Adoro como a galera celibatária dos comentários aqui reduz o filme a sua primeira meia hora. Sim, há muitas cenas de sexo aqui (também pudera, a protagonista é uma trabalhadora sexual), mas todas são focadas justamente nesse momento de euforia da relação idealizada entre Anora e Vanya.
O resto, quando Toros e os dois capangas entram, é praticamente uma comédia de erros, uma mistura de Irmãos Safdie com Guy Ritchie, que aos poucos vai evidenciando sua natureza melancólica de conflito de classes. A conexão entre Anora e Igor na reta final é o desenlace perfeito pra um filme tão simples que, ironicamente, ninguém parece ter entendido.
Ou talvez seja só clubismo por ter vencido de um filme brasileiro, o que também seria muita burrice.
Demorou a me pegar justamente porque Daniel Rezende estrutura o filme como um reflexo dos conflitos de seus personagens: só se basta quando está completo, unido. A fábula dos incompreendidos é sobre o suporte deles mesmos.
Kleber Mendonça Filho usa de seus flertes com o cinema de gênero pra construir esse mosaico da ditadura que se interessa muito mais pelo coletivo, tanto dos oprimidos quanto dos opressores, cheio de paranoia e ironia pirracenta.
Adoro como a galera celibatária dos comentários aqui reduz o filme a sua primeira meia hora. Sim, há muitas cenas de sexo aqui (também pudera, a protagonista é uma trabalhadora sexual), mas todas são focadas justamente nesse momento de euforia da relação idealizada entre Anora e Vanya.
O resto, quando Toros e os dois capangas entram, é praticamente uma comédia de erros, uma mistura de Irmãos Safdie com Guy Ritchie, que aos poucos vai evidenciando sua natureza melancólica de conflito de classes. A conexão entre Anora e Igor na reta final é o desenlace perfeito pra um filme tão simples que, ironicamente, ninguém parece ter entendido.
Ou talvez seja só clubismo por ter vencido de um filme brasileiro, o que também seria muita burrice.