são pessoas incríveis ou os vilões que são hilários, às vezes bad-ass, às vezes revoltantes e pagam o preço no filme. Grandes atuações. Isso muda pra sempre minha concepção de transformar um filme em série. Tudo dá certo se escrever bem, juntar o talento certo.
Rara série policial que não é super dark, são pessoas comuns, boas, e você fica com o coração quente no final. Tudo é redondo, super coerente, a temporada de 10 episódios bem planejada mostrando que antologia é um formato bem interessante. A cena final, apesar de tão fofo eles no sofá, fiquei com a sensação de faltar uma ou duas linhas pra fechar com chave de ouro, mas foi satisfeito e gratificante, parabéns a absolutamente todos os envolvidos.
Como Robocop e Showgirls, Verhoeven entrega uma crítica hilária ao fascismo e ao militarismo, mostrando um império humano completamente idiotizado e encantado por patriotismos baratos; audiências na época não conseguiam entender, e não dá para culpar pois em 1997 filmes com uma linguagem tão complexa (uma crítica mas em forma de deboche onde os protagonistas que a gente torce são totais idiotas? é um pouco demais mesmo, apesar de mais atual no cinema e TV de hoje).
Neil Patrick Harris vestido de soldado da SS, declarando que "assustaram" uma raça alien que os próprios humanos foram importunar, para a celebração geral, é inesquecível pra mim. Sim, assustaram, não mataram ou venceram, como se o terrorismo psicológico e a maldade fossem o objetivo principal das campanhas, não qualquer tipo de sobrevivencialismo.
Eu não poderia discordar mais do "Tão ruim que é bom" Showgirls é um deboche escancarado com o capitalismo, a exploração não só do corpo das mulheres, mas de todos relacionados ao mercado de trabalho É um filme tão sarcástico que chega a ser obnóxio às vezes, 20 anos depois a visão Verhoeven fica clara para mim, duma forma bem parecida com a ironia do Starship Troopers Este já foi revisado como um filme debochado e altamente inteligente criticando o fascismo e o militarismo, infelizmente o Showgirls (pra mim quase filme-irmãos) ainda segue sendo odiado - ou apreciado de forma campy com o "tão ruim que é bom". Como Tarantino disse, é um filme "exploitative" (provavelmente escrevi errado mas tanto faz), seguindo lógica que foram populares nos anos 70, mas incorporando comentários embutidos através da ironia e do tom escrachado, de forma bem pós-moderna
Showgirls não é uma obra-prima pra mim só por causa de uma cena de estupro completamente deslocada e desnecessária, fácil a coisa mais violenta que vi num filme mainstream. Mas eu ainda amo esse filme, defendo contra tudo e todos, um dos filmes mais complexos que já vi, podem me xingar.
Envelheceu mal mas foi um estrondo na época pelo que falam, não havia nada igual. Hoje é muito lento e sci-fi basic, mas tem que se lembrar que ele construiu a base pra tudo. O primeiro e o segundo ato são interessantes, mas talvez mais de debater as questões filosóficas no bar. O terceiro ato é o melhor, com uma viagem bem as que Arthur C Clarke fazia na parte final de tantos dos seus livros (ele escreveu o roteiro com Kubrick, ao mesmo tempo que escrevia o livro 2001), e o diretor caprichando no surrealismo totalmente inesperado. Filme fácil de respeitar mas difícil de sentar e rever, pelo menos pra mim.
Grande estética, quase não precisando de roteiro escrito, tamanha a história visual é contada pecado por pecado. Desde o momento que fulano tal entra em tal lugar no terceiro ato do filme, é de ficar na cadeira. O twist é um para os livros. Dois leads espetaculares, um segredo bem guardado (até nos promos quando saiu em 1995), um filme famoso e super influente que é surpreendentemente muito simples, Se7en é um clássico neo-neoir e minha única reclamação é a cena extra esperançosa completamente sem sentido no final - devia ter acabado no deserto.
Hoje é meio vergoinha gostar desse filme né, os ciNEfilos pegaram como objeto de culto (igual Pulp Fiction e outros) e o alt-right entendeu tudo errado, Tyler Durden sendo uma espécie de herói incel. A verdade é que essa é uma obra super complexa, escrita por um autor homossexual, que toca na relação entre masculinidade, consumismo e fascismo.
O livro do Palahnuik (que nem é um dos melhores dele) é mais cômico, com o roteiro (brilhantemente adaptado, sendo melhor que o livro, por um cara que nem sei o nome) aliado a cinetamografia e a ressonância emocional das imagens acabam deixando o filme um pouco mais pesado e pessoal, embora ainda humoroso. Ele rende tanta discussão de qualquer forma, e é hilário (e digno de investigação séria) que ele e o Matrix, também de 1999, também escrito por LGBTs, tenham virado ícones da extrema-direita (não que outras pessoas também não cultuem)
Fincher segue uma sequencia legendária se firmando como esteticista único, o estilo de escrita do Palahnuik (ainda mais fantástico em livros que vieram depois como o Invisible Monsters), a grande adaptação do roteiro, a música underground dos fantásticos produtores The Dust Brothers (infelizmente sumiram), Brad e Edward jovens, dando um tom homoerótico, tudo em Fight Club tá no topo e pode ser um filme que muda sua vida, se ao invés de ouvir os personagens perdidos, você vá pesquisar a fundo sobre as interpretações profundamente políticas dos seus temas.
Algumas edições da direção parecendo videoclipes, umas atmosferas que parecem um pesadelo e a música e efeitos sonoros são realmente icônicas e ficam na minha memória, mas não consigo aplaudir esse filme. A guerra as drogas e o problema com dependência química é muito mais complexo que isso, Requiem para um Sonho faz parecer que os personagens são mau caráteres que sucumbiram à tentações, tentaram ser mais espertos com todo mundo ao brincar com algo terrivelmente errado.
Drogas não funcionam assim, mesmo as que matam, e há uma série de problemas sociais e psicológicos que legam ao vício em drogas. Esse é um filme bem careta, conservador e quase cristão, uma propaganda que usa apelações emocionais para fazer um ponto muito raso de que o problema das drogas se resume a elas fazerem mal, reduzindo questões a uma disputa de bem vs mal como é típico de reacionários. O plot da mãe é completamente implausível e eles misturarem a trajetória dela com a dos jovens me faz perguntar se eles fizeram alguma pesquisa médica pra escrever isso? O misery porn de ser um filme onde só tudo dá errado o tempo todo também não ajuda.
Queria que o diretor usasse essas estéticas e sons dream/pesadelo-like em algum trabalho menos pedante e superficial. O tempo passa e continuam endeusando Requiem para um Sonho, prova de que a apresentação duma ideia às vezes vale mais do que a substância dela (sem trocadilho hehe).
Filme sólido, com boas atuações, mas que por algum motivo não me toca. Não funciona como comédia, nem como drama e não consigo me investir nos personagens. A crítica social a cultura de estupro e as tragédias pessoais não atingiu o ponto pra mim. Mas é só minha opiniao
Uma das piores temporadas de televisão que já vi e uma das minhas maiores decepções. Eu não sei como consegui ir até o final. Tá todo mundo fora de personagem, a estrutura é bizarra, os personagens quase não interagem, os episódios são massivos e tediantes. Revivals de TV geralmente não são tão bons, mas nenhum é tão ruim quanto o de Arrested Development.
Na quarta temporada, parecia que o problema do revival de Arrested Development era a estrutura bizarra, com episódios standalone de cada personagem, uma narrativa não-linear que tentava ser mais inteligente que engraçada e falhava nos dois, e os personagens que a gente ama pouco interagindo. A quinta temporada volta a estrutura quase idêntica a das clássicas temporadas originai e fica claro: o fracasso do revival é porque a escrita é péssima, não entende a série original e tem raros momentos minimamente engraçados. É cringe que Arrested Development salvou as sitcoms e mostrou uma direção nova em 2003, mas agora é pior mesmo que as sitcoms que tentou tornar obsoletas em 2003.
Um desperdício dum elenco fantástico e um material fonte que foi uma das melhores séries talvez de sempre.
Fargo é um filme quase impossível de não amar. Uma história de crime de curta duração, com cinematografia inesquecível em um setting atmosférico, é daqueles filmes que os protagonistas são amáveis, os vilões são hilários, é violento mas nada é tão dark ou tão sério, é hilário e ás vezes adorável. Cena por cena você não sabe o que esperar, o filme de atinge com surpresas e reviravoltas o tempo todo. McDormand mereceu o Oscar e não bastasse a grande influência em tantos outros filmes, ainda ganhou uma belíssima adaptação como antologia na TV duas décadas depois.
Quem diria que Tarantino é melhor escritor de roteiro adaptado que original, no único adaptado que ele escreveu? Ele corta os excessos e fanboyzismos das coisas originais dele e conseguiu dirigir um filme com total sutileza e respeito por estética e o material fonte. O livro do grande Elmore Leonard é cerebral e incrivelmente bem escrito, especialmente os diálogos. O Tarantino pega as estéticas dos filmes black exploitation (inclusive a atriz principal), como a música soul e as fotografias, mas deixa a parte de exploitation totalmente pra trás ao usar Leonard para se atualizar. É o filme que mais olha pra frente do diretor, que nos bons filmes Kill Bill e Once Upon a Time In Hollywood, por exemplo, pode ser acusado de reacionário, além das homenagens grindhouse, ao querer viver e voltar ao passado demais.
Jackie Brown tem raízes no passado mas soa como uma atualização, com todos personagens complexos e humanos demais para serem estereótipos raciais, e sua protagonista uma mulher empoderada simplesmente espetacular. Se nos outros trabalhos do Tarantino todos os personagens parecem uma versão dele, aqui cada um parece um ser humano completamente desenvolvido, cortesia do grande Leonard que sabe escrever personagens.
Você junta isso com um elenco absolutamente matador em todas suas performances - Grier, Forster, Jackson, De Niro, Fonda - e você tem não só o melhor filme do Tarantino, mas o mais maduro (sem perder o aspecto diversão). Os filmes de ação que vieram depois foram todos bons, mas isso aqui sugere que, não fosse o fracasso comercial e crítico, ele poderia ter dado passo a frente e ter sido um cineasta dez vezes mais complexo. Jackie Brown é sutilmente espetacular
Bela Vingança
3.8 1,3KPromising Young Woman é uma falha curiosa. É um filme que tenta abordar o difícil tema da cultura de estupro com a delicadeza de nunca ficar difícil de assistir, pelo menos não perturbador num nível que não seja conceitual, fluindo como uma dark comedy.
Mas erra em cheio exatamente no tom conciliador. É humoroso demais para ser sério, e sério demais para ser humoroso. Como resultado, fica um filme de proposta confusa que não tem coragem para encarar os riscos que sugere que vai tomar.
O filme começa dando dicas de ser uma revenge fantasy, onde a protagonista Cassie tem um plano sociopata para se vingar de cada homem que toma vantagens sobre mulheres bêbadas em clubes. Entretanto, o payback absurdista violento tarantinesco nunca vem, com os encontros terminando numa anticlimática, decepcionante lição moral nos agressores, que observam chocados a militância de Cassie.
O que quebra a imersão, Cassie dá lições sermões em predadores, sozinha com eles em espaços vazios, em uma cena até destruindo o carro de um redneck que parece violento. É um realismo mágico? Uma metáfora em linguagem de sonho? Pois, na vida real, a mulher que fizesse isso ia acabar no mínimo com um olho roxo. No filme, os homens fogem assustados.
Então tudo bem, Promising Young Woman seria uma crítica séria, com pés no chão? Também não funciona com a bizarrice tonal atrapalhando qualquer crítica construtiva sobre a cultura de estupro. É estranho que os planos sociopatas de Cassie funcionam justamente com mulheres, com o filme celebrando vitórias sádicas e justiceiras dela, que chega a ameaçar a filha inocente de outra mulher. A vingança 3 encontra o perdão do homem arrependido, a vingança 4 encontra a morte de Cassie, finalmente encarando o feminicídio que é a primeira coisa realista que acontece no filme.
Isso tudo é uma crítica irônica pós-moderna auto-consciente bla bla bla? É impossível dizer, não porque Promising Young Woman é sutil, sofisticado ou propositalmente ambíguo, mas porque ele realiza um double-talking, buscando fazer mais de um discurso de uma vez e não conseguindo nenhum, as lições sobre cultura de estupro ficando incrivelmente superficiais (feminismo 101 de twitter) e o filme até mesmo sugerindo entrar no território de autoparódia.
A cena no mercado com Paris Hilton tocando é exemplo: é a estupidez da paródia de encontrar o homem ideal, como parte da audiência achou, ou um momento romântico pra millenials que passaram dos 30 e cresceram com guilty pleasures se projetarem, como a outra parte achou?
Promising Young Woman tenta ter tudo ao mesmo tempo e vai pra casa de mãos vazias, mas é um filme confuso que não deixa de ser provocador, uma bagunça que pelo menos nunca fica chata.
Judas e o Messias Negro
4.1 526 Assista AgoraJudas and the Black Messiah é um filme de informante, mas com pouco foco no suspense do infiltrado ser potencialmente capturado, e sim em como a jornada emocional do seu protagonista funciona como perfeito microcosmo de um quadro maior.
E William O'Neal (Lakeith Stanfield, criminosamente indicado a Melhor Ator Coadjuvante) é um homem pego no meio de uma situação. Um low-life aparentemente desinteressado em políticas, vira uma peça de xadrez fundamental na luta do FBI racista, genocida de Edgar Hoover (Martin Sheen, ativista, caprichou no quão evil Hoover ficou) contra o grupo revolucionário Black Panthers.
O'Neal se envolve ideologicamente e afetivamente com o grupo, mas completa seu serviço para o FBI, que graças a sua ajuda criminosamente assassina Fred Hampton. Stanfield é inesquecível: O'Neal nunca é muito expressivo, com mesmo suas contestações a Roy Mitchell (atuado pela versão feia do Matt Damon), pouco articuladas, em uma atuação física que diz mais com o desespero do olhar.
O lado do filme que conta a história dos Black Panthers é didático, preciso. Daniel Kaluuya é brilhante na pele de Hampton, colocando em tela o vigor revolucionário que fez a figura ser chamada de messias. Sua esposa, revolucionária Deborah Jones, e outros integrantes dos panteras são todos trazidos a vida como pessoas reais, de anseios humanos perante à violenta situação maior.
2 horas compartilhadas com outro personagem principal pode ser pouco para trazer a complexidade de uma figura como Fred Hampton à tela, mas Kaluuya e o roteiro trazem a urgência adequada. O filme é bem dirigido. Alternando os pontos de vista - panteras, informantes, fbi - Judas and the Black Messiah tem valor histórico, dramatização coerente para introduzir a história da traição/assassinato de Hampton, em 1969, para novas gerações.
Os dois homens no centro são contrapontos: Hampton é um homem disposto a morrer pela sua raça, O'Neal é disposto a sacrificar sua raça para sobreviver. O'Neal, tirando no título, nunca é vilanizado, tratado com um pathos generoso de figura complexa, também uma vítima do genocídio racial. Para mim, a informação no pós-filme foi a parte mais devastadora.
A Outra História Americana
4.4 2,3K Assista AgoraEste filme tem uma grande direção, cenas impressionantes e todo ator é muito talentoso, especialmente o Norton
É um excelente filme mas poderia ser um clássico; a edição parece apressada e obtusa.
O filme tem uma estrutura estranha, com enormes flashbacks no meio e a história mais interessante que parece que vai desenvolver no começo do filme acaba indo para caminhos abreviados.
As motivações do Derek são explicadas, mas quase que num improviso tipo aquela rápida cena com o pai dele num flashback; apesar da amizade na cadeia ser marcante, o caminho para ele deixar de ser um skinhead também é pouco desenvolvido. O final é espetacular cinematograficamente e pesado, mas também parece um pouco repentino.
O diretor Tony Kaye brigou com o Norton e a produção o filme todo, com ele eventualmente saindo (e pedindo para tirar seus créditos - não foi atendido). O próprio Norton fez a edição final, que parece remendar um trabalho incompleto - tenho impressão que no projeto original, deveriam ter menos flashbacks e mais desenvolvimento daqueles grupos neonazistas com aquele escritor supremacista que eles protegem; provavelmente o plot giraria entorno do Derek voltar infiltrado para ajudar o policial e o professor, como eles pedem no fim?
Seria demais! No filme acabam que várias cenas são como band-aids pro roteiro não andar, e aí as conclusões chegam apressadas.
Ainda é um grande filme, quando você dá play ele voa porque cena a cena ele é provocador, mas é difícil não imaginar o clássico que poderia ser.
Na Hora da Zona Morta
3.6 337 Assista AgoraThe Dead Zone – lançado como Na Hora da Zona Morta no Brasil – é uma joia do cinema B. Como Roger Ebert argumenta e tantos episódios de Arquivo X também mostram, algumas das melhores histórias paranormais são aquelas que nos fazem justamente esquecer o paranormal, tão capazes de envolver a audiência com dilemas pessoais e atmosfera.
Com a premissa comum envolvendo um personagem que, após um acidente quase fatal, ganha capacidades psiquícas de prever o futuro, o filme é elevado pelo drama existencial de Johnny, seu personagem principal: ele pode ter ganhado o famigerado “dom/maldição” da premonição, mas nos 5 anos de coma, perdeu tudo – sua namorada casou com outro, suas pernas não funcionam mais, sua mãe logo morre e seu emprego como professor de literatura também se foi.
The Dead Zone é um drama sobre um indivíduo que, congelado no tempo, perde a andada do mundo. A grande atuação de Christopher Walken dá enorme pathos a história: ele humaniza o atormentado personagem, mas mesmo despertando pena, de forma alguma vira um misery porn. Como um bom filme de gênero de baixo orçamento (de 1h30min), o enredo se move pela curiosidade, cada esquina uma nova parábola pessoal envolvendo suas misteriosas novas capacidades.
Walken não é o único grande talento envolvido, o filme inteiro está em boas mãos – David Cronenberg capricha na sua direção mais convencional, uma dos poucos sem tentáculos e parasitas (um bizarro suicídio é o único toque com a cara do diretor); legendária produtora de horror Debra Hill está no barco; Stephen King, autor do livro, ficou satisfeito com as mudanças de Jeffrey Boam no roteiro (apesar de subestimado, vez ou outra o filme é lembrado como das boas adaptações de King); o grande Martin Sheen ainda aparece no ato final com um memorável vilão.
Charmoso, atmosférico e carregado pelo pathos do seu personagem principal, The Dead Zone tem foco: bem editadas direção e roteiro são sutis, colocando o necessário na tela com clareza. A curta e recompensadora jornada termina no climáx com minutos finais poderosos.
Cães de Aluguel
4.2 1,9K Assista AgoraUm icônico filme B de muitas formas, Cães de Aluguel é uma história hilária e ultraviolenta de uma locação só, conduzida por uma linguagem sensacionalista e por grandes atuações de um elenco de excelentes de antes e depois.
A violência e o teor racial de tantos diálogos foi mais chocante em 1992 do que é hoje, e o filme tem muitas características que seriam virtudes da carreira do Tarantino: o diálogo é hilário e descompromissado, mas não o suficiente para o filme virar uma comédia - ou seja, nunca sacrifica a tensão dos momentos de thriller. Homenagens a cultura pop em menções a música negra, séries de televisão antiga e outros filmes também aparecem.
Uma produção de baixo orçamento, acaba cedo demais, justo quando você pega o gosto pelas articulações dos personagens excêntricos. Fica o gosto de querer mais, e de muitas formas o diretor entrega no filme seguinte.
Anos depois, com superexposições do diretor que virou uma celebridade entrevistas, fica notável que todo personagem em Reservoir Dogs ou Pulp Fiction soa como uma versão exagerada do próprio Tarantino (o melhor de todos, Jackie Brown, foi um roteiro adaptado), o que sugere que o mesmo seja afinal um escritor limitado, baseado em gimmicks - seus filmes funcionando mais como esquetes noir do que como as obras profundas que o culto de personalidade sugerem. Mas dentro dessas concessões, ele é ainda é divertido demais e em 1992 não havia nada igual a Reservoir Dogs.
Viva: A Vida é Uma Festa
4.5 2,6K Assista AgoraEu amei esse filme. O formato e o tom é bem Disney, mas a roupagem das melodias e a entrega dos personagens é diferente - provavelmente pelo tanto talento mexicano por trás da produção. As músicas são discretas, mas o plot importa mais e trata de forma delicada e bondosa questões pesadas como morte e memória - apesar de ser diferente por ser completamente sinistro, me lembrou A Viagem de Chihiro pois contempla o espaço metafísico que pertence aos que já foram. É um filme cerebral, hilário e com ambientes deslumbrantes, água fresca depois de tanto reino nesses filmes. Eu não sou o público alvo de animações e gostei muito.
24 Horas (1ª Temporada)
4.3 150(comentário sobre a primeira temporada)
Com uma proposta espetacular e episódios que rapidamente apresentam um enredo urgente e repleto de tensão, a primeira temporada de 24, embora revolucionária quando saiu (não havia nada na tevê aberta tão serializado), envelheceu um pouco mal. Especialmente após a resolução do arco do Gaines (nos 12 primeiros episódios), ela destrilha um pouco até os acontecimentos bombásticos dos dois últimos episódios. Acontece que, com o 11 de Setembro, ninguém esperava que os 12 episódios iniciais seriam renovados para mais 12 "horas" fechando o dia... a escrita foi improvisada e os plots da Kim/Teri, da família do Palmer e etc são bem fracos em relação ao do Bauer. E é estranho ver o Bauer com a corda no pescoço, não o bad-ass das próximas temporadas.
Mas só os acontecimentos dos dois episódios finais já fazem valer a pena assistir. Na cena final da temporada, o Jack Bauer com a alma ferida enfim está moldado. A série ficaria muito melhor nos anos seguintes, onde plots ação-B de terroristas do Leste Europeu seriam substituídos por uma série de relações políticas com acontecimentos do mundo real nos anos 2000.
Contato
4.1 833 Assista AgoraÉ estranho que esse filme por um tempo teve uma reputação infame, sendo quase esquecido na discussão de épicos de Hollywood de ficção científica, ofuscados por alguns recentes bem inferiores (ou alguns antigos que envelheceram bem mais mau).
Comandado por uma atuação inesquecível da Jodie Foster, Contato revela informações aos poucos, começando minimalista como um thriller extraterrestre estilo Arquivo X, finalizando com viagens interdimensionais buscando o significado sobre tudo, estilo algum livro do Arthur C Clarke.
Mas é dum livro do Carl Seagan que é baseado, e debates sobre machismo na ciência, ciência vs religião, financiamento de pesquisas e um fundo de verdade bem pesquisado sobre uma ou outra parte também fazem parte.
Eu gosto como ele vai revelando aos poucos as informações, e em breve uma suástica recebida de sinais de rádio antigos do espaço sideral viram uma questão global de busca pela verdade na operação científica mais elaborada da humanidade. O filme promove o Ciência vs Fé sem diminuir a ciência e embora dando valor igual a fé, atacando o extremismo religioso sem pudor. É um em cima do muro que ainda faz as críticas que precisa.
O personagem do Matthew McConaughey aparecendo aleatoriamente por todo o filme distrai um pouco, tem um melodrama típico de blockbuster 90s que alguns vão amar e outros nem tanto mas a grande mancha pra mim é a manipulação de discursos do Bill Clinton da vida real, recortados para aparecer na história, e também o uso de figuras jornalísticas da CNN do mundo real em um produto entretenimento. Ambos são emblemáticos ao preceder questões como deep fakes e a machucada integridade jornalística no mundo "pós-verdade" de hoje.
Contato ainda é excelente.
Um Dia de Cão
4.2 771Apesar de uns 15-30 mins mais longo do que devia ser, Dog Day Afternoon é um excelente "siege film" (pessoas cercadas numa mesma locação por todo o filme), comandado por uma atuação estelar do Al Pacino. O assalto violento acaba sendo encarado num tom mais leve, amenizando o tema pesando e quase anulando a violência que um filme, como outros apelativos dessa época, teriam.
Logo o roteiro se politiza, falando também da polícia, da mídia e por identidade sexual. Ele é um estudo do Sonny, o personagem principal. O assaltante da história real (que foi solto acho que 5 anos depois), aparentemente uma pessoa curiosa e articulada como o personagem do filme, enviou uma carta ao NYT falando que, apesar de adorar a performance do Al Pacino, o filme só condiz em 30% com a verdade. A menina conseguiu sua cirurgia de mudança de sexo!
Ainda assim vale a pena, pra quem gosta dum certo tom contracultural, anti-autoritário do cinema americano dos anos 70.
Peep Show (1ª Temporada)
4.2 20 Assista Agora[Review pra série inteira, não só pra primeira temporada]
Terminei a melhor sitcom britânica que já assisti, até melhor que o The Office certo... hilária, dark, trágica, cringe, impossível de olhar às vezes, com side characters legendários, inteligente, com uma direção única de POVs... mas acima de tudo engraçada a cada cena, o raro humor que faz piadas com referências obscuras que nem muitos ingleses vão pegar lado a lado com piadas bobas e idiotas globais, com um meio termo gigante de diferentes equílibrios entre os dois modelos, tudo graças a uma escrita fenomenal e dois leads icônicos mestres na arte de soar incrivelmente estúpidos linha por linha, pra mim sempre a alma do humor
Fargo (3ª Temporada)
4.1 223 Assista AgoraAo contrário do filme e da primeira temp, a 2ª temp de Fargo já ensaiava críticas sociais ao estágio do capitalismo corporativo que o mundo entrava nos anos 80. Passando em 2010, logo após a crise de 2008, essa vai afundo com um enredo altamente entorno de fraudes corporativas.
Essa temporada é uma falha curiosa, que é frequentemente sem foco e insatisfatória por tentar ser Fargo, retornando as origens da primeira temporada, ao mesmo tempo que introduz complexos plots pós-modernos sobre tecnologia e capitalismo. Começa devagar, tem um episódio standalone em Los Angeles bom, desenvolve ok, sem espetáculos, tem um incrível oitavo episódio (especialmente os primeiros 30 mins, na linha de "Pine Barrens", ep de Sopranos dirigido justamente por Buscemi, homenageando o filme Fargo). Os dois últimos são decepcionantes, o final é ruim.
McGregor atua mal e não é bom o suficiente para carregar dois personagens, que parecem idênticos. Carrie Coon é uma alegria de ver, Mary Elizabeth vai bem, mas o melhor é David Thewlis com um vilão que salva muitas cenas, embora eu ainda prefira Lorne Malvo.
Depois da segunda temporada dar um passo a frente em complexidade ao filme e a primeira, a terceira tenta ser ainda mais, uma narrativa super complexa, faustiana e não-ortodoxa, mas tropeça no caminho sendo um ano frustrante e desinteressante da série.
Fargo (2ª Temporada)
4.4 355 Assista AgoraFacilmente uma das melhores temporadas da história da TV, construída em cima de uma breve menção a um caso antigo feita por um personagem secundário na primeira temporada. A série deixa pra trás as homenagens aos filmes e aos irmãos Cohen da primeira para trás par embarcar num estilo visual, de direção e escrita completamente original, sendo a perfeita série de época do fim dos anos 70, quando os sonhos contraculturais morriam e davam lugar para a era Reagan - que aparece em carne e osso aqui, em um retrato bem crítico.
Todos os atores são espetaculares, Wilson, Durnst, Danson, Plemons, basicamente todos os secundários também. O episódio nove, Castle, é um dos melhores de TV da sua década. A direção é super estilizada e original, os roteiristas são estupendos, com nenhum episódio sequer dos 10 de filler, uma história com inicio, meio e fim e acontecimentos bombásticos. São cerca de 80 mortes a temporada inteiro, um banho de sangue episódio pós episódio mas sempre otimista, alegre de proporcionar ação sem diminuir a complexidade da trama e a profundidade dos personagens.
É tão bom assim. Como um crítico falou, ao contrário de outras séries derivadas de Breaking Bad que perdem muito tempo debatendo moralidade, a segunda de Fargo vai ao ponto o tempo todo e não falha nunca.
Fargo (1ª Temporada)
4.5 538 Assista AgoraWow eu amei essa temporada. Apesar de ser perfeitamente compreendida por quem nunca viu o filme, é incrível como eles continuaram em tom, atmosfera, humor e vários pequenos easter eggs e throwbacks um dos melhores filmes dos 90s. Tantos personagens memoráveis, sejam os bondosos que são pessoas incríveis ou os vilões que são hilários, às vezes bad-ass, às vezes revoltantes e pagam o preço no filme. Grandes atuações. Isso muda pra sempre minha concepção de transformar um filme em série. Tudo dá certo se escrever bem, juntar o talento certo.
Rara série policial que não é super dark, são pessoas comuns, boas, e você fica com o coração quente no final. Tudo é redondo, super coerente, a temporada de 10 episódios bem planejada mostrando que antologia é um formato bem interessante. A cena final, apesar de tão fofo eles no sofá, fiquei com a sensação de faltar uma ou duas linhas pra fechar com chave de ouro, mas foi satisfeito e gratificante, parabéns a absolutamente todos os envolvidos.
Tropas Estelares
3.5 483 Assista AgoraComo Robocop e Showgirls, Verhoeven entrega uma crítica hilária ao fascismo e ao militarismo, mostrando um império humano completamente idiotizado e encantado por patriotismos baratos; audiências na época não conseguiam entender, e não dá para culpar pois em 1997 filmes com uma linguagem tão complexa (uma crítica mas em forma de deboche onde os protagonistas que a gente torce são totais idiotas? é um pouco demais mesmo, apesar de mais atual no cinema e TV de hoje).
Neil Patrick Harris vestido de soldado da SS, declarando que "assustaram" uma raça alien que os próprios humanos foram importunar, para a celebração geral, é inesquecível pra mim. Sim, assustaram, não mataram ou venceram, como se o terrorismo psicológico e a maldade fossem o objetivo principal das campanhas, não qualquer tipo de sobrevivencialismo.
Showgirls
3.0 219 Assista AgoraEu não poderia discordar mais do "Tão ruim que é bom"
Showgirls é um deboche escancarado com o capitalismo, a exploração não só do corpo das mulheres, mas de todos relacionados ao mercado de trabalho
É um filme tão sarcástico que chega a ser obnóxio às vezes, 20 anos depois a visão Verhoeven fica clara para mim, duma forma bem parecida com a ironia do Starship Troopers
Este já foi revisado como um filme debochado e altamente inteligente criticando o fascismo e o militarismo, infelizmente o Showgirls (pra mim quase filme-irmãos) ainda segue sendo odiado - ou apreciado de forma campy com o "tão ruim que é bom". Como Tarantino disse, é um filme "exploitative" (provavelmente escrevi errado mas tanto faz), seguindo lógica que foram populares nos anos 70, mas incorporando comentários embutidos através da ironia e do tom escrachado, de forma bem pós-moderna
Showgirls não é uma obra-prima pra mim só por causa de uma cena de estupro completamente deslocada e desnecessária, fácil a coisa mais violenta que vi num filme mainstream. Mas eu ainda amo esse filme, defendo contra tudo e todos, um dos filmes mais complexos que já vi, podem me xingar.
2001: Uma Odisseia no Espaço
4.2 2,4K Assista AgoraEnvelheceu mal mas foi um estrondo na época pelo que falam, não havia nada igual. Hoje é muito lento e sci-fi basic, mas tem que se lembrar que ele construiu a base pra tudo. O primeiro e o segundo ato são interessantes, mas talvez mais de debater as questões filosóficas no bar. O terceiro ato é o melhor, com uma viagem bem as que Arthur C Clarke fazia na parte final de tantos dos seus livros (ele escreveu o roteiro com Kubrick, ao mesmo tempo que escrevia o livro 2001), e o diretor caprichando no surrealismo totalmente inesperado. Filme fácil de respeitar mas difícil de sentar e rever, pelo menos pra mim.
Seven: Os Sete Crimes Capitais
4.3 2,8K Assista AgoraGrande estética, quase não precisando de roteiro escrito, tamanha a história visual é contada pecado por pecado. Desde o momento que fulano tal entra em tal lugar no terceiro ato do filme, é de ficar na cadeira. O twist é um para os livros. Dois leads espetaculares, um segredo bem guardado (até nos promos quando saiu em 1995), um filme famoso e super influente que é surpreendentemente muito simples, Se7en é um clássico neo-neoir e minha única reclamação é a cena extra esperançosa completamente sem sentido no final - devia ter acabado no deserto.
Clube da Luta
4.5 4,9K Assista AgoraHoje é meio vergoinha gostar desse filme né, os ciNEfilos pegaram como objeto de culto (igual Pulp Fiction e outros) e o alt-right entendeu tudo errado, Tyler Durden sendo uma espécie de herói incel. A verdade é que essa é uma obra super complexa, escrita por um autor homossexual, que toca na relação entre masculinidade, consumismo e fascismo.
O livro do Palahnuik (que nem é um dos melhores dele) é mais cômico, com o roteiro (brilhantemente adaptado, sendo melhor que o livro, por um cara que nem sei o nome) aliado a cinetamografia e a ressonância emocional das imagens acabam deixando o filme um pouco mais pesado e pessoal, embora ainda humoroso. Ele rende tanta discussão de qualquer forma, e é hilário (e digno de investigação séria) que ele e o Matrix, também de 1999, também escrito por LGBTs, tenham virado ícones da extrema-direita (não que outras pessoas também não cultuem)
Fincher segue uma sequencia legendária se firmando como esteticista único, o estilo de escrita do Palahnuik (ainda mais fantástico em livros que vieram depois como o Invisible Monsters), a grande adaptação do roteiro, a música underground dos fantásticos produtores The Dust Brothers (infelizmente sumiram), Brad e Edward jovens, dando um tom homoerótico, tudo em Fight Club tá no topo e pode ser um filme que muda sua vida, se ao invés de ouvir os personagens perdidos, você vá pesquisar a fundo sobre as interpretações profundamente políticas dos seus temas.
Réquiem para um Sonho
4.3 4,4K Assista AgoraAlgumas edições da direção parecendo videoclipes, umas atmosferas que parecem um pesadelo e a música e efeitos sonoros são realmente icônicas e ficam na minha memória, mas não consigo aplaudir esse filme. A guerra as drogas e o problema com dependência química é muito mais complexo que isso, Requiem para um Sonho faz parecer que os personagens são mau caráteres que sucumbiram à tentações, tentaram ser mais espertos com todo mundo ao brincar com algo terrivelmente errado.
Drogas não funcionam assim, mesmo as que matam, e há uma série de problemas sociais e psicológicos que legam ao vício em drogas. Esse é um filme bem careta, conservador e quase cristão, uma propaganda que usa apelações emocionais para fazer um ponto muito raso de que o problema das drogas se resume a elas fazerem mal, reduzindo questões a uma disputa de bem vs mal como é típico de reacionários. O plot da mãe é completamente implausível e eles misturarem a trajetória dela com a dos jovens me faz perguntar se eles fizeram alguma pesquisa médica pra escrever isso? O misery porn de ser um filme onde só tudo dá errado o tempo todo também não ajuda.
Queria que o diretor usasse essas estéticas e sons dream/pesadelo-like em algum trabalho menos pedante e superficial. O tempo passa e continuam endeusando Requiem para um Sonho, prova de que a apresentação duma ideia às vezes vale mais do que a substância dela (sem trocadilho hehe).
Três Anúncios Para um Crime
4.2 2,0K Assista AgoraFilme sólido, com boas atuações, mas que por algum motivo não me toca. Não funciona como comédia, nem como drama e não consigo me investir nos personagens. A crítica social a cultura de estupro e as tragédias pessoais não atingiu o ponto pra mim. Mas é só minha opiniao
Arrested Development (4ª Temporada)
3.7 125Uma das piores temporadas de televisão que já vi e uma das minhas maiores decepções. Eu não sei como consegui ir até o final. Tá todo mundo fora de personagem, a estrutura é bizarra, os personagens quase não interagem, os episódios são massivos e tediantes. Revivals de TV geralmente não são tão bons, mas nenhum é tão ruim quanto o de Arrested Development.
Arrested Development (5ª Temporada)
3.1 59Na quarta temporada, parecia que o problema do revival de Arrested Development era a estrutura bizarra, com episódios standalone de cada personagem, uma narrativa não-linear que tentava ser mais inteligente que engraçada e falhava nos dois, e os personagens que a gente ama pouco interagindo. A quinta temporada volta a estrutura quase idêntica a das clássicas temporadas originai e fica claro: o fracasso do revival é porque a escrita é péssima, não entende a série original e tem raros momentos minimamente engraçados. É cringe que Arrested Development salvou as sitcoms e mostrou uma direção nova em 2003, mas agora é pior mesmo que as sitcoms que tentou tornar obsoletas em 2003.
Um desperdício dum elenco fantástico e um material fonte que foi uma das melhores séries talvez de sempre.
Fargo: Uma Comédia de Erros
3.9 989 Assista AgoraFargo é um filme quase impossível de não amar. Uma história de crime de curta duração, com cinematografia inesquecível em um setting atmosférico, é daqueles filmes que os protagonistas são amáveis, os vilões são hilários, é violento mas nada é tão dark ou tão sério, é hilário e ás vezes adorável. Cena por cena você não sabe o que esperar, o filme de atinge com surpresas e reviravoltas o tempo todo. McDormand mereceu o Oscar e não bastasse a grande influência em tantos outros filmes, ainda ganhou uma belíssima adaptação como antologia na TV duas décadas depois.
Jackie Brown
3.8 765 Assista AgoraQuem diria que Tarantino é melhor escritor de roteiro adaptado que original, no único adaptado que ele escreveu? Ele corta os excessos e fanboyzismos das coisas originais dele e conseguiu dirigir um filme com total sutileza e respeito por estética e o material fonte. O livro do grande Elmore Leonard é cerebral e incrivelmente bem escrito, especialmente os diálogos. O Tarantino pega as estéticas dos filmes black exploitation (inclusive a atriz principal), como a música soul e as fotografias, mas deixa a parte de exploitation totalmente pra trás ao usar Leonard para se atualizar. É o filme que mais olha pra frente do diretor, que nos bons filmes Kill Bill e Once Upon a Time In Hollywood, por exemplo, pode ser acusado de reacionário, além das homenagens grindhouse, ao querer viver e voltar ao passado demais.
Jackie Brown tem raízes no passado mas soa como uma atualização, com todos personagens complexos e humanos demais para serem estereótipos raciais, e sua protagonista uma mulher empoderada simplesmente espetacular. Se nos outros trabalhos do Tarantino todos os personagens parecem uma versão dele, aqui cada um parece um ser humano completamente desenvolvido, cortesia do grande Leonard que sabe escrever personagens.
Você junta isso com um elenco absolutamente matador em todas suas performances - Grier, Forster, Jackson, De Niro, Fonda - e você tem não só o melhor filme do Tarantino, mas o mais maduro (sem perder o aspecto diversão). Os filmes de ação que vieram depois foram todos bons, mas isso aqui sugere que, não fosse o fracasso comercial e crítico, ele poderia ter dado passo a frente e ter sido um cineasta dez vezes mais complexo. Jackie Brown é sutilmente espetacular