Últimas opiniões enviadas
Um dos elementos desse filme que mais me chama atenção é a ausência da imagem da filha.
Somos apresentados à garota apenas na última cena. Para mim, essa escolha, reflete a maneira como a mãe "deixa" de enxergar a criança durante toda a história e apenas "se dá conta" de olhar e vê-la no ápice do desespero.
Todas as cenas com zoom extremado no rosto da personagem principal é mais uma ferramenta de imersão na angústia da protagonista.
Subtexto muito importante, tratando de solidão e culpa materna. Há uma pressão social para que a mãe seja imaculada em todos os sentidos. Linda não consegue administrar todos esses padrões e está constantemente perturbada pelo perfeccionismo e pela falta de controle. A doença da filha, da qual ela quer se livrar, a todo custo, é um sintoma disso. Ela tenta ser uma boa mãe, apesar de se perder nas próprias demandas.
O "buraco" no teto, por sua vez, além de ser um problema doméstico, que, em condições "normais" de temperatura e pressão seria facilmente solicionado
(vide a resolução prática do problema quando o marido aparece)
Quando os problemas se acumulam, as dificuldades resolutivas se ampliam, porque a saída mais fácil, ou mais tranquila, pode sair do campo de visão.
Uma viagem de dois primos ao passado da avó. Como um roteiro aparentemente simples pode criar um filme tão difícil?
São camadas coletivas - externas - e pessoais - subjetivas - para se debater.
O cenário e background proposital de uma viagem à Polônia, ao holocausto. O que poderia ser mais doloroso do que isso? A verdadeira dor - histórica e latente - em contraste com as dores pessoais de dois homens nascidos e criados em uma realidade "confortável".
Em outra camada, o amor entre dois homens - difícil de ver representado no cinema - de personalidades completamente opostas, mas que se reconhecem por um passado comum (não apenas da avó, mas da convivência da infância). Mesmo assim, há um choque, um estranhamento, um desconforto: pessoas amadurecem, mudam...
Benji cresceu, mas não se adaptou. Seu primo cresceu, e se conformou ao mundo: fez carreira, casou-se, tem família.
Um traçou o esperado, convalescendo ao seu perfil introspectivo. O outro, extrovertido, impulsivo, não consegue se conformar ao que o mundo exige dele.
Ao fim e ao cabo, um é capaz de ensinar o outro, e até mesmo de provocar certa inveja, porque o que falta em um, sobra no seu par.
Amar quem se é e entender suas limitações é tão difícil quanto ser desafiado por elas.
Últimos recados
Ana Flávia, o Lázzaro faz essa planilha que está bem completinha. Vi que você estava procurando: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1NcHbcBQhYri1vDg8JDY_w2mjQHLyaMBwEFUthK90rxE/edit#gid=0
AMEI MUUUITO! <3
que baita análise do filme gummo!
Hey, teacher, leave us kids alone
All in all, you're just another brick in the wall