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Prepare-se para segurar o coração com firmeza. “Ainda Não É Amanhã” é aquele tipo de filme que chega de mansinho, mas que te atravessa feito flecha. A história de Janaína, vivida com força e delicadeza por @eumayarasantoos, é a de tantas jovens brasileiras: negra, periférica, sonhadora e, de repente, grávida — num país que não oferece escolha real.
Criada pela mãe (@claubarros__) e pela avó (@claudia_conceicao68) num conjunto habitacional do Recife, Janaína é bolsista em Direito e carrega nas costas o sonho de ser a primeira da família a ter um diploma universitário. Mas, quando a gravidez bate à porta, os planos cambaleiam.
Milena Times entrega um retrato íntimo e cru da juventude feminina nas periferias brasileiras. Sem romantizar nem pesar a mão, o filme nos coloca dentro da casa, da rotina e das angústias de Janaína. As atuações são tão verossímeis que, em vários momentos, parece que a gente tá ali no sofá da casa dela, ouvindo conversas atravessadas de gerações, entre pratos sendo lavados e silêncios cheios de significado.
Com uma estética realista e uma narrativa sensível, o filme discute pertencimento, autonomia, maternidade e futuro. E vai mais longe: propõe um debate necessário sobre o aborto — uma realidade em qualquer lugar do mundo, independente da legalidade. Quando a interrupção da gravidez é tratada como crime, quem paga o preço mais alto são sempre as mulheres mais pobres, com menos acesso à informação e saúde. O que é inseguro não é a escolha, é o silêncio imposto sobre ela.
Ainda Não É Amanhã é duro, sim. Mas é também um gesto de escuta, de empatia e de denúncia. Fala de meninas como Janaína, mas também das mulheres que vieram antes dela — e das que virão depois.
Porque se ainda não é amanhã… a vida continua.
Últimos recados
Olá Juliana, boas!
Iniciei um projeto no Instagram para difundir a Sétima Arte, chama-se @cinequotespage / https://www.instagram.com/cinequotespage/ - tu podes ir ver? (Obs.: Sugestões são sempre bem-vindas!)
Espero que tu goste, abraços!
Júu querida boa noite!! Prazer tê-la como Amiga aqui no Filmow. Você é de Salvador né? Estou com a intuição de que podemos trocar muitas ideias acerca de Cinema, um dos meus maiores vícios. Beijão!
minha cinéfila preferida <3
Perder alguém que amamos nunca é fácil, principalmente quando somos pegos de surpresa. E quando o luto não encontra um caminho saudável pra se expressar, a dor pode virar algo sombrio. É o que acontece com Kae, uma mãe devastada pela morte da pequena Mei, sua filha de cinco anos. Em meio ao vazio, ela encontra em um mercado de antiguidades uma boneca idêntica a menina e ali começa uma história que mistura tristeza e obsessão com um toque assustador.
A boneca passa a ocupar o lugar da filha perdida, e por um tempo parece até curar as feridas. Mas, com o nascimento de sua nova bebê, Mai, aquele “brinquedo” acaba esquecido e é aí que o clima começa a mudar. O que antes parecia consolo vira tormento, e a casa de Kae e Tadahiko passa a ser palco de acontecimentos cada vez mais sinistros.
Os primeiros 15 minutos são incríveis: intensos, cheios de emoção e tensão na medida certa. O tipo de início que promete um filmaço. Só que, depois disso, o roteiro se perde um pouco. No terceiro ato, ao tentar explicar demais a tal “maldição” por trás da boneca, o longa se estende além do necessário e acaba entregando um final bem aquém do esperado (pra não dizer decepcionante). E os efeitos especiais… ah, esses sim mereciam maior investimento pra dar uma imersão melhor.
“Dollhouse” não é ruim, mas também não entrega nada novo. A fórmula da boneca amaldiçoada já é batida e aqui ela repete os mesmos clichês que a gente já viu melhor executados em Annabelle e companhia, por exemplo. O diferencial poderia ter vindo da proposta emocional, do luto como ponto central. Ele até tenta, mas até isso acaba raso, principalmente se comparado a obras como a série Servant, que explora o tema com muito mais profundidade e sutileza (recomendo demais, inclusive!).
No fim das contas, é aquele tipo de terror que serve pra assistir sem grandes expectativas, perfeito pra uma noite em que você quer uma tensão leve, pipoca e sofá.