Últimas opiniões enviadas
Eu tive muitos sentimentos e impressões assistindo ao filme... Vamos lá!
É muito clara a estética de Kleber Mendonça no filme; tem identidade. Eu adoro o estilo do Kleber, principalmente nos últimos filmes. É impressão ou ele está se transformando?! Percebo uma mudança de estilo nos seus últimos 3 filmes se comparados a O Som ao Redor e Aquarius.
O lance do tubarão e da perna me remeteu ao livro Cabeça de Santo, de Socorro Acioli, em um tom de realismo fantástico. A história da perna publicada no jornal não está à toa, mostra como os meios de comunicação da época estavam (forçados a estar) alienados com o que estava acontecendo.
Achei interessante ele trazer a história da criança morta, filho da empregada, por negligência da patroa, em clara referência ao caso real ocorrido em Recife em 2020.
Também me lembrou o filme Cinema Paradiso (amo esse filme), quando retrata o cinema São Luiz e os bastidores... Acho que houve uma influência, será?
O filme retrata muito o Brasil: a tragédia naturalizada que faz parte do cotidiano; o carnaval como o momento de fuga, representando a forma como fomos ensinados a lidar com as tragédias. Estas são representadas pelos corpos estendidos nos espaços públicos, cobertos com folha de jornal. Talvez, naquela época, os jornais só serviam para isso mesmo: cobrir corpos.
Outra coisa que me chamou a atenção é a "seriedade" da segurança pública no Brasil. É um gatilho interessante para pensarmos a segurança pública no Brasil hoje. Corrupta e violenta. Parece que nasceu assim.
O filme tem muitas camadas que vamos descobrindo conforme vamos lembrando e refletindo. Um filme muito bom. Com identidade própria, firme e honesto.
Gosto do filme porque não segue o caminho que o espectador espera. Quando o filme acabou eu ouvi "mas acabou? desse jeito?", "o filme está cheio de buracos, eu quero respostas". Pensei: "preencha o buraco e elabore as suas próprias respostas." Estamos preguiçosos para pensar, elaborar ideias... Eu acho que é resultado de todos esses facilitadores disponíveis que nos entregam respostas e ideias prontas. Estamos acostumados com cinema fast-food.
Gostei muito, mas na minha opinião, não superou Bacurau.
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O Oscar 2017 está logo aí e teremos o nosso tradicional BOLÃO DO OSCAR FILMOW!
Serão 3 vencedores no Bolão com prêmios da loja Chico Rei para os três participantes que mais acertarem nas categorias da premiação. (O 1º lugar vai ganhar um kit da Chico Rei com 01 camiseta + 01 caneca + 01 almofada; o 2º lugar 01 camiseta da Chico Rei; e o 3º lugar 01 almofada da Chico Rei.)
Vem participar da brincadeira com a gente, acesse https://filmow.com/bolao-do-oscar/ para votar.
Boa sorte! :)
* Lembrando que faremos uma transmissão ao vivo via Facebook e Youtube da Casa Filmow na noite da cerimônia, dia 26 de fevereiro. Confirme presença no evento https://www.facebook.com/events/250416102068445/
Eu tive muitos sentimentos e impressões assistindo ao filme... Vamos lá!
É muito clara a estética de Kleber Mendonça no filme; tem identidade. Eu adoro o estilo do Kleber, principalmente nos últimos filmes. É impressão ou ele está se transformando?! Percebo uma mudança de estilo nos seus últimos 3 filmes se comparados a O Som ao Redor e Aquarius.
O lance do tubarão e da perna me remeteu ao livro Cabeça de Santo, de Socorro Acioli, em um tom de realismo fantástico. A história da perna publicada no jornal não está à toa, mostra como os meios de comunicação da época estavam (forçados a estar) alienados com o que estava acontecendo.
Achei interessante ele trazer a história da criança morta, filho da empregada, por negligência da patroa, em clara referência ao caso real ocorrido em Recife em 2020.
Também me lembrou o filme Cinema Paradiso (amo esse filme), quando retrata o cinema São Luiz e os bastidores... Acho que houve uma influência, será?
O filme retrata muito o Brasil: a tragédia naturalizada que faz parte do cotidiano; o carnaval como o momento de fuga, representando a forma como fomos ensinados a lidar com as tragédias. Estas são representadas pelos corpos estendidos nos espaços públicos, cobertos com folha de jornal. Talvez, naquela época, os jornais só serviam para isso mesmo: cobrir corpos.
Outra coisa que me chamou a atenção é a "seriedade" da segurança pública no Brasil. É um gatilho interessante para pensarmos a segurança pública no Brasil hoje. Corrupta e violenta. Parece que nasceu assim.
O filme tem muitas camadas que vamos descobrindo conforme vamos lembrando e refletindo. Um filme muito bom. Com identidade própria, firme e honesto.
Gosto do filme porque não segue o caminho que o espectador espera. Quando o filme acabou eu ouvi "mas acabou? desse jeito?", "o filme está cheio de buracos, eu quero respostas". Pensei: "preencha o buraco e elabore as suas próprias respostas." Estamos preguiçosos para pensar, elaborar ideias... Eu acho que é resultado de todos esses facilitadores disponíveis que nos entregam respostas e ideias prontas. Estamos acostumados com cinema fast-food.
Gostei muito, mas na minha opinião, não superou Bacurau.