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Depois de conhecer o trabalho de Joachim Trier em A Pior Pessoa do Mundo, eu tinha grandes expectativas com seu novo filme. Sentimental Value guarda algumas semelhanças com o longa anterior, em especial pelo elenco com rostos conhecidos, mas principalmente pela delicadeza na história que o diretor decide contar, mesmo tratando de temas tão delicados.
Me identifico com a história das irmãs Borgs e, talvez por isso, siga pensando nesse filme desde que saí da sala de cinema. Renate e Inga tem atuações espetaculares, o que eu já esperava de Renate, que vem crescendo com inúmeros trabalhos de destaque nos últimos anos, mas me surpreendi com a atriz que interpreta sua irmã, a qual ainda não conhecia.
[CONTÉM SPOILERS A PARTIR DAQUI]
As duas carregam uma mesma dor, mas lidam de formas diferentes com os traumas de uma infância conturbada e a ausência do pai. É tão bonito e, ao mesmo tempo, triste ver a atuação introspectiva e reprimida de Renate. Nora não consegue expressar seus sentimentos e frustações com o pai, preferindo fugir (literalmente) ou viver outras personas como uma atriz, para conseguir manifestar o que está preso dentro de seu íntimo. Agnes, por sua vez, consegue confrontá-lo eventualmente, em especial para proteger seu filho da vivência que teve quando criança, trabalhando com o pai para conseguir ter tempo junto dele e, depois, sofrendo com sua partida. Tudo é dilacerante e belo nessa trama...
Stellan está igualmente fantástico. Ele interpreta um homem que tenta se reconciliar com as filhas, talvez numa busca mais profunda para fazer as pazes com outras figuras femininas de sua vida. Porém, o mesmo não sabe como pedir desculpas e repete padrões de comportamento que são muito dolorosos para aqueles que convivem com ele.
Gosto especialmente da forma como a casa da família é retratada no filme. Os trechos que contam eventos decorridos ao longo de anos, mostrando que diferentes gerações habitaram esse espaço, são de uma singularidade, com um olhar tão delicado para uma construção que carrega muitas memórias e vivências, boas e ruins, e representa essa família.
[FIM DOS SPOILERS]
Ansiosa para assistir novamente essa obra no cinema!
Assistido em 06/10/25, no Fetival do Rio de 2025.
Demorei e pensei muito antes de expressar uma opinião sobre esse filme aqui, mas vou deixar um comentário de alerta.
Não, essa não é uma história incrível, com uma protagonista feminina empoderadora. Pelo contrário, apesar de dar título ao filme, Anora é uma personagem sem profundidade, sem arco de desenvolvimento, que começa e termina sua jornada sem nenhuma evolução. Anora é uma protagonista mal escrita, sem passado, sem motivação que justifique suas ações, dentro de uma narrativa pobre, num filme que começa até divertido e com potencial, mas que vira uma perseguição a um moleque rico e inconsequente, sem qualquer propósito real.
Fiquei me perguntando o porquê desta história, pois ela realmente não traz nenhuma reflexão sobre os acontecimentos vexatórios aos quais a protagonista é exposta. O filme a odeia e nos faz odiá-la também, e isso foi o que mais mexeu comigo negativamente. Eu saí do cinema extremamente chateada e irritada com o que havia assistido porque esse filme me fez sentir raiva de Anora, propositalmente, por todos os seus defeitos. Ela foi resumida a uma garota de programa interesseira, que só queria mudar de vida a qualquer custo e ascender socialmente, nunca tendo realmente amado Ivan.
E essa é a questão aqui, um roteiro escrito por um homem, que gera esse tipo de sentimento entre mulheres. No fim, a raiva que senti foi por Sean Baker ter tido êxito nessa tarefa.
Tinha altas expectativas com O Agente Secreto, mas terminar a sessão em prantos não estava nos meus planos…
Esse é um filme sensacional, com um pouco de comédia, suspense, drama e realismo mágico. Kleber Mendonça Filho cria um roteiro intrigante, perspicaz e sarcástico, num longa que funciona como um compilado de sua carreira. E mais uma vez ele fala de memória: memórias individual e coletiva, de formas diferentes, tanto num contexto de ditadura militar, como sobre as peças que a memória nos prega. Pra além disso, ele continua tratando sobre memória da cidade, depois de Retratos Fantasmas, e segue homenageando os cinemas de rua de Recife.
Simplesmente incrível!
Viva Kleber, viva Wagner Moura e viva Tânia Maria!