Rip Murdock, um ex-soldado, tenta encontrar e destruir quem envolveu seu amigo Johnny em um assassinato. Se envolve com uma ex-amante dele, Coral, que canta num night-club do mafioso Martinelli.
Dead Reckoning (1947), lançado no Brasil como Confissão, é um film noir clássico dirigido por John Cromwell, estrelado por Humphrey Bogart e Lizabeth Scott. É um filme que carrega bem a essência do gênero: ambientação sombria, diálogos afiados, cinismo, paixão e traição. Desde os primeiros minutos, o clima de mistério e tensão domina a tela, e a trama se desenrola como um jogo de sorte e destino — o mesmo tipo de jogada que define o rumo do protagonista.
Uma das cenas mais marcantes é a dos dados no cassino — Murdock foi pica.
A maneira como ele encara a situação, sempre com segurança e controle, já mostra quem ele é. Quando, mais tarde, repete a jogada no escritório do coronel com os dados que havia guardado como lembrança, e ambos tiram um, fica clara a ironia do destino. É como se a própria sorte zombasse dele, lembrando que ninguém escapa do acaso.
Rip Murdock (Humphrey Bogart) é um ex-soldado que, ao chegar a Gulf City, se vê envolvido em um esquema perigoso de chantagem e assassinato. Seu amigo, Johnny Drake, havia morrido, e Murdock tenta descobrir o que aconteceu com ele.
No caminho, se cruza com Louis Ord (William Prince), um homem que conhecia Johnny e tenta avisar Murdock de uma armadilha armada por Martinelli (Morris Carnovsky), o poderoso dono de cassino da cidade.
Martinelli mandou preparar um drink com sonífero para eliminar Murdock, mas Louis o alertou. Se Murdock não bebesse, Martinelli perceberia a traição e mandaria matar Louis por tê-lo avisado. Se ele bebesse, o destino seria incerto. Sem escolha, Murdock bebe o drink — e o resultado é trágico. Louis acaba assassinado, e Murdock acorda ao lado do corpo, em seu próprio apartamento. Tudo foi cuidadosamente armado: Martinelli faz uma denúncia à polícia, e o cenário do crime está pronto para incriminar Rip como o assassino.
Tem também a presença de Coral “Mike” Chandler (Lizabeth Scott), uma mulher envolvente e misteriosa que domina cada cena em que aparece. Sua voz suave e expressão ambígua fazem dela a típica femme fatale do noir: alguém que o público quer confiar, mas não consegue. Murdock, com seu olhar cético e seu instinto desconfiado, tenta decifrá-la enquanto busca justiça e vingança.
Lizabeth Scott está poderosa no papel — sua presença é magnética, e há momentos em que ela lembra Lauren Bacall, esposa de Bogart, tanto na beleza quanto na atitude. É uma daquelas atuações que não precisam de muito para marcar: ela fala pouco, mas cada palavra tem peso. Humphrey Bogart, por sua vez, entrega outro personagem à sua altura — o homem duro, direto e cínico, que mesmo descrente do mundo ainda guarda uma centelha de fé nas pessoas. Seu humor sarcástico e suas falas afiadas dão ritmo e personalidade ao filme.
No desfecho, Murdock descobre toda a extensão da trama de Martinelli e o envolvimento de “Mike”, que havia sido amante de Johnny e, contra a vontade, parte do esquema do vilão. O confronto final é rápido, intenso e violento. Eles tentam escapar, mas se desentendem e ela acaba ferida e morre pouco depois. Ele sobrevive, mas sem consolo — apenas com o vazio e a frieza que o destino reserva aos personagens desse tipo de história.
Dead Reckoning é uma boa história, ainda que mal aproveitada. O filme tem potencial, mas o roteiro nem sempre se sustenta, deixando algumas situações mal resolvidas. Não é dos melhores noirs de Bogart, mas também não é de se desprezar. A atmosfera é excelente, as atuações são sólidas e a direção segura. Poderia ter sido melhor, sim — e, com um roteiro mais ajustado, um remake moderno teria tudo para transformar essa trama num filmão.
Drama de mistério e suspense policial noir em preto e branco da Columbia Pictures. Lizabeth Scott (1922-2015) canta a música "Either it's love or it isn't" na boate enquanto está sentada com Rip. Só que canto dela foi dublado por Trudy Stevens. Humphrey Bogart (1899-1957) e Lizabeth Scott foram parodiados no filme Sonhos de um sedutor (72), de Woody Allen.
Em uma entrevista após a conclusão da produção, Bogart comentou sobre trabalhar com Lizabeth: "Fui avisado de que ela era temperamental, mas não poderia ter sido mais agradável trabalhar com ela." Estréia cinematográfica de Lillian Wells (1927-1977), cuja carreira cinematográfica consistiu em papéis não creditados em 6 filmes, todos lançados em 1947.
Uma trama com enredo complexo demais que mantém sua pulsação intrigante com a presença marcante de Bogart - com seu humor cínico e mordaz - e seus diálogos afiados que dão dimensão à sua camada fatalista sobre dever, lealdade e assassinato.
Depois de um longuíssimo flashback o filme perde um pouco o bom ritmo que vinha desenvolvendo. O desfecho é um tanto exagerado, com direito até a explosões de granada. Mesmo assim é um noir medianamente satisfatório.
Pra mim tem tudo que um grande noir precisa ter, a começar pelo gigante Bogart narrando seu próprio conto, uma femme fatale sempre levantando dúvidas no anti-herói, uma trama cheia de reviravoltas e um tom fatalista e trágico . Se tenho um porém , seria o fato do pequeno desenvolvimento com a questão do confessionário ( aqui existia uma material muito forte que poderia ser explorado e acabou sendo utilizado apenas como um artifício superficial).
Dead Reckoning (1947), lançado no Brasil como Confissão, é um film noir clássico dirigido por John Cromwell, estrelado por Humphrey Bogart e Lizabeth Scott. É um filme que carrega bem a essência do gênero: ambientação sombria, diálogos afiados, cinismo, paixão e traição. Desde os primeiros minutos, o clima de mistério e tensão domina a tela, e a trama se desenrola como um jogo de sorte e destino — o mesmo tipo de jogada que define o rumo do protagonista.
Uma das cenas mais marcantes é a dos dados no cassino — Murdock foi pica.
A maneira como ele encara a situação, sempre com segurança e controle, já mostra quem ele é. Quando, mais tarde, repete a jogada no escritório do coronel com os dados que havia guardado como lembrança, e ambos tiram um, fica clara a ironia do destino. É como se a própria sorte zombasse dele, lembrando que ninguém escapa do acaso.
Rip Murdock (Humphrey Bogart) é um ex-soldado que, ao chegar a Gulf City, se vê envolvido em um esquema perigoso de chantagem e assassinato. Seu amigo, Johnny Drake, havia morrido, e Murdock tenta descobrir o que aconteceu com ele.
No caminho, se cruza com Louis Ord (William Prince), um homem que conhecia Johnny e tenta avisar Murdock de uma armadilha armada por Martinelli (Morris Carnovsky), o poderoso dono de cassino da cidade.
O plano era simples:
Martinelli mandou preparar um drink com sonífero para eliminar Murdock, mas Louis o alertou. Se Murdock não bebesse, Martinelli perceberia a traição e mandaria matar Louis por tê-lo avisado. Se ele bebesse, o destino seria incerto. Sem escolha, Murdock bebe o drink — e o resultado é trágico. Louis acaba assassinado, e Murdock acorda ao lado do corpo, em seu próprio apartamento. Tudo foi cuidadosamente armado: Martinelli faz uma denúncia à polícia, e o cenário do crime está pronto para incriminar Rip como o assassino.
Tem também a presença de Coral “Mike” Chandler (Lizabeth Scott), uma mulher envolvente e misteriosa que domina cada cena em que aparece. Sua voz suave e expressão ambígua fazem dela a típica femme fatale do noir: alguém que o público quer confiar, mas não consegue. Murdock, com seu olhar cético e seu instinto desconfiado, tenta decifrá-la enquanto busca justiça e vingança.
Lizabeth Scott está poderosa no papel — sua presença é magnética, e há momentos em que ela lembra Lauren Bacall, esposa de Bogart, tanto na beleza quanto na atitude. É uma daquelas atuações que não precisam de muito para marcar: ela fala pouco, mas cada palavra tem peso. Humphrey Bogart, por sua vez, entrega outro personagem à sua altura — o homem duro, direto e cínico, que mesmo descrente do mundo ainda guarda uma centelha de fé nas pessoas. Seu humor sarcástico e suas falas afiadas dão ritmo e personalidade ao filme.
No desfecho, Murdock descobre toda a extensão da trama de Martinelli e o envolvimento de “Mike”, que havia sido amante de Johnny e, contra a vontade, parte do esquema do vilão. O confronto final é rápido, intenso e violento. Eles tentam escapar, mas se desentendem e ela acaba ferida e morre pouco depois. Ele sobrevive, mas sem consolo — apenas com o vazio e a frieza que o destino reserva aos personagens desse tipo de história.
Dead Reckoning é uma boa história, ainda que mal aproveitada. O filme tem potencial, mas o roteiro nem sempre se sustenta, deixando algumas situações mal resolvidas. Não é dos melhores noirs de Bogart, mas também não é de se desprezar. A atmosfera é excelente, as atuações são sólidas e a direção segura. Poderia ter sido melhor, sim — e, com um roteiro mais ajustado, um remake moderno teria tudo para transformar essa trama num filmão.
Assistido em 26/10/2025
Drama de mistério e suspense policial noir em preto e branco da Columbia Pictures. Lizabeth Scott (1922-2015) canta a música "Either it's love or it isn't" na boate enquanto está sentada com Rip. Só que canto dela foi dublado por Trudy Stevens. Humphrey Bogart (1899-1957) e Lizabeth Scott foram parodiados no filme Sonhos de um sedutor (72), de Woody Allen.
Em uma entrevista após a conclusão da produção, Bogart comentou sobre trabalhar com Lizabeth: "Fui avisado de que ela era temperamental, mas não poderia ter sido mais agradável trabalhar com ela." Estréia cinematográfica de Lillian Wells (1927-1977), cuja carreira cinematográfica consistiu em papéis não creditados em 6 filmes, todos lançados em 1947.
Uma trama com enredo complexo demais que mantém sua pulsação intrigante com a presença marcante de Bogart - com seu humor cínico e mordaz - e seus diálogos afiados que dão dimensão à sua camada fatalista sobre dever, lealdade e assassinato.
Depois de um longuíssimo flashback o filme perde um pouco o bom ritmo que vinha desenvolvendo. O desfecho é um tanto exagerado, com direito até a explosões de granada. Mesmo assim é um noir medianamente satisfatório.
Bom Noir seguindo a receita básica do gênero e com Bogard e Lizbeth mandando muito bem como casal protagonista. Só o final que
ficou um pouco "Falcão Maltês" demais...
Pra mim tem tudo que um grande noir precisa ter, a começar pelo gigante Bogart narrando seu próprio conto, uma femme fatale sempre levantando dúvidas no anti-herói, uma trama cheia de reviravoltas e um tom fatalista e trágico . Se tenho um porém , seria o fato do pequeno desenvolvimento com a questão do confessionário ( aqui existia uma material muito forte que poderia ser explorado e acabou sendo utilizado apenas como um artifício superficial).