Infelizmente assistido, pra não deixar de fora da filmografia desse diretor. Terminei arrependido. Gosto do Eggers, mas esse filme é sofrível e indefensável. Nota: DÓ maior.
Elenco enfadonho, intrigas rasas, conflitos previsíveis, tudo muito insosso no mesmo estilo global de "Malhação". Demorei uma eternidade pra conseguir assistir a temporada toda. Esse desdobramento da excelente série Merlí tinha muito potencial, mas tomou uma direção furreca, tornando os personagens insuportáveis, inclusive o protagonista. O desfecho dela é muito nonsense, e a segunda temporada que já iniciei foi ficando mais nonsense ainda. Tem coisa que não merece continuidade se for pra deixar malfeito.
Pra mim a diretora já supera em muito o Tarantino, sem apelar à tortura como recurso narrativo. Mas trazendo inúmeras referências do gênero. O diferencial aqui é a denúncia à machulência, em que os homens, para exercer domínio, recorrem à crueldade contra mulheres. Vivemos num sistema misógino, e a diretora consegue literalmente colocar o dedo na ferida, como mostra a cena emblemática do diálogo final: "por que mulheres sempre ficam na defensiva?". E assim, ela denuncia o silêncio dos homens, que sempre estão acobertando uns aos outros para cometerem atrocidades. Onde numa realidade nada paralela, são escrotos o bastante como ela retrata tanto nesse filme como em "A substância". Uma pessoa estuprada nunca terá justiça, as sequelas são pra toda vida. Ela merece vingança. Ainda que o filme tenha muito gore, com cenas altamente desagradáveis de assistir, a violência gráfica e a sanguinolência do filme cumprem uma estética própria que valorizam a ação e o protagonismo feminino. A francesa é muito competente, vale acompanhar cada produção dela.
"A Substância" é uma sátira perturbadora não por ser um filme de ficção à la Cronenberg, e sim por descrever piamente a realidade cruel que estamos a viver, onde mulheres buscam ingerir ovos de tênia para perder peso (google it, aqui iria marcar como spam). Todo mundo achando exagerado e se incomodando com o teor grotesco, bizarro, mas é justamente essa busca frenética e adoecedora que a diretora tentou denunciar com mestria nesse ótimo filme. A propósito, o mais horripilante pra mim foram as cenas que apareciam a machulência caquética, um bando de homem feio e acabado querendo ditar padrões de beleza femininos. Eu achei terrivelmente nojento as cenas com o Dennis Quaid, me deixaram nauseado a cada aparição dele, que tá fantástico no papel. A pressão, o terrorismo psicológico, ele é o que representa o verdadeiro horror do filme. Tem muita referência legal, como Carrie a estranha, e a figura da Medusa, que vem na cena final. A mesma sensação horripilante quando Elizabeth é vista como aberração, na qual as pessoas saíam petrificadas. É um filme memorável que merece todo reconhecimento que tem recebido, Demi Moore devia levar o Oscar.
Pra acompanhar o relato dessa tragédia, basta assistir o primeiro e o último episódio. O resto é pra encher linguiça, tem um timing moroso e enfadonho. Demorei meses pra conseguir concluir.
Fora as paisagens e a trilha sonora, o filme me incomodou bastante. Não pela condução em si, não se trata de um furo de roteiro aqui, mas desse marasmo excessivo que atravessa todo o filme. De uma permissividade, torpor e letargia tão absurdos dos personagens que ao final, a sensação que dá é que eles mereciam mesmo aquela violência gratuita. Sintetizada na frase do psicopata "porque vocês deixaram". E assim caminha o ocidente rumo à autodestruição, um modelo de cultura falido condescendente com a barbárie ao seu redor pra não se indispor ou quebrar o decoro uns com os outros. Algo simples, que parece estúpido, se as pessoas tivessem a coragem, a decência e a audácia de se manifestar que não está de acordo com certas situações, evitaria apuros desnecessários.
Para um filme de fechamento da trilogia, deixou muito a desejar. O diretor fez um enredo preguiçoso aqui, trazendo apenas algumas mortes gratuitas. Nada de suspense ou horror. Eu nem colocaria no gênero slasher, pois tem mais elementos noir que tentam sustentar uma premissa um tanto óbvia, mas com muito potencial. Colocar um crente fanático como o assassino em série me agradou, porque é algo perfeitamente plausível. Fanáticos matam e morrem por qualquer causa. E seus discursos inflamados propagam sentenças de morte. É uma ideia um tanto original para se valer em filmes do gênero, pena que foi abordado de forma capenga. Mas a ambientação dos anos 80, do figurino à trilha sonora, é impecável.
Meteram a Lottie e fizeram crescer ainda mais a narrativa delirante. Ficou sem pé sem cabeça essa temporada. Se querem insistir na floresta como uma entidade maligna que exige sacrifícios, por que ainda não explicaram quem foi a menina morta e devorada de forma ritualística, como mostraram na cena que abre a série na primeira temporada? Uma moça correndo sendo capturada numa armadilha, esqueceram ou vão dar uma de doido e nem voltar mais nisso? Colocaram um centro holístico onde as "terapias" tão mais pra coach quântico. Focaram em estórias chatíssimas, tanto na atualidade como aquela moça insuportável golpeada pela Natalie (que acabou perdendo a vida por ela numa cena rocambolesca que parecia novela indiana), e no passado focaram em novas meninas que nada agregaram à narrativa. As únicas personagens fidedignas ao passado eram Natalie e Misty, agora Van. Porém, introduziram um maluco pastelão pra engatar romance com a Misty. O cara mata e morre por ela!??. E tudo é absurdamente atabalhoado pra se esconder da polícia: Jeff, filha, Shauna, que parece ter mudado de personalidade nos dias atuais. E a Taissa fragmentada, senadora eleita que some no mapa por dias pra ficar num local onde telefones são RECOLHIDOS? fala sério... Com o treinador, o que houve? Foi morto e comido por elas? Enfim, muitas perguntas sem respostas, enrolação ao máximo em 9 episódios que deviam ser 7. Mas a especialidade do Showtime é estragar séries com potencial, principalmente no desfecho - como ocorreu em Penny Dreadful.
Fiquei nauseado com a câmera trêmula, não me seduz nada esse tipo fake de found footage. Apesar da interessante perspectiva do gato de Schrödinger, o filme é um tanto confuso e se perde em detalhes bobos que tentam trazer dramaticidade ao enredo. Mas não me comoveu em nada, os personagens são tão descartáveis que podiam ser aniquilados em todas as realidades paralelas possíveis que ainda não fariam falta.
Achei superestimado. Desse filme, o que mais dá pra apreciar são as partidas de tênis, especialmente da cena final que é um espetáculo à parte. Apesar de esteticamente razoável, não me convenceu os saltos temporais que as legendas mais deixavam confusos do que esclareciam a linha do tempo. O filme até tem seus momentos de sensualidade, mas a triangulação amorosa é tão insossa quanto o tênis em si. Tem planos muito repetitivos que delongaram a duração do filme desnecessariamente, mas pelo menos tem Caetano pra abrilhantar a trilha.
Finalmente história de gays trambiqueiras. Ninguém aguenta mais só história de gay sofrendo. Queremos mais gays assim: gay empinando moto, gay dando tiro, etc.
O tema é bastante interessante, a obsessão um tanto psicótica do personagem com os números, especialmente em desvendar o pi. Me lembrou um excelente curso que fiz na faculdade, de lógica e filosofia da matemática. Entretanto, o ritmo desse filme não me envolveu. Apesar de gostar muito do Aronofsky, mesmo sendo o primeiro e com baixo orçamento eu esperava mais. Achei um tanto enfadonho, levei dois dias pra acabar. Mas é legal de ver o gestar criativo do diretor desde o princípio, pois esse filme dá a tônica dos demais de sua promissora carreira.
Jamais tinha visto sujeito tão perverso quanto o JP. E olhe que já vi muitos personagens simpáticos por atrocidades, como em Game of Thrones. Mas nada se compara a esse. Eu não duvido que exista um ser tão desprezível como o John Paul. Então violência não é uma pergunta, é a resposta. Cada episódio de reviravolta me dava um nervoso de saber que ninguém detinha esse cara. Mais resistente que baratas pra morrer, como a própria Bibi comenta num dos últimos episódios. Mas ver o desfecho desse homem podre lavou a alma, e saiu melhor do que as tentativas de assassinato atrapalhadas das irmãs. Série muito bem feita, com boa dose de dramédia pra abordar o tema tão delicado da violência contra a mulher em relacionamentos abusivos. É triste de acompanhar na vida real, e eu tenho várias amigas que já viveram com homens como JP, a tragédia de mulheres que demoram a reconhecer violência psicológica e passam anos sendo minadas em sua autoestima, desvitalizadas até se reduzirem a uma morta-viva, como a Grace.
"finalmente história de gays trambiqueiras. ninguém aguenta mais só história de gay sofrendo. queremos mais gays assim: gays empinando moto, gays dando tiro, etc."
Gostei. Mistura dramédia, equilibrando bem entre suspense e humor nonsense. Mesmo estilo cômico de situações trágicas como em "Better call Saul", que muito me agradou. Vou continuar acompanhando as estabanadas do Barry nas outras temporadas, comecei sem compromisso e foi satisfatório. Apesar de algumas situações óbvias e até irritantes de alguns personagens, a série tem potencial e consegue transitar bem entre os maneirismos do mundo da atuação e as agruras da vida real, que orbitam no entorno do protagonista. Aqui, evidentemente, a fórmula não é nova: mafiosos, situações-limite, dilemas morais, busca por redenção. Mas com certeza, a série é estimulante na jornada de tantos infortúnios e suas consequências, no melhor estilo desse gênero (como em Breaking Bad e Fargo, por exemplo), então recomendo muito.
Achei um tanto confusa no início, mas da metade pro fim ela engatou bem. É um tema atualíssimo, pois o fanatismo afeta várias instâncias da vida: técnica, política, artística. O fanatismo consumista pela "marca melhor", pela diva pop deificada pela indústria cultural, o fanatismo pelo político de estimação com discurso messiânico, o fanatismo religioso... e assim vemos a sociedade de massas se alienando e se destruindo pelo apego doentio a figuras públicas que surfam nessa onda, sendo tratadas como verdadeiras divindades no planeta. Com muito deboche e sarcamo, vemos pouco a pouco como é a mente do fanático, levado ao limite da degradação, sujeitando-se a sevícias para "devorar" seu artista preferido. Adorei a analogia com a diva pop - qualquer semelhança não é mera coincidência com a diva mais venerada do momento. O diálogo no último episódio me pegou, porque podia ter sido eu debatendo com algum fanático dessa fanbase. Algo do tipo "o ingresso custou uma fortuna, e a música nem é lá grandes coisas, só pra ver essa criatura performática e seu marido interesseiro!? Dispenso, prefiro gastar com uma viagem" 🗣 Não sei se vai ter outra temporada, mas o recado final me trouxe a ideia de que o colapso deixa de ser fatalista e passa a ser uma esperança.
Filme bom, porém final merda e totalmente em aberto. Achei muito superior a White Lotus, o conceito é o mesmo porém menos enfadonho. Para quem gosta de filmes com ricaços se fudendo, recomendo "o Menu", bem interessante também.
Ted Lasso é uma série encantadora. Encerrou de forma bonita e nostálgica, pois deixará muita saudade. Espero de verdade que ela ainda tenha o reconhecimento que merece. Ao ver essa série, entendi como o futebol mobiliza tanto as paixões humanas. Nunca fui fã do esporte, desde criança, seja jogando ou assistindo. Mas admito que essa capacidade de mobilizar massas inteiras de pessoas sempre me causou espanto, e percebo que se deve sobretudo às reviravoltas do jogo. Assim como ocorrem reviravoltas na vida, a série foi magistral ao mostrar o time saindo do abismo e encontrando a glória. Através de um treinador simples e otimista, conseguiu trazer o senso de pertença coletiva dos jogadores, criando novas estratégias que inclusive os encorajavam a elevar sua autoestima em campo. Com muito cuidado e dedicação, Ted trouxe pouco a pouco o senso originário de brincar com uma bola ao jogar, em vez de revanchismo. E é um brincar genuíno, comovente, repleto de delicadeza, que conectou a todos os integrantes do time, do gandula até a presidente do Richmond. Foi muito bonito acompanhar essa evolução dos personagens, e não posso deixar de destacar a importância (ainda que tímida) dada ao tema da saúde mental, especialmente quando introduziram uma psicóloga do esporte na temporada anterior. A abordagem comovente sobre o processo de transmutar a dor que Ted atravessara ao perder seu pai para o suicídio é o ponto alto da série. E tudo funcionou bem redondo no desenrolar das coisas. Apesar de algumas derrapadas da narrativa, gostei muito do ritmo e recomendo demais essa obra-prima.
Terminou em grande estilo, apesar que os flashes do futuro deixaram o enredo da temporada um pouco confuso. Não gostei do final indigno do Lenny, que sempre apostou na Midge. Mas é coerente com o estilo de vida errática que ele sempre levou, ainda que tenha sido um ótimo humorista. A briga e a reconciliação entre Miriam e Susie ficou mal explicado, a prisão e soltura(?) do ex(?) marido ainda mais. Sem falar que nos últimos episódios, insistiram na reatada do casal apenas a nível sugestivo, sem mostrar os desdobramentos. Fora tudo isso, a série tem seu mérito, ao trazer uma estória de época com mulheres ocupando postos de sucesso e reivindicando seu lugar no mundo. E sem se curvar à masculinidade frágil, muito visível principalmente no show business que é tomado pela soberba de artistas consagrados, empresários e roteiristas. Miriam conquistou um lugar ao sol com seu jeito encantador, sarcástico, sagaz e ousado, além do excelente apoio da Susie que, apesar de ranzinza, também trouxe vários momentos cômicos ao longo de toda a série. E ao contrário da parceria Xuxa/Marlene Matos, aqui teve final feliz e amizade duradoura. Vai deixar muita saudade.
Eu amo filmes que se baseiam em peças e passam a mesma ambientação de um teatro: poucos personagens, poucos cenários, em que os conflitos se desdobram com profundidade. A meu ver isso traz mais autenticidade, ainda mais se tratando de temas tão pesados como em "Mass", "Dogville", entre outros. E agora também nesse filme extremamente perturbador. "A baleia" pode ter tratado de modo polêmico o problema da compulsão alimentar e da obesidade, mas é basicamente um suicídio assistido as cenas em que Charlie descarrega todas as suas angústias na comida. Me causou um profundo mal estar, mas creio que o recado era esse mesmo, bem no estilo aronofskiano. Apesar das agruras do diretor, os diálogos também abordam crítica à religião, filosofando sobre a psicologia humana e o sentido da vida (ou falta de um). Com isso, o filme suscita reflexões bem interessantes. Questões dramáticas através de socos no estômago: assim é transmitida a mensagem do Aronofsky. Tô impactado ainda com o Brendan Fraser, o Oscar era todo dele, mais que merecido. E eu adoro os trabalhos da Hong Chau, essa atriz é maravilhosa. Quem reclama da conduta da Ellie parece desconhecer o período da adolescência, ou nunca passou pela fase. Me espanta tanto comentário infeliz a respeito disso, acho que a atriz entregou boa performance. Obviamente o abandono paterno e a dificuldade de relacionamentos da personagem a tornaram uma pessoa explosiva, irritadiça e insuportável, mas vejo mais salvação nela do que no crente. Fernanda Torres já disse numa memorável entrevista do Roda Viva: tenho pena quando um cara é tão crente na vida. Em seguida, ela diz em resposta a um repórter idiota: "não acho que o teatro vai salvar a vida de ninguém". Eu gosto muito dessa ideia, pois a Liz fala algo parecido no diálogo final: não acredito que a gente seja capaz de salvar as pessoas. Cada dia tô mais convencido disso. Nem mesmo terapia salva, se a pessoa não estiver implicada e buscando seu próprio sentido de viver e transmutar suas dores. Recentemente, perdi uma grande amiga para o suicídio, e sei que fiz tudo que podia e estava ao meu alcance para que ela não sucumbisse. Talvez eu nunca supere essa falta devastadora, mas desde que a conheci eu sabia desse risco, em função de tudo que ela já enfrentava. O que sei é que não temos controle das decisões de ninguém. Por mais que a gente faça de tudo, nunca será suficiente porque sempre escapa do nosso domínio a decisão do outro para seguir em frente ou abreviar sua própria vida. É até um tanto egoísta e megalomaníaco achar que estamos nesse poder.
Série linda, me surpreendeu bastante. Não gosto de futebol, nem acompanho Copa, não acho emocionante e não entendo nada do esporte. Mas a série é impecável, e mesmo sem grandes tensões consegue seduzir em questões densas que se equilibram entre o drama e o cômico na dose certa. Eu assisti de forma suave pois sei que em breve será lançada a terceira e última temporada. Deu um salto qualitativo em relação à primeira temporada, com ênfase nos aspectos psicológicos dos personagens. Além das excelentes atuações, queria destacar dois pontos: primeiro, a importância de uma psicóloga esportiva, que faz todo o diferencial no trabalho grupal, ainda que o desempenho do time esteja aquém nas partidas. Meu palpite é que a série vai fechar mostrando a glória dos Richmonds, mas posso estar enganado. A segunda coisa foi entender a fragilidade de Ted Lasso, um ponto de virada quando ele revela como se deu a morte de seu pai para a terapeuta. E aqui a série me pegou de jeito. Quando vi o episódio em que isso acontece, havia dado uma pausa na série por questões de trabalho. E nesse ínterim, perdi uma grande amiga para o suicídio. É um evento perturbador, principalmente para os mais próximos. Fica aquela amarga sensação de "falei algo que não devia", ou ainda, "o que não fiz de suficiente". Nada disso traz a pessoa de volta, só nos traz uma profunda melancolia. Mas é preciso seguir em frente, respeitando essa decisão tão devastadora (ainda que de difícil compreensão), e honrando as memórias afetuosas, para não dar lugar a sentimentos mesquinhos de revolta e ressentimento, que definitivamente não tornam as coisas melhores, apenas potencializam o pesar da nossa perda. Após 3 semanas desse ocorrido, de quando escrevo esse comentário, consegui finalizar a temporada, em meio a muitas lembranças queridas. A série me ajudou a atravessar o período tão difícil do luto, e mesmo que as coisas tivessem sido de outra forma, ainda assim seria uma série linda, porque é emocionante e aborda o tema do suicídio com bela sensibilidade. Gostei muito de terem explorado os demais personagens, porque são tão cativantes quanto o protagonista. É uma série que pisa em White Lotus e outros hypes por aí que não têm muito a oferecer, a não ser uma boa publicidade.
Treta (2ª Temporada)
3.5 30 Assista AgoraVersão white lotus da shopee
Bom Menino
2.9 158 Assista AgoraMeia estrela pela única estrela do filme, o cachorro. De resto, sofrido e esquecível. Gostaria de não ter visto essa bomba.
O Farol
3.8 1,7K Assista AgoraInfelizmente assistido, pra não deixar de fora da filmografia desse diretor. Terminei arrependido. Gosto do Eggers, mas esse filme é sofrível e indefensável. Nota: DÓ maior.
Merlí: Sapere Aude (1ª Temporada)
3.9 42Elenco enfadonho, intrigas rasas, conflitos previsíveis, tudo muito insosso no mesmo estilo global de "Malhação". Demorei uma eternidade pra conseguir assistir a temporada toda. Esse desdobramento da excelente série Merlí tinha muito potencial, mas tomou uma direção furreca, tornando os personagens insuportáveis, inclusive o protagonista. O desfecho dela é muito nonsense, e a segunda temporada que já iniciei foi ficando mais nonsense ainda. Tem coisa que não merece continuidade se for pra deixar malfeito.
Vingança
3.2 670 Assista AgoraPra mim a diretora já supera em muito o Tarantino, sem apelar à tortura como recurso narrativo. Mas trazendo inúmeras referências do gênero. O diferencial aqui é a denúncia à machulência, em que os homens, para exercer domínio, recorrem à crueldade contra mulheres. Vivemos num sistema misógino, e a diretora consegue literalmente colocar o dedo na ferida, como mostra a cena emblemática do diálogo final: "por que mulheres sempre ficam na defensiva?". E assim, ela denuncia o silêncio dos homens, que sempre estão acobertando uns aos outros para cometerem atrocidades. Onde numa realidade nada paralela, são escrotos o bastante como ela retrata tanto nesse filme como em "A substância". Uma pessoa estuprada nunca terá justiça, as sequelas são pra toda vida. Ela merece vingança. Ainda que o filme tenha muito gore, com cenas altamente desagradáveis de assistir, a violência gráfica e a sanguinolência do filme cumprem uma estética própria que valorizam a ação e o protagonismo feminino. A francesa é muito competente, vale acompanhar cada produção dela.
A Substância
3.9 1,9K Assista Agora"A Substância" é uma sátira perturbadora não por ser um filme de ficção à la Cronenberg, e sim por descrever piamente a realidade cruel que estamos a viver, onde mulheres buscam ingerir ovos de tênia para perder peso (google it, aqui iria marcar como spam). Todo mundo achando exagerado e se incomodando com o teor grotesco, bizarro, mas é justamente essa busca frenética e adoecedora que a diretora tentou denunciar com mestria nesse ótimo filme. A propósito, o mais horripilante pra mim foram as cenas que apareciam a machulência caquética, um bando de homem feio e acabado querendo ditar padrões de beleza femininos. Eu achei terrivelmente nojento as cenas com o Dennis Quaid, me deixaram nauseado a cada aparição dele, que tá fantástico no papel. A pressão, o terrorismo psicológico, ele é o que representa o verdadeiro horror do filme. Tem muita referência legal, como Carrie a estranha, e a figura da Medusa, que vem na cena final. A mesma sensação horripilante quando Elizabeth é vista como aberração, na qual as pessoas saíam petrificadas. É um filme memorável que merece todo reconhecimento que tem recebido, Demi Moore devia levar o Oscar.
Três Dias Que Mudaram Tudo
3.5 36 Assista AgoraPra acompanhar o relato dessa tragédia, basta assistir o primeiro e o último episódio. O resto é pra encher linguiça, tem um timing moroso e enfadonho. Demorei meses pra conseguir concluir.
Não Fale o Mal
3.6 822 Assista AgoraFora as paisagens e a trilha sonora, o filme me incomodou bastante. Não pela condução em si, não se trata de um furo de roteiro aqui, mas desse marasmo excessivo que atravessa todo o filme. De uma permissividade, torpor e letargia tão absurdos dos personagens que ao final, a sensação que dá é que eles mereciam mesmo aquela violência gratuita. Sintetizada na frase do psicopata "porque vocês deixaram". E assim caminha o ocidente rumo à autodestruição, um modelo de cultura falido condescendente com a barbárie ao seu redor pra não se indispor ou quebrar o decoro uns com os outros. Algo simples, que parece estúpido, se as pessoas tivessem a coragem, a decência e a audácia de se manifestar que não está de acordo com certas situações, evitaria apuros desnecessários.
MaXXXine
3.1 675 Assista AgoraPara um filme de fechamento da trilogia, deixou muito a desejar. O diretor fez um enredo preguiçoso aqui, trazendo apenas algumas mortes gratuitas. Nada de suspense ou horror. Eu nem colocaria no gênero slasher, pois tem mais elementos noir que tentam sustentar uma premissa um tanto óbvia, mas com muito potencial. Colocar um crente fanático como o assassino em série me agradou, porque é algo perfeitamente plausível. Fanáticos matam e morrem por qualquer causa. E seus discursos inflamados propagam sentenças de morte. É uma ideia um tanto original para se valer em filmes do gênero, pena que foi abordado de forma capenga. Mas a ambientação dos anos 80, do figurino à trilha sonora, é impecável.
Yellowjackets (2ª Temporada)
3.5 124Meteram a Lottie e fizeram crescer ainda mais a narrativa delirante. Ficou sem pé sem cabeça essa temporada. Se querem insistir na floresta como uma entidade maligna que exige sacrifícios, por que ainda não explicaram quem foi a menina morta e devorada de forma ritualística, como mostraram na cena que abre a série na primeira temporada? Uma moça correndo sendo capturada numa armadilha, esqueceram ou vão dar uma de doido e nem voltar mais nisso? Colocaram um centro holístico onde as "terapias" tão mais pra coach quântico. Focaram em estórias chatíssimas, tanto na atualidade como aquela moça insuportável golpeada pela Natalie (que acabou perdendo a vida por ela numa cena rocambolesca que parecia novela indiana), e no passado focaram em novas meninas que nada agregaram à narrativa. As únicas personagens fidedignas ao passado eram Natalie e Misty, agora Van. Porém, introduziram um maluco pastelão pra engatar romance com a Misty. O cara mata e morre por ela!??. E tudo é absurdamente atabalhoado pra se esconder da polícia: Jeff, filha, Shauna, que parece ter mudado de personalidade nos dias atuais. E a Taissa fragmentada, senadora eleita que some no mapa por dias pra ficar num local onde telefones são RECOLHIDOS? fala sério...
Com o treinador, o que houve? Foi morto e comido por elas? Enfim, muitas perguntas sem respostas, enrolação ao máximo em 9 episódios que deviam ser 7. Mas a especialidade do Showtime é estragar séries com potencial, principalmente no desfecho - como ocorreu em Penny Dreadful.
O Mal Que Nos Habita
3.5 808 Assista AgoraPodre de ruim. Primeiro filme argentino que vi e achei péssimo.
Coerência
4.0 1,4KFiquei nauseado com a câmera trêmula, não me seduz nada esse tipo fake de found footage. Apesar da interessante perspectiva do gato de Schrödinger, o filme é um tanto confuso e se perde em detalhes bobos que tentam trazer dramaticidade ao enredo. Mas não me comoveu em nada, os personagens são tão descartáveis que podiam ser aniquilados em todas as realidades paralelas possíveis que ainda não fariam falta.
Rivais
3.6 575 Assista AgoraAchei superestimado. Desse filme, o que mais dá pra apreciar são as partidas de tênis, especialmente da cena final que é um espetáculo à parte. Apesar de esteticamente razoável, não me convenceu os saltos temporais que as legendas mais deixavam confusos do que esclareciam a linha do tempo. O filme até tem seus momentos de sensualidade, mas a triangulação amorosa é tão insossa quanto o tênis em si. Tem planos muito repetitivos que delongaram a duração do filme desnecessariamente, mas pelo menos tem Caetano pra abrilhantar a trilha.
Saltburn
3.5 932Finalmente história de gays trambiqueiras. Ninguém aguenta mais só história de gay sofrendo. Queremos mais gays assim: gay empinando moto, gay dando tiro, etc.
Pi
3.8 770 Assista AgoraO tema é bastante interessante, a obsessão um tanto psicótica do personagem com os números, especialmente em desvendar o pi. Me lembrou um excelente curso que fiz na faculdade, de lógica e filosofia da matemática. Entretanto, o ritmo desse filme não me envolveu. Apesar de gostar muito do Aronofsky, mesmo sendo o primeiro e com baixo orçamento eu esperava mais. Achei um tanto enfadonho, levei dois dias pra acabar. Mas é legal de ver o gestar criativo do diretor desde o princípio, pois esse filme dá a tônica dos demais de sua promissora carreira.
Mal de Família (1ª Temporada)
4.2 37 Assista AgoraJamais tinha visto sujeito tão perverso quanto o JP. E olhe que já vi muitos personagens simpáticos por atrocidades, como em Game of Thrones. Mas nada se compara a esse. Eu não duvido que exista um ser tão desprezível como o John Paul. Então violência não é uma pergunta, é a resposta. Cada episódio de reviravolta me dava um nervoso de saber que ninguém detinha esse cara. Mais resistente que baratas pra morrer, como a própria Bibi comenta num dos últimos episódios. Mas ver o desfecho desse homem podre lavou a alma, e saiu melhor do que as tentativas de assassinato atrapalhadas das irmãs. Série muito bem feita, com boa dose de dramédia pra abordar o tema tão delicado da violência contra a mulher em relacionamentos abusivos. É triste de acompanhar na vida real, e eu tenho várias amigas que já viveram com homens como JP, a tragédia de mulheres que demoram a reconhecer violência psicológica e passam anos sendo minadas em sua autoestima, desvitalizadas até se reduzirem a uma morta-viva, como a Grace.
Barry (3ª Temporada)
4.2 79 Assista Agora"finalmente história de gays trambiqueiras. ninguém aguenta mais só história de gay sofrendo. queremos mais gays assim: gays empinando moto, gays dando tiro, etc."
Barry (1ª Temporada)
4.1 119 Assista AgoraGostei. Mistura dramédia, equilibrando bem entre suspense e humor nonsense. Mesmo estilo cômico de situações trágicas como em "Better call Saul", que muito me agradou. Vou continuar acompanhando as estabanadas do Barry nas outras temporadas, comecei sem compromisso e foi satisfatório. Apesar de algumas situações óbvias e até irritantes de alguns personagens, a série tem potencial e consegue transitar bem entre os maneirismos do mundo da atuação e as agruras da vida real, que orbitam no entorno do protagonista. Aqui, evidentemente, a fórmula não é nova: mafiosos, situações-limite, dilemas morais, busca por redenção. Mas com certeza, a série é estimulante na jornada de tantos infortúnios e suas consequências, no melhor estilo desse gênero (como em Breaking Bad e Fargo, por exemplo), então recomendo muito.
Enxame
3.8 101 Assista AgoraAchei um tanto confusa no início, mas da metade pro fim ela engatou bem. É um tema atualíssimo, pois o fanatismo afeta várias instâncias da vida: técnica, política, artística. O fanatismo consumista pela "marca melhor", pela diva pop deificada pela indústria cultural, o fanatismo pelo político de estimação com discurso messiânico, o fanatismo religioso... e assim vemos a sociedade de massas se alienando e se destruindo pelo apego doentio a figuras públicas que surfam nessa onda, sendo tratadas como verdadeiras divindades no planeta. Com muito deboche e sarcamo, vemos pouco a pouco como é a mente do fanático, levado ao limite da degradação, sujeitando-se a sevícias para "devorar" seu artista preferido.
Adorei a analogia com a diva pop - qualquer semelhança não é mera coincidência com a diva mais venerada do momento. O diálogo no último episódio me pegou, porque podia ter sido eu debatendo com algum fanático dessa fanbase. Algo do tipo "o ingresso custou uma fortuna, e a música nem é lá grandes coisas, só pra ver essa criatura performática e seu marido interesseiro!? Dispenso, prefiro gastar com uma viagem" 🗣
Não sei se vai ter outra temporada, mas o recado final me trouxe a ideia de que o colapso deixa de ser fatalista e passa a ser uma esperança.
Triângulo da Tristeza
3.6 776 Assista AgoraFilme bom, porém final merda e totalmente em aberto. Achei muito superior a White Lotus, o conceito é o mesmo porém menos enfadonho. Para quem gosta de filmes com ricaços se fudendo, recomendo "o Menu", bem interessante também.
Ted Lasso (3ª Temporada)
4.3 118 Assista AgoraTed Lasso é uma série encantadora. Encerrou de forma bonita e nostálgica, pois deixará muita saudade. Espero de verdade que ela ainda tenha o reconhecimento que merece. Ao ver essa série, entendi como o futebol mobiliza tanto as paixões humanas. Nunca fui fã do esporte, desde criança, seja jogando ou assistindo. Mas admito que essa capacidade de mobilizar massas inteiras de pessoas sempre me causou espanto, e percebo que se deve sobretudo às reviravoltas do jogo. Assim como ocorrem reviravoltas na vida, a série foi magistral ao mostrar o time saindo do abismo e encontrando a glória. Através de um treinador simples e otimista, conseguiu trazer o senso de pertença coletiva dos jogadores, criando novas estratégias que inclusive os encorajavam a elevar sua autoestima em campo. Com muito cuidado e dedicação, Ted trouxe pouco a pouco o senso originário de brincar com uma bola ao jogar, em vez de revanchismo. E é um brincar genuíno, comovente, repleto de delicadeza, que conectou a todos os integrantes do time, do gandula até a presidente do Richmond. Foi muito bonito acompanhar essa evolução dos personagens, e não posso deixar de destacar a importância (ainda que tímida) dada ao tema da saúde mental, especialmente quando introduziram uma psicóloga do esporte na temporada anterior. A abordagem comovente sobre o processo de transmutar a dor que Ted atravessara ao perder seu pai para o suicídio é o ponto alto da série. E tudo funcionou bem redondo no desenrolar das coisas. Apesar de algumas derrapadas da narrativa, gostei muito do ritmo e recomendo demais essa obra-prima.
Maravilhosa Sra. Maisel (5ª Temporada)
4.5 112 Assista AgoraTerminou em grande estilo, apesar que os flashes do futuro deixaram o enredo da temporada um pouco confuso. Não gostei do final indigno do Lenny, que sempre apostou na Midge. Mas é coerente com o estilo de vida errática que ele sempre levou, ainda que tenha sido um ótimo humorista. A briga e a reconciliação entre Miriam e Susie ficou mal explicado, a prisão e soltura(?) do ex(?) marido ainda mais. Sem falar que nos últimos episódios, insistiram na reatada do casal apenas a nível sugestivo, sem mostrar os desdobramentos. Fora tudo isso, a série tem seu mérito, ao trazer uma estória de época com mulheres ocupando postos de sucesso e reivindicando seu lugar no mundo. E sem se curvar à masculinidade frágil, muito visível principalmente no show business que é tomado pela soberba de artistas consagrados, empresários e roteiristas. Miriam conquistou um lugar ao sol com seu jeito encantador, sarcástico, sagaz e ousado, além do excelente apoio da Susie que, apesar de ranzinza, também trouxe vários momentos cômicos ao longo de toda a série. E ao contrário da parceria Xuxa/Marlene Matos, aqui teve final feliz e amizade duradoura. Vai deixar muita saudade.
A Baleia
4.0 1,2K Assista AgoraEu amo filmes que se baseiam em peças e passam a mesma ambientação de um teatro: poucos personagens, poucos cenários, em que os conflitos se desdobram com profundidade. A meu ver isso traz mais autenticidade, ainda mais se tratando de temas tão pesados como em "Mass", "Dogville", entre outros. E agora também nesse filme extremamente perturbador. "A baleia" pode ter tratado de modo polêmico o problema da compulsão alimentar e da obesidade, mas é basicamente um suicídio assistido as cenas em que Charlie descarrega todas as suas angústias na comida. Me causou um profundo mal estar, mas creio que o recado era esse mesmo, bem no estilo aronofskiano. Apesar das agruras do diretor, os diálogos também abordam crítica à religião, filosofando sobre a psicologia humana e o sentido da vida (ou falta de um). Com isso, o filme suscita reflexões bem interessantes. Questões dramáticas através de socos no estômago: assim é transmitida a mensagem do Aronofsky.
Tô impactado ainda com o Brendan Fraser, o Oscar era todo dele, mais que merecido. E eu adoro os trabalhos da Hong Chau, essa atriz é maravilhosa. Quem reclama da conduta da Ellie parece desconhecer o período da adolescência, ou nunca passou pela fase. Me espanta tanto comentário infeliz a respeito disso, acho que a atriz entregou boa performance. Obviamente o abandono paterno e a dificuldade de relacionamentos da personagem a tornaram uma pessoa explosiva, irritadiça e insuportável, mas vejo mais salvação nela do que no crente. Fernanda Torres já disse numa memorável entrevista do Roda Viva: tenho pena quando um cara é tão crente na vida. Em seguida, ela diz em resposta a um repórter idiota: "não acho que o teatro vai salvar a vida de ninguém". Eu gosto muito dessa ideia, pois a Liz fala algo parecido no diálogo final: não acredito que a gente seja capaz de salvar as pessoas. Cada dia tô mais convencido disso. Nem mesmo terapia salva, se a pessoa não estiver implicada e buscando seu próprio sentido de viver e transmutar suas dores. Recentemente, perdi uma grande amiga para o suicídio, e sei que fiz tudo que podia e estava ao meu alcance para que ela não sucumbisse. Talvez eu nunca supere essa falta devastadora, mas desde que a conheci eu sabia desse risco, em função de tudo que ela já enfrentava. O que sei é que não temos controle das decisões de ninguém. Por mais que a gente faça de tudo, nunca será suficiente porque sempre escapa do nosso domínio a decisão do outro para seguir em frente ou abreviar sua própria vida. É até um tanto egoísta e megalomaníaco achar que estamos nesse poder.
Ted Lasso (2ª Temporada)
4.4 168 Assista AgoraSérie linda, me surpreendeu bastante. Não gosto de futebol, nem acompanho Copa, não acho emocionante e não entendo nada do esporte. Mas a série é impecável, e mesmo sem grandes tensões consegue seduzir em questões densas que se equilibram entre o drama e o cômico na dose certa. Eu assisti de forma suave pois sei que em breve será lançada a terceira e última temporada. Deu um salto qualitativo em relação à primeira temporada, com ênfase nos aspectos psicológicos dos personagens. Além das excelentes atuações, queria destacar dois pontos: primeiro, a importância de uma psicóloga esportiva, que faz todo o diferencial no trabalho grupal, ainda que o desempenho do time esteja aquém nas partidas. Meu palpite é que a série vai fechar mostrando a glória dos Richmonds, mas posso estar enganado. A segunda coisa foi entender a fragilidade de Ted Lasso, um ponto de virada quando ele revela como se deu a morte de seu pai para a terapeuta. E aqui a série me pegou de jeito. Quando vi o episódio em que isso acontece, havia dado uma pausa na série por questões de trabalho. E nesse ínterim, perdi uma grande amiga para o suicídio. É um evento perturbador, principalmente para os mais próximos. Fica aquela amarga sensação de "falei algo que não devia", ou ainda, "o que não fiz de suficiente". Nada disso traz a pessoa de volta, só nos traz uma profunda melancolia. Mas é preciso seguir em frente, respeitando essa decisão tão devastadora (ainda que de difícil compreensão), e honrando as memórias afetuosas, para não dar lugar a sentimentos mesquinhos de revolta e ressentimento, que definitivamente não tornam as coisas melhores, apenas potencializam o pesar da nossa perda. Após 3 semanas desse ocorrido, de quando escrevo esse comentário, consegui finalizar a temporada, em meio a muitas lembranças queridas. A série me ajudou a atravessar o período tão difícil do luto, e mesmo que as coisas tivessem sido de outra forma, ainda assim seria uma série linda, porque é emocionante e aborda o tema do suicídio com bela sensibilidade. Gostei muito de terem explorado os demais personagens, porque são tão cativantes quanto o protagonista. É uma série que pisa em White Lotus e outros hypes por aí que não têm muito a oferecer, a não ser uma boa publicidade.