O contexto histórico, político e social do Brasil nos anos 1960, 1970 e 1980, e o impacto de cada década na vida e obra da consagrada atriz Marília Pêra. Marília estava inserida numa geração de mulheres fortes e potentes que, com sua arte, influenciaram corações e mentes. Durante a carreira, foram 49 peças, 29 novelas, 12 séries e 24 filmes. Ela conquistou o público e mais de 80 prêmios nacionais e internacionais.
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Não estou entendendo essa nota baixa. O documentário é uma belíssima homenagem a essa artista completa que foi Marília Pêra. É muito bem produzido, com bastante imagens de todas as fases da vida dela. Um filme à altura da grande estrela que Marília foi. Só me entristeceu a minha sessão só ter pessoas idosas. Um pena os mais jovens não se interessarem pela história dos nossos grandes atores e atrizes.
Fantástico documentário e uma das melhores estreias do cinema independente brasileiro desse ano, o filme é um merecido e honroso tributo à memória da atriz que foi a cara de uma geração e até hoje inspiradora para a classe artística, Marília Pêra (1943-2015). Atriz versátil (para o humor e o drama, seja nos palcos ou na TV), também diretora de peças teatrais e admirada pelos fãs, Marília teve uma trajetória que atravessou cinco décadas. Carioca, filha de atores (Manuel Pêra e Dinorah Marzullo), esteve ligada ao palco desde a infância, estreando aos quatro anos em uma companhia teatral. Nos anos 1960 e 1970, consolidou-se como uma das grandes atrizes do teatro brasileiro, destacando-se em peças como “O teu cabelo não nega” em que interpretou Carmen Miranda, e que ao longo da carreira voltaria a interpretar Carmen em teatro, TV e filmes. Além de atuar, dedicou-se à direção de espetáculos, especialmente musicais, como “Irma Vap” fazendo dessa peça um estrondo de bilheteria. Na TV, estreou em 1965 na novela “Rosinha do Sobrado” e logo se tornou presença marcante em produções da Rede Globo. Atuou em novelas como “O cafona”, “Brega & chique” e “Top model”, brilhou em minisséries como “O Primo Basílio”, onde deu vida à vilã Juliana, e no cinema participou de mais de 20 filmes, entre eles o impactante “Pixote – A lei do mais fraco” (1981), de Hector Babenco, que lhe trouxe reconhecimento internacional e reafirmou sua força dramática. A vida pessoal de Marília foi marcada por vários casamentos, entre eles com Nelson Motta e, mais tarde, com Bruno Faria, com quem permaneceu até o fim da vida. Teve três filhos, conciliando maternidade com uma carreira intensa e premiada – e o doc explora essa sua condição, de atrelar a dura vida de mãe à ebulição de ensaios e gravações. O doc mostra a partir de gravações de peças, entrevistas e cenas de filmes e novelas a formação dessa atriz ímpar, que virou ícone da cultura brasileira, abriu caminhos para as atrizes no mundo das artes cênicas e deixou um legado de amor ao palco. O veterano diretor Zelito Viana (irmão de Chico Anysio), de “Avaeté – Semente da vingança”, dirige a obra, que tem codireção de Esperança Motta, filha de Marilia com Nelson Motta – ela é a narradora também, e o roteiro é assinado pelo próprio Nelson. Está nos principais cinemas brasileiros, com distribuição da Mapa Filmes e codistribuição da Bretz Filmes. POR FELIPE BRIDA - Texto no blog Cinema-naweb blogspotcom
IMPRIMATUR - visto no cinema em 2026:
Gosto muito da Marília desde a novela Brega & Chique, de 1987. Infelizmente, isso marca o tempo e traz a triste evidência de que nossos ídolos estão indo embora — percepção que foi acentuada ao participar de uma sessão lotada apenas por pessoas maduras. Após 11 anos de sua partida, eu não a imaginava como a pessoa sapeca que os registros de sua juventude parecem demonstrar, já que ela sempre se mostrou tão compenetrada, linda e sábia em suas entrevistas. Aliás, esse filme é bem rico em imagens e vídeos, apresentando uma ótima amarração entre todo o material. Com foco total na artista, a obra poderia ter se aberto mais ao lado particular da atriz, mas essa foi uma escolha que funcionou tecnicamente. Não nego que senti falta daquela reação emocional intensa de saudade que geralmente nos faz chorar, mas o filme prefere se manter alegre, o que condiz perfeitamente com o seu título. A obra sustenta uma tonalidade constante ao longo de toda a projeção, mas brilha indiscutivelmente como celebração de legado dessa estrela de primeira grandeza do nosso país. Viva Marília!
Avaliação em nota: 7.6