Afora essa já desgastada crítica ao capitalismo e o simulacro de luta de classes sobra o que? O "terror" não poderia ser mais gráfico, cheio de gore e personagens desumanos, como em qualquer filme B do século passado.Será que alguém ainda se choca com isso? A fotografia parece que não existe, como se o filme fosse filmado todo no mesmo galpão. Mas o que incomoda mesmo é tentar usar esse monte de bosta como uma crítica social super válida. Salva só as atuações e a trilha sonora.
Incrível como tudo nesse filme é belo...até o grotesco. Poucas vezes o terror foi tratado com tamanha elegância e glamour no cinema. Totalmente subversivo. Tão bom que desconfio que funciona melhor sendo assistido no mudo.
Não acho que o melhor lugar pra se trabalhar com psicopatas seja Hollywood, Seus filmes se dão de maneira geralmente bastante pudica, então esse lance do grosteco acaba sendo suavizado e perdendo qualquer força. E aqui não é diferente. Resta então o humor negro e os overacting do Cristian Bale. Não foi o suficiente pra mim. E achei o final bem grosseiro, didático demais.
A gente já viu esse lance de harmonia étnica-cultural-ecológica milhões de vezes. É um viés sempre tão martelado que já perdeu qualquer peso. Por isso considero o filme bom não pela trajetória do protagonista e sim pelo excelente trabalho de reconstrução de época. Quando o ambiente é mais interessante que a história. A direção também é bem competente ao conseguir colocar alguma energia num roteiro tão convencional.
Eis um filme bastante pretensioso e difícil. A impressão que eu tenho é que tudo é falso aqui, menos as imagens. Os personagens podem parecer unidimensionais, mas são bastante enigmáticos. Nunca se sabe o que estão verdadeiramente pensando ou sentido, e o filme faz questão de que seja assim.
O que pode soar superficial é na verdade vazio, e este é o amago da obra. McQueen, sendo artista plástico antes de cineasta, não tem interesse em fazer um filme sobre o vício e sim um filme que passe a sensação de vício, que seja a própria sintetização do problema. E nesse inferno asséptico e clean que é a NY que McQueen retrata, a única coisa de fato real é o sofrimento.
Jamais o holocausto foi mostrado com tamanha visceralidade como aqui. É impossível não se sentir incomodado com o que está presenciando, e a escolha por mostrar tudo quase sempre fora de foco só deixa tudo ainda mais perturbador. Aqui vale destacar também o esplendoroso trabalho de som. Nós não podemos ver tudo, mas ouvimos. E pior, imaginamos.
Eu diria que é como se estivessem mostrando o inferno, mas é muito pouco. É como se você realmente estivesse lá.
Assim como Pi, Black Swan e Requiem for a Dream, o Lutador também é um filme sobre fantasia e realidade. Parece que esse é um tema-comum em todos os projetos do diretor.
Mesmo que empregando um estilo muito mais sutil e naturalista, lá está a história de um homem preso nos anos 80. E toda a ambientação, a trilha sonora e até os figurinos reforçam ainda mais a ideia. É como se todo aquele mundo fosse um micro-universo oitentista perdido no tempo. Também pudera, essa é justamente a visão do protagonista.
O Lutador não é sobre a luta contra seus adversários no ringue ou até mesmo sobre as adversidades do homem no dia-a-dia. É sobre uma luta dele contra ele mesmo, uma luta interna. O indivíduo contra o alter ego. O mundano contra o divino. Robin vs Randy.
Apesar disso, pra quem já acompanhou outras obras do Aronofsky, o filme não oferece muita coisa além.
Claramente são dois filmes em um. Primeira parte espetacular, uma aula de cinema em tudo: atuação, montagem, fotografia...já na segunda parte, o filme dá uma completa guinada de tom e ritmo. Espera-se que os jovens que foram treinados na base experimentem os horrores da guerra de fato, mas o que se vê é um retrato irônico e cheio de humor negro dela.
Kubrick quis falar sobre a dualidade humana, e pra isso fez dois filmes em um. Acontece que um é muito melhor que o outro.
É até difícil analisar a verdadeira salada de frutas que foi esse filme. Ele foi escrito por um cara, reescrito por outro e dirigido de uma forma completamente distinta por outro.
Talvez se fosse todo escrito pelo Chris Terrio, e dirigido por um diretor de verdade, pudesse ser um ótimo filme. Percebe-se a tentativa de trazer algo profundo e simbólico em muitos momentos, mas as conclusões são todas simplistas e estapafúrdias - como se fossem escritas por roteiristas diferentes.
Batman vs Superman é como um time de futebol onde todos os jogadores querem jogar sozinhos. Não há unidade nenhuma. Um dos filmes mais bagunçados que já vi.
O melhor filme que eu vi nesse ano até aqui. É fantástica a maneira como o Cronenberg desconstrói o protagonista. Ele começa quase como um ser divino, acima de nós reles mortais e vai passando por um processo de humanização fascinante. Mesmo se passando quase que inteiramente dentro de uma limusine, o diretor encontra formas bastante criativas de filmar as cenas. E o ato final é uma aula de cinema. Quem diria que Robert Pattinson não iria fazer feio frente a atores premiados como Juliette Binoche e Paul Giamatti?
Se existiu um filme que melhor sintetize o século XXI, definitivamente até o momento é esse.
A Bruxa é um filme que se traveste de terror pra narrar o mais básico da dramaturgia. É uma família assolada por seus pecados, por seus segredos, algo que já existe desde Shakespeare (MacBeth, oi). A própria Bruxa, que dá título ao filme - e que pode gerar grande expetativa (e frustração) ao público tradicional de cinema comercial - só serve mesmo como catalisadora destes conflitos.
A excelência do filme reside justamente na forma como o diretor consegue desenvolver o lado psicológico desses personagens. Quem for vê-lo esperando demônios ou bruxas malignas portanto pode tirando o cavalinho da chuva. A Bruxa é um filme soberbamente humano. E não existe nada mais aterrorizante do que isto.
Eu pensava que seria um drama policial, onde os personagens tivessem tons de cinza e não fosse tudo no preto no branco, e o primeiro ato até confirmou essa expectativa com o Denzel Washingon (soberbo) mostrando a realidade das ruas pro Ethan Hawke, mostrando que as coisas ali funcionavam de uma forma diferente. Até ai o filme é ótimo, só que depois descamba pra um maniqueísmo tosco e pueril, típico dessas grandes produções hollywoodianas. Tentaram transformar uma coisa que é naturalmente complexa em uma simples disputa de bom contra mal. Mas parando pra pensar, existe coisa mais HOLLYWOOD do que isso?
Só nos resta torcer pro polícia branco permanecer incólume ante aos avanços macabros e nocivos de gangues de negros e latinos.
Este deve ser um dos filmes favoritos de Donald Trump.
Não é possível que só eu tenha ficado incomodado com a maneira extremamente porca que uma comunidade inteira se vira contra um de seus membros mais respeitáveis. Não são colocadas justificativas ou qualquer alusão a alguma backstory, as pessoas decidem acreditar na versão da garota porque sim, porque o diretor quis. Os personagens são grosseiramente crucificados apenas pra acionarem o gatilho da trama.
Afinal, o que importa é o choque que advém dela. É afligir o máximo de sofrimento possível ao protagonista. É a estética do refém descrita maravilhosamente num artigo da Contracampo. O sofrimento vazio - tão vazio quanto qualquer filmeco de Hollywood ou essas séries toscas de zumbis - mas sob a embalagem de drama cult.
É uma pena porque você tem uma tremenda (mais uma) atuação do Mads Mikkelsen sendo desperdiçada num montante de nada.
Um raro caso onde o remake superou o original. E olha que o original é difícil de ser batido.
Se o original representa a epítome do conservadorismo norte-americano da época, com o vilão sendo retratado como um comunista sujo e pervertido que ameça os valores familiares e cristãos, nesse a interpretação do De Niro somado a imagem que o Scorcese cria daquela típica família americana faz até a gente simpatizar pelo vilão.
Os EUA não são mais os mocinhos que salvaram o mundo do nazismo, afinal.
O pai agora é um advogado corrupto que trai a esposa, enquanto a mesma não sabe como criar e dialogar com a filha, enquanto a filha não pensa duas vezes na hora de fumar maconha.
O que o personagem do De Niro faz, e que é radicalmente diferente do original, é apenas se aproveitar das frestas de uma família/nação já rachada. Aliás, mais do que um bandido que quer se vingar, Max Candy é a própria ira de Deus encarnada.
De certa forma, esse filme só atualiza a visão conservadora dos americanos em relação a sua nação.
Sou FÃ do Polanski. E como fã, realmente não consigo engolir ele fazer um filme onde se limita apenas a SEGUIR O PROTAGONISTA com a câmera. Eu entendo perfeitamente seu objetivo com isso, e tenho que reconhecer que ele foi bem sucedido, mas ao mesmo tempo isso retira o seu melhor que é a brilhante composição das cenas, a força da mise en scéne.
Fora isso o filme é uma aula de roteiro. Um roteiro que pode ter sido genial na época, mas perdeu muito de sua força com o tempo. O roteiro segue todas as linhas possíveis clássicas de um noir. É literalmente uma aula.
Confesso que seria até um filme bem esquecível pra mim se não fosse aquele clímax. É esse o Polanski que queria ter visto no resto do filme.
Vi esse filme alguns anos atrás e achei arrastado e sonolento como alguns aqui, mas revendo mudei radicalmente de opinião. Acho que é porque antes eu fui ver esperando uma continuação espiritual de Seven, ou seja um suspense criminal tradicional sobre um serial killer, mas o filme tem uma abordagem totalmente diferente. É mais sobre a força de um ícone, o poder da mídia, da propaganda na cultura norte-americana - sendo a violência algo intrínseco a ela.
Até porque o Zodíaco é um caso bem específico, ele não tem face e, apesar dos incontáveis rumores, ele não tem identidade. É praticamente uma entidade que rondou o pacato norte da califórnia no final dos anos 60.
Sendo assim, Fincher o utiliza praticamente como um gatilho pra retratar a vida de 3 personagens e como elas foram sugadas por esse vórtice histórico-cultural. É mais um estudo de personagens do que qualquer outra coisa. Reparem como no filme a força do Zodíaco advém mais do intrincado caso, de seu complexo enigma, do que dele próprio.
A sombra é maior que o indivíduo e a MAGISTRAL cena do porão ilustra bem o que quero dizer.
Esse filme é mais uma prova que não existe maneira melhor de falar sobre a morte do que mostrando a vida. Foi muito divertido acompanhar essa galerinha da pesada aprontando altas confusões. É um asilo, mas poderia ser uma escola. São idosos, mas poderiam ser crianças.
Não é um filme pró-eutanásia, é um filme pró-vida.
O roteiro do filme é tão bom que conseguiu me fazer até esquecer a problemática montagem das cenas. O humor funciona o tempo todo, e o roteiro consegue humanizar e aprofundar os personagens sem apelar pra velha armadilha do panfletismo. É uma continuação espiritual de "Todo Mundo Odeia o Chris".
A cegueira em "Blind" é só um artifício pro diretor/roteirista trabalhar magistralmente o psicológico da Ingrid, seus receios e desejos. O que está acontecendo diante dos nossos olhos é uma completa desnudez da personagem. E olha, poucas vezes eu vi um estudo de personagem tão bem feito.
O roteiro sai totalmente do lugar comum quando muda a própria estrutura do filme pra explorar a personagem. E o mais brilhante disto tudo é que a protagonista, durante boa parte do filme, mesmo com as mais diversas possibilidades imaginadas, jamais sai do apartamento. É seguro dizer que boa parte da história é literalmente sobre os conflitos psicológicos de uma pessoa problemática. Não é a cegueira física dela seu principal desafio, e sim a mental. É tipo um "Divertidamente" com esteroides
Vale destacar também o excepcional uso dos cenários e a montagem do filme, ambos muito bem explorados pelo conceito da história (O que é aquele clímax? Puta que pariu). Os planos quase sempre fechados, inclusive nas fantasias, também conseguem mostrar bem a limitação que aprisiona o(s) personagen(s). Até andando nas ruas, eles estão presos no apartamento.
Explorando a mente humana com a complexidade que lhe é devida, "Blind" não dá sossego ao nosso cérebro nem no seu final aparentemente simples.
Um das causas de tamanha insegurança da personagem é justamente o fator sexual, a falta de comparecimento do maridão. Isso fica nítido quando vemos a importância do sexo nas subtramas fantasiosas. Dito isso, como ela pode ter engravidado no final? Me pareceu apenas mais um artifício do filme. A gravidez aqui, como muitas outras coisas do filme, é meramente simbólica. Significa uma mudança de atitude. O renascimento da esperança. E sim, acredito que toda aquela sequência em que ela sai do apartamento (com o plano sendo aberto pela primeira vez) também seja mais um recurso visual pra mostrar essa guinada.
Depois dessa pequena obra prima, eu realmente preciso ver à qualquer custo os filmes do Joachim Trier.
Al Pacino interpreta, mais uma vez, um mafioso, mas o que o filme recria na tela é o americano médio assalariado. Compondo, magistralmente, um personagem cheio de nuances e fraquezas que subvertem à própria tradição destes tipos de personagens (sempre fortes, másculos e vitoriosos), Pacino (e em menor grau o próprio Johnny Depp) espelham a situação do próprio trabalhador americano ao final do século.
É uma situação onde perdeu-se o respeito pelas corporações e pelo sistema. E é irônico que ambos os personagens, antagônicos entre si, sejam vítimas da mesma burocracia e exploração. Seja FBI ou à máfia, o resultado é quase sempre igual; o trabalhador é que sempre se fode.
Com interpretações fabulosas dos dois protagonistas, e principalmente, com uma relação muito bem desenvolvida entre eles, "Donnie Brasco" é muito mais que um filme de máfia baseado em fatos reais.
É um tanto quanto interessante que este filme seja reconhecido e cultuado que pelo que tem de pior. A reviravolta final, além de tumultuar o próprio arco narrativo que o filme seguia, pouco trás de concreto além de um monte de perguntas e suposições. É como se o filme deixasse de ser a típica jornada de um adolescente chegando à fase adulta e virasse uma ficção científica obscura e descartável dos anos 80.
Por mais que admire a vontade e a pretensão do diretor de querer com essa micro-situação recriar todo o panorama sócio-cultural do país, pouco consegui ver nesse filme além de uma longa "DR". Uma DR muito bem feita, é verdade, mas ainda assim apenas uma DR. É como se a forma tivesse superado o conteúdo.
Apesar de utilizar uma premissa bem clichê, o filme se sai muito bem desenvolvendo-a com situações bem divertidas e, principalmente, personagens bastante carismáticos. A visão fantasiosa que o Alamein tem da vida (onde Michael Jackson é deus), em contraste com a forma pesada que ela se apresenta, também é uma puta sacada. E é interessante notar como que, com o desenvolver da história, ela vai ficando cada vez menor. É a típica jornada de amadurecimento.
Outra coisa muito bem bolada também é que essa jornada não se limita apenas ao Alamein filho como ao próprio Alamein pai. Ambos passam pela mesma transformação, tendo que sacrificar uma visão lúdica e fantasiosa das coisas e encarar a dura realidade.
Com uma ambientação que claramente se inspira nos filmes oitentista americanos, o filme não cai na armadilha de virar apenas mais uma cópia sem-sal destes e possui uma identidade bastante forte. Ainda é um filme neozelandês, afinal. E isto é ótimo.
O Poço
3.7 2,1K Assista AgoraAfora essa já desgastada crítica ao capitalismo e o simulacro de luta de classes sobra o que? O "terror" não poderia ser mais gráfico, cheio de gore e personagens desumanos, como em qualquer filme B do século passado.Será que alguém ainda se choca com isso? A fotografia parece que não existe, como se o filme fosse filmado todo no mesmo galpão. Mas o que incomoda mesmo é tentar usar esse monte de bosta como uma crítica social super válida. Salva só as atuações e a trilha sonora.
Demônio de Neon
3.2 1,2KIncrível como tudo nesse filme é belo...até o grotesco. Poucas vezes o terror foi tratado com tamanha elegância e glamour no cinema. Totalmente subversivo. Tão bom que desconfio que funciona melhor sendo assistido no mudo.
Psicopata Americano
3.7 2,0K Assista AgoraNão acho que o melhor lugar pra se trabalhar com psicopatas seja Hollywood, Seus filmes se dão de maneira geralmente bastante pudica, então esse lance do grosteco acaba sendo suavizado e perdendo qualquer força. E aqui não é diferente. Resta então o humor negro e os overacting do Cristian Bale. Não foi o suficiente pra mim. E achei o final bem grosseiro, didático demais.
Z: A Cidade Perdida
3.4 322 Assista AgoraA gente já viu esse lance de harmonia étnica-cultural-ecológica milhões de vezes. É um viés sempre tão martelado que já perdeu qualquer peso. Por isso considero o filme bom não pela trajetória do protagonista e sim pelo excelente trabalho de reconstrução de época. Quando o ambiente é mais interessante que a história. A direção também é bem competente ao conseguir colocar alguma energia num roteiro tão convencional.
Shame
3.6 2,0K Assista AgoraEis um filme bastante pretensioso e difícil. A impressão que eu tenho é que tudo é falso aqui, menos as imagens. Os personagens podem parecer unidimensionais, mas são bastante enigmáticos. Nunca se sabe o que estão verdadeiramente pensando ou sentido, e o filme faz questão de que seja assim.
O que pode soar superficial é na verdade vazio, e este é o amago da obra. McQueen, sendo artista plástico antes de cineasta, não tem interesse em fazer um filme sobre o vício e sim um filme que passe a sensação de vício, que seja a própria sintetização do problema. E nesse inferno asséptico e clean que é a NY que McQueen retrata, a única coisa de fato real é o sofrimento.
O Filho de Saul
3.7 256 Assista AgoraJamais o holocausto foi mostrado com tamanha visceralidade como aqui. É impossível não se sentir incomodado com o que está presenciando, e a escolha por mostrar tudo quase sempre fora de foco só deixa tudo ainda mais perturbador. Aqui vale destacar também o esplendoroso trabalho de som. Nós não podemos ver tudo, mas ouvimos. E pior, imaginamos.
Eu diria que é como se estivessem mostrando o inferno, mas é muito pouco. É como se você realmente estivesse lá.
O Lutador
4.0 914 Assista AgoraAssim como Pi, Black Swan e Requiem for a Dream, o Lutador também é um filme sobre fantasia e realidade. Parece que esse é um tema-comum em todos os projetos do diretor.
Mesmo que empregando um estilo muito mais sutil e naturalista, lá está a história de um homem preso nos anos 80. E toda a ambientação, a trilha sonora e até os figurinos reforçam ainda mais a ideia. É como se todo aquele mundo fosse um micro-universo oitentista perdido no tempo. Também pudera, essa é justamente a visão do protagonista.
O Lutador não é sobre a luta contra seus adversários no ringue ou até mesmo sobre as adversidades do homem no dia-a-dia. É sobre uma luta dele contra ele mesmo, uma luta interna. O indivíduo contra o alter ego. O mundano contra o divino. Robin vs Randy.
Apesar disso, pra quem já acompanhou outras obras do Aronofsky, o filme não oferece muita coisa além.
Nascido Para Matar
4.3 1,2K Assista AgoraClaramente são dois filmes em um. Primeira parte espetacular, uma aula de cinema em tudo: atuação, montagem, fotografia...já na segunda parte, o filme dá uma completa guinada de tom e ritmo. Espera-se que os jovens que foram treinados na base experimentem os horrores da guerra de fato, mas o que se vê é um retrato irônico e cheio de humor negro dela.
Kubrick quis falar sobre a dualidade humana, e pra isso fez dois filmes em um. Acontece que um é muito melhor que o outro.
Batman vs Superman: A Origem da Justiça
3.4 4,9K Assista AgoraÉ até difícil analisar a verdadeira salada de frutas que foi esse filme. Ele foi escrito por um cara, reescrito por outro e dirigido de uma forma completamente distinta por outro.
Talvez se fosse todo escrito pelo Chris Terrio, e dirigido por um diretor de verdade, pudesse ser um ótimo filme. Percebe-se a tentativa de trazer algo profundo e simbólico em muitos momentos, mas as conclusões são todas simplistas e estapafúrdias - como se fossem escritas por roteiristas diferentes.
Batman vs Superman é como um time de futebol onde todos os jogadores querem jogar sozinhos. Não há unidade nenhuma. Um dos filmes mais bagunçados que já vi.
Cosmópolis
2.7 1,0K Assista AgoraO melhor filme que eu vi nesse ano até aqui. É fantástica a maneira como o Cronenberg desconstrói o protagonista. Ele começa quase como um ser divino, acima de nós reles mortais e vai passando por um processo de humanização fascinante. Mesmo se passando quase que inteiramente dentro de uma limusine, o diretor encontra formas bastante criativas de filmar as cenas. E o ato final é uma aula de cinema. Quem diria que Robert Pattinson não iria fazer feio frente a atores premiados como Juliette Binoche e Paul Giamatti?
Se existiu um filme que melhor sintetize o século XXI, definitivamente até o momento é esse.
A Bruxa
3.6 3,5K Assista AgoraA Bruxa é um filme que se traveste de terror pra narrar o mais básico da dramaturgia. É uma família assolada por seus pecados, por seus segredos, algo que já existe desde Shakespeare (MacBeth, oi). A própria Bruxa, que dá título ao filme - e que pode gerar grande expetativa (e frustração) ao público tradicional de cinema comercial - só serve mesmo como catalisadora destes conflitos.
A excelência do filme reside justamente na forma como o diretor consegue desenvolver o lado psicológico desses personagens. Quem for vê-lo esperando demônios ou bruxas malignas portanto pode tirando o cavalinho da chuva. A Bruxa é um filme soberbamente humano. E não existe nada mais aterrorizante do que isto.
Férias Frustradas
3.2 607 Assista AgoraComo filme não funciona lá muito bem, mas como um festival de esquetes é ótimo! Achei os atores e o roteiro com um timing cômico excelente.
Como filme não funciona muito bem, mas foda-se eu quero é rir.
Dia de Treinamento
3.9 763 Assista AgoraEu pensava que seria um drama policial, onde os personagens tivessem tons de cinza e não fosse tudo no preto no branco, e o primeiro ato até confirmou essa expectativa com o Denzel Washingon (soberbo) mostrando a realidade das ruas pro Ethan Hawke, mostrando que as coisas ali funcionavam de uma forma diferente. Até ai o filme é ótimo, só que depois descamba pra um maniqueísmo tosco e pueril, típico dessas grandes produções hollywoodianas. Tentaram transformar uma coisa que é naturalmente complexa em uma simples disputa de bom contra mal. Mas parando pra pensar, existe coisa mais HOLLYWOOD do que isso?
Só nos resta torcer pro polícia branco permanecer incólume ante aos avanços macabros e nocivos de gangues de negros e latinos.
Este deve ser um dos filmes favoritos de Donald Trump.
A Caça
4.2 2,1K Assista AgoraNão é possível que só eu tenha ficado incomodado com a maneira extremamente porca que uma comunidade inteira se vira contra um de seus membros mais respeitáveis. Não são colocadas justificativas ou qualquer alusão a alguma backstory, as pessoas decidem acreditar na versão da garota porque sim, porque o diretor quis. Os personagens são grosseiramente crucificados apenas pra acionarem o gatilho da trama.
Afinal, o que importa é o choque que advém dela. É afligir o máximo de sofrimento possível ao protagonista. É a estética do refém descrita maravilhosamente num artigo da Contracampo. O sofrimento vazio - tão vazio quanto qualquer filmeco de Hollywood ou essas séries toscas de zumbis - mas sob a embalagem de drama cult.
É uma pena porque você tem uma tremenda (mais uma) atuação do Mads Mikkelsen sendo desperdiçada num montante de nada.
Cabo do Medo
3.8 945 Assista AgoraUm raro caso onde o remake superou o original. E olha que o original é difícil de ser batido.
Se o original representa a epítome do conservadorismo norte-americano da época, com o vilão sendo retratado como um comunista sujo e pervertido que ameça os valores familiares e cristãos, nesse a interpretação do De Niro somado a imagem que o Scorcese cria daquela típica família americana faz até a gente simpatizar pelo vilão.
Os EUA não são mais os mocinhos que salvaram o mundo do nazismo, afinal.
O pai agora é um advogado corrupto que trai a esposa, enquanto a mesma não sabe como criar e dialogar com a filha, enquanto a filha não pensa duas vezes na hora de fumar maconha.
O que o personagem do De Niro faz, e que é radicalmente diferente do original, é apenas se aproveitar das frestas de uma família/nação já rachada. Aliás, mais do que um bandido que quer se vingar, Max Candy é a própria ira de Deus encarnada.
De certa forma, esse filme só atualiza a visão conservadora dos americanos em relação a sua nação.
Chinatown
4.1 646 Assista AgoraSou FÃ do Polanski. E como fã, realmente não consigo engolir ele fazer um filme onde se limita apenas a SEGUIR O PROTAGONISTA com a câmera. Eu entendo perfeitamente seu objetivo com isso, e tenho que reconhecer que ele foi bem sucedido, mas ao mesmo tempo isso retira o seu melhor que é a brilhante composição das cenas, a força da mise en scéne.
Fora isso o filme é uma aula de roteiro. Um roteiro que pode ter sido genial na época, mas perdeu muito de sua força com o tempo. O roteiro segue todas as linhas possíveis clássicas de um noir. É literalmente uma aula.
Confesso que seria até um filme bem esquecível pra mim se não fosse aquele clímax. É esse o Polanski que queria ter visto no resto do filme.
Zodíaco
3.7 1,3K Assista AgoraVi esse filme alguns anos atrás e achei arrastado e sonolento como alguns aqui, mas revendo mudei radicalmente de opinião. Acho que é porque antes eu fui ver esperando uma continuação espiritual de Seven, ou seja um suspense criminal tradicional sobre um serial killer, mas o filme tem uma abordagem totalmente diferente. É mais sobre a força de um ícone, o poder da mídia, da propaganda na cultura norte-americana - sendo a violência algo intrínseco a ela.
Até porque o Zodíaco é um caso bem específico, ele não tem face e, apesar dos incontáveis rumores, ele não tem identidade. É praticamente uma entidade que rondou o pacato norte da califórnia no final dos anos 60.
Sendo assim, Fincher o utiliza praticamente como um gatilho pra retratar a vida de 3 personagens e como elas foram sugadas por esse vórtice histórico-cultural. É mais um estudo de personagens do que qualquer outra coisa. Reparem como no filme a força do Zodíaco advém mais do intrincado caso, de seu complexo enigma, do que dele próprio.
A sombra é maior que o indivíduo e a MAGISTRAL cena do porão ilustra bem o que quero dizer.
A Festa de Despedida
3.8 29 Assista AgoraEsse filme é mais uma prova que não existe maneira melhor de falar sobre a morte do que mostrando a vida. Foi muito divertido acompanhar essa galerinha da pesada aprontando altas confusões. É um asilo, mas poderia ser uma escola. São idosos, mas poderiam ser crianças.
Não é um filme pró-eutanásia, é um filme pró-vida.
Dope: Um Deslize Perigoso
4.0 351O roteiro do filme é tão bom que conseguiu me fazer até esquecer a problemática montagem das cenas. O humor funciona o tempo todo, e o roteiro consegue humanizar e aprofundar os personagens sem apelar pra velha armadilha do panfletismo. É uma continuação espiritual de "Todo Mundo Odeia o Chris".
Blind
3.7 126A cegueira em "Blind" é só um artifício pro diretor/roteirista trabalhar magistralmente o psicológico da Ingrid, seus receios e desejos. O que está acontecendo diante dos nossos olhos é uma completa desnudez da personagem. E olha, poucas vezes eu vi um estudo de personagem tão bem feito.
O roteiro sai totalmente do lugar comum quando muda a própria estrutura do filme pra explorar a personagem. E o mais brilhante disto tudo é que a protagonista, durante boa parte do filme, mesmo com as mais diversas possibilidades imaginadas, jamais sai do apartamento. É seguro dizer que boa parte da história é literalmente sobre os conflitos psicológicos de uma pessoa problemática. Não é a cegueira física dela seu principal desafio, e sim a mental. É tipo um "Divertidamente" com esteroides
Vale destacar também o excepcional uso dos cenários e a montagem do filme, ambos muito bem explorados pelo conceito da história (O que é aquele clímax? Puta que pariu). Os planos quase sempre fechados, inclusive nas fantasias, também conseguem mostrar bem a limitação que aprisiona o(s) personagen(s). Até andando nas ruas, eles estão presos no apartamento.
Explorando a mente humana com a complexidade que lhe é devida, "Blind" não dá sossego ao nosso cérebro nem no seu final aparentemente simples.
Um das causas de tamanha insegurança da personagem é justamente o fator sexual, a falta de comparecimento do maridão. Isso fica nítido quando vemos a importância do sexo nas subtramas fantasiosas. Dito isso, como ela pode ter engravidado no final? Me pareceu apenas mais um artifício do filme. A gravidez aqui, como muitas outras coisas do filme, é meramente simbólica. Significa uma mudança de atitude. O renascimento da esperança. E sim, acredito que toda aquela sequência em que ela sai do apartamento (com o plano sendo aberto pela primeira vez) também seja mais um recurso visual pra mostrar essa guinada.
Depois dessa pequena obra prima, eu realmente preciso ver à qualquer custo os filmes do Joachim Trier.
Donnie Brasco
3.8 339 Assista AgoraAl Pacino interpreta, mais uma vez, um mafioso, mas o que o filme recria na tela é o americano médio assalariado. Compondo, magistralmente, um personagem cheio de nuances e fraquezas que subvertem à própria tradição destes tipos de personagens (sempre fortes, másculos e vitoriosos), Pacino (e em menor grau o próprio Johnny Depp) espelham a situação do próprio trabalhador americano ao final do século.
É uma situação onde perdeu-se o respeito pelas corporações e pelo sistema. E é irônico que ambos os personagens, antagônicos entre si, sejam vítimas da mesma burocracia e exploração. Seja FBI ou à máfia, o resultado é quase sempre igual; o trabalhador é que sempre se fode.
Com interpretações fabulosas dos dois protagonistas, e principalmente, com uma relação muito bem desenvolvida entre eles, "Donnie Brasco" é muito mais que um filme de máfia baseado em fatos reais.
Donnie Darko
4.2 3,9K Assista AgoraÉ um tanto quanto interessante que este filme seja reconhecido e cultuado que pelo que tem de pior. A reviravolta final, além de tumultuar o próprio arco narrativo que o filme seguia, pouco trás de concreto além de um monte de perguntas e suposições. É como se o filme deixasse de ser a típica jornada de um adolescente chegando à fase adulta e virasse uma ficção científica obscura e descartável dos anos 80.
A Separação
4.2 732 Assista AgoraPor mais que admire a vontade e a pretensão do diretor de querer com essa micro-situação recriar todo o panorama sócio-cultural do país, pouco consegui ver nesse filme além de uma longa "DR". Uma DR muito bem feita, é verdade, mas ainda assim apenas uma DR. É como se a forma tivesse superado o conteúdo.
Boy
3.9 80 Assista AgoraApesar de utilizar uma premissa bem clichê, o filme se sai muito bem desenvolvendo-a com situações bem divertidas e, principalmente, personagens bastante carismáticos. A visão fantasiosa que o Alamein tem da vida (onde Michael Jackson é deus), em contraste com a forma pesada que ela se apresenta, também é uma puta sacada. E é interessante notar como que, com o desenvolver da história, ela vai ficando cada vez menor. É a típica jornada de amadurecimento.
Outra coisa muito bem bolada também é que essa jornada não se limita apenas ao Alamein filho como ao próprio Alamein pai. Ambos passam pela mesma transformação, tendo que sacrificar uma visão lúdica e fantasiosa das coisas e encarar a dura realidade.
Com uma ambientação que claramente se inspira nos filmes oitentista americanos, o filme não cai na armadilha de virar apenas mais uma cópia sem-sal destes e possui uma identidade bastante forte. Ainda é um filme neozelandês, afinal. E isto é ótimo.