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O que sei é que depois que estive em Marienbad jamais deixei de estar. Estive tanto na primeira vez em que estive, que, nos escaninhos de minha memória, continuam a ressoar aqueles acordes lúgubres; e, não raro, acometem-me como pensamento súbito aquelas imagens longínquas, como efígies insondáveis, dos corredores longínquos da mansão longinquamente infinda que Resnais delineou.
Uma tragediazinha um tanto sórdida. A personagem da Elizabeth Patterson é, quiçá, a única coisa que tangencia uma espécie distante de ordinariedade.
A fotografia do Miller não está longe de cativar olhos complacentes, como foram os meus, uma vez já expostos ao trabalho exuberante em " How Green Was My Valley". Pontuando-se o fato de aqui tudo estar sensivelmente mais contido, o trabalho com o preto/branco não está alheio ao efeito do filme.
Os últimos minutos tem certo charme também. Uma melancolia presumida, ou será talvez uma presunção melancólica, vá saber…
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Sua foto de perfil é do meu filme favorito < 3
Opa, igualmente agradeço pela solicitação. Que massa que deu olhada no podcast... Faz tempo, então já nem sei direito o que discutíamos, hehehe... Mas, de qualquer jeito, acho que só por debater uns filmes já tava valendo. Sinto falta das gravações.
Valeu! :)
Assistir à primeira temporada de true detective é como tentar caminhar por uma estrada enlameada, descalço, e na atmosfera a lhe cercar, uma fumaça viscosa com gosto de cinza-alumínio. Somos convidados, então, a chafurdar no mesmo pântano em que estão todas aquelas vidas miseráveis que erigem a cada segundo diante dos nossos olhos.
Durante quase oito horas o que se nos apresenta a todo instante é um tratado acerca dos rejeitados; os invisíveis corpos que somam-se aos gazilhões em nosso mundo, sobre os quais pomos os olhos todos os dias sem realmente vê-los (como “cegos que veem sem ver” diria um literato lusitano).
“Once there was only dark. If you ask me the light’s winning”. Não é, com efeito, fortuito que a personagem em cuja boca é colocada o maior número de juízos pretensamente pessimistas - ou chamaremos realistas, talvez - será também aquela que porá um traço crisântemo no lodo em que chafurdam as pessoas na tétrica Louisiana do seriado. Mas eu julgo que o personagem de McConaughey não é nem realista, como proclama, nem, tampouco, um pessimista. A jornada de Cohle só poderia ser empreendida por um otimista renitente.
A mim, o que mais fica à mente depois de tantas vezes em que retornei a este lodo, é a conclamação de Rust por responsabilização; que tenho considerado o tema principal da série. No último episódio Marty diz a Rust, buscando sua anuência, “that it wasn’t your choice, you were drunk”, mas o que ele recebe de volta é a mais perfeita síntese de Rust Cohle "everybody got a choice, Marty”. Em todos os episódios vemos pessoas com discursos de desresponsabilização de si, mas, enfim, quem dá o juízo final é mesmo o otimista.