Eu apoio o cinema brasileiro, mas é difícil apoiar quando o cinema brasileiro é isso.
Ingrid Guimarães e Mônica Martelli fazem sempre o mesmo filme e interpretam sempre a mesma personagem (sempre elas mesmas). Por si, isso já é um problema nesse longa. Mas não é só. A comédia funciona quando o público ri de algo sério, não quando o personagem ri de si mesmo a cada 20 segundos. Isso só funciona com Nair Belo e Hebe Camargo. Mas talvez eu, homem, apenas não seja o público-alvo do filme e por isso não tenha gostado.
Revisitei o longa após assistir a série novamente (pela quarta vez -- ou seria quinta? Me perdi). Ainda que Breakin Bad se baste e tenha um final muito bem definido, El Camino é um afago para os fãs e saboroso por dar o momento de glória para Jesse Pinkman. O roteiro não faz jus aos roteiros dos epsódios da série, se desenrolando em uma sequência de conflitos e buscas novelescos, mas ainda assim consegue entregar uma ótima trama.
Ainda que a série se baste, é bom saber que depois de tanto sofrimento as coisas terminaram bem par ao Jesse.
Acho que o Wagner Moura tava precisando pagar umas contas quando aceitou fazer esse filme.
A premissa já começa estranha, mas aceitável. Afinal não importa muito a explicação se o desenrolar da história tiver uma alegoria interessante. Mas não tem história e o desfecho é preguiçoso, sem sentido, bobo.
Assisti a este filme bem de frente para um dos cenários reais desta história. Moro em São João del-Rei, terra de Tancredo, e, para comemorar a entrada do filme no catálogo da Netflix, a prefeitura exibiu o filme bem diante do Solar dos Neves, a residência oficial da família e lugar onde ele morou por muitos anos depois de casado. Era uma noite de julho de 2026, frio pra cacete!! Ao meu lado, além da namorada, um desses personagens que toda cidade do interior tem, desses que faltam parafusos na cabeça. Ele fez comentário o filme todo: "Coitado do homi, maltrataro ele demais"... "Fizero de tudo pra ele num chegá no poder, es sabia que o homi ia fazer esse país melhor"... "Esse povo era ruim com quem era bom"... "É por isso que esse país tá assim até hoje"... Quando o Sarney apareceu, ele soltou: "Esse era bom tamém, pena que já morreu". Eu fui pra corrigir, dizer que o Sarney ainda estava vivo (jamais que eu ia contrariar a outra parte da frase rs), mas minha namorada me xingou, mandou eu ficar quieto e não puxar assunto. haha Por fim chegou outro e ficou assistindo o filme de pé, na frente de todo mundo. Puxou assunto com o colega que tava do meu lado: "Eu tenho a caneta de ouro que ele assinava os documento dele... tenho até hoje guardada lá em casa, vô trazê procê vê... tô falando sério, é de ouro, ele que me deu. Homi bão era esse." Mas logo alguém tirou ele de lá e mandou sentar pra não atrapalhar os outros a assistirem. Essas foram só algumas das frases que ouvi. Eu tava me divertindo mais com o sujeito do meu lado que com o filme. São João del-Rei só tem doido. haha
Mas agora vamos falar de coisa séria. Tekpix? Não, o filme do Tancredo.
Eu não sabia da sua existência até ser anunciado catálogo da netflix e, com isso, ganhar destaque nos anúncios da prefeitura daqui. É um filme, com uma ótima atuação do Othon Bastos (o filme todo vale a pena só por ter ele no papel principal). Tancredo foi pintado com certo romantismo pelo roteiros, com algumas falas heróicas pouco naturais de se dizer quando se está enfermo às portas da morte. Mas é até compreensivo. Nunca foi flor que se cheire, tem um passado complicado como todo político. Mas depois de 20 anos de ditadura, se tornou um símbolo. Naquele momento ele não era o homem Tancredo, era o Presidente Civil que encerraria com a ditadura.
Mas tirando isso, o filme é surpreendente. Se o que está ali é realmente factual, Tancredo foi tratado em um açougue. Não me admira que tenha morrido por infecção generalizada. O homem ficou aberto numa sala de hospital por pirraça do médico que queria escolher a linha que iria costurá-lo. Se com um presidente da república tratado como herói nacional é assim, imagina o que não fazem com o cidadão comum?!
De modo geral, recomendo o filme. Não terão o mesmo entretnimento que eu tive, com meus companheiros de sessão, mas vão gostar do filme.
Esse é o comentário de alguém que nunca leu o poema original, mas que conhecia boa parte das aventuras de Odisseu advindas de outras mídias.
Dito isso, o filme é bom. Independente de ser uma adaptação, olha de forma restrita como filme: é muito bom!
Há defeitos? Claro que há. As personagens femininas são tão fracas que seriam facilmente dispensáveis (apenas Penélope só salva). Mas ainda assim o roteiro caminha para uma crise de consciência que bate de frente com o status quo da sociedade individualista atual.
Fora isso, a mania de Nolan em usar efeitos práticos só torna tudo mais bonito.
Em vez de uma adaptação, ele tenta ser uma paródia de si mesmo, transformando o que deveria ser uma aventura em uma comédia que busca fazer graça ridicularizando o personagem protagonista.
E não entendam mal, como nostalgia ou como um adulto saudosista. Não é isso. He-man (pelo menos a série clássico, pois não lembro de ter assistido as outras) é um desenho bobo, leve, mal feito no que tange a aspectos técnicos. Mas bobo no sentido da história, não dos personagens. O protagonista é o herói, enquanto o papel ridículo cabe a personagens que são de fato feitos para isso. E até o próprio Esqueleto é um desses personagens feitos para serem ridículos em sua malvadeza.
Mas o filme não. O filme transforma o proprio herói em um personagem ridículo, tentando construir uma jornada do herói de forma descabida. O longa nem sequer diferencia Adam de He-man. Adam é tão bobo quanto He-man... e He-man é tão despreparado quanto Adam. Alguns guerreiros (eu diria todos) chegam a ser burros para que o roteiro possa funcionar.
Foi legal ver referências diretas à série clássica (como a risada com as mãos na cintura, os veículos voadores, a espada fiel ao design original, os figurinos muito bem inspirados no desenho). Mas sem se levar a sério, o roteiro não cativa, o humor fica vazio.
Tentaram fazer com He-man o que foi feito com a Barby. No entanto, a desconstrução da Barby funciona muito bem no filme dela, enquanto neste a Matel errou a mão e transformou tudo em uma grande paródia.
Sem contar que o roteiro também é beeeem fraco em diversos aspectos, independente da má adaptação. Se trocassem o nome para algo original, ainda assim seria fraco.
É o tipo de filme feito por americanos para americanos. Não serve muito para o público externo. E trás bem o que é a visão americana sobre si mesmos já no título ("Leave the World Behind"). Eles em colapso, mas a palavra é 'world' e não 'country'.
Dada a atual conjuntura (que nem é atual, pois existe há quase um século) a gente não consegue nem torcer pelos protagonistas. O país se acabando e eu pensando: finalmente!
Para um norte-americano, talvez o longa traga uma sensação tensa, reflexiva, que o faça interpretar ou temer pela situação que o filme mostra de forma velada... mas pra mim, aqui da periferia do mundo, vejo e penso: ah, esse problema não é meu.
O mérito maior é ter contado a história do ponto de vista do cidadão comum (ainda que o personagem de Mahershala Ali não seja bem um cidadão comum). Essa perspectiva humaniza a situação, consegue gerar certa compaixão... mas não o suficiente para me importar com o caos que está se formando.
Deve ter sido um bom filme por lá, mas por aqui não funciona.
Mas fiquei pensando. A arte (de modo geral) costuma refletir o ambiente no qual é criada e os EUA têm lançado alguns filmes que refletem um ambiente de guerra civil e acirramento interno de ânimos. Guerra Civil (com Wagner Moura), Não Olhe para Cima e mesmo este O Mundo Depois de Nós. Isso mostra um pouco como estão os ânimos por lá.
Taí um filme que já tinha visto em algum momento da vida na Sessão da Tarde, mas que eu nem lembrava que existia. Reassisti recentemente, de forma totalmente despretensiosa e gostei. Tem um tom nostálgico por rever a Witherspoon depois de tanto tempo (por onde ela anda atualmente??) mas também foge aos padrões das comédias românticas. Divertido, emocionante, pouco clichê (ainda que seja) e um pouco inusitado para o gênero. Recomendo!
Como drama histórico, o filme não funciona nada bem. Romantizaram toda a situação, focaram no relacionamento do triângulo amoroso e tiraram todo o peso das decisões do rei, que mudariam de fato a geopolítica ocidental daquela época. Mas como drama romântico, o filme funciona bem. A cenografia e os figurinos convencem bem, a presença de Portman e Johansson são marcantes e o elenco de apoio é excelente. A trama se desenvolve bem e consegue surpreender quem já conhece a história real (afinal eles criam situações que vão além do descrito nos livros de História). Vale a pena como drama romântico de época, mas não como drama histórico.
Demorei só 20 anos pra assistir esse filme. Me lembro que o plot twist foi muito comentado na época, me lembro de ter sido algo polêmico. Mas assistindo hoje (e assisti já sabendo bem qual era o plot, pois tomei spoiler no passado) não vi nada de mais. O plot é sim legal, mas o filme é fraco, o roteiro é carregado de coincidências muito convenientes para os protagonistas. É um filme mediano, dá uma boa diversão.
É um filme leve, bem família, com um final emocionante e até mesmo surpreendente (principalmente por se tratar de uma história real). Mas é bem longo, maçante, com um segundo ato que não desperta interesse. Com certeza deve ser muito legal para se assistir quando é criança, mas depois de adulto fica meio chato. O que faz o filme valer a pena é saber que é baseado numa história real e, como já disse antes, surpreendente.
Um adendo: quem é fã de Sessão da Tarde vai gostar de ver o Scott Wolf no filme. Demorei pra lembrar de onde eu o conhecia. rs
Aquela comédia romântica clichê, que a gente assiste já sabendo exatemente o que vai acontecer: O casal que não tá afim um do outro, daí a convivência os aproxima e, de repente, ambos se percebem apaixonados - o que é absurdo, afinal como alguém pode se apaixonar por essa pessoa? Então vem o conflito interno, o momento de aceitação e o conflito externo (um deles tem um namorado ou vai casar). Daí eles se declaram e ficam juntos. Enfim, toda coméida romântica é assim. O diferencial dessa é que ela tem uns diálogos pesados sobre relacionamento. Vários comentários dizendo que são a verdade nua e crua, mas não são... são preconceitos e, muitas das vezes, puro machismo, mas ainda assim são diálogos fortes - mesmo que apresentados de maneira cômica. Dá pra se divertir bem.
Existe uma única coisa boa em Michael: o desconhecido Jaafar Jackson. Tirando isso, o filme é raso, romantizado, caricato... e ameniza MUITO todos os sofrimentos de Michael Jackson. Simplesmente pegaram a vida do maior astro que o mundo já viu e tiraram tudo dela.
Entendam uma coisa: Michael odiava o pai e não se dava bem com a família. Então A FAMÍLIA FEZ UM FILME onde todos são santos e Michael é um egoísta querendo ganhar a vida sozinho. Basta ver uma única entrevista de Michael para saber que o filme é totalmente mentiroso.
Mas vamos pra uma análise mais cinematográfica e menos biográfica. Jaafar Jackson está impecável em seu papel de estreia. E a parte técnica conseguiu recreiar com mestria alguns momentos da vida de Michael (estou falando estritamente dos clipes). Mas o que há no filme se não recriações de cenas originais? O roteiro preguiçoso optou por mostrar o que o mundo já viu, deixando de lado os bastidores do astro... ou seja, contaram a vida do astro, não da pessoa. A direção deixa muito a desejar também, afinal falta originalidade no filme, buscando sempre copiar o que já existe. Enfim, um filme desrespeitoso e um grande desperdício de tempo e dinheiro.
Aquele tipo de filme que eu demoro anos pra assistir, e quando assisto me arrependo de ter esperado tanto. Que obra incrível! Pensada em todos os seus detalhes. É quando um conto de fadas moderno. Ralf Fiennes, de cara limpa mesmo, está irreconhecível no papel. Eu demorei um tempo para perceber que era ele. A arte e toda a estética criada para o filme é perfeita. E o modo como o roteiro se desenvolve... uma história, dentro de uma história, dentro de outra história. Que incrível isso! Coisa de gênio!
Um pouco super estimado, mas ainda assim um bom filme. É divertido e dramático na medida certa. Cativante de um modo inusitado (afinal, quem poderia acreditar que seria cativado por uma pedra estilo pokémon sem rosto?) Cientificamente o filme deixa a desejar bastante, por se tratar de uma ficção científica, mas compensa de outras formas. O mais interessante com certeza é a direção de arte e o design alienígena, criativo e interessante.
Tantas coisas para dizer sobre este filme. Um longa verdade, com visual realista, cru, sem firulas na fotografia, com uma direção de arte sutil que monta cenários autênticos e críveis.
O roteiro é também é construído de forma interessante, criando uma história que é ao mesmo tempo cômica e suspense. Afinal de constas, são pessoas comuns, vítimas movidas por raiva, por ódio, pelo sentimento de vingança contra aquele que os torturou, mas ao mesmo tempo incapazes de fazer igual. O longa pode ser um pouco maniqueísta, sim, mas é um maniqueísmo real.
Sonhos de Trem e Hamnet têm a mesma premissa. Pais que vivem ausentes para ganhar a vida, perdendo o crescimento dos filhos e, por fim, vivendo o luto e a culpa. Ainda que Hamnet seja melhor, Sonhos de Trem tem algo de atual. Enquanto em Hamnet, Shakespeare vive longe para viver seu sonho e sua real natureza, em Sonhos de Trem, Robert Grainier se ausenta contra sua vontade, contra se natureza, por necessidades financeiras. Ele perde tudo enquanto buscava sustento para tudo, criando um paradoxo de culpa e luto.
Ainda que eu também considere a fotografia de Hamnet melhor que a de Valor Sentimental, o trabalho de Adolpho Veloso é impecável. As tomadas escolhidas, a iluminação, os movimentos sutis, fazem parte da melancolia do filme, ajudam a compor seu propósito de uma forma imersiva.
Enfim, um filme triste, atual e realista. Um dos melhores da temporada do Oscar desse ano.
Pra mim, o pior filme dessa temporada do Oscar. É bom tecnicamente, a atuação do Chalament realmente é interessante, mas o filme não consegue cativar. Na verdade, o protagonista não cativa. Ao longo do filme, só conseguia me lembrar de Jóias Brutas. A idéia é mais ou menos a mesma. Em ambos os filmes, os protagonistas são FDP, embos eles querem se dar bem a qualquer custo... a diferença é que Adam Sandler consegue cativar o expectador. Chalamet não (e a culpa nem é dele, mas do roteiro).
O final é frustrante ao mesmo tempo que já era o esperado. Enfim, não assistiria novamente.
O filme tem uma premissa interessante, aborda um tema atual de forma satírica, mas deixa a desejar de alguma forma. Precisaria assistir de novo para opinar melhor.
Eu não conheço o original, então naõ posso fazer comparações. De modo geral, gostei do longa. Não é o tipo de filme que me cativa, tem personagens rasos em suas construções, alguns subterfúgios de rooteiro que não convencem. Mas é divertido de assistir, tem um cenário imersivo e boas cenas de ação.
Duas palavras para descrever esse filme: beleza e dor.
Cada take do longa é uma pintura, uma obra de arte, com cenário milimetricamente construídos, iluminação impecável, paleta de cores muito bem escolhida. É bonito, mas é uma beleza fria, melancólica, triste mesmo.
Já o roteiro trás um tema que é pesado e universal. Trata de um sentimento que todos têm ou terão um dia: o luto. E é bonito como cada um ali lida com o luto à sua própria maneira. Uma filme é uma fábrica de lágrimas.
Em uma palavra: bizarro. Quando a realidade cria uma bizarrice que só a ficção seria capaz de fazer. O documentário em si não tem nada de mais, mas a história, o fato, a realidade é bizarra. Dei 5 estrelas só porque me fez ver que as pessoas são mais doentes do que se pode imaginar.
Não sei quantas vezes assistir a Saneamento Básico, mas fazia tempo que não via. É um filme excelente, metalinguístico, que tráz o cinema para dentro do cinema. Uma homenagem brasileira à sétima arte, mas sem grandiosidade: o cinema como arte popular, cabível a todos. Os personagens são carismáticos, muito bem desenvolvidos, com atuações ótimas. É impressionante como todos se encaixam muito bem.
É um filme brasileiro que foge aos padrões: não se passa nem no nordeste, nem no eixo Rio-São Paulo, mas no interior do Rio Grande do Sul; não se trata de pobreza extrema, mas da pobreza das comunidades simples que necessitam do estado para se estruturar; não tem violência explícita, mas a violência do estado que usurpa a população. Enfim, é divertido, singelo, emocionante e cativante.
Minha Melhor Amiga
3.6 65Eu apoio o cinema brasileiro, mas é difícil apoiar quando o cinema brasileiro é isso.
Ingrid Guimarães e Mônica Martelli fazem sempre o mesmo filme e interpretam sempre a mesma personagem (sempre elas mesmas). Por si, isso já é um problema nesse longa. Mas não é só. A comédia funciona quando o público ri de algo sério, não quando o personagem ri de si mesmo a cada 20 segundos. Isso só funciona com Nair Belo e Hebe Camargo.
Mas talvez eu, homem, apenas não seja o público-alvo do filme e por isso não tenha gostado.
El Camino: Um Filme de Breaking Bad
3.7 857 Assista AgoraRevisitei o longa após assistir a série novamente (pela quarta vez -- ou seria quinta? Me perdi).
Ainda que Breakin Bad se baste e tenha um final muito bem definido, El Camino é um afago para os fãs e saboroso por dar o momento de glória para Jesse Pinkman.
O roteiro não faz jus aos roteiros dos epsódios da série, se desenrolando em uma sequência de conflitos e buscas novelescos, mas ainda assim consegue entregar uma ótima trama.
Ainda que a série se baste, é bom saber que depois de tanto sofrimento as coisas terminaram bem par ao Jesse.
A Última Casa
2.6 385 Assista AgoraAcho que o Wagner Moura tava precisando pagar umas contas quando aceitou fazer esse filme.
A premissa já começa estranha, mas aceitável. Afinal não importa muito a explicação se o desenrolar da história tiver uma alegoria interessante. Mas não tem história e o desfecho é preguiçoso, sem sentido, bobo.
O Paciente - O Caso Tancredo Neves
3.4 70Assisti a este filme bem de frente para um dos cenários reais desta história.
Moro em São João del-Rei, terra de Tancredo, e, para comemorar a entrada do filme no catálogo da Netflix, a prefeitura exibiu o filme bem diante do Solar dos Neves, a residência oficial da família e lugar onde ele morou por muitos anos depois de casado.
Era uma noite de julho de 2026, frio pra cacete!!
Ao meu lado, além da namorada, um desses personagens que toda cidade do interior tem, desses que faltam parafusos na cabeça. Ele fez comentário o filme todo: "Coitado do homi, maltrataro ele demais"... "Fizero de tudo pra ele num chegá no poder, es sabia que o homi ia fazer esse país melhor"... "Esse povo era ruim com quem era bom"... "É por isso que esse país tá assim até hoje"... Quando o Sarney apareceu, ele soltou: "Esse era bom tamém, pena que já morreu".
Eu fui pra corrigir, dizer que o Sarney ainda estava vivo (jamais que eu ia contrariar a outra parte da frase rs), mas minha namorada me xingou, mandou eu ficar quieto e não puxar assunto. haha
Por fim chegou outro e ficou assistindo o filme de pé, na frente de todo mundo. Puxou assunto com o colega que tava do meu lado: "Eu tenho a caneta de ouro que ele assinava os documento dele... tenho até hoje guardada lá em casa, vô trazê procê vê... tô falando sério, é de ouro, ele que me deu. Homi bão era esse."
Mas logo alguém tirou ele de lá e mandou sentar pra não atrapalhar os outros a assistirem.
Essas foram só algumas das frases que ouvi. Eu tava me divertindo mais com o sujeito do meu lado que com o filme.
São João del-Rei só tem doido. haha
Mas agora vamos falar de coisa séria. Tekpix? Não, o filme do Tancredo.
Eu não sabia da sua existência até ser anunciado catálogo da netflix e, com isso, ganhar destaque nos anúncios da prefeitura daqui.
É um filme, com uma ótima atuação do Othon Bastos (o filme todo vale a pena só por ter ele no papel principal).
Tancredo foi pintado com certo romantismo pelo roteiros, com algumas falas heróicas pouco naturais de se dizer quando se está enfermo às portas da morte. Mas é até compreensivo.
Nunca foi flor que se cheire, tem um passado complicado como todo político. Mas depois de 20 anos de ditadura, se tornou um símbolo. Naquele momento ele não era o homem Tancredo, era o Presidente Civil que encerraria com a ditadura.
Mas tirando isso, o filme é surpreendente. Se o que está ali é realmente factual, Tancredo foi tratado em um açougue. Não me admira que tenha morrido por infecção generalizada. O homem ficou aberto numa sala de hospital por pirraça do médico que queria escolher a linha que iria costurá-lo. Se com um presidente da república tratado como herói nacional é assim, imagina o que não fazem com o cidadão comum?!
De modo geral, recomendo o filme. Não terão o mesmo entretnimento que eu tive, com meus companheiros de sessão, mas vão gostar do filme.
A Odisseia
4.2 585Esse é o comentário de alguém que nunca leu o poema original, mas que conhecia boa parte das aventuras de Odisseu advindas de outras mídias.
Dito isso, o filme é bom. Independente de ser uma adaptação, olha de forma restrita como filme: é muito bom!
Há defeitos? Claro que há. As personagens femininas são tão fracas que seriam facilmente dispensáveis (apenas Penélope só salva). Mas ainda assim o roteiro caminha para uma crise de consciência que bate de frente com o status quo da sociedade individualista atual.
Fora isso, a mania de Nolan em usar efeitos práticos só torna tudo mais bonito.
Mestres do Universo
3.2 461 Assista AgoraO novo filme do He-Man é... bobo.
Em vez de uma adaptação, ele tenta ser uma paródia de si mesmo, transformando o que deveria ser uma aventura em uma comédia que busca fazer graça ridicularizando o personagem protagonista.
E não entendam mal, como nostalgia ou como um adulto saudosista. Não é isso.
He-man (pelo menos a série clássico, pois não lembro de ter assistido as outras) é um desenho bobo, leve, mal feito no que tange a aspectos técnicos. Mas bobo no sentido da história, não dos personagens.
O protagonista é o herói, enquanto o papel ridículo cabe a personagens que são de fato feitos para isso. E até o próprio Esqueleto é um desses personagens feitos para serem ridículos em sua malvadeza.
Mas o filme não. O filme transforma o proprio herói em um personagem ridículo, tentando construir uma jornada do herói de forma descabida. O longa nem sequer diferencia Adam de He-man. Adam é tão bobo quanto He-man... e He-man é tão despreparado quanto Adam.
Alguns guerreiros (eu diria todos) chegam a ser burros para que o roteiro possa funcionar.
Foi legal ver referências diretas à série clássica (como a risada com as mãos na cintura, os veículos voadores, a espada fiel ao design original, os figurinos muito bem inspirados no desenho).
Mas sem se levar a sério, o roteiro não cativa, o humor fica vazio.
Tentaram fazer com He-man o que foi feito com a Barby. No entanto, a desconstrução da Barby funciona muito bem no filme dela, enquanto neste a Matel errou a mão e transformou tudo em uma grande paródia.
Sem contar que o roteiro também é beeeem fraco em diversos aspectos, independente da má adaptação. Se trocassem o nome para algo original, ainda assim seria fraco.
O Mundo Depois de Nós
3.2 996 Assista AgoraÉ o tipo de filme feito por americanos para americanos. Não serve muito para o público externo. E trás bem o que é a visão americana sobre si mesmos já no título ("Leave the World Behind"). Eles em colapso, mas a palavra é 'world' e não 'country'.
Dada a atual conjuntura (que nem é atual, pois existe há quase um século) a gente não consegue nem torcer pelos protagonistas. O país se acabando e eu pensando: finalmente!
Para um norte-americano, talvez o longa traga uma sensação tensa, reflexiva, que o faça interpretar ou temer pela situação que o filme mostra de forma velada... mas pra mim, aqui da periferia do mundo, vejo e penso: ah, esse problema não é meu.
O mérito maior é ter contado a história do ponto de vista do cidadão comum (ainda que o personagem de Mahershala Ali não seja bem um cidadão comum). Essa perspectiva humaniza a situação, consegue gerar certa compaixão... mas não o suficiente para me importar com o caos que está se formando.
Deve ter sido um bom filme por lá, mas por aqui não funciona.
Mas fiquei pensando. A arte (de modo geral) costuma refletir o ambiente no qual é criada e os EUA têm lançado alguns filmes que refletem um ambiente de guerra civil e acirramento interno de ânimos. Guerra Civil (com Wagner Moura), Não Olhe para Cima e mesmo este O Mundo Depois de Nós. Isso mostra um pouco como estão os ânimos por lá.
E Se Fosse Verdade...
3.6 1,5K Assista AgoraTaí um filme que já tinha visto em algum momento da vida na Sessão da Tarde, mas que eu nem lembrava que existia. Reassisti recentemente, de forma totalmente despretensiosa e gostei. Tem um tom nostálgico por rever a Witherspoon depois de tanto tempo (por onde ela anda atualmente??) mas também foge aos padrões das comédias românticas.
Divertido, emocionante, pouco clichê (ainda que seja) e um pouco inusitado para o gênero.
Recomendo!
A Outra
3.8 988 Assista AgoraComo drama histórico, o filme não funciona nada bem. Romantizaram toda a situação, focaram no relacionamento do triângulo amoroso e tiraram todo o peso das decisões do rei, que mudariam de fato a geopolítica ocidental daquela época.
Mas como drama romântico, o filme funciona bem. A cenografia e os figurinos convencem bem, a presença de Portman e Johansson são marcantes e o elenco de apoio é excelente. A trama se desenvolve bem e consegue surpreender quem já conhece a história real (afinal eles criam situações que vão além do descrito nos livros de História).
Vale a pena como drama romântico de época, mas não como drama histórico.
A Ilha
3.4 906Demorei só 20 anos pra assistir esse filme.
Me lembro que o plot twist foi muito comentado na época, me lembro de ter sido algo polêmico.
Mas assistindo hoje (e assisti já sabendo bem qual era o plot, pois tomei spoiler no passado) não vi nada de mais. O plot é sim legal, mas o filme é fraco, o roteiro é carregado de coincidências muito convenientes para os protagonistas.
É um filme mediano, dá uma boa diversão.
O Resgate de Ruby
3.8 57 Assista AgoraÉ um filme leve, bem família, com um final emocionante e até mesmo surpreendente (principalmente por se tratar de uma história real).
Mas é bem longo, maçante, com um segundo ato que não desperta interesse.
Com certeza deve ser muito legal para se assistir quando é criança, mas depois de adulto fica meio chato.
O que faz o filme valer a pena é saber que é baseado numa história real e, como já disse antes, surpreendente.
Um adendo: quem é fã de Sessão da Tarde vai gostar de ver o Scott Wolf no filme. Demorei pra lembrar de onde eu o conhecia. rs
A Verdade Nua e Crua
3.5 2,1K Assista AgoraAquela comédia romântica clichê, que a gente assiste já sabendo exatemente o que vai acontecer:
O casal que não tá afim um do outro, daí a convivência os aproxima e, de repente, ambos se percebem apaixonados - o que é absurdo, afinal como alguém pode se apaixonar por essa pessoa? Então vem o conflito interno, o momento de aceitação e o conflito externo (um deles tem um namorado ou vai casar). Daí eles se declaram e ficam juntos.
Enfim, toda coméida romântica é assim.
O diferencial dessa é que ela tem uns diálogos pesados sobre relacionamento. Vários comentários dizendo que são a verdade nua e crua, mas não são... são preconceitos e, muitas das vezes, puro machismo, mas ainda assim são diálogos fortes - mesmo que apresentados de maneira cômica.
Dá pra se divertir bem.
Michael
3.7 534 Assista AgoraExiste uma única coisa boa em Michael: o desconhecido Jaafar Jackson.
Tirando isso, o filme é raso, romantizado, caricato... e ameniza MUITO todos os sofrimentos de Michael Jackson.
Simplesmente pegaram a vida do maior astro que o mundo já viu e tiraram tudo dela.
Entendam uma coisa: Michael odiava o pai e não se dava bem com a família. Então A FAMÍLIA FEZ UM FILME onde todos são santos e Michael é um egoísta querendo ganhar a vida sozinho.
Basta ver uma única entrevista de Michael para saber que o filme é totalmente mentiroso.
Mas vamos pra uma análise mais cinematográfica e menos biográfica.
Jaafar Jackson está impecável em seu papel de estreia. E a parte técnica conseguiu recreiar com mestria alguns momentos da vida de Michael (estou falando estritamente dos clipes).
Mas o que há no filme se não recriações de cenas originais?
O roteiro preguiçoso optou por mostrar o que o mundo já viu, deixando de lado os bastidores do astro... ou seja, contaram a vida do astro, não da pessoa.
A direção deixa muito a desejar também, afinal falta originalidade no filme, buscando sempre copiar o que já existe.
Enfim, um filme desrespeitoso e um grande desperdício de tempo e dinheiro.
Michael não meria isso.
O Grande Hotel Budapeste
4.2 3,1KAquele tipo de filme que eu demoro anos pra assistir, e quando assisto me arrependo de ter esperado tanto.
Que obra incrível! Pensada em todos os seus detalhes. É quando um conto de fadas moderno.
Ralf Fiennes, de cara limpa mesmo, está irreconhecível no papel. Eu demorei um tempo para perceber que era ele.
A arte e toda a estética criada para o filme é perfeita. E o modo como o roteiro se desenvolve... uma história, dentro de uma história, dentro de outra história. Que incrível isso! Coisa de gênio!
Devoradores de Estrelas
4.0 799 Assista AgoraUm pouco super estimado, mas ainda assim um bom filme.
É divertido e dramático na medida certa. Cativante de um modo inusitado (afinal, quem poderia acreditar que seria cativado por uma pedra estilo pokémon sem rosto?)
Cientificamente o filme deixa a desejar bastante, por se tratar de uma ficção científica, mas compensa de outras formas.
O mais interessante com certeza é a direção de arte e o design alienígena, criativo e interessante.
Foi Apenas um Acidente
3.8 204 Assista AgoraTantas coisas para dizer sobre este filme.
Um longa verdade, com visual realista, cru, sem firulas na fotografia, com uma direção de arte sutil que monta cenários autênticos e críveis.
O roteiro é também é construído de forma interessante, criando uma história que é ao mesmo tempo cômica e suspense. Afinal de constas, são pessoas comuns, vítimas movidas por raiva, por ódio, pelo sentimento de vingança contra aquele que os torturou, mas ao mesmo tempo incapazes de fazer igual. O longa pode ser um pouco maniqueísta, sim, mas é um maniqueísmo real.
Sonhos de Trem
3.7 363 Assista AgoraSonhos de Trem e Hamnet têm a mesma premissa. Pais que vivem ausentes para ganhar a vida, perdendo o crescimento dos filhos e, por fim, vivendo o luto e a culpa. Ainda que Hamnet seja melhor, Sonhos de Trem tem algo de atual.
Enquanto em Hamnet, Shakespeare vive longe para viver seu sonho e sua real natureza, em Sonhos de Trem, Robert Grainier se ausenta contra sua vontade, contra se natureza, por necessidades financeiras. Ele perde tudo enquanto buscava sustento para tudo, criando um paradoxo de culpa e luto.
Ainda que eu também considere a fotografia de Hamnet melhor que a de Valor Sentimental, o trabalho de Adolpho Veloso é impecável. As tomadas escolhidas, a iluminação, os movimentos sutis, fazem parte da melancolia do filme, ajudam a compor seu propósito de uma forma imersiva.
Enfim, um filme triste, atual e realista. Um dos melhores da temporada do Oscar desse ano.
Marty Supreme
3.6 379 Assista AgoraPra mim, o pior filme dessa temporada do Oscar.
É bom tecnicamente, a atuação do Chalament realmente é interessante, mas o filme não consegue cativar. Na verdade, o protagonista não cativa.
Ao longo do filme, só conseguia me lembrar de Jóias Brutas. A idéia é mais ou menos a mesma. Em ambos os filmes, os protagonistas são FDP, embos eles querem se dar bem a qualquer custo... a diferença é que Adam Sandler consegue cativar o expectador. Chalamet não (e a culpa nem é dele, mas do roteiro).
O final é frustrante ao mesmo tempo que já era o esperado. Enfim, não assistiria novamente.
Pecadores
4.0 1,3K Assista AgoraUm terror metafórico. Me lembrou muito Um Drink no Inferno, porém com mais glamour que a obra de Rodriguez e Tarantino.
Uma Batalha Após a Outra
3.7 687 Assista AgoraO filme tem uma premissa interessante, aborda um tema atual de forma satírica, mas deixa a desejar de alguma forma.
Precisaria assistir de novo para opinar melhor.
Sete Homens e Um Destino
3.6 597 Assista AgoraEu não conheço o original, então naõ posso fazer comparações.
De modo geral, gostei do longa. Não é o tipo de filme que me cativa, tem personagens rasos em suas construções, alguns subterfúgios de rooteiro que não convencem. Mas é divertido de assistir, tem um cenário imersivo e boas cenas de ação.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 486 Assista AgoraDuas palavras para descrever esse filme: beleza e dor.
Cada take do longa é uma pintura, uma obra de arte, com cenário milimetricamente construídos, iluminação impecável, paleta de cores muito bem escolhida. É bonito, mas é uma beleza fria, melancólica, triste mesmo.
Já o roteiro trás um tema que é pesado e universal. Trata de um sentimento que todos têm ou terão um dia: o luto.
E é bonito como cada um ali lida com o luto à sua própria maneira.
Uma filme é uma fábrica de lágrimas.
Número Desconhecido: Catfishing na Escola
3.3 142 Assista AgoraEm uma palavra: bizarro.
Quando a realidade cria uma bizarrice que só a ficção seria capaz de fazer.
O documentário em si não tem nada de mais, mas a história, o fato, a realidade é bizarra. Dei 5 estrelas só porque me fez ver que as pessoas são mais doentes do que se pode imaginar.
Saneamento Básico, O Filme
3.7 843 Assista AgoraNão sei quantas vezes assistir a Saneamento Básico, mas fazia tempo que não via.
É um filme excelente, metalinguístico, que tráz o cinema para dentro do cinema. Uma homenagem brasileira à sétima arte, mas sem grandiosidade: o cinema como arte popular, cabível a todos.
Os personagens são carismáticos, muito bem desenvolvidos, com atuações ótimas. É impressionante como todos se encaixam muito bem.
É um filme brasileiro que foge aos padrões: não se passa nem no nordeste, nem no eixo Rio-São Paulo, mas no interior do Rio Grande do Sul; não se trata de pobreza extrema, mas da pobreza das comunidades simples que necessitam do estado para se estruturar; não tem violência explícita, mas a violência do estado que usurpa a população. Enfim, é divertido, singelo, emocionante e cativante.
Um dos meus filmes nacionais favoritos.