Adoro como a galera celibatária dos comentários aqui reduz o filme a sua primeira meia hora. Sim, há muitas cenas de sexo aqui (também pudera, a protagonista é uma trabalhadora sexual), mas todas são focadas justamente nesse momento de euforia da relação idealizada entre Anora e Vanya.
O resto, quando Toros e os dois capangas entram, é praticamente uma comédia de erros, uma mistura de Irmãos Safdie com Guy Ritchie, que aos poucos vai evidenciando sua natureza melancólica de conflito de classes. A conexão entre Anora e Igor na reta final é o desenlace perfeito pra um filme tão simples que, ironicamente, ninguém parece ter entendido.
Ou talvez seja só clubismo por ter vencido de um filme brasileiro, o que também seria muita burrice.
Demorou a me pegar justamente porque Daniel Rezende estrutura o filme como um reflexo dos conflitos de seus personagens: só se basta quando está completo, unido. A fábula dos incompreendidos é sobre o suporte deles mesmos.
Kleber Mendonça Filho usa de seus flertes com o cinema de gênero pra construir esse mosaico da ditadura que se interessa muito mais pelo coletivo, tanto dos oprimidos quanto dos opressores, cheio de paranoia e ironia pirracenta.
Filme cheio de potencial dramático e Chloé Zhao até consegue aproveitar um pouco disso na segunda metade. Mas é impressionante como tem muita história boa sendo desperdiçada por esse vício no naturalismo estéril da imagem e na edição engessada.
Eu simplesmente ADORO quando um filme parece super simples até certo ponto, mas nas últimas cenas é completamente ressignificado por alguns elementos quase sutis. Aquela plaquinha da escola de uma sala perto do fim e a música que abre e fecha o filme são pistas para um significado muito maior do que esse filme aparentemente despretensioso representa para o cinema norte-americano.
No mais, é uma espécie de casamento entre "Sem Destino" e "Butch Cassidy".
Uma pena o filme da franquia que mais se abre ao humor ter uma comédia TÃO ruim. As tentativas cômicas aqui são desastrosas a ponto de nem a ótima condução de ação de David Leitch tornar essa aventura interessante.
Pablo Larraín trabalha, nas performances e diálogos, esse melodrama exacerbado digno de uma cantora lírica. Porém, no resto da encenação, tudo soa menor, como se emulasse suas outras obras mais recentes, não condizendo com La Callas.
É um pouco frustrante a franquia se render a estímulos comerciais tão banais, mesmo que tente (com pouco sucesso) desenvolver seus temas centrais. Ao menos, Wes Ball é um bom diretor de ação e compõe um western decente.
É o mais divertido da série dentro da lógica de absurdos justamente por trabalhar com a autoconsciência e o caos controlado. Sequências com diversas etapas que jamais sacrificam a encenação e a geografia dos espaços.
Abjeto e abertamente fetichista. Nos faz conhecer as identidades das vítimas, reforçando a inocência pré-adolescente, justamente pra uma experiência voyeurista gratuita que destrói detalhadamente essas meninas. É mal intencionado!
James Wan segue as ideias do filme anterior e potencializa seus absurdos, compondo um filme de super-heróis. Só não gosto tanto de sua câmera hiperativa e da falta de foco narrativo. A homenagem final é um espetáculo à parte!
Justin Lin aprendeu a dirigir ação em 2 anos porque QUE DIFERENÇA! Por mais que alguns vícios ainda permaneçam, há aqui uma abordagem meio quadrinhesca das equipes rivais que possibilita um esticamento dos absurdos da ação.
É aqui que tudo vira lógica de produção em massa e a encenação já parece não apresentar mais nenhuma ideia. O que segura é a dinâmica de poucos personagens. A ação é mal dirigida e tudo é tomado por um melodrama sofrível.
Pega um pouco dos problemas do anterior, mas ao menos aqui o melodrama é inerentemente conectado à motivação da ação, que é bem melhor dirigida, mesmo com um vício digital comprometedor. A sequência inicial é fantástica!
Justin Lin dá mais sobriedade à franquia, consequentemente tornando tudo mais desinteressante. As corridas soam simplórias, os dramas se levam mais a sério do que deveriam e os personagens são um vácuo de carisma.
É quase uma versão desleixada de "Miami Vice" no mundo dos rachas. Muita coisa parece meio amadora aqui, mas há um charme nessa simplicidade independente que potencializa essa cafonice colorida e hiperativa em Miami.
Se Tony Scott tivesse assistido a muitos clipes da MTV pra fazer um remake de "Caçadores de Emoção", esse seria o resultado. Cafona, colorido, calorento, testosterônico... O estopim da Família Toretto é divertidíssimo!
Poucas vezes vi um diretor tão talentoso com tão pouca inspiração. Parece uma junção de todas as adaptações de "Drácula" que tenta funcionar como uma unidade, mas jamais chega minimamente perto. Salvo o senso estético do diretor e só!
Surreal como Clint Eastwood provoca com o choque entre Justiça e Verdade não só no conteúdo como também na forma, além de conduzir um filme de terror do cidadão comum e exemplar a partir das composições imagéticas de pura paranóia.
Rose Glass cria uma espécie de "Thelma & Louise" à la David Cronenberg, a partir de um caos acumulativo na vida das protagonistas que deixa tudo cada vez mais insano e até surreal. Tragicomédia policial excitante em todos os sentidos!
Eu acho que é muito sintomático que tanta gente esteja adorando o medíocre "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" e, ao se referirem a "Os Banshees de Inisherin", repetem a infame frase: "MAS NADA ACONTECE!!!"
Isso só me convence de como a era digital treina cada vez mais as pessoas a só se sentirem satisfeitas com movimentos e informações constantes. Tudo tem que ser maximalista, megalomaníaco, pseudo-importante, metalinguístico...
Não há mais espaço pro sutil, pro singelo, pro contemplativo, nem mesmo pra narrativa clássica (vide tanta gente questionando o impacto de "Avatar: O Caminho da Água")... O público vai pro Cinema esperando grandes eventos até em filmes que nunca se propuseram a oferecer esse tipo de coisa. Por isso que, sempre que entro no Filmow e pesquiso a reação a filmes como esse ou "Tár", eu sempre posso ter certeza de uma coisa:
Não por ter personagens burros tomando atitudes burras e sendo impotentes do início ao fim. Essa é a ideia que o filme TENTA vender pra elaborar sua crítica social (o título do filme entrega isso). É um filme ridículo por TENTAR vender essa ideia com situações pobres, cafajestes e artificiais a ponto de jamais conseguir convencer sobre a complacência do casal dinamarquês. É um filme ridículo por imitar essa estética simétrica e saturada digna de uma imitação barata de Ari Aster por absolutamente nenhum motivo apenas nessas tentativas fracassadas de gerar desconforto através do "diferente", do "inusitado".
E nessa obviedade risível da direção de Christian Tafdrup, o elenco - mais especificamente Fedja van Huêt e Karina Smulders - acaba sendo sabotado. Os únicos que funcionam bem independentemente das escolhas do cineasta são os protagonistas vividos por Morten Burian e Sidsel Siem Koch, que fazem algo além do óbvio, que realmente criam personagens identificáveis, embora absurdamente falhos em sua cordialidade quase doentia. No geral, é o pior filme de 2022 junto com "Men" e ironicamente ambas as obras possuem praticamente os mesmos equívocos: se acham inteligentes demais na transmissão de uma certa mensagem ou no desenvolvimento de um certo conceito e, ao perceberem que estão sendo óbvios, apelam pro choque visual vazio e (de certa forma) gratuito pra fechar com uma impressão "mais forte". Se não fosse essa trapaça, assumo que esse filme fugiria da minha mente em pouco mais do que...
ATENÇÃO, O TEXTO A SEGUIR PODE CONTER SPOILERS LEVES!!!
Em 2017, o comediante Jordan Peele – da série de esquetes "Key & Peele" – deu seu primeiro grande passo como diretor de cinema e surpreendeu a todos. Não apenas porque "Corra!" era um terror social, mas também porque conquistou crítica e público, tornou-se instantaneamente popular (basta observar sua proliferação em memes pelas redes sociais) e ainda arrecadou Oscar de Melhor Roteiro Original e indicações a Direção e Filme, algo que poucas obras de terror conquistaram em 94 anos da premiação.
Eu mesmo admito que adoro "Corra!" e que parte da minha empolgação para o lançamento desse novo filme de Peele vinha de sua poderosa estreia. Mas junto com a empolgação, vinha um bocado de incerteza gerada pela sua segunda obra "Nós", de 2019, que me frustrou bastante por ser desregulada em tom e ritmo, irritantemente expositiva e prejudicialmente pretensiosa e auto-indulgente. Restava a pergunta: para qual lado seu terceiro projeto seguiria?
Bom, uma das lições que aprendi em anos de cinefilia é que a Arte não é binária e jamais deve ser encarada como tal. Então, logo ao sair da sala de cinema, refleti por um tempo e concluí que "Não! Não Olhe!" tinha alguns dos pontos positivos de "Corra!" e alguns dos pontos negativos de "Nós", mas que, acima de tudo, era um filme completamente diferente de ambos. Afinal, se o foco de suas duas produções anteriores era encenar uma crítica social incisiva a partir de absurdos costumeiros do cinema de horror (hipnose, troca de corpos, duplicatas, assassinos com armas brancas), aqui Peele se deixa levar pelas convenções de clássicos da ficção científica sem abandonar sua construção de atmosfera enigmática que também estava presente lá atrás. Ah claro, e sem abandonar sua carga de humor, bem mais complementar aqui do que invasiva como acontecia em sua obra anterior.
Acompanhando os irmãos OJ e Em Haywood – que treinam cavalos para a produção de filmes ou comerciais – em tentativas ingratas para sustentar a velha fazenda de seu recém-falecido pai, "Não! Não Olhe!" logo começa a criar um suspense inquietante com algo que pode estar à espreita no isolado deserto da região de Agua Dulce, Califórnia. É nesse contexto que o diretor começa a instigar a curiosidade do público, seguindo a lógica de que precisamos saber tanto quanto os personagens, consequentemente aumentando a imersão, a impressão que estamos com eles desvendando aquele mistério e presenciando aquelas anomalias. Nesse aspecto, a condução de Peele parece pegar como inspiração o clássico "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", de Steven Spielberg, e "Sinais", de M. Night Shyamalan, no sentido de “cozinhar” sua expectativa ao máximo antes de revelar a verdadeira ameaça, enquanto usa a mesma abordagem de "Tubarão", também de Spielberg, no tratamento que dá ao “monstro”.
Claro que, quando traço tais paralelos, meu objetivo é evidenciar as influências do cineasta, mas não entendam errado: "Não! Não Olhe!" tem sua boa parcela de originalidade e cria quase um universo próprio a partir de certa iconografia, como o parque temático de faroeste Jupiter’s Claim, os bonecões de posto coloridos, a van da Fry’s Electronics conduzida pelo alívio cômico Angel, o capacete retrofuturista do repórter sensacionalista do TMZ no terceiro ato, os cavalos dos Haywood e especialmente o design da criatura nos momentos finais... Todos esses elementos combinados dão a esse terceiro projeto de Peele uma cara própria e o diretor sempre foi bom nisso. Basta notar os macacões vermelhos e as tesouras douradas das duplicatas de "Nós", por exemplo.
Eu só acho que, quando o roteiro quer explorar mais temas além do conflito direto de ficção científica, ele chega perto de ficar pretensioso. Há um “quê” de proteção aos animais, a tentativa de aplicar uma crítica meio "Black Mirror" à necessidade de filmar tudo que ocorre em detrimento da própria integridade física e à cultura do espetáculo... No filme, geralmente são elementos que não soam invasivos, mas o que me pega é justamente como o longa começa: com uma citação bíblica que concede holofote especialmente a essa cultura do espetáculo. E confesso que não consegui enxergar essa temática como mote central da obra. Além disso, acho invasiva a importância que dão para o passado do personagem Jupe, querendo conferir destaque a algo que – de novo – não me pareceu ser tão relevante no resto da projeção.
Dito isso, gostei muito de "Não! Não Olhe!". Além das ótimas performances de Daniel Kaluuya e Keke Palmer, Peele faz desse projeto seu mais divertido e imersivo até aqui. E estou ansioso desde já para seu próximo trabalho!
"Terra Selvagem" é o tipo de filme que lançava aos montes ali pelos anos 90 e 2000: um suspense policial melancólico, gélido (literal e figurativamente) e intenso. Porém, com o roteiro e a direção de Taylor Sheridan, engana-se quem vai pra essa obra esperando foco permanente na investigação.
Assim como "Sicario" e "A Qualquer Custo" (filmes escritos por Sheridan mas dirigidos por terceiros), o real protagonista aqui é o ambiente inóspito e sem leis do interior abusivamente frio e montanhoso de Wyoming. Nesse sentido, não é absurdo considerá-lo um faroeste moderno - assim como ambos acima. Os personagens masculinos são de poucas palavras e costumam recorrer à violência (mal intencionados ou não), as personagens femininas são vitimadas pelos crimes dos homens ou, quando se impõem, acabam sendo indesejadas ou julgadas, e o terreno é inimigo de todos, parecendo até esconder ou revelar pistas sobre o assassinato a bel-prazer. Isso além, claro, da constante presença indígena e de como esse povo é inserido na mensagem sobre luto e vingança - e esse é meu papel favorito do Gil Birmingham.
O único escorregão que o filme comete é na hora de construir seu clímax, especialmente quando decide dar uma de "Os Oito Odiados" e insere do nada um flashback expositivo e quase sensacionalista. A edição entre presente e passado é ótima, mas o conteúdo desse flashback não só é desnecessário pra toda a ideia do filme como também interrompe a construção do suspense ali no 3º ato. Ainda assim, não é criminoso a ponto de comprometer o resto do filme que ainda fecha muito bem essa jornada.
Anora
3.4 1,2K Assista AgoraAdoro como a galera celibatária dos comentários aqui reduz o filme a sua primeira meia hora. Sim, há muitas cenas de sexo aqui (também pudera, a protagonista é uma trabalhadora sexual), mas todas são focadas justamente nesse momento de euforia da relação idealizada entre Anora e Vanya.
O resto, quando Toros e os dois capangas entram, é praticamente uma comédia de erros, uma mistura de Irmãos Safdie com Guy Ritchie, que aos poucos vai evidenciando sua natureza melancólica de conflito de classes. A conexão entre Anora e Igor na reta final é o desenlace perfeito pra um filme tão simples que, ironicamente, ninguém parece ter entendido.
Ou talvez seja só clubismo por ter vencido de um filme brasileiro, o que também seria muita burrice.
O Filho de Mil Homens
4.1 191 Assista AgoraDemorou a me pegar justamente porque Daniel Rezende estrutura o filme como um reflexo dos conflitos de seus personagens: só se basta quando está completo, unido. A fábula dos incompreendidos é sobre o suporte deles mesmos.
O Agente Secreto
3.9 1,1K Assista AgoraKleber Mendonça Filho usa de seus flertes com o cinema de gênero pra construir esse mosaico da ditadura que se interessa muito mais pelo coletivo, tanto dos oprimidos quanto dos opressores, cheio de paranoia e ironia pirracenta.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
4.1 487 Assista AgoraFilme cheio de potencial dramático e Chloé Zhao até consegue aproveitar um pouco disso na segunda metade. Mas é impressionante como tem muita história boa sendo desperdiçada por esse vício no naturalismo estéril da imagem e na edição engessada.
O Último Golpe
3.5 46 Assista AgoraEu simplesmente ADORO quando um filme parece super simples até certo ponto, mas nas últimas cenas é completamente ressignificado por alguns elementos quase sutis. Aquela plaquinha da escola de uma sala perto do fim e a música que abre e fecha o filme são pistas para um significado muito maior do que esse filme aparentemente despretensioso representa para o cinema norte-americano.
No mais, é uma espécie de casamento entre "Sem Destino" e "Butch Cassidy".
Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw
3.1 473 Assista AgoraUma pena o filme da franquia que mais se abre ao humor ter uma comédia TÃO ruim. As tentativas cômicas aqui são desastrosas a ponto de nem a ótima condução de ação de David Leitch tornar essa aventura interessante.
Maria Callas
3.1 129 Assista AgoraPablo Larraín trabalha, nas performances e diálogos, esse melodrama exacerbado digno de uma cantora lírica. Porém, no resto da encenação, tudo soa menor, como se emulasse suas outras obras mais recentes, não condizendo com La Callas.
Planeta dos Macacos: O Reinado
3.5 398 Assista AgoraÉ um pouco frustrante a franquia se render a estímulos comerciais tão banais, mesmo que tente (com pouco sucesso) desenvolver seus temas centrais. Ao menos, Wes Ball é um bom diretor de ação e compõe um western decente.
Velozes e Furiosos 8
3.4 748 Assista AgoraÉ o mais divertido da série dentro da lógica de absurdos justamente por trabalhar com a autoconsciência e o caos controlado. Sequências com diversas etapas que jamais sacrificam a encenação e a geografia dos espaços.
Onde Está Megan?
2.7 339Abjeto e abertamente fetichista. Nos faz conhecer as identidades das vítimas, reforçando a inocência pré-adolescente, justamente pra uma experiência voyeurista gratuita que destrói detalhadamente essas meninas. É mal intencionado!
Velozes e Furiosos 7
3.8 1,7K Assista AgoraJames Wan segue as ideias do filme anterior e potencializa seus absurdos, compondo um filme de super-heróis. Só não gosto tanto de sua câmera hiperativa e da falta de foco narrativo. A homenagem final é um espetáculo à parte!
Velozes e Furiosos 6
3.6 1,3K Assista AgoraJustin Lin aprendeu a dirigir ação em 2 anos porque QUE DIFERENÇA! Por mais que alguns vícios ainda permaneçam, há aqui uma abordagem meio quadrinhesca das equipes rivais que possibilita um esticamento dos absurdos da ação.
Velozes & Furiosos 5: Operação Rio
3.4 1,7K Assista AgoraÉ aqui que tudo vira lógica de produção em massa e a encenação já parece não apresentar mais nenhuma ideia. O que segura é a dinâmica de poucos personagens. A ação é mal dirigida e tudo é tomado por um melodrama sofrível.
Velozes e Furiosos 4
3.4 580 Assista AgoraPega um pouco dos problemas do anterior, mas ao menos aqui o melodrama é inerentemente conectado à motivação da ação, que é bem melhor dirigida, mesmo com um vício digital comprometedor. A sequência inicial é fantástica!
Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio
3.2 685 Assista AgoraJustin Lin dá mais sobriedade à franquia, consequentemente tornando tudo mais desinteressante. As corridas soam simplórias, os dramas se levam mais a sério do que deveriam e os personagens são um vácuo de carisma.
+Velozes +Furiosos
3.1 524 Assista AgoraÉ quase uma versão desleixada de "Miami Vice" no mundo dos rachas. Muita coisa parece meio amadora aqui, mas há um charme nessa simplicidade independente que potencializa essa cafonice colorida e hiperativa em Miami.
Velozes e Furiosos
3.4 651 Assista AgoraSe Tony Scott tivesse assistido a muitos clipes da MTV pra fazer um remake de "Caçadores de Emoção", esse seria o resultado. Cafona, colorido, calorento, testosterônico... O estopim da Família Toretto é divertidíssimo!
Nosferatu
3.6 952 Assista AgoraPoucas vezes vi um diretor tão talentoso com tão pouca inspiração. Parece uma junção de todas as adaptações de "Drácula" que tenta funcionar como uma unidade, mas jamais chega minimamente perto. Salvo o senso estético do diretor e só!
Jurado Nº 2
3.6 469 Assista AgoraSurreal como Clint Eastwood provoca com o choque entre Justiça e Verdade não só no conteúdo como também na forma, além de conduzir um filme de terror do cidadão comum e exemplar a partir das composições imagéticas de pura paranóia.
Love Lies Bleeding: O Amor Sangra
3.5 280 Assista AgoraRose Glass cria uma espécie de "Thelma & Louise" à la David Cronenberg, a partir de um caos acumulativo na vida das protagonistas que deixa tudo cada vez mais insano e até surreal. Tragicomédia policial excitante em todos os sentidos!
Os Banshees de Inisherin
3.9 599 Assista AgoraEu acho que é muito sintomático que tanta gente esteja adorando o medíocre "Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo" e, ao se referirem a "Os Banshees de Inisherin", repetem a infame frase: "MAS NADA ACONTECE!!!"
Isso só me convence de como a era digital treina cada vez mais as pessoas a só se sentirem satisfeitas com movimentos e informações constantes. Tudo tem que ser maximalista, megalomaníaco, pseudo-importante, metalinguístico...
Não há mais espaço pro sutil, pro singelo, pro contemplativo, nem mesmo pra narrativa clássica (vide tanta gente questionando o impacto de "Avatar: O Caminho da Água")... O público vai pro Cinema esperando grandes eventos até em filmes que nunca se propuseram a oferecer esse tipo de coisa. Por isso que, sempre que entro no Filmow e pesquiso a reação a filmes como esse ou "Tár", eu sempre posso ter certeza de uma coisa:
Alguém vai falar que "NADA acontece!"
Não Fale o Mal
3.6 830 Assista Agora"Speak No Evil" é um filme ridículo!
Não por ter personagens burros tomando atitudes burras e sendo impotentes do início ao fim. Essa é a ideia que o filme TENTA vender pra elaborar sua crítica social (o título do filme entrega isso). É um filme ridículo por TENTAR vender essa ideia com situações pobres, cafajestes e artificiais a ponto de jamais conseguir convencer sobre a complacência do casal dinamarquês. É um filme ridículo por imitar essa estética simétrica e saturada digna de uma imitação barata de Ari Aster por absolutamente nenhum motivo apenas nessas tentativas fracassadas de gerar desconforto através do "diferente", do "inusitado".
E nessa obviedade risível da direção de Christian Tafdrup, o elenco - mais especificamente Fedja van Huêt e Karina Smulders - acaba sendo sabotado. Os únicos que funcionam bem independentemente das escolhas do cineasta são os protagonistas vividos por Morten Burian e Sidsel Siem Koch, que fazem algo além do óbvio, que realmente criam personagens identificáveis, embora absurdamente falhos em sua cordialidade quase doentia. No geral, é o pior filme de 2022 junto com "Men" e ironicamente ambas as obras possuem praticamente os mesmos equívocos: se acham inteligentes demais na transmissão de uma certa mensagem ou no desenvolvimento de um certo conceito e, ao perceberem que estão sendo óbvios, apelam pro choque visual vazio e (de certa forma) gratuito pra fechar com uma impressão "mais forte". Se não fosse essa trapaça, assumo que esse filme fugiria da minha mente em pouco mais do que...
Espera, do que eu estava falando mesmo?!?!
Não! Não Olhe!
3.5 1,4KATENÇÃO, O TEXTO A SEGUIR PODE CONTER SPOILERS LEVES!!!
Em 2017, o comediante Jordan Peele – da série de esquetes "Key & Peele" – deu seu primeiro grande passo como diretor de cinema e surpreendeu a todos. Não apenas porque "Corra!" era um terror social, mas também porque conquistou crítica e público, tornou-se instantaneamente popular (basta observar sua proliferação em memes pelas redes sociais) e ainda arrecadou Oscar de Melhor Roteiro Original e indicações a Direção e Filme, algo que poucas obras de terror conquistaram em 94 anos da premiação.
Eu mesmo admito que adoro "Corra!" e que parte da minha empolgação para o lançamento desse novo filme de Peele vinha de sua poderosa estreia. Mas junto com a empolgação, vinha um bocado de incerteza gerada pela sua segunda obra "Nós", de 2019, que me frustrou bastante por ser desregulada em tom e ritmo, irritantemente expositiva e prejudicialmente pretensiosa e auto-indulgente. Restava a pergunta: para qual lado seu terceiro projeto seguiria?
Bom, uma das lições que aprendi em anos de cinefilia é que a Arte não é binária e jamais deve ser encarada como tal. Então, logo ao sair da sala de cinema, refleti por um tempo e concluí que "Não! Não Olhe!" tinha alguns dos pontos positivos de "Corra!" e alguns dos pontos negativos de "Nós", mas que, acima de tudo, era um filme completamente diferente de ambos. Afinal, se o foco de suas duas produções anteriores era encenar uma crítica social incisiva a partir de absurdos costumeiros do cinema de horror (hipnose, troca de corpos, duplicatas, assassinos com armas brancas), aqui Peele se deixa levar pelas convenções de clássicos da ficção científica sem abandonar sua construção de atmosfera enigmática que também estava presente lá atrás. Ah claro, e sem abandonar sua carga de humor, bem mais complementar aqui do que invasiva como acontecia em sua obra anterior.
Acompanhando os irmãos OJ e Em Haywood – que treinam cavalos para a produção de filmes ou comerciais – em tentativas ingratas para sustentar a velha fazenda de seu recém-falecido pai, "Não! Não Olhe!" logo começa a criar um suspense inquietante com algo que pode estar à espreita no isolado deserto da região de Agua Dulce, Califórnia. É nesse contexto que o diretor começa a instigar a curiosidade do público, seguindo a lógica de que precisamos saber tanto quanto os personagens, consequentemente aumentando a imersão, a impressão que estamos com eles desvendando aquele mistério e presenciando aquelas anomalias. Nesse aspecto, a condução de Peele parece pegar como inspiração o clássico "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", de Steven Spielberg, e "Sinais", de M. Night Shyamalan, no sentido de “cozinhar” sua expectativa ao máximo antes de revelar a verdadeira ameaça, enquanto usa a mesma abordagem de "Tubarão", também de Spielberg, no tratamento que dá ao “monstro”.
Claro que, quando traço tais paralelos, meu objetivo é evidenciar as influências do cineasta, mas não entendam errado: "Não! Não Olhe!" tem sua boa parcela de originalidade e cria quase um universo próprio a partir de certa iconografia, como o parque temático de faroeste Jupiter’s Claim, os bonecões de posto coloridos, a van da Fry’s Electronics conduzida pelo alívio cômico Angel, o capacete retrofuturista do repórter sensacionalista do TMZ no terceiro ato, os cavalos dos Haywood e especialmente o design da criatura nos momentos finais... Todos esses elementos combinados dão a esse terceiro projeto de Peele uma cara própria e o diretor sempre foi bom nisso. Basta notar os macacões vermelhos e as tesouras douradas das duplicatas de "Nós", por exemplo.
Eu só acho que, quando o roteiro quer explorar mais temas além do conflito direto de ficção científica, ele chega perto de ficar pretensioso. Há um “quê” de proteção aos animais, a tentativa de aplicar uma crítica meio "Black Mirror" à necessidade de filmar tudo que ocorre em detrimento da própria integridade física e à cultura do espetáculo... No filme, geralmente são elementos que não soam invasivos, mas o que me pega é justamente como o longa começa: com uma citação bíblica que concede holofote especialmente a essa cultura do espetáculo. E confesso que não consegui enxergar essa temática como mote central da obra. Além disso, acho invasiva a importância que dão para o passado do personagem Jupe, querendo conferir destaque a algo que – de novo – não me pareceu ser tão relevante no resto da projeção.
Dito isso, gostei muito de "Não! Não Olhe!". Além das ótimas performances de Daniel Kaluuya e Keke Palmer, Peele faz desse projeto seu mais divertido e imersivo até aqui. E estou ansioso desde já para seu próximo trabalho!
Terra Selvagem
3.8 625 Assista Agora"Terra Selvagem" é o tipo de filme que lançava aos montes ali pelos anos 90 e 2000: um suspense policial melancólico, gélido (literal e figurativamente) e intenso. Porém, com o roteiro e a direção de Taylor Sheridan, engana-se quem vai pra essa obra esperando foco permanente na investigação.
Assim como "Sicario" e "A Qualquer Custo" (filmes escritos por Sheridan mas dirigidos por terceiros), o real protagonista aqui é o ambiente inóspito e sem leis do interior abusivamente frio e montanhoso de Wyoming. Nesse sentido, não é absurdo considerá-lo um faroeste moderno - assim como ambos acima. Os personagens masculinos são de poucas palavras e costumam recorrer à violência (mal intencionados ou não), as personagens femininas são vitimadas pelos crimes dos homens ou, quando se impõem, acabam sendo indesejadas ou julgadas, e o terreno é inimigo de todos, parecendo até esconder ou revelar pistas sobre o assassinato a bel-prazer. Isso além, claro, da constante presença indígena e de como esse povo é inserido na mensagem sobre luto e vingança - e esse é meu papel favorito do Gil Birmingham.
O único escorregão que o filme comete é na hora de construir seu clímax, especialmente quando decide dar uma de "Os Oito Odiados" e insere do nada um flashback expositivo e quase sensacionalista. A edição entre presente e passado é ótima, mas o conteúdo desse flashback não só é desnecessário pra toda a ideia do filme como também interrompe a construção do suspense ali no 3º ato. Ainda assim, não é criminoso a ponto de comprometer o resto do filme que ainda fecha muito bem essa jornada.