Léo MVDC
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Hamnet: A Vida Antes de Hamlet (Hamnet) 403

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet

  • Léo MVDC
    2 meses atrás

    No final da sessão de Hamnet, nova obra da talentosa Chloé Zhao, dentre suspiros e lágrimas do público que ali estava, enquanto os créditos finais rolavam, precisei de um tempo sentado, sentindo e respirando, deixando fluir pelo corpo toda aquela catarse emocional que havia tomado conta da minha mente e coração.

    Fazia um tempo em que eu não me emocionava tanto. Quando eu falo que cinema é minha religião, me refiro a experiências cinematográficas como essa, o que Chloé Zhao faz aqui é de um nível espiritual.

    São duas as mulheres presentes aqui, que se tornam verdadeiras forças da natureza.

    A primeira é a própria diretora Chloé Zhao, que filma Hamnet com uma força e convicção ímpares. A viscelaridade da dor e angústia, apesar de nada sutis, funcionam com a intensidade certa. O que poderia facilmente ser um dramalhão, acaba na verdade sendo um aberto estudo da dor, do luto, da devastação da perda e seus ciclos, passando da negação e culpa, até a busca de formas de lidar com esse turbilhão de sentimentos.

    Zhao traz esse vínculo entre a natureza, a vida e a morte, e a melancolia que habita nesses meios. A fotografia, aliada a direção, traz texturas, enquadramentos e momentos de contemplação, que exploram muito bem a beleza e a dor de se estar vivo. E o medo da iminência da morte, principalmente se envolver um filho. No meio disso tudo, há o amor.

    A outra mulher que faz desse ser um filme memorável é a maravilhosa Jessie Buckley, que entrega uma atuação visceral e devastadora. A entonação da voz, o movimento corporal, o olhar, é uma entrega total, impactante e magnética. Para muito além da "esposa do Shakespeare", Buckley imprime uma personagem forte, difícil, quase uma wicka ou bruxa, nesse elo íntimo que tem com o ambiente ao redor, especialmente a natureza.

    Paul Mescal e Emily Watson também estão muito bem, embora o filme de fato seja de Buckley. A trilha sonora é outro ponto extremamente positivo, em um dos melhores trabalhos sonoros de 2025.

    Mas para muito além do luto, Hamnet é sobre a arte, e como o ser humano a usa para lidar com as malezas da vida, para canalizar a dor e descarregar a tristeza de forma poética. Arte é sobrevivência, é tentar entender a ambiguidade de se estar vivo, e o principal, saber seguir vivo. Eis o grande desafio. Ou parafraseando Shakespeare, "eis a questão".

    Hamnet te devasta, te quebra em pedacinhos. Para então, naquele final arrebatador, você ter alguns dos pedaços recolocados. A arte abranda, a arte trata e cura. É como um caloroso abraço apertado de alguém que amamos. Bravo, e obrigado, Chloé Zhao.

  • Amores Materialistas (Materialists) 388

    Amores Materialistas

  • Léo MVDC
    8 meses atrás

    É amor, capitalismo ou pragmatismo?

    Eu gostei de Amores Materialistas, com algumas ressalvas. Preciso dizer que apesar de amar o cinema como um todo, da obra infantil até o terror, são os romances e as comédias românticas os gêneros que menos assisto ou aprecio. Especialmente os clichês e "água com açúcar". Acredito que essa premissa de amor açucarado que supera tudo é irrealista, além de superficial, muito fantasiosa, me afastando de criar elo com as obras.

    Há sim bons romances épicos e clichês, mas são raros os que me conecto. Prefiro romances mais dramáticos e realistas, geralmente agridoces ou amargos, tal qual a vida real. Aprecio muito Vidas Passadas, obra anterior de Celine Song, que com imensa sensibilidade, disserta muito bem sobre encontro de almas, hora errada, saudades e a não ressignificação nas relações. Então haviam expectativas em cima do seu novo longa.

    Primeiramente, Amores Materialistas se vende mal, o marketing traz toda uma noção de romance tradicional ou comédia romântica leve, o que não é verdade, o que vai frustrar muita gente. Bem verdade, eu gosto de um filme "clickbait", que vende uma ideia tradicional, uma multidão vai ao cinema assistir e leva uma rasteira, um bom tapa na cara. Barbie é um belo exemplo. Materialists meio que faz isso, sendo bem mais "cabeça", maduro e realista do que a média do gênero, enganando muita gente, o que é legal.

    Por outro lado, eu não gostei tanto do final, meio que quebrando a matemática da coisa toda. É quase um anticlímax pra crítica que vinha sendo construída. É interessante querer se discutir o papel do capitalismo nas relações, pena que é feito de forma superficial. A discussão é válida, havia espaço para explorar melhor isso, porém os arquétipos ficam no raso, tinha base para filosofar de forma mais profunda.

    A direção de Celine Song é elegante, tem alguns enquadramentos sutilmente bonitos. É mais afastada, fria, impessoal, ampla, quando Dakota Johnson está com Pedro Pascal, nessa falta de sentimentos reais. E quando Dakota está com Chris Evans, os enquadramentos são mais fechados, closes nos rostos, é mais quente, mais solto e orgânico, há ritmo ali.
    Visualmente é uma obra toda simplista, mas elegante. Até a fotografia, nunca chamativa, mas sempre naturalista.

    Eu não gostava de Dakota Johnson logo que surgiu, principalmente pelos problemáticos Cinquenta Tons de Cinza, mas do remake de Suspiria em diante, vez por outra ela entrega um papel muito interessante. Acho que aqui ela está muito bem, lindíssima aliás, numa personagem contida, mas bem desenhada, ela sabe o que quer, é ambiciosa, mas humana, reconhece as falhas.

    Eu compreendo o personagem de Chris Evans, quebrado financeiramente e como isso também o quebra emocionalmente, inclusive na vida, já me vi nessa situação (sem os atributos físicos, é óbvio hahaha). Mas confesso que compreendo mais a persona da Dakota e sua visão mais matemática e pragmática (prática).

    Vamos lá: por um lado o capitalismo atrapalha sim uma relação, digo nessa coisa de se comprar o sonho americano, as propagandas, os estilos de vida que influencers e selfies vendem, restaurantes, ter uma vida acima do confortável, viagens e todas as possibilidades que o dinheiro adquire. Se você anseia uma vida assim e quer dividir com alguém, a falta de grana irá te consumir.

    Se fosse só isso, facilmente cairíamos no campo do interesse, mas tudo é mais complexo do que isso. Sim, há muitas pessoas interesseiras, materialistas por dinheiro e corpos perfeitos. Mas no caso da protagonista (Johnson), ela é ao mesmo tempo pragmática. Note que ela acredita no amor, no encanto. Mas ela não deixa a matemática de lado, os cálculos, as probabilidades e os periféricos que acompanham uma relação. A falta de dinheiro impede sonhos, o que causa frustração, o que levará à discussões, o que desgasta a relação.

    Como qualquer "boa pessoa" realista/pessimista, ela enxerga lá adiante os resultados dos seus cálculos matemáticos de agora. Eu me identifico muito com isso, particularmente.

    "Tudo na vida é sobre sexo, exceto o sexo, que é sobre poder", escreveu Oscar Wilde.

    Acho muito interessante essa protagonista compreender o cinismo de um mundo capitalista, medir o amor com status, carteiras, estatísticas, nesses negócios comerciais chamados de casamento. É assim desde que o mundo é mundo, corpos e sonhos sendo vendidos e comprados, a gente só finge que não, até porque o amor envolve sentimentos belos no meio de toda essa "praticidade" feia.

    Dinheiro não é tudo, não compra amor, mas não se romantiza pobreza, e a falta de grana corrói relações. Tente equilibrar isso no mundo de hoje, e boa sorte (rsrs).

    Pena que o roteiro não termina a discussão que levanta, deixando o debate apenas jogado no campo das ideias, concluindo o filme de forma mais clichê e menos corajosa. Ok, seria muita polêmica.

    Amores Materialistas é na sua maior parte bonito, tem uma protagonista intrigante, tem boas intenções na sua desconstrução de um romance, indo inicialmente na contramão do tradicional, para depois tentar uma reconciliação com a fantasia romântica. Poderia ser melhor desenvolvido e vendido.

    Com Vidas Passadas e Materialists, Celine Song se revela uma romântica realista, que acredita sim no amor, mas em um amor que vem acompanhado de vários "mas" e "poréns", tal qual a vida real. Eu compreendo, me identifico com tudo isso.

    Nota: 7

    Obs: acredito que com o tempo, é um filme que vai crescer e se tornar um cult.

    editado
  • Superman (Superman) 916

    Superman

  • Léo MVDC
    9 meses atrás

    Esse é um filme que tenho bastante o que dizer.

    Não sou o maior fã do Superman, um homem indestrutível e "perfeito", com cores americanas no uniforme e muitas vezes retratado de forma endeusada, fria e apática. Reconheço obviamente a importância do clássico de 1978 com Christopher Reeve, a porta de entrada do cinema de heróis.

    A missão do cineasta James Gunn não era fácil. Atualizar o mito do Homem de Aço, o maior herói dos quadrinhos, começar o novo universo cinematográfico da DC, escalonar todo um novo elenco, rumo e estilo. Ainda mais após o fracasso do universo anterior da DC, que foi definhando. Fora a saturação e desgaste dos filmes de super-heróis, onde até a "rainha Marvel" passa por dificuldades.

    Mas James Gunn consegue, de novo!

    Superman, de 2025, um dos filmes mais esperados do ano, é espalhafatoso e imperfeito, mas lapidado com muito bom coração e boa vontade. Não me impressionou de forma épica, mas me arrancou vários sorrisos singelos pela sua genuína sinceridade.

    James Gunn é o cara. Ele sabe trabalhar muitas coisas ao mesmo tempo. Ele equilibra bem os elementos contraditórios: grotesco com doçura, humor e emoção, mortes e fofura. Ele abraça abertamente o bizarro, o lado B dos quadrinhos, o underground, e daí dá uma roupagem acessível. E traz essa narrativa dramática, humanizando aquilo que é estranho. Então nos pegamos torcendo por criaturas estranhas, graças à essa humanização dos rejeitados que Gunn aplica nos seus personagens. Foi assim com todos Guardiões da Galáxia, o segundo Esquadrão Suicida (esqueça aquele fraquíssimo primeiro, que não é do Gunn), etc.

    Aqui, Gunn equilibra muito bem na sua maior parte, o mito do herói, a grandeza teórica, a ação e o visual em CGI, mas também traz humor, romance, elementos assumidamente excêntricos que beiram o trash, referências às HQ's e animações da DC (o filme por vezes parece um desenho animado irado), cenas tocantes que visam trazer leveza e fragilidade das personagens.

    Nem tudo são flores. Há uma estranheza inicial de vermos um Superman tão diferente, tão abertamente fantasioso. Há um excesso de CGI em algumas cenas, poluindo visualmente. Mas ao menos a renderização gráfica é sim, boa.

    O roteiro possui fragilidades, não reinventa a roda, é clichê e apressado, há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, muita informação sendo despejada o tempo todo, são muitos personagens e aparições. Por ser o primeiro filme de uma nova saga, um novo momento da DC, e ao mesmo tempo chegar atrasado na "festa dos heróis", onde o cenário está desgastado, é "quase" um clima de fim de festa. A boa notícia é que é quase.

    Existe uma pressa de ter um universo já estabelecido. Então não perde-se tempo apresentando toda a origem do herói. Clark já é o Superman, já tem um romance com Lois, já existem grupos de outros heróis e vilões metahumanos, dentre outras coisas. O filme já começa com meio caminho andado, com fome de te fazer entrar logo nessa nova abordagem já preestabelecida.

    Porém ainda há um excesso de personagens e situações, faltando um pouco de respiro. Acredito que uma meia hora a mais, cadenciando melhor os acontecimentos, daria mais espaço para apego e desenvolvimento aos coadjuvantes, e daria talvez, melhor peso dramático.

    Dito isso, o maior trunfo do filme é o elenco comprometido, e a interação das personagens. É sério gente, esse elenco é uma delícia. Fora ser um filme assumidamente político e crítico, o que é muito bem-vindo.

    David Corenswet surpreende com um Superman com personalidade. Ele tem atitude, opinião própria, posicionamento político, tem uma pegada gostosa com a Lois, é pai de pet, tem uma relação doce com seus pais idosos, se posiciona contra o imperialismo americano, falha, cai apanha. Não temos um ser perfeito, mas um homem com sentimentos, ele se chateia, ama, é vulnerável, escolhe a gentileza em vez da violência, às vezes até mesmo sendo ingênuo diante a maldade. Ele segura bem esse papel dificílimo, e sinceramente, acaba de nascer um novo astro.

    A maravilhosa Rachel Brosnahan entrega uma Lois enérgica, durona e espirituosa, tanto que sinceramente, queria mais dela, foi pouco. Aliás, eles tem química hein 🔥

    Nicholas Hoult, numa nova, boa e versátil fase da carreira, entrega um bom Lex Luthor. De início achei que estava engessado e não chegaria lá, mas em dado momento ele entrega frieza e maldade, maltratando animais e matando pessoas, entrega um vilão de porte, e as cenas finais dele são fenomenais.

    Nathan Fillion entrega um Lanterna Verde engraçadão e Edi Gathegi um Senhor Incrível imponente. O pouquíssimo que a maravilhosa Milly Alcock (Supergirl) aparece, dá uma palhinha do que esperar dela em produções futuras. O resto do elenco é operante.

    E o cão Krypto é tudo que aparentava ser nos trailers: fofo, arteiro e sem controle, é legal que ele se movimenta como um animal de fato. Mas também é muito bem utilizado pelo roteiro. Não é só um acessório, mas tem importância e peso na narrativa. A interação entre ele e Superman é sensacional. Quando ele está em cena, o filme é dele, sendo bem utilizado até nas cenas de ação. Além disso, o novo designe do Krypto (aqui no Brasil chamado de "fiapo de manga"), inspirado num cãozinho adotado pelo próprio James Gunn, busca indiretamente conscientizar sobre a adoção de animais sem raça definida. É o vira-lata salvando o mundo, e a DC.

    Superman é um filme que ao entrar nessa de humanizar esse universo, a obra brilha mesmo é nos seus momentos mais simples e humanos. As farpas e os amassos entre Clark e Lois, o abraço dele no seu pai, algum humor muito bem colocado aqui e ali. O arco da namorada do Lex é bem inesperado, não imaginava ver o Lex Luthor levar ... Bem não vou dar spoilers 🤭

    No tom político, é muito válido o vilão ser um bilionário da tecnologia à lá Elon Musk, egocêntrico e irresponsável, se aliando com um político extremista caricato, uma mistura do Trump com o Netanyahu de Israel, envolvidos em uma guerra que lembra sim o genocídio em Gaza. E Superman chega como esse imigrante alienígena, defendendo não os interesses americanos, mas os inocentes que sofrem com esse conflito.

    Assim esse novo Superman se atualiza, trazendo esperança e gentileza no cenário político atual, onde a desinformação, a IA e os bots de internet servem como influência para massa de manobra, afim de perpetuar guerras que geram lucro para os países mais poderosos, e os bilionários sacanas que os apoiam.

    Superman tem vários defeitinhos esparsos, principalmente no excesso de informações em pouco tempo. Mas tem tanta leveza, tem cor, tem muitos pequenos e sutis acertos aqui e ali, possui boas intenções políticas e sociais, tem um elenco formidável, abraça o absurdo de uma forma genuína e despretensiosa, tem um final empolgante, tem tanta coisa pra se apreciar, que é preciso bastante mau humor pra negar a paixão pulsante que James Gunn tem pelos quadrinhos e esse universo.

    Em um mundo cruel onde muitas vezes se vende uma falsa ideia de super-heróis patriotas, capazes de fazer tudo, é interessante ver um filme que dá alguns passos pra trás, no bom sentido. Desconstrói algumas coisas, homenageia em outras, honra as origens, mas atualiza sua mensagem, trazendo esperança, gentileza e empatia ao próximo. Obrigado James Gunn!

    Superman de 1978 surpreendia o mundo mostrando que um homem podia voar. O Superman de 2025 pode surpreender por outro motivo, que o homem ainda é capaz de amar.

    Nota: 8

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