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Data de lançamento
9 Fev. 1980Duração
Salomé (Betty Faria), Lorde Cigano (José Wilker) e Andorinha são três artistas ambulantes que cruzam o país juntamente com a Caravana Rolidei, fazendo espetáculos para o setor mais humilde da população brasileira e que ainda não tem acesso à televisão. A eles se juntam o sanfoneiro Ciço (Fábio Junior) e sua esposa, Dasdô (Zaira Zambelli), com os quais a Caravana cruza a Amazônia até chegar a Brasília.
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Há uma generosidade rara no jeito como Carlos Diegues observa o país em sua obra-prima de 1979. Em vez de se perder em discursos sociológicos enfadonhos, o diretor prefere enxergar a grande transformação do Brasil através do para-brisa empoeirado de um caminhão que cruza estradas de terra rumo a uma modernidade inevitável. Acompanhar a trupe da Caravana Rolidei não é apenas um exercício de nostalgia, mas uma viagem tocante pelas contradições de um povo que tenta se agarrar às suas raízes enquanto assiste à televisão mudar a cor dos seus sonhos.
O grande trunfo do roteiro está na humanidade magnética que o elenco entrega a esses personagens itinerantes. José Wilker veste a pele de Lorde Cigano com uma mistura irrecusável de picareta romântico e visionário cansado, enquanto Betty Faria empresta a Salomé uma dignidade feroz e maternal. Quando eles absorvem o sanfoneiro interpretado por Fábio Júnior e sua esposa, o filme ganha o fôlego de uma odisseia picaresca onde o riso e a melancolia dividem o mesmo espaço apertado na cabine.
O que torna a experiência tão duradoura é a forma como Diegues evita o julgamento fácil sobre o progresso e o atraso. As antenas parabólicas que começam a despontar nos casebres mais remotos não são apresentadas apenas como vilãs que roubam o público do circo, mas como um fascínio incontornável que atrai o sertanejo para uma nova era. É o retrato de um país que se reinventa na marra, poeira e sal, embalado por uma trilha sonora que parece respirar junto com a paisagem.
Poucos filmes conseguiram capturar com tanta precisão a alma de uma nação em pleno transe de transição. É uma comédia agridoce que compreende perfeitamente que o Brasil nunca foi um lugar estático, mas sim um eterno movimento em direção a um futuro que chega atropelando tudo. Ao final da jornada, a sensação que fica é a de ter testemunhado um clássico essencial que continua vivo e dolorosamente atual.
Ai, as cores desse filme... S2
O que eu gosto desse filme é a descoberta do Brasil profundo daquela época. O filme nos leva para conhecer regiões em que, como dizem, "nem jornal chega". E alguns dos diálogos são realmente profundos. Atuações primorosas do Wilker e da Betty Faria.
Impressionante a presença que a Beth Faria empresta para a Salomé. Em vários momentos, basta um olhar para que ela roube a cena.
E pensar que o Brasil já entregou excelente filmes que tocam em assuntos relevantes e exploram o Brasil largado as traças…